Houve algum progresso em negociações de paz no Oriente Médio?
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- Conflito Irã-EUABloqueio do estreito de Ormuz · Programa nuclear iraniano · Custos da guerra para os EUA
- Negociações de paz e cessar-fogo no LevantePropostas de paz do Irã · Rejeição de propostas por Donald Trump · Impacto econômico da guerra
- Atuação de Lucia na políticaEleições de meio de mandato · Impacto da guerra nas eleições
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Revista CBN Mundo. Conosco na linha, Uriam Fancelli, nosso analista de política internacional aqui no Revista CBN. Sempre bom conversar com você, Uriam. Bem-vindo, boa tarde. Tudo bem, Marcela? Boa tarde, boa tarde a todos. É um prazer estar aqui com você.
Bom, esse é um dos momentos mais esperados do Revista CBN pelos nossos ouvintes, que estão ansiosos para ter um resumo do que aconteceu nessa última semana, atualizações a respeito das negociações de paz e sobre a guerra lá no Oriente Médio, o conflito no Irã.
majoritariamente. A gente tem de informação, né, Uriam, que o presidente Donald Trump, nesta última semana, disse que não estava satisfeito com as novas propostas de paz que foram enviadas pelo Irã. Na sexta, inclusive, ele chegou a enviar uma carta ao Congresso afirmando que as hostilidades contra o Irã foram encerradas, mas tem muita gente vendo isso mais como uma manobra do que, de fato, uma promessa de paz por parte de Donald Trump.
Vamos botar a bola no chão, trazer a situação de momento, como é que a gente está com relação a esse conflito por lá? Eu acho que o primeiro ponto é que essa manobra do Donald Trump para dizer para o Congresso que ele tinha acabado com as operações no Irã, isso tudo eu acho que ele tentou se movimentar para se blindar juridicamente de algum tipo de acusação que pudesse surgir. Então, quando ele diz que as operações...
Elas acabaram, ou até ele tentou contornar isso de outra maneira, dizendo que quando o cessar-fogo acontece, aqueles 60 dias de operações, eles meio que seriam pausados, eles deixam de contar. Tudo isso pode ser considerado tentativa do governo de se blindar realmente de críticas ou de ações de democratas. Mas o fato é que os Estados Unidos continuam por lá, eles continuam...
promovendo um bloqueio do estreito de Ormuz. E aí esse bloqueio é central também em tudo aquilo que está acontecendo nessa proposta que vem por parte do Irã, que afirma que o país até poderia suspender o bloqueio do estreito do lado iraniano caso os Estados Unidos fizessem o mesmo e aí a questão nuclear poderia ser negociada posteriormente.
algo que o Donald Trump recusa fazer. Então, eu não vejo também que está havendo nenhum tipo de...
de progresso nas negociações diplomáticas, tá, Marcela? O que tentou, o que se tentaram fazer ao longo dos últimos dias foi aquela reunião no Paquistão, que acabou que o Donald Trump não mandou o Jared Kushner, que é o seu genro, mas o Steve Wittkopf, o enviado especial, disse que se o Ira quiser negociar, vai precisar fazer isso por telefone, porque ele não via sentido.
em enviar pessoas para ficarem 18 horas dentro de um avião para perderem tempo. Então, eu acho que é uma situação em que está tudo parado ao mesmo tempo em que a economia global está sangrando.
Esse sangramento está piorando também, porque a gente já observa as reservas de petróleo, aquelas reservas estratégicas que foram liberadas algumas semanas atrás, elas já se esgotando. Então, a gente já chega em um momento no qual a demanda começa a ser cortada ao redor do mundo. E aí, isso começa a ser traduzido em efeitos práticos, como é o caso, por exemplo, do cancelamento de voos.
um encarecimento de diversos produtos derivados do petróleo ao redor do mundo. E o Trump, ele agindo de alguma maneira quase ali como se ele estivesse numa posição muito confortável, como se só o regime iraniano...
estivesse nesse momento pagando preço por conta disso tudo, quando na verdade não está. Os números nos Estados Unidos mostram o preço que está sendo pago pelo consumidor norte-americano e é um preço que muito provavelmente vai refletir nas urnas a partir do final do ano, quando chegarem as eleições de meio de mandato.
