A coragem de desistir, com Jacira Doce
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe Jacira Doce, comunicadora e escritora, para uma conversa sobre as incoerências da produtividade e a pressão de viver como se estivéssemos sempre correndo atrás de alguma coisa.
Autora de ‘Minutos de (des)sabedoria: pílulas para amenizar a vida’, Jacira fala sobre como faz do humor uma ferramenta para enfrentar as dificuldades e questionar discursos motivacionais.
Ao longo do episódio, elas também conversam sobre os papéis que ainda são impostos às mulheres, as histórias que contamos para dar sentido ao acaso e como rir de tudo isso pode ser, também, uma forma de elaborar a vida.
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Livro ‘Minutos de (des)sabedoria: pílulas para amenizar a vida’, de Jacira Doce: AQUI
Citações
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- Alta Performance SustentávelApresentar-se como persona · Conectar-se a partir do que sente de verdade · Dificuldade em gravar publi em momentos difíceis
- Importância de não desistir· SociedadeDesobediência como antídoto para o burnout · Pressão da produtividade e positividade tóxica · Humor como ferramenta de enfrentamento
- Dirigir como liberdade e expansãoMedo de dirigir e pânico · Aulas para mulheres e ambiente seguro · O carro como símbolo de conquista · Dirigir como algo que dá tesão
- O papel do humor em momentos de tensãoNão transformar tudo em lição · Aceitar que algumas coisas são só ruins · Rir como forma de encarar a realidade
- O Livro '40 dias com São José'Síntese da desistência de um conteúdo · Contramão do discurso de produtividade · Desmontando a promessa de autoajuda
- Humor de pressão baixa e hackeando o sistemaHumor cotidiano e de conversa · Contraponto aos absurdos ditos com carinho · Desconstrução do estereótipo da mulher negra
- Timing e Oportunidade· NegociosAdiar tarefas sem culpa · A margem para o adiamento · O tempo imposto pelo outro
- Entretenimento e Diversão InfantilSalvação e lugar mais feliz · Desejo de morar dentro da TV · Programas de auditório e magia
- Infância e padrões familiares· SociedadeHumor materno como ferramenta de enfrentamento · Rigidez religiosa e proibição · Desejo de ser dançarina do É o Tchan · Famílias disfuncionais
- Mitos e Preconceitos do LuxoMitos e Preconceitos do Luxo · Ex-babá da Kim Kardashian · Fascínio por milionários e suas casas
Talvez o contrário de burnout não seja descanso, e sim desobediência. Não no sentido que a internet nos fez acreditar, aquela desobediência bonitinha, pronta pra virar uma camiseta ou estampa atrás de jaqueta. Tô falando de uma coisa um pouco menor e menos bonita. Definitivamente mais difícil de sustentar. A desobediência de não vou responder agora, eu não vou transformar isso no aprendizado, eu não vou chamar a fase ruim de processo.
E muito menos performar esperança quando o que existe é apenas exaustão. A nossa época aprendeu a falar muito bem sobre estabelecer limites. E talvez isso seja parte do problema. Porque enquanto a linguagem foi ficando cada vez mais sofisticada, a cobrança continua no mesmo lugar. A gente sabe dizer, preciso respeitar meu tempo. Mas o prazo continua existindo. A gente sabe falar sobre— ai, essa palavra até dói— autocuidado. Mas a caixa de entrada continua bombando na nossa frente.
Definitivamente sabemos nomear a exaustão, mas ainda precisa entregar muita coisa até o final do dia. E é aí que as frases prontas entram como um consolo que não serve pra muita coisa. Vai dar tudo certo, confia no processo, você consegue. Uma tentativa de acolhimento, mas que também são uma forma educada de não escutar o outro. Um jeito de empurrar a pessoa de volta pra função dela. Fica bem, volta logo, organiza isso dentro de você pra que a vida continue circulando.
Sempre rolando sem Mário se nós formos. O humor de Acer a Doce nasce um pouco desse ponto. Não é desistência ou cinismo, ela não tá dizendo que nada importa, mas sim que nem tudo precisa virar uma lição e que algumas coisas são só ruins, que muitas urgências são inventadas e que algumas segundas-feiras não têm uma mensagem oculta, é só segunda-feira. Já Acer olha pro trabalho, internet, pra positividade obrigatória, pra moda, pra promessa de que sempre existe uma frase capaz de organizar o caos e devolve tudo em forma de Mas a piada nela não diminui o assunto, mostra o tamanho do absurdo.
Porque rir nesse caso não é um escape da realidade, é encarar a realidade sem pedir licença pra ela. Pegar a frase motivacional pro seu chefe iluminado, pra essa demanda urgência, pra própria vontade de desaparecer e dizer: antes de obedecer, vamos entender que teatro é esse. Eu sou Marcela Ceribelli e esse é o Bom Dia Óbvios, a casa das mulheres que pensam em voz alta. Antes da gente mergulhar no assunto da semana, segue o podcast e ativa as notificações.
Assim a gente fica ainda mais em casa. Hoje eu recebo a Jacira Doce, comunicadora, criadora de conteúdo, escritora e humorista. Ela ficou conhecida por um humor ácido e de baixa pressão sobre trabalho, rotina, moda, positividade tóxica e os pequenos absurdos de continuar funcionando sem transformar isso em epopeia. Jacira tem sua vida e sua persona pública muito ligadas à Brasília. Estudou Administração, trabalhou com Comunicação e criou na internet uma linguagem própria: deboche com precisão.
Em 2025, participou do prêmio Multishow de Humor, o reality. Em 2026, lançou o livro Minutos de Desabedoria, que usa a forma de autoajuda para desmontar a promessa de que sempre existe uma frase pronta capaz de organizar o caos. E é por isso que eu queria tanto ter essa conversa com ela. Jacyra não é uma guru do descanso e nem especialista em burnout. Ela também não é o contrário de um coach. Ela chega como alguém que percebeu uma coisa simples e difícil de admitir.
Muita gente não tá apenas cansada de trabalhar, tá cansada de obedecer emocionalmente. Exausta de parecer bem resolvida e responder às urgências dos outros como se disponibilidade fosse uma forma de caráter. E de transformar qualquer dor em uma tentativa de lição de vida. No episódio de hoje, eu converso com Jacira sobre o alívio de admitir que talvez nem tudo dê certo. Sobre o riso como desobediência, o trabalho como palco, o feed como a nova firma, sobre o milagre do amanhã como forma de discernimento e sobre o que acontece quando até ser sincera vira trabalho.
Mas antes da gente gargalhar junto com a Jacira, você já percebeu como os livros servem como bússolas pra nos guiar naquilo que não sabemos nomear? Foi justamente por isso que eu criei o Óbvias Clube. Durante um ano, vamos ler 12 livros escritos por mulheres e investigar juntas com as nossas emoções desejos e até a forma como enxergamos a nós mesmas também são moldadas pelo mundo. Mas mais do que dividir uma leitura por mês, eu quis organizar essa experiência como uma investigação sobre a política íntima das emoções.
Ao entrar para o clube, você recebe um box com os 12 livros que vão acompanhar essa jornada, além de um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário pra construir o seu próprio hábito de leitura. Todos os meses, teremos uma masterclass pra aprofundar a obra, uma comunidade exclusiva pra continuarmos a conversa e encontros ao vivo, muitas vezes com as próprias autoras dos livros que estamos lendo.
E, claro, comigo. Esse é um espaço de formação pra mulheres que pensam em voz alta. Um lugar pra transformar a leitura em conversa e encontrar linguagem pra aquilo que sentimos, vivemos e muitas vezes ainda não sabíamos nomear. Se você quiser fazer parte dessa comunidade, eu torço pra que sim. Acesse o QR code aqui na tela ou o link na descrição desse episódio. E use o cupom BOMDIA10 pra ter 10% de desconto. Bora pro nosso papo de hoje? Bom dia, Opus! E bom— eu já tô rindo. Eu já tô rindo. E bom dia, Jacira Doce!
