Dedo No Pulso: Análise Macroeconômica e Agronegócio 11/05 a 17/05/2026 com Antônio da Luz
Nesta semana, o cenário econômico ganha atenção redobrada com inflação no Brasil e nos EUA, pressão sobre os juros, câmbio, petróleo e os impactos diretos no agronegócio. O episódio traz uma leitura estratégica dos principais indicadores da semana e como eles podem afetar investimentos, produção e mercado.
Além disso, o podcast aprofunda temas que estão movimentando o país, como o debate sobre a escala 6x1, informalidade no mercado de trabalho e as oportunidades gigantescas que estão surgindo com biodiesel, etanol de milho e biocombustíveis. Uma análise direta, provocativa e essencial para quem quer entender o presente e enxergar o futuro do agro e da economia brasileira.
➡🎙A voz da maior securitizadora do Agro!
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FICHA TÉCNICA:
Apresentação: Antônio da Luz
Produção: Agro Resenha
Edição: Senhor A
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- Trabalho InformalEscala 6x1 · Trabalhador por conta própria · Trabalhador informal · PEC das Domésticas · Processos Trabalhistas
- Biodiesel e BiocombustíveisBiodiesel · Etanol de Milho · Relatório USDA · Safra 2027 · Combustível de Aviação (SAF) · Combustível Marítimo (Biobunker)
- Inflação e Política MonetáriaIPCA no Brasil · IPCA-15 no Brasil · CPI nos EUA · PPI nos EUA · Decisão do FED · Taxa de Juros · Carry Trade
- Cenário MacroeconômicoVendas no Varejo (Brasil) · Setor de Serviços (Brasil) · Sentimento do Consumidor (Brasil) · Crise de Crédito (Brasil) · Produção Industrial (EUA) · Seguro Desemprego (EUA) · Crescimento de Empréstimos (China) · Inflação na China · Payroll (EUA) · PMI Não Manufatura (EUA) · PMI Serviços (EUA) · Relações Comerciais (EUA) · DXY (Índice Dólar) · Câmbio no Brasil · Preço do Petróleo
- Setor de ServicosProdução Industrial (Brasil) · PMI de Serviços (Brasil) · PMI Composto (Brasil)
- Sistema Único de Assistência Social· SociedadeDes
Seja muito bem-vindo ao Dedo no Pulso, o podcast da Ecoagro. Análise com sensibilidade, precisão e visão estratégica dos movimentos do agronegócio e da economia. Toda semana, nosso economista-chefe Antônio Dalluz interpreta os dados mais relevantes com profundidade, didática e realismo.
Um conteúdo direto da fonte, com tudo o que você precisa saber sobre macroeconomia, mercado agropecuário e o cenário político-econômico. Porque, para antecipar tendências, é preciso ter o dedo no pulso do mercado. Ecoagro, o elo entre o agronegócio e o mercado de capitais.
Olá, investidores. Olá, pessoal do Agronegócio. Que bom, que bom tê-los conosco também nessa semana que vai do dia 11 ao dia 17 de maio de 2026. Sejam todos muito bem-vindos ao Dedo no Pulso, panorama macroeconômico agronegócio.
É um oferecimento da Ecoagro, a maior securitadora do agro do Brasil. Pessoal, essa semana nós temos o dado do IPCA, que eu achei que sairia na semana passada. E me enganei, saiu nesta semana. Nós vamos ter o dado, portanto, de abril. E nós já sabemos que o IPCA 15 veio bem forte. O predomínio da alta dos alimentos. É o segundo mês consecutivo que nós temos alta em alimentos. Bastante forte. Logo, logo estaremos...
acompanhando as notícias bombásticas e escandalosas do aumento dos alimentos e perguntando para os produtores rurais por que o alimento está mais alto. Nem parece que o petróleo subiu do jeito que subiu e com isso carrega para cima todo o custo da cadeia. Mas assim é a vida. Logo, logo você vai estar vendo isso na TV, no rádio, no jornal.
Além disso, nós temos o IGP-10, que pega o primeiro decênio do IGPM, onde nós estamos tendo altas bem significativas. Nós temos também vendas no varejo, o que nossa expectativa é a manutenção do processo de desaceleração, enquanto o crescimento do setor de serviços também deve ter uma leve desaceleração, só essa semana, e agora muito mais estável do que as vendas no varejo, que estarão bem abaixo do mesmo período do ano passado.
E nós teremos também sentimento do consumidor, que vem se deteriorando, até porque nós temos uma crise de crédito bastante forte, um nível muito elevado de pessoas que foram apontadas em cadastros negativos, tais quais SPC, Serasa e assim por diante. Lá nos Estados Unidos, nós vamos ter também um olhar para a inflação, CPI e PPI, ou seja, a inflação ao nível do consumidor.
O CPI, que é o equivalente ao nosso IPCA, e o BPI, que é a inflação ao nível da produção de bens. Bom, aqui eu quero trazer um ponto. Tanto o IPCA no Brasil quanto a inflação lá nos Estados Unidos, elas dizem muito sobre o futuro dos juros. Lá nos Estados Unidos, como nós já vimos, nós tivemos uma decisão de manutenção.
por parte do FED de 8 a 4, onde 4 membros votaram para elevar a taxa de juros. Eu já dei a minha opinião na semana passada. Creio que se não houver uma mudança importante nos rumos da guerra, nós veremos o FED elevando as taxas de juros. E se assim...
nós poderemos ter uma mudança importante, inclusive, na questão do carry trade aqui no Brasil. Dinheiro que vem lá de fora para investir aqui, começa a voltar para lá, muda a trajetória do câmbio, deixa o nosso juro mais complicado de reduzir. Enfim, uma situação que precisa ser acompanhada de perto. O PPI, que é a inflação ao nível do produtor,
O produtor de bens deve ter um aumento bem significativo, porque toma o efeito do petróleo, da alta do petróleo, de maneira bastante contundente. Mas a economia americana está crescendo bem. Vendas no varejo, produção industrial, elas vêm bem. Assim como os pedidos iniciais e contínuos do seguro-desemprego, que nós teremos nesta semana também, também estão bem. Acontece.
que o fortalecimento da economia americana, combinado com emprego fortalecido e preços subindo, já sabe no que vai dar, né? É inflação sendo retroalimentada por inflação. E isto vai gerando desancoragem de expectativas e, consequentemente, necessidade de aumentos de juros por lá. Então, não é certo, é óbvio.
que não é certo, depende do andamento de uma guerra que nós não temos controle nenhum, hora vai parar hora não vai, hora vai, os navios vão passar por Hormuz, hora não vão mais, daqui um pouco o Trump garante que vão passar, daqui um pouco não garante mais e assim por diante. Além do mais, tem um relatório muito importante para o pessoal do Agroxer essa semana que é o relatório do USDA é um relatório muito muito importante é um relatório um
Para mim, um dos mais importantes do ano, porque é quando nós temos acesso às previsões para a próxima safra. Então, a partir deste relatório, nós vamos começar a ver qual é a visão para a safra 2027. A partir deste relatório, a safra 2027 começa a ganhar cada mês mais importância e a safra 2026 vai diminuindo cada mês um pouquinho da sua importância.
