Episódios de Bom dia, Obvious

O que dos anos 2000 virou refrão?, com Sarah Oliveira

24 de maio de 20261h2min
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Tem música que marca uma geração inteira.

Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe Sarah Oliveira para uma conversa sobre memória musical afetiva e as canções que ajudaram a dar linguagem para toda uma geração.

Entre MTV, Alanis Morissette, Cazuza, Britney Spears e Ney Matogrosso, elas falam sobre cultura pop, anos 2000, desejo, liberdade e os refrões que atravessam fases da vida junto com a gente.

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Programa Atenção para o refrão, com Sarah Oliveira: AQUI

Livro citadoAna terra, de Erico Verissimo : AQUI

Assuntos2
  • Memória e MúsicaAnos 2000 e cultura pop · Música como linguagem · Refrões que marcam gerações · MTV e programas musicais · Alanis Morissette · Britney Spears · Hanson
  • Série 'Atenção para o Refrão'Prazer feminino · Garra e grito · Sufoco e volta por cima · Mistério · Rita Lee · Caetano Veloso · Gal Costa · Arnaldo Antunes · Esmir Filho · Ney Matogrosso · Cazuza · Ana Terra · Homem com H · Calada Noite Preta · O Nosso Amor a Gente Inventa · Veludo Marrom · Segundo Sol · Luau MTV · Cássia Eller · Nando Reis · Aldir Blanc · João Bosco · Bêbado e Equilibrista · Samba da Benção · Gonzaguinha · Bethânia · Caetano · Marília Mendonça · Quem é a Culpa · Alcione · Ray · Where's My Husband? · Billie Eilish · Rosalía · Motomami · Duda Beat · Bichinho · Tiny Desk · Doit · Duquesa · Pitty · Angus Young · ACDC · Foo Fighters · Los Hermanos · Onde Vem a Calma · Red Pill · Aline · Caju · Sabrina Carpenter · Lady Gaga · Alice Fraser · LCD Sound System · All My Friends · Macy Gray · Raimundo · Forrocore · Planet Ramp · Chalebral Junior · Lenine · A vida é tão rara · Esperança equilibrista · O que a gente faz com essa tal liberdade
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Quando era 1999, na permissão que a infância me dava de ignorar o medo do bug do milênio, eu torcia pra conseguir chegar em casa da escola a tempo de assistir o Disque MTV. Eu entrava correndo no quarto dos meus pais e lá estava ela. De jeans de cintura baixa, cabelos brilhantes e um carisma tão grande que era irresistível. Eu corria pro espelho e imitava exatamente o que ela tava fazendo.

Aquela mini Marcelinha, tão fã da Sarah, mal sabia que um dia falaria também pras câmeras. E talvez morresse de vergonha com a possibilidade de falar diretamente com ela. Hoje, minhas ouvintes, é um dia histórico pra mim. Porque recebo quem plantou a primeira sementinha em mim, de que quem sabe um dia eu também não quisesse estar em frente às câmeras. Eu sou Marcela Ceribelli e esse é Bom Dia Óbvios, a casa das mulheres que pensam em voz alta.

Antes de mergulharmos no assunto da semana, segue o podcast e ativa as notificações, por favor. Assim você não perde nenhuma conversa. Minha convidada de hoje é Sara Oliveira, apresentadora que ajudou uma geração inteira a entender que música nunca foi só sobre música.

Música também é memória, identidade, desejo, fase da vida, refrão que gruda na pele e volta anos depois para explicar coisas que a gente ainda nem sabia sentir. Agora, com a série Atenção para o Refrão, Sarah volta justamente para olhar para aquilo que fica.

Os versos que atravessam gerações, a memória afetiva que uma canção carrega e o poder quase coletivo de cantar junto. Ela mesma disse recentemente que esse é o cerne do trabalho dela e que a série também marca a celebração dos seus 25 anos de carreira. Talvez seja por isso que essa conversa me pareça tão especial. Porque não é só sobre uma década, é sobre essa nostalgia. É sobre o que a cultura ensina pra gente antes dos meses da gente perceber o que tá aprendendo.

sobre o que os anos 90 e 2000 ensinaram para nós, mulheres. E as músicas que nos deram linguagem para a raiva, para o desejo, para o prazer, para a tristeza, para a estranheza e para a vontade de ser qualquer coisa. Então, no episódio de hoje, eu quero conversar com a Sarah sobre cultura, mulheres, memória afetiva, anos 90, Alanis Morcette, filhos, refrões e sobre essa coisa tão misteriosa e poderosa que é descobrir muito tempo depois que uma música ajudou a formar a mulher que a gente se tornou.

Bora lá? Bom dia, óbvias. E bom dia, Sarah. Venci. Maravilhosa. Muito obrigada por estar aqui. Você é muito maravilhosa.

Não, assim, você sabe, assim tanto que a primeira vez que a gente se conheceu foi nos bastidores de um prêmio que eu fui até você e eu me tremi inteira, né porque eu não estaria aqui se não fosse você e quem pode confirmar é a minha mãe

Porque foi de verdade a minha grande referência. E quando eu comecei a cogitar qualquer coisa, de aparecer em vídeo, sempre foi você a minha referência. Então, assim, eu tô muito emocionada. Eu também tô agora.

Renata Ceribelli, olha o que a sua filha faz comigo. Me emocionei. Ó, tô toda arrepiada. Obrigada por estar aqui. E, sei lá, obrigada por ter… Eu acho que, pra minha geração, assim, né, Disque MTV, eu acho que a gente ligar a TV e ver aquela menina que bancava aquele estúdio sozinha, isso sempre me pegou.

Porque às vezes você falava com a galera que tava atrás das câmeras. Eu amava quando você fazia isso, porque você dava a entender pra gente que tinha um set acontecendo. E olha onde eu tô hoje, né? É muito engraçado. Pois é, você vê? Mas eu fazia isso mesmo. Que legal a sua observação, porque eu falava com todo mundo. Eu dava os nomes, todos. Isso. É verdade, eu faço isso até hoje.

E dava pra ver que alguém tava rindo, aí você puxava. E eu imaginava, imagina esse ambiente, como será que deve ser? Então, pra mim é quase o fechamento de um ciclo. Obrigada por estar aqui. Obrigada a você por essa abertura maravilhosa. Você é um…

Você é muito linda, muito doce. Eu te acompanho tanto. E pra mim é uma honra estar aqui, na verdade. E é uma honra ver o teu trabalho, assim, perpetuando de uma forma tão bonita, tão clara, tão sincera, tão inteligente, cheia de subjetividade, que é o que mais falta hoje na internet. Eu fico assim, gente, as pessoas perderam a subjetividade. Ai, que bom, temos óbvios. Ai, que bom, temos a Marcela. Temos esse público, porque você treina o teu público, você exercita o olhar do teu público. Isso é muito valioso.

É, e é um público, e eu tenho muito orgulho de falar isso, assim. As ouvintes que vêm acompanhando, elas foram ficando também junto comigo, assim. Mais inteligentes, com mais repertório, a gente cresceu junto. Evoluindo, isso é lindo. É lindo. É lindo, porque é isso, é o poder da comunicação, né, Marcela? Porque a gente fala, a gente ouve, né? Eu tava no meu mensagem outro dia, eu falei, como um abraço. Você abraça, mas você também é abraçado, né? Então… E aí

É isso. Eu falo muito que o meu talento é ouvir, não é falar. Então, olha que interessante. É isso. Porque falar é fácil, né? Mas é em qualquer coisa na vida. O amor, ele só surge se tem a escuta, né? O amor mais profundo, ele só vai surgir se você tá com alguém que sabe te escutar. Que presta atenção em você. Prestar atenção é lindo, gente. Você consegue ver quando você tá numa dinâmica com alguém que a pessoa não tá te ouvindo? Na hora.

O olho brilha, assim. Eu até me desconcentro, às vezes. Porque eu falo rápido e eu penso rápido. E a pessoa me desconcentra se ela não tá prestando atenção. Você acredita? É só de sentido. Porque não tem presença. E a gente vai falar da série. Eu até vou te falar que chama atenção para o refrão. Tem todo um motivo por conta de música e tal. Da música do Caetano Veloso Divino Maravilhoso. Mas eu acho lindo a gente pedir...

uma ação que é presta atenção, né? Presta atenção no outro, presta atenção em quem tá falando com você, olha no olho, eu falo isso muito pros meus filhos, né? E presta atenção no refrão também, que você tá cantando, porque às vezes a gente não sabe a letra, mas sabe o refrão, e fala, e canta como se não fosse nada, mas aquilo pode bater em você de uma forma, mesmo que você não entenda agora, vai entender depois.

