O preço de dizer o que pensa, com Maria Ribeiro
O mundo gosta de mulheres que falam o que pensam? Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli conversa com a atriz e escritora Maria Ribeiro sobre o que significa, para uma mulher, sustentar a própria voz em um contexto social que ainda privilegia muito as imagens, mas não tanto as vozes das mulheres. Em uma conversa descontraída, elas falam sobre a liberdade de ser quem se é, relacionamentos, filhos, casamento, sexo, exposição, erros e o exercício de dizer não. Um episódio sobre as dores e as delícias de bancar os próprios desejos.
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- Mulheres e EmpreendedorismoLiberdade de expressão feminina · Expectativas sociais sobre mulheres
- Desafios da MaternidadeDesafios da maternidade · Expectativas sobre casamento
- Envelhecimento e LongevidadeReflexões sobre a menopausa · Mudanças na percepção do tempo
- Criatividade e autenticidadeSer verdadeira em relacionamentos · Desconstrução de padrões sociais
- Controle da ira e calmaExpressão de emoções femininas · Liberdade de sentir raiva
Quando foi que a sociedade começou a gostar mais das suas mulheres silenciosas? Será que em algum momento a sociedade gostou de mulheres que falam? Que falam alto? Que falam que pensam? Que falam com raiva? Que falam que querem? O que acontece numa sociedade que prefere mulheres caladas? Que gostam das suas imagens?
mas não das suas vozes. E antes da gente começar essa conversa, se você também é uma mulher que pensa em voz alta, deixo aqui esse convite pra você se inscrever pra segunda temporada do meu Clube do Livro. Lá, semanalmente, a gente vai debater obras que discutem tanto obediência, quanto culpa, loucura e tudo aquilo que compõe o mundo feminino hoje. Espero que você goste.
Eu sei que desde que eu me entendo por gente, tem uma mulher que é minha referência sobre falar, sobre pensar, sobre botar pra fora aquilo que a gente acredita. Bom dia, óbvias. Eu sou Marcela Cerebelli e hoje converso com a escritora, atriz, pensadora e uma grande referência pra mim, Maria Ribeiro.
Bom dia, Maria Ribeiro. Marcela Ceribelli, que alegria. Tô há tanto tempo querendo vir aqui. Eu quero conversar com você desde que eu tenho, sei lá, quantos anos. Então assim, isso aqui é um sonho pra mim. Ah, pra mim também, que bom. Porque pra mim, você sempre foi a referência de mulher.
Pensante. Então, ah, me dá uma referência de mulher inteligente. Sempre me veio, Maria Ribeiro. E aí, quando eu te encontrei e você falou que já tinha escutado o programa, eu fiquei com muita vergonha. Sério? Fiquei, óbvio. Você fala com tanto terapia, com análise em dias. Tá bem louca, né? Porque você é uma…
Você é uma própria... Marcela, você é um acontecimento. Todo mundo, tipo... Caraca! E eu tô falando de dados, de números. De números! Nossa, você é incrível. Eu ouço muito. Eu ouço muito. E eu aprendo muito. Às vezes eu ouço duas vezes. Porque tem algumas coisas que você não pega na primeira e que tipo, é de anotar mesmo, né? Porque eu acredito muito na gente ser útil com o nosso trabalho. E você faz um trabalho muito útil, né? Porque a gente sai...
com coisas pra mudar na nossa vida, né? Eu tenho isso, pelo menos. Nossa, obrigada, eu tô com vergonha de novo, mas eu vou levar pra análise. Mas o que você falou pra mim é, nossa, é exatamente o meu trabalho. Eu gosto de ser útil e eu tenho pensado muito sobre como…
Todo mundo, né, tá dando opinião, opinião, opinião. E cada vez mais eu fico estudando, estudando, estudando. Porque como é que eu vou dar mais respaldo e mais ferramenta? Mas não é sobre mim. Maria, você não vai conseguir me entrevistar. Eu vim te entrevistar hoje. Vamos ver, vamos ver.
Bom, eu estava, obviamente, estudando e pesquisando pro episódio. E aí, eu cheguei num vídeo seu que eu acredito… Me corrija se eu estiver errada, é chamada pro seu podcast. Deve ser da idade? Aham, deve ser da idade. É, sim. Que lindo. E você fala sobre separar a vida em capítulos. Sim. E como deve ser importante isso pra perdoar o capítulo anterior, encarar o próximo capítulo. Então, pra gente começar…
Leve. Qual é o título do capítulo de agora? Nossa, que pergunta difícil. O título do capítulo de agora... Eu acho que é... Ficando com as partes boas. Decidindo pelas partes boas. Porque eu acho que eu fiz esse podcast e foi um pouco assim...
Fiz 50 anos e aí começo a querer organizar pra trás pra poder planejar. E aí a partir disso eu fiz esse mapeamento, assim. Então conversei com uma amiga, minha maior amiga de adolescência, de quem eu tinha me afastado porque virei atriz e era outro grupo. E quando a gente é jovem você precisa se autoafirmar. Então você precisa ficar muito diferente do que você era pra poder forjar essa nova... E aí
E aí agora eu tô vendo que E também tive essa crise de 50 Menopausa É violento E eu vou pegar e vou falar de uma coisa que eu acho que é mais forte Que tem a ver com a menopausa Mas que a gente tem mais medo de falar Que é a morte, a proximidade da morte O se dar conta de que Porque a gente foi
realmente, Miriam Goldenberg maravilhosa, fala que vai viver até os 120 Nando Reis fala que vai até os 100 e assim, eu falo, gente mais ou menos, será? Porque a gente foi feito pra viver até os 50 até os anos 40, sei lá essa era a média de vida da mulher
Então, aí eu só falei, não, eu quero falar, entender o meu passado e tal. E aí, e tava meio em crise com tudo isso, com a passagem do tempo, com a chegada dos 50, com a menopausa. E aí eu acho que o capítulo de agora é tipo assim, cara...
quando eu errei, errei com categoria. E o que eu posso tirar de bom dessa relação que não foi legal, dessa fase que não sei o quê. Tô, tipo, ficando com as partes, decidindo ficar com as partes boas. Porque tem algumas coisas que você não consegue tirar nada de bom. Mas tem algumas coisas que você pode decidir colocar beleza nas coisas. Até nas coisas difíceis, né?
E é uma decisão. Não necessariamente elas vêm empacotadas como algo bonito. E às vezes até tem que forçar uma barra. É uma decisão. Dá trabalho. Mas é a Fernanda Young, que foi uma figura pra mim, que mudou muito a minha vida. Ela dizia, quando eu fiz o Pós-F, o livro dela que eu transformei em peça, ela falava que os sentimentos são educáveis. Não é que nem fome, não é que nem frio. Amor se educa.
a gente lê, então assim, tudo a gente, até com filho, com então eu acho que isso, essa buscar beleza também nas coisas e sentido no que deu errado, é uma coisa que você tem que ir se educando assim, se fazendo um exercício mas chega uma hora
Quando você vê, você fala, olha, que lindo isso aqui, é uma despedida aqui, mas que bonito. Depois de um certo... Se treina um pouco, chega com mais frequência. Eu te perguntei do título do capítulo, mas aí nesse mesmo vídeo você fala sobre uma reflexão, sobre o tempo, tempo, tempo. E eu não sei se é o capítulo da minha vida, mas o meu lema desse ano, quase um mantra é vai dar tempo.
Olha, que bom esse lema. Porque eu… Bom, vou fazer 36 anos. Ainda demora um pouquinho. Vou falar que eu tenho 35 ainda. É, vai até onde der. Porque às vezes eu fico me envelhecendo antes da hora. Não, não antecipa. Não antecipa. Tenho 35, vai. Até porque é um número meio redondo e é bom… É bom. 36 quando? Julho. Julho. Estamos em…
É, não sabemos quando vai ao ar, mas 35. É, 35. E eu acho que a coisa que eu mais me falei até agora foi não vai dar tempo, não vai dar tempo, não vai dar tempo não vai dar tempo de fazer outra coisa, não vai dar tempo, não vai dar tempo. E aí, quando eu olho para as mulheres que mais me inspiram e que eu mais gosto de trocar, inclusive estava ontem com a Miriam Goldenberg e, sei lá, em três horas a gente tava falando uma pra outra te amo.
maravilhoso. E isso inclui você, eu falo ah, vai dar tempo. E eu ainda vou melhorar muito. Total, vai dar tempo. O senso de urgência foi diminuindo pra você? Como que você acha que a cronologia feminina atrapalha a nossa ideia do que a gente quer versus o que a gente precisa fazer logo? Eu acho que a gente tem a...