E ela já virá contaminada pelas questões climáticas nos Estados Unidos. Virá também com a preocupação do aumento do preço dos combustíveis e o aumento do preço dos fertilizantes. O que pode mudar significativamente aquela diretriz do evento lá do USDA de fevereiro, o qual nós comentamos aqui.
Pode trazer essas mudanças, porque afinal de contas, de lá para cá, muita coisa mudou. E na China, nós temos crescimento dos empréstimos, nós vamos ter novos empréstimos e também a inflação, tanto ao nível do consumidor, o CPI, quanto ao nível do produtor, o PPI. E eu trouxe dois estudos especiais para vocês hoje. O primeiro é sobre escala 6x1. Eu quero mostrar para vocês por que esta é uma discussão errada.
Por que esta é uma discussão hipócrita? Por que ela é uma discussão demagógica? Eu tenho certeza que vocês vão compreender que eu não estou falando isso do ponto de vista político ou ideológico. Eu vou mostrar números. Eu vou mostrar dados. Eu tenho certeza que vão melhorar muito.
a compreensão do porquê que eu acho que essa é a discussão errada. Eu não estou dizendo que ela não pode ser uma discussão necessária. O que eu estou dizendo, de maneira clara, é que ela não é prioridade. Imagine um bolo feito com barro, com lama, e aí eu boto uma cereja em cima.
Adianta eu botar uma cereja em cima de um bolo feito com lama? Adianta eu melhorar a estética dele? Ele vai continuar sendo lama e nós vamos continuar enfeitando um bolo feito com lama. Eu preciso mudar o bolo antes da discussão da cereja. Só que a discussão da cereja, do ponto de vista político e eleitoral,
Faz muito mais sentido. Não é à toa que esse debate está posto num ano eleitoral. E eu quero mostrar para vocês que as mesmas pessoas que deveriam estar preocupadas com o bolo e estão preocupadas agora com a cereja, são as mesmas que foram negligentes e sonhadoras no passado. Mas tudo isso eu vou mostrar com dados. E os dados são todos eles, sem nenhuma exceção do IBGE, da PNAD Contínua, que aliás saiu essa semana que passou. Então...
Eu vou mostrar dados e você terá a minha opinião, mas os dados que não são meus, para formar a sua opinião. E outro estudo especial que eu trarei neste episódio é sobre o biodiesel, que já era para ter trazido, né gente? Não tinha dado tempo, mas hoje eu prometo que vai dar tempo.
Sobre a minha agenda, na quinta-feira eu vou estar em Cruz Alta, na Tecno Show Irrigação, onde eu vou fazer uma palestra sobre uma análise econômica da irrigação, vou comparar lavouras irrigadas versus lavouras não irrigadas, o efeito de conseguir produzir duas safras sob o pivô, enfim, números para ilustrar os argumentos. E vou estar também em Peju Sara.
na décima expofeira de Pejussaro, no mesmo dia, onde eu vou fazer uma palestra sobre mercado e o desempenho do agro, o que nós podemos esperar.
Eu quero começar, por óbvio, pelos indicadores que estão sob a nossa mesa. E o primeiro ponto que eu quero trazer aqui é o relatório FOX do Copom. Porque na semana passada, o dado desta semana eu ainda não tenho, porque este episódio está disponível nas suas plataformas preferidas.
de podcast muito antes do horário do Copom sair, aliás, do Fox sair. Só que na semana passada nós tivemos a oitava semana consecutiva de elevação da expectativa para o IPCA em 2026, atingindo 4,89. E para 2027 nós tivemos um novo aumento. Agora para 4% é a projeção da inflação para o ano que vem.
Lembrem que a meta é 3, o teto é 4,5. Tanto a inflação deste ano, mas principalmente a do ano que vem, que é o horizonte relevante das expectativas, está se elevando. Logo, está desancorando. E à medida que ele desancora, ele vai tirando do copom a...
a capacidade de redução de juros. Então, isto é um ponto importante. Não é à toa que a Selic estava em 12,50, quatro semanas antes desta última divulgação, agora já está em 13%.
É a segunda semana que nós temos este comportamento. E o pior, a inflação para 2028, pelo segundo mês consecutivo, subiu também. Então vejam como essa desencoragem começa a ser mais duradoura. E nós tivemos...
A inflação medida pelo IGPDI para o mês de abril, lembra que nós estávamos esperando que tivesse um dado muito forte? Pois é, ele não decepcionou. Nós tivemos um IGPDI subindo muito forte, vindo para 2,41.
no mês de abril. Isso, mês de abril contra o mês de março, na operação mensal. Quando nós olhamos acumulado em 12 meses, lembra que estava a deflação no atacado? E lembra que a nossa expectativa é que voltasse agora para a inflação lamentavelmente? Pois é o que aconteceu. A inflação do GPDI agora é 0,77 em 12 meses. Era 1,30 negativo no mês passado. Portanto, deflação. A deflação no atacado ajuda a segurar o IPCA.
Inflação no atacado impulsiona o IPCA. Outro componente de preocupação para o COPOM, a inflação no atacado que estava deflacionária pelo efeito da guerra, pelo efeito do petróleo, está voltando para o terreno de inflação, o que gera...
problema lá para frente, lá para o IPCA. Quando nós olhamos para a atividade econômica, a produção industrial, a PIN, que eu disse para vocês que a minha expectativa é que ela entrasse no terreiro negativo no primeiro trimestre desse ano, pois muito bem, ela teve um resultado melhor que a expectativa, a expectativa para março era uma queda de 0,20, esse era o consenso do mercado, mas ela veio com um crescimento de 0,20.
