Episódios de Ossos Perdidos

Jack, o Estripador | História Completa + Análise do FBI

28 de julho de 202646min
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Jack é considerado o serial killer mais famoso da história. Tirou a vida de ao menos 5 mulheres no ano de 1888 em Whitechapel em Londres e jamais foi identificado. Junto à história e crimes deste assassino, neste episódio apresentamos também o perfil criado por John Douglas, ex-agente do FBI.Análise e perfil de Jack (FBI): https://vault.fbi.gov/Jack%20the%20Ripper

Assuntos6
  • Casos de VítimasMary Ann Nichols · Annie Chapman · Elizabeth Stride · Catherine Eddowes · Mary Jane Kelly
  • Jack, o Estripador: O InícioWhitechapel em 1888 · Emma Elizabeth Smith · Martha Tabram
  • Perfil e background do suspeitoJohn Ternus · Perfil psicológico · Motivações do assassino
  • Suspeitas sobre Pessoas EspecíficasAaron Kosminski · James Maybrick · Pará · O Diário de Jack, o Estripador
  • O Legado de Jack, o EstripadorImpacto social em Whitechapel · Mistério e lenda urbana
  • Estripador de Lisboa· SociedadeCarta 'Querido Chefe' · Cartão postal 'Salsy Jack' · Os Nove Círculos do Inferno
Transcrição46 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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Em 1888, na Grande Londres, as ruas de Whitechapel já eram perigosas antes mesmo dele aparecer. Pobreza, alcoolismo generalizado, violência, mulheres dormindo em pensões imundas, becos sem luz. Era um lugar onde a polícia não dava conta. Então, em uma madrugada qualquer, uma mulher apareceu morta, depois outra e outra. A cada achado, os ferimentos ficavam mais brutais, os corpos mais expostos, e o assassino ficava cada vez mais confiante.

A imprensa entrou em frenesi, a polícia começou a correr contra o tempo, e de repente Londres inteira passou a acreditar que havia um monstro andando entre eles. Mas o pior ainda nem era isso. O pior é que esse homem escrevia para os jornais e enviava órgãos humanos pelo correio. Ou seja, além de todo esse caos que estava causando, era ousado. Sobre sua identidade, talvez ele tenha sido interrogado pela polícia e liberado sem suspeitas, ou talvez tenha morrido em silêncio, preso num hospício sem nunca confessar nada.

Durante décadas, ele foi imaginado de muitas formas: açougueiro, barbeiro, médico, aristocrata, imigrante, ou até um fantasma. A verdade é que ninguém conseguiu responder A pergunta mais simples de todas: quem foi Jack o Estripador? Eu sou o Brian Amendófer e seja muito bem-vindo a mais um episódio de Ósseos Perdidos. Dessa vez temos em mãos um caso bagunçado com vários livros e pesquisas feitos ao longo do tempo, muitas linhas investigativas e teorias que nunca levaram a lugar nenhum.

Provavelmente essa é a pesquisa mais difícil que já fizemos. Organizamos todas as informações que constam na literatura criminal e também em uma análise interessante feita pelo ex-agente do FBI Douglas. Com isso, podemos seguir uma narrativa mais limpa e compreensível, algo complicado de produzir quando se trata de Jack o Estripador, o assassino em série mais famoso da história. Antes de nos aprofundarmos no denso caso de Jack, é preciso conhecer Mary Jane Kelly.

Ela é uma das vítimas mais marcantes do caso. Mary é geralmente lembrada como a última das 5 vítimas diretamente ligadas ao assassino, E seu fim foi o mais brutal entre todos os crimes canônicos. E quando eu falo em vítimas canônicas, significa vítimas que a maioria dos estudiosos considera como assassinadas por Jack. Enfim, Mary Jane Kelly era uma irlandesa. Boa parte de sua vida permanece incerta porque muitas informações vieram de relatos dela mesma ou de pessoas próximas.

Ainda jovem, teria se mudado com a família para o País de Gales, onde se casou com um homem chamado Davis. Após a morte do marido em uma explosão em uma mina, Mary passou por Cardiff, mais tarde chegou a Londres. Na capital inglesa, ela trabalhou em diferentes lugares e acabou entrando na prostituição como forma de sobrevivência. Por algum tempo viveu em ambientes mais luxuosos, chegou a usar o nome Marie Jeannette e teria passado uma temporada em Paris.

Mas essa fase durou pouco. Em pouco tempo, Mary voltou para os bairros mais pobres de Londres, onde passou a beber com frequência e a depender de relações instáveis pra se manter. Em 1886, ela conheceu Joseph Barnett, um carregador de peixes de Billingsgate Market. Os dois passaram a viver juntos e, depois de mudarem várias vezes, chegaram ao número 13 da Meavers Court, aos fundos da Rua Dorset, em Spitalfields. A região era uma das mais miseráveis de Londres e a própria Rua Dorset era conhecida como uma das piores da cidade.

O quarto de Mary era simples, uma cama, algumas mesas, uma cadeira, uma vareira e janelas danificadas. Uma das janelas havia sido quebrada durante uma briga ou bebedeira e passou a ser coberta com roupas para impedir a entrada do frio. Vizinhas diziam que Mary era quieta quando sóbria, mas barulhenta quando bebia. Também era conhecida por cantar músicas irlandesas durante a madrugada. Esse comportamento ajudou a formar o apelido pelo qual seria lembrada: Dark Mary.

