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#871 Crise do petróleo à vista? Emirados Árabes Unidos se retiram de organizações globais do setor

05 de maio de 20261h
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A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da OPEP+ e da Organização de Países Árabes Exportadores de Petróleo (OAPEP) aumentou a tensão no mercado global. Como consequência da medida, o barril do Brent fechou em torno de US$ 112 (R$ 577,92 na cotação atual), o maior nível desde o início de abril e a sétima alta consecutiva. Nesse cenário, o Brasil fica em posição mais favorável devido ao avanço da matriz energética renovável e a medidas adotadas para reduzir os impactos das oscilações externas no setor de combustíveis. Qual é o impacto geopolítico dessa saída? Será que outros países podem ser influenciados? Para entender o cenário, convidamos João Victor Marques, professor e pesquisador da FGV Energia; e Pedro Costa Jr., cientista político, analista de relações internacionais e autor do livro "EUA x China: a luta pelo poder global". Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.

Participantes neste episódio3
M

Marcelo

HostPresidente
J

João Victor Marques

ConvidadoProfessor e pesquisador da FGV Energia
P

Pedro Costa Jr.

ConvidadoCientista político, analista de relações internacionais e autor
Assuntos6
  • Saída dos Emirados Árabes da OPEPImpacto geopolítico · Motivações da saída · Arábia Saudita · Estados Unidos · China
  • Geopolítica do PetróleoGuerra Irã-Estados Unidos · Estreito de Hormuz · Petrodólar vs Petro Yuan · BRICS · Rússia
  • Impacto do preço do petróleoPreço do barril Brent · Autonomia produtiva · Oferta e demanda · Market share da OPEP
  • Posicionamento do Brasil no cenário energéticoMatriz energética renovável · Pré-sal · Membro observador da OPEP · Atração de investimentos
  • Arabia SauditaContestação interna · Perda de market share · Efeito cascata em outros membros · Angola
  • Conferência de minerais críticosTerras raras · Tecnologia bélica · Estratégia da China · Serra Verde · Deep State
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Mundioca, o podcast que fala sobre as raízes do que acontece no mundo. Olá, pessoal. Mais um Mundioca chegando hoje para a gente falar de um assunto que pegou muita gente de surpresa. Ah, Marcelo, antes de começar o nosso assunto, não se esqueça, dê cinco estrelinhas para a gente no Spotify. E se você estiver nos ouvindo no Rio de Janeiro, sintonize 80,5.

Foi o anúncio que os Emirados Árabes Unidos, um dos maiores produtores de petróleo do planeta, está deixando a OPEP, o cartel que comanda o valor do óleo e do gás no mundo. E isso deu o que falar. O que pode estar por trás dessa decisão dos Emirados Árabes?

Uns dizem que os Estados Unidos foram beneficiados, porque com um competidor a menos dentro da organização, quem produz mais petróleo, como os Estados Unidos, que não estão dentro da OPEC, vão se beneficiar porque vão poder produzir mais. Outros dizem que não, que os Emirados Árabes fizeram essa jogada para se aproximar das Chinas, já pensando nos iuans que estão sendo usados para a venda de dólar lá para Pequim.

Fato é que o presidente Donald Trump gostou dessa saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP. E a gente vai falar no programa de hoje o que isso tem a ver com a guerra, de que lado eles estão. A gente sabe que os Emirados Árabes são aliados dos Estados Unidos, assim como muitos outros países ali do Golfo, que talvez tenham que repensar suas alianças depois do que aconteceu nos últimos dois meses.

Lembrando que os Emirados Árabes também, daquela região ali, foi o país que mais sofreu ataques do Irã. Sofreu, eles que tinham Dubai, aquela cidade altamente tecnológica que atraía turistas do mundo todo. Eu não gostaria de ir pra Dubai hoje em dia, você iria, Marcelo? O pessoal meteu o pé de lá, né? Parece que teve imóveis que caíram 80% no valor. Complicado, né? Isso sem falar na perda do PIB, né? Estimam 6% de perda do PIB nos países do Golfo.

Vamos chamar nosso primeiro convidado? Vamos. O Mundioca tem o prazer de falar mais uma vez. Olha que ele já não fala com a gente, é um tampão. Com o João Vitor Marques, o professor e pesquisador na Fundação Getúlio Vargas Energia. Professor João, seja mais uma vez muito bem-vindo aqui. Já estava demorando, né?

Muito obrigado. É um prazer estar com vocês. O Mundioca já é uma referência com profundidade técnica e excelência para o setor de energia e para a análise internacional e geopolítica. Como é que o senhor avalia essa decisão dos Emirados Árabes Unidos de se afastar da OPEP? Olha, pegou o mercado internacional de energia, de petróleo, com certa surpresa.

embora não foi uma mudança inesperada, porque os Emirados Árabes já vinham demonstrando um certo desconforto com as diretrizes que a organização vinha adotando nos últimos anos. A gente já tinha reparado, já tinha percebido alguns ruídos internos, embora velados, mas a gente já vinha percebendo alguns ruídos internos dos Emirados Árabes com a política de cotas.

de produção de petróleo dentro da organização, liderado principalmente pela Arábia Saudita, que é o agente mais influente da OPEP. Mas a retirada dos Emirados Árabes, de alguma forma, já vinha sendo planejada e aí essa guerra com o Irã e Estados Unidos do outro lado pode ter sido um estopim.

para essa saída dos Emirados, uma vez que poucos dias depois a principal empresa de petróleo do país, a Adenoc,

ela anunciou investimentos importantes na expansão da produção de petróleo do país. Então, a retirada pode ter sido, de certa forma, coordenada com esses investimentos esperados, porque, é claro, ninguém iria fazer um plano de aumento de produção num prazo tão curto. Então, acho que essa retirada foi, de certa forma, coordenada ali, tanto no nível político quanto econômico. E o que os Emirados Árabes ganhariam saindo da OPEP?

Os Emirados Árabes são um país fundador, junto com Arábia Saudita, Irã, Iraque, Venezuela e Kuwait. Então a retirada dos Emirados Árabes representa uma mudança importante, porque é a primeira vez que um fundador está se retirando efetivamente.

dessa organização. A gente já vinha percebendo algumas idas e vindas, outros atores já se retiraram da OPEP, uma vez que a política interna do país em algum momento se desencontrou, não estava mais alinhada com as diretrizes da organização. O que o país ganharia nesse momento?

seria realmente buscar maior autonomia, tanto para investimentos da própria empresa de petróleo, quanto levar esses investimentos para o aumento da produção, que é o principal objetivo do país. Agora, a informação que chegou para a gente é que o governo dos Emirados foram até os Estados Unidos para pedir linhas de crédito em dólar ou ameaçaram vender petróleo em UAN, coisa que eles já estavam fazendo. Os Estados Unidos...

Falaram, sim, vamos fazer então essas linhas de crédito. E ainda assim, os Emirados Árabes Unidos foram embora, até porque eles têm muito negócio com a China. Pesou o fator financeiro também ou não o político? Eu acho que a posição dos Emirados Árabes, ela tem buscado maior autonomia estratégica.

