O fim apaga o amor? com Geni Núñez
O fim de uma relação não apaga o amor que existiu.
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli conversa com a escritora e psicóloga Geni Núñez sobre términos e a romantização de desfechos ideais. Temas como o direito de mudar de ideia, o peso da culpa nos relacionamentos, e a dificuldade de aceitar o inacabado aparecem nessa conversa sensível e direta. Um convite a reconhecer que algo pode ter sido verdadeiro, mesmo quando acaba.
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- O amor e o fimtérminos de relacionamentos · culpa nos relacionamentos · direito de mudar de ideia · romantização de desfechos ideais · colonialidade e amor · finitude e vida · permanência e felicidade · autodesconhecimento · perdão e culpa · tutela misógina · luta antimanicomial
Quando foi que nos convenceram de que um amor só deu certo quando dura? Talvez seja por isso que terminar ainda carregue tanta vergonha. O finco estuma ser lido como um desmentido, quase como se ele tivesse o poder de rebaixar tudo o que existiu antes. Como se só merecesse respeito o amor que se alonga no tempo, mesmo quando já perdeu o sentido. Como se a duração fosse a grande prova de verdade de um vínculo.
Mas talvez essa seja uma das ideias mais cruéis que herdamos sobre o amor. A de que se acabou, então falhou. Que se mudou de forma, então nunca foi profundo. De que se não chegou na eternidade, então não merece o nome de amor.
Só que a vida não é uma linha reta. E talvez o amor também não precise ser. Oi, eu sou a Marcela Ciribelli e esse é o Bom Dia Óbvias, a casa das mulheres que pensou em voz alta. Antes de mergulharmos no assunto da semana, eu vou te pedir com carinho pra você seguir o podcast e ativar as notificações. Também te peço que ao final do episódio me conte o que você achou. Assim você não perde nenhuma conversa. E a conversa nunca acaba nos comentários.
Hoje eu recebo o Geni Nunes, ativista indígena guarani, psicóloga, escritora e autora de Descolonizando Afetos e Felizes por Enquanto. Uma das vozes mais instigantes de hoje, quando a conversa pede outras formas de pensar o amor, o vínculo e a liberdade. Com ela, eu quero falar sobre a promessa da eternidade, sobre a culpa que costuma acompanhar términos e sobre a dificuldade de encerrar ciclos sem transformar isso numa falha.
Porque a colonialidade também aparece aí. Nessa obsessão pela permanência, nessa ideia de que a duração virou medida de sucesso, nessa dificuldade de reconhecer que uma história pode ter sido profunda, verdadeira e, ainda assim, não ter sido pra sempre. Infelizes, por enquanto, Geni escreve sobre um amor mais mundano, menos sagrado, mais ligado a um instante do que a eternidade. E também sobre o direito de dizer não quero mais, sem transformar esse fim em vingança, uma mentira ou uma sensação de fracasso.
Então, no episódio de hoje, a gente olha para o amor também pelo fim. Bora pro nosso episódio de hoje?
Bom dia, óbvias. Bom dia, Geni Nunes. Seja bem-vinda. Como que você tá hoje? Obrigada, amada. Eu sou muito contente de estar aqui. É uma alegria que eu já antecipava fazia um tempo. E que bom que agora as agendas fecharam. Então, eu agradeço profundamente pelo convite. Eu tenho a sensação de que você já veio, sabia? Né?
É um reencontro. É um reencontro, é um reencontro. Geni, eu admiro muito a sua forma de enxergar o mundo, os afetos, as relações. E começando a estudar pra esse episódio, pensei, o que eu mais gostaria de conversar com a Geni? E eu pensei sobre o fim. E eu queria começar te perguntando…
Quem que nos ensinou que o amor só é válido se durar uma eternidade? Ai, maravilha. Eu fico pensando assim, te ouvindo, né? O quanto que às vezes há um descompasso entre a razão e a emoção, entre corpo e mente, né? Essas separações todas. Porque muitas de nós, né? E eu falo no feminino de propósito, né?
já temos algum acesso, algum contato com outros debates, outras perspectivas, mas tem determinados discursos que são tão impostos historicamente que mesmo que a gente já tenha algum contato, isso ecoa na gente de outras formas. Então, eu penso que olhar para os fins, para o tempo de outra maneira, é um exercício prático.
ético, político, que nos exige um certo cuidado diário, né? Então, eu agradeço muito, assim, por você ter trazido esse tema, porque eu até, também como psicóloga nessa escuta, né? Eu percebo o quanto que, às vezes, uma frustração diante de, ah, tem essa propaganda da mídia, e às vezes eu quero algo que é parecido com isso, o que que eu faço?
com a vergonha também, que às vezes aparece, né? Mas pensando nas raízes, assim, desse pensamento, eu tenho feito uma análise de um documento que o Vaticano publicou em novembro do ano passado, 2025, e é um documento que, de alguma forma, busca trazer diretrizes e reafirmações do que seria o jeito correto dentro dessa religião de se relacionar, né? E aí aparece muita questão do tempo.
