Episódios de Rádiofobia Podcast Network

Takinobori 005 - com Rodolpho Baena

24 de julho de 20261h29min
0:00 / 1:29:58

Saudações, ouvinte! Seja bem-vindo ao Takinobori Podcast, o novo projeto da Rádiofobia Podcast Network!

Neste novo podcast, Leo Lopes apresenta histórias reais de pessoas que enfrentaram grandes desafios e os superaram, no intuito de trazer mais positividade e inspiração às nossas vidas!

No primeiro episódio gravado presencialmente, Leo viajou para a cidade de Bragança Paulista, no interior de São Paulo, para conhecer o amigo e ouvinte Rodolpho Baena. Aos 33 anos e cego de nascença, a história de vida dele é um exemplo de superação, adaptação e apoio da família, principalmente da mãe Fabíola, professora que chegou a aprender braile para poder "traduzir" as provas dele na escola.

Esse papo solto e divertido rolou em um sábado de manhã, perto da hora do almoço, no Cantinho do Le e da Fa, restaurante administrado pela família do Rodolpho. Quando estiver de passagem por Bragança Paulista, não deixe de passar lá pra conhece-los e fazer uma refeição saudável e deliciosa!

Não se esqueça de comentar sobre o episódio com as pessoas que você gosta e de compartilhar para que o programa chegue cada vez mais longe!

Links citados no episódio:
- leitor de tela NVDA
- Laramara
- Fundação Dorina Nowill para Cegos
- Projeto DOSVOX
- Be My Eyes app para Android
- Be My Eyes app para iOS

Você pode assistir o Takinobori Podcast no YouTube e no Spotify e ouvir em todas as plataformas de áudio:

Clique para contratar os serviços da Rádiofobia Podcast e Multimídia!

Ouça os podcasts da Rádiofobia Podcast Network!

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Participantes neste episódio3
L

Leo Lopes

HostApresentador
F

Fabíola

ConvidadoProfessora
R

Rodolpho Baena

ConvidadoSecretário de escola
Assuntos7
  • Acessibilidade visualAcessibilidade visual · Aplicativos (Be My Eyes, Be My AI) · Smartphones acessíveis (iPhone) · Inteligência Artificial (ChatGPT, Gemini) · Dispositivos de acessibilidade (OrCam MyEye, óculos Meta)
  • Deficiência Visual InfantilToxoplasmose na gravidez · Descolamento de retina · Diagnóstico tardio · Laramara · Tratamento e acompanhamento
  • IA na arte e músicaTocar teclado de ouvido · Aulas de teclado e violão · Grupo de samba (Samba de Griot) · Repertório de pagode dos anos 90 · Musicografia Braille
  • Crítica ao visual do podcastRádio Dos Vox e DOSVOX · Chegada do café no Brasil · Consumo de mídia na adolescência (internet, Skype) · Descoberta de podcasts (Radiofobia, Cocatec) · Comunidade de ouvintes e interação
  • Veganismo e AlimentaçãoCantinho do Lei da Fá · Comida vegana e por encomenda · Delivery e marmitas semanais · Adaptação de cardápio (sem glúten)
  • Carreira ProfissionalConcurso público para escola · Função de secretário escolar · Adaptação de tarefas · Tecnologia da Informação e Análise de Sistemas
  • Infância e juventudeBrincadeiras adaptadas · Interação com colegas · Brinquedos sonoros e táteis · Aprendizado de letras e números · Experiências com skate e patinete
Transcrição367 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

A Radiofobia é pioneira na edição profissional de podcast no Brasil e desde 2012 assina a edição de alguns dos podcasts mais ouvidos do país, como o Nerdcast do Jovem Nerd, o Confins do Universo, do Universo HQ e muitos outros. Quer produzir ou melhorar o seu podcast em todos os aspectos? Acesse radiofobia.com.br e vamos trabalhar juntos. Aqui na Radiofobia nós somos apaixonados por podcast.

LLLeo Lopes

Olá, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Taki Nobori Podcast, o podcast da Radiofobia Podcast Network, através do qual eu tento trazer para você um pouco mais de otimismo, um pouco mais de positividade nesse mundo tão embaralhado, de ponta-cabeça que a gente vive. E eu tento fazer isso trazendo histórias reais de pessoas que superaram grandes desafios e grandes dificuldades para tentar trazer um pouco mais de inspiração e positividade para as nossas vidas.

E o episódio de hoje é um episódio mais do que especial, é o nosso primeiro episódio presencial, no qual eu fui até a cidade de Bragança Paulista, uma cidade próxima aqui à Serra Negra, que é a cidade onde eu moro aqui, minha terra natal, aqui no Circuito das Águas Paulista. E eu fui bater um papo com um ouvinte de mais de 14 anos. Há mais de 14 anos ele acompanha o meu trabalho, ele faz parte lá do grupo de ouvintes do Radiofobia, ele tá sempre lá nas gravações, o Rodolfo Baena.

O Rodolfo Baena, ele nasceu cego, ele nunca teve visão, e ele precisou se adaptar desde bebê a esse nosso mundo, que é um mundo visual, né? O mundo foi feito para as pessoas que enxergam. E ele tem 33 anos de uma vida muito bem vivida, muito bem adaptada, em grande grande parte graças à família dele, que sempre deu e continua dando muito apoio. A mãe dele, Fabíola, é professora. Você tem uma ideia, você vai ouvir aí no papo. Ela aprendeu braile para poder inclusive ajudar ele a estudar.

Ela traduzia, ele fazia as provas em braile, ela traduzia as provas de braile para a língua escrita. Você vai ver a história dessa família. Inclusive, eu já quero aqui agradecer a Fabíola e também ao Leandro, os pais do Rodolfo, que nos receberam, a mim e meus dois filhos, o Leone e o Lorenzo. A gente teve lá juntos num sábado e a gente bateu esse papo no restaurante da família, o Cantinho do Lei da Fá. O link tá aqui na postagem do episódio para você curtir.

Olha, a gente depois do papo comeu um filé à parmegiana maravilhoso. Se você é de Bragança Paulista e região, Cantinho do Lei da Fá não é patrocinado não, tá? Tô agradecendo por a gente ter gravado esse papo com Rodolfo e eles terem alimentado a gente com uma comida tão legal. Eles fazem comida vegana, fazem comida por encomenda, atendem toda a região Então tem aqui o link do Instagram na postagem do episódio, depois no vídeo também vai ter lá o WhatsApp e tal, se você quiser curtir essa comida muito legal.

Então mais uma vez, obrigado Fabíola, obrigado Leandro. E você vai ouvir então agora a história do Rodolfo, que a gente gravou no restaurante, tá? Eu e Rodolfo sentados na mesa do restaurante, a gente tava lá gravando devidamente, lá pelado, né, com microfones. A gente tava lá pelado, não, a gente estava com microfones de lapela e a gente estava gravando esse episódio ali aí no meio da bagunça. Telefone que toca, moto que passa, pessoas que chegam para pegar suas encomendas, motoboy chegando para pegar as encomendas do delivery para os clientes.

Mas rendeu um papo muito legal. A história de vida desse cara é uma história que merecia ser contada, e eu fico muito feliz de ter sido o instrumento para trazer essa história até você. Ouça o episódio até o finalzinho aqui. Eu já deixo aqui o pedido de like, de compartilhamento. Se você quiser, você pode não só assistir no YouTube como ouvir no seu agregador de podcast preferido. Você consegue assistir também no Spotify. Compartilha aí para todo mundo e fica até o final do episódio, porque lá no final o Rodolfo, ele é tecladista, ele é músico, ele toca teclado, e a gente vai terminar o programa em altíssimo astral com ele tocando uma música para gente.

Então começa agora, primeiro episódio presencial, Rodolfo Baena, o nosso convidado de hoje, no episódio número 5 do Takenobori Podcast. Um prazer demais receber aqui, meu amigo. Me dá a mão aqui, ó, me dá a mão aqui, ó. Rodolfo Baena, o nosso, o nosso ouvinte assíduo ali de quase, quase não, praticamente toda a gravação do Radiofobia, tá com a gente ali ao vivo no YouTube. Cara, muito gente boa. Falei, cara, vamos gravar junto? E aí ele falou, vamos, como é que vai ser?

RBRodolpho Baena

Falei, vou aí.

LLLeo Lopes

E estamos aqui. Aí, cara, como é que você tá? Tudo bem?

RBRodolpho Baena

Tudo bem, da hora você ter vindo aqui, muito legal você ter vindo aqui e conhecer fora do fone agora.

LLLeo Lopes

É, fora do fone, né? Primeira vez que a gente se encontra, né, cara?

RBRodolpho Baena

Offline, sem trilha, sem trilha.

LLLeo Lopes

A gente vai botar a trilhazinha depois na edição, mas tamo aqui, que é o que importa. Offline, offline, exatamente. Rodolfo Baena, que tem que idade?

RBRodolpho Baena

Tenho 33 anos.

LLLeo Lopes

33 anos, nascido aqui mesmo em Bragança?

RBRodolpho Baena

Nasci aqui.

LLLeo Lopes

Nasceu aqui e trabalha hoje o quê? Trabalha na escola, né?

RBRodolpho Baena

Trabalho na escola, sou secretário de escola. Faz 2 anos já que eu tô na prefeitura. Passei no concurso, era para ter passado antes. Na verdade, passei antes num outro concurso que eu prestei, uns 2018. Só que eu prestei, passei bem, passei em 4º lugar. Mas aquela, aqueles negócios de recurso de concurso, sabe? Aquelas frescuras de recurso de concurso. E aí tem as prioridades, aquele, aqueles pontos de edital de concurso, ponto 19, ponto 16, ponto 15, ponto 2, ponto 1, ponto 1.

E caso o candidato tenha, enfim, as prioridades lá Fui rebaixado para, sei lá, fui lá para baixo na classificação e não fui chamado.

LLLeo Lopes

Mas enfim, 2018 você fez?

RBRodolpho Baena

18, para esse mesmo cargo inclusive.

LLLeo Lopes

É o quê?

RBRodolpho Baena

É escola municipal? E é educação infantil, é que aqui tem só educação infantil e fundamental, fundamental 1, né, que eles chamam, que é do primeiro até o quinto ano, que aí do sexto ano em diante é escola do estado.

LLLeo Lopes

E aí você trabalha com a molecadinha, é molecadinha de tudo novinha.

RBRodolpho Baena

No caso dessa escola que eu tô agora, eu comecei numa escola maior perto daqui de casa, só que tipo eram 500 alunos, 500 alunos na escola, escola grande, 28 salas, não sei o que lá. E era tipo do berçário até o primeiro ano do fundamental. É uma escola grande, grande, tá acessível, tinha lá o piso tátil lá na escola, mas a escola enorme. Então assim, e aí eu comecei sempre ligando para— não tenho tanto contato com as crianças, né?

Eu ligo para os pais das crianças. O problema não são as crianças, são os pais. Ligo para os pais das crianças, não sei o quê. O diretor precisava de alguém que mexesse com ficha 100, que é um negócio de contagem de ponto de professor. Apesar de ter planilha, ter alguma coisa informatizada, muita coisa ainda em papel. Aí, tipo, a ficha 100 do professor, aí tem que olhar no prontuário, tem que ir lá buscar no arquivo do professor o envelope, não sei o quê, que faltou, ele vê livro ponto, vê papelada.

E aí não tinha como eu fazer. Tinham duas pessoas que trabalhavam comigo, tudo novato também, porque eu comecei em junho do ano retrasado. Aí tipo, a moça, uma que trabalhava comigo também começou na mesma época e a outra começou em março, tipo, as duas de auxiliar. Então quer dizer, tudo novato, ninguém sabia, sem experiência, né, sem experiência. E aí ele tipo, uma das moças o ano passado emprestaram para uma escola, vai ficar emprestado aqui, acho que vai ficar emprestado aqui uns 20 dias e volta.

