74ª Ed - ECA Digital, mercado ilegal de canetas emagrecedoras em Bauru e entrevista com líder do GEA da Unesp de Bauru
O NJ Notícias tem sua essência baseada no rádio jornal, agora com notas, duas reportagens e uma entrevista.
Neste episódio, vamos falar sobre o ECA Digital e a operação policial contra o mercado ilegal de canetas emagracedoras em Bauru. Também conversamos como Professor Doutor Carlos Henrique Sabino Caldas, líder do Grupo de Estudos Audiovisuais da Unesp em Bauru.
O podcast foi produzido por estudantes da Unesp de Bauru e esta edição conta com diversas fontes que contribuíram para o enriquecimento das reportagens e da experiência do ouvinte.
Pautas, Reportagens e Locução por Analice Cruz, Beatriz Soares, Lucas Mello, Mariana Bezerra e Rafael Prudente
Notas por Analice Cruz e Lucas Mello
Entrevista por Rafael Prudente
Edição de som por João Pedro Coelho e Yohana Soriano
Roteiro geral por Luísa Machado
Produção por Luísa Machado
Edição Geral por Ana Helena Masson
Apresentação por Luísa Machado
Luísa Machado
Beatriz Soares
Carlos Henrique Sabino Caldas
Lucas Mello
Mariana Bezerra
Rafael Prudente
- ECA Digitalproteção de crianças e adolescentes · verificação de idade · controle parental · proibição de publicidade direcionada
- mercado ilegal de canetas emagrecedorascontrabando de medicamentos · efeitos negativos das canetas · risco à saúde pública
- entrevista com Carlos Henrique Sabino CaldasGrupo de Estudos Audiovisuais · importância do audiovisual
Pulve Podcasts.
Olá, ouvinte do NJ Notícias. Começa agora mais uma edição do Rádio Jornal da Ruvie Podcasts, que te atualiza sobre as principais notícias da Unesp e de Bauru. Neste episódio, vamos falar sobre o ECA Digital e a Operação Policial contra o Mercado Ilegal de Canetas Emagrecedoras em Bauru. Você também vai ouvir uma entrevista com o professor doutor Carlos Henrique Sabino Caldas, líder do grupo de estúdios audiovisuais da Unesp em Bauru. Eu sou Luísa Machado e está começando mais uma edição do NJ Notícias.
Neste primeiro bloco, vamos falar sobre as últimas notícias e os próximos eventos que vão acontecer em Bauru. Os repórteres Annalise Cruz e Lucas Melo nos contam um pouco mais sobre as novidades da cidade. O que tem de novo por aí, Annalise e Lucas?
Oi, Luísa. Nos dias 9, 10, 11 e 12 de abril, aconteceu em Bauru a primeira edição do Festival Hip Hop Cria, que reuniu shows, batalhas de breaking, grafite, sarau e atividades formativas, com programação 100% gratuita e voltada ao público infanto-juvenil da cidade. O evento mobilizou cerca de 20 artistas locais e contemplou os cinco elementos do movimento.
o rap, grafite, DJ, breaking e conhecimento. A ideia surgiu a partir de um projeto idealizado pelo Instituto Formando Mentes Coletivas, que atua desde 2021 buscando utilizar o hip-hop como ferramenta de educação e formação com foco na juventude negra e periférica. O festival movimentou a cidade por quatro dias, ampliando conexões e fortalecendo a produção artística da cidade.
Na última segunda-feira, 13 de abril, se iniciaram as obras de desastoreamento e limpeza da lagoa de captação do rio Batalha. A notícia é aguardada há anos por muitos bauruenses. Cerca de 100 mil moradores, ou 27% da população, dependem do rio para o abastecimento de suas casas. A obra, que deve demorar sete meses para ser finalizada, vai retirar a terra e os sedimentos do fundo da lagoa para aumentar a capacidade de armazenamento do rio.
Segundo o presidente do DAE, João Carlos Viegas, o volume vai aumentar de 136 mil litros para cerca de 320 mil, o que deve aliviar o racionamento de água nos períodos de seca e ajudar no enfrentamento da crise hídrica, que é um problema histórico na cidade. Para mais informações, é possível acessar o site da Prefeitura de Bauru, bauru.sp.gov.br.
