Sua melhor amiga já te salvou? com Ingrid Guimarães, Mônica Martelli, Jana Rosa e Susana Garcia
Este episódio do Bom Dia, Obvious foi gravado em um evento de pré-estreia do filme Melhores Amigas, promovido pela Paris Filmes, em São Paulo.
Nele, Marcela Ceribelli e Jana Rosa entrevistam as atrizes Ingrid Guimarães, Mônica Martelli e a diretora Susana Garcia.
A conversa parte do filme para falar sobre amizade entre mulheres, cumplicidade e as relações que nos acompanham - e nos salvam - em diferentes fases da vida.
O papo também passa por temas como desejo feminino, etarismo, pela relação com a própria aparência, pelas transformações da maternidade, pelo medo da solidão e pela coragem de recomeçar.
Minha Melhor Amiga acompanha a história de Júlia (Ingrid Guimarães) e Clara (Mônica Martelli), duas amigas na casa dos 50 anos que decidem viajar juntas para a Europa depois que as filhas embarcam para Portugal em um intercâmbio. Estreia nos cinemas em 3 de setembro.
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- O etarismo como crise estética e a representação do desejo feminino após os 50Etarismo·Desejo feminino·Mulheres de 50 anos
- A coragem de recomeçar e a superação do medo da solidão em diferentes fases da vidaMedo da solidão·Recomeçar·Abandono
- A amizade de 30 anos e a importância da comunicação e acolhimento entre amigasAmizade·Comunicação·Acolhimento
- A construção do filme 'Minha Melhor Amiga' a partir da amizade real das atrizesMinha Melhor Amiga·Amizade·Roteiro
- A dinâmica de trabalho e a intimidade entre Ingrid Guimarães, Mônica Martelli e Susana GarciaDinâmica de trabalho·Intimidade·Improvisação
- A ressignificação da maternidade e a independência das filhas adolescentesMaternidade·Adolescência·Independência
O etarismo também é uma crise estética, né? Porque as pessoas acham que a gente não pode ser bonita, não pode ser vista transando na coisa, na tela, não pode ser vista beijando na boca. É como se você fosse passar dos 50 anos e você não pudesse usar certas roupas, mostrar que você tem desejos.
Eu acho que todas nós carregamos um medo de solidão, um medo do abandono, um medo da rejeição. É uma coisa que faz parte. Só nós mulheres entendemos nossas dores, nossos buracos.
A gente quis colocar nas personagens um arco de que elas aprendem que nunca é tarde para recomeçar. Então elas terminam o filme dessa forma. Então todo mundo aqui tem essas vivências, todo mundo teve medo, mas você vai com medo mesmo.
Já percebeu como alguns livros continuam ecoando dentro da gente mesmo depois que a leitura termina? Boas histórias fazem isso, né? Em vez de buscar respostas prontas, a gente se permite olhar para as perguntas que surgem pelo caminho, sem pressa de chegar a um lugar exato. O Óbvio Esse Clube é esse espaço onde nós, mulheres podemos questionar tudo, inclusive aquilo que continua depois da última palavra. E ainda dá tempo de você garantir a sua vaga e participar dessa jornada comigo e com a comunidade de mulheres corajosas.
Nossa formação literária vai durar o período de um ano e juntas vamos descobrir como as nossas emoções nem sempre são só nossas. Vamos mergulhar em 12 livros escritos por mulheres que investigam desejos, medos, alegrias e cansaços, revelando as diferentes formas de como sentimos, nos relacionamos e habitamos esse mundo. Essa experiência é organizada em 3 grandes ciclos que se conectam em profunda reflexão sobre a política íntima das emoções.
E essa jornada começa em setembro. Todos os meses teremos uma masterclass para aprofundar as obras, lives muitas vezes com a presença das próprias autoras dos livros que estamos lendo, e uma comunidade exclusiva que já tá acontecendo. É nesse espaço que as nossas conversas continuam para além das páginas, com trocas, reflexões e indicações únicas para vocês. As inscrições para o clubes já começarem, as vagas são limitadas. Ao entrar para nossa comunidade, você recebe um box com 12 livros, um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário para organizar o seu próprio ritual de leitura.
Se você quiser fazer parte dessa comunidade de mulheres que pensam em voz alta, acesse o QR code que está na tela ou o link na descrição desse episódio e usa o cupom BOMDIA10 para garantir 10% de desconto. E aí, Bora pensar em voz alta?
Olá, boa tarde! Sejam muito bem-vindos. Estamos aqui pra esse evento de pré-estreia de Minha Melhor Amiga. Estou aqui com a minha melhor amiga, Jana Rosa, por favor.
Oi, gente! Eu quero barulho pras atrizes!
Ingrid Guimarães, Mônica Martelli e a grande, enorme diretora Suzana Garcia.
Gente, todas grandes mesmo! Oi, gente!
Climinha de montanha, né?
Ai, que frio! Meu Deus do céu!
Gente, mas é bom pro look, vocês não acham? A Ingrid até um jaquetão ela veio.
Não, mas a Ingrid está perfeita de jaqueta.
É porque a pessoa que mora no Rio, quando chega em São Paulo, usa qualquer roupa. Oportunidade para usar um look, entendeu? Porque no Rio é chinelo.
E aí já faz feed, né?
Já joga lá. Lógico. Legal.
Bom, a gente queria começar. Estão animadas para o papo?
Muito.
Estão animadas?
Essas pessoas, todo mundo viu o filme? Eu acho que daqui a pouco eu vou—
daqui a—
é, mas um pouquinho. Cara, gente, que legal! Vocês gostaram? Eu assisti inteirinho. Eu senti firmeza assim, não foi uma coisa para ser educado.
Não, né?
Vocês acabaram de ver, né?
Gente, que delícia!
Todo mundo aqui é melhor amigo de todo mundo?
Ah, melhores amigas!
E olha quanto ingresso já vendeu só aqui, gente.
Olha que legal, né?
Mas eles precisam ver de novo para poder pagar.
É compromisso. 3 de setembro. 3 de setembro. E aí a gente queria começar já perguntando para vocês, acho que o que todo mundo mais quer saber, que é quem é a mais normal aqui.
Tem como a gente Susana, com certeza.
Das três? Imagina, imagina, Susana que organiza o caos aqui, amor.
Eu pensei que você tivesse perguntando das duas, que eu ia ficar na dúvida. Agora, realmente, das três sou eu.
Imagina, a gente aqui, como a Ingrid sempre fala, a gente é a mesma enfermaria. Susana é de outro lugar.
Ela veio de outra enfermaria?
Não, Susana é da médica, né, gente? Mas ela é médica real, Jana, ela é médica. Susana é médica verdadeira.
Mas você atuava antes?
Sim, atuava antes.
E era médica do quê?
Medicina fetal, radiologia. Me especializei em medicina fetal.
Ah, tá!
Por isso!
Por isso que ela já tava sentada do lado dela, gente!
Exatamente, eu não tinha vindo se não fosse isso. Mas é a primeira vez que vocês trabalham juntas no cinema.
Sim.
Qual que era a expectativa de vocês? E o que que se saiu melhor ainda?
