Episódios de Bom dia, Obvious

Como saber quando está na hora de voltar pra si?, com Drik Barbosa

06 de setembro de 202658min
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Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a rapper, cantora e compositora Drik Barbosa para uma conversa sobre identidade, criatividade e os processos de transformação que nos atravessam ao longo da vida.

Drik compartilha reflexões sobre autoconhecimento e sobre a busca por se enxergar além dos rótulos e das expectativas alheias.

O papo também passa pelas relações que escolhemos manter e pela importância de reconhecer os espaços onde somos valorizadas.

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⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI

Instagram da Drik Barbosa: AQUI

Encontro e Recomeço, de Drik Barbosa - pré-save: AQUI 

Citações

Álbum Lemonade, de Beyoncé: AQUI

Lauryn Hill: AQUI

Batalha do Santa Cruz: AQUI

Racionais Mc’s: AQUI

Participantes neste episódio2
M

Marcela Ceribelli

HostJornalista
D

Drik Barbosa

ConvidadoRapper, cantora e compositora
Assuntos5
  • Diferenciar necessidade de valorização nas relações pessoaiszona de conforto desconfortável·amadurecimento pessoal
  • A formação da identidade artística de Drik Barbosa através do rapmovimento hip-hop·Batalha de Santa Cruz·Lauryn Hill
  • A dualidade entre a persona artística e a vida pessoalesgotamento·ansiedade·bloqueio criativo
  • O reencontro com a essência infantil como catalisador de transformaçãoautodescoberta·memórias de infância·resgate da coragem
  • O processo de criação do novo EP 'Lotus' e seu significado pessoalflorescimento·recomeço·Encontro e Recomeço·banho de sol
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MCMarcela Ceribelli

Você sabe diferenciar quando você tá se sentindo necessária de quando você tá sendo, de fato, valorizada?

DBDrik Barbosa

Super, sim. Porque a gente acaba achando que só vai dar certo se a gente for daquele jeito. E quando a gente tá aberto, né, emocionalmente... Abertas emocionalmente, é facinho de entrar nesse lugar, se não tomar cuidado. Porque é um lugar que já é conhecido. Por mais que ele não seja bom, mas é um lugar conhecido. E aí, a gente tem que trabalhar isso e falar, é conhecido, mas não é bom. É a zona de conforto desconfortável.

MCMarcela Ceribelli

Como que você sabe a hora de ir embora?

DBDrik Barbosa

Então, eu acho que eu tô aprendendo. Eu tô aprendendo. Eu acho que cada cenário é um. Às vezes a gente não percebe que passou da hora de ir embora.

MCMarcela Ceribelli

Mas será que a hora de ir embora não é a hora que a gente enxerga?

DBDrik Barbosa

Porque... Uau!

MCMarcela Ceribelli

Porque passar da hora de ir embora parece que você se atrasou. Mas se você não sabia que era a hora, você não tava pronta.

DBDrik Barbosa

Perfeito.

MCMarcela Ceribelli

Você percebeu como alguns livros continuam ecoando dentro da gente mesmo depois que a leitura termina? Boas histórias fazem isso, né? Em vez de buscar respostas prontas, a gente se permite olhar para as perguntas que surgem pelo caminho, sem pressa de chegar a um lugar exato. O Óbvio Esse Clube é esse espaço onde nós, mulheres, podemos questionar tudo, inclusive aquilo que continua depois da última palavra. E ainda dá tempo de você garantir a sua vaga e participar dessa jornada comigo e com a comunidade de mulheres corajosas.

Nossa formação literária vai durar o período de um ano e juntas vamos descobrir como as nossas emoções nem sempre são só nossas. Vamos mergulhar em 12 livros escritos por mulheres que investigam desejos, medos, alegrias e cansaços, revelando as diferentes formas de como sentimos, nos relacionamos e habitamos esse mundo. Essa experiência é organizada em 3 grandes ciclos que se conectam e aprofundam a reflexão sobre a política íntima das emoções.

E essa jornada começa em setembro. Todos os meses teremos uma masterclass para aprofundar as obras, lives, muitas vezes com a presença das próprias autoras dos livros que estamos lendo, e uma comunidade exclusiva que já tá acontecendo. É nesse espaço que as nossas conversas continuam para além das páginas, com trocas, reflexões e indicações únicas pra vocês. As inscrições para o Obvious Club já começaram e as vagas são limitadas.

Ao entrar pra nossa comunidade, você recebe um box com 12 livros, um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário para organizar o seu próprio ritual de leitura. Se você quiser fazer parte dessa comunidade de mulheres que pensam em voz alta, acesse o QR code que está na tela ou o link na descrição desse episódio e use o cupom BOMDIA10 para garantir 10% de desconto. E aí, bora pensar em voz alta? Bom dia, Óbvios! Bom dia, Drica, seja bem-vinda!

DBDrik Barbosa

Obrigada, eu tô muito feliz de estar aqui.

MCMarcela Ceribelli

Eu tô muito feliz. Quando que a gente começou a falar de você vir no programa?

DBDrik Barbosa

Nossa, faz um tempinho que a gente se encontra, né?

MCMarcela Ceribelli

Não é?

DBDrik Barbosa

Faz um tempinho.

MCMarcela Ceribelli

A gente sempre se encontra nos rolezinhos.

DBDrik Barbosa

Sim, nos rolês, nos eventos. E aí eu tô super feliz porque eu sou fã, já ouvia o podcast e assisto o podcast. Então pra mim é muito lindo estar aqui assim, tendo essa conversa com você. É uma honra.

MCMarcela Ceribelli

Toda vez que você fala isso eu fico meio, ah, é mentira, né?

DBDrik Barbosa

Ah, para, não é mentira, eu sou super fã. Eu sei, eu sei. Amo mesmo, assim, tô muito feliz. Obrigada pelo convite. Hoje? Tô bem, tô feliz, tô animada. Muitas coisas acontecendo novas assim na minha vida, tô num novo ciclo da vida assim pessoal, de trabalho. Então eu tô feliz assim.

MCMarcela Ceribelli

Você tá com brilho, eu tô, tá? Que bom, você tá com brilho.

DBDrik Barbosa

Eu tô muito feliz mesmo assim, eu sinto que eu tô desenhando uma nova vida para mim e tudo que eu escuto aqui que acontece nesse sofá me ajuda também. Então é bem significativo tá aqui nesse momento da minha vida assim.

MCMarcela Ceribelli

Ai, que demais, bem bonito. Mas vamos Voltar um pouco pra antes do sofá e antes de muita coisa. Quando as pessoas assumem um apelido como nome artístico, eu sempre me pergunto: quando que a Adriana se torna Drica? E quando que a Drica volta a ser Adriana?

DBDrik Barbosa

Está sendo uma baita reflexão, assim, esse ponto na minha vida. Eu me tornei Drica na adolescência, quando artisticamente, quando eu conheci o rap. E o movimento hip-hop foi a partir da minha adolescência. Eu já era muito da música, já curtia. Mas não era algo que eu sentia um caminho pra me tornar uma artista. Mas eu já gostava, já era extrovertida. Eu já gostava de dançar, eu já gostava de ouvir música, de cantar, enfim.

MCMarcela Ceribelli

E como que o rap chega na sua vida?

DBDrik Barbosa

Ah, então. Boa, vamos lá. Eu morava num espaço aqui em São Paulo, com a minha família. Com tios também, enfim. E era um espaço onde rolava música de tudo quanto a gente se imaginar. Minha família é nordestina, então tinha muito forró, pagode, samba. E tinha rap também. Que na época, anos 90, eu sou dos anos 90, já rolava muito. E tios por parte de mãe, eles ouviam muito Espaço Rap. Que era um programa numa rádio que tocava os maiores hits do rap.

Também alguns grupos internacionais, tinha o Bone Thugs. Que na época era uma explosão também. E eles tinham umas fitas. Né, na época. E eu era criança, mas aquela batida me chamava atenção. E eu ouvia aqueles graves, né, eu achava aquilo interessante. Não sabia que estilo que era. Mas eu via meus tios curtindo, via os carros chegando na minha rua, né. Você vê aqueles carros tocando Racionais super alto. E aquilo me deixava: Nossa, essa batida é legal!

E aí, foi caminhando as coisas, até que na adolescência eu conheci uma batalha de rima que se chama Batalha de Santa Cruz, que existe até hoje. Ali na saída do metrô Santa Cruz, aqui em São Paulo. E lá eu conheci mais do movimento hip-hop. Que tinha não só a música, mas o elemento da dança, do grafite, DJ, enfim. E o conhecimento, né.

MCMarcela Ceribelli

Você lembra da sensação dessa mini Drica vendo aquilo?

