Episódios de História de Imigrante

175. Virei Garota de Programa aos 40

07 de maio de 202632min
0:00 / 32:24

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➡️Sobre o episódio 175

Ela cresceu na pobreza, casou com um homem rico sem saber o que era amor e viveu uma vida confortável… mas vazia. Depois do divórcio, encontrou um relacionamento intenso e destrutivo.Até que veio a pior traição possível: o homem que ela amava… e a mulher que ela acolheu dentro de casa. Sem chão, aos 40 anos, ela tomou uma decisão extrema: foi para a Europa trabalhar como garota de programa. Mas o que parecia o fundo do poço… virou o início de uma história inacreditável. E o que aconteceu depois parece roteiro de filme, mas é real.

➡️Se gostou dessa história vai gostar também...

O reencontro (parte 1)🎥

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O reencontro (parte 2)🎥

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Pensei que fosse morrer🎥

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Participantes neste episódio2
B

Brazuquinha

Convidado
V

Vivian

Convidado
Assuntos5
  • Relacionamento tóxico e traiçãoRelacionamento com Jurandir · Ciúmes e controle · Traição com Joyce · Impacto emocional da traição
  • Novo relacionamento e recomeçoConhecendo Edward · Desenvolvimento do relacionamento · Pedido de noivado e casamento · Nova vida na Europa
  • Prostituição na EuropaDecisão de ir para a Europa · Trabalho como garota de programa · Rotina e clientes · Vivian como 'puta chata'
  • Infância e juventudeCrescimento na pobreza · Família desestruturada · Primeiro amor e gravidez precoce · Casamento arranjado
  • Superação e gratidãoReflexão sobre a traição · Gratidão pela traição · Lições aprendidas
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Chega mais e escuta isso daqui. Olha só uma coisa, eu tô com cara cheia de espinha, de preocupação. Se eu conto ou não conto esse segredo pra você.

Toda vez que eu recebo uma mensagem de vocês, de pessoas que querem que eu conte suas histórias, eu marco uma conversa para eu entender com detalhes tudo o que aquela pessoa passou, certo? Então, essa frase que vocês ouviram aí foi a primeira coisa que a brazuquinha do episódio de hoje me falou. Ela me pediu para manter os nomes, lugares, tudo no anonimato.

E, gente, a história é fogo no parquinho. Vira e mexe eu falo aqui pra vocês que tem história que daria um filme ou que daria uma série. Essa aqui é diferente. É diferente porque existe um filme com uma história igualzinha a dela. Dizem que a vida imita a arte. Quem falou isso, acertou. E que filme é esse?

Uma linda mulher. Estão preparadas para essa história? Ela não é recomendada para menores de 16 anos. E antes de começar, deixa eu falar aqui da nossa parceira do dia, Bianca Oliveira. Precisa de um advogado na Espanha que fale português? Um advogado que não fica meses te enrolando? Que sabe que quanto mais rápido o processo fica pronto, melhor?

Pois é, a Bianca fez a minha residência e minha documentação saiu assim, em menos tempo do que eu esperava. Manda mensagem no WhatsApp e ela mesma responde e não demora. Não é aquela coisa de ter que falar com assistente, com secretária, não, nada disso. O contato dela está na descrição desse episódio.

E outra parceira é a Vanessa Floriano, que é psicóloga, especialista em comportamento intercultural. Ela atende brasileiros que vivem fora do Brasil, pessoas que saíram do país e tentam de tudo para se encaixar no exterior. E também atende quem morou muito tempo no exterior, volta para o Brasil e não se encaixa mais. Poucas pessoas falam sobre isso, né? Mas tem essa parte da vida do imigrante também. Se quiser entrar em contato com a Vanessa, o telefone dela está na descrição desse episódio.

E agora, segura que lá vem história. Seja muito bem-vindo a bordo. Estamos prestes a aterrissar em... História de Imigrante.