Cara, tudo saiu bom, né, Ingrid?
Na verdade, gente, você sabe aquele filme que não foi programado? Assim, na verdade, o público pediu. A gente começou a viajar juntas com as nossas filhas, reinventamos de postar uma merda que a gente fez, uma das primeiras merdas que a gente fez, que foi a história da chave, meio que filmado pelas nossas filhas, e o negócio viralizou, a gente gostou, falou, vamos postar isso aqui? Vamos postar isso aqui? E o negócio foi criando um negócio tão grande, quando a gente voltava, entrava no aeroporto de volta, a pessoa, acabou?
Ah, acabou a viagem?
As pessoas achavam que era um vídeo.
Uma série, tá acompanhando uma série da nossa vida.
E a gente tava com outros projetos e a gente começou com projeto, eu tava com meu, um projeto meu, a Ingrid tava com um projeto dela, e a gente começou a sentir que era o momento da gente se juntar. 30 anos de amizade e o público falava: tem que virar filme, tem que fazer um filme o tempo inteiro, tem que fazer filme, tem que fazer filme. A gente olhou e falou: vem cá, vamos botar essa dupla, nós juntas, na frente de tudo. Ela: vamos embora!
A gente passou Todos os projetos passam na frente de tudo.
E botamos a minha melhor amiga...
Botamos a Suzana, que já tinha me dirigido em 3 filmes. 3, Suzana?
2 longas.
2 longas. Suzana me dirigiu em 2 longas, já era diretora crush da Mônica, né? E aí a gente falou, cara, a gente tem a diretora, nós temos a diretora, nós temos as atrizes, a gente se deu super bem, a gente... Vamos? Vamos! Aí a gente foi, foi assim, não foi um projeto pensado. Quer dizer, claro que depois disso foi muito pensado.
Muito pensado, é um roteiro muito elaborado, né?
Pensado que eu digo assim, vamos um dia nos juntar? Não, a gente foi se juntando naturalmente. Aí ficamos 2 anos, Suzana comandou tudo, porque ela sempre comanda a gente. Aí fala, Suzana, todo o processo.
Não, o processo foi quando a gente resolveu fazer o filme, a gente tava zerada, a gente só tinha algumas situações engraçadas delas nas viagens. A gente falou, o que a gente quer falar? Porque eu acho que isso é muito importante, a gente sempre parte do que a gente tem vontade de falar pra ir pro set com aquela, né, com aquele tesão de falar, de falar aquilo que a gente acha que o público vai se identificar, que a gente se identifica.
Então a gente falou de assuntos de mulheres de 50 anos, de menopausa, ressignificando vida, enfim. Aí vocês viram, né, o filme, uma casada e com crise no casamento, a outra com medo de voltar a amar. Então tem essas questões, a gente fez todo esse arco dessas personagens, essa transformação. Então a gente ficou muito tempo batalhando, Roteiro, tudo, e encaixou situações que elas tinham vivido na vida dela com as filhas, a gente trouxe pro filme algumas situações. Mas a história foi, foi partindo dessa forma.
É, e várias situações assim, o que que Suzana sempre falava pra gente era o seguinte: a sintonia que vocês têm, que você não tem como construir isso de dia pro outro, a intimidade que vocês têm de amiga, porque aquela intimidade que a gente pode falar qualquer coisa, que a gente não tem medo de perder o amor da amiga, Sabe aquela coisa que você, né? Eu e Ingrid, a gente é assim, quando tá irritado, sabe que tá irritada, é bom nem trocar de defeito.
Já tô acostumada, tenho medo de um defeito novo, Ingrid, te falando sério. Eu tenho medo. Falo assim, gente, eu já sei os defeitos todos, amor, se trocar pode dar ruim real.
Aí a gente já sabe aonde pega pra cada um, né?
Então a gente já vai tomar conta de uma da outra.
Melhor não conversar porque ela tá com fome.
É, exatamente, tá urinando, tá com fome.
Ela tá com fome, é insuportável.
O Pedro fala, bom, esqueci de falar um negócio pra Ingrid ontem, esqueci, ela já tá irritada comigo. Aí, então, isso aí, essa intimidade foi o que Suzana tentou levar na trajetória da amizade, né? As vidas amorosas das personagens estão muito diferentes das nossas.
A minha tem medo de deixar claro que Suzana falou sobre o seu casamento. A minha tô apavorada pra falar, é verdade o negócio.
Não, ela...
Eu tô há 2 dias explicando pro meu marido, sério. Eu tô há 2 dias, tô apavorada pra falar, amor, deixa eu te falar, o que você vai ver lá não tem nada a ver com a vida real.
Não, e isso é muito interessante porque, na verdade...
Sério, tô falando sério. Eu já contei, eu marquei um jantar Ontem, e contou o filme inteiro pra ele. Não é possível.
Amor, eu tô chocada, você tá na minha frente.
Mas eu não falei ainda. Mas amor, eu sou casada no filme, você soube do filme.
Mas tudo bem, amor, mas mesmo assim, né? Tem que preparar a pessoa.
Eu tô muito mais na merda que você. Eu tenho o mesmo tanto de casamento do que a personagem. Eu preciso explicar.
Não, é que a preocupação delas é o seguinte, porque as personagens são elas. É o jeito delas, elas ficavam pensando em ensaiar, eu falava, não tem que ensaiar nada, é isso aqui, são vocês. Só que as personagens têm nomes, têm trajetórias diferentes. Essa aqui, né, ela faz zingues, mas a personagem não é a sua história. Ela, a mesma coisa. Então tem essa confusão que é importante. Elas estão tentando ali explicar porque...
Não, porque todo tempo a gente tentou trazer o máximo dessa nossa intimidade, porque eu acho que esse que é o nosso ouro. Esse bate-bola que a gente tem. É a gente se entender.
Aquilo ali, gente, é igual aquilo que vocês viram, tá nosso jeito. Não a história, nosso jeito. É igualzinho na vida. Um amigo nosso assistiu e falou, gente, parece que eu tô viajando com vocês. Então a gente conseguiu botar o nosso jeito, que é muito difícil. Às vezes a gente começava a fazer um personagem, aí a Suzana vinha e trazia.
E às vezes a gente...
Trazia uma cena nossa, como a gente era na vida real.
E às vezes a gente acabava de fazer uma cena, a Ingrid falava, amor, arrasamos, né? E vinha a Suzana.
Isso era maravilhoso, porque uma influencia a outra. Então elas acabavam uma cena, aí uma falava assim, É, foi maravilhoso na outra, maravilhoso total. Aí olhavam pra mim, eu falava, não ficou bom, repete, tem que repetir.
Porque eu sei, não tá bom, não tô conseguindo detectar então.
Aí as duas olhavam, aí era maravilhoso, porque você saiu do foi maravilhoso total, falava, não tá bom, porque eu sei o melhor de cada uma. Então às vezes elas acham que a cena tá boa, mas não deu o pulo do gato, ainda pode ficar aquela cena realmente gostosa. E aí eu falava, não tá bom ainda, vai ter que repetir.
Ela falava assim, não tá bom.
