Quando a vida te obriga a recomeçar, com Paola Antonini
O que acontece quando a gente para de esperar estar pronta para começar?
Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli conversa, à convite do Santander, com Paola Antonini sobre começos imperfeitos, coragem para começar com o que se tem, em um mundo de perfeições idealizadas.
A conversa passa por temas como medos, insegurança, ansiedade e a beleza dos recomeços, propondo um olhar mais acolhedor sobre a vida que se tem hoje. O Santander apoia os seus começos com soluções simples para o dia a dia. Saiba mais clicando aqui #Publicidade
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- Sucesso e FracassoCoragem para começar · Medos e inseguranças · Beleza dos recomeços
- Experiência de Paola AntoniniAcidente e superação · Instituto de apoio a crianças
- Filosofia de VidaViver o presente · Escolhas e arrependimentos
- Sabedoria e adaptaçãoCapacidade de se adaptar · Desafios da vida
Quando foi a última vez que você realmente se sentiu pronta? Bom Dia Óbvio é a casa das mulheres que pensam em voz alta. Aqui, eu recebo mulheres brilhantes para conversas corajosas. Eu sou Marcela Ceribelli. Antes de mergulharmos no assunto da semana, segue o podcast e ativa as notificações. Assim você não perde nenhuma conversa. Inclusive a de hoje.
Talvez a nossa expectativa, capturada a todo instante por uma lógica de performance, tenha nos convencido de que sempre falta alguma coisa, seja tempo, recurso ou até uma versão mais organizada e equilibrada de nós mesmos.
E assim a gente passa a adiar decisões, recalcular caminhos e esperar para um momento ideal que dificilmente chega. Mas a verdade é que essa sensação de insuficiência é muitas vezes um projeto inalcançável. Ela nos ancora na ideia de que tudo precisa ser irretocável para ter valor. E aos poucos, sem perceber, a gente vai condicionando a nossa vida a um padrão tão alto que não cabe para ninguém. E é nesse ponto que a gente perde talvez o nosso próprio rumo.
Porque a ideia de excelência só serve para alimentar comparações e nos empurra para um lugar de insegurança. Esse sim, visitado com muito mais frequência do que gostaríamos. É um tipo de ruído que nos impede de enxergar o que temos de mais valioso. O tempo presente. Mas enquanto a gente espera chegar o tão sonhado momento de estar pronta, a vida segue.
E às vezes ela nos mostra, de maneira suave ou até brutal, que a perfeição não se sustenta. E o que resta é começar ou recomeçar com o que a gente tem. Começar, por mais clichê que pareça, é o impulso que nos desloca. E se a vida movimenta, ela exige de nós a coragem de tirar os planos do papel e redefinir as rotas. Deixar o medo e o cansaço de lado, mesmo que por um momento, e escolher seguir em frente.
Até porque o horizonte não é uma fotografia para se contemplar parada, mas uma revelação que só acontece enquanto a gente caminha. E é nesse caminhar que descobrimos versões de nós mesmos que nem imaginávamos e que, surpreendentemente, podem nos tornar ainda mais felizes. Essa jornada fica muito mais leve quando a gente tem com quem contar.
E é por isso que o Santander apoia os seus começos com soluções simples para o dia a dia. Como uma conta que você abre sem pagar nada, um cartão para organizar suas despesas e ainda acumular pontos para trocar por experiências e produtos e muitas opções de investimento para você começar com o que você tem, mesmo que seja um real.
Então, comece agora. Acolha as imperfeições e lembre-se de que começos nunca são perfeitos. O que existe é a grandeza da coragem e do agora. Bom dia, óbvios! Eu sou Marcela Ceribelli e hoje, a convite do Santander, recebo Paola Antonini para uma conversa sobre começos imperfeitos, coragem e a beleza de encontrar novos caminhos.
Bom dia, óbvios. Ai, eu tô tão feliz que você tá aqui. Seja bem-vinda. Eu também, muito obrigada. Amei. Aqui, tudo lindo estar aqui com você. Nessa energia do vermelho. Eu te falei, né? Sentindo uma energia de amor. Ai, que bom, que bom. Pra gente abrir essa conversa, pra gente começar essa conversa sobre começos.
Você já se sentiu verdadeiramente pronta pra começar algo nessa vida? Nunca.
É engraçado, né? Eu acho que a gente espera muito isso. A gente sempre fica esperando o momento certo, né? Ah, deixa eu me preparar mais um pouquinho, deixa eu ter certeza. E eu acho que a gente nunca chega nesse lugar. Eu, na minha vida, assim, gosto muito de fechar os olhos. E eu falo, eu sinto medo, tenho medo. Mas às vezes eu acho que a gente só tem que dar o primeiro passo. Se arriscar. E depois que você dá o primeiro passo, parece que tudo vai fluindo. Que você vai entendendo, que você vai aprendendo enquanto você faz. E aí
Você sente isso no corpo? Eu sinto isso no corpo. Eu sinto, antes de fazer algo, assim, super desafiador, que eu tenho muita vontade, eu sinto uma tensão muito grande, eu sinto medo muito grande. E aí, depois que eu dou esse primeiro passo, que eu vou realmente a caminho de algo que eu quero muito, eu sinto que eu fiz a coisa certa.
E eu sinto que eu vou acalmando E eu sinto que eu vou ali me encontrando Que eu vou me sentindo mais preparada Eu acho que isso é muito a beleza da vida também A gente nunca ter certeza, né A gente nunca saber se realmente aquilo vai dar certo Quando vai dar certo Mas é a gente descobrindo no caminho também
Eu acho que a beleza é encontrar essa beleza. Porque exige muita coragem. É. E a coragem, às vezes, é meio sozinha também, né. Dá uma sensação de solidão, às vezes, de quebrar com algo. Mas eu comecei muito em cima do tema. Porque a gente também, a gente tava papiando muito.