Bom dia, Marcela! Como é que você tá? Tá boa?
Eu tô bem. Você tá bem?
Eu tô bem. Longe de casa, mas bem.
Eu tô tão feliz que você tá aqui, muito obrigada!
Eu também, obrigada pelo convite. Que bom que deu certo.
Eu amo o seu humor. Eu tô... Inclusive, eu fiquei hoje recitando você no camarim.
Não é possível!
Juro por Deus que eu ria, eu ria e eu ria. Eu não conseguia parar de rir. Então, me conta como é que surgiu esse livro, Minutos de Desabedoria: Pílulas pra Amenizar a Vida.
A gente vai começar por aí, não vai? Vai! Vamos, vamos começar. Esse livro, ele é a síntese, ele é a materialização da desistência de uma editoria que eu tinha. Eu tinha um vídeo de segunda-feira, eu postava um desmotivacional, desejava uma boa semana. Só que a minha semana não tava sendo boa, eu tava me sentindo muito cobrada. As pessoas me viam na rua, aí, um vídeo de segunda-feira, ninguém falava de nada das modas que eu faço.
Injusto, porque não é injusto, pessoal? Eu acho injusto. E aí eu falei Eu preciso fechar esse ciclo, acho que de um conteúdo muito legal que eu criei. Muito autêntico, consigo dizer que ele é autêntico. Não tinha ninguém fazendo isso, assim. Eu vim muito na contramão desse discurso de produtividade, de motivação. E de acredite, você é capaz. Eu acho que a gente é capaz de pouquíssimas coisas, sendo bem sincera. E eu falei, vou fechar esse ciclo com o livro.
E aí, os seguidores ficam felizes. É isso, é a materialização de algo que fez muito sentido por um tempo. Mas depois me cansou, me exigiu demais. Porque imagina, toda segunda-feira sair uma doideira dessa da tua cabeça. Ué, o cabra vai endoidar, não tem como.
Eu assim, não tô na sua cabeça, né? Que bom. Mas eu acho que na verdade qualquer coisa que você tiver que fazer absolutamente toda semana que exige...
Pois é, vira outra coisa.
Mas você sofreu de desistir?
Muito, porque dava certo. E eu acho que essa é uma desistência muito corajosa. Desistir do que tá dando errado, do que não dá retorno, Vai mais fácil. Mas era ótimo, assim. As pessoas gostavam, eu era reconhecida por isso. Eu crescia no Instagram por isso. Mas não fez mais sentido. E aí, bati no meu peitinho e desisti.
Bom, eu queria... Eu separei 3 trechos pra gente debater.
Será que vale o debate? Mas vamos tentar.
A gente vai tentar! Você quer ler, que você é mais engraçada?
Imagina, na voz da autora?
É, eu acho. Posso?
Eu tô me sentindo o Cid Moreira lendo a Bíblia. Não é uma boa ref?
Cara, é a melhor dessa época. Obrigada, Jacira, por estar aqui. São as páginas com o verdinho, tá?
Que tá marcadinho. Dizem que o que é do homem, o bicho não come. Porém, muitas vezes o bicho já comeu, já digeriu, já botou pra fora e ainda estamos insistindo no que supostamente seria nosso. Às vezes não é teu, entende?
Eu entendo. Porque é um perigo, né? Só uma claquete. Eu acho que o pior dessa positividade é porque os termos ficam tão batidos que eles se esvaziam, né? Então falar de positividade tóxica, vamos falar, ai, mais uma vez falando isso, mas não é isso. Mas esse otimismo irracional, vamos chamar disso, perfeito, perfeito.
Esse otimismo irracional, assim, com base em quê nós estamos acreditando que vai dar certo?
Eu acho também no achar que a gente é muito especial e que tem algo muito nosso que tá muito guardado. E eu acho que a gente tem que Mas botar um pouco de humildade e falar, não, talvez seja do outro.
É, e assim, uma passividade também. Eu acho que o discurso motivacional, ele tira muito da gente as responsabilidades, assim, sabe? É uma coisa de... Primeiro que a gente tá inserido num ecossistema, né? Não é só o meu fazer que me garante nada. Muita coisa precisa dar certo pra dar certo.
Sim.
E tem um acreditar, assim, sabe? Em algo muito maior, que vai simplesmente acontecer se você fizer alguma coisa. É tudo muito... Todas as nuances da vida, pra mim, não estão inseridas nos discursos dos coaches, assim. Eu acho que falta muita variável aí.
Fico curiosa com como você é como amiga quando uma amiga tá passando por um momento muito difícil. Por quê, pergunto? Porque eu acho, muitas vezes, quando eu tô passando por uma situação delicada e alguém fala, vai ficar tudo bem. Mas baseado em nada que ela tá me falando isso. Que ela, na verdade, tá com um pouco de preguiça de lidar com o que eu tô passando, sabe? É um pouco de... E acho de uma maneira geral esse otimismo assim. Ah, vai ficar... Prefiro que me diga, conta comigo pro que precisar.
Isso é melhor. Sim.
Mas como que você...
Eu realmente tento apresentar cenários, alternativas. Botar uma luz ali na situação, eu acho interessante. Eu gosto muito de relembrá-las. Amiga, mas lembra que lá em 2012, quando isso aconteceu, você agiu assim, assim, assim? O que você acha? O que a gente tira disso? Como é que a gente não cai nesse mesmo buraco? Eu tenho uma amiga, ela vai saber que é ela. Ela tá dando um trabalho pra gente, Marcela. Ai, cada relacionamento complicado.
Aí eu tento falar assim, poxa, não, amiga, bacana, legal. Mais um namoro, desejo sucesso e felicidades. Mas assim, isso, isso, isso já não aconteceu? Eu acho bacana, gosto muito de voltar com perguntas, sabe?
Eu também.
Porque aí vai deixando a pessoa se virar, assim. Vai ficar tudo bem? Não vai, necessariamente. Não é certeza que vai, né. Mas assim, eu tento acolher, eu acho que é bacana acolher.
Mas... Gostei do seu perfil de amizade.
Sem mentir, né, assim, sem enganar.
É bom saber que você vai falar com alguém que não vai mentir. Dizer para você, é importante, nem passar pano. Você quer ir para o próximo trecho? Eu tô animada.
Vamos ler mais, vamos ver. Ó, é como se fosse uma Bíblia, você sente, você abre. Eu acho que não pode comparar com a Bíblia, é errado, né? Com todo respeito, pessoal. Que não adianta chorar sobre o leite derramado, todo mundo já sabe. Mas nada impede que essa ali— que ali eu que escrevi isso, parece que sim. Vou de novo, pessoal. Não adianta chorar sobre o leite derramado. Todo mundo sabe, mas nada impede que a limpeza dessa lambança seja feita com lágrimas nos olhos ao som de alguma canção dramática. Limpa, limpa, sabe? Vou faxinar.
Eu amei isso. Porque também me irrita a pressa pra se superar situações difíceis, cara.
Nossa, é. Ai, já foi!
Vamos, segue em frente.
Não foi, tá sendo e ainda será por tanto tempo.
Respeita o tempo das coisas.
Você é mais inteligente que eu, tá, Marcelo? Quando eu escrevi, não era bem isso, mas faz muito sentido, cara. Você vê que lindo a interpretação. Será que o livro tá virando várias outras coisas? Tá, né?
Eu amei.
Na cabecinha das pessoas.
Claro que sim, claro que sim.
Mas sabe quando eu postava os vídeos, as pessoas comentavam coisas e eu falei, cara, Claro, não era isso, mas agora é. E aí ia aumentando, assim, a mensagem ia ficando muito viva.
Eu acho que tá dentro de você, porque quem botou isso no papel foi você. Talvez eu esteja só elaborando o que eu tirei, mas eu acho bem legal.
