Decepcionada, mas nunca surpresa, com Carol Delgado
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a humorista Carol Delgado para uma conversa bem-humorada sobre relacionamentos, autonomia feminina e as expectativas que ainda cercam a forma como as mulheres se relacionam com os homens.
Entre muitas risadas, Carol transforma situações do cotidiano em reflexões sobre validação masculina, os padrões baixos que costumam ser celebrados nos relacionamentos, a tendência de muitas mulheres depositarem seu potencial nos parceiros e a importância de reconhecer que o próprio desconforto também merece espaço.
Com um humor afiado, ela questiona comportamentos naturalizados e mostra como rir também pode ser uma forma de questionar padrões.
Para receber em primeira mão a pré-venda do Clube do Livro clique aqui
Nos acompanhe também:
Marcela Ceribelli no Instagram: @marcelaceribelli
Instagram da Obvious: @obvious.cc
TikTok da Obvious: @obvious.cc
Chapadinhas de Endorfina: @chapadinhasdeendorfina
Ouça também, outros podcasts da Obvious:
Podcast Chapadinhas de Endorfina.doc
Podcast Academia do Prazer
Livros da Marcela Ceribelli:
Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou: AQUI
Aurora: O despertar da mulher exausta: AQUIInstagram Carol Delgado: AQUI
Citações:
Documentário Brasil 70: A Saga do Tri: AQUI
Podcast Picolé de Limão: AQUI
Chelsea Handler: AQUI Série Treta: AQUI
Ali Wong: AQUI
Série Ronaldinho Gaúcho AQUI
----------------------------------------------------------------
Faça como a Anitta e aproveite as ofertas no 7.7 do Mercado Livre pra fazer suas comprittas. Escute a patroa e aproveite ofertas com até 70% off, freté grátis a partir de R$19 e parcelas de até 24x no cartão Mercado Pago. Corre pro app! 💖📦 https://bit.ly/3QBXK5u
*Válido até 07/07/2026, para produtos selecionados e conforme disponibilidade. Cartão de crédito sujeito à aprovação. Parcelamento elegível a produtos selecionados.Confira as condições em www.mercadolivre.com.br/l/fretegratis. Análise comparativa independente, baseada em cálculo da média dos prazos de entrega ofertados durante o período 19/03/2026 e 24/03/2026.
- Empoderamento FemininoCrítica ao movimento 'tradwife' · Questionamento de padrões naturalizados · Subversão no humor · Histórias de traição e relacionamentos abusivos · O papel do humor em quebrar tabus · Diferenças entre homens e mulheres em relacionamentos · Estratégia política dos doramas coreanos
- Mulheres fortes sozinhas em relaçõesExpectativas sobre relacionamentos com homens · Validação masculina · Padrões baixos em relacionamentos · Mulheres depositando potencial nos parceiros · Desconforto feminino vs. masculino · Homens iguais · Gratidão como sentimento feminino · Masculinidade tóxica
- Indústria da ComédiaSonho de ser comediante desde a infância · Mentiras como hobby na infância · Espaço para mulheres na comédia · Show da Bruna Luiza como inspiração · Open mic e primeiros shows · Lidar com piadas que não funcionam · Perspectiva e resiliência na comédia · Viralização no TikTok
- Experiências e interpretação pessoalMedo de dormir com homens · Preferência por dormir em casa · Terror noturno em dates · Bissexualidade e aversão a interações humanas · Diferenças entre homens e mulheres na cama · Adoção como opção para ter filhos · Sonhos e objetivos de vida
- Cultura da NFL no BrasilDocumentário sobre Ronaldinho Gaúcho · Carreira de Ronaldinho Gaúcho · Copa do Mundo · Documentário Brasil 70: A Saga do Tri · Ancelotti e Endrick · Masculinidade e arrogância no futebol · Inteligência de jogadores de futebol
- Prêmios e ReconhecimentoIndicação e recebimento do prêmio · Homenagem em Brasília · Impacto do trabalho de Carol Delgado · Apoio familiar
Eu acho que as mulheres não estão cientes o quanto os homens são todos iguais. Eu tenho amigas que têm potenciais incríveis e elas depositaram esse potencial no homem.
Você é contra dar de presente pra um homem videogame?
Cara, eu sou contra dar de presente pro homem qualquer coisa. Hahaha! "Ai, mas é tudo sobre homem." Não, gente, é sobre mim.
Meu desconforto não vale menos que o desconforto do outro. Porque na verdade, você sustentar um cara É, mesmo com nível inconsciente, infelizmente, um nível de castração pra ele.
Porque essa história de "Ai, eu vou comer, eu vou largar", é mentira! Eles ficam! Eles ficam lá! "Não, porque meu namorado, se eu peguei na safra boa, ele usa sabonete de sabão de rosto." Óbvio, dá pra ver! "Ai, meu namorado troca o pneu." Amor, compra um seguro onde fala de cu, me levou.
Bom dia, óbvios! Mercado Livre! Oi? Comprita pra mim? Já? Sério? Bom, que demais! É realmente sempre muito rápido com o Mercado Livre. E ouvintes, eu tenho certeza que vocês são como eu. Adoram fazer comprinhas, ou melhor, compritas, no 7 dos 7 do Mercado Livre. Você abre o app do Mercado Livre pra procurar uma coisa específica. Aí quando você percebe, já encontrou várias e várias outras coisas que eu tava precisando. Eu amo! Pra mim, compritas é no Mercado Livre.
E ainda tem até 70% off em várias categorias, frete grátis nas compras acima de R$19 e olha só, dá pra parcelar em até 24 vezes no cartão Mercado Pago. Eu mesma compro de um tudo no Mercado Livre. Os livros que eu tô querendo ler, presentes pros meus cachorros, presentes pra mim mesma e pra quem mais eu quiser agradar. Pode reparar, sempre tem alguma coisa que você não sabia que precisava até abrir o app. E como o Mercado Livre sabe disso, tem um cupom especial pra vocês, minhas ouvintes que tão sempre comigo.
É só usar o cupom BOMDIA12 e aproveitar até R$40 de desconto. Então aproveita, acessa o QR code que tá na tela, garante seu desconto e corre pro app que é por tempo limitado. No 777 eu vou fazer escritas no Mercado Livre. E vocês? Bom dia, Carol!
Bom dia! Tô muito feliz de estar aqui com você.
Eu olho pra sua cara e eu quero rir.
Ai, obrigada! Isso é meu trabalho, é verdade. Eu trabalhei muito, né, principalmente sendo mulher nesse espaço, né. Se a pessoa me acha engraçada, já é uma grande conquista.
Parabéns, antes de qualquer coisa. Parabéns pelos seus textos, pelas suas sacadas, pelo espaço que você ocupa. Desculpa pelo prêmio recente também, Paulo Gustavo. Que reconhecimento! E obrigada por estar aqui.
Eu que agradeço, adoro seu trabalho também. Adoro como você conduz as entrevistas, fiquei muito feliz de estar aqui.
Então vamos tentar começar de algum início?
Vamos, vamos.
Li que você sempre quis ser comediante.
Isso.
Me conte um pouco.
Nossa, assim, desde quando eu era criança, a gente tinha... A gente era muito pobre assim, pobre... Horrível mesmo, aquele pobre falidão. E aí, todo mundo ia viajar, todo mundo não sei o quê. Minha família, né, batalhando ali pelo alimento.
Você tem irmãos?
Eu tenho uma irmã. Eu tenho um irmão também, mas é só por parte de pai. Então não tenho muito contato, né. Mas assim, eu tenho a minha irmã, que é eu e ela, basicamente, assim, na vida. E aí, as pessoas iam viajar, as pessoas iam fazer coisas. E eu nunca fazia nada. Então as pessoas contavam a história. E aí, eu não tinha feito nada, então eu mentia, contava essas histórias. "Não, eu fui pra não sei aonde, eu me apaixonei por não sei quem".
Inventava altas, assim. "Meu hobby era mentir na escola". Aí todo mundo ria, assim, dessas histórias. Eu pensava: "Nossa, isso é muito legal". Aí um dia eu falei pra minha mãe: "Mãe, acho que eu quero ser comediante". Ela: "Tá, tá, pode fazer o quê? Vai fazer o quê? Vai fazer o quê? Vai fazer stand-up aí". E aí, tipo, porque não tinha, né. O que tinha naquela época? Eu tenho 33 anos. Então a gente tinha, no máximo, um espaço ali do Casseta ou Zorra. Mas em que as mulheres não tinham espaço de comediantes.
Não, a gente era um corpo.
Isso, a gente fazia parte da piada. Risada deles.
Isso, eles riam da gente, mas não é da gente, mas não com a gente. Tinha sempre uma coisa de hipersexualização também.
Isso, ou se riam com a gente, é também era da gente, entende? Tipo assim, eu era muito burra, eu sou mulher, ai meu Deus, a peituda desengonçada. Então tinha um pouco, é verdade, no cacete, aquela batida no peito e "ai, caiu as coisas". E aí tinha isso, assim. E tinha uma também. Então, além de você ser engraçada, você tinha que ser muito gostosa. Que definitivamente não era o meu caso, né, na juventude. E aí ficou assim, então foi passando o tempo, mas...