DBDrik Barbosa

Eu lembro, é muito vívido em mim, assim. E isso que me impulsiona a continuar fazendo rap, inclusive. Porque foi uma sensação de encontrar uma comunidade, assim. Algo que eu podia fazer parte, que eu podia estar confortável em fazer parte. Porque aquilo me trazia muita identificação. Aquelas pessoas que estavam naquele espaço, o que aquelas pessoas acreditavam. Eu aprendi muito sobre mim como cidadã, como parte de uma sociedade, como uma mulher negra, como artista nesse espaço assim.

Então o rap, ele me ajudou a moldar a minha identidade também. Eu tinha 14, 15 anos.

MCMarcela Ceribelli

E você já se sentiu bem-vinda?

DBDrik Barbosa

Já me senti bem-vinda. Porque o hip-hop tem essa coisa bonita de ser algo muito positivo também. Por mais que a gente fala muito das mazelas, das questões que a gente que a gente tem como sociedade, que é muito importante. O intuito é sempre transformar isso. E pra transformar, a gente precisa ter esperança, a gente precisa sorrir, a gente precisa dançar, a gente precisa ter força, né. E aí, o hip-hop, ele me traz pra esse lugar, assim.

De, poxa, eu preciso denunciar as coisas. Mas pra eu ter força pra denunciar, eu preciso sorrir. Eu preciso me alimentar disso aqui. E aí, eu muito nova, foi um novo mundo pra mim aquilo.

MCMarcela Ceribelli

Você tava com as suas irmãs?

DBDrik Barbosa

Eu sou a mais velha, né. Então, eu tava com uns amigos, um primo meu, que é um irmão pra mim. E amigos que moravam ali, e uma maioria homens naquele momento ali, ainda no rap, no hip-hop. Tinha muito homem, era muito masculino, assim, os espaços. Mas a minha irmã era 4 anos mais nova. Então eu tinha 14, ela tinha 10. Ainda não dava pra entrar. E a outra nasceu anos depois, que tem 17 hoje. Mas foi algo muito bonito de eu encontrar, assim. Porque me deu muitas respostas sobre o que era a vida. Como viver melhor.

MCMarcela Ceribelli

E ali você vira Drica?

DBDrik Barbosa

E ali eu virei Drica. Foi a partir disso, assim. O que aconteceu, o nome especificamente, foi esse primo, que é o Dodô. Beijo, Dodô. Que ele falou assim, escreve um nome diferente, assim, pra ter um nome artístico. Escreve Dri-K. E aí tinha Orkut. Aí eu botei no meu Orkut, Dri-K. Aí eu era Dri-K.

MCMarcela Ceribelli

E ali nasce?

DBDrik Barbosa

E ali nasceu a Drica. Só que depois eu achei que a escrita não ficou tão bonita com aquele hifinzinho ali. Falei, eu vou tirar o hifen. Aí causou uma confusão que ainda causa hoje. As pessoas leem e acham que é Drik, às vezes. Porque não tem A. É tipo Dri e a letra K, né. E eu falei, ah, se os americanos, a gente fala Jay-Z, a gente aprende. Então eu vou falar A, entendeu? Aí eu brinco, eu falo assim, ah, mas por que você tirou A?

Porque é coisa de rapper. Porque eu gosto de... Quero ser diferente. E na época, tinha uma MC chamada Drika no YouTube. Eu falei, poxa, vamos procurar meu nome com A? E vão achar outra pessoa. E aí eu, uma coisa exclusiva, vou deixar sem o A. Aí virei o Drica. E mais tarde, como eu também canto, queria colocar alguma coisa a mais, assim, não só Drica. Aí eu peguei o Barbosa da minha mãe, ficou Drica Barbosa. Aí virou meu nome artístico.

MCMarcela Ceribelli

Maravilhosa! O que que você tava vendo no YouTube nessa época?

DBDrik Barbosa

Ah, não, tudo que você imaginar. Porque eu era uma adolescente que eu dançava axé da Baía do Sengueira, tudo. É, eu usava munhequeira, eu gostava de NX Zero, eu gostava de CPM, eu gostava de Pitty, todo mundo, super. Teve uma fase mesmo com pulseirinha de dadinho.

MCMarcela Ceribelli

Você é perfeita, Adriana.

DBDrik Barbosa

Eu fazia tudo, tipo assim, na escola eu tava ali curtindo isso. Aí sábado tinha o sábado da família, quem era de São Paulo na época 2000 lembra. Aí eu ia lá dançar axé e eu adorava forró também. Eu sei toda discografia assim do Calcinha Preta, do Calypso, do Limão com Mel, que eu amo. E eu tava curtindo tudo que você imaginar.

MCMarcela Ceribelli

Aí tinha o Furacão 2000, eu dançava Tava no Rio de Janeiro, então posso dizer que tava no Rio. Era mais ou menos onde eu tava.

DBDrik Barbosa

Eu usava tipo All Star Jeans, sabe? Assim, All Star Jeans com cadarço laranja.

MCMarcela Ceribelli

Tudo!

DBDrik Barbosa

Camiseta do sapinho, tipo assim, tinha um sapinho. Gente, era uma coisa.

MCMarcela Ceribelli

Teve a época da camisa do sapinho.

DBDrik Barbosa

Você lembra disso? E os cintos que tinham tipo borboleta assim, com glitter. Claro! Eu amava essa época, assim. As botas tipo das bandas, tipo da Rouge. E as meias da Rouge coloridas, Melissa transparente. Eu era super misturada.

MCMarcela Ceribelli

Sempre foi, então, sobre música? E nunca houve timidez?

DBDrik Barbosa

Houve sim, houve timidez, várias inseguranças, várias. Mas sempre teve essa coisa que quando eu vou cantar, eu tô no palco, eu me sinto como eu nunca me sinto em nenhum outro lugar. É uma coisa como se, tipo assim, é isso aqui que faz sentido eu estar viva. É uma coisa que eu não sei explicar muito bem. Conversando com outros amigos artistas, assim, que sobem em palcos. Eu entendi que é uma coisa que acontece com a gente, assim. Com a maioria. Talvez você sinta isso, não sei, também aqui.

MCMarcela Ceribelli

Eu sinto.

DBDrik Barbosa

Entende? Como na sua escrita, você sentir isso, assim. Que é como se você estivesse no lugar certo, na hora certa. E aí, as inseguranças, elas... Mesmo que ali, mesmo que às vezes tentando atrapalhar. Mas você entrega, assim.

MCMarcela Ceribelli

Mesmo quando é horrível, você sente: É o que eu sei fazer, é o que eu posso fazer.

DBDrik Barbosa

É o que eu quero fazer, apesar de, assim, talvez. E aí eu sinto isso muito até hoje, assim. Mas já tive timidez, já pensei em desistir, várias coisas. Porque é difícil, né. Mas me mantive, estou aqui, assim.

MCMarcela Ceribelli

Quem te ajudou com que você se enxergasse como artista?

DBDrik Barbosa

Várias pessoas. A minha família foi em primeiro lugar. Inclusive esse primo, que sempre me apoiou e falava, você é muito boa. O Renan também, meu amigo de infância, que tava sempre ali, tipo, vamos fazer, vamos criar, vamos... Mas a minha família, por ser muito musical também. Eu tenho um tio que se chama Adriano, Adriano Souza. E o meu nome é uma homenagem a ele, como Adriana. E ele é cantor desde sempre, desde pequititinho. Então eu via o meu tio cantando, ele já foi em programas de TV e tal.

E aquilo eu achava muito bonito. E eu vi uma possibilidade depois, deu tipo, poxa, o meu tio Adriano, ele faz isso, né? Pode ser que tá em mim também. Meu pai, quando eu nasci, tava tocando bateria. Ele perdeu o meu parto porque ele tava tocando bateria com meu tio. Então a minha família tem muito muito da música. E era uma coisa que faltava só eu, tipo assim, ah, também posso, sabe? E aí foi minha família e depois esses espaços do hip-hop que eu vi que era possível.

MCMarcela Ceribelli

E quando é que você chegou em casa e falou, vou escrever?

DBDrik Barbosa

Então, a escrita ela veio um pouquinho antes do rap, porque eu sou, eu sinto muito as coisas, eu sinto bastante. E aí eu já tinha as paixõezinhas de criança, né, assim, adolescente. E a minha forma de externar é escrever sobre. Aí, o que eu gostava de fazer? Eu ouvia músicas do Usher, da Erykah Badu, aquelas Flashbacks. E aí, eu, tipo, fazia versões brasileiras. Que a gente fala versão brasileira. Só que me dedicando ali, me declarando pra pessoa que eu tava gostando.

E aí, eu comecei a escrever R&B, na verdade, primeiro, né. E eu fui entendendo o que era uma estrutura musical, porque eu imitava. O que a música tava fazendo. Aí, isso aqui chama de verso, isso de refrão.

MCMarcela Ceribelli

Mas é uma ótima maneira de se aprender de música.

DBDrik Barbosa

Não é interessante?

MCMarcela Ceribelli

Claro!

