a arte de prestar atenção, com Lilian Farrish
Em um mundo hiperconectado, sustentar o foco virou um desafio. As redes sociais criaram a sensação de que tudo é previsível, instagramável e, de certa forma, controlado.
Nesse processo, a gente acaba se afastando do imponderável. Estar aberto a ele é aceitar que algo pode surgir no meio do caminho: uma informação inesperada, um convite de última hora ou até uma opinião capaz de mudar a nossa perspectiva.
E o que acontece quando a gente abre espaço para o inesperado?
Para aprofundar esse tema, @marcelaceribelli conversa com Lilian Farrish (@lilianfarrish), em mais um episódio do Bom Dia, Obvious a convite de Heineken. A Heineken propõe um olhar para o que existe fora dos algoritmos e das nossas certezas, incentivando maneiras mais criativas e despretensiosas de viver, sobretudo no offline.
Ouça agora o novo episódio do Bom Dia, Obvious na sua plataforma favorita. #publicidade
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Livros da Marcela Ceribelli:
Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou: AQUI
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Referências citadas:
Livros Virginia Woolf: AQUI
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- Moda e EstiloAcidente de infância · Moda como ferramenta de confiança · Transição para artes · Autocicatrização através da criatividade · Influência do corpo na expressão
- Offline e online na contemporaneidadeRedefinição de limites · Câmeras e performance · Conceito fluido de conectividade · Tecnologia vestível futura · Impossibilidade de separação total
- Pilares da Saúde EmocionalMilênios versus Gen Z · Experiência com internet · Medo de publicar conteúdo · Produtores versus consumidores · Registro versus performance
- Impacto cultural da música LemonadeTransformação pessoal através da arte · Discussão sobre cabelos naturais · Representação negra na cultura pop · Ampliação de conversas em nichos · Resignificação contínua da história
- Planejamento EstratégicoOrganização pessoal · Gestão de ansiedade · Estrutura versus espontaneidade · Preparação versus improviso · Diferença entre planejar e ser organizado
- Shows e Musica ao VivoAulas de canto · Medo de apresentação pública · Aprendizado através da prática · Trauma de não estar preparado · Lançamento de EP
- Cabelos naturais e identidadeMudança de relacionamento com o corpo · Aceitação das imperfeições · Estética pessoal · Processo de descoberta · Saudade de cabelos lisos
- Memória e NarrativasEsquecimento digital · Escrita como ferramenta · Cadernetas e anotações · Roteiros manuscritos · Inteligência artificial sugerindo conteúdo
Dia óbvios! Eu sou a Tatá Stanieck e eu imagino que vocês devem estar surpresos ao me ver ocupando o lugar da Marcela, né? Não, gente, não é um especial com o pod delas. Eu vim aqui, a convite da Heineken, pra reforçar que o imprevisível pode acontecer a qualquer momento, inclusive aqui. E o que acontece quando a gente abre a porta pro inesperado? As redes sociais têm dado a impressão de que tudo é previsível, instagramável e até controlado.
não é assim. Estar aberto ao imponderável é aceitar que algo pode surgir no meio do caminho. Pode ser uma informação inesperada, um convite de última hora, ou até uma opinião que muda a nossa perspectiva, sabe? É nesse ponto que a Heineken entra pra mostrar o valor que existe fora dos algoritmos e das nossas certezas. E faz isso incentivando maneiras mais criativas e despretensiosas de viver. Sobretudo no offline. Com o apoio da Heineken, o episódio
da olhar pra beleza de ser surpreendido. Bom dia, Óbvios. Aprecie com moderação. Bom dia, Lilian. Seja bem-vinda ao Bom Dia, Óbvios. Ai, bom dia, Marcela. Bom dia, Óbvios. Tô muito feliz de estar aqui. E animada pra gente conversar mais do que a gente já tava conversando agora há pouco, né? Porque já conversamos. Não é pouco, né? Assim, já vai… Porque é isso, eu acho que o papo, ele não tem script, né? A gente simplesmente…
Como a gente começou a conversar. Mas a gente já tava falando da nossa vida inteira, sabe? Mas você não sabe. Eu já tenho uma certa intimidade com você. Porque eu tive hiperfoco no seu TikTok recentemente. Sério? Eu vi muitos vídeos seus. Muitos. E aí, eu fiquei meio obcecada. Aí, agora já começou a rodar. Eu já posso contar com menos vergonha do que no office. Não sei. Não, que bom que você tá obcecada neles. Porque eu acho que você vai saber mais deles do que eu.
Porque eu posto e eu esqueço que eles existem, tá? Tipo, eles ficam lá e eu não vejo mais… Nossa, eu vou te contar que seu trabalho é muito bom. Que bom, que bom. É muito bom ouvir isso das pessoas. Porque às vezes a gente mesmo não acredita, né. Tem que ouvir dos outros pra poder falar assim… Hum, isso aí que eu faço tá maneirinho, até que é legal. Nossa, e é tão bom ver alguém que tá genuinamente pesquisando e com curiosidade e usando a tecnologia a favor, não colocando à frente.
que o texto é seu, que o pensamento é seu. Dá pra ver que você é tão humana. É, isso é uma coisa que, assim, eu faço questão de não perder de jeito nenhum, Marcela. Porque eu não suporto sentir que eu tô engessada, sabe? Quando eu comecei a fazer conteúdo, era muito dessa necessidade de trocar e conversar com pessoas. Eu sempre fui muito, assim, de ter amigos, de querer conversar. E pra minha melhor parte, sempre era sentar numa mesa de bar
Então, quando eu comecei a fazer faculdade de artes, era por esse interesse do que o humano é capaz de produzir, sabe? Eu sempre fui muito da tecnologia também. Tive blog quando era mais nova. Mas justamente como essa ferramenta de troca com outras pessoas. Falava de arte no blog já? Na época, não. Falava de moda. Comecei falando de moda e inclusive me formei em moda. Mas eu comecei a perceber que o que eu gostava da moda era a criatividade, a loucura.
essa coisa do que ela revela sobre a gente, sabe? Então, cara, a sua roupa vai comunicar quem você é antes de eu falar sobre você, antes de eu falar com você. Então, eu sempre me interessei muito por esse lado, assim, humano da moda. E aí, na faculdade, fui percebendo que me identificava muito com a parte mais criativa, artística. E aí, quando terminei a faculdade de moda, fui fazer faculdade de artes. E aí, cara, me joguei, assim, na faculdade.
Não consegui terminar, porque faculdade pública, a gente começa a trabalhar também e tal.
marketing, mas sempre muito apaixonada por artes. E quando chegou na pandemia, acho que todo mundo que entrou no TikTok, 98% das pessoas se identificam com isso. Fiquei lá, cara, e agora? Com o que eu falo de arte? Que eu não tô tendo aula na faculdade, que eu não tô trabalhando presencialmente pra ficar fofocando sobre exposição com as minhas amigas do trabalho. Não tô nem podendo ir pra exposição, porque tô aqui dentro de casa. Cara, eu vou fazer uma conta no TikTok e vou falar essas coisas.
coisas aqui que eu tô aprendendo, que eu tô lendo, que eu tô vendo no livro, que eu descobri nesse site da exposição. E comecei fazendo assim. Aí, o primeiro vídeo que eu fiz foi pra contar uma curiosidade que eu descobri sobre por que o Basquiat pinta a coroa nos quadros dele. E aquilo ficou muito na minha cabeça e eu fiz esse vídeo. Por que o Basquiat pinta a coroa nos quadros dele? Cara, ele era muito fã dos Batutinhas. Mentira. Juro por Deus. É essa a história? É essa a história. Ele era fã dos Batutinhas.