Como eu falei, a gente era pobre. Eu fui fazer o que todo mundo fazia, né. Eu fui trabalhar no shopping, fui fazer essas coisas assim. E nunca consegui fazer isso. Efetivamente, fiz faculdade e tudo mais, mas não tinha esse espaço. "O que eu vou fazer, né?" Você se formou em quê? Eu me formei em Políticas Públicas, na URGS.
A gente precisa falar sobre isso também.
Sim, foi muito aleatório. Eu fiz muita faculdade que eu não terminei, mas fiz essa. E aí, depois que eu tinha feito a faculdade, tinha trabalhado em ONG e tudo mais, aí eu fui no show da Bruna Luiza. Bruna Luiza hoje gigante, ela já era grande, mas ela fazia em comedy ainda, que são espaços menores. E aí fui no show dela e falei: "Caramba, isso eu consigo fazer, eu acho". Porque eu já conhecia homens comediantes, evidentemente.
Mas eu não me via naquele espaço. Então quando eu vi a Bruna, eu falei: "Não, mas isso eu posso fazer, tipo assim, isso eu me vejo fazendo". Então naquele dia, no comedy, eu falei: "Ô, tem algum espaço de iniciante?". Então aí eu já comecei, tipo, uns meses depois, já fazendo meu primeiro show. Que tem aqueles lugares de open mic, que você faz tipo 5 minutos e tal. E aí foi assim, aí eu tinha— eu trabalhava no shopping. Mas você já tinha um texto pronto?
Não, aí eu criei alguma coisa. Porque quando a gente começa, a gente não sabe o que tá fazendo, né. A gente acha que o que o amigo acha engraçado é o engraçado. Não, às vezes o amigo acha engraçado porque ele te conhece. Então, a comédia é referência. Então você chega lá em cima e fala alguma coisa que ninguém vai rir, porque ninguém sabe como você é, né. Porque, por exemplo, você fala: "Ah, fiz tal coisa". E a pessoa fala: "Ah, isso é muito você".
Aí a pessoa ri. Mas quando a pessoa não tem a referência, é meio tipo: "Que mulher maluca".
E como... Segue um show de stand-up quando você conta uma piada e ninguém ri?
Sonha vida! Tipo, quando você tá no início e você só tem 5 minutos no palco, é muito deplorável. Porque você só tem 5 minutos escritos. Por exemplo, comecei agora, eu tinha um texto que era sobre o lip tint da Boca Rosa. Era sobre isso. Porque eu tinha um amigo gay que usava pra outros fins. Aí... Pra deixar outras partes rosas, entende?
E aí... Claro, óbvio.
Entendeu? Meus amigos gays são muito criativos, né. Então, enfim, aí eu fiz esse texto. Só que tipo assim, se eu chegasse num lugar e esse texto não funcionasse, eu não tinha mais o que fazer. Porque era só isso que eu tinha, sabe?
O Lip Tint e um sonho.
Era isso que eu tinha, Lip Tint e um sonho. Então, conforme o tempo vai passando e você vai tendo outras piadas, você vai, tipo, segue a vida, assim. "Ah, não riu". Porque tem uma questão que a pessoa que está na plateia, ela não sabe que aquilo era pra ter sido uma boa piada. Tipo, eu escrevi pensando: "Isso aqui vai ser bom". Eu fiz, não foi, mas a plateia não pensou: "Ih, que ruim essa piada". Porque ela nem sabe o que era pra ser, quando ela achou que eu tava introduzindo algo.
Porque o vergonhoso fica aí só pra você. É você consigo mesma lidando com aquilo. Mas às vezes o outro não tá nem participando daquela vergonha que você sente.
Nossa, mas isso vale pra tanta coisa, né?
Muito, pra tudo na vida. Para tudo. Eu sempre fui muito, ah, nunca liguei muito para as coisas assim. Então para as pessoas é mais difícil, não vou banalizar assim, porque realmente tem pessoas que lidam com isso de uma maneira mais dramática ou pessoal assim. Eu não, assim, eu acho que tive outros problemas na vida que me— Trabalhei panfletando na rua, né? Então assim, o que que é fazer uma piada e ninguém rir? É isso.
Perspectiva conta nessa hora.
Exato, exato.
Então você tava no shopping colocando do película.
Eu colocava, eu já coloquei película, eu já trabalhei em hamburgueria, né, com aquela redinha na cabeça. Eu já trabalhei panfletando no sinal, eu já trabalhei, fiz todas as coisas que um pobre plus premium faz, sabe?
E aí à noite você ia fazer a sua apresentação?
Isso. Quando eu fui, comecei, eu trabalhava no shopping ainda. Aí eu trabalhava no shopping e aí depois entrou pandemia, aí ficou aquela fechado, fechado, e depois foi reabrindo. E quando foi Aí, quando eu voltei, trabalhei nas lojas americanas. Aí entrou Páscoa, eu ficava repondo os ovos de parreira dos ovos. E aí, conciliando as duas coisas. Só que quando eu comecei a viralizar em Porto Alegre, eu comecei a ganhar uns seguidores.
Qual foi a primeira vez que você viralizou?
Então, o Sul, que a gente tava falando de Recife, né? O Sul também, o Rio Grande do Sul é bem bairrista. Então, eu sempre pensei: "Se eu falar coisas daqui, o pessoal vai se identificar". Então, eu falava coisas dali. E aí eu falava assim: "Ah, qual praça de Porto Alegre?" "Quem você é?" "A partir de qual praça de Porto Alegre que você vai?" Mas o primeiro vídeo viral que eu tive foi contando pras pessoas, era assim, um quadro: "Coisas do Rio Grande do Sul que você não sabe".
E aí eu falei do governador Eduardo Leite. Porque hoje em dia, todo mundo conhece o Eduardo Leite. Ele foi no Bial, ele se assumiu no Bial, né. Mas antes disso, era uma coisa meio ninguém. Às vezes a pessoa não sabe quem é o governador do estado dela, que traduz o outro, né. Então daí eu fiz, porque ele é sempre muito bonito, né. Tinha umas fotos sem camisa, quando ele foi eleito pela primeira vez. E ele se assumiu depois, mas todo mundo sabia, né.
Assim, quem tinha um pouco mais de tino pra coisa. E aí, enfim, esse vídeo viralizou muito. Porque todo mundo queria falar que ele era gostoso, e ninguém conseguia. Ninguém, sabe? "Vamos tirar o elefante da mesa". Foi meio assim, o vídeo. E esse vídeo tomou uma proporção gigante. Porque ele não só viralizou em todas as redes sociais quanto foi em grupos de WhatsApp de todas as professoras do Rio Grande do Sul. Professoras? As professoras do estado se mandando e tal.
Tem uma prima minha que a mãe dela é professora de estado. E aí mandaram o vídeo, e a minha tia ficou: "Olha, minha sobrinha!" Eu falando: "Eu mamava ele!" E a minha tia toda orgulhosa: "Esse é minha sobrinha, essa é minha sobrinha!" "A minha sobrinha mamava ele!" Exato. E todas as professoras, tipo assim: "Nós também." "Professoras também mamam". Professoras também mamam. Então foi meio que uma onda, assim. Aí foi o primeiro.
E aí eu fui surfando no hype. Daí eu fui falando sobre o Rio Grande do Sul, sobre coisas de Porto Alegre, blá-blá-blá. E fui indo, assim.
E você acha que você desbloqueou algum nível de coragem? "Tá, acho que eu posso ir além". "Eu posso falar sobre mamar". Ou você sempre se sentiu muito livre pra falar tudo?
Então é que eu meio que sempre fui aquele entretenimento das amigas da mesa. Sabe quando você tá numa roda de amigas, todo mundo tomando um vinho. Daqui a pouco, alguma amiga se passa e começa a falar: "Gente, como..." A outra amiga fala: "Ai, meu namorado quer muito comer meu cu e eu não quero dar." "Amiga, eu tenho uma dica pra não doer!" Sabe essa amiga assim?
Eu tenho uma.
Eu era essa amiga da mesa. É você! É isso! Então, pra mim, falar isso dali, pra falar pro vídeo... Só que pra mim sempre foi muito natural esse meu jeito, assim. Claro, eu sentia, obviamente, represálias. Porque passei por algumas coisas na vida, inclusive em relacionamentos. Mas isso sempre foi muito, tipo, tá, é isso aí, né. Eu passei por um relacionamento que a pessoa me podava muito também. E aquilo ali foi uma experiência pra mim nunca mais me submeter a esse tipo de coisa.
Então eu só fui, assim. E depois disso, eu prometi pra mim que nada ia... Que eu não ia mais passar por isso. Então eu fui indo, por mais que as pessoas falassem. Mas quando as pessoas recebem, eu vejo o choque delas. E aí foi diferente, assim. Porque quando eu fiz o vídeo pro Henrique, foi normal. Falei: "Ah, mamava ele e tal". Fiz vários trocadilhos com o nome dele ser Leite, então... Mas é isso, então... Mas aí, realmente, as pessoas têm um impacto, assim.