DBDrik Barbosa

Porque aí eu fui entendendo uma construção a partir de algo que... Todos fazemos isso, né? A partir de algo que já existe. Mas foi muito assim, ah, vou fazer isso aqui, vamos ver. E aí eu achei legal. Aí eu comecei a, tipo, de vez em quando fazer isso. Mas não mostrava pra ninguém, né? Porque eu tava me declarando ali.

MCMarcela Ceribelli

Nunca enviou? São cartas nunca enviadas?

DBDrik Barbosa

Nunca enviadas.

MCMarcela Ceribelli

Tá bom.

DBDrik Barbosa

Tava ali, no meu caderninho. Eu sempre tive caderninho, diários. Tenho até hoje, amo. Sou a pessoa dos cadernos. E aí, eu declarava ali. Então, quando eu fui escrever rap, eu pensei, poxa, é diferente. É um outro lugar criativo. Mas é possível, porque eu já entendo uma estrutura. Eu tive a influência da Lauryn Hill, que rima e canta junto, né. Eu falei, poxa, eu gosto de cantar. Também não mostrava, tá? Isso eu tinha timidez. Eu ficava meio, não vou cantar pra ninguém.

Mas cantava no meu banheiro lá. Criancinha. Tinha isso. Eu gosto de cantar. E aí, eu achei a coisa da rima legal. Aprendi a improvisar, fazer rimas de improviso. E por que eu não faço igual ela e junto as duas coisas? E aí, foi a hora que eu comecei a escrever com essa estrutura, assim. Meio cantado, meio rimado. E misturei com a influência da Lauryn Hill, assim. Eu era novinha ali, né. Foi uma referência boa.

MCMarcela Ceribelli

E aí, teve um dia que você falou, tá, tô pronta pra ir pra batalha.

DBDrik Barbosa

É, aí eu tentei batalhar. Batalhar mesmo, assim, fazer parte da batalha. Mas não era muito pra mim, porque eu ficava brava. Eu ficava chateada. Porque assim, muitos caras ainda iam muito pra esse lugar só da estética. Que faz parte da batalha, tá? Essa brincadeira de você zoar o outro, nanã. Mas era num lugar muito pegando na coisa estética de peito, bumbum, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Ah, eles comentavam sobre o seu corpo?

DBDrik Barbosa

Isso, durante a batalha. E eu ficava brava com isso, tipo, não precisa! Porque eu consigo, a gente consegue batalhar intelectualmente aqui na mesma medida, não dá certo isso. Aí eu entendi que tipo eu não ia conseguir. Até hoje? Hoje, hoje, o quê? Pra eu batalhar ou da situação?

MCMarcela Ceribelli

Não, a situação.

DBDrik Barbosa

Melhorou? Melhorou, melhorou, melhorou. Porque também se lascaram, porque veio mais mulher, que aí acaba com eles também no mesmo lugar.

MCMarcela Ceribelli

Opa!

DBDrik Barbosa

Legal. Mas depois também os próprios meninos da batalha lá, os organizadores, começaram a Direcionar mais isso. Ó, isso aqui não pode, isso aqui é até aqui, ó. Isso aqui não é legal. E como tinham muito mais homens, quando vinham as mulheres e eles queriam fazer isso, aí começaram a ir mais mulheres pra essa batalha. Que elas, assim, acabavam com eles. Porque aí não mexia no emocional. Em mim ainda mexia. Falava, não é justo, que não sei o quê.

Elas assim, ah, é? Então toma, toma, toma, toma. Eu falei, então essa parte é pra elas. Eu vou ficar aqui indo na batalha. Eu gostava de participar do improviso. Porque no improviso a gente falava vários temas. Não ficava nisso do ataque. Né, da defesa. Aí eu vi que eu não era uma pessoa de fazer o ataque dessa forma. Eu deixei pra denunciar ou brigar pelas coisas nos versos, assim.

MCMarcela Ceribelli

E você falou do improviso. Você é boa de improvisar na sua vida ou você é muito planejada?

DBDrik Barbosa

Diga aí, quer ligar na minha mão? Eu acho que eu sou boa em lidar com imprevistos. Mas eu sou taurina, então eu prefiro planejar muito as coisas. E às vezes eu deixo de agir por não ter um plano. Uhum. Então eu vivo nessa... E eu tenho muita coisa em Áries também. Eu tenho ascendente, então eu fico nessa dualidade de, vou fazer, eu vou, esse carro, eu quero, quero! E a parte de Touro, que é terra, fica, peraí, mas vamos planejar primeiro. Vamos fazer isso aqui. Aí, meu gênio é meio dual.

MCMarcela Ceribelli

Mas não é medo?

DBDrik Barbosa

Não, não é medo. Eu lido bem com o imprevisto. É verdade, não é medo, não.

MCMarcela Ceribelli

Que medo é...

DBDrik Barbosa

É ter lido bem.

MCMarcela Ceribelli

É, você vai... Você só quer...

DBDrik Barbosa

Acho que a forma que eu vejo a vida é muito tipo assim, tá aí, vamos lá, então. Sempre fui meio assim. Tá aí, vamos fazer. Tá aí, eu vou lá. Tipo, ah, tô mal, mas eu vou lá subir, eu vou cantar e é isso.

MCMarcela Ceribelli

Já subiu no palco muito mal?

DBDrik Barbosa

Muito. Nossa, minha irmã sabe bem, que ela canta comigo, né. E aí, o abraço depois é choros, assim. Já subi de ter que engolir choro e tudo mais. Já subi doente, já subi... Trabalho, né. Tem coisas que, infelizmente, a gente... Mas pensando em tudo aquilo, das pessoas estarem ali. Tem um contrato, alguma coisa, e você... Não é uma coisa que dá pra desmarcar.

MCMarcela Ceribelli

Você acha que no palco tem um nível de hiato que acontece com a gente? Eu também já subi em palco muito mal. Mas parece que você entra num vuuu. É tipo um... Parece que durante aquele período, as coisas, pelo menos em mim, não vêm até mim, assim. Se vem, eu tento... Você é tipo, agora não, né? É, agora não, querido. Isso fica pra depois. Que bom que a gente tem esse espaço ao mesmo tempo, não é?

DBDrik Barbosa

Mina, que bom.

MCMarcela Ceribelli

Mas é uma...

DBDrik Barbosa

Teve uns momentos de luta interna, assim. Porque de eu estar cantando e essa briga estar acontecendo na minha cabeça. E eu sorrio e aceno. E nisso eu sou muito boa. Nisso, no palco, eu sou realmente muito boa. Porque aí não dá pra você perceber que eu tô instável. Eu consigo segurar. Mas isso com o tempo, fui fazendo tanto isso, tanto isso, tanto isso. Que eu acho, não sei se você sente isso aqui também, por exemplo. Não tá muito bem, mas você vai aqui e você vai voltar pra você.

Se te leva para outro lugar, você, opa, eu tenho que voltar. Então não sei o quê, tem que voltar.

MCMarcela Ceribelli

É, é exatamente isso.

DBDrik Barbosa

Mas é cansativo quando isso acontece assim, mentalmente é muito, emocionalmente é cansativo. É porque eu desço destruída. É muito, isso é difícil, né?

MCMarcela Ceribelli

É incomparável.

DBDrik Barbosa

A gente desce, parece que a energia é boa, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Ainda mais nos tempos de hoje, eu tento explicar para as pessoas, dificilmente você tá fazendo uma coisa só.

DBDrik Barbosa

Isso, sinto falta de quando a gente conseguia.

MCMarcela Ceribelli

E prestar atenção em Então é mais exaustivo mesmo. Eu tenho, eu tô aqui prestando atenção em tudo que você tá me falando. Não tem uma notificação e não tem, você não consegue subir num palco distraída.

DBDrik Barbosa

É muito doido. Assim, às vezes vou, às vezes eu não tô pronta para tipo, é agora e eu tenho que ir, mas é a hora e a meia hora, não tem o que fazer, eu não tenho como falar espera mais 20 minutos que eu vou. Tem coisas que Tem que ir, porque é aquilo, as pessoas já estão lá. Ah, é um festival, tem outras bandas. Ah, é um show só meu, mas tem horário. Tem que ir. E é isso, aí eu respiro, pego todos os exercícios que eu aprendi de respiração.

E botei um nome na minha voz da minha cabeça pra eu falar pra ela: Calma aí, vamos ali, daqui a pouco a gente volta. Daqui a pouco a gente conversa. Todos os mecanismos imagináveis mentais que você tem.

MCMarcela Ceribelli

A gente é meio parecida, eu também. Nossa, respiração muito importante.

DBDrik Barbosa

Isso, super.

MCMarcela Ceribelli

Sempre respirar. Antes. E eu faço uma conversinha comigo que é: não importa o tamanho da dor ou do problema, tem uma parte de mim que não foi tocada.

DBDrik Barbosa

Uau! Anota isso pra eu lembrar, por favor. Já quero usar. Que incrível essa conversa.

