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CARRO VOADOR EM SÃO PAULO - Shailon Ian

07 de maio de 202642min
0:00 / 42:21

CARRO VOADOR EM SÃO PAULO - Shailon Ian★ SEJA MEMBRO: https://bit.ly/4e5kAbE✔ YOUNIK: https://bit.ly/3AfzAzG✔ CONHEÇA MEU SITE: https://bit.ly/3xkhnAm✔ NÃO CLIQUE AQUI: https://bit.ly/3dMla1DCRÉDITOS:Imagem e áudio: Juscelino B. Gonzalis.Cenografia e Assistência no estúdio: Annelise C. O. Gonzalis.Apresentação: Fernando Vítolo.Edição, publicação e estúdio: Younik.DISCLAIMER:Todos os direitos reservados para Fernando Vítolo.Opiniões e comentários aqui expressados pelos convidados não refletem necessariamente a opinião do apresentador e são de responsabilidade do participante.Caso algum fato ou personagem revelado nesse programa sejam muito parecidos com elementos da vida real, isso é fruto do acaso e não foi feito deliberadamente.

Participantes neste episódio2
F

Fernando Vítolo

Host
S

Shailon Ian

ConvidadoCEO da Vinci Aeronáutica
Assuntos4
  • Aviacao e Seguranca AereaEVTOLs (carros voadores autônomos) · Limitações tecnológicas para aviação autônoma · Redes 5G e latência de dados · Inteligência Artificial na aviação · Segurança cibernética e hackers · Regulamentação de carros voadores · São Paulo como centro de testes
  • Acidentes AéreosProcesso de investigação de acidentes · Fator humano em acidentes · Organização Internacional de Aviação Civil
  • Custos e Manutenção de Aeronaves ParticularesCusto de aquisição e operacional · Manutenção de aeronaves · Impostos de importação de aeronaves · Manutenção preventiva vs. corretiva · Mão de obra especializada em aviação
  • Bizarrices e Inovações na AviaçãoModificações não autorizadas em aeronaves · Incidentes com fumaça e inflamabilidade · Diferenças entre aviação comercial e executiva · Gestão de aeronaves (CAMO)
Transcrição113 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Mas imagina esse monte de carro voador sem parar, igual abelhinha.

entendeu? E podendo pousar, você bota um ali ponto em cima aqui do teu estúdio. Sacou? Então é... assim, então acho que no começo não vai ser assim. No começo você vai ter algumas limitações, vai poder voar em algumas áreas, vai ter algumas regras e na medida em que a tecnologia for evoluindo e amadurecendo, aí a gente vai chegar no sonho, que é o Jetsons.

E aí, começando mais um episódio aqui. Hoje eu estou com o Shailon Yan, ele que é CEO da Vinci Aeronáutica. E aí, Shailon, tudo bom? Tudo bom. Como é que você está, Vitor? Tudo bem. Obrigado por você ter aceitado o convite, hein? Ah, você sabe. Estando em São Paulo é sempre um prazer estar aqui, né? Bom, Shailon, vamos falar sobre o seu forte que é a aviação. Vamos, vamos falar sobre a aviação. Pelo menos aqui eu não preciso ficar falando de acidente, né?

Exatamente, mas olha só que interessante, sempre quando o pessoal fala de aviação no mercado, é porque aconteceu algum acidente, e aí ficam lá 14 dias pelo menos falando sobre aviação e depois não se fala mais. Aí tem outro acidente, aí começa tudo de novo e tal. Aí eles chamam um monte, assim, o acidente acabou de acontecer, aí eles chamam um monte de especialistas para falar, e aí, o que aconteceu?

Mas não é um problema você analisar uma coisa assim, não viram a caixa preta, não chegaram no desestroço, não sei o que, para falar do que o avião caiu? Fernando, vou te falar que essa é uma das pegadinhas que a gente tem que escapar, sabe? Então, das vezes que aconteceu comigo, é complicado, porque eles precisam que alguém diga o que houve. E é muito difícil, assim que aconteceu um acidente, você conseguir...

cravar a causa, o que aconteceu, por que aconteceu. Tem todo um processo que foi desenvolvido ao longo dos anos, desde lá de 1944 para cá, isso é regulado, sabe? E existe todo um processo de investigação que o Brasil, inclusive, existe uma organização internacional de aviação civil, e isso surgiu em função de um tratado internacional que o Brasil assinou. Então a gente segue.

as recomendações e as práticas que a Organização Internacional de Aviação Civil determinam. E lá existe um anexo que trata só da investigação de aeronaves. Então existe um rito que deve ser seguido. Esse rito não foi desenvolvido porque alguém achou que tinha que ser assim. Isso na verdade é o aprendizado acumulado em todos esses anos de aviação.

Quando a gente burla esse rito e a gente começa a especular, que essa é a palavra, especular, sem nenhum processo científico por trás disso, na verdade você está fazendo um desserviço para a aviação, um desserviço para a segurança de voo. Então, normalmente o que eu recomendo quando eu sou chamado é, a gente pode abrir algumas hipóteses, pode, mas a verdade é que...

Os investigadores, que no Brasil são super bem treinados, é que vão chegar às conclusões que a gente precisa, em função dos dados que eles tiveram acesso. E seguindo esse rito que é internacional, não é um negócio que foi inventado por nós aqui, ou para nós apenas. Então, a gente procura respeitar muito esse rito. Mas eu entendo a curiosidade, eu entendo a necessidade de tentar entender o que está acontecendo, principalmente quando é um acidente de grande porte.

