O corpo sempre sabe antes, com Lela Brandão
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe Lela Brandão para uma conversa sobre corpo, criação e o que acontece quando aprendemos a prestar atenção aos sinais que ele dá.
Lela fala sobre o processo de escrever Vertigem, seu primeiro livro, a experiência de ser ouvida por milhões de pessoas, a relação entre corpo e criação e as emoções que acompanharam o lançamento.
O papo também tem reflexões sobre vulnerabilidade, exposição, além de uma revelação linda.
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Livro: Vertigem: A coragem de encarar o vazio e escutar seu corpo, de Lela Brandão: AQUI
Citações:
Oração para Desaparecer, de Socorro Accioly: AQUI
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- Interpretação do Corpo e EmoçõesSinais do corpo · Relação corpo e criação · Vulnerabilidade e exposição · Corpo como campo de batalha
- Comunicação em redes sociaisCrítica à internet · Trabalho com redes sociais · Comunicação e expressão · Retorno financeiro e ego · Mapa de curiosidades
- Paternidade e MaternidadeOpiniões sobre maternidade na internet · Medos e receios · Rede de apoio · Consumo de conteúdo sobre gravidez
- AmizadeRelação profissional e pessoal · Colaboração em projetos · Apoio mútuo
- Astrologia e SignosSagitário · Câncer · Relações amorosas e astros
E se a vertigem não for apenas o corpo nos traindo, mas a cobrança atrasada de todas as vezes em que nós o traímos primeiro? Talvez você tenha chegado a este livro no momento exato em que a história que vinha contando sobre a sua vida já não é tão fiel às sensações de vivê-la. Talvez seu corpo esteja enviando sinais que você prefere ignorar. Talvez nada disso faça sentido. Ou talvez faça sentido demais. E por isso mesmo seja aquilo que você venha tentando ignorar.
O meu corpo, por sua vez, não espera que a narrativa se organize para começar a reagir. Ele aparece na insônia que antecede a decisão que eu ainda não tive coragem de tomar. Vem na pele que coça, na pálpebra que treme, no estômago que me dobra de dor. O corpo sempre sabe antes. O texto que eu acabei de ler é um trecho do prefácio que eu escrevi pra Vertigem, o primeiro livro da minha amiga Lelabrandão. Eu quis abrir esse episódio assim porque talvez essa seja a melhor porta de entrada pra conversa de hoje.
Não há carreira, lançamento ou currículo, mas o corpo. Eu sou Marcela Ceribelli e esse é o Bom Dia, Óbvias, a casa das mulheres que pensam em voz alta. Antes de mergulharmos no assunto da semana, segue o podcast e ative as notificações. Assim a gente fica ainda mais em casa. Hoje eu recebo Laila Brandão, comunicadora, fundadora da Laila Brandão Co., criadora do podcast Gostosas Também Choram e autora de Vertigem, A coragem de encarar o vazio e escutar o seu corpo.
A Laila construiu uma obra em muitos formatos: roupa, podcast, comunidade, internet, escrita. Mas que parece sempre voltar pra uma pergunta essencial: como uma mulher pode habitar o próprio corpo sem transformá-lo num campo de batalha? No episódio de hoje, eu quero conversar com ela sobre o processo de escrita de Vertigem, sobre corpo, crise, descanso, hiperconexão, roupas, vulnerabilidade, comunidade. E sobre o que acontece quando a vida que a gente construiu já não cabe no corpo.
Por que precisa viver essa vida. Mas antes da gente dar início a essa conversa, você já percebeu como os livros servem como bússolas pra nos guiar naquilo que não sabemos nomear? Foi justamente por isso que eu criei o Obvious Club. Durante um ano, vamos ler juntas 12 livros escritos por mulheres e investigar como as nossas emoções, os nossos desejos e até a forma como enxergamos a nós mesmas também são moldados pelo mundo. Mas mais do que dividir uma leitura por mês, eu quis organizar essa experiência em 3 grandes ciclos que se conectam.
Cada ciclo dura 4 meses, então vamos ler 4 livros por cada ciclo. Todos eles são uma investigação sobre a política íntima das emoções. Ao entrar para o clube, você recebe um box com os 12 livros que vão acompanhar a sua jornada, além de um caderno de anotações literárias, um bloco de fichas de leitura, marcadores de página e um calendário para construir o seu próprio ritual de leitura. Todos os meses teremos uma masterclass para aprofundar a obra.
Uma comunidade exclusiva pra continuarmos a conversa em encontros ao vivo. Muitas vezes com as próprias autoras dos livros que vamos ler. Esse é um espaço de formação pra mulheres que pensam em voz alta. Um lugar pra transformar a leitura em conversa e encontrar linguagem pra aquilo que sentimos, vivemos e muitas vezes ainda não sabíamos nomear. Se você quiser fazer parte dessa comunidade, eu torço pra que sim, acesse o link de inscrição na descrição desse episódio.
Bora pra nossa conversa? Gente, me conta uma coisa: o que tem no carrinho de vocês do Mercado Livre? Porque eu tava olhando o meu agora e percebi que talvez ele diga um pouco demais sobre mim. Tem sérum para cabelo, uma luminária que eu juro que vai mudar minha vida, umas coisas de casa, um presente que talvez seja para mim mesma. E agora ficou ainda mais difícil fingir que eu não compro absolutamente exatamente tudo do Mercado Livre, porque o Anittaço, que é o famoso descontação, só que versão Anitta do Mercado Livre, oficialmente começou.
A patroa Anitta mandou avisar que tem até 70% off em todas as categorias. Se fazer comprita já tava bom, agora ficou melhor ainda. Tem beleza, moda, eletro, mercado, itens para casa e até aquelas coisas que você nem sabia que precisava até ver no app. Opa, inclusive chegou agora uma comprita que eu fiz ontem. Perfeito! E o melhor é que dá pra aproveitar tudo isso com frete grátis nas compras acima de R$19. Ou seja, não precisa ficar esperando o carrinho transbordar.
Ah, e se bater aquela vontade de fazer uma comprinha um pouco maior, também dá pra pagar em até 24 vezes sem juros no Mercado Pago. Então vocês já sabem, aponta o celular pro QR code que tá na tela e corre pro app do Mercado Livre pra fazer compritas. Porque no Onitaço tem oferta pra resolver a vida inteira. Agora eu vou abrir isso aqui. Bom dia, Lela!
Bom dia, gostosas! Ai, tô muito feliz!
Ai, tô muito feliz!
Sabe qual que é o meu objetivo pessoal? É ser a pessoa que mais veio no Bom Dia Óbvio na história do Bom Dia Óbvio.
É completamente possível da gente realizar.
Será? Conto com você!
Tá contando com a pessoa certa. Amiga, eu tava em dúvida se eu fazia uma coisa ou não. Mas eu vou quebrar um singelo protocolo.
Tá bom, vamos lá.
Posso te contar uma coisa?
Não. Brincadeira, aquelas que acabam podcast. Por favor, antes do microfone. Vem cá. Quê? Eu não sei por que eu fiz isso, mas me deu um negócio.
Eu ia te contar depois, mas aí me deu um...
Gente, cancela a gravação agora. Eu falei, preciso contar primeiro pra minha amiga.
É que eu tô grávida.
Amiga, eu te indiquei mamãe, eu e mamãe, e são gêmeos! Amiga, eu não tô acreditando! Meu Deus do céu! Você usou seus óculos? Não, não. Meu Deus, meu Deus, você é gêmea!
Não, foi o que eu falei para médica, que eu sou gêmea. Ela falou Não, porque são gêmeos. Não são. Eu sou bivetelina e os meus são univetelinos. Ela falou que é o acaso, é a chance é 0,4% de todas as gestações do mundo.
Mano, você seria exceção nisso também, né?
Eu não sei por que que Deus faz isso comigo.
Vai nascer esse ano? Meu Deus, você tá de 3 meses? Sim. Meu Deus, nem dá para ver. Ainda bem que você é bem forte.
E ainda bem que você faz calças elásticas.
É, não conte comigo.
