Episódios de Bom dia, Obvious

Você pode ter certeza da escolha e sentir que perdeu algo, com Catharine Rosas

23 de agosto de 202654min
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Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a psicóloga Catharine Rosas para uma conversa sobre escolhas, maternidade e os sentimentos que acompanham as transições de vida.

Catharine fala sobre o medo como uma espécie de bichinho que tenta nos proteger e que é inerente às experiências que acumulamos ao longo da vida, sugerindo que a saída, talvez, não seja eliminá-lo, mas entender como lidar com ele.

O papo também passa pelas ambivalências de grandes experiências, como maternar, pelas perdas que acompanham algumas escolhas e pela compreensão de que nem tudo está sob nosso controle.

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⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI

Instagram Catharine Rosas: AQUI

Podcast Messy Girls Club, de Catharine Rosas: AQUI

Citações

This is Us: AQUI

Homem-Aranha: AQUI

Livro Bons tempos: Yesteryear, de Caro Claire Burke: AQUI 

Participantes neste episódio2
M

Marcela Ceribelli

HostJornalista
C

Catharine Rosas

ConvidadoPsicóloga
Assuntos6
  • Maternidade e transições de vidaAmbiguidade materna·Perda e luto na gestação·Mudança de corpo e identidade·Psicologia perinatal
  • Medo e preservaçãoMedo como bichinho protetor·Intenção de preservação·Lidar com o medo
  • Papel da mulher na sociedadeTratamento social da gravidez·Gentileza e desconsideração·Machismo estrutural·Pressão estética e magreza
  • Escolhas e arrependimentosCerteza da escolha·Sentir que perdeu algo·Desejo de maternidade
  • Parentalidade e dinâmica de casalCompetição entre pais·Ressentimento e inveja·Cuidado com o bebê·Falta de controle
  • Saúde mental e tentativas de engravidarSaúde da mulher após o parto·Dificuldade em engravidar·Pressão para relaxar·Conceito de saúde integral
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MCMarcela Ceribelli

Você ainda acredita nisso? Que o medo é um bichinho querendo nos proteger?

CRCatharine Rosas

100%. Eu acho que a grande intenção dessas duas emoções é a nossa preservação. Só que elas fazem isso de uma forma que é muito catastrófica. E que é muito convincente. Então esses bichinhos, eles tendem a falar muito alto. Porque a intenção é que você os ouça. Só que eu acho que a gente descobre coisas tão mais interessantes quando a gente não tira eles, elimina eles. Mas conduz eles a acreditar que você é capaz. Tipo, a gente é capaz. Eu acho que eu dou conta de fazer isso.

MCMarcela Ceribelli

Imagina que... Se ao invés dos bebês virem pra esse plano através das mulheres, que fosse de fato um portal. Como que a sociedade trataria esse portal? O quanto não teriam cuidado? Como não seria sagrado? E esse recado vai diretamente pro cara que não me deu preferência na fila no aeroporto quando eu tava vindo. Você vai deter sol e você vai ser broxa o resto da sua vida. Já percebeu como alguns livros continuam ecoando dentro da gente mesmo depois que a leitura termina?

Boas histórias fazem isso. Em vez de buscar respostas prontas, a gente se permite olhar para as perguntas que surgem no caminho, sem pressa de chegar a algum lugar exato. O Óbvios Clube é esse espaço onde nós mulheres podemos questionar tudo, inclusive aquilo que continua depois da última palavra. E ainda dá tempo de você garantir a sua vaga e participar dessa jornada comigo e com uma comunidade de mulheres corajosas. Nossa formação literária vai durar um período de 1 ano e juntas vamos descobrir como as nossas emoções nem sempre são só nossas.

Vamos mergulhar em 12 livros escritos por mulheres que investigam desejos, medos, alegrias, cansaços, revelando as diferentes formas como nos sentimos, relacionamos e habitamos esse mundo. Nossa experiência é organizada em 3 grandes ciclos que se conectam em uma profunda reflexão sobre a política íntima das emoções. Nossa jornada começa em setembro. Todos os meses Mas teremos masterclass para aprofundar as obras, encontros online ao vivo, muitas vezes com a presença das próprias autoras dos livros que estamos lendo, e uma comunidade exclusiva que já está acontecendo.

É nesse espaço que as nossas conversas continuam para além das páginas, com trocas, reflexões e indicações únicas para vocês. As inscrições para o clube já começaram e as vagas são limitadas. Ao entrar para o nosso clube, você recebe uma box com 12 livros, um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário para organizar o seu próprio ritual de leitura. Se você quiser fazer parte dessa comunidade de mulheres que pensam em voz alta, acesse o QR code que está na tela ou o link na descrição desse episódio e use o cupom BOMDIA10 para garantir 10% de desconto.

E aí, bora pensar em voz alta? Bom dia, Opus! E bom dia, Catarine, seja bem-vinda de volta.

CRCatharine Rosas

Obrigada, Ma.

MCMarcela Ceribelli

Olha que Que louco! Bom, você tá nos meus dois livros.

CRCatharine Rosas

É uma honra imensa.

MCMarcela Ceribelli

E a última vez que eu te entrevistei, agora me deu até um arrepio, e eu descrevo isso em Sintomas. Eu tava gravando de dentro do armário da minha mãe, porque era onde tinha acústica. Eu tinha acabado de me separar, então eu tinha uma mala, um microfone e um armário. E você foi a primeira entrevista que eu fiz depois que eu saí de casa. E aí, agora a gente tá grávida, né, amiga?

CRCatharine Rosas

Talvez eu chore! Eu li isso em Sintomas.

MCMarcela Ceribelli

Então, obrigada por fazer parte de momentos tão importantes.

CRCatharine Rosas

Eu que agradeço, amá. Muitos hormônios vão aparecer aqui hoje nessa conversa.

MCMarcela Ceribelli

É um episódio com alto beta-HCG. Mas não é um episódio sobre gravidez. Eu falei, então, eu vou chamar a Catarine porque é um assunto que eu quero conversar com ela. E ela também tá grávida. A sociedade dá conta de ver duas mulheres grávidas conversando sobre algo que não seja maternidade?

CRCatharine Rosas

Excelente, não é tão óbvio, né, ir por um caminho...

MCMarcela Ceribelli

É, inevitavelmente vamos falar. Mas... Até porque o nosso assunto tem muito a ver com algo que eu acho que a gestação nos ensina. Que é: as coisas levam tempo pra amadurecer. A gente leva tempo pra amadurecer. Então... Mas antes da gente entrar exatamente no tema Eu sei que você atende, aí me confirma se é na sua totalidade ou majoritariamente mulheres.

CRCatharine Rosas

Somente mulheres.

MCMarcela Ceribelli

Somente mulheres.

CRCatharine Rosas

Sim.

MCMarcela Ceribelli

Quando que você percebeu que dentro da sua clínica e do que você acredita da psicologia, você precisava ter um recorte de gênero?

CRCatharine Rosas

Num lugar muito precoce e até romântico no começo, assim. Eu comecei a fazer esse recorte na faculdade, quando eu não era psicóloga, era só estagiária. E eu conheci a maternidade. E aí eu me tornei uma entusiasta do tema. Eu passei 5 anos na graduação estudando psicologia perinatal, que é um recorte da psicologia.

MCMarcela Ceribelli

Então o episódio vai ser sobre isso mesmo. Desculpa, sociedade, vocês têm razão, a gente não conseguiu.

CRCatharine Rosas

Eu estou sendo brutalmente honesta na construção desse recorte.

