EU ENTREI NA FESTA SECRETA DO JEFFREY EPSTEIN - Creepypasta
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Narração: Dark Jack
Edição: Dark Jack
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Olá, alma inquieta. Eu sou o Jack, seu guia pelas histórias mais sombrias e aterrorizantes. Prepare-se, pois a porta para o desconhecido está aberta. E você já deu o primeiro passo.
Eu fiz uma entrega para o Jeffrey Epstein. Olá, queridos ouvintes. Antes de começar, só pra gente não ter nenhum tipo de problema, eu só queria esclarecer que isso aqui é uma creepypasta, 100% ficcional, apenas para fins de entretenimento. Beleza? Sem mais enrolações, vamos pra história.
Eu era motorista da Ups na época. Se você nunca fez esse trabalho em Nova York, provavelmente pensa que é só dirigir e deixar caixas. Não é. É pressão. São escadas, trânsito, ser autorizado a entrar em prédios onde ninguém olha pra você e depois ser culpado se um pacote for roubado de qualquer maneira.
É decorar os nomes dos porteiros, aprender quais escritórios mentem sobre estarem abertos e saber exatamente quanto tempo você pode estacionar em fila dupla antes que alguém buzine como se estivesse tentando te matar com um som.
Naquela semana, eu tava a um erro de perder minha rota. Meu supervisor, Dale, já tinha me chamado a atenção duas vezes naquele mês. Uma por uma entrega comercial perdida e outra porque um cliente reclamou que eu parecia irritado ao pedir uma assinatura. Se você trouxer de volta outro pacote que exige assinatura, ele me disse naquela manhã, batendo no meu terminal, que chamamos de Dyed, como se fosse uma multa. Não me importa qual seja a desculpa.
Você tá fora, entendeu? Eu me lembro de balançar a cabeça como se não me importasse. Mas eu me importava. Eu tinha um aluguel vencendo em 10 dias. Os remédios para asma da minha filha não eram baratos e... A Ups era o primeiro emprego que eu tinha em muito tempo que realmente parecia estável. Então, quando comecei a carregar o caminhão naquela manhã, eu tava focado. Sem erros, sem devoluções, sem drama.
Foi quando vi a caixa. A princípio, não parecia muito. Papelão pardo comum, tamanho médio, bem selada, mas ela se destacava porque todo o resto na minha prateleira parecia normal. Etiquetas de varejo, códigos de barra, logotipos. Essa parecia limpa de tudo. Sem marca, sem remetente, sem marcações, exceto a etiqueta de envio.
Eu a peguei para escanear e senti o peso imediatamente. Pesada demais para o tamanho. Não um peso absurdo, apenas densa. Como se o que estivesse lá dentro fosse compacto e sólido. O papelão estava frio também. O caminhão ainda não estava quente, então disse a mim mesmo que era só isso. Angulei a etiqueta para escanear. Mr. E. Entregar apenas em mãos. Assinatura obrigatória. Área Central Park. Manhattan.
Bloco de alto valor. Meu diet travou por um segundo depois que escaneei. A tela piscou e, por uma fração de segundo, vi a palavra entregue brilhar no topo. Antes de corrigir pra... Saiu pra entrega. Franzi a testa. Escaneir agindo estranho? Perguntou um dos outros motoristas, passando pelo meu caminhão com uma pilha de envelopes. Ah, respondi. Provavelmente precisa reiniciar.
O seu pacote já se entregou sozinho. Eu ri também porque... O que mais você faz quando alguém diz algo estranho e seu estômago gela sem motivo? Eu coloquei a caixa na prateleira do meio, do lado direito, atrás de duas caixas maiores. Fechei a porta e segui com o meu dia.
A rota começou normal. Escritórios no centro, um dentista, um escritório de advocacia, três prédios de apartamento seguidos onde ninguém atendia a campainha de primeira. A cidade era a bagunça de sempre. Sirenes, vapor saindo dos poeiros, turistas parados na ciclovia como se tivessem um desejo de morte. Mas, na quarta parada, eu notei algo. Toda vez que eu abria a traseira do caminhão, meus olhos iam direto para aquela caixa.