Eu entrei no site, eu falei, nossa, eu acho que ela nem sabe que ela faz calçadinhos para grávida.
Lógico que sei, eu fiz para Nath agora. Ela tá super grávida.
Vamos fazer uma coleção de grávida?
Do nada, esse episódio se desvirtuou. Meu Deus!
Eu olhei pra sua cara e eu pensei, eu não vou conseguir passar 60 minutos com a minha amiga fingindo que nada tá acontecendo.
Você vomitou muito? Eu... Ai, tem um bilhão de coisas pra te perguntar. Depois a gente fala, então.
A gente pode continuar isso. Eu posso ir no seu programa.
No meu programa, que eu não tenho. Mas venha. Eu invento um pra você ir.
É, mamães também choram, cara, e choram muito. Eu enjoei bastante, vomitei pouco, mas a minha vida, eu dei conta de fazer tudo assim. Não quero que nenhuma gestante se compare, por favor, mas que bom, que bom, que bom. Eu tenho muitas coisas boas para falar, né, porque você sabe Meu antimuleriano.
Ah, isso eu sei.
Mínimo congelei nada de óvulos.
É, eu lembro.
Mais de 35 anos, eu era o caso que assim, ah, no mínimo um ano tentando, segunda tentativa. Mas é uma boa notícia, né?
E veio logo dois.
E meteram logo dois.
Gente, minha amiga vai ter gêmeos!
Você vai ser tia de gêmeos.
Não, fala, o que que é que você ia perguntar?
A tia Lela?
Ah não, para, menina, vamos parar agora.
Vamos parar agora. Não, posso te dar o direito de mais algumas perguntas ao longo do episódio para mim. Você pode ir se—
tá bom. Obrigada, te amo, te amo. Obrigada você por ter me contado neste momento peculiar.
Então, e não faz o menor sentido porque eu fui zero performática nesse sentido. Eu não gravei o, ah, na hora que deu positivo. Eu não gravei eu contando para minha mãe. Eu não— aí de repente para você, eu entrei no seu olhar que tava alguma coisa tipo assim, você me achou meio desnorteada?
Vou quebrar o protocolo.
Eu falei, meu Deus, Eu não sei, me veio do nada, me veio do nada. Eu não sou uma pessoa espontânea, eu sou zero pessoa espontânea. Mas eu falei, meu Deus, vai ser agora, vai ser agora, vai ser agora, está sendo agora, está sendo agora, está sendo agora. E aí foi.
Eu tô muito, muito feliz. Eu quero comer um bilhão de coisas, mas tô na sua mão. Está se sentindo desesperada ou em paz? Tipo assim, Se fosse 0 a 10, desespero e paz?
5.
Ah, tá.
A minha sensação é que quando, né, agora que eu tô podendo contar pras pessoas, é um dos maiores alívios da minha vida.
Eu imagino, porque 3 meses guardando um segredo desse, 2 segredos nesse...
Assim, uma coisa eu te digo, os homens não poderiam.
É segurar?
Men could never.
Calma, segurar o segredo ou passar por isso?
Passar pelo primeiro trimestre.
Meu Deus.
Porque a gente tá enjoada. Os nossos níveis hormonais. Só que lembra que os meus hormônios são o dobro de uma gestação única.
Meu Deus do céu, não sabia disso!
E eu tive que funcionar completamente normal.
Você fez um milhão de coisas.
Um milhão de coisas. Não existe licença primeiro trimestre. Se os homens engravidassem, teria.
Teria licença nove meses.
Porque eles não podem ter tosse, entendeu? Porque se eles tossirem, eles já estão mal. Eu nunca me senti tão foda como mulher. E também desesperada e tudo.
Gente, enxoval vai ser caro, gente. Fecha publi aí com ela, pelo amor de Deus. Gente do céu, vamos lá. Bom dia, gostosas!
Eu tô grávida, mas você acabou de ter um filho no mundo.
Não, não acredito. Esse vai ser o gancho. Sim, a gente vai falar do meu livro? Vamos então, sei lá. Vamos lá, porque assim Quando você pensa em Vertigem, como é que a gente vai voltar pra esse assunto?
Assim, eu quero dar uma boa notícia pra quem tá assistindo, ouvindo. Que o Vertigem está no Clube do Livro. Então se você quiser um papo um pouco mais centrado em relação à obra... Protocolar. Venha para o Obvious Clube.
Porque lá eu já vou, no futuro eu já vou saber que você tá grávida. Então eu não vou passar por tudo isso.
E a gente vai estar melhor estabilizada.
É verdade. E você vai estar com barrigão, menina.
Mas eu tô meio animada?
Eu tô muito animada.
Né?
Muito.
Faz umas roupas.
Todas as minhas roupas funcionam pra grávidas. Principalmente no primeiro semestre, sim.
As calças têm ajuste. Mas grávida de gêmeos?
Aí já não sei, minha amiga.
Vamos ter que testar. Mas a gente vai tentar.
Vamos testar.
É, a gente pode fazer a coleção gêmeos.
Vamos, fechou. Sim, gente, eu lancei um livro, sei lá, chamado Vertigem. Não sei.
E quando você veio aqui da última vez, dentro dessa grande maratona em que você vai bater um recorde de vindas do Bom Dia Óbvios.
Em breve.
Você tava no processo. É verdade. O que que a Lela de lá não sabia que você sabe hoje?
Que a Marcela tá grávida de gêmeos.
Ai, gente, deixa eu me sentar.
Não, mas você sabe que eu recebi uma mensagem outro dia de uma menina que escutou o episódio? Ela falou assim, acabei de escutar o episódio seu com a Marcela, que você tava falando que tava escrevendo livro e que você tava muito desesperada, e que você não sabia quando que você ia acabar e se você ia conseguir, pedindo ajuda pra ela. E aí, o que eu falaria pra ela é assim, Você vai conseguir eventualmente acabar esse livro. Mas aqui teve momentos, e você sabe porque você aguentou, me aguentou no ouvido por meses e meses falando, meu Deus do céu, que desespero! Se eu soubesse que era tão difícil escrever um livro.
Eu nunca mais vou escrever de novo.
Eu falava, Marcela, se eu falar que eu tô escrevendo um novo livro, me interne agora. Eu nunca mais quero escrever um livro. Gente, é muito difícil escrever livros, eu não tava esperando.
Mas você ainda acha que você nunca mais vai escrever? E é assim que começa, eu sei.
Eu tive uma ideia de um livro, mas eu preciso de um tempo.
Não, Claro, a gente sempre precisa de um tempo.
Eu preciso de um tempo e eu preciso me alimentar de universo para eu conseguir criar uma coisa nova, porque tudo que eu me alimentei nos últimos 10 anos eu coloquei nesse livro. Agora eu preciso de mais um tempo para me alimentar e criar coisas novas.
Eu não só pude ter a honra, não, né, aguentado, mas de ter lido em primeira mão, como eu escrevi o prefácio.
E isso é muito chique.
Eu quero falar uma observação sobre isso. Mas mexeu muito comigo como você encontrou a sua voz dentro da escrita.
O que— nossa, eu fico muito feliz com esse comentário.
Não é fácil, não. Especialmente porque, por mais que tudo seja comunicação, são formatos muito diferentes, muito, muito diferentes.
E é muito diferente você falar escrevendo, muito. E tipo, as pessoas iam comprar por conta também de ouvir o podcast ou não, né? Tem pessoas novas me descobrindo, mas Quando eu comecei a escrever, eu lia e falava, gente, quem é isso? É o William Bonner escrevendo? Tipo assim, completamente formal assim. Aí eu falei, nossa, acho que não é assim. Que eu tava assim, precisamente umas palavras que eu não falo no dia a dia. O que que foi? Você tá se reconhecendo?
Não, é porque William Bonner é foda.
E aí eu reli e falava, não sou eu, eu não me via. Aí eu revisitei o livro, eu deletei toda a primeira parte igual eu até lembrei de você, que você deletou a primeira parte de Aurora também, né?
Ou queria deletar?
Não me lembro.
