Episódios de Revista CBN

A expectativa de sempre ter metas

03 de maio de 202612min
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Rossandro Klinjey fala sobre a cultura da alta performance e o impacto disso na saúde mental. Ele destaca que, embora o trabalho seja importante, não deve definir totalmente a identidade das pessoas.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinger

Convidado
Assuntos6
  • Metas PessoaisPerspectiva e objetivos · Condições atuais · Saúde física e mental · Compromisso no trabalho
  • Linguagem corporalSinais de esgotamento · Dor de cabeça e gastrite · Estado de alerta constante
  • Redes sociais e cultura da imagemPadrões de beleza irreais · Influenciadores e rotinas exaustivas · Comparação de performance
  • Jornada de TrabalhoMortes de motoboys · Executivos e AVC · Médicos e ataque cardíaco · Jornada de trabalho exaustiva
  • Importância do descansoDescanso como parte do processo · Não adoecer · Equilíbrio entre trabalho e descanso
  • Influenciadores e Criadores de ConteúdoRotinas viáveis · Desinfluenciadores · Construção individual de metas
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E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.

O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klinger. Rossandro Klinger, boa tarde. Boa tarde, Marcela. Tudo em paz? Tudo em paz e com você, tudo bem?

Tudo em paz. Trabalhando aqui, né? Tivemos o dia do trabalhador, dia 1º de maio, feriado. E aí a gente começa a refletir sobre o nosso papel no trabalho, sobre as metas que a gente tem para cumprir, né, Rosandra? Exato, Marcela. Sabe que a gente vive hoje no mundo em que muita gente, inclusive na internet é muito comum, né? Pessoas que lhe explicam como performar mais, como atingir metas.

como parar de procrastinar, tem gente dando dica para tudo, mas pouca gente diz assim como parar, como descansar, como respirar, como não adoecer, como não desenvolver burnout. E isso, quando a gente fala, não é um discurso contra o trabalho, afinal, nós precisamos do trabalho, ele também faz parte da nossa identidade, mas não é a nossa identidade inteira. E a gente vive uma sociedade de cansaço profundo, que é o que Bianchi O'Han falou na obra dele, Sociedade do Cansaço,

E esse nome burnout, que é queimar por dentro, que é esse nome inglês que é dado para essa sensação de esgotamento profundo que as pessoas têm, vem muito menos, às vezes, de uma cobrança excessiva do trabalho. Às vezes, é uma cobrança que nós mesmos fazemos a nós mesmos. Pessoas que não conseguem...

descansar, que não conseguem ficar no domingo de manhã sem fazer nada. Então, quando vão descansar, é dentro de uma agenda, não. Agora é hora de descansar, como se fosse fazendo parte daquela rotina programada em que tudo tem que estar milimetricamente pensado para funcionar. E também não é um discurso contra a produtividade, contra o crescimento. Não, mas é entender que faz parte desse processo também descansar, do menos que o corpo precisa dormir.

E o que acontece? Tem gente que não está conseguindo dormir direito, que acorda no centro que saciou o sono, pessoas que estão sempre com cansaço, ou gastrite, ou dor de cabeça. E não entendo que muitas vezes, Marcela, nesse caso...

É o corpo que está dizendo aquilo que você se recusa a entender. O corpo, ele fala e ele não se recusa a não falar. Ele fala. Quando você fica engolindo, fica numa relação que te desgasta, num emprego que te destrói, sabe? Em qualquer lugar, em qualquer grupo, que exija mais do que ter o dedo e retorno, seu corpo vai encontrar uma forma dele sair, se é que você não está saindo.

E aí eu acho que é importante a gente ficar atento a esses sinais, né, Rossandro? Porque o corpo fala, o que muitas vezes a gente não consegue traduzir. Os sentimentos que a gente tem dentro de nós, o que a gente tem vivido, ele sai em forma do cansaço, do estresse, das questões físicas. É importante a gente estar atento a esses sinais, né? Com certeza, se a gente não ficar atento a esses sinais...

a gente termina fazendo com que o corpo mostre esses sinais de uma forma muito grande. Por exemplo, ele começa com dor de cabeça persistente, um gastrito que você fica tomando apenas um medicamento para poder aliviar, e você não escuta. Então ele começa meio que, vamos dizer assim, soprando, não estou bem, você não está bem, não dá para continuar assim. Nós não fomos feitos para estar em estado de alerta constante.