O que eu acho maravilhoso. E conseguiu segurar, portanto, a produção industrial em 12 meses no terreno positivo, 0,40. Muito, muito baixo, ainda correndo um risco gigantesco de vir para o negativo. Mas não veio. Que coisa boa. Essa é a típica expectativa que não confirmada, eu faço questão de comemorar e de dizer que ela não se confirmou. Coisa boa. Tomara, tomara.
que não venha para o negativo mais. Tomara que daqui para frente seja só para cima. Embora, eu não acredite nisso, mas é nisso que nós temos que torcer. Já o PMI, que é aquela pesquisa de gerentes de compras, que é perguntado se estão comprando mais ou comprando menos, se estão comprando mais, é porque estão colocando mais em matéria-prima para venda ou no estoque, logo estão vendendo mais ou produzindo mais, tirando mais pedidos. E o PMI de serviços, ele subiu para 52,30 no mês de abril.
o que é uma ótima notícia, trazendo o PMI composto para 52,40.
E agora, pessoal, antes de entrar nos dados dos Estados Unidos, eu quero trazer aqui o nosso primeiro estudo. O estudo sobre a escala 6x1. O porquê, por qual razão, que eu acho que essa é uma discussão absurda. Uma discussão, não estou dizendo que ela não é necessária. Estou dizendo que ela é absurda. Ela é absurda porque ela foi colocada num contexto político, num contexto demagógico.
num contexto absolutamente eleitoral e eleitoreiro. E vamos começar com os dados. Vamos olhar para o mercado de trabalho no Brasil. Dados do IBGE, dados da PNAD.
Agora, primeiro ponto, eu quero trazer o dado da população, que é do IBGE, Manoel da PNAD. Segundo o IBGE, nós somos 213,1 milhões de brasileiros. 213 milhões de brasileiros. Desses, segundo o IBGE...
174,7 ou 175 milhões são brasileiros com mais de 14 anos. Mais de 14 anos é a população em idade de trabalho.
Ah, mas Antônio, você acha que criança de 14 anos ou mais tem que trabalhar? Não é essa a questão. Isso é a categoria do IBGE. Não é a minha, nem a sua. É o IBGE que trata desse jeito. Pessoas, população com maior de 14 anos.
é considerada a população em idade de trabalho. São 175 milhões de brasileiros arredondando. Então, eu tenho, como crianças, menos de 14 anos. São 38,4 milhões. Então, a população brasileira se divide. Vou arredondar os dados.
175 milhões de população em idade de trabalho, 38 milhões de crianças que estão abaixo da idade de trabalho. Então vamos olhar para os... deixa as crianças lá, 38 milhões de crianças, deixam elas quietas lá, deixam elas estudando, se preparando para quem sabe um dia melhorar a produtividade do Brasil. Vamos focar na população em idade de trabalho.
que são as pessoas maiores de 14 anos, 175 milhões de brasileiros. Essa população se divide em duas partes. A população na força de trabalho e a população fora da força de trabalho. Qual é a diferença? A população fora da força de trabalho são aquelas pessoas com 14 ou mais anos que não estão trabalhando e nem desejam estar trabalhando.
ela é composta principalmente por pessoas mais velhas, pelas pessoas que estão aposentadas e também pelos neném. Eles também compõem essa força, essa fora da força. Mas a população na força de trabalho é de cento...
Então vejam, a população é 213, a população na força de trabalho é 108. Percebe que a população na força de trabalho é quase a metade?
da população total do Brasil. Então, a população na força de trabalho, 108 milhões e meio, a metade. Um pouquinho mais da metade da população total do Brasil. E a população fora da força de trabalho, composta principalmente por pessoas que estão aposentadas, 66,2 milhões de pessoas que estão aposentadas, seja pela razão que for.
Então, essa população que está fora da força de trabalho, você concorda comigo que ela tanto faz a escala 6x1 para ela? Porque ela está fora da força de trabalho. Ela está, principalmente, aposentada. Então, para ela não faz diferença.
a escala. As crianças, que são 38 milhões e 400 mil, também não interessa a escala de trabalho, porque elas não estão trabalhando. Eu tenho que focar, então, na população na força de trabalho, que dá a metade da população. Essa população que pertence à força de trabalho...
ela se divide em duas partes. Também está vendo que estou dividindo em duas partes tudo, né? A população acima de 14 anos, abaixo de 14 anos. Pegamos só quem está acima de 14. População na força de trabalho, população fora da força. E agora eu vou pegar a população na força de trabalho e vou subdividir de novo em dois. Por quê? Porque estes 108 milhões e meio de pessoas que estão na força de trabalho Nós somos muitoisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisonsisons
Uma parte está ocupada, a imensa parte, e uma parte está desocupada. Ou seja, está procurando emprego e ainda não encontrou. Eu tenho 103 milhões de brasileiros ocupados e 5,5 milhões de brasileiros desocupados. É para estes 108 milhões de pessoas que interessa a escala 6x1. É potencialmente esta gente aqui.
Porque é a pessoa que está ocupada ou que está desocupada, mas logo, logo estará ocupada. Então, a população que está na força de trabalho e está ocupada é 48% da população total.
Então vejam, 48% da população total é quem está fazendo PIB, quem está produzindo, quem está gerando a produção. Eu não estou dizendo que as outras pessoas não sejam importantes, pelo amor de Deus, não é isso. Eu estou dizendo que estes 103 milhões de pessoas são aquelas que estão na agricultura, na indústria e nos serviços fazendo produto. Por isso que eu me referi a PIB. Eu não disse que eles não estão fazendo renda, porque o aposentado já fez, enfim.
Não estou entrando em questões de semântica de palavras e muito menos estou querendo discutir a partir de juízos de valores. Eu quero apenas olhar para os números. Muito bem. Então...
nós precisamos olhar para estes 103 milhões que são a população ocupada neste momento, que dá 48% da população. Agora, gente, para tudo o que estiver fazendo e presta atenção nesse número que eu vou falar agora. Desses 103 milhões de pessoas que estão ocupadas, 39,2 milhões estão na informalidade.
Isso dá 38% da ocupação. Gente, quase 40% da população ocupada está informal. Eu tenho quase 40% da força de trabalho ocupada trabalhando na...
informalidade. Ou seja, antes de discutir se o trabalhador formal deve trabalhar 5, 4, 2, 6, 7 dias por semana, o Brasil deveria se perguntar por que quase 4 em cada 10 trabalhadores se...
Quer estão plenamente protegidos pela legislação que se pretende agora ampliar direitos. Percebe que eu tenho um problemaço que é a informalidade? Quase 40% da população ocupada.
