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Orar Pelos Inimigos - Giordano Luz - 28.04.2026

01 de maio de 202632min
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⁴³ Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.

⁴⁴ Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;

Mateus 5:43,44

Participantes neste episódio2
G

Giordano Luz

Host
J

Jorge Oliveira

Convidado
Assuntos6
  • Fraternidade e Amor ao PróximoInterpretação literal vs. transcendental · O inimigo como projeção interna · Combate ao fanatismo, vício e crime internos
  • Passividade vs Posicionamento em FéDiferença entre paz e passividade · Exemplos de Jesus agindo contra a astúcia humana · A necessidade de agir diante de injustiças · O perigo da acomodação e da omissão
  • Transformação PessoalO vício como luta interna · A importância do 'só por hoje' no combate ao alcoolismo · A necessidade de vigilância e cuidado com influências externas · A transformação como desligamento de um universo anterior
  • Práticas concretas de transformaçãoO perigo de adiar a mudança · A transformação começa hoje, não na segunda-feira · O processo é mais importante que o resultado
  • Domínio próprioA invasão da casa como exemplo de passividade · A falta de controle sobre pensamentos e crenças · A importância de defender o que é nosso (mente, crenças)
  • Equilíbrio entre tradição e modernizaçãoDiferença entre tradição e fé consciente · Exemplo de Jesus questionando tradições · A necessidade de abandonar tradições que não fazem mais sentido
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Boa noite irmãos, Deus conosco. Graças a Deus por estarmos mais uma vez aqui reunidos pela oportunidade de juntos aprendermos e refletirmos sobre os ensinamentos que hoje nos são trazidos.

Bom, irmãos, para a nossa conversa dessa noite, para a construção que a gente está disposto a fazer nesse breve momento que estamos reunidos, eu quero começar abordando um tópico que a gente conversou, que a gente trouxe para análise na reunião de domingo, em Capão da Canoa. Os irmãos que não assistiram ainda podem assistir, foi transmitido pelo Facebook exclusivamente.

Nessa reunião, o irmão Jorge Oliveira nos trouxe duas colocações que são muito famosas. Um dos ensinamentos é, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.

E o outro ensinamento é em relação a como se deve tratar os inimigos. Devemos orar pelos inimigos, bem dizer os que mal dizem. A gente deve tratar os inimigos da mesma forma que nós gostaríamos de ser tratados. Ele até citou, desejar para os filhos dos inimigos aquilo que nós desejamos para os nossos filhos e assim por diante. E, obviamente, é uma...

É um contexto muito interessante da gente analisar, primeiro porque fala de coisas bastante emblemáticas. Essa questão dos inimigos sempre é muito radical, digamos assim até. Porque dentro da doutrina do Cristo, uma das coisas que nós buscamos é justamente não ver as coisas dessa forma, porque nós aprendemos a olhar com uma visão mais transcendental. Na prática é isso. Se nós sabemos que tudo é a vontade de Deus... ...

Quem são os inimigos? E o comum das pessoas associarem na leitura desses versículos é justamente isso. Ah, o inimigo é aquela pessoa que eu não concordo. Ah, é aquela pessoa que tem uma visão diferente da minha, é uma pessoa que eu não gosto. O inimigo é uma pessoa com quem eu não me dou bem. O inimigo é sempre alguém fora. Mas se a gente olhar a trajetória de Jesus...

A gente comentou isso no domingo, eu comento de novo agora. Ele falou sempre de forma muito figurada. Inclusive, um dos maiores escândalos das coisas que ele disse foi aquele que não comer da minha carne, não beber do meu sangue, esse não terá parte comigo. Então...

Ali, os que estavam seguindo Jesus se escandalizaram e foram embora, justamente por não entender, por não entender que a conversa era num sentido figurado, e não só figurado, como transcendental. Então, é importante que nós aqui, que estamos nessa caminhada, a gente também entenda dessa forma. A gente entenda que...

muito do que nos é trazido hoje nós não vamos ver especificamente da forma literal, mas veremos de uma forma transcendental. Ah, então tudo bem eu ver o outro como inimigo? Não, não, esse é um processo que também se transforma. A própria visão de inimigo hoje já é uma visão que se tira, uma própria palavra que se tira do nosso vocabulário. Porém, o entendimento maior é de que o inimigo é...

