Episódios de CBN Vida Profissional - Andréa Salsa

Ser mãe atrapalha ou fortalece a vida profissional?

09 de maio de 202615min
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No CBN Vida Profissional deste sábado (09) o assunto não poderia ser outro: a maternidade e o mercado de trabalho. Ser mãe atrapalha ou ajuda a vida profissional? Em que a maternidade pode fortalecer a mulher como profissional? A comentarista Andrea Salsa traça um panorama.

Participantes neste episódio3
F

Fernanda Queiroz

HostApresentadora
P

Patrícia

HostPsicóloga
A

Andréa Salsa

ComentaristaComentarista
Assuntos3
  • Conciliação carreira e maternidadeDesafios da maternidade no mercado de trabalho · Impacto da gravidez em promoções e projetos · Viés inconsciente contra mães no ambiente profissional · Decisão consciente de não ter filhos por foco na carreira · Maternidade solo e seus desafios adicionais
  • Políticas de Apoio à MaternidadePapel do companheiro na divisão de responsabilidades · Desconstrução da cultura do filho como assunto de mãe · Apoio de empresas e colegas mulheres
  • Carreira e Realização PessoalEquilíbrio entre maternidade e carreira · Quebra de tabus sobre culpa materna · Importância de ser mais do que apenas mãe
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CDN Vida Profissional, com Andréa Salsa.

Nós estamos num final de semana em comemoração ao Dia das Mães. E no tema nosso de mercado de trabalho, a gente não podia deixar de tratar desse tema, do quanto que a maternidade pode ajudar ou atrapalhar o nosso desempenho, nossa vida profissional. Não é isso, Andréia? Seja bem-vinda, bom dia e feliz Dia das Mães para você, viu? Pois é, bom dia, Fernanda Queiroz, bom dia.

a todo mundo que está no estúdio, aos nossos ouvintes, especialmente as mães, nessa data tão importante. E é um tema que nem todo mundo está afim de ter, porque ele é delicado mesmo, porque, inclusive, ele é questionador sobre o papel da mãe e da carreira, e algumas pessoas preferem não assumir que é inevitável, que olhando para a cultura atual da gente, ser mãe...

e querer se desenvolver na carreira, o fato da maternidade, ela é um elemento que traz ainda mais desafios. E é claro, Fernanda, que a gente está falando que sempre tem aquele depende, depende da mulher, depende da rede de apoio que ela tem, depende do segmento que ela atua, depende da empresa que ela atua, mas existem elementos que são, no geral, que realmente acabam atrapalhando.

a carreira, e eu queria trazer elementos que realmente atrapalham, que são reais, mas são elementos também que fortalecem, na medida que quando a gente é mãe, a gente até por força social e de exigência, a gente acaba desenvolvendo algumas competências, se a gente olhar direitinho, isso pode vir ao nosso favor e na construção da nossa carreira. Então era mais ou menos por aí.

que eu queria trazer esse papo de hoje aqui no nosso CBN Vida Profissional. Já estou amando. Vamos lá. A defesa ou contra? Por onde a gente começa? Vamos começar pelo contra, que é sempre mais difícil, né? E a gente tem sempre esse papel aqui no nosso CBN para trazer grandes reflexões e pontos realmente para a gente refletir. Não só mulheres, mas homens, né? E cada vez a gente estimulando.

esse lugar também do homem, né, nessa corresponsabilidade com as mulheres, então para todo mundo, aí vamos começar por esse lado que atrapalha. Então vamos falar dessa realidade de mercado, porque vamos imaginar, Fernanda, eu já passei por isso, você também, quantas mulheres, quantas ouvintes nossas que já passaram por isso, que é quando a gente recebe a notícia que está grávida, né.