MCMarcela Ceribelli

Tudo bem, aconteceu.

CRCatharine Rosas

Demorou quantos anos?

MCMarcela Ceribelli

Vamos lá, qual vai ser a sua bolsa da maternidade? Quem que vai tentar? Sem juô, amor. Não, tô brincando, amiga.

?Voz C

Pode voltar.

CRCatharine Rosas

Ai, calma. Eu tô ficando com falta de ar, mas...

MCMarcela Ceribelli

Eu também, porque dá falta de ar, meninas.

CRCatharine Rosas

Vai ser muito legal ver esse episódio depois de um tempo, né? E ver essa situação da falta de ar e da barriga nesse lugar.

MCMarcela Ceribelli

Tô tão cansada, Nhi.

CRCatharine Rosas

Muito especial.

MCMarcela Ceribelli

Se a gente pode assistir com todos os meninos.

CRCatharine Rosas

Juntos, no Rio de Janeiro.

MCMarcela Ceribelli

Ou em Salvador também, né?

CRCatharine Rosas

Não, no Rio, vamos!

MCMarcela Ceribelli

Mas eu também gosto de ir pra Salvador.

CRCatharine Rosas

Então a gente assiste 30 minutos do voo.

MCMarcela Ceribelli

Mas voltando... Voltando. Então você tava na faculdade e chegou na psicologia perinatal.

CRCatharine Rosas

Perfeito. E aí fiz isso, esse recorte. Eu juro pra você, foi no primeiro semestre da graduação. Eu tive uma aula sobre isso e eu não tinha ideia, muito nova. Entrei na faculdade com 17 anos. Eu não tinha ideia que a maternidade era um lugar que também era psicológico. Porque a maternidade, geralmente, ela vem nessa perspectiva bem biomédica. E aí, quando eu vi a psicologia se conectando com mulheres grávidas, tentantes, puérperas, eu fiquei: Meu Deus, que incrível!

E aí, eu passei 5 anos só estudando sobre isso. E eu tinha muito claro que eu não queria atender nenhum público que não esse. As mães. Aí, no final da graduação, muito ali já no finalzinho mesmo, eu falei: Cara... Aí começou a ser menos romântico e mais político. Eu falei, eu vou ainda atender esse público porque eu gosto muito. Mas eu só tinha feito isso, foi a única coisa que eu estudei. Eu tinha, na época da faculdade, eu tinha uma ambição mais acadêmica.

Então eu tinha Lattes, essa coisa toda de, eu gostava de alimentar, só tem isso. Tipo assim, eu só fiz isso, foi tudo que eu fiz. E aí no final da faculdade, em Salvador, numa faculdade chamada Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Pra mim, a melhor faculdade de lá. E talvez é um lugar muito— eu estou sendo totalmente partidária, eu gosto muito da minha faculdade. Que bom! Aí eu falei, vou atender mulheres de forma geral, sejam elas, tenham elas na verdade histórias conectadas com a gestação ou não, com esse universo materno ou não.

E aí eu abri todas as mulheres, todas, pra todas as mulheres, né? E hoje, até hoje, eu só atendo mulheres. Eu não tenho nenhuma pretensão, nunca tive uma curiosidade, uma coisa, vamos testar e tal. Nunca tive, é realmente que faz sentido para mim.

MCMarcela Ceribelli

É, eu sou objeto de trabalho, estudo, missão, tudo. Você já queria ter filho nessa época, quando você começou a estudar?

CRCatharine Rosas

Muito. Eu acho que antes disso eu era muito criança, então não era um conceito tão formal. Mas quando eu comecei a estudar o tema, e eu ia em congressos que eu assistia médicas e enfermeiras obstetras e psicólogas falando sobre, a gente assistia uns vídeos assim de parto natural, eu achava aquilo tão lindo que eu falei, meu Deus, eu quero muito isso. E aí fiquei muitos anos querendo. Aí teve um ano brutal assim, que foi o ano da pandemia.

Eu entendo porque muita coisa aconteceu nesse ano. Acho que em 2021 eu falei, cara, não quero mais. E aí, mas não foi brincadeira, eu realmente não queria mais, eu não tava nem cogitando essa ideia, saiu, não pensava sobre isso com sofrimento, eu só deixei de querer por muitos motivos. Aí em 2022, um ano depois, eu assisti This Is Us E falei, quero. Tipo assim, não tem como eu viver a minha vida sem não sentir isso, sem não experimentar isso.

This Is Us literalmente foi o responsável pra me oferecer de volta, digamos assim, esse desejo em relação à maternidade.

MCMarcela Ceribelli

Nossa! Juro! Alguma cena específica?

CRCatharine Rosas

Acho que todas. Foi uma série muito doida, assim. Eu sou uma pessoa chorona, mas eu acho que eu nunca chorei tanto com uma série que nem eu chorei. Você assistiu This Is Us?

MCMarcela Ceribelli

Eu assisti. Chega uma hora que parecia que alguém tinha entrado na minha casa e falado, chora! É muito intenso. Eu chorava muito, era uma coisa assim, um desespero. Porque além de tudo, eles são gêmeos. Eu tenho um irmão gêmeo.

CRCatharine Rosas

Aí... Tá ali, né?

MCMarcela Ceribelli

E a coisa, enfim, quando ela começa a ter perda de memória, foi o mesmo período que meu avô começou a dar sinais de Alzheimer. Então, nossa, foi muito pesado pra mim. Mas eu entendo, é uma série muito bonita.

CRCatharine Rosas

Linda. Ela é muito sensível, apesar de... Fala sobre tudo. Tudo, e de uma forma muito... Como eu posso dizer? Eu acho que fidedigna. Com a realidade, não tem aquela coisa mais caracterizada do vilão e da mocinha. É a vida se apresentando diante de desafios que são absolutamente verossímeis. Tipo, dá, você tava vivendo isso na sua família. Então você se conecta de um lugar, eu acho que é por isso que é tão intenso, porque não tá tão distante, sabe?

Eu assisti Homem-Aranha agora, é muito distante, são problemas que são irreais, você não sai de lá arrasada.

MCMarcela Ceribelli

Mas é um surto, você sabe, né, que a gente vai ter que sair com as crianças vestidas de Homem-Aranha no shopping.

CRCatharine Rosas

De repente até eu boto a minha máscara porque eu sou muito fã.

MCMarcela Ceribelli

É porque é, como é que você fez agora?

CRCatharine Rosas

Soltei a minha teia. A gente foi assistir... De forma discreta, coisa de... Pra não pegar no Senac.

MCMarcela Ceribelli

Meu Deus, que amor. Eu não sei, as crianças amam muito.

CRCatharine Rosas

A gente foi assistir Homem-Aranha numa sessão que era de noite, mas tinha criança lá toda fantasiada. E aí, a mãe dele... Ele caiu, né? Aí a mãe dele, fulano, não sei o quê, não sei o que lá. E ele, eu vou jogar a minha teia em você. Tipo, pra calar a boca. Aí ela olhou assim, me viu grávida, ela falou, é menino? Aí eu falei, sim, é menino! E acabou, ela não me respondeu mais depois, era só isso que ela quis.

MCMarcela Ceribelli

Olha, a vantagem de estar grávida de gêmeos é porque sempre tem alguém pra te falar, olha, você não tá pronta pra tal coisa, alguma coisa assim. E aí, tem uma coisa da mãe de Jameson que as pessoas fazem assim.

CRCatharine Rosas

Boa sorte.