Ele emprestou, emprestaram, empresta e não volta. Igual quando emprestava o CD, sabe? Empresta o CD, aí emprestava o CD, o CD não voltava mais. E aí ela, livro, né, também nunca mais vê, vai, não volta, vai, não volta. E aí quando, aí ficou essa moça, chamaram outro cara lá para trabalhar com a gente, mas também aí só os dois não davam conta. Os dois, o diretor, a direção, não sei o quê, né? Aí não deram conta, ele aí pediram para me transferir para uma escola menor, certo? Que teoricamente é tudo mais digitalizado, mas não é, não é, né?

LLLeo Lopes

Não é, mas aqui no interior, né, a gente sabe que é difícil também.

RBRodolpho Baena

Não é, mas assim, eu tô fazendo mais do que eu fazia lá porque assim, porque a escola é menor. Então, tipo, eu faço aquela busca ativa, correr atrás de aluno faltoso, né?

LLLeo Lopes

Mas o trabalho tem que ser adaptado para você pela falta de visão?

RBRodolpho Baena

Tem que ser um pouco, tem que ser, porque a parte de papelada não dá para fazer, não tem nada em braile, né?

LLLeo Lopes

Você sabe ler braile? Quero saber como é que você aprendeu também. Isso é um, para mim, é um superpoder. O cara que sabe, consegue ler braile, para mim é um superpoder. Mas na escola então você tá fazendo coisas que dependem do computador, porque aí você tem o leitor de tela, tem no computador, no celular, né? No celular de vez em quando aparece.

RBRodolpho Baena

O celular já apareceu de vez em quando aqui.

LLLeo Lopes

Olha aí, é o leitor de velocidade, o Creos 5.

RBRodolpho Baena

Sabe que eu tenho um nerdcast antigo com o Lucas Radarelli? Eu, tipo, um colega meu também que é cego Uma vez você viu que a gente editou, que ele mostra ele ouvindo, né? Eu acho que foi, não sei qual foi, mas era um episódio 200, antigo para caramba, 200 e pouco, antes da radiofobia ainda, 200 e pouco. Eles colocaram assim o negócio, como é que é assim, eu não lembro o que que eles colocaram na vinheta assim, colocaram o negócio, se você entendeu isso você é um herói da resistência, não sei o que lá.

Ah, na vírgula, você fala na virgulinha antes da abertura, eles colocaram Algum negócio, não lembro que texto que eles colocaram lá, com leitor na velocidade rápida para caramba. Se você entendeu isso, chama herói da resistência. Eu rachei o bico, falei, ah não.

LLLeo Lopes

Mas aí você usa o leitor na escola, que é de fone de ouvido?

RBRodolpho Baena

De fone de ouvido.

LLLeo Lopes

E ele lê o quê para você?

RBRodolpho Baena

Ele lê tudo que aparece na tela do computador, só não lê imagem. Sim, só não lê imagem, não lê. É igual do celular, ele só não lê imagem, não lê Figurinha na internet, ler imagem quando tem aquela descrição, né?

LLLeo Lopes

É por isso que é importante a gente, quando vai fazer um site, alguma coisa assim, botar a descrição nas imagens, né?

RBRodolpho Baena

Aliás, você mandou o seu, o meu site novo, tem as descrições, né? Você pôs umas legendinhas lá. Ah, que da hora!

LLLeo Lopes

Tá escrito, né?

RBRodolpho Baena

Léo sorrindo numa mesa, sorrindo na mesa, não sei o que lá.

LLLeo Lopes

Mas você sabe que não fui eu, foi o Cláudio. Eu fiz no Cláudio aquele site.

RBRodolpho Baena

Que louco!

LLLeo Lopes

Eu fiz 100% no cloud. A primeira versão do site levou 40 minutos.

RBRodolpho Baena

Meu Deus!

LLLeo Lopes

Depois eu fiquei umas 5 horas lapidando. Eu tava trabalhando o conceito e tudo no ChatGPT, mas eu fiz no cloud. E aí, cara, tão legal o serviço que ele tem essa descrição. Tanto que uma hora que eu pedi para ele corrigir alguns textos, ele perguntou: você quer que eu corrija a descrição das fotos também? Aí que eu fui perceber que tinha descrição nas fotos, cara.

RBRodolpho Baena

Que louco, mas é legal, é muito legal. É um negócio, é um negócio muito louco, né? Sabe que tem um aplicativo que a gente, que a gente usa que chama Bemaiás.

LLLeo Lopes

Ah, já ouvi falar, o Di Rosa me falou desse aplicativo.

RBRodolpho Baena

Que que acontece?

LLLeo Lopes

Ajuda pessoas, né?

RBRodolpho Baena

Isso é quando ele saiu, tá? Eu acho que faz uns 10 anos, mais ou menos 10, 11 anos, mais ou menos. Quando ele saiu, no começo era o quê? Ele ainda tem isso, mas você chama um voluntário, sim, você se cadastra lá, a pessoa se cadastra para ser um voluntário, cria uma conta lá, loga com o Google, com o Facebook, com o negócio lá, e coloca lá: sou um voluntário. Aí eu vou lá e me cadastro e coloco: sou cego, sou deficiente visual, tá lá.

E aí, a hora que eu precisar, preciso de alguma ajuda, Ele, eu vou lá, chama um voluntário. Eu não sei quem que eu vou chamar. Sim, que ele vai buscar alguém, certo? Pode ser você, pode ser o de rosa, ou pode ser qualquer outro cadastrado lá da base do negócio lá. É, e aí eu aponto a câmera, ele usa a câmera traseira do celular, né? Ele não usa a câmera frontal, a pessoa não te vê. Você mostra para ela o que ela, o que você quer que ela veja, certo?

Aí a pessoa vai te orientando, vai mais para direita, mais para esquerda, aponta mais para lá, não sei o quê. E te ajuda no que você precisa. Era só isso. Aí com esse negócio de ChatGPT, com essas IAs aí, eles deram uma ressuscitada no Be My Eyes, porque ele ficou meio parado, né, meio parado assim, porque tipo era só isso que ele fazia, né. Então tipo não era muito também, não era muito, ele foi muito falado quando saiu, mas depois como era só isso, nossa, faz bastante tempo.

Como era só isso, ele ficou meio estacionado. Aí com esses negócios de IA, agora o que ele faz? Além desse negócio, ele tem o Be My AI, sei lá, nada original. Mas aí que ele faz, eu tiro uma foto e ele descreve. Eu posso tirar, ou tiro uma foto, ou você manda uma foto ali Tipo, sei lá, você manda a arte do— ah, temos a arte do episódio do Radiofobia, sei lá. Eu pego aquela foto, compartilho com o Bimaiás, ele pega aquela foto e descreve.

Cara, que legal! É perfeita? Não é, às vezes não é. Pode ser que ele dá uma alucinada ali, mas ele dá a descrição.

LLLeo Lopes

Aí a do Gemini não faz isso?

RBRodolpho Baena

Faz também.

LLLeo Lopes

Faz, né? Hoje em dia você só mostra e faz a descrição.

RBRodolpho Baena

Manda lá, descreve essa imagem aqui para mim, ou o GPT faz também.

LLLeo Lopes

Agora nesse meu telefone, por exemplo, ele tem integrado direto nele assim, você só aperta um botão aqui, ele, você não precisa nem tirar foto, você mostra o que você tá vendo na câmera e pede para ele descrever.

RBRodolpho Baena

A Alexa agora da Amazon também, né? Agora com esse Plus dela aí, se a pessoa tiver aquele Echo Show com câmera lá, que é aquela caixinha com câmera, Dá para pedir para ela ver a roupa, não sei o quê. Agora tem essa, tem aí a da Alexa, deu, tem óculos também, que tem, né, pessoal? Tem os malucos que estão comprando óculos da Meta aí, da Meta, né, que acho que é 4 pau.

LLLeo Lopes

Nossa, é absurdo, ainda tá caríssimo.

RBRodolpho Baena

Eu não me atrevo a comprar mais, e olha que tinha um antes que foi, disseram que era revolucionário, mas não era merda nenhuma, que era um tal de OrCam MyEye, que Ah, eu lembro também disso, que o pessoal pagava 20 pau, vinha um óculos com uma hastezinha, com pendrivezinho, que ele só escaneava. Você apertava um botão, ele escaneava lá o botão da, escaneava a imagem. Mas era muito, pelo que eu ouvi falar desse negócio, ele era muito fraquinho.

LLLeo Lopes

Eu lembro disso também, eu lembro. Mas isso hoje, né, você tem 33 anos, você tem a tecnologia para te ajudar. Daqui a pouco a gente fala um pouco mais sobre o trabalho, mas você tem essas condições.

RBRodolpho Baena

Sim.

LLLeo Lopes

Como é que foi na sua infância, cara? Porque assim, você falou que você nasceu cego.

RBRodolpho Baena

Isso.

LLLeo Lopes

Você é um cara que nunca teve visão na vida. Você não perdeu ela na infância, como tem gente que— não foi o Demolidor, não deu tempo de ganhar superpoderes, né?

RBRodolpho Baena

Não, não. Apesar de todo mundo achar que eu tenho superpoderes, que eu tenho o ouvido privilegiado.

LLLeo Lopes

Então, mas isso é o quadrinho que faz isso na cabeça das pessoas, né? É, a ficção faz a gente criar essas coisas, que quem tem, quem não tem visão tem uma audição mais apurada. Pelo contrário, né? Você tem que, você teve que se adaptar desde cedinho. Conta um pouco dessa história, cara, de como que foi. Porque com 33 anos, você cresceu lá nos anos, final dos anos 90.

RBRodolpho Baena

É, eu nasci em 92.

LLLeo Lopes

A gente não tinha nada do que a gente tem hoje, a gente não tinha internet ainda. Na sua infância, pequenininho não, né? Foi ter ali com seus 10 anos ali, já foi ter mais um pouquinho por aí, né? Então tudo que criança brinca, televisão, videogame, como é que foi, cara, você crescer assim?

RBRodolpho Baena

Brinquei na raça também, brinquei do meu jeito ali, aperto tudo quanto era botão e seja o que Deus quiser. Só que isso aqui, só que isso aqui, só que isso aqui, mas assim, eu Eu nasci cego, minha mãe teve toxoplasmose na gravidez.

LLLeo Lopes

Você é filho único?

RBRodolpho Baena

Desculpa, filho único. Eu tenho, eu tenho uma irmã por parte de pai, mas eu não, não tenho contato. Não, não que eu não quisesse, certo? E aí que isso é dele, tipo, tive contato, mas muito pouco por ele. Enfim, aí é coisa dele, que aí eu também não sei. Certo, não faço ideia. Já quis saber, mas não quero mais saber também.

LLLeo Lopes

Tá certo, tá bom, não precisa mais entrar nisso.

RBRodolpho Baena

O Leandro, meu padrasto, que você conheceu, é muito mais gente boa, muito mais meu pai do que o meu pai original. Eu brinco que o genérico é melhor que o original.

LLLeo Lopes

Mas e aí, como é que foi a adaptação? Assim, eu não consigo imaginar como é que Como é que é assim os primeiros passos, o começo da vida?

RBRodolpho Baena

Assim, a gente, como minha mãe teve toxoplasmose na gravidez, eu tive descolamento de retina.

LLLeo Lopes

Tá, entendi.

RBRodolpho Baena

Assim, para descobrir demorou acho que uns 4 meses, eu acho, alguns meses ainda na barriga da sua mãe. Não, descobriram, descobriram que eu era cego depois que eu, depois que eu nasci.

LLLeo Lopes

Tá.

RBRodolpho Baena

Aí sei lá, tem, fizemos 500 mil exames aí Aí fomos vários, vários médicos, não sei o quê. E no fim se descobriu que eu era cego. Essa parte eu não, eu sei que sim, você era muito pequenininho, óbvio que eu não lembro, mas claro. Mas aí descobriram que era cego e foi aquela, e agora, né? Porque teve um pediatra que eu acho que foi daqui ou de São Paulo, não lembro. Minha mãe comentou alguma vez, que indicou a Laramara, que é uma associação de São Paulo que atende pessoas cegas, certo?