Então, lá aparece o seguinte, a única maneira de você experimentar a vida eterna com Deus é você vivenciando isso numa relação interpessoal pelo amor romântico. Então, tem um peso transcendental de que, por meio dessa relação, a gente teria, de alguma forma, um gostinho da eternidade.
Por meio da nossa relação com o outro. Sim, dessa relação de pra sempre, né? Então, é um pra sempre que teria justamente esse link, essa conexão entre uma vida eterna. A minha aposta, a minha hipótese, é de que uma das grandes dificuldades que as sociedades dominantes têm, hegemônicas, é de lidar com a finitude. Mas daí a gente pode pensar a finitude da relação, mas sobretudo a finitude da vida.
Então, eu acho que é um pouco esse casamento entre essas duas finitudes, assim, que nos constrange, que nos angustia muitas vezes, né? Eu vi muitos comentários que eu divido a sensação de que é muito lindo ver as cores da lua. Acho que as imagens saíram essa semana, mas como é angustiante também estar tão ciente da nossa…
Pequenez, na sua visão, será que essas imagens vão mudar de alguma forma a nossa vivência nesse plano? Ótimo, eu até lembro assim de que a cada vez que a gente vivencia um marco nesse sentido.
Desde lá de Copérnico, até também essa constatação, né, de que a Terra não é plana, de que não estamos sozinhos, né, que é parte de algo maior. Então, essa frustração, né, que o Freud até elenca como uma das feridas narcísicas, né, dessa constatação de que o planeta Terra não é o mundo todo, não é o universo inteiro.
É justamente essa sensação de uma queda da onipotência, né? De que eu não sou o centro do mundo, nem o centro de mim mesmo. E tampouco o país, o planeta que eu vivo é o tudo do mundo, né? E eu acho que essa perspectiva, ela pode trazer boas pistas, assim, pra gente, né? Eu até fico pensando na palavra solidão e na palavra silêncio. Porque em alguma medida elas me parecem possíveis, assim.
No sentido de que a gente está sempre em companhia de algo. O planeta, o universo, o mundo é a possibilidade mais radical da companhia. Claro que isso não entra na questão de como a gente se sente em relação a isso. Agora, sozinho...
Pelo bem ou pelo mal, a gente nunca tá. Nossa, muito bom. E também, o fim de uma relação também é a descoberta de que não seremos ou talvez nunca fomos o centro do outro. Então, também alguma quebra de onipotência?
Super, assim, e eu penso de novo nesse contraste entre a propaganda e a prática, porque às vezes parece muito sedutor, né? Ah, eu sou o centro da vida dessa pessoa, tudo gira em torno de mim.
Só que quando a gente vivencia isso na prática, nem sempre há esse retorno tão positivo assim. Muitas vezes é algo que nos traz muita exaustão, que nos deixa sufocadas. Então, é pensar também que às vezes aquilo que a gente mais deseja, quando acontece, não é tão bacana assim. Por outro lado, o contrário também é válido, né? Às vezes aquilo que a gente não espera.
tem uma conotação, um sentido pra gente muito especial. Eu gosto de pensar também nessa via do autodesconhecimento como uma coisa bonita também. O que é o autodesconhecimento? Eu penso que tem uma, no campo psi, que é a minha área, mas também no sentido mais amplo da saúde, de, nos últimos séculos, ter havido uma certa intensificação.
de uma espécie de anatomia simbólica. Ou seja, você precisa saber tudo sobre si. Então, esse exame, ele deixa de ser, de obedecer uma função clínica, de alguma prevenção, e passa a ser algo quase obsessivo, de que você precisa antever tudo, antecipar tudo, né?
E aí, no campo da sexualidade, isso entra de maneira muito avassaladora. Então, como a sociedade dominante vê a sexualidade como algo perigoso, se é algo perigoso, você precisa antecipar. Você precisa prever e controlar o máximo possível, porque se você não fizer isso, algo muito ruim irá acontecer, né? Então, tem todo esse fantasma. Então, essa exigência do autoconhecimento.
No sentido, eu sei que tem vários usos da expressão, mas esse uso do autoconhecimento como uma investigação avassaladora de si mesmo, ele parte de uma crença, até na primeira tópica do Freud, ele ainda apostava um pouco nessa ideia da psicanálise como uma espécie de escavação.
Então, tem uma resposta, você vai procurar e vai encontrar em algum lugar. E em outros momentos, em outras perspectivas, até o Lacan também, a ideia de que existe esse algo a ser encontrado já é repensada, né? Então, não se trata mais de...