MCMarcela Ceribelli

Tipo assim... Ninguém tenta me ensinar nada, é só uma coisa meio assim... Boa sorte. Mentira, eu tento ensinar. Mas é nessa hora, eu falo, os meus são dois. E a pessoa faz... Toda força pra você. São dois Homem-Aranha. Mas desde a primeira vez que a gente conversou, você também passou a ter seu próprio podcast, que é o Mass Girls Club. Clube? Club?

CRCatharine Rosas

Club, como você quiser.

MCMarcela Ceribelli

O Messy Girls Club. E adoro, né, uma psicóloga falando que é o clube das minas bagunçadas.

CRCatharine Rosas

Adoro.

MCMarcela Ceribelli

Qual bagunça tava acontecendo na sua vida? O que que você queria organizar pra passar a ter uma voz mais pública?

CRCatharine Rosas

Eu acho que uma coisa que me encanta muito nas redes sociais, de forma geral, é ter esse contexto de comunidade. E eu acho que isso já vinha se apresentando no Instagram. E as pessoas no Instagram, elas se sentiam confortáveis a ponto de me escreverem coisas, tipo assim, eu acho que você poderia fazer um post sobre isso e tal. E sobre temas conectados ali, né, com a psicologia da coisa. E aí eu comecei a atender esses pedidos e eu me dedicava a fazer os posts.

Mas em determinado momento eu falei, cara, acho que pode ser legal começar a falar sobre isso e tal. Eu acho que eu sou uma pessoa tagarela com pessoas que eu me sinto confortável. É confortável. Mas eu comecei a idealizar esse podcast. Eu não sou tão planejadora quanto eu gostaria de ser, então eu literalmente tive a ideia. E aí o nome eu fiquei uma semana pensando sobre. E aí eu fiz, e aí eu comecei a gravar o primeiro episódio, e aí eu fui desenrolando.

Acho que para acatar essa demanda assim das pessoas que vinham até mim, das mulheres que vinham até mim, e eu tento colocar no podcast temas que organizam. Eu sempre bato muito nessa tecla, assim. É um viés que me incomoda das redes sociais. Que são as pessoas que falam das suas vivências como se elas fossem regras universais. Então, eu falo pra você que você deveria tratar o seu namorado assim, assim, assado. Com base em coisas que são importantes pra mim.

E eu acho que isso cria uma bagunça, assim. Talvez na intenção de organizar e de aceitar a bagunça que cada uma de nós temos. E teremos pra todo sempre. Nasce o podcast.

MCMarcela Ceribelli

Nosso primeiro episódio foi sobre procrastinação.

CRCatharine Rosas

Sim.

MCMarcela Ceribelli

E você falou muito sobre o medo ser um bichinho que tá tentando nos proteger. E me questiono como que foi pra você lidar com esses bichinhos que querem nos proteger quando você quis passar a falar de forma mais pública.

CRCatharine Rosas

Eu acho que eu tive um longo caminho. Porque eu acho que esses bichinhos fazem parte de todas as pessoas, assim.

MCMarcela Ceribelli

Você ainda acredita nisso? Que o medo é um bichinho querendo nos proteger?

CRCatharine Rosas

100%. Eu sou psicóloga. E muitas pessoas entram na terapia querendo se livrar dessas emoções. E aí, a primeira coisa que eu falo é: Eu não vou te oferecer isso. Porque eu adoro essas emoções. As mais complexas são as que mais me geram interesse, assim. São as emoções que as pessoas têm mais... Como é que eu posso dizer? Intenção de pararem de sentir. Como a raiva, o medo, ciúme, a inveja, o tédio. E eu sou uma porta-bandeira do medo.

Eu acho que ele é uma emoção, sou uma pessoa ansiosa. Eu acho que o medo e a ansiedade, elas estão muito conectadas. Eu acho que a grande intenção dessas duas emoções é a nossa preservação. Só que elas fazem isso de uma forma que é muito catastrófica e que é muito convincente. Então esses bichinhos, eles tendem a falar muito alto porque a intenção é que você os ouça. Só que eu acho que a gente descobre coisas tão mais interessantes quando a gente não tira eles, elimina eles, mas conduz eles a acreditar que você é capaz, que a gente é capaz. Eu acho que eu dou conta de fazer isso.

MCMarcela Ceribelli

A gente tava falando um pouco sobre isso, sobre a gestação. Sim, porque são muitos medos, muitos. O que a psicologia perinatal fala sobre medo e gestação?

CRCatharine Rosas

Eu acho que é uma jornada que uma coisa tá muito intrínseca com a outra. Não sei, Márcia, se é possível você engravidar e não viver um medo. Eu não consigo conceber esse conceito. Talvez para uma pessoa ou outra seja possível, mas são muitos medos. Eu acho que principalmente porque dentro da nossa humanidade a gente teme muito o imprevisível, o desconhecido, e essas são portas abertas para que o medo entre e faça casa e se sinta muito confortável.

E você tem muito a perder também na maternidade. A gente ouve muito isso e a gente teme desde a uma possível perda gestacional, por exemplo, que eu acho que é o cenário mais catastrófico e entristecedor, talvez. Mas medo de perder você mesma, que é um processo de morte também, né? E é brutal. Você deixa de ser quem você é. Não significa que essa nova versão não vai ser legal e que você não vai gostar também. Mas há uma pessoa, uma Marcela que some. Não sei, a gente vai ter que descobrir.

MCMarcela Ceribelli

É, mas a gente Tem uma despedida. É um momento de muita vida, com um luto que acompanha juntinho. E engraçado, acho que agora, passado o primeiro trimestre, eu consigo ver que eu finalizei um dos processos de luto. Foi um primeiro, já me entendo com esse novo corpo. E eu não estou falando novo corpo estético, eu tô falando... Eu já entendi que as células foram renovadas, assim. É, de fato, uma outra Marcela. Mas eu acho que o que as pessoas perguntam errado, pelo menos pra mim, perguntam: E aí, enjoou muito?

Eu tenho vontade de falar: Não, muito pior. Passei 3 meses achando que eu ia perder. Passei 3 meses me perguntando se foi uma loucura, se eu daria conta. Como é que eu vou esconder isso das pessoas? Como que as pessoas vão reagir? Como que... Tem coisas tão piores. Por isso que eu adorei você trazer a psicologia da coisa. Porque até na ficção e no imaginário, tem uma coisa muito física, como se a gravidez fosse sempre te exigir muito fisicamente.

Eu acho que de algumas sim, nem todas. Também venho aqui para dizer que nem não precisa tanto. E olha que eu tive um beta HCG bacana, meus hormônios estavam muito altos mesmo. Meu primeiro beta deu 4.000, né? Então assim, Tava muito grávida.

CRCatharine Rosas

Muito grávida. Duas crianças, né?

MCMarcela Ceribelli

Duas crianças. Mas eu queria que as pessoas perguntassem, ao invés de enjoou muito, talvez perguntassem: tá cuidando da cabeça?

CRCatharine Rosas

Só isso. Tem um conceito na psicologia perinatal, Maqui, que talvez seja o que mais me encanta, porque eu acho que ele é suficiente, ele explica muita coisa, talvez tudo no processo gestacional. A gente chama da ambivalência materna. Que é esse lugar que é ambivalente. Até mães e mulheres que se organizam a vida inteira e passam, sei lá, 10 anos juntando grana para congelar óvulos e fazer fertilização e tudo mais, quando vem um teste positivo, chegam nesse lugar ambivalente que é confuso.