Hoje eu vou contar a história da Vivian. Vivian é de uma cidade pequena no Brasil e foi criada numa família toda desestruturada. Na real, ela foi criada praticamente sem família. Os pais eram separados e ela meio que ficava cada mês na casa de uma pessoa.

vizinho, parente, conhecido. E foi assim até os 10 anos quando uma mulher meio que adotou ela. Tudo isso, gente, na pobreza. Quando Vivian tinha aí uns 15 anos, ela se apaixonou por um menino lá da cidade e eles começaram a namorar. Mas tinha uma coisa, o menino era rico. O pai, a família do garoto, tinha muita grana e todos foram absolutamente contra esse relacionamento.

Você tem que achar uma menina do seu nível, à sua altura. E a fofoca rolava solta na cidade. Viu só que, Vivian, aquela menina lá do morro tá namorando o Teobaldo. Vou chamar aqui o menino rico de Teobaldo. Aí você pergunta, e como Vivian ficava nessa história, ela não gostava, né? Claro, tinha raiva de todo mundo. Aí, pra complicar mais a situação, ela ficou grávida. Ela me falou assim...

Eu não sabia o que era camisinha, o que era orgasmo. Você acha que alguém conversava comigo dessas coisas? Engravidou sem saber direito o que era século. A família do Teobaldo era muito religiosa, então tinha que casar. Tava grávida, tinha que casar e casaram na igreja e tal. Teobaldo gostava da Vivian. Já Vivian.

Ela nem sabe. Ela não sabia muito nem o que era amor, essa é a verdade. Bom, eles se casaram, foram morar na casa da sogra, enquanto construíam uma casa para eles. A família do Teobaldo, apesar de não aprovar a situação, sempre tratou a Vivian com respeito. Não teve essa de, é pobre, então vai ter um tratamento diferenciado. Não, isso não aconteceu. Mas nos detalhes, ela sentia excluída, sim, daquele ambiente.

Vivian teve o filho, alguns anos depois teve um segundo menino. Estava tudo indo bem? Estava. Ela morava numa casa muito boa, não trabalhava fora. Tinha uma pessoa que limpava, cozinhava, fazia todas as tarefas de casa para ela. Tinha babá para as crianças. Vivian estava assim, vida de rainha. Vivia numa vida que não tinha nem sonhado. Estava feliz?

Não, faltava alguma coisa. Depois de seis anos de casada, ela pediu o divórcio. Separou e se mudou de cidade. Ela foi morar numa cidade grande, junto com as crianças. Aí ela começou a trabalhar para manter ela e os meninos. O pai deles sempre foi paizão, ia visitar, cuidava quando estava junto, pagava colégio particular, planta de saúde caro. E as outras despesas era a Vivian que custeava. Tá tudo bem?

Mais ou menos, ela sentia que faltava alguma coisa. Depois de um tempo na cidade grande, vivem a conhecer um cara. Vou chamar ele aqui de idiota. Não, não vou chamar. Vou chamar ele de jurandir mesmo. Eles trabalhavam na mesma empresa. Rolou ali uma paquera, dali foi por um namoro. Em pouco tempo, os dois foram morar juntos.

Ela se apaixonou loucamente por ele. Se até aquele momento da vida ela sentia que faltava algo na vida dela, agora Vivian tinha se encontrado. Jurandir era tudo o que ela queria.

E mais um pouco. Ele era desses que via uma coisa que ela gostava na rua e ia lá e comprava. Ele via um sapato e achava que ia ficar bonito nela. Ele comprava e dava de presente. Jurandir foi morar na casa dela, só que tinha um detalhe. Jurandir não gostava de criança e deixava claro para ela que não queria os filhos dela por perto.

Vira e mexe mandava os meninos irem morar com o pai. Vivian tinha duas crianças pequenas, né? Como que não gosta de criança e vai morar com uma mulher que tem dois filhos pequenos? Pois é. O não gostar era tanto que se eles estavam no mercado, por exemplo, e ela pegava ali uma bolacha pras crianças, ele tirava da conta e mandava ela pagar separado. E tinha outra. Jurandir era ciumento.

