Episódios de Bom dia, Obvious

Do que sua procrastinação está te protegendo? Natália Sousa e o medo de dar certo.

26 de julho de 20261h5min
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Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe Natália Sousa, a convite de Eucerin, para uma conversa sobre procrastinação, medo de dar certo e as histórias que contamos para nós mesmas para adiar aquilo que mais desejamos.

Ao longo do episódio, Natália reflete sobre autossabotagem, síndrome da impostora, lealdades familiares e o desafio de ocupar os espaços que sempre sonhamos. Uma conversa sobre o que acontece quando percebemos que, muitas vezes, o maior obstáculo entre nós e o que desejamos não é a falta de capacidade, mas o medo de nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser.

Eucerin entrou nesse papo para ajudar a "desmanchar essa ideia" de que cuidar de manchas no corpo precisa ser um processo complexo. 

A linha Anti-Pigment Corporal usa a tecnologia Thiamidol® para agir na raiz do problema. Conheça: 

Creme Corporal Áreas Específicas: ideal para regiões de maior atrito e que precisam de hidratação, como joelhos e cotovelos. 

Sérum Áreas Sensíveis: textura leve desenvolvida especialmente para axilas e virilhas. 

Vem ouvir essa conversa e aproveita pra comprar com o cupom AMOEUCERIN. Cupom válido até 06/08 através do link:

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⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI

Livro Medo de dar certo, de Natália Sousa: AQUI

Citações:

Série Girls: AQUI

Livro Famesick: A Memoir, de Lena Dunham: AQUI

Livro Coisa de rico: A vida dos endinheirados brasileiros, de Michel Alcoforado: AQUI

Participantes neste episódio2
M

Marcela Ceribelli

HostJornalista
N

Natália Sousa

ConvidadoJornalista, escritora, roteirista, comunicadora
Assuntos6
  • Medo do SucessoProcrastinação como fuga · Síndrome da impostora · Autossabotagem · Medo de ocupar novos espaços
  • Mudanças de VidaPerda de voo como metáfora · Crises de pânico e sobrecarga · Pedido de demissão e nova carreira · Aceitação da imprevisibilidade
  • Confronto e Expectativas FamiliaresLealdade familiar inconsciente · Crenças sobre dinheiro e sucesso · Narrativas familiares sobre prosperidade · Medo de trair a família ao prosperar
  • Sanduíche MercadãoSimbolismo da morte no banquete · Castração da ambição · Interpretação de Marcela Ceribelli
  • Movimento corporal e psiquismoDiferença entre procrastinação e respiro · Escrita em diferentes ambientes · Estratégias para lidar com bloqueio criativo
  • Autocuidado e corpoSinais físicos de estresse · Aprender a delegar tarefas · Controle e confiança · Aprender a pedir ajuda
Transcrição289 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MCMarcela Ceribelli

O que acontece quando aquilo que você mais quer começa a se aproximar e em vez de alegria o que aparece é medo? Não necessariamente medo de fracassar, esse a gente conhece muito bem. O receio de tentar e não conseguir, de se expor e ser julgada, de desejar demais e se frustrar caso dê errado. E existe um medo ainda mais difícil de admitir: o de dar certo. O medo de conseguir e precisar sustentar o que vem depois, de ocupar um lugar novo e não saber se ainda vamos pertencer aos lugares antigos.

O medo de realizar aquilo que a gente dizia querer e então ter que se ver, de fato, como alguém capaz. E talvez seja por isso que quando o desejo chega perto demais, a gente arruma um jeito fino de se afastar dele. Não dizendo não quero, mas dizendo ainda não, talvez não seja a hora. A procrastinação costuma ser tratada como falta de disciplina ou até mesmo preguiça. O que essa visão simplista não comporta é o quanto as nossas emoções influenciam diretamente nossas ações.

Porque às vezes a gente não adia porque não quer. Adia porque quer demais. Porque terminar o projeto significa ser vista. Publicar uma ideia significa deixar de controlá-la. E começar uma mudança significa admitir que aquela vida antiga já não serve mais. E nem sempre a gente tá pronta pra lidar com o que nasce quando uma justificativa morre. Eu sou Marcela Ceribelli e esse é o Bom Dia Óbvio, a casa das mulheres que pensam em voz alta.

Antes de mergulharmos no assunto da semana, segue o podcast e ativa as notificações. Assim a gente fica ainda mais em casa. Hoje eu recebo Natália Souza, jornalista, escritora, roteirista, comunicadora e criadora do podcast Para Dar Nome às Coisas. Ela também é autora de Medo de Dar Certo. A Nath é uma das vozes que melhor conseguem nomear esses lugares internos que muita gente sente, mas demora a entender. Ela já falava sobre medo, fracasso, vulnerabilidade e recomeço antes de transformar o medo de conseguir em investigação.

Em Medo de Dar Certo, A Natália propõe uma virada importante. Talvez dar certo não seja chegar ao pódio, vencer, provar valor ou transformar tudo em resultado. Talvez dar certo seja não interromper o curso das coisas, não atrasar a própria chegada, não trair aquilo que tem vida em nós. E é justamente nesse ponto da conversa que entra a campanha Desmancha Essa Ideia de Eu Seria. Pra não deixar pra depois aquilo que você quer resolver e é possível.

A crença que a gente quer desmanchar aqui é que cuidar das manchas no corpo é um processo complexo e moroso. A linha antipigmento corporal de Eucerin foi desenvolvida com Thiamidol, um ativo patenteado da marca que é capaz de atuar na causa raiz das manchas. E como cada parte do nosso corpo pede um cuidado diferente, a linha conta com fórmulas específicas para diferentes regiões. Para áreas maiores como joelhos, cotovelos, coxas e braços, que precisam de mais hidratação, o creme corporal antimanchas intenso ajuda a reduzir manchas, garantindo uniformidade da pele.

Já o sérum corporal antimanchas áreas sensíveis tem textura leve e foi criado especialmente para regiões pupilas e virilhas. Ah, e todos os produtos foram desenvolvidos para todos os tipos e tons de pele e oferecem resultados visíveis a partir de 2 semanas de uso. Porque no fim, a reflexão é sobre o que muda na nossa vida quando decidimos parar de adiar o que nos incomoda. Bom dia, Óbvios! Hoje, a convite de Elcerim, eu recebo Natália Souza para uma conversa sobre procrastinação, medo de dar certo e os caminhos que encontramos para adiar aquilo que poderia tornar uma vida mais livre.

Você já percebeu como os livros servem como bússolas para nos guiar daquilo que não sabemos no mar? Foi justamente por isso que eu criei o Óbvias Clube. Durante um ano, vamos ler 12 livros escritos por mulheres e investigar juntas como as nossas emoções, os nossos desejos e até a forma como nos enxergamos a nós mesmas também são moldados pelo mundo. Mas mais do que dividir uma leitura por mês, eu quis organizar essa experiência em 3 grandes ciclos que se conectam, onde vamos investigar a política íntima das emoções.

Ao entrar pro clube, você recebe um box com os 12 livros que vão acompanhar a sua jornada, além de um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário pra construir o seu próprio ritual de leitura. Todos os meses, a gente abre com uma masterclass pra aprofundar a obra, Teremos uma comunidade exclusiva pra continuarmos a conversa e encontros ao vivo. Muitas vezes eu e as próprias autoras dos livros que estamos lendo.

Esse é um espaço de formação para mulheres que pensam em voz alta. Um lugar pra transformar a leitura em conversa e encontrar linguagem pra aquilo que sentimos, vivemos e muitas vezes ainda não sabíamos nomear. Se você quiser fazer parte dessa comunidade de mulheres geniais, acesse o QR code aqui na tela e junto com o link na descrição desse episódio Tem também o cupom BOMDIA10 pra ter 10% de desconto. Eu te espero. Bora pro nosso episódio? Bom dia, Óbvios! E que delícia! Bom dia, Nath!

NSNatália Sousa

Bom dia, Má! Bom dia, Óbvios! Que delícia tá aqui. Nossa, eu tô muito feliz.

MCMarcela Ceribelli

Bem-vinda de volta!

NSNatália Sousa

Obrigada, tô muito feliz de voltar, Má.

MCMarcela Ceribelli

Quantas vezes já? 4?

NSNatália Sousa

Cara, eu tava contando isso quando eu tava vindo pra cá. Foi uma no Teatro Municipal, uma em estúdio. E por que eu tenho a sensação que foi mais uma vez?

MCMarcela Ceribelli

Eu acho que foi... Não, acho que a gente não se conheceu no Municipal.

NSNatália Sousa

Não, a gente gravou um episódio sobre incômodo, que eu amo. Eu também! E aí, eu tô... Eu acho que tem uma terceira. É, eu acho que é também.

MCMarcela Ceribelli

Eu acho que é tetra.

NSNatália Sousa

Eu acho. Eu amo, acho que é tetra.

MCMarcela Ceribelli

Eu acho. Bom, hoje vamos explorar mais o seu livro, Medo de Dar Certo: Como o Receio de Não Conseguir Sustentar uma Posição de Sucesso Pode Paralisar Você. A capa é essa, comprem, leiam. Mas ao final desse episódio, eu não vou nem precisar falar isso pra vocês, porque vocês vão querer. Então, pra gente abrir a conversa, Nath, o que é mais difícil de admitir? Que você não tem medo de conseguir? Ou que você tem medo do que vai acontecer caso você consiga?

NSNatália Sousa

Cara, essa é uma pergunta muito boa, Ma. Eu acho que pra mim, por muitos anos, foi medo de admitir... Como que é que você falou? Segunda, medo de admitir.

MCMarcela Ceribelli

Medo do que vai acontecer caso eu consiga.