Porque eu literalmente fiz disso o meu plano de vida, eu juntei cada centavo do que eu tinha para viver esse momento. E esse momento agora se dando como real na minha vida, eu começo a questionar ele e talvez a entender que eu possa perder algumas coisas. E eu não tô contemplando somente o lado bom e alegre e feliz da história. E eu acho que a gestação inteira ela é assim. Eu acho que a maternidade também, ela é ambivalente. E a gente é também, enquanto ser humano. A vida é um pouco assim, né?

MCMarcela Ceribelli

Acho que na dúvida Se você tiver com muita certeza, talvez você não esteja, né, talvez observando. E eu também gosto das incertezas, porque mostram que o caminho é uma escolha. Porque quando você começa a abrir o seu olhar pra: Nossa, mas existiam outras possibilidades, mas eu quero estar aqui. Significa que você não tá fazendo as coisas no mais absoluto automático.

CRCatharine Rosas

É intencional, né?

MCMarcela Ceribelli

É intencional. É intencional. E bom, não sei se tem mães de múltiplos. Meu lindo, gestantes de múltiplos é muito difícil, porque você não pode comemorar de cara. Porque a primeira coisa que você escuta é: Tem muita chance de você perder algum. Então... E tem mesmo! Então demora muito pra você relaxar, né. E é isso, e aí tem esse certo... Vamos falar sobre ressentimento?

CRCatharine Rosas

Joga e dura, eu vou atrás.

MCMarcela Ceribelli

Eu falei um pouco sobre isso na Flip, porque eu tive uma... Comecei a ter uma sensação muito difícil. Porque eu contava pras pessoas, né, quando eu finalmente pude contar. E as pessoas ficavam muito emocionadas e muito felizes. E parecia que eu não tava tão feliz quanto elas. Mas aí eu entendi, e aí... Como é importante a análise nesse momento. Que na hora que eu contava pras pessoas, eu tava numa travessia. Eu estou numa travessia.

Eu tô contracorrente, qualquer momento eu posso pisar falso. E eu posso tropeçar num galho, né. Eu tô numa travessia. Mas na hora que eu conto pras pessoas, elas vão pro outro lado do rio. Então, pra elas, elas já chegaram naquele momento muito emocionante que elas já estão me vendo com o neném, elas já estão me vendo mãe. Então é muito lindo, e é muito emocionante mesmo.

CRCatharine Rosas

Acho que sim. Isso que você fala é muito interessante, Má. Porque é muito difícil estar grávida nesse lugar que não é tão biomédico como a gente tava falando, desses sintomas físicos. Mas é uma experiência inédita. Eu acho que mesmo quando não é a sua primeira gestação, é inédito ainda assim. É muito... Eu poderia pensar em um adjetivo bonito, mas eu vou com ele. É muito esquisito estar grávida e ter esses medos. O medo da perda.

Ele é uma coisa que a gente não tem como fingir que ele não tá ali. Tipo, se eu parar de olhar, talvez eu pare de sentir esse medo. Não, ele tá ali, minha irmã. Ele vai ficar com você. Talvez até o dia que o neném nasça. Os nenéns venham ao mundo. Mas em alguma medida, você precisa... Eu acho que esse é um processo que a terapia e a análise ajudam muito. Acreditar na vida, num lugar muito humilde. De abrir mão um pouco dessa sensação de poder.

E de confiar mesmo no que a vida prepara pra você. Porque se você fica só com esse medo, você vai ficar sozinha nesse lugar que você tá. Tá? E eu acho que é importante que você se encoraje para atravessar esse rio por você, não porque as pessoas estão torcendo, esperando você aqui de plateia. Vem, vem, vem! Não é por elas, mas é por você. Eu acho que é importante que a gente respeite esse medo e saiba que ele tá ali, mas que viva o lugar também e viva essa oportunidade, essa experiência que é muito transformadora.

E compre coisas. Tem mulheres que, por exemplo, principalmente mulheres que passaram por perdas gestacionais, que não compram o enxoval da criança porque temem, ou porque tá cedo demais, ou porque deixa ver o próximo exame, o próximo mês e o próximo mês. E aí a criança tá chegando e você ainda não chegou nesse lugar. Vai lá, faz isso! É um lugar muito difícil e eu não quero ser leviana de tentar amenizá-lo, mas é importante que você—

MCMarcela Ceribelli

Mas você já comprou coisas?

CRCatharine Rosas

Ah, muitas!

MCMarcela Ceribelli

Não comprei nada.

CRCatharine Rosas

Marcelo, não compre mais coisa pra mim. Eu compro só coisa pra essa criança.

MCMarcela Ceribelli

Não comprei nada, mas vai comprar. Mas eu aceito presentes. Alô, marcas! Os presentes a gente quer muito, marcas de fraldas. E nunca fui essa pessoa, mas agora eu tô muito aberta. Não, não comprei nada, mas eu não acho que é estado de negação não, é porque eu quero estar, minha cara, quero estar muito organizada, não quero comprar nada à toa. Entendeu? Eu quero ter toda a lista, não quero comprar um body a mais.

CRCatharine Rosas

Eu te passo a minha lista. Obrigada!

MCMarcela Ceribelli

Você vai duplicar e vai fazer minha lista. Não, peraí, você é justa também. Eu tô com uma assessoria e elas estão montando a... Ah, boa! É, a Thalú, maravilhosa. E elas estão montando a lista. Então, como eu vou ter esse apoio, que é quase que abafa também um trabalho mental, eu pensei, ah, não quero ficar nessa loucura, sabe? Porque eu acho que tem também um pouco da loucura. De mil coisas. E eu sou meio chata de gastar dinheiro, mas isso é outro episódio, depois a gente conversa sobre isso.

CRCatharine Rosas

Deixa eu voltar para o que você falou, porque eu senti que eu não te respondi em relação ao ressentimento dos maridos e das pessoas. Eu acho que é comum e é importante que você, é que a gente se pegue num lugar de validar essas emoções. Eu vou sempre levantar essa bandeira, eu não quero que ninguém odeie nenhuma emoção, eu quero que a gente faça amor com as nossas emoções, no sentido poético e não sexual da coisa, mas Mas uma emoção que eu acho que talvez ela venha depois do ressentimento, mas que é muito comum também, é um pouco da inveja.

Principalmente dos pais, assim. Porque é um lugar que a gente consegue tranquilamente invejá-los. Eu acho que especialmente na gestação também. É esse momento de você estar mal fisicamente e o cara tá ótimo. Eles estão ótimos, não tem nada acontecendo nesse corpo.

MCMarcela Ceribelli

Nada acontecendo?

CRCatharine Rosas

Nada, nada, nada, nada.

MCMarcela Ceribelli

Me disseram que tem alguns que engordam junto.

CRCatharine Rosas

O meu enlouqueceu. Nos 2 primeiros meses, ele me acordava de madrugada. Eu assim, ó, lutando pra dormir bem. Porque desde o dia que eu descobri que eu estava grávida, isso sumiu. Cata, eu preciso que você acorde. Cata, cata, cata, cata! Aí eu levantava assim, eu: O que é, cara? Aí ele: Olha a cama. E tinha uma poça de suor.

MCMarcela Ceribelli

Eu também suei muito. Eu acho que nunca... Eu não sei se eu cheguei a molhar a cama. Mas por que sua tanto?

CRCatharine Rosas

Mas ele enlouqueceu, ele ficou... Esse suor era de ansiedade, era suor noturno.