Coisa biológica, né? Assim, que é tipo, sei lá. Eu, quando eu tive filho, eu não pensei. Eu fui mãe com 27. Fiquei grávida com 26 do meu primeiro filho. Eu não pensei muito.
Era uma coisa assim, eu me lembro que era uma pilha, assim, da minha família, do meu ginecologista. Do ginecologista? É. Por quê? Porque os tempos mudaram, e era uma coisa assim. E eu tinha ovário policístico, e eu nunca tinha engravidado.
Eu sempre quis ter filho. E eu já tinha dado várias bobeiras e nunca tinha engravidado. Então eu tinha uma... E sei lá por quê, porque eu sou bem doida. Eu achava que eu não ia poder ter filho. Porque, sei lá por quê. Sei lá por quê. Porque eu não merecia. Sei lá, porque...
maluquice. E o ginecologista tinha essa pilha assim, não, você, eu acho que como você tem ovário policístico, é importante você vamos ver se você fica, sei lá, seis meses sem pílula e eu engravidei no segundo mês, assim. Claro, com 26 anos. É.
E o meu marido, na época, tinha 50. Então também tinha uma coisa assim de... Nesse sentido, eu acho até que foi, enfim, foi... Acho que tudo foi o que era pra ser. Mas... Tudo mudou muito, né, Marcela? Mudou muito, assim. Então, nesse sentido, eu acho que isso... Assim, né?
A gente… Ah, eu tenho 50 anos. Eu não posso ter filho. Eu não quero. Mas se eu quisesse, eu não poderia gerar, né? A não ser que fosse, sei lá, subir o Everest, uma ralação, milhões e não sei o quê. Ou uma adoção, mas… É, mas gerar… Sim. É, ou uma adoção.
Então, eu acho que a gente tem essa coisa do tempo. É nesse sentido, o nosso corpo é muito pouco estudado. E a gente passa por... Quando a gente menstrua, é uma transformação brutal. A gravidez, hoje em dia, é considerada também uma coisa assim... É puerpério. É uma coisa... Eu vejo as pessoas grávidas ou com um bebê pequeno, assim... Eu tenho vontade de, sei lá, de falar...
Mandar uma sacola no supermercado, não sei, eu fico muito tocada, porque eu acho que é uma... E depois a menopausa é outra. Então eu acho que esses marcadores, eles são mais difíceis, né, para os homens não têm. Por outro lado, eu acho que eles são um aviso interessante, assim, que é tipo para você entender mais ou menos onde você está e entender que você não pode...
Perder tempo. Porque assim, vai dar tempo, mas vai dar tempo também se você conseguir dizer não. Se você fizer... Por exemplo, hoje em dia, uma besteira, tá? Mas eu não fico mais olhando o cardápio. Sei lá, a gente vai almoçar amanhã. Pô, Marcelo, vamos almoçar? Aí a gente vai ter, você trabalha pra caramba, eu também, a gente tem uma hora e meia pra almoçar. Eu não fico dez minutos no... Eu não... Eu falo assim, o que vocês indicam?
porque não me importa tanto, eu quero estar com você. Então esse tempo de que às vezes eu ficava dez minutos no cardápio, eu falei, não, eu quero dez minutos conversando com a minha amiga. Nossa, eu amei. Eu faço isso, mas não por isso. É porque eu confio muito na opinião dos garçons e garçonetes, porque eles já provaram tudo. Ainda tem isso. Eu sempre falo, qual que é o seu favorito? E eu sei, e aí às vezes me falam, mas como é que você sabe que tem o seu paladar? Eu falo, meu bem, eu gosto de comer.
E outra coisa, o risco também é uma coisa tão boa que a gente tá perdendo, porque agora a gente atende, sabe quem é pode atender ou não atender eu adoro ser atravessada por uma ligação que eu não esperava, que a pessoa não perguntou pra mim antes se podia me ligar
Nossa, mas isso é uma raridade hoje. É que eu tô com horror ao WhatsApp. Eu também. Como é que a gente vai fazer? A gente vai sair do WhatsApp? Então, eu fiquei um ano fora do WhatsApp. Fiquei, tipo, ano passado inteiro fora do WhatsApp. Tipo, o e-mail, as pessoas… Eu atendo o telefone.
algumas pessoas ficaram muito chateadas e reclamaram, e eu falo, gente, mas eu não tô dando conta, aí eu comecei a também dizer gente, eu tô com fobia, aí a pessoa respeita um pouquinho mais ah, ótimo porque eu agora também uso umas coisas que eu aprendi que aí acaba a conversa mais rápido quando você fala de fobia, todo mundo já dá uma patologizada é, entendeu? E você e libera mas é que eu acho que a gente não foi feito pra isso assim, de conversar com 30 pessoas ao mesmo tempo o...
Eu acho que a gente vai aprender a usar, não sei. Acho que a gente é muito cobaia dessa parada, né? Começou o quê? 2012? Sei lá de quando é o WhatsApp, é muito… Eu não sei, é uma loucura você ser invadida ao mesmo tempo e existir uma cobrança que você precisa estar disponível o tempo todo. Porque antes o telefone tocava, você podia atender ou não. Sim. Você poderia simplesmente dizer agora não é um bom momento pra entrar em contato comigo.
Ou porque não quero, ou porque não é o momento. E agora parece que sempre precisa ser o momento. É. Não, e você vai ficando culpado, né? Se você... Exatamente, você fica mal, se você não respondeu na hora, você... E às vezes... E tem conversas que não são feitas para...
que você tem que conversar, você tem que... Você precisa da simultaneidade, né? Eu tô falando aqui e não sei o que você vai falar. E aí eu vou ter que correr esse risco de não saber o que você vai falar. Senão eu tô na minha casa... E muitas vezes... Eu já ouvi meus próprios áudios 200 vezes. Gente, hoje em dia eu fico assim, que vergonha falar isso. Mas quantas vezes eu já me relacionei... E aí
inventando uma pessoa que não existia né, assim e me alimentando daquele sexo verbal e aí e também ficando meio afim de mim que eu achava meus áudios às vezes legais e tal e hoje em dia eu falo, caramba, mas gente, isso não é relação relação inclui
A simultaneidade… Claro que o WhatsApp é ótimo, mas… Eu não sei, eu tô num momento assim que, tipo… Também é uma coisa do tempo. Eu não sei se eu levei a sua pergunta pra um lugar que eu nem sei onde a gente tá. Eu amei pra onde você levou, porque onde eu tô levando a sua resposta?
Será que a gente genuinamente se conhece se todo mundo tem um tempo tão grande pra pensar no que vai responder? Porque se eu tenho a chance de ler, reler, raciocinar será que esse é o sticker correto pra responder aqui? Será que a gente só existe no espontâneo? Nessa risada que agora a gente acabou de… Entende? Então é muito filtrado. Mas eu quero voltar pra um outro assunto.
Você tinha 26 anos e se relacionava com um homem de 50. E eu fiquei curiosa com a Maria, de 26. Porque a gente tá falando sobre tempo se relacionar com alguém que está vivendo outro tempo de idade. Sim. Você queria pular etapas? Você mais nova, você queria ser mais velha? Sim.
Muito, sempre. Eu sou caçula. Meus irmãos são 9, 10 e 12 anos mais velhos do que eu. E eu sempre... Minha mãe sempre leu muito. E meu irmão também. Eu tenho um irmão que eu sou bastante próxima, que é o Otávio, que é acadêmico. E eu sempre tive vergonha dos meus gostos.