Ninguém além de nós mesmos. Porque na prática a luta constante que nós temos é conosco mesmos, é com a ideia de quem nós somos, é com a ideia das coisas que nós precisamos superar. Por exemplo, nós estamos...

Nós podemos, muitas vezes, discordar de visões de outras pessoas e ter percepções diferentes. Mas quando nós dizemos aqui, quando nós falamos da finalidade da sociedade de filosofia, nós dizemos, no final, o combate ao fanatismo, ao vício e ao crime. É muito comum também que a gente entenda que isso é em relação às pessoas que são criminosas, às pessoas que são viciadas, às pessoas que são fanáticas. Mas, na verdade...

a luta e o combate ao fanatismo, ao vício e ao crime, acontece inegavelmente, inevitavelmente, dentro de nós mesmos. Porque nós precisamos, ao invés de sermos fanáticos, trabalharmos com uma fé consciente e raciocinada. Então, nós não levaremos uma fé consciente e raciocinada para outras pessoas, caso nós não tenhamos em nós. Se nós não soubermos no porquê nós acreditamos em algo e no que nós acreditamos, não poderemos passar isso para outras pessoas. Seremos apenas...

religiosos repetindo coisas que ouviram de outros lugares, ou de outras pessoas falando, mas não sabem por que falam. É o fanatismo. Defendem uma ideia que não entendem, defendem uma ideia que desconhecem. O vício é a mesma coisa. O vício, a gente pode discordar de qualquer pessoa à nossa volta, mas...

O vício é a maior discórdia dentro de si mesmo. Por quê? Porque é uma pessoa com um hábito, com um desejo, com uma vontade, com uma força dentro de si, contrária àquilo que ela gostaria. Então, vamos pegar os vícios mais emblemáticos, que são mais fáceis de nós visualizarmos. A pessoa que está lutando contra o alcoolismo, ela tem em si...

o seu pior inimigo quando vem a vontade de consumir álcool. E ela tem dentro de si o seu maior aliado quando há o posicionamento e a firmeza de posicionamento para que ela não faça isso. Por isso que o AA, os Alcoólicos Anônimos, tem o lema tão conhecido de só por hoje. Porque é um dia de cada vez vencendo essa batalha.

que não se cura, hoje a visão sobre o alcoolismo é que ele não se cura, ele é dominado, ele é controlado, então a pessoa fica constantemente em estado de vigilância, vejam só meus irmãos, não é de novo, não é como aquela pessoa que tu discorda e aí tu simplesmente não está perto, não, tu está contigo o tempo todo, tu precisa estar vigilante contigo o tempo todo.

Não precisa estar atento sobre o que você vai fazer, o que você vai pensar, por onde você vai ir, com quem você vai falar, por quê? Vamos pegar o exemplo da pessoa que luta contra o alcoolismo. Se ela estiver com a companhia errada e tiver a sugestão, o incentivo para beber, ela vai possivelmente estar mais fraca nesse processo de vencer o vício do álcool. Então, as pessoas com quem ela anda, ela tem que cuidar. Os filmes, livros ou qualquer tipo de conteúdo que ela consome...

Dependendo do contexto de identificação, o nível de identificação que se tem com essa obra cultural, digamos assim, pode ser sim um incentivo, pode ser gatilho para que exerça o consumo do álcool. Dependendo do lugar que ela está. Não, eu estou tranquilo, nossa, não bebo, não consumo mais álcool. Mas está todo dia passando na frente do bar que ela tinha o hábito de beber.