NSNatália Sousa

Exato, esse foi o meu grande medo sempre, assim. Porque eu acho que o grande medo que me assombrou por muito tempo é esse medo. Quando a gente vai tentar um sonho, a gente vai tentar alguma coisa, isso exige da gente um espaço interno que às vezes é difícil de sustentar e de alcançar, sabe? Quando você manda um currículo... Vou mandar aqui uma história baseada em fatos reais. Eu trabalhei muitos anos com jornalismo ali e sempre emendando um trabalho no outro, trabalho no outro, trabalho no outro.

E aí um dia me vi desempregada porque o programa que eu tinha entrado fazia 6 meses mandou uma mensagem no celular de todo mundo. Todo mundo desce na redação, descemos todos na redação, o programa inteiro ali na redação, e rola um anúncio de que o programa ia ser descontinuado e todos nós fomos demitidos. Ai, assim, onde sente no corpo?

MCMarcela Ceribelli

No estômago?

NSNatália Sousa

No estômago e nas costas, que virou um bloco de pedra da nuca até Cox, ao ponto de eu precisar virar de lado assim e não conseguir virar o pescoço porque eu fiquei completamente tensa e com muito medo. Travou literalmente, literalmente. E um medo do que aquilo representava, do que isso significa. Eu sou uma pessoa que trabalha desde muito jovem, desde os 13, o trabalho em alguma medida virou a minha identidade assim. Então o meu valor também estava atrelado ao quanto eu produzo, ao quanto eu faço.

E numa sociedade que valoriza muito isso, não dá nem pra gente desconfiar do porquê que isso deu match, né?

MCMarcela Ceribelli

Você é uma ótima soldada.

NSNatália Sousa

Exatamente! Nossa, como eu sou boa em obedecer isso. E nesse momento, coloca todas as coisas na sua caixa, né. Na sua caixinha ali, escrita seu nome. Passa no RH e fala, pelo amor de Deus, lembra de mim se tiver alguma coisa. Mas o RH já dá a letra também, que se você foi demitido, tem um X tempo pra que você seja recontratado. Então, por mais que a gente goste muito de você, a gente não vai conseguir te recontratar tão em breve.

MCMarcela Ceribelli

Dentro da mesma emissora?

NSNatália Sousa

Dentro da mesma emissora.

MCMarcela Ceribelli

Porque você tentou que eles te realocassem num outro programa.

NSNatália Sousa

Exatamente. Só que era um programa inteiro sendo demitido junto, era muita gente para realocar. E aí, caos, né? E aí tem uma questão mesmo trabalhista que você não tem um X tempo ali. Não sei se mudou, mas tinha um X tempo que eu poderia ser realocada. E aí, passado o vazio, passada a angústia, passada aquela segunda-feira que você acorda e você acorda e fala assim, mas tá, e aí? E agora? E aí eu não vou para o trabalho? E aí não acontece nada?

O que que eu faço? Passado esse tempo, eu comecei a me dar conta de que fazia muitos anos, de que fazia muitos anos que eu emendava um trabalho no outro. E eu falei, talvez seja o momento de pisar no freio, aproveitar as economias que eu tenho e tirar alguns meses de folga para pensar o que eu quero fazer. Porque também naquela altura eu trabalhava com reportagem, cheguei a coapresentar também um programa. Eu não sabia se era exatamente aquilo.

Então eu falei, eu acho que talvez seja o momento de olhar para minha carreira e falar para onde eu quero ir agora. E aí tinha uma coisa que eu tinha um sonho de fazer, mas o meu sonho era ser colunista de revista. Eu queria muito ser colunista de revista. Eu sou uma pessoa que lê colunas de revista desde, sei lá, desde a faculdade, um pouco antes disso. Sempre achei colunistas incríveis. Então um dia eu sentei na sala de casa e falei, cara, eu vou mapear todas as revistas que é o meu sonho trabalhar.

Agora eu tô com tempo livre e eu vou tentar mirar nesse sonho, vou tentar conseguir isso. E aí assim foi feito. Fiz uma lista, primeiro uma lista de todos os lugares que eu queria trabalhar. Eu entendi que não bastava eu só me apresentar. Então vou escrever um texto, pensar em que veículo é esse, pensar num texto e vou mandar a minha apresentação junto com esse texto. Assim foi feito. Disparei, acho que uns 5, 7, sei lá, muitos emails nesse dia.

E comecei a esperar. Passou uma semana, não rolou nada. Segunda semana, não rolou nada. Terceira semana, a revista que tava no topo, assim, aquela que eu nem precisei pensar, me escreveu de volta falando: Cara, a gente gostou muito do seu texto. A gente só vai pedir pra você fazer alguns ajustes. Porque o seu texto... Vou chutar agora, porque eu não lembro o número. Mas seu texto tem 5 mil caracteres, a gente precisa de textos de 3 mil caracteres.

Então faça só os ajustes. Justiças. E eu nunca me esqueci da frase dela, Má. Ela disse assim: que o resto eu faço com carinho. O que que você faria diante disso, Marcelo Ceribelli?

MCMarcela Ceribelli

Eu editaria meu texto.

NSNatália Sousa

Você editaria seu texto, Má? É o que qualquer pessoa faria. O que que eu fiz? Eu fechei o email e fui tomar um café. Eu fiquei apavorada.

MCMarcela Ceribelli

Ah não, calma, você não perguntou o que que eu faria imediatamente depois.

NSNatália Sousa

Eu não teria pegadinha.

MCMarcela Ceribelli

Eu não sei se eu coragem de enfrentar o texto no mesmo segundo. Porque me exigiria lidar com o fato de que eu ia conseguir o que eu queria.

NSNatália Sousa

É, Ema, é isso!

MCMarcela Ceribelli

Isso! E a gente precisa digerir até coisas boas.

NSNatália Sousa

Exato, exatamente.

MCMarcela Ceribelli

E dá medo.

NSNatália Sousa

E dá medo, e dá um medo desgraçado.

MCMarcela Ceribelli

E se ela perceber, depois que eu mandar editado, que na verdade é péssimo o meu texto?

NSNatália Sousa

Exato. E quem sou eu para ocupar um lugar que eu sempre sonhei? Será que eu sou tão grande como eu imaginei que eu sou? Como é meu sonho, sabe? Eu acho que é isso assim, tem coisas que acontecem que são tão grandiosas dentro da gente, tão grandiosas dentro da nossa cabeça, que elas exigem também uma expansão dentro do corpo, saca? Para ocupar esse lugar a gente precisa expandir. E aí o que aconteceu é que eu olhei para aquele meio e me deu Cara, me deu uma sensação que era aquela sensação da escola quando você gostava de uma pessoa e você era afim daquela pessoa, você era afim daquela pessoa.

E meu Deus do céu, aquele dia você usou uma camiseta amarela, a pessoa olhou meio de lado, você só usa camiseta amarela? Aí você fala, cara, deu certo, vou repetir a camiseta amarela. E aí encontrei minha fórmula. E aí um dia essa pessoa te chama para sair. E aí, imediatamente, quando a pessoa te chama pra sair, você perde o interesse. Porque se essa pessoa tá te chamando pra sair, tem alguma coisa estranha com essa pessoa, né.

Tipo, ela tá me achando interessante, então tem alguma coisa esquisita aqui, né. E aí, foi exatamente isso. Eu olhei pra aquele email, eu comecei a achar imediatamente, assim... Hoje, lembrando, voltando no tempo. Eu saí pra tomar um café, achei aquilo muito estranho. Comecei a me perguntar se ela não tinha mandado aquele email por engano. Então assim, será que ela mandou por engano? Imediatamente esse pensamento virou, eu acho que ela só me respondeu por dó.

E depois desse pensamento, eu falei, eu não vou enviar. Só que eu não falei, eu não vou enviar. Eu só não enviei. E esse texto e esse email tá sem resposta até hoje, assim. Eu não dei conta, Ma! Eu não dei conta. Faltou uma amiga minha chegar ali e falar, faz algum sentido uma pessoa receber tantos emails assim por dia? Tendo trabalhado numa revista como essa, você acha que faz algum sentido a pessoa te responder por dó? Mas aí que tá, Ma, era uma coisa tão constrangedora de assumir, porque no final das contas é óbvio que todo mundo tem medo de dar errado, é óbvio.

Quem é que tem medo de dar certo? Quem é que sonha com uma parada, se esforça para essa parada acontecer, você fica, faz uma lista de emails da revista, você vai e trabalha por semanas nesse texto, aí depois você edita esse texto, você manda esse e quando a resposta vem positiva, você sai fora.

MCMarcela Ceribelli

Lembrou a Billie Eilish, né, falando que— acho que é uma entrevista para o David Letterman, e ele pergunta: o que que você pensou ganhando tão jovem prêmios como Grammy? E ela falou que esses prêmios não são tão sérios assim. Nossa, sim, ela descredibilizou o prêmio. Ah, então não é tão difícil assim.

NSNatália Sousa

Exato. Uau! É a história da pessoa na escola, né? Cara, você tá a fim de mim? Então é porque assim, não era tão legal assim. Porque se fosse tão legal, não estaria a fim de mim. E é perverso, porque você passa por isso na sua vida amorosa também? Cara, passei por isso na adolescência fortemente, muito fortemente. E no começo da vida adulta também. Eu acho que nesse caso especificamente tem a ver com recorte de raça, porque é isso, né?

Ser uma menina negra é ser o tempo todo não validada no lugar da beleza nem da E aí você serve para ser amiga, serve para ser aconselheira, mas não para ser a menina bonita assim. Fora todas as questões que a gente sabe de indústria, de comercial, de novela e tal. Então acho que a raça atravessa isso. Mas meu Deus do céu, muitas e muitas vezes, Má, muitas e muitas vezes.

