Episódios de Market Makers

#387 | DE ARQUIVISTA A BILHÕES SOB CUSTÓDIA: A HISTÓRIA DE RAUL SENA

16 de julho de 20261h41min
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Raul Sena, o Investidor Sardinha, revela o plano por trás da AUVP: construir um banco diferente das instituições financeiras tradicionais — e transformar os próprios clientes em sócios do negócio.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão conversa com Raul Sena sobre sua trajetória, desde o primeiro emprego como arquivista em um jornal de Goiânia até a criação de uma das maiores comunidades de investidores do Brasil.Raul explica por que acredita que o mercado financeiro sobrevive da assimetria de informação, como a transparência ajudou a AUVP a crescer e por que considera que bancos e instituições financeiras deixaram de cumprir uma de suas principais funções: financiar empresas, indústrias e projetos capazes de desenvolver o país.Ao longo da conversa, você vai entender:• Como surgiu o nome Investidor Sardinha• Como Raul Sena construiu sua audiência no YouTube• A transformação da escola AUVP em consultoria de investimentos• A relação da AUVP com o BTG Pactual• Como os clientes participam da criação dos produtos• A estratégia por trás dos ETFs AUVP11, AREA11, ALPO11 e BTC11• Por que Raul critica o Ibovespa• O plano para criar um banco controlado por clientes e funcionários• A cultura empresarial da AUVP• Por que dezenas de funcionários tatuaram o símbolo da empresa• A visão de Raul sobre indústria, venture capital e o futuro do Brasil• O que mudou na vida do Raul pobre para o Raul ricoRaul também explica por que acredita que o Brasil pode enfrentar um grave processo de empobrecimento caso não volte a financiar indústria, inovação, tecnologia e novos empreendedores.Qual deveria ser o verdadeiro papel de um banco na sociedade? Escreva sua opinião nos comentários.FALE COM UM CONSULTOR DA iPLACE: https://hovqr.me/80d97140Abra sua conta na Binance: https://binance.onelink.me/y874/MMAkers📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -Investidor Sardinha | Market Makers #387Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market Makers)Convidado: Investidor Sardinha (Raul Sena)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação: Renan Moncoski#INVESTIDORSARDINHA #BRASIL #BOLSADEVALORES #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio2
T

Thiago Salomão

HostJornalista
R

Raul Sena

ConvidadoInvestidor
Assuntos8
  • Desindustrialização do BrasilImportância histórica de projetos financiados · Perda de indústria nacional · Fuga de cérebros · Necessidade de venture capital · Empreendedorismo brasileiro
  • Filosofia de PlataoEscola de investimentos · Consultoria de investimentos · Banco controlado por clientes · Transparência e comunidade · Participação dos clientes no desenvolvimento de produtos
  • Repensar objetivos e visão de futuroTransformação da UVP em banco · Ser substituído por alguém melhor · Legado de impacto social · Patrocínio ao Vila Nova Futebol Clube
  • ETFs da UVPAUVP11 (ações) · AREA11 (renda fixa - NTN-B mensal) · ALPO11 (liquidez/renda fixa) · BTC11 (Bitcoin e Tesouro Brasileiro) · Metodologia dos ETFs
  • Relação Brasil-EUA e EleiçõesQualidade do capital humano · Desinteresse da nova geração pela política · Polarização política · Necessidade de debate de ideias · Papel do mercado financeiro
  • Mercado FinanceiroAssimetria de informação · Crítica a bancos tradicionais · Financiamento de projetos · Taxa de juros brasileira
  • Cláudia Raia e sua trajetóriaInício como arquivista · Trabalho em jornal · Experiência em publicidade · Mídia programática · Criação do canal Investidor Sardinha
  • Ping Pong com convidadosLivro técnico: Ações Comuns, Lucros Extraordinários · Livro pessoal: Dom Quixote · Música: O Mundo é um Moinho (Cartola) · Maior gentileza: Crítica do pai sobre não ser gênio · Prato favorito: Carne de panela
Transcrição264 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RSRaul Sena

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TSThiago Salomão

Você realmente fez um marketing de... Tem isso, tá aí.