Algumas demoram um pouco mais a contar no ambiente profissional, outras menos, mas tem uma questão biológica que tem uma hora que não dá mais para esconder, né, Fernanda? É verdade, a barriga cresce. A barriguinha começa a aparecer e não tem como. Então, a partir desta comunicação, o que que no geral, não só o que eu já vivenciei, mas o que eu ouço ainda muito das mulheres, é claro que a gente está falando aqui sempre, vão ter exceções, mas no geral...

Essa mulher, quando comunica na empresa, ela já de partida pode perder projetos. Porque o que normalmente o gestor pensa? Bom, essa mulher está grávida, esse projeto é de longo prazo. Como que eu vou dar a liderança desse projeto para essa mulher e daqui a pouquinho ela sai de licença? Aí acompanhado disso também tem promoções. Então assim, caramba, eu estava pensando em promover essa mulher, mas ela agora comunica que está grávida. Será que eu vou promover, gastar aqui?

um valor adicional da empresa e ela vai voltar da maternidade e quando o neném nascer não vai querer mais trabalhar. E aí começam as fantasias que estão muito conectadas ao que a gente chama tecnicamente de viés inconsciente, de que essa mãe vai estar ali menos disponível. Então começa a ter um imaginário de menor percepção.

de comprometimento e tem um dado de realidade que dificilmente também né vamos supor que você não está no mercado de trabalho mas você engravidou dificilmente alguém contrata uma mulher grávida por todas essas questões que são até objetivas né Fernanda é um dado de realidade a gente quando tá grávida em algum momento a gente vai se afastar do trabalho óbvio que essa criança vai nascer tem vídeos arqueológicos

envolvidas, mas eu acho que no imaginário das pessoas a coisa fica muito maior do que realmente deveria e isso tem influenciado, olha que interessante, porque isso é muito contemporâneo, tá, Fernando? Isso tem influenciado decisões conscientes cada vez mais de mulheres a não terem filhos. O que eu acho que é bárbaro, porque quanto mais mulheres tomarem a decisão consciente do que é ser mãe,

versus uma carreira, e o que a gente precisa, a partir do momento, inclusive, tem o livro que eu sempre, que tem oportunidade, eu sinto, da Sherry Sunberg, que é o Faça Acontecer, Mulheres Trabalho e a Vontade de Liderar, tem determinado momento do livro que ela fala uma coisa que é incrível, ela diz assim, se você mulher tem já como premissa, que você quer construir uma carreira de sucesso, cuidado com quem você vai dividir a sua vida, esse companheiro.

E aí essa companheira também, olhando aí de uma forma mais plural e diversa, mas como a gente tem uma questão muito dos homens que estão se adaptando, né? Cada vez mais essa nova mulher que também quer ter um destaque na carreira. Então, assim, você tem que ter olhar muito bem para quem você vai querer dividir essa vida. Mas ainda que você queira casar com uma pessoa que, em tese, apoiaria, pode ser que a sua decisão enquanto mulher seja não ter filhos.

E isso é muito novo, as meninas muito jovens, as jovens, já pensam muito nisso. E grandes mulheres com carreiras já maduras, dizem que tomaram a decisão lá atrás, conscientes de não querer ter filhos e sofreram muito preconceito. Eu lembro, assim, de cabeça, uma que eu já ouvi uma entrevista dela, a Bárbara.

que é a ministra Carmelúcia, que já é uma mulher madura. Você imagina, lá atrás na carreira dela, ela diz, numa entrevista, que ela tomou essa decisão consciente de não ter filhos, porque ela, desde sempre, queria se dedicar à carreira. E uma mais recentinha, Fernanda, que foi a nossa astronauta, que repercutiu aí recentemente, que foi, inclusive, uma mensagem belíssima de diversidade, que tinha um homem americano, um homem canadense.

Um homem negro e uma mulher. Esta mulher, olha que dado de realidade interessante, era a única mulher dentro daquela equipe que não tinha filhos. Todos os homens daquela tripulação tinham filhos, menos ela. E aí quando a gente vai para dados, dados da Fundação Getúlio Varga, bem fresquinho, diz que a cada sete mães solo, existe um pai solo.