Na manhã do dia 14 de abril, uma terça-feira, motoristas e entregadores de aplicativo foram às ruas em protesto contra o projeto de lei dos aplicativos, uma lei que prevê a regulamentação dos serviços no Brasil. A manifestação, organizada por trabalhadores de plataformas como Uber, 99 e iFood, se iniciou na Praça do Avião, localizada na Vila Aviação, e terminou na Câmara Municipal de Bauru, onde foi entregue um ofício, os colocando em oposição ao PLP 152-2025.
por entenderem que o projeto não atende suas necessidades. A prefeita Suellen Rosin, por sua vez, legitimou o protesto e declarou apoio à reivindicação. A mobilização bauruense acompanhou o movimento nacional de manifestações contra o projeto de lei em questão.
No feriado de 1º de maio, o Sesc Bauru vai promover o show da banda Samba Prime. O grupo bauruense, formado em 2024, apresenta um repertório de grandes clássicos do samba e do pagode, passando por sambas de raiz, partido alto e releituras contemporâneas, valorizando a história, a ancestralidade e a força cultural do gênero. A apresentação está programada para começar às 16h30 na Praça de Entrada do Sesc.
A entrada é gratuita, sem necessidade de agendamento prévio. Para mais informações, acompanhe a banda nas redes sociais, arroba Samba Prime Bauru. Voltamos com você, Luísa!
Obrigada, pessoal. Agora, o assunto é o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA Digital. Em vigor desde 17 de março deste ano, a lei impõe regras às plataformas digitais para que elas sejam responsáveis por proteger os usuários menores de idade. Alguma das normas são verificação de idade, proibição de publicidade direcionada e banimentos de caixas de recompensa. A repórter Beatriz Soares nos conta mais sobre as atualizações que a lei traz e a necessidade de responsabilização legal das plataformas.
Oi, Luísa e ouvintes do NJ Notícias. Adultização. Impossível você não ter ouvido essa palavra em 2025. O termo se popularizou com um vídeo feito pelo influenciador Felca, explicando como funciona a exploração das imagens de crianças e adolescentes nascidos. Segundo os dados do SaferNet Brasil, ONG que atua na promoção de direitos humanos e segurança na internet, seis em cada dez denúncias de crimes cibernéticos envolvem exploração e abuso infantil. O vídeo, com mais de 52 milhões de views,
catalisou a criação do novo Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, aprovado em 17 de março. Em entrevista, o professor e pesquisador em Direito à Comunicação, Carlos José Napolitano, explica como será o novo Estatuto. É a proteção integral das crianças e adolescentes no ambiente digital. As mudanças são em direção à proteção de jovens que estão inseridos nas redes sociais. E o ECA estabelece algumas questões importantes.
como, por exemplo, a necessidade de instrumentos para checar a idade da pessoa quando ela vai ingressar em plataformas, redes sociais. A imposição da possibilidade também de ter o controle parental, ou seja, do que as crianças e adolescentes vão estar assistindo ou visualizando.
nas telas, a proibição, obviamente, por conta do FELCA, da não disponibilização de conteúdo erótico, sexual, pornográfico e tudo mais. É uma transposição das proteções existentes do ECA, tradicional, que é da década de 90, para o ambiente digital. E pensando a criança como ser um sujeito de direitos que precisa de proteção do Estado, da família, da sociedade.
O novo ECA aborda quatro pilares. Um deles é o acesso possível, que determina uma idade mínima para ser um usuário das redes. Outro deles é o enfrentamento policial, que são novas formas de investigação de quem comete os crimes. Um terceiro é o bloqueio de conteúdo impróprio pelas plataformas, que devem criar mecanismos de proibição dos conteúdos. E, por fim, o controle parental, que os pais conseguirão ter acesso e bloquear o que os filhos acessam nas redes.
Segundo o Napolitano, o Brasil tem leis que são capazes de punir crimes cibernéticos e que não haveria necessidade de um novo estatuto. Mas o ECA Digital assume outro papel. O que o ECA Digital veio fazer foi estabelecer novas proteções. E talvez seja uma lacuna que o PL 2630 deixou de cumprir.