Pois é, e é curiosa essa postura de Donald Trump, justamente por isso que você trouxe, né? Essa questão das eleições de meio de mandato que já estão chegando e a maneira como Trump tem sido visto internamente também, muito por causa das ações que está tomando lá no Irã, no Oriente Médio. A gente teve essa proposta feita pelo Irã, que foi rejeitada pelo presidente dos Estados Unidos, que previa justamente...
A reabertura de todo o tráfego comercial no Estreito de Hormuz, a ideia era encerrar o bloqueio naval, isso seria positivo, tanto para a economia iraniana, que também está estrangulada com relação ao petróleo, com a economia americana e a economia global de modo geral. E aí o plano sugeria justamente o fim dessas hostilidades por parte dos Estados Unidos, enfim, também ali envolvendo toda a região.
mas propunha que se deixasse as discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior. Era uma chance do Donald Trump não sair como perdedor nessa guerra, negociar a questão nuclear, que é muito cara aos Estados Unidos, mais para frente, mas pelo menos resolver a bagunça econômica mundial que a gente está vivendo agora. Mas Donald Trump se recusou, ele não quis, se recusou e rejeitou essa proposta.
está muito nessa posição, né, Uriã? Eu acho bastante difícil, Marcela, a gente considerar isso tudo, caso o Trump tivesse, por exemplo, dado um ok para essa proposta iraniana.
Eu acho que seria muito difícil ele conseguir vender uma vitória internamente com isso. E aí, por isso que eu tenho falado já há diversas semanas, que ele está entre opções que são opções ruins e opções ainda piores. Por que eu digo que ele não conseguiria vender isso como vitória? Porque seria basicamente ele encontrar a solução para um problema que ele mesmo ajudou a criar. Então, vamos olhar para o contexto mais amplo disso tudo.
Ele conseguiu acabar com as capacidades ofensivas iranianas, com o programa de mísseis balísticos, com o programa nuclear? Basicamente não. O que a gente tem de números, inclusive da inteligência norte-americana, da imprensa internacional, diz o seguinte, que os Estados Unidos conseguiram degradar ali basicamente 50% dos mísseis e das capacidades ofensivas iranianas.
Não é algo tão relevante se a gente levar em conta o custo de toda essa guerra. E aí sai a notícia essa semana também de que tudo que tem acontecido custou aos cofres públicos americanos 25 bilhões de dólares, que é a mesma coisa que todo o orçamento da NASA para um ano inteiro. E aí estamos falando em uma guerra que dura basicamente dois meses.
É um custo muito alto para não se ter um resultado tão efetivo. Não conseguiu derrubar o regime, então sequer justificaria isso. Não conseguiu acabar com o programa nuclear iraniano. Até sai uma fala do Rafael Grossi, que é o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, dizendo essa semana que aqueles...
500 quilos de urânio altamente enriquecidos, eles continuam lá, muito provavelmente metade deles dentro de Esfarran, uma das instalações que teria sido, que foi atingidas pelos Estados Unidos. Então, basicamente, Marcela, os Estados Unidos não conseguiram nada a um preço muito alto. Inclusive deram ao Irã, ensinaram ao Irã que eles podem, de uma maneira muito barata,
usar o Estreito de Ormus como arma. E por que eu digo de uma maneira muito barata? Porque o Irã não precisa usar recursos altamente tecnológicos para conseguir fechar o Estreito de Ormus. Basta posicionar alguns drones, drones extremamente baratos, de 30, 40 mil dólares, para deixar a navegação insegura, para encarecer o custo das seguradoras.
enfim, das embarcações internacionais. Então, ele basicamente seria voltar ali para estacar zero se ele aceitasse essa proposta iraniana. Ao mesmo tempo em que também fica claro que qualquer proposta envolvendo o programa nuclear, primeiro, o regime iraniano deixou claro que não vai abrir mão.
do programa nuclear. O que seria levantado de proposta, basicamente, seria algo ali em atrasar esse programa para 5, 10, 15 anos. Os Estados Unidos estavam pedindo 20 anos das negociações.
