‘Governo errou por teimosia’
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- Derrotas do governo no CongressoRejeição de Messias para o STF · Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria · Articulação política de Davi Alcolumbre
- Críticas ao Governo LulaCálculo político na escolha do ministro · Impactos nas eleições de 2026
- Relação entre Executivo e LegislativoPoder do Congresso Nacional · Coalizão política
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Revista CBN. Política. No nosso Revista de hoje, vamos a um resumo dos principais assuntos políticos da semana. Com ele, Bruno Silva, nosso analista aqui do Revista CBN. Tudo bem, Bruno? Bem-vindo. Boa tarde.
Olá, muito boa tarde, Marcelo Lorenzetto. Boa tarde a todos os queridos ouvintes. Tudo bem por aqui, sim, por aí? Tudo certo. Vamos aos pontos principais dessa semana. Acho que não tem como fugir. Foram as derrotas significativas do governo no Congresso. E parece que até já ficou batido falar em derrota do governo. Uma muleta até jornalística que a gente usa bastante. Mas dessa vez, de fato, foram pautas importantes e foram baques para o governo Lula. Primeiro a gente teve...
o não ao indicado do presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal. Depois a gente teve a rejeição do veto do presidente pela Câmara dos Deputados e do Senado com relação ao PL da dosimetria, aquele que permite a redução de penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Vamos falar um pouquinho sobre essas duas derrotas e já te peço para emendar nos impactos disso já nas próximas semanas.
É bacana, Marcelo. Vamos lá, então. Acho que o primeiro ponto importante, falar em derrota, foi o que você disse, é meio que chovendo molhado. Eu acho que a questão agora é começar a olhar sobre um outro ponto de vista, que, na verdade, é o quanto também se fez essa vitória, vamos chamar assim, ou esse processo de articulação em torno, principalmente, da figura de Davi Alcolumbre e de todos os congressistas, de maneira geral. Porque é preciso que entenda-se, acima de tudo,
O que está acontecendo hoje em Brasília é um fato concreto que há muitos jogos sendo jogados ao mesmo tempo, mais sério ouvinte. Um desses primeiros jogos diz respeito àquilo que o próprio Congresso deseja. Não é novidade para ninguém que eles estão numa verdadeira relação tensionada com o poder executivo, porque você tem ali, desde a direita, que quer gerar um desgaste grande sobre Lula, olhando principalmente para o horizonte das eleições.
passando por figuras como o próprio Davi Alcolumbre, outros personagens centrais, tanto na Câmara quanto no Congresso, que estão diretamente associados aos partidos chamados do Centrão, que o que desejam, de alguma forma, é também vencer as eleições, mas, acima de tudo, a autopreservação dos seus postos de comando e mandar um recado muito claro para todos aqueles que confiaram neles lá atrás, os cargos.
tanto de presidente da Câmara quanto presidente do Senado, de que eles têm capacidade política para fazerem acontecer dentro daquele espaço do poder legislativo. Então, acho que se a gente começa a ler tudo isso sobre esse ponto de vista, a gente começa a compreender que o governo, ele, na verdade, errou. E no que errou foi por teimosia, porque foi menos em relação a Messias em si.
E se fosse outro indicado? A probabilidade é que se fosse outro indicado, não sendo aquele que fosse construído no consenso do Legislativo, também teria levado um não na comissão, Marcelo. Eu acho que, para mim, é isso que fica cada vez mais claro olhando tudo isso que aconteceu. Por quê? Porque, na verdade, o Lula acabou sendo teimoso quando não ouviu o Alcolumbre, que deu várias e várias indicações, verbalizando parte da demanda, que era uma demanda do próprio Congresso Nacional, de que eles não queriam, na verdade...
um nome a mais que fosse muitíssimo próximo do presidente da República. Porque vamos entender o cálculo político. Quando você escolhe um ministro do Supremo Tribunal Federal dentro das regras que hoje estão vigentes, você está escolhendo alguém que vai passar anos, décadas à frente ali, tomando decisões que são decisões que impactam fortemente todos aqueles que estão dentro do espaço do Legislativo. E veja, não há nobreza política nesse cálculo, não há uma grandiosidade política nesse cálculo.
muitas das vezes uma ideia de sobrevivência. O caso Master avança cada vez mais. Nessa semana nós tivemos o escândalo envolvendo lá o Hugo Motti e a questão das malas que vão exigir cada vez mais explicação que não passaram pelo espaço do raio-x. Davi Alcolumbre pode estar fortemente envolvido na questão do caso Master.
por conta dos desvios que foram feitos, inclusive no seu estado de origem do Amapá, envolvendo questões de previdência e outros detalhes que tinha o Master como pano de fundo. O Congresso olha para esse jogo e diz o seguinte, eu vou escolher mais uma figura que é próxima de Lula, dos interesses dele, do partido e dos seus correligionários imediatos.
ou eu vou aproveitar a oportunidade para vender um apoio político e construir um nome que seja também de consenso por parte do Poder Legislativo. Porque o que o Poder Legislativo queria era Rodrigo Pacheco desde o início. Isso já ficou mais do que evidente, claro, para todos. Lula, por teimosia, sabia que nesse cálculo, a derrota era uma das maiores probabilidades que se tinha no horizonte.
