Episódios de Bom dia, Obvious

Se você precisa interpretar demais, já é resposta, com Renally Xavier

04 de maio de 20261h3min
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Tem relação que exige tanto esforço para ser entendida que a resposta já está dada.

Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a psicanalista Renally Xavier para uma conversa franca sobre desejo, frustração e padrões afetivos de repetição. 

Em um papo leve e descontraído, elas falam sobre amor, relacionamentos, fragilidade masculina, idealização de parceiros, fantasia de salvar o outro, e desgaste emocional de sustentar relações a todo custo. 

Um episódio sobre acolher as próprias frustrações e abrir espaço para novas formas de amar. 

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⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQU

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUIInstagram de Renaly Xavier: AQUI 


Livro Canção para ninar menino grande, citado no episódio: AQUI

Playlist da Renally AQUI

Assuntos9
  • Machismo estrutural e a sobrecarga femininaIrresponsabilidade afetiva masculina · O trabalho emocional das mulheres · A dinâmica do cuidado e a sobrecarga materna · A ausência paterna e a justiça com as mães · O patriarcado e o controle do corpo feminino
  • Interpretação excessiva em relacionamentosFantasia do amor romântico · Patriarcado e negação do desejo feminino · Idealização de parceiros · Frustração e desgaste emocional · O 'rabisco de homem' vs. obra de arte
  • Padrões repetitivos e autossabotagemA histeria e a identificação com o pai · O cosmimetismo e a repetição de comportamentos · A reprodução da lógica do patriarcado · A busca por um amor digno e não idealizado
  • O amor como ação e a importância do auto-cuidadoO amor como ato e investimento · A hiperpotencialização de 'rabiscos' femininos · A importância do auto-cuidado e do prazer · A busca por um amor com vontade de amar
  • Evolução do amorTestemunho do amor e referências simbólicas · Paixão vs. amor · A fantasia de salvar o outro · A importância do alívio e conforto em relacionamentos
  • RelacionamentosA fantasia masculina de salvar a mulher · A fantasia feminina de salvar o homem · A ilusão 'comigo vai ser diferente' · A escolha do objeto amoroso e questões inconscientes
  • O papel da literatura e da música na reflexãoCanção para ninar menino grande de Conceição Evaristo · A influência de Freud e Bell Hooks · A música como acesso à arte e autoconhecimento · A importância da literatura para entender o patriarcado
  • O papel do corpo e da psicanálise nas relaçõesO corpo como documento · A psicanálise e a leitura do cotidiano · A função do podcast Bom Dia, Obvious · A influência da geração e da análise na autopercepção
  • Crise da MasculinidadeA mensagem padronizada e cafona · A falta de criatividade nos 'cafajestes' · A leitura dos homens e seus roteiros repetitivos · A diferença entre o cafajeste e o Dom Juan
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Tem coisas que a gente tá tão angustiada nessa fantasia do amor romântico que atropela o que o nosso corpo tá sentindo. O patriarcado é especialista em fazer as mulheres negarem o próprio desejo. O cafajés, ele dá um certo repertório simbólico do que você não fazer.

com você. Eu acho que o Kavash achou uma travessia. Ah, mas eu já me envolvi com mais de um. Não, só uma. E não existe convivência extrema fácil. Isso é o que enveloparam pra ser esse ideal que é impossível. E é isso. Só ama quem deixa o ideal cair. Como foi que você testemunhou o amor? Porque isso faz muita diferença.

Se você só testemunha caos, talvez você não tenha referências simbólicas pra fazer uma escolha amorosa digna. Mas dá pra se apaixonar sem fantasiar? O que é que é um foguinho no Instagram, Bia? Às vezes tu malhou mesmo, que merece todos os foguinhos. Todo mundo vai te dar um foguinho porque você acordou cinco e meia da manhã, foi lá, se agachou, malhou. Foguinho é o mínimo.

Bom dia, Renali. Agora, finalmente, presencialmente. Eu tô muito feliz de estar aqui. Eu também, viu? Eu tô muito feliz de estar aqui com vocês. Acho que é sempre uma alegria. Porque eu também sou ouvinte do Óbvio, né? Assim, eu sou essa pessoa. Não me sinto digna, mas eu sou feliz. Não, mas sério. Eu tava até comentando, assim, que eu acho que tem uma função, podcast do Bom Dia, Óbvio. Que se você tiver um bom analista, escutar a Marcela toda semana, a chance de você se livrar desse tipo de bom e lixo é muito alta.

Eu gostei. Você acha que eu sou uma dose de vacina? Você é? Você acha que os ouvintes têm um pouco de imunidade? Tem, sim. Porque eu acho que tem uma certa dimensão de você tentar traduzir uma certa lógica do impossível que o patriarcado impõe sobre os corpos femininos. Então, toda semana, com cada convidado, você vai bordeando isso de uma forma muito didática. E a gente vai conseguindo ler o cotidiano, que muitas vezes é... ...

Passa como incômodo, aquele mal de estar. E você… Foi estranho. Não tem aquela coisa que a gente… Aí a Marcela lá na segunda-feira vem, você tá lá malhando, agachando. E se lembra, né? Você sabe que o episódio de hoje eu acho que vai fazer exatamente isso. Aham. Porque o patriarcado e a irresponsabilidade afetiva e os harens contemporâneos da Evelyn… Tín…

Eles só vão mudando de roupa. E hoje, o que eu vejo de mulheres geniais, maravilhosas, fazendo o trabalho emocional de tentar decifrar homens confusos…

Eu tô um pouco cansada, então esse episódio é pra gente… Aliviar esse cansaço. Vamos aliviar esse cansaço. Vamos aliviar. Mas assim, Marcela, quando eu vi o tema, assim, eu fiquei muito impressionada, porque eu me lembrei de uma expressão que eu escutei de uma vizinha. No Nordeste, a gente tem muito esse costume, né? Eu fui educada na época que a gente não tinha Instagram. A fofoca não era pelo Instagram. A fofoca era sentar na calçada e ver os vizinhos passarem. Chama e conversa.

E tem uma vizinha que ela falava disso, assim, ao nomear o marido dela, ela chamava de rabisco de homem. Então, acho que... Tem homem que é só um projeto mesmo, é só um rabisco. E a turma tá achando que é uma grande obra de arte. Né? Assim, então... Eu acho que é um ponto...

Né? Pra gente pensar. Assim, eu não tava pronta. Mas não é? Eu acho que é isso que você vai localizando. Que mulheres incríveis é essa? Tipo, Mona Lisa. E um rabisco de homem. E um rabisco de homem.

Eu não aguento, porque vou até que me recompor. Porque quando você nomeia dessa maneira, eu vou pra um outro lugar. Porque é de fato um rabisco. Então é como se esses homens fossem um livro de colorir. Só que quem vai colorir é a mulher que eles vão fazer. Exatamente, só que eu acho que esse é o ponto. O que tá em jogo, e aí eu queria…

Pensar assim, nisso, o que tá em jogo pra cada mulher quando ela faz uma escolha de um rabisco e acha que vai escrever uma grande história? Qual é a fantasia que tá em jogo nesse processo, sabe, Marcela? Porque assim, ok, a gente não dá pra esperar muito a história da humanidade, não dá. A gente já tá posto que é o patriarcado, já tá posto. Eu tenho um amigo... Eu tenho um amigo, eu tenho um amigo, eu tenho um amigo,

Que ele podia ter só dito... Macho é precário? Ele faz uma tese sobre isso, é de lei do arte, sobre masculinidades, ele é maravilhoso. Mas assim, o que é que eu quero trazer com isso? A gente já sabe disso. Mas o que é que a gente vai fazer enquanto mulher com isso? A gente já sabe que o patriarcado privilegia os homens. Mas...