Esse objetivo em ampliar a produção, a gente já tinha percebido a partir de outros países, o caso principal deles é Angola, que também percebeu que a sua política interna não estaria mais alinhada com a OPEP. Nessa parte do financiamento, eu acredito que os Emirados, buscando maior autonomia, ele também está buscando mais investimentos em diversificação desses investimentos.

não apenas dos Estados Unidos, mas também da China. Eu acho que está mais alinhado com essa questão da autonomia mesmo do país em buscar ter uma equidistância estratégica, seja por parte dos Estados Unidos, quanto da Rússia, quanto da China, que é o que a gente vinha percebendo na política externa do país. A gente teve uma mudança.

É interessante em 2021, nessa abordagem da política externa dos Emirados Árabes, quando eles reconhecem o Estado de Israel e formalizam relações diplomáticas dentro dos acordos de Abraão.

que foi uma iniciativa a partir dos Estados Unidos e mostrou uma guinada desse país, uma proximidade com os interesses americanos. Mas, ao mesmo tempo, os Emirados entraram no BRICS, entraram no grupo BRICS+, mostrando maior interlocução com a Índia, com a Rússia, e também é um país que faz parte da iniciativa Cinturão em Rota, a Belt and Road.

da China. Então essa autonomia estratégica é o que tem guiado a política externa emiradense. Professor, como é que o senhor avalia essa decisão no impacto da liderança da Arábia Saudita no cartel? A Arábia Saudita sempre foi uma liderança forte dentro da OPEP. Essa liderança foi compartilhada.

dentro da OPEP, no seu momento fundacional, desde a fundação da OPEP, ela compartilhava essa influência com a Venezuela. Eram dois grandes players internacionais que tinham essa liderança na organização. Com a crise na Venezuela, a Arábia Saudita se tornou o principal player dentro da OPEP, mas essa liderança não foi...

projetada sem alguma contestação. Ela não foi uma liderança suave, ela é formada por alguns atributos. No momento inicial, quando a OPEP decide influenciar o mercado internacional de petróleo por meio das cotas de produção, a Venezuela sempre teve, por exemplo, uma postura mais expansionista, enquanto a Arábia Saudita sempre teve uma abordagem mais controlada no aspecto de segurar a oferta, controlar a oferta para o melhor gerenciamento.

dos preços. Quando a Arábia Saudita se torna a principal liderança, os Emirados, que contestam essa liderança assumindo aquela postura que a Venezuela tinha no passado. Os Emirados passam a buscar essa postura de expansão da produção em detrimento de maior controle.

da produção que era defendido pela Arábia Saudita. Então, o principal impacto dessa retirada é o desgaste dessa liderança da Arábia Saudita dentro da organização, uma vez que ela não conseguiu efetivamente trazer...

gerenciar os interesses e as rivalidades internas dentro da própria organização. A OPEP corre risco na sua opinião? Eu não acredito que corra um risco, mas há uma identidade em crise, uma vez que um dos principais países que se retiram, só para a gente dar um passo atrás, os Emirados são hoje.

um país que possui a oitava maior reserva do mundo, a quinta maior reserva dentro da OPEP, perde apenas para a Venezuela, Arábia Saudita, Irã e Iraque. Em termos de produção, é o nono maior produtor do mundo e o quinto maior produtor dentro da OPEP+. E em termos de exportação, é o terceiro maior exportador. Então é um perfil muito mais relevante, por exemplo, do que a Venezuela possui atualmente.

Mas a crise na Venezuela, como ela impactou na liderança dentro da OPEP, como eu havia mencionado, já foi um choque muito grande para a organização e agora a retirada dos Emirados também impacta essa liderança da OPEP, principalmente em perda de market share, de participação de mercado da organização no mundo.

a capacidade, a efetividade do instrumento de cotas de produção, de gerenciamento de oferta de produção de petróleo, acaba sendo minada, porque uma parte relevante dessa produção já não está mais dentro do escopo da organização. Então a sua capacidade de influenciar...

preço no mercado internacional acaba sendo minada. Mas eu acredito que a organização deva, de alguma forma, buscar flexibilizar as cotas agora nesse momento, como ela já tem mostrado, para evitar, para prevenir uma retirada e encascata de outros membros.

É isso que eu ia perguntar. Essa saída dos Emirados Árabes Unidos não poderia incentivar outros produtores, como o Iraque, como o Nigéria, a tomarem o mesmo caminho? Se a gente olhar o caso de Jagogola, que se retirou ali em 2023, se eu não me engano foi em 2023. Ela se retirou da OPEP porque ela tinha o objetivo de ampliar a produção.

num contexto de maior concorrência exploratória aqui no Atlântico Sul. O Atlântico Sul é um grande hotspot exploratório de petróleo. Há uma concorrência em atração de investimentos de empresas internacionais aqui para o Brasil, Goiânia, África do Sul, Namíbia, Suriname. Então, Angola buscando retomar a aumenta da sua produção.

percebe essa concorrência, uma necessidade de atrair investimento e as cotas da OPEP sendo um limitador para ela aumentar a produção e retomar, por exemplo, recuperação de campos maduros, abrir novas fronteiras. Então, isso depende de uma análise para entender se isso vai gerar um efeito cascata. A gente precisa fazer uma análise mais particular sobre cada um dos membros da OPEP. A gente sabe que a Angola tinha esse objetivo, os Emirados agora...

revelam isso publicamente, oficialmente, que também buscam aumentar a produção, mas de certa forma se associar ao OPEP como antigamente, que era um sinônimo de buscar prestígio, de organização dos países produtores e exportadores de petróleo, isso vem se perdendo, porque o que gerou a criação da OPEP foi, e que fundou as grandes linhas da geopolítica do petróleo.

foi a sua rivalidade com as grandes companhias internacionais de petróleo. Tinha um objetivo, claro, de nacionalização de reservas, de controle das receitas petrolíferas. Hoje o mercado internacional está muito mais diverso. A OPEP não tem mais aquele controle do mercado como na década de 70, em que ela tinha um market share de mais 50%. Hoje é pouco menos.

Do que isso, é um pouco mais de um terço do mercado internacional. Então, com a retirada dos Emirados, isso vai ainda se reduzir, mas o que a gente percebe é essa perda do domínio de mercado da OPEP e, consequentemente, menor relevância da organização para os países exportadores. Professor, a China é o maior comprador de petróleo do Golfo Pérsico que, nesse momento, está em guerra.

38% de tudo que passa, talvez, pelo estreito ali, seria enviado à China. Só que os Emirados Árabes Unidos têm negócios com a China passando de 100 bilhões de dólares, à exceção de petróleo. A gente fala de inteligência artificial, de infraestrutura, tecnologia, outros setores da economia. Não lhe parece que houve também uma mãozinha vindo de Pequim aqui para incentivar essa movimentação?