O Projeto de Lei 2630, de 2020, também conhecido como o PL das Fake News, foi a tentativa de regular as redes sociais para combater a desinformação, aumentar a transparência do funcionamento dos algoritmos e responsabilizar as plataformas legalmente. O projeto ainda segue parado no Congresso Nacional. De acordo com o Ministério Público, em 2025, o Brasil registrou mais de 90 mil denúncias de crimes cibernéticos. Na perspectiva do professor, isso mostra que a sociedade se tornou mais atenta ao que circula nas redes. Mas o caminho ainda é longo.
associações, sociedades protetoras de crianças e adolescentes talvez pudesse ser um pouco mais efetivo nesse sentido e instrumentalizar o poder público de informações para que eles sejam que os criminosos sejam punidos o problema não é a lei o problema seja a falta de operacionalização desse ambiente digital que é complexo né
que é difícil de entender, é uma tecnologia nova e que talvez os operadores não tenham conhecimento suficiente e específico para conseguir fazer esse tipo de checagem.
De acordo com o Carlo, o controle parental é o pilar mais importante para evitar crimes cibernéticos com crianças e adolescentes. Isso porque permite que mais denúncias cheguem ao Ministério Público, possibilitando que todas as esferas, família, Estado e plataformas atuem na redução desses crimes. Para realizar denúncias de crimes cibernéticos, você pode enviar um boletim de ocorrência e que você pode enviar um boletim de ocorrência.
se possível com fotos, vídeos e prints, para o Disque 100, Polícia Federal e para a ONG SaferNet, através do site www.safernet.org.br barra denúncia. Beatriz Soares para o NJ Notícias. Obrigada, Beatriz.
As plataformas digitais se tornaram uma questão preocupante para as crianças e os adolescentes, e o Eca Digital busca dar uma resposta a esse problema, responsabilizando as big techs e vigiando o uso dos menores dentro de ambientes digitais, que podem ser altamente perigosos. Outro assunto que tem ganhado bastante repercussão é o mercado ilegal de canetas emagrecedoras. Em 8 de abril, a Polícia Civil de Bauru prendeu em flagrante e a Polícia Civil de Bauru prendeu em flagrante.
um homem que possuía anabolizantes, canetas emagrecedoras e medicamentos avaliados em cerca de R$ 1 milhão. A investigação tinha como objetivo combater o depósito e a comercialização clandestina desses produtos, que podem causar prejuízo para a saúde dos usuários. A repórter Mariana Bezerra nos conta mais sobre os efeitos negativos das canetas emagrecedoras falsificadas e as recomendações dos profissionais de saúde sobre a utilização correta desses produtos.
Oi, Luísa. Na última semana, a Polícia Civil de Bauru realizou uma apreensão milionária de canetas emagrecedoras e anabolizantes. Os medicamentos contrabandeados foram encontrados em uma residência usada como ponto de venda. Segundo a polícia, a compra e a divulgação aconteciam.
principalmente através das redes sociais. A investigação ainda está em andamento e aponta que o local pode ter funcionado para além da venda dos produtos, como para aplicação das doses nos clientes. De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais, os itens apreendidos entraram no Brasil através de rotas de contrabando vindas do Paraguai. No momento da ação, nenhum documento foi apresentado e um homem de 46 anos foi preso e poderá responder por crime contra a saúde pública.
Ele vai ser autuado pelo crime do artigo 273 do Código Penal, crime contra a saúde pública, que vale destacar, hoje em dia, proliferando bastante a incidência desses crimes, é um crime com uma pena mínima gravíssima, que parte de 10 anos. Mais do que o tráfico. Exatamente. Então, é de se pensar, porque a gente não sabe como esse produto chega, de qual forma, se realmente as propriedades desses produtos, ele está apto para o consumo ou não.
Operações como a realizada em Bauru vêm se tornando cada vez mais frequentes no país. Há, inclusive, ações de grande porte da Polícia Federal em andamento, o que evidencia um novo problema relacionado ao contrabando de substâncias. Essas investigações, em âmbito nacional, também apontam para o uso de rotas de comércio ilegal do Paraguai, as mesmas usadas para o tráfico de drogas.