E os batutinhas eram produzidos por uma agência chamada Kings World Production. E a logo deles era uma coroa. E aí, ele fez essa mesma coroa, que é o W da produtora, essa coroa de três pontas. E ele começou a colocar isso nas obras de arte dele. E assim, todas as obras do Basquiat, você vai encontrar uma coroa, mas você também vai encontrar muito das curiosidades que ele ia descobrindo da vida, assim. Era um grande sketchbook, assim, que ele ia anotando as paradas.
E aí, eu ficava, gente, como é que as pessoas veem a Coroa do Bascair e não sabem que ela vem de um elemento da cultura pop, sabe? Isso é muito interessante, porque o mundo da arte, a arte em si parece um lugar completamente inacessível. Aham, e alheio à cultura pop, né. Mas eles estão dialogando o tempo inteiro. E assim, a gente tem essa diferenciação que a gente teve até recentemente, né, o Timoteo Chalamet falando que jamais estaria envolvido com balé,
de arte mais exclusivo e ele gosta que a arte dele chegue nas pessoas, que a arte dele chegue nas pessoas, mas aí a gente fica, cara, tá tudo dialogando com a mesma intenção humana de se expressar, de demonstrar vulnerabilidade, de conectar histórias, sabe? Então, quando a gente para pra ver na essência, o que une são as duas ideias e dois humanos ali conversando, sabe? Então, eu sempre fui muito interessada em entender como que os artistas escolhem esses elementos,
Por que eles escolhem trabalhar? Porque isso diz muito sobre a obsessão deles. E eu sou apaixonada. Não tem nada que eu ame mais do que ouvir alguém falando de uma coisa que a pessoa ama. Porque, cara, a gente vê o brilho no olho, sabe? A gente vê empolgação. E, cara, isso não tem robô que faça. Tipo agora. Tipo eu olhando no seu olho e vendo o quanto você é apaixonada por isso. E não só isso, parece que você tá querendo trazer mais pessoas pra essa paixão. Porque é um lugar que parece tão inacessível pras pessoas.
que a arte talvez não fosse o seu ambiente? Sempre que eu vou em uma exposição. Sempre, sempre. Até hoje, por mais que eu me sinta inteiramente atraída pela obra de arte, pelo ambiente ter sido sempre acessado por pessoas de uma certa elite, considerado assim, por pessoas de uma certa elite, eu não me via incluída lá. Eu não conhecia artistas com histórias semelhantes às minhas.
minha cabeça, quando eu percebi o porquê de eu nunca ter me sentido a vontade de ir em uma galeria. Porque eu nem sabia que eu podia entrar numa galeria sem ser convidada. Que eu posso simplesmente chegar lá e, ah, aqui é uma galeria, eu posso entrar aqui pra ver as obras de arte que estão expostas. Eu achava que aquilo dali, ah, era só pra gente convidada, era só pro amigo do, pra quem vai comprar aquele quadro. Não, eu posso simplesmente entrar e ver sem ter que comprar. Então, aí eu lembro, assim, eu vi
Foi a primeira vez que eu viajei pra fora do país. Eu fui pra Nova York em 2015. E aí, eu vi uma exposição no Brooklyn Museum que tinha um artista que ele repintava quadros da história da arte, mas com pessoas negras nesses quadros. Ele é o Kehim de Willey. E eu fiquei completamente apaixonada. Falei assim, cara, a minha vida inteira eu fui em museus, porque eu gosto de artes, e eu não me via representada ali.
E aí, quando eu vi esse cara fazendo isso, sabe quando cai a fichinha? Eu era muito nova ainda. E na sua primeira viagem, no momento que você vai ali, tá rolando essa exposição. Tem uma certa sincronicidade da vida. Do universo da vida. E que isso não foi planejado. Eu não imaginei que eu iria no Brooklyn Museum e teria aquela exposição. E aí, aquilo se conectou de uma forma tão profunda na minha cabeça. Eu falei assim, cara, é isso. A arte, ela tá aqui pra contar o que a história não conta.
sabe, e aí eu comecei a ficar apaixonada por isso, querer chamar mais pessoas, gente, olha só que maneiro é isso não é só aquele bando de careca tomando um champanhe e comendo um canapé gelado achando que entende alguma coisa daquela obra de arte porque ele foi ao Louvre, sabe eu nunca fui ao Louvre, mas eu posso me identificar com aquela obra da minha forma
tenho, com a realidade que eu tenho e trazer uma nova perspectiva pra aquela obra. Você tá falando muito sobre o seu histórico, de onde você vem… De onde você vem, Lili? Cara, boa pergunta. É doido pensar isso, né? Mas eu venho de Campo Grande, do Rio de Janeiro, apesar de eu ter nascido em São Paulo. Eu morei em Campo Grande a minha vida inteira, que é o subúrbio do Rio de Janeiro, digamos assim. É considerada zona rural, zona oeste.
Mas sempre fui muito apaixonada por arte e principalmente entretenimento. Eu era aquela criança, o que você quer ser quando eu crescer? Eu quero ser dançarina, eu quero ser bailarina, eu quero ser apresentadora de TV. Então assim, eu quero ser atriz. Eu sempre fui muito ligada a essas expressões humanas a partir da arte. E a sua família enxergava bem esses sonhos? Enxergava, mas ainda assim, eles não sabiam como me amparar.
Eles não sabiam quais caminhos eu podia levar a partir daquilo. Então, assim, meu pai tocava violão em casa. Então, eu já era muito próxima da música e cantava muito em casa. Mas eu falava assim, ah, eu quero fazer uma aula de canto. Mas ele não sabia onde me levar, não tinha isso em Campo Grande. Então, era sempre um desejo que eu não sabia por onde percorrer, sabe? E aí, depois de um tempo, eu sofri um acidente.
Eu me lembro, nessa época, minha mãe conseguiu me levar em uma agência. E eles estavam precisando de uma pessoa com meu perfil pra fazer um teste pra um comercial de TV. Quantos anos, mais ou menos? Eu tinha nove anos. E aí, eu ia fazer esse teste pra esse comercial de TV. E eu sofri um acidente. Tive uma queimadura no braço, muito grande. Eu tenho cicatriz até hoje. E isso, assim, mudou o rumo da minha trajetória, assim. Eu pensei assim, cara, eu nunca mais vou poder ser atriz. Eu nunca mais vou poder ser cantora, eu nunca mais vou poder ser bailarina.
Porque isso daqui tá afetando a forma como eu me enxergo. E eu comecei a me apaixonar muito por moda, como esse artifício, pra poder construir roupas que fizessem com que eu me sentisse confortável com o meu corpo. E aí eu comecei. Ah, eu fazia uma blusa diferente, um biquíni diferente. Amava ir à praia, mas não queria ficar com o braço mostrando cicatriz. Então eu fazia um biquíni. E aí eu fui, cara, eu gosto disso aqui também. E fui me apaixonando pela moda.
criar o meu blog ali de moda, falava sobre desfiles internacionais e tal. E eu acho que muito por isso também eu comecei a sair um pouco da moda e um pouco mais pra esse lado da arte, que era onde eu enxergava que tinha mais possibilidades criativas, que tinham mais ferramentas pra poder expressar essas outras vertentes, né? Então, ainda assim, muito ligada com criatividade, assim como a moda. E o que mudou na sua relação com a internet de lá pra cá?