39,2 milhões de brasileiros, um total de 103 milhões, ou seja, 38,1% dessa força trabalha de maneira informal. E isso mostra que nós não estamos aqui diante de um mercado de trabalho plenamente formalizado, sofisticado.
produtivo, organizado, onde a principal questão pendente para discutirmos é a jornada. Gente, a realidade observada a partir dos dados do IBGE mostra um mercado profundamente fragmentado, com uma massa gigantesca de trabalhadores sem carteira.
sem CNPJ, sem proteção previdenciária adequada, sem previsibilidade de renda e, muitas vezes, sem qualquer capacidade real de negociação, até mesmo de preço. Para mim, o nome disso é hipocrisia. E se não for hipocrisia, então é demagogia. Se não for demagogia, é populismo. Se não for populismo, é bravada.
Porque nós estamos deixando um problemaço, que é o tamanho da informalidade, não ser discutido, porque ele não é discutido adequadamente no Brasil. E aí vamos discutir a escala. Ou seja, eu estou discutindo a cereja do bolo, os enfeites sobre o bolo. Mas eu não estou discutindo a massa que esse bolo é feito.
Eu não estou olhando se aquilo é um bolo feito com doce, com farinha, com recheio, ou se é com lama, com limo, com coisas que não são possíveis.
Nós deveríamos, se fôssemos um país realmente preocupado com o mercado de trabalho e não da boca para fora, nós estaríamos discutindo como colocar esses quase 40% da força de trabalho para dentro da força de trabalho. E eu vou trazer aqui mais dados para consideração.
Bom, o maior grupo informal que nós temos, ele é justamente o pessoal que trabalha sem CNPJ. É o pessoal que trabalha por conta própria. Ou seja, é aquela pessoa...
que não tem vínculo empregatício com ninguém e trabalha por sua conta. Vou dar um exemplo, uma diarista que faz limpezas em residências, não tem uma empresa formalizada, não tem um vínculo empregatício com a pessoa que ela está prestando o serviço, ela não está emitindo nota, ela trabalha por conta própria.
Um instalador de ar-condicionado, um jardineiro, um zelador, enfim. Um universo imenso de trabalhadores que trabalham por conta própria. É problema trabalhar por conta própria? É óbvio que não. Eu acho, inclusive, salutar. Eu acho ótimo trabalhar por conta própria.
Acontece que eu tenho 19 milhões de brasileiros trabalhando por conta própria sem CNPJ e 7 milhões de brasileiros trabalhando com CNPJ. Percebe que eu tenho quase o triplo de pessoas trabalhando por conta própria sem CNPJ do que com CNPJ? O maior grupo.
Informal não é assalariado explorado pela escala 6x1, pelo patrão malvadão. Quem é o maior informal é o trabalhador por conta própria sem ser IPJ. É o maior contingente da informalidade.
é o Conta Própria 100 CDPJ, com 19 milhões de pessoas. Ele representa 48,5% da informalidade. A proposta de acabar com a escala 6x1 não toca nesse assunto. Finge que não vê o maior grupo informal do Brasil. Joga essas pessoas para debaixo do tapete.
acontece que essas pessoas não têm nenhum tipo de proteção social e nem poderão pleitear lá na frente uma aposentadoria digna a partir da contribuição de trabalho que deram. E esse ponto, para mim, é muito importante. Porque eu já já vou falar sobre os gastos que nós temos com Previdência e sobre o fato dessas pessoas não estarem contribuindo para a Previdência. Mas elas também vão ficar velhas. E essas pessoas também vão precisar de auxílios no futuro.
E elas estão trabalhando à margem da formalização, que traz, em parte, uma forma de viabilizar a rede de assistência para essas pessoas, hoje e no futuro. E, ao mesmo tempo, à medida que não participa, não tem essa rede e vira um cidadão.
de segunda categoria. Então, este, para mim, é um dos pontos mais importantes que nós deveríamos estar discutindo e não estamos. Nós estamos falando de um número imenso de pessoas. Nós estamos falando, por exemplo, de um vendedor autônomo. Nós estamos falando de prestador de serviços sem ser MPJ, o cara que instala o ar, o cara que faz limpeza.
uma pessoa que faz uma limpeza numa residência, uma pessoa que corta cabelo, uma pessoa que faz unha, e assim por diante. Um universo imenso de brasileiros. Nós estamos falando do pequeno trabalhador por conta própria, o cara que faz bico, o frila, que é informal, a pessoa que está tentando sobreviver fora da empresa formal. Esse trabalhador não tem escala 6x1 definida por empregador.
A realidade é muitas vezes bem pior. Essa criatura trabalha quando aparece demanda. Sem jornada clara, sem proteção previdenciária, sem férias, sem décimo terceiro, sem FTS, sem previsibilidade de renda, sem nada. Nada é a realidade destas pessoas. Quase 40% da força de trabalho brasileira. Nada. Nada.
Nós estamos falando de 19 milhões de brasileiros trabalhando por conta própria sem CNPJ. E apenas 7 milhões com CNPJ. O Brasil está discutindo a escala de quem já está dentro da legislação.
mas ignora milhões de trabalhadores que sequer conseguiram entrar pela porta da formalidade. Qual o projeto para essa gente toda? Qual? Trabalhar 7x0? É este o projeto? O projeto é, depois no final da vida, aposentá-las como um benefício mínimo para não morrerem na miséria? É isto que temos para essas pessoas?
E quando nós olhamos o retrato da organização do trabalho, aí essa esculhambação fica mais completa ainda. Porque a informalidade por conta própria revela que o problema é produtividade, é tributação, é burocracia, é custo de formalização. Porque se eu somo conta...
própria, conta própria. O trabalhador que trabalha por conta própria sem CNPJ. E agora, pasme, o empregador sem CNPJ. Porque isto existe, gente. Isto existe. É o cara que tem
um contrato, um acerto de trabalho. Ele tem funcionários. Ele tem pessoas que trabalham para ele. Só que ele sequer tem CRPJ. Vou dar exemplo. Equipes na construção civil, muito comum. Você chama um cara para fazer uma pequena obra na sua casa, um concerto de alguma coisa, e vem dois, três.
para fazer. A maioria destes, desta pessoa que é contratada por você, que vem na sua casa e traz mais dois ou três, esta pessoa não tem CRPJ. Tanto que se você pedir uma nota, não vai lhe dar. E esta pessoa trouxe mais dois ou três.
que são empregados dele. Porém, ele não tem CNPJ. Este é o empregador sem CNPJ. Ou seja, o cara de fato é um empresário. Ele tem uma empresa, mas totalmente informal. E ainda gera...
Empregos. Bom, se eu somar os empregadores sem CNPJ e os conta própria sem CNPJ, aí eu tenho 20 milhões de brasileiros. 20 milhões. Eu agrego mais um milhão. Do outro lado, conta própria com CNPJ e empregador com CNPJ, aí sobe bastante.