Em 2025, o Conselho Regional de Farmácia registrou um aumento de 88% no uso das chamadas canetas emagrecedoras. Esses medicamentos injetáveis são indicados para o tratamento de diabetes e obesidade. Elas atuam de forma semelhante ao hormônio GLP-1 e provocam efeito de saciedade, controle do apetite e perda de peso. Com a popularização desses produtos, o comércio ilegal também cresceu, para atender à demanda dos novos consumidores.
Os princípios ativos desses medicamentos são a tirzepartida, utilizada no Ozempic e o Igovi, e a semaglutida, utilizada no Monjaro. Esses compostos são autorizados pela Anvisa e são comercializados regularmente em farmácias brasileiras, desde que haja prescrição médica e retenção da receita na farmácia. Nesse sentido, a problemática do contrabando vai além do comércio ilegal, como acontece com as drogas ilícitas.
mas despertam preocupação em relação ao conteúdo e ao armazenamento impróprio, por exemplo, como explica a doutora Eleonora Brotura, médica endocrinologista. Então, às vezes a pessoa, ela acha o produto, ele tem um valor elevado, né? Então, ela acaba procurando esses outros meios para poder se tratar. Primeiro, o risco do próprio medicamento, e ele não, a gente não sabe a procedência, então ele tem risco de...
não ter a dosagem correta, ele tem risco de contaminação, tanto por outros medicamentos quanto até por patógenos, como, por exemplo, o vírus está contaminado. A higiene, a vigilância sanitária não tem a fiscalização necessária da vigilância sanitária, então o paciente está sujeito aos riscos do próprio medicamento, riscos de medicação errada, dose errada, riscos até sanitários.
Outro aspecto crucial da operação policial realizada em Bauru é a identificação de uma terceira substância, a retatrutida, nos itens apreendidos. Esse medicamento ainda está em fase experimental e não foi aprovado nem pela Anvisa, nem pela FDA, a Agência Federal dos Estados Unidos, que costuma ser uma das primeiras instituições.
a que as indústrias farmacêuticas submetem os novos produtos. Os estudos deles estão já bem avançados, mas eles ainda não foram finalizados, está em fase 3. Só que esse comércio paralelo do contrabando...
Essas farmácias de manipulação já estão fabricando essa medicação que nem foi aprovada ainda e já estão vendendo. Só que se a gente for pensar no uso populacional, imagina os riscos, né? Sendo que ainda os estudos não terminaram. Então, as coisas têm que ser feitas de maneira correta, né? Senão a gente põe a população em risco.
O tratamento com as canetas emagrecedoras é delicado e requer análise de exames, do histórico de doenças e dos hábitos de vida do paciente, além do planejamento individualizado da dosagem e do tempo de uso para que os resultados sejam alcançados e mantidos a longo prazo.
E sem o acompanhamento médico, o paciente, ele às vezes pode usar uma dose errada. Fora que a gente sabe que o tratamento da obesidade, ele é muito complexo. É muito difícil tratar a obesidade e tem um alto índice de recorrência, né? A pessoa perde peso e depois ela recupera.
Então, o tratamento sem o acompanhamento médico durante e depois, existe um alto risco de recorrência da pessoa. Às vezes, perde um pouco de peso inicial e depois ou ela não consegue manter ou ela recupera. Outro aspecto importante da conduta profissional...
é a contenção dos possíveis efeitos colaterais causados por essas substâncias. Quando o indivíduo recorre ao medicamento contrabandeado, ele pode sofrer com diversos sintomas que podem afetar a sua qualidade de vida. Além disso, existem algumas contraindicações para o uso das canetas, o que deve ser avaliado por um profissional. Segundo a doutora Eleonora, é justamente o atendimento personalizado e o contato constante com o paciente que permitem a análise dos riscos e benefícios do tratamento.
Então, essas medicações podem causar enjoo, náusea, a pessoa se sente mais empachada, como se ela tivesse comido muito, porque ele retarda o esvaziamento do estômago, então ela fica meio cheia, mas ela pode ter esses efeitos colaterais, às vezes constipação ou até diarreia, aí depende do caso.
