#210 | Selic diminui, mas dúvidas aumentam
O Banco Central decidiu continuar o ciclo de cortes de juros no Brasil e reduziu a taxa Selic para 14,5% na semana passada.
O corte, de apenas 0,25 ponto percentual, era amplamente esperado pelo mercado – em um cenário em que a guerra no Oriente Médio eleva os riscos para a inflação e exige mais cautela da política monetária.
Não por acaso, em outras economias, os bancos centrais decidiram esperar: Estados Unidos, zona do euro e Reino Unido mantiveram os juros inalterados diante das incertezas.
Quais razões estão por trás da decisão do Brasil de seguir cortando juros nesse ambiente? E até onde a Selic pode cair?
Entenda também:
Acordo entre União Europeia e Mercosul entra em vigor;
Nos EUA, Fed pode não ter espaço para cortar juros;
Europa avalia alta de juros por causa da guerra.
No minuto 13:11, contamos ainda com a participação da Marina Valentini, estrategista do J.P. Morgan Asset Management, para analisar o que tem mexido com os mercados globais.
Bianca Alvarenga
- Mercados Globais e Guerra no IrãReação das ações globais ao conflito · Cessar-fogo e negociações entre EUA e Irã · Incerteza sobre o bloqueio do Estreito de Hormuz · Rotação global de investimentos · Filtros de investimento: dependência de energia e tendências estruturais · Inteligência artificial e reformas corporativas como motores de crescimento
- Reação do Brasil sobre o casoRedução da Selic · Impacto da guerra no Oriente Médio · Riscos para a inflação · Cautela da política monetária · Comparativo com EUA, Zona do Euro e Reino Unido
- Inflação no BrasilPressão de preços de combustíveis e alimentos · IPCA-15 e meta de inflação · Choques de oferta temporários vs. persistentes · Efeitos indiretos da guerra na inflação · Aquecimento do mercado de trabalho e custo de mão de obra · Projeção de inflação para o fim do ano · Expectativa de inflação em 18 meses
- Política Monetária na Zona do EuroManutenção dos juros pelo Banco Central Europeu · Preocupação com a alta da inflação · Impacto da guerra no Irã nos preços de energia · Sinais de fraqueza na atividade econômica · Discussão sobre possível alta de juros
- Acordo Mercosul-UEEntrada em vigor e redução de tarifas · Aplicação provisória e aprovação pendente · Produtos contemplados e prazos · Impacto nas exportações brasileiras
- Agenda EconômicaAta da reunião do Copom · Pesquisa industrial mensal · Relatório de emprego dos EUA
Olá, começa agora mais um episódio do Macro Review, o podcast de economia do C6 Bank. Hoje a gente vai falar sobre a última decisão do Banco Central aqui no Brasil. O Comitê de Política Monetária decidiu continuar o ciclo de cortes de juros e reduziu a taxa Selic para 14,5% na semana passada.
O corte foi pequeno, de 0,25 ponto percentual, e isso já era amplamente esperado pelo mercado, considerando esse cenário em que a guerra no Oriente Médio aumenta os riscos para a inflação e exige mais cautela da política monetária. Não por acaso, em outras economias, os bancos centrais decidiram esperar. Os Estados Unidos, a zona do euro e o Reino Unido mantiveram os juros inalterados diante das incertezas.
Então, quais razões estão por trás da decisão do Brasil de seguir cortando os juros nesse ambiente? E até onde a Selic pode cair? Bom, é isso que a gente vai explorar no episódio de hoje do MacReview. Na sequência, a gente fala também do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Parte das regras entrou em vigor agora em maio e algumas tarifas já estão menores, tá? A gente vai contar quais produtos foram contemplados agora e quais ainda não foram.