A movimentação da retirada dos Emirados Árabes. Da saída dele? Porque ele pode aumentar a sua produção e pode continuar enviando para a China, que tem bandeira livre para passar por Hormuz, pelo Irã. É, assim, a gente pode fazer uma análise dos benefícios que a China e outros países importadores de petróleo... É, assim, a gente vai ver ela.

a Ásia tem com a retirada dos Emirados Árabes, porque isso sinaliza aumento de produção. E aumento de produção de petróleo também significa uma tendência de redução dos preços. Só que se a gente pegar nos últimos anos, o mercado internacional está mais diverso em termos de províncias petrolíferas, uma vez que, embora as grandes reservas ainda estejam concentradas no Golfo Pérsico e as rotas de...

de exportação ali pelos teitos de Hormuz representam 20% do fluxo internacional do petróleo, hoje o Brasil, os Estados Unidos, a Guiana também são players relevantes no mercado internacional. Então as rotas têm maior flexibilidade para serem reordenadas mesmo com...

mesmo com o fechamento ali do Estreito de Hormuz. O que eu entendo por parte da China e Índia, eu acrescento Índia porque também são os dois principais consumidores de petróleo da região, quanto mais diversificados os fornecedores, maior segurança.

do suprimento. Então, é importante que esses países se posicionem no movimento de diversificação do suprimento. É claro que os Emirados Árabes continuarão sendo um importante player e supridor para esses países, mesmo que se retire agora da OPEP ou não. Eu acho que não muda essa parceria, os contratos de suprimento entre os países. Mas a tendência realmente é que o maior...

market share com maior produção de petróleo a partir dos Emirados Árabes, a China e a Índia sejam um dos principais beneficiados com mais volume de petróleo e mais barato. Essa é a tendência, é claro, depois que a gente tiver uma situação mais calma na região. Porque no curto prazo o efeito no mercado é nulo, uma vez que...

Há uma interrupção do fluxo efetivo, um fluxo físico de petróleo por conta do fechamento dos dedos de hormônio. Agora, o quanto essa questão no Golfo Pérsico também pode ter influenciado essa decisão? A gente fala isso porque a gente vê que o Irã atacou todos os países que tinham base militar nos Estados Unidos, né? E os Emirados foram um dos mais atacados. Sem dúvida.

Os Emirados foi um dos países, está sendo um dos países mais atacados, mas existe alguma reticência de efetivo contra-ataque ao Irã, porque um transbordamento desse conflito com o envolvimento de terceiros entraria numa guerra completamente descontrolada, porque os Emirados Árabes, embora eles tenham ali uma posição estratégica importante, com acesso tanto...

ao Golfo Pérsico, quanto diretamente ali ao Golfo de Oman, está muito próximo do Irã. Existem ilhas ali no Golfo Pérsico que são reivindicadas historicamente pelos Emirados Árabes, que tem hoje um controle a partir do Irã. Então existe uma rivalidade histórica entre os dois países sobre o controle marítimo, sobre o espaço marítimo.

E essa proximidade com o Irã coloca o país muito vulnerável a esses ataques aéreos que têm sido atingindo as infraestruturas críticas dos Emirados Árabes. E agora, hoje mesmo, a gente viu uma notícia de que o principal porto de escoamento do petróleo que fica localizado ali...

no Golfo de Oman, nos Emirados Árabes, foi atacada pelo Irã e é um porto que tem uma capacidade de cerca de 1,8 milhão de barris por dia. Então esses ataques que o Irã acaba provocando nos países vizinhos é para mostrar

para o mundo os custos dessa guerra que está sendo perpetrada pelos Estados Unidos e por Israel. Então é uma busca pelo sufocamento da infraestrutura crítica de energia desses países vizinhos e acaba sendo também um efeito para a redução do market share, da posição desses países que no mercado internacional de petróleo são concorrentes do Irã.

Professor João Vitor, você analisa como a posição dos Estados Unidos diante dessa informação da saída dos Emirados Árabes da OPEP. Eu falo isso porque eles já estão, até onde eu sei, aceitando Yuan para a venda de petróleo para a China. Os Estados Unidos tiveram uma importante...

mudança, o perfil dos Estados Unidos no mercado internacional sofreu uma grande mudança nos últimos anos em função da Revolução do Cheio. Isso permitiu que os Estados Unidos deixassem de ser o importador líquido de petróleo e se tornou um grande exportador. Hoje é o principal produtor, não é o maior exportador porque ainda o principal exportador é a Arábia Saudita. Isso trouxe uma grande mudança.

para a geopolítica do petróleo, porque reposicionou o eixo de poder que antigamente era centrado no Golfo Pérsico e traz parte desse eixo de poder para a bacia aqui do Atlântico, que é tanto motivada pela Revolução do Cheio nos Estados Unidos quanto pela descoberta do pré-sal aqui no Brasil.

Então, essa retirada dos Emirados Árabes para os Estados Unidos significa uma perda de participação de mercado da organização. Uma possível fragmentação da OPEP representa um ganho de mercado para os próprios Estados Unidos, porque isso leva a uma redução da eficácia da cota de produção gerenciada pela organização dos países exportadores de petróleo.

Só que, assim, os Estados Unidos hoje são o maior exportador, mas a relação, não é um grande exportador, mas a relação reserva-produção é muito baixa comparada aos países árabes, aos países do Golfo Pérsico. Porque se a gente analisar, as reservas americanas são importantes, mas não são tão grandes quanto a do Golfo Pérsico. Então, como eles são um grande produtor, é o maior produtor do mundo...

Essas reservas estão com os dias contados, a não ser que uma reposição de reserva seja, um grande volume de reserva seja reposta.

para o país. Então, onde que eu quero chegar? Os Estados Unidos vão atingir o pico de produção até a próxima década. Então, são poucos anos adiante que os Estados Unidos possuem para se manterem numa posição ainda confortável como a atual. Já os países do Golfo Pérsico têm uma vantagem estratégica muito mais relevante. A relação reserva-produção da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes é mais de 70 anos de produção, mantendo o ritmo atual.

haja vista o tamanho da reserva desses países. Então, essa vantagem estratégica dos países do Golfo Pérsico colocam numa posição mais confortável em relação aos Estados Unidos. Então, uma retirada.

dos Emirados Árabes Unidos, pode significar no longo prazo maior tendência de aumento da produção e redução dos preços do petróleo, mas também significa maior concorrência para os Estados Unidos. Então é um movimento um pouco errático. Talvez comemorar a saída dos Emirados Árabes Unidos seja algo ainda que foi evidenciado pelo presidente Trump. Acho que ainda é algo...