Todo Jurandir é ciumento, fala aí. Jurandir controlava que roupa a Vivian podia sair ou não de casa. Ele queria que ela tivesse sempre perfeita. Roupa arrumada, salto, maquiada. Acho que era por isso que ele comprava as coisas pra ela. Pra Vivian ficar exatamente como ele queria. Ela falou assim...

Se eu fosse no mercado, eu tinha que arrumar. Se eu não fosse, ele brigava. Era uma mulher troféu. Jurandir não queria uma mulher. Ele queria um manequim para mostrar para os outros. Só pode. Deus me enfreca um homem desse. Ninguém merece ter um homem que escolhe a roupa que a gente usa.

A Vivian brigava, eles terminavam, voltavam. Como eu disse, Jurandir era muito ciumento, controlador, possessivo. Tinha ciúmes até do relacionamento da Vivian com os filhos dela. Ele falava assim... Eu nunca quis ser pai. Eu não quero seus filhos aqui. Eu não quero criança por perto. Eu não gosto de criança. Aí como que uma relação assim ficava de pé? Não ficava, né? Era uma relação que ia empurrando aos trancos e barrancos.

Ela era tão louca, mas tão louca por ele, que eles brigavam e ela ficava sem comer. Aí também era briga atrás de miriga e vira e mexe. Ele pegava as coisas dele e saía da casa, falava que não ia mais voltar. Ela quase morria, aí ele voltava e ficava tudo bem até a próxima briga. E foi assim até que...

Bom, Vivian era supervisora de uma rede comercial. Numa das lojas que ela supervisionava, tinha uma funcionária que estava dando muito trabalho para a empresa. Era uma menina que não dava conta do trabalho. Não fazia o básico do básico. Vivian deixava tudo mastigado para ela e mesmo assim, essa menina não fazia as coisas certas. Eu vou chamar essa menina aqui de Joyce.

Joyce simplesmente não dava conta de fazer o que tinha que fazer. E por que Vivian não mandava essa menina embora? Porque Vivian foi um dia na casa da Joyce, tipo um fim de expediente para deixar a garota em casa, e viu que Joyce tinha uma situação muito complicada. A casa da Joyce era muito pobre, mas pobre sim. Sala que não tinha sofá, era um colchão. E o pai dessa Joyce passava a noite lá, deitado nesse colchão, bêbado, assistindo film pornô.

Eles não tinham nem mesa pra comer. Comiam num tamburete. Era uma... Era uma pobreza sem fim. Então, Vivian via a situação e não mandava o menino embora. Até que a chefe da Vivian falou. Olha só. Ou você manda a Joyce, ou a gente vai mandar você embora. Complicado, hein? Vivian não tinha muita escolha, né? Era ela ou a garota? Ela demitiu a garota?

Sim, mas ela fez uma coisa super bacana antes. A Vivian arrumou um outro trabalho para a Joyce. Para a Joyce não ficar desempregada, foi super humana, né? Por mais chefes, é assim. Só que tem uma coisa aqui. Joyce morava numa cidade e essa vaga nova de trabalho era em outra cidade, era na cidade que a Vivian morava. Para vocês entenderem, eu vou dar um exemplo aqui de duas cidades aleatórias.

É como se a Vivian morasse em Campinas e a Joyce em Paulínia, e o trabalho novo da Joyce fosse em Campinas. Daí, voltar todo dia era quase impossível por causa da distância, grana e tudo mais. Aí o que a Vivian fez? Chamou a Joyce pra morar na casa dela. Ela falou assim... Como eu nunca tive mãe nem pai, eu sempre me senti meio mãe de todo mundo, então eu quis ajudar aquela menina. Ela era da idade dos meus filhos.

Nessa época, o filho mais velho da Vivian tinha ido fazer faculdade, então o quarto dele estava vago. A menina não tinha nem toalha para secar o corpo do banho, nem lençol. Vivian deu tudo. A ideia era ajudar a Joyce até ela conseguir ali...

caminhar com as próprias pernas. Nisso, o namoro da Vivian estava aí nesses altos e baixos e jurandir, voltou a morar com ela. Vida que segue até que o filho mais novo da Vivian fala assim para a mãe.