E eu sempre quis parecer, assim, eu me lembro que na faculdade as pessoas falavam assim, nossa, mas como você leu, né? E eu pensava, gente, tô enganando todo mundo. Eu lia a orelha daquele negócio, eu vi um Bergman e tá aparecendo. É porque eu sempre fui boa de parecer que eu sabia mais do que eu sabia, sabe? E...
Então, acho que no meu primeiro casamento, eu era, assim, eu tinha pânico dessa cena da garota de 20 com… Eu tinha 21, ele tinha 44, tinha, eu me julgava. Então, eu era muito séria. Eu era, tipo, assim, eu ficava indo ver…
Mostra de filme dos anos 60, sábado, 10 da manhã. Assim, tipo, eu era muito... Eu era muito séria. Eu era, tipo, uma nerd absoluta. Ficava vendo Ziga Vertov, expressionismo alemão. Eu queria, tipo, sabe? Eu não soltava o cabelo, não maquiava, não me arrumava. Assim, eu era, tipo, eu queria... Então, acho que quando eu casei com o Paulo, era, tipo, assim...
Eu sou do teatro. E eu sou... Entendeu? Eu não sou uma garota de vinte e poucos anos que quer... Burra, né, gente? Perdi momentos. Aí o que acontece? Aí a tolice vem com atraso, né? Aí agora, sempre que eu encontro o Sona Vieira, eu brinco, eu falo, Suzana, você é você, Suzana. Eu com oitenta vou estar com a mini saia aqui porque eu com vinte não usei.
Então, eu vou… A Miriam falou ontem que a meta dela é ser uma velha sem vergonha. É lógico, óbvio. Eu acho que eu quero ser o tempo… Desde já, eu quero ser sem vergonha. Em todos os sentidos que a sociedade puder dar. Você sabe que isso é uma coisa… Eu falo do Domingos Oliveira assim, né? Eu respiro, é uma coisa assim… Foi mal aí, gente. Mas o Domingos falava uma coisa que eu nunca esqueci. Ele falava assim…
Maria, a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi o seguinte. Eu não tenho vergonha de nada. Isso é muito lindo, né? E muito difícil. Pra mulher é pior. Pra mulher é pior. Porque faz parte do nosso adestramento sentir muita vergonha. Sim.
Olha isso, toda a sua performance de inteligência era por conta da vergonha de não saber aquilo que era compatível ao seu tempo de vida e tempo de repertório. E eu tô aqui balançando a cabeça, então deixa eu me doar um pouco pra você também. Eu fui igual.
Sério? Eu também namorei caras mais velhos. Eu também tinha um desespero de não conhecer as bandas em que eu ia para shows. Jura, Marcela, nunca imaginei. Que tinham… Achei que você ia bem resolvido desde que você nasceu.
Não sou nem agora direito. Não, você é essa. Não, acho que hoje em dia eu sou no sentido de... Gente, como eu não tenho vontade, ou não, eu tenho vontade de sair pra almoçar com aquela Marcela e falar, calma.
Porque essas pessoas são mais velhas, elas tiveram mais tempo. E tempo traz repertório. É imbatível, entendeu? Então assim, você não precisa ficar tentando se mostrar. Provar que… Mas eu tive um namorado que… Ele era muito chato comigo em relação a isso. Porque ele me botava bem pra baixo.
Adoro fazer uma exposição Não, claro Eu adoro ele, assim Beijo, mas assim, eu lembro Que a gente tava num grupo De amigos e tinha um álbum da PJ Harvey E Eu quero que você venha Eu amo PJ Harvey Eu também amo, tanto amo Que ele falou nesse grupo, esse álbum Ele é tão mais popular que os outros Que até a Marcela gostou
E era eu e várias pessoas mais velhas e mais coaches e pessoas do teatro. Sim, as pessoas total, é um julgamento total. E eu me senti assim, eu queria morrer. Eu acho que dali, provavelmente, formou um pouco da minha personalidade que hoje eu fico quase assim, meio livre de falar… Putz, eu…
Super tô assistindo BBB, gente. Gente, não. Você sabe que eu tenho uma coisa com BBB, que é o seguinte. Eu faço... Não vou dar tantos nomes, porque não vale a pena. Mas é...
Eu faço parte de alguns grupos que eu não vejo. Tá tudo arquivado porque eu não sei mais lidar nem com uma pessoa, nem com o grupo. Mas enfim, mas eu fico meio com dó de sair porque eu fico com medo de querer voltar e também porque eu quero que as pessoas gostem de mim, que eu sou precária. Enfim, tudo... É num banco totalmente ainda a pessoa que eu quero ser. Mas é um grupo assim, só cabeção.
E eu não sou, né? Assim, eu sou, tipo... Eu sinto que eu não pertenço a lugar nenhum. Porque as pessoas, com as cabeças, acham que eu sou frívola. Porque eu gosto de roupa. As pessoas acham que de roupa... Então, assim, eu falei, ah, gente... Quer dizer, e também as pessoas não perdem nem cinco minutos. Porque também ninguém tá tão interessado assim na gente. Também é uma loucura a gente achar que a pessoa também tá perdendo tanto tempo. E também um grande alívio.
Um grande alívio. Mas no início eu fiquei mal com isso, que eu queria ser especial. Tipo assim, agora eu tô entendendo que foi uma... Saí da prisão. Mas o Rick Rubin fala que todos nós somos especiais. Quem é esse? Me ensina. Desculpa. Desculpa. Desculpa. Ai, meu Deus do céu. Eu vou falar do Rick.
Vai, vai, vai. Humilha, vai. É, sério, porque assim, o livro dele é muito bom. É o Ato Criativo. Quem me apresentou foi Lela Brandão, muito minha amiga. E ele é o produtor de álbuns desde Johnny Cash à Ariana Grande.
A Red Hot Chili Peppers. Maravilhoso. E ele tem ensinamentos, assim… Nossa, é muito legal. E uma das coisas que ele fala é… Ninguém é especial porque todo mundo é especial. É maravilhoso, é isso. Porque não dá pra comparar o Bom Dia Óbvio com Maria Vai Com As Outras. Porque só a Marcela poderia falar do Bom Dia Óbvio e só a Maria poderia fazer.
Então vai dando uma liberdade. Total, mas é um lugar que você chega, né? É um lugar que você chega. Mas ontem eu tava jantando com uma amiga minha que eu sou muito fã, a Bárbara Rosenberg, que é uma grande advogada. E o meu namorado é pro tour musical e eu sou muito brega musicalmente. Eu gosto de... Quer dizer, eu até acho brega achar qualquer coisa brega, mas como eu ainda não sou a pessoa que eu quero ser, eu ainda acho as músicas... Enfim. E o Rico é todo cool, né? E ele escolhe as bandas do Tiny Desk, não sei o quê. E eu fico...
Ah, isso é muito cool mesmo. Ele é cool, ele é cool. E eu fico meio tendo um prazerzinho de mandar pra ele um negócio que eu acho bem… Tipo, porque eu falo assim, amor, olha isso aqui. Mas você faz o seguinte, ou fica sem ninguém ouvir. Quando ninguém tiver ouvido. Imagina, ele não gosta mesmo, assim. Ele nem fica me humilhando, nem nada. Mas aí a gente tava jantando os quatro. E aí eu falei, não, porque não sei o quê, da Anitta.
E aí, o Mário da Barra, o Fabiano, falou assim, mas que Anitta? Aí eu falei, não, Anitta, porque Anitta… Aí a Barra falou assim, Fabiano, a Maria é o seguinte, Maria é amiga da Carmen Lúcia e da Anitta, essa é a Maria. Eu achei aquilo tão maravilhoso, eu falei, realmente, gente, porque… e eu não tô querendo o… Ah, o BBB, lembrei, num desse grupo Cabeção.
Mas você tem um grupo no WhatsApp com a Carmen Lúcia e a Anitta? Não, infelizmente. Eu acho que você podia criar. Porque você podia… Já que você tem essa oportunidade, né, Maria? Porque assim, eu não tenho esse acesso. Mas assim, eu adoraria… Ela tá sem WhatsApp com a Carmen Lúcia, que ela é gênia. Ela saiu do WhatsApp, gênia. Ah, então eu vou sair também. Gênia, gênia.