Seguindo para o nosso bloco internacional, a gente vai detalhar um pouco mais a última decisão sobre os juros nos Estados Unidos, que provavelmente foi a última com o Jerome Powell na presidência do Banco Central. E a gente atualiza também a situação da política monetária na Europa. Mas para o fim do episódio, hoje ainda tem participação da Marina Valentini, que é estrategista do JP Morgan Asset Management. A Marina vai analisar o que tem mexido com os mercados globais no último mês, então fica com a gente para não perder nenhum insight. Eu sou a Bianca Alvarenga.
E eu sou a Júlia Nunes, e hoje é 4 de maio de 2026. Vamos lá? Como não poderia ser diferente, os efeitos da guerra no Oriente Médio, que já dura mais de dois meses, eles apareceram novamente nas decisões de juros ao redor do mundo. No Brasil, embora o Banco Central tenha optado por reduzir a Selic, que é a taxa básica de juros,
A nossa leitura é de que o corte teria sido maior se não fosse o conflito no Irã e os riscos que ele traz para a inflação. O bloqueio do Estreito de Hormuz continua, o preço do petróleo no mercado externo ainda está alto e isso continuou pressionando os preços de combustíveis aqui no Brasil. O diesel, por exemplo, subiu 16% no mês. E aqui eu estou olhando para os dados do IPCA 15 divulgados na semana passada. Já a gasolina avançou mais de 6%.
Isso tudo mesmo com as medidas do governo brasileiro para tentar conter a alta de preços em razão da guerra. O setor de alimentos também contribuiu para o aumento da inflação no mês e, ao todo, o IPCA 15 subiu 0,9% em abril, o que é uma alta bastante relevante.
No acumulado em 12 meses, o IPCA 15 passou de 3,9% para 4,4%. Então ele voltou a se aproximar ali do limite superior de tolerância da meta de inflação no Brasil, que é de 4,5%. Agora, de que forma esse cenário mais nebuloso para a inflação influencia a atuação do Banco Central, né? É importante refletir sobre isso até para a gente entender o que deve acontecer com os juros aqui no Brasil.
E eu começo dizendo que, em geral, a autoridade monetária não costuma agir imediatamente diante de choques de oferta, como o que está sendo provocado agora pela guerra no Irã. Porque esses choques são vistos como temporários. Como os juros demoram para fazer efeito sobre a economia, não faz sentido ajustar a Selic agora para lidar com pressões que tendem a desaparecer nos próximos meses.
O problema é que, com a continuidade do conflito no Oriente Médio, essa alta dos preços pode não amenizar ao longo do tempo. Então, o que começou como um efeito passageiro, mais pontual, ligado à alta dos combustíveis, isso pode gerar efeitos mais persistentes sobre a inflação brasileira. Porque, no fundo, não são só os combustíveis. O aumento expressivo dos preços dos fertilizantes por causa da guerra tende a pressionar, por exemplo, os custos de alimentos.
E até a própria alta do diesel não é um problema só ali na hora de abastecer. Ela encarece o transporte de caminhões e tende a se espalhar por diversos setores da economia. Com o tempo, esses efeitos indiretos da guerra podem chegar também aos serviços e aos salários, o que torna a inflação mais disseminada e mais difícil de conter. Não é simples o desafio que a gente pode ter pela frente, tá?
E essa preocupação já começou a aparecer no discurso do próprio Banco Central. No último comunicado, o Copom adicionou no seu balanço de riscos que as atuais restrições na oferta de petróleo e derivados podem levar as pessoas a esperarem uma inflação mais alta por mais tempo.
Essa piora das expectativas acontece quando os efeitos da guerra sobre a inflação deixam de ser pontuais e passam a ser mais disseminados e duradouros, como a gente falava agora há pouco. Então, faz sentido concluir que, quanto mais o conflito durar, maior tende a ser o risco de deterioração das expectativas.