Você podia fazer uma versão comentada.
Eu acho que eu vou fazer.
Sabia? De verdade. O que entendi, eu falei, ah, caramba, vamos vender? Vamos de best-seller?
Ai, vamos!
Uma versãozinha comentada. Uma versão um pouco, talvez, mais sofisticada.
Não, não precisa ser sofisticado, não, de um pensamento, de uma coisa.
Mas é porque são vidas, são diferentes, né? Eu acho assim, é isso, isso aqui pode cair para pessoas de formas muito diferentes, assim.
É do leitor, né? É do leitor. Quer ir para o último que eu separei?
Pera aí, deixa eu ver qual é. Esse já foi. Ai, gosto tanto desse! As ilustrações, muito bom!
Quer mostrar para a câmera?
Cadê?
Para essa perturbação?
Aqui, gente, você vê que a ilustradora também era das minhas. Tem um negocinho... Ai, olha aqui, comendo um moranguinho. Mal sabia que tava todo lascado. Lembre-se de que não existe cair pra cima. A gravidade é implacável e a queda é certa. Aqui eu tô fechada com a ciência, né? É que assim, realmente, ninguém cai pra cima.
Eu achei muito bom, porque... Dentro da minha interpretação, e aqui vocês já estão vendo o nascimento de uma obra. A ideia de que, nossa, o caminho é cheio de tropeços. E não, gente, às vezes foi realmente uma derrota.
Total.
Vou aprender a ser derrotado?
Sim, é vencedor não praticante. É isso. Não, poxa, aqui eu perdi mesmo. Eu vejo muito isso com... É no mundo do trabalho assim, você mudou de empresa, você mudou de área e cara, talvez você não queria. Aí você fala, não, caiu para cima. Não, você se lascou um pouco, talvez daqui a pouco você se recupere, mas nesse momento é uma queda. E aí a gente vai sentir, vai processar e vai para a próxima. Mas assim, isso de transformar qualquer coisa em aprendizado, caramba, eu não tô aprendendo nada, sabia?
É muito estressante, muito, você tá sempre muito ligado na vida, né?
O que que eu posso tirar daqui? Como é que eu posso aprender? Como é que eu posso crescer?
Isso. E aí a ideia de que não era para ser?
É simples, né? E pura.
Mas você pratica isso na sua vida?
Ah, quase tudo, quase tudo. A minha mãe, ela gosta muito de livramento, né? Tudo ela fala: livramento, filha, livramento, livramento. Aí eu fui aprendendo. Às vezes eu perdi um ônibus, me atrasava, me estressava. Ela fala: filha, talvez o ônibus tenha até batido. Não bateu. Mãe, mas não passou no jornal? Ela falou: filha, não cabe a nós, não cabe a nós. Tudo pra ela era isso. Então eu fico pensando assim, cara, não era, sabe? É isso. Vamos pra próxima.
Então, que bom, né? Eu adoro convidada que faz metade do trabalho pra mim. Porque minha próxima pergunta pra você era um pouco sobre a sua infância e família. Porque ninguém que faz os conteúdos que você faz e escreve os textos que você escreve deve ter sido uma criança distraída. Me parece que você foi uma criança muito atenta.
Olha, eu ia falar que eu achei que você ia falar que ninguém que faz o que você faz saiu de uma família funcional. E realmente não saiu.
Eu acho que ninguém que já sentou nesse sofá saiu de uma família funcional, porque saem as melhores pessoas.
Existe família funcional?
O que é ser funcional?
Eu não conheço não, nenhuma não.
É porque se a família funciona numa sociedade disfuncional...
Não, não, não.
Há algo de errado.
É, não tem alguém funcionando mais, alguém cobrindo uns buracos, né? Minha infância tem essa coisa da minha mãe que, apesar de tudo, é uma mulher muito bem-humorada. E eu vi ela dando nó em pingo d'água assim, através do humor. Eu acho que ela fantasiou muito, maquiou muito a nossa infância. Eu acho que é pior do que eu me lembro. Eles eram pastores, então tinha muita rigidez, tinha muita proibição. Eu sempre soube que a igreja não era para mim.
Eu queria ser dançarina do El Tchan, sabe? E assim, não cabia, assim. Eu era mais criativa que aquilo.
Mas você podia ralar da boquinha da garrafa?
Ah, escondida.
Escondida.
Demais, assim. Tinha muito isso, assim. Essa coisa do corpo, da dança, realmente me interessava muito na infância. E não como na vida adulta.
Não que fosse completamente correto, né? A gente tinha... Quantos anos você tem?
37.
Ah, tá. Tenho 30, vou fazer 36 agora. Então a gente, eu lembro de ter 5 anos, tá com um top, uma saia.
Mas era a boquinha da garrafa hipotética. Total.
Essa acho que de boa.
E eu não tinha a menor ideia.
Não, eu não fazia a menor ideia.
Não, eu não tinha, não tinha, não sabia de nada, de nada.
E pra ser mais sincera ainda, eu fui me tocar depois de bem mais velha. É agora que a gente lê e fala, não, mas não é possível que ela já ralava na boquinha real da garrafa e não sabia que a garrafa era a boquinha.
Não! Era o lúdico.
Isso, sei lá, botou uma confiança.
Agora, tá vendo as famílias disfuncionais? Cara, vai, alguém tem que fazer alguma coisa. Criança, sai daí, não é pra você tá aí. E o pessoal?
Eu acho que a gente se apresentava pra grupos de adultos, assim.
Nossa, tudo errado, tudo errado.
No clube, exatamente.
Tudo errado, tudo errado. Mas o cenário era esse, assim, de uma casa meio triste. E aí eu lembro que quando meu pai saía A gente até ficava mais doidinha, assim, e rindo muito. Eu lembro muita gente tendo crises de riso. Que hoje eu falo, tadinhas, elas... A gente não tava bem mesmo, sabe? Existia um pico de euforia quando ele não estava nesse ambiente. Mas eu cresci num ambiente, ainda assim, com muito humor. Mas era... E eu acho que o meu humor é isso, assim.
É a minha ferramenta de enfrentar a vida. É a minha possibilidade, é como eu escolho Olhar pras coisas, porque as coisas me doem muito. Existe muita tristeza em mim também. Acho que muito por causa dessa infância. Então, o humor, ele é o pano de fundo da minha vida. Mas tem muitas coisinhas. Eu tenho a minha lua em Câncer. Às vezes eu choro na frente do espelho. E tem uma carga dramática muito grande.
Você é atriz.
Não sou?
Você não é atriz?
Não.
Porque você não tem um DRT? Ou porque você não se considera?
Não, não tenho mais notal, nem pra ser atriz.
Como assim?
De jeito nenhum.
Não, você é comediante.
Já tentei. E aí, foi bem ruim.
Não, eu vi você no prêmio de humor no Multishow.
Você achou aquilo bom?
Eu achei muito bom.
Não, Marcela, você tá... Como assim?
Aquele sketch da recepcionista da academia.
Meu ponto...
É só aquilo.
Só vejo esse. Ali foi meu ponto máximo.
Eu achei muito bom.
Sabe por que eu não ganhei essa prova? Era minha, tá?
Ah, mas essa temporada... Bom...
É, eu acho que já teve tempos melhores.
É isso, vamos parar por aí. Vamos chamar, pelo amor de Deus, a recepcionista é genial.
Eu gosto dela.
Eu amo ela.
Você sabe que era para uma plateia de galera fitness, né?
Eu sei, eu assisti. Você não tá acreditando que eu assisti, né? Não, eu assisti do início ao fim, a temporada inteira.
Por quê?
Eu gosto de programa de humor.
Olha aí. Ué, ainda tem público ainda. Eu achava que não tinha mais. Ainda tem público.
Não, eu assisti meio recente.