Ah, é. E eu sou muito saudosista de um tempo que eu não vivia. Eu sempre falo isso pra minha mãe, que eu fico imaginando o quão bonito. E claro, é o máximo que hoje a gente tem esse acesso, a hora que a gente quiser. A gente ouve a música que a gente quiser. Mas o ritual que era, vem aqui pra casa escutar um disco. Ah, é muito bom.

Nossa, eu queria muito ser dessa geração que, putz, acabamos de… Alguém trouxe, meu pai falava muito isso, ou alguém conseguiu ir pra fora do país e comprou o disco dos Beatles. E era um acontecimento. Então imagina, assim, aquela ansiedade. E também teve um pouco isso do rádio. Eu lembro de ficar torcendo, assim, quando é que vai tocar. E claro, no disco MTV.

Você torcia pra quem no disco, Marcela? É, Hanson. Os Hanson. Ah, eles eram uns lindos, né? Eu adorava eles. Eles eram muito legais de entrevistar. Porque eles eram muito educados. Ai, conta mais. Muito doce. E Britney, óbvio. Ai, a Britney. E a Britney, que, assim… Um eterno fomo dessa amizade, porque você, de fato, teve uma relação com ela. Não, na verdade, não é que eu tive uma relação com ela. Mas é porque a gente teve uma energia legal naquela entrevista. Então, no dia seguinte, a gente almoçou.

Mas a sensação que eu tinha… Muito legal. Era que você era amiga daquelas pessoas. Mas hoje, trabalhando com isso, eu sei que é um talento. É o talento de você ter uma conexão que se faz ali. Que, claro, depende também do outro. Porque você também sabe o que é entrevistar alguém que está ausente. Sim, sim. Você perde o entrevistado. A gente perde, mas também a gente consegue, né, com as técnicas ganhar o entrevistado de volta, mas você não ganha a pessoa.

Você ganha só a entrevista. Isso. É muito diferente, né? É, é verdade. É verdade, faz toda a diferença. Bom, então vamos falar do Atenção ao Refrão, já que você já começou? Eu amei a ideia, a premissa, tudo. Queria saber de você… Sarinha, refrões fazem um pouco de uma educação sentimental pra gente? Completamente, completamente. E você sabe que quando eu tava…

E quando eu criei a série, foi ouvindo o Divino Maravilhoso do Caetano Veloso, na voz da Gal, que é maravilhoso. E ela fala, né, atenção para o refrão, é preciso estar atento e forte. Aí eu falei, será que a gente presta mesmo atenção, né? Hoje em dia tá tudo tão louco, e eu queria prestar atenção mais nos… Você sabe que o certo é refrãos, né? Mas a gente tem a licença poética de falar refrões, porque fica muito estranho falar refrões. Sim. Aí eu falei com o Arnaldo Antunes, um dos convidados. Ele falou, não, tudo bem, vamos falar refrões, vamos. E se o meu poeta concreto falou… Nossa, se o Arnaldo Antunes liberou, tá liberadíssimo!

Mas enfim, e daí eu falei pro Esmir Filho, que é o meu irmão cineasta diretor de cinema, que fez Homem com H, enfim, o filme do Neymato Grosso. Maravilhoso, ouvintes, se vocês não assistiram, por favor assistam. Tá na Netflix. Obrigada, você tá na Netflix.

Aí eu cheguei, o Esmir, toda vez que eu tenho uma ideia de programa, ele me ajuda a formatar. Então, sei lá, o Calada Noite, eu tava ouvindo também Noite Preta da Vangileonel, sabe? Calada Noite Preta. Eu falei, ah, eu queria muito falar sobre a minha relação com a noite. Eu sempre fui muito notívaga. E não só essa coisa, ah, os artistas dormem tarde, ou médico, não, tem…

Falei com mais de 200 pessoas de profissões diferentes. Então, a gente tinha aquilo, a conexão entre as profissões diferentes e o Wagner Moura, que é muito notívago, ou o Jô Soares, que eu meio que me inspirei até, falei pro Jô, ah, Jô, você foi a minha grande inspiração na época, porque ele fazia o programa do Jô, que era super tarde, né? O Grozman também, o Altas Horas, enfim. Mas a gente fez uma relação poética e pop com a noite.

Aí o Esmir me ajudou a formatar. Aí quando eu fiz também aquela série de amor, o nosso amor a gente inventa. São projetos que eu fiz pro GNT e pro streaming, né? Aí eu também tava ouvindo Cazuza. Todo mundo tem um amor inventado. Todo mundo, né? Um amor platônico. Sempre tem alguém que tem uma história de amor inventado. É, né?

Olha, aí eu já vou, né, já fui lá pra Ana Su e todo amor é um pouco inventado também. Todo amor é idealizado, a gente idealiza. A gente idealiza o amor porque a gente gosta da gente naquele amor, né. A gente gosta da gente amando, a gente gosta da gente apaixonada. É um show da projeção. É, é um show da projeção. Eu já sabia demais. Opa!

Total, né? Nosso amor a gente inventa pra se distrair quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu. Ainda bem também, porque a gente também tem um momento que para de sofrer. Aliás, eu amo a retratação do Cazuza no Homem com H. É. Aquela cena, a primeira vez.

que eles se olham na praia e quem é aquele menino? E eu como alguém que passou adolescência no Rio, essa coisa é muito carioca você olhar na praia e falar, acho que eu quero aquele ali. E o Ney fala, tudo que tá no filme é verdade ele participou dos 14 tratamentos de roteiro do Esmir, assim, ele viu tudo.

E o Esmir compartilhou com ele o roteiro do Esmir, direção do Esmir e ele compartilhava com o Ney, o Ney ia no set de filmagem e tudo é verdade é aquilo mesmo, assim, o Ney conviver com o Ney é muito legal, Marcela porque realmente, assim, ele é um... Eu imagino Ele tem um entendimento da vida que é muito bonito essa coisa que você falou da projeção que a gente faz a gente, eu acho que olha pro Ney a gente quer ser livre como ele, né?

Então é uma projeção gostosa, mas aí ele fala, não fiquem projetando em mim, sejam vocês. Então é um aprendizado, né? Eu acho que é um aprendizado diário. Mas voltando à atenção para o refrão, eu tive essa ideia de prestar atenção nos refrões. O que essas músicas querem dizer pra gente? O que esse refrão quer dizer pra gente? Cheguei no Esmir e falei com ele, ele falou, então vamos formatar e dividir em temas. Que aí vem o olhar de direção, o olhar de cinema.

E a gente dividiu em temas. Então, assim, por exemplo, eu estreei com o tema Prazer. Aí eu só convidei mulheres, cantoras e compositoras, declamando prazer, falando do prazer. Aí a gente pegou refrões que falavam de prazer. Aí tem Rita Lee, me deixa de quatro no ato, me encho de amor. Aí tem Simone, eu tô que tô.

É na hora me veio a Rita ali Mas me veio O que tal nós dois numa banheira de espuma É, também tem Porque no livro dela Quando ela fala que aquilo ali foi pós Aí você fala, nossa, que delícia Ai, é tão bom Porque, não sei Falar de sexo é tão gostoso E a gente foi ficando cada vez mais púdico Nossa, mas que loucura isso, gente Não dá pra entender, Sarinha Você sabe que a Rita, as últimas três entrevistas dela Foram pra mim, pro B.I. e pra sua mãe Que draw draw draw

Olha, que trio, hein? Você vê que legal? Ela era muito carinhosa com a minha mãe. E ela só falava com quem ela queria. Ela tinha isso comigo, porque eu era aquela menina… Eu fiz assim, né? Aquela menina da MTV. A Renata é a Renata, né? O Bial, Bial. Eu era a menina da MTV, que ela gostava. Que fez o Luau MTV com ela. Não, e você é a Sarah, pelo amor de Deus.

Mas aí, então, fazendo esse especial com ela, uma mulher na rua, ela viu aquilo, a gente mostrava, né, no Viva a Volta. Ela viu, falou, gente, a mulher falou assim, eu ouvi Banho de Espuma, que é essa canção que você citou, eu tinha acabado de me divorciar. E era nos anos 80 que ninguém se divorciava. E era uma preconceito, e eu falava, eu quero isso, eu quero viver isso, com qualquer homem que for. Que tal nós dois numa banheira de espuma? Gente, eu dei uma… A Rita ali, vendo aquilo, ela ria. Olha que bom, né, que a pessoa se apropria da música.