Não é que eu, por acaso, olhava. Eu quero dizer direto pra ela como se alguém estivesse apontando minha cabeça. Em uma parada, eu tinha empilhado um monte de pacotes na frente dela e, quando voltei, a etiqueta estava visível novamente. Em outra, ela estava sentada bem no centro da prateleira, de frente pra porta, embora eu soubesse que a tinha deixado de lado. Eu dizia a mesma coisa a mim mesmo toda vez.
Estradas ruins, curvas fechadas, as coisas se movem. É normal. Mesmo assim, comecei a verificá-la sem querer. Olhadas rápidas, só pra ter certeza de que não tinha rasgado. Vazado ou sido esmagada. Nunca aconteceu. Ela apenas ficava lá, quadrada e limpa. Como se não estivesse andando por Manhattan o dia todo.
Por volta do meio-dia, eu tinha um grupo de paradas no Upper East Side, não muito longe do endereço do Central Park. Logicamente, era ali que eu deveria ter despachado a entrega do Mister E. Estava bem ali. Em vez disso, eu apulei. Eu disse a mim mesmo que estava aguardando para depois porque as paradas com assinatura obrigatória podem te atrasar. Você toca, espera...
Te mandam para a entrada de serviço, você espera de novo. É melhor limpar as entregas rápidas primeiro. Foi o que eu disse a mim mesmo. Nas duas horas da tarde, eu estava no centro e ainda não tinha feito. Nas quatro horas, eu estava no trânsito perto de uma zona de carga de hotel, suando sob a jaqueta.
E tudo que eu conseguia pensar era naquela caixa sentada lá atrás como um passageiro. Uma vez, enquanto eu estava na cabine preenchendo um aviso de entrega perdida, ouvi um único barque vindo de trás de mim. Não um estrondo, não um caixa se movendo, apenas uma batida seca. Eu me virei rápido o suficiente para me sentir um idiota por ter me virado tão rápido.
Nada. Apenas prateleiras, papelão, sombras e aquela mesma caixa parda onde eu a tinha deixado. Eu fiquei olhando para ela mais tempo do que deveria. Depois saí e continuei me movendo. A cidade mudava depois de escurecer. Sempre muda.
O barulho diminui e as partes caras ficam mais silenciosas do que deveriam. Naquela altura, meu caminhão estava quase vazio e o espaço na parte de trás fazia tudo parecer mais distante, incluindo a caixa do Mister E. Às oito e meia, era um dos únicos três pacotes restantes. Às nove e quinze, dois. Às dez horas, era a única coisa no caminhão. Eu fiquei lá atrás por um segundo com a porta aberta.
O ar frio entrando da rua, olhando para aquela caixa sentada sozinha na prateleira. Sem logotipos, sem remetente, apenas aquela etiqueta. Mister E. Eu verifiquei meu diet. Uma parada restante. Central Park.
Eu conseguia sentir a voz do Dale na minha cabeça. Se trouxer outro pacote de assinatura de volta, você tá fora. Então eu peguei a caixa. O papelão tava mais frio agora do que o ar da noite. Eu escaneei novamente e a tela exibiu os detalhes da parada com uma linha que eu não tinha notado antes. Obter assinatura. Não devolver.
Não sei porque aquilo fez meu peito apertar daquele jeito. Provavelmente era uma linguagem padrão. Provavelmente aparecia em 100 pacotes por dia. Mas, parado ali, na traseira daquele caminhão com o barulho da cidade distante e aquela caixa nas mãos, parecia um comando. Eu fechei a porta do caminhão, entrei na cabine e saí da guia.
Minha última parada estava esperando perto do Central Park. Quando virei no quarteirão perto do parque, a cidade parecia diferente, controlada, no tipo de silêncio que não acontece por acidente em Manhattan. Diminuí a velocidade e verifiquei o endereço duas vezes. As mansões naquele trecho pareciam pertencer a outro país. Pedra antiga, cercas de ferro preto, degraus polidos, câmeras de segurança escondidas nos cantos como se fizessem parte do design.