Na verdade, eu queria deletar a primeira parte, que é o Exausta, o que é tipo a base do livro, porque ele foi o primeiro que eu escrevi. E depois que eu cheguei mais para frente, eu achei muito desnecessário, mas eu apaguei grande parte.
Ninguém gostou dessa primeira parte?
Minha primeira filha foi bem assim.
Então, mas você deletou?
Eu deixei para depois.
Como assim?
Eu deixei um pedaço que eu ia...
Ah, pra um próximo livro?
Pra um próximo momento da minha vida.
Ah, tá, entendi.
A Aninha não faz muito, então eu achei que eu tinha permissão também.
Chique, chique.
É, não é pra agora.
Eu deletei a primeira parte do meu livro.
Você deletou tudo?
Deletei.
Eu lembro desse momento. Que aí você achou, acho que eu talvez não faça.
É, eu falei, ah, chega. Deixa pra lá.
Muito sofrido.
Muito sofrido. Mas aí eu reescrevi. Pra mim é muito desafiador, porque eu sou podcaster, você também. A gente grava, o negócio tá pronto, né. Agora, um livro são anos. Quanto tempo você demorou em cada um?
Esse não é um episódio temático, mas em ambos eu demorei 9 meses.
Vemos um padrão.
Aparentemente é o tempo que eu levo pra gerar essas coisas.
Até que foi rápido, né? É que você já tem essa linguagem muito fluida pra escrita, né, também. E eu admiro muito o jeito que você estrutura seus pensamentos, que já é um pensamento que funciona na escrita, que é: tem começo, meio e fim. Eu não sou assim no meu podcast, eu abro parênteses, não fecho, sabe?
Você acha que eu já estruturei o meu raciocínio dessa maneira?
Às vezes eu acho que você se comunica assim.
Você vai fazer algum comentário sobre prefácio?
Eu ia falar que é muito chique que quando você procura o meu livro parece que a gente é coautora, porque tá escrito escrito por Laila Brandão e Marcela Ceribelli.
Mentira!
Ah, para!
É muito chique, meu Deus do céu! Muito chique!
É muito. E o audiolivro também aparece Laila Brandão e Marcela Ceribelli.
Sabe que ontem eu tava— Inclusive, a gente poderia Ah não, é, a gente deveria, a gente deveria, a gente deveria, mas vamos deixar em off. É, não, hoje nada vai ficar em off. Ontem eu tava almoçando e aí eu contei para minha avó, para minha tia, foi lindo.
Ai, você gravou?
Não, não gravei nada. A única coisa que está gravada é isso, esse é meu grande registro.
Não tá performático.
E um grande registro mesmo, assim, eu não tinha gravado nada. Nada, nada, nada, nada. E eu achei muito legal, porque veio um menino e uma menina, um homem e uma mulher, falar que gosta muito do meu trabalho. E aí, a mulher falou assim, tem uma coisa que eu admiro muito, porque eu sou do mercado publicitário. E eu vejo que você e a Lela podiam ser completamente concorrentes. E vocês são extremamente amigas. E é muito bonito de se ver.
Nossa, nunca nem pensei nisso.
É que pra gente... É óbvio, sim. É, desde o início, né? Desde o início a gente sempre se— não, me dá a mão aqui, né? Já chorei mil.
Eu nem lembro quando foi que a gente se conheceu. Parece que a gente se conhece sempre, né?
Tipo assim, ah, eu enchi o saco da Marcela. Gente, eu encho muito o saco dela, ela também. Como não, amiga?
Você nunca seria capaz de encher meu saco. Eu choro pitangas para você me ajudar, para mim ajudar minha amiga é uma delícia. Qualquer desculpa para falar com você é ótimo. Sabe o que que eu ia Te dizer, eu sempre lembro daquela história. Falei disso outro dia, inclusive, que você tava fazendo um intravaginal e a mulher enfiou o intravaginal e falou, eu adoro você, Alela.
Eu amo esse dia, gente, os limites. Eu assim, ó, com as pernas. Quando eu fui congelar óvulos.
Ah, tá vendo?
Não sei se eu vou usar. Temático, voltando para o tema. Voltando para o tema, esse episódio é obstétrico. Eu fiquei tão constrangida, eu não sabia o que fazer.
Agora você e a Lela, e o negócio já é tão confortável.
Eu falei, poxa, pode entrar então, Lela, né? Vem aqui contar meus folículos.
Ai, gente, juro.
Mas o que que você acha? E agora que você tem diferentes formatos, então você é uma artista visual, você é podcaster e autora.
Autora.
Autora. O que que conecta essas lelas?
Eu, isso é uma coisa que eu já trabalhei muito na análise, por isso que eu respondi tão rápido. Porque quando eu entrei na análise, eu era artista plástica, que eu trabalhava com muralismo, artista de rua, porque eu tinha um projeto de arte de rua, eu tava me formando em arquitetura, trabalhava com conteúdo nas redes sociais, tipo assim, nada com nada. E trabalhava com arquitetura também. E aí eu ficava me encafifando com a minha analista, o que que eu Mas como que eu me defino?
Eu tenho que ser mais empresária ou mais não sei o quê, mais não sei o quê? E aí, depois de muita batição de cabeça, eu entendi que o que conecta tudo que eu faço, que é a marca de roupas, o podcast, o meu trabalho como influenciadora, o meu trabalho como autora, tudo isso é que sou eu que lidero todos. E é o jeito que eu acredito que o mundo deveria ser, que eu tento exercer através deles. Então é a minha visão, basicamente. Eu me entendo como um maestro, sabe, que vai dando tipo direcionamento das coisas.
E hoje eu tenho uma equipe que é muito maravilhosa, incrível. E além de ajudar criativamente, elas dão conta de executar as coisas que eu não tenho braço suficiente para executar. Então hoje eu tô mais mesmo nesse lugar de dirigir a visão das coisas e às vezes, claro, botar a mão na massa. Mas eu tenho que dar uma equilibrada, porque senão não tenho tempo para fazer tudo, né?
Mas você tem um crivo final que fala isso aqui tem o meu DNA ou não?
Tenho, mas depende do nível de coisa. Se é um post no Instagram da marca, muitas vezes as meninas do marketing já têm uma autonomia para saber o que que tá alinhado com a minha visão ou não. Agora, quando é uma coisa que eu acho, ou que eu acho legal de me envolver, ou que eu acho mais importante como comunicadora, ou para me posicionar, aí eu sou meio protetora até o final.
Eu não acho que eu sou muito Eu ia só falar, você é boa de delegar, né?
Sou, eu acho que sim. Não sei, teria que perguntar para minha equipe. Ela falou que sim.
Para mim, o que conecta tudo é sua relação com corpos.
Ah, pode ser.
Tanto que até dentro da sua arte, não basta para você ficar dentro da tela, tem que ter o corpo, tem que ter o corpo vivo. Então aí você vai e vai para rua.
É, faz sentido, viu? É, eu tenho inclusive, essa era a ideia que eu tinha para o meu segundo livro, falando, ou escrever o prefácio. É tipo, corpo é uma coisa que pauta muito tudo que eu falo. Eu acho que tem a ver com a minha formação também de arquitetura, que tem a relação do corpo com o espaço e tal, tem a ver com o que eu passei como adolescente, que muitas de nós passamos, de distúrbios alimentares e tentar se entender num corpo.
Que inclusive eu falo bastante no livro também, na última parte, que foi muito inspirado em Girlhood, que foi você que me indicou, e Fome, da Roxane Gay. Então o corpo realmente tá presente. A marca também, a minha marca, é um jeito de inventar um lugar onde os corpos possam ser simplesmente corpos e não subjugados pelo tamanho ou nada disso, padrões de pressão estética. E pensar em soluções por dentro da indústria de como você pode fazer esses corpos se sentirem adequados, em vez de inadequados.