Claro, as músicas viram nossas. Viram nossas, e os refrões também, né. Tem ciúme de música, porque eu tenho, às vezes, quando eu tenho uma… Acho que a música é muito minha. E sei lá, eu entro num Uber e tá tocando a minha música. Eu falo, não, achei que era só minha. Eu tenho músicas feitas pra mim, né, Marcela, que eu não posso falar. Mas aí, eu acho bonito. Eu falo, gente, outro dia, uma pessoa que eu admiro muito gravou uma música que foi feita pra mim, eu falei…

Olha só… Mas são românticas? Ah não, porque eu tenho uma música que foi feita pra mim. É que eu namorei músico, né. Eu não falo sobre isso.

Eu também tinha um namorado músico, mas é música… Não, mas de banda muito pop, é que eu não posso falar sobre isso. Eu não falo sobre isso. Às vezes eu ouço as minhas… Tem duas músicas que eu ouço, que quando toca eu falo Gente, ai que lindo, que amor. Eu acho lindo. Lindo, lindo. Tudo lindo. Bom, o Esmir me ajudou a formatar. E daí… Falando do primeiro episódio. Foi só mulheres. Mulheres falando de prazer. Por que começar por isso?

Eu acho que é porque a gente começa de uma maneira… Olha que interessante, porque a gente vai de prazer pra garra, pra grito, sufoco, volta por cima e termina em mistério. São seis episódios. Todos os refrões que têm esses temas. Então, as pessoas perguntam assim pra mim, ah, mas como é que você escolheu as canções? Porque é só memória afetiva? Eu falei, não só isso. Como o Esmir dividiu em temas, a gente foi… Quais são as canções que têm esses refrões com esse tema, entendeu? Sim. E daí, meu…

reuniões em cima de reuniões, ouvindo músico… Já ouço músico o dia inteiro, né? E daí a gente conseguiu, assim, chegar. Agora, começar com prazer foi interessante, porque foi muito legal começar só com aquelas mulheres, falando. Tem a Lineker falando de Veludo Marrom. Veludo Marrom é bonito, porque ela tem uma coisa que começa bem tranquila, e ela vai subindo, subindo, parece um jorro de orgasmo, um jorro de gozo, sabe? Porque no final tem aquela orquestra…

É lindo, assim. É lindo, é lindo. Eu acho que as músicas da Lynn Licker, de fato, tem uma energia sexual boa. Muito. Um sexo gostoso. Parar a fazer um escarcel com o teu sorriso. Isso é muito lindo. Pelo amor de Deus. É muito lindo. Pelo amor de Deus, sou eu ouvindo… Eu fui recentemente no show do Nando, né, que ele canta também com a Seller. E eu ficava… Gente, você tem noção do que ele acabou de falar?

Fico recitando as músicas. É o máximo, né? É do Luau que eu fiz. A gente fez o Luau, né? Sim! A gente fez o Luau. Verdade! Tá no YouTube, foi uma homenagem. 23 anos depois, eu e o Nando fizemos um Luau em homenagem à Cássia. Ele convidou a Cell, os garotinha, bonita, a Lan Lan. Então foi isso. Foi esse show que você viu. Foi o show que eu vi. Foi uma turnê do Luau MTV. Muito bonito. Muito legal, foi muito emocionante, viu? A gente gravou em Maresias, imagina, 23 anos depois. Na mesma praia que eu gravava o Luau, que era o Casa da Praia.

E ele, com o mesmo chapéu que ele fez o Luau original com a Cássia Eller, foi super… Ele começou com o Segundo Sol e começou a chorar. Ah, não, não tem a menor coisa. Ele tá no… Notem só para o refrão. Em qual episódio? Com o Segundo Sol, tá no último, mistério. Já tô até falando que não podia. Mas é porque… É mistério, né? Não tem explicação. Não tem explicação.

Ele fala, não tem explicação. Eu acho que o Luau MTV também é talvez um dos momentos mais… Acho que formou todo mundo que tá aqui. Vou fazer bem, bem sara MTV. Formou todo mundo que tá aqui. Ai, meu amor, esse! Porque a nossa relação com música…

Nesse período da MTV, eu acho que de fato são os refrões que nos fizeram. Porque quando eu ouvia a Alanis falando You ought to know, sabe assim? E é exatamente isso, é nomear. Eu falo muito sobre isso no meu último livro, né? Da importância da nomeação. Eu acho que o que a música faz, os refrões fazem eles nomeiam aquilo que a gente nem…

Nem sabia que alguém sabia o que significava. Então, dá significado naquilo que é intangível. E é bonito isso, né? Porque é tão importante isso mesmo. Ajuda tanto. Nossa, ajuda muito. Compreender tanta coisa, né? Ajuda muito.

A minha sobrinha tava lendo o seu Aurora. Uma vez eu tava na… Eu até te mandei uma foto, não mandei? Mandou. Tô bonitinha ela lá na cama, 17 anos, lendo Aurora. Aí eu morro, né? É, é, demais. 17 anos, pelo amor de Deus. Demais. Tem dois públicos que eu morro de ver. Quando 17 anos e aí quando me mandam a voz.

Mulheres de 80 anos. Ai, que amor. Eu tenho várias avós que leram. E falam coisas muito parecidas. Poxa, se eu soubesse disso na minha época, eu teria feito coisas muito diferentes. Não, é um serviço absurdo. Mas ainda dá tempo, né? Lógico, sempre dá tempo. Sempre dá tempo, Sarah? Sempre, eu acho, sabia? Sempre dá tempo. E eu tô aprendendo isso cada vez mais. Porque eu tô começando a… Eu faço muita análise, né? Eu sou filha de psicanalista, sempre fiz análise. A minha grande analista morreu.

na pandemia, quando eu quis voltar a fazer, eu fiz 17 anos ininterruptos. Foi muito difícil conseguir um analista de novo, assim, né? Eu consegui um Jungiano, ela era Freudiana da Sociedade de Psicanálise, agora esse é Jungiano e eu tô há três anos fazendo uma análise, assim, com uma pessoa maravilhosa e tô aprendendo a respeitar o tempo do outro. Cada vez mais, assim, porque cada um tem o seu tempo, né?

E a gente às vezes cobra que o outro tenha a resposta que você gostaria que ele te desse. Porque você já tá lá, a gente controla. É que falar narrativa hoje em dia tá muito manjado. Mas a gente controla mesmo, né? A gente quer controlar. Não, acho que nesse caso…

Podemos, porque são narrativas pessoais, né? É, são narrativas pessoais. A gente tem essa tendência, se você deixar, a gente que é comunicadora, a gente tem essa tendência daí. Eu tô falando da parte pessoal, né, gente? Claro, aqui profissionalmente, você não vai ficar controlando, você vai escutar a pessoa. Mas quando você tá numa relação, você costuma falar uma coisa esperando que o outro vá responder daquela forma. E, cara… Nossa, que interessante você trazer isso, porque é uma habilidade nossa.

profissional, que a gente não pode levar pro âmbito pessoal. Não, não pode. Porque senão vai prejudicar muito as nossas relações. Não pode. E eu fui casada há muito tempo com o pai dos meus filhos, que é um homem maravilhoso, que eu adoro. E eu casei nova, casei com 27, né.

E as coisas mudam, porque a gente vai angariando tanta vivência, tanta bagagem, e a gente é tão apaixonada pela nossa profissão. Mas não pode. Claro que assim, eu não sou muito diferente do que eu sou quando a câmera tá ligada, esse é o meu jeito, você sabe. Eu sei, eu sei.

Não tem como. Mas precisa entender que o outro é o outro, né? É, eu acho que é difícil de explicar porque, de novo, o nosso trabalho tem algo do intangível que é quase inexplicável. Porque como que se explica quem é uma comunicadora? Porque, teoricamente, você entrou ali, começou a falar. Mas eu acho que...

talvez, levantando uma hipótese mesmo, bem psicanalista, assim, eu acho que é uma habilidade de presença. Porque a gente tá aqui e eu escutei cada palavra que você falou. Uma vez um amigo meu falou assim, que também é comunicador, ele falou, tem que saber chegar, você sabe.

Eu achei interessante, achei legal isso. Mas sabe o que eu acho, Marcelo? Você também tem isso. É bonito. A gente tem um respeito pelo universo alheio. Isso é muito importante, né? Porque a gente tá mergulhando quando eu tô mergulhando nos refrões os refrões, mesmo que não sejam os compositores que estão ali falando, são cantoras ou cantores que se apropriaram daquela música.

É delas, é deles. Como é que eles cantam aquilo? O próprio Ney, ele fala de sangue latino na série. Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos. O meu sangue latino. Pra ele, tem um outro significado do que pra gente. Então, é, a gente fica arrepiado. E tem que ter esse respeito, né?