Eu tenho a sensação de que nós te conhecemos de uma temporada da sua vida. E talvez, e até vendo o seu conteúdo mais atual, você esteja vivendo uma nova temporada. Total. Que temporada você tá vivendo agora e de qual temporada você veio?
Nossa, profundo! Então, hoje eu tenho 31 anos, né. Minha vida mudou drasticamente quando eu tinha 20 anos, muito novinha. Então, fui atropelada ali na porta da minha casa. Ali eu acho que foi uma grande mudança na minha vida. E que acabou…
Quase me definindo por muito tempo, assim. Ali eu entendi que tinha uma Paola antes do meu acidente. Que tinha as duas pernas. E não só isso, né. Eu acho que ele, antes do acidente não sabia o que eu queria fazer tanto da vida ainda.
eu vim fazer aqui? Eu não acho que eu sou tão boa em nada. Eu não acho que eu tenho um talento pra nada, assim. Eu só vivi a minha vida, tentando me encontrar e a gente tinha… Eu, jovem, já tinha isso. Qual o meu propósito? Tão jovem, a gente já busca isso. Você estava estudando naquele período? Eu tinha entrado, super curioso. Eu tinha… Meu sonho sempre foi fazer jornalismo. E meu pai na época falava, ah, é muito difícil ser jornalista. Então eu falei, vou entrar em administração.
fiz administração, eu falei, não é a minha cara não é o que eu nasci pra fazer eu gosto de conversar, eu gosto de falar com as pessoas, de me comunicar e aí eu tranquei administração, fui entrar em jornalismo foi quando eu sofri o meu acidente então
Tanto que alguns pensamentos ali meus no hospital foram muito assim, a gente tem que fazer o que a gente ama. Eu podia não estar mais aqui. E eu ia fazer um curso que não era o que eu amava. Quando a gente realmente faz o que a gente gosta, que a gente sente que é o nosso caminho, vai dar certo. Pode ser mais desafiador, mas eu acredito de verdade que vai dar certo.
E você abre o olho, está no hospital, você sabe que você perdeu algo. É. Mas hoje, você consegue enxergar o que você ganhou? Demais. Na época, falavam muito assim, ah, isso tinha que acontecer. E eu, apesar de eu ter reagido com muito otimismo…
Eu falava, será? Será que não foi só um acidente, assim? Um carro que me atropelou? E eu fui viver minha vida sem pensar muito, assim, no significado de tudo aquilo. Acho que também eu nunca conseguiria, naquela época, descobrir o que tudo aquilo representaria, qual seria o rumo que minha vida ia tomar. Eu só decidi viver.
Não quis sofrer por antecipação. Falei, vou viver dia após dia. Vou ver o que vai ser da minha vida. Aí, várias surpresas foram acontecendo. Então, comecei a ganhar uns seguidores. Receber mensagens de gente que eu não conhecia. Falei, o que a vida tá preparando pra mim? Eu vou descobrir. E aí, de pouquinho em pouquinho, eu fui descobrindo todas essas fases. Tudo que foi acontecendo na minha vida, né. Que eu passei por muitas e muitas fases diferentes.
E depois de um tempo, com certeza, eu vi tudo que eu ganhei. E eu consigo de verdade acreditar que aconteceu por um motivo, assim. Eu gostei que você falou isso, que na época falavam pra você você vai ver significado pra isso. E eu acho que é até legal e educativo questionar o que as pessoas têm…
O hábito de falar para pessoas que sofreram um acidente ou estão vivendo um trauma, um momento difícil, que talvez não seja tão útil naquele momento, por mais que seja com boa intenção. Você lembra o que foi mais importante para você ouvir? Aquilo que você pensa, poxa, preferia não ter ouvido isso?
É, eu acho que eu entendi sempre que por mais que as pessoas falassem coisas que não me ajudavam era na melhor das intenções. Mas eu acho que o que mais me ajudou e até hoje quando algo desafiador acontece na minha vida assim, me ajuda é a pessoa estar do meu lado e só falar, vambora, vamos ver o que a vida vai preparar pra você. Porque eu acho que ali, as pessoas falarem aconteceu por um motivo era super legal.
Mas eu, no fundo, não sabia se eu acreditava naquilo. Eu tinha que ver, viver minha vida. E ver o que ia acontecer pra realmente acreditar naquilo. Então, eu até… Eu sou uma pessoa super… Acredito em muitas coisas, de muita fé, muito mística. Mas eu vejo que em momentos muito desafiadores, eu sou muito racional. Que foi como eu lidei lá atrás e como eu continuo lidando. Quando é realmente difícil, eu olho com racionalidade. Então, eu perdi minha perna. O que eu posso fazer agora?
Nada. Perdi minha perna, é um fato. Então, vambora. O que não tem o que fazer, tá resolvido, né? Nossa, eu tô amando, porque a gente já começou conversando e eu acho que a gente tem alguns lemas de vida parecidos. Porque, assim, quem convive comigo ouve milhões de vezes. O que não pode ser resolvido, resolvido está. É isso.
Então assim, eu não vou brigar com a realidade. Eu vou seguir daqui em diante. E isso faz com que eu seja muito resolutiva. E talvez confundam com um otimismo eterno. Mas não é exatamente otimismo. Mas é simplesmente uma habilidade de assim, tá.
Vambora. Exatamente. Eu acho que é… Quase vou sem pensar, não tenho o que fazer. Então, vamos ver, vamos seguir. Eu acho que ter essa capacidade de virar essa chavinha não é fácil. Eu acho que você deixa seu emocional ali, escondidinho por um segundo. E fala, vamos só viver, vamos agir, vamos seguir.
Isso facilita muito qualquer coisa que aconteça com a gente. Porque eu acho que se a gente para pra pensar a gente não controla quase nada da nossa vida, né. A gente tem objetivos, eu tenho sonhos. Praticamente nada. Praticamente nada. A gente tem às vezes essa sensação de que a gente controla. Ah, e a gente põe ali um rumo na nossa vida onde a gente quer chegar. Mas tanta coisa vai acontecer fora dos nossos planos. Tanta coisa vai pegar a gente de surpresa.
