Como saber se vale a pena continuar, com Gabriela Medvedovsky
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a atriz Gabriela Medvedovsky para uma conversa sobre vocação e os caminhos que nos fazem continuar mesmo quando tudo parece incerto. A partir de sua trajetória, Gabriela reflete sobre os desafios de seguir na arte, os momentos em que se sentiu distante de si mesma e as transformações provocadas pelas personagens que interpretou ao longo de sua carreira.
O papo também passa por autoconhecimento, importância de aprender a se escutar sem se perder nas expectativas dos outros e o que significa permanecer fiel a quem se é.
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Como que a gente volta pra nós mesmas, Gabi? Quando parece que o mundo está nos dizendo que ser nós mesmas talvez não seja o suficiente.
Que você é o que você é, não o que os outros querem que você seja. Que a ideia de não ser atriz, a ideia de não trabalhar com arte era muito mais dolorida do que aquilo que eu tava passando, que já era muito dolorido. Eu me sentia perdida dentro de mim mesma.
O que é ser mulher, Gabi?
Você aprende a escutar. E você tem que aprender a escutar e entender o que você vai absorver daquilo que você escuta. Eu acho que a gente volta pra gente mesma quando a gente se conhece. O processo de ter feito a Juquinha mudou muito a minha vida pessoal e a minha vida profissional também. Bom dia, Gabi!
Eu nem acredito que eu tô aqui. Eu fiquei meio arrepiada falando.
Eu fiquei muito simbólico, né?
Muito simbólico.
355 episódios depois do que o Bom Dia, Óbvios já foi. Que não começou aqui, né?
Não, não começou aqui. E não começou com essa Marcela. E não era essa Gabi.
Definitivamente não era.
Definitivamente não. Tá, deixa eu explicar. Vamos situar, vamos situar.
Explica.
Eu e Gabi, a gente se conhece há mais ou menos uns 8 anos. O que significa 3 vidas atrás. Então é antes do Bom Dia Óbvios. Tanto que eu te enviei o primeiro episódio. E você sempre muito doce, muito gentil. E esse encontro de cancerianas sempre muito especial. Porque a gente tem uma grande amiga em comum. Que é a Guide. Beijo, Guide. E de lá pra cá, sei lá, tudo aconteceu nas nossas vidas. De carreira, de mulheres que nos tornamos.
Nos conhecemos muito meninas mesmo, né? Assim, olhando pro passado. Mas pra gente começar também a apresentar você para as ouvintes, vou chegar numa história recente. Como que a Juquinha chegou até você?
Olha, a Juquinha chegou através de um convite para um teste inicialmente. E que quando eu li o teste, eu falei, meu Deus, é minha! Eu não tive dúvida alguma.
Você lembra qual era a cena do teste?
Sim, era a primeira cena. Era a cena em que na novela eles chegavam no hospital. E aí ela se deparava com um hospital público, com muitas meninas grávidas na adolescência. E era a primeira, o primeiro choque de culturas que mostrava da diferença da Juquinha, que é uma menina privilegiada, trabalhando na polícia e começando a acessar lugares onde ela ainda não acessava. E aí o final era o personagem do Rômulo, Paulinho, dando uma zoada nelas, tipo, olha só, isso aqui é super normal, tá?
Só vê se não sai do salto, não cai do salto. E aí ele tromba com a Gerlúcia, é a primeira vez que ele passa pela Gerlúcia. Ela tá, a Gerlúcia tá sentada, ele passa por ela Quase não vê, ele fala, só vê se não cai do salto. E ela fala, tá tudo bem, detetive, eu tô de bota. E aí eu lembro que eu fui, eu pensei, eu vou de bota, eu vou de bota. E aí no teste eu ainda falei, tá tudo bem. Era sentado, né, não era com movimentação. Aí no teste eu falei, tá tudo bem, eu tô de bota.
E botei a bota assim em cima da mesa, bem provocativa. E foi uma coisa que ficou muito na Juquinha, assim, dessas provocações, dessa irreverência assim dela. Às vezes passa até um pouco do limite da provocação dela.
É, que é um pouco diferente de quem você é.
Bem diferente, né?
Você pegou um pouco emprestada essa provocação dela pra sua vida?
Ai, eu deveria pegar mais.
Eu sei, eu sei.
Eu queria, eu queria, mas eu não consigo, assim. Mas eu acho que ela me fez pensar, ter esses pensamentos mais rápidos na minha vida, assim. Talvez eu não tome a atitude, mas o pensamento já tá vindo, assim, dessas reações. Sou uma pessoa que filtro muito tudo que eu vou falar de tudo que tá passando por aqui, assim.
E onde a Gabi estava na vida dela no momento desse teste?
Em outro lugar também. Impressionante, assim. O processo de ter feito a Juquinha mudou muito a minha vida pessoal e a minha vida profissional também. Eu tava morando em São Paulo, tava vindo de um momento de 2 anos sem gravar. Que foi muito difícil, porque todos os projetos que eu ia fazer davam na trave, não era aprovada. Mas também foi um momento de muita reconexão. Foi difícil, foi dolorido. Eu passei por momentos que eu fiquei muito mal mesmo, assim.
Deu uma emburacadinha, mas foi muito importante pra mim, pra eu me acessar. Porque eu acho que eu tava um pouco desconectada.
Foi uma sequência de quase?
Foi, muitos quases. Muito. 2 anos de quase. 2 anos de é aprovada, não é aprovada não. Mudamos de ideia, mudou a personagem, não é mais assim.