Então eu vou meio que procurando jeitos. Mas eu tenho tantos interesses pra além. E é o que eu exploro mais ou menos no podcast, como comunicadora. Que não necessariamente perpassam o corpo, mas é uma lusona mesmo, né. Quando você entra na cabeça da pessoa, tem um bilhão de abas abertas. E todas são aquela busca que começa em um... Sabe quando você começa a stalkear uma pessoa? Aí você vai ver se tá na tia do não sei quem. É assim meus interesses.
Você também é assim? Eu sou bem assim. Que quando você vê, você tá assim, qual é a raça do cachorro de não sei quem? Você fala, meu Deus, como que eu comecei? Ah, é, eu tava procurando sobre Sísifo, tipo assim, sabe?
Isso, mas é porque, né, vão se conectando.
É um mapa de curiosidades. Já ouviu falar disso?
Não.
Ah, eu tô viciada nisso. É um jeito de você vencer o negócio dos algoritmos que vai te entregando coisa que você não pediu. É você traçar um mapa de curiosidade, tipo, ah, eu tenho curiosidade sobre sei lá, agora eu tô pesquisando sobre corpo. Aí corpo, aí você vai puxando frases e vai vendo o que mais que você tem curiosidade. Aí você tem um mapa de coisas para você pesquisar em vez de ficar rolando. Muito bom, é muito bom. Aí você vai mais direcionado, entendeu?
Em vez de ficar rolando indefinidamente por coisas que você não escolheu, você escolhe um caminho e vai.
Nossa, muito bom. E até pensando, né, talvez a junção minha e sua, você tá no corpo enquanto eu tô muito nas emoções.
É verdade, é verdade.
E a gente se encontra com esses efeitos das emoções no corpo, o corpo nas emoções.
É totalmente isso, né?
É totalmente.
Aurora tem um pouco mais de corpo também, né, que a gente fala chapadinho, mas sintomas é bem emoções.
Porque eu tava muito mais para fora, mas o meu próximo livro tem muito mais a ver com emoções, ou vai ser um livro sobre gravidez, não sei.
Sobre gêmeos, gêmeos sagitarianos, amiga. Nossa Senhora, ah, vão viver, né? Vão ser um terror, hein?
Vão. Mas é mesmo, imagina.
Mas eu amo sagitariano, eu queria ser, inclusive quase que eu fui.
Eu acho que o Sagitário, eu não vou falar dele em relacionamento com os outros, mas eu acho que ser sagitariano é muito bom.
É, eu também acho. Eu acho que é um dos signos, é complexo mesmo. Já tive um ex-sagitariano, menina, sofri na mão fria pela vida.
Você não tem noção do inferno que eu passei. Eu Pior é que você sabe. Mas não é só astrologia, né?
Não, lógico que não. Aqui estamos brincando.
Uma piada. Ninguém foi infeliz em relacionamento. Não, mentira.
Não, eu nunca sofri na mão de sagitariano.
Imagina. As duas relações tóxicas que eu tive na minha vida foram com sagitarianos. Uma amizade e um relacionamento amoroso. Então assim, vem aí.
Bicho, olha.
Acho que tá vindo minha compensação.
Bom, aí cabe a você.
Sabe uma coisa que eu dei risada ontem? Quer dizer, se eu falar isso as pessoas vão me matar. Bom, mas foda-se. Que ficavam falando, é porque o Gabriel Magalhães— o jogo?
Futebol?
O Gabriel Magalhães, ele é sagitariano. E o Haaland é canceriano. E sagitário vai sempre infernizar demais a vida do canceriano. E aí, no final do jogo, eu só fiz meio assim. Parece que o canceriano marcou o gol. 2 gols, inclusive. Maluca, maluca. Mas é que assim—
Tipo assim.
Não é exatamente o que eu tava, eu tava torcendo pelo Brasil, mas eu também não me apego muito porque eu acho que a próxima geração vai ser melhor. Essa é muito conectada à Bete, deixa.
Tá um grande pupurri de assunto. Se vocês não perceberam, a gente tem gravidez de gêmeos, astrologia, livro de Lela Brandão, próximo livro de Lela e Marcelo, e agora Haaland e futebol.
Eu tô com baby brain, né? Porque você perde de fato 5% do seu cérebro.
Quando eu congelei meus óvulos, eu senti isso, eu te falei Eu senti tanto.
Você não sabe, eu tirei uma dúvida com a ginecologista em relação a você.
Oxe, Maria!
Ela tava com o tal do puerpério pós-coleta. Totalmente real.
É real, eu não tenho dúvidas, porque eu senti na minha pele. Quando eu tava congelando, quando eu tava no negócio do hormônio, eu não conseguia gravar episódio, não conseguia. Não sei como é que você tá conseguindo, porque eu não conseguia juntar uma frase com a outra. E aí, depois que cortou o hormônio, eu entrei numa depressão profunda. Que ainda bem durou 3 dias só.
Ah não, mas meus hormônios estão bombando. É só para você ter uma noção, uma gestação única, o hCG, que é o hormônio que a gente mede para saber a evolução da gravidez— vamos lá, eu vi que uma influenciadora postou, então vou tomar o dela de referência. O primeiro hCG dela era 160, e aí você vai acompanhando dia a dia para ver se a gravidez tá evoluindo, né? O meu primeiro foi 3.800. Que aí a ginecologista falou: é, não precisa fazer o segundo não, é, acho que tá tudo bem, eu acho que você tá com um pouquinho.
Meu Deus! E ele faz o quê? Você fica confusa?
É o do que eu sei, mas aí ginecologistas, por favor, apareçam aqui, né? Corrijam, não tem o menor problema, corrija, me corrijam. O hCG é o hormônio necessário para se formar a placenta e ele é responsável pelos enjoo, por esse soco também de progesterona, né, que a gente tem. Então ele é a evolução da gravidez, né? Porque a gente sabia que a gente produz uma placenta para cada gravidez?
Eu imaginei, porque você para a placenta, né?
Pois é, eu era me lembrando especificais que você é empandado, que me surpreendeu. Aí você pega e põe de volta?
Eu achei que ia se refazer uma É verdade, amiga. Baby brain.
Eu já tô com baby brain, gente. Já tô com uma área cinzenta no meu cérebro seríssimo.
Noi Rita Grávida nos comentários.
Ah, é? E eu vou falar uma coisa, eu tô falando de gravidez agora, mas eu sei o perigo que é falar de maternidade na internet.
Faz um episódio sobre não monogamia e gravidez e não monogamia, os seus besteiras da internet.
Se me odiar muito, vou fazer isso.
Faz um episódio comigo sobre Taylor Swift, Helena Ferranti e gravidez.
Pronto, e nunca mais conecta o 4G. Os 4 pilares do fim do mundo, assim. Mas eu vou avisando, se encherem muito meu saco, eu vou fingir que eu não tô grávida, vou estar com uma barriga desse tamanho e não vou falar mais de maternidade.
Ó, já tá dando fecho antes de virar o hate. É isso mesmo. A gente joga com a arma que tem.
Eu sei que vocês acham essa coisa, todo mundo quer dar opinião, tá certo, errado. Ah, não pode usar amarelo grave.
Não, e vai embora, vamos falar, Marcelo está acompanhado dos melhores médicos, com os melhores amparos, tanto psicológicos quanto biológicos. Então não, tá bem, tá bem, tá bem, tá bem.
Vamos lá, vamos lá, vai dar certo, vai dar certo, vai dar certo, vai dar certo. E algumas coisas vão dar errado e tem que—
é isso, a gente não tem controle de tudo.
E aí eu amo que a minha próxima pergunta para você você, é, tem tudo a ver, que é como que fica para você essa ambivalência de criticar a internet, mas trabalhar com ela? E eu quero complementar dizendo que, já que nem todo mundo consegue trazer para si, isso é, eu acho que uma autocrítica geral, porque todos nós estamos conscientes dos efeitos da internet, todos nós é um exagero, Todos nós é muita gente.
Nem todo influenciador.
Não, mas pessoas conectadas, não necessariamente trabalhando com a internet.
Não, mas assim, não é todo influenciador que tá ciente das consequências ruins das redes sociais, ou tá ligando pra isso.
Não, não se importam.