Sobe para 10,7 milhões. Mas mesmo assim, eu tenho quase o dobro de trabalhadores de conta própria, mais empregadores sem CNPJ. Conta própria sem CNPJ, empregador sem CNPJ, eu tenho 20 milhões.
Por conta própria com CNPJ e empregador com CNPJ, eu tenho 10,7%. Ou seja, os regulares, aqueles que estão legalizados, são um pouquinho mais da metade do público sem CNPJ. O que isso nos fala? Pense comigo, se para cada uma pessoa que trabalha por conta própria ou é empregador,
para cada um com CNPJ, eu tenho dois por conta própria sem CNPJ, mais empregador sem CNPJ? Você concorda comigo que tem alguma coisa muito errada na porta de entrada da formalização? Você percebe que tem alguma coisa muito errada na tributação? Algo muito errado na burocracia? Algo muito errado no custo de formalização?
E eu pergunto, quem é que está discutindo isso? Qual é o nosso congressista que está discutindo isto com a seriedade? Eu não estou dizendo que não tem iniciativas no Congresso, porque tem. Estou dizendo com a seriedade e com a dimensão que foi levada.
a escala 6x1 para o debate. Quem é que está discutindo tributação? Como é que eu faço para esse contingente de 20 milhões de pessoas que trabalham por conta própria e algumas delas empregam outras pessoas, tudo informal, como é?
que eu formalizo essas pessoas? Como é que eu regularizo essas pessoas? Como é que eu boto essas pessoas para dentro do Estado de Direito? Como é que eu garanto os direitos destas pessoas? Então, antes de discutir uma nova obrigação para quem está formal, porque é isso que nós estamos fazendo, no momento que eu discuto escala 6x1, eu estou discutindo uma nova obrigação para quem está formal.
porque para o informal esse assunto pouco importa. O Brasil deveria se perguntar por que tanta gente prefere ou é empurrada a trabalhar sem CNPJ, sem registro, sem proteção. Repito, qual o projeto de lei do Congresso ou ações do governo para resolver esse absurdo?
Qual? Quais? Eu pergunto. Porque nenhuma delas ganhou a dimensão da discussão da escala 6x1, porque esta é uma discussão que tem fit em momentos eleitorais. E a pessoa precisa ser muito alienada para não preferir discutir os reais problemas.
do emprego no Brasil, ao invés de discutir este assunto. A menos, eu me refiro não a nós, me refiro às pessoas que votam, que estão debatendo este assunto com a seriedade. E quando eu falo, e voltando na questão da Previdência,
Quando nós pegamos o dado do governo, as áreas de atuação, função do governo federal com maior despesa, sabe qual é? Previdência social. 52,35% da despesa do governo federal.
Mais da metade, portanto, é com previdência social. 14,5% é com assistência social. Então, se eu somar a previdência com a assistência, eu estou falando de 2 terços da despesa. Aí eu vou ter saúde com 9,5, bem abaixo. Previdência 52, saúde 9,5. Educação 8,99, bem abaixo da assistência.
que é 14,57. Trabalho, 5,45. Só que se eu tenho um contingente imenso de brasileiros que estão trabalhando por conta própria, sem CNPJ, e porque abandonaram o emprego formal, essas pessoas não estão contribuindo para a Previdência. Consequentemente, elas estão aumentando o déficit da Previdência. Só que essas pessoas vão ficar velhas.
E elas vão precisar de um auxílio financeiro para o terço final da sua vida. E quem que vai pagar isto? Porque elas não estão contribuindo. Quem é que vai pagar? É a geração do meu filho, do seu filho, dos seus netos e assim por diante. Eles é que vão pagar. E eu pergunto, é justo? Será que se dessem para essas pessoas o incentivo correto para elas se formalizarem, elas estariam trabalhando de maneira informal? Este é um ponto que precisa ser discutido.
EcoAgro, o elo entre o agronegócio e o mercado de capitais.
E agora eu quero falar de quem é empregado e é formalizado. A escala 6x1 atinge diretamente apenas uma parte deles. Isso precisa ficar claro. Nem todo mundo que está formalizado trabalha em regime 6x1. Eu mesmo não trabalho no regime 6x1. A maioria das pessoas que acompanham esse podcast não trabalha no regime 6x1.
Os trabalhadores com carteira do setor privado, doméstico e setor público seletista, eles somam 41,9 milhões, ou apenas 41% da ocupação total. Mas nem todos esses trabalhadores estão numa escala 6x1. Muitos trabalham em escala 5x2 há muito tempo. São pessoas que fazem jornada administrativa. Jornada administrativa já é padrão 5x2.
Já é. Tem jornada administrativa, tem bancos de horas, tem turnos, tem regime parcial, tem teletrabalho, tem acordos específicos. A maioria das pessoas que trabalham formalmente já não estão na escala 6x1. Elas estão na escala 5x2. Então o debate da 6x1 trata de um subconjunto do mercado de trabalho. É legítimo, é legítimo fazer essa discussão. Mas é hipócrita.
É hipócrita, eu discute um pequeno subconjunto dessa população, da população total, que trabalha numa escala 6x1 antes de discutir o montante de pessoas informais. E este assunto da 6x1 não pode ser vendido como a grande reforma social do trabalho brasileiro, como está sendo vendido.
porque não é, porque eu tenho um contingente imenso de pessoas que não tem jornada definida por conta que está absolutamente informal e boa parte dos formais já não trabalha em escala 6x1. A escala 6x1 pode ser dura por uma parcela dos trabalhadores.
Mas ela não é o centro da tragédia trabalhista brasileira. O centro é que dezenas de milhões estão fora do regime que o Estado promete proteger. Mas só promete, porque não entrega. Então, nós estamos falando de um público pequeno. E o problema não é a ausência de regra, é a incapacidade de fazer a regra chegar ao mundo real. O Brasil já tem uma das legislações trabalhistas mais detalhadas do mundo. Ou seja, não faltam regras no papel.
Falta é aderência à economia real, para que os incentivos estejam corretos. Então, eu vou pegar na escala 6x1 o sujeito que trabalha numa padaria, uma pessoa que trabalha numa loja de shopping e assim por diante. Estas pessoas não são a maioria do trabalhador. Só que é vendido este assunto na própria propaganda do governo que passa na TV.
Como se fosse uma revolução, como se todos nós fôssemos trabalhar menos. Não é. Isso atinge uma fração da população. Só que a imensa maioria dessas pessoas que trabalham no regime 6x1, elas são empregadas de empresas pequenas.