Do nada, ele chama a Vivian e fala. Ô mãe, eu acho que o Jurandir e a Joyce estão tendo um caso. A Vivian na hora falou. Que isso menino, tá ficando louco? Uma menina novinha dessas? Tá não, ele não gosta de mulher como ela. Ela nem sabe fazer omelete. E tinha outras coisas também. Vivian é magra e tinha que estar toda arrumada, como eu falei.

Já a Joyce era mais gordinha. Então, quer dizer, imagina que Jurandir está de caso com Joyce? Imagina que Jurandir seria capaz de uma coisa dessas? Imagina que Joyce faria isso com a pessoa que acolheu, que ajudou? Imagina! Quando a gente leva umas apunhaladas dessas pelas costas, é até difícil de acreditar, né?

Joyce usava o computador da Vivian quando ela estava em casa, porque ela não tinha um computador. Então, Vivian já estava ali com a pulga atrás da orelha, porque o filho dela tinha dado o alerta. Aí foi ver lá umas coisas no computador e bingo, achou a conversa dos dois.

Conversa dos dois no computador da Vivian. Vivian ficou meio que não é possível. Ela foi conversar com a Joyce. E a Joyce assumiu. Falou que eles estavam apaixonados e é isso. Joyce e Jurandir estavam apaixonados. O mundo da Vivian desabou.

Eram 10 anos de relacionamento, um relacionamento daquele jeito, com altos e baixos, mas ela era louca pelo cara. Jurandir fazia ela de gato e sapato, e ela voltava. Mas traição, ela nunca tinha ficado sabendo. Era tóxico? Era. Mas pra Vivian, traição era outro patamar.

Isso porque a primeira vez que a Joyce jantou na casa da Vivian, ela chorou de emoção. Disse lá que nunca tinha tido um jantar assim na vida dela, com mesa e cadeira. Joyce falava assim, Eu sempre sonhei em sentar no sofá pra assistir novela. Ela não tinha sofá, né? Pois é, essa pessoa que uns meses atrás estava chorando de gratidão, passou a rasteira na Vivian.

Aí depois que Vivian conversou com a Joyce, a menina pegou as coisas dela e foi embora. Juntou a mala e desceu, porque lá era um apartamento. Vivian foi na sacada e viu quando o Jurandir chegou de carro para buscar a Joyce. Ela ficou olhando lá de cima a menina ir embora com o homem dela. E ficou morrendo de chorar.

Traição dupla, né? Foi traída duas vezes. Foi traída pela pessoa que ela amava, foi traída pelo Jurandir e pela menina que ela estendeu a mão. Menina que ela ajudou em todos os sentidos. Há um detalhe. Vivian tinha ali por volta de 40 anos e a menina em torno de 20. Isso pesa também, né? Ela não comentou, mas eu imagino que ela deve ter se culpado por isso. O Jurandir tinha ali por volta de 45, 46 anos.

A história até aqui já daria um episódio. Aqui eu podia falar que Vivian chorou, chorou, mas depois de um tempo se erregueu, que ela conseguiu se recuperar e esqueceu o trache e quem sabe até encontrar uma pessoa legal. Mas não. Essa história está só começando e minha amiga, o negócio começa a ficar mais pesado agora.

Vida que segue até que um dia a Vivian se encontra com uma amiga que morava em... Eu vou falar um país aleatório aqui, tá? Na Polônia. Essa amiga era casada com um polonês e já morava muitos anos na Polônia e sempre falava pra Vivian Vem cá, não sei o quê, aqui você ganha dinheiro. E ficava aí botando pilha na Vivian.

Quando os filhos eram pequenos, a Vivian sabia que o pai deles nunca autorizaria os meninos morarem em outro país. Mas agora os dois já estavam na faculdade. E a vida financeira dela também não era aquelas coisas. Era receber o salário, pagar as contas e já não tinha dinheiro que... E assim, pendurando no cartão de crédito.

E ela ia vivendo desse jeito. Como eu disse, os meninos estavam na faculdade. Vivian pagava metade da despesa deles lá. Nessa época também surgiu uma oportunidade, uma bolsa para eles fazerem um intercâmbio na Europa. Aí ela ia ficar sozinha. Bom, a amiga insistiu, falou lá que ganhava X por mês e Vivian pensou, por que não?