Não sei o quê. Nossa, e é muito louco, né. Porque ninguém quer ficar num papo de positividade tóxica. É péssimo quando você tá nesse buraco e vem alguém e fala, o que é seu está guardado, vai chegar a sua hora. Você quer falar, não, quero que chegue agora.
Mas você se agarra nisso, né. Você fala, não. Não pode ser a vida inteira assim. E eu até pensei, será que então, de repente, eu tenho que fazer outra coisa? Será que é atriz mesmo que eu tenho que ser?
Você cogitou?
Eu não consegui cogitar. Eu tentei. Mas eu não consegui.
Porque se não atriz, o quê?
Porque a ideia de não ser atriz, a ideia de não trabalhar com arte era muito mais dolorida do que aquilo que eu tava passando, que já era muito dolorido. A ideia de... Tirar isso da minha vida era, acho que, uma ideia de fracasso, uma ideia de infelicidade. Porque eu não ia conquistar a alegria e a satisfação que é estar em cena.
Era mais infeliz ser realizada fazendo algo que você não queria do que a infelicidade de estar no quase daquilo que você sempre quis? E é, né? Acho que a arte, né, vocês atrizes... Eu sou uma grande admiradora, você sabe que não é pouco. Vocês não trabalham com atuação, vocês são essa atuação. Vocês são atrizes. É algo muito, muito visceral essa capacidade de colocar no seu corpo físico uma outra história que não te pertence. Porque você veio também das Five.
Que... Vamos combinar, foram 2 anos de quase, mas temos também só um Grammy antes, né.
É. E aí, isso era uma das coisas que eu pensava, assim. Eu participei de projetos muito legais. Eu tive a oportunidade de viver personagens muito maneiras. E tive conquistas maneiras com essas personagens. E isso não foi à toa. E eu não poderia também esquecer disso e pensar, não, tá tudo acabado. Foi importante pra eu crescer, assim, pra eu alcançar uma maturidade que eu não tinha também.
Engraçado que as duas personagens são um mergulho no feminino. Porque, aí me corrija, por favor, amiga, mas é uma das primeiras cenas que você dá à luz no metrô?
É a primeira sequência, é. É o primeiro episódio da Malhação, é toda a sequência de como ela tem o filho. Num metrô, num vagão do metrô. E termina com ela dando à luz.
Adolescente?
Adolescente. E você sabe que foi a primeira cena que eu gravei na minha vida. Foi o meu primeiro set de filmagem da vida.
Você tá brincando? Juro. Meu Deus!
Eu tava apavorada. E porque assim, eu não conhecia nada, nem ninguém. Então eu entrei naquele set, eu não sabia como funcionava um set de filmagem. E você entrar no seu primeiro set, ser no metrô de São Paulo, de verdade, cheio de figurante, as pessoas... Vinham, vinha a galera da caracterização, tocava em mim, tocava no meu cabelo, tocava na minha roupa. Eu ficava, por que as pessoas tão me tocando? Tudo era novo. E eu acho que eu devia estar, tipo assim, ó... Eu devia estar, tipo, num parque de diversões.
Você já conhecia as meninas?
Sim, a gente já se conhecia. Não, a gente se conhecia do processo de preparação. Mas eu não conhecia ninguém de ninguém. Foi todo mundo, todo mundo era novo pra mim. Nossa!
Você chega em casa nesse dia e pensa o quê?
Não, sou um fracasso. Quem que me convidou pra estar aqui?
Tipo, quem que eu convidei? Eu achei que agora vinha o arco do herói.
Calma que foram dois dias de gravação. No primeiro eu cheguei assim: fiz tudo errado. Eu sou uma farsa. Quem foi que caiu na minha lábia?
Nossa, como é que enganei vocês? Eu sei essa sensação. Fui longe demais com essa brincadeira.
Por aí. Mas aí no segundo dia foi muito legal porque Era uma sequência muito grande, então a gente precisou de 2 dias pra gravar. E no segundo dia que foi, de fato, o parto, que foi a parte mais emocionante. Porque no início era muita tensão e muita técnica, né, que eu não tinha. Porque era nova no que tava fazendo. Aí, o segundo dia foi muito maneiro. E a gente terminou muito feliz, assim, muito realizada. E muito, tipo, nasceu! Agora bora trabalhar, tem 203 capítulos.
Apenas! E um retorno do público gigantesco. Foi a temporada que trouxe de volta o apego à obra Malhação que a gente tinha lá com o Gigabyte, podemos dizer assim.
É, com a múltipla escolha.
Ah, não fala múltipla escolha, meu coração fica meio quente.
Não é?
Nossa Senhora.
O Professor Pasqualetti?
Sim!
É isso, né? Quando a gente fala esses signos, né? A gente lembra com um carinho tão grande. E eu fico imaginando que agora as adolescentes da época que a gente fez as 5, elas também devem pensar assim, né, da nossa Malhação. E eu fico muito feliz com isso, porque eu acho que também marcou uma geração igual o Múltipla Escolha marcou a gente.
Não, sem dúvida. E elas devem te encontrar. E vai ser um carinho um pouco eterno, tipo o que eu tenho pela Sandy.
Aham. E é muito legal, porque várias vezes eu encontro algumas meninas, algumas pessoas falam, nossa, eu acompanho você desde Malhação. E eu falo, caraca! Faz tempo, né?
Faz quanto tempo?
9 anos, foi 2017.
Então talvez ela tivesse 11, hoje ela tem 20.
Muda tudo, muda tudo.