MCMarcela Ceribelli

Ah, é? Será que eu também? Traga o nome... Chá revelador. As relações ficam muito intensas.

CRCatharine Rosas

É, mas ele era de ansiedade. Então tem uns ou outros que até chegam nesse lugar, mas não é o que a gente espera. A gente espera que os homens passem pela gestação e pela parentalidade de um lugar que é sempre muito mais confortável.

MCMarcela Ceribelli

Então acho que a gente consegue, dá para esperar assim algum ressentimento e até alguma inveja, porque aí dentro da minha vivência eu sou quem eu sou, né, Cata? Então eu Senti, observei, nomeei, consegui resolver dentro de mim, perdoei a mim por sentir, perdoei a ele por aquilo que ele também não pode fazer muito. Mas aí elaborei, e elaborei pensando se não é um pouco desse ressentimento que se torna uma vingança, uma vez que o nenê ou os nenéns nascem das mães que falam Não, agora só eu sei cuidar, eles só precisam de mim. Tem uma— pode existir uma batalha de poderes também dentro da maternidade?

CRCatharine Rosas

Muito.

MCMarcela Ceribelli

E paternidade?

CRCatharine Rosas

Sim, muito. Eles, os casais, quando entram na parentalidade, a gente consegue esperar, assim, dá para esperar. Não é algo que é tão raro de acontecer essa competição mesmo, assim, de quem sabe melhor sobre a criança, de quem sabe dar o melhor banho, de quem sabe dar. Esse é um lugar muito ruim. Eu acho que os dois saem perdendo, porque você tá sempre numa batalha de desautorizar que essa outra pessoa, que é cuidadora e cuidador tão quanto você, crie um processo inclusive de vínculo.

Porque o cuidado com a criança não é— especialmente se fosse o filho, se eu tiver envolvida emocionalmente com ele— o cuidado não é meramente com a intenção de preservar a vida. Tem muita troca emocional naquele lugar. E é importante que o marido viva isso, que o parceiro, a parceira viva isso. E isso não é um lugar exclusivo das mulheres. Existem homens também, homens homens são mais controladores e mais ansiosos, principalmente homens ansiosos que desautorizam o tempo inteiro as suas mulheres porque eles sabem cuidar melhor seus companheiros de forma geral.

Isso é uma perda. Não existe, apesar de ser uma batalha, há uma clara competição ali entre essas duas pessoas, não existe nenhum ganhador. Ninguém ganha, todo mundo sai perdendo, inclusive o bebê, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Claro. E dentro dos se prepare, se prepare, também já ouvi se prepare, toda essa atenção que você tá ganhando agora vai passar para o bebê e ninguém olha para mãe depois que nasce. É uma experiência comum? É uma experiência vivida ou percebida?

CRCatharine Rosas

Eu acho que mais vivida do que percebida, porque de alguma forma a gente naturaliza isso. Eu acho que a gente espera que realmente quando o neném nasça as atenções voltem para esse bebê e a gente acaba aceitando esse lugar como nosso. Que passa a ser um lugar secundário. Então não sei se todo mundo percebe a ponto de nomear, mas eu tenho certeza que muita gente vive. E é o que eu falei para você, assim, quando eu vejo mulheres grávidas, eu só presenteio as mulheres grávidas porque eu sei que essa criança, essas crianças vão ganhar um monte de presente.

MCMarcela Ceribelli

Obrigado pelo meu presente.

CRCatharine Rosas

De nada, espero que você goste. Mas quando vai na casa também, depois que o neném passa ali o período de vacina e tal, eu sei que essa criança tá alimentada, ela tá banhada, ela tem um enxoval dela pronto. Mas e essa mulher, tipo assim, Então eu acho que a gente, assim, a gente vive uma sociedade muito machista. E é comum que a gente espere que as mulheres só acatem esse lugar que é menos, de menor destaque, digamos assim. Eu acho legal fazer o oposto, assim.

Eu incentivo as pessoas ao meu redor. Muitas amigas minhas engravidaram. Os amigos do meu marido também estão todos nesse lugar. E eu sempre converso com eles, assim, pra colocar essa mulher num lugar que não é de esquecimento e de segundo plano depois que o neném nasce. Porque ela é a mais importante. Literalmente, essa criança, ela vai ser uma criança feliz e passar por todas as fases do desenvolvimento com o resultado que a gente espera, se essa mãe estiver bem.

Então nada mais justo do que a gente trate essa mulher de uma forma que é bonita, assim, não do esquecimento, sei lá.

MCMarcela Ceribelli

Eu vi um TikTok, não tem por que mentir porque foi no TikTok, mas que era interessante, que era uma provocação de Imagina que se ao invés dos bebês virem pra esse plano através das mulheres, que fosse de fato um portal. Como que a sociedade trataria esse portal? O quanto não teriam cuidado? Como não seria sagrado? E esse recado vai diretamente pro cara que não me deu preferência na fila no aeroporto quando eu tava vindo. Você vai deter sol e você vai ser broxa o resto da sua vida.

CRCatharine Rosas

Talvez ele já seja. E aí, cara...

MCMarcela Ceribelli

A gente é coisa de broxa, é verdade, é verdade, né? Obrigada. Não, com certeza, coisa de broxa, completamente. Mas broxas à parte, você falou de algum que aqui a gente claramente não conhece. Mentira, é isso, gente, senso de humor, tá uma loucura. Eu acho que eu eu não tinha convivido muito diretamente, ou eu não tinha noção de como o tratamento da sociedade muda com a gente. Então, por exemplo, essa semana eu ganhei uma degustação de sorvete simplesmente porque eu perguntei se era sorvete.

E aí o atendente falou, é sorvete. Ah, vou até dar crédito, tá? Que foi na loja da Isabela Kari. Não é uma publicidade, mas é que eu achei de uma gentileza. Ele me deu todos os sabores, eu falei, mas eu tô super satisfeita, eu acabei de comer o bolo de chocolate de lá. Já comeu?

CRCatharine Rosas

Não.

MCMarcela Ceribelli

Bolo de cenoura com calda de chocolate.

CRCatharine Rosas

Eu sei que é famosíssimo, né?

MCMarcela Ceribelli

Faz muito bom. E ele, não, mas prove vários! E aí eu pensei, é, deve ser um baque você ser tratada tão bem e ocupar um lugar tão especial. Especialmente porque a gente vive numa sociedade em que as mulheres não são colocadas nesse lugar, né. Dificilmente você, do nada, consegue um cargo muito alto. Ou você, né? São tantas batalhas. E aí parece que a maternidade e a gestação colocam a gente no lugar onde a gente—

CRCatharine Rosas

termina a frase, vai.

MCMarcela Ceribelli

Deveria ser tratada sempre justo.

CRCatharine Rosas

Eu não sei se você tá vivendo isso. Fazendo um pequeno parênteses assim, eu entrei na maternidade de pé e cabeça. Então tô fazendo aula de hidroginástica, de Pilates, tudo que eu tenho direito agora nesse momento. Eu faço terça e quinta. A gente tava na aula quinta-feira agora. Não sei se essa é uma vivência sua, mas o que me causa mais estranhamento— eu compactuo com tudo que você trouxe agora. O que me causa mais estranhamento é que eu tô sendo muito bem tratada por homens e muito maltratada por mulheres.

Eu juro, os homens, eu descobri desde que eu engravidei que eles conseguem ser gentis se eles quiserem ser.

MCMarcela Ceribelli

Eu também descobri isso tirando o cara do aeroporto, mas sim.