E a gente tenta tirar essas dúvidas sem...

estabeleceu, sem fazer uma investigação paralela baseada em meia dúzia de imagens e de câmeras de celular hoje, né, os últimos são assim. Então é isso que acontece. Então, sim, respondendo a tua pergunta objetivamente, é muito chato, é muito ruim você ter que dizer por que que aconteceu o acidente com base em meia dúzia de fotos. Então não é isso que você faz e que você deve fazer. Quando você tá exposto a isso, o que você tem que fazer é educar as pessoas, orientar inclusive sobre o processo de investigação.

Ô, Charlie, agora, sempre nos acidentes que acontecem, sempre são por erros humanos? Não. Não. Existe estatística sobre isso. Então...

Fator humano representa em torno de 70% dos acidentes. Que é bastante. Sim, é bastante, mas não é tudo, é 70%. E fator humano aí, a gente não quer dizer que foi erro humano. Fator humano é um pouco mais amplo, né? Então, sim, tem as violações, né? Que a gente chama, que o cara realmente não cumpriu com o que deveria cumprir, foi um erro.

Mas tem outras coisas também que impactam, desde a cultura da empresa, e aí isso gera respostas das pessoas que não se adequam ou não estão alinhadas com o que você esperaria para se manter um alto nível de segurança.

Então, fatores humanos hoje sim, é algo que impacta bastante a aviação, mas não é a única coisa que causa acidentes. Você pode ter problemas de design, de projeto, você pode ter problemas de peças que não funcionam bem, você pode ter problemas do clima. Então, são vários os fatores que são analisados e a gente chama isso exatamente de fator contribuinte, que contribui para um resultado final indesejado de um acidente.

Agora, pegando esse lance do fator humano, né? E esse negócio de aviação autônoma? Isso é um futuro real?

Eu tenho estudado bastante sobre isso, né? Você sabe que eu tô estudando inteligência artificial, tem uma outra empresa que trabalha com isso. Sabe aquela cena do Matrix? Que o Sr. Smith pega o Neo, joga ele na plataforma do trem lá assim, e fala, o seu futuro é inexorável, ou seja, você não tem como escapar disso, né? E ele consegue escapar, né?

Eu diria isso hoje, acho que isso é o futuro. Vai ser daqui a 10 anos, daqui a 50 anos? Dá pra saber. A gente tem limitações de infraestrutura pra resolver também. Então, a gente tá vendo esse desenvolvimento dos Evetols e todas as questões em volta do Evetol, mas hoje, meu entendimento, e curioso que há sete anos eu dei uma entrevista.

E me perguntaram sobre Evetols. O que é o Evetol? Evetol é exatamente isso aí, esses carros voadores autônomos. E eu falei que eu não via como poderia ter Evetol antes de 2027. E não tem. Então, a gente está chegando em 2027 e é que vai começar a ter. Agora, existem algumas limitações tecnológicas ainda que precisam ser superadas, né? Então, por exemplo, o que limita hoje, por exemplo, carro autônomo?

Uma das limitações de carro autônomo é a rede. Então, quando você está trafegando o dado em 5G, que é a mais rápida que a gente tem por aí, você tem uma latência do dado, certo? Que é o tempo para você mandar a informação, processar lá no servidor e voltar para o carro, para o carro saber o que tem que fazer. Então, essa latência hoje, se você estiver a 100 km por hora, por exemplo, e tiver que desviar de um poste...

que pulou na sua frente, você não vai conseguir desviar tempo, ele vai mandar vir um poste até o computador processar e trazer de volta, vai dar, vai dar ruim.

É... No... No avião é pior ainda, né? Porque ele tá muito mais rápido. Então ele precisa processar as coisas muito mais rapidamente. No carro, eu ainda consigo colocar a grande parte desse processamento dentro do carro. É isso que eu ia comentar. Porque peso não é um grande limitador, né? Então, você vê os Tesla, os autônomos e tudo mais, eles funcionam autônomos mesmo, né? Uhum. No avião não dá, né? Porque isso é pesado. Então se você começa a colocar coisa e computador demais dentro, ele vai levar só o computador, não vai levar mais nada.

Entendeu? Então a gente tem uma limitação tecnológica ainda aí pra poder... Pra poder superar. Estão trabalhando nisso e botando um caminhão de dinheiro. Então assim, vai acontecer. É o que eu te disse. Deve acontecer em alguns nichos. São Paulo vai ser uma das cidades onde isso vai ser testado com certeza. Porque aqui a vocação da cidade é pra isso. Já é a segunda cidade com a segunda maior frota de helicópteros do mundo. Competindo com Nova York o tempo inteiro.

Você tem algumas iniciativas nos Emirados Árabes, na Arábia Saudita e na Índia. E nos Estados Unidos, Nova York. E a gente tem que ver o caminho que esse pessoal está trilhando e os avanços tecnológicos que vão derrubar essas barreiras. Agora vai acontecer. Seu filho, com certeza, seu neto, com certeza vai...

vai entrar num carro voador autônomo, pousar lá em Guarulhos para poder embarcar, isso é tranquilo. Mas você acha que as pessoas vão aderir? Não tem piloto? Como não tem piloto? Mas por que não aderir? Confiança. É, você que é velho, talvez não. Agora que o teu filho vai ser super normal. Porque o teu filho já vai andar de táxi sem motorista.

Entendeu? Os meus filhos que estão aí há 20 anos, já vão andar de táxi sem motorista. É normal. Igual pra gente, a gente é do tempo TV a cabo. Entendeu? A gente migrou agora pra podcast e mais, né? Mas meu filho já foi assim. Eu, pra estudar, eu tinha que ler livro. Ele vê vídeo.

