Episódios de EndoDirect - Endocrinologia e Metabologia

FD 84 - Hipotireoidismo consumptivo

08 de maio de 20267min
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Neste episódio discutiremos brevemente sobre uma condição rara na endocrinologia, porém potencialmente reversível: o hipotireoidismo consumptivo. Não esqueça de nos avaliar com 5 estrelas e seguir @endodirect

Referencias utilizadas:

Huang et al., New England Journal of Medicine, 2000Pasa et al., European Thyroid Journal, 2017

Participantes neste episódio1
E

Edu

HostInfluencer
Assuntos2
  • Hipotireoidismo consumptivoHipotireoidismo consumptivo · Deiodinase tipo 3 (D3) · Hormônios tireoidianos · T4 · T3 reverso · T2 · Hipotireoidismo primário · Hipotireoidismo secundário · Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide · Consumo periférico · Tumores vascularizados · Hemangiomas hepáticos · Tumores fibrosos · Tumores do estroma gastrointestinal (GIST) · Carcinoma hepatocelular · Tumores renais · Tumor rabdoide · Sinais e sintomas de hipotireoidismo · TSH · T4 · T3 · Anticorpos anti-TPO · Anticorpos anti-TG · Ultrassom de tireoide · Bócio · Tireoidite crônica · Levotiroxina · Propranolol · Ressecção tumoral
  • Endocrinologia pediátricaHipotireoidismo consumptivo em crianças · Hemangiomas hepáticos em crianças · Doses de levotiroxina em pediatria
Transcrição21 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Você já ouviu falar sobre o hipotireoidismo consultivo? É sobre isso que a gente vai falar neste flash direct.

Fala pessoal, tudo bem com vocês? Aqui fala o Edu e a gente vai falar sobre uma condição rara aqui dentro da endocrinologia, que é o hipotireoidismo consultivo. Então, o hipotireoidismo consultivo, na verdade, é uma condição que foi classicamente descrita na população.

pediátrica, principalmente ali por Huang em colaboradores lá nos anos 2000, que demonstrou aí a hiperexpressão de D3 em hemangiomas na população pediátrica, associado à evolução com um hipotireoidismo grave. Então, a D3, a deiodinase do tipo 3, ela é produzida ali a nível tumoral e como a gente lembra lá da básica,

A D3 é uma enzima capaz de inativar os hormônios tireoideanos, ou seja, a gente tem a transformação do T4 no T3 reverso e a transformação de T3 em T2, ou seja, formas inativas de hormônios tireoideanos. Então, assim...

O paciente desenvolve um hipotireoidismo por inativação excessiva dos hormônios circulantes, um mecanismo diferente do que a gente encontra, por exemplo, no hipotireoidismo primário, classicamente associado a tireoidites crônicas, ou, por exemplo, no hipotireoidismo secundário, que a gente tem um defeito a nível...

hipotalâmico e hipofisário, prejudicando a ativação do eixo hipotálamo, hipófise e tireoide. Então, aqui é por aumento do consumo periférico, por isso o nome hipotireoidismo consultivo. Então, essa é uma condição rara, como a gente falou, descrita, principalmente na população.

A gente tem uma revisão sistemática de 2017 que encontrou 42 relatos de casos na literatura, sendo que 86% dos casos foram descritos na população pediátrica.

Uma condição principalmente associada a tumores vascularizados, emangiomas, principalmente emangiomas hepáticos, em crianças. Mas também descrita em outros tumores, além de tumores vasculares hepáticos, como tumores fibrosos, tumores do estoroma gastrointestinal, famoso giste também, descrito em tumores malignos, como carcinoma hepato celular e... dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig dig

tumores malignos renais, como o tumor rabdoide. Do ponto de vista de quadro clínico, a gente vai ter os sinais e sintomas classicamente associados ao hipotireoidismo, e a gente vai levantar a suspeita de ser por um mecanismo consultivo, quando a gente tem um paciente principalmente com tumores associados, então aqui a gente precisa lembrar da prevalência maior na faixa etária pediátrica e da associação principalmente com tumores vascularizados com hemangiomas.

Então, aqui, a hiperexpressão de D3 leva a um hipotireoidismo, em sua maioria das vezes, a um hipotireoidismo franco, com elevação significativa do TSH e redução do T4 e do T3. E como a gente tem um mecanismo por hiperexpressão da D3, a gente vai ter também elevação do T3 reverso nesses casos. Então, seria uma situação que poderia ser de utilidade a dosagem desses hormônios.

Além disso, como o mecanismo é pela inativação, a gente vai ter anticorpos negativos, anti-TPO e anti-TG, e um ultrassom de tireoide, podendo apresentar um bócio discreto ali por conta do hiperestímulo do TSH na tireoide, mas, classicamente, sem sinais de tireoidite. Claro que o paciente também pode ter a concomitância de um hipotireoidismo consultivo.

para além de uma tireoidite crônica de base. Então, a gente pode ter um mecanismo duplo também. Então, aqui, a principal suspeita é anticorpos negativos, prevalência faixa etária pediátrica.

um tumor vascularizado e principalmente aqueles tumores grandes e multifocais, principalmente descritos nos tumores vasculares hepáticos, e um hipotireoidismo franco, muitas vezes um hipotireoidismo grave com necessidade de altas doses de levotiroxina por vezes para além das doses necessárias habitualmente.

Então, aqui, com relação ao tratamento do hipotireoidismo consultivo, a gente tem duas linhas. Primeiro, tratar a condição de base, ou seja, fazer o tratamento do tumor. E segundo, fazer a reposição de levotiroxina. Muitas vezes, sendo necessário, doses maiores do que as doses habituais. Por exemplo, em adultos, a gente tem uma reposição plena.

com 1,6 micrograma quilo dia, podendo chegar a mais de 3 a 4 microgramas quilo dia, em alguns casos extremos descritos na literatura. E na população pediátrica a gente sabe que a dose vai depender da faixa etária.

Então, aqui vai depender da idade do paciente para a gente fazer a dose por quilo. Lembrando que na população pediátrica as doses são bem maiores por peso do que na população adulta, chegando a necessidade de mais de 30 microgramas quilo por dia.

E é claro, de preferência, fazer o tratamento do tumor quando possível, fazer a ressecção tumoral, já que o problema está na hiperexpeção de D3 de origem tumoral. No caso do hemangioma hepático na população pediátrica, as principais evidências atuais favorecem o uso do propranolol como primeira linha de tratamento.

inclusive em casos associados com o hipotireoidismo consultivo. Isso está associado com redução da carga tumoral e também menor necessidade de reposição com levotiroxina. No caso de tumores não vasculares no adulto,

O principal tratamento vai ser a ressecção cirúrgica do tumor, já que isso pode eventualmente até curar o hipotireoidismo consultivo. Beleza, pessoal? Então aqui uma condição muito rara na endocrinologia, principalmente presente...

Na população pediátrica, a gente tem uma causa aqui potencialmente reversível de hipotireoidismo, já que o tratamento do tumor de base pode estar associado à cura do hipotireoidismo, nesses casos, em caso de resolução da neoplasia. Espero que tenham gostado aqui do episódio. Não esqueçam de avaliar a gente com 5 estrelas, seguir a gente, arroba Endodirect e ativar o sininho de notificações.

Obrigado e até mais!