Preciso falar qual que era o trabalho? A proposta era ser garota de programa. A amiga era casada e garota de programa, o marido sabia e tava tudo certo. Aí Vivi pensou. Vou ou não vou? Vou ou não vou? Ela topou. Ela me falou assim.

Fui ingênua? Não. Fui sabendo o que era o trabalho. Vivian pediu demissão, fez um acordo bom e partiu a Europa. A ideia da Vivian era vir pra Europa, ganhar um dinheiro, dar entrada numa casa no Brasil e depois das parcelas ela dava conta de pagar. Era isso. Mas ela só viu isso. Focou no resultado, no apartamento que ela queria comprar. E foi. Chegando aqui, aliás, chegando lá na Polônia,

Não era nada do que ela esperava. Ela me falou assim... Eu convivi com outras pessoas que eram do job e que não tinha problema nenhum e tal, e levava na maior tranquilidade. Mas eu não, tipo assim, eu comecei, fui lá, tirei as fotos bonitinhas, mas... A Vivi arrumou uma pessoa pra atender o telefone dela, porque ela não falava nenhuma palavra fora o português.

Bom, qual que era o esquema? Elas alugavam um apartamento, tinham uma telefonista contratada, os caras ligavam pra essa telefonista, ela agendava ali um trabalho organizado. Cada um na sua função. E detalhe, todo mundo com nome falso. As do job e os clientes também. Pois bem, ela mal chegou e já veio a telefonista. Ó, tal hora vai bater um cara aí.

Vivian se arrumava, lingerie bonita por baixo e por cima era tipo aquelas saias justas até o joelho, sabe? Camisa social, meia calça e saltinho. Tipo executiva, rabo de cavalo, maquiagem discreta, uma pessoa bem arrumada. Não era bordel ou casa de massagem, não. Como disse a Vivian, era bem chique. E elas não tinham chefe, era tipo AP de temporada. Alugava, recebia os clientes por umas semanas e depois se mudavam e assim ia.

Os clientes chegavam até a Vivian por um site. Era um site de programa mesmo. Era tipo o site de loja que você vai escolhendo os produtos e colocando no carrinho? Então, era assim. Só que em vez de produtos, eles compravam serviços. Quais serviços? Sexo papai e mamãe? Oral? Anal? Beijo na boca? Espanhola? Francesinha?

Fetiches? Fazer cocô no cliente? Assistir o cliente comer cocô? Essas coisas. Eu aqui fingindo que eu não tô chocada com isso. Bom, Vivian tirou as fotinhas sensuais para publicar nesses sites e depois dos serviços, os clientes deixavam um review. Um tipo, um comentário, né? Gostei, gostosa, sei lá mais o quê, não viu o site, só fiquei imaginando o conteúdo que deve ter esses comentários.

Mas aí é que tá. Vivian era a básica das básicas. Ela era tipo assim, cachorro quente americano, pão salsicha, não tinha um tempero, uma maionese. Ela não servia uma batata palha, um milho, um purezinho de batata, não. Vivian era básica. O cliente chegava pedindo por trás, ela falava não. Com outra mulher...

Não. Com mais um homem? Não. Bacanal, grupal, junta todo mundo. Não, paga o dobrado. Não, não, não, não, tudo não. Beijo na boca? Jamais. Os clientes chegavam com vinho. Vivian? Não. Os clientes podem tomar, mas ela não bebia nadinha de nada. Droga?

Não. Aí os caras chegavam, Vivian que não falava nada, entendia menos ainda, mandava ir direto pro banheiro pra tomar banho. Aí o que aconteceu? Vivian só tinha bad review. Os comentários no perfil dela eram péssimos. Ela tinha uma estrelinha. Ela me falou assim...