A maioria tinha porteiros ou, pelo menos, algum sinal de vida. Essa não. A casa do Misterê ficava no meio do quarteirão, toda em pedra pálida e janelas escuras, maior que as outras, mas de algum modo mais difícil de olhar. Sem luzes nos andares superiores, sem placa com nome, sem porteiro. Apenas uma longa fileira de janelas com as cortinas bem fechadas. E, claro, sem estacionamento.
Havia um hidrante na frente, uma placa de proibido estacionar logo atrás e um sedã preto ligado do outro lado da rua com as luzes apagadas. Eu dei a volta uma vez, o coração batendo mais forte do que deveria para uma entrega, e encontrei uma vaga legalizada a meio quarteirão de distância. Eu me sentei ali por um segundo com as duas mãos no volante. Pega a assinatura e vai embora, eu disse em voz alta. Minha voz soou pequena na cabine.
Eu peguei a caixa e saí para o frio. O vento cortou minha jaqueta assim que fechei a porta. Em algum lugar mais profundo no parque, eu podia ouvir o farfalhar fraco dos galhos. Os postes de luz lançavam longas sombras pela calçada e cada passo em direção àquela mansão fazia o pacote parecer mais pesado. Na metade do caminho, eu senti um zumbido nas minhas mãos.
Eu parei de caminhar. Olhei para a caixa. Sem etiqueta de bateria. Sem adesivo eletrônico. Nada que devesse vibrar. Um segundo depois, eu ouvi. Não uma voz real. Não exatamente, mas um pensamento que pousou na minha cabeça tão claro que não parecia meu. Você tá atrasado. Eu congelei. Carros passavam no fim do quarteirão. Um casal ria em algum lugar atrás de mim.
A cidade ainda estava lá, normal, viva. Mas parado naquela calçada com aquela caixa nos braços, parecia que tudo aquilo estava acontecendo atrás de um vidro. Eu continuei andando. Os degraus da frente eram largos e impecáveis. A maçaneta de latão da porta brilhava sob a luz da entrada. De perto, o lugar parecia menos uma casa e mais um museu depois do expediente. Bonito, caro e morto.
Coloquei a caixa debaixo de um braço e toquei a campainha. Esperei, ouvindo. Nada. Toquei de novo, mais tempo dessa vez. Ups! Chamei. Entrega pro Mr. E. Assinatura obrigatória.
Alô? Entrega? Ainda nada. Verifiquei meu diet. Como se ele pudesse me salvar. Não salvou. Mesma instrução. Mesma parada. Mesma pressão. Eu deveria ter deixado um aviso e ido embora. Em vez disso, eu tentei a maçaneta.
A porta abriu na primeira tentativa. O ar quente saiu, trazendo um cheiro que eu não consegui identificar de imediato. Algo limpo e caro. E, por baixo, algo doce, como incenso queimado horas atrás. Ah, olá. Chamei dando um passo pra dentro. Ops, eu preciso de uma assinatura. Eu tô entrando, hein? Alô. O hall de entrada era enorme. Chão de mármore, tetos altos, lâmpadas suaves brilhando contra paredes cor de creme.
Sem móveis, exceto por uma mesa estreita e um espelho. Sem vozes, sem passos, sem TV, nada. Então eu ouvi. Fraco no início, como som viajando por canos. Um coro baixo e constante de vozes em algum lugar profundo da casa.
Não conversando, parecia cânticos. Eu fiquei ali com a caixa nas mãos, olhando para um longo corredor onde a luz ficava mais fraca perto do fim. Então, ouvi de novo, mas claro, dessa vez, subindo de baixo. E antes que eu pudesse desistir, eu comecei a caminhar em direção ao som. E eu me sentia... hipnotizado.
Curioso. O corredor parecia ficar mais longo conforme eu avançava. Minhas botas mal faziam som no chão polido. Mas cada passo parecia alto demais de qualquer maneira. Os cânticos ficavam mais fortes. Vozes baixas movendo-se em ritmo. Calmas e medidas. Como uma oração recitada por pessoas que já tinham feito aquilo centenas de vezes.
No final do corredor, havia uma escadaria levando para baixo. Não uma escada de porão de uma casa normal. Era larga, com acabamento em pedra escura. Corrimãos de latão e luzes de paredes suaves que faziam tudo parecer caro e errado ao mesmo tempo. O ar era mais quente lá embaixo, pesado com aquele mesmo cheiro doce que senti na porta.