a internet ter mudado como um todo? Nossa, mudou tudo, né? Porque assim, era outra forma de você pensar conteúdo. Eu acho que não tinha essa preocupação do meu Deus do céu, eu preciso que isso tenha alcance. Porque isso não era necessariamente um trabalho. Ninguém pensava em trabalhar com internet, né? O meu objetivo a princípio, quando eu tava trabalhando num veículo de moda, era de repente vir a trabalhar numa revista, viria pra São Paulo em algum momento pra poder
trabalhar em uma revista, mas não necessariamente trabalhar pra um veículo na internet. E... E era um pensamento que eu acho que ele era muito mais livre, assim. Eu, quando postava no meu blog, eu tinha muito esse negócio do cara, eu descobri isso e eu preciso contar pras pessoas. Então, vinha desse mesmo desejo que eu tinha lá no comecinho também do meu TikTok. Mas que, hoje em dia, eu acho que é muito difícil de eu me ater só a ele. Porque eu sei que, muitas vezes, se eu só postar o que eu tô com vontade
de falar, não necessariamente é o que as pessoas vão querer ouvir. E aí, às vezes, eu sinto que eu tô caindo num limbo e que eu não tô conversando com as pessoas da maneira como eu gostaria. Então, eu tento deixar... Mas isso não te trava? Trava? Terrivelmente. Mas é justamente tentar entender o quanto eu consigo trazer a minha paixão, que é a arte, pro que tá tendo um diálogo comum. Então, se tem alguma coisa rolando no Big Brother, porque é isso, também sou humana, também assisto o Big Brother,
adoro assistir Big Brother, como isso se relaciona com as obras de artes que eu já vi anteriormente? Como isso se relaciona com algum filme, série, alguma, sabe? Tipo, tentar trazer uma perspectiva diferente. Por que que o Big Brother, os reality shows como um todo, se conectam com arte? Cara, tudo. Porque é muito sobre comportamento, assim. Então, quando a gente vê uma performance, me lembrei agora de alguns dos vídeos que eu fiz do Big Brother, em que eles estavam entrando em duplas,
Não, teve o Fred Nicassio. Você lembra desse Big Brother? E há algum tempo eles ficaram amarrados às pessoas umas às outras. E tiveram dois artistas que eles passaram um ano amarrados um ao outro. Um ano? Um ano inteiro. Um homem e uma mulher, eles não eram um casal. E eles precisavam passar esse um ano inteiro amarrados. E entender como isso ia modificar a rotina deles, a forma deles pensarem, a forma deles dormirem.
que isso ia acarretar. E eles não se falavam tanto, também não podiam se falar muito, mas eles precisavam estar convivendo. Então, a arte tem umas performances muito loucas, assim. E aí, eu comecei até a pensar como a gente acaba moldando o nosso relacionamento por quem tá ao nosso redor. Muitas vezes, a pessoa que entra no Big Brother não é a mesma pessoa com quem você convive em casa, porque ali ela tá dentro de um outro ambiente, ela tá cercada de outras pessoas.
ela vai ser provocada a agir de outra forma, a falar coisas que ela não falaria longe dali. Então, é um momento de extrema vulnerabilidade que, muitas vezes, a própria pessoa não sabe como ela vai se comportar. Você acha que isso é um pouco de uma analogia aos nossos relacionamentos em meio ao algoritmo? Que se a gente não prestar atenção, a gente vai se cercar de apenas ver pessoas que pensam igual a gente, que concordam com a gente.
deixando um pouco limitados. Com certeza. Com certeza. Assim, eu acho que o fantástico do algoritmo, pra mim, é quando ele me mostra uma coisa que eu não tô esperando, sabe? Porque assim, eu sei que agora, se eu abrir o Instagram a princípio, eu vou ver pauta Big Brother, vou ver pauta Guerra, vou ver algumas coisas ali que vão aparecer basicamente pra todo mundo. Mas quando você usa ele pra...
lembrou uma música dos anos 90. E aí eu, caraca, é verdade. Cadê aquela banda? Sabe? E aí, a partir dessa curiosidade, você consegue sair do algoritmo e trazer um pouco mais da sua paixão de volta. Isso é muito legal. Você tá dando ferramentas pra não só continuar nesse scroll que estamos fazendo, mas também usar como a semente de uma curiosidade do que a gente pode se aprofundar. Sim, de trazer esse pensamento ativo, sabe?
algoritmo hoje em dia, é que ele não traz essa sensação de que a gente tá no controle daquilo que a gente faz e daquilo que a gente vê. O meu algoritmo ele já tá meio treinado, ele sabe que eu gosto de artes, então vez ou outra ele me mostra artistas, mas eu não vou só ver aquele vídeo que apareceu ali pra mim daquele artista. Eu vou pesquisar, eu vou e peraí, como é que esse artista chegou até ali? E a partir disso, conseguir trazer um pouco mais dessa sensação de agência, sabe? E o que que você faz quando você sente que talvez
sua criatividade esteja andando em círculos. Justamente isso, Marcela. Eu tento voltar a ter curiosidade. Porque eu acho que a curiosidade que é o que tira a gente desse ciclo, né? Tem uma frase que eu acho muito boa, assim. Que eu, inclusive, vi num post do Instagram que serve pra isso, mas que ela fala que seja viciado nas suas paixões e não nas suas distrações. E muitas vezes, a gente fica viciado nas nossas distrações. Porque a gente, que pode ser, às vezes,
até a mesma coisa. Mas é completamente diferente de uma pessoa que é apaixonada por reality show e vai pesquisar sobre reality show, vai saber sobre reality show, vai passar duas horas falando sobre reality show. E de alguém que tá se distraindo com reality show, porque ela não tem esse pensamento ativo em cima daquilo. Sim. Então… Se distrair é válido. O problema é que, pelo menos me remete quando você fala estar viciado na distração, é quando você começa a se anestesiar com aquilo. Então, você nem tá consumindo.
direito. Você só quer dar um alimento pro seu cérebro pra que você, muitas vezes, nem escute seus próprios pensamentos. Exatamente. E aí, isso que é perigoso. Porque quando o algoritmo, ele serve pra te incentivar a buscar alguma coisa além dele, ele é super válido. Eu já conheci coisas fantásticas, assim. A gente fala até sobre pautas raciais, feministas, que se não fosse o algoritmo, elas não teriam
força que elas têm hoje. Sim, eu acho que muitas dessas conversas importantes que a gente tem hoje, elas se dão pelo algoritmo e por entender que muitas... Existem muitas outras pessoas interessadas em falar sobre isso. Mas ele não pode ser a única forma, a única ferramenta. Ele precisa ir além. A gente precisa sair dele e, de repente, tá, me interessa por esse tema. Então, agora eu vou procurar um livro, vou procurar um filme, vou conversar com alguém sobre isso, que seja também distante das telas. Eu acredito muito que a criatividade,
ela vem de uma habilidade da nossa cabeça de juntar informações para se criar o novo. Então, às vezes, é uma frase que você ouviu que vai se juntar com uma imagem que você já consumiu, com um som que está na sua cabeça e, de repente, você cria algo. Isso acontece direto comigo no programa, para dar um exemplo mais prático. Então, eu estou assistindo um filme que, de repente, um diálogo me prende, aí eu vou ler um artigo que, de repente, fala,
algo complementar, aí eu abro o Instagram e eu me deparo, por exemplo, com um vídeo seu, que você falava sobre essa artista plástica, que faz essa pintura, que são as paredes dos banheiros, em que tem as mulheres refletidas. E é uma coisa, assim, maravilhosa, que é sobre a necessidade das mulheres terem um espaço delas, e muitas vezes o único espaço foi o banheiro.