Em julho de 1888, Joseph Bartsch perdeu o emprego. Sem dinheiro, Mary voltou à prostituição. Também passou a abrigar outras mulheres em seu quarto. Principalmente para protegê-las do frio das ruas. Esse hábito, entre outras coisas, incomodou Joseph e contribuiu para o fim do relacionamento. Mesmo separado, ele continuou visitando Mary e levando algum dinheiro quando podia. Meses antes de sua morte, Mary teria pedido a Barnett que lesse para ela as manchetes dos jornais.

As notícias falavam de uma sequência de crimes contra mulheres nas ruas de Whitechapel, Mary, ao que tudo indica, já sabia que alguém estava caçando mulheres como ela. Naquela altura, sua vida havia se reduzido a um quarto pobre nos fundos da rua Dorset, cercado por alcoolismo, miséria e medo. Mary Jane Kelly havia chegado ao ponto mais sombrio de sua trajetória, e embora ainda não soubesse, seria naquele quarto que ela sofreria a violência mais extrema atribuída a Jack o Estripador.

Mas não por enquanto, não antes de conhecermos todo o rastro e pistas desse criminoso desde o início. Era por volta da 1:30 da madrugada do dia 3 de abril de 1888 quando uma mulher chamada Emma Elizabeth Smith foi seguida por uma gangue de marginais na estrada Whitechapel. Emma correu, mas a gangue estava pronta para atacá-la. Na estrada Wentworth e Brick Lane, ela foi roubada e espancada pela gangue. Após o ataque, Emma conseguiu se levantar e chegar até a pensão em que estava hospedada na Rua George.

Era por volta das 5 da manhã quando ela foi recebida por uma das gerentes, Mary Russell, e por outra inquilina, Annie Lee, que a levaram para o hospital de Londres. No hospital, Emma descreveu o ataque e disse que um dos agressores era muito jovem. Infelizmente, devido aos ferimentos, ela acabou morrendo às 9 horas da manhã do dia seguinte. As autoridades só foram acionadas um dia depois da morte de Emma, e um inquérito oficial chamado de assassinato em Whitechapel foi aberto.

Na época, a polícia nunca conseguiu reunir informações sobre o ocorrido, porque tudo o que tinham eram histórias contadas pelas pessoas próximas e que acompanharam Emma até o momento de sua morte. Daquele modo, as autoridades acabaram encerrando o caso. O legista local, Wayne Baxter, descreveu o evento como sendo impossível de imaginar um ataque mais brutal e covarde. O caso foi levado ao tribunal de Londres, onde foi encerrado sob o veredito de assassinato doloso.

Esse caso só é importante porque foi através dele que o inquérito que abrigaria todos os casos de Jack o Estripador foi criado. Em outras palavras, as chances de que ele tenha se envolvido nesse caso são improváveis. Dito isso, somos levados para o fim da madrugada do dia 7 de agosto de 1888, quando um sujeito chamado John Rivers encontrou o corpo de uma mulher deitado de costas em cima de uma enorme poça de sangue.

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?Voz C

O corpo havia sido encontrado em uma rede de apartamentos na George Yard quando o doutor Timothy Killing analisou o corpo. Ele declarou a mulher como morta ainda no local. Posteriormente, a vítima foi identificada como Martha Tabram, de 39 anos. De acordo com o legista, ela havia recebido cerca de 39 facadas em todo o corpo. A região do peitoral foi a mais atingida. Estranhamente, o legista percebeu que Martha parecia ter sido morta com duas facas diferentes, sendo uma pontiaguda e fina e outra com pelo menos 15 centímetros de comprimento.

As investigações não levaram a lugar nenhum e seu caso foi encerrado com o veredito final de assassinato doloso por uma ou mais pessoas desconhecidas. Ao fim do mês, o condutor Charles Cross estava levando sua carroça para o estábulo quando se deparou com um corpo feminino estirado em frente à porta do local. Era por volta das 3:45 da manhã e ele não demorou muito mais do que alguns segundos para perceber que a garganta da mulher havia sido brutalmente cortada.

O caso ficou a cargo da Divisão J da Polícia Metropolitana de Londres, que não teve muito sucesso com suas investigações. O legista informou que a mulher teve sua garganta cortada duas vezes e seu abdômen havia sido dilacerado por algo afiado. Algumas perfurações foram vistas do lado direito de seu abdômen. Ela acabou sendo identificada como Mary Ann Nichols, de 43 anos. As investigações tentaram conectar o ataque a uma gangue local, Mas o jornal Star publicou um artigo sugerindo que um único assassino era responsável pelo ataque a Emma Elizabeth Smith e Martha Tabram.

Essa conexão fez com que os inspetores Frederick Abberline, Henry Moura e Walter Andrews, do Escritório Central da Polícia Metropolitana de Londres, fossem chamados. Inicialmente, houve resistência por parte do regista em conectar os crimes porque considerou que as armas usadas nos ataques eram diferentes. Embora houvesse teorias e suposições, o caso ficou morno até que no dia 8 de setembro de 1888, o corpo de Annie Chapman, de 47 anos, foi encontrado no quintal de uma residência na estrada Hanbury, em Whitechapel.

Ela trabalhava como profissional do sexo e morava na estrada Dorset. Nas investigações, foi descoberto que ela havia passado pela estrada Dorset por volta das 23:30 do dia anterior. O corpo mutilado foi encontrado por um homem chamado John Davies, que correu e gritou para dois homens que estavam em frente ao pub Black Swan, dizendo: Homens, venham aqui, uma mulher deve ter sido assassinada. A comoção do crime foi percebida pelo inspetor Chandler da Divisão H, que estava na delegacia de polícia quando foi contatado sobre o achado.