Nessa dimensão de privilégio que os homens têm, o que tá em jogo pra gente nesse processo de escolha? Porque se a gente coloca, tipo, todos não prestam, a gente cria uma certa lógica que é muito universal. Não há escarpatória. Sim. Então, mas tem um ponto, eu não me desresponsabilizo. Se todos são machos, se...

Só é possível pensar a diferença na relação com o outro se todos são machos, que lugar você fica enquanto mulher? Quando você acha que todos são machos. Então, assim, eu queria voltar um pouco para a narrativa de pensar...

A potência da própria escrita feminina a partir do que está em jogo na sua própria fantasia. Sim. Que a gente acaba devolvendo para eles. A gente se queixa deles. Enfim, né? Princípio de realidade, né, gente? Mas, ao mesmo tempo, né, Marcela? O que a gente faz com a nossa própria narrativa que pode ir além da queixa?

Eu entendo muito o que você tá falando, porque um dos meus questionamentos é por que que cola falar que tá confuso? Porque, de alguma maneira, essa confusão ainda dá uma sensação de poxa vida, ele só precisa ser salvo, ele só precisa de um tempo.

Gente, essa fantasia, ele precisa ser salvo. É uma oscilada que existe, é uma mulher. Dessa dinâmica, desses rabiscos, né? Essa expressão é muito boa, né? É muito boa.

Didi Diva, querida, assim, essas mulheres batalhadoras, guerreiras. Mas é isso, né, gente? Quando a gente estuda patriarcado, a gente não fica mais inocente com relação a essa posição da batalhadora, da guerreira. A gente lê o cansaço disso. E é um pouco disso, então.

Quando a gente, né, tá... Quando eu vi isso, assim, de pensar, quem me traduziu em termos de resposta foi uma canção da Eliane, a rainha do forró, que foi regravada pela Elba Ramalho ano passado. Ano passado? Enfim, gente.

Enfim, vocês vão ter uma playlist, né? De música. Mesmo, Renali fez uma playlist para o episódio e ela está na descrição. Isso, gente, é porque é isso. Eu sou uma pessoa que vou pensando com a música. Então, não sei se você sabe, mas eu sou da terra do maior São João do mundo. Estava eu dançando forró, um dia lá, esses 30 dias de forró que existem na minha cidade.

Começa a tocar essa canção e eu fui direto pro patriarcado. Eu fiz, gente, como foi que eu não escutei isso a vida inteira? Porque essa canção, assim… Helena, rainha do forró, assim. E…

que é amor ou paixão. E aí vai dizer assim, morro... Será amor ou será paixão? Morro de ciúme até você falar com outro alguém, reclamo, ignoro. Essa situação não me faz bem. Pergunto e repergunto novamente ao meu coração, será amor ou será paixão? Se você precisa se perguntar tanto, se você está tão em dúvida, talvez você já precise pensar o que é que está do lado da fantasia e o que é que está do lado da realidade.

Porque muitas vezes essa confusão, e não é uma defesa aos homens, porque historicamente eles não têm esse perdão. Não tem jurisprudência. Tem algo da própria confusão que se coloca por ficar na realidade. Não na realidade, mas na fantasia. Por ficar fantasiando algo que não existe com relação àquilo. Às vezes o cara só olhou, aí você cria toda uma história.

Até de casamento. Sabe aquela música da Gloria Groove? Aquela que nem beijou, ainda deu pro meu beijo. Ela já tá comprando a feira e botando na geladeira? Sei. Então, tem essa dimensão da fantasia que eu acho que a gente precisa ter cuidado. Mas dá pra se apaixonar sem fantasiar? Eu acho que existe um atravessamento psíquico que toda mulher precisa fazer. Poder se encontrar com um homem sem ter que criar uma narrativa romântica.

De casamento, de vou viver junto. Talvez seja preciso primeiro perguntar. É legal? Presto? É interessante? Eu me sinto confortável com essa pessoa. Outros elementos que não estão nesse campo da fantasia que é de um ideal de amor romântico. Eu gosto disso. Porque algo que eu comecei a me questionar é essa pessoa, quando eu tô com ela, eu sinto alívio ou conforto?

Porque nessa lógica de você… Essa intermitência, né? Você não sabe quando vai aparecer, quando não vai. Aí, finalmente, aconteceu o encontro. Gente, se você tá muito ansioso pra encontrar alguém, talvez não seja amor. Ah, eu vou defender. Porque eu… Não, dá nervosinho, não dá? Mas é um nervoso… Vamos explicar o que é esse nervoso. Não é um nervoso de ansiedade.

Ah, tá. É. Entendeu? Se você fica ansioso pra encontrar alguém o tempo inteiro…

Porque tem gente, gente, que a energia é confusa mesmo. Então, às vezes, você fica ansioso porque a coisa tá confusa. Eu acho que o corpo, desde as histéricas de Freud, é um documento. A gente precisa ler nosso corpo, né, Marcela? Então, assim, tem coisas que a gente tá tão angustiada nessa fantasia do amor romântico que atropela o que o nosso corpo tá sentindo.

E não lê, tá fazendo uma grande obra de arte na fantasia, quando só tem um rabisco. E aí fica angustiada, tentando preencher, fazer a obra de arte acontecer, quando não dá. Às vezes, é isso, gente. Um pé de jaca não vai dar manga. E você quer o quê? Uma manga. Então vamos ser mais direto no...

O que é que você quer? É isso. Então, se você quer, de fato, né? Não tô dizendo que pra algumas mulheres o casamento não é uma possibilidade. Acho que é. Acho que a possibilidade de um amor digno deve ser para todos. A possibilidade de pensar-se amado deve estar pra todos. Agora, configurar isso numa família margarina, numa família...

O único caminho é a decepção. E eu escrevo um livro sobre isso. Mas, Marcela, convenhamos, existe algo mais mortificador simbolicamente em todos os níveis.

E eu digo isso assim, pensando em tudo que eu já vi. Enquanto pessoa no mundo, enquanto menina no mundo. Enquanto… Eu acho que eu penso sobre essas coisas. De que existem parcerias que são mortíferas desde muito cedo. Sim, eu concordo. Muito. E não existe nada… Outra travessia que eu acho que a mulher tem que fazer. É tipo assim, se oriente. Se oriente.

Essa é o ideal de família. Existe uma conta que as mulheres pagam pra manter a família funcionando em vários dias. Não são só as casadas, as mulheres solteiras, né? Esses dias eu tava num velório, gente. Num velório. Gente, eu saí tão, assim, revoltada com o patriarcado que eu fiz nem num velório. Eu tenho sossego. O que aconteceu no velório? O que é que aconteceu no velório?

