Qual o custo da sua falsa calma? com Tati Bernardi
Neste episódio do Bom dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a escritora Tati Bernardi para uma conversa sobre a possibilidade de aceitar as próprias loucuras como forma de romper os limites impostos às mulheres.
Ao longo do papo, Tati reflete sobre o seu processo de questionar esses padrões, especialmente em ambientes de trabalho. A conversa passeia por temas como relacionamentos, relações familiares e maternidade.
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Livro: Ioga - Emmanuel Carrère: AQUI
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Livro: O adversário - Emmanuel Carrère: AQUI
Livro: Colcoz - Emmanuel Carrère: AQUI
Crônica da Tati: AQUI
- A falsa calma como forma de romper limites impostos às mulheresaceitar as próprias loucuras·questionar padrões em ambientes de trabalho·exaustiva carga de trabalho interno
- A origem do título 'Depois a Louca Sou Eu' e a loucura femininacrises de ansiedade e pânico·genética de loucura na família·dar nome a sentimentos·a escrita como busca por aliados
- A escrita como vingança e a superação de relacionamentosescrever sobre pessoas amadas e odiadas·lidar com a publicação e a ressaca·superar um homem bobo·a história do 'Tetinha'
- A frase 'Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha' e a maternidadeexpectativa da mãe sobre a filha·prisão de gênero·medo de se afastar da família·a filha como analista em casa
- Experiências de Tati Bernardi em agências de publicidadeenforcar um colega de trabalho·lidar com assédio e maus tratos·virada na vida profissional·libertação de um ambiente tóxico
- A gestão de relacionamentos e o ciúmemisturar relacionamento com trabalho·ciúme envelhecido bem·ciúme da filha com a madrasta·táticas para lidar com flertes
Quem pode se dar ao luxo de ser considerada uma mulher normal? Durante séculos, a loucura feminina não foi só um jeito de nomear sofrimento psíquico. Foi também uma fronteira política que ajudava a separar a mulher tolerável da mulher que falava, desejava e recusava mais do que devia. Ou que interpretava a própria vida sem pedir autorização, especialmente aos homens. E essa é a hipótese que eu quero investigar hoje. Quando a desobediência aberta é perigosa demais, ela nos aparece Só reaparece disfarçada, podendo virar sintoma, escrita e até um pouco de senso de humor.
A falsa calma pode até eliminar conflitos com os outros, mas nos dá uma carga exaustiva de trabalho interno para esconder nossas verdadeiras reações. Eu sou Marcela Ceribelli e isso é Bom Dia Óbvias, a casa das mulheres que pensam em voz alta. Antes da gente mergulhar no assunto da semana, segue o podcast e ativa as notificações. Assim a gente fica ainda mais em casa. Oi, ouvintes!
Vocês têm um minutinho para ouvir sobre o Clube do Livro?
Como vocês já sabem, a nossa jornada literária do Óbvio Esporte Clube está prestes a começar. E se você ainda não garantiu sua vaga, essa é a hora! Ainda dá tempo de entrar para o meu novo Clube do Livro. Durante 12 meses vamos viver uma jornada de leitura com 12 livros escritos por mulheres, uma masterclass por mês para aprofundar cada obra e um encontro online ao vivo para continuarmos essa conversa juntas. É uma jornada para quem sente vontade de ler mais, mas também de encontrar espaço para conversar sobre as emoções, criar um hábito de leitura possível e ter companhia ao longo do caminho.
E agora você também pode escolher como quer participar. Na modalidade completa, você recebe a box física com 12 livros e os materiais que fazem parte da jornada, como os 12 marcadores, nosso blog de fichas literárias e outros materiais que preparamos para vocês. Já na modalidade digital, você acompanha toda a experiência do clube, as masterclasses comigo, os encontros ao vivo com convidadas, a comunidade, a nossa jornada de leitura durante os 12 meses.
A única diferença é que você não recebe os livros e materiais físicos. Isso aqui é para as gatas dos Kindle e também quem tá fora do Brasil.
As vagas são limitadas e se você estava esperando o momento para entrar, talvez seja esse. Use o cupom BOMDIA10 para garantir o seu desconto e venha fazer parte do Óbvios Clube. Eu te espero lá. Hoje quem senta comigo pra essa conversa é a Tati Bernardi. E não existe muita gente que já pensou tanto sobre esse assunto quanto ela. Porque ela construiu uma carreira inteira escrevendo justamente sobre esse limite. Há mais de 10 anos ela escreve crônicas na Folha de São Paulo contando pedaços da própria vida.
E um dos seus livros mais conhecidos se chama, não por acaso, Depois a Louca Sou Eu. Ela também é autora de Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha. E do mais recente, A Boba da Corte. Tati também escuta e interroga a vida dos outros no Desculpa Alguma Coisa. E ao lado de Christian Dunker, no Desculpa o Transtorno. Bora pra nossa conversa?
Bom dia, Tati!
Seja bem-vinda! Bom dia, tô muito feliz!
Eu tô muito feliz!
Sou muito fã sua.
Não... Sério?
Sério, muito!
Bom, acabei de contar pra você, né. Sempre fui muito fã. Leitora, ouvinte, tudo. Durante muito tempo, eu achei que se você chegasse aqui muito burra, mas agora eu tenho autoestima. Então você tá aqui.
E eu amei quando eu te entrevistei, foi uma das melhores entrevistas. Fiquei muito fã mesmo. Já era, né? Já consumia. E aí fiquei gostando mais ainda. Foi uma entrevista muito boa. Foi muito boa, muito boa, muito boa.
Foi um bom dia, Tati. Você tem dois programas, inclusive nesse que eu fui, que começam com desculpa.
A pessoa tava, tava um pouco culpada na época, né? Então por que tanta desculpa? Olha, o Desculpe o Transtorno, eu acho que é um nome ótimo. Eu adoro trocadilho espertinho. Eu sou, a minha cabeça funciona um pouco como, eu acho que é uma herança da época de publicidade, que a gente ficava tentando fazer frasezinhas, né? Então Desculpe o Transtorno eu gosto. Desculpa Alguma Coisa, eu te confesso que eu não acho um nome tão esperto de programa.
Minha vontade em algum momento é mudar esse nome, porque eu sou boa de nome. Acho Reparação Histérica um nome bom. Né, sempre tem, você vê, tem uns trocadilhozinhos.
Tem um que era muito bom, perdão, não sei se ainda tem. Quem lê tanta notícia?
Quem lê tanta notícia já traz ali um Caetano Veloso. E o Desculpa Alguma Coisa é porque eu queria tirar das pessoas aquela verdade. Mas eu acho que é um nome meio pretensioso, eu não sou tão fã desse nome.
Mas o Descubra o Transtorno é maravilhoso, porque é com o Dunker.
É Dunker, maravilhoso. Eu acho esse nome gostosinho também.
Inclusive, ontem eu vi a chamada do episódio, eu tô louca pra assistir. Porque é a mulher que se tornou amante do ex-marido. Então ela nunca realmente foi escolhida.
Esse... eu não sei o que aconteceu nesse episódio. Vindo pra cá, tava até conversando com o Lucas, que é meu namorado e também faz esse programa comigo. Em um dia, bateu 45 mil views. Em um dia, em menos de 24 horas. Tem alguma coisa nessa chamada de você ser a amante de quem você já foi? Que foi a principal, né, que mexeu muito com a galera. A galera entrou ali em massa e é um programa que vai muito bem. Esse aí foi, esse aí tá bacana, eu gostei desse programa.
Então não é tão recente, é porque tá viralizado, então o YouTube me mandou.
É, não, ele é super recente, ele tem 2 dias.
Ah não, muito recente!
Nossa, 45 mil em um dia, ele bateu 45, tá? Esse aí tá indo bem. E essa mistura, né, putaria viraliza rápido.
Ah, mas também tem um fetiche do, bom, fetiche sim, inclusive eu tenho uma amiga amiga que uma vez pegou os pais que estavam divorciados transando na sala.