Eu não sei se enganoso por parte dele, mas pode significar perda de mercado para os Estados Unidos, embora signifique também redução de preço para a sociedade americana, que é algo bastante sensível para o país. Nesse tabuleiro todo, como é que você avalia o posicionamento de China e Índia, que são grandes consumidores de petróleo e gás? Como eu havia mencionado, hoje o mercado internacional de petróleo... Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz Suz

tem uma diversificação de supridores importante. Isso para a China e a Índia é algo bem relevante. A China está entre os principais produtores de petróleo, mas...

a demanda chinesa é muito superior à sua produção interna. Então, isso coloca o país numa posição não desvantajosa, mas mais sensível, porque essa sensibilidade pode se tornar uma vulnerabilidade caso o país não tenha um número diversificado de supridores. Então, o caminho para o país, como a gente percebe pela transição energética, tem sido a eletrificação da frota.

dos transportes, não só por uma questão climática, por uma questão ambiental, mas uma garantia de segurança energética, que é reduzir a demanda ou desacelerar o crescimento da demanda. No caso da Índia, já é uma posição ainda mais sensível, porque o país não produz petróleo, é uma produção muito pequena.

mas tem um parque de refino muito grande. Então o país acaba sendo um grande importador de petróleo, mas consegue processar esse petróleo internamente e produzir combustíveis para o próprio país. A China também tem um parque de refino muito relevante.

O que é importante a gente pontuar é essa diferença na dependência de petróleo quanto na dependência de combustível. Já que esses dois países não têm produção de petróleo para atender a sua demanda, eles construíram um parque de refino relevante, ou seja, prevenindo que essa sensibilidade torne-se uma vulnerabilidade no futuro.

Agora, professor João Vitor, e o Brasil nisso tudo? Como é que você avalia as nossas possibilidades, as nossas carências e as nossas forças aí? A gente percebe, desde o advento da pandemia, uma série de crises geopolíticas no mundo. A gente teve a crise da Ucrânia em 2022. A gente teve agora, mais recentemente...

Um conflito intenso entre Israel e a Palestina, com o transbordamento dessas incursões israelenses contra o Líbano. Ataques também que foram a partir do grupo X no Iêmen. E agora...

mais recente e em curso, esse conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Nesse cenário mais tortuoso na geopolítica do petróleo, o Brasil tem se destacado porque a gente está convivendo com uma situação de ramp-up da nossa produção.

O pré-sal, os projetos no pré-sal estão saindo do papel, estão sendo comissionadas as plataformas, então o Brasil está numa posição bastante favorável de aumentar a sua produção, pelo menos até a próxima década.

Então, a expectativa é que o Brasil deixe de ser o oitavo maior produtor do mundo e chegue à quinta colocação. Então, o Brasil hoje é um grande produtor e vai se tornar ainda mais relevante. Então, o que isso destaca para o país é a nossa posição de supridor confiável para o mundo, garantindo tantas nossas necessidades, garantindo a autossuficiência técnica da produção brasileira, mas também sendo um supridor confiável no mercado internacional.

Então a gente percebe que a atração de investimentos internacionais não se dá à toa, uma vez que o Brasil está numa região...

geopoliticamente mais estável do que no Oriente Médio, por exemplo, do que na Europa Oriental, do que na Bacia Atlântica, ali na margem africana. Então isso torna o país um destino relevante de investimentos e um ambiente seguro do ponto de vista regulatório, com estabilidade e previsibilidade adequada para esses investimentos.

O Brasil tem a ganhar muito se posicionando no mercado internacional, fechando contratos de longo prazo com os principais países consumidores, China, Índia, Indonésia, Turquia. Mas com essa retirada, por exemplo, dos Emirados Árabes, a gente pode notar que vai...

com certeza existe maior concorrência entre as correntes do pré-sal brasileiro quanto com as correntes de petróleo produzidas lá nos Emirados. Você analisa como o posicionamento do Brasil a respeito da entrada dele na OPEP, mesmo como membro não principal?

A entrada do Brasil foi cercada de algumas análises inconsistentes, porque o Brasil não entrou de fato na organização, mas como um país associado, como um país observador, na verdade. E naquele momento, que foi exatamente no momento da COP,

que é a Conferência das Partes do Acordo de Paris, que o Brasil anunciou essa entrada. Então, soou, acho que foi um momento não muito adequado para anunciar essa entrada, porque há uma percepção contraditória entre ser um país produtor de petróleo e também defender a mitigação das emissões e fazer a transição energética para cumprir o Acordo de Paris. Mas o fato é que os efeitos da entrada do Brasil na OPEP praticamente não afetam...

a indústria nacional, porque o Brasil não está sujeito a cotas de produção. O Brasil não tem aqui um monopólio de um único agente, pelo contrário, existem diversas empresas que estão atuando no ambiente de exploração e produção de petróleo no Brasil. Então, os efeitos da entrada não são práticos, não há um efeito prático dessa entrada do Brasil. O que, na verdade...

motiva é o fortalecimento da posição brasileira no máximo de organizações e foros internais possíveis, que isso está alinhado com a política externa brasileira, que é a universalidade de relacionamento com todos os países do mundo e pragmatismo. Como o Brasil vai se tornar o quinto maior produtor de petróleo no mundo, acessar a OPEP também significa uma posição estratégica para o Brasil de negociação com os países que lá estão, ou pelo menos ouvir.

o que esses países falam e ambicionam para o mercado internacional de petróleo. Tá certo, a gente teve o imenso prazer de ouvir a análise do professor João Vitor Marques, professor e pesquisador na FGV Energia. Há muito tempo você não estava aqui conosco, ainda bem que a gente conseguiu zerar esse tempo e eu espero que você volte brevemente aqui ao Mundioca, João. Muito obrigado, fico à disposição.

E desejo boa sorte sempre para o Mundioca. Muito obrigado. Um grande abraço. Abraço.

Até que ponto isso é verdade? Quem vai ser beneficiado? Só o tempo irá dizer. E legal saber o Brasil nessa, né? Como é que o Brasil pode ficar? O Brasil que hoje é membro observador da OPEP. Vamos chamar o segundo convidado. O Mundioca tem o prazer de voltar a falar com o Pedro Costa Jr., ele que é cientista político, analista de relações internacionais e autor do recém-lançado livro Estados Unidos vs China.

a luta pelo poder global, pela Editora Escuta. Tudo bom, Pedro? Seja mais uma vez bem-vindo aqui ao Mundioca. Claro, muito obrigado por ter aceito o nosso convite mais uma vez. Sempre uma honra e uma alegria estar aqui no Respeitado Mundioca, Marcelo. Muito obrigado pelo convite.

a toda a audiência qualificada aqui do Mundioca e da Sputnik News Brasil. A gente começa esse bate-papo, Pedro, querendo saber o seguinte, a saída dos Emirados Árabes Unidos sinaliza uma crise estrutural dentro da OPEP ou é apenas um movimento estratégico isolado na tua visão? Eu acho, me parece, que é a segunda opção. Não se trata de uma crise estrutural dentro da OPEP, se trata de uma crise, mas uma crise pontual, não estrutural. É mais um movimento estratégico que qualquer...