Então, o ser humano não tem isso. Quer dizer, na verdade vai ser mais seguro, né? É isso que eu ia perguntar, se seria mais seguro. De um modo geral, sim, porque você tira um pedaço desses 70% que eu te falei do fator humano, né? E reduz para 30%. Isso, é decisão errada que foi tomada pelo humano que estava no comando ou no controle, ou pelo mecânico ou pelo piloto.

Você vai tirar um pedaço grande disso aí da conta, né? Se o programa for bem feito, ele vai funcionar direito por tempo. O problema é se ele for daqueles que de tempo em tempo tem que dar reset, né? Tá voando sobre a Paulista ali, tem que fazer um reset pra poder voltar, não vai dar certo. Mas eu creio que não. Tem que só dar tempo. E os pilotos vão fazer o quê? Procura outra coisa pra fazer. Cara.

Eu não acho que vai acabar, vai ser um nicho. Por exemplo, eu não acho que um 737 vai voar sem piloto tão cedo. Eu não acho que um 747 vai voar sem piloto tão cedo.

A gente está falando de um nicho, que é o carro voador, entendeu? Essa é a primeira coisa. Eu não acho que, por exemplo, os próprios drones hoje que você tem, que a Força Aérea Americana, por exemplo, usa, né? Eles não são 100% autônomos. Você tem gente monitorando e, se for o caso, assume o controle.

Acho que vai ser algo por aí. Então, assim, o que vai precisar é de ser, vai ser muito mais especializado. Vai ser muito mais especializado, muito mais difícil até do que é hoje, pra você conseguir. Porque você vai ter que manter a sua consciência situacional dentro de uma sala e conseguir se ver lá no espaço pra poder tomar as decisões. Hoje já tem isso, né? São os pilotos de drone, eles já são, já estão sendo formados.

Agora, me assusta um pouco essa questão da internet das coisas, né? Porque o avião vai estar conectado à internet. Hoje a gente já está. O carro, então, o carro, mesma coisa, né? E ainda linkando essa coisa de ser autônomo, é de hackers.

Porque se imaginar, hoje todo mundo sobe no avião com notebook, com celular e tal. E hoje um hacker consegue fazer um... Hackear, entrar em alguma coisa com celular. Aí meu medo é tipo assim, mano. O cara não tem mais... Tipo, os caras que fizeram lá o 11 de setembro, não tem mais. Os caras, vou entrar no avião e ir pra... Não, ele pega um celular, um notebook de qualquer lugar. Agora com a internet do Starlink, lá do Elon Musk. Ele entra, hackeia, joga o avião onde eu quiser.

É, hoje não dá. Mas eu tenho certeza que dentro dessas limitações tecnológicas que eu falei, que eles estão lutando para ultrapassar, para a gente chegar lá, tem os protocolos de segurança. Então, hoje...

Os protocolos de segurança para você colocar um software embarcado em um avião são gigantes. Você não é pegar um software qualquer e entregar lá na Embraer que eles vão colocar no avião. Não, tem todo um conjunto de normas e protocolos que têm que ser adotados.

Isso aumenta muito para o caso de ter comunicação externa. Então, o pessoal está atento a isso e vai ter processos e protocolos. Não quer dizer que não vai ter acidente. E o que eu espero é que a aviação continue aprendendo com os acidentes. Então, sim, é um risco, mas é o mesmo risco que se for tão baixo quanto é o risco de um motor falhar.

Nós estamos no mesmo pacote. Entendeu? Então, esse é o trabalho, é minimizar esse risco a níveis aceitos pela indústria aeronáutica. Se você olhar assim, usina nuclear também tem esse problema. A usina nuclear, em princípio, ela não pode se conectar, então, à internet. Porque se alguém hackear uma usina nuclear, ele sobreaquece o reator e vira uma bomba atômica.

Então, essas indústrias críticas, né, eles têm protocolos de segurança também muito, muito duros. Não é trivial hackear esse pessoal, mas claro, com tempo e dinheiro, todo mundo hackeia o que quiser, né. Agora, bom, voltando na questão dos carros voadores, esse lance dos carros voadores não é um helicóptero com uma nova roupagem só? Com um novo marketing?

Ele... primeiro, a maioria das propostas, se não todas, são sistemas completamente elétricos. Segundo, eles têm uma preocupação gigantesca com ruído. Por exemplo, hoje o que limita o uso de helicópteros em São Paulo é o ruído.

Tem muitas áreas em São Paulo que você não pode pousar com helicóptero. E tem muito heliponto em São Paulo desativado, porque estão nessas áreas hoje, que foi lá no tempo do Pita. Foi desativado porque passou-se uma lei e o nível de ruído impede essa operação. E não faz sentido você ter...

um carro elétrico, né, um carro elétrico e voador que não possa ir em qualquer lugar. Então, é um projeto todo novo, é assim, tanto é que o projeto da IVE, que é um dos melhores e mais avançados que tem hoje no mundo, a IVE é da Embraer. Ele já tá aí rodando há uns 5, 6 anos, talvez mais. Então, vai trazer muita inovação tecnológica.

Desde os motores, passando pelo desenho das pás do rotor, pela forma como os rotors são distribuídos para minimizar ruído, tudo isso é uma coisa nova. Não é um helicóptero com a nova roupagem, não. É outro produto para outro segmento. Estamos criando algo novo.

Bom, anos atrás você comentou que não via um cenário favorável para ter isso antes de 2027. E você vê um cenário favorável para ter agora nos próximos 10 anos? O começo da indústria, sim. Eu não acho que vai estar amplamente adotada.