No local, o cirurgião Baxter Phillips relatou que a mulher havia sido estrangulada e em seguida violentamente mutilada. Na autópsia foi dito que ela teve sua garganta dilacerada junto a seu intestino, como também teve uma parte de seu abdômen retirado e posto em cima do seu ombro direito. Já no ombro esquerdo, o assassino pôs outra parte do abdômen e do púlpice. Além do mais, foi observado que o seu útero, vagina, bexiga e umbigo haviam sido removidos.

Próximo ao quintal onde o corpo foi encontrado, um pedaço de avental de couro foi coletado. Essa pista levou as investigações até a porta de John Pitzer, conhecido na região pelo apelido Avental de Couro. No entanto, seu álibi era forte o bastante para retirá-lo da lista de suspeitos. Durante as investigações, uma testemunha chamada Elizabeth Long disse ter visto Anne conversando com um homem que ela descreveu aparentando por volta dos 40 anos, vestindo um casaco escuro, um chapéu, de uma aparência elegante.

Elizabeth também disse que ele parecia judeu. Na época, a região de Whitechapel possuía uma grande quantidade de judeus, o que significava que não seria tão fácil localizar o suspeito. O cirurgião Baxter Phillips disse que o assassinato possivelmente havia sido cometido por alguém que possuía experiência com facas. Outra testemunha que surgiu foi Albert Kadosh, que disse ter ouvido barulhos de brigas vindos do quintal. Quando a pista de que o assassino fosse um judeu chegou aos ouvidos do parlamento de Whitechapel, uma grande onda de manifestações se iniciou.

Junto a isso, uma certa insatisfação com o trabalho policial fez com que os moradores fundassem o Comitê de Vigilância de Whitechapel, liderada por George Lusk, que ofereceu recompensas altas por alguma informação que levasse à prisão do assassino. O comitê também tratou de contratar investigadores particulares para lidar com as investigações, mas não obtiveram nenhum resultado ou pista. Naquela altura, as investigações da polícia se tornaram confusas porque o chefe das investigações, Robert Anderson, havia acabado de sair de licença médica.

Em resposta, o comissário-chefe Charles Warren nomeou o inspetor-chefe Donald Swanson para coordenar as investigações. E essa nova direção logo gerou frutos. Cerca de 11 dias depois, Charles Ludwig foi preso sob suspeita de envolvimento nos assassinatos. Para alguns, o assassino havia sido preso. Mas um evento mudaria tudo. No dia 27 de setembro de 1888, a Agência Central de Notícias recebeu uma carta intitulada de Querido Chefe, Ele assinou e se autodenominou como Jack, o Estripador, e reivindicou os últimos assassinatos.

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Não vamos mostrar a carta na íntegra, mas vamos falar sobre a parte mais emblemática, que dizia: No próximo trabalho que eu fizer, cortarei as orelhas da mulher e as enviarei aos policiais, só por diversão. Não seria engraçado? Guardem essa carta. Até que eu faça mais um pouco do meu trabalho. Depois divulguem imediatamente. Minha faca está tão bonita e afiada que quero começar a trabalhar assim que tiver uma oportunidade. Boa sorte. Sinceramente, Jack, o Estripador.

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Foi nesse momento em que o suposto assassino havia se intitulado Jack, o Estripador, apelido que mancharia pra sempre a história criminal de Londres. Pra piorar, Jack cumpriu com suas palavras. Era 1 hora da manhã do dia 30 de setembro de 1888 quando o corpo da profissional do sexo Elizabeth Stride, de 44 anos, foi encontrado na hoje conhecida como Estrada Henriques, em Whitechapel. Sua garganta havia sido cortada de forma violenta.

O corpo foi descoberto por um homem chamado Louis, que fez barulho ao chegar no pátio da estrada. Fontes relatam que sua chegada pode ter interrompido os atos do assassino e, por aquele motivo, ele não havia feito mais do que cortar a garganta de Elizabeth. No entanto, cerca de apenas 45 minutos depois, o corpo de Catherine Eddowes, de 46 anos, foi encontrado ao sudoeste de Mitre Square, em Londres. Em questões geográficas, o assassino teria levado cerca de 15 minutos para sair da região do ataque de Elizabeth até trombar com Catherine.

Boa parte do rosto da mulher foi mutilado e seus intestinos foram postos em seu ombro direito. Seu rim e útero foram completamente removidos. Nos dias seguintes, vários especialistas concluíram que o assassino, sem dúvidas, possuía um conhecimento geral de anatomia humana. Contudo, o cirurgião George William Siqueira e o médico William Sedgwick Saunders, que estiveram presentes na autópsia, foram contra aquela hipótese. Naquela altura, os dois ataques haviam ocorrido do outro lado de Londres, o que significava que outro detetive ficou encarregado do caso.

Futuramente, isso seria relatado como um dos motivos pelos quais, na época, houve muita confusão na coleta de detalhes importantes da trilha do assassino. Algumas horas depois, a cerca de 500 metros do local do crime, foi encontrada uma escrita de giz na parede que dizia: Os judeus são os homens que não serão culpados por nada. Claramente, a escrita tentava limpar a barra dos judeus. Ela foi rapidamente apagada com medo de que houvesse manifestações antissemitas.

A testemunha mais importante nesse caso foi Joseph Lowent, que disse ter visto Catherine acompanhada de um homem que descreveu ter por volta dos 30 anos, com um chapéu pontiagudo e com um bigode ralo. Essa descrição combinava com outra testemunha que descreveu o mesmo sujeito caminhando ao lado da vítima. Apesar das pistas, testemunhas e um inquérito sendo processado, os moradores de Whitechapel continuaram a criticar o progresso das investigações.