Algo que teria sido rejeitado já pelos iranianos. Então, eu acho que não sobra muitas opções, a não ser a gente observar para saber quem vai piscar primeiro nessa questão dessa guerra.
de resistência econômica que hoje ela é desenhada no entorno do Estreito de Hormuz. É, pelo que a gente tem visto, o cenário que vem se desenhando é de uma postura dos Estados Unidos que mantém a posição de não encerrar a guerra sem um acordo que garanta que o Irã não vai ter uma arma nuclear. É esse o desenho que vai se formando, né?
Então, é aquilo que o Donald Trump tem insistido. Agora, essa mudança constante de postura que ele tem tido, não apenas agora, mas desde o seu primeiro mandato, mostra que muitas vezes ele acaba se cansando. Então, pode ser que ele...
Chega a determinado momento tentando usar algo para cantar como vitória e deixa as coisas como elas estão. Como ele já tentou fazer recentemente ao empurrar para os aliados europeus ou até mesmo para outros países asiáticos a responsabilidade de reabrir o Estreito de Hormuz. E eu acho que hoje essa é a grande dificuldade do Trump.
Porque ele até poderia sair disso tudo cantando vitória, apenas exibindo a cabeça do Ali Khamenei, que era aquele líder supremo que foi morto pelos Estados Unidos, por Israel, ou tentando dizer que a maneira como as capacidades ofensivas do Irã foram degradadas, isso por si só poderia ser considerado uma vitória, mas é muito difícil ele sair.
com o estreito de Hormuz estrangulado, com ele fechado. Então, eu acho que hoje o desafio dele é esse, é cantar a vitória com uma artéria tão importante para a economia global, fechada, afetando inclusive os Estados Unidos. Se não fosse isso, ele já teria saído.
Bom, tem mensagem dos nossos ouvintes aqui comentando esses e outros assuntos. O José Jesus cita a situação entre Estados Unidos e Alemanha. A retirada, o plano de retirada de 5 mil soldados americanos da Alemanha, isso num contexto de rusgas entre os líderes da Alemanha e dos Estados Unidos. Vamos falar um pouco sobre esse assunto, porque tem tudo a ver com a questão da guerra no Irã, né?
Tudo a ver, Marcela. E eu diria que tem a ver, primeiramente, e aí de uma maneira talvez até mesmo indireta, porque tanto uma atitude que é essa do Trump fazer uma guerra no Oriente Médio, uma guerra que afeta os mercados globais de energia e que acaba beneficiando a Rússia, quanto também o fato do Trump enfraquecer um aliado, no caso a Alemanha, que também acaba beneficiando a Rússia.
Tudo que ele tem feito agora, basicamente, a gente pode dizer que foi celebrado pelo Vladimir Putin. Então, como que acontece essa nova movimentação dos Estados Unidos decidirem retirar 5 mil soldados norte-americanos da Alemanha?
O Friedrich Metz, que é o chanceler alemão, ele estava participando de uma discussão, acredito que numa escola na Alemanha, durante essa semana, e ele acabou dizendo que os Estados Unidos teriam...
errado ao entrar no Irã dessa maneira, ao entrar na guerra dessa maneira, e que estariam sendo humilhados pelo regime iraniano, que eles não teriam mais estratégia. Donald Trump não gostou disso e aí escalou a retórica dizendo que vai retirar, ao longo dos próximos, de seis a doze meses, 5 mil soldados.