Antiga para caramba, faz muito tempo que existe a Laramara. E aí não lembro com quantos anos que eu comecei, eu era pequeno também, mas assim, descobriram também que eu era cego porque eu assustava quando alguém chegava falar comigo.

LLLeo Lopes

Mas você era muito pequenininho então, né? Você era bebê.

RBRodolpho Baena

Era, era. As pessoas não sabiam que você era cego.

LLLeo Lopes

Então, tipo, nem a família sabia ainda, não tinha certeza.

RBRodolpho Baena

Devia estar nessa fase dos exames, nessa fase. Então, tipo, chegava para falar comigo, percebiam que eu assustava.

LLLeo Lopes

Então alguma coisa estranha tinha com barulho, apesar de você aparentemente tá enxergando, mas o barulho é que chamava atenção, né?

RBRodolpho Baena

É, assustava com algum barulho, alguma coisa. E aí devia ser nessa fase dos exames aí que descobriram que eu assustava. Enfim, eu passei a frequentar a Laramara, que tem todo o preparo, né, para poder ajudar a família, tem todo o tratamento, sim, para poder ajudar a família, tem pedagogo especializado, a estrutura toda adaptada lá na Laramara. Eu lembro de quando andava pelo corredor sensorial, tem lá umas campainhas, umas sirenes, campainha de escola, sirene de polícia. Você apertar e tem uns bichos lá, uns bichos empalhados de pelúcia, sei lá.

LLLeo Lopes

Tomara que seja de pelúcia, porque se for bicho empalhado, é meio ruim. É o Museu de História Natural, puta lugar assustador. Você chega lá, você tá com a mão na boca da coruja, um pato, a coruja.

RBRodolpho Baena

Um negócio lá, um fósforo.

LLLeo Lopes

Mas essa instituição você frequentou em São Paulo durante quanto tempo?

RBRodolpho Baena

Durante acho que uns 6 anos ou mais.

LLLeo Lopes

6? Então aí descobriram, os exames mostraram realmente que você era 100% cego, não tinha visão nenhuma?

RBRodolpho Baena

É, já tinham, os médicos já tinham, já tinha já com 4 meses.

LLLeo Lopes

Com 4 meses, tá.

RBRodolpho Baena

E aí não sei com quantos, acho que uns 2, 3 anos que eu fui para Araraquara Sempre frequentei escola regular, né?

LLLeo Lopes

E essa instituição ajudou muito você na adaptação? Porque assim, a gente vive num mundo que foi feito para quem enxerga, né? Por mais que tenha hoje inclusividade e tudo mais, a gente sabe que a dificuldade de qualquer deficiência auditiva, visual e tal. Essa instituição ajudou você a se adaptar como não visual no mundo visual?

RBRodolpho Baena

Me ajudou também, ajudou minha família também, porque Minha mãe, minha avó também ia junto comigo. Meu avô também ajudava, porque meu avô morava em São Paulo também. Então às vezes ele levava a gente lá ou ajudava a gente ir de volta. A gente ia para São Paulo de busão, eu, minha mãe, de busão ali no metrô, né? Já o metrô já falava naquela época lá, estação, saída pelo lado esquerdo do trem, aquele negócio. Sempre aquela muvuca de metrô e semáforo sonoro.

Foi o único lugar que eu conheci semáforo sonoro, que tipo você aperta um botão, a hora que o semáforo tá verde ele dá um bip, tipo dá um alarme, ele avisa irritante, tipo é agora, vai. E aí você atravessa a rua, aí pronto.

LLLeo Lopes

Mas eu lembro que essa coisa de você adaptar espaço acessos públicos para quem tem deficiência visual foi algo recente assim na história nossa, né? Hoje em dia você tem elevador, você tem piso, né, com texturas, tem algumas coisas assim. Mas quando a gente era moleque, você era moleque lá, você não prestava. E você não sabe ler essas coisas também, né?

RBRodolpho Baena

Não tinha, não sabe interpretar também, né? Nenhuma escola que eu estudei tinha piso tátil, mas também eu não sabia que que era lei. Eu também não sabia que isso existia. Exato, exato. Tipo, lá na Laramara tinha, não era o piso tátil igual a gente tem hoje, que tem assim, que é uma borracha, né, um emborrachado, e você tem a linha reta, aí tipo tem umas bolinhas indicando que ali tem umas bolinhas para obstáculo, tem bolinha para curva.

Eu não sei tipo exatamente como que funciona, mas é tipo isso. Tem ali indicando que é curvo, só que tem lugar que tem piso tátil, mas não tem braile.

LLLeo Lopes

É, detalhe, foi, você aprendeu braile ainda criança? Ainda criança, lá no Laramara você aprendeu?

RBRodolpho Baena

Lá. Aí de novo, sempre vai ter minha mãe, sempre vai ter minha família no meio.

LLLeo Lopes

Sim, claro, né?

RBRodolpho Baena

Também minha mãe, minha avó, porque E eu tive uma professora, professora Cecília, que trabalha, que foi fazer o curso de braile. Minha mãe fez o curso de braile na Laramara, certo, para poder me ensinar.

LLLeo Lopes

Sua mãe teve que fazer também?

RBRodolpho Baena

Minha mãe teve que fazer também. Minha mãe, minha avó. Minha avó fez por um outro método que tinha, que era mais, era por correspondência. Nossa, braile por correspondência numa escola! Eu não sei nem se existe mais esse negócio. Claro, por correspondência não existe mais, mas era a Escola Hadley.

LLLeo Lopes

Caramba, deve ser alguma escola internacional, concorrente do Instituto Universal Brasileiro, que na época tinha todos os cursos por correspondência.

RBRodolpho Baena

Esse negócio aí. E aí minha mãe foi na Laramara para aprender, essa professora também foi para poder me ensinar na escola. Então tipo, eu, minha mãe me ensinava em casa, essa professora me ensinava na escola. Então, tipo, tudo que faziam na escola, tipo, a gente tinha alfabeto móvel, isso a sala inteira. Eu sempre fui o único cego nas escolas.

LLLeo Lopes

Você estudava escola normal?

RBRodolpho Baena

Escola normal, escola normal, o único cego. Vai ter muita história de briga, briga assim, briga no bom sentido, porque, né, minha mãe sempre teve que brigar nas escolas porque nenhuma escola tá preparada para para quem é cego. Pois é, nem faculdade depois também.

LLLeo Lopes

A professora vai lá, escreve tudo na lousa, se vira para copiar.

RBRodolpho Baena

E aí, foda-se. E aí, tipo, a professora, cara, no fim todo mundo acaba—

LLLeo Lopes

a professora escrevendo no quadro, aí vira você aí ceguinho, foda-se.

RBRodolpho Baena

É assim, mas é assim, mas não é. Mas para o fim do Chegamos no ensino médio ali, que foi o caos, né? Mas enfim, até o final do ensino médio você sempre fez escola, escola normal, troquei de escola, mas não foi sempre na mesma escola, mas sempre escola regular e sempre apanhando.

LLLeo Lopes

E como que era para você copiar lição? O pessoal tinha uma atenção diferenciada para você ou esquecia você lá no meio?

RBRodolpho Baena

Os professores ditavam também depois as as respostas que eles davam ali. Isso.

LLLeo Lopes

E você escrevia como?

RBRodolpho Baena

Então, eu tinha, quando a gente aprendeu, quando eu aprendi o braile, o braile a gente tem, tem a reglete, que é uma, é tipo uma régua, uma régua com os furinhos, né? Uma régua com os furinhos. E você quer muito, e ela tem uma punção, que é uma, um negocinho já para você furar seu lábio, é tipo a ponta de um compasso assim, você vai furando, né? E você escreve os pontos em braile, que o braile são 6 pontos, né?

LLLeo Lopes

Sim.

RBRodolpho Baena

Com 6 pontos você faz todas as letras, todos os números, todos os sinais de matemática.

LLLeo Lopes

Então, tipo, é o ponto e a ausência dele, né? Onde ele tá faltando.

RBRodolpho Baena

É tipo igual, tipo, para número Existe um sinal de número em braile, existe um sinal de número em braile. Então tipo, do A até o J é de 1 a 0, certo? Então tipo, se for do A até o J sozinho, é só letra. Se tiver esse sinalzinho na frente, é um sinal de número. Tipo, em lugar que vão colocar o braile que não tem espaço para colocar esse sinal de número, eles não colocam.

LLLeo Lopes

Entendi.

RBRodolpho Baena

Tipo, se você pegar uma caixa de qualquer caixa de remédio que você pegar hoje em dia Ela tá em braile. Aí a data de validade, não, mas tem assim, tem o nome do remédio e às vezes miligrama.

LLLeo Lopes

Ah tá, descrição do que tá na caixinha.

RBRodolpho Baena

É tipo, é pouquinha coisa, é mínimo, porque o braile ocupa muito espaço no papel.

LLLeo Lopes

Perfeito, perfeito.

RBRodolpho Baena

Então tipo, coisa mínima. Caixa de remédio Natura, mulherada que usa Natura, eu tô, todas as caixinhas de Natura, de perfume de Natura, de creme da Natura, de não sei o quê, tá tudo em braile. Tá lá, Natura, não sei o que lá.

LLLeo Lopes

Agora, o braile geral ele é em alto relevo, né?

RBRodolpho Baena

É.

LLLeo Lopes

Agora, quando você escreve, você faz a punção, ele não fica ao contrário?

RBRodolpho Baena

Então, aí quando você escreve na reglete, você escreve da direita para esquerda, e aí você vira a folha e fica lá, você lê da esquerda para direita.

LLLeo Lopes

Nossa, que ninja! Tem que ter dois cérebros.

RBRodolpho Baena

É, só que é meio superpoderoso. Eu não cheguei a usar a reglete. Ah, tá. Conheci, mas não cheguei a usar. Ah, entendi. Graças a uns parentes que a gente, que a gente tem, que tinha um pouco mais de, um pouco mais de condição, eu ganhei uma máquina braile, que aí muda coisa de figura.

LLLeo Lopes

Uma máquina o quê? De tipo uma máquina de escrever?

RBRodolpho Baena

É uma máquina de escrever em braile, que aí muda de figura. Eu não tenho mais ela aqui, não tem uma reglete, não tem uma máquina, então não Mas você usava ela na escola? Usava na escola. Trambolho, zoava que era meu filho. Ah, trouxe seu filho hoje?

LLLeo Lopes

Parecia sanfoneiro chegando.

RBRodolpho Baena

Era mochila nas costas, máquina numa mão, bengala na outra.

LLLeo Lopes

Você veio para estudar ou para tocar sanfona? Vem cá, dá oi aqui. Vem cá, mãe. Aproveitando aqui, a mãe do Rodolfo.

RBRodolpho Baena

Minha mãe.

LLLeo Lopes

Fala seu nome.

RBRodolpho Baena

Foi um prazer receber vocês.

LLLeo Lopes

Obrigado, desculpa atrapalhar aqui, né?

RBRodolpho Baena

Minha mãe, minha guerreira, que tá comigo na luta.

LLLeo Lopes

Ela teve que aprender braile antes dele para poder ensinar. E eu só quero dar uma aspas aqui agora. Vocês não imaginam o cheiro de comida maravilhoso que tá aqui. Nós estamos no restaurante da família, que atrapalhando o expediente do sábado. Essa gravação vai acabar que vai ser uma alegria. Nossa Senhora, obrigado, viu, receber a gente.

RBRodolpho Baena

Obrigado demais. E era lembrar ele com o olho.

LLLeo Lopes

É, pois é, olhando as bolinhas, né? Viu? Mas voltando à história da máquina, eu fico imaginando você chegando com a sanfona em Badobá.

RBRodolpho Baena

Era um trambolho. E tipo, na hora da prova, tipo, prova você tem que estar em silêncio, mas não tinha silêncio. Porque tipo, tava todo mundo quieto e a máquina era mecânica, né?