Então, eu acho que o ser humano que mais se dá bem na vida é o que mais consegue se adaptar. É o que mais vai se adaptando com o que vai acontecendo com ele. Você tem toda razão, na verdade. Essa é a lógica, inclusive, da humanidade e da nossa existência, né. Exato! Uma capacidade de se adaptar. É, então, eu acho que a gente… Esses pensamentos, não tem o que fazer, vambora. É a adaptação mesmo. E muita gente, até lá atrás, me falava, Paola…
Eu nunca teria reagido da forma que você reagiu. Você foi muito otimista. E eu usava essa palavra. Não, eu fui racional ali. E talvez você seria também. Se tivesse acontecido com outra pessoa, teria ali uma… Viraria uma chavinha. Já tá resolvido, então… Então, vambora. Então, em nenhum momento, Paola, você se sentiu em negação com o que tava acontecendo?
Em nenhum momento eu me senti em negação. Mas depois de anos, eu fui entender que essa minha virada de chave que foi muito importante pra mim lá atrás ela deixou alguns sentimentos escondidinhos. Então eu novinha, minha primeira reação quando eu perdi minha perna foi, vambora, graças a Deus tô viva. E depois, muitos anos depois, eu parei pra pensar será que eu não tava…
Um monte de medo ali. Insegura, triste. Será que não tinha tudo isso dentro de mim? E eu só escondi e segui em frente. Deixou pra ele dar depois. É, e eu descobri que sim. Que eu tinha, assim, esses sentimentos. E até foi algo que eu depois fui descobrir que era que eu tinha inseguranças com o meu corpo.
Eu vivi tão automático naqueles primeiros anos pós-acidente que eu não tive contato. Ó, eu sinto insegurança. Pra mim, às vezes eu me olho no espelho sem minha prótese. Eu não me acho linda, eu acho um corpo diferente. Eu olho pra ele, não tá lindo, mas tá bom. É o corpo que eu botei pra mim.
pro resto da minha vida. Então, foram descobertas que eu fui tendo muito depois, assim. Foram descobertas recentes mesmo. Então, até… Voltando até no início da nossa conversa, né. Quando eu olho pra Paola lá de trás e a Paola de hoje eu sinto que eu hoje vivo uma vida muito mais honesta. Ai, que bonito.
Com muito mais contato com a verdadeira Paola. Que vive, se desafia, tenta um monte de esporte. Tá toda hora começando uma coisa nova. Mas que também tem medos, tem inseguranças. Tá fechando o olho e indo. Qual é o seu esporte do momento? Tênis. Adoro. Mas eu tenho um que tá no meu objetivo agora. Que é corrida. Então.
Você corre? Eu não, eu corri muito já na minha vida. Eu tô com 35, eu comecei a correr com 19 anos. Então assim, já corri muito. E agora eu tô com vontade de voltar, mas eu tô com muita dificuldade. Acho que você vai entender, porque você é dos esportes, de lidar com o meu ego. Vou ser muito honesta com você, porque eu já fui muito rápida. Eu já fiz distâncias muito longas. E recomeçar...
Você tem que engolir que você… Você não recomeça de onde você parou. É. Você começa do jeito que dá. E aí, eu tenho que controlar minha mente. Mas a corrida tem tudo a ver com isso. Porque é uma negociação constante. É. Então, pra mim, é um dos esportes mais difíceis. Porque é você e você. É.
No tênis, você tem uma missão? É… Nunca joguei. A corrida, ela… Você tá ali com vocês, concentrado nos seus pensamentos, né. E é um super desafio. Eu parei, eu corria quando eu era muito nova.
E aí, depois de perder minha perna, pra mim… Eu já tentei algumas vezes, porque é uma prótese diferente. É muito curioso, assim. Você perde a perna, você desaprende algumas coisas. Por exemplo, quando você caminha, seu braço acompanha a sua perna inversa, assim. Aham. Você esquece isso depois que você perde a minha perna. Seu braço para de acompanhar a sua perna. Eu não entendo.
Tendo porquê. Eu ia perguntar, é algo biológico nosso? O corpo, alguns movimentos que antes pareciam tão básicos a gente desaprende. Então eu falei, uai, esse meu braço tá indo pouco agora eu vou ter que ir. É realmente, é!
E na corrida, eu tenho que me policiar. Ó, essa perna tá na frente, assim. Essa prótese aqui, eu tenho que chutar pra perna aí, senão eu capoto. Então, são pequenas escolhas e pensamentos. Então, o que antes era automático, a gente corre tanto numa corrida de uma prova, tanto uma corridinha dentro de casa, vou ali na cozinha. Sim, sim. Eu não tenho mais isso, eu não tenho mais essa consciência de corrida. Então, é algo super desafiador pra mim.
Que eu tentei, assim, já várias vezes começar. E é desafiador demais. Então eu paro. E aí, recomeço, eu vou nessa também. Igual você. Nossa, tudo de novo. O que eu já tava melhorando agora, fui pro zero. Mas eu acho que é um esporte muito gentil no sentido de constância. É. Porque se você fizer, sempre chega.
Mas eu acho que a gente tem um pouco essa tendência de querer o pulo do gato, né? A gente olha muito mais pra onde a gente quer chegar do que o processo que vai levar até lá. Inclusive, eu tava ouvindo um podcast muito bom ontem, vindo pra cá da Elis Neumann, que era apresentadora do podcast do Gupia há muito tempo. E acho que é o Ewan Alguma Coisa.
E ele tava falando justamente sobre negociar com desejos, autocontrole. Ele é um homem que passou até por uma questão de adicção. Mas ele tava falando sobre como a gente foca nos 100%. Sendo que na vida, provavelmente só é possível fazer 80%. E o problema, na verdade não é o problema, o que vai diferenciar.
o quanto você vai conseguir começar coisas novas, ter constância, é como você lida com esses 20%. Porque esses 20%, a falha, então, vamos dizer, vai, você quer treinar sete vezes na semana. Aí você já não foi na segunda.