Não ajuda, não é a melhor ideia, não é o melhor caminho. Mas aí é necessário que haja no interno da pessoa a certeza de que ela de fato quer vencer isso, porque aí ela vai fazendo uma transformação. Ela vai fazendo uma transformação.

em si mesma, onde ela se desliga de um universo que ela estava conectada. Ela não anda com as mesmas companhias, caso essas pessoas não estejam dispostas a apoiá-la nesse processo de transição, nessa mudança. Ela vai ter que deixar as companhias para trás muitas vezes, ou vai ter que ter muito mais força do que teria só consigo. Ela não vai poder estar nos mesmos lugares que estava, porque isso vai exigir dela muito mais força.

É aquele tipo de coisa. Ok, eu não quero mais beber, mas eu ando com pessoas que bebem, eu consumo conteúdo de bebida, eu vou em lugares que se consome isso e tem fácil acesso para mim, eu estou sempre, enfim, pensando nisso.

É quase como se fosse uma bomba relógio pronta para estourar. Então, hoje a gente está justamente nesse processo de transformação. Hoje nós somos convidados a orar pelos nossos inimigos, que são ninguém além de nós mesmos. Então, na prática, nós estamos falando de um processo de pedir sobre os processos que se vivem. Ah, Jordano, então quer dizer que isso não falava sobre outras pessoas? Não, não foi isso que eu disse. Eu digo que...

No processo onde a gente está hoje na humanidade, não cabe a nós mais vermos inimigos entre nós. Podemos ter, com certeza, divergências de entendimento. E aqui é importante que a gente entenda. Quando nos é ensinado que nós não devemos mais ter inimigos, que nós devemos orar pelos inimigos, que nós devemos orar por aqueles que nos perseguem, ou enfim, toda a continuidade desse contexto, aqui eu chamo a atenção para um detalhe.

Está certíssimo isso, meus irmãos. É fundamental, é um ensinamento básico da doutrina. Mas vamos nos atentar a uma coisa. Nós estamos falando de uma visão que se constrói sobre o que fazer em relação às ideias contrárias. O que eu quero dizer com isso?

Imaginem, meus irmãos, a igreja católica conquistando novos territórios e chegando nesses territórios e passando uma visão justamente dessa forma, dizendo, vocês precisam entender, igreja católica falando, vocês precisam entender que tudo é uma vontade de Deus, que vocês não podem julgar, vocês não podem fazer a justiça por vocês, vocês precisam se sujeitar àquilo que Deus tem programado.

O discurso está correto? O discurso está correto, com certeza.

Porém, ele nos leva, se não for entendido da forma correta, ele nos leva ao invés de um ambiente pacífico, nos leva a um ambiente passivo. E qual é a diferença? Em um, nós temos paz, porque nós vemos que de fato tudo é a vontade de Deus. Em outro, nós reconhecemos atitudes que precisam ser tomadas, mas não tomamos porque nós nos omitimos. E essa é a diferença.

Nós não podemos confundir a ideia de que reconhecemos que tudo é uma vontade de Deus com o fato de nós não agirmos diante de coisas que precisam ser feitas. Um exemplo.

É justamente o que nosso Senhor Jesus Cristo fez quando os comerciantes negociavam no templo. Jesus, o mensageiro do amor, o que trouxe a boa nova, o que traz a mensagem mais sublime, o maior dos enviados divinos, o que se sujeitou à vontade de Deus, o que foi crucificado e não revidou, o que ensinou a dar a outra face, teve diferentes momentos onde ele desafiou o conhecimento estabelecido.

quando seus discípulos colheram as frutas e comeram no sábado, quando ele, como eu já disse, virou as mesas dos comerciantes dentro do templo e tantos outros contextos que a gente pode citar. O que faz com que haja uma diferença entre momentos que Jesus tem uma atitude, muitas vezes até radical,

quanto momentos onde ele simplesmente se sujeita a algo que parece talvez até mais doloroso, até mais difícil, até mais desafiador. Se nós olharmos, ele se sujeitar ao calvário, a carregar a sua cruz, a ser crucificado, é muito mais radical do que ele concordar que os discípulos não deviam comer num determinado dia da semana.