O banheiro. Que era onde havia trancas. E de repente me remete a Virginia Woolf, um teto todo seu. Tá, tá, tá, tá, tá, tá. Criatividade. A Lilian precisa ir no programa. Tir do banheiro, né? Vamos criar um outro espaço pra conversar que não seja o banheiro, né? E aí foi assim, entendeu? Então assim, tô te dando quase assim um exemplo prático da criatividade. Como você veio parar aqui? Mas são essas conexões inesperadas. Como que você deixa espaço?
mental pra que essas conexões inesperadas aconteçam também na sua mente? Eu acho que elas acontecem o tempo todo, né? Eu acho que é meio involuntário, Marcela. Porque você não pensou, quando viu o meu vídeo, em conectar com a Virginia Woolf. Ele simplesmente aconteceu. E é natural, nossa cabeça tá pensando o tempo inteiro, conectando pontes. Então, eu não saberia fazer conteúdo de outra forma que não fosse essa. Então, inclusive, muitas pessoas me perguntam
Então, Lilian, qual é seu processo criativo? Como é que você senta e decide falar sobre uma obra? Como você escreve esse roteiro? Eu falo, cara, muitas vezes eu não sei explicar. Porque é uma coisa muito natural minha, assim. De olhar pra uma coisa e isso me lembra isso que eu vivi. Isso me lembra isso que aconteceu. E muitas vezes, nem sem ler a explicação do artista. Quando a gente tá falando dessa obra dos banheiros, eu olhei praquilo e eu lembrei de muitas vezes.
eu estar passando por uma situação extremamente difícil dentro de casa, precisar de um espaço só meu em que eu não queria que ninguém me visse chorando, e eu vou pro banheiro e eu vou trancar a porta e eu tô chorando, eu tô vendo meu reflexo ali naquele azulejo. Então, nenhuma experiência individual. E a gente sabe que outras pessoas também passam por isso. Aí você começa a se colocar no lugar de outras mulheres. E cara, por que sempre com as mulheres? Porque pra gente, nos é privado o acesso à privacidade.
A gente tem que estar sempre pro outro, com o outro, dando, oferecendo. Então, o único momento em que eu vou sentir, o único lugar que eu vou sentir que eu posso ficar em paz, sem ter que estar à mercê do outro, é quando eu tô ali, sentada no vaso, porque a pessoa vai estar pensando que eu tô com necessidades fisiológicas que nem necessariamente eu tenho, sabe? Tipo... Então... É, ali é chuveiro pra chorar. É, podia ser só um banho, mas acaba sendo muito mais.
Então, acaba… Acho que a nossa cabeça funciona naturalmente, assim. Buscando essas conexões com o que a gente vive. Porque a gente enxerga o mundo sob a nossa perspectiva. Então… E acaba sendo que eu respondo muitas vezes. Cara, eu não tenho muito um caminho pra um processo criativo. Acaba sendo mais sobre como eu vejo a obra e como ela me toca. Então, eu não consigo, muitas vezes, fazer um vídeo sobre uma obra que as pessoas me pedem. Fala alguma coisa sobre isso aqui.
bate, sabe? Tipo, putz, não tenho nada a acrescentar. E tá tudo bem, porque às vezes a gente também sente que não, eu preciso falar sobre tudo, eu preciso saber sobre tudo, eu preciso estar presente o tempo inteiro, né? Às vezes o algoritmo exige isso, que você esteja mais presente do que você consegue dar. Mas às vezes eu, cara, tá, essa eu vou deixar passar, porque eu acho que eu não tenho nada a acrescentar aqui. Então, é entendendo o quanto você tem a oferecer ali naquele momento, o quanto você tá disposta, assim. Você falou sobre presença,
falou sobre o quanto é importante pra você estar com amigos e em um bar. Você se permite estar plenamente presente ou você ainda dá, ainda divide a sua atenção entre uma tela e a presença ali? Cara, eu sou 100% presente. 100%. Eu só vou pegar o celular quando a gente falou aqui. Ih, como é que é o nome do artista? Aí eu vou abrir, vou procurar, vou dar um Google e eu vou guardar depois. Assim, eu esqueço de tirar foto. Frequentemente,
Mas eu acho que também porque eu sou de uma geração de antes de ter o celular sempre na mão. Eu não cresci com o celular sempre na mão. Então, eu sou muito de sentar e conversar. A não ser que eu não esteja interessada no assunto. Aí, realmente, eu vou fazer isso aqui e vou ficar escrolando. Mas, no geral, assim, eu adoro conversar olhando no olho e ouvir o que a pessoa tá falando. Porque essa troca é realmente genuína, assim.
Eu não tenho muita dificuldade em largar o celular quando eu tô com outras pessoas.
Pra mim, a maior dificuldade é largar o celular quando eu tô sozinha. Quando eu preciso trabalhar. E aí, muitas vezes, eu tô trabalhando do celular, sendo que eu podia estar do notebook. Mas, assim, conversando com os amigos, pra que celular, sabe? Você pega celular nesses momentos? Não, eu, inclusive, é muito engraçado, assim. Porque meus amigos falam, nem parece que da mesa eu sou quem trabalha com isso.
celular, porque quando a linha fica tão tênue entre trabalho, entretenimento, a gente se engana muito, então muitas vezes eu digo que eu tô trabalhando, mas na verdade eu já me distraí ali, então é muito necessário estar aqui, porque é meu trabalho mas geralmente quando eu tô presente eu sou a última e eu também completamente esqueço de produzir conteúdo mas também porque eu tomei uma decisão mesmo
de que o que eu tenho a oferecer nas plataformas digitais é muito mais o que eu penso, o meu trabalho, o que eu tenho produzido do que a minha vida pessoal. Porque... E aí eu juro, não tem nenhum juiz de valor aqui. Eu acho que cada um vai saber como se sente confortável. Mas a coisa menos interessante sobre mim e o que eu faço é o que eu tô fazendo no sábado de manhã dentro da minha casa.
sabe? Eu quero... Quero poupar. Eu acho que... Quero que seja só meu. Será que esse é meu banheiro com tranca? Com toda certeza. Você deixar esse celular de lado e escolher o que você posta ou não posta é total o seu banheiro com tranca. E pra mim também é bem semelhante, assim. E até porque a maior parte do tempo eu vou estar vendo um filme, assistindo uma série, conversando com os meus amigos que eu não tenho o que gravar. Ou então, sabe? Tipo, lendo um livro. E aí eu não tenho realmente o que postar nos stories.
Mas quando eu descubro uma coisa maneira, quando acontece alguma coisa engraçada, quando eu tô com o meu cachorro e ele faz alguma coisinha, aí eu vou lá e posto, porque são coisas que eu acho interessante compartilhar, que eu acho que eu posso compartilhar. Mas, assim, no geral também, o que fez com que eu mudasse muito essa minha relação de estar presente nas conversas foi quando eu comecei a fazer teatro de improviso. No ano passado, eu entrei muito nesse lugar de preciso estar com mais amigos.
Não porque os amigos que eu tinha não eram suficientes. Mas porque a gente começou a desencontrar muito. Tiveram filhos. E aí, a rotina começou a ser outra. E aí, eu marcava um rolê no final de semana. Vamos pra um show. Putz, um show, não posso. Tô com a minha filha. Ou então, ah, vamos sair pra algum lugar. Agora eu não posso. Então, assim, a rotina começou a desencontrar. Eu falei assim, cara, preciso encontrar pessoas novas pra poder continuar tendo essa troca. E aí, falei assim, vou me meter numa aula de música.
Comecei a fazer canto, que foi uma coisa que eu sempre gostei. E comecei a fazer teatro de improviso também. E o teatro, ele coloca muito essa coisa do você precisa estar aqui agora e ouvindo o que o outro tem a dizer. Diferente o teatro tradicional, o teatro de improviso, que também me ajudou muito a conseguir conversar sem ter um roteiro pré-estabelecido. Porque muitas vezes, ou eu tava com os meus amigos, eu já sabia o que eu ia conversar com aquelas pessoas.
