Supere a amargura - Série: José - Samuel Sossmeier
Resumo para estudo em https://www.apostolopedro.com.br
Samuel Sossmeier
- Supere a amarguraA inevitabilidade da mágoa nas relações humanas · A mágoa como lente para enxergar o mundo · O impacto da amargura na saúde emocional e física · A amargura como shampoo no tênis · O perdão como tratamento para a amargura
- A vida de Priscila e ÁquilaA preferência de Jacó por José e o ciúme dos irmãos · Os sonhos de José e a reação dos irmãos · A venda de José como escravo para o Egito · José na casa de Potifar e a acusação falsa · José na prisão e a interpretação dos sonhos do copeiro e padeiro · José interpretando o sonho do Faraó e se tornando o segundo homem mais poderoso do Egito · O reencontro de José com seus irmãos e a sua reação · Os quatro choros de José como processo de cura e perdão · A declaração final de José sobre o plano de Deus
- O perdão como curaO perdão como única forma de tratar a amargura · O perdão como um processo, não um evento · Os quatro choros de José como etapas do perdão · A importância do reconhecimento e do desabafo no perdão · O perdão como ato de graça e misericórdia · Jesus como exemplo de perdão e sacrifício
- Sanções dos EUA ao IrãA associação cultural do café amargo com qualidade · O café extra forte como disfarce para impurezas · O café especial como exemplo de sabor e cuidado · A normalização da amargura como um 'café extra forte'
Que bom que você está aqui, você está no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, para adorar o Senhor Jesus, para bem dizer o nome dEle. E nós queremos também, agora, ficar atentos, que você possa abrir seu coração, fique atento, preste atenção em tudo que vai ser falado aqui, porque Deus quer falar e ministrar o seu coração. E eu quero começar pedindo para você fechar os seus olhos.
Feche seus olhos e comece a pensar um pouco na sua história. Comece a pensar, talvez, lá na infância, sua adolescência, sua fase adulta. Mas comece a pensar especificamente algumas situações em que pessoas te magoaram. Lembra de alguma situação onde talvez alguém disse algo que te feriu, te machucou?
Talvez alguém agiu de uma maneira que arrasou o seu coração. Pessoas que são importantes, que você valoriza, que estão perto de você ou que eram próximas de você, mas que agiram de uma maneira não apropriada e isso te machucou. Tenho certeza que você já ouviu frases como, você não vai dar em nada. Para que acreditar nesses sonhos?
Você não é igual fulano. Deixa de ser sonhador. Eu não te quero mais na minha vida. Seu idiota, seu inútil, seu burro. Talvez você já ouviu isso. Talvez pessoas tiveram algumas atitudes que demonstraram rejeição, indiferença. Talvez o marido...
que te ignora, talvez uma esposa que não quer mais conversar com você, talvez um líder que se esqueceu de você, talvez um chefe que prometeu algo e até hoje não cumpriu, talvez um pai que te abandonou, talvez uma mãe que disse coisas que não deveria. Pode abrir os olhos.
Eu tenho certeza que você lembrou de alguma história, você lembrou de alguma situação. Porque você, assim como eu, nós temos histórias marcadas pela rejeição, pelo abandono, pela injustiça, pela solidão, pelo medo, pela traição. É inevitável que as mágoas surjam nas nossas vidas.
Eu comentei no culto mais cedo que estava conversando com a Ana um tempo atrás, a minha esposa, e nós temos um filho de três anos. E a gente falou assim, nós não temos que ter a expectativa de que nós vamos criar o Benjamim sem traumas. É impossível. Nós temos que procurar educá-lo de maneira que ele saiba lidar com os traumas que nós vamos causar nele. Que ele seja homem maduro o suficiente para lidar com os traumas que nós, pais, vamos causar na vida dele.
porque a mágoa é inevitável nas relações humanas, são relações de pecadores, pessoas falhas como você e eu. Então, há rejeição, há abandono, há injustiça, há solidão, há medo, há traição nas nossas histórias. Mas o problema é quando nós ficamos guardando isso no coração e alimentando isso por muito tempo. A mágoa é inevitável, mas o problema é ficar alimentando essa mágoa no coração.