É, às vezes vem uma ouvinte falar comigo e ela tem 22 anos, só que o programa tá fazendo 7 anos agora, então ela tinha 15 quando eu comecei. É uma doideira.
Não, e é uma maravilha essa menina com 15 anos poder ter tido acesso a Tudo que você falou nesses 355 capítulos que a gente não teve.
Não, tudo que eu ouvi, acima de tudo. Porque se pra mim estar sentada aqui ouvindo tudo que eu ouvi dos meus— calma, agora, peraí, a gente é de humanas. Quantos anos? Eu comecei com 28 o programa. Se dos 28 até agora os 35 esse programa mudou a minha vida, imagina você se fazer. Aliás, tem uma história muito legal, vou contar de um ouvinte, porque o nome dele é Alexandre. Alexandre, você foi citado, olha que legal como eu escuto as histórias que vêm.
O Alexandre, ele é um homem trans e ele dividiu comigo que dentro da transição dele e para ser um homem melhor, o Bon Jovi foi essencial para ele se entender. Aí, amiga, é o meu Grammy, né?
Com certeza! Não é? Nossa! Ai, já tô emocionada! Eu também fico! Ai, para! A gente é canceriano, não pode botar as duas juntas.
Porque a gente não sabe o tamanho do que a gente tá fazendo.
É! E chega longe. A gente acha que não, mas chega muito.
Chega muito mais longe. Às vezes a gente se apega a isso. São esses dias em que a gente se sente um fracasso. E vão ter dias, eu sei exatamente a sensação de chegar em casa e falar, nossa, eu mandei muito mal, eu fui péssima. E a cena é linda, você tava muito bem. E é inesquecível. Então vou trazer um pouco pra cá, porque eu imagino que seja muita emoção equivalente a muitas das mulheres e meninas que se viram nesse amor do nosso casal louquinha.
Quando que chega pra você no roteiro, na personagem, que você e a Alanis iam viver uma história de amor?
A gente não sabia, né. Quando nos convidaram pra fazer as personagens, isso não era uma... Acho que não tava nem na história ainda, pelo que o Agnaldo comentou. Porque isso foi uma ideia que ele teve depois, inclusive. Porque a ideia inicial era o Ferretti ser a representação da intolerância, né. E o casal do Leonardo e da Vivi confrontarem isso.
E aí, ele falou assim... Com a maravilhosa Gabriela Lohan.
E com o Pedrinho, maravilhosos os dois.
E o Pedrinho também, mas aqui... Gabi, inclusive, está devendo uma presença no sofá. Vou cobrar publicamente!
Cobre!
Amiga, só uma claquete importante. Você acredita que quando eu entrevistei a Gabi em 2022, a gente tava falando muito sobre você jogar as coisas pro universo. Ela falou, eu vou voltar no seu programa sendo protagonista de novela.
Maravilhosa.
Maravilhosa. Continue, por favor.
Então, aí o Agnaldo propôs esse conflito entre a intolerância e esse casal. E aí ele falou, e se eu dobrar a aposta e colocar a outra filha também provocando esse homofóbico? E aí surgiu essa ideia de juntar a Lorena com a Juquinha, porque inicialmente isso não iria acontecer. E aí, a gente começa a ouvir esses boatos na preparação. Aí eu falei, Halane, você ouviu falar que a gente vai ter? Ela, pois é, não sei. Aí, depois chegaram os textos.
E a gente, de fato, viu que elas... A gente leu a primeira cena, que era delas se conhecendo. E era uma cena tão linda, assim, tão bem escrita. E que depois foi tão bem dirigida. E desde que a gente recebeu, assim, a gente... Sentou com a Beta, nossa preparadora, e pensou assim, como é que a gente vai contar essa história, né? A gente sabe que o Brasil não é um país fácil, é um país conservador. E que historicamente, casais LGBT têm... Não foram assim, teve um casal que foi explodido, né?
O Vale Tudo?
Não, Torre de Babel.
Ah, mas também, também é versão de Vale Tudo. Mas é que não tem a ver com isso.
Foi um acidente de carro na primeira versão que... A irmã do Marco Aurélio falece.
É, mas não foi exatamente homofobia. Tem um episódio da Rádio Novelo maravilhoso destrinchando. Na verdade, foi uma homenagem a um casal que eram dois homens, na verdade. Um deles faleceu de AIDS durante a epidemia que tivemos. E a família não quis dar nada pra ele. Então foi uma maneira da primeira versão de Vale Tudo de honrar essa história. A gente coloca no episódio o link. É lindo esse episódio da Rádio Novelo. Mas eu não lembrava da Torre de Babel. De Babel, explodiram.
Sim, é, não, e outros exemplos, né, a Natália Timberg e Fernanda Montenegro. Então, à primeira vista, teve uma questão, eu tive assim, como é que será que vai ser aceito? Mas eu acho que a gente também, desde o momento que a gente leu, a gente viu que ele era muito bem construído assim, que tava com muito cuidado, e toda a equipe tava muito alinhada em contar uma história de amor antes de qualquer coisa. E aí, eu acho que é aí que se ganha em todos os lados.
Porque todo mundo se conecta com amor. O amor é universal. E aí, não importa quem é que tá amando. Se é genuíno, se é honesto, se é naturalizado.
A gente viu elas se apaixonando. Era muito bonito.
E quem nunca se apaixonou assim?
Não, elas entrando naquele apartamento é uma cena, gente! Eu falei, gente, é muito fofas! Muito fofas! Eu gosto também da viagem pra serra. Com a lareira. E aquele momento que assim, você não precisa de mais nada.