Eu falava, cara, não Tá bom.
Então ela é surda. Isso que eu brinco.
Tem uma dinâmica que agora é muito bom falar, é muito bom falar com quem já viu, né? Que você pode conversar. Tem uma dinâmica que aparece umas duas vezes no filme, que vocês devem ter visto, que a Mônica bota uma pilha em mim, aí eu pego a pilha, aí eu devolvo a pilha para ela e o negócio nem aconteceu. Tipo a história do avião.
Do avião, por exemplo.
Isso acontece com a gente o tempo inteiro. O tempo inteiro. A primeira cena do aeroporto, quando Fala, amor, e se morar lá fora? Amor, e se casar e tiver filho lá fora? Não volta mais não, hein? Gente, olha, mano, já começa ali.
Gente, isso é o exemplo do dia inteiro no set. Só que o que elas estão conversando, elas se empolgam de uma tal forma que elas esquecem que elas estão no set. Elas esquecem que a gente tem que filmar, que a gente tem que fazer cena.
Eu queria saber exatamente isso, se você teve que talvez trazer elas de volta de tanto que elas estavam rindo. Eu tenho duas perguntas em uma, posso?
Óbvio.
Se teve que controlar elas até elas pararem de rir. E se o casting masculino também, vocês só pararam de procurar quando ficou bem gostoso?
Hein, Ingrid?
Hein? Gente, o meu faz sucesso, né? Eu já saquei que o espanhol é com mulheres e gays.
O espanhol arrasa.
Vocês pegariam, gente? Todo mundo!
Pega crise aí do nada.
É. Muito bom.
Elas são... Como é que eu posso definir? Elas são que nem... Elas são que nem a irmã ajudando aqui a outra. Elas são, elas são como um bloco. Não existe assim de da Mônica tá concentrada em cena, Ingrid lá fazer alguma outra coisa. Não, elas estão dispersas, são dispersas juntas, é tudo junto. Então as duas estão, estão vindo para o set tentando alguma coisa, é tudo junto. Então estão sempre distraídas, são sempre atoladas Estão sempre fazendo alguma outra coisa.
E eu tenho que puxar. E na hora que puxo, elas fazem a cena e elas riem, eu rio junto. Que aí eu deixo solto completamente. Porque eu me divirto também. Já aconteceu uma vez, inclusive, que eu tava rindo tanto que eu fui cortar rindo. Aí na hora que eu fiz o corta rindo, eu falei, ferrou, porque agora eu tô rindo, elas vão continuar pra loucura, vão aí despertar o local.
Mas isso era uma coisa muito boa, porque você rindo da gente, você verdadeiramente se divertindo com a gente, isso inspirava mais a gente. A gente ficava mais confiante pra poder ir. Aí aonde a gente tava indo, entendeu?
Então, gente, cara, você é muito canceriana, né? Vocês gostaram? Vocês riram?
Isso não é nada, isso é zero carência. Isso é apenas porque eu tenho muita certeza desse filme mesmo. É apenas assim, a gente é muito pouca gente viu. A gente adora, eu fico desesperada para saber. A hora que chega é a hora mais importante para a gente. A gente tá há 2 anos esperando esse momento. Como a gente só teve 2 pré-estreias de pessoas que a gente não conhece... Então fica assim, gente... É porque bate de um jeito em cada um, né?
Por exemplo, a gente fez em Recife a pré-estreia, as pessoas riram tanto que eles não conseguiam... Eles perdiam a próxima piada.
E aplaudiam! E aplaudiam durante o tempo todo.
Quando eu beijei o espanhol e dei spoiler, a mulherada gritou como se fossem elas beijando. Ah, querida!
A gente torce, né, claro, pra ressignificar, pra mudar de vida, Aí, no Perrengue Fashion, você já tinha pego um bonitão também, né? Você tá sempre jogando nos seus personagens.
Cara, a gente escala bem, né?
É, entendo.
Tô entendendo.
Mas assim, você sabe que isso é uma coisa que eu falo muito nos meus filmes? Porque a gente quis falar muito dessa mulher de 50 anos e pegar toda a gama de... Então tem a mulher solteira que tá com medo de amar e tem casamento, não tinha como não falar disso. E eu sempre falo que eu acho que o etarismo também é uma crise estética. Porque as pessoas acham que a gente não pode ser bonita, não pode ser vista transando na coisa, na tela, não pode ser vista beijando na boca.
É como se você fosse passado dos 50 anos, você não pudesse usar certas roupas, mostrar que você tem desejos. E eu sempre, em todos os meus filmes, eu faço questão de botar uma cena de sexo, porque eu acho que isso também é uma crise estética, é você ver uma mulher de 50 anos com tesão, beijando, isso também é uma...
Uma forma da gente naturalizando uma realidade, da gente mostrar que isso existe. Senão você fica só mostrando a juventude num país que enaltece a juventude.
Então isso aí é importante. E a Susana faz muito bem cenas de sexo, porque é diferente uma mulher dirigindo a cena de sexo e um homem. Os meus 3 últimos filmes foram dirigidos por mulheres e é impressionante, na hora que chega a cena, Todos os 3 filmes, mesmo o Minha Irmã e Eu, que é uma cena mais só engraçada, tudo tem uma sensibilidade, tudo tem uma coisa que o lado da mulher, o feminino, gostoso de ver. Isso é muita direção das mulheres. Lobas!
Palmas para as lobas. Eu queria saber um pouco do roteiro, porque vocês assinaram o roteiro juntas também. Se é uma loucura no set, como que é para escrever assim? Como que acontece isso?
Essa é a sua história?
É uma loucura, mas o que acontece é o seguinte: eu tenho duas mulheres aqui geniais, com muitas ideias. Então, o início, eu trago muito as duas pra gente ver o que a gente quer falar, o que essas personagens, qual vai ser a trajetória, a transformação delas. Aí elas vêm pra reunião de roteiro, elas falam muita situação engraçada, todo mundo anota tudo, a gente fala: ok, beijo, tchau, agora vocês saem.
Ninguém quer a gente na sala.
São várias etapas de construir um roteiro.
Aí depois, quando tem aquela construção ali, né, tudo já, a técnica ali de roteiro, vem de novo elas pra gente começar a pensar no texto mais profundo. Você vê que tem vários momentos do filme que tem ali falas profundas, falas bonitas, porque a gente não quer fazer só um filme engraçado, a gente quer deixar reflexões, quer— são duas mulheres de 50 anos conversando. Então quando vem essa parte mais profunda, aí traz de novo. E aí no final, o diálogo final, aí vem para deixar na embocadura, deixar do jeito delas.
E na hora do set, além disso, já tem o roteiro pronto, a cena pronta, elas fazem a cena, mas tem sempre uma cerejinha do bolo ali que elas colocam na hora. E quando eu sinto que a cena acabou, a cena, elas fizeram tudo, mas ainda não aconteceu totalmente, mesmo repetindo várias vezes, mas ainda não aconteceu, eu não corto Isso aí já pode trazer loucura. Quer dizer, elas começam falando, aí ri uma da outra.