Imagina poder pedir a opinião da sua vida e ter essas duas perspectivas. Imagina, gente. Não, mas eu não tenho coragem de viver. Eu tenho muito respeito pelo tempo. Eu também não alugo muito as pessoas. Assim, eu sei, eu tipo... Quando é um negócio desesperador, eu até... Mas eu fico assim, não, gente, eu não vou alugar. É que tem umas coisas importantes acontecendo no país, né?
Tem um tema. O pessoal ali tá com os filhos. Até eu tô tenta. Tá animada. Mas aí esse grupo eu falei assim. Cheguei pra uma amiga minha que também tava. Falei assim, olha só. Eu te pago um restaurante no, sei lá, no Gero. Se você falar do BBB nesse grupo.
Aí ela falou assim, não, Maria, que isso, tá doida, a gente vai ser cancelado, não sei o quê. Aí eu falei, por favor, ela não, não consigo. Aí eu peguei e falei pra ela no grupo, gente, fulana, como a gente comentou ontem, vocês viram que saiu o Guimei, foi o BBB do Guimei que eu tava psycho.
Cara, foi tipo assim, 15 comentários das pessoas assim, isso não existe, isso é uma coisa que, como assim você perde? E eu babando de prazer, porque eu me irrito muito com esse Brasil classista que divide a literatura, tipo, gente, desculpa, como é que essas pessoas querem se dizer democratas?
se elas não querem se comunicar e saber o que está acontecendo no Brasil. Poucas frases me irritam mais do que aquele jeito pedante de falar TV? Nem assisto mais TV. Aquele domingo talvez eu esteja assistindo The Wall.
Porque The Wall, pra quem não sabe, eu vou ficar brava. Quem não souber, porque as minhas ouvintes sabem que a gente precisa consumir. Gente, eu não sei o que é The Wall. Mas eu vou falar isso olhando pra vocês, tá? Eu não sei. É o quadro do Domingão do Hulk. Eles podem ficar milionários. Eles fazem isso, são quizzes. É o quadro do Domingão, do Luciano Hulk? Aham.
gente, pera, a gente tem que anotar duas coisas então, o Mu viu? viu como olha a utilidade aí Rick Rubin, The Wall, Luciana Huck Anitta Carmelucci eu tô falando, porque como é que você vai e eu explico de verdade assim porque, gente eu sou um comunicador no Brasil
Como que a gente vai ficar bitolado em coisas ultra que são considerados cult? Porque, sei lá, se cult vem de cultura, e cultura é o espírito do nosso tempo… Sim, total. Qual que é a diferença daquilo que é nichado pra aquilo que é popular? O que é popular vai dizer muito mais sobre o que a gente tá vivendo. Total.
Do que um pequeno nicho tá consumindo. Até falei nuxo, você viu? Eu até me perdi. Mas eu acho bom. Nuxo é bom. Uma palavra que a gente pode inventar também. Eu tô adorando. Depois que eu li o Caetano Galindo, vou agora também dar uma de... Você tem que ler. O Caetano Galindo é um escritor e linguista e tal. E ele escreveu um livro chamado Latim Pó.
que ele fica falando dessa caretice que a gente tem com relação à língua, com a ultracorreção gramatical, que a gente precisa absorver a gramática da rua. Que problema não é o certo e problema é errado. Não tem certo e errado.
Então, é claro que a gente quer que todas as pessoas estudem e tenham acesso. Agora, não existe isso. Não tem o dialeto da rua. A língua é viva. Sim.
a língua é viva. Então, até isso também. E hoje em dia, então, que agora eu não enxergo mais, né, tô com vista cansada, eu não corrijo mais. Eu já tô comprando o WhatsApp. Se eu vou ficar corrigindo, às vezes, eu outro dia falei assim, uma amiga minha falou, você tá vendo o meu quadro? Eu falei, não, tô achando o seu quarto ótimo.
Eu escrevi, ela falou, seu quarto? Eu falei, não, eu escrevi errado, gente. Ah, não, mas isso é uma coisa que eu não tenho mais tempo, que é eu escrevo tudo errado no WhatsApp. É uma pergunta que eu queria entender, porque pra mim você sempre foi a referência, não só de uma mulher muito inteligente, não pare de falar que você não é cabeçuda, porque pra mim você é muito cabeçuda. Não, não, eu sou, mas eu sou esperta, eu pareço mais que tudo bem. Eu acho que eu sou inteligente, eu não sou culta como as pessoas acham que eu sou, mas eu acho que sou bem inteligente. Mas quando foi que você...
Talvez tenha entendido que ser uma mulher com voz e não só com imagem tem um preço. Desde sempre. Assim, eu me lembro a primeira vez que eu comprei uma briga com um porteiro de um clube no Rio de Janeiro. Porque a minha mãe e meu pai tinham separado. Minha mãe foi me buscar numa aula. Ela não pôde entrar. Eu tinha, sei lá, oito anos. Eu cheguei na portaria. Ela tava chorando porque, enfim, era um clube que ela frequentava. Enfim.
É, boa, Lelite, não sei o quê. É isso mesmo. Eu me lembro que eu briguei, assim, com o chefe da portaria. Porque ele tinha sido muito rude. Ela tinha ido me buscar. Em um clube que ela frequentou a vida inteira. Mas que ela tinha deixado de ser sócia. Porque ela se for do meu par. E eu briguei, tipo assim. Não deixaram ela entrar no clube? Pra me buscar, é. Porque ela não era mais sócia.
E não tinha telefone, enfim. Então, quando eu soube, tava uma confusão. Cheguei na portaria, ela tava super mal. Porque aí entrou, chegou, passou a amiga dela. Enfim, gente. Quando você tinha? Eu tinha oito. Tá. E eu botei o dedo na cara do cara, assim. Falei, você… E eu me lembro da sensação muito clara de ter sido uma coisa que eu sabia que eu tinha feito a coisa certa.
Mas eu demorei muitas horas pra voltar pra um estado, pro meu corpo voltar do estresse, assim. E isso é uma coisa que, então, desde sempre, assim, porque eu tenho problema com injustiça seríssimo. Às vezes eu não consigo nem, às vezes eu não leio o jornal. Tem momentos da minha vida que eu fico alienada.
Porque eu sou tão tomada por aquilo que se eu for entrar, eu vou entrar às últimas consequências e tal. Agora, nesse mundo mais público assim...
Eu acho que quando eu fui chamada pra fazer o Saia Justa, e era uma coisa que eu sempre sonhei, eu olhava e falava, gente, eu tenho que fazer, eu sou a cara do Saia Justa, juro. E quando me chamaram, eu não acredito, fiz teste e tal, e fiquei super feliz. E ali, eu falei, nossa, eu adoro ser atriz, mas eu acho que eu tinha feito jornalismo, então eu sempre fiquei nessa dúvida, se eu ia ser jornalista, se eu ia ser atriz, não sei o quê.
E aí eu falei, não, eu gosto de falar, eu gosto de dar opinião, eu gosto de me comunicar, eu sou uma comunicadora. Mas veio um preço muito alto, inclusive na minha carreira de atriz.
Então eu fui entendendo e durante muito tempo eu me degladiei com essa questão. Não, vou parar. Quando eu saí do SAI eu falei, não, nunca mais vou fazer nada de dar opinião, não sei o que, nananã. Só que eu gosto. E eu também gosto de ser atriz. E tem umas pessoas que falam assim, ai não gente, atriz tem que ser, se preservar. Eu não sou, eu não sou essa pessoa. Eu não me preservo, não me poupo. Eu converso, eu entro no táxi com os férsicos, eu gosto de conversar, entendeu?
Então, mas eu também acho que agora tá tudo bem. Tipo, é isso aí. Também, não dá pra quem não gosta, também tudo bem, né? É porque essa sua relação com a raiva também me interessa muito.