Gente, eu tô fechando tanta porta. Alô, Multishow. Vocês sabem que a gente tem uma relação super bacana. Não foi porque eu não ganhei que a gente vai ficar brigado. Não é isso também. Ai, amo humor, kkk. Vocês acham que ficou legal? Ficou legal?
Ai, gente, que delícia. Cara, ficou excelente.
Você gostou?
Eu gostei muito. Você quer explicar pras ouvintes do que a gente tá falando? Quem é essa recepcionista?
Quero. Você acha que eu preciso explicar o que é o programa? Uma contextualizada.
Dá uma contextualizada.
Prêmio Multishow de Humor. Paulo Vieira já participou. Essa galerona já participou. Inclusive, Paulo Vieira não ganhou. Então atenção, talvez eu seja o grande nome do humor daqui a uns 20 anos, ninguém sabe. Existia isso, existia o prêmio. Depois eles falaram, ai, vamos fazer um reality. Aí foi que descaralhou tudo, na minha opinião.
Isso, na minha também.
Não tinha que ser. Tinha que ser, ai, vem aqui, se apresenta.
Mas um vício de BBB, né?
Isso! E assim, eu amo reality. Amas?
Amo, amo, claro que amo!
Mas é porque a gente tem que amar ou odiar os participantes. E não dava tempo ali na dinâmica. Então é isso, não deu tempo. E aí, cada episódio tinha um tema. E aí, chegamos no tema fitness. Eu treino, eu falei, aqui eu vou me fazer. E aí, eu basicamente critiquei a plateia. Foi que todo mundo usava bomba. E usava. Porque eu vi... Ah, entendi.
O público foi bem selecionado.
Uai, um monte de espinha aqui, todo mundo usando bomba, anabolizando legal. E eu apontava, falava... Talvez... Ah, entendi porque eu não ganhei. Eles que votavam.
Era eles que votavam?
Era voto à plateia, entendi. Mas era basicamente uma recepcionista falando de todo mundo, criticando todo mundo e criticando todo esse mundo fitness, essa performance fitness. Com o jeitinho dela, um jeitinho engraçado e sem noção, enfim. Ela era muito fumante também, eu gosto muito disso. Amo, amo fitness que fuma pra caramba, cigarro branco. Acho maravilhoso.
E qual era o outro quadro? Me lembra? Teve a recepcionista, você não quer lembrar?
Não, a gente pode fazer você se lembrar. Teve a recepcionista, teve uma apresentadora.
Sim.
Que dava uns conselhos absurdos. Cara, teve uma diarista que limpava com reiki, ela fazia reiki.
Era muito bom.
Ela se formou na Uni Chapada dos Veadeiros. Era diferente, era coisa de pais. Você sabe que é real, né? Teve uma diarista que foi na minha casa e fez reiki.
Não.
Fez.
Ah.
Porque ela era massagista.
Sim.
Tá? E aí eu falei assim, querida, você não conhece nenhuma diarista pra me indicar? Ela falou, não diga mais nada, eu. Eu falei, não, tem certeza? Nada a ver. Ela falou, não, eu vou. Eu vi ela limpando meu fogão, era reiki. Não chegava assim, não chegava a tocar. Eu falei, cara, nem eu fui cuidada com tanto carinho. E ali ela não limpava. Senti uma paz bacana em casa, agora todo mundo. Então tem essa coisa assim do reiki, né?
Tipo os pincéis de maquiagem?
Tipo eles.
Entendi. Eu também limpo meus pincéis de maquiagem com reiki.
Com reiki, né?
Ó! Tenho limpado.
E eles você vai limpando.
Pais pastores, sonho do El-chan. Qual que era o papel da televisão na sua casa?
Era minha salvação. Me salvava muito. Não podia ver muita coisa. E eu lembro que a gente tinha uma TVzinha assim de tubo e a gente tinha perdido o controle. Então assim, uma ficava mais perto da porta pra ouvir os passos no corredor. E falava, muda, muda, muda! Pra tirar da novela. Aí apertava o canal e ficava assim. Era isso. Mas assim, o que eu imaginava da TV? Que era um lugar muito feliz. Era o lugar mais feliz que eu conhecia na minha infância.
Então eu tinha um sonho de ir lá pra dentro da TV, sabe? De morar dentro da TV. Assim, é sensacional o que a TV fez pela minha infância, assim. Essa possibilidade de ver outros tipos de vida. Ai, tem crianças no orfanato.
Mexe, mexe, mexe com as mãos.
Era triste, né? Aquilo era triste demais.
Nossa, não me diga mentirinhas, dói demais.
Isso são corações sem buraquinhos. Juntas poderemos ajudar.
Eu ia falar, é ajudar? Acho que é ajudar.
É, mas eu acho a TV mágica até hoje. Já fui, e aí não é tão mágico, é só um trabalho, né? Tá todo mundo trabalhando no final do dia. Mas ainda assim, eu acho que chega pra gente, na nossa casa, tem algo que deixa mágico.
Mas eu acho, em TV, eu acho um pouco mágico o estúdio. Eu entendo, tá todo mundo trabalhando, não tô falando que é uma... Mas eu ainda acho mágico os programas de auditório, o que sai dali. Eu ainda acho, mas pode ser isso, a gente foi criança numa época em que a televisão, primeiro que deixava a gente assistir tudo, né. Tudo! Tudo!
Jo, era tarde demais. A gente tava falando disso agora. Tarde, tarde. E eu estava de manhã, mas eu via.
Eu também.
Ai, mas que bom que deixaram.
Que bom que deixaram! Mas acho que eu via também da Atena, tarde, do lado do meu avô.
Tranquilão.
Tranquilão, exato. Aqui um tiroteio, um sequestro. Eu lá com 6 anos, assim. É. Barra, né?
Realmente, a criminalidade.
Mas, Jazira, algumas pessoas definiriam o seu humor como um humor de Pressão baixa.
Pressão baixa.
Você concorda?
Concordo, eu acho que ele é um humor muito normal, muito cotidiano. Humor de conversa, de dia de bar, humor de amenidade. E pressão baixa porque eu sou uma pessoa mais pressão baixa.
Você acha?
Não, não tenho energia lá em cima, não. Não tenho, é mais aqui. E eu acho que isso é bom, eu acho que isso dá um contraponto pros absurdos que eu falo. Se eu falar essas coisas que eu falo, talvez gritando, talvez muito expansiva... Eu não sei se as pessoas iam abraçar tanto quanto elas abraçaram, assim. Porque eu já comi muitos cus. E a pessoa às vezes nem sente, nem percebe. Mas são verdades duras ali que às vezes eu vou falando.
Mas é com essa vozinha, com um carinho de sonsa. E a gente vai conquistando espaço.
Você usa a mesma entonação, né? Pra falar, comi seu cu.
Tranquilo, você percebeu?
Percebi.
Que é pra tirar um absurdo, um peso. Pode palavrão aqui?
Eu até me perguntei se você comeu o meu cu e eu não percebi.
Depois dá uma boa analisada. Talvez sim.
Talvez sim?
É.
Eu só vou perceber depois.
Só depois. Mas você sabe que eu acho que esse é meu jeito de hackear o sistema? Porque tem essa coisa, né, esse estereótipo da mulher negra que fala alto, expansiva, brigona. Aí eu falei, cara, talvez exista uma contramão interessante. E um espaço interessante. E eu realmente sou assim.
Ai, eu queria tanto que você se considerasse atriz. Mas eu não tenho nada a ver com a sua vida, pode me falar.
Olha, eu acho muito difícil. Eu tenho muito respeito pela profissão dos atores. Porque eu acho muito difícil fazer. Eu acho muito difícil decorar. Eu acho muito difícil mudar o jeito de se movimentar. Lá no prêmio, assim... Foi uma experiência muito, muito, muito enriquecedora. Porque era essa coisa, assim, de realmente ser um personagem. É muito diferente do que eu faço na internet. É muito diferente gravar pra um celular e encarar uma plateia.