A gente é muito melhor. A gente é muito superiorzona.
Ai, como elas são conscientes.
Muito, nossa, gente.
Como que você tratou essa contradição?
Então, eu falo bastante disso no livro, né, na segunda parte principalmente. Que na segunda parte do livro eu falo um pouco do que me levou até esse lugar. Eu escrevi essa segunda parte porque eu estava com a Nolanda, que foi você que me indicou, inclusive, que é uma mentora de escrita maravilhosa que acompanhou toda a escrita do meu livro. E ela lia e me dava esse feedback, tipo assim, ó, isso aqui tá confuso, tá faltando uma fonte disso, não sei o quê.
E aí chegou uma parte que ela falou assim, Laila, não tá dando pra entender nada, porque cada hora você fala um negócio. Uma hora você fala que você é podcaster, outra hora você fala que é formada em arquitetura, outra hora você fala que é influenciadora. Quem não te conhece vai ler achando que você tá doida. E aí eu falei, tá, vou ter que dar um passo para trás e escrever como que eu vim parar aqui. Aí eu vou falando meio que o que que foi me empurrando para cada lado e as decisões que me levaram a ocupar espaços e desocupar espaço também, porque eu falo também sobre desistir.
E aí quando eu tava escrevendo esse capítulo, eu percebi o quanto que é as redes sociais, elas são um jeito de eu me comunicar, não são o fim, elas são um meio. E que a minha parada sempre foi me expressar e me comunicar e achar pessoas que engatem na conversa junto comigo sobre os assuntos que eu gosto. Eu já fui artista de rua porque eu queria puxar o assunto do feminismo na época de 2015 para chamar mais pessoas para discussão e levar para fora da academia, porque naquela época eu conhecia através da academia o feminismo e eu queria falar com outras pessoas que não eram da academia.
E a mesma coisa com redes sociais, com outras plataformas, com— eu já dei cursos às vezes assim de oficinas e coisas assim de lambilambi também para mulheres. Então minha paixão e o jeito que eu aprendo sobre as coisas é já pensando em como eu vou comunicar. Eu acho que é o jeito que eu fixo as ideias na minha cabeça, de tipo, ah tá, tô lendo um livro super complexo, como que eu falaria isso de um jeito simples no meio de uma conversa?
E aí é o jeito que eu fixo as ideias. Só que aí eu fico com um negócio, eu acho que você deve ser igual, eu fico com um negócio que se eu não falo começa a me dar uma gastrite, aí eu preciso falar. Aí o podcast para mim é maravilhoso, né, porque eu aí eu falo E as redes sociais são um meio mais superficial, mais rápido, também cheio de problemáticas. Mas também é o lugar aonde eu encontrei várias pessoas, onde eu encontrei você, por exemplo, onde eu encontrei a minha— a gente já vai começar a chorar.
Nossa, é verdade, mas aquilo faz muito tempo que eu não penso nisso, né? Se não fosse a internet, eu não teria várias conexões importantes na minha vida.
E várias, por exemplo, a minha marca, que é uma marca independente, que nasceu com um investimento próprio meu e do Vitor, que fundou junto comigo, que não tem tipo poder de contratar celebridades ou influenciadores. Imagina que naquela época, inclusive quando a gente abriu, a gente não tinha dinheiro para nada.
Tipo, que ano?
2020, no meio da pandemia. Como que a gente ia chegar no nosso público se não fossem as redes sociais? Como que as pessoas iam me ouvir por uma hora semanal? Como que eu ia imaginar isso, que tem pessoas que iam me ouvir uma hora semanalmente falando sobre qualquer coisa? Até hoje eu não É, eu também.
Não é?
Eu fico passada.
Eu fico passada.
Passada.
E não é falsa modéstia, não. De verdade.
Não, é porque pra gente é muito difícil de conectar os fatos, né? Tipo assim, nossa, tem centenas de milhares ouvindo, pessoas ouvindo isso mesmo, sabe?
Até o final?
Até o final.
Duas vezes eu fiz. Você também tem o público que ouve mais de uma vez, né?
Tenho, tenho.
Eu fico muito impressionada. Obrigada, gente.
Não sei como é que aguentam minha voz.
Preciso sustentar duas crianças, então assim.
É, ouçam. Duas crianças. Eu sou mãe de duas crianças.
Obrigada por tudo, gente.
Então respondendo, e aí tem também a parte que eu falo, bom, e também tem o fato de que traz retorno financeiro, um retorno financeiro desproporcional você ser influenciadora do que a gente vê no mercado, o quanto de dinheiro que a publi— não, pra mim também, mas assim, tem gente que ganha infinitamente mais do que eu e tem gente que ganha menos também, mas o quanto de dinheiro que roda no mercado de publicidade é surreal. E também tem a parte do ego, que é isso, eu falo assim, ainda não transcendi, né, também estou lá pelo roteiro financeiro e pelo ego, mas eu tento dar uma, sempre entender o que que tá compensando, se tá compensando na balança. E para mim compensa, tá barato inclusive.
Quando você fala ego, você acha que é mais, quando você se refere, é vaidade ou também um pouco de uma necessidade básica humana de validação?
Também, mas assim, eu não sei você, mas eu cresci de um jeito que eu sentia que ninguém se interessava muito porque eu eu tava falando, pelas minhas ideias. Esse relacionamento péssimo que eu tive também com esse sagitariano horroroso, ele fez questão de me afirmar: ó, você não é importante, minha filha, ninguém quer ouvir o que você tá falando, inclusive nem fale comigo. Era meio que a conduta dele. Então eu que passei grande parte da minha vida com a ideia de que o que eu tinha para falar não era importante, nem merecia ser ouvido, nem era útil. Fiquei alguns anos.
Caramba.
Infelizmente. Mas enfim, tudo serve para o caráter, né? E aí simplesmente— e para construir o império, para construir o império e construir caráter também, né, amigo? E aí simplesmente ir para uma realidade onde milhões de pessoas ouvem o que eu falo por uma hora semanal, para mim é tipo assim, ah, então eu tava certo o tempo todo, eu tenho coisas para falar, você tem muito o que falar, falo pelos cotovelos.
Como é que tá sendo o retorno do livro.
Em qual sentido?
Agora que você colocou no mundo, você sabe como que as pessoas te leram. E a gente conversou muito sobre isso, e eu falei o quanto as leitoras são diferentes de ouvintes, de seguidoras. É uma outra relação. Você já tá sentindo isso?
Eu já fico muito honrada assim, porque nas redes sociais a pessoa dedicar 1 minuto e meio para ver seu conteúdo já já é assim, você ganhou na loteria.
É uau!
Porque tem muita gente fazendo 1 minuto e meio de conteúdo por dia. Então isso já é uau. Agora, semanalmente ela ouvir por 1 hora você, aí é uau. Agora o livro que ela fica dias, ou sei lá, meses, é porque acabou de lançar, então não deu um mês. Acho que deu um mês agora, não sei. Eu fico, caraca, a menina ficou me lendo com a minha voz na cabeça dela por dias. Mas eu me sinto muito honrada que ela dedicou nesse momento que tem tanto tempo e atenção envolvido na economia, né?
Assim, o que você tem para oferecer é o seu tempo e atenção. Ela ofereceu tempo e atenção para o meu livro, é uau! Mas o que eu sinto dessa primeira etapa, pelo menos, é que quem tá lendo é a minha comunidade, são pessoas que já me conhecem e elas estão aprofundando a relação comigo. Aí daqui para frente não sei como é que vai ser, porque começa a ser um negócio meio pirâmide, né?
É, é porque você dificilmente vai ler um livro porque você viu um anúncio. É, eu não sei se você vai ler um livro porque alguém que você gosta, né, indicou. Então você, de alguma maneira, na literatura tem menos algoritmo. Sim, faz sentido, entende?
E também eu acho que tem menos, tipo, para pessoa ler o livro te odiando. Ela tem que se odiar muito, né?
Assim, até a última página.