A gente continua. E ela deixa a câmera ligada pra ver o que que sai de bom dali da improvisação. Mas sempre em cima de uma situação, sempre em cima de um roteiro pensado, sempre em cima de uma história que a gente quer contar, né? Nunca é uma coisa aleatória.
E tem mais uma coisa que a Suzana faz, que a Suzana é a tia da escola e nós somos as meninas do fundão. É isso que resume nós três. Que a Suzana, quando ela é tão obsessiva, porque ela tem a cabeça de médica, entendeu? É diferente, ela tem aquela coisa de estudiosa. Um dia antes, ela lê a cena que já tá tudo pronta. Aí ela liga pra gente e fala assim, meninas, vou falar uma coisa pra vocês.
Podemos melhorar.
A cena não tá boa. Aí a gente sai da filmagem, vamos pra um quarto de hotel desmaiando de cansaço, e ela faz a gente fazer a cena e mudar a cena um dia antes.
É que às vezes tem uma palavra pra mudar. Às vezes tem uma palavra que pode ser melhor, que pode ir pra um lugar.
Entendeu?
São coisas que a gente ficou 6 semanas em Portugal, né? Então a gente tava no mesmo hotel, então a gente saía do set à noite, todo mundo destruída. Aí eu falava, vem para o quarto. Aí tava umas duas andando assim com roupão branco pelo corredor do quarto, uma indo encontrar no quarto da outra para poder passar a cena. Não, mas é trabalho ali. Mas tem uma coisa muito interessante, porque elas são muito dispersas, atrapalhadas, né? Mas elas são, mas são ótimas atrizes maravilhosas, é muito.
Mas além disso, elas incansáveis.
Você fala para repetir 10 vezes, elas reclamam com leveza.
Elas— é verdade, sabe por quê? Porque a gente confia no olhar dela. Então a gente tá ali, a gente olha e fala, amor, pode ser melhor, vamos repetir isso aqui. A gente vai repetir.
Eu já vi a Suzana falando, vamos lá de novo, gente. Não, tá bom, não tá bom. Aí eu vi uma coisa no set, ela falando assim, ó, elas são muito boazinhas, cara, elas fazem tudo que eu peço.
Mas elas são mesmo, elas são incontáveis, né?
Porque nesse momento não tem ego, tipo assim, amor, eu acho que eu fiz bem. Não tem ego, eu tô confiando numa diretora que tá com olhar de fora, tá sabendo da história que tá sendo contada, sabe o nosso melhor, então vamos lá, a gente tá aqui, eu acho, juntas para o filme ser o melhor possível, né? Tamo junto numa parceria, filme equipe.
Mas sabe o que eu acho? O fato da Suzana te conhecer muito como atriz, né, e ter me dirigido em dois filmes muito diferentes, a Suzana me conhece muito como atriz, isso fez muita diferença. Porque ela sabe o meu melhor e sabe o seu melhor.
E eu sei quando vocês passam a perna pra acabar a cena e tipo, já deu, e não deu ainda.
A perfeita professora. Gente, eu ri muito com o filme, assim, mas assim, de rir pesado, assim. Mas eu também fiquei muito tocada porque eu entendi Claro, é um filme sobre amizade, mas me pareceu também ser muito um filme sobre a coragem de recomeçar. E esse encorajamento que essas amigas estão dando uma pra outra, e em especial alguns dos conselhos que a personagem da Mônica dá, e eu achei assim um serviço que vocês estão prestando naquela dúvida, mas eu fico num casamento infeliz ou não?
Que coragem de se separar! E você falou um pouco sobre essas cenas mais sérias. O quanto tem também de vocês nessas crenças dessas personagens sobre essa vida que pode começar também aos 50, 60 e por aí vai?
Eu acho que tem da gente e de todas as mulheres, porque eu acho que todas nós carregamos um medo de solidão, um medo do abandono, um medo da rejeição. É uma coisa que faz parte. Só nós mulheres entendemos nossas dores, nossos buracos. As cobranças em cima da gente, a cobrança de estar sempre, tem sempre um parceiro. Então assim, a gente fez questão de botar isso, a gente sempre tem que botar, tá sempre falando, porque são dores que nós carregamos, que a gente trata na terapia, que a gente entende essas dores, mas elas estão ali.
O medo de ficar sozinho, o medo da solidão, ela nos acompanha. Então isso aí é para todas as mulheres de uma certa forma se identificam, independente se tá casada agora, se tá se separando ou se tá com alguém. É uma coisa que a gente carrega, é um medo que a gente carrega, é o medo do abandono, né?
Eu e a Mônica, a gente tem uma característica super parecida, a Mônica até mais do que eu, que a gente se interessa por qualquer história de qualquer mulher. Então assim, quando a gente vê, a Mônica tá sempre conversando sobre a vida amorosa de uma mulher, e a gente adora saber da vida de todo mundo, dos meandros da mulher. Então a gente ouve muitas mulheres, eu tenho um grupo de amigas que todas separaram mais ou menos na mesma época.
Então a gente foi, a gente vai ouvindo as histórias, Suzana também, e a gente vai juntando e pensando o que que tá no inconsciente dessas mulheres que a gente tem que falar.
E eu que já passei por muitas, né, gente, muitas, foram várias relações. Inclusive eu me apaixonei de novo aos 50 anos, mudei de cidade aos 50 anos, eu tentei ressignificar minha vida aos 50 anos, o que não é fácil, né. Então assim, então eu me interesso até porque Eu tenho um pouquinho de bagagem para falar, eu tenho um pouquinho de história para falar, e as pessoas meio que querem essa história. Que nem, por que não você não pedir opinião para alguém que já tá ali na frente, já passou por aquilo?
Me fala um pouco como é que é, pelo menos a minha experiência, né? Então acho que a gente tenta colocar isso no roteiro.
Eu falei muito para Suzana, eu que sou casada, o que é legal disso é que nós duas temos, eu tenho casamento de muitos anos e ela já teve muitos relacionamentos. Então a gente tem, a gente sabe um pouco do que é. E eu, por exemplo, no meu caso do casamento, eu falei para Suzana: não quero botar um homem tóxico, quero botar um cara legal. Eu quero dizer muito sobre um casamento de pessoas que não necessariamente foram abusivas. Claro que todas essas histórias que são contadas hoje sobre homens abusivos, né, que é muito que a gente tá vendo, são super importantes.
Mas eu queria falar muito de um casamento que as duas pessoas são legais, que não aconteceu nada de nenhuma tragédia, mas que às vezes acaba porque acabaram. Porque você fala assim, por que que eu vou terminar? Para você ver aquela cena, ai, não posso falar porque a pessoa vai ver no podcast, quando ela vive e depois volta. Porque ela fala assim, ela não quer abrir mão daquilo porque é legal também tá casada, entendeu? Então a gente quis pegar os dois lados.
É assim, tipo assim, não tem, na verdade não tem um vilão, né, gente? Quando a gente chega em algum lugar das nossas vidas, todo mundo remou pra chegar até ali, amor. Entendeu? Tá todo mundo remando o barquinho.