O João Bosco tem uma... Olha que bonito. Eu lembro que quando eu tava criando a série, eu ouvi o Bêbado e Equilibrista e eu pensei, olha essa frase do Aldir Blanc, gente, que é a letra do Aldir Blanc e a música do João Bosco, né? Que ele fala que a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar. E daí eu fiquei, gente, viver é uma corda bamba mesmo, né? Sim.

É uma corda bamba. É impressionante, porque às vezes você escuta, são músicas que você talvez já virou um pouco paisagem. E aí, de repente, você presta atenção na letra e você fala, não, calma, isso aqui vai…

muito além. E eu tenho muito isso com a música do Nando, que ele fala o que você está fazendo? Que aí eu consigo enxergar nessa música? E aí, outro dia eu tava falando pro meu namorado, ele falou nossa, eu nunca tinha prestado atenção, eu acho que você acabou de me fazer entender essa música que eu conheço desde sempre. Porque eu falo, eles estão discutindo, é uma discussão. Na minha visão, eu não quero nem perguntar pro Nando Reis se é ou não é.

Pra mim é, por favor, não vá embora. Então, assim, como é bonito, como também as músicas podem mudar de significado ao longo da nossa vida. É, lógico. Várias das canções que eu filmei agora pra essa série, elas têm um outro significado hoje pra mim. Eu ouvia quando era menina e eu não tinha essa noção do que significam, né? Alguma em especial? Várias. Eu vou te falar, tem uma que não entrou na série ainda, mas é um dos motivos pelo qual eu fiz a série, mas não tinha o tema pra encaixar e a gente vai encaixar, que é o Samba da Benção.

É melhor ser alegre que ser triste. Mas eu adoro a outra parte que ele fala. O samba é a tristeza que balança e a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste, não.

Eu falei, gente, é muito isso, né? A gente, a alegria, ela tá nesses momentos, em alguns momentos da vida, né? Não são em todos. E daí a gente tem momentos de alegria que a gente fala, olha, mesmo quando a gente tá naquela melancolia, porque tem que sentir, tem que sentir até o fundo. Não dá pra maquiar a melancolia. A angústia, ela é muito poderosa. Não dá pra fingir que ela não tá ali. Ela é um afeto muito forte.

né? Então, se você vai até o fundo do poço na angústia e na melancolia, pra entender mesmo o que tá acontecendo, sem maquiar, porque não é? Bola pra frente, bola pra frente. Isso é uma pressa do nosso tempo. Gente, é total isso, Marcela. É uma pressa do nosso tempo. Há muito a se descobrir com a nossa angústia, com a nossa melancolia. Lógico, ninguém quer. Você fala assim, mas pelo menos aprendeu. Obrigada, não queria ter aprendido.

Quer que ele me lê? O Chorão não disse quantos dias de luta. Sabe assim? Eu amo essa figurinha. Não disse nem pra vocês. Dias de luta, dias de glória, né? Ele falava na música. Sabe, o Chorão. A gente fala um pouquinho de coisa pop pra não ficar muito cabeçudo. Mas tem essa coisa da angústia. E eu acho que daí eu fiquei pensando, eu falei, gente, que piração. Que coisa linda. Mesmo que você tá ali na... Ai, desculpa, não sei se pode falar pra lá. Pode. Você tá ali mal, porque é difícil. A vida às vezes é muito difícil. Sim.

Mas você tem uma esperança de um dia não ser mais triste, não é? E quando vem aquela alegria, às vezes a gente não pode cair na cilada do tipo Ah, eu estou colhendo o que eu plantei, então agora eu mereço. Aquela coisa do merecimento. Não é isso, é a vida. A vida tem altos e baixos e é uma coreografia que a gente tem que saber dançar e aprender. E eu acho que a música, ela tem esse poder de ensinar, sabe? A sua angústia e melancolia tem trilha sonora ou é nessa hora que você se encontra com silêncio?

Não, que se é pra chorar, a gente já chora de uma vez, né? Aí a gente já coloca, tipo, nossa. Que é igual quando você falou, ai, que delícia falar de sexo. Aí você já coloca uma xadê, você coloca um prince, tá tudo certo, né? É, Rai também. Vamos lá, Rai? É Ray. Maravilhosa. Nossa, eu vi essa mina no Montrou Festival, eu fiquei passada. Ela tava começando. Pelo amor de Deus. Nossa, e hoje minha filha fica ouvindo, ela ama. Eu falo, isso aí, boa. Doutrinei bem.

Mas assim, tem isso, tem tudo, tem música pra tudo. Agora tem a música pra fossa, tanto que a gente tem o sufoco, né? Sim. O tema sufoco, óbvio que eu abro com a Alcione. Nossa, por que você não vai embora de vez? Posso falar? Ela previu toda a irresponsabilidade afetiva atual da sociedade. O que tá acontecendo? As pessoas perderam a habilidade de se comunicar. Gente, responde, fala alguma coisa, sei lá.

Eu acho que a tecnologia, ela ajudou muito a covardia. Muito, mas acabou perdendo o timing também, né? É uma tristeza. Completamente, completamente. E você tem uma playlist, uma música favorita pra Fossa? A minha playlist é muito aleatória, tá? Ela é um caos, ela vai de Marília Mendonça.

Que, aliás, é uma voz ótima pra fossa. Tem aquela de quem é a culpa. Não finja que eu não tô falando com você. Eu tô parada no meio da rua. Eu amo essa música. Nossa, vontade de chorar. Mas ela fala de inventar. Eu ouvi ela no Multishow uma vez. Foi assim que eu conheci ela. Ela tinha 23 anos. Falei, que voz é essa?

Quem é essa mulher? E era realmente esse refrão. Eu me apaixonei pelo que eu inventei de você. Aí eu mandei uma DM pra ela e falei, eu tô estreando uma série de amor que chamou Nosso Amor, a gente inventa. Eu queria muito gravar com você e ela me respondeu, mas aí não deu tempo, fiquei muito triste. Poxa, fiquei muito triste. Mas assim, Fossa tem, desde os nossos… Música brasileira tem Gonzaguinha sangrando, né?

sangrando, nossa, eu acho uma coisa, uma loucura, na voz da Bethânia. Então, esse show da Bethânia e do Caetano, eu até brinquei quando entrevistei a Bethânia, eu falei, Bethânia, que engraçado, né? O estádio lotado, todo mundo de todas as idades, cantando Gonzaguinha sem dó, Bethânia sem dó, fez todo mundo se rasgar ali, né? É, esse show… Ele vai no âmago Gonzaguinha.

É, tem uma densidade esse show. Eu fui também, é maravilhoso. É lindo. Mas então você não acredita que existe música boa ou música ruim? Não, de jeito nenhum. Eu não tenho preconceito com nenhuma música, eu ouço de tudo. Inclusive os meninos do trap, que as pessoas sigam… Ah, é só autotune e tal. Eu falo, gente, eles fazem um flow bom. Tem uns que são bons.

Tem uns que são muito bons. Você vê lá fora, tem uma galera que canta o Tiny Desk. Que eu sei que é um projeto que você acompanha, é tão bonitinha. Nossa, como é maravilhoso. Eu amo o Tiny Desk. E eu fiquei com muito medo. Eu falei isso pra você. Fiquei com muito medo do Tiny Desk ir pro Brasil. E talvez ir pra uma coisa da música mais hype. E aí, não, é Brasil, é João Gomes. Então assim… E tá metá, né? É, assim, que delícia. Parabéns mais uma vez, porque eu te mandei mensagem, assim, apaixonada.

Não, é um trabalho lindo, assim. É um trabalho lindo da NPR com os Amabs aqui no Brasil e com a Anonymous, a Babi Teixeira que trouxe. E eu… Pra mim é uma honra apresentar. E daí, mas falando do Tiny Desk, por exemplo, a Doit, que é uma rapper. O Tiny Desk dela é maravilhoso. Os Tiny Desks dos caras lá na gringa… Eu não vi o Tiny Desk da Doit, vou ter que fazer isso hoje. Você tem que ver o da Doit e o da Duquesa aqui no Brasil. Você viu o da Duquesa?

Também não vi. Maravilhosa, gente. A mina tem uma voz. Fala pra Duquesa vir aqui. Vou falar. E como ela fala bem. Então, eu queria que ela vier. Nossa, ela é muito inteligente. Eu vou falar, ela é muito inteligente. Muito, muito. Mas já tá gravado também, Duquesa. Vem a Duquesa. Não, entrevistar ela foi uma loucura, assim. Que menina situada, sabe?