Essa pressão fez com que 59 mil libras fossem oferecidas por qualquer informação que levasse ao paradeiro do suspeito. As autoridades também passaram a usar cães farejadores, mas essa ideia não levou a nada, porque a área urbana da cidade era contaminada por diversos odores. Também havia o medo de que os cães fossem envenenados por criminosos da região. Toda essa falta de progresso levaria as autoridades a se depararem com mais uma nota de Jack.

No dia 1º de outubro, a Agência Central de Notícias recebeu o cartão postal conhecido como Salsy Jack.

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Nele, o autor escrevia: Eu não estava brincando, meu caro e velho patrão, quando lhe dei o aviso. Você vai ouvir falar do trabalho do atrevido Jack amanhã. Dessa vez foram duas de uma vez. A primeira gritou um pouco, não consegui terminar tudo logo de imediato. Não tive tempo de pegar as orelhas pra polícia. Obrigado por segurar a última carta até eu voltar ao trabalho. Jack, o Estripador.

?Voz C

A referência às orelhas chamava atenção porque na carta anterior o autor havia prometido enviar a orelha de uma vítima para a polícia. No caso de Catherine Eddowes, parte do lóbulo da orelha esquerda havia sido removido durante o assassinato. Ainda assim, a autenticidade do cartão permanecia controversa. Ele foi carimbado no dia 1º de outubro, poucas horas após o assassinato de Elizabeth e Catherine. Alguns pesquisadores consideram que esse intervalo reforça a possibilidade de autenticidade.

Outros defendem que um jornalista ou um imitador poderia ter obtido as primeiras informações sobre os crimes antes de sua ampla divulgação. Vamos voltar a esse assunto no final do vídeo, por enquanto vamos seguir com o caso. No dia seguinte, um torso feminino foi encontrado em um porão de uma das novas sedes em construção da Polícia Metropolitana de Londres. Os jornais consideraram aquilo um visível ato de ofensa e provocação por parte do chamado Jack o Estripador.

Atualmente esse evento é conhecido como o Mistério de Whitehall. Ele nunca foi oficialmente ligado aos atos de Jack, mas há quem os conecte. Nessa altura do mistério, Robert Anderson, que estava afastado, voltou de sua licença e assumiu novamente o caso. Então, no dia 16 de outubro, George Lusk, chefe do Comitê de Vigilância de Whitechapel, recebeu uma carta intitulada Do Inferno, que dizia: Do Inferno, Senhor Lusk, senhor, Estou lhe enviando metade do rim que tirei de uma mulher.

?Voz D

Guardei pra você. A outra parte eu fritei e comi. Estava muito gostoso. Talvez eu lhe envie a faca ensanguentada que usei pra arrancá-lo, se você esperar só mais um pouco. Assinado, pegue-me se puder, Senhor Vusk.

?Voz C

A caligrafia era diferente das primeiras cartas, mas era muito mais macabra. Porque junto à carta havia de fato um rim humano preservado. Então inicialmente a carta trouxe ainda mais sombras ao caso. A diferença de caligrafia parecia direcionar a suposta autoria dos crimes para dois suspeitos, ou na pior das hipóteses, parecia que um suposto copiador estava agindo junto ao perpetrador original. Nos dias atuais essa nota é considerada com mais chances de ter sido escrita pelo verdadeiro Jack o Estripador.

O motivo pra isso está em como ele escreveu a carta, que continha vários erros gramaticais e borrões que indicavam que o autor não sabia muito bem se comunicar através da escrita. Ainda em outubro, o líder das investigações, Robert Anderson, pediu ao cirurgião da polícia Thomas Bond que analisasse as motivações das vítimas e apresentasse sua opinião sobre o assassino. Sem saber, Bond produziria um documento que hoje é considerado um dos primeiros perfis criminais da história.

Após examinar os laudos e a cena dos crimes, ele concluiu: Não há dúvidas de que os 5 assassinatos foram cometidos pela mesma pessoa.

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Nos 4 primeiros casos, as gargantas parecem ter sido cortadas da esquerda para a direita. No último, devido à extensão das mutilações, é impossível determinar a direção do corte fatal. No entanto, foram encontrados respingos de sangue arterial na parede, próximos ao ponto onde a cabeça da vítima provavelmente estava. Todas as circunstâncias dos crimes me levam à conclusão de que as mulheres estavam deitadas quando foram assassinadas e que, em todos os casos, a garganta foi cortada primeiro.

?Voz C

Em seguida, Thomas descreveu o assassino como um homem solitário e com desvios de ataques periódicos de sadismo e mania sexual. Além do mais, ele disse algo muito à frente de seu tempo quando deduziu que o criminoso poderia possuir uma condição mental doentia. Thomas não deixou de comentar que, curiosamente, as vítimas não haviam sido violentadas sexualmente. Em sua maioria, elas tiveram suas genitais destruídas e foram posadas em posições sexualmente degradantes para que seus ferimentos fossem vistos.

Na época, especialistas foram contra ao dizer que Jack o Estripador não possuía prazer sexual em seus ataques. Atualmente, graças aos estudos do FBI, Sabemos muito bem que praticamente todos os criminosos violentos fazem o que fazem por puro prazer sexual, e provavelmente não era diferente para Jack. Na época, com base nas suposições, cerca de 76 açougueiros foram interrogados. Até mesmo a Rainha Vitória chegou a se pronunciar, alegando que o assassino poderia ser algum açougueiro ou empregado que trabalhava dentro das tripulações que exportavam gado.