Outra coisa, vamos pensar juntos aqui, vamos pensar que o Irã, o Emirado dos Árabes, que acabou de sair da OPEP, é o país mais perto do Irã, geograficamente falando. É o país também que mais sofreu danos impostos pelos mísseis e drones iranianos. E é o país ali que declarou guerra oficialmente ao Irã, está em guerra oficial contra o Irã. Então, esse movimento é um movimento que vem de todo esse contexto,

E pegando um dado importante, que tanto o Irã como o Emirados Árabes são membros dos BRICS, dos BRICS+, dos BRICS+, nessa nova onda de expansão que houve nos BRICS lá na cúpula da África do Sul. E a partir daí, nós temos que os BRICS...

que já sofrem uma guerra, uma ofensiva contra o grupo propriamente dito, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o próprio Trump, já declarou guerra aos BRICS. E agora nós temos uma guerra, portanto, intra-BRICS, entre dois membros parceiros dos BRICS, que é o Irã e o Emirado dos Árabes. E nós sabemos que em setembro desse ano vai haver a cúpula dos BRICS, a cúpula anual.

que ocorre neste ano na Índia, e aí nós vamos ver o que vai acontecer com esses países que estão em guerra. Não só o Irã e o Emirado dos Árabes, mas a Arábia Saudita, que está nesse contexto. E a Índia, que é a sede, também faz parte de todo esse contexto, porque declarou apoio incondicional a Israel uma semana antes do conflito começar. Então todo esse contexto afeta...

Os BRICS e, portanto, afeta o Brasil também. Agora, essa decisão, na tua visão, impacta o poder de liderança da Arábia Saudita dentro do cartel? De certa maneira, a Arábia Saudita é uma grande derrotada, porque a Arábia Saudita controla a maior produção de petróleo mundial e, portanto, tem a maior influência sobre...

A OPEP, vamos lembrar que a OPEP foi fundada ali no fim dos anos 60. Em 73 eles se estruturam e produzem o primeiro choque do petróleo, um choque devastador, foi arrasador ali, o preço do barril do petróleo, ele praticamente quadriplica o seu valor do dia para a noite, aquilo é um choque brutal, atinge diretamente naquele momento os Estados Unidos.

que era a maior produção industrial do mundo, e, portanto, precisavam de petróleo para a sua indústria continuar funcionando. Quando o mundo e os Estados Unidos, que foram muito afetados, estavam se recompondo do primeiro choque do petróleo, uma nova articulação da OPEP, em 79,

provoca o segundo choque. E a Arábia Saudita tem um papel muito importante nisso, de maneira que a OPEP já foi responsável por cerca de metade da produção mundial, chegou a 50% da produção mundial do petróleo. Hoje ela tem bem menos que isso, tem cerca de metade do que ela já teve, chegou a quase 30% antes da saída do Emirados Árabes.

ou seja, um terço, não mais metade, mas um terço do petróleo mundial, com a saída do Emirado dos Árabes ela vai ter menos que um terço, vai ali para casa dos 20%, enfim.

Não é mais 30, 25 nessa casa. Vai oscilar entre 20 e 30 abaixo. Então, o Emirado dos Árabes, também importante dizer, é o quarto maior produtor de petróleo do mundo. Produz 2,9 milhões de barril de petróleo dia. E fica atrás só do Iraque, que é o terceiro maior produtor. O Irã, que é o segundo maior produtor. Ambos estão na casa acima dos 3 milhões, barris dia.

E, em primeiro lugar, disparado a Arábia Saudita, que produz mais de 8 milhões de barris dia. Então, o contexto é esse, de maneira que a Arábia Saudita perde, portanto, o quarto maior produtor de petróleo, e a OPEP em toda, e isso é uma perda direta, tanto ao cartel como a quem controla o cartel, que é a Arábia Saudita.

Agora, se a gente for analisar por que os Emirados estão buscando esse descolamento da OPEP, na tua opinião, eles querem mais autonomia produtiva para maximizar a receita ou eles estão preparando terreno para uma transição energética mais agressiva ou há alguma coisa além que a gente ainda não conseguiu perceber nesse momento?

São dois elementos. Eles já vêm tentando fazer essa transição energética, fazendo de fato, assim como outras petromonarquias ali do Oriente Médio. Vamos pensar o próprio caso da Arábia Saudita, que é a maior produtora de petróleo do mundo, mas também investe muito na renovação energética porque eles sabem que o futuro não pode se fiar no petróleo. O petróleo ainda vai ser dominante durante muitos anos, até décadas.

Mas ele é esgotável, ele é finito. Ele não vai produzir sempre. Então esses países, várias dessas petramonarquias já estão fazendo isso. O Emirados faz isso. Agora, do ponto de vista geopolítico, nesse momento, é uma vitória também dos Estados Unidos e da Casa Branca o Emirados sair. Porque o preço do barril do petróleo, como está hoje, chegou aí...

a mais de 20 dólares, vamos pensar que antes da guerra estava na casa dos 60 dólares, portanto ele dobrou, estava 60 e tantos dólares e agora chegou a mais de 120 dólares. E sem previsão para recuar no curto prazo, por causa das implicações da guerra. Quando o quarto maior produtor de petróleo do mundo sai do monopólio, da OPEP, isso pode produzir um efeito no preço do barril interessante, quer dizer, que vai ajudar, de certa maneira pode ajudar.

Digamos, o governo dele vai ser um governo de pato manco, em que ele não vai conseguir passar os seus projetos. Então ele depende do preço do petróleo reduzir. Ele depende disso para a sua popularidade voltar a reagir. Hoje, 62% da população americana reprovam o governo Trump. É o maior índice. Quando ele assumiu, lá em janeiro de 2025,

Essa reprovação era de 41%. Hoje ela é 62%. Isso por quê? Porque o custo de vida nos Estados Unidos ficou mais caro. O que uma família comprava antes com 100 dólares no supermercado, há 60 dias atrás, hoje ela não compra nem sombra de...

Pode ser uma pesquisa da Reuters que o custo de vida por família nos Estados Unidos aumentou 410 dólares por mês desde a disparada do petróleo que produz pressões inflacionárias nos alimentos e todos os preços. Veja, cada família americana aumentou o gasto em 410 dólares por mês. Dólares, não são reais. Então tudo isso impacta o governo Trump. Agora, tem um ponto essencial.

que a gente pode discutir mais à frente, que uma coisa é a saída do Emirados do cartel e, portanto, tentar jogar o preço do barril do petróleo mais baixo, o que pode favorecer os Estados Unidos. Outra coisa é se eles vão conseguir fazer isso, porque tem a questão do transporte, tem a questão de como é que esse petróleo do Emirados vai ser escoado pelo mundo. Esse é um ponto que nós podemos levantar.

Agora, você falou exatamente isso, que os Estados Unidos podem vir a se favorecer. Mas a gente vê análises dizendo o seguinte, e os Emirados Árabes Unidos hoje têm um acordo com a China, passando de 100 bilhões de dólares no ano passado só de petróleo.