O que é envelhecer pra você? As pessoas têm medo desse verbo. Eu falo, gente, a gente tem que ter o tempo como nosso aliado. Quem tem história tem tudo, né? Você não acha? As minhas melhores amigas hoje, que eu mais gosto de trocar são duas mulheres bem mais velhas. É? Porque eu sou apaixonada pelo repertório, pela vivência. E eu…

Eu não sei, eu tenho também boas referências, né. Isso é muito mais. Assim, você, o Zeca… Porque eu não vou ficar falando tanto da minha mãe, porque tudo tem limite, né. Mas assim… Ela é uma grande referência pra todos nós, né.

E de juventude. Não, e ela é muito, muito. A Renata realmente é isso. Olha, envelhecer pra mim, eu também convivo com o Neymato Grosso. Veja, ele vai fazer 85 anos. O que é idade? Não é nada pra ele, assim. E uma vez, você sabe que o Esmir, meu irmão, falou uma coisa muito legal. Ele falou assim, eu tenho todas as idades, eu acho que a gente tem que ter todas as idades dentro da gente.

Aí eu achei e falei, olha, isso é muito legal. Muito bom. E a Pitty me contou que a dona Elza Soares falou pra ela. Ah, quando me perguntam quantos anos eu tenho, eu respondo. Eu tenho a idade de quem tá conversando comigo.

muito bom também. Maravilhoso! Eu não tenho nenhum medo de envelhecer, porque a outra opção é muito pior. Eu acho que a gente tem que seguir na vibração. Vibrar é uma coisa muito linda. Vibrar, trocar energia com o outro, é isso que dá vida pra gente. E ser do nosso tempo. Eu gosto muito da ideia de ser

do nosso tempo. Eu odeio quando falam porque essa geração, somos todos essa geração, estamos vivendo agora. Para! Exatamente. E essa coisa também de subestimar a inteligência de pessoas mais novas. Eu adoro também. Minha equipe tem muita gente, muito novinha. Eu me divirto. Eu vivo uma quinta série, né?

Eu sou bem quinta série. Tem um lado meu que não é todo mundo que consegue acessar. Porque eu e a Person, por exemplo, a gente é muito quinta série. Quando a gente tá junto, a gente só dá risada. A gente se olha e começa a rir já, sabe? Pra mim, vocês são meio Mônica e Rachel.

A gente foi agora viajar. E daí, a gente era roomie, roommates. Gente, mas a gente esquecia a chave do quarto. Sempre atrasadas, sempre dando risada. Olha, a gente se diverte. É porque é uma referência que vocês sempre foram mulheres pensantes. Vocês sempre foram lindas, né, claro. Mas o que a gente sabia, e isso sempre foi uma inspiração que eu entendi com o tempo também. Porque eu sabia que vocês tinham muito conteúdo.

E eu, talvez, era um pouco da minha insegurança mais nova, porque eu falava, acho que eu não sei ainda o suficiente. Mas o tempo nos dá repertório. Lógico. Hoje eu tenho vontade de abraçar a Marcela mais nova e falar, calma, vai chegar. Mas eu queria falar um pouco sobre esses anos 2000 e essas musas. Porque recentemente a gente teve esse surto com a série do JFK Jr. Com a Caroline Bassett, eu…

terminei ontem de assistir, então eles passam pelo final dos anos 90 início dos anos 2000. A trilha sonora é maravilhosa A trilha sonora é maravilhosa. Eu quero fazer uma minha canção, que é o meu programa de rádio, na Rádio Dourado, que é no Spotify no Dourado e no YouTube. Eu quero fazer um especial só sobre a trilha sonora dessa série Nossa, eu vou assistir. Interessante, eu pensei nisso ontem, você tá falando disso. Eu fiz um story perguntando pras pessoas as músicas dos anos 90 talvez fossem melhores ou eu tô com memória afetiva?

Ah, eu acho que é tudo junto. Eu acho que tem muita música boa. Eu sou muito grunge, né? O melhor é que antes de começar, eu tava falando do Tony Iommi do Sabbath. Aí ele veio pra mim, gente, mas você gosta de Sabbath? Ah, não, mas você é pop. Aí eu, não, eu sou roqueira. Aí agora eu tô, não, mas eu sou grunge.

Eu gosto de todo tipo de música. Eu gosto, assim, de todos os movimentos, de todas as épocas. Não adianta. Desde os anos 50. Eu acho que o blues, o jazz. Aí depois veio o nosso 70, que é maravilhoso. Que é a Tropicália, que a Bossa Nova veio antes. Mas enfim, aquele violão absurdo da Bossa Nova. Eu adoro. E rock anos 80? Rock anos 80 eu adoro. O grunge anos 90 eu adoro.

O disco dos anos 90 também, essa mistura. Sim. E alguns movimentos que foram na contramão, tipo a Macy Gray quando ela chegou no final dos anos 90, que era uma coisa meio rasgada, difícil. Aquela voz mais crua, né? Os anos 2000 também tiveram movimentos muito interessantes porque era o hardcore, bastante. Raimundo, tô falando aqui no Brasil, né? Que fizeram o forrocore lá. Planet Ramp, Chalebral Junior, mas depois vieram os Los Hermanos falando de amor de uma maneira tão franca.

E era hardcore também. Então tem todos esses movimentos. Agora também tem muita coisa do rap. Muita gente do rap eu adoro. Você aprendeu a ouvir uma música pela primeira vez e saber isso é hit? Ó, eu vou falar um negócio pra você. Eu, por eu não ser jornalista, eu sempre fugi dessa coisa de crítica de música, de fazer curadoria e tal. A minha curadoria é emocional. Eu vejo, eu sempre tento...

de secar a música através da coisa humana que ela passa. Porque é a maneira como eu me identifiquei com a música nesses últimos 25 anos de carreira, que eu tô comemorando agora com a série os 25 anos de carreira. Só que eu já tenho um ouvido apurado. Então, eu não sou especialista em música, eu não sou jornalista, sou uma apaixonada. Mas é que eu escuto tanta música, Marcelo. Eu ouvi música a minha vida inteira. E eu ouço música, assim, toda hora.

Então, eu já consigo, eu consigo. Eu falo, nossa, isso vai dar bom. Tipo, você falou da Ray, essa aí do Where's My Husband? Sim. Quando eu ouvi a primeira vez, falei, isso aí vai virar hit. É, então é… E Eilish, quando eu ouvi a primeira vez, falei, nossa, essa menina aí… É muito fora da c…

Rosalia, com Motomami eu falei, nossa, Motomami vai estourar ela não vai ficar mais underground eu vivi isso e aí quando a Duda veio no programa com a Duda Beach, porque eu já conheci a Duda há muito tempo, e aí eu tava num evento e ela começou a passar foi o primeiro show dela, ela começou a passar o som, e eu desci, ela começou a cantar Bichinho, e eu desci eu fiz Duda Duda

Que isso? Olhei pro Tomás, né. E eu falei, que isso? Tava escondendo isso esse tempo todo da gente. Eu tenho muito… Sabe esse momento? Primeira vez que tocou o… Oh, bichinho. Fiz tudo errado, gente. Eu sei fazer outras coisas. Que amor. Mas, eu acho que…

A música, assim como os livros, tem uma habilidade de fazer a gente viajar sem sair do lugar. Opa! E pra escrita, pra mim é essencial. Porque como que se escreve sobre algo que já aconteceu com a emoção do momento em que estava acontecendo e não com a emoção do momento do agora? Eu escuto as músicas que eu ouvia naquela época. Você ouve a música e ela te ajuda a resgatar? Completamente. Ai, que bonito isso.

Aí eu vou lembrar qual é a situação, eu vou lembrar, e aí eu lembro qual música vai me levar praquilo, eu escuto a música e vou, e começo a escrever. É um teletransporte. É muito poderoso, né? É muito poderoso. Mas eu queria falar desse início dos anos 2000 e dessas nossas musas pop, que tem uma formação da nossa geração. É muito interessante que você comece a falar de prazer. E a gente teve, no início dos anos 2000, ou não tem uma draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw draw

O culto à virgindade. E era aquela… Era Britney… Sempre com aquele piercing. Barriga de fora. I'm a slave for you. Mas ela nunca transou.

Você acha que... O que que fez com essa geração? Qual que... Você enxerga alguma evolução na nossa tratativa do prazer feminino? Queria entender como você enxerga essa geração que foi cria dessas musas pop dos anos 2000.

Eu acho que por um lado, a gente tá rindo aqui, mas assim, por um lado tinha uma coisa muito forte e que tá voltando agora, que me preocupa, que era o culto à magreza também. Completamente. Nossa, e que agora todo mundo tá de novo com isso. Eu acho, nossa, eu fico muito assustada. Porque ficam umas caras muito sem saúde, assim. As pessoas não percebem, porque… Ah, é tão lindo a gente tá com um glow na vida. É, eu tô muito preocupada. Eu tô muito assustada. E eu acho que os anos 2000 foram muito fortes nesse sentido. Final dos anos 90, ali, anos 2000.

