Livros que abrem espaço para o imaginar
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Importância da LeituraEducação sentimental · Imaginação infantil
- A Cueca do Urso Polar
- Tudo que Posso Ser
- Chibum Plim Splash
- Programa de construção de casas
E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.
Páginas da Infância, com Janaína Barros. Janaína Barros conosco. Boa tarde, Jana. Tudo bem?
Boa tarde, Marcela. Tudo bem com você, com os ouvintes? Tudo ótimo. Obrigada pela sua participação aqui. A gente vai falar dos livros que abrem espaço para o imaginar. Na semana passada, aqui neste Revista CBN, vocês convidaram os adultos a pensar sobre a relação deles com o livro para as infâncias. Olhar além do livro como aquele instrumento de educação que a gente usa nas escolas. E hoje?
Vamos avançar mais? O livro ensina o que ele ensina. Para que é importante essa leitura, hein, Janaína? Acho que, em primeiro lugar, Marcela, para imaginar. Porque imaginar é preciso.
exercitar o sensível, o olhar curioso, a fabulação. E aqui eu trago hoje a palavra de uma especialista, uma escritora, professora, se chama Yolanda Reis, e ela é criadora de um projeto lindíssimo que se chama Espantapárraros, na Colômbia, que é um projeto de formação de leitores, que acolhe desde bebês...
até suas famílias e também educadores. E ela defende, Marcela, uma construção de casas interiores com a leitura. E o que é isso? Nessa cultura que a gente vive da pressa, em que todos nós somos e estamos bem iguais.
A literatura é um tempo, um espaço, um livro que a gente não dá conta de ler com a razão, mas que a gente precisa do coração, do desejo, e cada um vai criando, a partir daí, uma casa interior dentro de si.
E o que é isso? É o olhar para dentro, Marcela, é simbolizar o que traz aquele livro. A construção que foi feita a partir das ideias de outras pessoas, da vivência de outras pessoas. E a partir daí a gente toma um pouquinho emprestado a experiência do outro.
Isso é muito legal, né? Eu acho que é um ponto essa questão da imaginação, do imaginar. Até hoje em dia, quando a gente vê as crianças cada vez mais ligadas nas telas e deixando de lado brincadeiras que geravam essa imaginação, até não tendo objetos, mas criando na mente esses objetos lúdicos com papel, com papelão, enfim. Acho que isso entra também nesse aspecto geral, né, Jana? Agora...
Como é que a gente faz para substituir essa visão utilitária da leitura? Dá para exercitar esse novo olhar da prática da leitura, seja em casa ou até mesmo na escola? Não só dá como é necessário, Marcela. E para isso são necessárias também muitas histórias, muitos livros na escola, muitos gêneros, ficção, poesia, quadrinhos.
Quantos forem possíveis? E aí o que a gente vai olhar na prática, Marcela? Que eu falava um pouco na semana passada, que é o que a gente tem no olhar. É sublinhar ideias principais desse livro. E que tal se no lugar de sublinhar ideias principais, a gente favorecer um pouco uma educação sentimental?
para que essas leituras sejam ferramentas para viver, para olhar essa vida de acordo com as suas histórias, com as histórias dos outros, e também para nutrir um pouco dos sonhos, dos desejos, abrir esse tempo. No lugar de identificar a moral da história, os valores, os aprendizados, conhecer a si e conhecer o outro através desse livro.
E no lugar de fazer chamada oral ou prova para ver se a criança entendeu, ou mesmo numa leitura informal em casa, o que você entendeu dessa história? Que tal conversar sobre a vida? Quais foram as emoções, as sensações? O que te despertou essa história? O que você sentiu?
no lugar de perguntar, ah, mas o que essa história te traz, o que você entendeu? Mudar um pouco, sabe? É um ajuste.
Essa é uma diferença entre uma coisa e outra. Você gerar justamente esse propósito da imaginação. Porque isso também faz com que a gente estimule crianças mais criativas. Que não tenham respostas automáticas. Porque na escola a gente sabe, por toda a vida acadêmica dessa criança, ela vai ter que decorar coisas.