Caramba! E aí, como ela ficou?
Se sentiu enganada?
Ela achou ele meio ridículo da separação.
Ela achou ridículo, falou: vocês são ridículos!
Tem um filme muito bom que é isso, né? Tem um filme americano muito bom com a melhor atriz de todos os tempos, que ganha todos os prêmios. Como é que é? Minha memória é a que tá em todos os filmes, que já é uma senhora, que amamos. Tô grávida! Eu Estive grávida, tive 4 covídeos. Meryl Streep? Meryl Streep! Ai, graças a Deus! É com ela, ela volta a ter um caso com o ex-marido. É bem bom esse filme.
É porque também mexe com o fetiche do: será que um dia a gente vai voltar junto? E desculpa qualquer coisa, mas dá certo? Tem dado certo para você misturar relacionamento com trabalho? Você costuma fazer isso, Tati?
Eu acho que Tem as coisas que podem dar errado, né? Porque às vezes você tá puta com alguma coisa do trabalho. E aí você fala, ai, que bom, à noite eu vou desestressar, vou sair com o meu namorado. E aí não desestressa, porque o que você tava puta com o trabalho você continua puta, porque é a mesma pessoa, né?
Você dorme com o problema.
Você dorme com a pessoa. Mas eu acho... Primeiro que eu trabalho muito, então eu só poderia namorar alguém que trabalha comigo, porque eu não ia arrumar outro tempo, né? E depois que eu acho muito legal essa sensação de ter um projeto junto e crescer junto. E de certa forma eu ia acabar flertando com a pessoa que tá ali o dia inteiro. Então é melhor já namorar.
Você é muito flertante?
Eu sou muito flertante, sou flirtation demais assim.
Desde sempre?
Desde sempre. E não movida a, se eu tô assim solteira em busca de algo, é mais movida a, sei lá, ter uma transar ou uma paquera que dê em algum relacionamento. Paquera é muito coisa de velho, né? Mas eu sou flirtation no sentido com mulher, com amigo, com— não sei, eu gosto dessa coisa de sensualizar, mesmo que sem ganho corporal. Não precisa dar em algo, beijar, transar, não é para isso. Mas é, eu cheguei aqui, eu abracei todo mundo, que saudade de vocês, como vocês estão lindos!
E eu flerto, tem uma coisa em mim muito, muito do flerte. Mas é mais do que simpatia e fofura. Outro dia eu fiz uma coluna na Folha falando que eu tenho um relacionamento muito muito sério com meu cinismo, mas ainda bem que é um relacionamento aberto. A minha mãe achou que eu tava dizendo que meu relacionamento é aberto. E eu falei, não, mãe, é uma piada que é um relacionamento aberto com cinismo. Ou seja, tem momentos pra romantismo, né?
Não, acho que ali você tava dizendo que você tem relação aberta, minha filha. E ficou preocupada comigo, esse negócio aí de, né, precisa ver as vacinas de hepatite, sei lá. Foi pra um papo estranhíssimo. E aí eu falei, mãe, eu acho que se eu arrumar um Um flerte, abrir a relação e começar a transar. Eu acho que eu entrei em coma, porque eu tô tão cansada. Que horas que eu ia fazer isso? Eu não consigo imaginar como é que eu ia encaixar.
É uma administração de tempo, mas eu acho que a maior administração do tempo que eu não consigo imaginar são pessoas que têm amantes fixos.
É, porque aí é pior ainda, porque tem o tempo que você perde mentindo, né?
Isso, e a ansiedade. É uma relação aberta, pelo menos imagino, né? Claro que existe uma ansiedade, mas amante?
Manter duas famílias?
Nossa!
Não, mas essa pessoa já ganhou muito dinheiro ou nunca vai ganhar. Porque no tempo que ela tá fazendo isso, ela não consegue. Às vezes rola, né?
Às vezes rola. Mas então você não é uma pessoa ciumenta?
Eu sou muito ciumenta. Mas o meu ciúme mudou. Meu ciúme envelheceu bem. Gostei dessa frase, meu ciúme envelheceu bem. Eu sou extremamente ciumenta. Mas hoje em dia eu penso, que tesãozinho, tô com ciúme. Vou usar isso pra... Um sexo mais gostosinho. Eu não penso, nossa, tô com ciúme. Porque com 20 anos eu ficava com ciúme, eu ia pra um lugar muito de insegurança. Se eu tô com ciúme, então é porque eu tô me achando feia, porque eu tô me achando burra, é porque a outra pessoa é melhor.
Ai, meu Deus, serei traída. Hoje em dia eu sinto ciúme, eu penso, eita, que eu vou usar isso aqui na hora certa pra o sexo ser mais gostoso. O meu ciúme envelheceu bem, mas eu sou muito ciumenta. Eu tenho muito ciúme de amigo, eu tenho ciúme da minha filha, eu sou ciumenta com tudo.
Como é esse filme de filha?
Minha filha tem uma madrasta maravilhosa. E ela ficou muito encantada por essa madrasta, logo que conheceu. E ela chegava em casa, tinha que dormir com foto da madrasta. Falava da madrasta o dia inteiro. E eu passei por algumas semanas muito difíceis. Nossa! Até que eu conheci a madrasta e me apaixonei junto com ela pela madrasta.
Passou a dormir com uma foto da madrasta?
Passei a dormir com uma foto dela, exatamente. E... E hoje em dia eu acho maravilhoso que ela— imagina ela não gostar da madrasta, ou a madrasta não ser legal. Então hoje em dia eu sinto só amor por isso. Mas no começo foi difícil, porque eu— meu Deus, o que que está acontecendo? Era novidade, né? Era uma novidade, é uma nova figura, é normal também.
E pra Rita também, uma segunda referência.
Exato. E hoje em dia eu só penso Teve... Esse dia eu me achei muito madura. Porque eu tive que fazer uma... No dia que ela ia dançar na festa junina da escola, eu ia lançar meu livro na Bienal do Rio. Isso foi ano passado ou retrasado. E eu, antes de ir... Porque aquelas coisas que a escola avisou, já tava toda a passagem comprada, a Bienal confirmada. Eu tinha que ir, ia fazer uma mesa. Mas mesmo assim, eu tentei desmarcar. Porque eu falei, ah, festa junina, tal.
Mas não consegui e fui. E aí, filho sabe fazer, né, um drama... Ah, mamãe, você vai perder a minha dança e não sei o quê. Eu fui arrasada, fui doente, com tudo que você pode imaginar. Me deu dor de garganta, febre. E aí eu recebo uma foto da minha filha impecavelmente, com cabelo e pintinhas de festa junina na bochecha. E eu— e a madrasta mandou e tinha feito ela ficar linda. E eu senti um amor e uma felicidade profunda e não senti ciúme. E eu falei, ó, vai, Tatinha!
Olha!
Eu achei... É isso, mulheres juntas, né? O pai é ótimo também, mas a madrasta caprichou ali naquele penteado, sabe?
Ah, ela conquistou.
É, e eu achei aquilo lindo.
Tati, como que o tema loucura entra na sua vida a ponto de virar um título de Depois a Louca Sou Eu? Qual que é a pauta loucura feminina na sua vida?
Eu acho que tem esse livro Depois a Louca Sou Eu Eu, desde adolescente, comecei a ter crise de ansiedade, crises de pânico. E eu não sabia direito o que era aquilo e achava que eu tava ficando louca, que eu era meio fora da casinha. Hoje em dia, se começa a vir uma crise de ansiedade ou de pânico, é quase espirro hoje em dia, né? As pessoas têm isso o tempo inteiro. Então eu não me assusto mais, né? Eu sei como lidar, eu sei o que fazer.
Eu tenho uma pequena farmacinha na minha bolsa. Eu falo disso na terapia há 20 anos. Eu tenho WhatsApp de psiquiatra, eu tenho um livro falando disso e eu tenho um monte de leitor dizendo, eu também tenho, eu também tenho. Então eu não tenho mais medo de sentir nada disso. Mas lá atrás, na adolescência, quando vinha esse sentimento de eu tô apavorada e nada está acontecendo, era muito assustador pra mim. Eu achava que eu tava ficando maluca.