MCMarcela Ceribelli

E eu vou entrar com essa parte.

DBDrik Barbosa

Lindo, lindo, lindo, lindo.

MCMarcela Ceribelli

Porque sempre tem.

DBDrik Barbosa

Sempre tem um lugar, né?

MCMarcela Ceribelli

Então é com essa parte que eu vou. Quero falar sobre você e irmã mais velha.

DBDrik Barbosa

Ah, sim!

MCMarcela Ceribelli

Porque você fala muito das suas irmãs. Sabe que você vai ter que ser filmada, né? Eu já falei umas 10 vezes. O episódio inteiro fazendo assim.

DBDrik Barbosa

Eu sou muito grudada nas minhas irmãs.

MCMarcela Ceribelli

Ai, que delícia! E tem vários estigmas e histórias. Você sabe dizer que tipo de irmã mais velha você foi e é?

DBDrik Barbosa

Nossa, aquela! Fala aí, que a entrevista é com você agora.

MCMarcela Ceribelli

Pode sentar.

DBDrik Barbosa

Aquela pode sentar. Eu sou uma irmã mais velha paciente, é o que eu mais escuto. Que eu sou paciente, que eu sou muito compreensiva, eu cuido muito. Das minhas irmãs, assim. Eu sou muito... São minhas irmãs, não mexe com elas. É... Eu acho que eu sou uma irmã mais velha legal. Assim, eu não dou trabalho. Nem na TPM eu dou trabalho pra elas. E eu acho que eu tô dando, e ela fala, você nem muda. A nossa diferença não é muita, é 4 anos, né. Quase 4. Então tudo ela tava, assim. Mesmo que ela era menor.

MCMarcela Ceribelli

Então você é uma mediadora de conflitos.

DBDrik Barbosa

Eu sou uma mediadora de conflitos, olha só. Isso não é bom também, às vezes, né, na terapia.

MCMarcela Ceribelli

Isso passou pra outras áreas da sua vida?

DBDrik Barbosa

Talvez eu possa arrumar um trabalho a mais do que a música com isso de mediar. Mas isso me atrapalhou, tá bom, de certo ponto. Porque eu fiz tanto isso e mediei tanto as coisas. Não só entre elas, mas eu virei uma pessoa que eu achei que a minha identidade era essa. Era sempre ser calma, nunca arrumar conflitos. Inclusive, desde criança. Eu era aquela criança que ela não causa conflitos. E eu guardei muita coisa só pra mim. Eu retraí muita coisa.

E nisso de cuidar também, eu era uma criança, mas eu me preocupava mais com a outra criança, que era minha irmã.

MCMarcela Ceribelli

Entende?

DBDrik Barbosa

Então eu tive que trabalhar isso aí, tá? Depois dos 30 já.

MCMarcela Ceribelli

E tem umas consequências, né, que se fala sobre irmã mais velha. Então, por exemplo, você sabe diferenciar quando você tá se sentindo necessária de quando você tá sendo de fato valorizada?

DBDrik Barbosa

Com elas?

MCMarcela Ceribelli

Assim, na vida, na vida, enquanto irmã não.

DBDrik Barbosa

Quase irmã, quase irmã não. Na vida, super, sim. E aí isso tem ficado cada vez mais claro para mim, assim, conforme eu vou amadurecendo também, que o meu olhar para as coisas amadurecem. E eu comecei a observar os espaços onde eu de fato sou valorizada e priorizar estar neles, assim. E isso veio com o tempo, demorou um tempo.

MCMarcela Ceribelli

Porque é uma das ciladas.

DBDrik Barbosa

É uma das ciladas, sim.

MCMarcela Ceribelli

Quando você sabe cuidar, e aí você percebe que, pera, então deixa eu cuidar mais um pouco aqui. E as pessoas percebem muito rápido quem gosta de cuidar e o quanto é bom estar perto de quem sabe cuidar.

DBDrik Barbosa

Exatamente, exatamente. E fica cômodo também.

MCMarcela Ceribelli

Isso.

DBDrik Barbosa

Porque aí tem pessoas que não fazem a parte delas também dentro das relações, porque o outro tá sempre contendo, cuidando, se preocupando, e gera um peso. Cheguei a um esgotamento também, e com ansiedade tive que tratar e tudo mais, porque leva pra esse lugar. Eu tô num mergulho muito profundo de autoconhecimento também, que aí me levou pra esse lugar também de por que que eu permaneci nesse lugar também. Também, dentro de algumas relações, né.

Por que eu me permiti estar ali pra isso? Mas era onde eu me sentia útil, entende?

MCMarcela Ceribelli

Mais do que eu gostaria.

DBDrik Barbosa

Era como eu achava que eu era útil. E isso começou a ficar meio misturado, eu achando que aquilo era parte de mim. Ah, eu sou assim, eu sou empática demais, eu tenho muita compaixão. Isso também é uma coisinha do ego, entendeu?

MCMarcela Ceribelli

Claro.

DBDrik Barbosa

Que é esse lugar de, olha como eu sou boa. Olha como eu sou boa em cuidar. E isso tá tão intrínseco em nós, principalmente nós mulheres. E aí eu tive que começar a trabalhar isso em mim, de eu mereço ser cuidada também. E que as coisas sejam na medida, pros dois lados. Então agora eu só quero viver relações, sejam elas de amizade, amorosas, familiares, onde a troca é justa. E demorou pra eu entender isso, eu tive que sofrer bastante pra entender isso.

MCMarcela Ceribelli

Muita gente foi embora no processo?

DBDrik Barbosa

Teve algumas pessoas que foram embora, sim. Uma relação muito longa, inclusive, também, de 15 anos, assim. Foi onde eu me percebi também. Porque tinha muito, na verdade, que eu me colocava nesse lugar. E eu tive que ter essa... Me olhar e falar, poxa, eu sou responsável também por isso. Isso foi difícil. Porque colocar no outro é bem mais fácil, né? Ah, porque o outro era assim. E aí, pra mim já veio uma coisa de eu preciso me responsabilizar pelo que eu fiz também.

Pra eu mudar isso, eu não quero entrar em nenhum outro tipo de relação me colocando nesse lugar. Viver assim, isso foi uma chave que virou, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Você soube reconhecer o que naquilo te servia. Até porque se você não reconhece, muito provavelmente você vai repetir.

DBDrik Barbosa

Muito provavelmente, vai.

MCMarcela Ceribelli

Você leva com você.

DBDrik Barbosa

É, porque a gente acaba achando que só vai dar certo se a gente for daquele jeito. E quando a gente tá aberto, né, emocionalmente, abertas emocionalmente, é facinho de entrar nesse lugar, se não tomar cuidado. Porque é um lugar que já é conhecido. Por mais que ele não seja bom, mas é um lugar conhecido. E aí a gente tem que trabalhar isso e falar, é conhecido, mas não é bom. É a zona de conforto desconfortável. Tô trabalhando isso em mim, assim.

MCMarcela Ceribelli

É, e tem também um pouco da... A gente falou do palco, mas tem também o aplauso.

DBDrik Barbosa

Tem.

MCMarcela Ceribelli

Quanto mais você se acostuma com o aplauso, mais você precisa de aplauso.

DBDrik Barbosa

E eu tive que lidar com isso também, né. Porque eu comecei muito nova. Isso também mexeu comigo.

MCMarcela Ceribelli

E tem as palminhas, eu falo, literais e as não literais. Nossa, como você é boa! Você pode fazer tal coisa? Acho que só você vai conseguir fazer tal coisa. Se quiser me colocar numa cilada, é só você falar, Marcela, só você consegue. Já me meti em cada cilada. Nossa, como eu já amei me sentir necessária dessa vida.

DBDrik Barbosa

Olha aí, tá vendo? É isso. É que a gente acaba colocando esse lugar de autoafirmação que a gente precisa se dar também, porque é importante pra nossa autoestima. Mas a gente acaba colocando numa situação com o outro sempre, né. E aí, o que acontece se esse outro vai embora? Você não tem mais aquilo que te segurava, né. Né? Aí dá ruim, tipo, você não tem mais aquilo que te amparava, porque o amparo não tá em você, você botou nos outros, entendeu?

MCMarcela Ceribelli

Entendi. Foi aí que bateu o esgotamento, ou foi antes ou depois?

DBDrik Barbosa

Vixe Maria, acho que foi tudo junto. Eu entrei numa crise assim comigo, Adriana, e com a Drica também. E aí eu não sabia mais o que era da Adriana, o que era da Drica, pensando tipo vida pessoal, vida profissional. E eu entendi que eu tava misturando algumas coisas também e que não era legal. Por exemplo, começou muito calmo, eu falo, é, eu sou calma, não sei o quê. E a Drica, palco, é isso, me vejam, olha aqui que eu sou corajosa, olha aqui que não sei o quê.