Uma busca que se você fizer bem direitinho você acha. Mas de suportar não encontrar. Então, um pouquinho por aí o autodesconhecimento. Que é talvez uma das coisas mais insuportáveis pra gente. A ideia de não encontrar respostas em um momento em que a dor…
Nos encontra, porque o que duplica a dor é a falta de sentido praquilo. Então, quando você tá sofrendo por uma ruptura, tem um desespero de por quê?
Mas por que que não deu certo? Qual foi o momento em que deu errado? Então, essa investigação que a gente vai fazendo pra entender e que, na verdade, talvez abandonar o entender e começar a aceitar um novo tempo e um novo momento, talvez possa aliviar. E aí, Jeannie, o que que tudo isso tem a ver com descolonizar afetos? Ai, ótimo. Eu tenho utilizado, assim, essa expressão nos últimos anos e eu tenho utilizado.
para chamar atenção do quanto que o âmbito das relações não se faz desconectado de outras questões históricas, políticas, religiosas, econômicas, né? Então, é algo que muitas vezes nos traz um desafio.
Porque muitas dessas noções dominantes, hegemônicas da mídia, elas são apresentadas como uma verdade universal e aí a maioria das pessoas vai acreditar que aquela ideia é fruto de uma percepção individual.
Então, quando essas ideias são, de alguma maneira, questionadas, às vezes há uma sensação de que a pessoa está sendo atacada. É como eu penso, como eu acho que está sendo alvo de um ataque. Na minha trajetória, assim, como ativista, mas também como pesquisadora, tem sido muito especial, assim, poder lembrar.
que a gente se faz em relação, se faz em contexto, né? E que muitas das vezes aquilo que a gente pensa que é de autoria própria também é algo composto de outras relações. Então, pensar essa descolonização dos afetos pra mim envolve reconhecer essa dimensão.
do que permanece da colonização nos dias de hoje. Um exemplo que eu trago, né, a gente tá falando aqui sobre os términos, né, de que o divórcio, como a gente o conhece hoje, né, ele só foi estabelecido dessa maneira a partir da Constituição de 88. Então, muitas das nossas ouvintes, espectadoras vão lembrar de que há poucos anos atrás, quando alguém queria se divorciar, tinha que ter o consentimento do outro.
Então era essa ideia de que você sozinha não pode decidir se você não quiser estar mais ali ou você tem que concordar. E até hoje tem uma série de outros litígios que acontecem. Então a justificativa que o Estado brasileiro dava para não permitir o divórcio...
era de que só seria verdadeira aquela relação que fosse eterna, a perpetuidade do matrimônio, né? Então tudo isso volta de novo pra essa questão, porque eu às vezes escuto assim, ah, no meu tempo, no tempo das minhas avós, os casamentos continuavam pela vida toda, né? Ignorando que havia uma impossibilidade jurídica.
Desses casamentos, né? Exatamente, então não à toa, não coincidentemente uma vez que o divórcio foi possível houve a possibilidade de que ele não durasse a qualquer custo a vida toda, né? Então essa quase que obsessão pela permanência como algo mais importante até do que a felicidade é uma consequência colonial perante nós? Perfeito, porque...
Tem até essa frase que a gente vê nas pichações, nos carros, que diz Deus é amor e Deus é fiel. Que Deus é esse? Pensando que a gente tem muitas religiões, muitas perspectivas religiosas, mas pensando aqui no nosso contexto, onde o cristianismo é a religião dominante, o que na minha pesquisa aparece é o seguinte, de que o casamento espelha uma relação com Deus.
Então, em muitos contextos até hoje, né, no Brasil, e eu falo especialmente das mulheres, né, porque é a parte mais vulnerável, né, dessa relação, quando elas tentam terminar a relação, elas escutam de algumas lideranças religiosas o seguinte, se você terminar o casamento com seu companheiro, você também termina com Deus.
Então, isso traz um peso transcendental de que tem até essa imagem bíblica de que a igreja seria a noiva de Cristo, né? Então, você cria uma aliança com Deus e essa aliança com Deus não pode ser quebrada. Então, em alguns contextos, é como se esse peso transcendental tirasse o direito humano da interrupção, que você terminaria, então, uma relação de um alcance muito mais profundo, né? Do que uma relação entre humanos. Então...
O Estado brasileiro, em muitos momentos, a gente sabe que até 2005, o adultério, que é um pecado, aparecia no Código Penal como um crime justamente porque o Estado não é laico, embora na aparência se diga, esses valores ainda estão muito postos na noção de finitude. Então, talvez, essa nossa busca para uma justificativa mais plausível, além de...
Não quero mais. Não estou feliz. Talvez seja uma herança disso. Precisa acontecer uma tragédia, uma traição pra que você possa ter uma narrativa pros outros. E muitas vezes, e aí eu acho que aqui tem um recorte de gênero fortíssimo.