Uma conselheira pesquisadora que fez uma pesquisa com mais de 200 mil pessoas, uma pesquisa sobre o perdão, a Mary Beth Goodman, ela fala que cada vez que você revive aquele momento de trauma, está literalmente reprogramando o seu cérebro para se apegar à dor.
Cada vez que você se apega àquilo, que você repete aquilo na sua mente, que você reproduz aquilo, você está se apegando. E o grande problema é que se aquela situação não é resolvida, a mágoa vira uma amargura. E pessoas amarguradas são aquelas que deixaram as mágoas criarem raízes no coração.
E não é mais sobre aquilo que aconteceu, não é mais sobre aquela lembrança que talvez você pensou, mas agora é sobre quem você está se tornando. Porque quando a mágoa se torna amargura, ela vira uma lente que você passa a enxergar as pessoas, os relacionamentos, você passa a ver tudo por ela. Você passa a reagir a partir dessa mágoa, você passa a viver a partir dessa amargura que está se instaurando no seu coração.
O autor do livro Esgotamento Espiritual, Malcolm Smith, ele fala que a amargura injeta veneno em nossa corrente sanguínea, que perturba seriamente a nossa saúde emocional e física. Algumas pesquisas.
Dezenas de pesquisas mostram isso. A amargura faz mal para a saúde, não só emocional, mas também física. Depressão, ansiedade, doenças, câncer, pessoas que vivem menos por conta da amargura. Uma amargura que fica lá muitas vezes escondida no nosso coração. Primeira vez que eu viajei de avião...
Eu não sabia, ninguém me instruiu a forma carinhosa como os operadores de mala no aeroporto tratavam as nossas malas. Eles são muito carinhosos com as nossas malas, né? Eu não sabia. E aí eu fiz minha mala bonitinha e coloquei todas as roupas, coloquei um tênis por cima e por último eu coloquei o meu shampoo, meu desodorante, solto. Quando eu chego em casa e abro a minha mala...
aquele shampoo estava todo espalhado assim por cima da mata. Perdi algumas camisas, mas o que mais me deixou indignado foi um tênis que eu tinha novinho, um tênis de tecido assim, e ele estava cheio de shampoo. E eu tentei limpar, passava um pano seco assim, tentava tirar aquele shampoo, e deu certo, eu consegui tirar, ele ficou bonitinho. E aí, passaram algumas semanas, eu estava indo para o trabalho, e eu chegando quase no meu trabalho, começa a chover forte.
E aí eu olho para o meu tênis que eu estava usando, ele começa a espumar. Foi uma situação embaraçosa, engraçada, mas a amargura é como esse shampoo no meu tênis. Eu tirei ele só superficialmente. A mágoa, a amargura, se ela não é tratada profundamente, ela pode até ficar lá escondida. Mas quando chove, ela aparece. E quando vem alguém que fala algo que nos lembra daquilo, ela surge. Uma palavra, um sentimento toca na ferida, ela vem com tudo novamente.
Eu lembro quando eu tinha mais ou menos 18 anos e eu tive um relacionamento que durou por quase um ano. Foi muito intenso, mas de repente aquela moça resolveu terminar comigo.
E eu tinha muitas expectativas naquele relacionamento. E eu me frustrei. Aquilo me magoou. Me magoou tanto que eu fiquei um ano da minha vida fechado naquilo. Eu só fiquei um ano, não fiquei mais, porque eu percebi que eu estava ficando doente, eu estava ficando só em cima desse tema e eu procurei ajuda, procurei uns conselheiros, procurei pastores, eles me orientaram e eu fui trabalhando, fui trabalhando isso na minha vida até que de fato eu entendi que estava curado e que eu consegui resolver aquela situação.
Mas dez anos depois, quando eu ainda não tinha casado com a Ana, nós namorávamos ainda, numa conversa assim aleatória, informal, a Ana começou a falar uns negócios para mim, e aquilo que ela me falava me lembrava muito o que aquela menina lá atrás tinha me falado antes de terminar. E aí eu comecei a suar frio e pensar assim, cara, a Ana vai terminar comigo.