E aí os Emirados Árabes pedem crédito aos Estados Unidos para não sair da OPEP e mesmo assim saem. Não tem alguma coisa por trás disso tudo, não? Pois é. Deixa eu desenvolver a reflexão ali e vou chegar na sua pergunta diretamente. Então, primeiro é importante dizer que a saída do Emirados, ao contrário do cálculo da Casa Branca, do Departamento de Estado,

pode não, ou certamente não vai, eu diria certamente, produzir o efeito esperado. Por quê? O grande problema, a grande questão, não é só o Emirados ter saído da OPEP. A grande questão é como é que o petróleo do Emirados vai ser escoado. Por quê? Porque o Estreito de Ormuz está fechado. Está fechado pela Guarda Revolucionária Iraniana. Só vai passar petróleo...

e só passa petróleo, desde que eles tomaram o estreito, que o Irã e a Guarda Revolucionária permitem. E eles não permitem o escoamento de petróleo para os Estados Unidos e para os seus aliados. Estados Unidos, Europa, Israel, os aliados dos Estados Unidos. Eles estão bloqueados. E aí eles poderiam passar por via terrestre. Passaria por Oman e Oman está do lado exatamente do Iêmen. Teria que passar pelo Iêmen também.

E o M é controlado pelos RUTs. Os RUTs podem sabotar, não é muito difícil, sabotar os petróleo-dutos, os gás-dutos, os pep-lines. E aí, esse petróleo que passaria bem mais caro, ele pode sequer nem passar. Então, não vai ter esse escoamento. Agora, o outro ponto que você toca é crucial. É isso, é um ponto decisivo, né, Marcelo? Você vai direto no ponto ali. Por quê? Ao contrário também do que se imagina do ponto de vista da Casa Branca,

A saída do Emirados, ela abre uma possibilidade, uma alameda de possibilidades globais, uma avenida global com relação ao Emirados passar.

a vender o seu petróleo, impetruir oã para a China, direcionar parte para a China. E os navios que vão para a China e para a Rússia não só passam pelo Estreito de Hormuz, controlado pela Guarda Revolucionária Iraniana, como passam free. Eles passam de graça, diferente de outros que têm passado para regiões que não são aliadas dos Estados Unidos, Israel e Europa, mas é cobrado um pedágio pelo Irã equivalente a 2 milhões de dólares. Equivalente. Porque eles não aceitam receber em dólar.

eles recebem, a guarda revolucionária recebe em yuan, portanto, ali já tem um golpe no petrodólar, em detrimento do petro-yuan, eles recebem em ouro, são três maneiras de receber, yuan, ouro, o que o Irã faz com o ouro que passa por ali. O Irã aplica esse ouro na Bolsa de Xangai, fortalece, portanto, o principal adversário dos Estados Unidos no século XXI, segundo eles mesmos, que é a China. E terceiro, eles aceitam numa criptomoeda. Se essa...

produção, esse escoamento do Emirados voltar pra China, eles vão poder passar, e vão poder passar sem pedágio, e vão poder passar pro principal aliado do Irã, que é a China e a Rússia. Então, esse é o ponto um. E fazendo isso, essa negociação com a China, nós podemos ver exatamente essa negociação sendo feita em Petro Yuan, em detrimento do Petrodólar, que é, por exemplo, o que a Arábia Saudita já fazia antes da guerra, já negociava com a China direto.

em Petro Yuan. É o mesmo que o Irã já fazia. O Irã é o país mais sancionado do mundo, são mais de mil sanções e eles já negociavam com a China em Petro Yuan. E a mesma coisa que a Rússia já fazia também desde 2022, desde o início da guerra da Ucrânia de 22 e a exclusão da Rússia no SWIFT, negociando com a Rússia, negociando diretamente com a China.

em Petro Yuan. Então isso seria mais um avanço do Petro Yuan e mais uma pancada, eu diria cósmica, nos petrodólares, que são um dos pilares de sustentação do poder americano. Aliás, talvez hoje o principal pilar, né? Exatamente. Quer dizer, os Estados Unidos, onde estão estruturados o seu poderio no mundo? Eles têm dois pilares de sustentação. Eles já perderam o chamado soft power, o poder de influência, de imagem.

Vamos pensar hoje como, por exemplo, no Brasil mesmo e na América Latina e na maior parte dos países do mundo, a China já tem uma imagem positiva maior do que a imagem positiva dos Estados Unidos. Se a gente dissesse isso alguns anos atrás, algumas décadas atrás, poderia parecer impensável, mas isso está acontecendo. Vou dar um exemplo aqui para o pessoal que assistiu o Fantástico, que assistiu o Fantástico de ontem.

Olha, eles estão fazendo uma série de reportagens sobre China e Estados Unidos, a sensação que dá é que o Fantástico virou comunista, tá certo? É algo impensável, tá certo? Tudo bem que eles demoraram aí pelo menos um cartel de século, 26, 25 anos, para ter um correspondente, no mínimo, para ter um correspondente dos Estados Unidos na China. Eles acordaram muito tarde.

a série tem uma série de problemas, mas a ideia, eles comparando como é o custo de vida na China, nos Estados Unidos, bom, o sujeito que está assistindo a televisão, ele diz, olha, a China é melhor que os Estados Unidos, que é uma evidência, agora uma coisa é quando isso passa no fantástico. Então, esse soft power eles já não têm mais. E aí são dois pilares de sustentação. Primeiro, o poder das armas. Os Estados Unidos ainda têm, claro, além de ser a maior potência nuclear do mundo, ao lado da Rússia.

Na verdade, a Rússia tem mais ogivas nucleares em termos numéricos que os Estados Unidos, mas os Estados Unidos têm o maior exército da história da humanidade. Isso não pode ser desprezado. Eles têm mais de 750 bases, são 800 bases ao redor do mundo, bases militares ao redor do mundo, e acordos militares com 130 países do sistema internacional. Então é um poder que não pode ser desprezado. Não obstante...

O que nós vemos é que isso não é suficiente para os Estados Unidos vencerem as suas guerras. Inclusive aquelas que pareciam mais simples. Que, por exemplo, no Afeganistão, onde eles ficaram 20 anos e saíram humilhados, dando o poder de volta, concedendo o poder de volta, justamente para aquilo que eles prometeram aniquilar.

que era o Talebã, com aquelas imagens deploráveis das pessoas dependuradas no avião em Cabu. A mesma coisa no Iraque, eles não conseguiram vencer no Iraque. A mesma coisa agora no Irã, a mesma coisa lá atrás no Vietnã. Então eles têm esse poder todo, mas não conseguem transformar isso em vitórias. Segundo pilar de sustentação, é isso, são os petrodólares. É a hegemonia do dólar como moeda padrão. Veja.

O Trump tem uma declaração muito certeira e atenta que ele diz o seguinte, se nós Estados Unidos perdermos o poder do dólar como moeda padrão do sistema financeiro internacional, é o equivalente a gente ter perdido uma terceira guerra mundial sem sequer ter lutado por ela. E ele está certo. Ou seja, como diz o José Luiz Fiore, o grande analista de relações internacionais, professor Fiore,

Ele diz, olha, os dois pilares de sustentação do poder americano são a bomba e a moeda. No entanto, o poder da bomba não tem se traduzido em vitórias efetivas. E o poder da moeda está cada vez mais frágil, justamente pelo avanço dos petro e wands, e de uma cesta de moedas, não são só petro e wands, em relação ao dólar. Último exemplo, nesse momento nos BRICS, nós estamos vendo, nesse momento nos BRICS, nós estamos vendo...

uma discussão sobre um PIX dos BRICS, que começou aqui no ano passado na cúpula do Rio de Janeiro. Eu estava lá,

Eu estive aí no estúdio da Sputnik falando com vocês no meio do ano passado. E um pix dos BRICS seria um golpe direto nesse poder de sustentação dos Estados Unidos, que é o dólar com moeda padrão. Você acha que na cabeça de Abu Dhabi ficar num cartel liderado pela Arábia Saudita e depois de ter sido atacado pelo Irã diversas vezes, ou seja, quem tinha base militar americana ali naquela região do Golfo Pérsico, botou um alvo no peito?