Você sabe que a gente gravou em Vargem Grande no verão, né? Eu amo desses detalhes. Porque vocês não sabem, mas a gente sofre às vezes.
Vocês estavam derretendo.
Derretendo, casaco e lareira. E cobertor, e fica juntinho.
Meu Deus!
Mas é a arte, né?
De fazer cinema. Tudo pela arte. E você e a Alanis tinham algum nível de... Algum pacto pra aquilo ali ser o mais natural possível. Porque, claro, a gente tem de um lado uma violência, de um preconceito. Mas a gente tem também uma fetichização. Que muitos casais de mulheres sofrem violências descomunais, assim. Quantas vezes, assim, tô com amigas minhas que contam: Cara, o cara acabou de vir aqui e perguntar se pode ir pra casa com a gente.
Que ódio.
Mas como entrar, como fugir desses dois lugares também?
Acho que a gente nunca teve um pacto verbalizado sobre isso. Mas eu acho, eu sempre falo que eu sinto que eu e a Alanis, a gente tem uma maneira muito parecida de trabalhar. E uma sensibilidade que conversa muito, assim. Apesar dela ser taurina, ela deve ter alguma coisa pisciana ali. Não sei se é um ascendente, uma lua, porque ela é muito sensível.
Ela tem olho de ascendente em Peixes.
Ela tem, ela tem. E eu também tenho ascendente em Peixes.
Eu também, amiga, lembra?
É verdade, a gente é igual. Exato!
Ai, que da hora! Eu queria ter um olhar meio Emily Ratajkowski, sabe? A Em Rata, que é aquele olhar meio matante. Mas a gente tem esse olhar meio etéreo, né?
É lindo, nosso olhar é lindo.
E qual é a sua lua?
Câncer.
Ah, não, puts, não. Aí eu te atropelo, porque a minha é em Áries.
É.
Aí eu já chego... Você te salva, né? Eu acho que sim, eu acho que sim. Nem sempre.
É, eu digo, que bom que eu sou atriz.
É verdade, você sente tudo.
Tudo, tudo. Eu sei. Deu um minuto de silêncio aqui.
Deu um minuto de silêncio. Não, porque inclusive a Glenon Doyle, que tá... A gente tá esse livro aqui, porque eu vou falar dele logo mais. Ela fala que ela demorou muito pra entender que o superpoder da filha dela era sentir demais. Porque eu não sei o que que você ouviu na sua infância, mas eu era chamada de manteiga derretida. E eu sempre tentei regular muito as minhas emoções, porque eu entendi muito cedo que eu passava do ponto.
De choro. E não é só choro, acho que isso as pessoas não entendem também. É também de indignação, é chorar de raiva também. É sentir.
É porque no final, a gente transborda, né. No final, é o choro que sai. Mas passa por muitos processos antes até esse choro sair. E às vezes nem a gente entende, principalmente na infância e adolescência, por que isso tá acontecendo. Então às vezes eu chorava e falava, por que eu tô chorando? Eu não sei por que eu tô chorando. Eu não tinha esse controle e compreensão, assim, do que tava acontecendo emocionalmente. Ou por que aquilo tava me atingindo. Porque tudo passa, né, transpassa a gente com uma facilidade.
O que te ajudou a se regular? Porque também é muito difícil sentir que você tá fora do controle das emoções. Apesar de ser, sim, um superpoder sentir muito. Porque a nossa habilidade... De se colocar no lugar do outro também, eu acho que é uma coisa muito bonita. Muito. E somos boas amigas.
Com certeza.
É, porque a gente consegue sofrer junto, né.
A gente é altruísta mesmo nesse lugar, né. E as pessoas nos procuram também, porque sentem esse lugar de conforto, de escuta, né.
É, e eu ainda tenho a Lua em Áries, então eu levo muito a sério. Então assim... Gente, não recomendo mexer com um dos meus. A gente vai ter um problema, assim. Porque eu sou muito legal até você mexer com alguém que eu amo, assim. Aí a gente vai ter um problemaço. Eu, na verdade, às vezes eu acho que eu fico mais mexida quando fazem algo com alguém que eu amo do que comigo. Porque eu sinto que eu sei me defender. Não dos meus amigos, dos meus amigos eu sei me defender muito, que eu seria muito mãe, né. Mas eles não, meus pupilos. Mas você entende a sensação?
Entendo, entendo total. E parece que tá machucando a gente, né, quando tá machucando um dos nossos. Parece que é na gente a facada.
Será que agora eu começo o episódio? Porque eu não vi meu roteiro até agora. Ai, amiga, meu Deus! Eu sei o que eu vou puxar. Do meu roteiro. Eu quero falar sobre um termo que eu não sei se eu sei pronunciar, que é simulev. Sim, como que se pronuncia?
Simulev.
Simulev. O que é simulev, Gabi?
Simulev é coloquialmente no hebraico, é, por exemplo, se eu sou uma professora, tá dando aula e eu quero atenção das pessoas, eu falo simulev. Todo mundo junto. Ou se eu sou um cantor, eu tô num show e eu quero que todo mundo cante comigo, eu falo, simu lev! Todo mundo canta junto. Então é uma maneira de dizer, de agregar. Mas na tradução literal quer dizer como o coração. Porque lev é coração em hebraico. Então é uma maneira de dizer que você coloca o coração naquilo que você faz, geralmente junto com as pessoas.
Que bonito! Então é uma ideia de união, talvez um pouco de presença.
Presença, com certeza. Volta pra cá. Sim, e com coração, com amor, com afeto.