Então, esse fenômeno também da mãe solo é muito grande. Aí, quando você, além de todos os desafios que a gente está trazendo aqui, você ainda é solo, mas ainda esses desafios são enormes. Então, são sempre sete por um, segundo essa pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Então, fora, né, Fernanda, a carga mental que isso significa em nós mulheres, essa dupla jornada, para quem é mãe solo, para quem...

de repente tomou a decisão de ter um filho com um homem que não é tão companheiro, a gente sabe que tem um acúmulo, uma exaustão de atividades, e quando tem o retorno da maternidade, que você toma, recebe a notícia de que está grávida, comunica a empresa, tem todas essas primeiras possíveis perdas, e quando você volta, e hoje, vamos botar uma licença maternidade,

de quatro meses, você realmente deixou até o final, tem empresas que concedem até seis meses, né, dentro aí da nova legislação, também tem um dado de realidade que é, o que acontece numa empresa em seis meses é muita coisa, você pode ter saído num tipo de empresa e voltou numa outro tipo de empresa, então, passa muitos medos na cabeça das mulheres, né, por perda de espaço, a perda...

desse protagonismo, e às vezes, não é raro, mulheres que quando voltam pedem demissão, porque perceberam que não vão dar conta, infelizmente, de tanta demanda ali em relação a isso. Bom, esse é o elemento aí que eu traria, que atrapalha, que é não só os dados apresentam, mas a gente ouve o que as mulheres falam, e a gente mesmo viveu, tem as nossas experiências.

pessoais que comprovam isso. Agora tem um lado que fortalece, né, Fernanda, que não é um dado natural, porque as pessoas querem naturalizar como se fosse fruto de uma essência feminina, como se todas as mulheres estivessem nascido com esse DNA da maternidade, não, isso é uma construção social, mas é uma construção social que a gente também, se ficar ligada, a gente aprende também. Então, por exemplo...

Gestão de tempo e prioridade. A gente tem uma eficiência forçada, porque se tem uma coisa quando a gente é mãe e trabalha, o que a gente precisa fazer, né? O Fernando é dar conta de inúmeros, os famosos pratinhos que a gente vai ali. Então, isso é uma habilidade que se a gente olhar para isso, as mulheres não é à toa, tem vários estudos, vários índices de que mulheres na liderança.

trazem maior eficiência do ponto de vista de produtividade, porque a gente acaba gerando essa eficiência forçada e acaba lidando melhor com o tempo e com prioridade. Além disso, tomada de decisão sobre pressão, então a gente se torna mais objetiva, porque normalmente uma mulher tem esse arcabouço maior de segurar a pressão, porque a vida, carreira e maternidade tem sempre ou quase sempre pressão associada.

A próprio conceito de empatia e escuta, porque a maternidade nos exige muito isso. Então, isso acaba impactando, por exemplo, do ponto de vista de liderança, do trabalho em equipe. E a famosa resiliência, que a gente tem que realmente ter muita resiliência para sustentar a nossa carreira e ainda ser mãe dentro de uma sociedade que ainda nos exige tanto esse papel do feminino, do maternário. Então, a gente, para lidar com essa imprevisibilidade constante... ...se a imprevisibilidade constante...

a gente acaba desenvolvendo todas essas competências. Mas no final, né, Fernando, o fator decisivo que a gente sabe não é a maternidade em si, gente, mas é o contexto, né? O contexto que você está de novo, a tua rede de apoio, em quem você decidiu tomar essa decisão de ser mãe, a empresa que você trabalha, de repente você tem o teu próprio negócio, e aí isso facilita talvez algum manejo ali em termos de horário, ou na correlação aí.

com os teus clientes, mas sempre reforçando aí esse papel de corresponsabilidade com quem você toma a decisão de ter um filho, que é um projeto de vida, né? Não tem como voltar atrás, né, Fernando? Ah, desiste, já não deu certo, né? Igual você compra uma bolsa, um sapato e você acha que não dá mais para ter aquilo. Então, realmente é um cuidado que tem que ser compartilhado e quando você encontra esse companheiro que compartilha, né?