CRCatharine Rosas

E aí, uma gentileza, um tipo assim, um restaurante que geralmente não tem fila preferencial, é uma fila só. Aí, menina, vem aqui!

?Voz C

Aí eu...

CRCatharine Rosas

Não, claro, pode passar. Aí, pra atravessar a rua, motorista de aplicativo muito gentis e cordiais, muito em atendimento. Isso nunca me ocorreu. E as mulheres, em contrapartida, são as mulheres que me amedrontam, que me contam desgraças, que me assustam, que me desencorajam em relação à minha própria maternidade. Isso é muito doido. Você tá aí?

MCMarcela Ceribelli

Agora eu entendi. Sim, as mulheres também, outras mulheres me encorajam muito de trazer um, você vai dar conta, parabéns, que bênção. E eu fiquei muito incomodada porque para o meu namorado, marido, cada hora eu chamo de uma coisa porque eu nunca, né, enfim, pai dos meus filhos. Gente, como as pessoas estão chamando ele na Óbvios é o pai dos bebês. Perfeito. Isso, foi aí que a gente chegou. Eu acho que você é ex-grá de gêmeos daqui a pouco.

CRCatharine Rosas

Eu amo essa família!

MCMarcela Ceribelli

A gente tá plagiando a família, a gente tá plagiando a família. Então tem o pai dos bebês e eu sou a grá de gêmeos.

CRCatharine Rosas

Perfeito.

MCMarcela Ceribelli

Falam pra ele, aproveita pra dormir agora. Falaram isso pra você?

CRCatharine Rosas

Não, mas falaram pro pai dos bebês. Mas falaram que meu filho poderia nascer prematuro e morrer.

MCMarcela Ceribelli

É que eu tô grávida de gêmeos, me falam isso todo dia.

CRCatharine Rosas

Vamos rir, né? Porque é só isso.

MCMarcela Ceribelli

Quantas lições, né? Pra mim, na hora que a médica olha pra mim e fala que são gêmeos, eu entendi que eu não tenho controle de nada.

CRCatharine Rosas

Eu acho a maternidade a experiência mais... Como é que eu posso colocar isso em palavras? Que coloca a gente num lugar de maior humildade na vida. De assumir que não existe controle, é o que é. E a gente, às vezes, só vai precisar acatar e aceitar. Desde as menores coisas, tipo o desejo do sexo. Eu espero muito, sonhei a minha infância inteira com menino, com menina. Aí a criança vem do sexo oposto. Porque sim! Porque você não controla zorra nenhuma.

E isso só continua. O tipo do parto, né, a via de parto, a amamentação. Quem é essa criança? Ai, eu quero que meu filho seja dos esportes e daquilo. E a criança que é da música, que vem numa outra energia. Encontrou lá nada.

MCMarcela Ceribelli

Eu acho que maternidade tá corrigindo a sua vida através da infância do filho. Mas eu gostei muito da questão da humildade, porque da noite para o dia te tiram muitas coisas. A partir de agora você tá proibida disso, disso, disso, disso, disso, disso, disso, disso, disso, disso.

CRCatharine Rosas

Quais são as permissões?

MCMarcela Ceribelli

A minha disciplina talvez volte depois, mas Como é? E eu imagino que você também tenha pacientes que estão grávidas. Como tem sido as gestações na era do Monjauro e do retorno da magreza extrema?

CRCatharine Rosas

Ao mesmo tempo que tem acontecido muito, né, porque é uma medicação que possibilita que as pessoas engravidem pela perda de gordura e a redução também, eu acho que do anticoncepcional. Enfim, não sei muito bem, eu também não sei, mas sei que tá rolando aí. Ao mesmo tempo, as pessoas, tem muitas pessoas, mas que não querem engravidar. E eu não acho que esse é um lugar feio, não é um lugar feio, é um lugar legítimo de não querer engravidar porque não querer ver o seu corpo passar por essa transformação.

E é válido, né? Eu não acho que é mesquinho, por exemplo, você não querer que o seu corpo mude porque você tá grávida. Eu tenho muitas amigas, eu tenho uma amiga que me contou, a gente tava na praia e eu lembro dela falar isso para mim muitos anos atrás, eu nem sonhava em estar grávida. E ela falava para mim que ela tinha certeza que ela não queria ser mãe e ela se sentia muito egoísta por isso, porque ela não queria nunca ter uma nova versão do corpo que ela gostava de ter.

E aí eu falei: egoísta nada! O que é esse egoísmo com essa pessoa que nem existe? Nesse caso nem existe. Você tá sendo egoísta com uma pessoa hipotética, minha irmã. Não existe, não é justo. É o seu corpo, tá tudo bem você gostar dele. Mas é um lugar difícil. Eu vi uma postagem na rede social esses dias, mas falando sobre como essa é uma companhia eterna da gente. Assim de nós mulheres. Era uma mulher que era enfermeira lá nos Estados Unidos de uma casa de repouso de idosas.

E mesmo as idosas que estavam passando por um processo demencial de Alzheimer não se esqueciam de como fazer dieta, de dietas que fizeram a vida inteira. Essa não era uma perda. E iam para esse lugar de: eu tô comendo demais, o meu corpo tá assim, eu tô assada. Não, porque aqui nesse lugar não tem as comidas que eu consigo comer em casa e controlar o meu corpo. Corpo. E olha o lugar que a gente tá falando, é um recorte muito específico.

Então é óbvio que a maternidade não vai passar ilesa, especialmente porque as pessoas comentam muito sobre as nossas maternidades. É um lugar que eu acho que deveria ser muito particular. Em alguma medida vai ser para sempre, mas eu sinto que tem muitas pessoas que se sentem autorizadas a tecerem esse tipo de comentários, especialmente sobre o corpo. Se a sua barriga tá muito pequena, esquisita, será que são gêmeos mesmo? Ou será que tá se desenvolvendo bem?

Ou se a barriga tá muito— você tá comendo muito, vai ser muito difícil perder depois. Será que é um só? Tem certeza que é um só?

MCMarcela Ceribelli

E a gente joga. Sacanagem, perguntam isso?

CRCatharine Rosas

Perguntam isso as pessoas. Eu tenho muitas histórias, isso nunca aconteceu comigo, mas eu tenho muitas histórias próximas a mim de mulheres que tiveram o tamanho da barriga.

MCMarcela Ceribelli

Eu falei que sacanagem, porque assim, meu bem, se eu tô com 6 meses de gravidez, você acha que eu não fiz trocentos ultrassons? Claro, tem casos, né, do bebê que se escondeu atrás da costela, mas não sei se isso acontece hoje em dia.

CRCatharine Rosas

E demorar 6 meses para encontrar antigamente não era como é hoje, né?

MCMarcela Ceribelli

Então antigamente tinha umas histórias dessa, mas hoje eu acho difícil. É, eu pergunto porque tem um debate gigantesco sobre o retorno da magreza extrema, e a magreza extrema não é fértil, né?

CRCatharine Rosas

Não é, porque não é saudável, né? Pensando em termos orgânicos, a depender da forma que você alcança essa magreza extrema, não é saudável. E isso é muito doido, é um paradoxo, porque existimos em 8 bilhões de pessoas no mundo, mas engravidecimentos engravidar é uma treta, é muito difícil engravidar. É um lugar que as coisas precisam estar milimetricamente alinhadas, e são muitas coisas que precisam estar alinhadas para dar certo, para aquele óvulo ser implantado.