LLLeo Lopes

Então fazia um barulho tipo máquina de escrever assim, mano.

RBRodolpho Baena

E tipo, tinha aquele carrinho, quando acaba, quando acabava a folha, o carrinho fazia pim.

LLLeo Lopes

Aí tinha, e a folha é curiosidade agora, era a folha tipo folha de sulfite normal ou era uma folha corrida assim?

RBRodolpho Baena

Tipo folha de telégrafo. Folha sulfite normal. Existe um papel contínuo, né, que aí é uma gramatura de tipo rolo, né? É que aí usam muito na impressora, tá? Impressora Braille, tá? Que aí parece uma britadeira.

LLLeo Lopes

E aí você usava essa máquina na escola?

RBRodolpho Baena

Essa máquina na escola. E aí era tipo, pelo menos não precisava levar extensão, né?

LLLeo Lopes

É, não, levava folha, era folha, levava o calhamaço de quintas, folha de papel A4, o sanfona embaixo. Tinha caderno, minha mãe encadernava, eu levava os cadernos com o que anotava das lições e tudo.

RBRodolpho Baena

E aí sempre, e era assim, e a máquina, tipo, são 6 3 pontos, são tipo 9 teclas só, porque são os 3 pontos do braile, 3 em cada mão.

LLLeo Lopes

Hoje em dia tem um teclado braile no celular, existe um teclado externo, se adapta.

RBRodolpho Baena

Não, existe um teclado braile no celular, é tipo digitar, sai em tinta normal, mas a gente pode digitar em braile. Aí o celular, a câmera, como é que celular não tem textura, pô? Não, mas assim, olha, o celular fica assim, ó. Cadê a câmera?

LLLeo Lopes

Tá para sua direita, esquerda. Aí, assim, tá bom.

RBRodolpho Baena

Aí a gente fica assim com o celular. É que eu não uso muito, mas eu sei que existe. O celular fica assim, aí tipo uns 3, um ponto aqui, um aqui, um aqui.

LLLeo Lopes

Ele fica mais ou menos na altura dos seus dedos.

RBRodolpho Baena

Isso é um ponto aqui, um aqui, um aqui, um, 4, 5, 6 aqui.

LLLeo Lopes

Mas mais uma sanfona.

RBRodolpho Baena

Aí fica, aí fica o celular. Assim a gente digita em braille normal, a mesma pontuação braille, tudo.

LLLeo Lopes

Mas é mais fácil para você comando de voz, né?

RBRodolpho Baena

Não, eu digito normal, eu digito com teclado comum.

LLLeo Lopes

Você digita no ASDFG?

RBRodolpho Baena

Digito, digito. Posso mostrar depois?

LLLeo Lopes

Boa, vamos depois, vamos mostrar depois. Que ninja!

RBRodolpho Baena

Digito, cara.

LLLeo Lopes

E aí, as brincadeiras, criançada? Molecada? Que aqui a gente mora no interior, aqui é outra vida, né? Outra vida, né? Não é vida de capital. Aqui a gente é criado na rua, é, pelo menos era, né? Criado na rua, criado com os amigos. E como é que foi a sua infância nesse aspecto?

RBRodolpho Baena

Aí assim, eu não tive tanto amigo de escola, acho que mais por essa questão de rua, né? Por essa questão de, ah, molecada saía na rua Eu assim tive meus colegas, a gente brincava de alguma coisa assim na escola, não chegava tentar jogar bola. Tipo, os professores faziam de tudo para incluir, tentava, né, tentava se esforçava, né. É, na educação física a gente tinha queimada. Eu tive um professor que colocou uma regra a mais, assim, a pessoa tinha que dar um qualquer coisa assim? Não, eu era o protegido.

LLLeo Lopes

Vai brincar de café com leite ainda?

RBRodolpho Baena

Assim, protegido entre muitas aspas, não impedia de ser quem era protegido, só para tipo para alguém ficar de olho para não acertar, para a bola não acertar minha cara. Óbvio que não impediu. Uma vez acertaram a bola bem nas partes baixas.

LLLeo Lopes

Mas tudo bem, a molecada não respeita nem o sério.

RBRodolpho Baena

Aí eu, tipo, o professor dava pique bandeira, a molecada corria, eu ficava numa posição com os braços abertos. Ele falava, agora, a hora que você ouvir alguém passando, você vai andando em direção à pessoa, se você pegar, tá valendo. Tipo, eu não deixava de brincar, entendeu? Ficava ali parado, a hora que eu ouvir alguém passando, se se eu relasse na blusa, já contava como pego, já tá tudo certo. E tipo, eu não tive agora brincadeira de rua, essas coisas eu não tive, não tive patinete.

Tem, tinha um vizinho que tinha skate, falaram, aí eu pedi o skate dele emprestado. Minha avó, anda só aqui na garagem, segura no portão e vai. Só que não deu muito certo, foi igual de cacetada. O skate foi, eu fiquei e caí de bunda. Que tristeza, mano.

LLLeo Lopes

Tentei patinete, pelo menos você era corajoso, né?

RBRodolpho Baena

Patinete dava mais certo.

LLLeo Lopes

Corajoso.

RBRodolpho Baena

Patinete era mais, patinete dava mais certo porque era melhor.

LLLeo Lopes

Mas aí você acabava mais brincando de coisa em casa, de brincando de coisa em casa, de, eu tive muito videogame também, muito videogame.

RBRodolpho Baena

Por eu ser cego, me deram muito brinquedo que fazia barulho. Nossa, minha mãe adorava. Só que não, lógico. E tipo, né, todo brinquedo fazia barulho, acendia luzinha, né? Era nave que fazia barulho, o helicóptero, aqueles negócio, e o gravador, e não sei o quê. Minha mãe ficava com essa porra na parede. Deixa eu dormir. Fora isso, me deram muito jogo de encaixe, jogo com letra. Tipo, eu conheço as letras em tinta por causa de joguinho.

Minha avó fazia a letra palito para mim com tinta, com cola colorida, para você conhecer o alfabeto, para eu conhecer o alfabeto. Tanto que hoje eu sei escrever Assim, eu não assino meu nome completo, mas eu faço pelo menos um R e um O. Eu faço, eu tenho um assinador, existe uma guia de assinatura, né, uma reguinha que tem um espacinho que tipo você fala, precisa assinar aqui, coloca a régua nesse negócio, eu tenho esse espacinho, e aí eu faço o R e o O ali. É perfeito? Não é. Mas vale.

LLLeo Lopes

Pô, mas você sabe falar que digita no teclado normal no celular e é um negócio reto que não dependeria? Eu, eu não conseguiria digitar no celular sem ver. Acho que 99,9% das pessoas não conseguiria digitar.

RBRodolpho Baena

Ontem você falou para mim assim, me passa o nome da sua, me passa a sua rua e seu número.

LLLeo Lopes

Você podia ter falado também, né? Eu não nenhum problema, né? Eu só queria saber, mas você digitou, veio, e veio certinho. O Waze acertou de primeira, deu certo. Cara, eu fico imaginando também a questão da gente que é crescendo, né? Adolescente, começo de vida adulta, começa a socializar, tem as coisas da vida, da rua, de, sei lá, de banco, de coisa. Como que foi assim para você? Sempre alguém, o pessoal da família? Quando que você ganhou mais autonomia para fazer as coisas? Você tem a sua bengala, você se direciona, mas como é que foi lá nesse começo?

RBRodolpho Baena

Então, no começo de adolescência assim, eu fui usar banco, na verdade, usar banco, mexer com dinheiro mesmo. Agora, depois de adulto, tem. Mas assim, eu tive, eu tive que abrir uma conta no banco, na verdade no nome da minha mãe, isso quando era pequeno, porque para ter um leitor de tela, tá? Porque aí que aconteceu, em 2000 mais ou menos, tinha uma sala de recurso aqui em Bragança, numa escola aqui, e tinha um rapaz também cego que tava ensinando a gente a mexer com computador, certo?

Já tinha computador em casa, mas tipo, eu não usava porque ninguém sabia, ninguém conhecia, né, esse negócio de leitor de tela. Ninguém conhecia nada. E aí esse cara, a gente tinha um leitor de tela chamado Virtual Vision, certo, que era da MicroPower, numa empresa. Acho que ele tá extinto, abandonado, sei lá, mas na época Tinha um leitor de tela. A gente tinha algumas sessões de meia hora porque ele era, tinha que ser licenciado e na escola não era.

Porque que acontecia? Para você ter o leitor de tela você tinha que abrir uma conta no Bradesco. E aí tipo o cara ensinava só o básico de digitação ali para gente, né? Tipo porque o computador, o teclado do computador, ele tem a bolinha no F, a bolinha no Tem ali, e por ali a gente se baseia.

LLLeo Lopes

Perfeito. Para quem não sabe por que que o teclado tem aquelas bolinhas, é direcionamento para quem tem deficiência visual, né?

RBRodolpho Baena

É. E o computador que tem aquele teclado, o tecladinho do lado direito da calculadora ali, o 5 dali também tem, é, que é a tecla do meio, né? O 5 também tem. Telefone, para quem tem telefone fixo no 5 também tem maquininha de cartão. Quando a maquininha de cartão tem teclado, tem uma texturinha também ali, né? Tem o 5, ele sempre— não sei que convenção que instituiu isso, se foi norma da ABNT, algum negócio aí, mas foi instituído que, enfim, no 5 tem essa bolinha para dizer que é o centro da, da, das teclas.

E aí, tipo, ele ensinava esse básico digitação, alguns comandos desse leitor. E aí minha mãe abriu uma conta no Bradesco para a gente ter, para eu ter o leitor. E aí também burocracia, você tinha lá 50 sessões de 20 minutos. Cada vez que terminava essa sessão eu tinha que reiniciar o computador para ele ligar de novo para ter mais 20 minutos. Tudo dava certo até formatar o computador. Formatou o computador computador. Beleza, formatei o computador, né?

Você pensava, vou formatar o computador, vou instalar o programa, já tem minha senha. Não, não vale mais.

LLLeo Lopes

Lei do engano.

RBRodolpho Baena

Você tinha que ir lá no banco de novo, pegar o papel, que toda aquela burocracia de novo. Hoje em dia, graças a Deus, ele não tem mais, porque hoje o leitor que eu uso hoje em dia, ele é de graça, ele é de graça, eu baixo, é Você vai dar para deixar link depois, né? Sim, que aí é bom também para o pessoal conhecer. Coloca assim que aí fica de dica, fica de dica, e o podcast fica meio atemporal, né?

LLLeo Lopes

Então isso, isso, com certeza.

RBRodolpho Baena

É o NVDA. Depois eu mando para você o link.

LLLeo Lopes

Mas esse ponto é legal você ter tocado, porque hoje em dia A tecnologia ajuda bastante, né? Comparado com quando você era moleque, não tem nem comparação, né?

RBRodolpho Baena

Nem comparação hoje em dia. Esse, inclusive, esse leitor de tela que a gente, que eu usava, ele era um porre porque eu não conseguia, ele fazia uma leitura corrida, tipo, era um porre porque tipo o professor quando dava matéria para estudar para prova, ah, nós vamos estudar O que vai cair na prova? Aula 1, aula 2, aula 6, aula 8 e aula 10.

LLLeo Lopes

E aí, e agora?

RBRodolpho Baena

Esse leitor fazia a leitura corrida, tá? Então, tipo, eu tinha que ouvir aula 1 e aula 2, aula 3 que não precisava, 4 que não precisava, 5 que não precisava. Tinha que ouvir tudo, tinha que ouvir tudo. Aí, tipo, mais uma vez peço ajuda para minha mãe, minha mãe vai lá, ia lá, separava para mim, beleza. E aí, mas nesse ponto ele me ajudou nesse material de escola, porque o material vinha digitalizado, só que vinha faltando coisa.