E aí, na terça também, você não foi? Quantas vezes, eu não sei como você é, mas… Você não pensa, mas já não fui dois dias, será que… Então ele fala, não, isso aqui é o que tá dentro do previsto. O que você vai ter que continuar é lembrar, não. Isso já tava previsto, que não ia dar. Eu vou ficar com os meus 80. Porque todo mundo deve estar entregando 80%. Só que geralmente a gente vende os 100.
E tem razão, porque quando você pensa, às vezes eu faço assim Ah, janeiro, vou malhar, vou pra academia, eu vou todos os dias. Aí de repente eu não vou um dia, largo. Isso, a gente vai muito pro tudo ou nada. A gente vai pro tudo ou nada, existe um movimento nosso mesmo. E se a gente parar de fazer esse tudo ou nada, é a constância.
Exato, e aí ele falou uma coisa assim que eu amei porque ele tem um filho e ele tava falando que muitos amigos dele vão até ele e falam não, eu não sei como é que você consegue fazer tal coisa tendo filhos ele fala, eu consigo porque o meu filho tem 27 anos você tá querendo fazer isso agora que seu filho tem 3 anos? então ele fala sobre se perdoar daquilo que cabe nesse seu momento de vida Dot Dot
E não quando você, talvez assim, dá espaço pra que no futuro aquilo possa. Tipo, ser mais gentil com você também, eu acho. De saber que a gente não vai conseguir equilibrar todos os pratinhos sempre. É impossível. Impossível. Então vai ter certo momento da minha vida que eu vou falhar com uma amiga. Em outro, eu não vou estar tão bem ali na minha profissão. A gente vai falhar com o cuidado com o corpo, com a alimentação. É muito difícil a gente ser o melhor em tudo.
Mas se a gente conseguir dar um pouquinho em cada, né? E entender, e ter paciência com a gente, cuidado com a gente. De entender que são fases, acho que a vida ficou muito mais leve. E ranquear, eu acho que isso é muito importante. Então assim, nesse período, o que é mais importante pra mim? Eu tava com uma frustração, porque eu quero muito fazer um mestrado. Só que não cabe agora na minha vida. Eu tô num período de muito trabalho.
Muito grata. Continue assim. Muito grata que continue assim. Inclusive, obrigada Santander, entendeu? Estamos aqui. Mas eu relaxei muito, Paola, quando eu pensei assim… Eu vou conseguir mais pra frente. É isso. Ao invés de ficar focando no que eu não consigo agora pensar no que eu consigo no futuro.
E aí, eu queria falar também sobre futuro com você por conta do seu instituto. Que tem tudo a ver com isso. É muito lindo, né? Conta um pouco para os ouvintes. Conto. Então, assim que eu perdi minha perna…
Eu comecei a visitar crianças em hospitais. Eu acabei lidando muito bem, né? Com tudo e vivendo uma vida que eu não imaginava. Muito ativa, fazendo muita coisa, com um desafio. E eu, pra falar a verdade, saindo um pouquinho até da pergunta. Eu não achava que eu era essa pessoa dos desafios. Eu fui descobrir depois. Eu sempre fui muito da zona de conforto. Achava, eu gosto de segurança, zona de conforto.
E foi quando eu comecei a sair que eu falei uai, eu acho que eu sou mais feliz tentando coisas novas vivendo coisas diferentes. Então eu fui descobrindo uma vida muito especial com muita aventura.
E aí, eu comecei a visitar crianças em hospitais. E compartilhar um pouquinho e conversar com elas. Ó, vai dar tudo certo. E várias crianças falavam assim pra mim. Ai, vou poder usar sandália ainda? Eu vou poder usar sandália. Eram as dúvidas mais, assim, bonitinhas mesmo, do mundo. E aí, eu mostrava. Olha o que eu faço, eu consigo surfar. E elas ficavam super felizes.
E aí, isso tem muitos anos, eu comecei a tentar ajudar. Então, eu criava vaquinhas no meu Instagram pra comprar próteses, que são muito caras mesmo. E aí, foi em 2020 que eu resolvi criar meu instituto. Pra gente expandir um pouquinho esse trabalho. Pra eu conseguir ajudar mais crianças, mais jovens.
E é a coisa mais linda do mundo, assim. Quando eu olho pra trás e realmente acredito que isso tinha que acontecer comigo, que isso é um propósito da minha vida, eu acho que o Instituto é a maior concretização, é o maior símbolo disso. É o que me faz acreditar que tem algo muito maior por trás disso. Eu acho que essa era a minha vida, que eu lá, jovem, antes de perder minha perna, não sabia que seria, né? Quando eu lá atrás eu falava, qual é o meu propósito? O que eu vim fazer aqui? Eu não sou boa em nada? Talvez era...
Porque era isso, né? Eu nunca imaginaria que essa seria a vida que eu encontraria anos depois. Fico imaginando essas crianças. E você chegando ali com essa doçura e com esse… Como a gente falou, né? Com esse realismo. Mas com doçura, você não tá fantasiando nada. E como você deve mudar a vida delas em…
Sim, mas muitas delas. É muito emocionante, porque chega a criança que perdeu um membro. É algo muito grande, é uma mudança muito grande física. Mas tantas adaptações também, assim, no dia a dia, na cabeça. E em vez de elas estarem tristes, a grande maioria chega feliz.
Ai, eu quero minha perna rosa brilhante. Ai, posso pôr minha perna lilás, vermelha? É linda. E os meninos, ai, eu quero de tal cor. Ai, posso ter de tal time. Vira quase um brinquedo. Vira, vira um acessório, vira uma forma de brincar mesmo. E aí vão pra escolinha e ficam animados pra mostrarem pros colegas.