Então, assim, máximo respeito a essa profissão. E eu realmente acho muito difícil, sabe? É isso. O jeito de falar, é sotaque, é cadência, é nuance. Sabe, eu tinha muita essa dificuldade lá assim. O diretor falava, não, Jacira, mas agora me dá, me dá aqui uma nota mais alta. Cara, mas aqui é meu máximo, sabe?
Eu já tô dando.
É isso aqui, sou eu dando. Então assim, é muito difícil. Eu acho que por isso eu não me aventurei, que eu realmente acho difícil.
Vamos falar sobre o milagre da manhã?
Ai, vamos amanhã só.
Vamos deixar para depois, cara.
Esse vídeo, olha que loucura que é a vida, Marcela. Esse vídeo Eu tava nas minhas férias em Gamboa, na Bahia. Aí uma casa bacana que eu trabalhei o ano inteiro, eu me levei pra uma casa bacana. Aí tinha assim, era de vidro. Aí eu via uma piscina linda, eu vi o mar. E eu falei, era uma segunda-feira, eu falei, eu tenho que gravar um vídeo, né? E eu não queria de jeito nenhum, o microfone não funcionou. E eu suava porque eu não podia ligar o ar-condicionado porque fazia muito barulho, já que eu tava gravando sem microfone.
Então tem um bastidor, esse vídeo, que pra mim é um vídeo que ficou muito ruim e viralizou, que é tão louco, né? Só que ao mesmo tempo fico pensando, cara, se eu consigo fazer isso em condições tão extremas, talvez tenha algo mesmo em mim, sabe? Nesse meu jeito de pensar e de me colocar no mundo, né? E o milagre da manhã é a filosofia da minha vida. Gente, se eu puder adiar, juro pra vocês, Hoje mesmo, pra mim, era amanhã, não era hoje.
Eu fiquei apaixonada por isso. Porque tantas vezes eu realmente... Hoje não, eu não tô em situação pra isso. Mas quando o amanhã chega, você deixa pro outro amanhã?
Não, eu me dou um prazinho. Porque eu tenho essa tendência, tá? De ficar jogando. Só que o que eu faço? Eu fico em paz com não fazer hoje. Porque às vezes a gente não fica. Ai, vou adiar. Mas aqui você tá comendo a sua própria mente de: Ai, deveria ter feito. Fala: Ai, não vou entregar esse roteiro hoje. Nós não vamos falecer, o mundo vai continuar girando. Aí eu fico ali, ó, bem quietinha, aproveitando esse adiamento, esse milagre que eu joguei pra amanhã.
E aí amanhã eu entrego, porque enfim, tem que entregar, né? Pagar o aluguel, enfim. Mas assim, ai, como é bom adiar! Amo adiar! E é, acho que você tem que fazer um cálculo, porque de fato existe uma margem.
Claro que existe.
Fizeram a gente acreditar que a gente não tem mais margem para nada, tá?
Claro, todos os emails entram como urgente, orçamento para hoje até 11 da manhã. O seu email me encontrou às 11:30. É, você atrasou para mandar ele, mas agora a gente vai ter que enfrentar essa máquina do tempo, aparentemente.
É uma loucura, né?
É uma loucura.
E é aquilo, se tudo é urgente, nada é urgente. E aí a gente vai tocando, assim. E tem uns tempos, as pessoas impõem uns tempos pra gente. O tempo do outro me incomoda muito. A gente consegue se encontrar no meio do caminho? Eu acho que quase sempre dá. E eu não gosto de ser mandada, né. Eu tenho essa dificuldade aí. Então assim, se eu puder puxar a corda um pouquinho pro meu lado, pra não me sentir tão inserida numa estrutura que só me explora. Eu vou tentar, porque é quase sempre assim que eu me sinto, sabe?
Mas é porque foi ficando cada vez mais invasivo e imediato. Então, por exemplo, eu tenho muita saudade de um tempo que eu não vivi trabalhando, porque eu era criança. Alguém te ligou e você não atendeu o telefone.
Gente, é isso.
E aí a pessoa precisava lidar com o fato de que não conseguiu falar com você. E agora a pessoa manda um WhatsApp e ela entende que o papel dela tá feito, ela entrou em contato com você. Então aquilo automaticamente se tornou uma demanda sua. Algo que talvez você não estivesse no ambiente, eu queria não atender WhatsApp.
É, a gente não consegue ainda.
Não, por isso que eu tenho um plano para os próximos anos de não ter mais WhatsApp e poder não atender mais o telefone.
As pessoas te ligam? Quem te liga?
Algumas pessoas me ligam. As pessoas não te ligam?
Mas elas perguntam se podem ligar?
Nem sempre. E outra coisa que acontece muito comigo, eu não sei se acontece com você. Oi, Marcela, tudo bem? A fulana... Insere o nome de uma pessoa que eu nem sei quem é. Me passou o seu telefone, estou entrando em contato. Eu fico maluca com isso. Gente, não mandem o telefone, especialmente o WhatsApp de outra pessoa, sem antes perguntar se essa pessoa pode me acessar de uma maneira tão direta.
É que, cara, WhatsApp é a gente, né? É. Acessou direto, não passa por ninguém.
Assim, o WhatsApp pra mim é uma pessoa abrir a sua janela e falar: Oi! Gente, eu me sinto meio assim.
E você não conhece a fulana?
Muitas vezes eu não conheço a fulana, mas depois eu descobri que existem.
O teu telefone tá rodando em São Paulo, mas deixa eu te falar, gente, eu sei, eu sei, é preocupante, né? Não tem não, isso não é um dado nosso, as pessoas podem fazer isso. Ah, mas as pessoas fazem tudo que elas não podem fazer.
Não sei, mas isso não acontece com você?
Pô, bem pouco. É que eu sou do interior, em Brasília não tem isso não.
Brasília tem mais respeito, né? Acho que eu vou para Brasília.
Fulano lá, mas aqui tem, aqui tem muito isso da coisa do network, não tem isso? Ai, que eu conheço não sei quem e fica dando carteirada dizendo que te conhece, tá? Ah, eu tenho WhatsApp. Quem foi que falou para mim que tinha o WhatsApp da Angélica? Não vou falar, mas alguém me falou isso. Ah, eu tenho WhatsApp da Angélica, carteirada, sem contexto nenhum, sem contexto.
Isso é uma coisa que eu amo que as pessoas fazem, você fala assim Essa pessoa deu uma carteirada?
Deu. Tum!
E ela tenta soltar meio discreta, né? Não, não, não sei, era Débora Seco. Aí você fala: Por que você me falou que foi aquela?
Sem contexto total.
E às vezes a Débora e a Angélica não sabem quem ela é.
Ela é a fulana. Ela é a fulana. Tô te falando.
Ela é a fulana. E aí você complementar a isso, você tem uma frase do livro que eu amei, que é: Respeite seu tempo. Mas respeite também o prazo.
Cara, é isso, ó. Vamos tentar equilibrar?
É isso, mas você é muito equilibrada.
Eu peço sempre um diazinho. Eu peço um diazinho, eu peço. Os meus contratantes sabem, eu entrego. Mas assim, me dá um dia, me dá só mais um diazinho. Mas sabia que eu acho que pra quem trabalha com criatividade esse dia faz muita diferença?
Eu não tenho a menor dúvida.
Porque, ó, tá, tenho que fazer isso. Aí eu vou sentindo, essa ideia vai subindo pra minha mente, desce um pouquinho pro meu coração, vou entendendo o que faz sentido. Coisinhas naquele dia vão me despertando ideias. E aí, provavelmente, eu vou te entregar melhor amanhã. Eu juro, contratantes, confiem em mim. Amanhã. Pois não?
A minha editora, ela não abre comigo o prazo. Bom, hein?
Isso é bom.