Empresas que lutam para se manter formais. Sabe o que vai acontecer? Vai acontecer que mais empresas vão ficar informais. Nós vamos aumentar o número de empregadores sem CNPJ. Isto é uma previsão que eu estou fazendo? Não. Eu estou me ancorando no passado. Quer ver? Eu vou dar um caso concreto.
de como o discurso e a prática se distanciam muito. Eu quero mostrar como que, às vezes, ideias com boas intenções, elas se transformam em algo pior para aqueles que nós gostaríamos de ajudar. Eu vou dar o caso, trazer aqui o exemplo.
da PEC das Domésticas. A PEC das Domésticas foi defendida, relatada pela deputada Benedita da Silva, do PT do Rio de Janeiro. Ela, inclusive, se apresentou na Câmara dos Deputados
vestida de doméstica para defender o projeto da PEC das Domésticas. Eu não tenho dúvida que a Benedita da Silva, ela tinha a melhor das intenções. Até porque ela já foi doméstica.
Ela sabe do que ela está falando. Eu posso não concordar com um monte de coisas da Benedita da Silva. E não concordo mesmo. Mas daí, a eu achar que ela não fez isso de bom coração, bom, aí eu acho que quem está errado sou eu. Estaria eu errado. Não acho isso. De coração, não acho isso.
Eu acho que ela levou para o parlamento uma ideia muito bem intencionada, a partir da vivência que ela teve como doméstica. E eu vou pegar aqui um trecho da fala dela. Abre aspas, não é demagogia estar aqui. Ela se referia a ela vestida de doméstica.
É algo da pele, do coração, das veias e da luta, afirmou Benedita, que relembrou as vitórias da classe com a aprovação da PEC das Domésticas. Chegamos com muito esforço, empenho e dedicação por esta causa. Certamente nossa vitória será completa após a regulamentação dos direitos ainda pendentes. Abre aspas aqui para mim agora. Aliás, parênteses para mim.
Isso veio depois com uma lei complementar dois anos depois, em 2015. Isso que foi aprovado em 2013. Mas desde já podemos comemorar a reparação histórica e a valorização então alcançada desde a equiparação dos direitos com a aprovação da PEC das domésticas. Então, a Benedita da Silva defendendo o projeto que ela relatou. Eu não tenho dúvida que ela estava bem intencionada.
Mas vamos olhar a realidade e não as boas intenções. A realidade é que os trabalhadores domésticos com carteira entre 2015 e 2025, de acordo com a PNAD,
caíram 29% e sem carteira aumentou 6%. Ou seja, eu tive diminuição do total de empregados domésticos, ou seja, eu tinha 5.977.000 pessoas.
6 milhões, vamos arredondar. 6 milhões em 2015, caiu para 5 milhões e 600 mil pessoas em 2025. Ou seja, 400 mil trabalhadores domésticos ficaram desempregados, saíram fora desse trabalho. Os que ficaram, os 5 milhões e 600, 29% tinham carteira assinada antes e depois da PEC, perderam a carteira assinada.
passaram a trabalhar informalmente. Os sem carteira aumentaram 6%. Então vejam, eu reduzo 29% aqueles com carteira assinada, formais, tudo certinho, preto no branco, direitos trabalhistas, direitos previdenciários, tudo assegurado. 29% é a queda.
Uma parte migra para a informalidade e a outra parte sai fora do mercado. Agora olha esse número comigo. Dos 5.653.000 empregados domésticos em 2025, eu vou falar grandes números, tá? Dos 5.600.000, 4.300.000 trabalham sem carteira em 2025. 1.400.000 com carteira.
Ou seja, sabe qual é o grau de informalidade do trabalho doméstico? 76% dos trabalhadores domésticos trabalham na informalidade. Eles ficaram numa situação pior do que eles estavam antes da PEC. A PEC poderia ser muito bem intencionada.
Mas ela piorou a vida dos trabalhadores domésticos. Por mais que tinha sido prometido o céu para essas pessoas na época, os trabalhadores migraram para relações sem vínculos, como diaristas, por exemplo. Piorou. E piorou como esperado.
mas não como prometido. A maior parte dessas pessoas deixaram de ser empregado doméstico e viraram diaristas sem ser MPJ. Portanto, não estão contribuindo para a Previdência, não têm direitos trabalhistas garantidos, não recebem 13º, não recolhem FGTS, se tiver doença não têm direito ao auxílio-doença.
Quando se aposentar, não tem direito. Quando tiver idade de aposentadoria, não tem direito. É isso que a PEC fez. Piorou a situação dessas pessoas. Se é um exemplo claro de como criar direito formal não garante automaticamente formalização efetiva. O papel aceita tudo. O papel aceita tudo. E outro problema que eu quero trazer aqui são os processos trabalhistas, que de acordo com o levantamento do ranking dos políticos, a partir, dando como fonte o relatório anual do Tribunal Superior do Trabalho, TST,
em 2022 com o ano base em 2021, e utilizando também como base para outros países o número de processos da OCDE, nós temos no Brasil um número gigantesco de processos trabalhistas. Então, eu tenho uma parte pequena da população formalizada, 60%, não diz que é a menor parte, eu disse que é pequena. Nós tínhamos que estar 95%, 98% da população formalizada. 60% é formalizada.
E ainda por cima, nós lideramos o ranking de processo. Então eu quero dizer com isso que nós temos um monte de problemas para resolver antes de discutir escala 6x1. A discussão da escala 6x1 é uma discussão que merece, que tem mérito, não tenha dúvida, mas ela não está na ordem correta.
cronologicamente ela está errada. Ela não é a prioridade. Tem coisas muito mais relevantes e importantes para discutir antes da escala 6x1 para a classe trabalhadora. Não é para o patrão malvadão. Não, não, não. É para os empregados.
Se a escala 6x1 é ruim, mas formal, pode ter certeza que a informalidade é muito pior do que a escala 6x1. E pode ter certeza que tem muita gente trabalhando em escala 7x0, ou seja, trabalhando de segunda a segunda, trabalhando como diarista numa casa.
de garçom na outra, arrumando um ar-condicionado em outro, pegando de pedreiro em outro lugar, pintando em outro lugar, arrumando um encanamento em outro ponto. E essas pessoas, quem é que está olhando para elas? Esta legislação é que não é.