Ficou pequeno demais para os Emirados dos Árabes Unidos ficar sob um organismo como a OPEP, que é liderada pela Arábia Saudita, na tua opinião, e aí Emirados dos Árabes Unidos podem ter olhado e falado, a OPEP já não é tão segura quanto já foi um dia, vamos sair daqui primeiro do que antes que afunde. Exatamente, veja, muito bem Marcelo, assim, do meu ponto de vista, você pegou também agora, digamos, um ponto nevrálgico, né?

As petromonarquias da Oeste da Ásia, chamada aqui de Oriente Médio, mas o Oeste da Ásia, que é o termo mais adequado, mais correto, o termo não colonialista no Oeste da Ásia, elas estão passando por uma crise existencial, uma reflexão existencial no mínimo. Alguns autores, analistas, como meu amigo José Herbex, por exemplo, dizem que elas vão deixar de existir. Elas não vão ter mais condições de sustentar.

depois dessa guerra no Irã. O Jomer Scheimer, que eu considero o teórico de relações internacionais estadunidense mais lúcido que eles ainda têm lá, um dos últimos grandes cérebros que consegue analisar as relações internacionais com frieza e de uma maneira, uma estratégia arguta.

ele tem a seguinte frase, o mundo, estou abrindo aspas para o Mersheimer, o mundo nunca mais será o mesmo depois dessa guerra no Irã. E não será, não será porque o preço do barril do petróleo dificilmente vai voltar a ser menos de 100 dólares, no curto e no médio prazo, pelo menos. Isso impacta toda a economia global, como nós estamos vendo, o Brasil, os Estados Unidos, enfim, influencia.

prejudica com pressões inflacionárias todos os governos que são incumbentes, ou seja, aqueles que vão tentar a reeleição esse ano no Ocidente, eles vão ser impactados pela alta dos custos. E também com relação, o mundo mudou com relação a um sofisma que foi criado.

de que as petromonarquias árabes eram protegidas pelas bases americanas na região. Como eu disse, os Estados Unidos têm 800 bases militares. Eu trago esse número no meu livro, eu trago esse estudo. Eles têm 800 bases militares em acordos com 130 países do sistema internacional. E a grande parte dessas bases militares, elas estão justamente...

no Oriente Médio ou no Oeste da Ásia. A maior parte está na Alemanha e está no Japão. Também tem na Coreia do Sul, na Itália, os países ocupados depois da Segunda Guerra Mundial, que são, na verdade, protetorados militares dos Estados Unidos. Mas as petromonarquias são um ponto fundamental exatamente para a hegemonia do petrodólar. E qual é a conclusão dessas petromonarquias agora? E que o Emirado chegou à conclusão, porque, como eu disse também, ele foi o país mais atacado.

e que teve mais pontos destruídos pelos mísseis e drones iranianos. É que não dá para se fiar mais na proteção do poder militar americano. Veja, o Irã acertou e devastou 80% das bases militares dos Estados Unidos no Oeste da Ásia. Algo que era impensável do ponto de vista do Ocidente antes dessa guerra. Então essas petromonarquias estão em crise existencial. Olha, não dá mais para se fiar nos Estados Unidos como nosso protetor.

Agora, você acredita que isso possa ser, se não o fim da OPEP mais o início do fim? Aí é mais difícil dizer, né? Como diz, mais uma vez, o professor Fiore, nós estamos num quadro de instabilidade radical.

Então, todos os cenários estão abertos, é um mundo muito estável com a chamada crise do poder americano, crise da hegemonia americana. Na verdade, eles não têm hegemonia já há algum tempo. Como diz o Giovanni Arrigui, eles têm uma dominação sem hegemonia.

Salvo engano, está no capítulo 7 do Adam Smith em Pequim, o livro do Arrigue. É uma dominação, sem não ter mais hegemonia. Mas eles ainda têm o poder e o domínio contra de tudo aquilo que nós falamos. Mas nessa crise, o quadro vira de instabilidade radical. Os Estados Unidos hoje são os responsáveis por destruir a ordem mundial ocidental, baseada em regras, como eles chamam, que eles mesmos criaram depois da Segunda Guerra Mundial.

reafirmaram depois a vitória na Guerra Fria, eles criaram essa ordem ocidental baseada em regras, ordem internacional ocidental baseada em regras, e mantiveram essa ordem e eles mesmos destroem essa ordem hoje. O governo Trump ataca todas as instituições multilaterais criadas desde o pós-segunda guerra mundial, que eles controlam. A única exceção...

Aquele não ataca é o Banco Mundial e o FMI, justamente porque são responsáveis pela manutenção do dólar como moeda padrão. Então, nesse momento de instabilidade, tudo pode acontecer. Há um enfraquecimento direto na OPEP, isso pode abrir terreno para outros países parceiros, como a Nigéria, por exemplo, abandonarem, saírem do bloco, mas nós temos que olhar com muito cuidado antes de fazer esse tipo de previsão.

Você está lançando um livro onde você fala de Estados Unidos versus China. A gente está acompanhando o Golfo Pérsico, um capítulo desse combate, não? Exatamente. Eu diria que todas as guerras no mundo hoje, e mais do que guerras, as disputas em todo o sistema internacional hoje, em cada pedaço, em cada espaço, em cada, digamos, rincão, mas...

isolado do ponto de vista dos poderes maiores, a cada milímetro, na verdade, cada centímetro e cada milímetro do sistema internacional.

está sendo disputado por China e Estados Unidos. Isso só vai aumentar nesse segundo quartel do século XXI. A guerra no Irã, do ponto de vista que eu analiso, ela não tem a ver só com, digamos, o mainstream tem analisado de que ela é uma guerra que a China entrou arrastada por Israel e Benjamin Netanyahu, que é uma guerra de Israel.

e não uma guerra dos Estados Unidos. A guerra do Irã é uma guerra dos Estados Unidos. Porque os Estados Unidos, no que eles pensavam que iam conseguir fazer atacando o Irã de um regime change, como eles dizem lá, um câmbio de regime, uma troca de regime, assassinando as principais lideranças do Irã e enfraquecendo o Irã, tomando o Irã, eles acertaram a China. E também a Rússia, os principais parceiros estratégicos do Irã.

Vamos lembrar que a Rússia, também analiso esse documento no meu livro, ela assinou ano passado um acordo de parceria estratégica, militar e tecnológica com o Irã. Um acordo que vinha se arrastando muito tempo e que só foi assinado ano passado. Não é um acordo como o da OTAN, que se um for atacado, o outro tem que entrar na guerra.