Mas os efeitos, eles são manejáveis, então a gente maneja titulando a dose, então às vezes a gente diminui a dose, se precisar a gente aumenta, então a gente vai titulando para a pessoa tolerar o medicamento. Às vezes trata com medicação, então se está tendo enjoo, a gente orienta um melhor horário para aplicar, evitar, por exemplo, comidas muito gordurosas, que pode piorar o enjoo, piora o esvaziamento do estômago.
É, então é importante para começar um tratamento novo, a gente fazer uma avaliação inicial, ver se a pessoa não tem nenhuma contraindicação, que às vezes ela tem uma contraindicação, por exemplo, uma doença hepática aguda que ela não sabe, a gente vai ver nos exames, ou uma doença renal aguda, ou um câncer medular de tireoide, que é raro, mas é uma das contraindicações, então às vezes a pessoa pode usar e ela não saber.
que ela naquele momento não poderia. E às vezes eu já vi gente usar dose errada, porque foi orientado pela amiga, pela vizinha, e acabou usando dose errada, ou dose alta, aí passou mal, aí não sabia como titular, acabou suspendendo, então meio que queima a medicação. A médica ressalta que há casos de pessoas que usaram esse tipo de medicamento adquiridos no mercado ilegal,
e que foram hospitalizadas devido à desidratação e até mesmo à lesão renal. É importante ressaltar que, nesses casos, os produtos estavam adulterados e não se tratavam dos originais. No entanto, quando a aquisição é feita fora das normas, o indivíduo fica vulnerável a situações como essa. Quanto ao alto custo do tratamento, a doutora explica que é possível manejar as doses e o intervalo entre as aplicações para reduzir os gastos. Ela reforça que, ainda assim,
é necessário um investimento significativo e que os medicamentos ainda não estão disponíveis no SUS, o que pode vir a acontecer em algum momento, especialmente para os grupos que possuem maior indicação. De qualquer forma, os profissionais da saúde indicam que as pessoas recorram sempre à ajuda médica antes de iniciar qualquer tratamento. Mariana Bezerra, para o NJ Notícias.
Obrigada pelas informações, Mariana. Entre os dias 14 e 16 de abril, a Unesp em Bauru recebeu o nono seminário do Grupo de Estúdios Audiovisuais, o GEIA. A reunião uniu pessoas interessadas em contribuir com o debate sobre as disputas de sentido no meio audiovisual. O repórter Rafael Prudente conversou com o professor doutor Carlos Henrique Sabino Caldas, recém-postado líder do GEIA e professor de comunicação pelo Departamento de Audiovisual e Relações Públicas. Oi, Rafael!
Oi, Luísa e ouvintes. Para falar sobre a importância do audiovisual na sociedade brasileira, a Unesp em Bauru cedia o Grupo de Estudos Audiovisuais, que agrega pesquisadores que investigam a linguagem, a estética e os modos de produção audiovisual. Os projetos estão voltados à análise do processo de migração da plataforma analógica para a digital e suas implicações na forma de produção e circulação de conteúdos. A ênfase das pesquisas recai sobre a convergência entre radiodifusão, telecomunicação e informática.
Os conceitos abordados são as percepções sobre a interação e interatividade, a enunciação e a recuperação de conteúdos audiovisuais e interativos. A primeira pergunta que eu queria fazer, para contextualizar, é o que é o GEA, o que é esse grupo de estudos? Legal. O GEA é um grupo de pesquisa que foca especificamente, desde a sua essência, em observar essas manifestações audiovisuais, tanto num espaço que ele é aquele chamado broadcast das mídias de massa, daquilo que a gente estuda em teorias da comunicação,
mas também essa migração que aconteceu ali no final do século XX, século XXI da digitalização, dessa migração digital, em novos suportes, em novas mídias, em novas tecnologias. Por que a gente fala isso? Porque a gente migra do universo analógico para o digital, só que o analógico não acaba. A gente tem um ambiente de convergência, o áudio mesmo.