Como assim minha relação com a raiva? Como assim? Porque me parece que você não tem problema em sentir raiva. Nenhum. E eu tenho me libertado também um pouco. Porque dentro de uma ideia feminina e do que tá se criando, as mulheres são cada vez mais mudas.
Se você entrar nas redes sociais, hoje a gente vê imagens muito estáticas das mulheres. No máximo, é um vídeo ali de dois minutos, talvez tenha uma trilha sonora, ou elas falando o que eu comi nesse dia. Mas você ter essa indignação, vai, mas que também tem a ver com a raiva, você se permitir se irritar é libertador pra mim. Porque…
Eu já fui muito mal compreendida com essas minhas irritações, entendeu? Mas eu acho que essa parada de ser essa… De sentir raiva, não sei. Eu acho que é uma coisa de sobrevivência, Marcela, assim. Eu, às vezes, fico com… Assim, ah, poxa, será que eu não deveria ter sido mais…
protegidinha, em alguns momentos, assim, onde eu tive que ser a forte, quando eu ainda não tinha idade pra ser a forte. Mas aí é a vida, entendeu? Então, se você tem pessoas à sua volta que, de alguma forma...
são mais frágeis, não conseguem se impor e tal, não sei o que, você vira, se a gente... E aí depois, obviamente, você vai fazer a análise e vai tentando parar as arestas e ver o que você quer continuar. Mas as coisas que acontecem com a gente, assim, sei lá, de quando a gente nasce até os 15, são muito...
É difícil ali, é uma estrutura forte, né? É, porque eu também demorei a perceber que fica um pouco cômodo quando você é a pessoa que vai na frente. Então, quando te pilham num ambiente privado, porque sabem que você não vai aguentar.
Porque essa coisa de deixar transbordar é uma incapacidade também de sustentar um desconforto da falsidade mesmo, né? Então eu sempre fui a pessoa que… Tem um grupo ali que tá falando muito mal de alguém. Eu vou ser a primeira a falar pra pessoa o que eu penso. E com o tempo eu percebi que eu era porta-voz daquilo que as pessoas se recusavam a ser honestas com as outras. Sim. E isso faz a gente ser muito mal compreendida, assim.
E além do que, é uma coisa também, uma hora que a gente começa a perceber qual é a nossa vaidade de estar ocupando esse papel. Sei. E até que ponto esse papel vale a pena. Porque também é uma coisa da gente falar assim, ah, eu, ninguém banca, mas eu, eu tô, assim, eu não tenho problema de falar que eu tenho raiva, mas eu…
Estou o tempo inteiro, atualmente, como eu te disse, fazendo as pazes, tentando falar, gente, tá bom, estou realmente escolhendo cada vez mais as brigas, porque eu sou aquela pessoa que às vezes...
Eu brigo até pra não chorar, porque eu sou muito chorona e muito sensível. Então, eu quero parecer, assim, durona, porque senão podem me machucar, sabe? Eu acho que é exatamente por isso que raiva dá muito mais vontade de chorar do que tristeza, pra mim. Sim. Como, assim, se eu tô com raiva, é aí que eu vou chorar. Sim.
Vou fazer um corte brusco, mas é porque eu preciso te perguntar sobre isso. Que é, ok, entendi. Performando um lugar cult que também não combina com fama. Porque fama tem a ver com você falar com muita gente. Quem é cult de verdade não fala com muita gente, fala com poucos. Mas quando você percebeu que você estava se tornando famosa…
E isso atrapalhou seus relacionamentos amorosos? Perguntei logo, Maria, porque eu preciso saber. Claro, nunca parei pra pensar sobre isso. Acho que famosa é muito relativa. Outro dia eu entrei no táxi em Congonhas, aí alguém vem pedir autógrafo, o motorista falou assim, você é conhecida? Falei, não sei. Acho que, ah, de algumas pessoas. Eu trabalho com televisão, mas conhecida...
relativíssimo, né? Então procuro não acreditar. Mas eu, ao mesmo tempo, fico super feliz quando alguém vem. Eu gosto de aparecer. Eu sempre gostei desde criança. Ia lá cantar o hino lá na frente. Gostava. E dos relacionamentos amorosos, assim, só é chato quando você vai sair com alguém e você ainda não tá, assim, tipo... Sei lá, tem um Google meu que eu saí uma vez com a pessoa.
E tem foto. Aí eu fico assim, poxa, esse Google aí não precisava, porque…
Nossa, mas devia ter uma ética, né? A partir do terceiro date, pelo menos. É, assim, mas também, enfim, mandei mal também, né? De não ter, enfim… Porque teve um date no Jobi? Não foi no Jobi, mas foi no Leblon. Mas em uma época que não tava mais… Não tinha mais coisa de paparazzi. Tinha que acabar. Eu sabia quando tinha, entendeu? E não tinha, então… Ao mesmo tempo, eu tenho uns Googles errados, né? O Google fala que eu namorei o Du Moscovitz, que eu acho um Google excelente.
Gostaria de manter essa fake news? Né, Du? A gente mantém Ah, eu manteria Não é? Não, bom Mas assim, fica essa coisa Teve uma época que logo que eu separei
do Caio, né, eu fiquei casada muitos anos eu mendei o casamento do Paulo casando com o Caio, e tipo, eu namorei pra caramba e eu ficava meio assim, ai gente o que que as pessoas vão achar o que que a minha tia o que que não sei o que eu ficava muito assim, eu falava poxa, chato ser famosa porque eu não queria, eu queria tipo pegar geral, que eu queria mas eu não queria pegar geral e que tudo fosse, entendeu pro Google Brasil
Então, meio chato. Agora, ao mesmo tempo, eu fico assim... Me irrita um pouco também a pessoa que reclama muito de aparecer. E a pessoa ralou muito pra aparecer. Porque, gente, eu ralei muito pra ser conhecida. Eu sempre quis. Sempre quis que as pessoas viessem falar comigo. Eu sempre quis que as pessoas gostassem de mim. Então, assim, é chato 10% das vezes. 90% das vezes eu fico amarradona. Eu lutei muito pra isso. A gente falou no episódio... Falando sobre o corpo.
Há dois episódios atrás, e eu tava aqui com a Luanda Vieira, ela falou que ela tinha uma meta de carreira até os 30. Já teve metas numéricas de idade? E você completou alguma com os 50? Eu acho que eu tinha, sim. Eu nunca tive meta de idade, mas eu me lembro que eu falava assim, eu quero ter um grande papel no cinema. E quando a Laís Bodanche me chamou pra fazer Como Nossos Pais, eu falei...
Ganhei. E nunca fiquei pensando assim, ai, nossa, nunca vou fazer nada tão legal. Eu pensava assim, posso fazer agora, posso fazer outras coisas. O que eu queria, um tá bom. Claro que eu quero fazer outras coisas, mas eu fiquei muito, assim, foi um papel que me deu muita alegria, que mudou a minha vida, que me tornou feminista, que não sei o quê.
Então tinha um pouco isso, assim, de eu falar uma peça que era mais isso. Mas agora eu tô cada vez menos pilhada com o trabalho. Quer dizer, mentira, eu sou pilhada pra caramba com o trabalho. Todo dia eu invento 850 mil projetos. Mas eu tô muito assim... Outro dia eu fui jantar com a Maria Flor. E a gente não se via há um tempo, a gente ficou dozóis. Ela falou assim, mas, pô, a gente nem falou nada de trabalho, né? E eu falei, cara, que bom, né? Que bom. A gente não falou, a gente esqueceu.
Tipo, a gente tá com... Falando de... Então é muito legal também quando... Eu quero trabalhar menos. Eu ainda sou muito agitada e eu gosto muito de fazer coisa. Mas eu quero conseguir trabalhar menos. Porque eu fico muito feliz lendo. Eu gosto muito de viajar. Eu gosto... Eu adoro também não fazer nada. Adoro não fazer nada. Aí depois eu fico louca e quero fazer tudo. É isso.
É isso, é isso. Mas por que se tornou-se feminista no Como Nossos Pais?