Uma pessoa muito querida, próxima da família, faleceu. E a gente foi lá e tal. E aí, quando abraçou a irmã dessa pessoa que tinha falecido, e aí minha mãe disse, ai, aparece lá na loja e tal. Eu sempre tô lá pelo centro. Mulher, você acha que o meu trabalho acabou? Eu vou permanecer fazendo almoço para nove, dez pessoas. Ela tava no velório do irmão, que em menos de um mês foi diagnosticado com câncer.

Foi internado assim, foi muito rápido o falecimento dele. Eu sinto muito. E tava pensando no almoço e como deixar a família funcionando ok. Foi aí minha revolta, entendeu? Claro que eu estava revoltada. Eu saí com a molesta dos cachorros, como se diz no Nordeste. É sério, que uma mulher não pode sentir a dor de perder um irmão que morava, né? Eles tinham uma dinâmica assim, muito próxima assim.

Porque ela tá pensando no que ela tem que fazer.

Você falou pra ela isso? Não, não falei isso pra ela. Porque, gente, é isso, gente. Às vezes a gente tem que… Imagina eu lançar essa braba no velório. Não, então. Eu tô perguntando por que eu me questiono. Porque a gente conversa aqui, a gente reflete, acreditamos nas mesmas coisas. Mas às vezes, como que a gente desce isso pro nosso cotidiano? Desce pro parquinho. É, como é que a gente desce pro parquinho? Isso, sim. Porque tem cada prazapada que eu vejo.

O que eu faço? Eu vou pegar uma briga agora, daqui a pouco? No meio de um velório? É, porque era um cálculo também. Assim, eu não vou dizer isso. Mas eu fritei tanto o juízo. Aí fui fazendo, fui refletindo com a manhinha, né? Mãe é uma mulher de 60 anos, né? E ela fez, nunca tinha me dado conta disso, minha filha.

Porque é outra geração, né? É uma geração talvez muito mais acreditada, né? Assim, inclusive isso, né, Marcela? A nossa geração de mulheres é uma geração muito mais analisada do que foi a geração das nossas mães e das nossas avós. Completamente, analisada no sentido quase que literal, né? Assim, nós vivemos… No divã mesmo! É, no divã, e a gente vive e questiona… Inclusive, beijo pra todas as minhas analistas que…

Obrigada, gatas. Vocês fizeram um bom trabalho. Obrigada, né, porque eu acho que analisando é mais é do que sair da ilha pra ver a ilha. Então você consegue tomar um respiro pra analisar a pera.

foi bom. Não. Isso aqui é normal? É. Acho que isso não é normal. O que talvez nas gerações anteriores fosse um... Ah, faz parte. Uhum. Ah, faz parte. Homem é assim mesmo. Eu acho que a gente tá numa geração que tá podendo se interrogar. É isso um homem? Opa. É isso. E se for só isso, a gente tem que topar? Consertar?

Sabe um exercício que eu tenho feito com amigas, familiares, mulheres ao meu redor? Quando elas falam, e claro, estamos conversando sobre algum erro que a mãe delas cometeu com elas na infância, ou minha mãe permitiu isso. Eu sempre pergunto, e seu pai? 90% das vezes elas me respondem. Nunca tinha me perguntado isso.

Então, eu não tô falando que não existe o erro da mãe. Não é isso. Claro que as mães também erram e também… Mas eu tô falando de pais que estavam ali… Muitas vezes ausentes, assistindo Faustão. Exatamente. Ausente, quer dizer, presente de corpo. Porque é claro que eu não perguntaria isso pra uma amiga que não teve o pai presente, eu sei quem é. Mas são amigas minhas e familiares minhas que…

Os pais eram casados. Então você fala que a sua mãe permitiu que tal coisa acontecesse. Tá, mas e o seu pai? Porque além de tudo, acho que a gente muitas vezes esquece de fazer essa justiça. Com o trabalho que as nossas mães tiveram. Sério, as mulheres são muito sobrecarregadas na dinâmica do cuidado. Muito. É impressionante. É impressionante. Quem avisou a minha mãe que ela foi uma mãe solteira, fui eu.

Fez o chá revelação. Porque às vezes é isso. É um chá revelação. Por quê? Às vezes você sente incômodo, mas simbolicamente você não consegue traduzir isso em palavras muitas vezes. É. Por isso que eu digo, gente, a gente precisa tomar o corpo como um documento. Que o corpo é... O afeto, ele toca o corpo. E aí ele escapa. Você pode não ter o recurso simbólico de dizer isso foi machismo.

Isso foi racismo. Isso foi, né? Tem uma coisa assim que... Mas se você sentir... Tipo assim, essa coisa que a Eliana diz, né? É um jeito estranho. Tem algo de um jeito estranho. Quando você saca a estranheza, primeiro, já diria Freud, painho.

Porque que o estranho é íntimo, é familiar. Então, tem um ponto do que a gente saca que é estranho, que nos toca, que não é por acaso. E aí, a gente volta à coisa. O que a gente fica aqui? Por que que se escolhe... Tem um texto do Freud? De novo, o Paiinho. Voltar ele, já que Marcela lançou aqui. Cadê Paiinho? Paiinho, vamos.

Ela vai trazer. Ela vai trazer. Tem um texto sobre contribuições da psicologia amorosa. São três ensaios que o Freud vai estabelecer. Mas dois em espécie, porque o último é o tabu da fingidade. Mas os dois primeiros, ele vai falar especialmente sobre a vida amorosa. O que é que tá em jogo. E ele vai fazer uma relação interessante entre a impotência masculina.

E a frigidez feminina como uma parceria sintomática. O que é que eu quero propor com isso? Vamos ler Freud com hoje. Com a lente de hoje. Com esse macho confuso. Se, quando eu escolho um objeto amoroso, essa escolha passa...

por questões inconscientes, minha, nenhuma escolha de objeto amoroso é aleatório. Mesmo macho precário. Ai, tô escolhendo. Você tem responsabilidade nisso. Gente, tem macho que é tão precário que os amigos homens avisam que o macho é precário.

Mas é a ilusão do comigo vai ser diferente. A salvação. Mas é, mas quantos homens? A gente tem mulheres falando abertamente. Olha, eu tive um relacionamento abusivo com esse cara. Esse cara. Aí, você vê uma pessoa próxima a você. Começa a sair com o cara. Você fala, bom, boa sorte, porque…

Tem um padrão também de comportamento. Mas tem essa fantasia feminina de querer salvar. E essa fantasia feminina, e o Freud fala um pouco dessa...

fantasia de querer salvar, só que ele fala do lado do homem, quando ele tá explicando isso na psicologia. E eu quero propor essa fantasia de salvar para a mulher. Porque ele vai dizer que existe um jeito especial dos homens se interessarem para aquela mulher mal falada. Ou seja, no Nordeste, o que a gente diria rapariga? A quinga. Né, assim, que é...

E o Freud vai dizer, tem homem que só se interessa por elas. Por quê? E ele faz essa pergunta. Por quê? Ele diz, tem uma fantasia de querer salvar. Aí. E aí eu quero propor algo em paralelo. Tá todo mundo dizendo que esse macho não presta.

Você não tá querendo salvar aleatoriamente. O que é que tá em jogo da forma como você foi amado? Qual era a confusão que tu tava metido? Como foi que... Como foi que você testemunhou o amor? Porque isso faz muita diferença. Se você só testemunha caos, talvez você não tenha referências simbólicas pra fazer uma escolha amorosa digna.