Eu era a puta chata. Puta chata e enjoada. Para as curiosas igual eu, o valor da hora era 120 euros mais ou menos. Isso dá aí uns 700 reais por hora. Empolga com o dinheiro não. Porque vocês viram que Viva empolgou e se deu mal. Porque quem queria a puta chata? Ninguém. Só uma coisa aqui. Isso aqui aconteceu por volta de 2011. Então quer dizer...

Aquela mulher do interior que casou com homem rico, separou porque não gostava dele, se apaixonou por um cara, viveu 10 anos, um relacionamento tóxico, foi traída por ele, por uma amiga que ajudou, virou prostituta na Europa aos 40 anos? Basicamente isso. Virou puta chata, como ela mesma diz. E os filhos? Tudo na universidade, fazendo intercâmbio no exterior. Eles sabiam disso?

Claro que não. Óbvio que não. Eles sabiam que ela estava na Polônia, sim, mas eles achavam que a mãe era depiladora. Inclusive, escuta essa. Inclusive, eles iam visitar a Vivian. Aí ela alugava um apê de férias e falava pra eles que morava ali. Quando eles iam visitar a mãe, a Vivian, não levava os meninos pra casa que ela morava com as outras garotas de programa, não. Então os meninos não tinham ideia da vida dupla da mãe.

E não é uma vida dupla. É, né? E olha que eles foram visitar a Vivian muitas vezes. Vivian estava nessa vida por três meses. Três meses. E como ela mesma diz, agora vem a parte mais interessante. Um belo dia, a telefonista liga e fala. Olha, amanhã vai chegar um cara aí oito horas da manhã. A Vivian já pensou.

Ai, meu Deus do céu, que preguiça. Mais um infeliz aí na porta. Não gosto de transar oito horas da manhã nem por amor. Quem dirá por dinheiro? Aí chegou um homem, bem vestido. Era novembro, tava muito frio. Ele chegou assim, com um sobretudo muito alinhado, terno, gravata, um cachecol, sapato brilhando. O homem era bonito.

Ele já entrou no apartamento e perguntou do banheiro. Viva estranhou, né? Como assim? Pois o homem pegou a toalha e foi tomar um banho sem falar nada. Depois do banho, rolou uma conversa com o tradutor, claro. Ele passava a mão nas pernas dela, nos braços, e quando dava, dando quase a hora do tempo do programa acabar, ele foi para os finalmentes e foi embora. Viva pensou.

Hum, que cara interessante, educado, diferente. Ela falou diferente porque normalmente os caras chegam e já querem ir ali rapidinho. Dois dias depois, a telefonista liga falando. Vivian, o cara que foi aí esses dias quer de novo. A Vivian não sabia quem que ela tava falando. Vivian tinha aí, na média, cinco, seis, sete clientes por dia. Como é que ela ia saber quem era? Não dava.

Mas aí, quando o homem chegou, era o mesmo cara educado do outro dia. Vou chamar ele aqui de Edward. Dessa vez, Edward tinha reservado duas horas com ela. Já chegou e foi tomar banho. Ficaram conversando e ele pediu o número de telefone pra ela. Mas ela falou que não, porque garota de programa não compartilha número pessoal.

Uns dias depois, e lá vem a telefonista avisar que ele tava indo de novo. Desta vez, o Edward reservou três horas. Três horas é muito, né não? Mas a gente já sabe que não é sexo o que ele quer. Assim, só sexo não é. Eles ficaram conversando e claro, né, que saiu ali um fukifu que viveu um beijão na boca.

Ela não beija, mas beijou. Conclusão, o homem foi embora e ela ficou apaixonadíssima. Ela falou assim. Normalmente eu saía sempre do quarto esculachando os caras, detonando todo mundo. Mas esse dia eu falei pra minha amiga. Ai amiga, acho que eu tô apaixonada. Beijo bom, sexo bom, cara educado. Ele me ama, eu vou casar com ele. Tava igual uma adolescente. Adolescente.

Na quarta vez, a Vivian deu o número de telefone e ele mandava mensagem dizendo que ela era muito especial. Vivian, adolescente, não preciso repetir que ela gritava pela casa, né? Vou casar com ele. Agora pensa aqui comigo. O cara levanta às 8 horas da manhã para encontrar uma garota de programa? Não é estranho? O que vocês acham?