Mas eu acho que sim, principalmente aqui em São Paulo, igual eu te falei, em Mumbai, em Nova York, em Chicago, você vai ter sim isso funcionando. Mas isso não quer dizer que vai estar funcionando em escala, entendeu? Vai estar funcionando como se fosse um teste operacional. Isso vai começar a acontecer a partir do ano que vem. Você acha que o maior desafio é por conta de tecnologia ou de regulamentação?

Não, são as duas coisas, mas a regulamentação está caminhando bem junto com a indústria. A indústria foi muito inteligente em caminhar junto com as autoridades aeronáuticas. Hoje existe um gargalo de tecnologia, é o que eu te falei, você vai ter que ter redes dedicadas para poder controlar isso tudo. Porque imagina, eu não posso colocar 100 carros voadores em São Paulo e sobrecarregar o controle de voo de São Paulo. Eu não quero que o controlador de voo de São Paulo deixe de fazer o controle do voo do meu.

Airbus A320 que está vindo de Joinville para controlar carrinho com três pessoas dentro de ricaço, entendeu? Então o controle de voo desse pessoal Opa, quase de ouviu esses carrinhos aqui

O controle de voo desse pessoal vai ter que ser um negócio automatizado também. Então você precisa de software, de inteligência artificial, de processamento de dados, de comunicação entre os diferentes players do negócio para que isso funcione sem que você sobrecarregue toda a infraestrutura que existe hoje. Porque a infraestrutura que existe hoje foi desenhada para um outro bicho. Foi desenhada para helicóptero e avião convencional.

Não, e se você falar de 100 carros voadores para uma cidade como São Paulo é muito pouco.

mas já é coisa pra caramba porque você imagina, é igual carro é igual Uber o helicóptero hoje em São Paulo já voa bastante agora imagina um monte mas tem mais de 100 mas imagina esse monte de carro voador sem parar, igual abelhinha

entendeu? E podendo pousar, você bota um L ponto em cima aqui do teu estúdio, sacou? Então é, é, assim, então acho que no começo não vai ser assim, no começo você vai ter algumas limitações, vai poder voar em algumas áreas, vai ter alguns, algumas regras, e na medida em que a tecnologia for evoluindo e amadurecendo, aí a gente vai chegar no sonho, né, que é o Jetsons, né, que é...

que é o Star Wars, que é tudo aquilo que a gente já via, quinto elemento, não é? Tinha, né? Os carros voando em camadas, né? Numa cidade. Aí sim, mas para isso ainda vai demorar um tempão.

Mas, e aí você vê o quê? Que a CET vai começar a olhar os carros voadores? Eles dão conta disso? Não, eles não. Não vão ser eles. Vai ser a mesma... Os órgãos serão os mesmos que existem hoje, que é a DEPV, DSEA, é esse pessoal que vai fazer. Só que vai ter que fazer de maneira mais automatizada do que é feito hoje.

É muita gente voando junto. Os carros vão ter que decidir autonomamente, esses helicópteros, esses VTOLs, vão ter que decidir autonomamente o que fazer. É, porque se o... Bom, como a gente vê, a maior parte das falhas são humanas. E eu vou trazer isso para o mundo dos automóveis. Acidente de carro, de trânsito, caminhão, normalmente é falha humana. Tá, mas quem programa o software?

Não, humano. Quem programa o software é um humano. Sim. Quem analisa os riscos para programar o software é um ser humano. Sim. Está ali do mesmo jeito. Mas é que assim, o que eu estou querendo dizer é que o que faz mais sentido é...

ser controlado isso de maneira autônoma. Que eu acho que os riscos... Sim. Eles acabam sendo menores. Se o software for bem testado antes. Porque o fator humano ainda está ali, é isso que eu estou querendo te falar, entendeu? Vai diminuir? Vai. Mas ele ainda está ali.

Tipo, não é zero. É, não vai ser zero. Não, mas foi o carro que decidiu. Não, o carro não decide nada. Ele segue o que o programa dele manda ele fazer. Mas alguém fez o programa. Ah, então pronto, chegando no fator humano. Por que? Ah, a gente não pensou nessa possibilidade quando estava programado. É igual quando você está navegando num programa, num software novo, você clica numa tela, bum.

Aí você vai ver, manda o report de bug, os caras, pô, eles não pensaram que é impossível você simular tudo que um usuário vai fazer, cara. Agora que eu tô nesse mundo, é impossível. Ainda bem que a aviação não é uma indústria de software. Ainda.

É, mas pode estar muito perto, talvez. E o de carro também. E o das rodovias, caminhões. Mas eu digo assim, carro ainda é mais complexo para mim do que avião. Porque avião e helicóptero, você separa em níveis de voo e tenta organizar a bagunça. Carro não, está todo mundo andando no mesmo plano. Carro eu acho bem mais complicado. E enquanto tiver gente e IA junto, misturado, aí é mais complicado ainda.

O ideal é, ou é tudo e a, ou é tudo gente, né? Quando você mistura os dois, fica mais complexo ainda de modelar e conseguir simular isso. Não, e você tem aquele cara que entra na rua sem avisar, né? Isso aí. Que esse é o... Esse é o pior de todos. Esse é o problema pior. Ô, Shaila, agora é o seguinte, tem muita gente que compra avião.

Graças a Deus. Que quer ter um avião particular. Sim. Então o cara, sei lá, ele chega num patamar da vida dele e fala assim, ah, eu cansei de avião comercial, porque aí você tem que fazer escala, tem não sei o que, e às vezes você tem seu avião particular.

você ganha tempo, você é mais rápido, chega, sei lá, né? Mas qual é o custo que envolve ter um avião? Porque muitas vezes a pessoa acha que é só chegar e comprar o avião. Por exemplo, você pegar o carro. O carro você vai ter lá IPVA, seguro...