Às vezes, vai pela contingência. Tanta presapada que disse, vou fazer diferente. Né, assim. Mas acho que se repetir, gente, aquela coisa como cantaria a Elis Regina. E o Belchior. Primeiro é Belchior, né? Depois ela grava. Como nossos pais, a gente… Mas, às vezes, você não tem uma referência de ter testemunhado a sorte de um amor tranquilo.

E aí, você fica querendo salvar… Lógico, é pra cada um, gente. Mas eu acho muito bom você trazer isso. Porque, realmente, é a referência do quanto algo é estranho… Que é íntimo. Exatamente. E o Freud vai dizer que essa fantasia masculina de salvar a mulher… É salvar a mãe. Eu queria propor algo, né… Pras mulheres de salvar o pai. Às vezes…

sobretudo pensando no contexto do que é o Brasil as formas de parentalidade do Brasil e tudo mais talvez esteja muito as mulheres estão querendo escolher algo aí muito mais pra salvar o pai do que se encontrar um homem, aí o que acontece? Gente, muito obrigada, eu preciso cortar agora e ir pra análise

eu não tenho condições de continuar apresentando o programa alguém vai ter que assumir mas não faz sentido, Marcela? eu tava fritando meu juiz pensando nisso, o que aqui explica? a gente tá cada vez aqui que isso, Renale? não pode fazer isso com a apresentadora tem que estudar meus traumas primeiro, antes de sentar nesse sofá

E eu pensando que era só meus traumas quando eu li o roteiro disso, gente. Claro que faz sentido. É uma geração de mulheres em que… Vou até trazer o protagonismo feminino nesse caso. Com mãe-chefe de lar, com pais ausentes. Que de repente, uma geração inteira reclamando que os homens não têm disponibilidade afetiva, responsabilidade afetiva. Mas seguiremos procurando eles.

Alguém tem que explicar essa história. Estou aqui propondo uma releitura do texto freudiano para os dias atuais, assim. O Freud vai explicar, assim, que existe algo aí e o que é que está em jogo, sobretudo para as mulheres. Ele vai mais à frente. Ele joga pesado com as mulheres, assim. Porque ele vai dizer, se os homens são impotentes, as mulheres são frígidas, isso não é aleatório. Ele vai dizer, da cultura que reprime as mulheres,

E ele vai dizer, essa escolha é pra permanecer respondendo a esse ideal. Então, talvez o que esteja em jogo em escolher o rabisco é reproduzir uma lógica de repetição. Do que vem sendo o tempo inteiro. E aí, talvez o que a gente possa pensar... Desculpa.

Mas então, nesse caso, qual o padrão de repetição que os homens estão fazendo? Se teve uma ausência, né? Uma geração, né? Que vem aí. Você tem uma lembrança aí, né? É verdade. Eles são filhos desses pais também. Eles são filhos desses pais também. Mas, sobretudo, a gente tem uma representação desse objeto amoroso primordial. A gente toma, em certa medida, é isso no homem.

E qual o trabalho? Eu acho que tem um trabalho que a histérica tem que fazer, que não é um trabalho pouco. Porque o amor da histérica ao pai não é qualquer coisa, é uma identificação. Então a histérica tem que fazer um trabalho de se desidentificar com o pai. Você pode explicar para os ouvintes o que você se refere quando você fala histérica? Nossa!

Vou dizer, gente, porque na teoria psicanalítica, o Freud começa a escutar as pacientes. E ele começa pela clínica da histeria. E ele vai falar que existe um processo, muitas vezes, dentro desse processo de adoecimento, de sofrimento psíquico, que passa por algo que está relacionado a processo de identificação.

E aí, uma das formulações que ele tem é de pensar que existe algo do amor ao pai na histeria, que não é apenas um afeto, é uma identificação. E aí, é aí que cai a reprodução. Porque a gente sabe que tem isso, né, na histérica, aquelas crises coletivas, assim, né?

A histórica especialista faz isso. Uma tá com dor de dente, aí a outra aparece com dor, assim. Tem uma coisa assim… De repetição. É. Cosmimetismo. Isso. Então, assim, né? Isso, gente, a grosso modo, é um pouco mais dente. Mas como a gente tá pensando… Algo assim, pra gente tentar traduzir pra vocês, assim… O que é que tá em jogo? E eu acho que esse é o ponto. Porque quando a gente devolve para nós, mulheres, a pergunta o que é que tá em jogo pra mim?

a gente devolve a narrativa. Quando um analista, e beijo para todas as minhas analistas que disseram, não é sobre ele. Que parece uma pergunta que você fica com ódio na hora, né? Talvez você já...

Algo radicalmente feminista no consultório. Assim, quando isso acontece, não é sobre... Quando é que você vai falar em nome próprio sobre o seu desejo sem ter que devolver a um homem isso?

Quando, Renata? Já. Gente, foram muitos anos de divã, tá? Por isso que eu tô agradecendo. Porque eu nem sei onde eu estaria. Por quê? Porque acho que tem um ponto, sabe qual ponto? Que talvez esse seja um ponto que a Antigona me ensina, assim. Dentro dessa lógica de repetição, como não cair na mesma tragédia familiar?

É, porque… É mortífero. Não perdura. A questão é que essa ambiguidade, ela não faz uma relação genuína.

Você nem sabe com o que você vai se relacionar. Nem sabe se é amor, se é paixão. Nem se é amor, se é paixão, se é idealização. E isso eu elaboro, inclusive, em sintomas. Que é justamente quem não está presente, quem dá essa confusão, essa ambiguidade, deixa muito espaço pra fantasia. Gente, é isso. Eu acho que a gente também precisa questionar, assim. A gente tem uma geração de pessoas inibidas na tela.

essas pessoas que só flertam pelo virtual e tomam chamada de vídeo e tomam não sei o que

Mas pra sair mesmo, dar uns trimelik, dar uns passamentos, né? Eu tava pensando exatamente nisso outro dia. Porque antigamente, pra você sair com uma pessoa exigia um certo ato de coragem. Você passar a mão no telefone, ligar, convidar. E era sempre com o objetivo final.

vamos nos ver. A não ser que se tivesse à distância, poderia ter uma ligação, uma chamada. Mas não, o objetivo final era se ver. Agora, parece que o objetivo é alimentar vaidades e decifrar um... Decifrar o quê? Porque, gente, às vezes um charuto é só um charuto. Ele só ligou.

Às vezes, ele só curtiu. Aquele foguinho, não é muita coisa. Mas chega no divã, caramba. Mas ele é o primeiro a ver meus stories, Renali. Eu acho que ele gosta de mim. E muito! E muito! E não faz nada com isso. Então, eu queria propor uma leitura sobre isso. Porque eu acho que quem me deu a chave simbólica…

Pra pensar isso, tem duas chaves simbólicas, quem deu? Freud e Bell Hooks. Comilhação boa. Qual é a de Freud? Dissociação, gente. Que a Bell Hooks vai traduzir o seguinte. O amor é uma ação. Qual é a dissociação? Ele fala. Ok. O que é que ele faz? Nada. Então.