As mulheres, não basta elas estarem infelizes, porque elas deveriam estar muito gratas de estarem em uma relação heterossexual ou não. Mas enquanto que, pros homens, eu tenho a sensação de que eles têm mais liberdade nisso de ir atrás da felicidade deles. Enquanto essa culpa ainda tá mais entranhada, né, gente? A palavra culpa já é um problema inteiro, né?
Perfeito. Ah, com certeza, né? E eu penso que mesmo que aquela mulher individualmente tenha alguma perspectiva mais crítica, muitas vezes o entorno também funciona como uma coação muito poderosa, né? Então, o que a sua família vai pensar? O que seus colegas de trabalho vão dizer? Que você fracassou, que você deu errado? Há uma associação entre o sucesso relacional e o sucesso de existência.
É como se fosse uma espécie de metonímia do quanto a sua vida é válida no mundo. Então isso é muito pesado, muitas vezes, para essa decisão ser tomada, né? Fora, na minha pesquisa aparecia muito essa narrativa do tempo na fala de feminicidas, né? Então eles diziam não aceitar o fim da relação.
Eu acho que não aceitar o fim da relação é, de alguma maneira, não aceitar o tempo, o direito ao tempo que essa mulher deve ter, inclusive para mudar de ideia, né? E a gente tem um avanço muito importante, né? Do movimento de mulheres feministas, de luta pelos direitos das mulheres, no sentido de trazer esse debate para o consentimento, também na situação sexual, né?
Foi uma luta para que hoje se compreenda, por exemplo, que se alguém deu consentimento no início da relação sexual e depois mudou de ideia, durante esse processo a pessoa também pode ter direito de mudar de ideia. Então, eu penso que essa questão do tempo, do direito ao tempo, é uma das mais elementares, assim, para mim, se a gente for pensar.
Em horizonte de saúde relacional, assim. Eu gostei muito disso, do direito ao tempo. E tem tudo a ver, na verdade, com o feminicídio. Porque geralmente é exatamente esse o motivo principal. Eu não aceito esse fim. Então, vou trazer a finitude pra sua vida.
Não sei, é de uma violência em todos os sentidos, mas também é uma violência quando uma família, por exemplo, fala pra mulher continuar numa relação que ela não tá feliz, né? Perfeito. E eu penso que às vezes o recorte que a pessoa tem daquela relação, seja por meio das redes sociais, seja por meio de algumas situações de comemorações, etc.
é um recorte muito parcial do que a relação é, né? Então, se a perspectiva que a pessoa tem é de uma alegria, de completude e tudo mais, isso não deve ser um argumento utilizado para que seja uma forma de dissuadir essa mulher de que ela está tomando uma decisão errada, de novo, essa tutela misógina, né? De que você mesmo não sabe sobre si. Tem um outro que vai saber melhor por você mesmo o que você deve fazer, né?
desenvolve mais esse conceito de tutela misógina? É, eu percebo isso assim, e até tem a ver com a descolonização que você comentava, porque às vezes há quem pense que a colonização tem só a ver com o mal, com aquilo que é explicitamente violento. Mas na minha pesquisa, o que eu percebi é que boa parte das violências…
elas acontecem em nome do bem, em nome do amor, em nome da família, da democracia. Então, uma série de invasões acontecem com uma gramática muito sedutora. Então, essa tutela, ela aparece muitas vezes em discursos muito assim...
supostamente inofensivos, né? De que eu sei o que é melhor pra você, porque eu te amo muito e você é muito importante pra mim. Então, ela vem com um tom mais adocicado, mas ela talvez é até mais violenta por isso, assim, né? Porque a gente tem esse debate também em relação à luta antimanicomial, né?
que a tutela das pessoas com outras condições de experienciação no mundo, né? Ela vinha muito isso. Aquele que é visto como louco, ele não deve ser escutado. E acho que um dos ensinamentos mais importantes da luta antimanicomial
É que mesmo aquela pessoa que está num momento de desorganização psíquica, aí mesmo ela tem que ser escutada. Mesmo que ela fale e se expresse de uma maneira que não seja aquela mais objetiva para alguns ambientes, todo ser, e a gente volta também para as crianças, né? Porque a tutela, ela costuma atingir três grandes grupos. Aqueles que são tidos como loucos.
Pessoas indígenas também estavam nessa tutela, né, até a Constituição de 88, mulheres e crianças. Então é aquele ser que precisa de um outro que o Oriente. Eu até brinco, Marcela, que eu não sei se na sua região, na sua memória, tem a história da Maria Vai com as Outras, você já ouviu? Sim.