É interessante que a gente entenda, meus irmãos, o que de fato está sendo obedecido. Quando Jesus questiona, vira as mesas dos comerciantes, ele está dizendo, vocês estão se aproveitando da fé das pessoas e buscando vender aqui dentro, dentro da casa, que é para ser um espaço puro, dentro de um local onde deve ser protegido, onde tu deve...

proteger a tua mente, tu está sendo na verdade enganado por pessoas que estão ali colocadas dizendo que estão fazendo isso em obediência a Deus, isso é astúcia humana, Jesus não tolerou isso quando Jesus vê quando Jesus é questionado porque os seus discípulos comeram um dia que não deviam

Jesus também percebe ali a astúcia humana, quando eles diziam, ah, eles não podem comer aqui, ele diz, vocês estão muito preocupados com o que está entrando pela boca, vocês estão muito preocupados com o que estão comendo agora, porque isso é uma tradição de vocês, mas vocês não se preocupam com o que sai da boca de vocês, porque o que sai da boca de vocês, isso está no coração, e o que está no coração, isso sim é relevante, não essa tradição vazia que vocês estão fazendo.

Então, vejamos meus irmãos, esses dois contextos, Jesus percebeu a astúcia humana, e nessa astúcia ele se posicionou de forma bastante enfática, deixando bastante claro que aquilo não era correto.

num contexto muito mais doloroso, muito mais difícil, onde ele teria que se sujeitar à dor física, humilhação, sofrimento de várias espécies, sofrimento para aqueles que o amavam e assim por diante, ele não revidou. E quando quiseram dizer para ele, Senhor, vamos revidar, vamos defender, ele disse, afasta de Satanás, não é esse o caminho, não é isso que nós faremos.

Está escrito e assim deve ser que isso aqui será vivenciado. Ele humildemente ainda pede ao Pai, Senhor, se possível, afasta de mim esse cálice sem que eu beba. Mas, que acima de tudo seja feita a tua vontade. Ou seja, Jesus se sujeita à vontade de Deus. Plena, pura, pura. Mas ele se posiciona diante da astúcia humana, diante da malandragem das pessoas. E aí nós vamos entrar na pergunta mais óbvia aqui.

A astúcia humana não é também uma vontade de Deus? E aqui é o ponto, meus irmãos. A astúcia humana não é também uma vontade de Deus? Que os comerciantes estivessem vendendo dentro do templo não era também uma vontade de Deus? Que houvessem as tradições vazias também não era uma vontade de Deus?

Sim, meus irmãos, era. Como tudo é. E nós sabemos que tudo é uma vontade de Deus. Mas há momentos onde é necessário agir. Há momentos onde é necessário sujeitar-se. Nós constantemente temos aqui...

histórias, histórias que ilustram essas nossas conversas. E dentre essas histórias, eu não vou contar a história, mas vou lembrar os irmãos que conhecem, tem a história do animal, não me lembro se era um tigre, um urso, uma raposa, que sabia que ia ser alimentado. Estava...

Estava crente de que ia ser alimentado. E aí orou, e orou, e estava esperando que a comida viesse. Morreu de fome, no fim, porque orou, orou, mas não foi caçar, mas não foi buscar seu alimento. E a gente conhece essa história, os irmãos vão lembrar dela melhor do que eu.

A gente conhece essa história, nós entendemos ela, mas muitas vezes nós somos esse animal que fica orando e esperando por algo que nós não buscamos, que nós não agimos. Nós usamos muitas vezes dois pesos e duas medidas, porque quando nós estamos com algum interesse financeiro, social ou de qualquer outra ordem, que nos é conveniente no âmbito humano...

nós vamos trabalhar, nós vamos atrás, nós vamos buscar os recursos, nós vamos buscar uma forma de fazer acontecer. Mas muitas vezes quando é para esse processo transcendental, quando é para esse vivenciamento de uma espiritualidade mais real, nós nos acomodamos e ficamos passivos. Ah, mas tudo é uma vontade de Deus, né? Poxa, tudo é uma vontade de Deus. Afasta-te, Satanás, porque essa visão está errada. Ela está errada. É necessário que nós saibamos, meus irmãos, entender.