Isso aqui não tem cara de homem casado que sai falando que vai trabalhar e na verdade vai fazer outra coisa? Pois é. Edward convidou a Vivian para jantar. Ela foi, mas levou a amiga junto. Era um restaurante. A amiga ficou ali de segurança. Para a Vivian não ir sozinha, ficou de intérprete. Para traduzir a conversa dos dois e vela, né? Porque era vela. Onde se viu ir no encontro de casal?

Foi só essa vez? Não. Quatro meses de date desse jeito. Amiga que deve ter gostado. Jantar era de graça. Daí Edward começou a ensinar a língua dele pra Vivian e pagou uma escola pra ela. Ele pagou a escola e deu pra ela o dinheiro dos programas que ela fazia de manhã.

para ela poder estudar sem ficar no prejuízo. Vocês entenderam? Para ela substituir a hora que ela fazia o programa, para ela poder ir para a escola. Para ela não perder o dinheiro que ela perderia nos programas, ele pagou. Teve um fim de semana lá, que a amiga da Vivian...

Foi viajar. A menina que dividia apartamento com ela. Aí ela mandou uma mensagem pro Edward e dormiu com ela. A Vivian tinha medo de ficar sozinha em casa. Só que Edward disse não. Ele não falou assim, não. Ele falou que a primeira noite deles não podia ser assim. Tinha que ser algo especial. Papinho, né? Não tá com cara de papinho? De homem casado?

Agora senta então pra escutar essa. Nem Julia Roberts teve uma cena igual essa que eu vou contar. Edward tinha um jantar de gala e chamou a Vivian pra ir junto. Um jantar de gala, mas... E a esposa dele? Pois é, ele não tinha esposa. Edward é engenheiro e esse jantar aí era um evento da área dele. Calma que tem mais.

Aí antes desse jantar, ele falou pra amiga da Vivian ir com ela numa loja e comprar um vestido de gala pra Vivian. Mandou elas comprarem uma coisa bem chique, bolsa, sapato, tudo que precisar. Elas foram às compras. Elas escolhiam as peças. A amiga mandava o valor, Edward transferia o dinheiro e ela ia pagando. Não foi assim Gucci, Versace, esse tipo de alta costura.

Mas elas foram em lojas caras. Bom, o jantar foi num hotel chiquérrimo. Edward reservou um quarto para eles.

Vivian foi e, bom, eles passaram a noite juntos. Essa era a noite que ele estava preparando para ela. Depois desse dia, Edward perguntou para Vivian quanto eram as despesas dela. O apartamento, as contas, comida, inclusive o dinheiro que ela mandava para os filhos. Vivian falou lá o total e ele deu para ela. Edward deu um anel de noivado para ela.

e pediu para ela parar de trabalhar e só estudar. Isso aqui tinha seis meses que eles se conheciam. Ele praticamente tirou a Vivian do job. Praticamente. No total, Vivian trabalhou como garota de programa por nove meses. Três meses antes de conhecer o Edward e seis meses depois. Ah, Vivian foi para lá com o visto de turista, mas quando ela virou estudante, ela passou para o visto de estudante. E daí, quando ela já estava para vencer o prazo, o Edward foi buscar na escola e disse Então,호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호호

Nem perguntei como ela ficou, porque nem precisa, né? Se antes ela já pulava pela casa falando que estava apaixonada, imagina agora! Depois disso, ele alugou uma casa para eles morarem juntos. Ela foi escolher tudo na casa, os móveis, as cores que ela queria, a parede.

Tudo do jeito dela. No dia que eles foram morar juntos, Edward deu um cartão de crédito na mão dela. Viva não estava acostumada com isso. Edward falou assim...

Esse é pra você. Se você for na loja, quiser comprar alguma coisa, não sei o que, não sei o que, ou se os seus filhos vierem pra cá e você tiver que sair pra jantar, pra almoçar com eles, você tem o cartão. Detalhe. Os filhos da Vivian foram lá passar uns dias com a mãe, quando ela e o Edward eram só namorados e, claro, eles perguntaram onde eles se conheceram. Edward disse que foi num café.