Eu comecei a separar tanto isso que eu comecei a achar que a Adriana não era mais corajosa, eu só era corajosa no palco.

MCMarcela Ceribelli

Uau!

DBDrik Barbosa

Isso mexeu com a minha cabeça. Quando eu fui ver, eu já tava Nisso, eu não conseguia transformar a minha percepção sobre mim. E aí, eu comecei... Aí, eu tive um transtorno de ansiedade. E eu não consegui explicar pras pessoas o que tava acontecendo comigo. Tipo, de eu estar tão insegura, comecei a ficar insegura, tive bloqueio criativo. Porque eu... A Adriana que senta e cria pra Drica cantar. E aí, a Adriana não se sentia mais capaz de criar alguma coisa tão boa para a Drica.

Aí, eu parei de criar. Tipo, isso mexeu comigo, no meu inconsciente, assim. Nada era o bastante.

MCMarcela Ceribelli

Você ficou quanto tempo sem criar?

DBDrik Barbosa

Olha, eu fiquei uns... De, tipo, efetivamente criar, uns 2 anos, 3, assim. Uma coisa ou outra eu fazia, mas foi um tempo. Foi bastante tempo. Porque me pegou muito depois da... Principalmente depois da pandemia. E eu tive uma questão na corda vocal, que eu tive que operar. Isso também mexeu muito comigo, fiquei com medo de perder minha voz. E é um processo delicado, numa área muito delicada. Tudo isso mexeu muito comigo. Mas tinha esse lugar que eu precisava me encontrar de novo como...

Quem é a Adriana? É a Adriana que faz isso aqui acontecer. Eu não posso colocar nessa persona. A persona sou eu. E aí, teve um dia específico que é legal citar. Que a minha mãe achou uma fita do meu aniversário de 10 anos. E pra você ter noção... Então... Pra você ter noção, a minha percepção de mim criança, eu também transformei na minha cabeça. Como se aquilo fosse pra afirmar que eu não era aquilo. Que eu, na verdade, era uma farsa.

Tipo, eu entrei numa coisa, assim. Que eu também não sabia explicar como aquilo começou, foi uma coisa. E veio a partir do esgotamento. E aí, eu vi essa fita e era eu com 10 anos. Tipo, na sala da minha casa, na festa. Dançando, com uma sainha, uma botinha, toda arrumadinha. Eu fiz uma troca de look.

MCMarcela Ceribelli

Eu amo ela!

DBDrik Barbosa

Eu fiz uma troca de look! Do nada, na fita, eu apareço com outra roupa. Super dançando, sorrindo. E olha que interessante, naquele dia tinham me levado pra fazer uma escova no cabelo. Queimaram a minha cabeça, o couro cabeludo, com... Tipo assim, eu sofri aquele dia, eu lembro disso. E eu estava feliz na minha festa, dançando, vestindo looks e extrovertida. E não porque eu tava fingindo nada, eu sou assim. Eu lido com as dificuldades também, falando, eu vou dar a volta por cima.

Aquilo, menina, quando eu assisti, me deu uma coisa que eu fiquei... Eu sou essa criança, não é essa que eu achava aqui na minha cabeça, que era só uma criança que era compreensiva e que segurava tudo. Também, por muito tempo. Mas a minha essência tava ali, ó. Soltava a música, eu aparecia.

MCMarcela Ceribelli

Tipo, sabe?

DBDrik Barbosa

E aí, ó, cheguei emocionada. Mas foi uma percepção bonita. Isso foi há o quê? 2 anos atrás, assim, menos. Que eu acessei essas imagens. E isso me trouxe uma coisa de: eu não posso mais viver desse jeito. Me enganando que eu era de um outro Eu sou assim. É essa criança que sobe no palco. Foi isso que eu dei esse estalo.

MCMarcela Ceribelli

Posso dividir?

DBDrik Barbosa

Por favor.

MCMarcela Ceribelli

Algo muito similar?

DBDrik Barbosa

Por favor.

MCMarcela Ceribelli

Porque eu tô impressionada. Porque é muito parecido com uma situação que eu vivi também.

DBDrik Barbosa

Me conta.

MCMarcela Ceribelli

Eu demorei também muito tempo pra sair de um lugar que eu não estava feliz. Por motivos talvez parecidos. E também leva-se um tempo pra entender o que naquilo serve a você. Mas eu decidi que eu ia ter. E eu também sou a louca dos cadernos. Mas eu decidi que eu ia ter um caderno que era caso você se esqueça, porque é muito normal quando a gente está numa situação nociva, aí acontece uma mini coisa boa, você esquece o que aconteceu.

E ter aquilo registrado foi muito importante para mim. Por isso que eu digo para as pessoas, eu entendo que dá vontade de ir embora na hora, mas às vezes o seu processo precisa de um caderno. E precisa de um tempo pra você conseguir. Só que aí, eu já vinha escrevendo: Olha, não se esqueça, isso aconteceu. Não se esqueça, isso aconteceu. Não se esqueça, isso aconteceu. E aí, eu fui pra casa da minha mãe, a gente abriu um baú de fotos.

E aí, era uma fotinha minha com um conjuntinho que eu lembro até... Eu lembro de... Sabe quando você lembra de usar? Ele é meio... Ele era xadrezinho e tinha umas margaridas. Que a gente tava indo para o show do Sandy e Júnior.

DBDrik Barbosa

Meu Deus!

MCMarcela Ceribelli

E um penteadinho aqui, linda. E aí eu pensei, não é justo com ela, não é justo. Olha, eu também, porque não é justo com ela. Sim, ela não ia gostar de ver isso aqui, não é justo com ela.

DBDrik Barbosa

Nossa Senhora!

MCMarcela Ceribelli

E aí eu colei a foto no caderno. E o caderno fechou ali.

DBDrik Barbosa

Olha, menina do céu, que coisa mais linda e importante!

MCMarcela Ceribelli

Não, e você, enfim, nunca tinha falado sobre isso, mas então tá aqui o exercício para as ouvintes.

DBDrik Barbosa

Isso, façam isso. Inclusive, você me lembrou. Ai, eu também. Ai, meu Deus, vamos brincar, vamos cancelar que eu fiz a gravidez chorar, gente, pelo amor de Deus.

MCMarcela Ceribelli

Não era isso, não, chorar pode, que você não pode me negar as coisas que dá Te dou todo chocolate que você quiser, viu?

DBDrik Barbosa

Você é meu docinho. Muito obrigado! Assim, cara, nossa, me identifico completamente. Porque eu senti o mesmo com as finalizações de tudo, da minha relação, de tudo, de trabalho, de tudo que aconteceu. Tipo, o que essa criança merece? O que ela queria que eu hoje, com 34 anos, estivesse impondo limite, me colocando? Quem é essa adulta que ela queria que eu fosse? Sabe, para ela. Porque a gente— eu gosto desse termo que fala que a gente só esticou.

É aquele corpo que vestia aquela roupa, é o teu corpo, é o corpo que tá gerando hoje, entende? E você de xadrez, tá? Vamos ver isso aqui que ela ainda pontua.

MCMarcela Ceribelli

Pode entrar, a gente começa agora a análise.

DBDrik Barbosa

Menina, olha essas camadas. Então assim, você lembra da sensação no seu corpo? Porque o corpo era o mesmo. A gente às vezes esquece isso também, entende? A gente esquece que a gente é o mesmo corpo. É É óbvio, amadurecemos, evoluímos de várias formas, né, tudo. Mas o sistema que opera na gente ainda é o mesmo, o coraçãozinho é o mesmo, ele bate do mesmo jeito. Então é bonito a gente se conectar dessa forma de novo. E você me pegou nesse lugar também da escrita, porque o que que eu fiz nessa mesma época?

Eu acessei os meus diários da época, tipo, desde o mais antigo que eu tenho. E aí, eu vi essa mesma Adriana que eu tava me perdendo dela. Que eu tava achando que ela não era o suficiente. E eu sempre fui do jeito, sabe, mais genuíno, mais sincero. E não tinha medo de sentir, e não tinha medo de falar o que eu sinto sobre as coisas, né. Depois tive que trabalhar a questão de falar o que eu sinto pra não criar conflito, isso sim.

Mas eu escrevia sobre tudo isso. Eu não tinha medo de gostar de alguém e ela não gostar de mim. Tipo assim, eu não tinha medo de sentir. Porque era sobre como eu vivo, como eu tô no mundo. E aí, eu fui me perdendo durante o tempo. E eu precisava encontrar onde eu tava ali. Aí eu vi que eu tava na criança, e eu vi que eu tava naquela adolescente que não tinha medo de sentir as coisas. E que queria entender quem ela era, assim. Nossa, me pegou muito forte agora!

MCMarcela Ceribelli

E qual foi a primeira música que você conseguiu cantar depois disso?