Muito lindo, porque tem o desafio. Às vezes, quando é um pouquinho maior, um adolescente, eu falo, ó, vai doer. Vai ser difícil, mas vai dar certo. Vai de pouquinho em pouquinho, mas é desafiador mesmo. Porque às vezes a gente vê e acha que é fácil, né? Ainda mais nas redes sociais. Mas é um mundo muito novo e uma mudança muito grande. Mas é a coisa mais linda do mundo. Tudo na minha vida que eu vou fazer. Seja trabalhar, viajar.
Eu me inspiro, eu penso nas crianças. Então, até quando eu vou fazer esportes novos, agora também eu fui pro kite. É muito legal, eu tenho muita vontade de experimentar. Muito, vamos fazer? Vamos! Nossa, eu… Depois que eu perdi minha perna, eu comecei um lema também. Eu sempre fui ruim em esportes.
Eu também. Eu era boa em tênis jovem, mas eu não era tão boa. E eu pensei assim, agora sem minha perna, todo mundo já vai imaginar que eu não vou ser boa. Então se eu for um pouquinho boa, já vai ser legal. Se eu ficar em pé na prancha, já é muito legal. Eu não preciso ser muito boa, eu só preciso conseguir um pouquinho. E imagina como é que vai ser essa ação pra mim. Se todo mundo achar que eu não vou conseguir, que vai ser difícil demais, e eu consegui.
Isso é muito bonito. Não sei se você tem noção do quanto isso é bonito. Porque tem tudo a ver com o medo que paralisa. Tudo. Porque quando a gente entende… Quando, por exemplo, eu perdi minha perna. Aí a primeira coisa foi pra dança. Eu sempre fui super dura, super sem jeito pra dança.
Aí eu falei, agora? Pô, por quê? Vai ser mais difícil ainda. Então, se eu dançar um pouquinho ali, olha que divertido vai ser. Comer prótese pra todo lado. Então, eu acho que realmente foi perder minha perna que me fez não parar mais pro medo. Que parou de me paralisar. Que me fez tentar fazer do meu jeitinho, tentar começar coisas novas. E aí, fui tentando esportes diversos. Fui pro esqui, surfar, skate. Fazendo nada bem.
Mas fazendo. Do meu jeito. Então, eu vou ali, faço um pouquinho. Aí o kite… Tem anos e anos que eu tento ficar em pé. Agora eu comecei a ficar em pé. Alguns segundos. É muito pouquinho ainda. Mas pra mim…
É isso. Eu não tenho pretensão de ser uma velejadora maravilhosa, incrível. Se eu for, maravilhoso. Mas só de eu fazer e de eu ver a evolução e ver que agora eu já consigo ficar um pouquinho de pé olha que incrível que é. Não, e é exatamente isso. É respeitar o momento. E isso é engraçado. Eu acho que as redes sociais também fizeram um pouco isso com a gente. Porque tem uma coisa de você começa algo novo um hobby, um esporte, um trabalho, não sei.
E a gente quer muito que seja uma vitrine pros outros. Porque é isso, a gente tá vivendo nesse mundo. E na verdade, o processo dificilmente é postável. É, tem razão. Na verdade, não. É postável, mas a gente aprendeu que não. É, por muito tempo, o processo não aparecia. A gente mostrava, olha o que eu fiz, olha onde eu cheguei, né. Mas não os tombos no caminho. Tá ficando mais honesto.
Acho que sim. Acho que pronto, na nossa bolha, talvez. Acho que sim, sabia? A bolha 30 a mais. E eu acho que as pessoas estão vendo que quanto mais honesto você é mais as pessoas se identificam do outro lado. Claro. Quando eu falo, Marcelo, eu sou ruim demais nos esportes, eu também. Olha como a gente conecta.
A gente, antes de começar a gravar, eu tenho medo de afiar, eu também. E são, às vezes, coisinhas, detalhes, nossa, que a gente não compartilharia antes. A gente, antes, né, focava muito o que eu tenho de bom, o que eu faço de legal. As pessoas são muito mais interessantes quando elas são inteiras. Quando elas são completinhas ali, com os defeitos, com as dúvidas, os medos. Absolutamente.
Absolutamente. É engraçado que a gente tem a tendência a achar o outro mais interessante, mas muitas vezes tem uma autocobrança de que a gente seja imbatível e, de novo, basta 80%. Acho que virou o meu lema, tá? Eu amei isso. Isso eu vou levar pra minha vida, o 80%. O 80%, eu achei muito bom. E a carreira de atriz? Pois é.
Conta, como é que começou? Então, minha vida é repleta de surpresas, né. A atuação foi uma dessas surpresas. Então, há alguns anos, eu fiz um trabalho como atriz numa série da Boate Kiss. Nunca tinha feito nada como atriz. E fui convidada pra fazer um teste pra atuar como uma das sobreviventes que perdeu a perna na Boate Kiss. História real.
E quando eu soube da história dela e li sobre ela, eu falei eu quero muito pegar esse papel, eu quero muito estar ali, amputada de verdade, né. Representando ela.
Estudei, estudei muito e passei no teste. E foi um papel mais curtinho, assim. Foi um papel menor, mas muito dramático e muito difícil. Você conheceu ela? Conheci ela depois. E ela é demais. E ela teve gêmeos recentemente, tá super feliz, muito. Fui lá pra onde tudo tinha acontecido, vi ela. Durante a gravação da série, a gente não pôde falar com eles.
Porque era um tema muito delicado e que toca num lugar de muita dor pra eles, né. Ou que perderam amigos, ou pros pais que perderam filhos. E até pros sobreviventes, é um grande luto, é. Então, depois da gravação, a gente foi até Santa Maria, a gente conversou. E durante esse processo, eu vi o tanto que eu amava atuar.
Como eu já tava muito acostumada com internet. A internet pra mim é algo que já ficou natural. E eu falava, como é legal. Eu sei fazer algo pela primeira vez e não saber se vai dar certo. Se estudar, se dedicar. É só na hora que liga a câmera que você descobre se vai dar certo ou se não vai dar certo.