Tipo: "Caramba, olha o que ela tá falando". E eu tava, só falei umas coisas e saí andando, assim.
E vamos falar sobre Energia Feminina?
Vamos.
Da onde vem o nome?
Então, o nome veio dessa onda incrível que a gente tava vivendo aí. Eu tinha um outro show, né, que era Boteco da Karol e tal. Que as pessoas contavam suas histórias de vida, de blá-blá-blá. Como se fosse um boteco mesmo. Na época que eu fazia muito comedy, então era uma coisa mais intimista, né. Aí o pessoal contava e tal. Tava num momento da carreira que, assim— Tava tudo uma bosta, sabe? Tipo, quando tá, tá só vendendo ingresso, mas não tá muito, você não se identifica com o que você fala.
E aí, eu sempre gostei muito de criticar as coisas, e o que me impulsiona na minha vida é a raiva. Por isso que eu fiz a minha faculdade, faculdade que eu fiz, por isso que a raiva me funciona muito na vida. E eu tava naquele momento de scrollar feed e vendo essas coisas, né, de tradwife, de coisas pra você melhorar sua energia feminina. E nhenhenhê, e nhenhenhê. Aí eu comecei a me estressar, porque daí eu falei assim, como uma pessoa de políticas públicas que eu sou, aí sabe que tudo é cíclico, né?
Você vai uma onda super liberal, aí engole uma conservadora, e nasce uma liberal, engole conservadora. A gente tava bem no pico daquela xaropeice, e eu falei: "Gente", pra minha produtora, Larga tudo desse show que a gente tá fazendo, cancela tudo e vamos fazer sobre isso. Vamos fazer um show pra bater nisso. Porque, um, que eu quero falar disso. Eu não aguento mais, eu quero discutir sobre isso. Eu quero questionar sobre isso, eu quero, entendeu?
E outro, que esse momento vai acontecer. As pessoas vão chegar um momento que vão falar: "Threadwife? Que porra é essa?" Que é esse momento que a gente tá agora. Entendeu? Eu falei: "Então a gente tem que estar falando, porque ninguém tá falando." Entendeu? Olhar pro lado, ninguém tá falando, então... "Ah, a gente tem que estar falando". E aí, a minha produtora, a Vanessa, na época falou: "Não, tudo bem". Ela falou: "Mas a gente não tava construindo trabalho, você não acha que..." Eu falei: "Não, confia em mim.
Só confia em mim". Daí ela falou: "Não, tudo bem". A Vanessa sempre confiou muito em mim. E aí, largamos tudo, começamos do zero. Energia feminina. E aí, eu comecei a conversar com as mulheres da plateia. E comecei a trazer mais... Eu não tinha nenhum show pronto. Eu só pegava o meu microfone e falava todos os meus incômodos. E fui moldando conforme foi e fui conversando. E aí eu queria conversar com a plateia com coisas mais que eu queria levar aquele desconforto para pessoa que tava do lado.
Então eu queria conversar com um trisal. Vamos lá, trisal, como é que é? Eu quero que aquele casal lá, que aquela mulher que tá fazendo porra nenhuma daquela vida dela, que não aguenta mais relacionamento. Ouça aí a diversão do trisal, fala, fala, diversão do trisal. E eu fazia isso. Quem já traiu o namorado? "Você já traiu? Me conta aí então." E aí eu queria trazer essa subversão no show. Porque o outro eu falava sobre corna.
E a corna é tão triste, sabe? Porque ela só tá ali. E aí me estressa, porque as pessoas são burras. A menina assim: "Não, meu namorado me traiu com a minha tia, com a minha vizinha, com a minha galinha, com não sei o quê, me roubou." "E aí, você terminou?" "Ah não, eu fiquei mais 2 anos com ele." "Ah, então vai te fuder." Então assim... Tá, vai ser burra lá na sua casa, aqui no meu show você não vai ser burra.
No meu show não, no meu show você termina Faz um trisal.
É, porque, claro, num microcosmos, né. Eu pensava assim: "É, mas a menina que tá no show, que sofreu uma traição, ela vai olhar e vai achar bom o relacionamento dela. Porque essa aqui sofreu 5 com a irmã." Nossa, era nesse nível? Gente. O cara já tem cara que já pediu pra menina fazer homenagem. E a menina convidada era prima dele. Assim.
Teve um chá revelação? Quem da família vai aparecer?
Aham. E aí terminou com ela e casou com a prima, sei lá, eu depois. Tipo assim, histórias. E assim, essa é mais tranquila. Tem histórias que envolvem família, que envolvem, sabe? Tipo, a menina que descobriu que a namorada dela traía ela com o pai dela. Não sei quantos anos. Tipo assim, a menina com o sogro, né, no caso. Então a menina namorava com a namorada e o sogro.
Será que a gente não pode deixar um limite de que família não dá?
É, mas não existe limite, né, pras pessoas, eu acho. Porque... Eu comecei a ouvir, tipo assim, muito de coisa. E eu fiquei: "Gente, realmente existe um mundo assim que a gente não tá participando".
Eu definitivamente não.
Principalmente no interior. Interior assim, menina. Ah, no interior.
Ah, é, então eu queria saber isso de você. O que você aprendeu sobre o Brasil? Porque você rodou praticamente o Brasil inteiro.
Uhum.
Se apresentando. Ouvindo as pessoas. Como você acha que é a questão dos relacionamentos brasileiros, Carol?
Sabe que uma coisa que eu acho? Eu acho que as mulheres não estão cientes o quanto os homens são todos iguais. Porque, por exemplo, eu ia no show, ai menina, não, eu tenho uma história muito incrível para contar, você vai enlouquecer com essa história que nunca ninguém ouviu, que é uma loucura. Ela contava uma história que eu já ouvi 10 vezes ontem, entende? Tipo, não, meu namorado, que eu paguei a faculdade dele, isso é o que mais tem.
Eu paguei a faculdade dele, eu tirei um carro para ele, eu ajudei quando ele tava "Eu dei minha casa pra ele, eu dei móvel pra ele. E aí, quando ele ficou bem, ele foi lá e me traiu". Todo show tinha, no mínimo, 3 histórias dessas. E toda menina achava que ela era... Que tinha acontecido com ela. E isso é muito ruim, porque quando a menina vai ajudar um cara, ela vai pensar: "Não, mas comigo não vai acontecer". Porque ela não entende que isso é uma experiência coletiva.
É, porque na verdade você sustentar um cara é... Mesmo que num nível inconsciente... Infelizmente, é um nível de castração pra ele. Então ele vai usufruir daquilo, mas depois ele vai ter que recuperar a masculinidade dele te traindo. Por isso que é um padrão.
Ah, e gratidão é um sentimento feminino.
Olha!
Quando que um homem olha pra você e fala: "Nossa, sou tão grato por tal coisa, por tal mulher que fez tal coisa na minha vida"? Quando um homem fala isso, ele é um homem mais feminino.
E a gente quer. E isso, pra mim, eu... A gente tava tendo essa conversa, porque por conta do Richard, Richardson, o tio do bebê e a mãe do bebê. E aí começou uma onda no X de que o Richardson e o tio do bebê se pegam. Sim. E eu não quero debater isso, né, pelo amor de Deus. Mas a gente ficou nesse debate de, poxa, mas por que que aí um hétero que convive, que tá ali, a gente precisa transformar ele num gay? A gente não pode aceitar que tem um hétero que tá, entende? A gente feminiliza o homem que faz aquilo que a gente quer que os homens façam.
Eu vejo muito isso também, as mulheres As mulheres, elas arranjam subterfúgios pra validar um homem imprestável que tá do lado delas. Então assim, tem o Richarlison, que é um nome decente. "Ah, mas ele é gay". Entendeu? Você tem que arranjar um subterfúgio pra que esse homem imprestável do seu lado seja interessante, que ele tenha algo. Esses dias tinha uma trend no TikTok que falava: "Sai, Tonha, da minha frente". Que era a menina assim: "Ai, peguei na safra boa".
"Ele não faz skincare, ele troca pneu". Ah, vai te lascar, doida! "Ah, eu peguei na safra boa." Sobrou pra você essa bosta toda oleosa, com cravo? O que é esse homem? "Ai, não, porque meu namorado, se eu peguei na safra boa, ele usa sabonete de sabão de rosto." Óbvio, dá pra ver! Chame por o cravo, sabe? Então assim, ela tá desmerecendo os outros homens pra validar.
A safra boa são homens de uma masculinidade mais viril, é isso?
Isso.
Essa é a safra boa?
Isso. "Troca o pneu, amor. Compra um seguro." Pelo amor... Sabe, tipo assim. "Ai, meu namorado monta os móveis." Ai, amore. Esses dias, gente, eu precisei instalar duas TVs na minha casa, né. E aí, porque as TVs ficavam, tipo, no pezinho. E eu tenho gato, e o gato derrubou uma. Aí quebrou, eu tive que comprar outra. Eu falei... Botei, fui instalar. Aí, São Paulo, tá, um homem foi até minha casa. Que eu botei no Google, assim, ó, do patrocinado, tá.