E eu pergunto pra ela. Perguntei, né, durante o processo do último livro. Qual que é o meu prazo? Ela: Não vou te falar.
Escreve. E você entregou antes ou depois?
Eu acho que eu entreguei no tempo que ela tava esperando.
Então quer dizer, era um tempo real. Também não inventaram um prazo maluco.
Exato, não era um prazo maluco. Porque também pra livro, assim, livro e prazo maluco vai sair qualquer dia. Ou outra pessoa tá escrevendo, né? Porque não sei se eu já abro pras ouvintes que grande parte dos livros são escritos por escritores fantasma. Acho que as pessoas sabem disso, né?
Eu acho que sabem. Me ofereceram, acredita?
Também me ofereceram.
Eu falei: Aqui não. Nem que saia um livro ruim. Eu que vou escrever.
Sabe o que eu falei? Eu já tenho síndrome da impostora.
Imagina!
Imagina!
Nossa, não.
Você nunca imagina.
Você não ia conseguir, né?
Não, imagina. Assim, se eu conseguisse, mas eu não ia conseguir, ia ser o resto da vida me matando, me torturando.
Não ia se duvidar, te mostra o livro.
Você viu?
Eu falei, eu que escrevi isso? Imagina se eu não tivesse escrito, como é que eu não ia estar maluquinha?
Jazira, você ainda quer ser dançarina na TV?
Você tá com uma vaga aí? Não. Você tem um contato?
Então, eu tava pensando em ter dançarinas atrás de mim durante o programa.
Cara, não vou dizer qual programa, mas liguei minha TV e ainda tem. Eu acho tão ultrapassado.
Mas elas estão em taças?
Não, mas por exemplo, A câmera pega muito elas, elas estão... Não tem graça nenhuma. Só que elas estão sempre aparecendo, então elas estão sempre rindo muito, se movimentando um pouco. Nesse contexto, atrás de você, não. Mas eu faço minhas aulinhas de dança, eu tenho uma coisa com a dança.
Você tem uma coisa com o exercício físico?
Tenho, coisa do corpo. Eu acho que tem mais coisas que eu poderia fazer com meu corpo do que o que eu faço. Eu acho que a gente desperdiça muito. Sabia? Nosso corpo.
Desde sempre você teve uma virada?
Tive uma virada. Passei de sedentária para uma pessoa que tá sempre se movimentando de alguma forma. Por quê? Encontrei uma amiga no banheiro um dia, banheiro do trabalho. A Tata tá aqui. É, a gente trabalhava juntas, fui ao banheiro, tava triste, triste, cansada. Eu já acordava muito cansada. A gente não era amiga ainda, era aquele banheirinho assim de cabines. Aí ela saiu, eu tava lavando as mãos, e ela perguntou, tudo bem? Como quem não quer saber se tá tudo bem ou tudo mal.
Eu falei não. E ali eu fui me abrindo e me abri. Eu falei, cara, eu tô acordando cansada. E aí ela falou que passou por um momento parecido, procurou médico e entendeu que ela tava dormindo muito. Eu falei, como pode dormir muito? Cansa também? Cansa, também cansa. Ela falou, experimenta viver antes de trabalhar. Mudou minha vida, juro. E eu fazia exercício antes de trabalhar. Parecia que a minha vida era um pouco mais minha. Eu não tava vivendo só pro trabalho.
Então eu entrava 10. E aí eu já entrava assim, tipo assim: Gente, o meu bíceps já tá inchado, vocês querem pegar? Tipo assim, eu já vivi.
Como que explica? Porque é exatamente isso. A gente gravou segunda-feira e eu consegui fazer exercício antes de vir.
Ai, sensacional!
Eu cheguei muito disposta. Hoje não consegui, tava morrendo de sono depois do almoço.
Gente, é uma loucura a endorfina.
É uma loucura.
Pena que passa rápido, né? Eu queria que tivesse um efeito um pouco mais longo durante o dia. Para você dura bastante?
Ah não, dura muito pouco.
Mas eu às vezes até no banho que escorre, viu?
Mas eu no auge da endorfina eu também faço coisas que me arrependo muito.
Mas você não se sente capaz de tudo?
Dá um negócio. Mas sabe uma coisa que eu me arrependo muito? Quando eu, assim que eu saio do treino, quando eu saio respondendo muitas pessoas, não pode. E aí eu abro conversas que depois eu vou ter que responder quando a endorfina passou.
Então aí não dá, aí não dá.
E aí minha energia social já foi embora. Mas o que que Você fez, Marcela, você respondeu stories, você mandou mensagem, você mandou áudios. E agora que você não quer falar com ninguém, você vai ter que lidar com isso. Pra quando que eu deixo? Pro dia seguinte.
Claro, porque era outra Marcela, né?
É meu melhor eu.
Gente, eu dirijo de volta pra casa numa alegria, juro. É bom que só endorfina.
É bem Brasília, né? Falar que dirige de volta pra casa.
E lá a gente dá pra acelerar, a gente acelera, né? Flui, o trânsito lá flui que é uma maravilha. Você coloca uma música, você curte ela.
Você gosta de dirigir?
Gosto muito. E eu já não dirigi, né. Eu tirei carteira com 21 e dirigi de verdade com 34. Uau! Medo de dirigir, assim, um pânico. Eu realmente achava que eu não ia conseguir. Então a coisa do carro não foi nem a conquista financeira do carro, foi dirigir. Porque eu pensei, cara, carro? Você der muita sorte, você ganha num shopping. Num negócio de um sorteio. E eu pensava, gente, se eu ganhar esse carro, eu vou fazer o quê com ele?
Eu não consigo dirigir. Então assim, dirigir talvez seja das coisas que mais me dá tesão, sabia?
Como é que você venceu o medo?
Essa amiga.
A mesma?
Terapia. A minha psicóloga falou assim, Jacira, vai numa concessionária só para você entender que você pertence a esse ambiente. Vai. Comprei o carro. Gente, eu tenho uma mente um pouco fraca para consumo, tá? O vendedor me atendeu bem, eu falei, ué, é um pai para mim, que eu já tenho essa coisa com pai também. Uai, se o homem me tratar bem, eu falo, meu pai. Aí eu acabei comprando o carro.
Carro.
Eu falei, cheguei na semana seguinte, eu falei, eu comprei. Juro, menina, é garçom, tudo é pai para mim. Juro, é um negócio, eu tenho um negócio com pai.
E aí você comprou um carro?
Comprei um carro porque o vendedor me tratou bem. Cheguei na terapia, eu falei, comprei, não consigo tirar do concessionário. Eu não fiz test drive, tá, no carro, porque eu não conseguia dirigir, eu não conseguia sentar no banco do motorista e chegou na sua casa. E você aí teve que pedir ajuda para alguém pegar o carro da concessionária e deixar na—
você já não tirou o carro da concessionária?
Não conseguia, não tinha a menor chance. Aí eu fiz aula para quem tem medo, já com o meu carro, que eu acho que é bacana, gera aquele ambiente, né, um ambiente que eu ia viver. E aí hoje eu vou que vou.
Como é a aula? Desculpa, realmente fiquei bem interessada nesse assunto. Como é a aula de autoescola que mexe com algo emocional, é diferente?
Uma mãe pra mim. Não, a instrutora, Bia. Um beijo, Bia. Sensacional a voz dela. E assim, tem uma coisa de entender a mecânica do carro. Ela só dá aula pra mulheres. Então ela falou assim, você vai entender seu carro, você vai saber mexer no seu carro. E tem essa coisa dessa máquina, sabe? Pra mim era uma máquina incontrolável. Algo muito maior que eu, assim, uma coisa— era muito difícil, assim, o que o carro significava pra mim.
Então tem essa coisa, assim, de sentar. Ela parabeniza muito pela conquista de ter o próprio carro. A gente conversa muito dentro do carro, antes de sair, sabe? Eu fui me tranquilizando com essa posição, sabe? De ser a motorista do carro. É bem bonito, é um processo muito bonito, muito íntimo.