Minha mãe digitava as partes que vinham faltando, porque ele vinha o material em tinta também, né? Minha mãe digitava as partes que vinham faltando, mandava para São Paulo para imprimir. Caramba, imprimir em braile! Só que o material em braile chegava no final do O digitalizado chegava primeiro, certo? Então o que eu fazia?

LLLeo Lopes

Lia tudo, mesmo que não precisava, mesmo que não precisasse.

RBRodolpho Baena

Então tipo, eu sabia onde o professor tava, tipo acompanhava na escola. No fim, tipo, rolava essa adaptação de cada um ler um pouco na sala, né? Como era ensino fundamental também, rolou essa também, essa inclusão, às vezes acho que indireta, mas né? Ah, aquela ordem de Léo começa, Léo, você lê primeiro, Leone lê depois, Lourenço lê depois, não sei o quê. Vai lá, né? E tipo cada um ia ler um pedaço, né? Acho que também para trabalhar a leitura automaticamente, já aproveitava isso.

E depois os exercícios, ah, vamos todo mundo responder as questões. Aí eu ficava um tempo parado, porque aí, né, todo mundo respondia lá. Na hora da correção, a professora pegava as respostas de todo mundo, aí ela passava uma resposta, escrevia aquela resposta, certo? Então era isso, material era isso, certo? Mais para frente, no ensino médio, que eu ganhei um computador, né, ganhei um computador também dos parentes nossos que deram um computador Top. Isso foi 2008, top da época, com Windows Vista, aquela bosta.

LLLeo Lopes

Nossa, Vista, nem me fale.

RBRodolpho Baena

A configuração para época era top. Windows Vista, HD de 120 GB, processador, sei lá, processador, acho que era dual-core, sei lá o quê, mas tipo, nem para o que eu precisava, tá bom. Aí a coisa melhorou, porque eu fui a única vez que eu fiz a prova hoje e recebi a nota, na minha nota, no mesmo dia que meus colegas. Eu fazia a prova em braile.

LLLeo Lopes

Nossa, é mesmo?

RBRodolpho Baena

Eu fazia a prova em braile, traduzir depois. Minha mãe ia lá na escola, minha mãe, sempre minha mãe, caramba, na escola transcrever a prova.

LLLeo Lopes

Heroína essa, hein?

RBRodolpho Baena

E era na escola transcrever a prova, porque ninguém sabia transcrever do braile para tinta. Ia lá, então tipo, você tava na minha sala, você fazia a mesma prova no mesmo dia que eu, só que você ia receber a professora semana que vem, eu trago as notas. Ela trazia a sua, não trazia a minha. Minha mãe ia ter que ir lá transcrever a prova e depois a professora corrigir.

LLLeo Lopes

Dedicação, né?

RBRodolpho Baena

Trabalho, dedicação também. Porque fora material, porque minha mãe que adaptava minha prova. Se a professora colocava um desenho na prova, principalmente prova de ciências, não sei o quê, aí minha mãe tinha que fazer o desenho também, sabe? Toda aquela burocracia, fazer com cola, cola colorida, tinta relevo. Só teve que voltar para escola, teve que voltar para escola fazer tudo, além de dar as aulas dela, também teve que além de dar aula dela, aquela professora também teve que adaptar meu material também.

Então, tipo, muita, muita burocracia. Aí a gente teve uma ideia de mandar uma carta para o Rotary Club aqui em Bragança. Aqui tem o Rotary Club, tá ativo ainda. Eu não acompanho mais, acompanhamos na época só. Certo, para pedir uma impressora Braille para vir para cá, porque toda essa burocracia, material vai para São Paulo, não sei o quê, e chega no fim do bimestre, não sei o quê. Mandamos, levamos lá a carta no Rotary Club, fizeram um jantar beneficente no dia do meu aniversário, não sei o quê.

Arrecadaram lá a fortuna lá da impressora, nem lembro quanto que foi, acho que uns R$15.000. Caramba, ou mais ou menos, mas sei lá, sim, um valor alto, valor alto para caramba que arrecadaram lá, pessoal, para comprar impressora Braile. Aí o material começou a chegar em dia, pelo menos.

LLLeo Lopes

É, compraram pelo menos a impressora, compraram.

RBRodolpho Baena

Tá bom, compraram, compraram. Fica pelo menos até onde eu sei, fica na associação aqui em Bragança, aqui em Bragança.

LLLeo Lopes

É excelente, então serviu para a sociedade, serviu.

RBRodolpho Baena

Sim, que lógico, não pedi só para mim, né?

LLLeo Lopes

Claro, claro.

RBRodolpho Baena

E aí, tipo, material chegava em dia com uns erros de braille aqui, outro ali, uns negócio ali, mas tá tudo certo.

LLLeo Lopes

Berinjela com G ou com J?

RBRodolpho Baena

Não, não, não erro disso, mas tipo, alguma configuração da impressora que aí eu também não sei, não conheço essas coisas. Mas dava tudo certo no final. Entendi. Chegava meu material em dia, dava para acompanhar aquele mais um trambolho na mochila. Além da máquina, mochila com apostila com meia dúzia de volume, que apostila em braile não dava para fazer um volume só.

LLLeo Lopes

É um tijolo, é um tijolo não, é uma parede, né, de vários tijolos, vários tijolos.

RBRodolpho Baena

Eu tive um armário de livros em braile. Que eu recebia, recebi livros em braile.

LLLeo Lopes

Inclusive essa parede aqui foi levantada.

RBRodolpho Baena

Se fosse na época, podia ser, porque a fundação— eu recebi vários livros da Fundação Dorina Novil de São Paulo, que eles produzem livro em braile, né, e livro e audiolivro. Eles chamam de livro falado, mas Quer dizer, são os mesmos audiolivros que hoje você tem na Audible, não são com as mesmas vozes, mas tipo a ideia mesmo, a ideia igual. Eles já faziam na época em fita cassete. Opa, conheço muito cassete! E vinha em caixa de VHS.

Conheço muito, vinha em caixinha de VHS. Inclusive eu conheci um dublador sensacional. Claro que eu fui saber que ele era dublador muito tempo depois. Graças à Fundação Dona Ena Novil.

LLLeo Lopes

Ah, que legal!

RBRodolpho Baena

Que ele foi voluntário lá durante algum tempo.

LLLeo Lopes

Que bacana!

RBRodolpho Baena

Carlos Campanile. Carlos Campanile, olha aí, puta leitura do caramba! Que o cara fazia uma— eu li, eu li alguns livros com ele que assim, muito interpretados, né?

LLLeo Lopes

Outra qualidade.

RBRodolpho Baena

Ele leu O Código da Opa, Dan Brown! Se caçar no YouTube, tem os malucos que fazem, algum maluco aí, não sei quem foi, pega os livros da Fundação Durand Novil, joga no YouTube, tem o vídeo lá, sei lá, de 10, 12 horas, o livro completo, uma imagem estática. E tem o áudio, tem imagem lá, algum tem que, acho que tem que ter alguma imagem, né?

LLLeo Lopes

Nem que seja uma foto.

RBRodolpho Baena

Foto tem que estar parada. Acho que eu achei uma vez o Código da 20, umas 10 horas lá, o mesmo que você tinha ouvido, o mesmo que eu tinha ouvido na época. O Código da 20 eu não vi em fita cassete, mas foi, mas já era do mesmo esquema, era do mesmo esquema. Legal. Mas assim, ele leu, ele leu vários livros. Tem um outro, tem vários, eles chamam de ledores, né?

LLLeo Lopes

Sim, ledores.

RBRodolpho Baena

Tipo, tem vários Vários caras, que várias pessoas que leem assim, uns interpretam mais, outros interpretam menos. Era uma forma da gente ter acesso a livros em áudio, né? Então tipo, eu li Harry Potter com ele.

LLLeo Lopes

Que legal!

RBRodolpho Baena

Tipo os primeiros livros. Tem um livro do Harry Potter, eu tive em braille, que foi o quarto livro, que eram 15 volumes o livro. Nossa, não tenho mais. Uma vez os caras andaram a me mandar dicionário, me mandaram o mini dicionário Aurélio. Mini dicionário era um frigobar, tipo, aí a hora que você lia a contracapa assim do primeiro livro, esse é um dicionário para você levar no bolso. Em tinta devia ser, né, meu pequenininho? Mas em braille eram 24 volumes, um mini dicionário Aurélio.

LLLeo Lopes

Vinha junto com o carrinho de, daquele carrinho Golfe, né?

RBRodolpho Baena

Nossa, eu tô falando, eu tive um armário de livro para guardar esses negócios, dicionário, os livros.

LLLeo Lopes

Você comprava o dicionário, vinha uma padiola junto, carregava, vinha no palete.

RBRodolpho Baena

Cara, viu?

LLLeo Lopes

Sabe o que eu queria saber também? Sua relação com a música, porque quando eu te conheci Você começou a participar do Radiofobia, mandar participação no chat e tudo mais. Eu fui ver lá no Instagram e eu achei o Rodolfinho dos teclados tocando teclado. Não sei se sou sozinho, se com um grupo. Como é que foi? Qual a importância que a música tem e teve para você?

RBRodolpho Baena

A música, eu sempre, eu sempre gostei de música. Eu toco desde os 3 anos de ouvido. De idade, sempre, é, desde os 3 anos de idade de ouvido.

LLLeo Lopes

Caraca!

RBRodolpho Baena

Eu sempre, igual eu falei, quando eu, quando eu, por ser cego, sempre ganhei brinquedo que fazia barulho. Aí sempre me deram pianinho, sempre me deram, né, aqueles pianinho, pianinho de criança que tem barulho da vaca, o barulho do cachorro. E a minha bisavó também era professora. Só que quando eu nasci, acho que ela já era aposentada. Mas me deram uma vez um painel que falava inglês, porque ela era professora de inglês. Então me deram um painel que falava inglês, falava umas frases de inglês, umas palavrinhas.

E esse painel tinha um pianinho também com aquelas musiquinhas normais de criança, e tinha as teclinhas ali, tinha uns negocinho. Aí um dia eu tava voltando com a minha mãe de uma fisioterapia no carro, que eu também, por ser cego, sempre fiquei com a cabeça baixa. Também tem um negócio na coluna, viu? Não é só você, viu, Dona Jéssica, que tem uns negócios de desvio na coluna, de não sei o quê. Também tem, temos, mas né, enfim.

Aí eu fiz muita fisioterapia, fiz muito também fisioterapia RPG, esses negócios, fiz anos. Faço Pilates hoje em dia também.

LLLeo Lopes

Ah, excelente!

RBRodolpho Baena

Enfim, e aí voltando desse, de alguma dessas sessões aí, eu tirei a primeira música, certo? Uma música super educativa, o Vira dos Mamonas Assassinas. Nossa, assim, só aquele comecinho, né? Eu falei assim, não tem no brinquedo. Falei, fui, eu tirei. Olha aí, eu tirei, tipo, fui tirando as músicas de ouvido, fiz aula de teclado depois.

LLLeo Lopes

Que legal!

RBRodolpho Baena

Para aprender aí, para aprender acorde, né, essas coisas, aprender a tocar direito, né? Que uma coisa é tocar de ouvido, outra coisa é aprender a saber tocar direito, né? Aí fiz aula de teclado, então legal. Fiquei 7 anos numa escola de música.

LLLeo Lopes

Excelente!

RBRodolpho Baena

E aí não tem partitura, né?

LLLeo Lopes

Tem que ser de ouvido, né?

RBRodolpho Baena

Tem que ser de ouvido. Existe um negócio que chama musicografia braile, mas eu não conheço, porque também não adianta muito, porque tipo você tem que ler a partitura para depois tocar. Quem enxerga, quem enxerga e vai tocar, é a pessoa ler a partitura ali e toca ao mesmo tempo. Sim, mas quem é cego não, não tem o que fazer, sabe? Uma vez eu peguei na minha bisavó, tinha casa na praia, E a gente frequentava, e eu frequentava a biblioteca da cidade lá porque era, porque tinha livro em braile.