Tipo, patrocinado. Então assim, não é a coisa mais barata, eu não pesquisei preço. E o homem teve que furar, teve que tipo montar, mas você vê que tipo assim, ó, ele tem que fazer um puta serviço, tá? Ele me cobrou R$200. Eu falei assim: "Não acredito que uma pessoa tá namorando um traste por um serviço que é R$200, gente. Não, termina com esse homem agora, vende um bolo de pote, sabe?
Você consegue fazer isso por você." Eu amei que você postou, me corrija, mas era algo do tipo: "Ah, você tá com medo desse homem terminar com você?" Você tem que torcer pra ele terminar com você porque tem um europeu te esperando, não é isso?
Isso, isso. E acho muito engraçado quando tem algumas mulheres que acham o auge do decolonialismo é me criticar assim: "Ai, nossa, mas você tá falando isso dos europeus." Como se os brasileiros valorizassem as brasileiras, né? Como se os brasileiros, tipo assim, como se eu estivesse valorizando mais os europeus que...
Ah, mas entram nessa?
Ai, entram.
Pelo amor de Deus, tava de férias.
Ai, porque o pessoal gosta, né, de...
Nossa, mas gosta muito.
De militar, não, o pessoal gosta de militar errado. Não, entendi.
É muito disso, tava de biquíni, gata, no verão europeu. E naquele caso, você queria transar com os europeus.
Exato! E a galera— e eu acho muito engraçado quando o pessoal fala assim: "Ai, mas é tudo sobre homem." Não, gente, é sobre mim, né? Eu estou me divertindo e eu quero me divertir com outras pessoas também. E é melhor você, no caso, se divertir com um homem bonito em outro país, bebendo um Prosecco do que não se divertir em casa tomando, sei lá, Itaipava com amichato.
Então, mas aí você tocou num assunto sensível pra mim. Porque essa história de que "Ai, mas é tudo sobre homem". Eu nunca vi alguém ir comentar num papo de revista masculina, tipo uma Playboy da vida, e falar "Ai, mas é tudo sobre mulher". Porque quanto mais o homem fala de mulher, mais homem ele é. E aí, nessa coisa da gente trazer na mesma proporção, mas questionando e falando sobre o comportamento masculino. E não é comportamento sobre um homem, a gente tá falando sobre um padrão que faz a masculinidade hoje. "Ai, só fala de homem".
Não!
Não! Não! E os homens falam de mulher pra caceta.
Exato. Tipo, eu não tenho como falar de empoderamento feminino sem falar de homens, infelizmente. Porque é o que mais para as mulheres. É, eu tenho amigas que têm potenciais incríveis e elas depositaram esse potencial no homem, né? Tipo, elas pegam um homem cagado assim, que não faz nada, nem um terço. Fala: não, amiga, mas ele tem potencial. Esse potencial que você enxerga nele é o seu, né? Porque quando você olha para alguém e fala: essa pessoa é capaz de tal coisa, porque você sabe que você é capaz de tal coisa.
Só que em vez de você investir no seu potencial Você faz tudo para que aquela pessoa vá, e às vezes aquela pessoa não quer. Aquele cara quer ser desempregado a cada 6 meses, entende? Ele não quer fazer um concurso público, mas você tá teimando que ele vai fazer o concurso da Caixa, entendeu? E aí todo esse trabalho que você tá em insistir para esse cara, para ele trabalhar nele, para ele trabalhar, se quiser lá, você podia, gente, tá assim.
E aí, independente que a gente pode falar, né, de várias coisas, meritocracia, de classe, de babá, mas você, independente do que fosse, se você podia estar melhor, mesmo que fosse assim, ah, eu ia estar no shopping tal trabalhando, você podia estar gerente em outra loja, entendeu? Tipo, mesmo que fosse uma pequena mudança, não digo assim você ia estar milionária e não, você ia estar melhor de vida.
É, eu tenho um capítulo no meu livro sobre não se apaixone pelo potencial, mas eu adorei porque de fato a gente fica refletindo no homem. Você é contra dar de presente para um homem videogame?
Cara, eu sou contra dar de presente pro homem qualquer coisa. Qualquer coisa, qualquer coisa. Eu acho que pra você dar de presente pra um homem uma coisa... Por exemplo, esses dias eu vi um vídeo da... Vou falhar agora como mulher, mas eu esqueci o nome da esposa do João Gomes.
Vamos junto. O vídeo da Ari que deu o microfone.
Isso, da Ari que deu o microfone. E assim, ali, cara, é outra coisa assim. Tudo que o João Gomes faz é falar dela. João Gomes valoriza ela. O João Gomes nunca fez ela se envergonhar em público de qualquer coisa.
Muito pelo contrário.
Muito pelo contrário. Ele exalta ela ali, ele tá pela família, né? Porque tem um homem que fala, viu, homem vem falando, ah, porque a família é a melhor coisa. Então por que você não se dedica a ela? Porque somente, né? Porque o João Gomes, quando foi ter o filho, parou os shows. Várias coisas assim, né, que demonstrou ali. Então Então isso eu acho muito genuíno. Porque é um casal que tá ali.
Eu também. E dá pra ver no vídeo. Eu sou muito fã desse casal, ponto, tá?
É, eu também, sou muito fã deles.
Muito fã, muito fã. E a cena do microfone ali. E claro que muitos homens se apressaram a falar que ela tinha comprado com o dinheiro dele, né. Não! Foi com o dinheiro dela!
Exato. E é o recalque, né. Homem é a pessoa mais recalcada que tem. Homem tem recalque de tudo, amor. Tudo, tudo. Que todo mundo fala que mulher é invejosa, homem é invejoso. Homem não pode ver você fazendo uma coisinha que ele se estaca. Tipo, que você falou do videogame, né? Eu jogo videogame, né? Eu jogo muito videogame. Eu gosto dos jogos mais héteros que existem, né? Eu gosto de jogar FIFA, eu gosto de jogar tiro, eu gosto de jogar luta.
E você pensa assim, o que você faz? Você se daria? Quantas vezes vocês... Um PlayStation lá é R$3.500, tá? Quantas vezes você se deu um presente de R$3.500? Porque às vezes quando a gente vai comprar pra gente uma coisa, a gente sofre. Quantas vezes você foi numa loja, pegou tudo de roupa e tacou no parcelado? Foda-se, é pra mim, eu vou jogar R$3.500. Isso é uma coisa, porque se você não faz pra você, você tá fazendo pelo outro por quê?
E você acha que isso é um padrão das mulheres que você conversa? Porque é muito, é uma subversão, né, Carol? Porque a ideia da masculinidade é o homem como provedor. Só que parece que eles estão sendo cada vez mais sustentados do que como provedores. Pelo menos se você escuta Picolé de Limão, da Daniela Ferreira e Cris Gomes, você já sabe. Pelo menos é uma universidade que se faz, não somos ONG de macho.
É, eu já passei por algumas situações, já. Sabe o que eu acho? Eu acho que a gente que é mulher— E as pessoas falam que eu falo de homem. E eu não falo só mal, não. Eu acho que a gente tem que buscar deles coisas, como egoísmo. Eu sou uma pessoa muito egoísta. E eu valorizo muito isso em mim, aprendi a ser egoísta. Eu só penso em mim, basicamente, assim. E nos poucos que me importo diariamente, no sentido de, né. Não passo a perna em ninguém, não é a questão.
Mas vamos lá, ai, fulano quer fazer tal coisa. Se eu falar não pro fulano, fulano vai ficar desconfortável. Mas se eu falar sim, eu vou ficar desconfortável. Então é melhor ele ficar desconfortável do que eu desconfortável.
Nossa, como eu demorei a aprender isso. Que o meu desconforto não vale menos que o desconforto do outro.
Exato.
E não é que a gente vira umas insuportáveis e que não se importa. Eu demorei muito pra entender que a gente pode dizer não sem virar um conflito, ou sem... Não vou ficar falando sim sem parar. Eu aprendi a dizer não da minha maneira, entende?
É, tipo, porque assim, os homens fazem isso todo tempo.
Fazem.
Quantas vezes, quantas mulheres você vê indo no jogo de futebol ou vendo jogo de futebol porque o cara quer ver? E quantos deles foram no filme da Barbie?
Nossa, é verdade, né?
Ou foram sem reclamar, entende?
Nossa, ontem eu passei por uma situação muito insuportável porque eu vim pra cá de avião e aí entraram 3 homens de meia-idade que deviam estar num trabalho completamente bêbados, mas assim muito bêbados e muito desagradáveis no avião, tanto que o cara que tava na minha frente quase derrubou a mala dele na minha cabeça. De tão destrambelhado que ele tava, era uma... Juro! E aí eles gargalhavam alto e ficou um negócio. E aí o avião decolou.
Eles estavam aqui, ó. Imagina, um aqui, um aqui, um aqui, um aqui. Todos na minha frente. Aí é um caos, sabe? De você ter que aumentar a música de tão alto que eles falavam, uma coisa... Só que o da minha frente foi ao banheiro. Gente, alerta nojo. Quem tiver alguma questão escatológica... Eu não vou entrar nos detalhes, mas... Foi nojento. E claramente ele começou a vomitar. Mas sabe o que mais me pegou? Primeiro, que ódio, idiotas.