MCMarcela Ceribelli

Que é o que Conceição escreve sobre Fio Jasmino, canção de Naminho Grande, que claro, né, numa leitura mais rasa a gente pode, né, ele é um homem lixo, mas ela nos que a semente desse homem negro que vai ter relações... Eu vou usar o termo perversas com algumas mulheres, né, com muita irresponsabilidade afetiva, vem daquele menino que na escola não pôde ser o príncipe porque era o único menino negro. E qual que é o papel que ele pode ocupar?

Então, se eu não podia ser a mocinha da história, né... Quando você fala das histórias de ficção, por exemplo, você não tava vendo uma mulher igual você, na época, uma menina igual você num casal na novela das 18.

NSNatália Sousa

Total. E o racismo, ele é perverso justamente porque ele molda, ele vai moldando a sua forma de olhar e de pensar e vira um negócio tão automático que você não se dá conta. Você falou isso, eu lembrei de um episódio. Eu era adolescente, eu tinha acho que uns 14, 15 anos, e eu fui para essas matinês que a gente ia quando era adolescente. Tava ali na pista de dança, tava muito divertido. Aí minha amiga, ela falou, ah, Nath, vou no banheiro.

E eu falei, não, tudo bem, vou ficar aqui na pista. E aí ela saiu para ir no banheiro e um menino que tinha acho que um pouquinho mais de maior idade do que eu, veio até mim e falou, me dá um beijo? E eu achei ele gatíssimo, Maia. Eu achei ele maravilhoso.

MCMarcela Ceribelli

Eu queria beijar ele.

NSNatália Sousa

Eu queria beijar ele. E o que eu respondi? Não. E aí eu lembro dele ter ficado em choque e dele dizer, mas por que não? E eu só disse, por que não? Porque a sensação que eu tive naquela época é, eu tenho certeza que é uma pegadinha. Eu tenho certeza que não, que não, que não é sério, sabe? Isso é tão automático que você não se dá conta. Você só se vê reproduzindo e reproduzindo, reproduzindo. E E aí isso só muda quando você toma consciência, não é que cura.

MCMarcela Ceribelli

Quando parou de parecer pegadinha?

NSNatália Sousa

Uma boa pergunta.

MCMarcela Ceribelli

Já mudou?

NSNatália Sousa

Ó, já mudou, já mudou. Mas talvez eu vou ser um pouco leviana agora, porque eu acho que isso que eu vou falar tem a ver com duas coisas principais. Embora isso tudo rolasse fora, né, embora isso tudo rolasse na escola, embora isso tudo rolasse nas relações que eu tinha fora de casa, eu fui muito amada dentro da casa, muito. Uma coisa que eu cresci tendo certeza é de que eu e os meus irmãos éramos especiais.

MCMarcela Ceribelli

Eu amo ouvir você falando sobre a sua relação com seus pais e as coisas assim, é muito bonito.

NSNatália Sousa

É bonito, né?

MCMarcela Ceribelli

É bonito, é bonito.

NSNatália Sousa

Que bom! E é verdade, assim, eles realmente foram bons em mostrar pra gente que nós éramos amados, assim, e que nós éramos especiais, o que é uma coisa meio contraditória, né? Poderia ter dado bem errado, mas eles sabiam que o mundo ia falar para vocês. Exato, exatamente. Uma, é uma boa observação, é uma observação muito sensível.

MCMarcela Ceribelli

Porque, bom, logo no, acho que uma das primeiras histórias que você conta aqui é sobre o campeonato de natação.

NSNatália Sousa

Sim, eu amo essa história e ela é muito dura, né?

MCMarcela Ceribelli

Ela é muito dura e você me ferrou muito porque eu terminei de ler a história. Posso eu explicar para os ouvintes? Você me corrige qualquer coisa. Então a Nath, ela foi fazer um campeonato de natação. E primeiro que eram com os melhores, então os melhores nadadores do bairro. Ela já nem acreditava que ela era. Aí ela já tava no carro com a família dela. A mãe dela perguntou para ela se ela tava nervosa. Ela: não, imagina, não tô nervosa.

E aí começou a competição. Natália entra num flow, aquela coisa assim: eu só preciso fazer isso, eu só preciso fazer isso. Quando ela vê que o menino provavelmente estava em segundo e ela tava em primeiro. E ela deu uma singela desacelerada pra que ele ganhasse. Isso mexeu muito comigo, minha amiga. Porque na hora que eu terminei, eu falei: Como eu queria ter sido a jovem que ganhava campeonatos de esporte! Como eu queria! Porque eu também competi natação, eu também fiz vôlei.

E eu nunca fui a que pegou o pódio. E como eu queria ser a que pegou. E fiquei pensando: Nossa, mas isso, eu nunca faria isso, nunca faria isso. E aí me deu um negócio, eu falei, mas só no esporte, né, Marcela? Porque durante muito tempo você preferiu ser coadjuvante, a melhor amiga da menina mais legal. Eu sempre me senti muito mais confortável sem ser protagonista.

NSNatália Sousa

Nossa, sim.

MCMarcela Ceribelli

Inclusive dentro desse programa, se você pegar os primeiros episódios, eu tô... É quase assim, não, eu tô aqui só...

NSNatália Sousa

Desculpa o incômodo.

MCMarcela Ceribelli

Desculpa o incômodo, vocês estão aqui só pra ver ela. E aos poucos eu fui entendendo, não, o programa é meu. Eu demorei muito tempo, assim, confissões dentro das nossas intimidades. Amo! Pra entender que talvez algumas pessoas ouvissem o Bom Dia, Óbvios por causa de gostarem de mim.

NSNatália Sousa

Sem dúvida, porque você é o único elemento que se repete.

MCMarcela Ceribelli

Pois bem, mas não entrava na minha cabeça.

NSNatália Sousa

Sim, eu entendo 100%.

MCMarcela Ceribelli

Eu tenho convidadas geniais, as convidadas são geniais. E tem mesmo. E aí eu fiquei pensando... Esse é meu campeonato de natação, Natália! Você me pegou!

NSNatália Sousa

Todo mundo tem seu campeonato de natação. Todo mundo tem seu campeonato de natação, cara.

MCMarcela Ceribelli

Todo mundo é apenas uma analogia. Na vida amorosa, eu particularmente não me identifico, mas acho que cada um vai ter o seu lugar de— não, tudo bem, eu prefiro não ficar em primeiro.

NSNatália Sousa

Total. E às vezes eu lembro desse campeonato de natação e que me deu tela azul assim, porque eu não consegui me visualizar ali, eu não consegui me visualizar como quem chega de primeira. E eu lembro de uma história que eu escutei escrevendo o livro, que Tudo a ver com isso que a gente tá falando, que é uma moça que tinha uma irmã. Essa irmã era uma irmã mais velha. Ela cresce ouvindo da mãe que a irmã era muito mais inteligente.

Nossa, ela é muito esperta. Nossa, olha como ela é organizada e a outra atrapalhada. Então ela cresce ouvindo que ela é o patinho feio. Só que ela entra na vida profissional e se destaca no ramo de festas. E aí ela começa a fazer muitas festas em casa, ela é chamada pra festas a domicílio e tudo mais. Ela cresce nesse negócio e ela se vê sabotando a festa Pra ser leal à perspectiva da mãe. Então assim, eu não posso provar que minha mãe tá errada também.

E eu não posso ser a primeira, porque eu ouvi também a vida inteira que eu não era a primeira. Que na verdade, a primeira, quem era inteligente, nananã, era a minha irmã, sabe? E aí, como culpa também se mistura nisso. Como uma lealdade familiar se mistura nisso. Como esse código vivante fica...

MCMarcela Ceribelli

Isso é sensacional, porque essa narrativa é muito comum.

NSNatália Sousa

Muito comum!

MCMarcela Ceribelli

Eu posso ser mais bem-sucedida do que minha irmã? Do que meu irmão?

NSNatália Sousa

Sim. Ou até do que minha mãe?

MCMarcela Ceribelli

Será que eu tenho direito?

NSNatália Sousa

Exatamente. Essas lealdades familiares, elas são muito loucas assim, porque a gente se percebe inconscientemente cumprindo um script que desenharam pra gente, né? Sem se dar conta de que é isso que a gente tá fazendo. Lembro de uma outra história que me marcou muito, que inclusive essa foi me contada numa mesa de bar. Era de um cara que toda vez que ele tava perto de ser promovido, ele ou dava em cima da esposa do chefe, ou ele chegava na reunião com blazer todo amassado, parecendo que ele tinha dormido com blazer, sabe?

Ou ele, cara, fazia, assinava um contrato milionário de um jeito errado e fazia a empresa perder o negócio. Só que ele era muito talentoso. Então ele perdia emprego, conseguia emprego, perdia emprego, conseguia emprego, perdia emprego, conseguia emprego. Teve um dia que a esposa dele falou assim, cara, não, né? Assim, ou você vai se tratar ou a gente vai romper, porque a sua instabilidade financeira tá prejudicando sua família.

E aí ele vai pra terapia e ele se dá conta, ele é invadido numa sessão de terapia de uma imagem de quando ele era criança. Ele é filho de um homem que era considerado o que a gente tem no nosso imaginário de homem de negócios. Então era um pai que trabalhava muito, supria financeiramente essa família, mas era completamente ausente emocionalmente. E aí o grande delírio desse menino era o pai. Nossa, eu queria muito afeto desse pai, né?

Claro que foi com as minhas palavras, mas queria muita atenção desse pai, muita atenção desse pai. E aí quando esse pai não tava viajando, esse pai gostava de ir para feira, e esse menino via nessa oportunidade de ir para feira um momento de ficar com pai. Ah, então vou tentar me infiltrar na feira do meu pai para ficar perto dele. E aí um dia ele faz isso e ele fala para o pai: posso ir na feira? E o pai: ah, você vai me atrapalhar.