Ela não me quer mais na vida dela, ela vai terminar. E aí eu comecei a desesperar, mas ao mesmo tempo o Espírito Santo veio e me falou assim, porque eu tratei aquele problema lá atrás, ele me falou assim, Samuel, calma. Ela não quer terminar com você. Ela só está falando algo parecido com o que você viveu lá atrás, e você está trazendo à tona essa ferida que já foi tratada. E eu falei, Ana, para, espera um pouquinho. Deixa eu te falar o que você está falando aí, está me fazendo pensar que você quer terminar comigo.
E ela já desesperou, né? Não! Jamais! Você é o amor da minha vida. E de fato sou, porque essa semana a gente fez oito anos de casado. E então ela não quis terminar. Ela continua e continua comigo até hoje. Mas eu falei assim, eu sei que você não quer terminar comigo. Mas é um trauma que eu tenho e isso está despertando um gatilho. Mas calma!
Porque Deus já tratou isso no meu coração, eu sei que você não quer e está resolvido. Agora, pensa se eu não tivesse tratado daquilo. Talvez eu ia começar a pensar assim, ela quer terminar comigo, eu ia começar a viver na defensiva, eu ia começar a me posicionar de forma diferente e talvez a gente até terminasse aquele relacionamento. Por quê? Por conta de um trauma que não foi tratado. E sabe como eu tratei esse trauma lá atrás? Quando finalmente eu consegui perdoar aquela menina.
Lá nos meus 18 anos. Porque a única forma de tratar a amargura é com o perdão. E hoje nós queremos começar uma série aqui na nossa igreja que vai tratar da vida de José. José do Egito. Esse personagem tão querido das escrituras. Um personagem tão inspirador.
Ele é um dos poucos homens da Bíblia, além de Jesus, que a Bíblia não relata defeitos dele. E óbvio que ele era pecador como nós, mas a Bíblia não relata. Ele deixa muitas lições, a história dele é uma história maravilhosa, digna de lovela. Se é que a Record já não fez, eu acho que já fez, né? É uma história tão bonita e tem tantas lições. E ao longo desse mês nós queremos olhar para cada uma dessas lições, como vocês viram no vídeo de abertura.
E hoje nós queremos olhar para a vida de José e perceber como ele superou a amargura. Supere a amargura assim como José superou na vida dele.
Para a gente entender um pouquinho, eu quero trazer um breve resumo. Nós vamos tratar da vida dele durante o mês todo, então eu vou trazer alguns pontos da vida de José. E você fica desafiado a fazer essa leitura. Lá em Gênesis, final de Gênesis, conta a história de José e faça essa leitura ao longo desse mês. Se você ler um capítulo por dia, você vai conseguir ler toda a história duas vezes.
Mas José era um dos filhos mais novos de Jacó. Era o décimo primeiro filho de Jacó. Tinha só o mais novinho, Benjamim. E Benjamim e José eram filhos da mesma mãe, a esposa que Jacó amava. E por isso Jacó era o preferido. José era o preferido de Jacó. Já começa o erro aí. Jacó preferia José e com isso despertava o ciúme e a inveja dos irmãos mais velhos, dos outros dez. Mas ele era tão preferido que teve uma vez que...
Jacó deu uma túnica colorida tão bonita para o seu filho e para os outros ele não deu nada. Eu falei no culto mais cedo, é como se no Natal seu pai te desse meia e para o irmão mais novo, preferidinho, ele desse uma roupa da Zara, uma roupa importada, uma roupa caríssima.
E aí os irmãos já começaram a ficar com mais raiva. José tem um sonho, Deus dá um sonho para José de que ele seria líder sobre a sua família e que a sua família se prostraria diante dele. Ele conta isso para os seus irmãos e como que eles reagem com mais raiva, com mais desprezo. Até que um dia o pai pede para ele ir lá no campo ver os filhos mais velhos. José era meio que um X9, ele dedurava os filhos para o pai do que eles faziam.
mais motivo de ódio, e aí ele vai lá no campo, dá uma conferida nos irmãos, e quando os irmãos veem José chegando com aquela roupa bonita, eles falam, lá vem o sonhador, aquele que acha que é melhor que nós, vamos dar um fim nessa história hoje, vamos matar José. E os irmãos planejam a morte de José.