Porque é um fato de respeito, é uma invasão. Sabe? É uma invasão ali com todo mundo. Mas sabe o que me pegou muito? Aqueles mesmos brothers que estavam gargalhando, ninguém foi perguntar como ele tava. E ele continuou vomitando. Desculpa, ouvintes. Ele continuou. Vomitando no saquinho e ninguém, os amigos, ninguém virou para ele. Eu fiquei bem atenta, ninguém falou: "Você quer uma ajuda?" Os caras simplesmente seguiram a viagem deles sem nenhum cuidado.
Você consegue imaginar um grupo de mulheres em que uma começa a passar mal dessa maneira e nenhuma vai lá para falar: "Quer uma ajuda?" É, não tem.
E é isso. E às vezes esses homens colocam como: "Ai, porque os homens não recebem afeto, porque os "Mas vocês também não fazem." Entende? Tipo...
Mas você sabe a fé das mulheres.
É, mas entende?
Mas você entende que também são homens de meia-idade, é uma outra geração, eu acho que ali era um padrão bem...
Não, mas eu acho que tipo, eles... Os caras têm isso, não é um... Tipo, vocês vão focar neles sempre. Que é isso, pô, tô divertida aqui, deixa o fulano que se vira.
É isso mesmo. Deixa que o fulano se vira.
É, fulano é... Fulano é isso aí. "Ai, você podia ajudar, viado!" Sempre rapidamente.
Nossa, faz muito tempo que eu falo isso, inclusive pra pessoas próximas, mas no programa também. Pra mim, os melhores textos hoje, mais contemporâneos, sobre feminismo, eles estão dentro dos stand-up comedies femininos, né. Eu acho que eu tenho algumas mulheres de referência. Mas pra mim, a primeira delas pessoas que me veem, eu acho que eu nem sabia que ela era exatamente uma comediante, foi a Chelsea Handler, lá atrás. Porque eu lembro que ela falava coisas que eu achava completamente absurdas e ao mesmo tempo parecia que não poderia sair da boca de uma mulher.
E pra mim era maravilhoso que estivesse saindo, porque era o tipo de coisa que eu queria ouvir da boca de uma mulher. Você lembra quando foi que você viu uma... Eu entendi da Bruna Luiza, mas você tem uma memória de de alguma, não sei se é de algum texto específico, mas de alguma referência que você viu e falou: "Puts, isso aqui é uma porta de entrada pra mim"?
Então, eu, antes da Bruna, tinha muito a Tata Werneck, né? Teve muito, eu via muito comédia MTV.
Nossa, era muito bom.
Era muito bom. E a Tata tinha várias frentes. A Tata tinha o Trololá, a Tata tinha o do Tablado, né? O Quinta Categoria, que era... E ela sempre foi a melhor. A melhor. E não era assim, a melhor mulher. Que geralmente você fala isso, a melhor comediante mulher. Não, a melhor. Ela era a melhor, ela colocava todo mundo no chinelo. E ela sempre foi muito desbocada, assim. E falava as coisas que vinham na cabeça. Então sempre tive essa referência pra mim, assim, sabe?
De mulher comediante, de falar as coisas. E aí, depois de um tempo... Uma pessoa que eu sou muito fã, assim, é a Liu Hong, né, que faz... Nossa!
A Ellie Wong é surreal.
Ela é assim, absurda. Porque mesmo que ela esteja falando da pior atrocidade do mundo e você não vai levar ela como uma referência, assim. Porque é isso que eu falo também, né. O comédia a gente não é uma referência. Você pode acreditar que você está falando algo pro bem. Mas você está fazendo isso de uma maneira que não é muito moral.
Sim.
Quebra qualquer tabu, sabe? Tipo, por exemplo, a comunidade asiática é muito machista, é muito conservadora em vários aspectos, principalmente pra mulher, né? Então ela é uma mulher asiática casada com um norte— acho que ele era asiático também, né? E ela grávida, com a barriga daquele tamanho, falando que queria trair ele, tipo assim, porque ela tava com muito hormônio. É muita coisa, sabe?
E ela tá muito bem em Treta, da Netflix. Nossa, é sensacional. Sensacional. Acho que tem um texto do stand-up mais recente dela que ela fala assim: "Você não tá entendendo, eu sou uma mulher divorciada. Eu não quero que você me mande flores, eu quero transar até ter que tomar suco de cranberry." Exatamente! "Eu não preciso de romance, eu preciso de uma infecção urinária." Tenha decência comigo!
Não, ela é muito boa, porque é isso, né? A comédia também acaba Acho que o papel do comediante é colocar na voz coisas que as pessoas pensam. Que acho que é por isso que vem tanta explosão da risada, né. Tipo: "Ah, alguém falou!" Tem um alívio coletivo. Muito.
E vão homens nos seus stand-ups?
Então, vão gays. E vão os namorados.
Eles têm medo de você?
Cara, eu não sei se eles têm medo. Muitos vão sem nem saber o que vai acontecer.
Boa ideia de date.
Tipo, a mulher fala assim: "Você vai ir, né?" "Não temos escolha". E vão, e aí eles descobrem o que acontece lá. Às vezes tem uns que vão com medo de eu pegar no pé deles e conversar com eles. Mas meu show é sobre mim e sobre mulheres. Então, eles meio que são irrelevantes naquele cenário, né. Então eu não interajo com nenhum homem nunca, porque não é sobre eles. É sobre elas, sobre as histórias das mulheres, é sobre as minhas histórias. Então a gente faz um pacto coletivo de fingir que eles nem estão ali. Amei!
Dá pra levar pra fora do show, né?
Isso! E tipo assim: "Ah, você trouxe o namorado? Que isso, nem vi, menina." Achei que era um cachorro. Exato, mas assim, um homem solteiro... Porque muita gente fala isso: "Nossa, você pega geral, que não sei o quê." Gente, um homem solteiro ir no meu show assim porque ele quis? Não acontece nunca, né?
Com todo respeito, você é uma gata. Mas eu diria que você não pega geral porque eles devem ter muito medo. Mas os alemães são muito medrosos.
É, geralmente sim.
Mas você pega geral pela sua cara?
Sabe o que que é? É que eu gosto de ficar com as pessoas, mas eu não gosto de conversar com as pessoas. Eu já tenho um nível de saco cheio do ser humano, realmente assim, de ter o date, entende? Você quer ir lá, você tem que fingir que se importa com a mãe dele. "Ah, que pena que essa mãe tá mal." "Tá, entendeu?" "Eu não tenho meu filho, não me interessa." E aí, às vezes você transa com a pessoa E às vezes aconteceu esses tempos de o cara dormir na minha casa. "Que que você tá dormindo na minha casa?" Pô, mas você deu muito mole, né?
Não se leva o cara pra casa. A gente que vai nas casas deles.
A minha casa é muito confortável, né?
É, por isso que a gente não leva eles pra nossa casa. Você sempre tem que ter o conforto de: "Puts, tô indo embora".
É, mas como assim eu faço isso? A pessoa vai ter pouco dissenso. Nunca tem.
Não, eles não, eles ficam.
Eles ficam. Porque essa história de "Ai, eu vou comer, eu vou largar", é mentira. Eles ficam lá. Eu queria que você só comesse e me largasse, era um desejo, não era um medo.
Era uma ambição minha. Era o final feliz dessa noite.
E aí tem uns que dormem, aí querem dormir de conchinha. Meu filho, que carência é essa? Nem te conheço, quer dormir de conchinha comigo, por quê?
Bom, é que eu sou completamente contra conchinha, é uma questão muito séria pra mim.
Mas mesmo no namoro?
Tudo. Dormir é uma atividade individual. Eu acho que eu já falei disso mais de uma vez no programa, mas eu vou me permitir ser repetitiva. Uma coisa repetitiva. Dormir é uma atividade individual, especialmente se você é uma mulher que tá dormindo com um homem. Aí vem aquele peso em cima de você.
Não, é até bom você comprar um Garmin pra ver se o homem atrapalha o seu sono. Às vezes atrapalha. É bom investir num Garmin pra ele. Eu já pensei em fazer isso. Porque eu, sinceramente, eu penso que se eu casar, se eu namorar e se eu casar um dia, vai ser cada um na sua casa.
É, isso eu não posso falar porque eu adoro uma casinha. Porém, já aconteceu comigo. Você sabe o que é terror noturno?
Sei.
Eu tive um date em que o cara teve terror noturno dormindo comigo. Você sabe o que que é? Você faz um date, toma um saquê, entendeu? Você dormiu e você acorda no meio da madrugada com uma pessoa do seu lado.
Ah!
Juro, por Deus. E desde esse dia, eu vou até a casa da pessoa. Porque ele tava na minha casa.
Ah, é isso, não tem nem como expulsar.
É, os ouvintes me chamam de mãe, então mamãe tá falando. É. Não leva pra sua casa, isso eu tenho muita certeza.