Quais são as lutas que nós devemos lutar, quais são os momentos que nós devemos nos sujeitar. Então muitas vezes nós vamos olhar para uma situação e ficar na dúvida. Pô, mas será que isso aqui... E aí a pergunta mais óbvia que nós precisamos fazer é, essa é a pura, perfeita e agradável vontade de Deus?

Ou isso é uma expressão da natureza, da vontade e da astúcia humana? Porque se isso for para servir a interesses humanos, meus irmãos, isso não tem sentido. Isso não tem sentido. Vamos pegar os mesmos exemplos que eu gosto de citar. Eu gosto de voltar em períodos da história.

Nós tivemos séculos do chamado período das trevas, idade das trevas aqui no planeta, que basicamente, meus irmãos, foi quando a igreja romana reinou, estava ligada diretamente a poder político, e ela simplesmente impedia que as pessoas pudessem estudar. E, enfim.

qualquer coisa era tida como bruxaria, qualquer coisa era tida como heresia, qualquer coisa era tida como justificativa para que a pessoa fosse queimada, fosse morta, fosse perseguida, e mais do que isso, isso era usado para colocar vizinho contra vizinho.

Porque no período da inquisição, as pessoas vendiam uns aos outros. Eu me desentendi com o vizinho, eu vou dizer para o inquisidor que está aqui na nossa região que ele faz magia. Que ele lida com chás, que ele estuda, que ele sabe ler. Meu Deus, eu vou dizer isso. E aí a pessoa ia lá e entregava, porque ela não gostava daquela outra pessoa. O inquisidor ia lá, pegava, e as únicas opções que a pessoa tinha era...

confessar e talvez morrer rapidamente, ou negar até o fim e aí morrer de forma muito criativa e dolorosa. Então esse era o contexto do mundo.

Era uma vontade de Deus? Tanto era uma vontade de Deus que estava profetizado que isso iria acontecer, meus irmãos. Mas ainda assim foi necessário que muitas revoltas, muitas revoluções acontecessem para que nós saíssemos disso. Muitos irmãos nossos do passado morreram, deram suas vidas para que nós hoje pudéssemos falar tão abertamente sobre coisas que muitas vezes nós nem damos tanto valor.

Às vezes a gente desconsidera até a relevância e a grandiosidade desse simples fato de nós podermos aqui, como hoje, do conforto dos nossos lares, refletirmos e pensarmos sobre aquilo que é dito.

porque nós estamos tão acostumados. De podermos falar tão abertamente sobre o que acreditamos ou deixamos de acreditar, porque nós estamos acostumados. E isso, meus irmãos, é muito perigoso. É muito perigoso, porque nós achamos que sempre foi assim, quando na verdade não foi. Não foi. Se nós olharmos a Segunda Guerra Mundial, pessoas foram mortas porque acreditavam em coisas diferentes, em um processo muito semelhante ao da Inquisição. Pessoas eram vendidas também, eram denunciadas por...

pessoas que estavam muito interessadas nas suas posses, nos seus bens. Então, a história não é tão distante. E esse posicionamento, meus irmãos, ele é necessário. Ele é necessário antes de mais nada conosco mesmos. Nós precisamos entender quais são...

quais são as situações que nós devemos nos posicionar e pedir a Deus para termos a coragem e a firmeza para de fato fazermos isso. Se hoje algum dos irmãos enfrenta uma situação de alcoolismo, como nós citamos, que tenha a força necessária, que Deus ampare para que consiga passar por isso. Talvez a maioria dos irmãos esteja dizendo, graças a Deus eu não vivo isso, que maravilha, que bom, mas que cada um de nós tenha a força necessária para vencer os seus vícios, para vencer aquilo que hoje...

muitas vezes ainda é soberano sobre nós. Isso é um problema, meus irmãos, quando nós ainda estamos sendo subjugados por vontades maiores do que aquelas que nós sabemos que deveriam ser, as que pautam o nosso dia a dia. Que Deus nos livre desses contextos, nos dê a firmeza necessária para que nós nos mantenhamos no caminho que hoje nós somos chamados.