E tem uma coisa interessante na minha família, que todo mundo de certa forma tinha isso, só que A minha avó tinha a coisa, meu avô o piripaque, minha mãe o treco, sabe? Não tinha nome, né? E todo mundo tinha a coisa, o troço, o treco e o piripaque. Acho até por isso também que me tornei escritora, pra poder dar nome pra essas coisas que a minha família chamava de troço, treco, piripaque, etc. Então acho que o nome vem daí, desse susto com a minha loucura.
E depois eu gostando da minha loucura, porque ela Gerava textos, gerava coisas engraçadas que eu falava na escola ou dando uma entrevista. E eu pensava, olha que legal, isso que me assusta tanto fez alguém rir na hora do recreio na adolescência ou fez alguém rir numa entrevista que eu dei sobre o livro. Então, esse tema da loucura, agora ele também tá muito presente porque a minha família é muito louca. Então assim, tem psicóticos na família tanto do lado da mãe quanto do lado pai, não tão próximos assim, né.
Mas tem. A família do meu pai tem seus psicóticos, a família da minha mãe tem os seus psicóticos. E hoje em dia, depois de mais de 20 anos de análise, já também mais madura, eu vejo que graças a Deus eu fui criada por uma mãe e por um pai bem doidinhos. Doidinhos do bem, doidinhos funcionais, com muito amor, mas completamente doidos.
Mas esses psicóticos são diagnosticados ou você percebeu?
Mamãe e papai não são psicóticos, mas na minha família tem têm psicóticos. E isso me assustava muito, porque eu pensava, eita, tá na genética aqui.
Então, medo, né?
Dá muito medo. Tanto que o livro que vem depois do Depois da Louca Sou Eu, que chama Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha, é quando eu estava grávida da minha filha. Eu pensei, que genética de loucura que eu vou trazer aqui? E aí eu comecei a investigar mais esses maluquinhos da família. E é um pouco esse livro, é um pouco isso assim, de eu ficar lembrando esses momentos, esses traços da família.
Quando você lançou o Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha, eu, dentro de um romantismo do meu olhar, e também muito distante ainda de ser mãe, eu achava que era um título para sua filha e algo bonito. Nossa, você nunca vai ficar sozinha.
Mas é porque essa foi a frase que eu fiquei desesperada quando eu vi que eu tava grávida de mulher. Eu tive uma erração muito louca, já que a gente tá falando de loucura. E eu não liguei primeiro pro meu ex-marido, eu liguei pra minha mãe. Eu fiz aquele... eu tava doida pra que fosse menina. E aí, eu fiz logo aquele exame de sangue pra saber o sexo. E aí, eu fiquei, aquela coisa, entrando na internet a cada 5 minutos. Porque eu sabia que ia sair naquele dia o resultado.
E aí, saiu o resultado, eu entrei tremendo. E a hora que eu vi que era mulher, eu berrei assim, ah!
De alegria, sabe?
E aí, eu tive uma reação muito maluca. Porque meu ex-marido tava em casa, não precisava nem ligar. Mas eu liguei pra minha mãe. Era só gritar na cozinha, é mulher! E eu liguei pra minha mãe, é mulher! E a minha mãe falou, viva! Você nunca mais vai ficar sozinha. E aí, quando ela falou isso, eu pensei, fodeu. Porque... Eu pensei 3 coisas. Primeiro, é isso que ela espera de mim, esperou de mim a vida inteira. Que por eu ser mulher, ela nunca fosse ficar sozinha.
E eu deixei minha mãe sozinha várias vezes, ainda bem. Porque senão, eu não teria me tornado... Uma mulher com vida própria, com emprego, etc. Então veio essa decepção gigantesca da minha mãe, ao mesmo tempo que ainda veio uma cobrança, ainda tem essa expectativa de que você nunca me deixe sozinha. Veio uma coisa fofa de caramba, que delícia, nunca mais sentirei solidão. E ao mesmo tempo, pelo amor de Deus, eu preciso de solidão.
Como assim? Porque é mulher, eu nunca mais vou ficar sozinha? E essa frase da minha mãe me deu aquela mesma disparada do livro anterior, né, da loucura, sempre a loucura. E eu falei, o livro tá aqui, porque tinha esse, acho que é um ideal um pouco de famílias também. Minha mãe é uma mulher progressista, mas tem 80 anos, é óbvio que ela é conservadora também, né, de que a filha mulher nunca deixa os pais, de que é a maior companheira possível e não abandona a família.
E de fato não abandona mesmo, que aí agora eu tô com os dois véio, cheio de questões, e tô ali, né, todo dia cuidando. Mas tem um peso que é quase uma— ah, é uma prisão de gênero, sabe? Porque é mulher. Eu nunca, por exemplo, estudei fora, fui para fora, nunca consegui ficar, nunca fiz uma viagem que demorasse mais do que 20 dias, porque eu sou filha única e eu fico apavorada de que alguma coisa vai acontecer.
Né?
Então tem, eu tenho um irmão gêmeo homem, a gente falou sobre isso, ele mora em outro continente.
Exato. Então eu não consigo imaginar, eu não consegui. Acho que na idade em que os meus amigos iam, assim, na adolescência, no começo da juventude, eu não fui por falta de grana. Mas depois eu já tinha grana para ir, continuei não indo, né? Depois fui trabalhar, fiz o meu dinheiro, podia. Aí eu tenho aquele inglês travado de quem estudou a vida inteira, mas não fez um curso de um mês fora do país, sabe?
Sim, para estar perto, para estar perto, mas de medo Por medo de alguma coisa acontecer, ou por alguma cobrança?
Eu acho que tudo isso. Acho até que por uma questão neurótica de... A hora que um avião atravessa o oceano, eu já acho que tem um... Sabe aquele medo de passar embaixo de escada? Que é uma coisa que você não... Que é uma superstição, às vezes inconsciente. Eu já acho que vai dar merda só de eu estar longe, sabe?
Ah, eu sei.
Mas é porque a gente é meio ansiosa também, né?
É, porque botaram muito isso, né? Mulher dentro da minha cabeça. Imagina essa frase: que bom que é mulher, você nunca mais vai ficar sozinha, né? É uma sina.
É, mas eu ouvi de um familiar: que bom que são homens, que seu marido já fica logo feliz.
É, então a gente sempre, a grávida sempre vai ouvir coisa que não precisava, né? A gente só quer ouvir: quer sentar? Quer pôr o pezinho aqui? Quer uma almofadinha para pôr o pé? Mas a gente tem que ouvir essas coisas.
Cara, exatamente isso.
A gente só quer ouvir E tá confortável, tá, sei lá, quer uma massagem no pé? Mas daí a gente ficou ouvindo. Depois que nasce, a gente tem que ouvir coisas tipo, ah, essa vai dar trabalho porque é bonitinha. É um inferno.
Um estranho no avião, eu tava descendo na ponte aérea, um absoluto estranho olhou para mim na rapidez que eu não consegui me esquivar, pegou na minha barriga e perguntou quantas semanas.
Nossa.
Aí eu falei quantas semanas, ele falou, cuidado para não engordar muito.
Não é possível!
Eu perguntei, você é médico? Ele, não, não, mas eu tenho netos. Era um véio, era um véio, era um véio, era um véio, mas não muito velho, entendi.
Mas com alma de muito velho, né?
Um véio que poderia estar na Iron Man, entendi. Mas não tava, tava com a mão na tua barriga enchendo seu sapinho, tava povoado de uma crise de meidagem, mas não, tava ali, entendeu, pegando na minha barriga, entendi. Mas, Tati, já te chamaram de louca?