E o Columbre está no direito dele também de fazer a negociação, de trazer ali próximos parlamentares, de jogar com as armas que tem. Insisto, não porque tenha nenhum tipo de virtude política grande ou de alguma noção de bem comum muito sedimentada nessa articulação, mas há, isso sim, um jogo da política real. E é um jogo de sobrevivência sobre o que virá posteriormente.
E apimentando um pouco essa questão do caso do Messias ainda, dessa rejeição do Congresso, toda essa articulação de Davi Alcolumbre, a gente tem apuração da nossa colega Malu Gaspar, que fala dessa ofensiva do Davi Alcolumbre, por parte também de Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato do PL, caso para ele é interessante essa derrota também, porque caso eleito ele escolheria um novo ministro.
mais alinhado aos seus interesses. E entra um terceiro elemento, que é outro personagem, de acordo com a Malu Gaspar, que operou ali nos bastidores pela rejeição de Jorge Messias, que é o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes. E aí a gente volta também com as questões relacionadas a Banco Master e tudo isso que você estava dizendo aqui para nós. Acho que isso também apimenta um pouco mais a nossa análise.
A pimenta mais, eu vou ainda trazer mais um elemento, se possível for, para a gente pensar, que é o seguinte, o Conal Columbre, logo depois da derrota, vira publicamente e diz, não vou pautar mais nenhum nome até as eleições. Ele, na verdade, está fechando uma porta, mas, ao mesmo tempo, abrindo outra porta. Eu explico.
O que ele está dizendo basicamente é o seguinte, mesmo depois dessas eleições, alguém vai ser em algum momento indicado ao Supremo Tribunal Federal, porque não tem como você ficar com dez ministros lá. Você vai ter que ter essa indicação. Como está todo mundo logo, logo mergulhado de cabeça, de vez, nas campanhas eleitorais, inclusive com prazos já quase batendo, de convenções partidárias, de sacramentar quem vão ser os deputados federais.
estaduais, futuros senadores, etc. Está todo mundo pensando também nas eleições. Mas o ponto que eu quero chamar a atenção é o seguinte, Marcelo. Imaginemos que Lula vença o processo eleitoral. Uma das hipóteses. O Columbre tem um trunfo na mão para negociar mais uma vez essa outra vaga no Supremo Tribunal Federal e até mesmo, por que não, negociar as condições de um eventual futuro governo.
Porque se der pela lógica das articulações e por tudo aquilo que a gente está vendo até aqui, há um cálculo da classe política, daquela que já está presente dentro do Congresso, de todos esses partidos mais de centro e de centro-direita, de que eles vão conseguir um resultado muito exitoso nas eleições desse ano. Eu venho insistindo aos quatro cantos e tenho dito, a grande eleição de 2026 é a eleição do Senado, porque por ali é que vai passar o cálculo da construção da governabilidade, as questões que vão tensionar mais ou menos.
o Supremo Tribunal Federal e, eventualmente, até processos de impeachment que possam vir a ocorrer futuramente em relação a esses ministros que estão envolvidos também, de alguma forma, em toda essa lama chamada master. Então, ali tem muita coisa para acontecer. O que, ao meu juízo, pode implicar nesses dois fatores?
O Columbre está guardando um trunfo na mão, porque se o Lula depois vence, ele pode vender muito caro essa lógica de governabilidade. Ao mesmo tempo, se dá Flávio, se dá um outro nome da direita, com essa eventual base de sustentação política que muitos estão imaginando que possa sair do Senado, ele sai fortalecido também nessa relação. Ou seja, é um jogo que, a meu juízo, do ponto de vista dele, ele não perde sob hipótese alguma.
E aí a gente tem também essa questão do PL e da dosimetria, né? O veto do presidente Lula, que foi rejeitado tanto pela Câmara quanto pelo Senado, e também já vai nessas articulações, e já fico pensando os movimentos que vêm depois disso, hein?