Uma coisa importante, como a gente tem essas vivências todas, a gente quis colocar nas personagens um arco de que elas aprendem que nunca é tarde pra recomeçar. Então elas terminam o filme dessa forma. Então todo mundo aqui tem essas vivências, todo mundo teve medo, mas você vai com medo mesmo, né? Então a gente consegue, então acho que isso que é interessante. Porque as pessoas não só se identificam com as personagens, como elas se inspiram, porque elas conseguem dar virada, elas conseguem romper, né?
Como a Mônica tava falando, separou com 50. Eu me separei com 51, com casamento de 26 anos, já mais tempo casada que sem estar casada, com 3 filhos. Tive coragem de me separar, enfim, com 51. Mudei de profissão com 30 e poucos. São assim, são vários finais.
Casou de novo, agora fala o total, amor.
Dá um final feliz aqui pra plateia. Casou de novo, cara, é o máximo. Espera aí, não é que ela casou de novo.
Ela casou de novo com um príncipe. E o ex-marido dela era o Erson Capri. Beijo, gente. Tô dizendo o seguinte, dá pra ser feliz, entendeu?
Tem que acreditar.
E é louco, porque isso de recomeçar... Quando eu me separei e depois conheci, enfim, meu marido, e tô felicíssima, dá vontade de sair gritando por aí, tipo assim, não fique em casamento que acabou, porque dá pra recomeçar a qualquer momento. E dá pra ser feliz novamente, enfim. Então a gente queria muito falar isso, sabe?
É um pouco isso que a gente queria botar muito no filme, essa inspiração que ela tá falando. Tipo assim, cara, é possível, sabe?
Agora também tem outras mulheres no filme que são inspiradas nas filhas, né? Porque tem as adoles, e é muito fofo porque o nome de vocês é o nome das filhas de vocês, né, da personagem. Eu queria saber o que que elas acharam do filme, se elas acharam—
Elas não viram, calma. É que vocês não sabem, eu, eu botei, eu botei, elas viram essa semana, as duas.
Nossas filhas da vida real, as filhas da vida real, as atrizes.
Calma, não, elas não jogam.
Nervoso agora, a Júlia não me falou nada.
Como é que pode isso, gente? Eu coloquei uma cabine para as duas assistirem, as atrizes. Elas viram essa semana.
Você sabe que sábado agora a Júlia tava na minha casa? A Júlia, a Clara, nossas filhas são muito amigas até hoje. Então a Júlia veio para o Rio para elas irem numa balada, foi para o Rio para elas irem juntas numa balada. E elas passaram o dia lá em casa, Júlia, Clara e a minha filha, que faz a minha filha, foi lá pra casa também. Só faltou a Júlia Benítez. Aí as três ficaram numa fofoca, as três, e eu olhando assim a Júlia e a Clara conversando, e elas falando da gente, mano.
Eu falei, Mônica, elas estão falando mal da gente. Mas sempre de uma maneira super divertida. E elas falando uma com a outra, você tá entendendo? Uma falando pra outra, tá entendendo que a nossa vida tá num filme e a gente só vai saber quarta?
Elas conversando uma com a outra.
Mas na verdade Na verdade não tá. Aí eu interrompi e falei, galera, deixa eu falar uma coisa pra vocês, a gente tá aqui preocupada em explicar pros maridos, agora vamos explicar pra elas também. Não tem a ver com vocês, porque a história não tem a ver mesmo com a gente, né?
Não, não tem, do VAEP, de transar, não tem ainda, até porque nossas filhas eram mais... Não, eu espero pelo menos, né, amor? É porque as nossas filhas, elas são mais novas, até quando a gente escreveu o roteiro. O que tá inspirado é como nós mães, a gente tem que ir ressignificando a maternidade. As filhas vão crescendo, uns 13 anos de idade, tudo que, todo repertório que os filhos têm, a gente é que oferece, né? A gente é que dá.
A partir daí eles vão atrás de uma vida deles, eles precisam se descolar um pouco da gente. Então é esse momento de descolar, de morar fora e de ter vida independente. A gente chega lá, elas falam, não, mas a gente tem um compromisso, tem outras coisas mais importantes naquela faixa etária do que só as mães. Então isso mostra, a gente tem que ressignificar isso, isso é forte.
A gente viveu muito essa fase juntas porque a nossa Nossas filhas começaram a ficar meio independentes juntas. E aí a Mônica me liga, Ingrid, a sua já tá indo sozinha, não sei para onde. A sua tava— a gente é assim, a gente foi, a gente troca tudo.
Ingrid, já tô liberando ficar até as 2 da manhã. Você tá liberando até que horas? Ela, 2. Aí eu, amor, aqui em São Paulo é 2.
Eu mudei o horário da minha filha chegar por causa da Clara. E a Júlia conta para Clara, Clara, mãe, a tia Mônica já— Clara, quando quer alguma coisa, assim, mãe, a tia Mônica já deixa, tá? Aí eu falo, então tá.
E o mais surreal é que a gente tem um grupo das três, que aliás é cinquentonas o grupo, e elas ficam nessa discussão no grupo que eu tô junto.
Eu falo, gente, gente, peraí, Suzana tem um de 28, uma 25, uma de 11.
Então, mas enfim, já já são elas viajando sozinhas.
Já são elas viajando sozinhas, é bom.
A gente viaja nós quatro e agora elas estão loucas para— elas estão loucas, vão fazer 17. Sonho delas é ir para balada com nós duas.
Que as nossas viagens, todo ano a gente faz essa viagem, nós quatro, né? E até então é viagem mãe e filha, né? Então ela, a próxima viagem já vai ser, a gente falou assim, amor, a gente vai para porta de balada agora, pegar em porta de balada, que até então é programação das quatro, de duas adolescentes meninas, né, viajando.
Melhor é que quando a gente acabou de ver o filme, a gente olhou uma para o outro, falou assim, caraca, vai todo mundo achar que essas viagens, a gente tá fazendo um monte de loucura e a gente tá discutindo horário de adolescente se vai na Sephora, se vai no museu. A gente tá totalmente numa viagem totalmente de mãe de adolescente. E no filme é tipo, uau, super loucas!
Entendemos que não tem vape, não tem sexo, não tem traição, mas a gente queria saber, tem alegria, atolação, é parceria real. Tem alguma cena que vocês podem dividir com a gente que é praticamente idêntica com o que aconteceu na vida real? Várias.
Olha, aqui tá, aqui tá, aqui tá, aqui tá.
Essa vocês gostaram? A do carro.
Tem algumas situações, são muito parecidas. A gente, por exemplo, entrando em loja, experimentando roupa juntas, sempre acontece isso. Isso é, isso é, Mônica. Aí aparece na minha cabine, aí eu vou aparecer na cabine dela. Isso a gente sempre faz.
Acontece é que a gente copiou, né, gente?
Não, é o que acontece é que vocês ficam na loja vendo as roupas e uma convencendo a outra que precisa muito, que é maravilhosa a roupa, tem que comprar.
Quando vai para cabine, me convenceu.
Quando vai para cabine e vê a realidade, aí começam a destruir tudo que eu tenho.