Então, ficou dentro de mim esse amor pela atuação. Que por muitos anos eu não trabalhei mais com isso. E aí, no ano passado, eu gravei uma comédia romântica. E por mais que eu já tenha tido um pequeno contato com a atuação, pra mim foi como se eu estivesse começando tudo do zero.
E como eu senti medo, assim. Era o que eu mais queria. Quando eu recebi o convite de novo pra fazer o teste. Eu falava, é tudo que eu mais quero, eu vou estudar. Eu só preciso passar no teste, eu vou me dedicar 100% do tempo. E dito e feito. Mas como dá medo você começar a fazer algo que você não domina, né? Dá muito medo. Muito medo. Então eu estudava, eu me dedicava, eu lia. Eu ficava 12 horas por dia estudando. E ainda assim, não era o suficiente.
E eu entendi que eu não ia fazer perfeito. O filme ainda não lançou. Mas eu sei que eu fiz tudo o que eu podia. E que não vai ser perfeito em vários momentos. Mas é muito legal a gente se propor a fazer algo novo. Também, você tá falando de perfeito. Mas o que é perfeição nesse caso? Porque pensando numa comédia romântica, acho que a missão é a gente fazer Ai, que amor gostoso, quero viver uma história dessas. Acho que isso é um fator de sucesso, vai.
É verdade, é verdade. E foi muito o que eu pensei, eu quero muito passar honestidade aqui. Eu quero muito passar verdade. Não sou atriz, né, há muito tempo. Não tenho formação como atriz, respeito muito. É um trabalho dificílimo, mas eu vou dar o meu melhor. E que interessante é começar algo novo. Começar a ler sobre isso, coisas que… Eu tinha zero conhecimento, minha vida era…
Influenciadora, apresentadora E só, e foi muito legal E agora eu tô animadíssima pro lançamento E me apaixonei, é algo que Eu gostaria de ficar fazendo E você sabe Que tem alguns estudos Teorias
falam da importância das primeiras vezes, porque na primeira vez que a gente faz algo é também quando o nosso corpo registra aquilo como memória e como algo importante. Então, sabe um certo vazio que pode dar com o tempo, que você não tem quando, por exemplo, você é criança, adolescente, porque você tá ali tentando é muita novidade. Então, o corpo tá o tempo todo lidando com essa. Nossa, gostei, não gostei, mas é novo, você tá registrando. E aí, às vezes, quando bate aquela angústia, um vazio,
Eu conversei isso até com uma amiga minha. Eu falei, será que não tá na hora de tentar algo diferente? Sair um pouco, e não precisa ser algo drástico, como a mudança de carreira. Mas às vezes, ir morar no Rio de Janeiro me dá muito essa vantagem. Porque tem muita possibilidade de esporte. Tô numa temporada carioca que é difícil de abrir mão. Porque estar perto da natureza, areia, mar… Me lembra muito de que eu tô viva.
É muito doido isso, como natureza me lembra de… De estar mais conectada comigo. Eu acho que quando eu tava em São Paulo… Isso não tem nada a ver com São Paulo, porque eu sei que tem uma rixa. Mas assim, eu sou muito grata por São Paulo mesmo. E eu falo isso mesmo quando a câmera tá desligada, eu juro. Eu sou muito grata.
por São Paulo, não tenho nada a reclamar, além das questões óbvias. Mas no Rio de Janeiro, eu tô conseguindo ter uma lembrança do que é a vida para além do trabalho. E isso é algo muito importante pra quem já teve alguns burnouts. Assim, acho que parece que… Sabe quando encaixa, de novo? A gente sabe quando encaixa, né? Acho que sim. Eu acho que sim, quando você…
Tá no caminho certo? Quando é um caminho pra você, eu acho que a gente sente uma calma, né? Eu acho que quando a gente tá num lugar que não é pra gente ou faz uma escolha que não é pra gente acho que vem um desconforto e quando a gente tá atento e conectado com a gente a gente se conhece, acho que a gente sabe talvez a gente não saiba pra onde ir qual que é o caminho certo então mas a gente sabe que a gente precisa se movimentar
E melhor não ignorar. Quando o corpo começa a te dar alguns sinais… Acho. Eu acho bem importante. E essa minha ideia de recomeço veio porque eu tive uma herpes zoster. Que… Gente, não achei que eu fosse falar sobre isso no programa.
Eu vou fazer uma claquete rápida. Eu tive uma herpes zoster. E logo antes, eu tive uma suspeita de câncer no pâncreas. Nossa! É, foi duas sequências de doença que me deu uma chamada pra vida. E eu acho que isso muda a gente. De tal. De que, ó, o tempo é curto, né? É. E muda muito rápido. Mas eu queria saber…
Se você é uma mulher romântica. Você falou da comédia romântica? Eu falei, você sabe que a Paola falou que ela é tão… Foi tão racional, foi… Você acredita no amor? Me fala. Demais! Você viu? Entrando aqui, já falei que era tudo coração. Parece um grande coração que eu tô entrando. Eu sou super romântica, sonhadora. E pra mim, eu tenho 31 anos. Hoje eu tô solteira.
E eu namorei minha vida inteira, assim. Tive vários namorados. Na época do meu acidente, eu namorava há 12 dias. Há 12 dias? Ele tinha acabado de me pedir namoro. E eu não tive o início de um namoro. Meu início de namoro foi eu acordar no meu hospital e ele do meu lado. Super bonitinho, assim. Foi muito legal. E os médicos perguntando coisas que eu morria de vergonha. E eu falava, vou ter que ficar sem vergonha. Porque o que eu vou fazer? Meu início de namoro, vou ter que falar das coisas todas que eles me perguntarem.
E então, eu tive essa experiência com ele que foi super legal. Ficamos três anos e meio juntos. Ele foi um super parceiro. Depois tive vários namorados. E agora eu tô há um tempo solteira. Mas acredito muito no amor. Não, mas tem amor solteira também.