A região de Whitechapel ficava próxima às docas de Londres, onde diversas embarcações paravam e partiam o tempo todo. Essa linha de investigação foi estudada, mas nada realmente apontava pra essa possibilidade. Ao fim de outubro, mais de 2.000 pessoas já haviam sido interrogadas. Entre elas, 300 foram investigadas e 80 presas sob suspeita. O cenário pra todo esse caos chega a ser dramático. Quando estudamos o caso de Jack, somos levados para uma Londres onde haviam cerca de 62 bordéis e milhares de mulheres atuando como profissionais do sexo na região de Whitechapel.

Boa parte disso foi por conta de tensões sociais, já que anos antes a Inglaterra havia recebido milhares de imigrantes irlandeses. Além do mais, em 1882, vários judeus estavam fugindo da Europa Oriental em busca de abrigo na Inglaterra. Em resultado, Whitechapel estava prestes a implodir devido à hipervotação. Essas condições sociais causaram alcoolismo generalizado, pobreza, prostituição e aumento grotesco da violência contra a mulher.

Junto aos assassinatos de Jack, os crimes menores como roubos e agressões aumentaram drasticamente. Toda a região de Whitechapel havia se tornado um poço ainda maior de atrocidades e depravação. E não se engane, embora tenhamos descrito até agora 5 assassinatos, naquela mesma época dezenas de outras mulheres eram encontradas em estados semelhantes por toda Londres. A história, os jornais e as autoridades olharam apenas para algumas, E uma delas foi a irlandesa que conhecemos como Dark Mary ou Mary Jane Kelly, e que nesse momento da história estava prestes a ser ceifada pelas mãos desse mesmo assassino.

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Na madrugada do dia 8 de novembro de 1888, Elizabeth Prater, moradora do quarto acima do de Mary Jane Kelly, foi acordada pelo seu gato. Ela acordou entre as 3:30 e 4 horas da manhã e ouviu um tipo de gemido vindo do quarto abaixo do dela. Posteriormente, Elizabeth relataria que não procurou ir atrás do barulho porque os gemidos daquele tipo eram comuns no bairro. Outra vizinha, Sarah Lewis, também teria ouvido o grito misturado com o gemido e diria que foi apenas um grito, do qual não prestou muita atenção.

Na manhã seguinte, então, o antigo senhorio de Monroi, John McCarthy, mandou um sujeito chamado Thomas Boyer até o quarto da mulher na Rua Dorsett para cobrar o aluguel. De acordo com as fontes, o seu atraso já havia somado mais de 6 meses. Assim, por volta das 10:45 da manhã, Thomas bateu diversas vezes na porta de Mary, mas não foi atendido. Ele então decidiu olhar através da fresta quebrada da janela do quarto. Ao afastar a roupa que cobria o buraco, Thomas foi surpreendido com uma cena grotesca.

O que ele descobriu foi o corpo de Mary Jane Kelly, brutalmente mutilado. Thomas retornou até a residência de John McCarthy e contou o que havia visto. Depois, ambos foram até a delegacia de polícia, onde Thomas sequer conseguiu relatar o que havia encontrado. Tudo o que o investigador Walter Beck entendeu foi a parte em que ele disse Jack, o Estripador. Walter decidiu acompanhar Thomas até o quarto e lá presenciou a cena. Em seguida, ele chamou o cirurgião George Baxter Phillips.

Mais tarde, a grande maioria de chefes de divisões separadas de Londres se reuniram no local e entre eles estava Robert Anderson, da Polícia Metropolitana. A presença de todos aqueles homens do mais alto nível das autoridades de Londres fizeram com que cerca de 1000 pessoas fossem até a Rua Dorset com o intuito de verem alguma coisa. Em meio à multidão havia uma grande quantidade de pessoas indignadas com o crime. Jack o Estripador havia atacado novamente e daquela vez havia sido ainda mais brutal.

A porta do quarto foi arrombada à 1:30 da tarde. Lá os investigadores notaram que a lareira do quarto fazia um fogo alto e incessante. No interior do fogo era possível ver que haviam roupas femininas sendo queimadas. O inspetor Frederick Aberline acreditava que o assassino havia usado as próprias roupas de Mary para deixar o local iluminado com a lareira enquanto ele fazia o trabalho mórbido de estripá-la. Depois que o corpo foi removido do local, Joseph Barnett e John McCarthy identificaram a vítima positivamente como sendo Mary.

A autópsia da mulher demorou cerca de 2 horas e meia para ser concluída. Thomas Bond e George Baxter Phillips foram quem examinaram o corpo. O relatório composto pelos dois é no mínimo perturbador. A causa da morte foi descrita como sendo por corte profundo na garganta. No entanto, a parte mais assustadora eram as mutilações pós-morte. Sua região abdominal havia sido totalmente esvaziada, suas vísceras foram postas todas ao lado do corpo, os seus seios foram cortados junto a seu rosto e continha vários cortes irregulares.

Próximo à cabeça, o assassino pôs um dos seios, os rins e o útero. Algumas partes da coxa foram encontradas em cima da mesa do quarto. É praticamente impossível descrever todos os ferimentos, mas cerca de 2 litros de sangue foram observados ao redor da cama da vítima. Boa parte das paredes estavam manchadas e no chão várias partes de ossos e músculos haviam sido simplesmente jogados pelo assassino. No polegar direito de Mary havia um pequeno corte que indicava que, por um breve momento, ela tentou se defender do assassino.