Que era da ovelha que ia com as outras e dava tudo errado com ela, né? Eu gosto de pensar que essa história da Maria vai com as outras, antes ela ia com as outras ovelhas do que com o pastor. Muito bom, muito bom. E, nossa, eu gostei muito que você trouxe o conceito de loucura, porque é um dos meus estudos atuais. Que legal. Sobre como o conceito de loucura feminino, ele é tão amplo.
Que as mulheres acabam por ser adestradas com medo dessa taxação de louca. Qual a sua visão sobre loucura feminina, Geni? E que bom saber aí desse trabalho, depois que eu queria acompanhar. Eu penso que num campo geral…
Em uma sociedade que exige a normalidade como sinal de sucesso, ficar louco parece ser a pior coisa que pode acontecer com alguém. Então é nesse tom, nesse contexto que essa palavra vem como uma ofensa, como...
um destino trágico, que às vezes tem até um certo elemento capacitista, né? De pensar que aquelas pessoas que são tidas como loucas, elas também não têm direito à vida, à existência, à presença no mundo, né? Então, a meu ver, esse debate, quando voltado às mulheres, ele se relaciona muito com o negacionismo.
Eu vim até falando, né, recentemente com uma amiga escritora, a Cidinha da Silva, que ela traz no trabalho dela muito esse debate também da importância da gente ter essa escuta intergeracional, né? Ela tem muito esse trabalho com a Sueli Carneiro, né, que é...
essa grande referência, mas eu lembro aqui dessa dimensão intergeracional, porque no caso dessa fala para as mulheres, né, você vai ficar louca, tem muito a ver com negacionismo, no sentido de que, e aqui o Brasil é um dos países mais negacionistas que a gente tem notícia hoje em dia, né, seja negacionismo climático, seja negacionismo das violências de gênero.
Então, o que a gente percebe é que a maior parte das pessoas não vai dizer assim, ah, eu sou a favor da violência contra as mulheres, eu sou a favor de que a natureza seja explorada. Vai dizer o seguinte, ah, não, mas isso não é exploração, isso não é violência. E é pelo negacionismo que isso é possível. Então, vai dizer, não, não é que você, que eu tô desmerecendo o que você tá falando, é que você tá errado, você tá louca, você tá exagerando. Então, o negacionismo é uma maneira de duplificar a violência.
Ou seja, você passa por uma circunstância, por uma situação, por exemplo, de agressão, e além de você ter passado por aquilo, você ainda é desqualificada da sua experiência. Então, para mim é algo muito violento, porque duplifica, cria essa situação em que você vai ter mais um trabalho.
De dizer, não, o que eu sinto, o que eu vivo é real, né? Então, acho que pra mim vem muito desse lugar. E é tudo tão recente, né, Geni? Se você pensar, por exemplo, uma mulher louca em 1986 é talvez uma mulher que hoje estivesse tratando da síndrome do pânico. Como talvez o que é loucura hoje, talvez daqui a um tempo a gente entenda como um diagnóstico. Mas me parece ter…
Tantas barreiras, o que é a luta anti… Desculpa, é a primeira vez que eu ouvi esse termo. Manicomial. Vamos lá.
Então, o que é isso que eu ainda não aprendi a falar? Perfeito. A luta antimanicomial, ela envolve uma crítica, ela vai além disso, mas ela envolve uma crítica ao modo como se tratava, ao modo como se cuidava, se relacionava com essas pessoas fora dessa norma. Então, os manicômios, os hospícios...
eles têm um certo parentesco com o presídio e com as igrejas. No sentido, pensando no manicômio e nos presídios, de que essa ideia de que a sociedade é normal, então a gente vai tirar as massas podres daquilo que está atrapalhando a normalidade e vai ostracizar essas pessoas em instituições de regulação.
Então, como você bem trouxe, é algo muito recente. A gente acompanha a trajetória desse tipo de discurso. Então, aquela mulher, por exemplo, que quisesse se separar, ou que não quisesse se casar, ou que não fosse heterossexual, ela recebia essa pecha de louca e era ostracizada.
E aí eu acho que também o seu trabalho é um exemplo disso também, de como que a visibilidade de alguns temas, ela pode ser algo muito poderoso. Porque o ostracismo, ele faz isso. Se você tirar do campo de visão das pessoas, se elas não souberem mais onde que tá aquela que é estranha, aquela que é diferente, então a normalidade permanece. Então a gente tem hoje, por exemplo, de instituição antimanicomial, que são os CAPs. E aí
que ao contrário do manicômio, busca entender que é possível cuidar dessa pessoa, acolhê-la, sem retirá-la da sociedade, mantendo e pelo contrário, buscando estreitar os vínculos dessa pessoa com trabalho, com amizade, com família, né? Então é uma possibilidade de cuidar durante, enquanto, convivendo com as outras pessoas e não fora, como essa lógica manicomial quer trazer.