Nossa, que lixo de livro! Tipo assim, eu não sei vocês, mas eu largo o livro que eu não gosto. E assim, uma coisa que eu conversei muito com a minha analista, que eu tava muito assim, será que as pessoas vão odiar o livro? Sei lá, que eu vou achar uma besteira? Será que ninguém vai? E ela falou assim, Laila, tem gente que não gosta de Sara Mago. Aí eu falei, ah, é verdade.
Nossa, então isso é uma coisa muito importante de se fazer antes de lançar um livro. Essa é uma—
não que eu seja o Sara Mago, pelo amor de Deus, justamente por nós não não sermos o Saramago.
Isso foi um exercício que eu fiz com a Alice, minha editora, que é ver reviews de livros absurdamente fodas e obras-primas. E aí vai lá o fulaninho de não sei onde e descasca o livro. Exatamente.
E é assim, para mim bateu no lugar assim: é um livro, existem bilhões de livros, é um livro. Se ele atingir uma pessoa de forma impactar a vida dela de alguma forma, ou de preencher algum espaço que tava precisando ser preenchido, eu tô feliz. E honestamente, agora lançou o livro oficialmente, as pessoas começaram a receber no dia 16, a gente tá gravando agora dia 6, vai dar um mês daqui a pouco. O que já aconteceu, eu tô super satisfeita. Ai, que bom! Daqui para frente é só lucro, entendeu?
Eu acho que você tá até mais leve.
Eu tô, eu tô mesmo. É um armário que a gente carrega nas costas, 2 anos e meio arrastando esse armário.
Foi 2 anos e meio?
Fiquei 2 anos e meio Passou rápido, né?
Para mim, para você que não tava escrevendo, você escreveu enorme.
Por isso que eu tô falando, gente, tem tanto aprender com a Marcela. Sabe aquele meme da galinha? Ainda tenho muito a aprender.
Aquela de mochilinha, não sei nenhum meme, lembra? Nunca vi esse mesmo. Me mostra depois. É verdade, eu esqueço que a Marcela não sabe nenhum meme, nenhuma trend, nenhum meme, nenhuma trend.
Cronicamente offline.
Às vezes eu acho que sim, porque não é possível. Ou eu tô vendo outras coisas, sabe?
Gerando duas crianças.
É, e cara, e de fato lendo muito livro, né? É verdade, porque eu de fato leio muito.
E não é, ah, eu leio, não, mas é porque enfim, no seu tempo você lê.
É meu trabalho, né?
É que eu sou obcecada por figurinha. Isso é uma figurinha do WhatsApp.
Ah, me manda!
Eu entro em grupos do WhatsApp só para pegar figurinhas. São grupos de figurinhas.
Isso existe?
Existe, é minha obsessão, tá? Eu fico de sábado e domingo, eu tô aplaudindo como me ensinaram, de sábado, e às vezes domingo eu fico offline, né? Não entra em redes sociais. E aí quando me dá uma vontade de rede social sociais, eu abro o grupo de figurinha e fico lá caçando figurinha no WhatsApp. Eu amo!
Cara, isso é um belo entretenimento.
É maravilhoso. Eu vou te mandar esse da galinha.
Você falou sobre o relacionamento que você ficou muito tempo e acabou. No livro a gente vê várias versões suas.
Ai, é o relacionamento que eu finquei a unha no— é esse sagitariano aí que eu finquei a unha e fui parar no hospital. Foi com ele.
Nossa, que querido, né?
Queridíssimo.
Menção honrosa, desonrosa, inclusive, viu?
Não, tomara que esteja feliz. Imagina, faz anos e anos.
Tomara que não, mas fala. Não, que eu comecei falando um pouco sobre essa sua voz que você encontrou, e eu acho que você tem uma habilidade muito boa de nos levar para os lugares.
Então você sabe todos os melhores elogios.
Não, mas porque são verdadeiros. E de repente a gente tá nessa festa com você e a gente tá te acompanhando até o carro, tentando te levar para os— e Isso me pegou muito porque é um livro que vai falar sobre o corpo e faz com que a gente sinta no nosso corpo.
É exatamente isso que eu queria. Você conseguiu. Nossa, tô muito feliz. Eu me inspirei muito na Rosa Monteiro, que faz bastante isso de trazer cenas da vida dela e depois aprofundar no assunto que ela quer abordar. E tem um livro que ele me ajudou muito também a escrever, você já deve ter lido, A Obrigação de Ser Genial.
Sim.
E ela fala bastante também sobre como as pessoas se conectam com histórias, e é o jeito que eu faço no meu podcast também. Então eu sempre conto alguma coisa que aconteceu comigo e depois o que eu concluí, o que eu elaborei, o que eu pesquisei, as fontes que eu vi, as conversas que eu tive e tal. Então quando eu fui ligando os pontos e falei, nossa, eu amo a Rosa Monteiro. Eu li esse livro que fala sobre como você costurar uma boa história com uma teoria que vem em seguida.
Eu faço isso no meu podcast, é assim que tem que ser no meu livro, porque tudo tem a ver, né? E aí eu fiz esse esforço assim de trazer experiências minhas com muita— porque eu vivo muito muito no corpo mesmo as coisas, né? Assim, então eu lembro muito das coisas que eu tava sentindo em todas as cenas que eu descrevo. E aí eu sou muito viciada, eu sei que você tem esse vício também, de encontrar as palavras exatas para descrever. E aí eu, essas foram as melhores partes para mim de escrever o livro.
E que que o seu corpo tava sentindo ao longo do lançamento?
Desespero completo.
Nenhum alívio.
Nossa, eu tenho uma foto, eu vou te mandar depois, se quiser mandar para as óbvias. Eu inchada de tanto chorar, enfiei a cara num balde de gelo. Foi um desespero, mas emoção não, de desespero, de emoção não, de desespero mesmo, minha amiga. Eu tava muito nervosa, muito nervosa. Deu um problema no site quando na pré-venda também, porque a gente entendeu com a editora que seria, a gente precisaria falar bastante da pré-venda e aí depois a gente faria o difícil de trazer pras livrarias e fazer as coisas de autógrafos e tal.
E aí, na pré-venda, ficou muito concentrado em mim, né. Porque, enfim, não tem como a editora vender um livro que não existe ainda. Então seria pra minha comunidade mesmo. E aí, a expectativa era muito grande. E caiu o site. Eu não vou falar o nome do site.
Mas é um grande site pra ter caído.
É um grande site que tem um bilionário por trás. Caiu. E das 9 da manhã às 4 da tarde... Não foi o site que caiu, foi o meu produto que caiu dentro do site. E aí, até das 9 da manhã às 4 da tarde, ninguém conseguia comprar. E tava anunciado já o livro, eu fiz todo um vídeo, né, contando a história e tal. E aí foi um grande desespero, foi muito ruim. Eu achei que ia ser o melhor dia da minha vida, acabou sendo um dos piores.
Mas assim, como que a gente explica? E por isso que eu fico muito em dúvida sobre narrativas das redes sociais, porque, né, agora tô vendo um momento que as pessoas fazem uma grande, um grande de conteúdo. E aí eu acho que assim, o que você imagina é aquele Reels, TikTok, sei lá, aquele conteúdo com a menina com uma roupa que ela tá usando uma cor, uma estampa feliz. O dia em que eu lancei o meu livro e toca uma música fofa. E cara, o dia que eu lancei Sintomas, eu tava vindo para São Paulo de carro dirigindo Eu saí do Rio de Janeiro, eu comecei a chorar na linha vermelha.
E eu acabei de chorar quando eu cheguei em Perdizes, em São Paulo, assim. E eu não sei explicar o que que eu tive. Eu tive uma, tipo, eu tive um troço, não sei. Eu era, eu tava triste de estar lançando, não dá para explicar.
Mas o que a depressão pós-parto, eu tive um pós-parto do livro.
E aí eu comecei a me sentir muito culpada de não tá mais, falando, mas eu devia estar mais feliz. Você também teve isso?