Ah, o tempo inteiro. Mas o Depois a Louca Sou Eu é um livro também que é tipo assim, ah, depois a louca sou eu, não é vocês não, né, que fizeram isso, isso, isso. É um livro, quando eu era criança, aí tem aquela coisa, né, Freud básico 1, que a gente aprende da importância de ter um terceiro na relação. Eu não tive um terceiro na minha relação com a minha mãe porque meu pai era uma figura muito fraca diante de mamãe, que era uma figura maravilhosa, forte pra caramba.
E meu pai, todo mundo era fraco perto da figura da minha mãe. Ela era muito, minha mãe muito sedutora, muito, as pessoas obedeciam, muito brava, muito. Então quando eu brigava com a minha mãe, eu tinha certeza que em algumas brigas, não em todas, mas eu tinha certeza em algumas brigas que eu tava certa e a louca era ela. Só que eu era uma criança, uma adolescente, e ela era muito forte. Então eu tinha um sonho na adolescência que era assim, eu tava tava brigando com a minha mãe e de repente caía a quarta parede, tinha uma plateia e de 300 pessoas levantava uma plaquinha tipo: a louca é a mãe. Eu queria desesperadamente ter um terceiro.
Cara, essa imagem é muito boa.
E aí eu acho que eu me tornei escritora também para que os leitores fossem esse terceiro, para que os leitores dissessem: não, nessa situação que você tá narrando não é você que tá louca, é a sua mãe, é o seu ex-marido, é o seu atual namorado, é a sua amiga, é o seu chefe, é a pessoa que pôs a mão na sua barriga.
Você queria aliados?
Eu queria aliados, porque eu fui criada por essa mãe muito forte que na hora eu não conseguia, eu demorei muito pra ganhar uma briga dela. Então acho que eu fui atrás de, a escrita nasce de uma necessidade de aliados.
Qual foi a primeira briga que você ganhou?
Ixi, acho que eu fui ganhar briga já, tem uma coisa na minha relação com a minha mãe de que eu ganhei um poder muito grande quando eu saí da casa dela, né, com 24. E aí acho que eu comecei a ganhar briga quando eu já não me importava tanto em ganhar, porque eu falava, ai, tá bom, mãe. Dava um beijinho nela, ia pra minha casa.
Mas é que essa é a vitória, né?
Essa é a vitória.
Desiste de ganhar.
Desiste de ganhar. E aí ela entrava em desespero, continuava mandando email que precisava. E eu, tá bom, você tá certa. Aí pensando, né? Aí você só ganha assim, quando a mãe é assim tão poderosa.
A Rita já ganha de você?
Olha, não sei nem o que te dizer. Eu não sei nem o que eu te dizer. A minha filha, ela é... A minha filha, quando ela tinha 4 anos, eu sempre conto essa história. Duas coisas aconteceram quando minha filha tinha 4 anos. Uma, eu fui pegar ela na escola, veio um menino, ela com 4, menino com 4 também, e falou, eu gosto de você. Ela olhou para ele e falou, tá bom, mas vai com calma. Tá bom, tá bom, mas não chega muito perto de mim.
Isso é muito bom.
Minha filha é um espetáculo, eu não sei. Quando ela— e também quando ela tinha 4 anos, eu comecei uma relação, um namoro, já tava separada do pai dela. Ela. E ele foi embora. Eu apresentei eles, né, o namorado da época para minha filha. Ele foi embora, olhou para mim e falou, não sei como é que isso vai dar certo, porque você faz piada o tempo inteiro e ele é um cara que não ri. Tipo assim, eu fui descobrir depois de 3 anos de análise que o problema também tava aí, né?
Você acha que ela toparia vir aqui no programa?
Eu acho que ia ser uma entrevista muito difícil, porque ela sempre, ela é muito é um espírito mais evoluído. Teve uma bruxa que falou isso para mim: filhos aquarianos vêm para dar jeito na vida de muitas mães, assim.
E você é o quê?
Eu sou Touro com Áries. Ela é Aquário com Peixes. Ela é de uma sabedoria.
Quem sabe a gente se entende.
Ela falou para mim outro dia, eu tava de boa trabalhando, aí atual namorado chegou, ela olhou para mim e falou, ai, mamãe, a gente já sabe o que vai acontecer agora, né? Você tá ótima. E ela tá com 8. Você tá ótima aí trabalhando, aí o Lucas acabou de chegar, você vai se jogar no sofá e falar, ai, hoje eu tô péssima. Sempre que ele chega, automaticamente você fica com uma gripe ou com uma dor de garganta ou com uma dor nas costas. Então a gente já sabe que ele chega, na hora você—
mas você tem uma pequena analista em casa?
Eu não sei o que acontece com ela. Então desisti ali, eu já ali ela já é a mais forte da relação e pronto.
Legal isso, de fazer a parede.
Claro, eu mando nela, eu sou mãe, eu mando escovar o dente. Ela não corre riscos, tá, gente? Ela é uma criança e eu mando nela. Mas é, ela é uma figuraça assim, ela é maravilhosa.
Ela escreve?
Ela diz ela que ela quer ser cantora, né? Porque ela falou assim outro dia que como é que ela vai lidar com— ela falou, eu não quero, eu tenho pensado muito a respeito de me tornar mãe ou não me tornar mãe, porque talvez atrapalhe minha carreira como uma cantora de sucesso mundial. Né? Ela tem, ela tem pensado muito nisso. Mas ela escreve uns bilhetinhos para mim muito fofos, sempre muito apaixonados assim. Isso é uma sensação maravilhosa assim. Eu sou muito apaixonada por ela.
A minha mãe falou isso para mim semana passada. Ela falou, eu sei que você tá preparada para amar muito seus filhos, sabe o que que é isso? É, mas você não sabe o que vai ser quando você sentir que eles te amam.
Nossa! Todo dia antes dela entrar para escola, eu levo ela na escola, Ela sempre me abraça e fala, tchau, mamãe, até mais tarde. Você tá feliz, né? Eu falo, tô feliz. Ela só entra se ela garantir que eu sou feliz. Ela pergunta, eu não sei de onde ela tira isso, mas ela sempre pergunta, você tá feliz, né? Eu falo, tô feliz, minha filha, sou muito feliz. E ela só entra porque ela garantiu que eu estou feliz e ela pode estudar e depois voltar no fim do dia.
Uma das maneiras mais bonitas que eu já vi de falar eu te amo.
Você tá feliz, né? Você é feliz, né? Ela pergunta todo dia para mim se eu tô feliz.
É uma— você tá feliz?
Eu tô muito feliz. Desde que essa menina nasceu, nada me derruba.
Eu vou voltar então para um período menos feliz. Eu queria falar do ocorrido da agência de publicidade.
Isso é bem menos feliz.
Porque nós duas temos isso em comum.
Sim.
Esse lugar das agências, os homens publicitários e tudo aquilo que a gente viveu. Existe um ocorrido que você já contou várias vezes, mas eu vou pedir você contar de novo.
Que eu enforquei meu duplo, é esse?
É. E aí eu queria saber se você acha que você perdeu o controle ou você deixou de dar o controle para ele?
Boa pergunta. Então, essa é uma história engraçada. Recentemente eu fui diagnosticada como ciclotímica, né? Ciclotimia é você tá no espectro da bipolaridade, só que bem light assim. Tem bipolar 2, que é mais light que o 1, e tem a ciclotimia, que é ainda mais leve. E fez muito sentido. Eu tive esse diagnóstico só com 40, faz uns 2 anos, 45 anos, mas fez todo sentido. Eu fui a vida toda tratada como ansiosa. Mas fez muito sentido, porque de fato eu entro em hipomanias, né.
Então assim, eu não vou comprar um helicóptero, não vou sair pelada na Paulista. Mas eu posso ir comprar um cinto no shopping e gastar o salário do mês inteiro. E eu posso, por exemplo, fazer isso que eu fiz de chegar num limite, né. Era um cara que... Em agência de publicidade, a gente trabalha com dupla. Eu era redatora, ele era diretor de arte. E ele era um cara que já entrou na agência dizendo, eu quero um dupla homem, não quero mulher, eu não quero mulher mais jovem, eu não quero essa fulana.