Entendeu? E aí você tem as manutençãozinhas de carro, entendeu? Óleo e tal. E avião? Então, é... Primeira coisa é que o brasileiro, ele não tem essa mentalidade, mas o avião pro americano, por exemplo, é sempre uma ferramenta de trabalho. Tá? Então, a maior parte da aviação de negócios nos Estados Unidos é a aviação de negócios. É o meu trabalho.

Hoje, por exemplo, eu vi um vídeo, um profissional, eu não vou lembrar o nome da empresa, mas a história é interessante, ele tem uma empresa que processa aço no interior do Paraná. E ele tem clientes em várias cidades, num raio aí de 500, 600 quilômetros. E ele comprou um avião pra ele.

Porque ele perdia um dia para ir, um dia para voltar, para poder fazer uma reunião de negócio. Com o avião ele faz três reuniões um dia. Então, o avião é uma ferramenta de negócio. A primeira coisa que você tem que ver é isso, é uma ferramenta de negócio. Além disso, ele é uma máquina complexa. E aí a gente tem umas regrinhas de... Vamos dizer assim, umas regrinhas práticas para você ter uma estimativa do que você vai gastar.

Então a primeira coisa é o seguinte, primeiro você tem o custo de aquisição da aeronave, então quanto é que ela vai me custar? A segunda coisa que você tem que ver é o custo operacional dessa aeronave. O que é o custo operacional? Ah, é o que eu vou gastar de combustível para fazer uma viagem, é o que eu vou pagar de piloto, é o que eu vou pagar de taxa aeroportuária, de taxa de rádio e todas essas coisas que você soma, tudo isso para poder chegar a um custo operacional da tua aeronave.

Aí você tem alguns outros custos que você vai encorrer, você voando ou não. Um deles é manutenção. O pessoal acha que só encorre com manutenção, se voar não é assim. Manutenção você faz voando ou não voando. Uma regrinha de bolso é que você deve guardar 10% do valor da aeronave por ano para cobrir manutenção. Quer dizer que você vai gastar tudo isso naquele ano. Porque, de um modo geral, as grandes pancadas, vamos dizer assim, de manutenção acontecem quando você tem a revisão geral dos grandes componentes. Tem de pouso, motor, coisas desse tipo.

Mas, se você pretende ter uma relação duradoura com o teu avião, é aconselhável que você guarde, reserve 10% do valor da aeronave todo ano, fica lá guardadinho, o pedaço você vai gastar naquele ano mesmo, mas quando chegar as grandes manutenções, você está com o dinheiro pronto para pagar o que tem que pagar. Então, essa é a conta. Para trazer o avião para o Brasil, você paga imposto.

E aí depende de como você vai trazer. Se você vai trazer para poder fazer uma operação comercial, você tem uma certa regra de imposto. Se você vai trazer como propriedade privada, como um avião de negócio tem outra regra de imposto e por aí vai. Então assim, esses são os custos que você incorre. Então assim, um avião não é barato. Um carro, comparar com um carro...

Não sei se funciona bem. Por quê? Exatamente porque nós brasileiros, a gente negligencia muito esse negócio chamado manutenção. E no avião não dá pra fazer isso, porque esse avião não tem acostamento, né? Então, esse eu acho que é o grande impacto. O pessoal acha que vai comprar um avião e vai ser igual um carro. Mas não é. Não é porque a manutenção você não pode fazer igual você faz do teu carro.

Entendeu? E uma troca de componente que cê tiver, se prepara. É em dólar, tem que vir dos Estados Unidos normalmente, é caro. O mecânico que faz a montação do seu avião é caro. O piloto que voa o teu avião é caro. Entendeu por quê? Porque é uma mão de obra especializada, não é qualquer um. Não basta, cê não consegue pegar um cara na esquina em seis meses e fazer ele virar um mecânico de aeronave. Não. O cara pra...

Depois que ele se forma na escola e consegue a primeira carteira dele na ANAC, ele tem que ficar três anos fazendo estágio como aprendiz para daí ter a carteira definitiva. Então, o cara investe aí nos belos cinco anos da vida dele para conseguir começar a querer assinar por manutenção. Então, é caro. O cara é muito especializado, entendeu? Então, não tem muito o que fazer.

Ô Shailo, agora sim, você tem muita experiência no mercado da aviação. Quais são as coisas mais bizarras que você costuma ver nesse meio? Porque assim, vamos pegar... Às vezes tem aquela coisa assim, ah, eu estou pagando, tem que fazer. Vou trazer assim, o cara vai lá, pega um táxi, tem que ir lá, não sei o que, vai, pô, mas acelera aí que eu estou com pressa.

Aí, e o cara às vezes dá carteirada, não, eu te pago mais, não sei o que, pá, pá, pá. E às vezes na aviação o cara quer fazer a mesma coisa. Ele chega lá pro piloto, e eu falo assim, cara, a gente vai fazer isso, depois vai fazer isso, depois vai fazer isso. Aí o cara fala assim, não, mas aí eu tenho que descansar, eu tenho que dormir, ou eu tenho que fazer isso, ou tenho que fazer tal coisa no avião. Não, não, mas não vai dar tempo, não sei o que, e eu preciso estar lá.

E às vezes o piloto, putz, eu vou ter que agradar o cara, que não sei o que, e às vezes ele abre mão.

de alguns parâmetros. E você já deve ter visto esse tipo de coisa acontecer. Ah, acontece pra caramba. Mais do que deveria. Eu dou treinamento pra aviação corporativa, né? Pra empresas que têm aviões. E eu costumo falar pros diretores, que é quem usa os aviões. Uma das regrinhas de ouro que eu procuro passar pra eles é nunca fale pro teu piloto o quão importante é a reunião que você tá indo.