Nós estamos diante de uma grande possibilidade. Mas se nós optarmos por esse caminho passivo e não pacífico, mas o passivo onde nós não agimos, nós perderemos. Nós deixaremos essa oportunidade passar. Vamos fazer uma comparação muito simples. Se alguém simplesmente entrasse na nossa casa e dissesse a partir de agora essa casa é minha. Essa casa é minha. Tu não mora mais aqui.

O que nós faríamos, meus irmãos? Nós diríamos, poxa, que pena, hein? Vou ter que procurar outra casa. Ou tomaríamos algum outro tipo de atitude. E talvez, talvez, algum dos irmãos ache que essa situação é improvável.

E assim, acredito que nos nossos contextos aqui não aconteça tanto, embora sim aconteça, mas nós temos países que estão vivendo uma realidade assustadora em relação a isso. Dois exemplos são, talvez o mais evidente, seja a Espanha.

onde as pessoas estão de fato com esse problema. Tem muitos casos de pessoas que saem das suas casas, por exemplo, vai passar um tempo de férias em uma outra região, e quando volta, alguém entrou na casa, alguém entrou na sua casa e passou a viver ali. E por passar a viver ali, o dono da casa olha para aquilo e diz, mas é minha casa, é minha casa. Sai da minha casa, ele diz, não, não, é minha casa. O invasor diz, agora a casa é minha.

O que o dono do imóvel, que morava ali até então, faz? Ele chama a polícia. Daí a polícia diz, a gente não pode tirar sem uma ordem judicial. Daí o que ele faz? Ele entra na justiça. E esse processo na justiça espanhola leva anos, anos, para ser julgado e determinado se a família deverá ou não sair. E quando essa família tiver que sair, ela ainda precisará ser colocada em algum lugar que será pago pelo dono do imóvel.

porque não pode deixar a família na rua. Estados Unidos acontece uma coisa um pouco semelhante, tanto que, aí surge um empreendedor que tem uma solução para isso, ele é contratado, imagina o seguinte, você estava na sua casa, você saiu para passar férias em um lugar, quando você voltou, uma família está morando na sua casa e disse que não vai sair. Esse dono do imóvel, ele contrata esse cara, e esse cara... E aí

Entra nessa casa também, porque se é uma invasão ele também invade, e ele passa a viver ali com os invasores. Só que ele vira uma pessoa extremamente insuportável, faz barulho, incomoda, é sujo, enfim. De modo que normalmente os invasores vão embora antes. Essa situação talvez seja até caricata demais, mas ela é real, ela tem acontecido de fato. Mas vejam só, meus irmãos.

Para nós é estranho a ideia de alguém chegar à força nas nossas casas e assumir o controle. Porque a casa é nossa. É minha casa, eu moro ali.

Mas nós não nos preocupamos tanto com os nossos pensamentos, com as ideias que nós aceitamos. Nós não nos preocupamos tanto com o que nos é dito para acreditar, com o que nos é dito para fazer, com o que nos é dito para obedecer. Nós simplesmente obedecemos.

Nós nem tomamos controle sobre aquilo que nós pensamos, sobre aquilo que nós acreditamos, meus irmãos. E por isso nos tornamos fanáticos. Se eu perguntar para os irmãos para que time torcem, os irmãos nem me perguntarão sobre qual esporte é. Quando eu perguntar que time torcem, automaticamente...

saberão que é futebol, ou deduzirão que é futebol, e dependendo da região do Brasil que estiverem, a tendência de torcerem para algum dos times daquele estado é gigantesca. Então aqui no Rio Grande do Sul, automaticamente deduzirão que falamos de futebol, quando eu disser time, e na maioria...

estarão divididos entre Grêmio e Inter. Dependendo do estado que os irmãos estiverem, ouvindo isso, serão outros times de futebol. E talvez, desculpem se eu tenha deixado algum time de fora. Não me perguntarão se é um time de basquete, porque não é algo tão relevante aqui no Brasil. Não é uma cultura tão forte aqui no Brasil quanto o futebol.