E tudo que dava de errado na vida dele era porque eu era mulher e porque eu era mais jovem. E ele me tratava muito mal, e eu aguentei isso por um tempo. Ele tinha um bafo terrível também, era muito difícil para mim aquele bafo. Nossa, é aquele bafo que não é que comeu um negócio errado, é o erro começou ali no esôfago, já ali no intestino. Tinha alguma coisa do trajeto alimentar dele ali, o bolo alimentar dele dava, dava ruim, né, em algum processo ali.
E aí um dia eu, ele falou, manda essa bosta desse trabalho aí que eu preciso ler. Eu, tá, manda essa merda. E ninguém via. Eu falava para o meu chefe que eu tava sendo maltratada, não tinha compliance ainda, a última onda feminista não tinha chegado ainda. Então eu tive que lutar com as minhas próprias Forças. E aí simplesmente eu levantei. Não é que eu enforquei para machucar, mas sabe quando você pega assim no colarinho da pessoa e fala: seu merda, não fala assim comigo!
E aí tem a parte maravilhosa que tinha um moço lá que se levantou e começou a me dar um passe espírita. Ele achou que eu tava recebendo alguma coisa. E só que todas as mulheres falaram: amei que você pirou, amei! E aquilo foi uma loucura. De novo, a loucura salva muita gente. A gente, né? Protege muito a gente. A loucura nesse sentido de dar basta, de berrar quando precisa berrar, de dar umas enforcadas também quando precisa. Ele mereceu muito.
E aí depois disso foi uma libertação, porque eu falei, eu tô aturando esse cara para performar uma profissão que eu já nem quero mais também, né? Eu queria ser escritora. Eu falei, vou atrás desse negócio. E foi a partir dali também que eu saí fora.
Você teria enforcado ele hoje em dia?
Hoje em dia não, porque hoje em dia tá tão fraquinho perto de mim. Eu acho que ali ainda tinha, né, essa figura desse cara mais velho, que ele tinha um cargo acima do meu, ganhava bem mais do que eu. Hoje em dia eu não sei nem onde ele tá, nunca mais ouvi falar o nome dele.
E essa frase, você acabou de enforcar ele de novo.
Ele tá sendo enforcado nesse momento.
Nesse momento ele perdeu todo o ar.
Então acho que não, hoje em dia não enforcaria mais não, até porque eu nem teria por que mandar o meu trabalho para ele lealtar.
É, mas é impressionante porque são essas pequenas tolerâncias, né? Porque para você chegar nesse estado, você deve ter aguentado cenas.
Nossa, muito, muito. E nessa mesma época eu tinha um namorado também. Eu acho que foi uma virada na minha vida mesmo, porque eu tinha um namorado que a gente só A gente, eu não vou generalizar, mas que eu só poderia ter naquela idade. Essa época eu tinha 24 anos, 25, porque hoje em dia eu não aturaria meia hora de um cara assim. Mas que é um clássico que muitas mulheres aturaram mais novas, que é aquele cara que você vê na tua cara que tá flertando com a tua melhor amiga, até com a minha mãe.
Eu pegava ele olhando a minha mãe, a minha mãe falava, não gosto do jeito que esse teu namorado me olha. Então assim, ele era podre. Só que ele ficava falando para mim que a louca era eu, a louca era eu, a louca era eu. E nessa mesma época eu fiz um pequeno ferimento nele.
A gente tava interno ou externo?
Externo. A gente tava num casamento e ele começou a flertar com todas as pessoas, amigas minhas, e era uma coisa muito desrespeitosa. Hoje em dia eu só terminava, né? Mas eu peguei, ele veio me beijar beijar, meio à força, eu mordi o lábio dele, arrancando um pouco de sangue.
Ai, que gosto horrível, Tati!
É assim, porque eu não queria beijar, ele meio forçou um beijo, eu dei uma mordida no lábio, e depois disso a gente terminou. Era uma fase violenta, né? Eu enforquei um, mordi outro, né? Ainda bem que estamos aí, não tô presa e tá tudo certo.
É, não foi necessário. Mas eu nessa época descobri uma tática muito boa para quando— e eu entendo que você tá falando que é um certo pedágio Nunca tive nenhum namorado viciado em flertar com outras pessoas. Mas eu também sempre fui muito distraída. Então assim, se alguém tava do meu lado flertando realmente com alguém... Você não percebia. É, não sou muito boa de perceber quando essa pessoa tá flertando, não.
Mas você sabe que no começo do programa eu falei que eu flerto o tempo inteiro. Mas o meu flerte, ele é absolutamente descarado a ponto do cara que tá comigo ficar muito à vontade. O que não fica também não me namora, né. Mas assim, de virar uma piada, assim, de eu falar, nossa, esse teu amigo, pelo amor de Deus, hein? Mas que que é isso, esse seu amigo? Mas que gato, nem chega perto de mim, sabe?
Nunca dá ruim de você falar isso?
Não, porque entra no lugar de piada, porque daí também eu tô achando a mulher do cara lindíssima e eu falo isso na frente da mulher do cara, na frente do namorado que eu tô, né? Nunca era uma coisa como desse meu namorado, que era, essa sua amiga nada a ver. De repente eu via ele assim Sabe? Esse que eu acho que é o... Só pra não ficar uma coisa louca de... Ai, odeio homem que faz isso. E a gente abriu o programa eu falando que eu flerto o tempo inteiro.
Mas esse é um pouco diferente.
O meu flerte é o flerte moleque, é o flerte de todo moleque.
Você falou que ele olhou pra tua mãe, cara. Eu acho que alguns limites a gente não passa.
Esse aí, gente. Esse aí...
Mas quando eu via que eles estavam começando a ficar um pouco pavão, eu lembro exatamente de um casamento que a gente foi na serra, no Rio. Ele não era um namorado, mas ele era um gato assim. Eu sempre gostei de estar com caras bonitos, né?
Mas ele era bem gato.
E eu vi que ele começou a ficar, sabe, um pouco vaidoso. E eu lembrei de um conselho. Ai, mãe, não me mata, mas vou falar que esse conselho é seu, porque é muito bom, que é um conselho de mãe. Minha mãe sempre fala assim: assim, não briga não, vai dar uma volta. Quando começar, dá uma volta. E aí eu vou deixar esse ensinamento para as ouvintes de 24 anos ou qualquer idade. A pessoa ficou desesperada que você saiu do campo de visão dela.
Ah, isso agora eu peguei o conselho. Não é vai dar uma volta para se acalmar. Não, agora eu peguei esse conselho, é maravilhoso. Pelo contrário, vai dar uma volta porque daí a pessoa vai se aparecer para quem?
Exatamente, pega o seu, vai para o Vai lá, pega um drink ou sua água, faz o que você quiser. Mas lembra que você também é muito bonita e você também pode ser olhada. Então vai dar uma volta, filha, dá uma volta. E eu lembro que veio esse sussurro na minha orelha, eu pensei, vai dar uma volta, cara, foi genial.
Que aí a pessoa na hora sai daquele lugar.
Ele me encontrou, ele tava desesperado. Desesperado, mas desesperado. Onde é que você tava? Eu não fui pegar um drink, desculpa. É, eu não ia deixar isso sendo coisas tóxicas, que hoje em dia as pessoas diriam você tem que ter amor próprio e ter uma conversa sincera.
Então quando fala isso, para mim já não funcionou. Porque você vê que eu fui por esse lado, né? Vai dar uma volta. Eu achei que era para acalmar.
Ah, imagina!
É, não, é para se vingar. É, não, aí já gostei. Eu já sou mais da vingança.
Ah, não, eu Eu não tenho muitos conselhos vindo das mulheres da minha família de como se acalmar. Eu venho de uma geração...
Vai se olhar, vai ver, vai...
Isso! Isso, eu venho de uma...
Não é vai ficar quietinha, é vai fazer o teu que vai dar... É dar a volta no cara, não é dar a volta pra se acalmar. Agora eu peguei. Dava a volta nele que ele se perde, porque você tá muito acima.