Claro, vem do hebraico. Mas quando você tava no balé, já era um termo que se utilizava no seu dia a dia?
Acho que sim, acho que sim.
Eu sou muito fascinada por como as artes vão se encontrando. E pra mim é pouco surpreendente, mas não menos admirável, que você vá do balé pra carreira de atriz e agora a música. Que coisa linda! A turnê com a novela. Mas falando um pouco do balé, porque o balé não é só uma atividade, é um uma formação de quem se é. O balé te ensinou mais disciplina ou mais obediência?
Nossa, que pergunta maravilhosa! Eu acho que no início eu achava que era mais obediência, e depois eu entendi, mais madura, sobre a disciplina do balé. Porque eu acho que quando eu era mais jovem, eu também Queria muito questionar, porque na minha aula não podia ir com o cabelo bagunçado. A minha professora pedia pra gente ir com o uniforme correto. E eu era a que queria ir de camiseta, de calça e toda... Tá vendo?
Na sua pequena revolta que cabia.
É, mas com o tempo eu entendi a disciplina e entendi o quanto essa disciplina, essa formação de caráter que o balé tem, me agregou na vida e me preparou para muitos dos desafios que eu encontrei ao longo do meu percurso, assim. Te deixa preparado, assim, para as situações que você vai encontrar. Você aprende a escutar e você tem que aprender a escutar e entender o que que você vai absorver daquilo que você escuta, porque o balé tinha há uns anos atrás, uma pedagogia às vezes um pouco difícil, assim, alguns professores e alguns mestres que eram duros, que eram grosseiros.
E às vezes vem de um lugar de carinho e amor, que a pessoa quer que você cresça, que é para ser de construção, mas depende do aluno que você tá lidando, né? A pedagogia De fato, às vezes você não vai conseguir fazer a pessoa crescer e evoluir nessa dor. Mas então você precisa aprender a escutar e também entender o que que você vai levar daquilo para você crescer ou não, porque aquilo pode te destruir.
É porque tem muitas pessoas dentro de uma sala e é o mesmo método para diferentes pessoas, sendo que talvez uma pessoa precise mais de rigidez Outra pessoa precisa de mais carinho. Outra pessoa talvez tenha o tempo dela de entender um passo ou uma memória do corpo. Eu tenho total trauma do balé por conta de corpo. Eu lembro que a minha professora falou: Gabi, eu não devia ter mais do que 8 anos, tá? A professora falou na sala, na frente de todo mundo, que com o tamanho da minha bunda jamais sairia um bon plié.
É isso que eu me refiro.
E como que fica a relação com o corpo? Complexa, porque... Já se cobrava magreza? Com quantos anos você tinha?
Eu acho que eu comecei a me dar mais conta disso quando eu comecei a entrar na puberdade, que é quando o corpo começa a mudar, né. E aí, os corpos começam a ficar diferentes. Porque as meninas que são magras permanecem magras, não cresce peito, não cresce bunda. E aí, você começa... Vem a menstruação, e você começa a inchar.
O que tá acontecendo? Esse peito não era o acordo! A gente combinou outra coisa, corpo. Por que que você tá fazendo isso comigo? Parece que o corpo tá nos traindo.
É, e aí eu cresci nesse padrão, né, querendo esse padrão. Eu queria ser reta, não queria ter peito, não queria ter bunda, queria ser esguia, longilínea. Mas sorte que a minha família, assim, minha mãe sempre falou, você é linda. Mãe judia, né? Você é linda, meu amor, você é linda. Ai, que Então eles nunca...
Porque às vezes a casa é pior do que o ambiente externo.
É. E a minha professora, nesse sentido, ela não era rígida. Ela era rígida em todos os outros sentidos de cumprir prazos, de cumprir horários, de cumprir a etiqueta do balé. Já fui exposta em sala de aula, assim, tipo, peraí, gente, vamos lá que a Gabriela não decorou o exercício. Decorou? Então tá, então vamos. Nesse lugar de exposição, não nesse de gordofobia. Não acontecia na minha escola, graças a Deus. Mas me perdi, onde que a gente tava?
Não, a gente tava no balé, você tá exatamente onde agora eu entro. Fica doido, agora é minha cena.
Pô, ascendente em Peixes, né?
Não, a gente tá juntinha. Como foi se despedir da Keyla?
Horrível, horrível. Eu lembro que no último dia de gravação, a gente saiu da gravação e você olhava e falava assim, a gente não quer se separar, vamos Vamos tomar uma cerveja. Aí a gente foi pra um bar. Aí o bar fechou. Não, não, vamos naquele ali. Vamos na padaria. Aí a padaria fechou, a gente não tem mais o que fazer, né. Aí eu falei, Daphne, dorme lá em casa. Aí a gente foi dormir junta. Porque a gente não conseguia se separar. Foi muito difícil.
E vocês se reencontraram?
Sempre, né. Em todos os meus projetos eu reencontrei a Daphne.
Você tá brincando?
Todos. Porque depois a gente refez As Five. Quer dizer, fez As Five, né. Fez o spin-off das Five, 3 temporadas. Eu fiz uma novela das Seis, que ela fazia a minha irmã. E a gente fez agora essa novela.
Que lindo!
E a gente vai fazer uma peça de teatro.
Ai, que demais! Pode falar mais?
Pode, super!
Então conte mais.
Vai ser uma peça. Ai, a gente tá muito animado. Amanhã a gente começa as leituras.
Uau, que demais!