Ah tá, eu era o único que usava aquela biblioteca lá. E uma vez tinha, peguei um livro lá, tinha lá tipo 100 peças para piano de Chopin, Beethoven. Fui ler aquilo, que legal, só que era tudo partitura, para mim era tudo desenho, era só um monte de desenho lá. Que porra é essa?

LLLeo Lopes

É pontinho e tracinho, mas é outra língua, né?

RBRodolpho Baena

Era tudo em braile, tudo com os negócios da musicografia braile, mas eu não conheço nada disso, claro, tudo desenho.

LLLeo Lopes

Era uma outra língua que você teria que aprender para traduzir a linguagem musical em braile, né?

RBRodolpho Baena

E aí, tipo, desisti. Toco, não tem partitura.

LLLeo Lopes

O tecladista vai ler em braile e tocar ao mesmo tempo, tem que ter um terceiro braço.

RBRodolpho Baena

É, então, né? Nem violão. Eu fiz aula de violão na igreja evangélica, frequentei igreja evangélica durante uns 2 anos, 1 ano e pouco, 2 anos. Fiz aula uma, aí me falaram, vai ter aula de violão na sexta-feira, o fulano lá vai ensinar aula, vai dar violão, não sei o quê. Fiz 1 mês de aula assim Sempre a pessoa me ensinando a posição dos dedos, né? Dedo 1 na casa tal, dedo 2 na casa tal, não sei o quê. Aí ensinaram meia dúzia de acorde que teoricamente era para tocar a música gospel.

Qual é a música gospel? Eu já esqueci, porque a meia dúzia de acorde que eles ensinaram era tipo um sol maior, lá menor, mi menor, dó maior, ré maior.

LLLeo Lopes

Tá básico, né? Dá para tocar 70 sertanejos universitários, que dá para tocar todas as músicas do Legião Urbana só com 3 acordes, né? Vai com Dó Maior, Sol Maior e Mi, você tem Legião Urbana.

RBRodolpho Baena

Com 4 notas você toca Cazuza, você toca Jorge e Mateus e você toca Zé Neto e Cristiano.

LLLeo Lopes

Sorocaba ficou milionário com 2 acordes só, né?

RBRodolpho Baena

Mais ou menos isso aí. E aí, tipo, eu fiz aula de violão E aí frequentei essa igreja evangélica durante um bom tempo. E assim, né, toda aquela, toquei na igreja evangélica, naquela burocracia para tocar na igreja evangélica. Porque tudo começou, dá para voltar um pouco no tempo, porque a minha avó faleceu faz uns 10 anos, certo? Quando minha avó faleceu morreu, nós ficamos mal para caramba. Minha mãe parou de dar aula porque minha avó, né?

Sim, claro, minha avó, a gente convivia com ela, não morava com ela, mas sempre tava lá, né? Era quem unia a família, né? Minha mãe, meus tios, apesar daquelas, dos perrengues de família, quem unia a família era ela. Morreu, acabou. Enfim, e aí parou, minha mãe parou de dar aula. E agora que nós vamos fazer? Que nós vamos fazer? Foi a que nós montamos aqui o comércio.

LLLeo Lopes

Certo.

RBRodolpho Baena

E começou com uma lanchonete, não era restaurante ainda, começou como garagem. Por isso que tá garagem ali no portão, certo? Começou como garagem hamburgueria, com lanche tradicional de carne. Aí por uma coisa, uma amiga dela pediu um lanche de soja vegano, sabia, não conhecia. Aí fomos, aí foi aí que começou a mexer com a comida vegana também.

LLLeo Lopes

Legal, bacana.

RBRodolpho Baena

E aí Enfim, é uma longa história. E o restaurante aí virou restaurante, lanche parou, mudamos de lugar, voltamos para cá, mudando de lugar, voltando para cá. Agora estamos de volta aqui, é uma longa história.

LLLeo Lopes

E nesse meio tempo também é sua casa, hein? Vocês também moram aqui, né?

RBRodolpho Baena

A gente mora aqui, a gente tá mudando para uma outra casa que também é nossa. Ainda estamos no processo de mudança nessa Enfim, nessa, nesse processo de mudança de uma outra casa para separar as coisas, né?

LLLeo Lopes

Sim, claro.

RBRodolpho Baena

Casa é casa, trabalho é trabalho. Pera aí. E aí a gente, uma noite fraca para caramba de venda, veio, veio um cara aqui. Ah, que lanche que vocês têm aí? Pediu o lanche lá, pediu o lanche, comeu, não sei o quê. Semana seguinte, mesmo tipo uma segunda-feira, semana seguinte, mesmo segunda-feira, o cara voltou. Ah, gostei do lanche de vocês, hein, não sei o quê. Que lanche vocês têm hoje? Contou, veio vindo sozinho. Com o tempo ele foi conversando, conversa daqui.

Ele disse que era pastor, que era pastor da igreja evangélica. Eu vou trazer o pessoal da igreja aí. Trouxe uma renca, nossa, uma renca da igreja, porque segunda-feira era o treinamento de líderes, não sei o que lá. É aquelas coisas, aqueles negócios da igreja evangélica. Certo. E aí trouxe uma renca, aí eu comecei a conversar com outro pastor que era responsável pelo grupo de louvor. Começamos a falar de música, não sei o quê.

Ele falou assim, vai lá, vai num culto nosso lá para conhecer. E eles tinham banda. Porra, legal! Cheguei lá, ele me mostrou umas músicas, né, umas músicas gospel que eu não conhecia também. Cheguei lá no culto deles lá, gostei, achei super legal. Pensei, porra, legal, tem uma banda aqui. Dá para tocar. Aí ele falou, gostou? Gostei. Quer tocar? Quero. Só que aí, para você tocar, você tem que fazer o discipulado. É só renomear, né?

Renomear catequese, muda para— muda aí. Você pega evangélica, pega catequese, renomeia para discipulado, é a mesma coisa.

LLLeo Lopes

Certo.

RBRodolpho Baena

E aí você vai lá, você vai na casa do pastor.

LLLeo Lopes

Ah, tem que fazer um curso?

RBRodolpho Baena

Tem que fazer um curso. Catecismo, catequese. É, eles mudam de nome, vai entrar no negócio de vez.

LLLeo Lopes

É isso aí, tá.

RBRodolpho Baena

Aí você vai lá, vai no discipulado, começa a frequentar a célula, né, que é o culto, no caso dos outros que tem na Igreja Católica. Messiânica também tem, tem esses negócios?

LLLeo Lopes

Tem, tem culto do lar também.

RBRodolpho Baena

É, então é a mesma coisa, só muda os nomes, mas é a mesma coisa. Aí tá. Termina o discipulado, beleza, agora você vai, agora você pode tocar na igreja. Só que tem um detalhe, né, que é uma coisa que eu não concordo, mas enfim, é deles. Não sei se toda a igreja faz isso, mas essa que eu frequentei fez. Então eu toquei com eles, tal, grupo de louvor, sempre tocando. Só que um dia eles foram fazer uma feira vegana, certo? Aí me chamaram para tocar.

Ah, você quer tocar na Feira Veneu? Eu falei, quero. Avisei o pastor, porque, né, para mim domingo era um compromisso, né? Domingo é um compromisso. Você vai tocar às 6 horas? É, você vai tocar às 6 horas? Vou tocar às 6 horas da tarde na igreja. Beleza, compromisso, tem que estar lá segundo domingo do mês, religiosamente. Mas nesse domingo não ia poder. Falei, pastor, vou Esse domingo eu não vou porque eu vou tocar na feira vegana.

Expliquei, me deram um gelo de um mês no grupo de louvor porque eu estava tocando a música mundana.

LLLeo Lopes

Ah, entendi.

RBRodolpho Baena

Aí aquela história, ah, nós estamos ajustando horário, não tem horário, inventaram uma história lá, deram um gelo de um mês no grupo de louvor. Voltei depois, ninguém disse nada. Arrumei um outro grupo de louvor com muito pastor, tem um grupo até mais organizado que o primeiro, tal, legal. Mas e aí, tipo, uma coisa que eu não concordei também que os caras fizeram, que tipo todo mundo, ah, você é nosso boi no lame e não sei o quê.

Eles falavam para mim que eles me adoravam, você é nosso boi no lame e não sei o quê, a gente adora você, você é muito querida, é nosso irmão, papapá. Aí um dia, já começou num dia que eu, num domingo que eu precisava tocar na igreja, minha mãe falou assim, ó, não consigo, não consigo te levar. E minha mãe me levava. Ela falou, não consigo te levar, manda mensagem aí no grupo da igreja se o pessoal vem te buscar, né, te dá uma carona, porque tem o fulano que mora aqui perto, tem mesmo.

Enfim, mandei mensagem. Falei, pessoal, preciso de uma carona. Aí o pastor falou comigo, ó, vou falar com o fulano lá, que vou falar com fulano se ele vai te buscar. Isso, sei lá, 11 horas da manhã, meio-dia. Fiquei aqui esperando igual um idiota. Mandei mensagem para o pastor, falei, e aí? Ah, falei, ele não respondeu, que não sei o que lá. Resumindo, ninguém veio buscar. Fiquei aqui igual uma barata tonta. Minha mãe foi para o churrasco lá.

Na casa de alguém, de alguma conhecida, não lembro. Fiquei aqui igual um idiota esperando e os cara, sim, alguma coisa estranha tem. Cadê o irmão nessas horas, né? Aí, nossa, põe no Leme, a gente adora você, não sei o quê. Até o dia que eu caí, igual comentei no chat do Radiofobia lá no último episódio, sei lá, último episódio rádio que vai sair, que já saiu. Sim, enfim, das emergências radiofobéticas. Eu comentei que eu tomei um tombo feio, fiquei de gaiola, os caramba, 4.

LLLeo Lopes

Sim, sim.

RBRodolpho Baena

A hora que eu caí, fiquei de cama, fiquei de gaiola. Cadê a igreja nessas horas? Cadê os irmãos? Sumiram, sumiram.

LLLeo Lopes

Entendi.

RBRodolpho Baena

Isso é nosso, é nosso até a hora que, até a hora que o boi lambeu, até a hora que o boi lambeu.

LLLeo Lopes

Aí o boi lambeu, e aí?

RBRodolpho Baena

Que aí eu levei um pátia de um tombo do caralho. Eu tava na fazenda, na mulher do meu tio, fui sair sem bengala de um lugar lá, tipo, ah, eu conheço o caminho, foi embora. Só que tava chovendo, nossa, saí sem bengala, bati numa mureta lá, caí de 1 metro de altura, quebrei tíbia, fíbula e os caralho. Aí tipo, falou que teve que colocar aquela gaiola na perna, foi E aí, tipo, por isso que eu falei no chat ali que o SAMU parecia que ia passar, não queria passar nos buracos de propósito, filho da puta.

Ah tá, que era uma ambulância, já era uma estrada ruim. Aí parecia que, parecia que o motorista falou assim, vamos sacanear o cara, vamos passar nos buracos, vamos passar em todos os buracos. Aquela dor do cacete.

LLLeo Lopes

Esse ceguinho vai ver o que é bom.

RBRodolpho Baena

E aí E aí, enfim, toda aquela burocracia de hospital e gaiola. E era assim, fiquei em casa na cama, mas tendo que ir para o hospital toda semana para acompanhar, né? E aí, quando você fica internado no hospital, vem a enfermeira. Parece que as enfermeiras trabalham no modo automático. Ah, sim, elas, para elas aquilo ali é Uma fica aqui, uma mede sua pressão aqui, a outra enfia o termômetro aqui no fim, esvaziou a bombinha da pressão, ela já tem sua pressão, sua temperatura.

LLLeo Lopes

Tchau, obrigado.

RBRodolpho Baena

4 horas da manhã, você tá dormindo, vamos lá medir a pressão.

LLLeo Lopes

É, tá fazendo o trabalho delas ali, tá certo.