Você não precisa falar. Porque o piloto, ele tem essa noção de que ele precisa atender com qualidade, ele quer vestir a camisa da empresa. Porque o problema, assim, quando você tem um problemão lá na frente, entre aspas é no-brainer, não dá pra pousar, não dá pra pousar. O piloto vira e vai pousar em outro lugar.

O problema é quando você está naquela área cinza. Sabe? Aquela área cinza. E aí a decisão é, vou tentar, porque eu não quero que o patrão perca a reunião que ele sei que é importante. Nesse vou tentar, porque eu não quero que o patrão... Você entende que ele... Piloto nenhum não faz, não vou fazer porque eu vou morrer. Ninguém faz isso.

entendeu? Ele sempre quando essas coisas acontecem, é porque ele tá tentando fazer o melhor. Ele tá tentando atender ao cliente dele, à empresa que ele trabalha, vestiu a camisa. Ele não faz isso assim, exceto casos malucos como o Chapecoense e tudo mais. Mas fora isso, não. O cara não faz essas coisas pra... Sabe? Não, hoje eu vou morrer. Hoje eu vou sair, tô disposto a morrer. Não existe isso. Então, é... Mas aí ele decide por tentar...

Porque se ele alternar, o patrão vai ter que pegar um carro, vão ser duas horas de carro, e ele vai perder a reunião que ele me falou que era uma reunião importante pra caramba pro business. Então, uma das orientações que eu dou é essa. Você sempre tem que ter uma margem de segurança. Se sua reunião é às quatro, é bom você sair um pouco antes, você tem que dar uma margem de segurança pro piloto. E outra, se perder, perdeu. Porque se ele tiver que alternar, ele vai alternar. Entendeu?

E a orientação que eu dou também para os tripulantes das aeronaves que eu gerencio e trabalho é a mesma. Eu digo para eles, olha, você responde para mim. Pode ser o CEO da empresa chegar falando abobrinha para você. Você vai lá, sim senhor, sim senhor, vai fazer o que você tem que fazer. Depois ele vai reclamar para caramba para mim.

E eu vou pilotar isso. Não é você que tem que se expor, sou eu. Você tem que fazer o mais seguro possível. Eu prefiro 100 mil vezes aguentar injeção de paciência de dono mimado de avião do que ter que falar com a tua família, entendeu? Sobre o teu testamento, o seguro, mas não quero falar disso. Então sim, isso acontece. E tem muito dono de avião que chega e fala assim, eu tô te pagando, cara. O fulano foi, por que você não vai?

Entendeu? E aí, isso é fatal. E nessas áreas cinzas, o certo é, tipo, não faz. Na dúvida é não fazer isso. É, exatamente. A minha regra de ouro, que eu sempre falei, quando eu fui presidente lá no offshore, lá voando os helicópteros, eu falava para ele, ele falava assim, ó, se você tem dúvida que você vai conseguir voltar, nem vá. Ah, mas e o contrato com a Petrobras? Eu falava assim, eu prefiro 100 mil vezes discutir com a Petrobras sobre esse voo que não aconteceu, do que, de novo, sentar na frente da tua família e explicar que você está no fundo do mar.

Então, se você tem dúvida, eu não quero que você vá, fica aqui. Entendeu? A gente tinha 98% de disponibilidade. Entendeu? Então, assim, quando você passa essa tranquilidade, essa segurança, as coisas acontecem de maneira mais tranquila e sem risco. Sabe por quê? O cara sabe que se ele precisar voltar, ele volta.

E a gente está falando, assim, coisas assim, né? Tipo, puta, o cara não vai voar. Virou o tempo. Os caras falam assim, mano, mas esse tempo não dá para levantar voo. E às vezes a gente sabe que às vezes tem gente que... Não, vamos, vai, vai. Tem vários acidentes aqui. Provavelmente aqui ao redor de São Paulo, de helicóptero, que entram voando em montanha e morrem. Exatamente isso. Mas às vezes tem outro tipo de problema. Por exemplo, o cara está com dor de barriga.

Cara, eu já ouvi histórias desse tipo. E aí, tem dois tipos. Tem o que o cara... Chefe, não dá, vou ter que pousar porque eu tenho que ir no banheiro. O certo era ele nem ter embarcado, mas suponha que ele comeu antes e embarcou e deu no meio de um voo longo, deu o revertério. Já vi casos assim. Já vi casos do cara... Tem avião que tem banheiro, ele vai no banheiro. Mas já vi casos também do cara de usar um saquinho. Tem...

Todo tipo, o cara se vira, velho. Se vira. Agora, você sabe que na aviação comercial tem regra pra isso, né? Piloto com piloto, por exemplo, não come a mesma comida. Ah, não sabia isso. Esses voos longos, principalmente, piloto com piloto, eles não comem a mesma comida. São comidas diferentes.

Oh, isso é louco. Eu nunca sabia isso, cara. Tem, tem. Você vê o nível de detalhe dos processos de segurança de voo. Eles não comem a mesma comida. Sim. Porque senão você perde a redundância, né? Os dois teriam... Porque, na verdade, um avião não precisaria ter dois. Não, exatamente. Porque o dois é a redundância. Tipo, um passou mal, beleza. Não, e assim, divide a carga também de trabalho.

Mas um só, numa emergência, consegue voar ganhão. Era o famoso que meu avô dizia sempre. Fernando, quem tem um, não tem nenhum. Quem tem dois, tem um, é isso? É, é por aí. E assim, com dois fica tudo mais difícil, né? Então, se um deles está pensando em se matar, se tem dois...