RSRaul Sena

Dezessete mil pessoas abriram conta.

TSThiago Salomão

Ele não é o tipo de convidado que a gente costuma ver aqui.

RSRaul Sena

Meu pai me disse que eu não era um gênio.

TSThiago Salomão

Quando ele disse isso?

RSRaul Sena

Todos os dias da minha vida até eu fazer uns 16 anos e meio.

TSThiago Salomão

Um tubarão conversando com uma sardinha.

RSRaul Sena

Eu me segurava em frente ao espelho e pedia pra eu falar que eu não era um gênio.

TSThiago Salomão

O que você atribui o sucesso?

RSRaul Sena

A gente tenta sobreviver no mercado financeiro tradicional de uma assimetria de informação. É algo assim: eu sei, você não sabe, então você me paga, né? A UVP partiu de uma lógica diferente. E exatamente porque a gente explica tudo, você descobre que a gente é a melhor alternativa. Se você montar um restaurante e começar a servir o que você quer, e não o que as pessoas querem comer, vai falir. Com banco não quebra. É um país extremamente empreendedor, com a população gigantesca. Não tem como dar errado, não tem como dar errado.

TSThiago Salomão

Como muitas pessoas próximas a ele me disseram, o cara é extremamente fora de série.

RSRaul Sena

Quando a pessoa tá comprada no objetivo que a gente tem, pode começar qualquer um, pode pegar qualquer um. A faxineira é sócia da UVP, né? Então vai ser o primeiro banco talvez que a faxineira recebeu o equity, porque ela é muito importante para a empresa.

TSThiago Salomão

Você já pensou em legado?

RSRaul Sena

O que que o Raul daqui 10 anos vai estar Cara, eu, o legado que eu queria era ser demitido da UVP. Eu gostaria muito de ser substituído por alguém melhor.

TSThiago Salomão

Mas aí você vai fazer o quê?

RSRaul Sena

Ficar feliz, né? Quando você tem um trabalho que você considera que ele é importante, a melhor realização possível é ele tá na mão de alguém que é melhor que você, né? Quero achar um cara, por exemplo, para você, quando você for abrir, vai aparecer um anúncio da Manual, porque tá com a calvície. Então eu quero achar um cara calvo.

TSThiago Salomão

Eu tenho YouTube Premium, não aparece nada para mim.

RSRaul Sena

Então, mas no Instagram vai aparecer, algum lugar vai te achar.

TSThiago Salomão

Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Makers. Seja bem-vindo ao podcast da Família Investidora Brasileira. Eu sou Thiago Salomão, CEO e fundador dessa empresa que é podcast, é newsletter, é fundo de investimentos, é comunidade de investidores, é academia de cursos, é muita coisa para você que quer se tornar uma pessoa melhor, um investidor melhor, um ser humano melhor na sociedade. Bom, papo de hoje, ó, fiz até uma apresentação legal do nosso convidado porque tava até falando para o Raul que ele não é o tipo de convidado que a gente costuma ver aqui, né?

Geralmente você vê pessoas muito mais velhas, pessoas que têm uma história longeva em algum fundo de investimento, em algum banco ou algum político. E o Raul, primeiro pela sua pouca idade, né, tem seus 30 e poucos anos, E fez recentemente 33 anos, essa semana, 33 anos nessa semana que a gente grava. Não é do eixo Rio-São Paulo, ele nasceu em Goiânia, não veio, não é oriundo do mercado financeiro, começou a trabalhar com 16 anos no jornal em Goiânia, é praticamente a vida profissional inteira no lado da publicidade, mas começou a dar seus primeiros passos no mercado financeiro ali quando criou um canal no YouTube em 2018.

Foi 2018, né, que o site em 2018, o canal em 2019. É isso. E aí ele apareceu muito mais com a AUP, que nasceu como consultoria 2 anos atrás e já é a consultoria top 1 no ranking no BTG, é um ranking tanto de tamanho quanto de qualidade. E agora ele não só tem essa consultoria top 1 como também Já tá com uma família de ETFs, vai lançar agora o seu quarto ETF, já tem aí quase R$1 bilhão espalhados nos seus ETFs. Um cara com uma, como muitas pessoas próximas a ele me disseram, o cara é extremamente fora de série.