Então, por que eu quero dizer isso? Porque o contexto que nós estamos, meus irmãos, determina muito dos nossos gostos, determina muitas das nossas crenças, determina muito daquilo que nós vivemos e por que vivemos, determina muito do que nós defendemos, inclusive. Então, hoje, nós estamos dentro do caminho da obediência a Deus, dentro da doutrina do Cristo. Nós cremos nisso, meus irmãos?

Mas nós cremos porque nós pensamos sobre isso, raciocinamos e sabemos porque acreditamos, ou nós apenas acreditamos porque estamos acostumados a isso. É importante que nós estejamos aqui sabendo porque fazemos parte disso, porque isso nos fortalece enquanto grupo.

Se nós sabemos porque cremos em algo, nós de fato estamos envolvidos com isso. Caso contrário, nós estamos simplesmente repetindo aquilo que nós ouvimos, como nós dissemos no começo dessa reunião. Então hoje, meus irmãos, nós estamos sendo convidados para um processo de transformação muito grande, muito maior do que nós percebemos. Primeiro, enfrentar a nós mesmos, enfrentar o grande inimigo, que é nós mesmos, que somos nós mesmos.

É olhar para todos os desafios que nós temos, todas as coisas que nós trazemos no nosso interno e entender que muitas dessas coisas não devem encerrar essa jornada conosco. Então nós começamos aqui a jornada com algumas dificuldades, com alguns desafios, mas quando encerrarmos ela, torçamos para que nós tenhamos superado muitas dessas dificuldades. Caso contrário, oportunidade perdida. Mas...

é muito possível que a gente consiga, pela vontade de Deus, por isso estamos aqui. Então nós estamos justamente nesse processo de melhorar a nós mesmos. E, como nós começamos na reunião dizendo, não deixemos para amanhã aquilo que a gente pode fazer hoje, e a gente está justamente ciente, ou nos tornando conscientes, de que hoje é o grande dia, hoje é o momento de nós nos transformarmos.

Então hoje é o dia que eu vou deixar esse vício para trás. Se é o alcoolismo, que seja o alcoolismo. Se é qualquer outro exemplo de vício, mas qualquer outra situação que exerce poder sobre mim, que seja hoje o dia que eu vença isso. Que seja hoje o dia da libertação, o dia da salvação. Que hoje eu alcance a redenção daquilo que me atrasa. Que hoje seja o momento de transformação.

porque isso é a paz. Quando nós de fato ingressamos nesse caminho e vivenciamos essa espiritualidade real, meus irmãos, aí sim, nós não estamos em um contexto passivo onde nós deixamos de agir. Nós estamos encontrando paz, um ambiente pacífico, não passivo, pacífico, no qual nós temos a certeza de que tudo está dentro do contexto que está.

que nós somos expressão da vontade de Deus, e por sermos expressão da vontade de Deus, as palavras que nós falamos, elas são em harmonia, os pensamentos que recebemos são em harmonia, os contextos que nós estamos são em harmonia. Ah, então quer dizer que a partir desse momento, quando eu entro nessa vibração espiritual, aí eu não vou mais questionar o que está acontecendo, ou qualquer coisa assim. Não, muitas vezes vai até ser mais, muitas vezes vai até questionar mais. Mas...

Não para que o teu ego prevaleça, não para que tu mostre o teu poder, mas porque...

simplesmente não cabe mais um momento sem questionar as bases que antes vinham. Então, imaginem, meus irmãos, a gente citou o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo quando Ele foi questionado porque os seus discípulos estavam colhendo frutas e comendo em um dia que não podiam. E a gente pensa que foi, e de fato foi, muito revolucionária a resposta de Jesus quando Ele diz

Reiterando, quando ele diz, vocês estão preocupados com o que eles comem, porque entra na boca no dia errado, mas vocês não estão preocupados com o que vocês falam, que sai da boca de vocês. Jesus foi revolucionário na resposta. Mas os discípulos também não foram revolucionários ao agirem diferente do que eles agiam antes?