E vai estrear aqui em São Paulo no Teatro Tuca Arena. Vai ser uma peça escrita pelo Gustavo Pinheiro, direção do Gui Gobbi, supervisão da Debinha Allan. Parte de uma pergunta. O nome da peça é Pergunte Alguma Coisa. E aí, a pergunta que se faz é uma mulher que precisa de uma desculpa pra chegar atrasada no trabalho. Então ela pergunta, me dê uma desculpa pra eu chegar atrasada no trabalho.
E aí... Puts, muito bom!
Vai acontecer coisas.
Nossa, não sei nem te explicar, né, os encontros das águas. Por quê? Esse livro que eu trouxe justamente pra... Eu queria brincar com ele, com você. Porque ele é da Glenon Doyle, que escreveu... Você leu Indomável, o primeiro livro dela?
Não li.
Bom, Indomável é o primeiro livro dela. Que é o motivo pelo qual eu tenho um guepardo tatuado. Porque ela abre com essa anedota que ela foi ao zoológico com as filhas dela. E existia esse guepardo. Que a vida toda conviveu com um labrador. Então, o guepardo se comportava como um labrador. Pedia pra sentar, o guepardo sentava. E aí, pedia pra ele deitar, rolar, o guepardo era um cachorrinho. Só que ela tem um lapso no qual ela olha pro guepardo e o guepardo faz um olhar meio selvagem.
E aí, ela faz essa... Esse lembrete de que não importa se te criaram e te ensinaram a vida toda que você é um labrador. Você é a porra de um guepardo. Lembra que você é um guepardo. E aí, é pra eu lembrar que eu sou um guepardo.
E aí...
É muito bom.
É muito bom, porque você é o que você é, não o que os outros querem que você seja.
E tem também a coisa do adestramento. E foi um período da minha vida em que eu tava muito adestrada, né, amiga?
A intimidade, eu amo.
Tava adestrada, né? E acontece, acontece. Você foi lá para casa depois, né? Você sabe, eu sei. E aí ela tem esse podcast com a esposa dela, que é a Ambie Wambach, que é, gente, uma ex-jogadora de Rock? Ai, eu não quero falar besteira. Mas é a mulher dela, que é uma ex-atleta olímpica. É um casal perfeito. Perfeito, perfeito. E a Amanda Doyle, que é a irmã dela. E aí, o livro é todo feito na base de perguntas. E não respostas. Então qual é a pergunta que você quer fazer?
Então como descobrir o que eu quero? Como amar a minha pessoa? Enfim, e aí... Sexo, estou fazendo isso direito? Não vou te perguntar isso, fica tranquila. Mas essas respostas são boas!
Você sabe que eu amo esse assunto? E em 2018, eu participei de um coletivo que a gente fez uma peça de teatro baseada nos Arcanos Maiores do Tarô. E aí, a gente atribuía assuntos pra cada um dos Arcanos e criava uma cena em cima disso. E um dos Arcanos que eu trabalhei foi o Arcano do Papa. E eu falava exatamente sobre isso, eu fiz uma cena. Era um monólogo meu sobre perguntas e sobre perguntar. E aí, eu ficava fazendo perguntas.
Eu tinha um texto que era, tipo, um bife assim, só de perguntas. Que eu falava assim... Tipo, eu tô fazendo isso bem? Eu tô fazendo isso mal? Será que eu faço isso? Será que eu não faço isso? E era... É isso.
E é exatamente porque a gente fica buscando resposta. Mas às vezes as perguntas vão nos levar...
Exatamente, é sobre isso.
E aí, eu até... Engraçado, porque antes da gente começar eu até já tinha separado. Eu pensei muito sobre esse retorno a si. Seu. E você falando desse período dos quase, como que a gente volta pra nós mesmas, Gabi? Quando parece que o mundo está nos dizendo que ser nós mesmas talvez não seja o suficiente.
Eu acho que a gente volta pra gente mesma quando a gente se conhece. Às vezes o mundo não quer que a gente se conheça. Ele não nos dá as ferramentas pra gente entrar em contato com a gente. Então acho que antes da gente voltar pra si, a gente tem que saber quem a gente é e aonde que a gente quer chegar, pra gente conseguir se conectar com isso. E foi isso que eu senti, assim. Eu me sentia perdida dentro de mim mesma. Eu falava isso pra minha analista, eu falava assim: Eu tô perdida em mim. E eu não tô aguentando estar em mim, porque eu tô chata.
Eu sei.
Eu não quero estar aqui, eu não quero ser essa pessoa. Então como é que eu posso voltar pra uma coisa que eu não quero?
Eu sentia.
Que eu tinha pego um móvel, o móvel Gabi, que tinha muitas gavetas. Eu tinha aberto todas as gavetas, tirado tudo, tacado pra cima, que tava tudo uma bagunça. Eu falei, e agora? Eu preciso organizar.
O clássico, né? Vou arrumar meu armário. Aí você, quando você vê toda bagunça, fala, acho que vamos parar por aqui.
E esses 2 anos foram muito importantes pra isso, Má. Porque foi esse processo de voltar pra si, foi um processo também de reconhecimento, assim. De reconhecimento da Gabriela que já morreu. O luto da Gabriela que já morreu, que já não é mais aquela Gabriela. Entender quais são os meus novos padrões, os bons e os ruins. O que que eu consigo, o que que eu preciso abandonar. E é até engraçado, porque nesse processo eu tenho grandes amigas que moram no Rio Grande do Sul.