Antes de falar do biodiesel, eu quero trazer aqui os dados da economia americana, porque o payroll trouxe a criação de 115 mil postos de trabalho no mês de abril. A expectativa eram 65 mil postos de trabalho. Por que este dado preocupa e preocupa muito? Porque o aumento das vagas sendo preenchido da criação de vagas, isto pressiona a inflação.
e torna a decisão do Federal Reserve na próxima reunião mais difícil de não subir juros. Então é mais um tijolo na tese de aumentar juros, lamentavelmente, lá nos Estados Unidos. E os pedidos iniciais por seguro-desemprego foram de apenas 200 mil, nível baixo.
Quando nós olhamos também a taxa de desemprego, ela está em 4,30% lá nos Estados Unidos. E o PMI da não manufatura, ele está em 53,6%, que é um PMI forte, um PMI que sugere uma expansão da economia e do mercado de trabalho. O que pode...
o que deve, o que tende a trazer mais combustível para a inflação. O PMI de serviços está em 51, enquanto o PMI composto 51,70. Então vejam que os PMIs estão acima de 50, estão elevados, puxando, sugerindo uma economia mais aquecida. Quando nós olhamos as relações comerciais americanas, eles tiveram 381.
bilhões de dólares de importações em março, nível bastante elevado, e exportações, quase 321 bilhões em exportações, o maior nível de exportações dos Estados Unidos. Isso muito por conta do preço do petróleo, porque eles também exportam petróleo.
Mas isso gerou um salto de 60 bilhões negativos. Nós tivemos o DXY fechando a semana em 97,89, abaixo de 100, portanto. O dólar lá fora segue perdendo valor e o dólar aqui dentro também. A taxa de câmbio no Brasil fechou a semana em 4,89.
abaixo dos R$4,90, renovando aqui as mínimas dos últimos anos. Enquanto o petróleo teve uma queda muito forte nessa semana, o petróleo que chegou a ser negociado a US$114 fechou a semana em US$100. Então é uma queda bastante significativa e que faz também as commodities oscilarem.
E agora, pessoal, eu quero falar de biodiesel. Eu quero falar de algo que está passando debaixo do radar de muitas pessoas e que traz um cenário para o agro do Brasil muito interessante, muito interessante mesmo. Quando eu digo, gente, para o investidor agora, tem que ter agro na carteira, não é por acaso. É porque além do seu crescimento, que é grande, ele gera muita oportunidade.
Mas vamos lá, o que nós temos no Brasil hoje? Nós temos uma mistura no diesel de 15% de biodiesel. E ele está vigente desde agosto de 2025. Ou seja, 15% do diesel é biodiesel. Só que até 2030 nós temos um mandato para virar...
B20, ou seja, será 20% ali em 2030. E depois de 2025, aliás, depois de 2031, há a possibilidade para virar B25. Na gasolina, nós temos 30% de etanol, o E30, e que nós temos uma expectativa que o E30 vire E35 a partir de 2031.
Bom, acontece que o presidente Lula, na semana retrasada, num anúncio de rádio e TV, ele anunciou que aumentaria de B15 para B16. Ele abre aspas, ainda essa semana vamos anunciar sair de 30 para 32, no caso do etanol, e sair de 15 para 16 no biocombustível. Fecha aspas.
Então, o etanol na gasolina sobe de E30 para E32, dois pontos percentuais de uma vez, acima, inclusive, da rampa legal do mandato, e B15 para B16, que estava previsto para março deste ano e ainda não aconteceu. E agora o presidente Lula anunciou. E, lógico, nós temos um contexto geopolítico.
que é favorável a aumentar a inserção de biocombustíveis. Nós temos a guerra do Irã, o bloqueio no Estreio de Hormuz, com isso o diesel fóssil mais caro, o biodiesel ganha competitividade. E o CNPE, ele vota por esses acréscimos, mas sempre respeitando os testes, a técnica, a ciência. Mas olha só comigo, pensa comigo. Para cada um...
por cento que eu coloco biodiesel no diesel, eu aumento um ponto percentual, por exemplo, sair de B15 para B16, um ponto percentual de aumento, eu preciso esmagar dentro do Brasil 2 milhões de toneladas de soja em grão, dos quais 1 milhão e 600 viram farelo, 400 mil toneladas viram óleo de soja, que vão virar o biodiesel.
Então, no B15, nós estamos esmagando 61,8 milhões de toneladas dentro do Brasil. E isto, aí vou pegar os dados de 2015, isso sobra uma exportação, um excedente exportável de soja de 103 milhões de toneladas.
deixando fixa a produção, se eu subir para B17, as exportações caem de 103 para 99 milhões. Por quê? Porque B15 para B17 são dois pontos percentuais. Dois pontos percentuais são 4 milhões de toneladas que passam a ser esmagadas dentro do Brasil, gerando farelo, gerando óleo de soja, que vai virar biodiesel. Se eu passar para B20, são...
5 pontos percentuais. Aí eu reduzo 10 milhões de toneladas exportáveis. Quando eu passar para B25, são 20 milhões de toneladas a menos para ser exportada. Quer dizer que a gente não vai aumentar a produção? Não, não é isso. O que eu estou dizendo é que nós estamos gerando novas demandas para o produto. E demanda interna. E se eu estou gerando demanda interna para o meu produto...
Significa que a competição por esse produto lá fora fica maior para quem não o produz. E, consequentemente, eu gero uma pressão sobre os preços, uma pressão autista sobre os preços. E quando a gente olha três cenários, o cenário base, o cenário otimista e o pessimista, eu tenho no cenário base chegar em 2030 com esmagamento de 73 milhões de toneladas aqui dentro.
produzindo, saindo de 61,8 para 73. No cenário otimista, eu vou para 80 milhões de toneladas. No pessimista, é 65, que é maior do que o 61,80 de hoje. Ou seja, no pior cenário, no cenário pessimista, eu em 2030 estou melhor que hoje. No pessimista, no otimista, eu estou bem melhor. Aí eu estou com 15 milhões de toneladas a mais.
Então, isto me gera um excedente exportável muito menor. Em 2030, no cenário pessimista, eu vou exportar 124 milhões de toneladas. No otimista, 104. Ou seja, nós ficamos menos dependentes de exportação. Com o B20, o Brasil exporta 10 milhões de toneladas a menos em 2030, o que exportaria sem mandato. B25 são 20 milhões de toneladas a menos. Então, o...
A variável chave aqui da conta vai ser a produção. A safra 26 está estimada em 180 milhões de toneladas. Para manter as exportações, eu tenho que ampliar essa produção. Senão, vou ter que diminuir a exportação. Ou seja, eu dou espaço para aumento de produção sem que haja uma pressão sobre a demanda.