É o nosso sistema, é o nosso modelo de ensino. Mas ela também pode utilizar da criatividade, da imaginação, para encontrar soluções para coisas que já estão ditas. Então, acho que essa é a diferença também, né, Jana?
E é uma diferença muito profunda, Marcela, porque quando essas crianças eventualmente saírem da escola, e a gente já esteve lá e a gente sabe, a gente pode esquecer números, a gente pode esquecer fórmulas. Com certeza nós vamos esquecer um pouco alguma regra gramatical, mas essas conversas sensíveis, essas leituras, esse tempo...
essa escuta ser ouvido também e também poder se expressar a partir daquilo que você está simbolizando numa história, seja em casa, seja na escola, seja onde você estiver. Então, o que esse livro ensina? Que é a Pergunta de Ouro.
Esse livro ensina que aquele é um espaço seguro para ser, Marcela. É um espaço para você se refugiar, é um espaço para você se encontrar, para você conhecer os demais, as histórias que são diferentes das suas e, a partir daí, tornar o mundo um lugar um pouquinho mais habitável. Muito legal. Bom, vamos aos livros, Janá? O que eles dizem sobre isso que a gente trouxe hoje aqui no quadro?
Olha, eu vou desafiar todos os adultos aqui a encontrar um sentido único em cada um desses livros que a gente vai trazer hoje. O primeiro, A Cueca do Urso Polar. É de uma dupla, Tupera Tupera, uma dupla do Japão, saiu pela Companhia das Letrinhas. É aqui, Marcelo, um livro objeto. Quem está nas transmissões está me vendo. É um livro comprido.
Tem aqui uma cueca vermelha e nela, que é o que a gente chama de luva do livro, tá escrito aqui, olha. O urso polar perdeu a cueca. E agora? Aí ele mexe, né? E o que a criança faz? Tira. A criança tira a cueca. Cueca é uma luva que envolve o livro. E aqui começa a brincadeira.
Aqui, a partir dessa pergunta, o primeiro contato da criança com a leitura é a primeira participação dela como coautora dessa história. Ela vai comandar a história. A página nem abriu ainda. Um ratinho vai ajudar esse urso a procurar essa cueca que sumiu. Aqui a gente já vê os dois juntos. Eu chamo atenção para as expressões.
A expressão já de espanto desse urso aqui, olha, pra mim é de espanto. Pra criança pode ser outra coisa. É. De confusão. Os dois juntos aqui. E é aí que mora a construção dos sentidos. Não precisa de mediador. O mediador não precisa fazer muita coisa aqui. O mediador precisa parar, precisa respeitar o tempo da criança, entender a leitura que ela quer fazer, se ela quer voltar, se ela quer esperar um pouquinho mais.
se ela ainda está simbolizando. Aqui a gente não precisa de regra, é um jogo, Marcela. Então, a criança leitora é convidada a jogar, ela vai observar, vai imaginar, vai supor, vai se surpreender e vai virar essa página que está construindo essa história. Por quê? Eles estão procurando a cueca. Aqui tem uma cueca colorida, listrada. O ratinho vai perguntar, é essa a sua cueca? Você vai dizer não. E o que acontece nessa virada de página? Descobre de quem é.
a gente vai descobrir que essa cueca é de uma zebra que gosta de listras, a partir do quê? De um corte. Não sei se o ouvinte está conseguindo aqui. É um corte no livro. No formato da cueca. A gente chama isso de faca. Isso também é um elemento narrativo, também vai construir essa história. Então, a criança, a partir disso, vai...