Se a gente for utilizar alguns caminhos tanto de pré-produção, produção, pós-produção e circulação, multimeios, a gente tem esse espaço de novas possibilidades de produtos midiáticos, audiovisuais, audiovisuais interativos.
sonoros, sonoros e interativos, os games, então tem todo um ecossistema mediático que o GEA observa como um grupo de pesquisa na área de estudos audiovisuais. Então o que é o audiovisual hoje? A nossa vida é inundada de imagens, imagens de movimento.
imagens no digital, no código 01, e essa circulação, a produção de sentido, a produção em si do conteúdo é uma das preocupações do grupo, que aí a gente recebe orientando de iniciação científica, de mestrado, de doutorado, pós-docs.
E nós desenvolvemos pesquisas e estudos nessa área, principalmente na área de discurso, linguagem e das manifestações audiovisuais e hipermediáticas. É mais ou menos isso. A gente fica preocupado nessas novas constituições da linguagem audiovisual.
fazendo atualmente? Qual é a pesquisa atual do grupo? O grupo, por ser o coletivo, igual eu falei, a gente tem alunos de IC, alunos de mestrado, doutorado, pós-doc, assim por diante, pós-doc é na área de supervisão, e os próprios pesquisadores. Hoje ele é composto pela professora Ana Silva Médula, pelo professor Bruno Jareta, pelo professor Henrique Silva, que é um egresso nosso da casa, que fez graduação, mestrado, doutorado, e ele está no CEUSP, em Itu.
E eu, eu tenho participado do GEA, depois que eu terminei o doutorado, eu mudei o meu status de estudante para pesquisador, porque a gente vai desenvolvendo as pesquisas. Nessa configuração dos pesquisadores, nós temos os orientandos.
E cada orientando tem uma pesquisa. A gente tem uma linha de pesquisa que é mais os estudos semióticos do audiovisual, da enunciação e do discurso. A gente tem ali, por exemplo, a própria professora Ana Silvia, quem trabalha com cinema, linguagem audiovisual em multiplataforma.
Nós temos o desenvolvimento de pesquisas, principalmente pelo Henrique, eu tenho feito também, o Bruno na área de inteligência artificial, essas novas constituições da linguagem audiovisual. Eu, especialmente, trabalho com as práticas interacionais, consumo, circulação, com metodologias digitais quantitativas e qualitativas, para a gente entender esse universo dos consumidores, dos interatores. Nós temos outros orientantes que trabalham com influenciadores digitais.
a linguagem do audiovisual, que é uma das pesquisas do Pedro. Então, a gente tem várias frentes, e dentro dessas frentes, o que acaba movendo?
a enunciação do audiovisual nessas novas tecnologias. Isso é meio que um norte que todas as pesquisas falam. Ou pensando na circulação, ou pensando na interação, ou pensando na constituição do formante do audiovisual. Como que esse audiovisual é atualizado nessas novas plataformas. Então, esses quatro pesquisadores e seus orientandos seguem mais ou menos essa trajetória de pesquisa.
Certo. E durante esses três últimos dias, que foram nos seminários, foi uma discussão sobre a dinâmica de influência que o audiovisual tem sobre a sociedade atualmente. Que foi o que quarta-feira, terça-feira? Terça-feira com o Paulo. Terça-feira teve com o Paulo a conversa, a discussão.
E eu fiquei interessado para saber a sua opinião, porque você falou que faz parte um pouco da sua dinâmica de pesquisa, de como as coisas são divulgadas, como que o audiovisual hoje tem essa importância nas redes sociais? Como você acredita que isso impacta nas redes sociais? Muito boa pergunta, porque é interessante que, com o advento de tecnologias, você tem um tipo de volumetria, um número de escala muito grande de produção de conteúdo.
Que seja um texto verbal escrito no WhatsApp, seja um GIF, um meme. E o audiovisual ganha um protagonismo muito grande, principalmente com o barateamento de equipamentos e dessas novas tecnologias digitais. Que eu poderia contar falando no áudio, na construção sonora, mas o audiovisual ele meio que extrapola. Extrapola nas telas, extrapola nos relógios digitais, nas telas, nas ruas. Então a gente tem outros suportes.
que de uma forma muito intensa, gigante, se a gente for pensar ali de dados, de quantidade de dados, de uma mudança no comportamento de produção e de consumo desses audiovisuais.