DBDrik Barbosa

Ai, meu Deus! Menina, eu nem lembro, assim. Eu tô falando isso agora no meu novo trabalho, inclusive. Eu tô falando exatamente desse reencontro comigo, assim. Então eu tô acessando muito essas memórias, assim. Mas depois que a chave virou, até as músicas que eu já fiz anos atrás, dos discos, quando eu vou fazer show, elas foram ressignificadas, assim, pra mim. Porque aí virou uma coisa de essa força é minha, não é só quando eu tô no palco.

Eu sou uma mulher forte, eu sou uma pessoa corajosa, eu sou uma pessoa que lida bem com as coisas. Por que que eu parei de me ver dessa forma? Onde foi que eu me deixei, entende? Onde foi que eu me deixei assim? Porque eu preciso, eu preciso lembrar que eu sou assim para eu escrever sobre o que eu quero escrever, para inspirar as pessoas nesse lugar de ser frágil, vulnerável, porque a gente é humano e é. Mas eu sou forte para caramba dentro dessa fragilidade, dessa vulnerabilidade, sabe?

Aí Eu agarrei isso. E aí, especificamente esse ano, a gente fez um show. Minha irmã tava lá. A gente fez um show. E foi o primeiro show, assim, na vida onde eu me senti 100% eu. Não tinha divisão quem era a Adriana, quem era a Drica que as pessoas veem na internet ou nas músicas. Era eu! E foi a melhor sensação do mundo. E aí, eu defini pra mim que eu nunca mais vou perder essa sensação. Tipo, eu não vou deixar ninguém me tirar essa sensação, nem eu mesma!

Tipo assim, eu vou lutar por ela, por essa criança. Tipo, eu sinto que essa criança tava ali. É como se todas as minhas fases se encontrassem de uma vez, assim. Tipo, estamos juntas, garota, vamos lá! Quer lembrar tudo que a gente já viveu?

MCMarcela Ceribelli

Pensando assim, me parece como se você tivesse desintegrada.

DBDrik Barbosa

É.

MCMarcela Ceribelli

E agora você perfeita, é como se tivesse íntegra.

DBDrik Barbosa

Nossa, linda, linda dessa forma. É, eu me sinto que também seria íntegra, inteira, Integra dentro do que é inteireza em ser humano, né? A gente sempre tá, sim, alguma falta de existir, sempre, até passar, até passar. Mas eu sinto que eu tô íntegra e mais inteira, e dá para ir mais.

MCMarcela Ceribelli

E sobre o que que você tem escrito?

DBDrik Barbosa

Sobre tudo isso, sobre esse encontro especificamente. Foi a primeira música que eu escrevi agora nessa fase. Dentro desses 2 meses que eu tô trabalhando num EP novo, no projeto novo. E aí a primeira música foi sobre encontro. E aí eu posso dar um spoilerzinho?

MCMarcela Ceribelli

A gente quer.

DBDrik Barbosa

Eu não vou cantar a melodia para não dar tanto spoiler, mas eu falo assim, eu começo a música falando: ouvi que água que afunda o barco vem de dentro, por isso aprendo a navegar em Vivi como começa um recomeço, no extremo do sentir. E aí, o que isso quer dizer? Tô nesse oceano que é a vida, várias coisas. Mas eu me afundei porque eu não tava cuidando desses buracos. Então foi entrando água, foi entrando água, foi entrando água.

E eu me afoguei em mim. E essa água que afunda o barco, ela vem de dentro. Então eu preciso olhar pra dentro agora, pra eu conseguir continuar navegando. E aí, eu começo a música já dizendo que eu tive essa percepção. Que eu preciso olhar pra mim, que eu preciso de autoconhecimento. Que eu preciso me acolher e tudo mais. E aí, eu vou destrinchando nessa música sobre o recomeço. E eu falo do extremo do sentido, porque eu fui até onde eu posso dizer que foi um fundo do poço.

Mas eu não tive medo de entender o que tava acontecendo lá. E aí, eu só consegui subir porque eu encarei o que tava rolando.

MCMarcela Ceribelli

Mexeu lá embaixo, né?

DBDrik Barbosa

Deixou aquele marromzinho.

MCMarcela Ceribelli

Eu mexi lá, docejar e tudo.

DBDrik Barbosa

E aí, essa música, ela... Ela é bem importante pra mim, porque ela é como se na escrita eu tivesse confirmando pra mim mais uma vez de que eu evoluí nisso, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Quando que a gente vai ouvir essa música?

DBDrik Barbosa

Já, já! Eu não sei o dia que sai. Mas vai sair tudo dando certo que vai dar. Antes de outubro tem esse EP.

MCMarcela Ceribelli

Tá bom.

DBDrik Barbosa

Em breve... Muito em breve.

MCMarcela Ceribelli

A gente chega.

DBDrik Barbosa

Muito em breve.

MCMarcela Ceribelli

Eu tenho uma pergunta que eu acho que... Que vale para muitos contextos. Eu te enxergo e ouvindo suas músicas me parece que você se apaixona e se encanta.

DBDrik Barbosa

Gosto muito de amar.

MCMarcela Ceribelli

Você acha que você percebe mais fácil quando você tá se apaixonando ou quando você tá deixando de amar as pessoas?

DBDrik Barbosa

Caramba, isso foi forte. Eu acho que depende do cenário, talvez depende do cenário. Mas eu acho que é isso, eu não tenho esse medo do encantamento, eu não tenho esse medo de sentir o encantamento assim. E aí eu vivo muito querendo aproveitar todas as sensações da vida, sabe? Quero aproveitar todas elas. E aí quando eu amo, quando eu tô encantada, eu tô encantada, eu tô ali. Tanto que eu Eu vivi a maior parte da minha vida me relacionando, né?

Eu fiquei 15 anos assim porque eu tava ali, eu estava presente, foi ótimo, tava ali. Mas eu sinto que também, por eu não ter esse medo, eu deixo fluir também. Eu não fico percebendo muito, mas eu percebo também quando eu não tô, não tá mais, né? Quando não tá mais suprindo o que eu preciso, assim.

MCMarcela Ceribelli

Como que você sabe a hora de ir embora?

DBDrik Barbosa

Então eu acho que eu tô aprendendo, eu tô aprendendo. Eu acho que cada cenário é um. Às vezes a gente não percebe que passou da hora de ir embora, às vezes algo tem que acontecer. E aí você, tipo, ou aquela criança ticutu que fala: Fia, mas será que é hora de ir embora?

MCMarcela Ceribelli

Na hora que a gente enxerga, porque no UOL, porque senão não é justo com a gente. Isso é uma visão foda assim, porque passar da hora de ir embora parece que você se atrasou, mas se você não sabia que era a hora, nossa, você não Pronta, perfeito. Acho que é um pouco mais justo, mas muito mais.

DBDrik Barbosa

Não faz muito mais sentido, tá? Eu aqui já, eu pensando na minha experiência, não é no primeiro sinal, não é muito, não é, não é, não é. Senão a gente teria percebido também. Mas é que eu levei para esse lugar do que eu falei, da zona de conforto e desconfortável. Às vezes a gente acredita que aquilo vai mudar. Eu sou a pessoa da esperança e eu ficava ali na esperança daquela situação mudar, porque a situação pode mudar, porque a pessoa é muito legal.

Isso até de amizade também, não só no amor romântico, né? Mas esse, todos os tipos de amor. Ah, mas pode mudar, mas pode voltar a ser daquele jeito. E é nisso que eu acho que às vezes a gente tá até um pouquinho percebendo, mas a gente tá assim, ah não, mas vamos estar tentando aqui, vamos ver o que acontece. Aí às vezes tem medo de ficar só, tem medo de não ter mais aquilo. Nesse sentido que eu quero dizer. Mas o que você falou, concordo totalmente. A gente vai embora na hora que tem que ir, assim, que entende.

MCMarcela Ceribelli

Ai, que bom que a gente acredita no melhor do outro, né?

DBDrik Barbosa

Sim, é importante. É que às vezes nem ele que é o melhor. Tô aprendendo isso assim, apanhando da vida, tá? Às vezes aquela dúvida, você tem que ir.

MCMarcela Ceribelli

E se precisa vasculhar muito para ver o melhor da pessoa, talvez.

DBDrik Barbosa

Acho que quando a gente, a gente acha que todo ser humano, a gente quer mostrar o que a gente tem de bom. É natural nosso assim, né? Eu tenho isso aqui de bom. Se não mostrou, talvez não tenha muita coisa boa.

MCMarcela Ceribelli

Isso, talvez não vai escolher mais não, amiga. Já foi suficiente.

DBDrik Barbosa

Deixa aí, fia. Mas é isso, eu falo disso do amor que eu vou deixando ir, mas eu também observo, né? Tem essa energia que eu falei da terra, do fogo, eu também fico ali, né? Também não deito assim tanto também não. Mas é isso, eu não tenho esse medo assim, eu tenho essa coisa da vida de, poxa, porque eu acredito nesse corpo como Adriana, com as relações que eu tenho como elas são agora, só tem essa nessa experiência específica, deixa eu estar aproveitando tudo.