É, não leva mesmo, assim. Todas as vezes que eu fiz, eu me arrependi. Não tenho nenhuma experiência que eu falei assim: "Nossa, que bom que eu trouxe esse homem pra cá". E a galera fala isso pra mim: "Ah, você é bi". Não, eu sou bi também, eu fico com mulher também. Só que é a mesma coisa pra mim, eu realmente sou bissexual. Mas eu não suporto nenhum dos dois gêneros. Meu problema é com ser humano mesmo. Então eu não quero dormir com ninguém. Não quero dormir com homem, não quero dormir com mulher.
Ah, mas com mulher não é um pouco mais de boa de resolver? Porque a gente sai pra tomar café da manhã.
É, porque a mulher, ela tem uma anatomia que favorece, entendeu? Ela não atrapalha o ambiente. Gente, por exemplo, na cama ela fica ali, olha, quietinha dormindo na cama. Fica, sabe? O homem vai no seu banheiro escovar os dentes, fica escarrando aquela escova. Que ódio que me dá, sabe? Aí pega um negócio, porque toda minha casa ela tem as coisinhas mini, né? É girls house. Então é uma mini air fryer, é uma mini cafeteira. Aí chega, ah, minha cafeteira é mini, para com isso! Isso, pega ela delicadamente.
É verdade, é uma brutalidade. E às vezes eu acho que eles soltam um cheiro à noite.
Soltam, homem fedido, sabe? Esses dias eu fui pra Barcelona e fiquei com uma italiana. Uma menina mandou assim: "Ai, porque os italianos não sabem lavar o saco." Eu falei: "Mas e o brasileiro sabe, minha filha?" "Ai, que o gringo não sabe lavar o cu." E o brasileiro lava! Meu Deus do céu, aquelas bolas fedendo, é tudo que é coisa.
Bom, botando a minha colaboração aqui, é grave o número de amputações penianas no Brasil. E eu não estou brincando.
É muito?
E tem mais, porque acabou de chegar no meu TP aqui. Isso é uma situação alarmante, dados de 2025. A cada ano no Brasil são mais de 600 amputações penianas causadas por razões que são totalmente evitáveis. Como higiene e vacina do HPV. Vamos limpar o pintinho?
Imagina você ter transado com esse cara que teve que amputar por falta de higiene. A gente não sabe, pode acontecer.
Não, tem que esterilizar, não sei nem... Olha, e ainda querem transar sem camisinha, né?
Aham.
Não, amor, bota uma roupinha, a gente começa a conversar.
Não, não há possibilidade. E isso eu acho engraçado também, porque as pessoas, gente, eu não sei que mundo que as pessoas vivem, né? Esses dias eu tava falando, eu tomei muitos anos anticoncepcional, injeção. Mas conforme eu fui ficando mais velha, eu não sei se eu tomei muito, porque eu emendava, né, desde os 16 anos que eu fiz injeção. Então enfim, e aí meu corpo simplesmente não aceita mais hormônio. Tipo, todas as tentativas eu já fiz, Implanon, oral, tudo, tudo me dá alguma coisa muito adversa, cai os cabelos.
Enfim, aí minha ginecologista entendeu tudo e tudo mais. E eu tava falando para as pessoas que é muito ruim, porque hoje em dia eu tenho TPM, período fértil, coisas que vão oscilando, e eu não tava acostumada normais, né? Tipo de: nossa, que estresse é esse? Que vontade de matar a pessoa é essa? Que sabe, esses, os vãos do ciclo. E eu tava falando para as pessoas como é que elas sobrevivem a isso, né? Foi um vídeo que eu soltei.
E aí, ai, só usar camisinha. Gente, mas eu não tô falando— é óbvio que eu uso camisinha. Eu não tô falando como vocês vivem sem o método contraceptivo por ele ser contraceptivo, é por ele regular o hormônio, né? Como vocês vivem sem essa regulação? E as pessoas: ai, gente, é óbvio, Ficou óbvio pra ninguém, tem que usar camisinha se você toma anticoncepcional ou não, né?
Tipo assim... Ai, que bom te ouvir falando disso, porque nesse programa falamos sobre a importância de usar camisinha, porque a gente tem uma questão muito séria, inclusive nas gerações mais novas. Gente... "Ai, eu vejo muita diferença." Não vê tanto. Ou você não tá lubrificado o suficiente, e aí alguém vai ter que fazer o dever de casa melhor.
Gente, se você tá vendo diferença, é porque o sexo que o sexo tá ruim, tá? Se tipo, se a camisinha tá fazendo tanta falta no nossa, no tesão nesse momento, é porque o sexo tá ruim.
Que às vezes o sexo bom é bom com camisinha também.
É bom com tudo, gente. Você tá lá vivendo, fazendo um milhão de coisas, tá, né? É, uma vez eu tava num sexo tão legal assim que eu xinguei o cara porque ele tinha tirado a camisinha. Ele falou: "Mas eu não tirei." E eu só, na minha cabeça, ele tinha tirado, porque, né, eu não tinha entendido mais a camisinha naquele E ele dormiu na sua casa? Não, eu fui na casa dele só. Eu sempre fui assim, uma vez eu saí com um cara quando era bem mais nova assim, eu trabalhava no call center. Aí era um menino do call center também, o Pedro.
Ai, é o nome real?
Mas só, bobo de 8 anos, ninguém vai saber que é ele. E aí, tipo assim, antes da gente ter smartphones e tal, eu acho que nem tinha ou tinha Tinha, mas acho que era bem precário assim, sabe? Aqueles Samsung Pocket. Enfim, saí com o cara, fui pra casa dele e tal. A gente já se conhecia, a gente teve um date, fui pra casa dele, fizemos tudo que tinha que fazer. E aí, eu já tava meio que sentada na cama dele, trocando uma ideia, tipo, sabe?
Já tava assim, clima de let's go já. E aí, ele pega o celular e fala assim: "Nossa, meu amigo tá me ligando." "O que tá acontecendo?" Só que quando ele faz assim com o celular, eu vejo que é um alarme que ele botou. Então ele tava mentindo que um amigo dele ligou, que tinha sofrido um acidente de carro, pra me tirar de lá. Mas eu já tava indo. Isso me estressou num nível. E aí?
Você confrontou ele?
Não, mas foi uma cena de comédia, de uma sketch, sabe? Tão sketch assim, porque tava bem grande o alarme. E aí ele atendia e falava: "Olá, amigo, eu tô indo te socorrer." "Que? Que?" Eu fiquei meio gag, assim, na época. Eu fiquei meio assim. Só que aí, eu nunca questiono. Eu não tenho o que fazer, né. Então eu fiquei dobrando a aposta. Porque eu pensei: "Quer saber? Então eu vou, tipo assim, mostrar que eu tô muito preocupada com esse amigo, entendeu?" E aí, eu fiquei, tipo assim: "Meu Deus, o seu amigo sofreu um acidente?" "Mas ele tá bem?" "Não, mas a gente tem que dar um jeito." "Não, não sei o quê." "Eu vou com você pro hospital." E ele falava comigo todos os dias, eu passava lá na aula dele: "Só, amigo, como é que tá?" "Juro, não consegui nem dormir." Eu gosto de encher o saco, assim, é um hobby que eu tenho.
As pessoas sempre perguntam, né? Tipo, se é um personagem, eu não acho que não. Acho que eu sou só... sem ter muito o que fazer, daí eu vou falando.
E quando que deu para deixar de trabalhar no shopping? Você viu: 'Eu vou conseguir pagar minhas contas disso aqui'.
Então, quando eu deixei de trabalhar no shopping, porque assim, a minha irmã é médica, né? Se tornou médica ao longo do processo, ela é mais nova. E aí sempre fui eu e ela, assim. Então ela saiu de casa, eu saí de casa, a gente foi morando juntas. Ou às vezes ela, depois de um tempo ela morou na casa de estudante, enfim. Só que ela entrou por cotas, foi super, tipo assim, minha irmã é muito gênia mesmo, assim. Ela passou de primeira estudando em escola pública a vida inteira, em medicina na Universidade Federal. Universidade Federal.
Uau!
Tipo, ela foi laureada, que é muito difícil na Universidade Federal, você precisa ter um artigo científico publicado, tipo assim, é muito difícil. Ela foi a única laureada, ela é cotista. Tipo assim, a minha irmã é uma gênia, sabe?
E você também é de família, é do meu jeitinho. Sim, cada uma do seu jeitinho.
E aí fiz aquela, era da Federal, a gente não tinha dinheiro, então ajudava ela com algumas coisas financeiras e tal, a gente se E aí, quando ela se formou, e aí eu tava batalhando por aquilo, ela sabia que era meu sonho, e ela falou: "Eu te dou 2 anos e eu te banco". Então, a gente tava morando juntas.
Poxa, que linda! É. Entre irmãs ainda.
É uma das coisas mais legais, eu devo tudo a ela, porque foi ela a primeira pessoa que apostou, sabe? Ela olhou e falou: "Você precisa de tempo, você precisa, né?" "Então vai." E eu acho que eu fui com muita sede ao pote também por isso. Porque óbvio que ela não estava cronometrando os 2 anos, mas eu estava. Entendeu? Óbvio que ela não ia falar: "Olha, fiz R$3,99, bateu os 2 anos. Agora é trabalho, minha filha, é trabalho." Mas...