Porque tinha isso no roteiro, né? Tinha falas, assim, no roteiro. Primeiro, a personagem era uma personagem que vivia com essa questão, né? Uma relação muito difícil com a mãe. E um marido que era um cara bem esquerdomacho, assim, tipo... Que trabalhava com indígenas, que era tudo maneiro, mas que era ela que segurava a onda das filhas. E a personagem tinha esse discurso, assim. Ela tinha uma fala muito maravilhosa, que eu sofri muito pra dizer.
que eu virava e falava para o personagem do Felipe Rocha, que eu era casada com o Paulinho Vilhena e tinha uma história com o Felipe Rocha. E eu falava assim, não, eu quero experimentar vários homens.
Pra poder comparar. Eu não conseguia falar, eu lia essa fala e eu falava, gente, eu não consigo. Eu tava casada há 12 anos. Eu não conseguia. E eu achava aquilo, eu julgava. Eu achava assim, gente, pra poder comparar. Como é que a Laís escreveu? E meio assim, sem graça de também dizer que eu tava achando aquilo difícil, assim. A gente tava gravando aqui em...
em Santa Cecília, andando num supermercado. E eu me lembro que eu peguei e pedi pra produção assim, falei, gente, rola aí um vinhozinho, né? Porque eu não conseguia falar aquilo.
Só que eu comecei... E a personagem falava. Sou feminista, não sei o quê. E até então, eu não me considerava feminista. Eu não falava sobre o assunto. Eu não tinha essa... Eu sempre tive muito prazer em elogiar mulheres. E sempre gostei de gostar de mulheres. E de gostar em voz alta, assim. Eu acho que a gente tem que dar feed pra outras mulheres, sabe? Tem que... Mas eu não tinha... Eu não tinha...
E aí, a partir desse filme, eu falei, não, eu sou feminista. E aí, depois, comparei. E a sua noção e ideia do que é prazer mudou muito dos 26 pra agora? Ah, mudou muito, mudou muito. Eu não tinha menor, eu era muito, muito pudica e muito reprimida mesmo. Tive uma educação muito assim, sei lá, eu acho que eu…
Pintei a unha de vermelho com 30. Tipo, eu não usava batom. A minha mãe era super assim, não. Isso é vulgar, isso é vulgar. Não sei o quê. A unha vermelha era vulgar, batom vermelho era vulgar. Eu tive uma criação muito...
E a minha mãe era, assim, venho de uma coisa muito careta, assim. Então, hoje em dia, eu falo com o meu namorado sobre sexo. Eu não transo quando eu não tô afim, entendeu? Eu falo, isso eu gosto, assim, eu não conseguia.
Tipo, eu não falava, era um tema assim. Esses dois assos, dinheiro e sexo. Eu fui falar, juro, depois dos 40. É muito louco, né? Porque se faz, mas não se fala. É muito louco.
É muito louco. E como é que você vai... Você tem que avisar, né? Igual a gente avisa pras amigas, assim, olha, isso aqui... Essa brincadeira eu não gosto. Ah, eu beijo, eu prefiro assim. Sei lá, você tem que ir. Eu gosto assim, não gosto. Eu prefiro essa posição. Você vai chegando num...
Não ajusta, assim. Claro que não é um negócio que vem num segundo, você precisa de intimidade. Eu, pelo menos, preciso de... Eu gosto de intimidade. Mas é naturalizar, assim, gente. É uma conversa. Dinheiro também é outro assunto que, tipo, eu ficava tensíssima. Era uma coisa que não existia. Hoje em dia eu tô começando a ter prazer de cobrar. De dizer, não, não faço. Paga quanto pra fazer isso? Não, é só porque... Não, então não faço.
Muito bom. É muito bom, é muito bom. É muito bom, é muito libertador. É libertador. É libertador porque, assim, você tá dizendo, olha, é isso que eu... É o meu trabalho, sabe? É o meu tempo, e é o que eu sei, é o que eu posso oferecer. É, porque tem uma coisa assim, a gente trabalha com comunicação, é assim, Marcela, faz um videozinho aí, não sei o que, não é? Gente, vai falar pra gente, faz um videozinho aí, vai falar pra mim, vai fazer um videozinho. Não, fala qualquer coisa. Gente, não, eu sou escritora, eu sou apresentadora, eu vou escrever um... É, o que...
São sete horas do meu dia. Não vai fazer um videozinho aí. É, e você não pede também pra outros prestadores de serviço pra fazerem rapidinho aí qualquer outra coisa, entendeu? E a gente tá trabalhando, a gente quer ganhar dinheiro. Essa coisa de ser ambiciosa também é uma palavra que pra mulher não pega bem, né? Combinava com solidão. Ou ainda combina, né?
Total. Mulheres ambiciosas vão morrer sozinhas. Nossa, Marcela, total. Óbvio, eu nunca tinha pensado nisso, é verdade. Claro, porque a ambição é a ideia de que você quer poder. E a mulher quer poder, ela não pode querer amor, ter filho. Total. Eu lembro que uma vez, uma amiga… E é engraçado, né, eu tô falando com você. Parece que você tá desbloqueando camadas de uma outra Marcela, assim.
Eu devia ser adolescente. E ela falou, ah, acho que você não vai ter filho não. Porque com certeza você vai ser bem-sucedida. Mas filho você não vai ter não. E às vezes vem a voz dela pra cima de mim até hoje. Que louco, né? Eu não tenho ainda, mas eu quero ter. Que louco. Ah, eu acho uma delícia. Eu acho filho uma parada… Você recomenda? Recomendo muito. Eu acho incrível.
Eu não acho que seja uma coisa assim que nos torna melhores, no sentido de que quando a pessoa fala assim, ah, não, eu deixei de... Eu agora não sou mais o centro do mundo, o centro do mundo é meu filho. Não, desculpa, seu filho é você. Seu filho é você. Seu filho é uma extensão de você, é uma coisa egóica, narcisista. Então, assim, eu tenho certeza que a minha maternidade há um narcisismo nela. Porque, primeiro, que eu quis ter pessoas me amando muito, né?
E aí, tipo, rolou. Então é incrível. Agora eu tô num momento que eu tô assim Ah, entendi qual é o jogo. O jogo é, você vai ser muito amada, muito especial. Você vai receber toda aquela dopamina e depois você se vira porque a galera vai, ó.
Tipo, valeu mãe, beijo e tal. Então é muito doido, porque eu acho que agora talvez o meu amor esteja mais legal e mais genuíno do que nunca. Porque eu tenho menos, eu recebo menos em troca. Então agora eu me sinto assim, bom, agora tá maneiro. Porque tipo...
Eu tenho que torcer pra que eles... Imagina, eles têm 16 e 22, estão grandes. Assim, torço pra que eles se libertem totalmente? Não. Gostaria que eles mantivessem, assim, minimamente uma dependência, assim, entendeu? Um pouquinho. Agora, também não faço... Torço no meu íntimo precário. Mas faço de tudo pra que eles... Precisem cada vez menos de mim.
Isso é muito bonito. Isso é muito bonito e muito generoso. Marcela, é muito bom. Tenha, é muito bom, é muito bom, é muito bom. E é uma... Ah, sei lá. O cheiro, o bafinho de manhã da criança. Eu não sei, gente. Eu acho um negócio que realmente me... Foi um momento glorioso da minha vida. Foi um capítulo assim, a infância dos meninos. Tipo assim, casamento, acho super legal. Eu casei duas vezes. Acho incrível. Recomenda? Recomendo.
mas se você fala assim, recomenda mais casar ou ter filho recomendo mais ter filho tá bom, você mora junto agora? não, eu moro no Rio e o Rica mora em São Paulo recomenda? recomendo agora eu tô meio com saudade tô ficando mais com saudade mas foi muito legal até aqui porque os meninos também eu moro com os dois
Então, eu achava que não cabia também muito colocar uma pessoa em casa ali com eles. E também é muito... Isso também é muito legal. Quando eu separei do Caio, o Bento tinha, sei lá, oito, o João, quinze. Eu, no início, estranhei muito aquela mesa que era de quatro ser de três, assim. E depois eu comecei a viajar direto com eles. E eu falo assim, gente... Eu olho assim pros dois e falo, caramba, nós três, assim, a gente é uma família completa.
nós três e aí agora tem outras, assim, o Rica tem dois filhos menores o José e o Francisco tem nove, onze anos, são pequenos, então eu tenho eu venho mais pra cá, porque os meus estão maiores, mas eu achei que tipo não
Eu também não fiquei mais com a necessidade de reparar a família. Eu acho que do primeiro pro segundo casamento eu falei ah, não, vou reparar a familhinha. E não, essa familhinha não tem reparação. Você vai fazendo novos acordos e novos encontros e aqueles lutos das separações fazem parte de você e tal. Mas eu acho muito legal morar em casas separadas. Essa coisa também de ficar junto.
