Cenário Econômico #922 - Acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer com impacto gradual
Os principais beneficiados são itens do agronegócio, como grãos, carnes e açúcar, mas, segundo especialista ouvido em reportagem de José Bonfim, os impactos a curto prazo em Goiás devem ser pequenos devido às exigências relacionadas ao meio ambiente.
Leandro Resende
Bonfim
Dani
- Acordo Mercosul-UEImplementação das regras · Redução de taxas de importação · Impactos no agronegócio · Exigências ambientais · Potencialidade do bloco econômico
- Mentalidade EmpreendedoraAbertura de mercados para produtos de baixo volume · Exportação de mel, cachaça, joias, roupas e sapatos · Câmbio favorável (6x1) · Aprender com a estratégia chinesa de expansão
Cenário Econômico, com Leandro Rezende. Bom dia, Leandro. Tudo bem? Boa segunda. Bom dia, Bonfim. Bom dia, Dani. Bom dia, ouvintes da CBN. Boa segunda. Bom dia, Leandro. Ótima segunda para você.
Leandro, na última sexta-feira começou a valer parte das regras do acordo que foi feito entre países do Mercosul e da União Europeia. Entre os termos está ao zerar as taxas de importação de vários produtos entre os dois blocos comerciais. Os mais beneficiados são itens do agronegócio, como grãos, carnes e açúcar.
Eu trouxe uma matéria até mais cedo que a gente acompanhou no CBN Goiânia. Houve uma especialista que apontou que, a curto prazo, os benefícios desse acordo para Goiás podem ser pequenos por conta das exigências relacionadas ao meio ambiente. Mesmo que pequenos, Leandro, quais seriam esses impactos econômicos aqui para o nosso estado e quais setores do agro devem ser os mais atingidos?
Bom fim, então, a gente tem uma situação que é, vou fazer uma analogia e me perdoem os mais críticos, que é o seguinte, esse relacionamento foi um namoro durante quase 20 anos. E esse namoro teve altos e baixos, idas e vindas, mas um namoro que terminou e voltou várias vezes. E no final virou um noivado. E nessa semana agora, assinaram o primeiro documento em cartório fazendo um casamento.
E só que nós estamos numa era que os casamentos também são mais fluídos, né? Duram menos, podem durar mais, podem durar menos. A expectativa é que o casamento União Europeia e Mercosul, que for o maior bloco de PIB, né? Considerando o PIB, de países diferentes, de continentes diferentes.
no mundo. Então esse bloco tem uma potencialidade muito grande, são parceiros comerciais que têm história de relacionamento, tanto que a América do Sul, ou seja, o Mercosul todo, foi uma colônia no passado dos europeus e isso demonstrou, com a independência, isso há em torno de 200 anos.
deu esse fortalecimento dessas economias como os grandes players internacionais, grandes países e grandes economias internacionais. O Brasil é uma grande economia, principalmente no que se refere a fornecimento de alimentos. A Argentina, apesar de passar por dificuldades, também é uma grande fornecedora. Então, a gente tem uma relação muito promissora. Se ela vai funcionar ou não, é com o tempo. Acredito que esse primeiro momento vai ser mais lento, vão ter mais entraves, mas muitos produtos...
e é o grande foco do processo, como todos são as grandes commodities, os grandes volumes de exportação, mas abre outros campos, né? Você vai trabalhar com campos mais sensíveis, um problema nosso que a gente tem é uma pauta muito concentrada. Então o agronegócio, seja soja, carne, complexo de mineração, esses produtos que nós exportamos muito, eles vão ter negociações duras, vão continuar sendo duras, nunca foram fáceis as negociações.
Porque os europeus criam restrições para tudo, para dificultar um pouco esse mercado deles também, que eles também produzem produtos semelhantes. Então, é claro, obviamente, eles vão tentar proteger os seus. Mas com o acordo em vigor, isso vai abrir a cabeça um pouco, vai abrir um pouco esse leque, vai abrir, achar um ponto de equilíbrio. Mas o que me agrada mais ainda, porque esses grandes produtos já têm vida própria, já têm canais, se a Europa não comprar, tem quem compra. O Brasil é um grande play.
internacional de produção de alimentos e tem produto para quem quer. Quem quiser comprar vai ter no Brasil, pode vir comprar que vai ter. Isso é uma realidade do mundo. Nós somos os principais fornecedores de alimentos no mundo e não tem o produto para abastecer.
essa gigantesca população. Mas me agrada muito, como eu disse há pouco, Bonfim, Dani, é essa possibilidade de abrir caminhos para produtos de baixa exportação, produtos de baixo envolvimento ali, de baixo engajamento nessa grande pauta que a gente tem, mas que seria bom mercado na Europa. Vamos falar, por exemplo, mel, por exemplo, cachaça.
produtos naturais, joias, vestidos, roupas, sapatos, são produtos que... Ah, mas eles produzem o maior sapato do mundo, eles produzem roupas também, são públicos diferentes, a gente tem público para atender, se a gente conseguir trabalhar bem a cadeia de produção, sapatos e roupas, por exemplo, no estilo europeu, a gente pode chegar sim. Estive lá, fiquei um mês lá no Ciano, adorando que ele tem mais um mês.
Eu percebo que o mercado é muito aberto. Se você conseguir uma boa base de exportação, se você conseguir um bom exportador com essas tarifas baixas, você consegue colocar produto lá. Então, aquele médio empresário, aquele empresário que está no Sebrae, que já evoluiu um pouco, assim, os seus três, quatro, primeiros cinco anos, consegue fazer uma escala um pouquinho maior, seja em Goiás, seja em Brasília, São Paulo, Rio, esse empresário vai olhar para a Europa diferente, porque é um mercado que paga seis por um.
6x1 não é jornal de trabalho, não. 6x1 é o dólar, é o câmbio. Então, compensa muito o médio empresário olhar para esse cenário, olhar para essa possibilidade e tentar entender que ele pode ser um exportador, que o mercado, as barreiras foram quebradas lá no começo do plano real. E de lá para cá, só os grandes produtos, produtos que têm grande escala, conseguiram chegar, porque as tarifas, as barreiras eram grandes. As barreiras vão começar a cair, os chineses já fazem muito isso.
e a gente tem que aprender com os chineses a abrir e achar mercado para os nossos produtos. E, em muitos casos, até mesmo, ousar e adquirir empresas nesses países que os chineses aos poucos fizeram e tiveram um grande sucesso. Bom fim. Muito obrigado, Leandro. Até amanhã aqui no CBN Goiânia. Até mais. Bom fim, Dani, ouvintes. Até amanhã com boas notícias na economia.