E vale lembrar que a guerra não é o único problema para a inflação aqui no Brasil. O mercado de trabalho brasileiro continua bastante aquecido, o que é uma boa notícia, mas o custo de mão de obra está subindo e existe também a expectativa de uma leve desvalorização do real. E esses fatores podem exercer uma pressão extra sobre os preços ao longo do segundo semestre. Por isso, a nossa projeção é de que a inflação brasileira termine o ano em 4,8%. E aí
Outro ponto importante, Bianca, é que no horizonte de 18 meses, que é aquele período para o qual o Banco Central olha na hora de decidir sobre os juros, o Copom também não vê uma inflação caminhando para a meta de 3%. Na última reunião agora, a estimativa da autoridade para a inflação daqui a 18 meses subiu de 3,3% para 3,5%, ou seja, ela se afastou um pouco mais da meta. E é importante explicar um ponto aqui para quem está nos ouvindo.
Nesse cenário do Banco Central, está contemplada a expectativa dos economistas ouvidos na pesquisa Focus, de uma Selic caindo até 13% ao fim de 2026. Ou seja, o que o BC está enxergando é que, se os juros caírem além desse valor, a inflação pode se distanciar ainda mais da meta.
Bom, isso mostra que o Banco Central vai precisar ajustar a trajetória dos juros para conseguir cumprir a meta de inflação, né? Segundo o Copom, os cortes agora foram feitos porque os juros brasileiros estão elevados há bastante tempo e eles já começaram a fazer efeito na economia, naquela tarefa de ajudar a desacelerar a atividade para conter a inflação.
Por isso, na avaliação da autoridade, havia espaço para a Selic descer alguns degraus, um espaço para uma calibração dos juros, como eles disseram no comunicado. Mas é importante observar que o Copom tem optado por cortes menores de juros do que ele faria em um cenário sem a guerra.
E a Selic não deve cair tanto quanto se esperava antes de o conflito começar. Por enquanto, a gente continua prevendo que a Selic vai terminar o ano em 13,5%. Mas as dúvidas sobre essa trajetória dos juros estão maiores agora.
Nosso assunto agora é o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, o bloco econômico do qual o Brasil faz parte. A novidade é que o tratado entrou em vigor no dia 1º de maio e cerca de 6 mil produtos comercializados entre os dois blocos já tiveram as tarifas reduzidas.
Mas vale lembrar que a aplicação de agora é apenas provisória, tá? Apesar de os países do Mercosul terem promulgado a parte comercial do acordo, ainda falta aprovação definitiva pelo Parlamento Europeu. E essa parte comercial do acordo vai ter uma aplicação gradual. Por enquanto, a diminuição das tarifas alcança cerca de mil produtos trazidos da Europa aqui para o Brasil. Isso é apenas 10% do total de produtos contemplados no acordo.
E é importante dizer também, Júlia, que a lista dos itens europeus que já contam com um custo menor de importação inclui principalmente insumos, máquinas e equipamentos. Os produtos de consumo final, como vinho, azeite e automóveis, eles só vão deixar de ser tarifados daqui a alguns anos.
Já no sentido contrário, o das exportações que saem aqui do Mercosul para chegar na Europa, nesse caso, mais da metade dos itens já teve a tarifa reduzida desde essa primeira fase. A expectativa é que em 15 anos, cerca de 90% de todos os produtos trocados entre os dois blocos tenham as tarifas eliminadas. E o governo brasileiro estima que as exportações brasileiras podem crescer 13% nesse período. Esse acordo, então, é um avanço na abertura econômica do país.
não apenas pensando em exportações, mas também em acesso a bens e serviços de maior valor agregado. E claro, na hora de atrair investimentos de empresas estrangeiras. A gente falou mais sobre esse acordo, as regras, as tarifas, tudo que está em jogo, lá no episódio 198. Então, se você tiver interesse no assunto, volta aqui na nossa lista para ouvir.
Agora sim, a gente entra de fato no nosso bloco internacional e volta a falar sobre decisões de juros, mas agora nos Estados Unidos. Na semana passada, o Federal Reserve, que é o banco central americano, ele decidiu manter os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Mas, assim como aconteceu nas últimas reuniões, essa decisão não foi unânime. Um dos diretores, o Stephen Myron, ele defendeu um corte de juros.