Então, tinha isso, mas assim, eu não sei. Eu tinha um outro olhar. É engraçado que eu fui a única pessoa que não perguntou pra Britney. Porque ela tava lançando o I'm Not a Girl, Not Yet a Woman. E todo mundo queria saber se ela era virgem. E eu pensava assim, naquela época a gente nem falava feminismo, machismo, misoginia, sororidade. Não existiam esses nomes que é importante a gente saber nomear, né?

Não existia, mas existia um feeling e uma maneira de se aproximar do outro. Então, se eu tenho uma habilidade, eu diria, era pra poder, é isso, de respeitar e de poder chegar, saber chegar. Então, eu falei, eu não vou perguntar isso pra Britney, tava na minha pauta. Eu falei, mas não tem nem cabimento, isso é intimidade, já diz na palavra. O que que é íntimo? O que que eu vou querer? O que que me importa se ela transa ou não com o Justin Timberlake? Que diferença faz? E daí…

Eu não perguntei e ela ficou muito feliz. Porque daí eu falei, ô Britney, você tá lançando essa música, né? Eu não sou mais uma garota, mas também não sou ainda uma mulher. Por que você resolveu lançar essa música? E ela falou coisas super bonitas que ela nunca tinha falado. Porque não chegaram e colocaram ela contra a parede pra perguntar. E eu lembro que a Sandy, nessa época, também ficavam perguntando pra ela. Era a capa da capa.

Capricho, eu acho. Eu lembro. Aquela elegância que ela é até hoje, gente. Eu amo a Sandy. Educada, assim. Vocês não sabem como é essa garota fora, essa mulher, né? Fora das câmeras. Ela é uma das únicas que cumprimenta todo mundo. Fala com todo mundo, olha pro lado. É tão importante olhar pro lado, sabe? Quem tá do seu lado, assim. E todo mundo perguntando isso. E eu falava, gente, isso é muito cruel.

Porque é opressor. Inclusive, hoje, também essa coisa dos justiceiros online, de tudo escalonar pra um nível absurdo e um kikikik, que as pessoas não têm noção do que elas escrevem no Instagram, da proporção que isso pode trazer. As pessoas não têm noção da responsabilidade de um microfone, como isso ecoa hoje em dia nos podcasts da vida. As pessoas talvez tenham que ter a renoção do que é você postar num grupo de WhatsApp, o que você pensa assim. Todo mundo com muita opinião. Calma, gente.

calma, porque é tão bom também mudar de opinião às vezes. E outras, você tá falando do corpo do outro, no caso, né? Da sexualidade. A pessoa, às vezes, não consegue nem dizer otis a pessoa. A menina de 20 anos, no caso, que eu não sei nem se transava ou se não transava, mas assim, ela tá querendo, ela tá sendo erotizada por algo que talvez ela nem ainda descubra como que é gozar.

ou ter prazer, ou entender o corpo dela, e já tá todo mundo discutindo uma coisa que era... Porque um clipe era desse jeito. A Madonna já fazia isso nos anos 80.

Mas é que a Madonna tinha uma outra cabeça, né? É, e eu acho que ela pegou menos desse paradigma de você tem que ser mega sexy, mas você não pode ser dona da sua sexualidade. Então, a Madonna era dona da sexualidade dela. E tinha o David Bowie como a maior referência pra ela. Ah, é? Eu não sabia. É muito interessante isso, ela fala sempre, era a maior referência. E é muito legal que depois ela virou uma mulher referência pra muitas mulheres.

E era o Bowie que é como é o Ney, já que a gente falou do Ney Mato Grosso que é um cara que inspirava muito a liberdade e ela falava, será que eu vou conseguir ser livre como Bowie? Aí ela entendeu que como mulher é muito mais difícil pra gente ser livre como Bowie homem, foi, entendeu? Vídeo as reações pós-show da Madonna

Nossa, as pessoas são loucas. Imagina o Mick Jagger não tem essas reações. Não. O Bowie não tinha essas reações, né? As pessoas são machistas. O próprio Ney, né? O próprio Ney não tem essas reações, assim. Você entrevistou o Bowie? Nossa, nem me fale. Claro que não, que desespero. Não sei se eu ia conseguir.

Nossa, eu sou muito apaixonada. Quando ele faleceu, parecia que eu tava amamentando. Eu nunca vou esquecer, eu tava amamentando o Mati, tava no puerpério. E eu chorava como se fosse alguém da minha família que tivesse morrido. Foi horrível. Foi horrível. Eu lembro de eu fazer um post no Facebook. É? Ai, gente. E eu lembro de ter sido um dia… Acho que foi um dos ídolos que mais me assustou, assim. Faz dez anos e foi horrível. Faz dez anos? É, fez dez anos em janeiro de 2026. Nossa!

Eu imagino que como você já entrevistou muitas pessoas as pessoas chegam pra você e perguntam assim mas a fulana é legal?

Aquela coisa de querer investigar quem que não é de verdade. Eu quero fazer o contrário. Eu quero que você me diga que são os mais legais no sentido de você gostaria de levar pra almoçar. A Britney foi um amorzinho, tá? Mas assim, a Lannis Morissette que você falou, ela é muito legal, cara.

Ela é muito legal. O Michael Stipe, do R.E.M., é muito legal. É assim, tipo, muito. Pra mim, ele é tipo o Lenine, sabe? Que é um cara muito legal. Lenine é o cara mais legal do mundo, assim. Ah, tem muita gente legal. De mulheres aqui do Brasil, todas as cantoras que estão no Atenção para o Refrão. A Ivete é muito legal. Pelo amor de Deus.

Ela é mesmo, ela é assim, maravilhosa. Ela foi a madrinha do meu casamento, sabia? É mesmo? A gente era muito amiga, a gente sempre foi muito amiga. Mas é que naquela época era do Luau, a gente era muito juntas. Cassia Heller era muito legal, gente. Nossa. Muito legal. Queria tanto ter entrevistado a Cassia Heller. Ai, tem tanta gente legal. O tempo não deu. Cassia Reis. Ah, Cassia Reis é demais.

Eu fiquei muito mexida com o story seu com a sua filha no show da Alanis. E eu fiquei imaginando se quando a sua filha fala It's like rain in your wedding day, se soa diferente pra você. Pra mim, eu adoro quando ela canta o You Gotta Know, sabe assim?

Ela canta do tipo… I want you to know that I'm happy for you. Mas assim, tipo, não foi legal, sabe? Eu queria que você soubesse se tem os partidos palavrões e tal, não sei o quê. Mas eu falava, ela tinha 11 anos quando ela foi nesse show comigo. E…

E foi forte ela cantando essa música. Assim como é forte ela cantar a máscara da Pitty, né? O importante é ser você, mesmo que seja bizarro. O importante é ser você, mesmo que seja estranho. Ah, eu acho o máximo, assim. O meu menino foi outro dia comigo no show do ACDC e chorou vendo o Angus Yang solar. E eu falo, gente, como a música é uma coisa, né?

Não, quando eu vi o meu… É o meu priminho, né, porque ele é filho do meu primo. Mas o Luca, com, sei lá, oito anos, no show do Foo Fighters. E ele gritava, ele gritava. E eu falei, meu Deus. E aí, enfim, eu sou a tia Marcela, né, de Londrina. E ele falava, tia Marcela, quando a gente entrar no carro você coloca Foo Fighters pra gente gritar muito alto. Eu penso, gente… Eu tô no carro, é uma delícia.

Cantar no carro é uma delícia. Cantar no carro é uma delícia. Eles cantam, eles cantam, Los Hermanos, assim, a gente vai pro colégio ouvindo. E, ai, é tão bonito. Eu falo, gente, que bonito. Eles estão cantando essa música que o Marcelo fez. Por exemplo, não é Além do que se vê, como é que chama aquela? É, Donde vem a calma daquele cara. Ele não sabe ser melhor, viu? E esse mundo anda hostil. E eles cantam bem alto.

eles vão cantando bem alto, assim, igual eu falo gente, aí eu fui mostrar pra eles o DVD no Maracanã a galera toda cantando nossa, isso já é um item de colecionador não, já é? parece que foi ontem, né? tá vendo? até Raimundo eu ponho, ai só, eu sei, eu gosto essa coisa da música ai não, porque a música fala sobre gente, assim tá vendo?

A criança, não necessariamente assim, claro, tem umas letras que são difíceis, mas sempre foram, né? Sempre tiveram letras. Então tem que tomar cuidado, óbvio. O problema de hoje em dia é que é muito com a menina. Esse é um problema muito sério, né? Sim, tem um vídeo muito interessante falando sobre… Ah, isso é muito complicado. A aproximação de algumas letras com o movimento Red Pill. É, então isso é muito… Porque a internet é muito complicada.