O outro... E teve um acidente assim do cara que... Tem vários. Que o cara trancou um pra fora e aí você não... Fora e foi em direção à montanha na Europa. E mudou a questão de como entrar na cabine depois dessas? Depois disso, é, existe uma outra forma, que só a tripulação sabe de como entrar na cabine, sim.

Porque se não se dá esse... Se não todo mundo que quer se matar aí fica doido e vai. Mas teve um caso aqui no Brasil há muitos anos atrás, lá em Fortaleza, que o cara pilotava um 727 que foi voando em direção ao morro. Ele descobriu que a mulher tinha traído ele e foi voando em direção ao morro até matou todo mundo. O copilou do lado dele e não fez nada. Ficou só falando. Você tá vendo o morro ali na frente? Você tá vendo o morro ali na frente? Aí, bum. Oxi. Muito tempo atrás, é. Antes de eu entrar na aviação.

Por que o cara não fez nada? Travou? É isso. Hierarquia? Não, antigamente tinha muito de hierarquia. Hoje em dia não tem mais isso. Hoje em dia você tem CRM e já não é mais assim. Mas naquele tempo era. Então, mas eu acho que eu vi uma coisa de... Alguém falando alguma coisa assim com relação... Não sei se era Coreia do Sul ou no Japão, porque os caras orientais têm uma coisa com hierarquia muito mais forte do que os latino-americanos e tal. Tem um acidente com o avião no Japão grande que também foi assim.

Por causa da questão hierárquica e quando o comandante abriu para que as outras pessoas na cabine dessem sugestões, já era muito tarde. E o engenheiro de voo deu uma sugestão que teria salvo o avião.

Eles colidiram com a montanha. Não teria colidido se ele tivesse falado antes. Mas ele ficou calado, não falou nada. Vendo o comandante lutando lá, perdendo tempo. Mas ele não falou nada. Nossa, isso é surreal, cara. Imagina isso. Só falou quando ele falou não dá mais tempo.

Nossa, mas isso que é acreditar na hierarquia, né? Porque você está vendo que vai dar shabu. Prefere morrer do que quebrar a regra. Você está louco. Você está louco. É, eu não sirvo para ser comandante. Bom, regra de ouro então, não tem certeza, não faça. É isso aí. Regra de ouro. Sabe se vai dar, fica aqui, né cara? Agora, Shailon, para a gente fechar, qual a coisa... Tinha perguntado mais ou menos na outra, mas a gente foi para uma outra linha. Qual a coisa mais bizarra que você já viu na aviação?

Cara, é complexo, porque assim, eu vivo disso há 30 anos.

Eu não sei o que pode ser uma coisa bizarra, assim, o que é que é estranho, assim. Eu vejo muito, são bizarrices dessas coisas que acontecem, às vezes o mundo fala, igual um maluco que entrou no aeroporto porque ele voava flight simulator, entrou no aeroporto, pegou um avião, salvo o ano e se matou, quer dizer. Tem uns troços, assim, que acontecem. Agora, te falar, assim, de...

É tipo se o cara foi no banheiro, fumou e pegou fogo no avião, o avião caiu. Mas isso já aconteceu. Isso já aconteceu. O Sandiordi. Mas isso é bizarro. Cara, não é na época. Se você olhar, na época não era, né, cara? Na época todo mundo fumava. E na época não tinha acontecido isso ainda, entendeu? E as pessoas nem morreram por causa da queda, né? Morreram por causa do gás. O gás, porque pegou fogo e dentro do avião tinha um monte de coisa química, o gás era tóxico. As pessoas morreram sentadinhas.

E aí mudou a regra. Então hoje dentro do avião você não produz chama. Se tiver um incêndio, os assentos, as coisas não produzem chama. Você tem regra de inflamabilidade. Mas é isso. Então, cara, acontece umas coisas meio estranhas. Um tempo desse para trás aconteceu de um helicóptero sair com uma das pás dele invertida.

Aí quando girou, ao invés de subir e descer, cortou o rotor de caldo no chão ainda. Ninguém se machucou, mas enfim. Então assim, você não acredita que vai acontecer em pleno século XXI. Então tem, às vezes acontece umas coisas dessas, assim que você fala assim, cara, o que é isso? Mas é difícil, é a mesma coisa você perguntar para um médico que coisa bizarra. Tudo para ele é bizarro, entre as duas. Tudo que ele faz para uma pessoa que não é médica é bizarro, cirurgião.

Mas no meio não, não é comum. Para mim não, tipo assim, eu já vi um monte de coisa, a gente já fez mais de duas mil inspeções, né? Então eu já vi um bocado de coisa bacana, assim, soluções bem... Criativas? Criativas, sabe? E que, enfim, você tem que... Quando eu era da autoridade aeronáutica, era comum encontrar essas coisas nessa aviação mais do interior, assim, e você chegar para ele e falar assim, mas chefe, não pode ser assim.

Mas por que não? Não, tem regra, tem regulamento. Mas isso é burocracia. Por que não? É meu avião. Eu quero poder ligar meu... Naquele tempo não tinha USB, então tinha aqueles negócios de acendedor de cigarro, sabe? Então ele puxava um fio, botava acendedor de cigarro, aí pra poder ligar um freezerzinho, por exemplo, sabe? Só que, cara, tudo no avião é calculado na segunda casa decimal, quer dizer... Cara, você liga o teu freezer...

a bateria vai embora e o gerador do avião queima e vocês caem. Quer dizer, não é assim, sabe? Mas por que não? Funciona, é uma beleza, está tranquilo. Uma vez eu entrei no avião... Sabe aqueles táxi de antigamente que o cara botava um plástico por cima do carpete, assim, para poder...

