Relatório denuncia uso da água como arma de guerra em Gaza
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- Uso da água como arma de guerra em GazaRelatório da Médicos Sem Fronteiras · Destruição de infraestruturas hídricas · Impacto na saúde civil (doenças de pele e gastrointestinais) · Negação de Israel e contra-argumentos · Apelo por restabelecimento do abastecimento de água
- Situação humanitária em GazaEscassez de água e saneamento · Dificuldades de acesso a alimentos · Violência e mortes em filas de água · Deslocamentos forçados da população
- Relações InternacionaisPressão sobre Israel · Garantia de acesso humanitário · Respeito ao direito internacional humanitário
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Dois anos e meio após o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, organizações internacionais monitoram, claro, a situação dos civis, fazem alertas importantes e a ONG Médicos Sem Fronteiras...
divulgou nesta última semana um relatório que afirma que o abastecimento de água tem sido um dos alvos neste conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. De acordo com esse relatório...
Israel usa a privação de água como arma de guerra na faixa de Gaza. Isso tem um forte impacto sobre a população civil. De acordo com a ONG, houve destruição massiva de infraestruturas hídricas. A própria ONU também fala a respeito dessa destruição. Cerca de 90% da infraestrutura hídrica, ou seja, tudo que está relacionado ao abastecimento de água na região.
foi danificada ou destruída, incluindo poços, tubulações, usinas de dessalinização. A gente sabe que a região já é uma área privada de água, geograficamente falando.
Sobre esse assunto, sobre esse relatório da Organização Médicos Sem Fronteiras, a gente conversa agora com a presidente do Conselho de Médicos Sem Fronteiras, a Renata Santos, gentilmente nos atendendo neste domingo aqui no Revista CBN. Renata, bem-vinda, uma boa tarde para você. Olá, Marcela, obrigada, boa tarde, boa tarde a todas as pessoas que estamos acompanhando aqui hoje.
Renata, já te pergunta a respeito desse relatório que traz este alerta importante com relação aos impactos à sociedade civil. Quais são, de fato, os principais problemas relacionados à privação de água numa área, como eu comentei, que já tem a escassez de recursos hídricos por questões geográficas? A gente fala aqui desses problemas. Queria que você destacasse quais são os principais, mas já adianto. Além da falta de água potável...
disseminação de doenças, tudo isso acaba sendo fatores muito importantes, né? Exatamente. Somos uma organização que trabalha com foco em saúde e sabemos que o quanto que o acesso à água potável e sistema de saneamento tem um impacto direto na saúde das pessoas. Então, para que as pessoas que estão nos acompanhando tenham uma ideia, em 2025, Médicos Sem Fronteiras no Atendimento à População em Gaza.
registrou 18% das pessoas que buscavam por atendimento, elas tinham algum problema relacionado à doença de pele, diretamente vinculado às condições de higiene, às más condições de higiene, às quais elas estão submetidas, que estão sendo impostas a essas pessoas pelos diversos deslocamentos, falta de infraestrutura, como relacionada à água, como estamos falando aqui, dentre outras, falta de acesso à alimentação também.
E, além disso, 25% das doenças que nós atendemos na população de Gaza no ano passado, elas eram relacionadas a doenças gastrointestinais. Então, isso tem uma relação direta com a má qualidade da água, o acesso também à água potável e também ao sistema de esgoto, que tem sido sistematicamente utilizado, como o nosso relatório aponta, como uma arma pelo governo de Israel, dentro de toda essa arquitetura genocida que tem sido.
levado a cabo pelo governo de Israel, que nós temos testemunhado já há alguns anos, infelizmente, sem nenhuma melhora consistente. A gente está falando do caso específico da população na região de Gaza, mas a ONG atua em mais de 70 países e em situações de conflito pelo mundo todo. A água, de fato, é um bem utilizado com frequência em guerras, como barganha ou até mesmo como arma de guerra?
Eu não saberia lhe dizer o quanto a água tem sido utilizada como uma arma em situações de conflito. O que nós temos visto na Palestina e na faixa de Gaza especificamente é o uso pelo governo de Israel da água como uma arma contra a população palestina. Então nós temos relatos de pessoas que andam quilômetros para ter acesso à água, a um poço de água.