Não, pai, posso ir na feira, eu vou fazer tudo certinho, o que você pedir. Segura a sacola, eu seguro. Passa o troco, eu passo. O que você pedir, eu faço para você. E aí o pai dele: ó, você vai segurar a sacola, você não vai falar um pio. Passou na banca da feira da fruta, não quero que você me peça nada. A gente vai pegar um negócio e vai voltar para casa. E ele foi tal qual um soldadinho do lado do pai, obedecendo todas as regras.

E aí ele tá voltando da feira, amar, ele fica responsável por segurar a sacola de laranja. E a laranja, o peso da laranja rasga o fundo da sacola, cara, nesse momento. E as laranjas começam a rodar pela rua e o pai começa a brigar com ele e falar: você é meu braço esquerdo, você não presta para nada, você é horrível, olha o que você faz, eu nunca te trago para feira e quando eu te trago, olha o que você faz. Essa memória vai para uma gaveta do inconsciente desse menino, por causa do trauma, do tamanho trauma.

Cara, o dia que eu consigo sair com meu pai, olha o que que eu faço, cara. A sacola vai rasgar bem na minha mão, bem nessa hora. E aí essa memória vai para o inconsciente dele, e toda vez que ele tá perto de provar para o pai que ele tá errado— e isso é uma descoberta terapêutica dele, da terapia, que eu achei genial— toda vez que ele tá perto de dizer para o pai dele, com a promoção dele e com a carreira dele bem-sucedida, que o pai dele tá errado, ele sabota a da produção. Foda, né? Cara, minha cabeça fez pow!

MCMarcela Ceribelli

Porque seria trair o pai dele.

NSNatália Sousa

Porque seria trair o pai dele. É essa lealdade inconsciente que tá presente tanto na história do menino que rasga a sacola de laranja sem querer, quanto na história da mulher que não pode prosperar no próprio negócio porque isso é ser desleal à mãe.

MCMarcela Ceribelli

Né, que tem muito a ver com algumas pessoas que falam sobre finanças pessoais para além de planilhas.

NSNatália Sousa

Total, que é o que mais faz sentido para mim.

MCMarcela Ceribelli

É porque dinheiro em si poderia ser uma matemática básica, mas envolve todas as nossas crenças familiares, tudo que a gente ouviu sobre E aí, crenças, enfim, que eu não vou entrar aqui em maniqueísmo, mas de que muito dinheiro não faz ninguém feliz. E a própria ideia das novelas, né? A vilã tem dinheiro, os bonzinhos não têm dinheiro. Que parece também uma forma muito boa de controlar as classes, né? Nada como fazer manutenção de classe dando a entender que dinheiro é algo muito Total ruim.

Mas se você vem de uma família e você começa a prosperar, e essa família sempre te disse que, ah, fulano tem dinheiro? Ah, deve ser ladrão.

NSNatália Sousa

Total.

MCMarcela Ceribelli

Você começa a achar, não, pera, se eu prosperar financeiramente, eu vou trair a minha família.

NSNatália Sousa

Exato. Eu costumo dizer que toda família tem o tio rico, né? E aí aquele tio rico, se você não tem o tio rico, você é o tio rico. E é aquele tio rico que todo mundo adora falar mal no almoço de domingo. Aí você cresce ouvindo do tio rico que o tio rico é um escroto, tio rico é o cara que é uma traíra. E aí quando você ousa perguntar assim, me fala o que que ele fez, né? E aí geralmente o tio rico é o que deixou a cidade natal para tentar a vida numa cidade grande, acabou prosperando ali.

Ou tio rico é o tio que de repente criou um próprio negocinho ali na cidade. E a gente tá falando às vezes que nem é de pessoas ricas, é só uma pessoa que ascendeu um pouquinho mais financeiramente, né?

MCMarcela Ceribelli

Sim, mas é o que o furado nos ensinou, né? Na verdade, assim, O rico que é mais rico do que você, não dá para saber exatamente. Tem ricos e ricos, depende de quem tá olhando e falando.

NSNatália Sousa

Exatamente. E aí você pergunta para pessoa assim, tá, mas por que que vocês estão tentando? Você é a criança ouvindo isso, aí você cresce e aquilo começa a te soar estranho. E aí em algum momento você pergunta, tá, mas o que que ele fez exatamente, objetivamente? Por que que ele fez para ser escroto? O que que ele fez para ser essa pessoa tão mal falada na família? E ninguém consegue dizer.

MCMarcela Ceribelli

Dizer.

NSNatália Sousa

Parece que o mal, o pecado, é ele ter ganhado dinheiro. Tem uma história que eu amo, uma— ai, meu Deus do céu, eu vou falando que nem contando muitas coisas.

MCMarcela Ceribelli

Eu amo, eu amo, eu amo, eu amo que você ilustra.

NSNatália Sousa

E aí a gente sabe, eu fico zoando que eu sou igual Jesus, a pessoa faz uma pergunta, respondo com uma história. A pessoa não sabe ficar sem parábola, ela tem tudo contar uma parábola.

MCMarcela Ceribelli

Mas é que fica tão mais claro, né? Assim, de conceitos em conceitos, a gente abrir um artigo científico científico, mas a gente quer ouvir sobre vida.

NSNatália Sousa

Exatamente.

MCMarcela Ceribelli

É, então por favor continue.

NSNatália Sousa

O que eu ia contar, que tem uma história que eu gosto muito, que é a história do homem sanduíche de mortadela, que é uma história que eu conto no livro inclusive, e que é uma história que sim, sabe qual que é, né? Mas por favor, é uma história que eu cresci ouvindo, que sempre era uma história que sempre rodava no Natal, o homem sanduíche de mortadela. Ah, ovo de Páscoa, vamos abrir o ovo de Páscoa. Você lembra da história do homem sanduíche de mortadela?

Era uma história que povoava ali o inconsciente da minha família, que é a história de um cara que o sonho da vida dele era construir um prédio. Era um cara financeiramente ali que não tinha tantos recursos, mas o sonho da vida dele era construir um prédio. E aí um dia ele fala, cara, quer saber, eu tô perto dos 50 anos, eu vou construir esse prédio, eu vou fazer um mapeamento aqui do que eu preciso. E aí ele passa os próximos 7 anos da vida dele tentando construir esse prédio.

E de fato ele vai construindo, ele vai colocando tijolo cima de tijolo, passa massa corrida, e aí coloca mais tijolo, massa corrida, e aí o prédio ganha realmente uma altura muito considerável. E ele olha para aquele prédio e fala, meu Deus do céu, consegui! Só que tem um aspecto dessa história que é interessante. Como ele tinha pouco dinheiro e ele tinha uma ambição grande— vai percebendo os elementos, galera, tem sinais, tem sinais, tem sinais, tem sinais! Não vai ficar surpreso no final, hein?

MCMarcela Ceribelli

Esteja atento.

NSNatália Sousa

E aí, como ele tinha pouco dinheiro e uma ambição grande, ele só come sanduíche de mortadela. Então ele vai construindo aquele prédio, café da manhã sanduíche de mortadela, almoço sanduíche de mortadela, jantar sanduíche de mortadela. E aí definitivamente o prédio fica pronto. E aí ele decide fazer um banquete, um banquete para as pessoas ao redor, para os amigos, para todo mundo celebrar com ele aquele prédio e tudo mais. E esse é o dia, depois de 7 anos, é o dia que ele decide fazer um banquete de fato com comidas diferentes que não incluem sanduíche de mortadela.

Sacou, né? Tá vindo, tá vindo, tá vindo. E aí, uma, quando ele coloca a primeira garfada da comida boa, da comida gostosa, da comida que não é um embutido, da comida que não é improvisada, quando ele coloca a primeira garfada na boca, ele começa a tremer, começa a ter uma síncope, e ele falece. E ele falece com testemunhas. Isso para mim é muito interessante, porque todo mundo vê a morte dele. E aí a gente tem uma simbologia que é: cuidado com o seu sonho, cuidado com aquilo que você deseja, cuidado com aquilo.

Porque essa história, ela poderia ser usada para a gente falar assim: cuidado para não se abandonar no percurso, cuidado para você não priorizar coisas materiais e se abandonar, a saúde no meio. Mas você percebe que ele não morre durante a da obra.

MCMarcela Ceribelli

Ele morre durante o banquete.

NSNatália Sousa

Ele morre durante o banquete.

MCMarcela Ceribelli

Ele morre quando tudo dá certo.

NSNatália Sousa

Ele morre quando tudo dá certo. E é uma morte envergonhada, porque é uma morte testemunhada. Então as pessoas que estão em volta olham ele morrer e fica o recado: toma cuidado com o que você faz, toma cuidado com o que você sonha, toma cuidado com o que você deseja. Porque quando você se distrair, você é pego na surdina. E é uma castração. É uma história que no final das contas é uma castração da nossa ambição.

MCMarcela Ceribelli

Ele foi envenenado.

NSNatália Sousa

Eu nunca tinha pensado nessa hipótese. É uma boa hipótese. Não sei por que você pensou nisso.

MCMarcela Ceribelli

Porque tinha testemunhas, tinha testemunhas, e era uma pessoa—

NSNatália Sousa

ele foi punido então, tipo isso?

MCMarcela Ceribelli

Eu acho. Olha eu, tô indo além. Não, mas fico pensando, ele conquistou aquilo, e muitas pessoas que parecem que estão ao seu lado torcendo Não querem comer do seu banquete.

NSNatália Sousa

Caramba, é uma excelente interpretação! Eu nunca tinha parado para pensar nisso.

MCMarcela Ceribelli

E é nessa hora que, eu não sei, falam muito sobre quem são as pessoas que estão com você na hora difícil. Eu observo muito quem tá com você na hora que você tá vencendo.