E aqui vale só lembrar rapidamente que o Myron foi indicado ao cargo pelo presidente Donald Trump no início do ano, e ele deve permanecer no Comitê de Política Monetária só até o próximo mês. É no lugar dele que deve entrar o Kevin Walsh, que além de ser o futuro diretor, ele também deve ser um novo presidente do Fed. O caminho do Walsh até a chefia do Banco Central americano está nas etapas finais. O Comitê Bancário do Senado já aprovou a indicação dele, e agora falta a votação em plenário, que pode acontecer nas próximas semanas.
A aprovação dele é amplamente esperada, o que significa que a próxima reunião do FED, já em junho, pode acontecer sob a condição do Walsh. Agora, voltando a falar aqui sobre a reunião do FED da última semana, além de a decisão sobre os juros não ter sido unânime, outro ponto de divergência entre os diretores foi a mensagem da autoridade sobre o futuro. Como assim, né? Três membros do FED defenderam retirar um trecho do texto que sinaliza um viés de queda dos juros nesse ano.
Como eles foram minoria, o trecho permaneceu na comunicação, mas a discordância ficou registrada na ata. E por não ser algo usual, essa divergência chamou bastante atenção na semana passada. E a razão dessa posição mais cautelosa de uma parte dos diretores do FED é justamente a inflação persistentemente elevada nos Estados Unidos. O núcleo do índice de gastos com consumo, o PCI,
que é aquele indicador que exclui do cálculo itens mais voláteis, como alimentos e energia, ele ficou em 3,2% nos 12 meses até março. Parece uma inflação baixa, mas é bastante, considerando que a meta de inflação americana é de 2%.
Até a guerra começar, existia uma confiança de que a menor criação de vagas de emprego nos Estados Unidos poderia abrir algum espaço para a redução dos juros neste ano, mas a possível piora da inflação agora deve inviabilizar o alívio na taxa básica americana. A gente acredita que essa perspectiva de preços elevados vai fechar de vez a porta para a queda dos juros nos Estados Unidos em 2026.
Assim como nos Estados Unidos, na zona do euro, o Banco Central Europeu também decidiu manter os juros estáveis na reunião da semana passada. As taxas, então, continuaram em 2%, mas é preciso destacar que o Banco Central se mostrou bastante preocupado com a alta da inflação na Europa. É que, desde o início da guerra no Irã, os europeus enfrentam um aumento geral de preços.
O petróleo e o gás natural que vem do Oriente Médio são os principais insumos para a geração de energia na Europa, o que significa que os efeitos do conflito podem se espalhar pela inflação. Em abril, o índice de preços ao consumidor, o CPI, subiu de 2,6% para 3% na zona do euro. Os europeus estavam conseguindo manter a inflação perto de 2%, que era a meta, mas agora essa realidade está mudando. Os preços estão se afastando da meta.
Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Europa dá sinais de fraqueza. O PIB da zona do euro cresceu só 0,1% no primeiro trimestre comparado ao trimestre anterior, e esse número foi abaixo do esperado. Por enquanto, o Banco Central Europeu avalia que o nível dos juros está adequado, mas o comitê também já discute a possibilidade de uma alta na taxa de juros, justamente por causa desses sinais de que a economia vem se afastando do cenário que a autoridade esperava.
A gente parte agora para o nosso quadro Mercados Globais. É o espaço em que a Marina Valentini, estrategista do JP Morgan Asset Management, traz um panorama do que tem movimentado os mercados lá fora. Nesse mês, ela começou falando sobre como as ações globais têm reagido às idas e vindas do conflito no Irã. Vamos ouvir. Abril trouxe alívio para os mercados globais, porque tivemos notícias de um cessar-fogo entre Estados Unidos e o Irã e negociações entre os dois países.
indo na direção correta. Mas, mesmo assim, tem muita incerteza sobre quanto pode durar ainda o bloqueio do Estreito de Ormos, porque agora não é só o Irã bloqueando, mas é os Estados Unidos aqui também tentando ganhar mais poder de negociação, impondo aqui um bloqueio econômico em cima do Irã.