Só que agora mais forte. Incenso, talvez misturado com algo cortante e químico por baixo. Eu deveria ter ido embora. Eu sabia disso. Cada parte de mim sabia. Mas eu ainda estava segurando a caixa. Ainda pensando estupidamente. Encontre uma pessoa, pegue a assinatura e caia fora.
No meio das escadas, vi o brilho. Luzes vermelhas derramavam-se pela parede inferior, oscilando como velas. As vozes subiam juntas, depois caíam, depois subiam de novo. Movi-me mais devagar, agachando-me sem perceber, como se a própria casa pudesse me ouvir se eu ficasse ereto. No fundo...
A escadaria se abria em um amplo corredor. Cortinas grossas pendiam entre colunas de pedra e, além de uma delas, pude ver movimento. Figuras escuras, lentas e deliberadas. Escorreguei por trás da cortina mais próxima e olhei pela fresta.
O salão do outro lado era imenso, maior que o saguão, maior que algumas igrejas em que já estive. Chão de mármore preto, teto alto, velas colocadas em suportes de ferro nas bordas, um círculo esculpido no centro da sala, tão polido que refletia a luz. Pessoas estavam ao redor daquele círculo em fileiras.
Dezenas delas, todos vestidos com mantos pretos, todos usando máscaras. Algumas eram douradas, outras brancas, outras escuras e brilhantes como porcelana. Homens e mulheres, eu acho. Mas era difícil dizer sobre os mantos. Eles não se moviam como cutistas de filmes. Estavam imóveis, controlados, esperando-a.
À frente do círculo estava uma pessoa com um manto vermelho. O manto era profundo, quase preto nas dobras, e a máscara que ele usava era diferente das outras, mais longa, mais afiada, com um brilho que capturava a luz das velas. Ele tinha algo na mão.
Como um cajado ou bengala. E toda vez que falava, o restante respondia em voz baixa. Aquilo parecia um ritual. O som de pessoas fazendo algo que acreditavam ter o direito de fazer. Minha garganta secou.
Não sei quanto tempo fiquei ali. Pode ter sido dez segundos. Pode ter sido um minuto. Tempo suficiente para anotar uma mesa de altar perto da frente da sala. Tempo suficiente para ver um espaço vazio exatamente do tamanho da caixa nas minhas mãos. Foi quando meu estômago despencou. O pacote não era apenas para casa. Era pra isso.
Eu mudei meu peso para recuar. Apenas um passo, lento e silencioso. Meu calcanhar bateu na base de algo de metal atrás da cortina. O objeto tombou e atingiu o chão com um estalo metálico agudo. Os cânticos pararam. Não aos poucos. De uma vez só, a sala ficou em um silêncio tão absoluto que eu consegui ouvir minha própria respiração. Então, cada cabeça mascarada virou-se para o meu lado da cortina exatamente ao mesmo tempo.
Eu não corri. Não consegui. A cortina foi aberta e duas figuras de manto preto me agarraram antes que eu pudesse levantar as mãos. Eles me arrastaram para a luz, com a caixa ainda travada no meu aperto, e me puxaram direto para o centro do círculo. Ah, eu sou da UPS. Eu não vi nada. Por favor. Eu gaguejei com a voz falhando. Eu só tô aqui pra entregar isso. Eu só preciso de uma assinatura e eu vou embora. Sem perguntas, eu juro. Eu não vi nada. Eu não ouvi nada.
O homem no manto vermelho deu um passo à frente. Mesmo através da máscara, eu podia senti-lo me olhando. Então ele falou, calmo como um médico. Por que você quer ir embora? Ele inclinou a cabeça, quase curioso. Estamos apenas começando.
Estávamos esperando. Ou você acha que a porta estava aberta por acaso? Nós vigiamos tudo. Eles me seguraram ali por alguns segundos, como se estivessem decidindo o que eu valia. Sem pânico, sem raiva.
Medindo. As duas pessoas segurando meus braços não apertaram mais forte. Não gritaram. Nem sequer olharam pra mim. Suas máscaras eram inexpressivas. Uma pálida e lisa. Uma dourada com um fino sorriso esculpido. E eles mantinham os olhos no homem de vermelho.