Isso até me ajuda quando eu tô muito mal e tenho que subir no palco, eu tenho que fazer, vamos lá, vai ser legal.

MCMarcela Ceribelli

Ai, eu sou assim. Nossa, bem assim. Mas eu também tenho uma preocupação, porque eu sou bem assim, mas eu entendo que para algumas pessoas não dá.

DBDrik Barbosa

É, não, não compreendo. E não é suficiente, sim. É, cada um tem o seu modus operandi ali.

MCMarcela Ceribelli

Que, mas de novo, conectando com a parte de mim que alguma parte, alguma parte minha, alguma parte sua, alguma parte minha tá inteira.

DBDrik Barbosa

Perfeito isso, perfeito.

MCMarcela Ceribelli

Ai, Drica, o tempo! Mas eu quero saber um pouco mais sobre esse EP, porque eu sei que você não Isso tá muito spoiler. Mas antes, me fala assim, como que você imaginou as pessoas ouvindo?

DBDrik Barbosa

Ai, meu Deus. Ó, já adianto o quê? Porque eu faço essa mistura do rap, R&B. E trago alguns elementos de outras coisas que eu gosto. Você viu que eu gosto de muita coisa. Tipo assim, eu tenho um feat... As pessoas não entenderam. Eu tenho um feat com a Pitty, tenho um feat com o Péricles, tenho um feat com o Márcio Vitor. Que eu sou fã de todos eles. Tipo assim, eu tenho feat com vários gêneros que eu adoro. Minha música traz muito isso.

MCMarcela Ceribelli

Como é conviver com o Péricles?

DBDrik Barbosa

Não, pelo amor de Deus! Calma. Não pode falar sobre o Ypê. Foi um sonho!

MCMarcela Ceribelli

Pelo amor de Deus!

DBDrik Barbosa

Amiga, foi um sonho! Foi um sonho, ele é muito querido. E essa música chama Calma, Respira, inclusive. Super indico, a gente tava falando aqui. Linda essa música, tá? Muito linda. E foi um acontecimento pra mim gravar com ele. Ele é um querido mesmo, um profissional incrível. E uma pessoa de uma luz, que é aquela luz ali. Ele é assim, eu tive o prazer de poder sentir um pouquinho dessa luz perto, assim. Temos um clipe também muito bonito, depois vem.

Bem bonito assim. Aí, é só de lembrar essa música, é, vixe Maria, essa música eu canto para mim mesma às vezes, que ela me acalma assim. Mas vamos ao EP, que tem a ver também. Não vou ficar aqui falando do Belix, eu adoro ele. Mas o EP, ele traz o conceito de, dentro das dores que eu tava sentindo, dessa fragmentação, eu também encontrei um caminho de florescimento. Eu olho, tem um espaço ali que se eu for indo por ali, eu vou saindo do poço.

E eu preciso seguir florescendo, porque a vida é sobre isso. Eu preciso trazer frutos pra minha vida, plantar, colher, preciso florescer. E aí, tudo que eu passei me inspirou a escrever de novo. Eu saí do bloqueio criativo depois de sofrer muito pelas coisas. Não é a melhor forma, né, gente? Mas eu literalmente peguei um limão e fiz um lemonade, como a Beyoncé, entendeu?

MCMarcela Ceribelli

Mas você sabia dizer naquele momento, eu estou vivendo um Sabia, tava total.

DBDrik Barbosa

Minha mente não tinha, eu não conseguia conectar as coisas para eu escrever sobre elas assim, tava nesse nível assim, eu não conseguia colocar em palavras assim algo que para mim eu sempre senti que tive facilidade, eu não conseguia mais. E aí eu comecei a pensar que eu não ia conseguir nunca mais fazer aquilo, isso foi aterrorizante assim, fiquei tipo, eu não sei o que fazer então, porque eu sinto que eu tenho que fazer isso aqui nessa da minha vida.

Como é que eu não vou falar sobre as coisas? Tipo, como assim? E aí, é, tudo que eu passei me deu essa coisa, porque eu senti muita raiva, muita dor, muita indignação com várias coisas. E essa responsabilidade de eu vou me levantar, eu ajudo as pessoas a se levantar, Camila, por que que eu não vou me levantar agora? Menina, me deu uma coisa. E assim, foi assim, entre crise de ansiedade, não sei o quê, eu comecei a anotar umas coisas.

Coisas. E eu já tinha tido uma ideia antes para um disco, que é o conceito, que é o nome do EP. E este ano, quando eu, quando eu entendi que era legal de eu fazer um novo trabalho com o pessoal do Outro Lado, que eu tô fazendo, que é uma produtora musical maravilhosa com esses amigos, eu falei, é a hora de Lotus, que é o nome do EP.

MCMarcela Ceribelli

Ai, que lindo!

DBDrik Barbosa

É a hora de eu ser Lotus agora. Eu vou florescer no meio dessa, dessa água dessa curva, dessa lama. E isso é isso, isso tudo que eu tô passando, essa lama vai nutrir, essa água aqui que vai me nutrir pra que algo de bom floresça, sabe? Que o que seja visto, que as músicas sejam essa flor muito bonita que nasceu a partir disso, assim. E a escolha do nome Lotus vem desse lugar, que também tem um significado espiritual muito bonito, que é algo que eu também me conecto muito.

Então o EP, eu quero que as pessoas escutem acessando essas coisas todas. São 5 faixas. A primeira já explica muito bem o porquê das coisas. Mas ao mesmo tempo tem um R&B romântico, eu adoro. Tem um house, que é a última música, que é super festa. Mas que fala sobre recomeços, que fala sobre esse lugar de eu vou dançar com a vida.

MCMarcela Ceribelli

Tô louca pra ouvir.

DBDrik Barbosa

Tá bem bonito, eu espero que você goste.

MCMarcela Ceribelli

Eu tenho certeza.

DBDrik Barbosa

E eu falo que eu tô assim, tô aberta a dançar com a vida de novo. E aí, essa música é sobre isso. Que vai ter um audiovisual muito bonito, da primeira e da última faixa. Faixa. Então elas se conectam, que chama Encontro e Recomeço. Tô dando vários spoilers para você. E aí tem o momento do encontro, o momento do recomeço. E aí esse momento do encontro é muito Adriana, é esse momento que eu me reencontrei, que eu fiquei íntegra.

E a recomeço é Adriana e a Drica dançando com a vida, tipo, nós somos, nós estamos aqui, vamos aí, sabe? E aí o EP, ele brinca com isso. Tem uma faixa que eu falo sobre a importância dos banhos de sol, que a gente tá Eu sempre gosto de trazer coisas do cotidiano que a gente sente falta. Eu tenho uma faixa chamada Banho de Chuva que fala sobre isso. Felicidade era um banho de chuva. E aquilo curava muita coisa quando a gente era criança, né.

E agora eu sinto que hoje, um banho de sol é algo que a gente precisa muito, assim. E a gente não tá mais tomando tantos banhos de sol. A gente não tá mais saindo tanto das telas pra isso, saindo de casa.

MCMarcela Ceribelli

Concordo.

DBDrik Barbosa

E aí, eu trago esses pontos. Então... Eu tô trazendo várias coisas assim, banho de vida, né? Banho de vida, é um sol, né, nutrindo a gente.

MCMarcela Ceribelli

Exato.

DBDrik Barbosa

Enfim, do Epê sobre— quase falei todas em primeira mão. Então vocês vão lá ouvir, tá?

MCMarcela Ceribelli

É uma exclusiva do Bom Dia, óbvio, para os seus ouvintes.

DBDrik Barbosa

Total, por favor. A equipe vai falar: querida, tu já falou tudo. Falei, porque o Marcelo merece. Ai, obrigada, maravilhosa, perfeita. Mas eu espero que você se identifique, acho que com que você trouxe também, que você já passou. Acho que tem coisas que vão te abraçar, inclusive. Coisa linda!

MCMarcela Ceribelli

Acho que faz todo sentido. Sim. Ai, Drica, aqui no programa a gente finaliza com duas perguntas finais.

DBDrik Barbosa

Eu nem me preparei, eu falei, eu vou deixar, eu vou deixar.

MCMarcela Ceribelli

A primeira delas, eu quero saber qual que é a sua fissura atual.

DBDrik Barbosa

Minha fissura atual? Caraca, nesse momento Gente, eu tô tão feliz que eu tô criando que a minha fissura tem sido produzir música mesmo. Tipo assim, eu acordo pensando nisso, durmo pensando nisso. Sei que é meio comum porque eu sou artista, mas assim, de produzir mesmo, de sentar com eles e a gente construir cada camada e ficar testando. E cara, gente, isso é uma delícia, como se tivesse montando um Lego. E aí quando a música tá pronta, você fala, ficou muito legal, sabe? É uma coisa que eu tô assim muito muito feliz.