A nossa neurofisiologia é feita para estar em estado de alerta temporário, um perigo iminente, você corre, puxa energia, corre de um bicho na floresta, ou sai de uma situação difícil, de um assalto. Agora, viver o tempo inteiro em estado de tensão alta cria um desgaste, às vezes, irreversível para o corpo. Então ele começa com sinais pequenos, mas quando você não escuta os pequenos, ele vem para um grande.

A gente pensa, né? A gente olha, por exemplo, nessa sociedade da produtividade. No Brasil, 33 motoboys morrem por dia. Por dia. 12 mil por ano. A gente vê essas cifras e esquece que não é só motoboy que morre. Quantos executivos ficam trabalhando 14 horas por dia e depois tem um AVC? Quantos médicos e médicas dão plantão sem parar e depois tem um ataque cardíaco?

Então, não é só sobre aquela população mais carente, que precisa estar no meio da rua, entregando comida, passando farol vermelho, porque tem um prazo. Todo mundo está nessa correria. Não importa em que profissão, a gente tem que pensar assim, será que nós estamos todos sequestrados por esse discurso? E a gente não precisa também continuar produzindo, continuar performando, mas também descansando, repousando, se cuidando. É um equilíbrio.

Total. Você falou de performance, isso me lembra muito, a gente tava tendo uma conversa agora a respeito da ditadura da beleza, né? Sobre como as mulheres, principalmente mulheres, mas também homens, se cobram muito diante do que vem nas redes sociais. E acho que essa coisa da performance, da alta performance também. A gente vê muitos coaches, muitos...

influenciadores, postando rotinas exaustivas, como se fossem rotinas reais, capazes de fato de serem realizadas, quando na verdade não são. Ainda mais dentro das dinâmicas de cada um, dentro da rotina de cada um. Uma pessoa que tem que pegar duas horas de transporte público para chegar ao trabalho, não consegue performar da mesma maneira daquela pessoa que vai a pé.

há cinco minutos do trabalho, porque mora cinco minutos do trabalho a pé. Então, essa comparação que muitas vezes a gente tem nas redes sociais, com metas, com objetivos, com performances do outro, também pode ser um vilão nessa nossa busca por qualidade de vida, né? Com certeza, é uma loucura. Acho que uma das coisas que a gente deve começar a fazer, eu recomendo muito as pessoas fazerem isso, sabe, Marcelo?

É limpa a tua rede social de quem está inventando história, mentindo, exagerando, só dizendo o que consegue fazer. Porque sempre assim, se você acordar cinco da manhã, alguém vai postar que acordou às quatro. Sabe, uma competição completamente ensandecida. Então até a busca de saúde, de wellness, virou uma doença.

Então até a busca de um corpo mais saudável agora virou uma forma de performar, competir. Você compete por tudo, né? Aí você traz aí a questão do padrão de beleza. São vários níveis de performance. Tem que estar linda, lindo, tem que estar malhado, tem que estar saudável, tem que... E depois tudo virou... Não é nada mais natural. Aquilo que poderia ser natural, tomar um café da tarde com os amigos sem ter esse network, só por tomar café, não. O que vai me dar de vantagem se eu tomar um café com a Marcela? Não.

Só porque, assim, o papo é legal, sabe? As pessoas perderam isso e têm adoecido. Você tem razão. Cada vez mais a sociedade. Tudo tem que ter algum objetivo obscuro por trás. Talvez nem tão obscuro, mas um objetivo por trás quando, na verdade, a gente pode só fazer porque a gente quer. Exato. Porque é agradável, porque é legal, porque faz parte. E não precisa ter uma vantagem. Aliás, a vantagem é o próprio fato que é agradável.

Não precisa ter uma outra coisa por trás. Ah, agora eu vou conseguir uma pauta com ela na CBN para falar da coisa que eu quero. Sabe, assim, ah, a Rosana vai me... Essa coisa de sempre querer acesso, sempre querer que a coisa seja com uma intenção de troca. Eu acho que até os pais estão educando os filhos assim, performando. Aquele filho que não tira nota boa na escola já é discriminado. Quando, às vezes, o mais colaborativo, o mais generoso é o outro.

Mas como a métrica que estabeleceu de performar em nota, você esquece das outras qualidades que a alma tem humana. O nosso ouvinte Fernando Souza, aqui no chat do YouTube, comentou um aspecto interessante disso que a gente está trazendo, que são com relação ao afastamento de funcionários no Brasil por causa de questões relacionadas à saúde mental. Ele diz que poucas empresas pensam nisso.