Mas tem muita música boa, né? Então eu fico feliz quando eles estão cantando letras bonitas, assim. Letras, como a gente falou no começo do programa, a subjetividade, não pode perder a subjetividade. E a subjetividade, ela tá nas pequenas coisas. Você vai conseguir só parando pra ouvir, prestando atenção. Porque tudo muito é rápido, os algoritmos. E todo mundo muito preocupado com a coisa emergencial do dia de hoje, da curtida, da visualização, da não sei o quê. Eu falo pra eles, eles não têm rede social.

Não é hora de ter rede social ainda. Não dá pra ter, sabe? E também porque fica muito refém dessa coisa dos filtros, dos 15 segundos. Isso que me deixa muito incomodada. Dá muita ansiedade essa coisa dos 15 segundos, 15 segundos. Gente, para pra ouvir o que o outro tá falando um pouco. Isso que é legal ter o óbvio também, sabe? E por isso que é legal música.

Eu deixo eles ouvindo a Aline, que eles amaram Caju. E as canções são longas, sabe assim? E essas músicas de rock que eles gostam também são longas. É importante. Não é a música feita pra ficar ali na repetição, porque vai ganhar ranking. E é toda uma ordem. E da questão das redes sociais. Eu não sei se você ouviu o podcast recente do assunto, falando sobre saúde mental em jovens. Assim…

É uma tragédia, né? É muito perigoso. E é especialmente pras meninas. Muito, muito. Então, assim, são especialistas, entrevistados que fizeram diversas pesquisas, são pesquisas globais. Eu não tenho filhos, eu nunca vou dar pitaco.

Não, mas você tá refletindo, porque pode não ter filho, mas tem sobrinho, tem filho de amiga. E a gente estabelece uma relação de amor e de afeto com a criança e com o adolescente. E é uma das coisas mais bonitas da vida. Eu nem acho que todo mundo tem que ter filho, porque essa história da mulher ser mais mulher, se ela tem filho ou se ela não tem filho, isso é um absurdo, é uma pressão absurda da sociedade. Mas é que essa relação de afeto é muito importante, esse olhar afetuoso pra criança e pro adolescente, de compreensão.

Então, essas músicas mais complicadas, elas sempre existiram, mas antes não tinha internet. E os movimentos Red Pills, eles cresceram por conta da internet. Então, há que se ficar de olho. Proteger as meninas, ter cuidado com os meninos também, ensinar. Porque eles têm que ter a chance ali do erro e do acerto quando eles são meninos, adolescentes. Porque ninguém é menino com 30 anos, gente, pelo amor, né? Não. Nem com 20, já é homem. 18 já é homem, 16, 17 já é homem, né? Mas até aí, tem um chão.

Imagina se pra gente, às vezes, passar muito tempo na rede social faz eu me sinto incompleta. Não, emburrece. Eu falo isso sempre. Eu falo pros meus sobrinhos, pra todo mundo, falo, galera, emburrece, para. É, uma falta de respeito com, enfim, eu não sou mãe mas eu gosto muito do respeito à criança e ao adolescente como indivíduo e acho que eles vão ser respeitados dentro da vivência e do que eles conseguem entregar ali naquele momento. Eu não acho que a rede social vai entregar nada de útil pra eles.

Às vezes tem essa coisa, tipo, por exemplo Ela descobriu a Doit no Tiny Desk Chegou pra mim e falou, mãe, você já viu essa rapper? Porque ela quer me desafiar, né? Essa rapper nova, tal, não sei o que, é muito legal Então tem umas coisas que eu acho interessante Pra eles Agora, eu gosto de levar em show Quando eu vou em show e eu vejo criança e adolescente Em show, eu falo, ótimo Porque o show tem uma duração de duas horas Duas horas e meia, não fica ninguém desesperado Pra ficar na internet, tá todo mundo ali, ó Vidrado naquele palco, eu acho isso lindo E ler, né?

A leitura, o repertório que a gente tá falando, a subjetividade que a gente tá falando que falta, tem na leitura. E eles amam, hein? Amam? Eles amam. A minha tava lendo Ana Terra do Veríssimo, tava assim, nossa, que coisa linda! E eu fiquei tão encantada, porque... E, inclusive, tinha uma... Tava falando até de uma coisa um pouco mais sensual, ela ficou na dúvida, porque ainda é muito menina, pra adolescente, mas eu achei interessante. A leitura fez ela refletir. O que é aquilo? É um beijo?

Era um beijo, mamãe, que ela tava falando, era um beijo? Falei, eu acho que sim. Ah, muito bom. E você sabe que é historiário jovens não lêem?

É um mito. É um mito, imagina. Não, todas as pesquisas mostram. Os jovens estão lendo muito. Os livros estão vendendo cada vez mais. O mercado editorial está crescendo. Então, assim, tem um movimento muito bom literário. Acho que é… Enfim, essa coisa de sempre falar que na minha época era melhor.

Mas é exatamente isso que eu vou fazer agora, na verdade. O que a MTV nos deu que as redes sociais não vai nos dar? É que a MTV é muito legal, né? É muito! Olha aqui, gente, eu sou aquariana com seis planetas em aquário. Então, o que acontece? Eu olho muito pra frente. Ah, você não para, você sempre tá se reinventando, inventando mil coisas, criando mil coisas. Eu não paro mesmo, eu adoro. Mas a MTV…

A MTV não é nem que é saudosismo pra mim, nem nostalgia. É tipo família, sabe assim? Tipo quando você tem aquela prima, aquela… É uma memória afetiva. Isso é muito bonito, muito valioso. Tem que ser lapidado, tem que ser elaborado sempre. Eu não tenho problema nenhum em falar da MTV.

A MTV era muito legal, porque a MTV era feita por jovens para jovem. Isso fazia uma super diferença. A MTV tinha uma responsabilidade para além da música absurda. E eu tenho uma frase que eu sempre falo, que é de criar cidadãos mais úteis para a sociedade. A MTV tinha isso. Não era só música. A gente tá falando bastante de música aqui, porque a música ela educa mesmo. Mas para além da música tinha essa coisa da cidadania, da camisinha. Tinha? A MTV praticamente fez a geração dos anos 90 e 2000 usar camisinha. Ó, o que eu sei…

A geração que usa camisinha é justamente a geração da MTV. Porque, isso dito por uma ginecologista pra mim. Acima de 50 anos, não usam. E abaixo de 30 anos, não usam. Não usam, os meninos abaixo. Os meninos não usam. Usam, que é quem? Aqui não, meu querido.

Eu lembro das campanhas. Das infecções sexualmente transmissíveis, né? Os ISTs. As campanhas em relação às drogas. Sim. Foram muito esclarecedoras também. Foram. Ousadas demais. Os promos da MTV eram ousados demais. A publicidade na MTV. Ah, mas é porque a MTV não tinha grana, então ela tinha liberdade. Gente, a MTV tinha muita publicidade.

Uma muita. Só que o que eles fizeram? Eles fizeram os publicitários se curvarem a eles. A nós, né? Assim. Então quem fazia os roteiros, o mesmo produto que era vendido na Globo, ele era vendido de forma diferente na MTV.

Ai, que delícia. Isso era muito legal. Então, assim, as grandes agências, elas tinham que fazer o roteiro. Que, na verdade, quem fazia o roteiro eram os caras do promo da MTV. Elas tinham que aceitar o roteiro da MTV pra gente vender. Entendeu? Que é assim, cara, o nosso público é esse. Você quer falar com o nosso público? Que é o público que compra também, que é o público adolescente. Os pais compram. E é um público também… Tinha todo tipo de público, de 20 anos, de 30 anos. Então, né, a galera que já tava trabalhando, que tava na faculdade.

E era isso. Moda, né? Referência de moda, de comportamento. Voltou tudo, né? Voltou, voltou mesmo. Gente, os meus looks todos os anos 2000, ainda bem que eu guardei. Eu falo assim…

Eles estão muito em alta. A gente está muito na moda. A gente está muito na moda. É muito bom. Sarinha, não quero te pegar desprevenida, mas eu acho que faria sentido te perguntar se tem algum refrão que fale sobre essa sua temporada de vida. Esse meu momento de agora...