E é essa história que eles contam pra todo mundo. Mas a gente aqui sabe a verdade. Café que nada. Fala aí, essa história não é igualzinho o filme Uma Linda Mulher? Parece um conto de fadas, né? Tem uma diferença aqui entre o Edward na nossa história e o Edward do filme. O Edward da nossa história não é rico. Não tem uma limusine, não frequenta hotel cinco estrelas.

Com champanhes e morangos. Vivian nem bebe mesmo. Mas não, ele não é rico. O hotel que eles ficaram no dia da festa de gala foi reservado pela empresa que ele trabalha. Mas Edward ganha, sim, bem, além do cartão de crédito que ele deu pra ela.

de montar uma casa para viver com a Vívia, ele deu um carro todo embrulhado para ela. E mais, em vez de querer prender a Vívia, em vez de ficar controlando o que ela faz ou deixa de fazer, que roupa usa ou deixa de usar, ele incentivou a Vívia a abrir um negócio para ela. E vamos combinar, né? Esse amor começou lindo.

Os dois super honestos um com o outro, super se respeitando, cada um na sua realidade. Eu achei o máximo. Ela sofreu tanto quando era criança, depois com o casamento que ela foi vítima de preconceito porque era pobre. Aí depois o namorado de 10 anos ciumento, a traição, pra terminar assim.

Virou garota de programa aos 40 e conheceu uma pessoa super especial. Eu não tô aqui falando pra ninguém virar garota de programa não, viu? A gente sabe que casos assim são um em sei lá. Quantos mil? A maior parte das histórias passam muito longe de ser um conto de fadas. Mas enfim, já tem mais de 10 anos que a Vivian é casada e segue na Europa. Ela me contou que quando eles têm alguma divergência, porque todo casal tem, né? Normal.

Ela disse que ele nunca, nunca jogou na cara dela coisa do tipo, eu te tirei daquela vida, ou você era uma pura. Ele nunca, nem com raiva, jogou isso na cara dela. Por mais Edwards nesse planeta. Se eu terminar essa história aqui, já dava bom, né? Mas tem mais. Tem a cereja do bolo. Porque aqui a gente torce para as pessoas se darem bem. Mas torce para uma se ferrarem também.

O ex, olha o veneno aqui, saindo da minha boca. Hum, meu Deus. O ex que traiu a Vivian, que fim deu jurandir. E a Joyce? Pois o namoro dos dois durou só alguns meses. E o que Vivian sabe é que ele arruma ali. A namorada, de vez em quando, vai morar junto e logo termina. Nunca se firma com ninguém. Também, né? Quem que aguenta um homem desses? Já a Joyce?

A Vivian chegou a pesar 38 quilos depois da traição. 38 quilos. Mas se ela encontrasse com a Joyce hoje, ela ia dar um abraço e agradecer pela traição. Porque fazia muitos anos que a Vivian tentava sair daquela relação e só conseguiu com a traição. Então a vontade dela é de agradecer.

Não tenho nem o que comentar aqui. Essa história, pra mim, entrou nos tops 10 daqui do podcast, das que eu mais gostei. Me conta aí, qual que é a história que vocês mais gostaram de ouvir aqui no canal? Aquela que deu, sabe? Uma mexida por dentro.

Pois essa aqui é uma das minhas top 10, com certeza. Quem ficou aqui até o final, se tá no YouTube, curte no Spotify, avalie a gente, dá lá as estrelinhas e compartilha com aquela amiga que tá sofrendo por causa de traição. Não é pra ela virar garota de programa, não. É pra ela ver que as coisas se ajeitam na vida.

Essa é a história da Vivian. Todas as histórias que contamos aqui são reais, algumas delas são anônimas. Se você tem uma história de imigrante para compartilhar, conta para a gente. Nosso WhatsApp é 650-834-9209. Essa é uma realização Estúdio Fita. Até a próxima história.

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Bianca Oliveira

Advogada na Espanha
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Vanessa Floriano

Psicóloga especialista em comportamento intercultural
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