A outra cena que é idêntica, quer dizer, não chega a ser idêntica, mas que é livremente inspirada, é eu e Mônica em hotel chique tentando entender a luz key off, master off, a privada, fazendo cocô no escuro.
Eu queria saber se você já descobriram se o certo é falar LMS ou something. É assim que fala mesmo quando viaja, Ingrid?
Na verdade, eu não tenho a menor ideia. Eu falo inglês bem ruim, a Mônica fala inglês melhor que eu.
Perto dela eu sou, eu faço.
Só que eu sou uma pessoa muito cara de pau no inglês, então eu vou falando como se eu fosse americana. E a Mônica sacou que eu uso isso como uma bengala para me comunicar. Aí um dia, isso foi tudo dela, ela olhou para mim e falou assim: assim, já reparou uma coisa?
Ela não, você começa tudo assim, ó: let me ask you something. Aí para pessoa, para pessoa já olhar, e ela fala com sotaque dela normal da vida, com a música do Brasil.
Deixa eu te falar um negócio, let me ask you something.
Ela não tem noção. Aí a pessoa já olha, aí ela pensa no que vai falar, mas não sabe o que vai falar, entendeu? Então ela já chama a pessoa.
Isso, isso no carro é muito claro quando ela fala com inglês, né? Ela, ela Música é música como se você não falasse nem português, né? Total.
Mas eu nunca me esqueci, eu tava em Londres com a Mônica e aí era exatamente isso que você falou, perfeito. Eu chamo atenção pra poder pensar o que é que eu vou falar. E aí eu tenho uma mania na vida de falar assim, deixa eu te falar um negócio, mania minha, aí eu só traduzi. Aí a Mônica virou e falou assim, Ingrid, já reparou uma coisa? Você sempre fala isso. Eu falei, fala, eu vou começar a te filmar. Aí ela começou a me filmar, ela falou, vamos fazer um vídeo só de Letra Mês Fundo?
E realmente ficou A gente quer fazer um quiz com vocês, vocês topam? A gente quer saber quem é mais provável de, começando com quem é mais provável de esquecer o passaporte a caminho do aeroporto.
Ingrid, com certeza absoluta.
Vocês querem contar, gente? Querem contar de Sevilha, Suzana? Fala, Suzana.
Nossa Senhora, a gente chegou no hotel de Sevilha.
Conta, Suzana.
A gente chegou no hotel Sevilha, e a gente para filmar lá. E ela, enfim, nosso check-in de madrugada, foi verdade, ela é exato, chegou de madrugada, vamos para o quarto, deixa eu resolver aqui tudo. Eu fiz o check-in delas e botei o passaporte delas, é verdade.
Aí eu falei, não vou lembrar, Suzana, Suzana tá lá embaixo fazendo check-in, né?
Certo, gente, vai embora, dá o passaporte aqui de vocês, fica comigo. No último, imagina, é Ingrid no último dia quando foi embora.
Eu acho que é bom a gente não lembrar, pelo menos uns 3 dias antes.
Eu acho também. A gente esquece. A gente ficou procurando o passaporte.
Que tavam as duas ali de exausto. Eu falo, deixa, gente, vai, me dá o passaporte de vocês, fica comigo, depois eu entrego, tudo certo.
E ela, Ingrid, na hora de ir, eu falei, não tenho passaporte, perdi. E aí ficou todo mundo... Eu peguei, enlouqueci o hotel inteiro.
Chegou todas as pessoas do hotel, foram no quarto da Ingrid procurar. A Ingrid me ligou espiritualizada e falou, Mônica, Posso falar? Acho que é um sinal para eu ficar. Para recomeçar, né? Eu juro para você, ela falou, cara, de repente não é para ir. Porque a gente tava na maior questão se ia de trem ou ia de ônibus ou ia de avião para Madrid para poder fazer o tax-free. Aí vamos de trem, vamos de avião, o que que vai chegar antes, vai fazer o tax-free, não sei o quê. A Ingrid falou assim, sinceramente, é para ficar.
Pode ir tranquila, pode ser tranquila, gente. Tem alguma força maior aí que me fez Me fez ficar e vou ficar uns dias eu sozinha aqui.
Vai ser importante, eu acho que vai ser importante para mim. Ela já toda espiritualizada internamente convencendo disso. Aí eu, será? Eu, amiga, será?
A outra já entrou, acreditou em mim.
Entra, entra em 2 segundos.
Eu acreditei tanto nisso que quando Suzana mandou, Ingrid, seu passaporte, sabe como é que foi?
Eu cheguei para Suzana, olha só, Ingrid, tô achando que é alguma coisa energética, é para ela ficar porque ela perdeu o passaporte. Passaporte e o hotel não achou. Ela que perdeu o passaporte, o passaporte dela tá aqui comigo. Aí foi um choque. Suzana, com a minha cabeça já tinha imaginado sozinha, ela já tinha imaginado tanto que ela ficou triste.
Eu falei, é, achou? Ah, que meu plano que só tem dentro da minha cabeça tinha ido para água abaixo.
Gente, essa coisa do passaporte, eu lembrei aqui agora só para vocês entenderem um pouquinho a, né, as duas, a dinâmica. Tô eu, porque eu vou antes pro set. Aí falaram, aí elas vão assim pra mim, Suzana, só pra você saber, as duas não saíram do hotel, tá? Isso lá em Portugal. Aí eu começo a apressar as duas, eu falei, gente, elas estão no elevador, a gente tá no elevador no hotel, e eu já no set esperando elas atrasadas. Aí dá 15 minutos, eu falei, gente, cadê vocês?
É porque era muito perto. Elas falaram, Suzana, como assim? A gente está dentro do carro, o motorista tá levando. Elas saíram conversando, que elas vão assim, ó, muito, né, empolgadas, uma com a outra conversando. Tinha um carro parado na frente do hotel, elas entraram no carro e seguiram. Era um Uber para algum outro hóspede e elas foram, entendeu?
Então é dinâmica delas. E elas não chegaram no set. Aí que a gente começa a falar rápido, ninguém entende nada. Gente, é uma loucura.
Olha, é normal sonhar em viajar com vocês, gente? Porque eu também quero ir para balada, quero viajar com vocês.
Com que você sabe que a gente já foi convidada até para ser guia de guia de grupo para viajar, vários grupos.
É um sinal, é um sinal. Mas volta e meia eu chamo a gente para poder coordenar, para poder guiar algumas viagens.
Agora você imagina as duas coordenando, coordenando essa palavra coordenar.
Eu falei para Suzana, Suzana, nós usar essa palavra coordenar?
Porque não é possível.
A gente sai do Sesc, sempre alguém atrás da gente, ó, por aqui, é por aqui, é por aqui.
Mas tem uma pessoa certinhas que falam assim para mim, deve ser insuportável viajar com vocês duas, eu não ia aguentar. Porque eu falo assim, gente, desculpa, viajar com a gente, ok, dá probleminha pequenininho, dá, mas é uma diversão, é uma diversão.
E eu mesmo com horário, com tudo tendo que cumprir, eu amo. É uma, foi uma leveza, foi uma alegria.