Mas por uma situação ali, eles resolvem jogar ele no poço, enquanto eles decidem o que fazer, José está lá no poço, jogado no poço, e pensa a cena do menino, 17 anos, num poço, sendo odiado pelos irmãos. Quanto trauma já não nasce aí. Até que no fim os irmãos decidem não matar José, mas vendê-lo como escravo. Está passando uma caravana, indo para o Egito, e eles vendem José, e José é enviado para ser escravo no Egito.
Pensa nessa caravana, o que passou no coração de José durante esse trajeto? Chegando no Egito, tem que aprender uma língua diferente. Ele é levado para ser vendido e Potifar compra ele. Ele começa a servir na casa de Potifar, um homem influente no Egito. E José é bem sucedido, Deus está com ele. José faz um bom trabalho como escravo de Potifar, tanto é que a esposa de Potifar se interessa por ele.
apaixona pelo menino, menino bonito, dá em cima dele, mas ele fala assim, não, eu sou fiel a Deus, fere os meus princípios. E nós vamos falar mais sobre isso ainda, numa das mensagens dessa série.
Mas aí tem uma tarde que José está sozinho em casa com essa mulher. Ela agarra José, ele foge, consegue se desvencilhar, mas ela fica com um pedaço da roupa de José. E quando o marido chega, ela fala assim, olha o que esse teu escravo fez. Ele tentou me abusar, eu consegui escapar, mas fiquei com a roupa dele. Em quem que Potifar acreditou? Na esposa. O que acontece com José? É preso, injustamente.
Lá na cadeia, ele continua servindo, fazendo o seu melhor, se destaca, até que dois homens são presos. O copeiro e o padeiro do rei, do faraó. E esses homens têm um sonho. Eles ficam atônitos com o sonho e José revela o sonho para eles. Ele fala para o padeiro, você vai morrer amanhã. Esse é o significado do seu sonho. E para o copeiro ele fala, amanhã você vai voltar para o seu cargo e vai trabalhar para o faraó.
E então acontece como José diz, mas José pede para o copeiro assim, quando você for restituído ao teu cargo, não se esquece de mim. Mas o que aconteceu? O copeiro esqueceu. Rejeição, violência, abandono, traição, injustiça, esquecimento. Quanto trauma, quanta mágoa.
Mas até que finalmente acontece algo. O faraó tem um sonho que ninguém consegue revelar. O copeiro se lembra de José. É chamado José para se encontrar com o faraó para ajudar a revelar o sonho. E José, ele revela pelo poder de Deus o sonho e fala para o faraó, o faraó, o teu sonho significa que nos próximos 14 anos do Egito vão ter os primeiros 7 anos de muita fartura e os últimos 7 anos de muita fome.
Se eu fosse o Senhor, eu me preparava, me preparava, estocava alimento, guardava alimento, fazia isso assim e assim assado. José não só revelou o sonho, ele deu uma solução. O farol gosta de José e fala assim, cara, ninguém mais preparado para fazer isso do que você. O farol pega José e coloca ele como o segundo mais poderoso do Egito ou o segundo mais poderoso do mundo. O escravo, injustiçado, magoado, cheio de traumas, agora é o segundo homem mais poderoso do mundo.
Acontece como José prevê, ele estoca alimento e nos sete anos de fome, o Egito começa a comprar alimento de José. E não só o Egito, os povos ao redor também passam fome e vão ao Egito procurar alimento. Inclusive quem? Os irmãos de José. E agora a cena é a seguinte, os dez irmãos, os dez agressores de José, estão diante dele para implorar e pedir que José venda alimento.
Eles não reconhecem José. José está muito diferente, falando uma outra língua. Eles não reconhecem José. E agora José, diante dos seus irmãos, o segundo homem mais poderoso do mundo, diante ali dos seus agressores. O que José fez? Ou melhor, a pergunta é, o que você faria nessa situação? Se coloque no lugar de José.
