Cenário Econômico #923 - Projeto sobre terras raras expõe disputa por controle de recursos
Apesar do potencial, a exploração ainda é pequena e conta com apenas uma mina em operação, a Serra Verde, em Minaçu, no norte goiano, recentemente comprada por uma empresa norte-americana. Segundo Leandro, essa negociação pode ter motivado o governo federal a buscar maior autonomia sobre os minerais críticos, enquanto Goiás defende manter o controle sobre o que é produzido no estado.
Bonfim
Dani
Leandro Resende
- Terras RarasRegulamentação da exploração de terras raras no Brasil · Reservas de terras raras no Brasil e China · Importância estratégica das terras raras para indústrias futuras · Disputa por controle de recursos minerais entre governo federal e estados · Autonomia de Goiás na exploração de minérios
- Políticas IndustriaisComparação com a industrialização do petróleo no Oriente Médio · Exemplo da Embraer e a tecnologia de aviões supersônicos · Risco de se tornar uma 'colônia de exploração moderna' · Importância de agregar valor aos recursos minerais no Brasil
- Minerais críticos e terras rarasTerras raras como o 'petróleo do futuro' · Uso de terras raras em chips, semicondutores e data centers com IA · Interesse de potências como EUA e China em parcerias e acordos bilaterais · Dependência da indústria de armamentos em terras raras
- Impacto Ambiental da MineraçãoGoiás como terceiro maior produtor de minérios no Brasil · Eixo de mineração no Brasil: Pará, Goiás e Minas Gerais · Compra da mina Serra Verde por empresa norte-americana · Debate sobre a autonomia dos estados na mineração
Cenário Econômico, com Leandro Rezende. Oi Leandro, bom dia pra você.
Bom dia, Luiz. Bom dia, ouvintes da CBN. Bom dia, Dan. Bom dia, Leandro. Leandro, assunto dos próximos dias. Foi apresentado na Câmara dos Deputados ontem o relatório do texto do projeto de lei que regulamenta a exploração de terras raras no Brasil. O país possui a segunda maior reserva do planeta, ficando atrás apenas da China.
No entanto, a exploração por aqui ainda é pequena. Tem uma mina, uma apenas, de terras raras em operação no Brasil, Serra Verde, que fica em Minasur, no norte goiano. Recentemente foi comprada por uma empresa norte-americana. Leandro, essa negociação teria sido a virada de chave para que o governo federal quisesse ter autonomia sobre os minerais críticos explorados no país, enquanto Goiás quer continuar tendo autonomia sobre o que é produzido por aqui.
Quais são os impactos econômicos dessa disputa? Então vamos lá, Luiz. É um assunto amplo que vai gerar muito debate, mas ele realmente é necessário. O Brasil tem 23% das terras raras no mundo. É um grande número, é um percentual muito grande, considerando que terras raras tendem a ser o petróleo do futuro.
Então, assim, é o grande mineral a ser explorado no futuro. Por quê? Porque é dele que vão fazer os chips, vão fazer os semicondutores, vão fazer rodar os data centers com IA, vão fazer rodar também.
outras indústrias importantes na cadeia de negócios do mundo. E principalmente, até por isso, essas grandes potências, principalmente como Estados Unidos, China, estão realmente tentando mapear e buscar essas parcerias, esses acordos bilaterais, principalmente, como eu disse, armamentos. Então é uma indústria que tem uma dependência hoje forte também de terras raras. O Goiás tem 23% da produção brasileira, não é pouco.
E a gente já falou sobre isso no passado, sobre mineração, né? Goiás faz parte de um eixo de mineração do país. Então você começa no Pará, passa por Goiás e vai até Minas Gerais. Então esse eixo é um eixo muito rico em minérios.