Tchau. Porque a ação, o amor é um ato. É preciso um investimento. É preciso algo aí. Você coloca algo em jogo. Então, você fica nesse campo de uma fantasia, uma fantasia, uma fantasia, uma fantasia, uma fantasia.

Então assim, sejamos… Eu vi esses dias um story muito bom assim no Instagram, que era a seguinte lógica. Como se desapaixonar com 11 perguntas, 12 perguntas, uma coisa meio assim, eu achei muito bom. Desapaixonar. Desapaixonar, porque às vezes tem isso da fantasia feminina hiperpotencializar rabiscos. Um foguinho, um foguinho, o que é que é um foguinho?

O que é que é um foguinho no Instagram, mulher? Às vezes, tu malhou mesmo, que merece todos os foguinhos. Todo mundo vai te dar um foguinho, porque você acordou cinco e meia da manhã, que Marcela é desse time também, né? Foi lá, se agachou, malhou. Foguinho é o mínimo, o mínimo. Né, assim? E não é sobre estar necessariamente interessado. Porque é isso, né, Marcela? Às vezes, é bonito mesmo.

Não é nada demais, assim. Eu acho que tem uma coisa que é poder colocar isso que acontece, essas pequenas narrativas, que às vezes pode ser pela rede social, assim. Não tô dizendo que a rede social não é um dispositivo que pode conectar pessoas. E há coisas, né, assim… Eu sou talvez um pouco mais antiga, né, gente? Somos. A gente não precisa estar nesses detalhes, né? A gente é de um tempo que a gente, enfim, não precisava de Tinder pra sair com alguém, enfim.

A gente é dessas geraçagens, nossa adolescência foi assim. Imagina! Né? E tinha algo muito maravilhoso, que isso pra mim é… Enfim, acho que os tempos vão se atualizando. Não quero nunca não ser uma mulher do tempo do agora. Mas eu gostava da ideia do acaso. Não tô falando de uma maneira romântica, mas eu tô falando assim…

Como era bom também chegar ali e descobrir a pessoa e não já chegar com a investigação inteira e algo acontecer? Gente, a investigação, a única que você precisa dar enquanto mulher é fazer um Google pra saber se o Jus Brasil, só essa. E às vezes Serasa também é bom. É bom.

Porque existem algumas misérias financeiras que estão relacionadas a misérias psíquicas. Então... É, vamos saber onde é que você tá, assim, entendeu? É bom saber. Então, mas tirando essas, né, assim... Mas sabe o que você falou do digital? Você viu as mensagens do Daniel Alvorcaro? Que ele mandava... Bom dia, meu amor, solzinho e um coração. Era pra todas a mesma mensagem.

cafona, né? Não, cafona. Não é tudo ali a cafona. Não, tudo. Tudo, é um pacote muito cafona. Inclusive o desamparo estético do mesmo, né? Assim, ele tem uma coisa assim, meia... Né? Nossa, pelo amor de Deus. Né? Assim. Ali é um rabisco mal feito, né? Com caneta falhando. Mas eu acho que diz muito o nosso tempo.

Porque existe uma certa precariedade masculina que ele não vai entregar uma narrativa diferente. Não se trata de... Dom Juan, gente, é uma sofisticação. A gente nem Dom Juan mais tem no contemporâneo. Que tomava uma mulher uma a uma, né? A gente não tem isso, né? Essa mensagem igualzinha botando na lista de transmissão. Então, se você sabe ler um homem...

É lógico que é preciso ter sempre a possibilidade de deixar escapar alguma coisa. Mas assim, se você sabe ler um homem, a chance de você saber ler quase todos os homens é imensa. Porque o roteiro não muda. As Prés-Epada é muito parecida, Marcela. Não, eu tô aqui na mesma página. O que eu me questiono é…

Do outro lado, de… Não só da presepada, porque eu acho que tem algumas categorias. Tem. Então assim, por exemplo, quando você senta com mulheres que tiveram com parceiros abusivos. Parece que o roteiro é idêntico. Então, é isso. Eu acho que tem uma cor… E por isso que eu acho que o seu podcast, ele tem uma função simbólica importantíssima. Que a gente consegue traduzir as presepadas. Sim, agora tá. Sim.

Porque o roteiro é igual. Gente, ele não tem criatividade. Não, não há criatividade. Nem na hora de ser um monstro tem criatividade. O roteiro é igual.

É igual a várias gerações, inclusive. Se a gente pensa o que é o discurso, por exemplo, esse. Daniel Vaucar. Nem acompanhei tanto gente, por quê? Porque eu sou uma pessoa que está sendo um teste todo o ano do doutorado. Então assim, vi por alto as músicas. Inclusive, eu vi um vídeo no Instagram, uma pessoa avaliando as músicas que ele mandou. Eu vi esse vídeo também. Muito bom. Não sei o nome da menina, mas gente, procurem. Ela é ótima. Ela é ótima. 10 de 10. Não, não.

É muito boa, gente. Esse vídeo. Mas o que é que eu quero propor de pensar? Se a gente pega, assim, o que foi, por exemplo, a geração dos nossos avós. De nossos pais. Dos nossos irmãos, dos nossos namorados. O que é que muda mesmo de uma geração pra outra? Quando a gente faz essa avaliação das mulheres, o que é que mudou? Por exemplo, a geração da sua avó certamente era uma geração que apanhava. E aguentava marido bebo.

a da sua mãe já tem a possibilidade de se separar e dizer... A nossa tá perguntando outra coisa. Olha os avanços civilizatórios que a gente fez em três gerações. Verdade. Né, assim, a gente... Agora, vamos colocar pros homens isso. Qual o avanço que a gente pode pensar que houve nessas gerações? Eles tão mudando o nome pra fazer a mesma coisa.

Tipo assim, qual a diferença do Daniel pra vovô? Gente, esses dias eu descobri. Tipo assim, que sair com quatro mulheres ao mesmo tempo tem filhos da mesma faixa etária em tempos diferentes. Assim, no mesmo tempo, quatro mulheres diferentes. É a mesma lista de transmissão do vocálogo.

um inferno. Uma amiga minha tava se relacionando com um cara, assim, que tem os mesmos valores políticos, sociais. E aí ela descobriu que ela era amante. Eu conto rindo de nervoso, tá? Mas ela descobriu que ela teve um charro e revelação de que ela era amante. Porque ele, de repente, postou a namorada dele grávida.

E ela descobriu, ah, calma. E ela entendeu que ela era amante, não é que ele tinha uma amante. E aí, eu pensei, mas realmente, qual que é a… E ela não sacou nadinha antes. Então, aí isso é o ponto. O que a gente se permite ver?

Porque às vezes está tudo na nossa frente. E é esse o ponto que eu queria pensar com você. Existe uma coisa que é chamada pela ignorância. A posição de ignorância é uma posição que não possibilita o sujeito se deparar com a realidade. E às vezes isso é muito perigoso, sobretudo as mulheres.

Porque essa posição muitas vezes coloca em risco a vida das mulheres. É aquele cara extremamente... Não é só instável porque sumiu. Não é só instável. É instável em todos os níveis. Assim. Aquele que só falta levantar a peixeira na mesa do... Assim. Não, ele tava nervoso. Aí entram as sete justificativas. Essa coisa de dar sentido.