Elas têm dificuldade em armazenar esse bem. E temos relatos dramáticos, como o de uma avó que teve o seu neto de 10 anos assassinado por forças israelenses na fila da água. Então, essa é uma situação dramática, é uma situação de extrema vulnerabilidade que essas pessoas têm enfrentado, fora todas as outras violências cotidianas que têm sido impostas a elas.
É só um bem que deveria ser algo essencial, que é um bem essencial, que garante a vida. Então, nesse contexto específico do genocídio em curso na Palestina, na faixa de gás, a arma tem sim sido utilizada como um arsenal de guerra.
pelo Estado de Israel. A gente falou aqui sobre a questão das doenças, você trouxe números alarmantes também com doenças relacionadas a problemas gastrointestinais, problemas de pele, as questões de higiene de fato, mas também a água acaba afetando em tudo ali na população. Quando a gente fala de água no território palestino, nos territórios palestinos, é importante...
destacar a geografia, como eu já pontuei, o acesso à fontes de água é um gargalo histórico ali na região, e com o conflito essa situação piorou bastante. Agora, o que vocês têm observado é justamente esse uso da água que acaba atrapalhando. É importante trazer aqui também, Renata, esse outro lado. A gente tem a divulgação desse relatório do Médicos Sem Fronteiras, que foi feita nessa semana.
Israel negou as acusações desse relatório, coordenador de atividades governamentais nos territórios, que é uma unidade do Ministério de Defesa de Israel, que é responsável justamente por essas políticas civis, coordenação de operações humanitárias em Gaza, enfim, é um lado do Ministério da Defesa, rejeitou as conclusões desse relatório, classificando as alegações como infundadas e acusando a ONG de ecoar uma propaganda local.
Também argumentou que o fornecimento de água em Gaza consistentemente excede os limiares humanitários, apontando que facilitaria a entrada de mais de 70 mil metros cúbicos de água no território diariamente. Esse é o posicionamento desse órgão, dessa unidade do Ministério da Defesa voltada para operações humanitárias em Gaza e na Cisjordânia. Mas não é a realidade que os médicos e agentes da ONG que atuam no local têm visto diariamente, né, Renata?
De forma alguma, não é a realidade que nós temos visto diariamente. Os dados que nós trazemos no relatório não são somente os dados que nós coletamos em locos, mas também são dados das Nações Unidas, da União Europeia e do Banco Mundial. Então, o que nós estamos relatando aqui é o que nós temos visto e presenciado com o nosso trabalho, com a nossa atuação dentro da Palestina na faixa de Gaza.
Hoje, Médicos Sem Fronteiras é a maior produtora de água potável na faixa de Gaza, depois das autoridades locais. Um terço dos nossos pedidos, apenas um terço tem sido atendido pelo governo de Israel para suprimentos, para que continuemos na nossa distribuição, de manutenção dos poços que nós temos ajudado para que haja esse fornecimento, mesmo sendo o mínimo, é insuficiente. Essa é a realidade.
mesmo sendo o segundo maior responsável, o Médicos Sem Fronteiras, pelo fornecimento de água potável na faixa de Gaza, é nitidamente insuficiente. E isso aumentou desde 2023, isso tem aumentado, e como a gente tem relatado com dados, evidências da nossa atuação, isso é algo que tem sido usado não de forma pontual, acidental, mas é intencional. E é isso que nós estamos chamando a atenção. É uma situação extremamente dramática.
não é algo pontual, não é algo ocidental, nós temos visto realmente que tem sido usado como arma de guerra contra a população e isso é inadmissível. O que nós pedimos como organização de ajuda médica humanitária, uma organização apartidária, e é importante que se deixe claro isso, é que as autoridades israelenses restabeleçam imediatamente o abastecimento de água à população de Gaza. E além disso, que pare de impedir que o acesso humanitário seja efetivado.
incluindo suprimentos da infraestrutura hídrica, que é o que nos permite, de forma mínima, aliviar o suprimento da população que está presa nessa estreita faixa de terra, que é a faixa de Gaza. Esse é um pedido para as autoridades israelenses. Agora, para a comunidade internacional, qual é o pedido do Médicos Sem Fronteiras?