Tem mais incerteza ainda na mesa de negociações, mas para o mercado que importa a direção de câmbio aqui, que tem sido positiva. Então a gente vê que as ações globais subiram praticamente 8% no mês, lideradas aqui por países como Estados Unidos, emergentes, Ásias. E eu vou explicar o que mudou para os mercados globais comparado com antes do conflito. Antes do conflito começar, o resto do mundo estava superando os Estados Unidos em 15% em performance.
mas agora essa diferença caiu para 4%, em parte porque os Estados Unidos, as ações dos Estados Unidos, reduziram essa diferença, ajudadas pela maior resiliência que os Estados Unidos têm ao choque de petróleo. Achamos que a rotação global deve voltar a ganhar atração, aos poucos. O que é a rotação global? É o resto do mundo superando os Estados Unidos, aquela tendência que a gente já estava vendo antes, dos investidores diversificar contra portfólios que estão bem concentrados nos Estados Unidos e aumentar a exposição a Ásia emergente, Japão e partes da Europa.
Essa rotação global, ela se entortou um pouco, ela se freou em março, mas achamos que ela deve ganhar tração conforme o mercado começa a olhar além do barulho do conflito. Isso já está acontecendo. Bom, então a gente já viu que a Marina avalia que as ações para além dos Estados Unidos devem voltar a ganhar mais força, né? Mas nesse cenário, no que o investidor precisa ficar de olho? A Marina vai destacar agora os principais riscos e pontos de atenção.
essa rotação global vai voltar, só que muito mais seletiva. Pensa assim, o mercado ainda quer aqui tomar o sol, ir para a praia, brincar na praia, mas agora ele vai colocar um óculos escuros que tem dois filtros aqui para se proteger do sol. O primeiro filtro é dependência de energia e sensibilidade ao choque de petróleo. O mercado quer entender quem é importador líquido, quem é exportador e quem tem um colchão aqui para mitigar o efeito do choque energético como mais reservas de petróleo estratégicas.
E o segundo filtro, tendências estruturais bem importantes agora, como inteligência artificial e reformas corporativas, onde estão fortes o suficiente para sustentar os lucros, mesmo com esse choque de energia vindo como o vento encontra. Falando um pouquinho mais desse primeiro filtro, o filtro de energia, os Estados Unidos.
caminhou para se tornar um exportador líquido em 2010, enquanto a Europa e a China e outros países asiáticos seguem sendo importadores de petróleo. Então, os Estados Unidos aqui parece ser mais resiliente como economia. Claro, a inflação já está subindo, achamos que continua subindo desse patamar de 3,5% a 4%, com a Fed que pode ficar em pausa nos juros por bastante tempo, mas é um caso diferente da Europa, que tem uma dependência ainda bem relevante em gás natural. A chance maior aqui do Banco Central da Europa para precisar.
até subir os juros, o que pode pesar na confiança do consumidor mais para frente, se é que eles tiverem que fazer isso. E a Ásia é particularmente vulnerável, mais de 50% das importações de petróleo e de gás natural, praticamente mais de um terço, passam pelo Estreito de Urmuz. Então a gente vê que países da sul da Ásia, como Índia, Indonésia, Filipinas, Vietnã, ficam mais expostas por terem menos amortecedores aqui e alta dependência de importação.
O que é super importante são os fatores que mitigam isso. Reservas estratégicas ou capacidade de usar subsídios temporários, flexibilidade nas fontes de gás. Se a gente pensar em reservas, tem alguns países que tem um colchão bem maior dentro da Ásia. Japão tem em torno de sete meses de reserva, Coreia seis. China também tem amplas reservas aqui, quatro meses. E vem se preparando há um tempo, acumulando muitas reservas de petróleo.