E a gente vai descobrir aqui, falar um pouco da visão dele de Brasil. Na UVP ele tem uma missão de melhorar o Brasil, até deixar ele falar um pouco mais, e o que que precisa melhorar no Brasil. Então vamos falar de mercado também. Mas também muito sobre esse intraempreendedorismo dentro do mercado financeiro, como ele conseguiu construir algo que vocês vão ver nesse episódio extremamente único, até um pouco quase que romântico, uma ideia completamente diferente do que a gente vê dentro das empresas do mercado financeiro.

E isso tudo nasceu principalmente porque aos 19 anos de idade ele tinha um sonho ainda não realizado de ter um banco. E vai ter esse banco, né?

RSRaul Sena

Vamos ter um banco, vamos construir um banco. Maravilha. Foi uma apresentação curiosa, foi, eu descobri hoje tudo que eu não sou. Foi na, não sou de São Paulo, verdade, e não sou, eu não me considero mesmo não um cara de mercado financeiro tradicional não.

TSThiago Salomão

Não, mas quem ouviu o episódio vai realmente perceber isso, porque tradicional é algo que não se encaixa em Raul Sena. Assim, achei um, vai ser um papo bem legal, mas antes, pera, deixa eu só lembrar que não existe almoço grátis, muito menos podcast grátis. Já tá aqui na mesa e já vai estar aqui na tela também nossos amigos da Binance. Se você quer operar no mercado de criptomoedas, você pode e deve usar a corretora, a maior corretora do mundo, que é 24 horas por dia, 7 dias por semana, conectada com toda liquidez e segurança para vocês.

São mais de 300 milhões de pessoas no mundo que operam com Binance. E você pode ir lá comprar criptomoedas como Bitcoin, Ethereum, e outras mais. E pode fazer também toda movimentação através do Pix. Vai ter um QR code na tela e também vai ter um link aí na descrição para você abrir sua conta na Binance. E também temos os nossos parceiros da iPlace, uma marca que você já conhece das diversas lojas pelo Brasil, mas talvez não conhece como ela pode estar dentro da sua empresa.

Então você, dono de empresa, você tem que conhecer o iPlace Corporativo que é o serviço da iPlace que pode levar toda a tecnologia Apple para sua empresa, hardware, software e toda a segurança e produtividade que são marcas da Apple. Se você acha que sua empresa não tem tamanho ou verba para isso, posso te dizer que você tá bem enganado, porque o iPlace corporativo tem soluções bem acessíveis para pequenas e médias empresas e certamente vai se encaixar em iniciativas como a sua.

Então vai aparecer um QR code na tela aí também da iPlace, tem um link na descrição. Para você conhecer o iPlace corporativo. Tenho certeza que você vai gostar muito. Aliás, esse episódio que você está assistindo foi editado num computador da Apple, não é mesmo, Renan? O Renan tá lá para confirmar. Então valeu demais, iPlace, mais um parceiro do Market Makers. Raul, meu querido, cara, eu fico até em dúvida como começar um papo desse, mas eu Queria começar do começo.

Como é que foi o seu início aí na sua trajetória profissional? 16 anos de idade, jornal Diário da Manhã, era isso?

RSRaul Sena

Foi o Diário da Manhã. Diário da Manhã, um jornal impresso, cara, antigasso, foi um suco de massa, já foi um dos maiores jornais do país, sabia? Teve uma época que o Diário da Manhã chegou a ser o terceiro maior jornal em número de edições impressas ali do Brasil.

TSThiago Salomão

E 16 anos de idade, a gente tá falando de 16 anos atrás, então era 16, 17 anos atrás. A gente tava em 2009, 2010, por aí. E o que que um jovem, 16 anos de idade, foi fazer no Jornal Diário da Manhã?