É, é, é, muito amor próprio mas também acredito em vários tipos de amor romântico mesmo E também tem os amigos, essa reconexão Então é a primeira vez desde o seu acidente que você tá solteira? Eu dei uma emendada boa
Eu emendava vários relacionamentos. E eu acho que essa minha mudança também, meu processo de autoconhecimento, terapia, tudo. Me fizeram entender um pouquinho que eu queria ficar sozinha. Queria descobrir o que eu gostava, o que eu queria, pra onde eu queria ir. E até comecei a viajar muito sozinha. Nunca tinha feito isso também. Viajava sozinha a trabalho. Comecei a viajar, assim, duas semanas viajando sozinha. Ano passado, fui passar três semanas em Paris, sozinha, estudando francês.
nunca tinha estudado francês, não falava uma palavra. Fui sozinha, aprender A, B, o alfabeto. Foi tão legal, você andar sozinha na rua, sentar sozinha nos restaurantes. Então eu acho que é tão valioso a gente ter oportunidade de viver isso e de se abrir pra essas experiências novas, que eu talvez nunca me imaginaria viver.
Eu defendo muito isso. Inclusive, às vezes eu encontro com ouvintes na rua e elas falam assim, eu saí pra almoçar sozinha e pensei em você. Eu falei, muito bem. É muito bom. Tem gente que fala, como é que você janta sozinha? Super feliz. Super feliz. E às vezes sozinha, a mesa do lado ainda fala com você pergunta alguma coisa. Acho que a gente sozinha, às vezes a gente fica aberta pra conversar com mais pessoas, pra fazer amizade. Então, mas isso foi algo super novo na minha vida. Que eu me abri e…
Percebi como eu sou feliz vivendo coisas diferentes, viajando pra lugares diferentes com companhia ou sozinha. Mas ainda acredito no amor e sonho, assim, em me casar, em ter filhos, família. É um grande sonho meu. Não sei se eu vou realizar, espero que sim. Então, eu queria, já chegando agora na nossa reta final.
Que conselho Paola daria pra alguém que tá esperando estar pronta pra começar algo? Comece. A gente vive a nossa vida esperando sempre estar pronta, né? Sempre estar mais preparada. A gente nunca acha que é o momento certo da gente fazer algo. Mas a nossa vida, ela é só nossa. Tem decisões que só a gente pode fazer pela gente.
Então, o que a gente faça hoje, assim, é clichê falar que a gente não sabe da manhã, mas a gente realmente não sabe. E que a gente chegue lá na frente, bem velhinho, tendo tranquilidade e felicidade pelas escolhas que a gente teve, pela coragem que a gente teve de começar, de tentar algo novo, pelo primeiro passo que a gente deu, totalmente incerto, pelas mudanças que a gente acolheu, pela gente mesmo com medo ter recomeçado e começado inúmeras e inúmeras vezes.
Então, eu acho que eu levo isso muito pra minha vida, que é só fechar os olhos e ir. Não espera ser estar pronta. Vai. Dá um passinho pequeno. Porque quando a gente se movimenta, a vida vai abrindo. Os caminhos vão abrindo. A gente só precisa dar o primeiro passo. Aquele primeiro iniciozinho, aquele começo imperfeito mesmo.
E a gente vai evoluindo no caminho. Quando a gente gravou o Bom Dia Óbvio no Teatro Municipal, eu falei sobre essa analogia que às vezes você precisa jogar um boné primeiro. Joga um boné pro outro lado do muro.
Sabe, que às vezes é um mini passo que você precisa fazer. Então, eu tenho uma amiga minha que quer se mudar, mas ela tá com medo, ela tá com questões. Eu falei, mas você já abriu o site de uma imobiliária? Eu sei que parece banal, mas assim, talvez isso já vá dando um registrozinho. Até porque, deixa eu te contar uma coisa, já que você também tem medo de avião.
Você sabia que um dos tratamentos pra pessoas que têm muito medo de avião é ir se acostumando com o ambiente do aeroporto? Não. Então, quem tem muito medo, é um tratamento, claro. Mas ir até o aeroporto, se acostumar com aquela voz.
sentir o cheiro você vai deixando o seu corpo se sentir seguro, é assistir vários aviões decolando e pousando, acho que é um pra, enfim, pro medo não te paralisar. Aos pouquinhos você vai dando passos, né? Você dá um passinho, você não precisa dar um passo enorme, né? Isso! Acho que isso que é o perigo, a gente falou sobre constância, o perigo é você achar não, a partir de amanhã eu sou uma corredora e eu corro todos os dias da minha vida e vou correr E aí
Calma. Quem sabe amanhã você corra uma vez. Pra trazer um pouco mais pro que cabe na nossa vida. E talvez assim, levar a vida menos a sério às vezes. Se leve menos a sério às vezes. Porque a vida é muito séria. E ela às vezes é muito desafiadora. Então o que a gente puder simplificar. E o que a gente puder levar com mais leveza. E rir da gente, rir dos nossos tombos, das nossas incertezas.
Isso vai tornando nossa caminhada um pouquinho mais leve. Isso vai facilitando o que não é tão difícil. Então, tô com vergonha? Vai com vergonha! Lá na frente, ninguém vai lembrar. Quantas vezes a gente deixa de fazer algo? O que os outros vão pensar? Como é que eu vou fazer isso? Como é que eu vou postar na internet? Hoje, alguém pode comentar? Gente, daqui a 50 anos, ninguém lembra. Mas você vai lembrar. Você vai chegar lá na frente e vai falar foi por causa daquele vídeo, foi por causa daquela escolha, daquele passo.
que tudo aconteceu. Imagina a vida que você pode construir. A gente nunca sabe. Direto, me perguntam, mas quando começou o podcast? Eu nem lembro. Mas se você me dissesse que eu estaria fazendo isso há sete anos, que eu teria escrito dois livros, indicação pro Jabu… Assim, eu acho que eu não teria nem começado, eu acho que ia me assustar. Totalmente. Eu vejo você, eu falo… Eu comentei antes de entrar aqui. Nossa, tem que ter muita coragem pra ter um podcast, porque às vezes a pessoa não fala. E aí?