Bom, já que conhecimento é poder de transformação, vou deixar aqui indicado, vou deixar no link da descrição desse episódio, dois episódios da Rádio Novelo. O primeiro deles é o episódio sobre o massacre do Carandiru. Eu acho essencial pra entender o Brasil.
Assim, essencial. E é justamente isso como, e cada vez mais como falta, planejamento pra essas pessoas que vão cumprir penas por crimes. E vão se restabelecer na sociedade. Eu fiz recentemente um clube do livro, nas Penitenciárias Jovens do Paraná. E foi muito forte, porque eu troquei muito com esses jovens. E eles leram o meu livro, os sintomas, e fizeram trabalhos.
E em cima dele, foi lindo. Eles fizeram músicas em cima, fizeram cartazes, fizeram ilustrações. Eram tanto meninos quanto meninas, eu digo isso porque todos têm até 18 anos. E você vê a diferença de apenas um isolamento ou até uma punição. E aí entra no segundo episódio também da Rádio Novelo, que eu vou ter que procurar.
Mas que falava dos manicômios e falava sobre o tratamento de choque. Falava de violência. Então, você tá devolvendo essa pessoa pra sociedade muito pior. Muito pior. Tem uma série que fala sobre isso também. Nossa, agora eu vi uma metralhadora de referência. Mas é porque esse assunto me interessa muito.
que é The Night Of, não sei como que ficou traduzido no Brasil, mas você nunca vai saber nessa série se esse homem cometeu o crime ou não. Mas desconfiam dele, ele é um homem indiano em Nova York, então tem um racismo ali entranhado. Mas o que interessa, no final das contas, é que o período que ele passa preso faz dele.
Um bandido por conta dessa falta de estrutura e de planejamento mesmo dessas instituições. Mas eu vou puxar de volta para a nossa pauta, que eu quero falar sobre o tempo. Como que o tempo deixa de ser uma linha reta quando a gente fala sobre amor? E aí, para começar, o apaixonamento. O apaixonamento mexe com a nossa noção de tempo, Ginny? Eu penso que, para além das referências filosóficas, teóricas...
eu acho que cada uma de nós consegue sentir que o tempo não é linear. O tempo da saudade, o tempo da paixão, o tempo da melancolia. A gente muitas vezes não vai seguir uma escadinha de um, dois, três de sequência.
daquilo que a gente sente, né? Então, foi à custa de muita imposição que essa ideia de presente, passado e futuro como evolução se deu. Então, uma das maneiras que eu trago no meu trabalho é de que o Platão é um grande nome, né?
desse debate na filosofia dita ocidental, e ele opunha tempo e eternidade. Então ele dizia que o tempo é aquilo que muda, aquilo que é fluido, que é fluxo. Já a eternidade, ela é fixa e imutável.
Então, para ele, o dever das pessoas seria buscar a eternidade que não estaria nessa vida, que estaria só no mundo perfeito, né? Então, eu tenho pensado nisso porque se a gente diz que tudo aquilo que é temporal é inferior, isso desqualifica a vida.
Porque a vida é justamente aquilo que não é nem fixo, nem eterno, nem imutável. Então, é uma maneira também da gente acolher aquilo que muda e que se transforma, não como necessariamente um fracasso, mas como a vida acontecendo, né? Então, eu até lembro disso no campo das artes também, de que só é possível a gente criar, e nós duas aqui também, nesse campo das artes literárias, só é possível a gente criar no tempo.
Porque na eternidade é tudo fixo, é tudo imutável. Então, é uma grande bênção também que as coisas mudem, que as coisas sejam temporais, né? Eu até esses dias estava pensando sobre essas palavras temporal e tempestade, que no geral a gente utiliza para falar do evento climático, né? Mas temporal é aquilo que é perpassado pelo tempo. Então, mesmo o céu aberto, azul, é temporal.
que passa. E é legal você falar isso da escrita, porque a escrita é sempre um congelamento de um tempo, assim como a fotografia, né? O livro é a fotografia de um tempo. Acho que em especial pra mulheres da não-ficção, quando a gente fala das nossas próprias narrativas, quando eu olho pra Aurora, que é meu primeiro livro, que eu lancei em 2022, eu tive um período que eu tinha um incômodo porque eu teria feito diferente. E aí, esse ano,
Eu abracei muito ele, eu tenho muito carinho por essa Marcela. E me fez tão bem fazer as pazes com isso. Você se dá bem com as outras versões da Geni? Ai, ótima pergunta. Eu tenho momentos, assim, tenho buscado.
fazer esse exercício de... O Nietzsche até chamava, né? De que ressentimento é a vingança contra o tempo. Então, a pessoa ressentida, ela vai estar sempre nessa posição. Assim, poxa, eu não sou aquilo que eu deveria ser, eu deveria ter feito de outra maneira. E essa queixa, essa reclamação, ela não muda o passado.