RBRodolpho Baena

Aquela bombinha, aquela bombinha esvaziou, levanta aqui, tchau. Mas deu tudo certo, saí da gaiola e vida que segue.

LLLeo Lopes

E hoje você toca o quê? Você toca numa banda? Você toca aqui? Você toca—

RBRodolpho Baena

hoje eu toco aqui em casa, toco por hobby, e tenho tocado num grupo de samba.

LLLeo Lopes

Eu já vi você no vídeo do Instagram tocando pagode, tocando samba.

RBRodolpho Baena

É isso, tá num grupo de samba aqui da cidade, um grupo que chama Samba de Griot. Griot é que tem a ver com sabedoria. E aí a gente conheceu esse grupo num barzinho, né? Nós fomos, uma amiga nossa chamou a gente para ir no samba. Ah, vamos no samba, tal, tá tendo um sambão aqui, não sei o quê. Vamos lá. Aí minha mãe quis contratar esses caras para aniversário dela. Ela quis contratar esses caras para aniversário dela e E aí, a hora que chamou o grupo, meu padrasto pediu para o cara, o dono do grupo, né, falou assim, ah, você tem um P10 aí para colocar o teclado do Rodolfo?

Isso aqui. Só que esse cara não foi. Tipo, o cara falou assim, pode deixar, pode deixar, a gente, a gente coloca. Só que esse cara não, no dia do aniversário da minha mãe, não foi.

LLLeo Lopes

Entendi.

RBRodolpho Baena

Foi o grupo, mas ele não, não pôde ir, sei lá que rolo que deu lá. E aí ligaram o teclado, mas tipo, plugaram Lugaram com medo, né? Ninguém me conhecia. Sim, sim, lugar com medo, tipo mais um para atrapalhar, né? E aí eu comecei, a hora que eu comecei a tocar, os cara, nossa, é muito bom, que não sei o quê, você topa tocar com a gente? Você topa tocar com a gente? Não sei o quê. Então semana que vem a gente, semana que vem a gente, você toca com a gente no bar tal, não sei o quê. Aí eu comecei a tocar com eles.

LLLeo Lopes

Faz tempo já? Quanto tempo?

RBRodolpho Baena

Tempo já? Mas foi em dezembro do ano passado, então tá recente, tá recente. Eu conheci um cara de Atibaia uns 4 anos atrás, também toca samba.

LLLeo Lopes

Olha aí!

RBRodolpho Baena

E aí a gente conversou, toquei com ele algumas vezes.

LLLeo Lopes

Aí ele tá no grupo também?

RBRodolpho Baena

Não, ele é de um outro grupo, ele tem um grupo dele de Atibaia.

LLLeo Lopes

Tá.

RBRodolpho Baena

Aí ele já veio aqui, já toquei junto. Aí toquei, fui no aniversário dele. Aí tinha um cara de Itatiba que toca violão 7 cordas, também me chamou para tocar numa roda lá de Itatiba.

LLLeo Lopes

E o repertório qual é?

RBRodolpho Baena

É pagode dos anos 90.

LLLeo Lopes

Aí sim, hein?

RBRodolpho Baena

Aí sim, pagode clássico, né?

LLLeo Lopes

Aí sim, só para contrariar a raça negra. É só Aí sim, aí a mãe gosta. É isso aí, excelente! Esse é o pagode que importa.

RBRodolpho Baena

E aí, aí o pessoal, às vezes o pessoal pede para a gente tocar o pagode mais novo, né, os Menos é Mais, não sei o quê. Aí o Carlinhos, vocalista, fica puto. É isso aí, nós somos samba de comunidade, samba raiz, nós é samba de favela, mano! Não sei o quê, só samba dos anos 90, samba antigo, Adorelan Barbosa.

LLLeo Lopes

Aí sim, aí sim, sambinha, sambinha, como é que é, sambinha de breque.

RBRodolpho Baena

É só pagode antigo.

LLLeo Lopes

Ah, excelente, cara, pô, é muito gostoso. E o podcast, a internet, como é que você tá? O quanto que isso é legal para você? O que que você faz hoje de hobby?

RBRodolpho Baena

Internet é muito legal. Na minha adolescência, minha balada foi internet, né? Porque eu nunca, eu nunca fui de balada mesmo. Eu tô saindo agora para barzinho porque eu tô tocando samba agora.

LLLeo Lopes

Agora é para ganhar, né?

RBRodolpho Baena

Já inventei, eu brinco que é a desculpa para ir para os bares da cidade, para não ganhar nada. Eu falo que eu toco por Os cara falando, a gente quer te pagar alguma coisa, não sei o quê. Eu falei, cara, às vezes o cara me paga uns R$100, R$80, mas eu falo, cara, eu tô indo por prazer, porque eu não tô indo por dinheiro não. Mas assim, a minha balada de adolescência foi internet. Então tipo, tenho contato com vários amigos cegos, que legal, do país inteiro. A gente ficava no Skype até 5 horas da manhã falando merda.

LLLeo Lopes

Mantém contato com a galera até hoje?

RBRodolpho Baena

Eu mantenho, ficava no Skype até 5 horas da manhã falando merda, né?

LLLeo Lopes

Pô, que excelente! Conversando podcast.

RBRodolpho Baena

Então o podcast, eu conheci o podcast na verdade antes de conhecer podcast, né? Porque nos anos 90 foi criado um programa para cegos chamado Dos Vox, certo? Na Universidade do Rio de Janeiro, um professor que enxerga recebeu um aluno cego. Um aluno cego foi fazer um curso de informática, aula de uma das matérias do curso era computação gráfica. Aí o professor também, e agora, fodeu. E aí tipo ele viu que o cara apanhava também para mexer no computador porque não tinha nada que lesse esses arquivos para ele.

Aí é uma longa história também, tem na internet a história mais ou menos resumida do DOSVOX, que é mais Que é mais ou menos isso. Aí o professor também correu atrás, viu que tinham cegos mais velhos que usavam sintetizador internacional, ele adaptou algumas coisas lá, comprou umas revistas de circuito de placa de som, os negócios lá, adaptou para ele, enfim. E aí nisso, nisso, em todo esse resumo, foi criado o DOSVOX. E isso foi distribuído depois para as pessoas cegas, para comunidade, vendido Hoje é gratuito também, dá para baixar, certo?

Mas e aí em 2003, por aí, foi criada uma rádio chamada Rádio Dos Vox, certo? Ela ainda existe, só que ela é toda, não é uma rádio igual uma rádio oficial, né? É uma rádio com uma programação toda gravada que você escuta, você pega um MP3 ali do media player, sim, sim, sim, você vai passando os arquivinhos ali e escuto. E aí tinham vários programas. Foi lá que eu conheci um colega meu, que eu conheço até hoje, que eu tenho contato.

Conheci também, conheci igual você também, conheci de ouvir, depois conheci pessoalmente, conheci na internet, conversei, que é o Fábio Deodato, que é um cara que é de Ribeirão Preto. Ele tinha um programa de reggae lá e não sei o quê. E aí depois a gente teve contato, a gente sempre se encontra, legal, e não sei o que lá. E aí nessa rádio Começaram a trazer um programa diferente, um programa de um cara que eu também, tipo, tinha sempre a programação de ser, tinha programação de sempre.

Aí começou a chegar um programa novo chamado Café Brasil. Ah, olha aí, com Luciano Pires. Nossa, só que eu ia saber que era podcast, né, não sei o quê. Na minha cabeça, como essa rádio era de cego, Café Brasil com Luciano Pires. Ah, legal, Luciano Pires é cego também, eu vou encontrar esse cara no bate-papo de cego. Nunca encontrei, óbvio. E aí, Café Brasil com Luciano Pires, eu ouvi alguma coisa assim, gostei do programa, desse programa novo desse cara, né? E aí gostei, ouvi esse programa por um tempo.

LLLeo Lopes

Só que ano mais ou menos era isso? 2008, tá? Você sabe que o Café Brasil ele não começou como podcast, né? Ele começou no rádio, ele era distribuído para rádios do Brasil inteiro. Aí um ouvinte tinha esses programas e disponibilizou online, e ele virou podcast.

RBRodolpho Baena

Isso eu sei, eu soube depois. E aí um cara que é cego, claro, depois eu fui saber disso, que baixou que baixa esses programas, é distribuído até hoje nessa webrádio aí, nessa rádio.

LLLeo Lopes

Entendi.

RBRodolpho Baena

E aí eu, só que com a internet eu conhecendo outras coisas, eu larguei mão dessa rádio e esqueci Café Brasil. Ah, gostava desse programa, só que eu não sabia que existia podcast, não sabia de nada. O tempo passou, entendi, o tempo passou, eu comecei a usar Twitter, rede social, tem que o Twitter era bom, né? Aí a BandNews, eu seguia a BandNews, os caras, acesse os nossos colunistas aqui na página tal, né, da BandNews. E eu gostava do Zé Simão.

LLLeo Lopes

Sim, tinha o Zé Simão.

RBRodolpho Baena

Aí eu ouvi o Zé Simão, entrava lá na página da BandNews, caçava lá o Zé Simão e ouvia, maratonava o Zé Simão. Tava, que legal, porra, que legal, posso ouvir qualquer hora esse negócio.

LLLeo Lopes

Que legal, nossa, o rádio trazendo.

RBRodolpho Baena

E aí em 2011, quando eu entrei para faculdade, tinham alguns cegos já usando iPhone, que era o único smartphone touch acessível.

LLLeo Lopes

Faculdade de quê que você fez?

RBRodolpho Baena

Eu fiz tecnologia da informação. Legal. E depois, quando eu terminei, eu fiz análise de sistemas.

LLLeo Lopes

Maneiro, era o que eu queria ter feito quando era moleque.

RBRodolpho Baena

Não trabalho com porra nenhuma disso, mas tudo bem. E aí quando eu entrei na faculdade, minha avó falou assim: o que que você quer de Natal? Aí eu falei: eu quero um iPhone. Ela falou: se você entrar na faculdade, eu te dou. Olha aí, que era faculdade, né? Eu fiz FATEC, duas faculdades na FATEC gratuita, não sei o quê. Passei, falei: agora Ganhei o iPhone. Agora você me dá. Ela me deu o top da época, que era o 4S.

LLLeo Lopes

Caraca, que maneiro! Olha aí.

RBRodolpho Baena

E aí, aí eu comecei a procurar. Aí um colega, aí eu comecei a usar o iTunes. Aí um colega meu falou assim, ah, tô ouvindo o Zé Simão no iTunes. Falei, como que você fez isso? Tá, você vai lá e vai no colega meu que é cego também. Aí eu falei, ah, ele falou, vai lá nos podcast, não sei o quê, e cola esse link aqui, que devia ser o link do feed, né, do Zé Simão.

LLLeo Lopes

Sim, provavelmente.

RBRodolpho Baena

Colei, pensei, porra, não preciso mais ficar entrando na página para atualizar essa porra. Todo dia vou lá, abro o meu iTunes e baixo os negócios do Zé Simão. Sim, esse aí, escuta o negócio aqui. E aí tal, comecei a usar o iPhone, ter contato com outros cegos que usam. E aí os caras começaram a falar de aplicativo, ninguém chamava de agregador, né, mas sim, sim. Ah, tô usando aqui o aplicativo de podcast, tô ouvindo aqui o Cocatec, que era um podcast.

Aí comecei, caraca, comecei a ouvir o Cocatec, comecei a enveredar por outras drogas. E aí Cocatec, procurar outro, procurar outro. Passou um tempo, eu não gostei do aplicativo de podcast que eu usava, comecei a querer achar outro, certo? Cara, deve ter algum melhor que esse negócio aqui. O que a galera usava era pago, eu usava um gratuito lá, não sei o quê. Aí a Apple lançou o dela, né?

LLLeo Lopes

Sim.