NSNatália Sousa

Nossa, amei! Eu não tinha parado para pensar nisso, deu um tom aqui na cabeça. Deu, deu.

MCMarcela Ceribelli

Fora que, porra, eu amo sanduíche de mortadela.

NSNatália Sousa

É bom demais, muito! Coloca na frigideira, dá uma tostadinha, cara. Mil de mil.

MCMarcela Ceribelli

Eu tenho Às vezes até um pouco de desejo.

NSNatália Sousa

É bonzão mesmo.

MCMarcela Ceribelli

Sabe o que eu fiquei curiosa? Você ficou com medo do livro não dar certo?

NSNatália Sousa

Fiquei, mano.

MCMarcela Ceribelli

Você procrastinou nessa escrita?

NSNatália Sousa

Procrastinei muito! E olha, a minha procrastinação, ela tinha um ritual muito interessante, assim. Que era: a editora veio pra mim e falou, ah, Natália, a gente queria que você escrevesse um livro. E na hora eu falei, medo de dar certo. Porque eu tinha recém descoberto esse medo. E aí foi um castelo de cartas, assim, de você olhar pra sua vida e ir revisando. E aí você vai até colocando a mão na cabeça, assim. Porque parece que vai caindo tudo na sua cabeça.

Aí você fala, ah, entendi. Aí foi mal. Aí foi mal, Natália? Entendi agora, tal. E aí eu sentei pra escrever e as primeiras páginas saíram. O primeiro capítulo saiu. E depois disso, eu comecei a perceber que... Má, eu sentava pra escrever e aí quando eu via, eu tava lavando a louça. Eu sentava pra escrever, quando eu via, eu tava arrumando a gaveta. Sentava pra escrever, quando eu via, eu tava passeando com o Chororó, meu cachorro. Esse nome é ótimo. Eu falei de propósito agora.

MCMarcela Ceribelli

Sabia que você ia rir.

NSNatália Sousa

É muito bom, né?

MCMarcela Ceribelli

Eu amei o chororó, tudo, tudo.

NSNatália Sousa

E aí eu comecei a perceber que eu tava procrastinando demais. E aí os prazos passando, os prazos passando, e eu ficando angustiada porque eu não consegui escrever. E aí aconteceu uma coisa muito legal. Eu já tava assim uns 4 meses procrastinando muito de não conseguir sentar para escrever, porque aí que começou a acontecer. Ah, já que eu vou sentar para escrever e quando eu ver eu vou estar na louça, nem vou mais sentar para escrever, cara.

Eu vou na louça direto. Ah, vou arrumar as gavetas direto. Ah, deixa quieto. Quando vier a inspiração, eu escrevo. E aí, meu pai, ele foi pra uma cidadezinha chamada Águas de São Pedro. Que é uma cidade do interior, pequenininha. Uma cidade que tem águas medicinais, uma delícia. E aí, ele falou: Ah, vem pra cá, aluguei uma casa pra gente ficar um tempo e tal. Vem aqui num fim de semana. Ele alugou pra ficar um mês. Fui lá num fim de semana, e tava um sol lindo, assim.

Aquele sol de 30 graus, céu azulzinho. E ele falou: Ah, vamos entrar na piscina? Eu falei: Ah, vamos. Ele falou: Ah, então vou colocar um calção enquanto você entra. Porque eu já tava de maiô, assim, de biquíni. Mas quando eu entrei, o meu pai tava lá no quarto, lá em cima na casa. E foi um momento que eu me dei conta de que tava um completo silêncio na cidade. Era um domingo, então todas as pessoas estavam dentro das suas casas.

Não tinha barulho de buzina, não tinha barulho de criança, não tinha barulho de cachorro nem de passarinho. Tava um silêncio quase palpável. Aquela foi a primeira vez em muitos meses que eu me dei conta do que tava rodando na minha cabeça todas as vezes que eu levantava da cadeira e desistia de escrever o livro. Eu me dei conta, eu Eu falei assim, meu Deus do céu, então esses pensamentos, então essas vozes, elas não estão fora de mim?

Elas estão dentro da minha cabeça? Porque toda vez que eu sentava para escrever, eu ficava pensando, olha lá, quem é ela, né, para escrever esse livro? Ah, pelo amor de Deus, Natália, quem é você para escrever Medo de Dar Certo? E aí eu já começava a brigar com as pessoas que estavam falando aquilo para mim. Aquelas pessoas estavam na minha cabeça e não fora dela. E aí eu entrava numa grande confusão. Só que naquele momento de completo silêncio Eu falei, como não tinha barulho fora, eu me dei conta de que aquilo tava dentro da minha cabeça.

Eu tava o tempo todo procrastinando por coisas que eu mesma tava me falando, sabe? E aí foi um start assim. E aí eu voltei pra São Paulo e concluí o livro. Foi muito doido.

MCMarcela Ceribelli

É uma grande batalha. Eu acho que trabalhar de casa é muito bom pra você fazer tudo aquilo que não mexe com as suas inseguranças. Eu sou ótima de estar em casa e mexer numa planilha, em fazer reunião. Mas a escrita, a pesquisa, os estudos, eu sempre prefiro estar fora de casa. Primeiro, assim como o Homem do Sanduíche Mortadela, eu acho muito bom ter testemunhas. Então você vai para um café, nossa, fica muito melhor de você escrever.

Porque primeiro, só precisa se preocupar com aquilo. E não sei, tem uma energia coletiva de que tem algo acontecendo ali.

NSNatália Sousa

Sim.

MCMarcela Ceribelli

E aí eu ouvi recentemente a Lena Dunham, sabe, que escreveu Girls. E agora ela escreveu o livro dela, que é o Famousick. Lembra de Girls, a série?

NSNatália Sousa

Cara, eu tô aqui tentando, minha cabeça tá processando, eu não lembro, mas é uma série muito famosa de garotas brancas.

MCMarcela Ceribelli

Pode ser algo de garota branca da minha parte.

NSNatália Sousa

A minha referência não alcançou, me perdoa. Tá tudo certo, tá tudo certo. Mas eu adorava Friends, por exemplo. Tá tudo bem.

MCMarcela Ceribelli

Depois de Friends, Girls é tipo de 2013.

NSNatália Sousa

Ah, saquei. Tá, eu não acompanhei.

MCMarcela Ceribelli

Enfim, mas tem a Lena Dunham e ela escreveu agora um livro chamado Famous Sick, que é autobiográfico, enfim. E ela é uma figura polêmica, mas eu achei interessante porque ela falou: mesas são sérias demais. Então eu só consigo escrever do sofá, da cama.

NSNatália Sousa

Nossa, amei!

MCMarcela Ceribelli

A Sofia Coppola só escreve da bancada da cozinha dela.

NSNatália Sousa

Sensacional!

MCMarcela Ceribelli

Porque o ritual de você sentar numa mesa, e agora eu como uma escritora, é pressão demais.

NSNatália Sousa

Nossa, amei!

MCMarcela Ceribelli

Então cada uma vai ter a sua maneira, né? Mas eu, quando tô procrastinando na escrita, geralmente eu vou para outro formato. Então eu lembro que em Sintomas eu ia para garagem do meu prédio, olha isso, e começava a me mandar áudios do que que eu queria dizer com aquilo, para tentar. Porque assim, essas vozes meio que não vão muito embora, não vão. Você tem que negociar total com elas.

NSNatália Sousa

E, mas posso te falar uma coisa? Tem duas coisas que você já falou sobre procrastinação, que são duas ferramentas que você usa. Não sei se você usa ainda, mas que eu lembro de ter ouvido em episódios do Bom Dia, Óbvios. E eu falei, meu Deus do céu, que coisa importante ter ouvido isso, porque me ajudou muito na época. Uma delas eu acho que é de um episódio bem antigo do Bom Dia, Óbvios, acho que primeira temporada, coisa assim, que você falou assim que às vezes você olhava para você mesmo e falava assim, Marcela, escreve bosta então, escreve, escreve bosta, não tem problema, escreve mal.

MCMarcela Ceribelli

Hoje eu vou escrever Nossa, isso eu faço muito.

NSNatália Sousa

Isso é maravilhoso, isso é maravilhoso.

MCMarcela Ceribelli

Hoje eu vou escrever mal, mal. Exato, esse compromisso também, tá?

NSNatália Sousa

Ah, você faz isso muito? Vou malhar fraco.

MCMarcela Ceribelli

Nossa, hoje eu não vou entregar nada, hoje eu vou entrar na aula de spinning e vou ficar o tempo todo sentada, não vou levantar uma vez que me mandarem.

NSNatália Sousa

Corta para Marcela completamente animada.

MCMarcela Ceribelli

Eu engano meu cérebro, entendeu? Começa fazendo ruim, começa fazendo ruim, porque se propor a fazer muito bem é uma cilada, é uma cilada, porque você já precisa de energia, você já tem que passar energia no crédito, você já não tem.

NSNatália Sousa

Isso. E aí, cara, é total.

MCMarcela Ceribelli

E qual é a segunda coisa?

NSNatália Sousa

Tô curiosa. A segunda coisa, você falou que você, quando travava sua cabeça, você gostava de ver espetáculos de comédia.

MCMarcela Ceribelli

É.

NSNatália Sousa

E era uma coisa que assim, na hora eu falei, meu Deus, eu não sou uma pessoa que consome muita comédia, mas eu falei, isso faz muito sentido, porque você falou que tinha a questão das tiradas e porque é um universo completamente diferente do seu. Cara, eu amei isso.

MCMarcela Ceribelli

São essas Mas esse é comédia em pé, né, que é o stand-up comedy. E eu acho os textos muito inteligentes, e das mulheres em especial. Eu adoro consumir humor, eu sou resenha solta.