Ao que não tem sentido. Mas eu acho que é isso, Marcela. Quando eu penso assim, o que é que faz ser possível? Eu acho que tem um chá revelação que quando você se depara com o feminismo, com escanalisi, você se interroga muito sobre o seu desejo. O que é que você faz num lugar que você tá alinhado e no que é que você faz radicalmente porque você deseja. Sim.

Esse é um ponto. E topar um namoro com um homem hétero, né, gente? É porque vale muito a pena. Se não valesse, eu não ia perder meu tempo, gente, com isso. É, eu sempre pergunto a mesma coisa pra Valerias Casanello, né? Mas e aí? Nunca, nunca vai dizer… E ela sempre fala, é muita paixão.

Concordo com um adendo. E muitos acertos de arestas. Ah, então a relação vira uma grande ideia o tempo todo? Não. Então.

Tinha que valer a pena, assim. Tinha que, de fato, assim, ser um lugar de descanso. Um lugar que não me deixa ansiosa. Um lugar de parceria. Porque tem coisa que não é sobre um… Eu acho que tem uma coisa… Você falou algo que me lembrou um texto da Clarice, assim. Que é um texto que ela fala por não estarmos devidamente distraídos. Que tem algo do amor que é tão contingente que é num momento de distração.

O amor, gente, pode baixar o Tinder e ficar... Mas tem alguma coisa que é da hora da distração. Que tem que estar distraído pra que a carta chegue. Mas é por isso que eu tava falando desses encontros em que o primeiro contato é presencial. Porque quando você tá olhando um aplicativo e você tá julgando primeiro pela aparência, sendo que é um momento congelado daquela pessoa, você perdeu...

Algo que, nossa, é de uma ordem tão importante. Mas acho que tem um ponto de esperança, Marcela, nisso. A gente fazer... A divertida do patriarcado, poder fazer bons encontros a partir disso. Sabendo que o patriarcado mata, inclusive, simbolicamente... Sim. A gente pode escolher algo vivo. Inclusive, na forma de se relacionar com o homem.

Mas pra isso acontecer… Muito divã. Muito divã? Eu não vou enganar vocês, não. Gente, são 15 anos de divã. 15 anos de divã, gente.

E aí você olha, por exemplo… Não é mais tempo de divã, acho que é 17 anos de divã, gente. É muito tempo. É muito tempo. É muito tempo, já deu pra elaborar. Deu. E questionar, e… Mas eu acho que tem isso, Marcela. Se a gente não tem cuidado com… Eu tenho pensado um pouco sobre isso.

Quando a gente estuda gênero patriarcado, a gente precisa ter cuidado pra não ficar engalfiada no pior do que isso pode ter. Não no sentido da gente ler a alienação, mas a gente não conseguir esperançar. Ah, sim.

Porque, gente, é tanta presapada. É tanta presapada. Né, assim, você precisa ter muito cuidado nisso, acho que tem um ponto, assim, ler essas teorias, elas são fundamentais pra gente conseguir traduzir, em certa medida, uma lógica que é mortífera.

Mas se a gente não tiver muito cuidado, a gente fica mortificada nisso, porque a gente fica sem esperança. E só esperando que o pior vai acontecer. Exatamente. Marcela, não é incomum pessoas dizerem disso, assim, de... Não tem homem bom, assim. Não que, enfim, né, gente, assim, não é... Querem massificar, né? Mas a gente precisa ter cuidado com isso, assim. Porque se a gente toma...

Só pela via do pior, a gente se desresponsabiliza de poder escolher algo digno. E quando eu falo algo digno, não é algo ideal. É o que funciona para o seu sintominha, camarada.

Algo que deixe você mais satisfeito do que insatisfeito. Não é que não vai ter falha. Vai ter falha, certamente. Tem pontos de desencontros. Porque, gente, nem com pai, nem com mãe, nem com irmão. Nem com gente que a gente convive a vida inteira. Tem uma sintonia em absoluto.

Hoje é aniversário da minha mãe. Beijos, Renata. E eu fiz um post pra ela. E eu recebi uma mensagem no Instagram. De uma menina falando, eu fico muito feliz de ver uma mulher ariana tão amada. Porque eu sei o quanto vocês conviveram. E mesmo assim, ela me perguntou, mas foi difícil conviver com ela? Eu falei, não existe convivência extrema fácil.

Não é isso. Isso é o que enveloparam pra ser esse ideal que é impossível. E é isso. Só ama quem deixa o ideal cair. É.

Só ama. O amor, né, tem um cantor na parábola, eu vou ter que colocar essa, porque essa eu não coloquei, que é o Elom. E o Elom vai ter uma canção que é chamada Anaí de Beriz, que aí vai falar de uma história inclusive política de João Pessoa.

E ele diz, um amor com vontade de amar. Um amor a Anaide Beriz. Mas esse verso assim, um amor com vontade de amar. Um amor com vontade de amar é diferente de um amor perfeito. E eu acho que a gente precisa começar a falar disso, sabe Marcela? Um amor com vontade de amar não é da ordem de uma certeza, mas não coloca você em dúvida.

Ouviram, ouvintes? Tem desencontros. Tem desencontros, mas também existe um alinhamento de que faz parte. Acho que tem um amadurecimento. E por isso que eu gosto da ideia também dos encontros mais tarde.

Gente, a pior desgraça que pode haver é alguém se casar com o primeiro namorado. Ela fala assim, por amor de Deus. Gente, me dá um desespero quando eu vejo isso. Gente, não, tudo bem, eu sei que, né? Mas eu fico pensando, sabe o quê, Marcela? Qual o repertório simbólico que essa mulher vai ter? Eu juro a você, de vivência mesmo, assim. Por exemplo, né? Você já teve muitas outras vivências que não se resumem a uma relação.

Quando eu me vi saindo de Capina Grande, fazendo um doutorado, com um caos de um covid longo. Gente, eu passei num doutorado com nebulizador na cara e com covid longo. Com sintomas terríveis, eu passei dois anos me tratando de covid longo. Meu Deus. Quando eu consegui… E nesse caos, eu montei um apartamento. Quando eu consegui isso…

Isso me deu um repertório pra qualquer próxima possibilidade de encontro na vida que não se resume. Existe um mínimo que eu consegui tão lascada, mas tão lasca. Ou um mínimo, passar num dos doutorados nas três melhores universidades do país. Só isso. Montar um apartamento, ter uma casa própria, sendo uma mulher negra, né? E sozinha, sem dez centavos, sem herança. Então, assim, quando eu me vi fazendo isso,

Em termos simbólicos, isso produzia um efeito em mim de pensar, tem algo que eu consegui só e que ninguém vai me tirar disso. Eu tenho certeza disso, porque eu tenho certeza que a qualidade de quem eu sou na relação de agora tem a ver com o fato de eu ter morado dois anos sozinha.

Marcela, a gente precisa falar disso. Eu acho que tem coisas de esperança que toda mulher devia gabaritar na vida. Eu acho que o cafajeste, inclusive, uma mulher precisa gabaritar. Por quê? Porque o cafajeste, ele dá uma representação, ele dá um certo repertório simbólico.