novas, eu meio que travava, assim, sabe? Tipo, putz, não conheço essa pessoa, não sei o que eu posso falar, o que eu não posso falar. Mas quando eu comecei a entender, tá, você ouve sobre um assunto, você agrega, e aí você vai e fala um pouquinho, a pessoa vai construir em cima do que você disse. Então, começa a tirar um pouco esse peso, assim. Eu acho que por muito tempo, eu sentia um peso do tipo, cara, o que eu vou falar aqui nessa roda de pessoas que não me conhecem precisa ser muito legal pra eu ser validada. Olha, e aí,
começou a diluir um pouquinho, conforme eu fui tendo essas experiências de me colocar numa cena em que eu não faço a menor ideia do que vai acontecer, que eu não consigo me programar, porque são sempre coisas muito absurdas, e que eu simplesmente vou ter que reagir. E cara, quando isso acontece e você percebe que você não morre, eu falo assim gente, eu tô aqui, sobrevivi. E aí você vai ficando cara, eu sou indestrutível, eu sou capaz de qualquer coisa. Mas é muito bom, porque
essa é uma questão que as ouvintes direto me pedem pra tratar, que é como fazer amigos depois de adulto. Cara, e é. É realmente muito difícil, porque eu acho que a gente vai ficando tão preso em preciso trabalhar, preciso resolver coisas, porque, gente, ser adulto é um eterno resolver coisas, assim. Você vai ter problema dia e noite, não vai ter um dia que você não tenha pelo menos cinco coisas na sua lista pra resolver. E você vai ter que encontrar um momento
uma brecha na sua vida pra conseguir aproveitar relações sociais, se isso é importante pra você. Porque eu entendo que pra muitas pessoas pode não ser. Sim, eu acho que algumas pessoas lidam bem com a solidão, lidam bem com outras formas de socialização que não necessariamente é conversar ao vivo. E tá tudo bem. Mas se a partir do momento que você entende que isso é importante pra você, você precisa ir atrás e precisa ser um esforço. E aí, pra mim, foi isso. Mas será que alguma dose de presença ao vivo
Não precisa, eu entendo… Ah, sim, alguma sim. Alguma dose. Porque não precisa ser toda semana. Mas talvez, uma vez por mês, talvez você tenha que encontrar qual que é a frequência necessária pra você. Sim. Porque eu entendo, né, tem uma variação. Às vezes eu preciso de isolamento total. Mas às vezes é difícil a gente enxergar que a falta que a gente tá sentindo é do outro. Que é, às vezes, até mais de ouvir, que tem tudo a ver com o improviso.
Do que de falar. Porque dá muita preguiça de socializar. Porque é muito mais fácil ficar cada um preso na sua casinha digital, digamos assim. E manter essas migalhas que a gente fala muitas vezes muito mais sobre relacionamentos afetivos, amorosos. Mas as nossas amizades também estão vivendo um pouco de migalhas em alguns momentos, né? Total. Você acredita em amizade de baixa manutenção? Eu acredito.
até certo ponto, assim, eu acho que tem que fazer sentido pras duas pessoas. Porque eu acredito que tem, por exemplo, eu tenho amigas que são amigas de sair pra ir pro karaokê e pra gente cantar e ficar até de manhã e beber e etc. E aí, a gente vai se encontrar nesse momento e vai ser ótimo e a gente vai continuar sendo amiga. Mas, existem outras amigas que eu vou ligar pra poder contar que eu tô passando por um perrengue com a minha mãe e que eu preciso desabafar. Então, assim, eu acho que toda amizade abaixa,
média, alta, manutenção, vai depender eu acho que do lugar ali que ela ocupa na sua vida, né? Porque não dá pra uma pessoa só ocupar todos os pratinhos que tem ali que você precisa ocupar. Então, eu acredito a partir do momento que seja saudável pras duas pessoas. E tem que ser de comum acordo e isso tem que estar bem estabelecido. Porque senão vai gerar frustração e aí a amizade vai acabar sofrendo por causa disso, né? É, eu... Nossa!
É que essa pauta, ela já foi muito polêmica, né? Ela já foi, voltou. Eu acho que, como toda questão muito polêmica, a resposta certa depende. É tudo depende. Que é tudo que os conteúdos na internet não estão nos dando. Porque parece que todo mundo tem uma opinião muito final sobre tudo. Ao mesmo tempo, os seus conteúdos nos convidam a questionar. Você tem essa consciência?
que você tá fazendo, que é convidar as pessoas a pensar? Cara, total, assim, porque tanto que eu termino a maioria dos meus vídeos falando, o que você pensa sobre isso? Pensa alguma coisa diferente? Me conta aqui nos comentários. Porque eu não tenho interesse em só ouvir um eco da minha voz. Eu quero saber justamente o que a pessoa pensa diferente, que pode ser diferente de mim, tá tudo bem, sabe? Eu acho fantástico a gente entender que pra cada pessoa vai funcionar de uma maneira, pra cada pessoa
aquela obra vai bater num lugar diferente e que ainda assim a gente pode se encontrar e se dar bem a partir disso. A gente não precisa... Claro que algumas questões são indiscutíveis e eu tenho questões que são indiscutíveis. Tem vídeos que eu nem pergunto se a pessoa pensa diferente porque em relação a racismo, em relação a direitos da mulher, direitos da criança, é indiscutível. Mas em todo outro espectro que a arte pode,
alcançar, a gente tá aqui pra debater pra que seja diferente mesmo e que eu possa muitas vezes evoluir com o que você me contou e de repente você levar alguma coisa de diferente a partir do que eu contei então, e é difícil assim, eu lembro que no começo eu tinha muito mais comentários de pessoas que discordavam muito de mim talvez por ser outra época de algoritmo e aí o meu conteúdo era entregue pra uma gama diferente de pessoas isso acontece hoje em dia quando o conteúdo
o do outro viraliza. Mas... E ainda assim, eu consigo ler e pensar cara, tá tudo bem. Essa pessoa só pensa diferente de mim. Ela tem o direito. É o direito dela. Eu dificilmente vou ficar lá batendo boca. Vou ficar me desgastando, tentando convencer o outro. Se for uma pessoa que tá disposta a conversar, a gente vai conversar. E eu vou estar disposta a entender o ponto de vista dela. Espero que ela esteja também a entender o meu. Mas como que é esse exercício de ouvir? Porque
tanto no comentário na internet quanto na vida real, ouvir críticas e conseguir elaborar dessa maneira é muito difícil. Cara, é. Pra mim não, Marcelo. É, não, assim, eu entendo que é difícil, mas também não é tanto, porque eu penso que eu tenho muitas opiniões diferentes de outras pessoas. E tá tudo bem, sabe? Eu sei que nós somos muito diferentes, eu sei que de repente vai ter uma pessoa que iria preferir vir pra cá com um vestido rosa florido,
Mas eu não. E aí, tá tudo bem ela escolher o vestido rosa florido e eu não. Porque a gente precisa trabalhar as nossas individualidades. Se todo mundo pensar igual, a gente vai parar em implorable, sabe? A gente não vai mais ter a série, lembra? Claro, claro. Inclusive, foi um outro hiperfoco meu. Mas, infelizmente, em tempos tão rápidos, eu fico hiperfocada. E aí, eu esqueço. A gente esquece. Acontece com frequência. Meu Deus, por que que nossa memória tá tão curta?
Ah, e sabe o que eu comecei a fazer? Anotar. Eu preciso ver sobre alguma coisa. E eu pego um caderninho e anoto assim. De qualquer jeito sobre aquilo que eu vi. Pode ser um vídeo do TikTok que eu gostei. Eu vou lá e escrevo o que eu pensei. Pra poder conseguir reter alguma coisa. Porque realmente, se a gente só ficar rolando, e rolando, e rolando, a gente vai esquecer. Isso é um baita exercício. Sabe que ontem eu tava me preparando pros episódios. E um exercício que eu tenho feito também.
me entender, porque hoje até a plataforma na qual eu escrevo, ela vai sugerindo frases, né, que não é uma inteligência artificial, gente. Mas eu tenho me exercitado a fazer primeiros roteiros à mão. Então eu abro o caderno, eu escrevo o que eu quero desse episódio e depois eu vou pra tela que eu sei que, né, vai me sugerir uma outra coisa, pesquisa, vai me levar pra algum lugar. Só que eu tô hospedada num hotel e eu tava no café da manhã do hotel.