Esse vai dar mais problema ainda por conta dessa manobra que eles fizeram para derrubar, vamos dizer assim, o veto, mas ao mesmo tempo criando ali subterfúgio, criando recursos para que isso não venha a beneficiar, por exemplo, lideranças de facções criminosas, né, em função dos tipos de crime, porque abre margem para muita interpretação jurídica. Então, acho que esse especificamente não vai ter muito jeito, viu, Marcelo, ouvintes. Isso aí vai acabar sendo judicializado.
vai parar nas mãos do Supremo Tribunal Federal, e aí, a depender da resposta do Supremo Tribunal Federal, nós vamos entender melhor esses jogos do que aconteceu agora, envolvendo tanto Messias quanto a própria votação do PL e da dosimetria. Porque o meu ponto é, o Supremo Tribunal Federal vai manter o seu mesmo entendimento, que foi aquele entendimento da turma que acabou julgando o caso de Bolsonaro e de Alexandre de Moraes, que vem aplicando multas muito severas? Ou não? A partir agora desta derrubada de veto do Congresso,
vai se alterar a interpretação no âmbito do Supremo Tribunal Federal e eles vão entender que é necessário fazer uma espécie de arrefecimento dessas leis como um todo. Porque esse jogo, Marcelo, não vai ficar só na relação do Executivo Legislativo, ele vai chamar mais uma vez o Supremo Tribunal Federal, que cá entre nós está demasiadamente desgastado.
tanto como instituição, quanto principalmente quando você olha em relação a algumas figuras. Internamente o tribunal está dividido, acho que já está mais do que evidente para todos nós. Então a gente precisa entender como ele vai reagir diante disso tudo. Vai manter o seu posicionamento do que tem sido até aqui em relação aos processos, aos julgamentos de toda essa trama golpista? Ou vai aproveitar esse momento para tentar recalibrar a sua imagem pública e fazer uma espécie de acordo entre cavaleiros com o Congresso Nacional? Eu acho que é essa.
É uma questão que a gente vai ter que esperar um pouco mais para poder entender, mas é a oportunidade que o tribunal vai ter para mostrar publicamente qual será o seu entendimento. São muitas mensagens chegando aqui dos nossos ouvintes participando dessa discussão, porque, enfim, muita gente falando que a questão da indicação do ministro do Supremo...
É uma prerrogativa do executivo, do presidente da República, e que, de certa forma, Davi Alcolumbre, o Congresso agiu de má fé, outros dizendo que não, que faz parte do jogo político, enfim, são várias opiniões, mas todas levam para o mesmo caminho de que essas movimentações, de fato, vão trazer impactos para o processo eleitoral no modo geral.
Não, e aí isso inclusive nos leva a mais uma discussão antiga, inclusive na própria área da ciência política, que tenta analisar todas essas relações, Marcelo Vintes, que é o seguinte, o presidencialismo é do presidente ou ele é da coalizão que governa? Ou ele é do grupo que está à frente nessa consertação entre executivo e legislativo? Acho que esse é o ponto central.
A questão fundamental é, sim, o presidente tem a prerrogativa de indicação, é dele que parte, mas toda decisão e toda escolha, principalmente envolvendo o nome de ministro do Supremo Tribunal Federal, nunca é uma escolha técnica. Ah, vou escolher um nome que é um nome mais técnico. Isso não existe. Na política da vida real, ela é sempre uma decisão política, que tem que ser costurada previamente, que tem que ser muito bem entendida se esse nome é ou não é aceito, se esse nome tem ou não tem capacidade de interlocução, se esse nome tem ou não tem adesão.
E veja, talvez o momento não tenha sido o mais adequado, a conjuntura não tenha sido mais adequada, fosse talvez em outro momento, poderia até ser que o Messias acabasse passando. Mas dentro dessa conjuntura de um desgaste e de uma ruptura, vamos dizer assim, que ela já vem se desenhando há certo tempo...
entre o Executivo e o Poder Legislativo, eu acho que essa derrota já estava um tanto quanto telegrafada ou, se conseguisse uma aprovação, seria por uma margem muito pequena. Agora, resta saber que assessor ou quem olhou e disse para o presidente o seguinte, olha, vai que mesmo apertado vai dar certo. Acho que subestimou demais esse desgaste que já está...
rolando faz um certo tempo entre o governo e o Congresso Nacional. Então as decisões têm que ser costuradas e comumente elas são daquela que é a base de sustentação, da coalizão que sustenta. Se o governo não tem essa base ou se não consegue articular essa coalizão, aí acaba predominando a preferência majoritária do parlamento.
E nós sabemos, pela própria configuração do Congresso Nacional, que não é novidade para ninguém. Desde que o Lula venceu as eleições, ele tem enfrentado essa dificuldade que é como construir uma base de sustentação, como construir uma maioria política estável dentro de um modelo de presidencialismo, que aí sim a gente pode comentar, pensar, discutir, criticar, dentro de um modelo de presidencialismo que tornou o Congresso muito mais protagonista por conta do controle do orçamento do que era outrora.
É isso. Bruno, sempre vamos bater um papo contigo. Obrigada pela sua análise hoje aqui com a gente. O Bruno Silva, que é analista de política, comentarista aqui da CBN conosco aos sábados no Revista. Um beijo para você e uma boa semana. Querida, eu que agradeço. Um beijo grande para você. Um abraço forte a todos os queridos ouvintes. Até.