Isso conversa muito com a gente na performance. A Ásia Emergente, se a gente vê desde o conflito, está com uma alta de 2% nas ações, apesar do barulho, e no ano vem subindo 18%. Estados Unidos, mais também exiliente, o S&P 500, vem subindo 4% desde o conflito e no ano também quase 5%.
Então esse é o primeiro filtro de energia. O segundo filtro é onde existe o motor estrutural, que é a inteligência artificial. A gente vê em Estados Unidos expectativas de lucro bem fortes para as empresas de tecnologia, 45% nesse trimestre. E isso tem apoiado um aumento na expectativa de lucro para as ações americanas. Agora o mercado espera o crescimento de lucro de 14% esse trimestre, que estão reportando as empresas bem fortes.
e 19% para o ano todo. Então, a gente vê que o aumento da adoção de inteligência artificial, a demanda por chips, continua sustentando algumas empresas americanas, principalmente mais na parte de equipamento relacionado à inteligência artificial. Isso é parecido às emergentes. A gente vê a Coreia, Taiwan, Japão, onde produzem muitos os chips de memória, semicondutores também, que é o encanamento da inteligência artificial também, surfando essa onda positiva da inteligência artificial.
E claro, a gente não pode deixar de lado reformas corporativas, eu falo bastante disso no podcast, mas isso é um vento a favor para o Japão e cada vez mais um tema para a Coreia e partes da China. O mercado aqui está premiando melhora no comportamento corporativo na Ásia. Então, empresas que melhoram a alocação de capital, fazem mais capex, fazem mais governança corporativa e tem mais foco em retorno ao acionista, fazendo mais recontra de ações. E isso continua sendo uma forte tendência apoiando alguns países asiáticos.
Então, em resumo aqui, a gente vê que a gente continua construtivo em ações globais, especialmente onde lucros têm suporte de inteligência artificial em formas corporativas. Mas a diferenciação entre países e setores aumentou muito, principalmente vendo essa sensibilidade ao choque de energia como filtro.
E no longo prazo, faz sentido continuar construindo portfólios que têm diversificadores, além dos tradicionais, pensando muito em ativos que protegem contra o possível risco de inflação, que é ativos relacionados à infraestrutura, transporte também. Então, continua sendo, como sempre, o conselho principal de diversificação global.
Chegou a hora da nossa agenda. Eu compartilho agora os dados econômicos que a nossa equipe acompanha nos próximos dias. Amanhã, terça-feira, o Banco Central do Brasil divulga a ata da última reunião do Copom, trazendo mais detalhes sobre a decisão de juros que foi o tema principal do nosso episódio de hoje.
Já na quinta-feira, a gente vai saber o resultado da pesquisa industrial mensal de março. A gente espera que a indústria tenha registrado uma alta de 0,5% no mês, impulsionada principalmente pela indústria de transformação. E para terminar, na sexta-feira saem os dados do relatório de emprego dos Estados Unidos referentes a abril. A expectativa é que os dados continuem mostrando o mercado de trabalho em ritmo moderado.
E por hoje é só. Muito obrigada a você que nos acompanhou até aqui. Se você gostou desse episódio, então não esquece de deixar o seu comentário e também de avaliar o nosso podcast. Quantas estrelas a gente merece, hein? Quem faz parte da equipe econômica do C6 Bank são o Felipe Salles, a Cláudia Moreno, a Cláudia Rodrigues, o Elisér Jacob e o Felipe Mac.
A produção e o roteiro são desse time, junto com a Bianca Alvarenga e comigo, Júlia Nunes. A edição de som e a gravação ficaram com a Marina Kubiak. E a divulgação nas redes sociais é da Sabrina Munhoz. Lembrando que você pode seguir o Macro Review na sua plataforma favorita de podcasts. Assim, quando a gente publicar um novo episódio, você vai ser notificado. É bom para quem quer ficar por dentro da economia e para quem quer conhecer uma visão original dos fatos econômicos. Uma boa semana para você e até a próxima!