Como se ele fosse a única pessoa na sala que importasse. Essa foi a primeira coisa que me deu arrepios. A segunda foi como a sala aparecia depois que o cântico parou. Eu sentia a expectativa no ar. Como se eu tivesse entrado no meio de algo agendado minuto a minuto. O homem de vermelho parou na minha frente. Seu manto se espalhando pelo mármore preto. E levantou uma mão enluvada. O círculo se alargou.
Os outros recuaram em sincronia perfeita, deixando um caminho livre para o altar. Então, ele olhou para a caixa nas minhas mãos. Traga-a para a frente, disse ele. Sua voz era calma, quase entediada, como se estivesse pedindo um arquivo em uma sala de reuniões.
Engoli em seco e estendi o pacote com as duas mãos. Uma das figuras de manto preto o pegou cuidadosamente. Cuidadosamente demais. Não como se fosse papelão, é como se fosse uma evidência, uma relíquia. O homem de vermelho tocou a etiqueta com um dedo.
— No horário, disse ele. Quase disse que estive evitando aquilo o dia todo, mas algo no jeito que ele disse me fez travar. Naquela sala, no horário, não significava que horas eram. Significava que o ritual tinha chegado ao ponto em que a caixa deveria aparecer. Eu fazia parte do cronograma.
O homem de vermelho virou-se para o círculo. Testemunhem a entrega final, disse ele. A multidão respondeu naquele mesmo tom baixo e ensaiado. Ecoou pela sala como uma liturgia de igreja filtrada por um clube privado. Vozes ricas, vozes educadas. Homens e mulheres que pareciam pertencer a programas de televisão. Tribunais, palcos, agora escondidos sob máscaras. Falando em uníssono como uma só garganta.
Uma porta lateral se abriu. Dois atendentes encapuzados entraram primeiro e, entre eles, veio uma mulher vestida de branco, grávida, descalça, em uma camisola fina, com uma mão repousada sob a barriga como se tentasse sustentar o peso. Ela não estava sendo arrastada. Essa era a pior parte.
Ela caminhava lentamente, obediente, com os olhos semiabertos e as pupilas sem foco, como se estivesse acordada a tempo demais ou drogada em um sonho. Seus lábios estavam entreabertos em um sorriso fraco que não combinava com seu rosto.
Ela parecia em paz, daquela forma que pacientes de hospital às vezes parecem, logo antes de um procedimento com o qual não concordaram totalmente. A sala abaixou a cabeça enquanto ela passava. Respeito, reverência, mas não piedade. Eu senti meu estômago revirar tão forte que achei que ia vomitar ali mesmo, no chão deles.
Os atendentes a levaram para o centro do círculo, logo ao lado do altar. Ela balançou uma vez e um deles firmou seu cotovelo. Quando levantou a cabeça, seus olhos percorreram a sala e pousaram em mim por um segundo. Ela pareceu acordar. Não totalmente. Apenas o suficiente. Seu sorriso tremeu e a boca mal se moveu. Não. Ela sussurrou.
A palavra foi tão suave que eu poderia ter imaginado. Então, o rosto dela ficou branco novamente. O homem de vermelho deu um pequeno aceno e um dos atendentes abriu o pacote. As abas subiram devagar. Revestimento de espuma por dentro. Camadas de pano escuro embrulhando o que quer que tivesse sido enviado. Sem caixa de varejo, sem recibo, sem marca.
O atendente desdobrou o pano e levantou uma taça de metal. Não um troféu. Não era decorativa. Parecia antiga, pesada, de prata fosca ou estanho. Com manchas escuras presas nos sulcos gravados ao redor da borda. Gravado profundamente no metal estava o mesmo símbolo que o vira no chão. Um círculo cortado por uma linha vertical fina. Na sala emitia um som.
Um murmúrio baixo de aprovação. O atendente voltou à caixa e removeu um cartão dobrado em papel creme grosso. Sem papel timbrado, ele o entregou ao homem de vermelho, que o abriu e leu em voz alta. Entrega especial. Origem confirmada. Apenas para os escolhidos.