Os aliados de Israel, a gente tem, isso é importante que as pessoas também compreendam, como a maior organização de ajuda médica humanitária do planeta, a gente não fala, não se posiciona sem ter as nossas mãos atuando no local. Então, tudo que a gente traz de dado, de informação, é com base na nossa atuação no território. Já há anos...
que nós temos chamado atenção, tentado chamar atenção e sensibilizar governos e o governo de Israel, tentando diálogo com o governo de Israel, mas infelizmente nós não temos obtido o êxito que é necessário diante de toda essa dimensão que é esse genocídio em curso. A gente está tratando de um genocídio em curso, veja a magnitude disso, não é algo pequeno. Então o que a gente pede, a gente continua pedindo, é que tanto o governo de Israel e não é algo pequeno.
ele ofereça as condições asseguradas pelo direito internacional humanitário para que haja assistência humanitária à população, mas também para que os aliados do governo de Israel façam a pressão necessária para que essa ajuda humanitária alcance minimamente as pessoas que dela precisam.
Sem dúvida. Bom, com base nessa atuação no território que você citou, queria saber se há relatos, Renata, de civis sendo obrigados, de fato, a disputar água, com até uso da violência, em alguns casos, em razão da busca por esse recurso. Você tem histórias que você pode compartilhar a respeito de situações extremas?
Eu vou resgatar novamente essa situação que eu relatei a princípio da nossa conversa de uma senhora que nos conta que seu filho foi assassinado na fila da água. Então, veja, as pessoas têm o seu acesso à água restringido, limitado, de forma drástica, dramática, a ponto de elas terem que acordar na madrugada para fazer uma fila quilométrica, andar quilômetros de onde estão alojadas precariamente também.
E nesse ponto, que seria um ponto que deveria ser protegido em uma área de conflito, elas são alvejadas de uma forma intencional. Crianças, uma criança de 10 anos foi alvejada, foi assassinada por forças israelenses na fila da água, que é um bem básico. Então, eu não tenho como nomear isso, senão algo horrendo.
absolutamente abominável, que jamais poderia estar acontecendo se o direito internacional humanitário fosse respeitado, mesmo em uma situação de conflito, que não está sendo, deliberadamente tem sido vilipendiado, e as vidas da população estão na linha de frente, crianças na linha de frente desse conflito em busca de água. Isso é algo absolutamente inconcebível. É uma falha moral de toda a comunidade internacional.
E a gente faz novamente, reitero, o apelo de Médicos Sem Fronteiras, é que o governo de Israel, os estados aliados desse governo, façam a pressão necessária, que o governo de Israel pare de impedir o acesso humanitário e suprimento básico que a população precisa, porque isso deveria ser um direito, é na verdade um direito garantido às populações que estão em uma área de conflito, e a ação humanitária não pode ser também...
impedida nesses momentos críticos. Então, esse é o pedido que nós fazemos, é a nossa... é o que nos resta nesse momento, como ação humanitária, como agentes humanitários, o que nos resta é contar o que nós temos visto e pedir para que isso seja, que algo seja feito nas instâncias onde isso é possível.
Para quem se interessou, o relatório, água como arma. Israel usa destruição e privação hídrica e de saneamento em Gaza. Está disponível no site msf.org.br, com todos os dados que foram citados aqui também e todas essas informações coletadas em loco, com base na atuação dos agentes de Médicos Sem Fronteira no território palestino.
em Gaza, Cisjordânia e nas regiões que estão sendo privadas de água nesse contexto de guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Renata, agradeço muito sua participação com a gente, os esclarecimentos, um bom trabalho para você. Obrigada, Marcela, obrigado a todos que estão nos ouvindo, obrigada. Renata Santos é presidente do Conselho de Médicos Sem Fronteiras, conversando com a gente hoje aqui no Revista CBN, agora que são duas horas e 17 minutos.
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