Não imagine os irmãos, mas imagine as pessoas que você pensou no início. Aqueles que te magoaram, aqueles que te ofenderam, aqueles que te maltrataram, te rejeitaram. Diante deles, você com poder, o que você faria? Talvez você falaria assim, ah, eu perdoaria. Que cristão, você é maravilhoso, né? Tim Keller fala que todos dizem que o perdão é uma ideia maravilhosa, até que eles possuam algo para perdoar.
José tinha todos os motivos para ser um homem amargurado, vingativo, mas ele não foi refém da dor. José não transformou a mágoa dele em identidade. Muitas vezes nós transformamos as nossas mágoas em identidade. Eu sou rejeitado, eu sou traído, eu sou injustiçado, eu sou esquecido, mas José não. Ele escolheu outra narrativa, ele escolheu Deus está comigo.
José sabia quem estava com ele, conduzindo a sua história. E por isso ele declarou no finalzinho de Gênesis, capítulo 50, vocês, meus irmãos, pretendiam fazer o mal, mas Deus planejou tudo para o bem. E sabe por que José pôde fazer essa declaração? Porque ele trabalhou o perdão na vida dele. Não foi algo fácil. Não foi assim, eu encontrei meus irmãos, irmãos, queridos, vocês estão perdoados. Não, teve um processo.
Ele estava lidando com sentimentos. José não se revela logo, ele finge que não conhece, ele nem fala a língua dos irmãos. Ele arma todo um esquema, acusando eles de pessoas que estão lá para investigar a terra, são espiões. Ele deixa um dos irmãos preso e faz os outros voltarem, inclusive para trazer Benjamim. Ele fala, vocês têm um irmão mais novo, tragam para cá.
E nesse processo todo de José lidando com seus sentimentos, não sabendo como lidar com seus irmãos ali na frente, acontece o primeiro dos quatro choros de José, que ajudou ele a chegar ao perdão, que é o choro pelo reconhecimento. Porque diante dessa cena, os irmãos param e falam assim, é evidente que estamos sendo castigados por aquilo que nós fizemos a José. José, ouvindo isso, eles não sabiam que José entendia a língua deles. Se afastou dos irmãos e começou a chorar.
Aqui eu não falo nem tanto para quem sofre uma mágoa, mas talvez se você magoou alguém. A primeira coisa que foi importante para José foi ele ouvir os irmãos reconhecendo. Olha, nós erramos com ele. Se você magoou alguém, reconheça. Peça perdão, procure, fale, eu errei com você. Depois, os irmãos voltam, fica Simeão, um dos irmãos lá preso. E depois, quando eles precisam ir buscar mais alimento, eles voltam com o Benjamim.
E o texto fala que quando José vê Benjamim, o seu irmão mais novo, o irmão que ele amava, ele tem o seu segundo choro, o choro do reencontro. Gênesis 43, 30, muito emocionado por causa do seu irmão, José saiu depressa da sala e foi para o quarto onde chorou.
A mágoa afasta a gente das pessoas. E talvez a briga mágoa com o irmão me afasta do meu pai. Às vezes a mágoa nos afasta de pessoas que não tem nada a ver com o conflito. Quantas pessoas que eu conheço que estão brigadas com irmãos, isso nos afasta do restante da família. Quando José viu o Benjamim que não tinha nada a ver com aquela treta com os irmãos, ele falou, eu tenho saudade do meu irmão, eu preciso resolver esse problema aqui porque eu quero reencontrar meu pai, eu quero abraçar o Benjamim e falar, eu sou o seu irmão, eu estou vivo.
Então ele precisa perdoar, ele precisa trabalhar isso. O que você precisa reencontrar? De quem você está com saudade? Que problema você precisa resolver para reencontrar essa pessoa? Depois. Depois de muitas vindas e vindas. José finalmente se sente pronto e se revela para os seus irmãos. E aí tem o terceiro choro, que é o choro do desabafo.
Gênesis 45 fala que José se emocionou e começou a chorar e disse, sou eu, José. Agora não fiquem aflitos ou furiosos com os outros por terem me vendido para cá, pois foi Deus quem me enviou adiante de vocês para lhe preservar a vida.