E que tem impacto direto também no desempenho dentro do trabalho. Você quer performar demais, no fim, acaba performando de menos, né? E depois a empresa te substitui. Ela continua. Em poucos minutos, tá? É, em poucos minutos. Você não tem substituto para você. As empresas substituem todas as pessoas. Mas você não tem substituto para você. Se você não cuidar de você, não adianta. Ah, claro.

A gente tem que imaginar que a sociedade também tem que cuidar, que a empresa também tem que ter esse olhar cuidadoso, sim. Mas enquanto não é assim tão perfeito como a gente gostaria, ninguém está aqui na Suíça, na Finlândia, a gente está num país cheio de problemas, faça a sua parte, pelo menos você cuide de você.

A Lizzie, nosso ouvinte aqui também participando pelo WhatsApp 1199119981, pontua que existem influenciadores que são realistas. Ela diz que segue algumas pessoas que, de fato, incentivam...

a ter uma rotina melhor, até mesmo quando a gente fala sobre saúde, rotina de treinos, mas que levam em consideração justamente a realidade de cada um e dão exemplos para isso. E que esses sim que são influenciadores, não os desinfluenciadores, como eu costumo dizer de alguns aqui.

É, exatamente. Isso é legal. Por isso é bom fazer essa limpa. Quem você vê que não está lidando com a realidade, sai, deixa de seguir, dá um dislike, vai ficar com quem realmente está oferecendo uma coisa que é viável para você. E também construa, por mais que alguém esteja fazendo algo que seja amplo para todo mundo, tem uma hora que só você sabe onde o calo aperta, onde é que dá para você apertar um pouco mais o passo, onde você precisa descansar.

Você não pode estar esperando que alguém te diga isso o tempo todo. Temos que ser mais maduros.

É isso, sem dúvida. Rosandro, te agradeço muito pela sua participação. Legal a gente deixar essa reflexão aqui para os nossos ouvintes. Semana começando. Vamos colocar metas. Metas são importantes, né, Rosandro? Mas elas precisam ser metas realistas, né? Com certeza. Vamos nessa. Tamo junto. Beijo no coração, viu, Marcela? Um beijo para você, Rosandro. Obrigada pela sua participação com a gente hoje aqui.

Uma hora e cinquenta e sete minutos, a gente vai seguir com o nosso Revista CBN, trazendo sempre pra você essas e outras reflexões. Muitas mensagens chegando por aqui a respeito desse tema, pessoal falando sobre as metas que tem, sobre o que quer fazer, o que podem fazer, o que não podem fazer.

É importante a gente colocar em perspectiva as metas realistas. É claro que você tem que ter metas para seguir na sua vida, para fazer chegar a atingir os seus objetivos. Mas essas metas precisam ser condizentes com o que você tem ali de momento. É o que a gente estava conversando mais cedo com a Calça Ad com relação a treinos. Eu sei que a minha rotina só me possibilita fazer treino três vezes por semana.

Se eu conseguir fazer além desses treinos que eu já coloquei na minha perspectiva, vai ser um adendo, vai ser algo a mais positivo. Mas eu não posso me forçar e ficar frustrada, caso eu não consiga realizar mais do que três treinos, porque eu sei que a minha rotina e a minha realidade só me permitem esses três dias de treino.

É mais ou menos assim que a gente tem que fazer, não só quando a gente vai falar de saúde física, mas também na saúde mental, no nosso compromisso no trabalho, no nosso compromisso com as pessoas. É importante colocar metas realistas para você não ficar frustrado e aí sim colocar tudo a perder. E claro, seguir pessoas que são do bem. Inclusive, calçado é uma delas. Rossandro Klingen é outra. São influenciadores que têm bagagem para trazer.

coisas importantes ou reflexões importantes pra gente, por isso a gente os ouve aqui no Revista CBN de Domingo vocês já sabem né, Débora Ellen, Revista CBN de Domingo é o momento da gente refletir e se inspirar pra semana que tá começando e é isso que a gente tenta trazer aqui mesmo quando o Petra Chaves não está

Certo? E eu tô junto com esse pelotão maravilhoso no Revista CBN deste domingão. A gente tem muita coisa boa pra falar ainda, não saia daí. Daqui a pouquinho tem mais Revista CBN e agora a gente vai pro Repórter CBN.

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