De acordo com o relatório, o assassino teria demorado cerca de 2 horas para causar todos os ferimentos vistos. Thomas Bond e George Baxter Phillips negaram que o assassino possuía conhecimento de anatomia, porque os cortes não foram nada técnicos. O inquérito oficial foi encerrado com o veredito de um assassinato doloso causado por uma pessoa ou pessoas desconhecidas. Thomas Bond relatou que os assassinatos de Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly haviam sido feitos pelas mãos do mesmo assassino.

O cenário horrível que o assassinato de Mary havia causado fez com que o comissário da polícia, Charles Warren, anunciasse um perdão para qualquer pessoa que fosse cúmplice e que soubesse da identidade do assassino. Porém, ninguém se apresentou na delegacia. Mary Jane Kelly foi enterrada cerca de 10 dias depois de sua morte no cemitério católico romano de St. Patrick em Lintonstone. John McCarthy garantiu que ela receberia todos os rituais da igreja.

No dia do enterro, Joseph Barnett, 6 mulheres que conheciam Mary e mais um homem representando John McCarthy compareceram. Várias pessoas ficaram ao longe observando os rituais religiosos. No fim, em sua lápide foi escrito: Em memória amorosa de Mary Jeanette Kelly.

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Ninguém além dos corações solitários pode conhecer minha tristeza. O amor vive para sempre.

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De acordo com estudiosos, é assim que a trilha sanguinária de Jack foi finalizada. Mas no decorrer dos anos, mais mortes estranhas continuaram a ocorrer por toda Londres. No dia 20 de dezembro de 1888, o corpo da profissional do sexo Rose Mylett foi encontrado estrangulado. Sua morte foi considerada acidental porque não havia indícios de luta. Contudo, o júri que lidou com o caso acreditava que havia sido um assassinato. Alice McKenzie teve seu corpo encontrado no dia 17 de julho de 1889.

Ela teve sua artéria cortada da esquerda para a direita e vários ferimentos foram observados em seu abdômen. Seu assassinato foi inicialmente ligado aos do Jack o Estripador. No entanto, no relatório final do caso foi descrito como incerto. Era semelhante aos outros que haviam ocorrido, mas poderia ser uma tentativa falha de um copiador. A razão disso foi de que os cortes no abdômen eram menos agressivos, indicando que o assassino parecia não entender muito bem o que estava fazendo.

Eventualmente, o interesse por Jack foi diminuindo e as vítimas consequentemente foram esquecidas. Até que no dia 10 de setembro de 1889, Um torso feminino foi encontrado na estrada Pinchin em Whitechapel. O torso possuía vários ferimentos que indicavam um espancamento. Seu abdômen havia sido ferido, mas estava menos violentado. As investigações jamais descobriram a identidade da mulher e seus restos desmembrados nunca foram localizados.

Esse torso, no entanto, foi conectado com aquele encontrado em 1888, no auge dos ataques de Jack, em uma das sedes que estava sendo construída na época. A hipótese mais aceita é de que talvez um possível assassino em série diferente tenha atuado no mesmo ano em que Jack. Estudiosos também costumam conectar os torsos dessas duas mulheres com outros que foram encontrados desmembrados no ano de 1873 e 1874. No dia 13 de fevereiro de 1892, a profissional do sexo Frances Coles foi atacada próximo a uma ferrovia.

Ela teve sua garganta cortada da mesma forma que Jack o Estripador fazia, mas como não houve motivações brutais, ela não foi conectada aos ataques. Frances acabou morrendo mais tarde no hospital e os investigadores acreditavam que o perpetrador talvez tinha sido algum tipo de homem com raiva da mulher. Um suspeito chamado James Sadler chegou a ser preso e foi até mesmo considerado uma suspeita no caso de Jack, Mas quase um mês depois foi liberado.

A partir dali, Jack acabou se tornando uma lenda e nenhuma nova morte foi registrada. Seu desaparecimento repentino fez com que várias suspeitas e novos mistérios surgissem. Há quem acredite que ele tenha morrido de forma natural ou até mesmo preso por um crime menor. Independentemente de qual seja a verdade, muitos concordam que Jack dificilmente teria parado por vontade própria. Atualmente, o material mais conhecido em relação à suposta identidade de Jack vem do livro intitulado O Diário de Jack, o Estripador, de 1993, da autora Shirley Harrison.

O livro é uma junção de notas em formato de diário feitas pelo comerciante de algodão James Maybrick, o qual afirmava ser o assassino. No ano de 1888, James descobriu que sua esposa, Florence Maybrick, estava tendo um caso com um homem chamado Alfred Brevey. No decorrer de suas notas, ele escreveu nitidamente o rancor e ódio que possuía pelos dois. Ódio esse que teria sido o suposto estressor para que ele cometesse os assassinatos.

No diário, James descreveu cada um dos 5 assassinatos conectados ao Jack o Estripador e até mesmo relatou que foi ele mesmo e enviou as cartas aos jornais. O grande problema, no entanto, é que a história por detrás da veracidade do diário é um tanto quanto curiosa. O diário foi encontrado por um eletricista no sótão da residência dos Maprick, posteriormente caindo nas mãos de Michael Barnett, que levou o documento até Shirley Harrison, que detalhou suas dúvidas e sua investigação pessoal em cima da veracidade do documento.