Então, costuma demandar um despenho de energia com algo que não se transforma, né? Por outro lado, pensando nessas outras perspectivas de tempo, pra mim, a análise é uma possibilidade de mudar o passado. No sentido de que se a gente conta a história de nós mesmos de uma outra maneira...
Há algo também do ontem que se altera. Então, pensando no dispositivo da contação de história, seja na literatura, seja também no dispositivo clínico...
Se a gente consegue olhar praquilo que a gente viveu de uma outra maneira, a gente reescreve esse passado também, né? Então, eu gosto de pensar a máquina do tempo como essa possibilidade que a gente tem de reconstruir aquilo que já passou também, não só aquilo que irá acontecer. Que tem tudo a ver com uma frase do filme Her, que eu sou completamente apaixonada, que é o passado é uma história que contamos a nós mesmas.
perfeito não passa disso e muitas vezes quando uma relação acaba a gente fala que não deu certo como que uma relação dá ou não dá certo? eu até fico pensando nos jogos, né
Tem todo o tempo lá de duração de uma partida. E aí, às vezes, se os pontos finais são aqueles que definem a pontuação, às vezes há essa postura dos jogadores ou do público de atribuir a esse finalzinho.
todo o resultado, mas o jogo se fez do começo durante ali, né então eu fico pensando muito nisso assim que se a gente toma as últimas etapas de uma história pra definir ela inteira talvez ela não tenha finalizado da maneira como a pessoa gostaria e aí por isso se toma esse trecho como o que resume o todo né
Mas, de novo, né, se a gente coloca ênfase em outros momentos, em outras nuances disso tudo, dá pra fazer um movimento com e contra. Ou seja, nem foi um sucesso absoluto, nem um fracasso completo. Nem foi aquilo que eu imaginava, nem foi aquilo que também foi completamente inútil.
Então, acho que essa ponderação, ela é mais justa, talvez, com as nossas histórias do que aquilo que deu certo ou errado, né? Pensei em justiça mesmo, enquanto você falava. E pensei em perdão. Pensei se o processo de perdoar não passa por a gente se conectar com a parte do outro que a gente conheceu primeiro, ou a outra parte do outro ou da outra. Não tô falando de gênero aqui, né? Nem tô falando só de relações amorosas, inclusive, agora. Mas...
Talvez exista algo do campo da escolha quando a gente escolhe perdoar. Qual é a sua visão sobre perdão? Eu…
Tenho pensado nisso, sim, acho até que conecta com o que a gente estava falando agora há pouco, porque a gente tem no sistema, sei lá, jurídico, o culpado e o inocente, né? A ideia da culpa vem muito também, né, desse lastro de que quem paga a culpa, o culpado, paga na penitência. A penitenciária é o lugar onde se paga.
a culpa, né? Então, culpa, penitência e essa ideia do perdão muitas vezes tem uma espécie de equivalência, quase que um preço a se pagar, né? Mas eu tenho pensado também que há muitas maneiras de experienciar o perdão.
muitas maneiras de experienciar a culpa também, né? E aí, a meu ver, algo que às vezes escapa disso é que nem sempre é uma escolha, seja perdoar ou não perdoar. Talvez não tenha um momento em que a gente decida conscientemente que é isso que eu quero, aquilo que eu não quero, né? Tem um certo conteúdo que volta às vezes.
Em que a gente pensa assim, não, tá tudo certo nessa relação, perdoeita, beleza. E às vezes uma lembrança, uma situação voltando a gente um certo amargor. Então, pra mim tem feito sentido pensar essas idas e vindas. Que talvez, mais do que um processo acabado e definitivo, seja algo contemporâneo ao que a gente vive. E isso me lembra até a ideia de cura.
que é uma palavra que a gente vê sendo muito usada nos últimos anos também, e a cura em uma perspectiva dominante é um processo acabado. Então, se alguém diz assim, ah, eu estou curado, quer dizer que essa pessoa encerrou ali algum processo. Mas eu gosto de pensar a saúde para além dessa ideia da cura.
Porque ela não finaliza, a gente vai ter que continuar cuidando. E não só da doença, mas da saúde, né? Então, pra mim, volta muito essa questão de um cuidado cotidiano, disso tudo. Porque às vezes volta. Volta quando a gente tá com uma imunidade mais baixa. É verdade. E volta…
Quando a gente menos espera. E às vezes volta quando a gente baixa a guarda também. O que é uma intuição distraída? Eu tenho pensado nessa palavra intuição porque especialmente entre mulheres…
Muitas das vezes tem uma captura que a mídia coloca de que a gente deveria usar essa intuição apenas para adivinhar rumos da sexualidade ou afetividade do companheiro ou da companheira, né? Isso aparece em muitos filmes, novelas. Ai, minha intuição já tinha falado que era isso e era aquilo.