Mas é uma parceria de trocas tecnológicas e militares. E a China, a maior parte do petróleo que a China consome, cerca de um quarto do consumo de petróleo que vai para a China, vem do Irã a preços favoráveis, a preços praticados abaixo do mercado, em Petro Yuan. E a China, como diria mais uma vez o Arrig, no Adam Smith em Pequim,

É a nova fábrica do mundo. Ou seja, dois em cada três produtos industrializados, manufaturados que o mundo consome, são produzidos na China. 75% das manufaturas globais são produzidas na China. Para isso funcionar, a China precisa de petróleo. E quem fornece petróleo para a China?

de maneira unilateralmente a maior fonte e mais barata é o Irã. Então os Estados Unidos acreditavam que acertando o Irã, eles iam enfraquecer a Rússia e principalmente a China. Além das novas rotas da seda passarem diretamente pelo Irã, as novas rotas da seda, que é o principal projeto de política externa do governo chinês, desde a ascensão de Xi Jinping em 2013, quando ele lança as novas rotas da seda.

Então, machucar também, os Estados Unidos pensou, as novas rotas da seda, e enfraquecer, claro, os BRICS, acertando um dos membros dos BRICS, aliado à China, aliado à Rússia, inclusive a Organização para a Cooperação de Xangai, a OCX, em que todos esses três, Rússia, China...

e Irã estão diretamente envolvidos, são participantes também. O tiro saiu pela colátria, como nós estamos vendo. Mas a estratégia é enfraquecer o Irã nessa luta pelo poder global contra a China, um grande aliado chinês no sistema mundo. E aí eu te pergunto, onde o Brasil pode se beneficiar disso tudo? Veja, o Brasil vai sofrer um assédio, já está sofrendo, cada vez maior. O Brasil é um dos principais pontos.

na intensidade por essa disputa pelo poder global. Um dos principais players, vamos dizer assim. Porque os Estados Unidos estão perdendo a guerra contra a China, que é a guerra das chamadas terras raras e minerais críticos, que é o termo mais adequado. Porque as terras raras não são nem terras e nem raras. Não são terras porque são minerais. São aqueles 17 elementos que ficam ali abaixo, tabela periódica. E também não são tão raros. O que é raro, o que é difícil é extrair eles players?

de maneira que o custo de extração, de produção, não seja maior do que a própria inviabilidade de fazê-lo. E os Estados Unidos estão perdendo para a China porque a China é a maior reserva, em primeiro lugar, de minerais críticos no mundo, e segundo, é ela quem detém o monopólio da cadeia, praticamente o monopólio.

O Japão está muito avançado nisso, enfim, outros países. Mas ela detende cerca de 85% a 90% da cadeia de produção dos minerais críticos. Então, os Estados Unidos estão perdendo essa guerra. E por que os minerais críticos são essenciais? Não é só por causa da economia global, é porque eles fazem as guerras do século XXI. Os mísseis da OTAN jogados pelo mundo afora, eles são feitos pelos minerais críticos. Os drones, os mísseis, enfim, do mundo todo.

Eles passam por essa tecnologia. E aí entra o Brasil. O Brasil é a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos do mundo. E veja, o Brasil, ao contrário da China, tem só 30% do território mapeado. Ainda falta 70% para a gente mapear. Ou seja, o Brasil pode ser a maior reserva do mundo. Ao passo que na China, cada polegada do território chinês, cada milímetro, já foi mapeada. Isso foi uma estratégia do Deng Xiaoping nos anos 80.

em que eles pensaram ali, fizeram uma estratégia para fazer o controle dos minerais críticos do mundo. Então, como os Estados Unidos estão perdendo essa guerra para a China, e a China, depois do tarifácio contra a China declarado pelo Trump, retalha os Estados Unidos, dizendo que não vai mais exportar terras raras e minerais críticos para os Estados Unidos, com fins bélicos, isso não pode ser mais exportado. Os Estados Unidos olham para onde? Para o Brasil. E pode ser o escape deles. Então o Brasil vai ser...

cada vez mais assediado, nós já tivemos essa...

A única miradora brasileira, a Serra Verde, lá em Goiás, que foi... É um assunto que ainda vai dar pano pra manga pra justiça brasileira, mas vai botar pressão aqui em cima da gente, né? Isso. E ela foi entregue pros Estados Unidos, pra uma empresa americana, que não é qualquer empresa. É uma empresa intimamente ligada ao Deep State, ao Departamento de Estado. O dono majoritário dessa empresa que comprou a Serra Verde é o secretário de comércio do governo Trump. Nada mais e nada menos que isso.

E a maior parte, quase 100% das exportações da Serra Verde eram para a China. Agora elas vão ser diretamente todas...

transferidas para Washington. Então o Brasil tem muito acento. Agora, para fechar, é muito importante dizer que também isso abre oportunidades para o Brasil. O Brasil precisa de um projeto de Estado, um projeto de nação que hoje não tem. Isso passaria diretamente pela construção de uma estatal, que seria a Terra Brás, que tem sido discutido, de uma estatal para poder se controlar e realizar aqui.

o processo de cadeia produtiva dos minerais críticos. Isso jogaria o Brasil num outro patamar. O Brasil poderia sair de uma potência regional para uma potência global. Agora, os interesses internos também, e externos do império, digamos assim, são muito fortes para que isso não aconteça. Mas essa é uma saída do Brasil. Portanto, uma estatal, a Terra Brás, que seria uma continuação do petróleo é nosso dos anos 50. Quer dizer...

Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e elas são o petróleo do século XXI. A gente teve o prazer de escutar a análise, mais uma vez, do Pedro Costa Júnior, ele que é cientista político, analista de relações internacionais e autor do recém-lançado livro Estados Unidos vs China, a luta pelo poder global pela Editora Escuta. Pedro, muito obrigado mais uma vez por ter aceito conversar aqui com a gente do Mundioca.

Espero que você tenha gostado dessa conversa que faz parte da nossa nova realidade do mundo. Sempre um prazer estar no Mundioca, sempre um prazer estar contigo, Marcelo. Obrigado pelo convite. Bom, o meu livro está disponível no site da Editora Escuta e, claro, na Amazon, né? Enfim, essas plataformas maiores. Vale a pena, porque ali a gente aprofunda tudo isso que a gente discutiu aqui. Muito obrigado. Um grande abraço e até a próxima. Até a próxima, valeu.

O nosso programa está chegando ao seu final. E com ele, vem os nossos recados. Nos dê cinco estrelinhas no Spotify. Nos ajude a alcançar outras pessoas. A gente está nas principais plataformas de áudio. É claro, nós somos o melhor podcast de geopolítica. E se você estiver no Rio de Janeiro, sintonize 80,5 para ouvir o Mundioca durante a programação. Beijos! Tchau, tchau, pessoal. Até a próxima.

Mundioca, o podcast que fala sobre as raízes do que acontece no mundo.

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