Passo final. Ele dobrou o cartão uma vez e o colocou no altar. Como se já tivesse lido aquelas mesmas palavras antes. Minhas mãos começaram a tremer. Eu não sei se foi o texto, o modo como todos reagiram ou o fato de que origem confirmada soava menos como religião e mais como uma cadeia de suprimentos. Como alfândega. Como logística.
Como se alguém, em algum lugar, tivesse assinado aquilo e rastreado através das fronteiras. O homem de vermelho pegou um pequeno frasco de vidro no altar e despejou o conteúdo na taça. O líquido era escuro e espesso o suficiente para cobrir o metal enquanto escorria. Quase preto à luz das velas.
O círculo começou a murmurar novamente. Na mesma cadência. No mesmo tom. Os atendentes guiaram a mulher para mais perto. Ela não resistiu. Não falou. Apenas olhou através da sala. Uma mão na barriga e a outra pendida ao lado do corpo. O homem de vermelho ergueu a taça até os lábios dela.
Beba, disse ele. Ela bebeu devagar, como se tivesse sido ensinada. A sala exalou como um só corpo. Uma onda de satisfação percorreu as máscaras. Cabeças se curvaram. Algumas mãos foram levadas ao peito. Parecia menos um sacrifício e mais uma cerimônia de herança.
Algo antigo, escondido e praticado por pessoas que acreditavam ter o direito de decidir quais linhagens importavam. O homem de vermelho baixou a taça e voltou-se para mim. Mesmo através da máscara, eu podia senti-lo sorrindo.
Obrigado, mensageiro, disse ele. Duas figuras de manto preto deram um passo para o meu lado novamente. Gentis dessa vez, profissionais. O homem de vermelho inclinou a cabeça e falou da forma como um gerente dá as instruções finais. Você pode ir agora. Você não vai repetir o que viu.
Não vai descrever essa casa. Não vai citar nada daqui. Ele olhou para a mulher. Se fizer isso, as consequências começarão onde você se sente mais seguro. Eu sei quem você é. Uma das figuras pegou minha mão direita antes que eu pudesse puxá-la. Algo quente pressionou meu polegar. Um anel. Um selo. Eu mordi o lábio com força para não gritar. Quando soltaram, meu polegar latejava.
O homem de vermelho se afastou, levantando a taça novamente enquanto o círculo se reformava ao redor da mulher. O cântico voltou, mais suave do que antes, como se eu nunca tivesse interrompido nada. Enquanto me viravam para as escadas, olhei para trás uma última vez. A mulher estava me encarando novamente, ainda sorrindo, mas agora havia lágrimas escorrendo pelos dois lados do rosto dela.
Eles me conduziram pela escada como seguranças escutando alguém para fora de um evento privado. Sem pressa, sem ameaças gritadas, apenas mãos firmes nos meus braços e aquele cântico desaparecendo atrás de mim conforme subíamos. Quando chegamos ao saguão, o barulho da cidade estava de volta lá fora, como se nada tivesse acontecido. Um dos homens de preto abriu a porta para mim. — Cuidado no caminho! — disse ele.
Sua voz me gelou. Era estranha. Eu me virei por um segundo e a mão dele subiu até a máscara. Ele a levantou o suficiente para eu ver um rosto que ainda vejo nos meus sonhos. Pálido, esticado e um sorriso largo demais para ser real. Lábios puxados para trás como se estivesse tentando sorrir com a pele de outra pessoa. Então a porta se fechou. Eu nunca contei ao meu gerente por que cheguei tarde.
Eu dirigi o caminhão direto para o armazém, estacionei, entreguei meu scanner e fui para casa. Na manhã seguinte, Dale disse a todos nós que a rota do Central Park havia sido removido de nossas paradas. Sem explicação, a pena sumiu. Seis anos depois, as notícias estouraram. Arquivos, nomes, voos, ilhas, mansões. Todo mundo agindo como se estivesse chocado.
Eu li tudo o que pude. Enterrada em um daqueles documentos, havia uma linha minúscula, quase uma nota de rodapé, sobre um motorista de entrega levando um pacote para uma residência privada, sem nome, sem empresa. Mas eu sabia que estavam falando de mim. Eu parei de ler depois disso.
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