E aí eu fui, assim. Nesse período, como eu cresci muito também, eu consegui freelas em agência. Agência pra escrever roteiros, enfim. Tipo, o meu Instagram virou meu portfólio. Então eu consegui fazer algumas coisas assim também, então, que me ajudou bastante. Então depois que passou os 2 anos, eu trabalhava numa agência como copywriter. Então eu fazia muito, eu ganhava assim, pra mim foi a maior que eu tinha ganhado na minha vida, eu ganhava R$5 mil por mês, eu me sentia tipo assim, muito foda. E aí foi quando eu decidi vir pra São Paulo. E aí Demorou um aninho, mas foi.
Tá bom, um aninho, vai. Tá bom, um aninho. Carol, me fala como que chega até você esse prêmio Paulo Gustavo, o que significa pra você, como que você tá agora?
Menina, quando a deputada entrou em contato comigo, né, e pelo meu direct e tal, enfim, falando: "Ah, a gente vai fazer indicação e tal." E aí eu passei pra Ana, que trabalha comigo, né. Isso faz um tempinho, acho que faz uns 2 meses, talvez. E aí eu falei pra Ana: "Ó, Ana, precisava de dados meus?" Mas eu não tava levando fé nenhuma, assim. Eu pensei: "Tá, vão me indicar, que legal." Agradeci muito a deputada que me indicou, pensei assim: "Nossa, gratidão imensa, né".
Quase que eu pensei assim: "Obrigada por tentar, né, diva. Obrigada por tentar". E mandei isso, assim. "Esqueci, né, mandei, esqueci e tal". E aí, e daí ela me ligou e disse: "Você ganhou, você ganhou". Não é prêmio, é uma honra, né, uma homenagem. Você vai ser homenageada em Brasília, né. Porque daí, até então, não tinha entendido nada. Porque eu achei que era São Paulo, aí eu entendi que é Brasília. Eu falei: "Meu Deus, é do país, é?".
Eu falei: "Caramba, não tinha entendido nada". Eu falei que eu não tinha levado nada. Porque eu não criei nenhuma expectativa. Fiquei: "Nossa, mas vai?" Ela falou: "Vai, não, você foi selecionada e tal, a gente votou e tudo mais." Aí eu, a Clarice, Falcão, tem mais gente que eu me esqueci, mas que são geralmente 4, né. Que acho que é o Porchat e mais alguém. E eu fiquei muito incrédula assim, né, com o tamanho, né. Eu até brinquei com as minhas amigas: "Olha, o que falar de cu me levou." E a sua irmã, como é que ela fica hoje?
Cara, minha irmã, ela se diverte muito, assim. Minha irmã é muito orgulhosa, né. Minha irmã é médica, assim, né, intensivista, né. Terminou a residência e tudo mais, trabalha na UTI. E a minha irmã é super desligada de tudo. Quem é fulano, quem é tal influencer, quem é tal podcast, ela não sabe nada. O Gui, que é meu cunhado, ele sabe mais as coisas. Então ele fala: "Não, é bem importante isso que ela foi, esse lugar é bem importante".
Então ele vai avisando ela. Mas ela apoia super, ela vai atrás. "Entender o que é e tal". Então, ela comemora junto comigo, assim. A primeira pessoa sempre que eu conto, né. Porque realmente, quando eu fiz, eu nunca fiz num intuito de mudar o mundo, né. Assim, eu acho que foram ideais juventos, né. Da juventude que a gente tem. Mas quando eu só falo sobre a minha experiência, né. E a minha experiência acaba sendo uma experiência feminina e tal, dentro do mundo. Mundo, né?
Então mudou o seu mundo e mudou o meu mundo.
O meu mundo eu mudei. Então foi, foi bem impactante assim ver. Acho que esse prêmio mostra como as pessoas veem o meu trabalho, né? Isso foi muito legal.
Parabéns! Obrigada, Carol. Pra gente fechar, e desde já muito obrigada, eu amei te receber aqui.
Eu amei também.
Nossa, eu amo episódios gargalhantes, gargalhei muito. Quero saber duas coisas de você. Primeiro, Pelo que você está fissurada nesse momento? Vale tudo, vale trend do TikTok, a livro, a filme, ao que você, o que tá te deixando fissurada atualmente?
Eu tô muito fissurada ultimamente em filmes estrangeiros, filmes, faço a lista assim, quem ganhou Cannes, quem teve exibição em Cannes, quem ganhou Oscar, quem foi o Oscar de filme estrangeiro de tal ano, e vou olhando assim. Às vezes eu entro nos hiperfocos assim, né? Meu hiperfoco atual é ser cinéfila, e tô muito hiperfocada em Copa do Mundo também, muito hiperfocada em Copa do Mundo. Sempre gostei muito de futebol, né? Então tô muito hiperfocada.
Eu vi aquele documentário do Ronaldinho Gaúcho, gente, tô hiperfocada em Ronaldinho Gaúcho.
Ah, eu quero assistir, é bom?
É muito bom. Eu conheci ele obviamente porque que ele é do Grêmio, né, iniciou no Grêmio e tudo mais. Então, a história dele, dessa parte, a gente pegou. E a história clássica dele no mundo. Mas é muito interessante, mostra a vida dele, ele como pai. Tipo, ele como talento mesmo. Ele foi um dos— acho que não sei se é o único, um dos poucos jogadores que ganhou tudo. Tudo que um jogador pode ganhar, ele ganhou, né. Ele ganhou Libertadores, ele ganhou Champions League, ele ganhou Copa do Mundo, ele ganhou tudo, né.
Então, todas as coisas que ele pode ganhar, ele ganhou. Então é fenomenal a história dele assim. Eu sou fissurada, eu queria que ele jogasse agora na Copa. Eu fiquei apaixonada, eu já tava assim, meu Deus, eu mandei um direct pra ele.
Pode entrar Ronaldinho Gaúcho!
Ah, ele deve estar lá em Miami essa hora, né?
Eu vi o documentário sobre a Copa de 70. Documentário não, é um filme.
É um filme, né, da Copa de 70.
Muito bom, muito bom. Você entende o contexto político ali assim, eu Gostei muito, recomendo também. Você acha que o Brasil vai até onde nessa Copa?
Menina, até onde ele enfrentar a França ou a Argentina. Ele tem que ir rezando, né? Acho que vai ser isso, acho que vai ter que torcer, né? Ou que de repente o menino nem esteja inspiradérrimo, né? Tem que falar assim, se valesse um periquito loiro, aí o Hex era nosso, né? Porque nunca vi, pra comer periquito são assim, né?
Nossa, mas corre, trem!
Pra pegar uma taça, não, não dá.
E por que o Ancelotti não coloca o Hendrik pra jogar? Desculpa, gente, eu preciso fazer perguntas pra uma pessoa que entende mais de futebol que eu.
Ninguém sabe explicar, assim, né? Tem gente que diz que é porque ele é meio arrogante no...
O Hendrik?
É, no vestiário e tudo mais, né? Mas é aquilo, né? Que é uma frase clássica do técnico, que eu não quero que ele seja arrogante. Que ele seja esposo, marido da minha filha, né? Eu só quero que ele jogue, né? Tipo, ele não precisa, ele não precisa ser legal, é só ele entrar e jogar. Então eu acho que tem muita coisa, como eu disse, homem invejoso, né? Então também tem muito isso, tipo, ele é um menino que nitidamente vai resolver algumas coisas, vai entrar, enfim.
Eu acho que permeia aí essa inveja masculina, porque eu acho que assim, gente, se é por ser arrogante dentro do vestiário, Romário nunca tinha sido escalado. Romário, incrível.
Lembro de fazer cobertura da Copa.
Exato, Romário, assim, no futebol sempre foi incrível mesmo, mas também nunca foi humilde, né?
Então assim, mas também eu acho que, bom, aí entra numa outra pauta, mas só pra gente concluir, eu acho que atleta de performance olímpico, Copa do Mundo, não vai a lugar algum sendo inseguro. Eu acho que em algum momento de egotrip você precisa pegar o seu superego e ir, senão você não vai, né?
É que você tem que estar à mão em várias coisas, né? Você tem que ter muito egotrip, mas ao mesmo tempo é isso, você tem que— Eu nunca vi isso, acho que eu nunca vi um jogador de futebol humilde, né? Eles sempre sabem, né, o seu potencial, principalmente porque o futebol ele é muito ranqueado por números. 'Eu ganhei tal coisa, eu fiz tantos gols.' É fácil você medir o seu talento, né? Mas eu acho isso, acho que tipo tem que ter, mas e só que eu acho que ao longo do tempo o jogador no Brasil, que geralmente a gente fala assim, ah, jogador de futebol é burro, ele não— Agora o Hendrik, por exemplo, ele fala várias línguas do país que ele passa, né?
Ele dá entrevista em várias línguas e o pessoal fala: 'Nossa, que incrível, jogador de futebol fazendo Tudo isso. Só que a gente perdeu isso, a gente normalizou a burrice, com todo respeito aos fãs, com o Neymar, né?
Porque não, mas acho que nenhum fã do Neymar ouve esse programa.
É, não é?