Eu falei com você no dia, né? Você me ajudou para caramba porque eu tava desesperada. Eu falei, amiga, você também sentiu isso? Você falou, é normal, desespero completo. Fui do Rio de Janeiro até São Paulo chorando, não sei o quê. Eu acho que, sei lá o que que é, uma loucura. A gente fica tanto tempo trabalhando no negócio sozinha. E também tem a ver o meu desespero do dia, também tem tem a ver com a expectativa do que que é, do que que eu acabei de expor, né?
Assim, porque é muito livro, nossos dois livros são muito pessoais, né? Sim. E aí você fica, caramba, velho, todo mundo vai ler, que vergonha! Tanto que quando você leu, eu falei, meu Deus, que vergonha!
Você ficou com muita vergonha? Foi exatamente isso, foi exatamente isso. Eu, amiga, não, eu tô muito—
muitas emoções para processar, muitas.
Fiquei muito nervosa porque eu te mandei o prefácio e eu e você, a gente tem uma relação muito saudável no WhatsApp em que a gente se responde eventualmente Eventualmente, eventualmente. Mas nesse dia eu fiquei muito nervosa porque você demorou para me responder.
Eu queria ler, né?
E aí eu fiquei muito nervosa, falei: a Léo odiou o prefácio.
Nossa, que qual é a chance disso acontecer?
Eu vou ter que refazer o prefácio. E eu já tinha quase entregado.
Imagina eu chegando para Marcela, você vai falando: amiga, tá uma merda, refaz o prefácio que você tá fazendo de favor para o meu livro.
Olha só, não foi favor, eu ganhei.
Uai, eu pedi por favor?
Ah não, mas eu, para mim foi um grande favor. Não, não, eu ficaria muito triste se você chamasse outra pessoa. Então eu acho que você fez isso como obrigação. Eu ia ficar muito chateada.
Nossa, é maravilhoso seu prefácio. Mas eu acho que é isso, né, amiga? O lançar um livro, a gente tá falando tanto disso, eu não sei se é tão relacionável para as pessoas que nunca lançaram um livro, mas eu não esperava que eram tantas emoções juntas. Porque é tipo, nossa, que tudo, ele tá no mundo finalmente! Eu esperei tanto para esse dia.
Ai, meu Deus do céu, as pessoas vão ler!
Ai, Meu Deus do céu, caiu o site! Nossa, mas tá vendendo muito!
Mas não vale meio para qualquer projeto que você lança? Eu acho que sim, que você se dedica muito.
Mas eu tô acostumada a ter uma equipe muito próxima assim. E o livro, eu tava com a minha equipe no lançamento, mas durante a escrita dele inteiro é uma coisa muito que você faz sozinha, né? Então dá pouquíssima gente. Tinha lido, tinha você, o Vitor leu agora, tipo assim, acabou de ler agora. Então eu Eu tinha poucas pessoas para conversar sobre, tipo, você não acha que isso aqui tá nada a ver? E aí teve um grande fator também que foi eu gravei o audiolivro antes do lançamento.
Então eu tive que reler, eu tive que reler o meu livro em voz alta semanas antes do meu lançamento. E foi uma experiência muito— eu ganhei muita humildade nesse processo. É uma completa tortura, é uma tortura. Mas no final acabou sendo divertido que eu fiquei super amiga dos caras do estúdio lá. Eles são, eram uns fofos, mas no começo era uma grande tensão assim.
Você quer editar algo que já não é mais editável.
É, teve um dia que eu cheguei para minha editora e falei para a Virginie, a gente chegou para uma reunião de marketing para falar do lançamento, e ela tava também, a Virginie. Aí eu falei, gente, antes da gente começar a reunião de marketing, eu já fiz mil lançamentos, eu sei vender coisas, vai dar tudo certo, a gente vai vender muito. Mas antes de eu vender muito, eu preciso perguntar a última vez, Virginie, esse texto tá bom?
Porque se não tiver bom, a A gente vai vender pra um monte de gente um texto horrível. Aí a Virgínia virou pra mim e falou assim: Lela, nem dá mais tempo pra você ter esse medo, já tá sendo impresso. Aí eu: Ai, meu Deus, tá sendo impresso! Tipo assim...
Quando eu falei pra Alice, minha editora: Alice, eu tô com muito medo de ninguém ir na noite de autógrafo. Você acha que eu tô... Você acha que eu tô doente? Ela falou: Não, você tá sã. Porque quando se perde também esses medos... Significa também que você é bom também, ainda sente água batendo, né? É porque a gente se coloca essa responsabilidade assim. O dia anterior às gravações é sempre um dia muito difícil para mim.
Gravações de podcast até hoje, 369 episódios.
59.
Ah não, me desculpa, você tem toda razão, cara.
É porque eu Eu realmente entro aqui para gravar, tipo assim, todo episódio precisa ser o melhor. Bom, o melhor vai ser, é muito relativo porque é muita gente ouvindo. Isso também é um alívio de você saber que as opiniões vão ser diferentes. A gente gosta mais de um perfil de episódio. Algumas pessoas talvez comentem, nossa, achei muito íntimo, achei que eu ia aprender mais com esse episódio.
E outras pessoas, tipo, Eu também amei.
É, exato. Ai, adorei como não ficou presa ao roteiro.
Mas sabe que eu tenho isso também? Eu não fico mal no dia anterior do meu episódio. Minhas gravações são eu sozinha no meu quarto, né? Então se eu ficar mal todos os dias eu sozinha no meu quarto, tô lascada. E aí, configura o quê? E aí a Márcia que tá aqui pode confirmar o que eu vou falar. Quando eu gravo um episódio que eu não fico satisfeita, isso acaba com a minha semana. Eu fico mal e eu não consigo fazer as coisas que eu preciso me fazer bem, porque eu fico me sentindo mal de ter gravado um episódio.
Eu já engavetei alguns episódios, lascou minha agenda de gravações, porque eu sinto que todo episódio eu me esforço muito para passar uma mensagem. Eu sei qual é a mensagem, e às vezes eu acho que eu falhei em passar essa mensagem do jeito que ela merece ser passada.
Ainda mais que você tá sozinha.
Falo sozinha, exatamente.
Então é muito com você.
E aí às vezes eu dou umas voltas e tal, eu acabo o episódio e falo, gente, não ficou clara a mensagem. Não gostei. E aí eu fico me sentindo desesperada. E aí às vezes eu me sinto desconfortável com o que eu acabei de gravar por ter me exposto demais. E aí eu fico, gente, o que que vocês acham? Tô achando que eu não vou postar. E aí esses episódios ela sempre fala, não, tem que postar, tem que postar. E aí acaba sendo sempre os episódios que mais fazem sucesso.
Nossa, é exato, é exatamente assim. As mensagens estão muito claras no Gostosa.
Eu acho que porque você não ouviu isso, que eu engavetei.
Não, mas eu tenho certeza que eu daria Tipo 2 pitaquinhos e tal, aquela pitaquitos. Né, outro dia a gente criou um título juntas, foi ótimo.
É verdade, você ajudou a criar o título. O episódio era Que Bom Que Eu Mandei Mal, que antes era assim Que Bom Que Foi Horrível. Aí você falou, amiga, acho que não, eu achei meio pesado. A minha ideia é que o episódio chamasse Que Bom Que Foi Horrível, e a Marcela falou, amiga, e se fosse Que Bom Que Eu Mandei Mal? E aí acabou que ficou melhor.
A gente resolveu junto. Perguntas. A gente vai explorar muito esse livro porque a gente tem o encontro na Flip.
Ai, vai ser tudo!
A gente vai ter uma mesa e a gente vai estar junto no Clube do Livro. Isso vai ser icônico, que eu estou muito animada.
Quando é que vai ser? Você sabe o mês?
O seu livro fecha 2026.
Não acredito não! Você vai estar parindo? Parindo?
Não, mas vai dar certo, amiga, vai dar certo, vai dar certo!
A gente vai lembrar disso, falar: você lembra aquele dia? É exatamente, você lembra Aquele dia. Nossa, vai ser catártico.
Vai.
É assim que fala?
Catártico é.
Acho que é isso que você quer. Porque vai ser a gente falando agora de vertigem no primeiro momento que você tá falando isso. E aí a gente vai fechar falando.