Muito bonito. Eu tava lembrando outro dia, porque é tão absurdo. São coisas que... É meio anos 2000, porque eu tirei a carteira com 18... Não, 19 anos. E o meu instrutor era um carioca marrento de 65 anos que me odiava. Mas ele odiava todo mundo, não era pessoal. Era todo mundo. E eu lembro que tudo que ele não fazia era me ensinar. Então a gente ia até ali, a Lagoa, no Rio de Janeiro. Ele ia para fora do carro, ele ficava fumando cigarro.
Às vezes é o mesmo, ele deve estar em Brasília.
Ele deve estar em Brasília.
O meu é isso aí.
E conversando com os outros instrutores.
Isso.
E toda vez que eu errava, ele berrava.
Que horror!
E era um negócio, tanto que assim, juro. E aí a gente foi fazer a prova, que é no fundão, era no fundão, sei lá, gente, eu sou Muito mais velha do que muitas pessoas.
É outro tempo, pessoal.
É outro tempo. E olha que loucura, eu tinha tanta certeza que eu não ia passar, porque não era possível, só ouvia gritos, eu era uma, né, muito ruim, que eu já tinha planejado que nas férias da faculdade eu ia fazer de novo e que ia dar tudo certo, de verdade. Só que aí você vê, por isso que eu te perguntei da coisa emocional. Quando eu comecei a fazer a baliza, você começava a prova pela baliza, não tinha os gritos dele. Então pareceu que era um ambiente muito mais em paz, porque ninguém ia gritar comigo. E aí eu tirei a carteira de CNH.
Passou de primeira, boa!
Então uma coisa emocional. Por que eu contei tudo isso? Ah, não sei, já sei, fiquei à vontade com você, fiquei com vontade de contar.
Ai, que bom, que bom que você se abriu. É bom, mas realmente é um ambiente muito violento o da autoescola. Pra mulheres, principalmente. Como o mundo no geral, né?
Mas eu sinto que eles gostam mais dos caras, né? Porque chega lá os caras e fala, ah, não, porque eu já dirijo há muito tempo. Mas enfim, foi um caso em que eu estar pessimista deu super certo. Nem sempre você precisa acreditar. Às vezes é melhor se você entrar na situação não acreditando.
E tem a coisa da expectativa, né? A sua, além de baixa, era péssima, né? O não você já tinha total, né? Já tinha até se organizado.
Era tão ruim que a gente foi pra prova prova, eu e outros 3 moleques que estavam no carro. E aí ele falou, eu poderia assim, eu poderia até jogar na loteria para quem que vai passar e não vai passar hoje.
Ai, juro!
E aí ele falou, essa aqui nem fodendo.
Gente, que bacana!
Então eu era essa aqui nem fodendo. E os caras— não, teve um outro menino que ele falou que não ia passar, mas eu fiquei com dó. Do menino.
Ah, empática.
Porque dava para ver que ele era, tava com mais medo do que eu. E aí o cara que ele falou, isso meio saboroso, o cara que ele falou com certeza ia passar.
Não, esses que dirigem desde sempre, o que eles fazem de absurdo na curva, no trânsito. É, sabe uma coisa que eu fiquei pensando? Você não precisa ser o melhor motorista do mundo, tá? Eu acho que isso trava muito as mulheres, inclusive. É você ir de um ponto A a um ponto B em segurança. Que tem, e assim, de verdade, vivendo o trânsito, todo mundo é meio barbeiro. Não tem ninguém dando um show de direção, sabe? Não é isso. É que os homens contam muito essa história, né?
E como se dirigir fosse algo muito importante também. Você tá só se levando de um lugar pra outro. Não tem tudo isso. Eu acho que tem pra mim porque eu venci um medo. Mas... De verdade é uma tarefa simples, mecânica inclusive. Mas tem essa coisa, né, do carro, do homem.
É que quanto mais tem emoção envolvida— por exemplo, tem uma grande amiga minha, beijo, Berta. Ela bateu acho que o carro 3 vezes na garagem dela fazendo baliza.
Tranquilo.
O conselho que eu dei para ela foi: faz todo sentido ser na garagem de casa, porque é a hora que você só quer que acabe logo. Sim, você quer que acabe logo, você quer que acabe logo. E aí você quer fazer rápido, e às vezes você precisa fazer com calma, porque nos ensinaram que quem dirige bem é aquela coisa.
Ai, gente, pelo amor de Deus, faz com calma, vai.
1, 2, 3, 1, 2, 3, e entrou. Sei lá porque que eu entrei tão fundo nisso.
A gente falando, né, de dirigir. Mas é porque tem muita coisa aí, tem muita coisa aí. De vencer medo, de superar e de entender que um lugar é nosso, que o trânsito também é um lugar extremamente feminino. Sabe uma coisa que eu amo? Falar com carro. E quando a mulher— e você sabe que seta você não entra, mas se fizer assim, quando você lembra que é uma pessoa, não é um carro, não é o carro da frente, é a pessoa da frente.
Completamente, sabe? Tem uma coisa engraçada, porque eu morei muito tempo em São Paulo e me mudei para o Rio de Janeiro. E no Rio de Janeiro as pessoas não dão passagem. Tá fora da cultura. O Rio de Janeiro é assim, é o quanto parece que as pessoas dirigem no Rio de Janeiro, na verdade meio competindo assim, quem vai chegar primeiro, é, é mais, é um trânsito mais feroz, vamos dizer assim. E aí eu vim de São Paulo, e especialmente em bairros que não tem sinal, sinal, farol, Como é que fala o farol aqui, né?
Farol, sinal a cada esquina. Então você precisa fazer algo que se chama respeito e generosidade, que é dar passagem. Qualquer minha vez é a vez do outro. Não tem apenas alguém te indicando. Já, Cira, quando eu dou passagem no Rio de Janeiro, as pessoas ficam perplexas, assim, mas perplexas. Elas até demoram, gente, elas não acreditam. Às vezes eu dou até uma lanterninha, vai, tipo, vem Pode ir, pode ir.
Caramba!
E aí eu me sinto o quê?
Educada, gentil, uma pessoa iluminada, motora, motora. E na última encarnação, essa é a tua última, dando passagem para os outros, é a última.
Você não dá?
Dou. Ah, então dou super, de verdade, vai.
Especialmente mulher.
Ah, vai, linda! Coisa mais linda, coisa mais linda.
Jacira, já temos livro, uma carreira de comediante aposentada ou em pausa. Temos quadros no Instagram. O que você tem pensado pro futuro? Ou você é uma pessoa que não pensa em futuro? Fiquei bem curiosa sobre isso, na verdade, sobre você.
Eu não sou uma grande sonhadora, sabia? Eu tenho essa dificuldade, assim, de... Conseguir ver muito à frente. Eu queria muito trabalhar menos, eu tô trabalhando bastante para trabalhar menos no futuro próximo. Tô mexendo com obra, então assim, tô reformando.
Queria te desejar boa sorte.
Eu vou precisar tanto, sabia, menina? Tanta coisa que tem acontecido, é um mundinho, né? Tem muita coisa que você só descobre reformando um apartamento assim. Muitos entraves, mas muitas alegrias. Essa conquista do apartamento próprio é muito grande para mim, não foi algo que eu sonhei, eu realmente Achei que não era para mim, que não seria possível. Assim, não tenho assim muita coisa de futuro. Eu queria muito ir para o offline, sabe?
Eu queria falar com as pessoas sem a tela. Isso eu queria muito. Eu queria ser palestrante quando eu era criança também. Então tem algo aí. Eu queria realmente falar com as pessoas. Aí faz uns tempo. E não, olha aí, gente, ela quer me meter com humor, ela quer me meter com negócio de teatro.