Esse negócio do incêndio, né? Que eu te falei. Então, não pode ter nada disso. Pô, eu peguei um avião lindo, lindo, lindo, lindo. E no interior dele, novinho. O que tinha em cima do carpete? Plástico. Aquele plástico inteirinho. Mas não é que ele estava jogado. Ele estava instalado, assim. Preso, igualzinho de táxi. Tá, ele pagou alguém para fazer. É isso aí. Eu acho que o cara tinha sido motorista de táxi em algum momento da vida.

Aqueles opalão antigos? Isso aí. Aí vai falar para ele. Não pode. Mas por que não? Vai sujar meu carpete todinho. Vai, vai.

É melhor você pagar alguém pra limpar o carpet depois, né? Vai, vai sujar seu carpet todinho. Ah, mas é muita burocracia. Não, chefe não é. Aí vai explicar, não sei o que, tem que tirar todo o plástico. Então, esse tipo de coisa, assim, eu já encontrei algumas vezes, sabe? Algumas vezes. Essa...

E assim, na maioria das vezes não é nem por maldade, tem vezes que é por maldade, tem vezes que o cara sabe a regra e ele decide burlar. Mas a maioria é o cara que... Mas não era melhor você... Tipo assim, mano, você quer ter um avião, você vai fazer um curso.

Pô, pra ter o mínimo, entendeu? Eu sou o CEO de uma empresa de um bilhão. Eu mando em 30 mil pessoas. Você tá falando pra mim que pra eu comprar um avião, que eu já vou gastar 50 milhões de dólares, você quer que eu faça um curso pra eu saber como é, como é que eu tenho que ser pra ser dono de avião? É.

Você não ia vender avião nunca nessa vida. Então, eu falo assim, você não vai fazer o curso, então você vai pagar uma pessoa que vai ser responsável pelo teu avião que isso aí vai fazer o curso. Mas não é assim que funciona, velho. Não é assim que funciona. Não é assim que funciona. Assim, na Europa tem uma coisa parecida com isso, que você, tendo um avião, você tem que ter um negócio que chama CAMO, que é uma organização certificada pela autoridade que vai gerenciar esse avião para você.

Uma coisa que está nascendo no Brasil agora. Mas, por exemplo, nos Estados Unidos nunca teve. Falar isso para o americano, ele vai morrer de rir. Vai ser como assim, cara? O que é isso? É, está maluco. O avião é meu, eu cuido do meu avião.

Então, não funciona assim, quer dizer... E de novo, tem uma aviação que é aviação pequenininha. Então, a gente não está falando dessa, tá? Essa aí tudo bem, não estou preocupado. A gente está falando das coisas maiores que voam, aviação de negócio maior. E assim, de um modo geral, eles têm um piloto, têm um mecânico que toma conta do avião dele. O problema é a exceção. A grande maioria tem medo de voar. Então, a grande maioria, se o piloto falar que não dá para ir, não vamos.

O problema é quando você encontra aquela exceção que acha que... E é na exceção que dá a merda. É na exceção que morre. É isso aí. Então, o problema é a exceção. É aquele cara que, ou por não conhecer nada, mas acha que sabe mais que Deus, ou aquele cara que fez um cursinho online, ouviu meia dúzia de vídeos num podcast qualquer e acha que sabe pra caramba de aviação e aí vai bater boca com o piloto. Entendeu? Ou ego. O meu amigo foi.

Com o helicóptero dele e o piloto dele. A gente tem que ir. Aí ele bota o piloto numa sinuca de bico. Porque o outro piloto provavelmente fez merda. E aí? Entendeu? Eu conheço o piloto que já falou. Tá bom, chefe. Então toma aqui. Toma aqui. Chama o outro piloto. Arruma o outro. Eu tô indo embora. Não, que isso que você quer. Não, não. Eu tô indo embora. Eu não vou fazer. Se você tá achando que eu que não dou como fazer isso, eu tenho todo o direito de contratar outro. Eu tô indo embora. É isso aí.

mas também é exceção. Um piloto que faz isso é exceção. Mas é o piloto que eu gostaria de ter pra mim. Eu brinco, eu falo assim, o melhor piloto, suponha que eu compre um avião, que piloto que eu queria ter? Eu queria ter um piloto que goste de voar, mas que tenha medo. A pior coisa que você pode ter é o piloto super-herói. É o piloto que perdeu o respeito, não vou dizer que tenha medo, que tenha respeito. É o piloto que perdeu o respeito pelo ofício.

Ele acha que voar é igual cozinhar. Não é. Ele acha que voar é igual... Sei lá. Sim, que ele está no controle de tudo. Mas não está. Então, você precisa ter um piloto que ele goste de voar, mas que ele respeite bastante aquilo que ele está fazendo. Para que ele não saia quebrando quanto é regra, furando quanto é procedimento. É isso que você tem que buscar.

Muito bom. Shylon, obrigado. Só lembrando, lá nos primórdios do canal, em 2019, você participou, fui lá na tua casa, a gente gravou lá na tua casa ainda. Hoje você está aqui no estúdio participando de novo. Então, obrigado aí. Acho que é a terceira vez, cara. Terceira? Teve uma outra vez aqui também.

Não lembro mais. Teve, teve uma outra vez aqui também, que também foi bem bacana. Muito bom. Valeu. Obrigado, Shailon. Obrigado, valeu. E ó, se você acompanhou até aqui, não esquece aí de deixar o seu like, o seu comentário, se inscrever no canal e eu vejo você no próximo episódio. Até a próxima. Tchau!

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