NSNatália Sousa

Inclusive, eu amei o episódio da Carol, Carol, né? Nossa, perfeito, gente! Eu ri muito, eu ri muito! Ela é muito engraçada, ela é muito engraçada. Eu assim chorei de rir, foi muito bom.

MCMarcela Ceribelli

Ai, que bom, Nath! E eu acho que ajuda você, e você não Ai, se você tá tentando escrever um livro, você não vai se inspirar lendo outro livro. Você vai sentir que você nunca poderia ter cometido o crime de assinar esse contrato.

NSNatália Sousa

Total.

MCMarcela Ceribelli

Isso vale para tantas coisas. Então isso foi uma coisa que eu fui aprendendo assim, que é expandir repertório e entender o que que é procrastinação de fato e o que que é um respiro necessário.

NSNatália Sousa

Nossa, sim, essa diferença é tão importante, né?

MCMarcela Ceribelli

É, porque senão você Fala, nossa, tô tão preguiçosa. Cara, não, talvez você tenha produzido muito. E agora você precise dar uma singela respirada. Nem sempre é possível, né, porque o mercado é cruel. Mas eu acho que quando a gente tá falando de produção, seja de texto, né. Quando você precisa fazer uma entrega, você vai ter que dar uma respirada.

NSNatália Sousa

Total. É, senão você não dá conta, né.

MCMarcela Ceribelli

Eu acho que a gente usa alguns disfarces. E eu acho que o disfarce mais perigoso pra quem sente que jamais daria certo é ser incapaz de falar pro outro: Então, eu vou precisar delegar essa função porque eu talvez já esteja esgotada. É admitir para o outro, seja uma chefe, um colega de trabalho: Eu vou precisar de mais tempo.

NSNatália Sousa

Nossa, sim, 100%.

MCMarcela Ceribelli

Assim, para quem precisa e precisou ao longo da vida de muita validação, nossa, 100%, você admitir que você não vai dar conta, total. E é aquela história, né? Nossa, isso sou muito eu assim, 2026. Então assim, se você tá ouvindo esse podcast com 21 anos, fique muito tranquila porque demorou muito tempo. Não é porque eu dou conta que eu preciso dar conta.

NSNatália Sousa

Essa diferenciação é muito muito valiosa. Não muda nossa vida, muda nossa vida completamente. E essa coisa que você falou do delegar, aconteceu uma situação comigo começo do ano. Eu tava assim me sentindo muito sobrecarregada, afundando, me sentia afogada assim, afogando, afogando, afogando. E teve uma hora que eu falei, cara, não dá mais, eu vou ter que delegar. E aí eu comecei a delegar algumas tarefas que eu tinha para fazer, que eram menos criativas e mais operacionais.

Aí uma das pessoas que estavam fazendo as tarefas ali, eu comecei a olhar, e quando eu vi, eu tava com dó da pessoa porque ela tava fazendo a tarefa assim. E aí eu falei, cara, peraí, eu fazia essa tarefa e todas as outras tarefas. Então dá uma segurada aí também assim, né? E aí foi um exercício também de separação e de também de compreensão. Então era quase como assim, ah, eu tô acostumada a carregar o peso assim, né? Mas aí quando eu preciso passar para o outro, quase me senti uma vilã assim, sabe?

MCMarcela Ceribelli

Parece que para o outro é pesado demais.

NSNatália Sousa

Parece que para o outro é pesado demais, exatamente. E essa coisa que você fez essa diferenciação, né, de como é que você falou, de não precisar da conta.

MCMarcela Ceribelli

Não é porque eu dou conta que eu preciso da conta.

NSNatália Sousa

Exato, exatamente. Cara, isso é tão valioso. Eu tava contando para você, né, nos bastidores agora, eu fui dar uma palestra agora de manhã. Aí final da palestra, aquela coisa, né, de tirar foto com todo mundo e tal. E depois eu tinha uma entrevista para dar ali depois da palestra. E aí eu tinha 4 horas de intervalo entre esse primeiro compromisso e a nossa gravação. E se fosse a Natália do passado, eu ia falar assim, ah não, tudo bem, eu fico 4 horas num café, não tem problema sentada naquela cadeira dura.

Eu fico de boa, eu dou conta. E aí é isso, você dá conta, tudo bem, você não precisa provar que você é fortona, a gente sabe que você dá conta. Mas será que precisa?

MCMarcela Ceribelli

É porque assim, não é porque você tá dando conta que tá saindo de graça.

NSNatália Sousa

Exatamente, você dá conta com preço total. Nossa, isso é terapêutico, na verdade.

MCMarcela Ceribelli

Total, você tá dando conta de algo que tá muito esticado, tem um preço, e você vai ter lidar com esse custo.

NSNatália Sousa

Se você pode, por que não, né?

MCMarcela Ceribelli

Por que não?

NSNatália Sousa

Total.

MCMarcela Ceribelli

E eu acho que o delegar, eu acho que é um exercício muito trabalhoso para muitas de nós, porque exige um começar a perceber o que que imprescindivelmente só pode ser feito por você.

NSNatália Sousa

Total.

MCMarcela Ceribelli

E separar o que pode ser feito por outras pessoas. E um aprendizado também que é essencial: não é porque o outro não tá fazendo como você faria que ele tá fazendo errado.

NSNatália Sousa

Nossa, isso aí pega! Controladora de plantão, a A das controladoras. Pega que é teu, do eu aí, né?

MCMarcela Ceribelli

Nossa Senhora! Já passou por isso?

NSNatália Sousa

Nossa, muito! E eu acho que ainda hoje eu passo, assim. E eu preciso ficar me controlando assim, sabe essa coisa de você ter alguém ali para responder os seus emails e você ficar preocupada com as palavras que a pessoa usa para saber se são as mesmas palavras que você usaria? Cara, eu passei por isso de não, mas é porque a pessoa falou essa palavra, essa palavra. Daí quando eu vi que eu tava indo para esse lugar, Natália, dá um tempinho aí, não seja tão a mais, né? Mas é um caminho que eu faço com alguma facilidade.

MCMarcela Ceribelli

É porque acho que é meio que natural, eu espero, eu Eu espero que seja.

NSNatália Sousa

Alguém diz pra gente aí que tá natural?

MCMarcela Ceribelli

Diga você que teve que delegar um trabalho que é também a sua vida.

NSNatália Sousa

É, total.

MCMarcela Ceribelli

Porque diferente de uma função, a pessoa tá falando em seu nome.

NSNatália Sousa

É, total.

MCMarcela Ceribelli

Então tem um tamanho, tem uma carga.

NSNatália Sousa

Tem, é verdade, irmã.

MCMarcela Ceribelli

É a mais. Acho que a gente pode minimamente se perdoar, mas também aprender que não Não vai dar certo. Vai dar errado se fizer dessa maneira?

NSNatália Sousa

Não.

MCMarcela Ceribelli

Então assim, eu tenho uma amigona assim desde a época da escola e a gente fez faculdade juntas e recentemente a gente voltou a se encontrar. E ela é uma mulher muito bem-sucedida, ela mora fora do Brasil, mas ela falou, é muito louco, Marcela, porque eu lembro que a gente se encontrava na faculdade e a gente tirava o mesmo 10. Mas você tirava com tão menos estresse do que eu.

NSNatália Sousa

Método de vida.

MCMarcela Ceribelli

Que hoje eu vejo que eu poderia ter me inspirado mais em você. E é engraçado ela falar isso, porque eu achei que eu tava estressada também. Mas eu talvez não estivesse tanto quanto ela. Porque ela levava muito a sério. Era como se cada prova fosse a prova de que ela merecia estar ali. Estar viva, entende? Que aquilo ia ser o futuro da carreira dela. E eu não sei dar a importância certa.

NSNatália Sousa

Nossa, acho que faz muito sentido.

MCMarcela Ceribelli

Pra cada coisa.

NSNatália Sousa

Você é assim com tudo, Má? Ou tem algumas áreas que você é mais relaxada? Relaxada no sentido de relaxamento mesmo.

MCMarcela Ceribelli

Em que sentido?

NSNatália Sousa

O que ela disse foi: você tira 10, você consegue o que você quer. Mas você não entra numa pira, numa neurose, numa loucura, né.

MCMarcela Ceribelli

Depende. Acho que algumas coisas eu quase que entro numa neurose, uma loucura. Acho que o que me curou muito foi: eu preciso trabalhar com pessoas que eu confio.

NSNatália Sousa

Cara, isso faz muita diferença, né?

MCMarcela Ceribelli

E se eu confio nessa pessoa, eu preciso confiar nessa pessoa.

NSNatália Sousa

Perfeito, perfeito.

MCMarcela Ceribelli

Então eu confio no que tá sendo feito.

NSNatália Sousa

Perfeito.

MCMarcela Ceribelli

Mas de relaxar, eu sou relaxada com várias coisas. É, eu sou meio bagunceira.

NSNatália Sousa

Seu quarto é uma zona, mano?

MCMarcela Ceribelli

O meu quarto não, porque eu moro com um rapaz muito organizada, mas o Felipe anda na minha casa como se fosse— já assistiu aquele filme Wall-E?

NSNatália Sousa

Sim, sim, sim.

MCMarcela Ceribelli

Ele fica limpando tudo atrás de você. É ele comigo. Então sei lá, eu abro uma embalagem, aí eu deixo alguma coisa na mesa, ele vai lá e limpa para mim. Ele fica atrás de mim e aí, mão, sabe? Fica limpando. Eu acho compensação histórica.

NSNatália Sousa

Justo, justo, justo.