Mas ao invés dela apresentar as dúvidas e a pesquisa, ao longo da narrativa, Shirley sempre tenta nos convencer de que sem dúvidas o diário é real. Além de nos trazer várias supostas provas, como um relógio onde há escrito as iniciais de James Mabry junto à de todas as 5 vítimas de Jack. Claro, cabe ao leitor decidir no que acreditar. Nesse episódio vamos trazer algumas partes do livro que são interessantes ressaltar. Em uma das notas, James supostamente escreveu: O tempo está passando devagar demais.

?Voz D

Ainda preciso desenvolver a coragem para começar minha campanha. Em conexão a esse trecho, James continua com a seguinte frase: Todas as putas devem sofrer antes, e meu Deus, como as farei sofrer igual ela me fez sofrer.

?Voz C

Ao ler o livro com atenção, Podemos perceber em como o autor nos induz para dentro de uma linha de raciocínio simples demais para alguém cuja assinatura criminal girava em torno de pura carnificina. Isso também nos leva para o último trecho do diário, onde James relatou que Florence descobriu sobre seus atos e disse estar rezando para que ela o matasse.

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Seria simples. Ela sabe do meu remédio e com uma ou duas doses extras tudo terminaria.

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No fim, ele assina em 3 de maio de 1889 como: Sinceramente, Jack o Estripador. James acabou morrendo 8 dias depois dessa suposta anotação. A sua morte foi considerada suspeita por seus filhos e assim uma autópsia foi feita. Nas análises foi percebida uma forte dose de arsênico em seu sistema, o que levou à suspeita de um possível homicídio. Em decorrência disso, Florence Mabry acabou sendo levada a julgamento e condenada pelo assassinato do marido.

O seu julgamento foi motivo de muito alvoroço e ela inicialmente recebeu a pena de morte, mas teve sua sentença anulada e permaneceu 14 anos presa. A prisão danificou o seu estado mental, mas em 1904, Florence conseguiu continuar sua vida através de palestras e discursos sobre sua inocência. Contudo, ela acabou morrendo em 1941 completamente sozinha e em estado de pobreza absoluta. No ano de 2015, o autor Bruce Robinson escreveu um livro onde afirmava que o irmão de James, Michael Mabry, que era o verdadeiro assassino, mas sua linha de investigação é considerada pura especulação.

Recentemente, o professor de história e vice-diretor da Escola Gateacre em Liverpool, Chris Jones escreveu o livro The Maybrick Murder and the Diary of Jack the Ripper: The Endgame. No livro, ele promete inocentar tanto Florence em questão do assassinato do seu marido quanto James Maybrick, que foi ligado injustamente aos crimes de Jack o Estripador. Outro suspeito relevante é James Kelly. Este sujeito foi preso em 1883 depois de matar a esposa a facadas.

Mais tarde, fugiu em janeiro de 1888 do asilo Broadmoor. Durante as investigações, as autoridades chegaram a caçar James considerando ele como um forte suspeito. No entanto, ele permaneceu como fugitivo até o ano de 1927, ao retornar voluntariamente para o asilo. James nunca deu detalhes sobre o que havia feito, mas os investigadores acreditam que ele tenha trabalhado como forrador de sofá, trabalho o qual requer o uso de uma faca.

Para muitos, ele é um dos principais suspeitos em potencial porque supostamente havia deixado notas onde demonstrava sua opinião agressivas sobre profissionais do sexo, além de que uma profissional do sexo havia sido morta de uma forma parecida com as vítimas de Jack o Estripador em Nova York, onde James supostamente havia se isolado durante o seu tempo foragido. James acabou morrendo em 1929 por causas naturais. O escritor Robert Stevenson também foi considerado um dos suspeitos em potencial em relação às cartas.

Ele havia entrado como paciente no Hospital de Whitechapel no começo dos assassinatos em 1888 e saiu quando os mesmos cessaram. Embora Robert não seja um suspeito tão viável, estudiosos dizem que ele pode estar envolvido ao menos na autoria das cartas, que tenha sido o responsável pela fama de Jack. Outro suspeito é o Duque Alberto Vítor, que também é neto da Rainha Vitória. Há quem acredite que ele esteja envolvido, mas no máximo é apenas uma grande ideia absurda da época.

Atualmente, a lista de suspeitos chega a quase duas dezenas e por esse motivo não vamos abordar todos. Sendo assim, vamos para o último e mais provável dessa lista: Aaron Kosminski. Mas antes precisamos falar sobre o perfil que o ex-agente do FBI John Douglas foi contratado para criar sobre Jack o Estripador. Como muitos já sabem, John Douglas se tornou um agente lendário dentro do FBI devido à sua participação na Unidade de Ciências Comportamentais, conhecida hoje como Unidade de Apoio Investigativo.

John, ao lado de vários outros agentes, entrevistaram centenas de criminosos violentos e até mesmo ajudaram na prisão de assassinos em série como Wayne Williams e Robert Hansen. Em julho de 1988, John teve o trabalho de escrever um relatório completo sobre o perfil de Jack para o Centro Nacional do FBI para análise de crimes violentos. Para quem se interessar, esse relatório está disponível no site do FBI. Vamos deixar link na descrição.

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?Voz D

Jack vem de uma família onde foi criado por uma mãe dominadora e um pai fraco, passivo ou ausente. Com toda probabilidade, sua mãe bebia muito e gostava da companhia de muitos homens. Como resultado, ele não recebeu cuidados consistentes nem contato com modelos adultos estáveis. Consequentemente, se tornou socialmente desapegado e desenvolveu uma resposta emocional diminuída em relação aos seus semelhantes. Sua raiva foi internalizada e, em seus anos mais jovens, expressou suas emoções destrutivas reprimidas incendiando e torturando pequenos animais.