Do que você não fazer com você. Então, depois você atravessa o cafajé. Eu acho que o cafajé, achei uma travessia. Ah, mas eu já me envolvi com mais de um. Não, só uma, sério. É, então… Não, eu tô dizendo com moderação, gente. Não é para avacalhar, não. Avacalhar, não, gente. Para! É que você falou gabaritar. Você não vai falar de diferentes tipos de cafajés? Porque eu conheci vários. Não, um já basta, um já basta. Por quê? Porque tem uma função de você… Como o roteiro é muito parecido…

Você se livra dos outros. Claro. Isso é a imunidade. E aí você já vê assim, putz, isso aqui é uma cilada. Isso aqui é uma cilada. E você sabe, por exemplo, quando você conversa com meninas mais jovens, que… É engraçado como tá escancarado que não vai dar certo, né? Exatamente. Prezepada. Mulher, não se meta aí, não. Só que tem uma coisa, Marcela. A experiência, né? Tem a experiência que a gente precisa viver.

Existe uma dimensão do saber que é pela via da experiência. Por mais que você diga a uma mulher, não vai, ele é casado, está indisponível, é o homem, que eu acho que é outro ponto. Porque se escolhe o cafajés, existe um gostinho de uma impossibilidade para interditar uma satisfação que é uma especialidade feminina.

Agora eu vou fazer uma pergunta com áreas de psicanálise. Qual é o gozo da amante? Pois é, inclusive, Marcela, quando falaram comigo, né? Eu fiquei pensando muito em canção pra Ninar, Menino Grande, da Conceição Evaristo. Por quê? A gente normalmente toma aquele livro...

com o fio de jasmin, e é excelente. Eu acho que a Conceição é o maior nome da literatura brasileira atualmente. Enfim, mas eu queria propor uma leitura de canção pra menino grande, a partir das mulheres.

Qual é a posição de cada mulher a cada encontro que a gente tem ali? Por exemplo, a mulher do fio de Jasmine, ela nunca foi mulher pra aquele homem. Ela queria o filho. Inclusive, aquela cena do parto, ela tem um prazer assim que você faz. Gente, é um menino ou é outra coisa? Não é? Impressionante. Que apenas Conceição poderia ter escrito. Conceição. Diva. Diva, diva.

A Tina é amante. Mas eu fiquei pensando o que está em jogo para a Tina. E tem, inclusive, e talvez esse seja o ponto que eu queria pensar, que é essa representação familiar da narrativa de todas as mulheres da família de que homem não presta.

A cena quando começa a descrever a Tina, quando a Conceição vai narrando, né? Ela vai dizer disso. Então, ela acessa o fio de jasmin interditada. Então, talvez o que a gente precise perguntar a cada ouvinte é quando você escolhe o cafajeste, você está escolhendo o desejo ou a interdição? Eu já ouvi...

de uma mulher que o problema dela com os ciúmes era tão sério mas tão sério que era por isso que ela só saía com homens casados porque pelo menos ela sabia que ele não ia trair ela

Ela preferia… Não já tá traindo com a mulher, não? Assim? Pra mim, foi uma das elaborações mais complexas que eu já ouvi. Porque ela me trouxe essa história, inclusive… Ô, Wintz, continua me trazendo histórias, porque eu vivo disso. É bom demais, eu nunca vou expor nome de ninguém. Mas como é legal pra repertório mesmo. E ela falou que hoje ela se arrepende.

porque ela era uma mulher mais velha também, mas que ela entende que era a maneira dela de se proteger. Exato. Às vezes, o que está em jogo na escolha do cafajeste é defesa. E não desejo, Marcela. No final das contas, você nem quer. Quer se defender. Quer não bancar o desejo.

E aí eu acho que isso a gente pode fazer uma conta com o patriarcado. O patriarcado é especialista em fazer as mulheres negarem o próprio desejo. Inclusive no encontro com o homem. Continua. Vamos lá. Porque, veja, o que o patriarcado faz com o corpo de uma mulher se não o controle? Certo. Então, quando você escolhe o cafajeste...

Em que medida você não está respondendo ao patriarcado? Nisso que ele produzir uma série de homens rabiscos. E você tentando se desresponsabilizar.

De algo que tem também sua participação. Porque foi a Bell Hooks que virou essa chave pra mim também. As mulheres também participam do patriarcado. Patriarcado é um dispositivo. Sim. Isso foi um chá revelação. Porque às vezes a gente, nesse lugar de vítima, se desresponsabiliza. Ai, é deles.

Checar, checar. Quem fez isso pra mim foi a Rosa Monteiro, na Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver, quando ela tem um capítulo sobre as aliadas do patriarcado. Então, eu acho que tem um ponto nesse aspecto, quando você escolhe o cafajeste, é você não poder se entregar ao desejo com uma certa radicalidade.

Porque é um objeto que já tá interditado naquilo que a cultura vai estabelecer como regras que interditam. Porque se todo homem é um lixo e eu tô sempre esperando o pior, o meu desejo nunca vai ser 100% porque eu preciso me defender. Então o desejo da mulher continua interditado de alguma maneira. É isso.

É isso, é isso, ouvintes. Assim, eu acho que, enfim, né, Marcelo. Eu acho que, pelo menos pra mim… Porque a Tina me parece a representação disso. Eu acho que chegamos num lugar. É, a Tina, na literatura, me parece que é a representação desse lugar. E a César… Inclusive, gente, a Tina passou a juventude todinha dela sem transar direito, só com sexo oral, lá com o filho de Jasmine.

Que esses boys pelo menos estejam fazendo vocês gozarem. Minhas ouvintes amadas. Pelo menos.

Mas normalmente não vem junto, né? Assim, normalmente o boy lixo, assim… Não sei se eles entregam também uma performance tão boa. Porque tem uma coisa da lógica performática. Então, ou pelo contrário. Ou o boy emocionalmente indisponível, aí ele é broxa. Você fala… Mas tudo tá indisponível?

Gente, tem homens muito interditados na vida. E eu acho que é isso, assim. Poder fazer uma escolha que não seja pela via da interdição. Poder se interrogar como você reproduz cotidianamente o patriarcado, inclusive ao não se autorizar o prazer de estar satisfeita no encontro com alguém. Eu vou finalizar o episódio. Bom, é isso, né?

Meu Deus. Bom, se vocês estão assim como eu, vou finalizar com os nossos quadros finais. O primeiro deles… Você quer me fazer alguma pergunta? Nossa! Então, Marcela, o que fazer na sua experiência de tanto divã? De tanto Bom Dia Óbvio? Porque você realmente traz pessoas incríveis, assim.

O que é fazer pra não escolher um rabisco? Eu não tenho como não soar clichê. Aham. A gente tá dando clichê, gente. Mas é de fato se escolher. E eu não tô falando sobre amor próprio, acima de tudo. Não é isso. Eu acho que faz parte também do patriarcado.

nos distrair e nos afastar daquilo que poderia ocupar um espaço maior do que ficar desvendando se a mensagenzinha do cara significa algo ou não. Entender que a energia que vai pra isso poderia estar indo para um doutorado. Que poderia estar indo para um esporte. Que poderia, eu acho que uma das maneiras, e aí são muitas, né?

Eu acho que, claro, de van, consumir conteúdos como esse. Porque, assim, eu realmente acredito no que os meus convidados trazem aqui. Inclusive, esse papo. Mas, entender que às vezes a falta que você tá sentindo não é do outro. Mas é de se sentir completa. E o que pode te completar… Não tá no outro. Não tá no outro.