E a gente fica muito mais tempo separada do que junta. Então quando a gente se reencontrava, ou a gente se falava, eu via elas reagindo a mim, achando que eu ia me comportar como uma Gabi mais antiga, que teria determinados padrões de comportamento que eu já não tava mais tendo. E aí eu tive que falar assim, olha só, eu tô na terapia, eu tô me cuidando. E eu sou uma pessoa mais legal, sou uma pessoa melhor. Eu já não faço mais isso, tá tudo bem, não se preocupa.
E tão bom se dar a permissão de se reapresentar pras pessoas.
E é muito louco você se reapresentar pra pessoa Talvez mais te conhece no mundo desde que você tem 5 anos.
Putz, mas a gente tá mudando o tempo todo.
Né?
Se não puder. E aí, a gente acaba se conhecendo mais também pelo olhar do outro. Porque você vê a expectativa do outro sobre a sua reação, você fala... Isso aconteceu comigo recentemente, com uma amiga minha. Ela mandou um áudio e falou, nossa, eu espero muito que você não fique chateada. Eu falei, não. Será que... Talvez uma outra versão minha. Mas não, não fiquei nada chateada.
E com a gente também, em relação aos outros. Eu tenho uma amiga também que eu achava que ela ia ficar muito chateada. E ela falou, tá tudo bem, Gabi. Eu... É óbvio! Eu amadureci e ela também, né?
Claro, que bom!
Não sou só eu, amor.
Não foi só você que foi pra análise.
É, eu não sou tão especial assim.
Você é bem especial! E quando você se sente mais você mesma?
Várias ocasiões, sabia? Eu acho que eu me sinto mais eu mesma quando eu tô 100% sozinha dentro da minha casa, com as minhas coisas. Que eu acho que isso você vai super entender, que nós cancerianas precisamos desse momento de reconexão e silêncio.
Sozinha?
Sozinha, sozinha, sozinha, sem ninguém. E eu acho que quando eu tô fazendo qualquer coisa que seja uma representação assim muito genuína de criatividade e arte, assim tipo, ai, agora eu vou sentar Ah, eu vou fazer um crochê. E aí eu fico fazendo meu crochê, escutando meu audiolivro ou podcast, ou uma música.
Isso não significa que você vai fazer uma página no Instagram pro crochê e que agora o crochê é algo pra levar sua mente pra algum lugar?
É, é meu ócio criativo.
Por que que eu trago isso? Porque eu sinto que, infelizmente, aí o mais infelizmente possível, Cresce que algumas pessoas são criativas, algumas pessoas vão trabalhar com arte e outras não. Mas será que todos nós não deveríamos ter uma mínima de uma atividade um pouco mais artística ou criativa e que nem precise divulgar pros outros? Por onde que a gente começa a cair com essas barreiras?
Nossa, difícil essa pergunta. Desculpa. Porque eu acho que a sociedade quer sempre nos colocar nessas caixinhas, né? Do tipo, aí você faz isso, Aí você fazer aquilo. Mas eu acho que tem... Eu vejo, por exemplo, muitos CEOs que começam a ter uma válvula de escape no esporte. E não precisam virar triatletas profissionais.
Mas eles estão virando, e a gente precisa falar sobre isso.
Mas eles querem, né?
Porque... Eu vou falar por quê. Alguma coisa do esporte começou... Eu comecei a ficar meio prejudicada. Porque eu sempre fiz muitas coisas, e muitas coisas diferentes. Então eu nunca fui muito boa em nada. Tirando a yoga, também não vou fazer uma falsa modéstia aqui. Por que que eu sou boa na yoga? Porque yoga pega de mim a coisa que eu aprendi desde sempre, que é disciplina. Faz todo dia que dá certo, faz todo dia, faz todo dia.
Que não é algo que acontece com muitas outras atividades. E eu fico em crise, entendeu? Que eu pensava, eu vou correr. Daí eu penso, mas será que agora isso me faz uma corredora? Muito difícil. Parece que nossos hobbies viraram traços de personalidade e profissionalizaram, né?
Porque aí você tem que desempenhar e apresentar no Instagram e postar e tudo também é para mostrar um pouco para o outro, né?
É, as pessoas fazem ideia. Exato, um saco. O próprio teatro, eu não sou atriz, mas ter feito teatro foi muito importante para minha formação.
Não, e é muito legal quando as pessoas se disponibilizam a fazer coisas que elas estão, não, que é um ambiente inseguro para elas, porque ela na vulnerabilidade você cresce tanto. E o teatro e a é o lugar que você mais aprende que a vulnerabilidade é o lugar onde te faz crescer.
Lindo!
Você só consegue entregar uma boa cena quando você tá disponível, vulnerável. E tem muitos cursos muito legais de atuação para pessoas, para empresários, e de clown inclusive, que clown é uma das artes mais difíceis de fazer, porque aí sim você vai se conectar não só com a sua vulnerabilidade, mas com as suas feridas, e as feridas mais profundas.
Por que que o curso— eu vou falar em português mesmo— por que que o curso de palhaço é tão transformador? Eu conheço pessoas que fizeram e elas falam que mudou a vida delas.
Eu nunca fiz, talvez porque eu nunca tenha tido coragem de fazer. Olha, mas eu preciso. Tem uma, como é que é o nome daquele professor? Márcio Libar, que muitas pessoas que não são do meio artístico fazem. É muito interessante. As minhas amigas da publicidade, do marketing, todas foram fazer e elas falaram, mudou, mudou minha vida. É outro, é outro Antes e depois.
Eu amei a ideia de se colocar em lugares inseguros dentro de um campo de segurança. Talvez seja um ensaio pro que a vida nos dá, né?