Como é que você continua com o assunto ali com ela? E eu imagino… É técnica. É, que o tanto que você deve ter aprendido fazendo, né? Muito! E isso, eu sei que às vezes as pessoas acham que é um conselho quase tóxico. Mas eu fui uma pessoa que minha vida toda eu aprendi fazendo.
Então, eu aprendi fazendo a óbvias. O podcast, os meus livros, assim. Eu entendo que tem muitas pessoas que precisam se sentir muito prontas pra começar algo. Eu sou um pouco contrário. Porque às vezes eu preciso quase negociar com o meu cérebro. Então assim, não, isso não é… Não tô fazendo nada de sério, tô só brincando aqui. Porque se eu acho que é muito sério, eu travo. Faz sentido? Demais!
Demais. Então, até pra escrita dos livros a única maneira de escrever um livro pra mim é mentir pro meu cérebro que ele nunca vai ser lançado. Legal isso! Eu escrevo pensando assim não, isso aqui é pra mim. Deixa eu escrever pra mim. Aí depois eu mando pra editora e aí eu sei que vai ser lançado. Mas na hora de produzir é muito importante pra mim fingir que ninguém vai ver.
Isso é muito legal. Pra fazer grandes decisões, até começar ali fazendo. Sem falar pra ninguém, né? Só vou fazer ali o movimentinho. Não tô querendo nada com isso, só ver. Exato, exato. Brincar. É, é. Levar com leveza. Exatamente, porque as crianças não se importam se elas estão indo muito bem no queimado.
Entendi. Elas vão. Paula, pra gente fechar tem duas perguntas finais que são quadros do programa. Primeiro deles, eu quero saber qual que é a sua fissura atual. Pelo que você está fissurada. Pode ser um filme, um livro, uma série ou até um momento da sua vida. Nossa! Eu tô fissurada? Deixa eu pensar. Tá tudo bem, pode pensar. Posso falar? Comida? Café? Pode, claro que pode!
Eu tô fissurada por café. Sempre gostei de café, mas agora eu tô adorando. Café é diferente, tomo muito café, adoro cafezinho. É um hobby. Que bom, né? E se apaixonado por coisinhas pequenas do dia a dia. Ver, né? É simples, né? Mas é verdade. E o segundo, eu não sei se você vai gostar, porque você falou Nossa, imagina que difícil que é, mas eu sempre...
Deixo à vontade pro convidado ao final se quiser me fazer alguma pergunta. Nossa! Tenho uma pergunta. Por favor. Marcela, qual vai ser seu próximo começo? Nossa! O meu próximo começo. Algo que ainda tá no papel, que você tá com vontade de tirar. Tem algo? Eu acho que é meu terceiro livro.
É meu terceiro livro, que eu acho que eu finalmente cheguei na tese que eu quero elaborar. Ainda não vou contar, mas é o meu terceiro livro. Mas sabe que você perguntou qual é o seu próprio próximo começo? E a minha mãe tem um quadro, assim que você chega na casa dela, imenso. Falando assim, a vida começa todos os dias.
Olha, é verdade. Eu amo essa ideia de que, de fato… E é muito a minha mãe. Ela é muita pessoa de vamos lá, bora, entendeu? Se precisar sofrer, sofre, toma seu tempo também. Mas a vida começa de novo. Mas é verdade. E é aquilo, a gente todo dia acorda com uma página em branco, né? Aquela frase super clichê. Mas cabe a gente pegar a caneta e escrever.
A gente precisa pegar a caneta e escrever a nossa história. Porque é isso, a gente teve nossas escolhas, né. A gente sempre faz escolhas, a gente tem erros do passado escolhas que talvez a gente não faria de novo mas de hoje pra frente, tá nas nossas mãos a gente pode escolher qual vai ser a nossa vida, né. E dá pra escrever mesmo, sabia? Tem uma técnica que é você escrever como se fosse um diário mas em terceira pessoa.
Então imagina que ao invés de falar Hoje eu gravei Eu vou falar, ela gravou o seu programa Com Paola E depois de lá decidiu Então você se coloca um pouco de fora Pra narrar quais os seus próximos passos Da sua vida Adorei, gostei, vou fazer isso Vou fazer aí, às vezes O universo entende aquilo ali, né
Eu acho que o universo tá bem em paz com você, viu? Acho que é você jogar a Paula que ele responde. Ah, você tá colocando muita coisa boa no mundo. Eu sou… Eu acredito muito nisso. Do que a gente tá colocando, que a gente recebe de volta. Obrigada. Muito feliz, amei participar. Volte sempre. Voltarei mesmo. E eu vou cobrar uma aula de kitesurf. Vamos? Corrida, kitesurf. Vamos. Eu não sou boa. Ninguém.
A gente só vai fazer. A gente pega um avião. É, isso. A gente tá muito bem. Exatamente, vai dar certo. Ótimo, adorei. Tá bom. A gente come o lanchinho do avião. E toma um cafezinho. Combinado. Obrigada, querida. Foi lindo, né? Agradeço você que também esteve aqui até o final desse episódio tão bonito.
Espero que essas reflexões cheguem até você como chegaram até mim e abram espaço para pensar com mais clareza sobre o seu próprio caminho. E obrigada também ao Santander por apoiar conversas que trazem tantas reflexões sobre começos e recomeços. Começar com o que tem muda muita coisa. Então dê o próximo passo do seu jeito com o que for possível, mas comece agora. Um beijo e até a próxima semana.
Bom Dia Óbvio é um podcast roteirizado e apresentado por mim, Marcela Crivelli, e produzido e editado pela Zamunda Estúdio.
Santander
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