E aí eu tenho pensado o seguinte, né? Se for possível, admitindo que seja possível a gente prever determinadas coisas, essa é a mais importante? Esse é o uso mais profícuo da nossa intuição, né? Porque vamos supor que alguém intuiu que a companheira, alguém com quem se relaciona, se apaixonou por outra. E se isso se confirmar, qual que é o...
o ganho, qual que é a benesse desse tipo de uso, né? Então eu fico pensando que a gente, cada pessoa, né? Tem uma gama de desejos, de interesses, de sonhos no mundo.
que uma intuição descentralizada dessa obsessão com a sexualidade alheia talvez não seja mais interessante, né? E aí o distraída é no sentido também de que, às vezes, a gente tem, vou até lembrar de uma cena cotidiana, né? Às vezes a gente tá pensando numa pessoa e logo na sequência a pessoa nos manda uma mensagem. E daí a gente pensa, poxa, né? Teve ali um momento.
Mas há outros em que a gente pensa e a mensagem não chega. O que eu quero chamar atenção é pra gente dar validade e importância também aquilo que não se alinha completamente com o que a gente espera. Então, nesse sentido da distração. Nossa, eu gosto muito disso. Eu gosto muito disso. Jeanne, chegando na reta final do programa.
Como vivenciar um amor que respeita o fim, mesmo que esse amor ainda não tenha acabado? Ai, maravilha.
Eu me lembrei de uma fala da professora Magda Zurba, que ela disse que em algumas relações, uma das maneiras é a gente não ter a última conversa. E ela comenta isso porque, às vezes, é nesse movimento que a gente tem. Vou conversar mais uma vez, vou tentar mais uma vez, ver se a gente alinha todos os pontos e se despede bem bonito. Todo mundo tá com os pingos nos isso.
E ela diz, vai embora antes da última conversa. Em alguns contextos é necessário que a gente consiga suportar que não vai ter uma harmonia, não vai ter uma grande congruência entre as pessoas envolvidas. Então, poder aceitar o inacabado também, poder seguir e continuar a caminhada sem esperar que haja essa conclusão, essas considerações finais tão redondinhas assim, sabe? Eu acredito nisso.
Não sei nem explicar o quanto. Inclusive, já vivi isso. E foi muito libertador entender que eu tava tentando com que o outro concordasse com uma decisão que era minha. Eu acho que é uma tendência nossa criar. Então, vamos lá, vamos entrar num acordo. Mas eu sou a favor também de acabar antes da última conversa. Parar de fantasiar com fins perfeitos.
e ideais, a gente fantasia o início, mas os nossos fins também estão cheios de fantasia, né? Perfeito, e essa fantasia pode ter outro lugar, né? Pode, pra quem gosta de dançar cantar, escrever não é que isso precise ficar recalcado
Mas que às vezes não é ali o local pra onde essa vazão deve ser feita. Mas, né? Escrevam. Não precisa publicar, mas escrevam. E gosto também da ideia de mexer o corpo. Genia. Eu não sei nem explicar, o tempo passou voando.
A gente tem dois quadros finais aqui. No primeiro deles, eu quero saber se você quer me perguntar alguma coisa. Iba, eu queria te perguntar como você tem vivido o seu tempo. Eu tenho vivido o meu tempo pela primeira vez na minha vida por conta de um lema que eu trouxe pra esse ano. E olha que coisa. O meu lema desse ano é Vai Dar Tempo.
Então, eu tenho tentado viver o tempo como algo que eu tenho mais intimidade e carinho e não algo que tá correndo contra mim. Então, tem me libertado muito pensar que não vai dar pra fazer tudo agora. Mas é porque nesse momento, talvez eu não consiga fazer o tal do mestrado que eu quero fazer.
Mas uma próxima temporada vai dar tempo. Tá tudo bem. E olha, é bem libertador. Coisa boa. E aí, pra gente finalizar, Jenny, qual é a sua fissura atual? Pelo que você está fissurada? Ai, que lindeza. Eu estou fissurada por seguir o reflorestamento de mim, do mundo.
Até te ouvindo me toca muito. Tem um canto guarani que fala do Yaman do Mirim. Que seria um sol pequenininho. Então é um sol que não tá completamente aberto. Ele não chegou inteiramente. Mas é um solzinho. Yaman do Mirim. E eu acho que isso tem muito a ver também com o da Tepe. Ai, que lindo.
Geni, obrigada. Obrigada. Eu esperei muito por esse tempo, esse momento, e aconteceu. Obrigada. Até breve. Volte sempre. Até breve. Vai dar tempo. Vai dar tempo. Bom Dia Óbvio, esse é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marçalas Ribelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.
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