Ao perpetrar estes atos, ele descobriu áreas crescentes de domínio, poder e controle, se acostumando a realizar atos violentos destrutivos sem detecção ou punição. Sobre emprego, ele buscaria uma posição onde pudesse trabalhar sozinho e vivenciar suas fantasias destrutivas. Podemos imaginar que trabalhou como açougueiro, ajudante de agente funerário, assistente de regista ou atendente de hospital. Trabalhava de segunda a sexta, tendo tempo livre sexta à noite, sábado e domingo.

Ele carregava uma faca para fins de defesa, caso fosse atacado estaria pronto. Esse tipo de pensamento paranoico é em parte justificado por causa da baixa autoimagem que ele tinha de si mesmo. Espera-se que ele tivesse algum tipo de anormalidade física. Devido à falta de práticas de higiene da época e à ausência de tratamento para doenças venéreas, ele pode ter sido infectado. Se infectado, isso alimentaria ainda mais seu ódio e desgosto pelas mulheres.

Jack bebia nos pubs locais e depois de alguns destilados ficava mais relaxado e achava mais fácil conversar. Os investigadores e cidadãos da comunidade tinham uma ideia ou imagem preconcebida de como seria Jack o Estripador, e por causa da crença de que ele pareceria estranho ou macabro na aparência, foi esquecido ou eliminado como um suspeito em potencial.

?Voz C

Ao longo do texto, John diz que provavelmente as cartas não foram enviadas pelo verdadeiro Jack o Estripador. Ele acredita que alguém como Jack sabia que receberia a atenção do mundo todo, mas como sua motivação para os crimes vem de alguém cuja personalidade é de um criminoso desorganizado, ele jamais enviaria uma carta às autoridades devido à sua falta de habilidades sociais. Sobre a idade de Jack, John acredita que ele tinha de 20 a 35 anos.

Principalmente porque ele acredita que o criminoso era jovem o bastante para conseguir a atenção das mulheres mais velhas e levá-las para o local de suas mortes ao ar livre. Junto a isso, ele provavelmente se vestia como um jovem rico para que não precisasse se comunicar mais que o necessário com as vítimas. E dentro dessas características, o perfil de Aaron Kosminski vem chamando a atenção de vários estudiosos. Na época dos assassinatos em Whitechapel, Aaron era um imigrante de 23 anos que havia chegado em Londres na década de 1880.

Um dos investigadores que participou da caçada registrou um relatório chamado Kosminski e nele foi escrito que ele pertencia à classe baixa judaica de Londres e vivia em Whitechapel. Curiosamente, a sua profissão era registrada como barbeiro. Segundo as fontes, ele era um homem misógino e com problemas psicológicos Notas antigas das investigações que sobreviveram ao tempo e hoje estão no Museu de Crimes da Polícia Metropolitana de Londres descrevem Aaron da seguinte forma: tinha um grande ódio de mulheres, com fortes tendências homicidas.

Aaron viria a morrer aos 53 anos dentro de um dos vários manicômios pelos quais passou no decorrer de sua história. Em vida, ele havia sido um homem desajustado sexualmente e que não seria um desafio para a polícia. Suas vítimas teriam sido as profissionais do sexo porque elas foram as únicas mulheres com o qual teve contato. John acredita que provavelmente a polícia tenha interrogado Jack durante as investigações, fato que ocorreu com Aaron Kosminski.

É interessante como John explica que para um criminoso causar uma carnificina como a de Jack, não é preciso ter conhecimento médico ou cirúrgico. A prova disso é a existência de outros assassinos em série como Jeffrey Dahmer, Ed Gein e Ed Kemper. Isso nos leva aos tempos atuais, quando o pesquisador Russell Edwards analisou um xale atribuído à vítima Catherine Eddowes. Segundo Russell, vestígios encontrados na peça teriam ligado Catherine ao objeto e, ao mesmo tempo, conectado o material biológico ao suspeito Aaron Kosminski.

Essa hipótese fez Kosminski voltar ao centro das discussões sobre a identidade de Jack o Estripador. A força dessa tese aumentou quando familiares de Catherine Eddowes passaram a defender a abertura de um novo inquérito, tentando fazer com que Kosminski fosse reconhecido oficialmente como o assassino. Mas existe um problema: o chale continua cercado por dúvidas sobre sua procedência, conservação e cadeia de custódia. Além disso, o estudo científico associado a essa peça recebeu uma manifestação formal de preocupação em 2024.

O que enfraqueceu a ideia de que essa prova encerraria o caso. Então, o mais seguro a se afirmar é que Aaron Kosminski continua sendo apenas um dos suspeitos mais fortes. Ao fim, na época, os atos de Jack o Estripador levantaram vários debates sociais sobre a condição de vida dos moradores de Whitechapel. Vários lugares foram demolidos e reformados, museus foram criados e carregam documentos e informações sobre os acontecimentos de 1888.

Jack se tornou o pesadelo nas histórias contadas para crianças e por muito tempo foi relatado como uma manifestação social do indivíduo de classe alta contra as classes baixas. As teorias sobre sua identidade continuam até hoje, mas é possível perceber que embora um dia possamos conhecer a verdadeira face de Jack, talvez isso não seja recebido com tanta grandeza. Se na época ele tivesse sido capturado e sua identidade revelada, seu caso seria só mais um como o de vários outros assassinos na história.

O que faz de Jack o Estripador o criminoso mais famoso de todos os tempos é especificamente o fato de ele nunca ter sido descoberto.

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