É, dessa coisa do ciúme, né? De ter medo que a pessoa te traia. Acho que é sempre bom lembrar que você também pode trair.
É, inclusive isso acontece algumas vezes, né? Não dá para dizer que nunca dei uma puladinha de cerca.
Como que você administrou? Contou?
Ai, agora aquela parte que depois as pessoas me xingam muito.
A gente evita que vire corte, tá? Aí fica só no programa, porque quem escuta o programa todo é mais gentil.
É, eu acho que numa relação muito longa— é porque é muito longa que aparece esse problema para mim, né? Relações mais curtas não dá tempo. Tempo. Mas nas muito longas que eu vivi, em algum momento aparece um interesse, né? No meu caso, aparece mais quando tá ali, tá com algum problema, tá meio distante, né? Não é tão fácil assim aparecer, mas aparece. Eu sou contra você ter um amante, você viver uma história de amor. Às vezes em que eu senti que eu poderia me apaixonar ou que aquilo tava se mostrando problemático, eu conversei.
Agora, teve vezes que eu só dei um beijinho, descobri que a pessoa não era nada e segui a vida. Eu não acho isso horrível e eu não ficaria puta se fizessem comigo, porque eu não acho que é amante, eu não acho que é. Eu acho que assim, ai, sei lá, mas tá numa viagem. Você tá entendendo mais ou menos o que eu tô falando?
Perfeitamente. Você tá assim, eu também já fui me senti traída sem que a pessoa tenha consumado. E eu me sinto traída igual, porque preferia que tivesse consumado do que ter ficado alimentando um tesão e falando que eu era quem impedia, eu não posso fazer isso com ela. Não, não. Paty, o que que é mais difícil na parte de escrever sobre as pessoas que você ama e sobre as pessoas que você odeia?
Eu acho que amar e odiar, na hora que eu vou escrever, acaba sendo meio parecido. Porque se eu odeio, é porque em algum momento eu amei. Porque senão... Tem gente que eu tenho bode, né? Tem gente assim, sei lá... Ah... Tem um monte de gente que eu tenho bode nesse mercado que eu vivo, esse mercadinho de elite intelectual, de escritor, de cinema, né? Então convivo com umas pessoas que eu tenho muito bode, tipo, ah, aquela pessoa é chatérrima.
Mas para eu odiar é porque em algum momento eu tive que ter gostado, tive que ter criado alguma expectativa de amizade, de afeto, de proximidade, de amor, né? Então são raras e elas acabam saindo de um lugar muito parecido, assim, com o do amor, né? E aí gera um texto mais virulento, mais forte, né? Eu acho que a dificuldade na hora de escrever, muito pelo contrário, são os textos que saem mais fáceis, assim, porque aquilo tá desesperado pedindo pra ser escrito.
O difícil depois é lidar com esse resto, assim, é quase uma cena em que sobra um tanto de sangue ali, um tanto de, sei lá, né?
E aí vão até você depois?
Não, eu sofro depois quase uma dissonância cognitiva assim de, puta, eu não aguentei e fiz lá a crônica, provoquei a pessoa.
É porque uma coisa é escrever e outra coisa é publicar.
Exato.
É na hora de publicar você já falou, putz, não vou?
Acho que já, muito claro. E mas já aconteceu de eu publicar e ficar com uma ressaca, sabe? Nunca, nunca de me arrepender muito assim, de falar não devia ter feito. A coisa moral não me pega tanto. Que me pega é uma busca por paz de espírito. Eu tenho uma cobrança por paz de espírito porque eu sei que depois eu fico persecutória, eu fico mal. Então muitas vezes eu deixo de escrever, de provocar, para não ficar nesse lugar ruim de internet, de direta, de não sei o quê.
Porque isso me faz muito mal, essas coisas todas de picuinha de internet, né? Tanto livro para ler. Então às vezes eu me tiro desse lugar por uma questão de paz de espírito, mas não por uma questão moral. Agora, tem situações que pedem para virar um livro, uma crônica, e aí não tem como, assim. Tem coisas que se eu não me vingar, eu sou escritora pra quê, entendeu?
Vai enforcar.
Eu vou enforcar, exatamente.
É, você saiu ilesa.
É.
Já se arrependeu de ter sido gentil demais?
Numa crônica?
É.
De talvez ter poupado detalhes que hoje você pensa, não, deveria ter ido mais fundo?
Deveria ter esculachado mais. Você sabe que meu último livro, eu fiquei muito preocupada de uma pessoa ficar chateada? Porque tem uma coisa, principalmente homem, que é assim, Se você escrever um livro inteiro destruindo ele, mas deixar claro que você só tá destruindo ele porque o sexo era bom, o homem fica felicíssimo. Agora, se você escrever um livro inteiro falando o quão bondoso, generoso, intelectual e maravilhoso ele era, mas dá a entender que não deu certo porque o sexo era ruim, aí sim você mexeu com perigo. E esse eu nunca mexi, porque eu só vou escrever porque o sexo bom.
Nossa, acho que você acabou de me dar um conselho.
Então às vezes tem aquele livro odioso, a minha mãe lê e fala, pô, tá na cara que, entendeu, você ficou louca pelo cara, você tá dizendo aqui, né? Então, por exemplo, meu último livro, a minha mãe fala, se esse cara ficar puto é porque ele não entendeu nada, você tá basicamente vendendo ele no mercado como um dos melhores sexos da sua vida. Aí o resto que pode xingar, que o cara não tá nem aí, entendeu? Eu não sei de ninguém assim assim, não tem ninguém.
Tem gente que se afastou de mim de medo de aparecer, era minha próxima pergunta. Mas não tem gente puta comigo porque apareceu.
Vocês não têm medo do efeito que você pode ter no pós?
Tem medo, mas por exemplo, hoje eu entrevistei o Emanuel Carrère, eu amo quase todos os livros dele e ele tem essa— eu senti um pouco de inveja, gente, mas Mas eu fiquei em estado hipomaníaco depois, fiquei muito feliz. Sou muito fã ali, quase tudo dele.
Parabéns.
E aí, mas eu até me perdi, nem sei o que. Ah, e aí eu comentei, não, nervoso, maravilhoso e tal, veio sexy, maravilhoso. E aí no final, desculpa, flertei, claro, flertei. Inclusive meu namorado tá aqui me assistindo e me perdoa por isso. Não flertei, mas dava risadinhas, né, passei um batom. E no final da entrevista ele falou assim, ah, obrigado, obrigada pela entrevista, tal, e tô indo para São Paulo, de repente a gente se conhece.
E aí eu pensei, que elegante, que educado. E o editor da Folha, a gente conversando, ele, eu brinquei com ele, eu falei, aquilo foi educação ou foi um flerte? Ele falou, aí a gente, eu ri e falei assim, eu acho que foi educação, mas eu vou para o resto da minha vida acreditar, achar que foi um flerte, porque é ótimo para o meu currículo, né? E aí ele brincou comigo e falou assim, Imagina você virar personagem de um próximo livro.
E eu senti uma felicidade imaginar isso. Eu adoraria ser a brasileira, claro, sabe? Claro que sim. E pela primeira vez eu me coloquei num lugar que eu nunca estive, mas que eu coloco os outros. Claro que eu não sou Emmanuel Carrère, nunca serei aquele talento absurdo, mas eu sou uma pessoa que escreve em primeira pessoa e A pessoa é tão narcisista que conseguiu falar pessoa 3 vezes em uma única frase e se referindo a ela própria.
Mas eu pensei, pô, eu ia adorar, entendeu? Eu ia adorar. Então acho que também atrai as pessoas. Tem gente que tem medo, mas tem gente que fala, pô, não escreveu nada sobre mim, a gente ficou 3 meses juntos, 1 ano juntos.
Mas você nunca namorou músico? Porque músico escreve muito sobre a gente.
É, acho que eu nunca namorei músico. Eu gosto de rico, né? Eu não consigo.