Eu até tô sentindo falta, atualmente, de morar junto. Eu gosto de morar junto. Mas o grude absoluto, que foi uma coisa que eu vivi, sobretudo no meu segundo casamento, de tudo junto, isso aí não me pega mais. Nem eu. Também já estive lá. Não, né? Não, não, não. Não precisa, né? Não, porque aí começa a rolar um luto identitário.
Vira irmão, começa a... É uma coisa assim que... E eu acho uma sacanagem com o amor. Quando eu vejo amigos que moram, assim, casados há muito tempo, as pessoas vão cancelar total que eu tô falando mal de... Mas é que assim, eu vejo... Você não falou mal de nada até agora. Eu vou te defender de você mesmo, é? É, então deixa eu pensar alguma coisa pra falar mal, pra gente dar uma causa de...
É, porque eu vejo às vezes pessoas que eu vi muito apaixonadas e que de repente grudaram e aí tiveram três filhos. E hoje em dia, acho que filho também, criança é feito pra ser criado por uma galera e não rolou isso, não tá rolando, né? Não deu certo a coisa de criar com a vila, não rola. Então fica uma coisa pesada pros dois. E aí eu vejo pessoas que...
que eu vi aquele, eu olho aquele amor em todos aqueles anos e eu tenho vontade de falar pra eles, assim tem um casal de amigos meus que tal e eu falo assim, gente, deixa eu contar pra vocês uma coisa vocês se amam muito é que a vida, essa é uma o casamento o convívio, três filhos e é muito violento gente, vocês estão querendo lutar contra uma coisa que... eu adorei um, é uma sacanagem com amor e aí e aí
É, mas não é. Porque é uma... É querer botar o amor numa coisa de... Caraca, o amor é tipo super-homem? Não. O amor você tem que cuidar, gente. Ele também precisa de cuidado. As coisas não são os pontos. As coisas dão trabalho, né, Marcelo? Não. Especialmente relacionamento. Tudo dá trabalho. E você tem que pegar. E não é uma coisa natural, né? Igual amizade, assim. A vida afasta as pessoas.
Você tem que fazer força pra encontrar. Quando eu falei relacionamento, eu pensei mais em amizade, tá? Sobre o dar trabalho. Ó, mas aí a gente tem esse gap geracional, né? Eu já falo, o relacionamento pra mim já é o relacionamento amoroso. Olha que coisa… É, porque quando eu era muito firme sobre relacionamentos, darem trabalho, eu tava numa relação não saudável. E hoje eu tenho muito cuidado quando eu falo que relacionamento amoroso dá trabalho, porque eu acho que não tem que dar tanto. Tu tem que tomar muito cuidado com esse termo.
Sim, sim, sim. Mas as amizades, se você achar que elas vão se sustentar sem nenhum esforço… E sem nenhum BO. Vamos naturalizar o BO nas amizades também. Claro. Né? As pessoas que você mais ama, você vai ter um BOzinho. Você vai. Porque você vai se permitir descer máscara. E quando desce a máscara, aparecem partes não tão legais. E às vezes a sua parte não tão legal vai encontrar com a parte não tão legal do outro.
E aí depois a gente vai fazer as pazes. Porque fazer as pazes também é ótimo, gente. E total. E às vezes você tem momentos que você tá mais afastado. Às vezes você aproxima. Nas amizades. Nos relacionamentos amorosos. Também tem momentos que você pode estar grudado na pessoa. Mas você não tá tão conectado. Também.
Tudo bem, assim, né? É porque a gente tá tão pilhado com a liquidez, né? De, ai, não, vou trocar então. Vou trocar aqui o telefone, vou trocar a amiga, vou trocar o namorado. Faz um jantar com os amigos, você não vê um tempo. Fala que aquele grupo já não tem nada a ver comigo. Calma. Calma. Calma. Total. Calma. Total. Porque daqui a pouco reencontra. E… Assim…
Às vezes dá uma preguiça, né? Porque a gente tá vivendo num momento em que é tão fácil. Você entra num looping, né? Você sai do banho, tá de toalha. Quando você vê restaurantes nos stories, assim. Nossa! Eu não vou sair pra juntar com ninguém hoje. A gente vai. Vai, vença a preguiça. Vai sem vontade.
que você vai ver que é igual fazer musculação. Você vai sem vontade. Mas depois você volta e fala, cara, ainda bem que eu fui. Porque o outro é uma tecnologia incrível. Porque às vezes você tá mal com o seu problema. Aí você ouve o outro, o outro também tá mal. Porque a vida é difícil. Abastece. E aí você...
você muda o ponto de vista até do que você tá. Inclusive, às vezes você vai pra ajudar alguém e você se ajuda. Eu, de modo geral, prefiro não ter medo, assim, de conhecer as pessoas, de conversar, de dar... As pessoas vão falar comigo na rua, se eu tiver com o tempo, obviamente, se eu puder, eu paro pra ouvir, assim. Até porque, se não também, eu acho meio desonesto, Marcela. Porque eu acho que a gente promete uma proximidade que...
Não que a gente tenha que cumprir da pessoa que eu odeio quando a pessoa fala assim, recebeu o meu negócio, leu. Não, gente, você me deu, eu não vou ficar, né? Não é pra mim? Mas calma, prometeu proximidade e não pressa, né? Exatamente, não. E uma proximidade que é X, obviamente. Mas eu também acho muito estranho você falar assim, não, não tenho nada a ver com isso.
Só o que eu tô aqui dando pra dar é o que eu tô aqui, tô aqui, entendeu? No óbvio. E se você vier conversar comigo na rua sobre uma coisa que eu falei aqui que te tocou, eu não tenho nada a ver com isso. Não, não tem como. E eu também assim. Por que a gente adora gente? Porque a gente pode ficar às vezes... Eu amo gente. E às vezes eu falo...
assim, pros meus filhos, pros meus namorados gente, olha só, eu quero ficar sozinha, antigamente eu mentia antigamente eu falava assim gente, mamãe vai escrever a coluna aí eu sempre falava um negócio assim, chique mamãe vai ali, não sei o que nossa, falava muito isso até pro meu ex-marido, assim, eu vou estudar não sei o que, aí ligava no Viva
E eu ficava vendo uma novela de 1800 e... Tipo assim, gente, fazendo a coisa mais estranha. Mas assim, fechado no quarto, o computador configura que tá... Agora eu falo assim, gente, eu não quero me relacionar um pouco, eu quero ficar duas horas. Aí tipo, eu tranco a porta. Eu amei. E às vezes o Bento... Mãe, eu falo, manda mensagem. Ele no quarto ao lado. Eu falo, manda mensagem. Ah, eu quero aproveitar pra dar uma dica.
Nessa coisa de preguiça de encontrar com as amigas. Que agora eu e minhas amigas, a gente tem uma coisa. Quando a gente… Todas nós temos preguiças. Vamos ser honestas, não é falta de amor. Gente, eu tenho muita preguiça, muita preguiça. A gente combina de ir feia. Isso é muito bom, gente. Vamos feia? Nossa, aí eu falo, eu tô indo horrorosa. Eu tô indo com a minha dermatite. Gente, isso é muito bom. Vamos bem feia, sabe assim, cabelo sujo. Porque já vem-se a barreira da performance, né?
Total. E dá preguiça mesmo de se arrumar. Então vamos todas muito feias aí. Chegou uma mais feia que a outra, é maravilhoso. E sabe o que eu acho que também você podia incluir, que pode ser bom? Eu vou roubar isso. Vamos desinteressante? Vamos desinteressante!