Hoje alguns pesquisadores falam que é como se fosse uma síndrome da dopamina, a cada três segundos eu tenho que empurrar com o dedo ali um próximo conteúdo audiovisual para gerar alguma coisa, alguma felicidade, alguma coisa que eu acho engraçada, então a cada três segundos você está dando risada.
E o algoritmo vai editando essa construção e circulação em plataformas como o TikTok, o próprio Instagram. O Brasil é um fenômeno muito grande do Instagram. E o Paulo, quando ele traz a questão principalmente da criação dessas imagens e a relação com a política, com essa disputa de sentidos que a gente falava ali no título do nosso seminário, é para demonstrar...
como é necessário uma alfabetização audiovisual. Aquilo é IA, não deixa de ser IA, é mais do que isso. Todo discurso tem um propósito, ele tem uma construção de sentido e há disputa.
O jeito que eu estou defendendo o GEA aqui já é uma estratégia. Então, o próprio discurso que eu estou construindo aqui, nas perguntas que você está fazendo, eu já estou fazendo como se fosse uma estratégia iniciativa para não defender, mas publicizar o que aconteceu no GEA e o que a gente tem feito na universidade. Então, o discurso é um interesse muito grande.
E o Paulo, quando ele traz e consegue, de uma maneira muito eloquente, utilizar a semiótica para mostrar a operacionalidade da gente fazer a leitura do mundo, que seja o mundo virtual, o mundo real, o mundo natural, o que é o real, tem todas essas discussões que são filosóficas, semânticas, é um instrumental.
É um arcabouço para a gente conseguir ler o mundo e conseguir essa alfabetização. Porque o que a gente percebe hoje é que as pessoas não escrevem. Elas escrevem em muito, mas em outras características, seja audiovisualmente, o texto verbal escrito ou o texto verbal falado, e assim por diante nessas instâncias. Então, essa discussão que o Paulo traz das isotopias, que a gente tem os símbolos.
no caso, o estudo que ele está fazendo com o prefeito de Nova York, o Trump e o Matt Bunning.
É bem interessante para a gente conseguir observar essas disputas de discurso nas mídias. Que o audiovisual é protagonista tanto na produção, circulação e consumo desse ambiente, desse novo ecossistema que a gente tem. Sim. Aí, para finalizar, aqui na universidade a gente tem muito contato com muitos grupos de pesquisa, mas não são todos os graduandos que se interessam por esse tipo de grupo, porque são normalmente um.
Grupos muito inchados ali, que buscam o desenvolvimento de uma pesquisa mais afortunada. Eu queria que você falasse agora, como o novo líder do GER, qual é a importância desses grupos de estudos dentro da universidade. Eu retomo aqui a fala do Nelson no início do nosso seminário, na terça, dessa defesa dos grupos de pesquisa, de grupos de estudo. Os grupos, eles são um celeiro de formação e de...
Desenvolvimento, eu nem falo de nicho, mas de segmentos mesmo. Cada um tem um interesse, porém esses interesses se tornam coletivos quando o outro se encontra e discutem aquilo, aprofundam. O grupo de pesquisa é muito importante durante a graduação, principalmente, para a gente ter essa relação de um professor que está lá há 20 anos estudando um objeto, ou como é construído aquele objeto, problematizando.
com aquele aluno da graduação que chega, com um repertório diferente do professor. Então, é na diferença que a gente constrói sentido. Não é que eu domino todo o arcabouço teórico e o aluno vai aprender comigo e vai ser meu discípulo. Não é isso. A ciência é no contraditório, é no questionamento, é naquele repertório de uma outra realidade de vida, de escola, que não foi a minha, que não foi de outros professores que vieram antes de mim.
Então, o grupo de pesquisa é um encontro muito interessante. Ele tem essa construção homogênea, sim, mas ele é muito telegêneo. Esses encontros fazem a ciência crescer, principalmente na área de ciências humanas, sociais, sociais aplicadas. E, no caso do GEA, a gente tem um escopo, são as linhas de pesquisa. Uma das linhas de pesquisa que a gente tem é na área de produção de sentido, na área de linguagem, que pode trazer estudos, por exemplo, semióticos, sócio-semióticos.