Eu acho que esse é um ponto assim, tão radical assim. Entender que não é sobre o outro a narrativa. Mas qual a história que você quer escrever sem fazer uma aposta que o outro vai escrever a sua história por você, né? Acho que talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que uma experiência de análise pode proporcionar a uma mulher. E uma das coisas que eu mais invejo aos homens, sabia? Não inveja dos homens porque você pergunta para os homens se eles têm um hobby. Eles são muito rápidos em responder.

Não, eu gosto de música. Não, eu gosto de... Marvel. Ah, eu gosto de... Se põe para as mulheres qual é o hobby delas... Dá pane.

Por quê? Por quê? Porque eles não estão tão preocupados com aquilo que nos fizeram nos preocupar. Como pressão estética, como encontrar um amor. E pra gente finalizar, quero saber qual que é a sua fissura atual. O que Renale Xavier está fissurada? Nossa, gente, eu tô fissurada em organizar a agenda pra concluir minha tese.

Porque eu acho que tem um ponto, assim, de... Porque eu gosto muito de literatura. Gosto muito de música. Mas, então, eu tô nesse momento, assim, da vida muito dividida. Né? Assim, entre duas cidades, né? Minha família tá na Paraíba, com minha doguinha, com meus avós. Meus avós tão muito idosos. Então, mantenho uma rotina de viagem, assim. Minha avó tá com 95 anos, né? Assim, então... Mantenho uma rotina de viagem com frequência.

E equilibrar isso, né, com todos esses recortes, né, de ser uma mulher negra, nordestina, no sudeste, pesquisadora, gente, é uma grande fissura. Não há um dia que quando eu sento na frente do computador...

Eu não fico com inveja de que para os homens é mais fácil ser pesquisado. Porque eles se desligam de um jeito, assim. Eles não se importam com o que tá no entorno. Se a casa tá arrumada, se não tá arrumada. Se, né, assim, tem uma coisa. Então, eu tô muito focada nisso.

Mas eu acho, nesse meu momento, minha grande, talvez outra fissura, além da minha tese, assim, tem sido muito música. Música tem sido... Porque a música é um acesso à arte que é um pouco mais reduzido no sentido do tempo. Então, eu consigo ter esse contato com a arte, né?

nesse contexto meu de corre, gente, né, assim e me manter muito fiel a mim, no que me dá prazer assim, eu sou essa pessoa que vou me arrepiar escutando Bethânia, vou me arrepiar vou fazer uma grande questão de, minhas melhores talvez reflexões intelectuais se deram com música assim, então eu adoro a ideia de estar muito compromissada com o prazer não e

E eu acho que é isso, assim. Eu sou aquela pessoa que acorda cuidando de mim. Eu aprendi a fazer isso. Eu cuido de mim. Depois, eu posso, né, fazer absolutamente tudo. Mas de manhã cedo, cinco e meia da manhã, eu vou estar lá malhando. Depois eu tomo meu café com calma, escutando música.

Filtrando todas as energias negativas, assim. De notícia muito ruim de manhã cedo, eu evito. Eu, de fato, evito isso, assim.

Não é porque eu não queira saber. É porque eu tenho que fazer um cálculo do que me dá prazer. E de manhã cedo. Mas calma, saber às sete da manhã ou uma da tarde… Tem diferença total. Claro, e meio que não muda. Eu comecei meu dia já com Trump. Não, vou não. Eu tô com você, tá? Eu não vou dar esse pau com a Trump, não. Não vou não. Eu vou tomar meu café com calma. Não é porque eu sou taurina, né, gente? Então eu sou…

Eu sou essa pessoa, né? Então que... É isso, eu sou dos pequenos prazeres cotidianos. Então eu tenho uma certa fixação, né? De que a vida pode ser vivida com mais tranquilidade.

Eu acho que Minas me deu, inclusive, essa experiência com o tempo ou outro. Eu me achava mais agitada na Paraíba. O mineiro é sempre devagarzinho, um cafezinho, um coquizinho. Eu amo eles mais que tudo. Né, assim. Eu acho um erro de não serem nordestinos, diga-se de passagem. Porque é o povo do sudeste mais parecido com a gente do nordeste, né, assim. Não pode o povo cozinhar tão bem não ser nordestino, assim. Justo, justo, justo, justo.

Mas tem isso, assim, então... Eu tenho essa coisa do encantamento cotidiano, assim. Eu preciso estar encantada. Eu preciso estar encantada. Eu preciso acreditar na minha tese. Eu preciso acreditar que é de verdade, assim. Eu não tolero, assim, viver uma mentira pra mim, assim. Tá me enganando. Muitos anos de análise, né, gente? Pra gente... E você confia muito no seu corpo.

E isso é uma conexão. Nossa, gente, assim… Porque tem algo bonito, né? E eu não tô falando do lugar estético, né? Mas a beleza de…

da potência da vida, assim. Acho que tem uma coisa do corpo pulsar, né? Assim, se possibilitar a gente sentir prazer nas miudezas cotidianas. Gente, eu acho que tem uma radicalidade a gente poder comer calmo, sem atender ao outro. Eu acho isso, assim, aqui o feminismo, né? Assim, e a psicanálise fez muita função, né? Assim, de...

Daqui a pouco eu me conecto com o que precisa ser conectado. Mas deixa eu me nutrir do que presta. Depois. Renale, você volta com o livro? Eu volto. Com a tese de doutorado? Eu volto. Na próxima, você me prepara melhor? Porque eu acho que o Thay é o...

Que bom, Marcela, que você gostou. Foi uma delícia estar com você, assim. De fato, assim, acho muito bom. Parece que a gente se conhece há anos. É chocante. Aham. Primeira vez que a gente se vê pessoalmente, assim. É uma honra, obrigada. Obrigada a você, Marcela. É sempre uma honra estar aqui. Eu sempre penso assim, quando me chamam, e em especial pro Óbvio, assim, eu faço gente, eu devo estar fazendo alguma coisa muito certa da minha vida. Só fazendo coisa certa demais. Só coisa certa.

Mas não tem convites, assim, que faz a gente sentir que um dia vale mais do que outro. É isso. Quando o Óbvio me chama, eu falo, gente, é isso. Tem dia que vale mais do que o outro. Obrigada. Então eu fiquei muito feliz. Me mobilizei mesmo, assim, pra estar com você. Porque pra mim é uma honra, assim. Porque, gente, é isso. Tá ao lado de grandes intelectuais que vêm pra esse programa, assim. Não tem ninguém inocente aqui. Aqui é só gente com boca de confusão o tempo inteiro, gente. Só mulher. Tipo assim.

Que tanta mulher incrível é essa aqui, Marcela. Que curadoria é essa? Então, pra mim, é uma honra, assim. Não tem como... Você é uma delas. Ai, quando eu faço essa associação, gente… É isso, gente. Eu venci na vida. Ah, lindo. Obrigada, querida. Volta sempre. Pode chamar. Até semana que vem. Bom Dia Óbvio, esse é um podcast roteirizado. É apresentado por mim, Marcela Suribeli. E produzido e editado pela Zamunda Estúdio.