MCMarcela Ceribelli

Mas eu não, eu Eu sou bem relaxada, assim, eu não sou... Porque, eu não sei... Os ambientes, eu trabalho com amontoado de livros, assim. Acho que as pessoas diriam que eu sou mais certinha, né, em relação a isso. E horários, mas eu juro, eu tenho melhorado. Mas depois que eu aprendi que... É uma passada de pano tão escrota que eu vou fazer agora.

NSNatália Sousa

Tá permitido, pode, pode.

MCMarcela Ceribelli

Posso fazer uma passada de pano ridícula pra mim mesma?

NSNatália Sousa

Dá umas letras pequenas dessa fala. Pode ir em frente.

MCMarcela Ceribelli

Pessoas atrasadas são eternas otimistas.

NSNatália Sousa

Jura? Eu também me reconheço nessa, porque a gente acha que vai dar tempo, que vai dar tempo.

MCMarcela Ceribelli

Exatamente, vai dar tempo, vai dar tempo. E eu vejo pessoas ao meu redor que são pontuais, elas são o contrário, elas nunca acham que vai dar tempo. Então é um pouco mais tenso, sempre desesperada, sempre desesperada. Assim, eu e minha mãe é um pânico quando a gente tem um compromisso profissional juntas, porque sei lá, Meu compromisso é 6 da tarde. 2 da tarde, a mãe fala: Oi, já começou a se arrumar?

NSNatália Sousa

E eu tô assim... Ela prontinha já.

MCMarcela Ceribelli

Eu assim... Não é possível que você esteja se arrumando. Mas é porque eu acho que eu vou dar tempo. E aí, eu vou atrasar uns 15 minutos. Mas eu tô melhorando.

NSNatália Sousa

Muito bom!

MCMarcela Ceribelli

Eu até mudei meu relógio agora, eu tô num outro tempo e espaço.

NSNatália Sousa

Ah, você colocou um pouco mais atrasado pra...

MCMarcela Ceribelli

É, e eu não posso saber o quanto que tá atrasado.

NSNatália Sousa

Ah, justo. Porque senão você faz a conta mental. Isso. Ninguém me fala o quanto que tá.

MCMarcela Ceribelli

Tá, mas eu sei que eu tô.

NSNatália Sousa

Aí eu aposto nisso.

MCMarcela Ceribelli

Ai, muito bom! Nath, eu acho que uma das frases mais fortes do livro e também do seu trabalho é como a vida se organiza em movimento. Nossa, como eu lembro dessa frase às vezes! Queria saber quais são os movimentos da sua vida atual e como que você tem se organizado.

NSNatália Sousa

Nossa, Mag, que pergunta bonita! Essa frase veio na minha cabeça num dia que eu perdi o voo, né? E olha que simbólico, Muito antigo, mano. Nunca tinha feito essa relação. Eu tava em Minas nesse dia e eu tava numa reunião como jornalista ali, laptop, laptop, né? Acabei de buscar uma palavra de 1910 e trouxe, né? Com notebook aberto. Posso falar? Laptop é muito antiga, não é? Não. Ixi, mãe, então estamos com o mesmo problema.

MCMarcela Ceribelli

Laptop é antigo, produção?

NSNatália Sousa

Médio, né?

MCMarcela Ceribelli

Médio. Depois que a Lela sentou aqui segunda-feira e me ensinou sobre formar aura.

NSNatália Sousa

Nossa, eu não sou atualizada. Tá no processo de aprendizado, é normal. Eu não conheço, nem eu. Farmar, farmar aura, farmar aura.

MCMarcela Ceribelli

Você quer que eu te explique?

NSNatália Sousa

Eu quero, por favor. Desculpa, foi mal. Dá um Google aí, galera. Aquele negócio, ah, é 67. É, entendeu? Que eu também não sei o significado. Exato, precisamos, porque senão vai ficar bem difícil. Não sei, não faço a menor ideia, mano. Então você tava com seu laptop? Eu tava com meu E eu tava numa reunião e eu achei que eu ia conseguir chegar a tempo no aeroporto de BH, que é um aeroporto longe ali da onde eu tava, né? E tava em Minas Gerais porque a editora tinha pagado minha passagem para ir para lá para fazer um trabalho e tal.

E aí eu acho que vai dar tempo, tô presa na reunião, meu Deus do céu, o horário tá passando, começa a chover em BH. E aí quando eu chego no aeroporto, o horário de embarque tinha fechado há 10 minutos. Aquele aeroporto gigante, eu começo a correr que nem uma louca assim no aeroporto e não consigo embarcar. E aí vergonha e culpa, né? Porque, pô, tô gastando dinheiro que não é nem meu. E aí constrangimento de: desculpa, galera, mas vocês vão ter que comprar uma nova passagem para mim.

Nossa, nossa, mas assim, top 10 constrangimentos para mim, sabe? Tipo, cara, a menina boazinha nessa hora ela se revela muito assim, sabe? Tipo, eu não sei nem se é menina boazinha, eu tô falando, tô me escutando, acho que é uma questão de educação talvez, né? Não, porque acontece, acontece, né?

MCMarcela Ceribelli

Que você tava Ai, sei lá, que saco! Você tava num compromisso profissional e o tempo, o aeroporto de BH é longe, é longe, tem sempre uma obra lá perto, cara, sempre tem, sempre tem uma obra, é difícil lá, cara, de chegar.

NSNatália Sousa

E aí eu lembro que eu tava assim andando com a mala de rodinha e a editora, Nath, tá tudo bem, fica tranquila, a gente entende, tá tudo certo, você tá conciliando muitas coisas. Não, tá tudo bem. E eu comecei a procurar uma tomada porque meu celular também tinha descarregado, aquele caos. E aí tudo dando errado. E aí eu parei Pensei uma hora e falei, cara, mas é isso, a vida se reorganiza no movimento. Achei uma tomada, coloco o celular para carregar.

A editora falou que vai pagar uma nova passagem, tá tudo certo. E aí essa frase veio. E aí quando eu pensei nessa frase para começar o livro, eu falei, essa frase, a vida se reorganiza no movimento. Mas olha que simbólico, Má, eu perdi o voo esse dia porque eu tava numa reunião como jornalista enquanto eu tava vivendo um evento como escritora, né? Então eu tava em Minas por causa da escritora e me atrasei por causa da realista.

E aí ano passado eu falei isso poucas vezes, eu não sei se eu falei isso abertamente em algum lugar. Ano passado eu tive 3 episódios de crise de pânico. E 3 episódios de crise de pânico para alguém que não convive com isso é muita coisa, né? É muita coisa para qualquer pessoa, mas assim, para mim ligou um sinal de alerta muito pesado assim. E aí eu comecei a achar estranho porque eram episódios, olha que interessante, a maioria dos episódios aconteciam em fechados.

Então eu tava em lugar fechado e eu ficava, meu Deus do céu, tô sufocada, eu preciso descer desse ônibus mesmo. Eu tava voltando do Rio com uma amiga minha, a gente tava de ônibus, e eu preciso descer desse ônibus que eu tô ficando muito sufocada, meu Deus do céu, não tem ar aqui. O que para mim é uma grande simbologia, que era na verdade eu sufocando com todas as coisas que eu tava fazendo. E aí na terceira crise eu percebi que não era mais pontual, que tava virando recorrente, que não era uma coisa mais específica.

E eu falei, eu preciso pedir demissão como jornalista. E foi uma dor, uma— meu Deus do céu, assim, foi muito difícil. Porque é isso, jornalismo pra mim é um sonho. Eu sempre achei um tesão fazer isso, assim. Eu sempre amei fazer isso. Mas eu me vi diante de uma escolha que era: alguma coisa eu vou ter que soltar, alguma coisa eu vou ter que largar. Que seja o podcast, o livro e as palestras, que seja o jornalismo. E naquele momento, eu achei que jornalismo que sairia.

E aí, isso foi um movimento muito grande na minha vida. Porque eu trabalho desde muito jovem. Eu nunca tinha tido uma relação profissional que não fosse uma relação fixa de bate-cartão, saca?

MCMarcela Ceribelli

Era isso que eu ia te perguntar. Você abriu mão da sua única entrada fixa.

NSNatália Sousa

Fixa, exatamente. Tinha um trabalho fixo na revista, né? Trabalhei a vida inteira na revista. E meio que, Lu em Capricórnio, né? Contratei uma consultora financeira, me ajuda a pensar o que eu preciso fazer pra tomar essa decisão e tal. Pensei vários meses sobre isso, desenhei um cenário. Beleza, consegui. Cheguei no lugar que eu preciso chegar. Agora eu vou pedir demissão. E aí, tudo certo. Isso, né? Pede demissão, vai viver a vida.

Só que quando eu tô pedindo demissão, eu abri assim, eu tava com duas telas, né? Então aqui minha chefe tava aqui e na outra tela tava toda minha agenda de palestras, o que era na verdade uma, era uma segurança para mim assim, né? Tô pedindo demissão aqui, mas tô mirando aqui, é isso aqui que vai acontecer. Uma segurança visual, visual, um lembrete. Isso, um lembrete interessante, né? Seria mais interessante assim quando eu não tivesse pedindo demissão, 3 palestras não tivessem sido canceladas imediatamente na mesma hora.

MCMarcela Ceribelli

Juro para você, mas eu juro para você que foi caindo ao vivo, foi caindo ao vivo, amiga. Juro para você, juro.

NSNatália Sousa

Porque que a agência faz? Ela faz pré-reservas, né? Então assim, ah, tá rolando, né? Para não perder a sua data, tá muito perto de fechar, só falta o contrato. E aí é ali, tudo certinho. Aí estourou, não lembro o que que foi, se que foi guerra, alguma coisa que estourou ali. As coisas começaram e elas caíram na minha frente ali. E aí eu olhei para aquilo, você quase caiu junto, eu quase caí junto. E aí ao mesmo tempo tô no meio do caminho, não dá para voltar para trás também.