Não, é que às vezes viralizam um corte, né? Eles não estão presentes, né? Ouvintes, vocês não estão, né? Não, não, não, não, não. Aqui a gente não é fã dele, não.
Porque assim, ele pode jogar, tudo mais, mas ele é sempre ele sempre ostentou a ignorância, né? Mas ele foi, ele estreou isso, né? Porque o Ronaldo Nazário falava holandês, falava muito bem holandês. O Ronaldinho, o outro, o Ronaldo Nazário falava holandês fluente. O Ronaldinho Gaúcho falava francês, falou espanhol, falou todas as línguas também. Então tipo, era uma coisa normal, era o mínimo esperado o criador. E aí hoje, claro, toda, toda o crédito ao Hendrik, né?
Mas o Hendrik só também tá sendo tão louvado porque o parâmetro dele foi o Neymar, né?
É verdade. Mas adorei, adorei aprender. Eu amei essa claquete futebolística assim, que veio completamente inesperada e necessária. E agora, para a gente finalizar e trazer as ouvintes para conversa— não, isso você gostaria de saber. O que você acha que as nossas ouvintes poderiam sair desse episódio se questionando em relação aos homens de suas vidas?
Eu sei, as pessoas falam assim para mim: ah, meus últimos relacionamentos, com os que foram com homens, esses homens estão na minha vida até hoje, são só amigos, melhores amigos, pessoas legais. E aí uma coisa que eu vejo que as mulheres Mulheres, que é diferente dos homens, que os homens não precisam ser amados, eles precisam ser admirados. E as mulheres precisam ser amadas, elas não precisam ser admiradas. E esse é o grande erro, porque amar é mais fácil que admirar.
É tipo, a não ser que você tenha uma baixa autoestima muito grande, que as mulheres têm, de que nunca vou ser amada, né? Mas a gente precisa ser admirada, porque é isso que vai levar o respeito a esse relacionamento. Então, por exemplo, eu fico com pessoas que me admiram, que olham meu trabalho e falam: nossa, incrível! Ou que admiram áreas da minha vida, que admirem o fato de, sei lá, do que eu falo, de como eu sou na vida privada, que demonstrem por mim e outras pessoas, né, outras mulheres.
Porque o fato é, se esse homem não admira outras mulheres, ele não vai admirar você. Se ele fala mal de outras mulheres, uma hora ele vai falar mal de você. Então eu acho que a gente que é mulher se contenta com muito pouco numa relação por medo de ficar sozinha, sendo que a verdade é que os homens estão lutando para não ficar sozinhos.
Não se esqueçam disso.
Toda essa batalha de tradwife, de mulher voltar para casa, é porque os homens estão desesperados, né? Assim como na Coreia o dorama surgiu para que as mulheres coreanas voltassem a querer casar, porque elas não queriam.
É uma estratégia política, é uma estratégia política, não sabia.
Foi uma estratégia política, tipo assim, não vou saber dar as datas assim, mas é, foi, eu acho que o nome do movimento coreano é 4B, não vou, tem uma sigla que são as mulheres coreanas meio que entraram num pacto, mas assim, se esses caras 'Mas eles diminuem a minha vida de trabalho e tudo mais. Se ter filhos não me favorece no mercado de trabalho, não me ajuda em nada, o que que eu vou fazer?' Então as mulheres coreanas pararam de ter filhos e pararam de casar.
Então o dorama foi uma estratégia política para que essas mulheres voltassem a olhar para o amor romântico. Olha! Então o dorama surgiu a partir disso, essa foi a estratégia do dorama. E só funcionou com as brasileiras, né, que as brasileiras estão indo lá para Coreia atrás. Você se Se casando assim, não sei, eu sou muito de me ver casando quando eu tô com alguém que eu estou ali apaixonada. Então me vejo com aquela pessoa, não é tipo assim um desejo fugaz, meu Deus, eu preciso casar, tipo um sonho de vida.
Mas quando eu tô com alguém e tô muito apaixonada, às vezes assim, isso aconteceu comigo uma 3 nesses últimos 4 anos, tá?
Sim, mas tá bom, né?
Acho que tá bom.
É, tá bom, tá bom, tá bom.
De ver uma pessoa e falar assim, ó, essas pessoas eu criaria uma vida, mas eu não moraria junto também. Cada um, cada macaco com seu galho, né? Eu com as minhas coisinhas.
Mas teria filhos?
Teria.
Quer ter filhos?
Não é aquela coisa que nem eu falo, né? Tipo, aquele sonho, tipo, se eu não tiver filho eu vou ser uma pessoa frustrada. Porque eu nem, por exemplo, tenho 33, não namoro não congelei óvulos e não pretendo. Pretendo deixar o encaminhamento da vida e caso seja uma coisa, tipo, vou fazer, eu vou adotar. Não é uma urgência de parir também, porque eu sempre conto no meu show a história de quando eu vi minha amiga de 17 anos, quando eu fui com ela, ela pariu, foi um trauma.
Você assistiu um parto?
Não sei se você já viu um parto desse ângulo da xereca, mas assim... Já, já. É definitivamente um trauma na minha vida. Nossa Senhora, eu usava 3 camisinhas depois daquilo, gente.
Mas é por isso que hoje em dia os pais ficam ali na cabeça da mulher. Porque do outro lado eles desmaiam, é um saco. Tem que ter cuidado, já viu os vídeos?
Tem que ter cuidado com os caras. Nossa, eu fui forte, quase caí também. Porque é barra, é assustador. Então eu não faço questão de parir, eu não acho uma coisa tão mágica quanto— não é, né? Então tudo como mágico, que não é. Mas quando eu falei, quando a gente era muito nova, eu era muito pobre, né? A gente não tinha nem comida na geladeira. Então quando a gente é muito pobre, a gente não tem um sonho grande, a gente tem pequenos objetivos.
É tipo assim, não tem comida na geladeira. Às vezes minha mãe brigava que tinha que comer a comida da merenda da escola, porque eu era jantuar, almoço, e vambora. Então minha meta é ter uma comida na geladeira quando eu trabalhar. Aí você trabalha, põe uma coisa na geladeira, e aí você vai indo, points, né? Agora quero ter não sei quem, você vai tendo micro points assim. Então quando eu tinha, tipo, se eu quero viajar para o exterior, era um sonho da minha vida.
Então quando eu ganhava dinheiro, era isso. Se eu tivesse um filho naquele momento, eu não ia ter, né, viajar para o exterior. Daí eu falo assim, ó, só se eu ganhar bastante dinheiro. Aí hoje, como eu ganho um dinheiro legal, eu já penso assim, hoje eu poderia viajar e ter entendeu? Tipo assim, um filho talvez ele seria uma coisa bacana, seria um projeto bacana. Então hoje eu penso no filho dessa maneira assim. Mas é isso, ou eu teria, eu não sei como eu teria assim, porque é muito difícil eu confiar num homem nesse ponto de—
Você sabe fazer com uma mulher?
Dá, dá para fazer com uma mulher. Só que daí entra o fator que eu teria que planejar.
Ah, você quer que seja sem querer?
Não, eu acho que é mais fácil sem querer, né? Que planejar um filho é muita responsabilidade. A gente falou, amanhã a gente vai fazer e vai nascer essa "Entendeu? Você vai ter que, tipo assim, caralho, acordar de manhã, num dia e falar 'olá'." "Vamos ter?" "Vamos." Eu não me vejo fazendo isso, sabia? Acordando com alguém e falando: "Não tem um filho?" Eu acho que eu confio pouco em mim. Eu confio mais em mim falando: "Meu Deus, eu vou ter um filho daquele desgraçado!" Eu acho que é uma coisa que combina mais comigo. Num dia do desespero, deu pra alguém e fudeu. E aí, ter o filho assim.
Ou que entregassem, né? Porque toda gestação é outro...
É. Ou que adotasse também. A família tem muitas adoções. Também, né? Minha família adota, mas é bem demorado, né?
A minha também, e por isso que eu sei que não faz a menor diferença.
É, é isso, a família também, né?
Menor diferença.
Eles até ficam parecidos.
Eu também acho.
Eles ficam parecidos, né, com a família.
Acho que eu nunca falei dele no programa.
É muito legal. O meu primo, tinha alguns graus, né, que é filho do meu primo, ele também parecido com a família. Meu papai é bem pequenininho, né?
Porque é família. É, porque é família.
Exato.
Amei, Carol.
Eu amei também.
Eu amei conhecer o outro lado.
Ai, eu amei te conhecer.
Eu ficava muito curiosa. Nossa, essa mulher é muito corajosa. Que bom. Obrigada. De onde que vem tanta coragem? Entendi.
A gente vai indo, né? Eu nem penso, acho que vem disso. Acho que um conselho que eu daria pras mulheres é nem pensa.
Não pensa muito não.
Não pensa não, porque a mulher fala: "Eu sou overthink." Não, não faz isso com você não.
Prazer.
Eu também, só me chamar que eu já tô aí.
Amém. Obrigada, até semana que vem. Bom Job é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Ceribelli, e produzido e editado pela Zamunda Studio.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Mercado Livre
Ofertas 7.7