fosse um extraterrestre. Eu pareci. Pessoas não escrevem mais ou menos. Uma mulher das cavernas, né? Juro por Deus, eu pareci. Eu falei, que engraçado. Mas é também um exercício de solidão. Porque é você com você. A escrita no papel é uma companhia. É você ouvir os seus pensamentos. É você se colocar ali. E eu lembrei que você falou, justamente, assim, qual que é esse exercício de solidão que a gente vai fazendo.
o quanto que é uma solidão necessária e o quanto que a gente vai deixar os outros entrarem. E aí, eu queria entender, a arte é um ato solitário? Eu acho que o fazer arte, muitas vezes ele é coletivo, muitas vezes ele é solitário, também depende da forma como você vai querer lidar ali com a sua expressão. Mas, no geral, ela parte de um desejo que é interno seu. Então, que você precisa ter um autoconhecimento muito bom.
a partir da solidão. Assim, eu acho que a forma mais profunda de autoconhecimento é quando você consegue ficar sozinha num ambiente, com a sua cabeça, e tá tudo bem com isso. Assim, também, a gente busca muito outro, a gente tem que conversar, mas a gente também precisa saber se aguentar um pouquinho. Então, eu acho que… Sem os anestésicos digitais. De preferência. Você já viu que tem uma galera que tá fazendo agora
exercício de uma hora sem fazer absolutamente nada. E aí, obviamente, eles filmam pra poder colocar no TikTok. Mas aí eu fico muito em dúvida, Lilian, porque eu estava outro dia no YouTube. E aí, o primeiro vídeo que apareceu foi sou apaixonada por viver minha vida offline. Filmando lá. Não entendi. É, é. Mas eu acho que a gente tá num momento muito delicado que a gente não entende mais o que é offline e o que não é.
um vídeo, tirar uma foto, é estar offline? Às vezes é, porque o estar online você tem que estar postando. Eu posso muitas vezes fazer uma foto pra ter o registro. Ou então eu tenho que gravar com uma câmera analógica pra que isso seja offline. Eu acho que a gente tá começando a redefinir essas barreiras. Mas se tem uma câmera gravando, você tá performando? Isso é. Certamente. Não performando no sentido de falsidade ou atuando.
Mas aí, né, vou ter que trazer o Irving Goffman, que é um sociólogo que eu gosto muito, que ele fala, né? Pra cada situação da nossa vida, a gente vai vestir um figurino. A gente vai atuar de certa forma. Não é que nós somos falsos. Nós nos comportamos conforme o ambiente. Você vai sair com as suas amigas pra um karaokê. Não é a mesma maneira que você iria pra uma entrevista de emprego. É normal, são duas versões de Lilian.
De alguma maneira, eu vou querer prever quem é essa audiência. Eu vou querer, de uma maneira natural do ser humano, que quem está me assistindo goste de mim. Então, de alguma maneira, eu vou adaptar. Estou indo longe demais? Não, você não está, porque é completamente plausível. Mas aí, eu acho também que é da mesma forma que a gente escolhe uma roupa pra uma entrevista de emprego, uma roupa diferente pro karaokê. E eu acho que é um debate realmente bem complexo, assim. Acho que a gente não vai conseguir.
Entender 100% até que a gente consiga realmente separar o que é offline e o que não é. Porque antigamente a gente desligava o computador e estamos offline. Hoje a gente tá online o tempo inteiro. Eu tô aqui e eu tô online porque as pessoas podem me mandar alguma mensagem, eu vou receber e eu vou responder quando eu puder. E que a gente ainda tá entendendo, a gente tá construindo. Então a gente agora tem esse distanciamento do dispositivo. E a partir do momento que tiver nos nossos óculos,
E que a gente estiver vendo isso o tempo inteiro. Até que ponto a gente vai estar online e offline? Não se sabe. Eu acho que a gente não sabe, assim. Acho que a gente vai ter que viver e entender pra ir estabelecendo os limites. E eu acho que pra cada pessoa também vai ser diferente. É, e você falou, ah, eu não sou de uma geração que teve o salário o tempo todo. Mas, assim, todos os dados vão mostrando que as gerações mais novas têm pavor de postar. Talvez o que a gente viveu como millennials tenha sido…
Um grande experimento da internet em que a gente postava tudo. E aí, gente, a gente postava as fotos das festas. Era uma loucura, né? A gente não tinha noção do quanto ia durar. Durou, né? Tinha registro. Mas existe esse sentimento que é quase um pânico com o botão publicar. Parece que as gerações mais novas são cada vez mais audiência e menos produtores de conteúdo.
Qual que é a dica, conselho que você daria para aquelas pessoas que querem ter a tal da coragem de publicar, divulgar seus trabalhos, mostrar o que elas têm pensado, mas não estão conseguindo como você tem conseguido? Eu acho que precisa partir muito desse lugar de paixão mesmo, Marcela. Porque só isso vai fazer com que você consiga ignorar toda a parte ruim que vem junto, porque vem também.
o lado positivo. Então, a partir do momento que você colocar ali na balança, tipo, cara, tá, eu tô com muita vontade de fazer isso. E se eu não fizer isso, eu não vou ficar quieta. Se isso for uma imposição do outro, ai, eu preciso postar porque aí eu vou mandar lá pro RH e aí eles vão ver que eu sou uma pessoa ativa nas redes sociais e vou ter mais chance de ser contratado no emprego. Vai ser mais difícil, realmente, de você ter disciplina e apertar aquele botão. Eu acho que a maioria das pessoas que
começam a fazer conteúdo em rede social. Que hoje em dia, eu nem vejo mais como uma rede social. Eu vejo como um canal de entretenimento. E é até por isso que muitas pessoas das gerações mais novas deixaram de postar. Porque pra quê que eu vou postar? Se eu vou postar uma foto minha com os meus amigos e eles só vão ver porque eles estão marcados e ninguém mais vai ver, aquilo dali não vai pra lugar nenhum, eu deixo no meu rolo de câmera.
E aí, daqui a um ano, ele vai me lembrar que aquilo dali aconteceu e fica esse registro só pra mim. Porque hoje em dia, a rede social
virou entretenimento. Então, eu acho que a pessoa vai ter que ter realmente essa paixão. Então, descobrir primeiro sobre o que você estaria disposto a passar vergonha pra apertar o botão e gravar. Porque é isso, assim. Por mais que você ache que você não tá passando vergonha, você vai sentir que você tá passando vergonha. Porque é esse o primeiro sentimento. Ui, dá até uns arrepios, não dá? É, você fica meio assim, caraca, mano, o que eu tô falando? Então, assim, o primeiro vídeo eu fazia aqui assim. Então, gente,
O Basquiat pintou essa coroa aqui, não sei o quê. Porque a gente fica com medo de falar. A gente não sabe exatamente como fazer. Mas é isso, eu tinha muita vontade de fazer. Então eu fui lá e postei. E aí, depois de um tempo, você vai pegando o jeito. Você vai começar a falar com mais vontade, com mais verdade. Mas até hoje, pra mim, a grande dificuldade ainda é abrir a câmera e gravar sem ter um roteiro. Eu sonho muito com um dia que eu vou conseguir fazer isso. Por quê? Cara, porque eu acho que muitas vezes
eu me limito na forma como eu tô planejando falar o que eu vou falar a partir do roteiro. Porque no roteiro é ali o meu... a minha zona de conforto. Eu já escrevi, eu adoro escrever, então a minha zona de conforto é escrita e não tanto a fala. E aí, por isso que eu entrei até pro teatro de improviso. Eu falei assim, não, gente, vambora. Vamos falar sem pensar mesmo e vamos lá. Enfim, também por questões pessoais, traumas de infância. Eu fui aquela criança extremamente bocuda.
Sabe? Tipo, que faz a mãe passar vergonha. Que eu ia falar assim. Ih, mãe, mas você veio, você falou que você não queria vir. E aí, minha mãe Lilian, cala a boca. Pelo amor de Deus, o que você tá falando? Sabe? Tipo, eu era aquela criança que tomava beliscão, assim. Porque tá falando demais. Então, quando eu fui crescendo, eu fui. Tá, eu não posso falar tanto. Eu preciso reter algumas informações. E aí, eu senti que isso foi me travando ao longo do tempo, assim. Então, eu comecei a sentir mais conforto na escrita.