É, não gosta de artista.
Eu gosto de ir, mas não dou sorte também, porque sempre eu acabo me apaixonando pelo estudante que já estudou, né, já é formado, mas que estudou ciências sociais e que acredita, né. Não pego playboy.
E você falou sobre as pessoas virem depois falar com você, cobrar ou não. Queria saber, por curiosidade própria de fofoqueira, se Humberto Carrão foi falar com você depois da entrevista dele.
Nunca mais, nunca mais. Não, mas acho que eu acho que Humberto Carrão, ele vive num mundo que é tão— adoraria assim, que é uma coisa, acho que nem tá em rede social, ele tá estudando, ou no samba, né, com outros 8 cariocas tão lindos quanto ele, que ele sempre anda com uns cara tudo meio parecido assim, bonito. Muito, né, e talentosos e famosos. Mas na verdade, acho que ele tá estudando profundamente o próximo papel. Ele não dá entrevista, ele não tá em rede social, ele não tá nem aí para nada disso.
Mas você gosta disso?
Gosto. Eu vi ele pegando água no filtro da minha casa, eu falei, como que eu não vou fazer nada, né?
Eu gosto tanto dessa história.
Eu tava ali de boa na minha sala, aí de repente eu vejo ele lá, filtro de barro, pegando uma aguinha assim.
Eu falei, gente, o não eu já tenho.
É, eu adorei uma pessoa que comentou na entrevista que eu dei para Érica Hilton: ninguém mandou ele cair na toca da— como é que fala quando a gente já tem mais de 45? Loba. Ninguém mandou, ele tava na toca da loba. Ela ia aí pegando uma água ali, imagina que ela não ia lá. Eu adorei esse comentário.
Ouvinte, vocês põe aqui nos comentários: você chega na cozinha de vocês, tá Humberto Carrão ali pegando uma água numa festa, tá?
Não é que eu acordei, ele tava na minha casa, era uma Tinha 100 pessoas e tava ele lá pegando uma água. Aí eu falei, fui lá, falei, acho que tentar a sorte, claro. A melhor coisa de você ter sido meio feia na escola é que você tá preparado para tudo.
Eu ia perguntar se você lida bem com rejeição amorosa.
Muito bem. Não, amorosa, a rejeição do flerte eu lido bem. A amorosa, tipo, ah, tô com a pessoa há 2 anos e a relação acaba, eu morro todas as vezes, morro. Sendo eu que terminei ou a pessoa que terminou, terminar pra mim é sempre, meu Deus do céu! Eu namoro 1 ano e sofro 3 depois, né? Mas festinha, sei que faz muito tempo que eu não vou em festinha, mas festinha, eu tenho muito a lógica da pessoa feia no colégio, assim. Você flerta com 5, pega 2, entendeu?
É isso, é guerra, tá tudo Eu acho que lembrei de um episódio seu, do Meu Inconsciente, que você falava que o seu tempo de superar um término é o dobro do tempo da relação.
Tinha essa teoria, né? Mas aí aquelas teorias, tipo multiplicar 7 vezes a idade do cachorro, não dá certo.
Você tá falando isso agora? Eu segui anos a sua teoria. Eu achava sempre que ia levar o dobro, o dobro.
Mas, mas às vezes funciona. Teve um namoro que eu fiquei 10 meses, eu sofri 3 anos pelo cara. Então, daí já não deu certo, né?
Mas eu acho que relação curta deixa uma fossa mais longa. Porque não faz a curva.
Pode ser, porque você só ficou ali no que era bom.
Não pode acabar no auge. Tem que acabar quando já... Já tá... Sabe, você já sabe que algum familiar é meio chato.
Sim, você acaba, você fala, ai, eu tô sofrendo, mas me livrei da irmã dele.
Isso, quando há algum alívio. Agora, quando você termina e o que fica é o sexo, a viagem que você achou que iam fazer juntos, tem que ter dado tempo de você começar a achar a pessoa boba.
Esse é, porque eu tenho uma outra teoria que agora vou deixar você mais uns 3 anos nela. É tudo teoria furada, mas vou te pegar nessa agora, que é assim: o que faz você superar um homem não é pensar ele era um filho da filha da puta, isso faz você ainda ficar um tempo ali, porque você fica gastando energia dentro daquela lógica do entender o filho da puta. O que faz superar um homem é pensar: ele era, mas era bobo, né? Era bobo, mas não bobo no sentido fofo, porque daí a gente gosta.
Bobo, bobo mesmo, tipo: ai, que vergonha daquela bosta que ele faz! Ai, que horror, gente! Sabe quando dá vergonha alheia? Eu gosto desse caminho bobo, porque aquela coisa do: nossa, mas olha que ele foi escroto naquele aquele dia, você tá presa. Não é isso que faz esquecer. Eu tive um que quando eu pensava, meu Deus, aquele dia que ele não foi, eu ficava gostando dele. Aí quando eu pensava, nossa, mas tava desempregada tanto tempo, sabe?
Ai, não dava em nada. Aí, sabe, bobo, tem que se apegar na parte loser. Você só supera loser, você não supera filha da puta. Essa é uma teoria boa. Nossa Senhora, se agarra na parte do loser, não na parte do filho da puta. Tá bom, é isso.
Tati, e quando— olha o que eu tô pensando aqui. Não, eu realmente comecei a pensar, tem tempo para outro tópico, mas meu cérebro falou: não, fica mais um pouquinho, fica, porque aqui tem coisa aí, tem coisa aí para as ouvintes. Inclusive na questão de ser traída, porque a traição é sempre uma coisa meio estúpida.
Não, é, se você pensar Ai, meu Deus, ele transou com aquela mulher, aquela mulher! Pronto, você já tá na cena do sexo, você já tá com tesão nele. Se você pensar, brother, ele foi até a casa daquela fulana, entendeu? Pô, olha eu aqui. Bobo, bobo, entendeu? Me avisa, não precisa, sabe? Assim, foi porque também se acha um bosta, aí precisa do aval. Vai no loser, vai no loser, e todos são. Esse vai superando todos, entendeu?
É uma frase minha, das minhas amigas, que não consegue controlar o pintinho.
É, agarra no loser pra superar, pra superar.
Ai, Tati, você escreve sobre si, você entrevista muitas pessoas. E eu tenho a sensação, você viu, eu tô te falando de um episódio que eu acho que eu ouvi, sem brincadeira, essa teoria do tempo de término, eu devo ter ouvido em 2018. Então assim, a gente sente que te conhece muito. O que geralmente as pessoas esperam de você e elas acabam encontrando diferente?
Nossa, outro dia eu tava na farmácia, uma pessoa veio me pedir dica, né, de remédio psiquiátrico. Eu fiquei puta, eu com a minha filha. E a pessoa, não, você— isso é uma coisa, né, de ter um personagem da doidinha, que não é o que eu vendo, mas algumas pessoas compram isso, né, de Por exemplo, Depois da Louca Sou Eu, eu acho filme divertido, mas a personagem do filme ela é internada de tanto remédio que ela tomou. Isso nunca aconteceu comigo, nem tá no livro também, né?
Eu tomava ali umas gotinhas de Rivotril para pegar avião, mas morro de medo de tomar Rivotril sem, à toa. Não tomo de jeito nenhum. E antidepressivo eu tomo subdose porque também eu tenho medo. Então tem uma coisa, eu sou muito funcional, eu sou muito nerd, eu sustento 3 casas e desde muito nova. Eu sou muito mãezona de ficar, sabe, calculando quantas vezes por semana foi carne, peixe, frango e legumes. E então tem uma coisa de um caos, de uma doideira que não vai encontrar quem chegar muito perto. Quer dizer, quem chegar muito perto vai encontrar.
Você nem bebe?