Porque isso é o teatro, isso é atuação. Você tá dentro de uma caixa preta e a gente fala assim, tá, é um combinado, é um contrato que a gente assina. Vamos juntos brincar de fazer mentirinha. Mentirinha, você não vai matar ninguém, a facada não é de verdade, a raiva que você coloca ali não vai ficar. Então é muito, é um É um espaço muito seguro.
Nossa, eu nunca tinha visto dessa maneira. E de fato, você vai por alguns minutos sentir a sensação que seria falar coisas que você não falaria na sua vida.
E talvez um curso de teatro, um espaço pra você exercitar isso seja maneiro. Você não precisa ir pro palco atuar, nem pra televisão, nem pra novelas verticais.
É pra onde estamos caminhando. Contanto que não seja inteligência artificial, eu tô feliz.
Contanto que seja um humano. Lembra que você já tinha falado das frutas? Você já viu isso?
Eu já vi.
É.
E eu não sei onde vamos parar.
Não, eu queria não ter visto, né?
Eu queria não ter visto o morango quase batendo na banana, assim. Eu podia, assim, jogar esse roteiro pro alto, porque eu meio que previ que poderia acontecer isso. Mas pra gente chegar na nossa reta final... Ah, não.
Juro por Deus.
Você acredita? É uma questão de tempo. Eu sei, é chocante, é chocante, passou muito rápido. Temos dois quadros finais e você vai adorar o segundo. Que bom, primeiro eu quero saber pelo que que Gabi está fissurada nesse momento. Pode ser algo que você consumiu, livro, filme, mas talvez um momento da sua vida que você tá muito focada em fazer algo. Qual é a sua fissura atual?
Eu acho que é a peça. Peça que a gente vai fazer agora. Eu tô muito, muito focada nesse momento, lendo muitos artigos sobre os temas que a gente vai falar, livros também. Então eu tô bem fissurada na peça, e porque eu tô com muita saudade de voltar para o palco assim. Não piso num palco para atuar desde 2019.
Uau, retorno é para caixa! É mentirinha.
É mentirinha. E pra casa também, né. A sala de ensaio é um dos lugares que eu mais amo no mundo, assim. Porque é isso que eu te falei, é o lugar onde eu posso errar. No trabalho, no dia a dia, no final das contas, a gente não tem tanto... A gente não pode errar, tem que acertar. Time is money. E por isso que eu também tento muito estudar nas brechas de trabalho e fazer um curso. Porque é o lugar de exercício do ator que você pode se dar o luxo de ter de cometer erros. Que louco, né?
É, eu acho que cada um vai se entender, mas a gente é realmente muito parecida. Porque quando me perguntam, mas você fica nervosa? Eu falo, eu me preparo tanto, eu ficaria— eu fico nervosa se eu me sinto despreparada, mas eu sou muito disciplinada. Então eu estudei tanto, vamos.
E tem os tipos de nervosismo, né? Tenho aquele nervosismo que não é um nervosismo, é uma, é o friozinho na barriga do tipo, tá chegando, vai acontecer, é algo importante, vai acontecer, é uma coisa de animação assim, que não é no lugar de nervoso nem ansiedade. Eu não gosto de usar essa palavra, ai, tô ansiosa, não, eu acho que a gente normalizou ela no lugar muito ruim.
Concordo, concordo. E banalizou, banalizou de alguma maneira. É, pra gente finalizar, inicialmente essa pergunta final era se você gostaria de me fazer uma pergunta. Mas ao longo do programa vocês me fazem muitas perguntas, porque é uma troca. E eu pensei, quem é que tá faltando? Tão faltando as ouvintes. Então, pra gente fechar o episódio, você quer deixar uma pergunta pras ouvintes? Uma pergunta pra elas responderem nos comentários, ou uma pergunta pra elas levarem com elas no final do episódio. Mas fala com as ouvintes. Ouvintes?
Ai, meu Deus, não tava preparada.
Você falou sobre coisas tão legais, você falou coisas muito boas e muitas boas perguntas. Tá em você.
Eu acho que eu gostaria de trazer uma reflexão, talvez perguntar para as ouvintes se a gente se dá espaço para se pensar fora das expectativas que as pessoas tem, ou o que a sociedade tem, não seriamente o que alguém diz você tem que ser isso, mas o que a gente dá pressão, que às vezes nós mesmas nos colocamos do que a gente acha que tem que ser. Se a gente não pode ter um tempo de reflexão e pensar se é realmente isso que a gente quer, para a gente conseguir de fato se conectar com quem a gente é, entendeu? Para onde a gente vai.
Então eu vou começar respondendo, que eu achei muito boa Pra eu, ao invés de eu começar, vocês continuam. Observar quando que você sente que você tá genuinamente sendo você mesma. Porque é normal a gente adaptar nossos comportamentos e nossas posturas, claro, né? Vivemos em sociedade. Mas é lembrar com quem você pode relaxar, sabe? E é corporal, né?
Sim, sim.
Quem? Onde? Eu acho que é um início de uma bússola para saber se a gente tá seguindo o que os outros querem, quem a gente é.
Isso é muito bom.
Mas continuem ouvintes. Gabi, obrigada, obrigada, amiga, de coração. Foi lindo, lindo, lindo, lindo, lindo. Você, quando que estreia a peça?
A peça estreia 6 de agosto no Tucarena.
Tá bom, eu quero ir, tá?
Você tá convidada.
Por favor. Fechado. Obrigada. Até semana que vem. Bom Job é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Ceribelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.