E também na área das tecnologias digitais. Nós temos, por exemplo, o professor Bruno, que ele é credenciado no programa de mídia e tecnologia. Ele desenvolve essas tecnologias, esses estudos na área de tecnologia, no audiovisual, e agregados a isso, que pode ser hipertextos, jogos digitais e outros universos. O grupo de pesquisa é muito importante porque o estudante traz na mesa do grupo objetos que muitas vezes eu não teria acesso.
Por quê? Eu não jogo, eu muitas vezes, eu gosto de jogar, mas é de uma outra geração. O conteúdo que ele assiste às vezes não é o conteúdo que eu assisto. Muitas vezes ele está falando que aquilo é inovador, mas aquilo já foi feito no cinema no início do século XX. Aí você meio que ressignifica, aí você vê o repertório. Essas trocas são fantásticas e é aí que a gente constrói ciência. É na diferença que a gente constrói...
o problema de pesquisa, esse problema de pesquisa vai ser a nossa meta de tentar responder, criar hipótese, fazer a pesquisa, e aí é uma escala de aprendizado, que vai ajudar ali no TCC, o aluno que sai às vezes mais preparado já vai fazer o mestrado, já está inserido no mercado, mas continua também na academia, aí a academia ela abre, ela não fica muitas vezes inchada só aqui dentro, então a gente consegue até por projetos de extensão, então o grupo ele é interessante para a gente...
pensar a ciência de uma outra maneira. A gente está na sala de aula, a gente tem vários alunos ali, muitas vezes não dá tempo para a gente questionar, porque a gente tem o horário estabelecido, tem o plano de ensino. Acontece ali, mas o grupo é aquele a mais. Eu paro, fico horas ali conversando, as leituras. Então, assim, eu sou um defensor de uma pesquisa porque eu não tive isso no meu grupo, na minha época de graduação.
Mas quando eu entrei na especialização, eu já entrei no grupo de pesquisa. Então, toda sexta-feira à tarde, a gente tinha os textos. Ah, vamos ler Deleuze hoje, vamos ler hoje Gatari. Então, eram autores que eu falei assim, gente, de onde que é isso? Que visão de mundo que eles têm? E o professor, junto com seus outros orientandos, vão...
construindo sentido dentro desse universo formativo, mas também de exploração. A gente aprende muitas coisas. Perfeito. Muito obrigado, professor Carlos, por esse tempo que você dedicou aqui. É muito importante a gente falar sobre isso. E eu espero que a gente possa ter essa conversa mais vezes em próximas mações. Maravilha. Conte comigo, conte com o Géa. O Géa, agora eu estou na coordenação, junto com o professor Henrique.
Mas é um grupo que o Bruno está, a Ana Silva está, outros professores e outros docentes, discentes, e que a gente possa construir e fazer ciência aqui no Unesp, inclusiva, de qualidade. E eu fico muito feliz com o espaço que você deu para a gente aqui para divulgar a ciência unespiana aqui no Unesp mesmo. Obrigado. Obrigado, Rafael. Rafael Prudente, de volta para o NJ Notícias.
Obrigada, Rafael. Essa foi a edição 74 do NJ, o rádio jornal da RUV, que produz podcasts quinzenais sobre a Unesp e a cidade de Bauru. Compartilhe nosso podcast com seus amigos e não deixe de conferir as edições anteriores. O NJ Notícias fica por aqui. Acompanhe o programa no Spotify e nas redes sociais da RUV, arroba RUV Podcasts, para não perder os próximos episódios. Até mais!
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Esse é um programa do Núcleo de Jornalismo da Rubio Podcasts. Pautas, reportagens e locução por Annalise Cruz, Beatriz Soares, Lucas Melo, Mariana Bezerra e Rafael Prudente. Notas por Annalise Cruz e Lucas Melo. Entrevista por Rafael Prudente. Edição de som por João Pedro Coelho e Johanna Soriano. Edição geral por Ana Helena Masson. Roteiro geral, produção e apresentação por mim, Luísa Machado.