Porque a gente não se estressa com nada errado que acontece, tudo que é errado vira certo. Então ela, e muita gente viaja com outras pessoas, a gente fica com saudade uma da outra, que a pessoa se estressa, o namorado, o marido, e uma nos julga a outra, entendeu?
Aí eu viro e falo, gente, junto, não teria problema.
Primeiro estresse, porque você deixa de casa, não sei o quê. Eu falo, Mônica, cadê você? Ela nem ia perceber que eu tinha esquecido.
E uma não julga a outra, uma acolhe a outra na loucura da outra.
Então ela fica na beira, já a hora que o Carejo assustada, amor, acho que eu perdi. Eu falo, não, tudo bem, calma, vamos achar, vamos achar.
E tem uma coisa que aconteceu uma vez que vocês nem sabem, nem eu nunca contei para vocês, que todo dia elas vão para o set juntas, 12 horas juntas, gravam tudo o dia inteiro. Só que teve um dia que a gente tava na porta da escola lá em Lisboa, que eu virei e falei assim, Ingrid, já acabou pra você, você já pode ir. Mônica, você tem que ficar porque eu preciso pegar um carro chegando, preciso do seu ombro, mas Ingrid pode ir embora.
O que que é o normal? Qualquer dupla faria. Ingrid, 10 horas no set, sai correndo, vira e fala assim, tchau, gente, foi. E Mônica, tipo, o dia inteiro, todos os dias com amiga, fala assim, cara, tudo bem, vou ficar aqui em pezinho um momentinho só meu. Não, Mônica virou e falou assim, ah é, Ingrid, você não quer ficar comigo fazendo companhia? Ingrid, amor, com certeza, eu tô com aquele assunto no camarim que eu preciso terminar.
Ficou do lado dela, você lembra disso, gente?
Ali eu juro, eu fiquei emocionada. Aí você ficou do lado dela, eu só peguei o ombro e eu falei, gente, podem falar porque o áudio não serve. Aí eles ficaram conversando e eu só no ombro, deixou a amiga sozinha, e ficaram Nós duas, cara, a gente já devia ter um restaurante para jantar depois. Porque aí eu falei, corta o assunto que elas estavam. Elas nem falaram nada. Eu falei, corta o assunto que elas estavam. Elas continuaram andando juntinhas assim, ó, e foram indo juntos. Eu falei, cara, que coisa mais linda! É uma quer ficar com a outra mesmo, cara.
É assim há 30 anos e a gente meio que tá percebendo isso agora. A a gente viveu e não percebeu. Sabe como é que é quando você vive?
A gente achava normal, né?
Achava que era normal, super normal. Como a gente tá falando muito da nossa amizade agora, a gente viveu, mas não falava da nossa amizade. Volta e meia a gente chora, eu e a Mônica, a gente chora várias vezes, né, né, Suzana? A gente chorou no set, a gente chora aqui, porque assim, sempre foi assim. A gente tinha um grupo de amigas, a gente ia lá todo mundo para uma festa, no final da festa saía nós duas. Aí passava para comer o sanduíche, ficava conversando até horas.
Aí sempre acabava nós duas A vida inteira foi assim, pelo ritmo mesmo. A pessoa queria ir embora rápido, a gente era mais lenta.
Vai pra cachoeira, todo mundo vai embora, fica a gente.
Todo mundo chega correndo na cachoeira, a gente anda mais devagar.
Então assim, sempre um papo rolando, sempre foi assim.
A vida inteira foi assim, o ritmozinho na festa. A festa tá chata, a gente se une e fica falando na festa.
Qual que é? A gente tava no quiz, mas é impossível fazer quiz.
Gente, vocês estavam no quiz? Como é que era o quiz? Meu Deus, meu Deus!
Não é uma crítica, é que é maravilhoso, entendeu?
É que é maravilhoso vocês realmente.
Então assim, eu esqueci o que a gente tava fazendo.
Pera aí, porque eu queria saber qual que é mais então provável de ficar sem assunto nenhuma. As duas têm assunto para sempre.
Quem fala mais? Não fica sem assunto de jeito nenhum.
Não, não, eu sou o contrário.
Não, a Ingrid não fica sem assunto. A gente tem sempre assunto.
Quando não tem muito áudio, a Ingrid, como que é, gente?
Não tem possibilidade elas ficarem em silêncio. A gente tá filmando de madrugada, é 4 da manhã, elas estão falando.
Mas a Mônica é melhor que eu. Eu, por exemplo, na maquiagem, a Mônica, eu senti que ela começou a sentir um ódio de mim, porque eu acordo muito animada e a Mônica demora mais tempinho dela. Aí eu tô acostumada no camarim, eu comecei a puxar muito assunto com ela, chegou ela para cima de mim, eu tô exausta, Ingrid, eu não quero falar mais. Não, a Mônica é melhor que eu.
Não, de manhã cedo no camarim, na hora da maquiagem, Eu fico mais em silêncio. Aí já tá falando, aí já fica, não tem como, é até assunto.
Quero saber quem é mais provável de dizer não para filha e se arrepender 5 minutos depois.
As duas igualmente, as duas igualmente. A gente combina o não, fala isso é não, isso é não total, não total. Depois fala, será? Será? Porque o grande drama da maternidade e nessa fase adolescente é saber até onde você pode deixar e aonde que tá o limite. Gente, é isso, é um drama. Você já, você tem que, você tem que soltar, mas tem que puxar, entendeu? Então a gente fica tentando equilibrar isso, trocando uma com a outra o tempo inteiro, porque já deixou isso, não.
Porque tem coisas que a gente deixa, a gente acha que isso aqui não poderia, deveria ser um limite. Tem coisa que a gente briga e fala, cara, será que eu briguei que não era para brigar?
Então assim, é difícil educar, é, gente, educar para mim é uma das coisas, viu, você que vai educar Bem-vinda, boa sorte, querida.
Obrigada. É, dois meninos, né, que tem que desconstruir toda essa masculinidade que já vem aí pronta esperando por eles.
Exatamente.
Mas já está bem melhor.
Para mim, a grande— é o maior desafio para mim da humanidade, assim, você educar um outro ser humano.
Mas olhando para vocês, eu já vou voltar para o quiz também agora. Eu também me perdi um pouco, mas olhar para vocês e E eu amei que vocês trouxeram a questão do sexo na viagem, e 50 anos, e vivendo, e vivendo. E aí, ficava, né, de novo, né, estou gestando, coisa assim, cara, elas são mães e elas continuaram... E umas gatas! Gatas, mas uma viagem entre amigas. E assim, é inspirador também manter esse lugar de mulher de vocês em meio a tudo isso.
É porque existe uma ideia também de que a mulher, quando para de reproduzir, né, quando depois de entrar na menopausa, a mulher não tá mais para jogo. Não existe isso, tá, gente? Eu comecei a namorar com 50 anos, tava comprando calcinha de renda, amor, mandando foto para Ingrid para ver essa, não essa, entendeu? Então isso não existe. A gente ressignifica a vida, a vida continua. Então existe essa ideia porque isso é uma coisa introjetada, uma coisa cultural que a gente cresce nesse, nessa cultura que nos faz acreditar que a mulher, quando para de reproduzir, ela parou de ir para sexo, ela não tá mais para amar, ela não tá mais para ser sensual. E não existe isso, a gente tá aí para mostrar.