E eu acho que esse é um lugar que, para que aconteça, você precisa estar minimamente saudável.

MCMarcela Ceribelli

E como conduzir a saúde mental das tentantes?

CRCatharine Rosas

É muito difícil, irmã. É um lugar muito difícil porque é muito dar tudo certo. Às vezes não acontece, por mais que a gente trabalhe muito nisso assim em terapia. A Organização Mundial da Saúde, ela fala que a saúde, o conceito de saúde não é a mera ausência de doença, é um lugar em que você tem que estar conectado em muitas áreas da sua vida para você se sentir bem, satisfeita com você mesma. Então você engaja que essa paciente familiarize com outras pessoas que estão ali vivendo a mesma trajetória, que vai em grupos, né, de discussões e de conversas, que saia Redes de apoio ajudam muito, muito, muito, muito.

Que frequente em algum lugar que você se conecte um pouco maior, mais com a sua espiritualidade. Só que tem um lugar que é real, que às vezes é a concretude da vida, é um lugar muito concreto, a gente não negocia com isso. Essa gravidez não vem.

MCMarcela Ceribelli

Me parece tão injusto, porque muitas vezes o conselho é: quando você relaxar, você engravida.

CRCatharine Rosas

Isso é muito injusto, é muito covarde, é muito, porque porque, pelo amor de Deus, não é. Primeiro que não é sobre isso, e segundo que eu acho que você colocar uma régua que é muito difícil de alcançar. É isso aqui que você precisa fazer, quando você chegar lá você dá conta. Não vai chegar lá, é muito, muito complexo assim. Você ouve as histórias, é uma vida que tá milimetricamente assim organizada para conseguir a concepção. Então você tá o tempo inteiro no seu período fértil, ovulatório, medindo a sua temperatura, vendo a consistência da sua lubrificação, se tá assim, se tá, sabe, agendando o dia para transar.

A sua vida, ela precisa realmente— aí vai em consulta, né, em consultas médicas, o marido vai fazer exames, se organiza tudo para fazer aquilo dar certo. Não tem como relaxar, é um lugar muito diferente assim. E é injusto você colocar essa pressão, não é? Isso não é real, é injusto, é covardia, é irreal. Não vem quando você tá mais tranquilo, quando a vida tá calma.

MCMarcela Ceribelli

É muito É verdade. Bom, eu cresci ouvindo, porque éramos eu e meu irmão, da mesma idade, que quando um não quer, dois não brigam. Cata, quando um não quer, dois não deveriam engravidar?

CRCatharine Rosas

Eu acho que não. É uma treta, né? É um compromisso muito... Não tem o que fazer depois. Eu acho que todas as outras coisas você consegue negociar. Se você casa, você separa. Se você compra um apartamento, você vende.

MCMarcela Ceribelli

Mas é isso, você tá com uma pessoa que não quer ter filho e você quer. Aí você abre mão dessa relação. Eu tenho muitas pessoas que estão vivendo isso perto de mim. Como é difícil!

CRCatharine Rosas

Mas eu acho justo que separe a relação. É injusto que as duas pessoas estejam ali, a todo custo, tentando manter algo que... Pra que essa permanência aconteça, um dos dois vai ter que ser sacrificado. O desejo de um dos dois vai ter que ser sacrificado, em prol da relação. E eu não sei, eu fico muito preocupada. A minha grande preocupação é o passar na cara depois, sabe? Tipo, eu abri mão disso por sua causa.

MCMarcela Ceribelli

Eu também tenho, fico pensando se o preço não vem mais tarde, mesmo que agora pareça que não, de jeito nenhum.

CRCatharine Rosas

Não sei, mas às vezes vem.

MCMarcela Ceribelli

E você não acha que o preço mais alto vai acabar sendo da mulher?

CRCatharine Rosas

A mulher na posição de quem abre mão da maternidade ou abre mão do não querer ter filhos? Dos dois, sempre.

MCMarcela Ceribelli

Parece que vai ser sempre pior para mulher se ela engravidar engravidar para querer, por exemplo, manter uma relação?

CRCatharine Rosas

Nossa, sim.

MCMarcela Ceribelli

E se ela não engravidar para manter a relação?

CRCatharine Rosas

Sim. E aí chegar às vezes nesse lugar de ser tarde demais, né, para encontrar alguém que queira. E porque a gente tem esse limite cronológico mesmo da gravidez biológica. E aí quando viu, o tempo já foi. Aí você carrega esse arrependimento para sempre.

MCMarcela Ceribelli

Quantos anos você tem?

CRCatharine Rosas

Eu tenho 29. Uma bebê, né?

MCMarcela Ceribelli

Fofo! Você não tá tendo uma gravidez geriátrica igual a minha?

CRCatharine Rosas

Não, não tô tendo. Eu odeio esse termo, Marcela.

MCMarcela Ceribelli

Ai, eu abracei.

CRCatharine Rosas

Eu odeio. Eu falo sobre isso na clínica, eu tenho que— eu converso muito sobre isso, eu preciso conversar. Eu tenho muitas pacientes que estão nesse lugar. As minhas pacientes estão nessa faixa etária de até os 36 anos e estão pensando, meu Deus, mas quero, não quero, congelo, não congelo? E aí tem que explicar, né? A gente tem que estudar para explicar como é que faz, o que que é uma gravidez geriátrica. E quando chega nesse lugar, eu fico Eu fico, não tenho palavras, fico sem palavras.

Eu odeio esse termo. É, eu, 35 anos geriátrico escambau, pelo amor de Deus, 35 anos.

MCMarcela Ceribelli

Mas é que é tão absurdo. Acho que a primeira vez que eu ouvi alguém falando sobre isso foi a Tati Bernardi, que ela falou, eu tive uma gravidez geriátrica. Eu lembro de ouvir ela falando, gente, que absurdo. Mas eu certamente terei também, porque eu já tava nesses tempos, mas Mas o quanto puderem nos colocar como inadequadas, vão. E você sabe que foi muito forte pra mim, porque eu descobri a gravidez, eu acho que logo um pouco depois eu comecei a ler o Yesteryear, que é um best-seller agora.

Ele tá chegando no Brasil como Bons Tempos, uma coisa assim. E é sobre essa esposa tradicional. Eu já falei no programa, mas eu tô grávida e eu vou repetir, porque meu cérebro tá assim. Não, mas agora eu vou falar um outro ponto. E foi muito forte, porque tem uma cena em específico. Essa protagonista, ela é muito cruel. E você... Sempre que eu leio um livro em que eu odeio a voz principal, eu sinto que eu amadureço muito. Mais do que quando eu gosto da voz principal.

E ela encontra essa amiga de faculdade, ela acabou de casar. Ela já tá grávida, ela deve ter 20 anos. E essa amiga acabou de conseguir um estágio. E ela, numa certa revanche com essa amiga, prevê como vai ser a vida dessa amiga inteira. E ela fala, e com certeza, quando você ver, você vai ter 37 anos e você vai perceber que tá tarde demais pra você engravidar. E o seu parceiro vai preferir ter um filho com uma mulher mais nova na hora que você começar a tentar engravidar.

E aquilo Foi me dando um negócio, um negócio, um negócio. O livro é bom, tá? Contudo, que você entenda o absurdo que é essa mulher que tem um patriarcado internalizado, né? Aquele, o termo em inglês que eles usam muito, que é o male gaze. Porque falando isso, porque já foi intitulado, mas a tradução seria um patriarcado que vive dentro de nós e que acaba projetando nos outros aquilo que dói na gente. Então, o que eu acho que acontece, por exemplo, com essas mulheres, eu acho que é o patriarcado dentro delas quase repassando a dor.