Quando José se revela, ele chora, e é um choro de desabafo, é um grito, é uma lavagem de alma, porque silêncio não cura, é preciso falar. E José fala da dor dele, mas antes ele afirma quem ele é, ele fala assim, eu sou José, sou seu irmão. Antes de tratar do problema, ele fala assim, qual que é a nossa relação, e a nossa relação é mais importante que a nossa mágoa. Eu sou José, e aí depois ele trata do problema, o irmão que vocês venderam.
Ele não se cala, ele fala do problema. Quantas vezes nós ficamos guardando mágoa porque nós não falamos, nós só guardamos. Nós somos ruins de falar, nós somos ruins de ouvir. Quando alguém vem falar com a gente, a gente não se coloca no modo de pedir perdão, a gente se coloca logo na defensiva. Nós fugimos de conversas difíceis. Não sabemos falar e ficamos guardando mágoa que nos deixa amargurados. E a história segue.
E eles se abraçam, eles se perdoam, eles lavam a alma, choram juntos. José beija cada um, manda chamar o pai e eles vão morar todos juntos no Egito sobre a custódia de José. E depois de um tempo, Jacó morre e os irmãos mais velhos, os irmãos de José ficam com medo e pensam assim, agora que o pai morreu, José vem para cima. Ele estava sendo bonzinho só por conta do pai vivo. E eles mandam uma mensagem com uma mentira. Olha, o pai mandou dizer antes de morrer que era para você cuidar da gente.
Quando José ouve isso, ele chora de novo. O quarto choro, o choro da cura. E ele fala assim, não tenha medo, eu vou continuar cuidando de vocês. O sinal completo da cura foi perdão e graça.
Não foi só perdão e indiferença. Estão perdoados, agora se virem. Óbvio que nem sempre dá para restaurar relacionamentos. Não depende só de uma parte. Mas José, que cuidava deles, ele falou assim, não é só perdão e misericórdia, não vou pagar o que vocês merecem, mas é graça, eu vou dar para vocês o que vocês não merecem. E ele cuidou dos ofensores. Ele cuidou dos seus irmãos. No final da vida, José experimentou a cura completa a ponto de cuidar daqueles que magoaram José.
Tanto é que Jacó, antes de morrer, declara uma bênção sobre José e ele fala assim, José é árvore frutífera. Gênesis 49, 22. Deixa eu te perguntar, as suas mágoas, a sua amargura, está te impedindo de ser frutífero? Deus te chamou para ser bênção. Deus tem sonhos para você assim como tinha para José.
propósitos, mas as suas mágoas não estão impedindo de você viver o propósito de Deus para a sua vida? Deus te quer curado, não ache que é normal viver assim acumulando mágoas não tratadas? Olha o que Hebreus nos diz, tomem cuidado para que ninguém abandone a graça de Deus, cuidem para que ninguém se torne uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com seu veneno.
Você é uma árvore frutífera ou uma planta amarga? Suas mágoas te impedem de ter relacionamentos saudáveis? Suas amarguras te afastam da graça de Deus? José sentiu mágoa? Sim. Mas ele não deixou virar amargura. Quanto tempo você vai deixar essa mágoa no seu coração sem tratar?
Deixa eu te falar, quanto mais tempo a mágoa fica aí, mais a chance você tem de ficar amargo e se afastar de Deus. Eu poderia, falei isso mais cedo, eu poderia ter ficado magoado. Porque os três últimos cultos, todos os pastores aqui tiveram entregas. Hoje, eu que prego, não tem nada.
Tocou que eu acompanhei em nenhum momento. Aí o que eu fiz? Eu trouxe café. Então eu vou pedir para o Rodivaldo trazer o café, porque eu quero terminar com essa ilustração. O brasileiro foi acostumado que café bom é café amargo. O brasileiro aprendeu que café bom é café forte e amargo. Obrigado.
Por quê? Porque a indústria do café, quando errava a torra, o café ficava muito torrado, eles colocavam um rótulo assim, extra forte. E aí te vendiam. Quem toma café extra forte aí? Levanta a mão, sem vergonha. É, confessa. Mas deixa eu te falar, você pode estar tomando café junto com uns pedaços de pau, milho, e aí para esconder essas impurezas todas, o que eles fazem? Torram muito aquele café. Aí você não sente gosto de nada, só de carvão.