E eu senti muita vertigem como um sintoma do primeiro trimestre. Não acredito.
Quando você escreveu o prefácio ou não? Foi depois, né?
Foi depois. Então vertigem virou uma sensação...
Olha aí a publi inconsciente do livro, tá vendo? Você viu como eu tinha uns sintomas?
É verdade, você teve sintomas de vertigem na aurora das manhãs, me sentindo gostosa enquanto eu chorava, ouvindo óbvio. E vestindo Laila Brandão com brincadeira, com certeza, deselásticos e baby tees e baby tees e babies e babies com babies. Amiga, vamos lá então, para a gente fechar mais um episódio seu aqui. Qual que é a sua fissura atual? Pelo que você está fissurada, dá um jeito, né, amiga?
Eu tô fissurada, até falei para você antes da gente começar, pela Socorro Ascioli. Nossa, eu tô fissurada na escrita dela. Parece que ela vai lançar um novo agora, né? Ela já tá em pré-venda. Pelo que eu me lembro, tá? Posso estar falando errado, mas eu tô lendo agora Oração para Desaparecer. Eu fiquei obcecada pela Cabeça de Santo, fui ver entrevistas da Socorro Ascioli. Eu amei. Já conversou com ela alguma vez? Não, precisa vir aqui.
Ela tem que—
ela é maravilhosa. Ela é— ela farma aura, sabe? Ela não sabe o que que é.
Que que farme?
Farma aura. Ela tem— ela tem uma energia, ela é Cara, não sei se eu sou uma expressão. Não, depois eu te explico.
Vocês inventaram uma moda.
Você não sabe o que é six seven?
Não, isso eu sei que alguma coisa está acontecendo.
Você precisa se atualizar, você vai ter filho, você precisa ser a mãe cool.
Acho que não, eu vou ser mãe culta.
Ah, nossa, deu um fecho.
Eu não posso ser cool, eu já não sou.
Você é cool, você é cool.
Não, brincadeira. Acho que não, acho que eu tenho franjas só, eu engano.
Não, comente aqui se você acha que a Marcela é cool. E comente se você acha... Bota uma enquete: cool ou culta?
Cool ou culta? Eu adorei, uma enquete. Cool ou culta?
Mas é isso, eu acho a Socorro, assim, olha, uma vibe indescritível. Eu acho que... Depois vê as entrevistas dela, não sei se você já viu. Eu acho ela muito legal.
Mas eu tenho boa aura?
Você tem ótima aura. Você acha que eu seria sua amiga se você tivesse aura negativa?
Eu não sei, vou ter que entender tudo isso depois, tá?
Tá bom, eu te explico, eu te faço umas fotos.
Obrigada.
Eu vou ver se tem algum livro sua foto.
Já bastou eu não saber o que era gag.
E já nem fala mais gag agora, é acrílica que fala.
Eu ia falar acústica.
Acústica. Não, gente, deixa grávida. Mas essa é minha fissura, amiga.
Eu amei.
Socorro, assim, olha, fala uma fissura sua aí agora.
Poxa, gravidez, né? Infelizmente é por isso.
Você tá lendo sobre gravidez agora?
Não, não, não, porque eu decidi que É muito peso, né, no consumo de conteúdos. E é muito complicado, porque você tá nas redes sociais, aí vem um Reels lindo. E aí vem um comentário falando, ah, eu acabei de perder meu filho. Aí você... Aí pá! E claro, as mulheres têm que ter uma rede de apoio. Mas a mesma proporção que tem coisas muito bonitas, você fica sabendo de coisas muito difíceis.
E você tá cheia de medos e receios.
Cheia de medos e receios. Então eu decidi que eu ia, na verdade, dar uma limpada. Mas eu fui ficando muito fissurada por detalhes não médicos. Então, por exemplo, a ideia de como que se faz um quarto de criança hoje. Então, a ideia de ser um ambiente que você não tenha só brinquedos em que a criança fique parada, porque a criança tem muita energia. Então você, de fato, pode pendurar um negócio no teto e a criança fica meio girando ali, entendeu?
Enfim, de ter um ambiente em que a criança possa ouvir mais sim do se não, para que ela possa soltar essa energia. Mas enfim, muitas coisas. E também completamente fissurada pelo livro, tá chegando no Brasil. Eu inclusive entrei até em contato com a Rocco, que vai lançar logo mais. Mas é, eu esqueci qual título eles vão dar, mas é o Yesterday, que é uma premissa. Você deve ter ouvido porque tá um surto, que é da Cairo alguma coisa.
Que é essa influenciadora digital tradwife, então bem conservadora, que acorda um belo dia numa máquina do tempo em tempos em que as mulheres não tinham direitos.
Eu queria tanto, né? Só que é mais tempos atuais.
Eu torceria muito para algumas vozes da direita que dizem agora que o voto feminino não deveria existir, que elas acordassem em tempos em que as mulheres não votassem, seria bem saboroso pra mim.
Ai, nossa.
Pra gente fechar... Papos leves, graças a Deus. Pra gente fechar genuinamente agora, antes eu pedia pros convidados me fazerem uma pergunta.
Eu fiz um bilhão, desculpa.
Mas eventualmente a gente faz mesmo. Mas a ideia é finalizar o episódio trazendo as ouvintes pra dentro. Então eu quero que você deixe uma pergunta pras ouvintes.
A Marcela é cu ou culta? Não, deixa eu perguntar alguma coisa, vai. É, primeiro respondam isso. Segundo, ai, gente, me indica um livro aí para eu ler, ótimo, além do que a gente falou aqui, principalmente se for de ficção, que não ficção eu tenho bastante coisa na fila assim, mas ficção tô querendo umas indicações. Se vocês tiverem, vou amar.
Perfeita, obrigada, amiga.
Não, obrigada você. Agora a gente tem mais umas 3 horas de conversa.
O episódio mais louco que eu já gravei em 7 anos.
Preparada para qualquer coisa, menos Eu vim só pra isso, juro. Eu nem perguntei qual que era a pauta do episódio, nem nada. Só vim. Ah, porque é um prazer. A Laila, você sempre dá um jeito de surpreender, né, minha amiga? Faz parte do seu DNA. Não tem como evitar.
Depois disso, dessa surpresa.
Não, é uma coisa, tá grávida, depois que tá grávida de gêmeos e que não é nem porque você tem um gêmeo. Tipo assim, qual a chance?
0,4%.
0,4%, sabemos.
Ah, isso foi uma coisa que eu fiquei fissurada. Coisas que têm mais chance de acontecer do que você ficar grávida de gêmeos univitelinos.
Palmas.
Ai, tô com cérebro de grave, caiu um raio. É, mas é coisas desse tipo, sei lá, uma bebê abelha te morder. Tem umas coisas muito aleatórias.
Eu vou pesquisar depois, vou botar no meu mapa de curiosidade.
É bem interessante, é bem interessante. Fala, nossa, realmente é raro. Meu Deus, que parada raro como a nossa relação. Mentira, aquele gancho completamente patético.
Sempre fica assim se lambendo, né?
As pessoas devem odiar, mas enfim, eu estou feliz. Eu estou feliz, eu gosto de estar contigo. Quem se incomodar? Os incomodados que vem em outro podcast, no meu, pode ir lá no meu. Mas você vai me encontrar lá também, cuidado.
De repente o Marcelo aparece lá. É verdade, outro dia você apareceu no Gostosas, não foi? Foi tudo, foi esse episódio inclusive, foi Foi o episódio que você deu o nome. É, foi o Ainda Bem Que Eu Não Lembro.
Foi do dia que a gente tava juntas. Te amo, te amo, amiga.
Obrigada. Vocês, meus sobrinhos lindos, ou sobrinhas, ou sobrinhas, vem aí. Bom Dia, Vinhos!
Ó, fofo! Bom diazinho, bom diazinhos! A gente se vê na próxima semana. Bom Dia, Óbvios é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Cribelli, e produzido e apresentado por Osamunda Estúdio.
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