MCMarcela Ceribelli

Eu fico boa quando a coisa tá encaixada, né?

DBDrik Barbosa

Nossa, sabe quando você curte o processo? Eu tô assim com produção musical. Muito bom.

MCMarcela Ceribelli

Ah, então vou puxar um ganchinho para as ouvintes que têm vontade de se jogar numa carreira artística e musical. Pelo que que elas deveriam estar fissuradas para desbloquear isso nelas?

DBDrik Barbosa

Nossa, amei isso. Eu acho que primeiramente é você abraçar o que você quer colocar no mundo. Mundo, né? Você ter essa: o que que eu quero trazer para o mundo? Porque quando a gente quer escrever só para a gente, a gente tem nossos cadernos. Mas fazer música e compartilhar ela é causar coisas nas pessoas, né? E aí esse foi também a primeira coisa que eu pensei: o que que eu quero causar nas pessoas? O que que eu quero que elas acessem?

E aí você seguir essa proposta, né? Quero que acesse isso aqui, é a partir do que eu tô sentindo, do que eu vejo no mundo, enfim. Mas também proteger muito o que você, o que você Tem muitas coisas pra atravessar e te atrapalhar. Principalmente pra nós, mulheres artistas. Então proteja aquilo como um filho, assim. Eu trato EPs e músicas como filhos. Proteja teus filhos. Porque é teu, é uma parte sua. A arte é uma coisa que é um pedaço nosso, assim.

É algo muito visceral. Você colocou uma parte sua no mundo, assim. Então cuide disso, assim. Mas isso não é pra ser tão... Não é pra ser leve, tá, gente? É igual eu falei, de um jeito, né. Mas assim, eu acho que essas duas coisas, o resto a gente lida. A gente vai lidando, vai criando, vai fazendo, vai encontrando pessoas legais. Se mostrem na internet, que é uma coisa que vem na minha cabeça. É uma ótima plataforma, gente. Com cuidado com o que você quer expor.

Mas você quer mostrar tua música? Não fica esperando ela estar... Tudo bem, mostra um trecho da tua música. Apresenta teu trabalho, não tenha medo de fazer isso. Às vezes tem alguém esperando por alguém como você pra apoiar, pra te ajudar. Eu acho que essa plataforma hoje é um lugar muito legal pra gente fazer isso musicalmente. Então não tenha medo de divulgar seu trabalho. Trabalho e acreditar nele. Acho que é isso.

MCMarcela Ceribelli

Eu saí para jantar essa semana com um amigo meu que tá escrevendo um livro e ele tá bem travado. Eu não acho que ele tá bloqueado, é trava assim, ele tá um pouco travado, um pouco dificuldade. O meu acordo para o terceiro livro é que eu não vou esperar estar muito pronto para mandar para editora. Uau! Então assim, o que às vezes para a gente tá no meio do processo ainda Calma, divide com alguém. Às vezes é importante. Você falou de trabalhar em grupo. Imagino que você esteja fazendo isso.

DBDrik Barbosa

Super isso. A Kelly recebe minhas guias, minha filha. Até o começo do começo do começo, ela também tá participando. Banho de Sol, ela fez o refrão, escreveu. Enfim, então até é muito legal ter família junto fazendo. E aí, essa coisinha pra mim, que eu ficava assim querendo ter o controle de tudo e que tá tudo bom. Mas aí eu caio num bloqueio criativo, entendeu? De querer demais, demais, demais. Também. E é isso, é a gente desapegar também, porque tem hora que tá pronto para nascer, gente.

Tem hora que tá pronto, é igual bebê, passou os 9 meses, aquela tá prontinha para nascer, não vai ficar 10 meses, entendeu? Deixa sair dos 9 meses.

MCMarcela Ceribelli

Nada como uma gestação para te lembrar que as coisas levam tempo para ficar prontas.

DBDrik Barbosa

Olha que bonito isso! E eu ouvi isso esses dias, inclusive, sobre que tudo na vida, se a gente aprendesse a esperar o tempo de prestar, talvez a gente lidaria melhor com essa coisa da pressa.

MCMarcela Ceribelli

Porque tudo tem seu tempo, é o tempo próprio. Não que—

DBDrik Barbosa

não que eu entendi também, não é assim, pessoal. Vocês entenderam? Não levem ao extremo.

MCMarcela Ceribelli

É mais para sorte ajuda os corajosos, entende?

DBDrik Barbosa

Já tem o tempo. Como diz o provérbio africano, vai rezando e vá fazendo.

MCMarcela Ceribelli

Vai rezando e vá fazendo é muito bom, não é bom?

DBDrik Barbosa

Muito bom, eu amo esse. É tipo, você vai rezando, mas você vai fazendo. Você vai ficar rezando, ficar lá, hein, pessoal, manda aí, entendeu?

MCMarcela Ceribelli

O processo, eu tô respeitando o processo. Respeitando o processo, não tá respeitando você.

DBDrik Barbosa

Não, não é assim. Tem que ir lá na mão na massa, mas tem um processo para fazer. Vai ter um dia que não vai sair nada, aí vai ter outro dia que você vai fazer a música inteira em 10 minutos. Tem outro que vai demorar às vezes mais tempo para você concluir, e tá tudo bem.

MCMarcela Ceribelli

Ah, eu quero saber se você quer deixar uma pergunta, um questionamento para as nossas ouvintes que elas vão levar desse episódio.

DBDrik Barbosa

Eu acho que esse lugar do que a gente tá falando aqui desse encontro com todas as nossas fases, acho que é algo que se todos nós pensarmos mais um pouquinho em respeitar essas crianças que ainda estão aqui vivas, que gostavam de fazer alguma coisa sem o julgamento, que não tinham medo de mostrar alguma coisa que fez, mesmo que não tivesse, tipo assim, eu não sou boa em desenho, mas eu desenhava, eu queria mostrar para as pessoas que eu Nossa, total!

Não, ótimo exemplo, que não, do livro. Então se perguntem onde que tá essa criança que fazia e sentia orgulho do que fazia, mesmo que aquilo não tenha, não esteja numa régua que às vezes nem é a sua. Eu tenho acessado essa criança para criar. Eu acho que viver sobre criatividade também, quando a gente soluciona um problema, a gente tá sendo criativo. Quando a gente, enfim, tudo, a gente vai cozinhar, a gente é criativo. Eu acho que a gente tá perdendo o lugar de lembrar somos seres criativos e que cada um tem o seu lugar disso. E que é pra ser livre também, é pra ser bom, é pra ser divertido, sabe?

MCMarcela Ceribelli

É pra dançar com a vida também.

DBDrik Barbosa

É pra dançar com a vida. Se alimentem disso.

MCMarcela Ceribelli

Dançar com a vida é muito bonito, Dili.

DBDrik Barbosa

Não é bonito? Porque a vida tem uma dança. É que a gente que trava. A vida é muito assim, ela vai apresentando as coisas. Você está gestando, você sabe, cada etapa tem uma etapa pra eles irem formando. Porque tem uma dança, tem uma coisa que tem que acontecer entre a mãe e o bebê. Eu acho que tudo na vida é isso aí, tipo, tudo tem uma dança. Aí a gente se perde gente quando a gente quer inventar uma dança que não é a da vida, porque a gente quer ter um controle maior do que o possível, ou quer coreografar demais, ou é isso.

Ou quando a vida tá te falando: sai daí, constrói outra coisa, recomeça, tá tudo, segue a tua intuição. E você fica: não, aí trava. Aí depois você põe a culpa na vida, mas ela tá ali te dando opções, você não vai.

MCMarcela Ceribelli

É verdade.

DBDrik Barbosa

E se você prestar bem atenção, a vida sempre dá caminhos. Ah, ela vai dando uns sinais também, vai, aparece umas pessoas, parece umas situações, aparece umas coisas. Eu tenho observado a vida muito nesse lugar assim, e eu fico, olha, não é que mostra mesmo? Talvez eu que não tava querendo enxergar. Deixa eu jogar aí para vocês aí, se vira.

MCMarcela Ceribelli

Obrigada, Drica. Obrigada, Adriana.

DBDrik Barbosa

Obrigada, Marcelo. Obrigada, Marcelinha, por você tá aqui. Foi lindo, foi muito especial, muito obrigada.

MCMarcela Ceribelli

No tempo certo do nosso episódio. Tô muito feliz, obrigada.

DBDrik Barbosa

Eu também, muito.

MCMarcela Ceribelli

Volta agora sempre, agora pode voltar sempre, sem demora.

DBDrik Barbosa

Volto, pode deixar.

MCMarcela Ceribelli

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Eu te espero na semana que vem para a gente continuar a pensar em voz alta. Até lá! Bom Dia, Obvious é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cerebelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio. I want to date with rules, Kati says. Rules? For us. This is the love story of real Hinge couple Carti and Roca, written and read by me, Nicola Dynan. Listen to the free audiobook now.

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