E aí eu sabia também que aquela era aquela decisão, que eu tinha pensado muito sobre isso, mas me deu um desespero assim. E eu lembro que eu entrei numa sessão de terapia logo depois, acho que eu pedi na Então acho que era numa segunda, sei lá, e a terapia era na quarta. E aí eu entrei na terapia e falei, Renata, eu tô desesperada, cara, eu tô começando a achar que foi um sinal do universo, que Deus tá tentando me dar um toque aí de leve pra ver se eu percebo alguma coisa.

E aí a Renata falou, Natália, esse é o princípio da sua nova vida, você vai ter que se acostumar com isso. É isso, isso faz parte, cancelamento faz parte. Vai ter meses que vai ter mais palestras, vai ter meses que vão ter menos palestras, e esse é o princípio da sua nova vida.

MCMarcela Ceribelli

Receber um aperitivo.

NSNatália Sousa

Exatamente, esse é o aperitivo ao vivaço.

MCMarcela Ceribelli

Essa é minha vida.

NSNatália Sousa

Bem-vinda ao clube.

MCMarcela Ceribelli

Eu tô meio acostumada, é isso. Enfim, quem tem um emprego fixo, eu acho uma loucura. Mas você me perguntar onde eu vou estar daqui a 3 semanas, eu não faço a menor ideia. É isso. E enfim, é um exercício de fato você entender que as coisas vão se resolver.

NSNatália Sousa

Exato.

MCMarcela Ceribelli

Mas isso de ter uma vida tão imprevisível em muitos momentos também te faz Eu me vejo muito menos rígida com coisas que as pessoas sofrem muito. Então, ah, desmarcou tal coisa, fala, gente, acontece, total, acontece. Outro dia eu vim gravar o Bom Dia, Óbvio, eu tava voltando para o Rio, cancelou meu voo. E aí o próximo voo, eu cheguei 10 da manhã no aeroporto, eu ia ter que esperar até 7 da noite.

NSNatália Sousa

Ai, que delícia!

MCMarcela Ceribelli

É, eu falei, bom, o que O que que eu vou fazer?

NSNatália Sousa

Nada.

MCMarcela Ceribelli

Eu vou fingir que eu tô em casa, vou abrir meu computador, assistir uma série, vou comer nos meus lugares favoritos do aeroporto. Ótimo. Porque também eu ganhei um voucher, né? Não serviu para muita coisa, porque comprou duas águas, né? Que o aeroporto assim é inacreditável. Não, é surreal, é inacreditável. Mas eu acho que é muito muito bom tentar entender que assim, não é com você.

NSNatália Sousa

Exato.

MCMarcela Ceribelli

Não é, nossa, esse dia foi horrível comigo. Não é com você.

NSNatália Sousa

Totalmente.

MCMarcela Ceribelli

Você nem é protagonista desse mundo, Marcela.

NSNatália Sousa

Exatamente.

MCMarcela Ceribelli

Você é louvor, é isso. Entende? É um senso de desimportância necessário para tocar.

NSNatália Sousa

E meio que você se acostuma, né? Eu, eu, eu, isso aconteceu em setembro assim, aí me deu um pânico, desespero. Aí eu lembrei do que eu tinha feito até ali, né? Não, tipo, a Natália do passado fez eu fiz uma cama aqui para eu deitar durante um ano se der merda assim. E aí depois as coisas se reorganizaram, porque a vida se reorganiza no movimento, é isso. Aí as coisas se reorganizaram, e aí você também vai se entendendo nessa nova vida, vai lidando com esse processo de vazio, porque ele também existe, né?

Quando você sai de um processo de vida muito estruturado e aí você vai para uma vida que é completamente freestyle, cara, deu um bug legal na minha cabeça assim. E aí, num primeiro momento, eu queria muito fugir desse vazio. E fugir mesmo, assim, já acho que não é isso e tal. Aí tem um momento que eu falei, cara, eu acho que eu vou precisar viver esse vazio. Acho que eu vou olhar para esse vazio, vou sentir esse vazio. E eu tava conversando com as meninas aqui nos bastidores, desde então, cara, Má, eu não me arrependo nenhum dia dessa decisão, sabia?

MCMarcela Ceribelli

Você voltou a sentir que tem ar no ambiente?

NSNatália Sousa

Nossa, muito, Má, muito, muito, muito, muito, muito, assim. Não só ar, mas horizonte, sabe? Quando você olha bem longe, assim, olha longe, assim. O mais longe que você consegue alcançar. E nesse período, eu acho que eu atualizei o meu conceito preferido de esperança. Que eu acho que agora é: coisas boas estão por vir, sabe? Porque te dá essa... Você começa a olhar pro horizonte. Aí coisas muito legais começam a acontecer. E é massa também, né, Ma?

Quando você olha pra sua vida e você consegue pensar: Cara, que massa que eu fui conseguindo, né. Que eu fui tendo oportunidades, e que eu fui conseguindo.

MCMarcela Ceribelli

E que eu fui encontrando coragem.

NSNatália Sousa

De construir uma vida pra mim que faz sentido pra essa fase da vida, sabe? Isso é tão bonito, né?

MCMarcela Ceribelli

É, e lembrar que qualquer coisa você volta.

NSNatália Sousa

É, exatamente.

MCMarcela Ceribelli

Não é tão definitivo assim.

NSNatália Sousa

Não é tão definitivo, exatamente. É a temporada, essa é a temporada.

MCMarcela Ceribelli

Isso, essa é a temporada. O que é importante nessa sua temporada.

NSNatália Sousa

Exato.

MCMarcela Ceribelli

Nath, tô muito feliz, que bom que você veio.

NSNatália Sousa

Ah, eu amei. Já acabou?

MCMarcela Ceribelli

É, a gente tá acabando, olha aí.

NSNatália Sousa

Meu, voou, né?

MCMarcela Ceribelli

É, voa, voa.

NSNatália Sousa

Boa, boa!

MCMarcela Ceribelli

E aí, para a gente finalizar, tenho duas perguntas finais. A primeira delas é: pelo que que você está fissurada? Qual a sua fissura atual?

NSNatália Sousa

Amo! Deixa eu pensar, porque eu quero falar uma coisa legal. Deixa eu ver, cara. Eu acho que— ah, acho que eu já sei uma coisa. Eu acho que eu tô fissurada por acessórios coloridos, sabe? Então, por exemplo, eu tô com um tênis azul, uma meia laranja, um colar azul. Eu acho que eu tô meio fissurada por isso. Ah não, Má, posso mudar? Pode. Eu queria falar uma coisa que eu tô mais fissurada ainda. Eu tô fissurada por aula de maitai.

MCMarcela Ceribelli

É verdade, você me contou.

NSNatália Sousa

É luta, nossa!

MCMarcela Ceribelli

Temos um grupo de WhatsApp.

NSNatália Sousa

Temos.

MCMarcela Ceribelli

Quero, tô aqui.

NSNatália Sousa

Legal demais, Má. Muito legal ver quanto o nosso corpo pode dar uns socos bons, sabe, uns chutes bons, cara, foda, muito legal.

MCMarcela Ceribelli

Eu amo particularmente lembrá-lo em situações públicas que eu sei dar um soco.

NSNatália Sousa

É ótimo.

MCMarcela Ceribelli

Nunca precisei, mas eu sei.

NSNatália Sousa

Exatamente, mas tem essa ferramenta.

MCMarcela Ceribelli

É total, tem um superpoder total. E para a gente realmente finalizar trazendo as ouvintes para dentro da conversa, você quer deixar uma pergunta, um questionamento para as as nossas ouvintes?

NSNatália Sousa

Eu queria deixar uma pergunta que é: o que que você, quando você sonha, quando você pensa, qual que é a coisa que quando você pensa você sente frio na barriga e que de fundo dessa coisa te vem uma pergunta que é: quem sou eu para merecer isso? Quando você pensar nessa coisa, você tá muito provavelmente perto do que eu chamo de medo de dar certo. Foi muito gostoso.

MCMarcela Ceribelli

Se pareceu louco demais é porque é Exatamente.

NSNatália Sousa

Ai, que bonito isso!

MCMarcela Ceribelli

Gostou?

NSNatália Sousa

Amei! Você inventou agora? Caramba, Márcia, é boa, meu amor!

MCMarcela Ceribelli

Ó, a nova frase, se eu não souber ela, o Chorão já deve ter dito e eu tô só interpretando.

NSNatália Sousa

Ó, o medo de dar certo aquelas.

MCMarcela Ceribelli

É, né? Mas parece algo que o Chorão diria, né?

NSNatália Sousa

Só os loucos sabem, né?

MCMarcela Ceribelli

Uma coisa assim, uma coisa bem assim.

NSNatália Sousa

Santos, eu amei!

MCMarcela Ceribelli

Obrigada, Nath! Essa aqui é sua casa, viu?

NSNatália Sousa

Ah, eu amei! Me sinto sempre, pode deixar, eu volto mesmo.

MCMarcela Ceribelli

E aí, bora continuar esse papo nos comentários? Segue a gente aqui para receber os novos episódios assim que chegarem. Já aproveita para avaliar o podcast. Para mais conteúdo, segue a gente no @obvious.cc no Instagram. Lembrando que as inscrições para o Óbvio Clube, nossa comunidade literária para a área das mulheres que pensam em voz alta estão abertas. Acesse o QR code aqui na tela ou o link na descrição deste episódio e use o cupom BOMDIA10 para ter 10% de desconto.

Eu te espero na semana que vem para a gente continuar pensando em voz alta. Bom Dia, Óbvio! Esse é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Ceribelli, e produzido e editado pela Zamunda Studio.

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