Porque até então eles tinham o hábito de preservar os dias, como os doutores da lei diziam para fazer. Eles tinham o hábito de manter as tradições. Mas ao se depararem com a mensagem de Jesus, eles entenderam, isso já não faz mais parte de nós. Então eles não foram colher a fruta e comer no sentido de afrontar. Mas ainda assim sua atitude afrontou. Eles foram simplesmente porque para eles não fazia mais sentido. Traçando um paralelo para nós, meus irmãos.

É como na sexta-feira santa a pessoa fazer um churrasco. Ah, mas isso vai ser afrontoso demais. Eu não estou dizendo o que tem que fazer.

Não estou dizendo que tem que fazer, mas estou dizendo que comer o peixe na sexta-feira santa é sim manter a tradição. É sim manter a tradição. Assim como comemorar ainda as datas festivas religiosas é manter tradições, meus irmãos. Hoje isso não cabe mais dentro da doutrina. Isso não faz mais sentido para nós. Ah, mas é Páscoa. Não é Páscoa.

Não é Páscoa, hoje nós não comemoramos mais isso. Ah, mas é Natal, 25 de dezembro é Natal, para com isso. Não é Natal, isso não nos cabe mais. Nós somos chamados hoje para deixarmos para trás aquelas tradições que não fazem mais sentido, assim como os nossos antepassados também fizeram.

nos libertarmos, meus irmãos, nos libertarmos dessas coisas, não para que sejamos afrontosos nas nossas atitudes, mas para que as nossas atitudes demonstrem no que de fato nós acreditamos. O processo de transformação, meus irmãos, ele traz coisas maravilhosas.

mas também traz desafios. Nós nos desapegamos de coisas que nós até então gostávamos, deixamos elas para trás. Algumas através do domínio próprio, por reconhecermos que não fazem mais sentido. E ainda que eu goste, eu não faço porque não me convém. E outras, simplesmente porque elas perdem o brilho que antes elas tinham. Então é muito mais fácil. Eu sempre cito o exemplo, né? Eu não tenho dificuldade de não fumar. Posso ver uma carteira de cigarro tranquilamente, porque eu não tenho esse hábito.

Mas não é essa a minha luta. Eu tenho outras para vencer. Então cada um de nós vai ter facilidade para algumas coisas e dificuldade para outras. Que Deus nos ampare nesse processo. Hoje nós vivemos esse processo de transformação e de melhoria a cada dia. Mas é importante que nós lembremos.

A transformação começa hoje, não começa na segunda-feira. A academia não começa na segunda-feira. A dieta não começa na segunda-feira. A melhoria do ser não começa na segunda-feira. Ela começa agora. Ela começa hoje, não na semana que vem, meus irmãos. Hoje é o dia que nós temos, hoje é o dia que nós somos chamados. Muito mais importante do que o resultado é o processo que nós vivenciamos. Se nós formos fiéis no processo, o resultado vem como consequência.

Meus irmãos, eu fico muito feliz de estar mais uma vez aqui com os irmãos. Espero de coração que essa conversa tenha sido prazerosa para os irmãos, como foi para mim. E que nós possamos, pela vontade de Deus...

a alcançar mais pessoas. Convido os irmãos a convidarem outros para participarem conosco, de forma virtual, de forma presencial. Nós temos as nossas reuniões presenciais em Novo Hamburgo, no primeiro e no terceiro sábado de cada mês, às 19h. Em Palmeiras das Missões, nós temos às 15h, no segundo sábado de cada mês. Em Capão da Canoa, nós temos no quarto domingo de cada mês, às 16h. Então estejamos juntos, meus irmãos. Convidemos, fortaleçamos esse trabalho, porque ele nos traz crescimento. Graças a Deus por isso.

Fica aqui o meu abraço para todos os irmãos, que estejamos firmes nesse caminho e que Deus esteja com todos nós. Forte abraço em Cristo.

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