Então, sempre gostei muito de escrever. Tinha blog, escrevia e tal. E aí, hoje em dia, quando eu abro uma câmera e vou falar, eu não consigo falar como a gente tá falando aqui. Talvez se fosse uma câmera no seu lugar, eu não estaria falando isso tudo. Não, faz sentido. Até porque a câmera é um bicho assustador. É! Mas eu te perguntei, porque eu acho que muitas vezes a gente fica muito focado em fazer as coisas da maneira mais natural e mais espontânea possível. Porque nos ensinaram que pessoas que são verdadeiramente
talentosas. Elas acordaram um belo dia e se tornaram muito boas pra fazer aquilo que elas nunca fizeram antes. E às vezes, o roteiro é um suporte que tá tudo certo. Não, tá tudo certo. Nem tudo precisa ser tão orgânico e natural. Acho que nos enganaram muito sobre aquilo que a gente é bom. E todo mundo vai aprender fazendo. Quem foi essa pessoa que disse que um belo dia você vai ligar a câmera e você vai ser perfeito que você nasceu pra fazer isso?
assim. Isso não existe. Ninguém vai de primeira pegar uma câmera e vai sair falando 100% bem e ser perfeito naquilo. Porque existe prática. Na verdade, não só na câmera. Em 90% das coisas. Primeiro você começa. Eu adoro. Essa é uma boa trend. Primeiro você começa, depois você perfeiçoa. E aí é isso, assim. Na aula de música também. Quando eu comecei, tô fazendo há dois anos.
Mas, batia aquele medo. Cara, uma coisa é cantar no... É cantar no karaokê com as amigas. Outra coisa é você ir pra uma aula na qual tem um professor que estuda música e que ele está analisando se você está cantando de forma afinada ou não. Então, isso meio que me travava, sabe? E aí, você chega lá e você conseguir cantar, que é uma coisa muito, pra mim, muito pessoal. Num cenário que eu não estava acostumada.
Depois você passa e você fala, sobrevivi. Saber que esse é meu pesadelo frequente? Todo mundo tem um pesadelo que sempre tem, né? O meu pesadelo frequente é que eu tenho uma apresentação marcada na qual eu preciso cantar. Mentira, Marcela. E eu sou uma pessoa que canto muito mal. Assim, eu canto muito mal. E esse é o meu pesadelo frequente. É que eu me inscrevi numa apresentação de música.
vou ter que cantar. E aí, eu fui entendendo análise, que é o meu medo de não estar preparada pra fazer as coisas. E aí, pra isso, você precisa de um planejamento, você precisa ter tido uma experiência prévia com aquilo. E não me propor a cantar mentira. Então, canta aí, Marcela. Vamos agora desbloquear esse medo. E com essa, eu quero contar pras ouvintes que eu tô lançando meu EP. É o que eu achei engraçado você descrever meu pesadelo. Eu falei, ué, será que eu tô sonhando? Não.
A gente trabalhei tanto hoje, tomara que seja real. O meu pesadelo acho que é um pouco mais parecido com o da galera que é de repente, caraca, cadê minha calça? Eu estou sem roupa. Eu tenho esse com frequência. Não é uma loucura que o pesadelo frequente das pessoas de alguma maneira tem a ver com exposição? Com exposição, é. E a gente não tá preparado pra exposição e ainda assim a gente sabe que sem a exposição a gente vai viver recluso.
precisa socializar o tempo inteiro pra poder estar em sociedade. A gente evoluiu como seres sociais, a gente precisa dessa socialização. Então, a gente tá exposto o tempo inteiro, por mais que a gente não queira, assim. Inclusive, teve uma vez que eu recebi um conselho ótimo sobre aprender outras línguas, que é só aprende novas línguas quem tá disposto a passar vergonha. Porque você vai ter que passar vergonha. Você vai ter que passar vergonha, você vai ter que falar errado.
Eu só aprendi qualquer coisa, assim. Não existe curva de aprendizado sem o momento em que você erra. Sim, você pode escolher errar dentro de quatro paredes, só pra você. Mas você vai ter que errar. E aí, é muito difícil pra gente lidar com o erro. E aí, quando a gente resolve ainda se expor nas redes sociais, como é que a gente lida com o erro em público? Como? Sabe? É isso. É você errando, passa, você erra, e aí você percebe, cara, sobreviver. Mas será que...
Não necessariamente erro, né? Mas talvez não atingir as próprias expectativas. Você se assiste depois? Assisto, mas depende do meu mood, assim. Às vezes, eu tô tipo, ah, vou ver aqui os conteúdos que eu já fiz. E aí, eu entro e vejo tudo. Mas não é uma coisa que eu fico, ah, toda hora indo lá pra ver. Ou assim que eu postei, eu vejo de novo. Não, eu esqueço. Eu tenho que estar nesse mood, assim, de deixa eu ver o que de legal eu já fiz. E aí, eu vou lá assistir. Mas, no geral, por exemplo,
Por exemplo, quem edita os meus vídeos é o meu namorado. Beijo, Dani, te amo. E ele tá o tempo inteiro ouvindo a minha voz. E ele tá o tempo inteiro do meu lado. E aí, eu fico assim, pelo amor de Deus, bota um fone de ouvido que eu não aguento ouvir a minha voz. Provavelmente, nesse podcast, eu não vou ouvir, porque eu não aguento ficar ouvindo a minha voz. E aí, mas é isso, assim. Aí, de repente, eu vou e falo, tá, é muito mais como uma forma de entender os temas que eu já falei, o quê que eu já falei.
Eu posto e eu jogo lá e eu esqueço. Eu falei, você viu os meus vídeos? Você vai saber mais coisa do que eu. Porque eu faço e eu jogo lá e eu dou uma pagada. Quer uma dica? Quero. Todas. Posso te dar uma dica? Porque nisso a tecnologia me ajudou muito. Fala, como você faz, Marcela? Hoje em dia, eu jogo pra tecnologia de transcrição. Porque pra mim é muito mais fácil ler o que aconteceu ali do que ter que lidar com a minha imagem,
com a minha voz, com tudo isso então eu consigo, quando eu transcrevo pra depois analisar o episódio e mandar as analisações de edição para Zamunda eu leio e aí eu pontuo, porque vem minutado sim, ah, isso é tudo bom demais eu deixei de enfrentar muitos demônios alguns demônios ficaram Lilian, vamos lá estudar arte, estudar história e eu quero saber pra você estudar sobre o passado
o que te fez entender sobre o seu próprio futuro, já que talvez esse tempo seja um grande espiral, eu posso falar isso, pra uma mulher tão inteligente e pensante como você. Obrigada, ainda é difícil pra mim lidar com esse tipo de elogio, mas obrigada. É entender que o passado, ele tem cicatrizes muito fortes, assim, mas que ao mesmo tempo, olha quanta coisa a gente já fez, sabe? Tipo, eu paro pra pensar no...
período mesmo, assim, da minha vida. Como era a minha relação com o trabalho que eu fazia, com o meu cabelo, com o meu corpo, com a minha pele. E, cara, olha quanta coisa a gente já conseguiu, sabe? Tipo, pra mim era impensável, há um tempo, tá com o meu cabelo cacheado. Eu, por muito tempo, alisei o meu cabelo. Então... Eu tô há 60 minutos querendo me perguntar como é que você finaliza o seu cabelo. Ah, então...