RSRaul Sena

Cara, primeira coisa, eu preciso agradecer o convite para o Market Maker. Você falou de onde começa, vou agradecer, porque aqui nessa mesa já é muita gente que se sentou aí do mercado financeiro, pessoas que eu conheci só pela leitura. Então, primeira coisa, agradecer aí o convite de verdade e Olha, eu comecei a trabalhar mais cedo que isso e eu comecei em uma editora de livros antes disso, numa empresa chamada Índice Gestão Editorial.

Minha primeira carteira assinada foi lá, eu trabalhava como web designer. Essa profissão não existe mais. Antes do programador existia uma profissão que juntava, né, fazer página do Dreamweaver e Fireworks, que eram os programas da época. Você fazia página ali de web, né, fazia site. E eu comecei nessa época sim. Depois disso, na minha adolescência, tem dois jogos importantes aí da minha geração, né, que era o Tibia e o Ragnarok Online, que eram jogos ali de MMORPG, jogos que você jogava no computador e tal.

Se você é pai aí, você já viu seu filho viciado ali no joguinho, era isso. Mesma coisa, eu era um adolescente desses. E aí eu tive a ideia de fazer servidor privado disso aí. Obviamente deu um monte de problema, né, porque não podia. Eu não sabia que era ilegal, daí acabei descobrindo da pior forma possível. E aí minha mãe, ela perdeu toda a fé na minha capacidade de tomar boas decisões nessa época. E eu fui arrumar um emprego para deixar minha mãe feliz, cara.

Foi meio que isso assim, um emprego de carteira assinada, porque eu conseguia ganhar dinheiro pelo computador, na época que não era comum fazer isso, né? Ainda, pô, lá na época do Moip, antes ainda existiu o PagSeguro e tal, vendia coisas pela internet, conseguia fazer uma grana vendendo script, coisa de programação, participava de fórum e tal. E eu comecei a trabalhar por conta disso, distribuir meus currículos e, pô, fui trabalhar.

Eu fui distribuir currículo no jornal porque meu pai tinha trabalhado em jornal, então eu conhecia muito. Meu pai, meu tio trabalhou como diagramador, que é uma profissão muito antiga, que era organizar as páginas do jornal ali. Eu distribuí currículo e o jornal aceitou me contratar trabalhar como arquivista.

TSThiago Salomão

E, mas só, desculpa te interromper, mas por que não ser uma criança normal e só estudar? O que que te fazia querer fazer essas outras coisas? Era necessidade ou simplesmente era uma vontade?

RSRaul Sena

Na minha família, todo homem tem que trabalhar desde cedo. Sempre foi uma coisa assim, até hoje, né? Mesmo nessas gerações atuais da minha família, como minha família é meio machista assim de estrutura, a cobrança que se faz para os homens é que ganhem dinheiro, né?

TSThiago Salomão

Então, desde o começo, tipo, 14 anos de idade vai trabalhar, cara.

RSRaul Sena

Nem que você vai capinar o lote, fazer qualquer coisa, mas você tem que fazer alguma coisa. Então É uma coisa de tradição familiar mesmo assim. Meu avô, pô, foi, trabalhou em fazenda quando era moleque, né, trabalhou em fazenda de outras pessoas, meeiro antigamente. Você tinha um pedaço da fazenda que você podia pegar. Daí depois virou pedreiro quando mudou para Goiás, em virtude ali da pobreza daquela época, né, um monte de ciclo econômico zoado.

Hoje em dia eu consigo entender isso, mas veio de pau-de-arara descendo para construção de Brasília, acabou virando pedreiro e tal. Eu fui criado numa família um pouco mais simples, né, o pessoal de família mais simples ali, e acham que homem tem que trabalhar. Eu concordo um pouco. Eu sou dessa, sou partidário de que trabalho não faz mal para ninguém.

TSThiago Salomão

Mas e aí, você começou a trabalhar lá no jornal?