Não bebo. Eu tenho medo de ficar bêbada porque eu tenho fobia de vomitar, e eu acho que se eu beber eu vou vomitar. Então nunca fiquei bebada. Eu sou uma caretaça assim, né, bem. E uma outra coisa é que eu tava falando, né, de dessas, pode ter alguém que tenha medo de aparecer num texto meu. Quem aparece em texto meu, 100% das vezes, sou eu mesma. Eu tô sempre detonando a mim e eu tô sempre detonando um chefe publicitário ou um namorado de mil anos atrás.
Eu nunca detono amigo, eu nunca detono relações. Claro, Tipo assim, vai aparecer uma piada ou outra do meu ex-marido assim, mas nunca detonei um namorado bacana, né? Aparece uma coisa ou outra porque a gente precisa de história, mas nunca teve, né, esse medo de aparecer de um jeito ruim. Também acho que é uma fantasia assim, porque principalmente amigo, nunca fiz isso com amigo. Então as pessoas querem aparecer, eu acho que elas querem.
Vou te contar então uma pequena anedota, enfim, que eu tava Eu tava solteira, fui transar com um cara, e aí ele broxou. E aí, assim que ele broxou, ele falou: você promete que não conta no Bom Dia, Óbvio?
Ah, isso já aconteceu comigo várias vezes.
E aí eu faço questão de contar, porque eu acho que quando ele me pediu isso, ele queria que eu contasse.
Queria muito, muito, muito, muito, muito. Eu tive um cara maravilhoso, um beijo aí pra ele, deve ser seu ouvinte. Não, ele não deve ser não, mas enfim, fica aí.
Quem sabe, né?
Quem sabe, talvez a namorada. Acho que é muito hominho pra programas um pouco mais filosóficos. Mas ele broxou. E aí, alguns anos depois, acho que 5 anos depois, ele me ligou pra gente comemorar, porque fazia 5 anos da broxada. E eu achei tão maravilhosa essa reação, assim. Porque ele guardou a data, porque era aniversário da mãe dele. E aí, 5 anos depois, 5 anos depois ele quis comemorar a data da broxada e ele falou, agora você já pode fazer uma crônica sobre isso, porque já passou 5 anos, sabe? Acho que deu o tempo para ninguém associar que era ele.
Você fez?
Eu não sei se eu fiz a crônica, mas eu já contei um milhão de vezes, né, que 5 anos depois eu acordei com parabéns do aniversário da broxada. Mas eu, mas tem uma história que aconteceu que foi um cara, essa eu conto sempre porque ele merece, merece muito ser zoado. É um cara que eu conheci assim, ai, gente, um diretor, não vou dizer obviamente nomes, mas um diretor importante do audiovisual, um homem altíssimo, seu 1,80m, um vozerão, né, com ombros largos.
Eu passava mal toda vez que eu via e falava, que homem, né. E um dia ele flertou comigo, eu falei, chegou o dia de eu ser agraciada. Eu tinha fantasias sexuais desse homem assim. A gente saiu e na hora que a gente foi transar ele falou para mim, então, eu tenho uma questão que assim, eu só consigo ficar ali. Ele tava meio broxa ali na situação, né? Ele falou, só consigo ficar excitado se você manipular bastante tempo o meu mamilo. Basicamente fazer um—
isso que você tá fazendo agora.
Como é que chama isso aqui? Uma mini ordenhada, punhetinha de teta. Vamos, né? Sei lá o que que era aquilo que ele queria. E ele falou, você vai ter que manipular meu mamilo, meu mamilinho, minha biquetinha, né? E aí, para eu conseguir transar, e eu fiquei ali, ó, só naquela, né? Aquilo foi tão minucioso, é um trabalho ali, né, mostrando que eu tinha toda a musculatura fina dos dedos, né, trazendo a musculatura fina dos um tai chi chuan de mãos assim, não sei.
E deu certo?
Deu certo. Aí ele conseguiu ali, performou muito mal ali, um negócio. Mas fiquei ali um bom tempo e tal. E aí ele, na hora da gente se despedir— e aí todo o resto foi ruim, porque só essa parte importava para ele. Ele falou, o resto eu vou fazer por você, mas eu não me importo com sexo, eu só gosto que mexam no meu mamilo. E aí na hora que eu tava indo embora, ele falou assim para mim, escreve sobre isso só daqui uns 10 anos, promete? 10 anos depois saiu na Folha de São Paulo o texto O Tetinha. 10, exatamente 10 anos depois, porque ele pediu.
Gente, espero que vocês estejam aplaudindo de casa.
Exato, é isso.
Tati, muito obrigada. A gente vai encerrar assim, eu tenho duas perguntas finais do programa, mas você acha que eu não vou encerrar com o Tetinha?
Vamos encerrar com o Tetinha. É muito bom, começou tão bem, né, falando meu amor pela minha filha, sobre— e a gente encerra assim. Mas assim é a vida, altos e baixos.
Não, e que bom, né? Porque senão a gente seria aquelas pessoas que a gente meio que tem bode.
Exatamente.
É isso que diferencia. E quando a gente se vê no ambiente, a gente olha e fala: ah, tem uma estranha que nem eu ali. É isso. Você tá achando essa festa tão esquisita quanto eu?
Sim, sim. Essas pessoas aqui estão só performando e tudo.
Duas perguntas finais. A primeira delas é: eu quero saber do que que você tá fissurada atualmente? Qual que é a sua obsessão atual?
A minha obsessão atual é o Carrère, porque como eu ia entrevistar, eu comecei a ler tudo e ver todas as entrevistas. Então eu ainda vou seguir mais uns dias, né, porque eu tô terminando de ler o Cool Cause, que é o livro novo dele. Falta 20 páginas, mas chegou o dia da entrevista. Entrevistei antes de terminar o livro. E eu tô, é, e eu tô, acho que a minha obsessão atual é ele.
Você acha que é uma pessoa que vai dele, deve começar pelo Adversário ou pelo Yoga?
Eu começaria pelo Romance Russo, aí eu iria para o Adversário, Yoga, e aí o Coucos. Eu iria nessa, que são os 4 que eu li. O Adversário é maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso. Ele é bem foda. E eu tô obcecada pelo disco novo da Anitta, não paro de ouvir.
Eu também, eu vim cantando agora.
Ai, gente, é muito bom. Ela é foda, né?
Ela é foda, ela É foda. Tô muito feliz que ela voltou para o Brasil.
Sim, esse disco dela é muito bom, muito bom. Escuto com a minha filha, minha filha ama também.
E a pergunta final do programa é se você poderia deixar uma pergunta para as ouvintes responderem nos comentários, ou um questionamento sobre essa conversa. Mas como a gente finalizou como tetinhas assim, você tem total liberdade criativa de fazer o que você quiser para continuar essa conversa entre elas.
Tá, então aqui eu vou deixar uma provocação, aquela frase de reunião com marketing. Eu vou deixar Provocação, ainda faz o dedinho, ainda faz aquele dedinho, né, para lembrar o Tetinha também aqui, o dedinho. É, deixa eu pensar, ó, vou deixar aqui, já vou meter você na encrenca, que é: por que que você falou que tem gente reclamando que você tá falando muito de maternidade, de gravidez? Bem, você está grávida, né? Porra, você vai falar sobre o quê?
A gente fala sobre o que tá obcecando a gente no momento. Né? Então assim, a gente se comunica com o que a gente tem e a gente tem uma audiência grande justamente por isso. Tu pode reclamar, consome o conteúdo e ama a gente.
Tati, te amo.
Obrigada por isso. Te amo também, gato. Um gêmeo é meu, hein? Entrego.
Você quer o Antônio ou o Francisco?
Eu quero o Francis. Tá bom. Ou o Antony. Brincando, quero conhecer eles. Vai ser maravilhoso. Você vai conhecer.
Obrigada. Foi tudo.
Foi tudo. Obrigada a você.
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Rated R. E aí, bora continuar esse papo nos comentários? Segue a gente aqui pra receber os novos episódios assim que chegarem e já aproveita pra avaliar o podcast. Pra mais conteúdos, vem seguir a gente no @obvious.cc no Instagram. A gente se vê na próxima semana. Onde Óbvio é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cribelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.
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