Agora, isso é importante por diversos motivos, porque a presença militar norte-americana na Alemanha, ela significa que, de uma certa maneira, isso representa...
a OTAN nessa região, e a Alemanha não é apenas um país que abriga tropas norte-americanas, ela abriga instalações que são centrais para a presença dos Estados Unidos em toda a Europa, então ali, instalações de comando norte-americano, tanto para a Europa quanto para a África.
tem aquela base de Rammstein, tem um centro médico também na cidade de Landstuhl, que inclusive foi usado no passado para tratar soldados que foram feridos no Afeganistão e no Iraque. É uma decisão que ela também cancela um plano da era do Joe Biden de enviar para a Alemanha diversos mísseis daqueles Tomahawks de longo alcance, que seriam usados para intimidar a Rússia no momento em que também existe uma guerra híbrida entre Rússia.
e os países europeus. Então, acaba sendo sim um golpe, né? A gente pode até falar, ah, mas vão ficar outros dezenas de milhares de soldados norte-americanos na região. Mas não é só isso, é o que representa na prática, porque a Alemanha, ela é hoje um país onde os Estados Unidos têm mísseis nucleares estacionados. Então, é um lugar onde é de proteção daquele guarda-chuva nuclear norte-americano. Então...
Eu acho que é um golpe para toda essa aliança ocidental, é um golpe para todos os países europeus que fazem parte da OTAN. E uma maneira, é uma forma do Putin mostrar novamente que ele tem o Donald Trump basicamente como um aliado que tem ajudado a fragmentar essa unidade ocidental.
A gente vai vendo como esses desdobramentos vão se entrelaçando com todos os fatores e agentes da geopolítica mundial. E claro que tem efeitos no mundo inteiro, né, Uriã? A gente tem que ficar de olho e acompanhando diariamente.
E trazendo sempre esse resumão aqui no Revista CBN para o nosso ouvinte, telespectador, internauta, ficar muito bem informado sobre os desdobramentos de tudo que acontece no mundo, principalmente com relação a essa guerra no Irã, que não tem previsão de término, pelo visto, né? Não tem previsão de término e a tendência, e até, eu tinha falado isso com a Petra, acho que algumas duas semanas atrás.
aqui no Revista, que o que tem saído cada vez mais na imprensa internacional é a maneira quase que esquizofrênica como os mercados internacionais têm subestimado os impactos econômicos dessa guerra. Isso é absurdo. Quando a gente olha para a capa do The Economist, para as grandes manchetes do Financial Times...
É isso que tem sido dito, que o que está acontecendo vai demorar de meses ou até mesmo há anos para ser resolvido. E o petróleo que chegou a alcançar 125 dólares o barril essa semana, tem muita gente, especialistas em petróleo ao redor do mundo, que não entendem como ele não está a pelo menos 150 dólares o barril ou até mais alto. Porque o que a gente viu até agora foi...
Na prática, infraestruturas críticas de produção sendo atingidas. Então, a gente não está falando só do estreito de Ormuz, que chega amanhã ou depois os Estados Unidos, com a ajuda dos países europeus, resolvem tirar todas as minas, ou que o Irã resolve fazer um acordo com os Estados Unidos, então...
aí o estreito abre de uma vez só. Não é isso, gente. A gente está falando de toda uma reserva internacional estratégica que ela vai precisar ser reabastecida. Isso vai levar tempo. A gente está falando de infraestrutura, tanto de petróleo quanto de gás, que foram atingidas e que vão demorar de três a cinco anos para serem reconstruídas.
e até mesmo de outros lugares, inclusive do próprio Irã, que eventualmente vão ter que parar de extrair petróleo. O que significa, na prática, quando você pausa essa extração de petróleo? Significa que você coloca toda essa infraestrutura crítica em risco, porque quando ela para de funcionar, ela pode sofrer efeitos dessa pausa, então ela vai precisar ser reparada depois, pode haver entupimento.
Então, é algo de longo prazo e que o mundo inteiro, inclusive o Brasil, vai precisar pagar um preço, que é um preço muito caro e que, na prática, não traz nada de positivo para ninguém, a não ser para autocracias como a Rússia, que vão lucrar com isso. Urian Fanceli, obrigada pela sua participação com a gente aqui no Revista CBN. Urian, que é analista de política internacional, falando sobre guerra no Irã. A gente volta a conversar em outras oportunidades. Um beijo para você e bom fim de semana.
Obrigado, Marcelo. Um beijo. Até a próxima.
Latam
Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026