Agora, eu tenho também questões de risco regulatório interno, porque o atraso sistemático do B15, por exemplo, é um problema. E se não tivesse a guerra, não sei se não atrasava um pouco mais. Mas agora é inegável que nós teremos uma evolução paulatina.
E agora eu quero falar de outra coisa que eu adoro, que é o etanol de milho. Porque ele cresceu do nada, mas não para de crescer. A produção de etanol de milho em 2020 eram 3 bilhões de litros. 3 bilhões em 2020.
Em 2025, era 10. Mais do que triplicou, gente. De 2020 a 2025, mais do que triplicou. E de 2025 para 2035, por conta dos mandatos que já existem, nós deveremos produzir, saltar de 10 bilhões para 26 bilhões. Então, vejam, são duas vezes e meia a mais do que eu tenho hoje. Então, é um crescimento muito grande.
Entre 2025 e 2026, a projeção é de crescer 17,5%. Entre 2020 e 2025, este mercado cresceu a uma taxa de 25% ao ano. Senhor investidor, me cita três produtos, três mercados que cresceram de 2020 a 2025 a uma taxa de 25% ao ano. Se você não conseguir me responder três, saiba que o etanol de milho é um deles. Logo, não dá para ficar de fora.
A meta do setor até 2035 é ter 40% de toda a produção brasileira voltada para a produção de etanol. Ou seja, nós vamos ter que produzir muito mais milho. E em 2020, da produção de etanol, eu tinha 26 bilhões de litros feitos a partir de cana e 2,5 bilhões a partir de milho.
Em 2025, já mudou. De 26 subiu para 27 a cana e de 2,5 para quase 10 o etanol de milho. E para 2035, a gente deve ter 32 bilhões de litros feitos de cana e 26 feitos de milho, ou seja, uma relação bem mais equilibrada. Em 2020, para cada 1 litro que eu tinha feito de etanol de milho, eu tinha 10.
sendo feitos de cana. Em 2035, nós vamos ter 1,5 litro de cana para cada 1 litro de etanol de milho. Então, é uma relação bem mais justa. E quando nós olhamos a corrida mundial por biocombustíveis, a Indonésia já trabalha com B50.
mandatado para 2028. Eles fazem com óleo de palma, mas o governo da Indonésia, ele coloca 2 bilhões de dólares ano de subsídio, mas também eliminaram completamente as importações de diesel, completamente. Lá nos Estados Unidos, eles têm 9,4 bilhões em incentivos para biocombustíveis. E lá na União Europeia, eles estão discutindo o RED3, que é 42,5% de renováveis até 2030.
Só que hoje o biodiesel deles é B11. Ou seja, eles têm muito que evoluir até 2030. E se eles... Eu acho difícil que eles venham a cumprir esta meta. Mas se eles chegarem na metade da meta para 2030, eles não conseguem fazer sozinhos. Eles vão ter que importar biocombustível. E quem é?
O país que tem biocombustível, quem terá biocombustível para exportar? Nós. O Brasil vai deixar de ser um exportador de grãos e vai ser um exportador, aliás, ele não vai deixar de ser exportador de grãos. Se Deus quiser, não deixará, porque é importante exportar grão. Mas ele deixará de ser principalmente um exportador de grãos, em termos de receita de exportação, a principal é grão, deixará de ser.
passará a ser de produtos industrializados, sobretudo por conta dos combustíveis. Então este é um ponto importante. Os Estados Unidos é B10, nós somos B15, nós estamos à frente dos Estados Unidos nisso. E quando nós olhamos o óleo de soja...
que nós vemos que o crescimento da demanda de óleo de soja para biocombustível no mundo, entre 2022 a 2030, ela deve dobrar. Então, é um mundo novo que se abre na nossa frente. E olha que eu estou falando, por enquanto, só de óleo de soja para fazer biodiesel e de milho para fazer etanol. Mas nós temos o SAF.
que é o combustível de aviação. E nós temos o biobanker, que é o combustível marítimo. Então, nós temos uma convergência. A gente tem SAF, nós temos biobanker, nós temos biodiesel rodoviário. Todos eles competem pelo mesmo óleo de soja. Então, cada novo vetor que sustenta o preço da oleaginosa estruturalmente...
ajuda a produção rural e torna ela mais atrativa e demanda mais produto, mais produção. E o porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, já opera como hub de biobanker certificado. E digo mais, a Petrobras, a Vibra e a Vale, elas já estão em campo.
inclusive no porto de Rio Grande, na vanguarda. Porque, veja, vou fazer aqui uma linha do tempo. Em julho de 2024, nós tivemos a primeira autorização da ANP para comercializar VLS B24 de forma contínua, que é o primeiro bunker com 24% de biodiesel de segunda geração. Sebo mais...
Soja, ele foi certificado pela União Europeia. Em janeiro do ano passado, nós tivemos a união da Petrobras com a Terig, no Rio Grande do Sul, que é uma certificação internacional da Europa também, obtida pelo terminal de Rio Grande, pelo porto Rio Grande, ele se tornou um hub de biobanker com rastreabilidade da União Europeia.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, nós tivemos a Vibra mais a Svíter, lá no Porto de Santos, fazendo um projeto piloto, um diesel marítimo com até 30% de biodiesel nos rebocadores da Svíter.
lá no Porto de Santos, com consumo previsto de 230 metros cúbicos mês. A ANP autorizou, testou e agora começou com o B2. Não com o B30, com o B2. E agora vai subindo paulatinamente. Em abril do ano passado, nós tivemos a Petrobras e a Vale.
testando em parceria com a Singapura, porque nós tivemos o primeiro navio afretado pela Vale, abastecido com o VLS B-24, no porto de Singapura, com biodiesel produzido localmente, ou seja, lá certificado também pela União Europeia.
Só que acontece o seguinte, os números do consumo de combustíveis nos mares, nos transportes marítimos e na aviação são gigantescos. São maiores, inclusive, do que estes que nós observamos nos veículos. Então, é um mercado que cresce e cresce muito.
Cresce demais e que gera uma enorme oportunidade para o agro-brasileiro, mas sobretudo para o Brasil, que ganha uma relevância ainda maior. O Brasil já é o maior exportador de alimentos líquido do mundo.
Ele é o maior fornecedor de alimentos para terceiros países do mundo. Vai se tornar o maior exportador de combustíveis renováveis do mundo também. Nós estamos nos transformando numa espécie de Arábia Saudita, só que verde, renovável, sem ter medo que um dia esse recurso vai acabar. Pessoal, foi isso que eu preparei para essa semana. Eu desejo a todos uma excelente semana e até semana que vem.
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Agro Resenha