Nesse jogo de achar, de procurar, ela vai construindo a sua própria história como uma co-narradora desse livro. Muito legal. Segundo, Tudo Que Posso Ser, do Caio Zero, da editora Pulo do Gato. Aqui é um livro imagem, não tem texto. São só imagens. Traz da memória de criança do Caio, quando ele voltava da escola com os amigos.
naquele tempo de criança, em que tudo é diferente do tempo do relógio, e imaginava, transformava o espaço, o território por onde ele estava andando, em imaginação. Aquela fantasia infantil, Marcela, de olhar uma cena e se permitir uma fusão com aquela cena, fazer parte do território, fazer parte da cidade, poder voar, nadar, se transformar em uma montanha, em um animal, ser a própria paisagem.
se perder nesse tempo do relógio e talvez chegar em casa e levar toda essa brincadeira junto e provocar a erupção de uma mamãe que vê aqui, olha, essa animação toda no chão da casa que ela acabou de limpar. E a imagem nos mostra o quê? As pegadas.
Do menino que veio da rua. De toda essa brincadeira. A mamãe. Fica triste, brava. Fica vermelha. E aí pode se transformar num... Vulcão em erupção.
E aí, quem leu? Marcela, você. Eu só virei a página. Olha só. Você fez a sua própria construção e é isso que vai acontecer com a leitura. Quem faz a leitura é a criança. Muito legal. Tudo que posso ser. Chibum, Plim, Splash, da Laila Cruz, da editora Caixote. Nosso terceiro livro. E aqui a gente já percebe um formato mais horizontal, diferente dos demais.
A abertura de página para cima. Ai, que bacana. Todo cheio de onomatopeias. Sim, a guarda do livro, que é essa primeira página depois, aqui atrás da capa, já nos mostra aqui o quê, Marcela?
Uma chuva, um céu fechado, tempo nublado e nuvens escuras com chuva caindo. Sem cor, né? Sem cor. Tudo preto e branco. E aí a gente gera aqui, olha, tem um espelhamento. Tem um espelhamento desse espaço, dessa situação, lugar aqui. E a gente nota, não sei se o ouvinte vai notar na imagem, um contorno aqui embaixo. Nesse chão tem algo.
Tem flores. Tem plantas. Tem flores que são justamente o espelhamento aqui, ó, dessa paisagem aqui de cima. Só que no chão a gente nota uma poça d'água de chuva. E toda vez que algo toca nessa poça, muda, revela cor.
A chuva deixou aqui um portal mágico que vai revelando outras coisas até que uma criança chega aqui e toca nesse portal mágico. E vira colorido. E essa criança vai lá e mergulha nesse portal. Será que um adulto seria capaz de fazer esse mergulho? A partir do momento que ela mergulha, olha o que acontece. O quê?
Tudo fica colorido pra quem tá nos acompanhando. A perspectiva se inverte. A criança simboliza, ela acha cor em tudo. É a fabulação, a imaginação, nesse espelhamento de situações aqui. A partir do momento em que eu mergulho, eu mergulho na fantasia, na história, na imaginação. E vou fundo, Marcela. Nossa, muito legal. Adorei. Os três livros. Vamos repassar aqui a lista de livros, então, Jana, pro nosso ouvinte?
Vamos repassar, Marcela. Nosso tema de hoje é imaginação. Construir as suas casas interiores de sentidos. Ler para ser, para existir, para se refugiar, para construir.
A Cueca do Urso Polar é nosso primeiro livro, pela Companhia das Letrinhas, um livro objeto, que é uma brincadeira, dupla tupera-tupera. Segundo livro, Tudo o que Posso Ser, do Caio Zero, saiu pela editora Pulo do Gato, um livro imagem. A gente pode ser e estar onde a gente quiser. Segundo livro, esse é o terceiro, é o...
Chibum Plim Splash, da Laila Cruz, saiu pela editora Caixote, um livro horizontal, também um livro imagem que vai possibilitar a gente imaginar e construir outros mundos possíveis a partir da fabulação. Mergulhar nas histórias, Marcela. Muito legal, adorei o tema de hoje, imaginar é bom demais, Janaína Barros, um beijo pra você, até semana que vem. Um beijo pra você e pros ouvintes.