a sua vida e esse projeto do casal que é um filho, não tenho dúvida que o impacto na carreira feminina, ele diminui muito. Eu, felizmente, tenho isso. Consigo abrir com o meu marido, minha mega cena acumulada. Fernanda, e ouvinte, eu chamo ele de mega cena acumulada porque, realmente, na carreira que eu optei e tenho construído, se eu não tivesse um companheiro do meu lado. Agora, minha filha é adulta, mas quando era bebê e criança, dependia tanto, né?

ter um companheiro que divide ali as responsabilidades faz toda a diferença. Então, há para a gente cada vez mais desconstruir essa cultura que ainda trata o filho como assunto de mãe. E filho não é assunto de mãe, é assunto de um casal que tomou a decisão. Então, era um ponto, isso que eu queria trazer no quadro de hoje, esses prós, os contras, e trazendo de forma como a gente sempre traz aqui no nosso quadro, de forma muito realista, sustentada em dados.

e na sensibilidade também, que a gente sempre tem de ouvir a opinião dos nossos ouvintes, que sempre trazem recomendações. Então, acho que no final da linha é paz, assuma o seu papel de compartilhar junto com as esposas, empresas, vamos ter menos preconceito, julgamento, e vamos apoiar mais. E um recado também para as mulheres, que são sempre pontos de apoio, deveriam ser.

pontos de apoio para outras mulheres quando essas mulheres voltam, sobretudo para o trabalho, ter o apoio de outras mulheres que passaram por aquela experiência faz toda a diferença, Fernanda.

É, e aí, para finalizar, eu acho que quando a gente aprende a administrar todos esses pratos aí no equilíbrio, a gente adquire outras também, outras qualidades, virtudes e até estratégias. Eu, por exemplo, me lembro que quando eu voltei da minha licença à maternidade, Andréia, um entrevistado virou para mim e falou assim, nossa, a maternidade te transformou.

E aí, eu fiquei pensando naquilo, né? E a gente volta mais... Com tanta coisa para fazer, a gente volta mais leve, mais flexível também. Porque a vida nos dá, né? Nos leva para um caminho de que ou você tenta administrar tudo de alguma forma ou você é surto. Então, você prefere seguir administrando, não é mesmo?

Sem dúvida. E aí volta, né, quebrando alguns rótulos. Fernanda, quer ver uma coisa? Não sei se você viveu isso, mas eu vivi várias quebras de tabus.

de que, por exemplo, a mulher quando tem que voltar para a licença maternidade, ela sofre muito, cheia de culpa. Eu sei que isso é realidade para algumas mulheres, mas eu fiquei louca para voltar para trabalhar. Tudo que eu queria era ser alguma coisa além de mãe, porque mãe é uma coisa importante, mas a minha carreira também era muito importante. Então eu lembro que lá, muito jovem, eu fui mãe muito jovem, e as minhas amigas ainda não tinham sido, e eu imagino, de uma geração lá atrás também.

em que se não discutia muito esse mito da maternidade perfeita. Então, voltar para a atividade, para a sua realização pessoal no trabalho, também é muito importante. Me fortalecia para depois estar melhor para a minha filha, quando eu voltasse mais feliz, mais realizada, como você está dizendo aí. Então, o que é importante, né, Fernanda? Não tem receita de bolo, não tem pragmatismo.

listas, faça isso, faça aquilo. O fato é, é ainda um elemento que tem interferido sim na construção da carreira das mulheres, mas ainda que a gente opte pelo desenvolvimento da nossa carreira, é possível encontrar caminhos positivos e alternativas para a gente continuar.

tendo as duas coisas e buscar ser feliz nos dois papéis. É isso aí. Excelente reflexão e já te espero no próximo sábado. Um beijo para você. Um beijo grande e até sábado que vem.

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