RBRodolpho Baena

E era um negócio simplesinho, era um negócio simplesinho assim que aí eles fizeram um negócio de emissoras, que aí eles pegavam as categorias e transformava em emissoras, se apertava o botãozinho, mudava de estação. Nessa brincadeira de caçar por emissora, cada emissora barra categoria eles davam uma sugestão. Nessa, nem lembro que categoria que tava, apareceu o Radiofobia 86 com o Jovem Nerd. Sim, eu comecei a ouvir, só que eu tinha achado um outro aplicativo.

Eu ainda tava na saga, vou caçar um outro aqui, que esse aplicativo aqui Falei, não sei, não sei se eu fico, qualquer coisa eu desinstalo. Aí passei um outro aplicativo, só que no outro aplicativo, a hora que eu baixei, o mais recente era o 90, que era de imitadores lá.

LLLeo Lopes

Sim, foi com Briggs, imitadores, Quem Sois Vozes.

RBRodolpho Baena

Eu não lembro direito do episódio, velho, lembro que tinha uns pato Donald aí por meio, tinha uns negócio lá, tinha uma doideira lá.

LLLeo Lopes

Guilherme Briggs, quem mais teve? Rogério Morgado, Nossa, foi uma galera!

RBRodolpho Baena

E aí, aí que eu comecei a acompanhar o Rádiofobia.

LLLeo Lopes

Que legal, cara!

RBRodolpho Baena

No 90, cara, ouvi os outros para trás depois, né?

LLLeo Lopes

Mas eu não recomendo ninguém fazer isso, inclusive.

RBRodolpho Baena

Aí eu fui acompanhando e sempre nessas trocas de aplicativo, aí eu lembrei do Café Brasil. Será que tem aquele, aquele programa que eu ouvia? Eu gostava de um programa que eu ouvia na Rádio Dos Vox, o tal do Café Brasil. Achei, olha aí! E aí comecei a acompanhar também. E aí eles tinham aqueles negócios de— ainda tem, acho, né? Faz um tempinho que eu não escuto— de você mandar um áudio, né? Sim, sim, sim, para o Café Brasil.

LLLeo Lopes

Isso, isso.

RBRodolpho Baena

Ah, manda um áudio que aí o áudio selecionado ganha um livro.

LLLeo Lopes

Isso, isso.

RBRodolpho Baena

Eu pensei, eu vou mandar. Acho que eu contei essa história para o Luciano Luciano Pires, no áudio que eu mandei para o Café Brasil. Mandei um áudio gigante no número lá do Café Brasil, pensei, eu vou mandar porque aí eles vão selecionar esse áudio aqui, eu vou ganhar o livro. Não ganhei. Mas aí, ô, a Cissa, sim, a Cissa lá, Cissa Camargo, me respondeu, agradeceu, não sei o quê, encaminhou esse áudio para o Luciano E ele me respondeu e mandou de volta o áudio encaminhado. Porra, você fala para cacete!

LLLeo Lopes

Podia ser podcast, não sei o quê.

RBRodolpho Baena

Ele agradeceu o comentário. Pensei, porra, que legal! Não ganhei o livro, mas que da hora, ele respondeu, tá tudo certo. Pô, cara, que legal! E aí eu comecei a acompanhar, acompanho outros podcasts.

LLLeo Lopes

É uma cachaça, porque é um puxa outro, que puxa um tem que puxar outro, né?

RBRodolpho Baena

Eu falo que o podcast é a pirâmide que funciona, que um que indica um, que indica outro, que indica outro, que indica outro.

LLLeo Lopes

É isso, é o podcast, a mídia que agrega, ela não segrega, né? Exato. E você, cara, que papo legal, que história bacana! A gente poderia ficar aqui o resto do dia conversando, mas a gente tá, como você tá vendo, a gente tá aqui no restaurante da família atendendo atendendo cliente. Por isso que tá assim, pessoal, entra, sai, tem pedido e tal. É isso aí, é a vida acontecendo.

RBRodolpho Baena

E assim, e é muito legal que eu agora tô sendo muito legal te conhecer, porque você era só aquele meu amigo de, amigo de fone.

LLLeo Lopes

E agora a gente vai dizer que é amigo de verdade, porque a gente não é amigo enquanto a gente não faz uma refeição junto. Então a partir de hoje acabou o almoço, a gente A gente é amigo de verdade, já era. Próximo passo é você ir lá passar um fim de semana lá em Serra Negra, dar uma descansada lá. Vai ser um prazer te receber lá também. Vamos lá! Obrigado. Estica a mão aqui para eu te dar. Cuidado, tem um copo aqui no meio. Obrigado pela sua amizade, pelos seus anos de audição.

Obrigado por estar com a gente sempre lá no chat também. A galera adora quando você participa.

RBRodolpho Baena

E eu gosto de participar da dessa, não só do Radiofobia, da comunidade, o nosso grupinho lá no Telegram também, da comunidade geral, Novela Cast. Ah sim, a Thaís, a Thaís já me avisou, o pessoal, eu acho legal, e eu acho legal é saber, o pessoal, eu gosto de, eu sou da zoeira também, a gente lá é muito família, cara, a gente é, eu sou da zoeira também aqui. Aqui eu não zoei tanto porque aqui é um negócio mais—

LLLeo Lopes

estamos contando sua história, né? Eu que zoei mais.

RBRodolpho Baena

Não, sim, mas eu sou da zoeira também, já zoei professor na faculdade, já rendeu. Uma vez o professor na faculdade passou um slide na lousa, no datashow ali, aí ele falou assim: alguém tá vendo esse slide?

LLLeo Lopes

Eu não.

RBRodolpho Baena

Aí ele foi lá Era tipo aula de banco de dados, não sei o quê. Ele foi lá, chamava Beto, foi lá, colocou na lousa: Rodolfo 1, Beto 0. Aí eu fui pedir. Aí a gente precisava programar um negócio no computador, eu deixava a tela abaixada, né, porque eu não precisava da tela. Só que o programa, tipo, era foda que se desse algum errinho, o erro mudava de cor. Aí eu tinha que pedir ajuda para ele. A hora que eu fui pedir pedi ajuda para ele até ela tava baixada.

Ele falou assim, pô, sacanagem. Aí ele me ajudou, mas antes ele foi lá, colocou na lonzinha, rodou com o professor. Eu não lembro que fim que levou o placar, se ficou empatado, se não ficou, mas eu zoou todo mundo também.

LLLeo Lopes

Que bom, cara. Pô, vou deixar no link da postagem o seu Instagram para quem quiser acompanhar suas aventuras. E antes da gente encerrar aqui Quero agradecer você que acompanhou esse episódio especialíssimo aqui do Takenobori, diretamente do restaurante. Faz o jabá do restaurante aqui, cara. Endereço, como é que chama, quem quiser pedir aí as coisas. Eu vi que tem muita gente vindo pegar, tem delivery e tal. Deixa o jabá aí, cara.

RBRodolpho Baena

Tem delivery, tem.

LLLeo Lopes

Faz aí, faz o serviço.

RBRodolpho Baena

Cantinho do Lei da Fá, é porque, né, minha mãe chama Fabíola, meu padrasto Leandro, meu xará. Então Ficou o cantinho do lei da farra, é que a gente tinha, a gente tinha, atende o quê, pelo WhatsApp? Atende pelo WhatsApp, telefone 011-11-9, tem o, agora esqueci o telefone.

LLLeo Lopes

Ô Leandro, vou chamar ele aqui ao vivo.

?Voz 1

Cadê?

LLLeo Lopes

Vem cá, a mãe já apareceu. Cadê o padrasto? Vem cá, vem fazer o jabá aqui no final. Entra, entra em quadro aqui, por favor. Entra mais para cá em quadro.

RBRodolpho Baena

Esse é o Leandro, meu padrasto.

LLLeo Lopes

Passa o jabá aqui do restaurante para o pessoal que quiser fazer o pedido. Faz aí, faz o serviço aí. Rodolfo, você esqueceu o telefone. Esqueceram o telefone.

RBRodolpho Baena

Para quem quiser comer uma boa comida, para quem quiser provar uma comida vegana, nós estamos aqui em Bragança Paulista, localizado na Ítaca na Avenida Rosa Rapanti Sequetini, número 138. Tem uma variedade de produto vegano, vem para cá. E o telefone é o 11 96497-2360. É só mandar um oi que a gente entrega em toda a região.

LLLeo Lopes

Marmitinha, tem perfil no Instagram também?

RBRodolpho Baena

Não tem perfil no Instagram.

LLLeo Lopes

Vou botar aqui na postagem também o perfil do Instagram, Facebook. Então vou botar tudo aqui, tudo na postagem.

RBRodolpho Baena

Tem pacote marmita semanal para quem tiver, né, complicado. Excelente demais a sua rotina do dia a dia com seu trabalho. Excelente. Tem comida balanceada, é só mandar aqui o cronograma para nós, a gente faz de acordo com o que o nutricionista quiser. Diferencial isso, com método. Temos comida sem glúten.

LLLeo Lopes

É isso, gente, fechou. Excelente. Obrigado por receber a gente aqui. Obrigado, Rodolfo. Rodolfo, mais uma vez. Bota a mãozinha aqui para eu te dar mais uma vez um aperto de mão. E nós vamos terminar agora esse vídeo. Daqui a pouco aqui a gente vai fechar aqui agora. Obrigado pelo seu download. Download não tem download se você tiver aí no seu agregador de podcast. Você que acompanhou aqui no canal do YouTube também, obrigado. Deixa o like, deixa o hype, comenta sobre a história do Rodolfo, hashtag Rodolfo com PH.

Se você chegou até o final do programa aqui aqui, comenta Rodolfo com PH. E a gente vai agora terminar esse vídeo com performance de Rodolfo dos teclados para a gente terminar esse episódio especialíssimo do Taque no Bolo Podcast, trazendo para você aqui histórias reais de pessoas que superaram e que superam, cuja vida é uma história de superação, para você acompanhar aí. Obrigado demais, segue o Rodolfo lá no Instagram. Agora vamos terminar aqui com Rodolfinho dos Teclados. Um abraço e até o próximo episódio do Tá Aqui no Bore Podcast. Valeu!

RBRodolpho Baena

Pra que mentir, fingir que perdoou? Tentar ficar amigos, seja qual a emoção, acabou. Que pois se desalavou, da nossa música nunca mais topou. Pra que usar de tanta educação pra descer a terceira as intenções, desperdiçando o meu Que vagazinho forem, for entre os meus inimigos, desafio e protegi teu nome por amor. Eu qualquer uma rua beijar vou. Não responda nunca, meu amor. Nenhum grande nome ele já foi, e só eu que podia, dentro da orelha fria, dizer segredos de liquidificador.

Você sonhava por nada, no jeito de não sentir dor. Prendia o choro, égua, bombom do amor. Prendia o choro, égua, bombom do amor.

LLLeo Lopes

Muito bom esse leite!

?Voz 1

Este podcast foi Publicado pela Radiofobia Podcast Network. Acesse radiofobia.com.br/podcast para conhecer e ouvir todos os nossos programas, ou assine no seu agregador de podcast preferido. Esperamos você no próximo episódio. Oi, eu sou Antônio Viviani e quero convidar você a ouvir o nosso podcast Voz Off. Desde julho de 2017, eu e meu amigo Nicola Lauletta temos o prazer de conversar com as grandes vozes do rádio, da TV e da publicidade do Brasil e trazer suas histórias até você.

Se você, como nós, é apaixonado por locução, acesse vozoff.com.br e acompanhe nossos episódios aqui. Na Radiofobia Podcast Network.

Anunciantes6

Café Brasil

Podcast com Luciano Pires
external

Cantinho do Lei da Fá

Restaurante com comida vegana e por encomenda
external

DOSVOX

Programa de computador para deficientes visuais
external

Fundação Dorina Nowill

Produção de livros em braile e audiolivros
external

KTO

Leitor de tela gratuito
external

Laramara

Associação de apoio a pessoas cegas
external
Takinobori 005 - com Rodolpho Baena | Castnews Index — Castnews Index