Isso foi muito bem organizado no filme, né, Suzana? Suzana, a gente falava muito, a Suzana é tão organizada que ela fez uma tabela assim para a gente, o quanto tinha de amor no filme, o quanto tinha de filhas. Ela fez percentual, gente, 30% de filho, 20% de adulto, toda organizadinha. E a gente pensava nisso, a gente quer falar sobre a maternidade porque a gente acha que isso é uma coisa legal, Eu e Mônica, a gente fala muito nas nossas redes sociais sobre mãe de adolescente.
E nossa, assim, as minhas redes foram invadidas por mães dizendo obrigada por falar da adolescência dessa maneira tão, né? A gente faz campanha sobre isso, assim, é muito legal falar disso. Mas a gente chega uma hora que a gente falou, Suzana, a gente se olhou e falou, vai chegar uma hora que elas vão deixar essas adolescentes lá na casa delas e elas vão viajar sozinhas. Não é um filme sobre maternidade, é um filme sobre mulher.
Tive uma vida inteira de duplas, né? Então, antes eu fiz dupla com a Carol Machado com 20 e poucos anos. Durante 15 anos eu fiquei grudada na Lolo, que eu ouvia mais com ela. Depois eu fiz dupla com a Tata Werneck, agora com a Mônica. E você sabe quando você casa 3 vezes e encontra o amor maduro? Sou eu com a Mônica na dupla. É porque assim, é a dupla mais tranquila. Claro, imagina, eu com a Lolo tava no início do sucesso, imagina, é outro momento, né?
Com filho pequeno. Então assim, tem vários momentos de dupla. E eu vejo assim que eu e a Mônica, a gente fala tudo. Sim, eu, a gente, quando a gente tá com alguma coisa que a outra fez que a gente não gostou, a gente fala tudo, tudo, tudo, tudo.
Não guarda mais, tem que falar para botar para fora, para não virar ranço. Porque depois que o pote de mágoa transborda, você não consegue resolver.
E eu vendo a amizade das duas, eu acho que tem muita escuta, muito acolhimento eu acho que uma incentiva a melhor versão de cada uma, sabe? Eu sinto isso muito assim.
E a gente tem uma alavanca para outra. E a gente tem que tomar cuidado também para não ser contaminado por horários exteriores, porque é, porque na verdade a gente não tem como controlar o que você provoca no outro, que a nossa junção provoca em algumas pessoas, você não tem como controlar, provoca coisas boas e coisas ruins. Então a gente tem que se proteger disso. Isso que a Ingrid falou, que agora é um amor maduro. A gente agora, mais velhas e se encontrando nesse momento— eu sempre soube que o nosso encontro profissional seria mais velho.
E nesse encontro agora, mais velha, a gente entendeu que esse olhar que a gente provoca fora, a gente tem que estar protegida disso. Então eu trabalho com o que ela traz para mim e não o que que o outro falou, que acha que é, entendeu?
Para os amigos aqui. Se alguém, uma amiga muito amiga da outra, brigar com alguém, brigar com a outra, vocês brigarem, repara como as pessoas em volta vão agir. Porque o amigo que é maneiro, ele pensa assim: poxa, dois amigos brigando. Ele só tenta botar panos quentes. A pessoa que vem botando pilha errada na um e para outro desconfia. Porque até as grandes amizades geram também incômodos, invejas.
Claro, claro.
Mas eu vejo as pessoas assim, falarem assim, ai, queria tanto uma amiga igual a vocês. Porque assim, às vezes é uma sorte, às vezes a pessoa não consegue ter uma amiga, um grande amigo, uma grande amiga, entendeu? Às vezes você também quer aquilo para você.
Elas foram minha professora, minhas professoras, gente. Vocês não sentem isso também?
A gente meio que anotou, né, Jana?
Elas foram minhas professoras. Aí você sabe que a gente é super amiga, por isso que a gente pegou me deu esse job aqui, tá?
Que lindo! Vocês são amigas há quanto tempo?
Mais de 10 anos?
Não.
Ai, gente, que legal!
Faz uns 11 anos.
Ela contou melhor, faz uns 11 anos.
Mas eu até queria perguntar para vocês, porque a gente sentiu que teve alguma coisa da Paris Filmes, porque são duas cancerianas. Daí a Ingrid canceriana, Suzana escorpiana. Você tá se sentindo atacada, Mônica?
Amor, taurina, você tá comigo, amor?
Agora deixa eu te falar, os meus melhores amigos são taurinos. Taurino é muito confiável, cara. Taurino é muito confiável, teimoso, mas confiável. Você sabe por quê? Eu já, eu sou um pouco especialista em signo, que eu fiz um programa de signo. Então o que ela fala é o seguinte: a gente, taurino e o canceriano, gostam de conforto. Mas quando eu falo conforto, não é só conforto hotel bom, não. Gostam de se reconhecer no lugar familiar, entendeu?
A gente gosta de se reconhecer no lugar familiar, a gente gosta de estar sentindo seguro, safe, né? Eu botei o inglês do nada, safe. Caramba, para quê? Eu joguei um safe, gente.
Eu acho que por isso também que sustenta o conflito, porque entende, vira tão família, mas tão família que assim, Jana, pode mandar real, a gente é família, não vai Eu sei isso que vai rachar. Vai, Jana, lança. Mas agora a gente tem que ir para nossa última pergunta.
Você, você, você, desculpa, você é Câncer também?
Eu sou Câncer também, a gente tá no mesmo barco. Sofre. Bom, vamos encerrar por aqui, mas muito obrigada, Suzana, Mônica, Ingrid. Que filmaço! 3 de setembro no cinema. Obrigada, Aparece Filmes também. Obrigada, Jana, te amo.
Obrigada, minha amiga, te amo. Eu te amo também. Obrigada, mulheres maravilhosas. É engraçado porque a gente sente que você, que a gente conhece vocês da vida inteira, e é meio que isso um pouco, né? A gente se sente muito amiga, tá? Então estamos entre amigos.
Essa frase é a frase que eu mais ouço hoje, tipo assim, você sabe que eu sou sua amiga? Você não sabe, né? Falou, ela é sua e da Mônica Martelli.
Eu ouço direto também, muito bom.
A amizade de vocês é maravilhosa porque isso. A gente quer ver mais dela e que renda muitos frutos.
E eu acho que nessa loucura que tá acontecendo hoje no mundo, né, em relação a nós mulheres, essa quantidade de feminicídio, como diz a minha filha, e mãe, pesou, pesei. Mas assim, a união feminina é a solução, gente.
Revolucionário, gente! Mulheres juntas!
Eu fiquei muito feliz aqui de ver que vocês falaram que se divertiram muito, mas se emocionaram também. Isso para mim é assim, é a glória, é o grande prazer.
Que bom!
Obrigada, gente! Obrigada!
Bom Job é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cervelli, e produzido e editado Should she say that about the kisses?
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