Eu passei por isso, então você também tem que passar. Se pra mim foi difícil, pra você também precisa ser. Porque não seria justo que tivesse só comigo. Então, eu acho que tem... Num dia ruim eu mando se foder, mas num dia bom eu tento ter quase uma compaixão, que é: você precisa que para mim seja tão ruim quanto foi para você, né? Tá bom, eu deixo, eu deixo que você precise disso, eu deixo que você precise me apavorar, mas eu não vou me apavorar, entende?

CRCatharine Rosas

Eu falei sobre isso na aula, eu falei: mas são todas Não existem essas mulheres, elas não são, elas são vítimas também. Essa reprodução é uma reprodução que é muito automática, é quase inconsciente, só vai, elas só falam. E eu não consigo pensar, mesmo, eu não consigo pensar em ninguém além de Paulo Freire para falar sobre isso, de como o sonho do oprimido é realmente se tornar opressor. E aí a gente reproduz porque a nossa vivência, tudo que a gente viveu, especialmente de mulheres mais velhas, esses discursos vêm.

Quando eu penso nas minhas amigas, eu chego nesse lugar que é uma delícia de comunidade, assim, que é muito encorajador, é um lugar muito saudável de viver, de você consegue, de palavras de muito encorajamento, de comprar presente para criança e tudo mais. E eu acho que essa é uma vivência meio mística. Eu me sinto meio mística assim estando grávida e super poderosa, como eu tava falando para você. Tipo, é o nosso corpo que tá fazendo isso, é meio bruxaria.

Não sei, é místico. E aí, a gente troca isso entre mulheres, eu fico super animada. Mas as mulheres mais velhas são mais vítimas ainda, eu sinto. E é delas, pelo menos comigo, assim, as minhas experiências, que vem esse discurso. Então é uma compreensão empática mesmo, chegar nesse lugar do... Acho que algum limite tem que ser dado. Mas eu entendo. Em alguns momentos, realmente, você não vai comprar a batalha. Às vezes, das pessoas da sua família.

Tipo assim, uma pessoa, uma tia, uma sogra que vem com esse discurso. É difícil, mas eu entendo.

MCMarcela Ceribelli

É, eu volto para algo que já faz anos que eu falo, mas é porque é um dos princípios da filosofia da yoga, que é: se não for útil nem gentil, não fale. O problema é quando a violência vem disfarçada de útil. Então, não, falando isso assim é para você se preparar. Gente, na boa, não tem nada mais para se preparar além de ser lá, ficar rebolando uma bola de Pilates. Não me parece mais a Partolândia. Ah não, e a Partolândia. Mas elas me perdoam porque elas sabem que tem vantagens.

Ah, não vai ser. Ai, talvez não seja natural, né? Eu falo, eu passo ileso, eu vou assim, ó. Tem vantagens dessa socialização da gravidez múltipla. É, acabei de múltiplos. Se você tem um pouco de compaixão, né, uma coisa de compaixão. E disseram que não vão ficar me perguntando depois se eu vou dar irmãos ou não, que também é um alívio. Nossa, dar irmãos, a gente só dá, né?

CRCatharine Rosas

E que coisa mais ilusória às vezes, porque a gente entende a fratria como um lugar que é sempre muito de muita união e de muito amor, quando na verdade tem muitos irmãos que mal olham na cara um do outro porque não se suportam. E esse Esse laço de união tava aqui, no momento que você tava sonhando com aquela coisa linda. Os meus filhos, eles vão ser melhores amigos. E aí, eles nascem e se odeiam. Porque é isso, a gravidez, você não tem controle de nada. E ela tá sempre te lembrando isso, sabe? Muito doido.

MCMarcela Ceribelli

Nossa, eu amei, amei! Cata, tenho duas perguntas finais pra você. A primeira delas, eu quero saber qual que é a sua fissura atual. Pelo que você está fissurada nesse momento?

CRCatharine Rosas

Que excelente pergunta! Seria muito óbvio dizer um pouco da gestação.

MCMarcela Ceribelli

Mas algo da gestação em especial?

CRCatharine Rosas

Roupinhas? Quarto? Eu acho que a minha vivência, Mar, porque eu sempre vivi isso de um lugar de telespectadora, sabe? E viver isso agora no meu corpo, e eu me permito que seja a minha fissura do momento, assim, em algum momento eu espero que acabe, eu preciso que acabe, porque eu quero ser mais do que só mãe. Mas essa é uma das minhas grandes preocupações, inclusive, inclusive. Mas eu tô muito, eu tô gostando muito assim da coisa, sabe, de viver e de pesquisar num lugar que não é mais científico e não precisa ser mais útil.

Eu não tenho que passar esse conteúdo para ninguém da melhor forma possível, é só para mim assim. Eu acho que essa é uma grande frescura.

MCMarcela Ceribelli

E para a gente finalizar, eu tenho certeza que você vai saber responder qual questionamento você quer deixar para as ouvintes se fazerem, ou até para responderem nos comentários desse episódio.

CRCatharine Rosas

Marcela, puta que pariu! Aí vocês vão dar ela o disclaimer: eu tenho certeza que não é ela. Calma, não tenha tanta certeza, não deposite todas as suas fichas em mim.

MCMarcela Ceribelli

Desculpa, depois que eu falei para esse puta foder ela, a última, minha irmã.

CRCatharine Rosas

Espera, eu acho que essa é uma pergunta muito interessante e talvez ficasse aí a reflexão: se a gente trata enquanto sociedade esses sistema, se a gente tá preparadas inclusive para compreender o quão gentil conseguimos ser e de quanta gentileza a gente consegue oferecer para mulheres que estão vivendo um momento delicado. Por mais que gravidez não seja uma experiência de trauma e de dor, é delicada, é sensível para caramba. Então acho que essa talvez seja uma boa reflexão.

MCMarcela Ceribelli

Obrigada, obrigada por esse tempo. Como é que fala? Uma Uma boa hora para você, para nós. Obrigada, volte, volte, continue voltando.

CRCatharine Rosas

Eu volto.

MCMarcela Ceribelli

E aí, bora continuar esse papo nos comentários? Segue a gente aqui para receber os novos episódios assim que chegarem e já aproveita para avaliar o podcast. Para mais conteúdos, vem seguir a gente no @obvious.cc no Instagram. Lembrando que as inscrições para o Óbvio Clube, nossa comunidade literária das mulheres que pensam em mais alta estão encerrando. Acesse o QR code aqui na tela ou o link na descrição desse episódio e usa o cupom BOMDIA10 para ter 10% de desconto.

Eu te espero na semana que vem para a gente continuar pensando em mais alto. Até!

CRCatharine Rosas

Comprei a bolsa maternidade para criança, negócio simples assim. Aí ela: não gostei, é muito simples. Aí eu falo: mas eu amei, eu sou simples, tipo assim, eu sou básica. Ela: mas isso é você, será que ele é simples? Eu falei: Ele sou eu nesse momento.

MCMarcela Ceribelli

Tipo assim, muito bem, eu vou perguntar: chute duas vezes se você quer que seja verde.

CRCatharine Rosas

Ó, acabou de mexer! Awww! Mexam também, falem pro João!

MCMarcela Ceribelli

Eu às vezes acho que eles estão lutando boxe. Bonde Óbvio é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cribelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.

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