perguntam muito isso, mas na franja, triondas e aqui atrás, creminhos e amassadinho. E descobri, assim, essa forma de finalizar que eu adorei. Me encontrei aqui, que não é o cabelo, meu Deus do céu, dos sonhos, que eu falo, meu Deus do céu, como eu amo esse cabelo. Mas que é o cabelo que eu me identifico, sabe? Eu acho dos sonhos. Tá vendo como somos diferentes? E aí, quando eu quero ter o cabelo dos sonhos, o que eu faço? Um escovão,
E aí, eu faço triondas nele todo. E aí, eu gosto daquele comprimento, assim, sereia e com volume, etc. Mas aí, a gente sempre fica, ai, tem um frizz aqui, tem um negocinho aqui. Mas que é isso. Não vai dar pra ser perfeito sempre. E aí, como é que eu posso fazer pra lidar com ele agora, dessa forma aqui, com o que eu tenho? Então, eu acho que estudar sobre o passado, pra pensar no meu futuro, foi muito sobre isso. Entender que muitas coisas aconteceram,
foram realmente muito difíceis, mas que a partir delas a gente conseguiu sim melhorar muita coisa, assim. As pessoas acham um crime quando eu falo isso, mas eu enxergo um mundo antes e depois de Lemonade, da Beyoncé. Porque foi um álbum que me mudou como pessoa e que eu vi muitas pessoas ao meu redor mudarem, assim. A primeira vez que eu entrei num lugar e alguém me perguntou, Lilian, como é que é pra você a sua relação com o seu cabelo?
Foi depois de Lemonade. Antes disso, esse papo não existia. Pelo menos não no meu ciclo. Então, muitas pessoas fazem críticas à cultura pop, à forma como o capitalismo faz girar essa indústria. E realmente, a gente precisa criticar também, não são só elogios. Mas a potência que ela tem de ampliar conversas que antes faziam só parte de um nicho é muito grande, sabe?
como a sociedade tem dificuldade em enxergar que a história tá sendo feita agora? Sim! Às vezes parece que precisa passar um tempo pra se enxergar algo como um marco. Sim, sim. Espera 10 anos. E diminuem, diminuem a potência do que tá sendo feito agora. Além de não dar o devido valor ao que tá sendo feito, a gente tem essa mania de ver o passado com muito saudosismo. Mas que ele também tem os lados,
o lado bom e o lado ruim, que a gente tá ali ressignificando o tempo inteiro. Então, muitas vezes, quando eu paro pra ler sobre história da arte, pra poder fazer um conteúdo, é justamente trazer uma perspectiva de agora pra algo que aconteceu no passado. Conectar uma performance que um artista fez nos anos 70 com o Big Brother que tá acontecendo agora. Sabe? Porque é isso, a história, ela vai girando em ciclos. O que as pessoas passavam lá atrás é muito semelhante ao que acontece hoje. Então, como a gente
consegue aprender com isso, né? É isso, pra gente ter futuro, a gente tem que lembrar do nosso passado, não tem como. Muito bom! Pra gente chegar na reta final do episódio, vamos para os nossos dois quadros finais. O primeiro deles, eu estou muito curiosa pra ouvir de você, porque é o Fissuras. Eu, pessoalmente, quero saber pelo que você está fissurada agora. Me diga pra eu pesquisar e ficar fissurada também, já que você é meu hiperfoco.
o hiperfoco do meu hiperfoco? Olha, o meu hiperfoco tá sendo História da Arte Sem Homens. Gente, esse livro, ele é fantástico. Ele passa por toda a história da arte com muito foco numa arte eurocêntrica, assim. Temos, né, que melhorar isso. Mas ainda assim, fala sobre artistas mulheres que até então, mesmo fazendo faculdade de artes, eu não conhecia. Então, é isso, assim. O meu próximo capítulo vai ser História da Arte Sem Pessoas Brancas.
Então, bora ressignificar, sabe? Esse tá sendo o meu super hiperfoco agora. E também, eu tenho lido o livro Anatomia de uma História. Que fala muito sobre construção de história, roteiros e tal. Porque eu tô indo muito pra esse caminho de tentar agora fazer outros tipos de conteúdo que não sejam só vídeos curtos contando sobre história da arte. Eu quero tentar fazer algumas narrativas e tal. Como é que a gente consegue ressignificar essas histórias?
Então, eu acho que você vai adorar o História da Arte sem homens, principalmente homens. Eu já tô assim. Será que eu compro agora? É muito bom, é muito bom. Eu quero muito. Eu quero entender a história de tudo sem homens, já que toda a história que a gente entendeu até hoje foi contada por homens, sobre homens. Pra gente finalizar, você quer me fazer alguma pergunta? Como você é pra se planejar? Você é uma pessoa que se planeja muito? Muito.
É assim, eu gosto de deixar uma janela pra algo inesperado, mas eu aprendi a ser muito planejada, porque pode não parecer, mas eu sou muito, muito avoada. Assim, quem me conhece na intimidade aberta, que é uma das minhas melhores amigas e já esteve aqui, ela fala, quem te conhece na vida pessoal nem acredita que você é quem você é na vida profissional.
com tudo. Então, eu tive que aprender a ser muito planejada pra me sentir um pouco mais sob controle das coisas, porque senão eu me sinto muito fora de controle. E isso pode parecer que eu sou controladora. Não, não é isso. É porque vai me dando muita ansiedade. E quando eu entro numa espiral da ansiedade, aí eu não faço nada. É difícil de sair demais. Muito. Então, segunda-feira de manhã é meu dia de escrever.
escrevo tudo que eu preciso fazer naquela semana, eu vejo quais são os eventos futuros, o que eu preciso fazer pra aquele evento dar certo. Aí, evento, eu digo, por exemplo, gravação de hoje. Tenho que prever pra acontecer a gravação desse dia, eu preciso pensar qual que é a roupa que eu vou usar, qual que é o roteiro que eu vou escrever, qual que é o tema que eu vou ter que antes estudar. Então, eu vou planejando. Sempre dá certo? Não. Não. A maioria das vezes não, né? Porque a vida acontece, mas assim,
pessoas distraídas precisam de planejamento. Então, sim, eu sou planejada. Por quê? Acha você pouco planejada? Não, eu sou zero planejada. Nada, em nada, assim. E eu achava que você era uma pessoa muito planejada, assim. Pela sua forma de trabalho, né, de fato. Mas eu fico, cara, tenho uma vontade, assim, sabe? Tipo, eu seria como ela, eu precisava ser mais como ela, de conseguir ter metas. E nessa semana eu vou fazer isso, isso e aquilo.
Mas calma, se você entrar agora, abrir, tá? O meu escritório, você vai falar é impossível que alguém está nesse ambiente. Ah, mas ser planejada é diferente de ser organizada. É, você me quebrou. É, é muito diferente. Eu sou desorganizada e sem planejamento, então… É, eu acho que planejamento é um antídoto pra ansiedade. Nem sempre dá certo, mas viver no improviso é algo que, olha…
A escola de improviso. Tá vendo? Vou te levar pra aula, Marcela. Vamos lá. Tá precisando. Talvez seja isso. Vou exercitar. Lilian, obrigada. Ai, eu amei. Eu que agradeço. Muito bom. Acho que vai ser um episódio muito útil pras ouvintes. Ai, que bom. E eu amo ser útil. Que seja, eu também amo. Muito obrigada. Obrigada você. Obrigada também você que nos ouviu até aqui. Deixo aqui aqueles pedidos que Lilian sabe muito bem. O que eu vou pedir?
agora. Siga o podcast. Dá um like no vídeo. Comente. Comenta bastante. É muito importante pro nosso trabalho. Por favor, gente. Não deixem de comentar. É isso. Vou convidar você também pra clicar no link do episódio, onde está a inscrição pra pré-venda da segunda temporada do Meu Clube do Livro. Quem sabe a gente não lê A História da Arte sem os homens. Eu adorei essa sugestão. O Bom Job fez uma produção da Zamunda Estúdio. O meu roteiro é meu, a apresentação é minha.
e eu acho que vou parar de falar isso porque talvez seja muito claro. Até semana que vem.