Então, café extra forte é café, é semi-carvão. E aí eu trouxe dois cafés aqui. Um café extra forte, o cheiro já é totalmente diferente, é cheiro de queimado. E eu trouxe um café que eu moí hoje de tarde. Café especial, um café que foi torrado na medida certa.
Quem fez a torra, ele ficava cuidando a cada segundo para ver se o café não ia passar do ponto e tirou na medida certa. E nós fomos acostumados a achar que café é amargo. Café é fruto. Olha o xerinja. Café é um fruto. E fruta é doce. Fruta tem sabores. Fruta tem nota.
Esse café aqui, que é o extra forte, ele vai ter gosto de semi-carvão. Você não vai sentir, talvez, frutas vermelhas, você não vai sentir algo adocicado. Aí o que você faz? Você taca açúcar e depois você se encontra com a sua tia, tia Beth. Esse aqui não precisa de açúcar. Ele é um café que tem sabor.
Quantas vezes nós ficamos na torra da amargura e nos tornamos amargos? E achamos que é normal. Achamos que é assim. Achamos que é assim. Sabe, você não controla o que acontece com você. Você não controla o que acontece. Mas controla quanto tempo isso fica queimando dentro de você. A torra é o que acontece conosco.
Se a gente fica tempo demais nisso, a gente vira amargo. E eu sei que vão falar que isso aqui é um chafé, mas tem sabor. Tem sabores. Você sente. Aqui você tem um saborzinho, nota de carvão. Por que você vai continuar normalizando a sua amargura?
Ah, sempre foi assim, desde a minha infância meu pai me tratou mal e eu fui rejeitado, eu fui abandonado e agora é assim. Não, Jesus tem mais para você. Não deixe as suas mágoas ficarem queimando demais na torra. Não deixe as suas mágoas ficarem ali deixando você amargo. Você foi criado para ser uma árvore frutífera, que tem sabor, que abençoa pessoas ao seu redor.
Que não, quando chega, você traz amargura, peso para o ambiente. Você tem sido árvore frutífera ou você tem sido uma planta amarga nos seus relacionamentos. Que hoje você possa chorar como José. Se expressar. Desabafar. Pois eu desafio você a provar os dois aqui para ver se um não é melhor que o outro.
Que você possa fazer como José fez. Quem que você precisa perdoar? Quem que você precisa liberar perdão? Para quem que você precisa pedir perdão? Não espere mais tempo. Não deixe a torra continuar torrando ali, deixando mais amargo, mais amargo, mais amargo. Não alimente essa mágoa. Não deixe as mágoas te tornar uma pessoa amarga. Mas perdoe. Sabe qual que é o caminho do perdão?
Sabe o que fez José se revelar e perdoar os irmãos e finalizar esse processo de cura? Foi quando ele queria deixar Benjamim ali preso com ele. E aí Judá, o irmão, um dos irmãos de José, falou assim, não deixe Benjamim aqui, eu preciso levar ele de volta para o meu pai. Eu fico no lugar dele. Mas ele precisa voltar para Jacó. Quando Judá falou assim, eu fico no lugar dele. José se desarmou, chorou, se revelou.
Sabe quem que é Judá? Judá é a tribo de onde vem Jesus. Jesus é o leão da tribo de Judá, é o descendente de Judá. E sabe o que Jesus fez? Ele fez a mesma coisa que Judá. Ele se colocou em nosso lugar, Judá se colocou no lugar de Benjamim. E José então pôde perdoar.
Nós também temos o leão da tribo de Judá, o descendente de Judá, que se colocou na cruz, em nosso lugar, morreu para perdoar os nossos pecados. E porque nós fomos perdoados de todas as nossas ofensas contra Deus, nós podemos perdoar aqueles que têm nos ofendido.
Que nessa noite seja uma noite de cura. Porque você lembra que você é perdoado, amado, aceito. É filho que Deus tem prazer. Que o amor do Pai te leve a amar pessoas e a perdoar pessoas. Amargura se cura com amor, porque amor cura.