Eu tô que tô? Tô brincando. Tem caras que você acha, né? É que eu vim com essa na cabeça que eu tava ouvindo a Simone. Eu gosto do do atento e forte. A gente passa por lutos na vida que são muito difíceis. Né? E não necessariamente são mortes físicas das pessoas. São lutos. E a gente tem que que são muito difíceis.

saber entender como sobreviver a eles, né? Só que a gente não quer só sobreviver, a gente quer viver. Então, eu acho que, falando em refrão, tem alguns, né? Eu acho que a vida é tão rara do Lenine.

de paciência. Como eu te falei da esperança equilibrista, da gente saber que a vida também é a corda bamba, né? Porque se você tá muito conformado com as coisas, se você tá muito sossegado naquilo e tranquilo com aquilo, você não vai evoluir nunca. A corda bamba é o que traz a insegurança, é o risco.

Que traz as possibilidades, né? Claro, a gente não vai ser kamikaze, se jogar aí pra qualquer coisa. Mas a gente tem que saber dosar. É. E a trilha sonora dá coragem? Dá, dá coragem. A trilha sonora lá dá coragem. Eu acho que… A vontade de viver dá coragem também. Tem tudo a ver com essa pulsão.

Isso, não é à toa, né? O corpo vai acompanhando as músicas. Eu acho, não sei, eu também sou muito da trilha sonora. Lá em casa também, assim, acordamos, vamos lá, coloca um vinil. A gente tem um pouco desse ritual. E eu gosto de ouvir álbuns do início ao fim. E eu adoro me reencontrar. Então, eu me reencontrei na última semana com o LCD Sound System.

Por conta da trilha? Eu acho que foi. Engraçado, pode ter sido isso. Pode ser? É. Eu não sei. Falei, nossa, acho que eu preciso ouvir essa edição. Não sei, não sei. E aí, quando eu vi, eu tava lá ouvindo All My Friends. Nossa, eu fui no show do Massiva Tech e eu vi a Alice Fraser cantando. E eu falei, gente…

É um tempo etéreo. Essa mulher, ela canta, assim. Você fala assim, isso existe ainda, né? Que coisa mais linda. Parece uma voz angelical, uma coisa dos anjos. Foi muito importante pra mim ter ido nesse show, sabia? Por quê? Por conta disso do tempo. De entender esse poder de mulheres cantando.

ali, aquela voz aquele tempo etéreo, aquela força, uma civa até que é muito é um duo, mas é de homens mas as mulheres que cantam, né é interessante, né, porque quando eu olho, e não importa se eu sou a maior fã da música ou não mas até as artistas mais novas, assim, a Sabrina Carpenter, eu olho aquilo e falo, é, é muito inspirador ela tem que ser muito corajosa pra subir sozinha nesse palco e bancar aquilo Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que Que

Tem mesmo. Não importa se você gosta ou não gosta, mas assim, é uma mulher admirável, é muita coragem. Nossa, e é muita energia, porque é uma troca com o outro ali, né? A pessoa, ela vai lá, ela se dispõe, o artista tá ali no palco, e a energia daquelas pessoas, porque as pessoas estão, mesmo num festival quando tem vários artistas, nem sempre são os fãs, né? Aquele artista, mas acabam conhecendo. O festival é legal por causa disso também, porque você vai conhecendo o outro e tal.

Mas as pessoas que estão lá, elas estão numa energia muito forte. Que é uma energia meio única, né? E cantando os refrões, a plenos pulmões ali. Porque por mais que você não conheça a música, mas você conhece o refrão. É uma energia única aquela. É uma vibração única. Nossa, vontade num show agora. Eu acho show, assim, uma coisa, sabe? Me deu muita vontade. E tem gente que sabe fazer, né?

Nossa. Bom, a Lady Gaga, eu... Foi linda, né? Antes e depois. É, é. Sarin, entrando na reta final, vou trazer pra você nossos dois quadros finais. O primeiro deles é... Você gostaria de me fazer uma pergunta? Eu gostaria.

Quando que foi o momento mais difícil pra você de dizer não? Todos os momentos antes de eu aprender a dizer não. Foi um dos meus, assim, a minha maior dificuldade, talvez. Seja ainda aceitar e lidar com o desconforto do outro.

Mas eu diria que na minha separação, quando eu entendi que eu precisava aceitar que eu ia ser vilã na narrativa de uma outra pessoa. E esse foi um não muito importante pra mim. Mas esse é o não mais libertador. Você fez esse não? Eu fiz esse não. É muito libertador. É muito difícil. E a culpa na mulher é um negócio absurdo.

Mas a gente faz análise e a gente vai vivendo. E daí, quando a culpa passa, é um tempo. Cada um tem seu tempo, né? É, cada um tem seu tempo, assim. E o tempo é rei, como diria o Gilberto Gil. O tempo é superano, assim. E daí, a gente consegue, daí é libertador. E aí… Mas a gente fica constrangido quando demora um pouco, né? Porque as pessoas ficam perguntando, você tá bem? Aí você fala, ainda não.

dentro do que dá eu sou uma pessoa muito discreta, tô conversando aqui com você porque passou já, mas eu sou muito então eu não falo sobre isso, vai ser difícil aí eu ficava meio assim eu só brincava, ainda não ria assim, sabe, porque eu falava não, não, não mas é libertador quando você elabora a culpa e tira ela e sabe falar um não e claro, você tá falando da gente é lógico

E aí, pra gente finalizar… E pra amar o outro, você precisa se amar também, né? É meio básico isso, mas assim… É muito válido repetir, porque as armadilhas continuam. Muito provavelmente você vai também ver isso com a Chloe, assim. São dinâmicas que… Nossa, essa palavra é tão importante. São dinâmicas, são raciocínios diferentes. O outro tem um outro raciocínio, uma outra bagagem, uma outra vivência, uma outra dinâmica.

básico, assim, básico da vida pra você se relacionar com alguém é entender isso eu falo muito isso dentro do meu relacionamento atual que é, a gente pode falar a mesma frase e ouvir frases diferentes tem que partir do pressuposto que cada um tá com uma lente

Então, assim, regra número um pra conseguir ter um pouco mais de paz. É sempre falar o que eu entendi do que você falou, sabe? Sempre porque não dá, não há verdade absoluta nesse sentido. Claro que não.

E eu quero saber qual que é a sua fissura atual, pelo que o Sarin está fissurada. Fissurada? Bom, eu ia falar pelos refrões, mas a gente já falou tanto de música, eu não aguento mais. Peraí, peraí, vou falar uma outra coisa. Pode ser por… Assim, tem gente que fala filme, livro, mas por exemplo, o Alexandre Comimbra Maral veio aqui e falou, pelo ninho vazio deixado pelo meu filho.

é, então então ele tá fissurado com a liberdade dele a liberdade ela é realmente encantadora eu fiz um especial pra Marie Claire que eu dei o nome de essa tal liberdade por causa da música o que a gente faz com essa tal liberdade chega o momento que a gente conquista essa liberdade e agora que de novo é a corda bamba eu acho que eu tô fissurada pela corda bamba tô pela aquela imagem da esperança equilibrista

Né? É. Sabe que o nosso show tem que continuar, não é verdade? Obrigada. A gente vai continuar. Eu não sei, ainda bem que eu sobrevivi, tá? Não.

Respirei por aparelhos? Sim. Mas sabia que eu ia me sentir muito à vontade? Também. Então, obrigada pela generosidade, pela inteligência, por tudo, pela referência. Muito obrigada. Volta. Sempre. Vamos, saco a Britney. Vamos. Ai, tadinha. A gente precisava salvá-la, cara.

Nossa, o que fizeram com aquela mulher tão maravilhosa? Não só ela, né? Parece que todas as famosas. Nossa, que difícil tudo. A história da Whitney Houston, a história da Tina Turner. Apesar de que a Tina Turner viveu bastante, né? Mas uma mulher muito interessante. Você viu que o sucesso maior que ela fez foi depois dos 50. Eu acho ela inspiradora. É verdade. Ela lotava estádio que só os Rolling Stones lotavam depois dos 50. Com aquelas pernas lindas de fora. É também lembrar, né? Porque parece que tem um tempo único.

Fico lembrando as ouvintes de 20 a 30 anos que parece que elas vão fazer 30, vai estourar uma bomba. Eu falo, gente, a vida continua muito bem. E todas as épocas são deliciosas. Todas as épocas. Todas as épocas são difíceis e deliciosas. Tem a dor e a delícia de cada época. Corda bamba. É a corda bamba. E esse foi o Disque MTV. E esse foi o Obvious da Marcela Ceribelli.

Você pode falar que eu fui em primeiro no Disque MTV? Em primeiro lugar do Disque MTV? Em primeiro lugar, na minha parada, a Marcela Ceribelli com Obvious. Primeiro lugar. Até semana que vem. Até semana que vem. Obrigada, obrigada, meu amor. Bom dia, Obvious. É um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Ceribelli. E produzido e editado pela Osamunda Estúdio.