Vamos feia e desinteressante. Porque, tipo assim, qualquer coisa vai ser lucro. Porque você tá indo feia e desinteressante. Eu só tô indo porque eu te amo. Ai, Mari, eu preciso finalizar. Eu tenho dois quadros finais. Vambora. Primeiro deles. Acho que a gente falou um pouco sobre isso, mas... Quero saber qual que é a sua fissura do momento. No que você está fissurada. Ai, gente, eu tô fissurada na pior série da história.
que é do John John e da Caroline Bacet. É que não é da sua época. Eu vivia os anos 90. Então, eu era aquela pessoa que ligava pro rapaz, ouvia ele falar alô e desligava. Aquilo era muito bom. E é uma série... Bom, primeiro, eu sou bem jeca, assim. Eu gosto de The Crown, eu gosto de família. Eu sou uma... Ah, é um horror isso. Porque sou uma pessoa tão de esquerda, mas eu gosto de família real. Tudo bem.
Então, assim, eu mesmo lido com essa minha contradição. Eu sei que tá tudo errado, que eles roubaram os povos. Enfim, é horrível, mas eu gosto. Sou fissurada na princesa Diane. É uma coisa horrível. E o John John, filho do John Kennedy, da Jackie. Eu gosto de moda, não sei o quê. E eles são... E é uma comédia romântica. Eu amo comédia romântica. Porque na hora de dormir, eu não tenho capacidade de mundo. Eu não posso absorver o mundo. Eu não posso entrar no... Eu não posso...
Coisa de notícia, senão eu não vou dormir. É que o mundo não dorme, é. Eu não consigo. Não, e eu sou muito esponja, então eu preciso ver comércio. E eu gosto comércio romântico também. Eu vou ficar aqui dizendo, eu gosto comércio romântico. Até no meio da tarde eu gosto comércio romântico. Então eu tô vendo essa série que eu tô obcecada. Porque aí eu entrei nessa onda dos anos 90. Então eu tô ouvindo as músicas dos anos 90. E aí eu fico vendo, eu gosto de coisa que é embaseada em fato. Falou embaseada em fato de rádio pra mim é...
Ferrou. Eu gosto do documentário. Aí eu vejo, já dou Google na pessoa, quem faz quem. Aí já fico obcecada. Então eu tô obcecada pra essa série. Que eu acho os atores meio canastras. Eu acho tudo meio cafone. E mesmo assim, eu amo.
E é isso. Acho que é isso. Essa série é horrível. Eu amei. Eu amei. Eu vou assistir. Eu tô vendo as pessoas comentando muito sobre o figurino, né? Porque parece que é um… É, mas eles são… A atriz é uma gata. Ela é péssima e eu tô apaixonada por ela, gente. Mas ela não é péssima, gente. Sei lá.
E a pergunta final, na verdade, é você quer me perguntar alguma coisa? Ah, eu quero te perguntar eu ia perguntar do seu irmão porque eu sempre achei, eu tô escrevendo um livro que fala de gêmeos mas são duas irmãs gêmeas eu sempre tive muita inveja
De quem é gêmeo. Porque eu fico achando que deve ser… Tem todo lado difícil, óbvio. Só que no teu caso, você é mulher… E eu fico achando… Pra mim, quando eu era menina, era a minha ideia de… Ai, eu quero ter filhos gêmeos. Uma menina, eu achava isso assim, tipo, sorte grande. Tua mãe teve tipo, natural? Totalmente natural. E…
Eu acho invejável. Eu acho que é uma das coisas mais maravilhosas da minha vida. É uma sorte! Não só porque meu irmão é uma pessoa muito fora da curva em muitos sentidos. De generosidade, de inteligência, de uma performance de masculinidade muito antes de qualquer discussão que…
Assim, talvez ele possa ter sofrido em alguns momentos, mas que eu… E o quanto ele me defendeu. Talvez você quisesse disso. Mas o meu irmão me defendeu do machismo antes de eu entender alguns atos machistas.
Então, meu irmão foi o meu grande aliado de que a gente deveria, dentro do nosso microcosmo, ter direitos iguais, assim. Então, e eu sou completamente apaixonada pelo meu irmão. E você não acha que, irmão, eu tenho um irmão que eu também sou muito próxima, e eu fico achando que é das relações… Você viu o valor sentimental?
Ainda não preciso. Nossa, você tem que ver, é incrível. Porque tem duas irmãs e tem uma cena. Eu fico achando que irmão é uma coisa assim… É um casamento sem as partes… Tem uma coisa muito interessante, eu acho. E eu sempre tive curiosidade, mas eu queria saber se era uma coisa que você tinha essa consciência o tempo inteiro de que você…
tinha tirado um bilhete de loteria premiado, assim. Eu sempre respondi, porque as pessoas sempre foram muito curiosas. Desde que eu nasci, então assim… Eu tô arrasada de não ter tido uma pergunta original, mas tudo bem. Vai. Tudo bem, vai, vai. Não, aqui nunca me perguntaram. Não? Não. Tá. Mas eu acho que durante muito tempo eu não entendi.
Eu falava, ah, mas eu não sei o que é teu irmão mais velho ou um irmão mais novo. Apesar de eu ter crescido, eu queria muito ter uma irmã. Muito. Mas hoje eu reconheço que a minha prima foi muito minha irmã. Então, não é porque é um outro formato de laço. Mas eu acho que…
Cara, é bem o que você falou. Porque, claro, quando irmãos não se gostam, e acontece, né? Acontece. Tretas, famílias, não tem nenhuma pressão. Ah, você tem que amar o seu irmão. Mas acho que quando a gente se gosta, é isso. É um time. E eu, minha mãe e meu irmão, fomos uma família de três. Olha! Igual vocês. Então, quando você fala isso, é time. E aí, a gente vestiu muito a camisa. Então, acho que ter um irmão gêmeo, um homem, primeiro. Eu não faria…
O meu trabalho, se não fosse isso. Porque é um laboratório. Então, crescer observando o que o meu irmão podia, o que eu podia perante a sociedade. E a minha mãe, outro dia, estava comentando assim, nossa, Marcela, você me dava umas surras quando você era novinha, porque assim, o meu irmão começou a namorar, e aí a namorada dele começou a dormir lá em casa. E aí eu comecei a namorar.
E eu fui até minha mãe, falei, ó, meu namorado também vai dormir aqui, né? Porque a namorada do Rodrigo tá dormindo ali.
E ela falou, Marcela, passei um ano tratando na análise como você me escancarou o fato de que eu sempre falei que eu ia dar uma educação feminista e você chega me falando agora recebo em casa. Então, eu acho que ter esse espelho ali foi muito importante pro meu trabalho, nas minhas micro revoluções ali. Mas também porque o meu irmão é muito gente boa.
Que lindo, que lindo. Gostou? Gostei, gostei. Quero saber mais, quero saber mais. Porque eu quero, até pro meu livro. Marcela, eu amei. Eu quero… Tem que continuar, gente. Obrigada, Maria. Obrigada, Marcela. Parabéns, cara. Obrigada, seu trabalho é muito, muito, muito incrível. Obrigada não só por aqui, por tudo, pelo que você representa. Pela sua honestidade, generosidade. E sentar nesse sofá, sendo que você é uma mulher tão conhecida. Não.
conhecida da galera que me conhece isso lá, você foi muito honesta e liderosa, obrigada obrigada eu pra você que nos escutou até aqui muitíssimo obrigada também e pra você que continuar essa conversa vou fazer aquele pedido que eu veja só, eu estou perdendo um pouco a vergonha, por favor
comente, siga o podcast, é muito importante pro nosso trabalho. O nosso papo continua no Instagram da Óbvias, no meu Instagram. E deixo aqui, novamente, o link para a inscrição pra pré-venda na segunda temporada do meu Clube do Livro. A gente se vê semana que vem. Esse podcast é uma produção da Zamunda Estúdio, o roteiro é meu e a apresentação, como você notou, também. Até semana que vem.
E aí