E Goiás é o terceiro maior produtor, considerando toda a cadeia da mineração. Então, Goiás é um estado relevante nesse debate. Goiás realmente tem uma mina em operação. Não é proibido ter uma mina em operação, seja ela para o qual o país for. A gente já tem minas em operação por japonesas, de outros minérios.
de japoneses, chineses que compraram na Angola América, tivemos ingleses, temos americanos. Então ter uma mina sob o controle de uma empresa não é o problema. É o controle da exploração, do processamento, essa é a disputa, processamento, mineração, as políticas internas, os parceiros comerciais, essa é a disputa. Os estados, ou o estado de Goiás...
saiu ao na frente, comprou essa briga, já gerou um ruído muito grande no setor mineral brasileiro, porque há uma questão muito importante. Se cada estado for fazer a sua parceria, se cada estado for buscar o seu modelo de política de mineração e autonomia, vai gerar um grande conflito nacional. Vai ter estado que está com um país, outro estado que está com outro país.
E essa autonomia, ela sempre esteve na mão do governo federal. É importante rediscutir? É importante rediscutir. É importante, por exemplo, rediscutir os royalties do petróleo, que 95% fica na mão de dois, três estados, e os demais estados praticamente ficam ali com um bonezinho pegando uma mixaria. Então, essa rediscussão não passa só pelo setor que envolve terras raras. É um debate que precisa envolver.
envolver também outros setores que os estados, como São Paulo e Rio, por exemplo, acabam blindando setores minerais importantes ou receitas minerais, receitas oriundas. Goiás fez bem em abrir esse debate, mesmo que lá na frente não tenha o sucesso absoluto, mas ele colocou esse assunto na pauta nacional e é muito importante discutir. É o momento que todos estão buscando parceria. Goiás tem que sair dessa questão.
O problema com a ligação até o Leandro, vamos tentar retomar, senhor Geraldo, a ligação para ele, vamos ver se a gente consegue uma qualidade melhor na transmissão dos dados aqui, para a gente ter as informações com o Leandro. Leandro, a gente teve um corte aí no final, quando você estava explicando a importância aqui para o Estado dessa discussão, e não é uma discussão interna, regional, é uma discussão internacional, né Leandro?
Não é uma discussão pequena, é uma briga grande. Goiás puxou essa briga colocando os estados nesse debate. É importante porque...
Você passa a ter dentro de um cenário de total controle do governo federal para um debate também maior com relação à mineração no país, porque nem sempre o estado maior, o terceiro maior estado mineral do país, que é Goiás, recebe muito pouco dessa produção, desse resultado financeiro. E é importante debater também qual é a preocupação em industrializar.
parte desse produto aqui. Então, a gente tem... E qual vai ser o investimento do país nesse assunto? Vão vender todas as minas para estrangeiros? Dependendo da bandeira que for, né? Então, a gente vai ser uma colônia de exploração moderna. Então, essa é a questão que a gente tem que debater em industrialização, assim como nós fizemos com os aviões, os aviões que a Embraer comprou, ela puxou a tecnologia para dentro do Brasil, então, ela hoje é capaz de fazer avião supersônico. Isso é uma...
tendência e uma necessidade. Ter parceiro comercial importante e forte, ok, mas ao mesmo tempo não ficar refém apenas como uma mina de fornecimento de insumo riquíssimo.
E a exploração mínima zero foi o que aconteceu com o Oriente Médio, ele industrializou o petróleo e ele é bilionário hoje por conta disso, trilionário, vamos dizer assim, porque ele industrializou o petróleo, ele não mandou o petróleo para industrializar na China, nos Estados Unidos, ele vendeu o petróleo pronto.
Então, Goiás tem que pensar grande e o Brasil tem que pensar grande. Goiás deu um passo para rediscutir, colocou o tema na pauta nacional, tema que ficou rondando aí e nunca sentou na mesa do Congresso ou do governo. Então, essa cutucada que o Estado de Goiás deu foi realmente muito importante, mesmo que não tenha sucesso lá na frente.
Mas assim, esse assunto voltou para um grande debate e aí mais pessoas vão entrar, porque aí tem um conflito, tem mais pesquisadores, universidade, academia, imprensa, todo mundo entra no assunto, o assunto chegar pelo menos num senso de equilíbrio e chegar num ponto de decisões melhores para o país. Leandro, um abraço para você, bom dia, até amanhã. Um abraço, Luiz, ouvintes da CBN, Dani, até amanhã com boas notícias na economia.