Eu acho que seria genial. Eu ia gargalhar, Denise, eu ia passar mal.
Talvez tenha algo aí, talvez tenha, talvez tenha.
Como que a sua mãe enxerga onde você chegou?
Ah, ela hoje mesmo ela tava falando, ela conseguiu aposentar, você acredita? Coisa mais linda. Ela mora em Portugal e aí tá fazendo a vidinha dela lá. Então assim, eu acho que a gente tem um olhar muito de— é louco, é tudo muito improvável. Na nossa história. Era para ter dado muito errado. Somos 4 mulheres, individualmente a gente tá conseguindo nossas coisinhas. Então tem muito orgulho e tem muito assim, a gente precisa se beliscar um pouco.
Tem o vídeo, eu não contei para elas que eu tava comprando apartamento, não contei para minha mãe, para minha irmã. E aí eu levei elas e aí tinha o meu celular escondido gravando. E aí assim, dá para ver o susto da minha mãe porque é muito improvável as coisas que a gente tá conseguindo enquanto família, individualmente também, é tudo muito improvável. Então tem muita alegria. Eu acho que da parte dela tinha muita fé, da minha não tinha tanta.
Eu sou um pouquinho mais pé no chão que ela, mas ela acredita muito em Deus, acredita muito no amor, sabe? A minha mãe é uma pessoa que acha que o amor realmente é o maior motor da vida, assim, e de que se a gente for bacana, se a gente amar, as coisas vão dar certo. Então da parte dela tem muito isso. E da minha parte, assim, eu tô chocada de estar aqui, por exemplo. Assim, nada disso para mim era esperado, sabe? Sou realmente muito improvável.
Que venha muito mais. Para a gente fechar, a gente tem dois quadros fixos. O primeiro deles, eu quero saber pelo que que você tá fissurada atualmente. Qual é a obsessão de Jacira Doce?
Ai, gente, eu não vou lembrar o nome, mas tem um reality show show de babás de luxo.
Para, me passa agora.
Juro para você, é a ex-babá da Kim Kardashian. Te juro, para, que montou a empresa dela e é um reality show. E eles vão, é onde que é, talvez Maldivas. Eles vão com os ricaços para um lugar, entendeu? Fazer uma viagem e cuidam da criança. Aí tem criança que só come com palitinho, você tem que falar 7 línguas. Juro, babás de luxo. Acho que é Disney Plus.
Produção sussurrou aqui para mim, é da Disney Plus, Babás Milionárias. Babás Milionárias, Disney Channel. Estaremos nós duas assistindo esse final de semana.
Sensacional, de uma desimportância. Ai, é tão bom!
Nossa, mas eu tenho gostado tanto consumir também coisas desimportantes.
Gente, é bom, tá? Importante ali no final de um dia de cão você ver as babás e assim Assim, talvez tenha uma pegando o pai de uma criança, talvez.
Mas isso é uma trama que tá sendo elaborada ou só na sua cabeça?
Não, é real, juro. É muita coisa, é muita coisa. Não, muitos milionários me encantam.
É, eu sou também viciada em ficar vendo no YouTube mansões. Eu não vou comer isso, né, cara?
É muito metro, é muito sofá, é muita antessala. Que que é antessala?
É umas janelas, né?
Uma luz que entra. É um negócio, é um negócio.
Deve dar um trabalho para limpar.
Não limpa, não limpa. Aí a empresa não tem que chamar de Alice, chama empresa. Não tem como.
Não, não tem como.
Mas muito grande.
Será que você não vira um estranho dentro da sua própria casa?
Então, será que não tem lugares que você já não vai há 3 meses na sua casa?
Com certeza.
Isso é muito louco para mim.
Com certeza. Quando eu vejo, ah, é a biblioteca da casa, não foi, você não vai, você não vai.
Para de Estante de livros, biblioteca, não vai, não vai não.
O cinema, você acha que usam? Não, talvez usa.
Será que usa?
Depende da família. Eu acho que Rodrigo Faro tem uma.
O Rô?
Eu parecia que eu conheço ele, né? Eu acho que eu já vi o dele no YouTube. Ai, ah não, não foi uma carteirada.
Era a casa do Márcio Garcia. Chegou a ver esse vídeo?
Será que é do Márcio Garcia?
Pode ser que seja. Era uma casa assim, talvez uma das mais caras do Brasil, um negócio de louco.
E tinha cinema. Claro, talvez tenha sido dele.
É maravilhoso, é maravilhoso, é bom demais.
E para a gente fechar, Jacira, você quer deixar uma pergunta, um questionamento para as ouvintes nos responderem ao longo da semana?
Quero, quero. Eu tenho pensado muito em essa coisa da performance, né, e do quanto eu tenho tentado performar menos. Me tornei uma blogueira muito sincera. Passei por um término, falei. Tô enfrentando dificuldades na minha reforma, falei. Eu tô realmente me conectando muito a partir do que eu sinto de verdade e tô criando a partir do que eu tô vivendo e sentindo de verdade. Então talvez seja uma provocação, já que a gente tá performando.
Eu acho que é tudo uma grande performance, né? É impossível que a gente não se apresente enquanto persona. Qual seria a persona mais sustentável, sabe? Qual o personagem que a gente consegue ficar por mais tempo? Porque talvez seja um pouco mais confortável viver nesse, sabe? Tentar encontrar seu personagem. Aí, atriz, tá vendo a coisa da atriz? Eu tô falando para você, eu agora atualmente eu encontrei uma persona bem boa que eu acho que eu vou com ela um tempão. Acho que dá, eu me canso menos performando ela.
Mas houve tempos em que você não dividiria que tava vendo uma farsa?
Super, porque é meu segundo grande término trabalhando com que eu trabalho. Passei por um divórcio sem contar, foi muito sofrido, muito assim, sabe, é de desligar a câmera e dar uma chorada assim. E agora não, chorei em frente à câmera.
Não é muito gostoso gravar publi quando você tá na merda?
Nossa, meu Deus, gente do céu, uma alegria! Compre, compre, é ótimo ligar a câmera.
Ai, difícil demais, você tá na merda, é difícil demais.
É, muita gente.
É muito difícil. Mas eu espero que você volte aqui pra lançar o seu show de comédia.
Ai, gente, será?
O seu stand-up. Não sei, tem pessoas aqui que podem me ajudar a fazer isso acontecer?
Gente... Sei lá, eu vou te esperar. Porque minha cabeça é fraca, eu acho que você entrou, sabia?
Eu já sou uma mãe pra você?
Total! A gente tem como mamãe! Que isso, total, muito!
Cara, ia ser muito bom.
Ai, vamos ver, eu acho que... Vamos começar escrevendo?
Vamos!
Aí vamos ver se a gente tem coragem de ir pro teatro.
Tá bom.
Mas de repente escrevendo.
É, mas o primeiro passo tem que dar. É, não precisa ser bom, só precisa chegar da sua casa até a concessionária.
Ah, você é boa, você é boa, tá?
Você, você que é boa, acredite em você. Obrigada, querida.
Eu voltei. Eu amei também.
Volte, volto. E aí, bora continuar esse papo nos comentários? Segue a gente aqui para receber os novos episódios assim que chegarem e aproveita para avaliar o podcast. Pra mais conteúdo, segue a gente no @obvious.cc no Instagram, agora também no @obviousclube. E lembrando que as inscrições para o Óbvio Clube, nossa comunidade literária das mulheres que pensam em voz alta, estão abertas. Acesse o QR code aqui na tela ou o link na descrição desse episódio e use o cupom BOMDIA10 pra ter 10% de desconto.
Eu te espero na semana que vem pra gente continuar a rir e pensar em voz alta. Até lá! Obrigada, Jacira, foi tudo de bom.
Me sinto totalmente ameaçada a escrever. Me veio a criar, ela me demandou.
Bom Dia, Óbvias é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cribelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.
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