RSRaul Sena

Foi como arquivista. O jornal aceitou me contratar, eu saí distribuindo os currículos. E eu sou bom de contar história. No meu currículo eu escrevi que meu pai tinha trabalhado no jornal, né? E escrevi no próprio currículo e distribuí o currículo lá, fui lá entregar pessoalmente. E daí o pessoal da RH me chamou para entrevista, eu contei a história que meu tio já tinha trabalhado lá, que meu pai tinha trabalhado lá e tal, e que eu achava que era um bom lugar para começar a trabalhar.

E me convidaram para fazer a entrevista, eu passei para arquivista, que é o cargo mais baixo de jornal. Eu não sei nem como que explica isso para o jovem hoje em dia, mas antigamente existia uma pessoa que ela pegava o arquivo impresso do jornal, você escaneava aquilo, você põe no scanner, né? Antigamente existia esse equipamento, porque você não podia tirar uma foto, que a foto não tinha tanta resolução. Então você escaneava as páginas do jornal no scanner gigantesco, né, capaz de escanear um a um.

Daí você escaneia aquilo, coloca, e eu catalogava as edições do jornal e escrevia o que que tinha dentro dessas edições em um sistema. Você colocava ali no sistema, você lançava, esse dia aqui o jornal falou mais ou menos sobre isso, para caso alguém tivesse que consultar futuro, né, você conseguisse encontrar o jornal facilmente. Aí depois disso se arquivava o jornal impresso. Não sei para que que servia isso, porque tava no momento de transição para tecnologia ainda.

Então a gente ainda arquivava ele impresso, ainda arquivava ele digital. Eu fiquei um tempo fazendo isso e o jornal me promoveu a primeira vez poucos meses depois que eu fui contratado, porque eu avisei eles que não tinha nada para fazer lá, porque éramos uns 10 arquivistas. Daí eu cheguei para o meu chefe de repartição, falei, olha, a gente passa o dia inteiro jogando aqui, sei lá, ficava jogando Counter-Strike porque não tem nada para ser feito.

Ele, como assim não tem nada para ser feito? E o arquivo? Eu falei, cara, um de nós faz o arquivo. Aí o outro joga, e aí a gente vai revezando. Então tô achando uma função muito pouco útil, né? E aí esse cara ficou muito feliz comigo, ele demitiu todo mundo do departamento, deixou um só, né? E aí ele pegou e falou, não, então agora você é o chefe do arquivo. Aí eu fiquei ali meio que chefe dos arquivistas, sendo novinho também.

E aí eu comecei a editar as imagens, porque no tempo livre eu fui lá pedir para menina chamar Natália. Depois ela trabalhou comigo na minha empresa, agora ela trabalhou, porque ela foi a pessoa que trabalhou comigo na primeira. Aí eu perguntei se ela podia me explicar como é que editava foto, aprendi rapidinho a editar as imagens no Photoshop, virei editor. Daí eu fui promovido editor de imagem em vez de arquivista, e não aguento mais.

E aí fiquei lá e descobri a mesma coisa, que lá também não tinha muito para fazer. E a empresa entrando em recuperação judicial, naquele ciclo triste assim da empresa, pô, o jornal tava morrendo, né, o jornal impresso. Então tinha muita gente querendo cortar custo e não sabia de onde. Eu era o filho de uma puta que eu falava onde cortar os custos, né, eu avisava, não tem nada para fazer nesses departamentos. Meus colegas me odiavam, mas os dirigentes da empresa começaram a me ver com os bons olhos assim.

E aí foram me colocando em cargos cada vez maiores, eu entrava nos lugares e e ajudava a organizar, né? Eu tinha interesse em organizar. Imagina uma empresa de um monte de gente já muito mais velha e eles encontraram um menino interessado em organizar as coisas e trabalhar, e que entendia do online um pouco, né? Naquela época a cabeça deles era mais fechada. Em algum momento, fazendo isso muitas vezes em vários departamentos, o próprio presidente do jornal na época me chamou para uma reunião e tal.

E aí eu expliquei para ele que eu entendia muito de site e tava exatamente no período que o jornal tava migrando para o online. O jornal tinha começado muito cedo no digital, ele era, como tinha até o site dm.com.br, ainda é desse jornal ainda, o jornal ainda existe, mas agora só na versão online. E ele me colocou para trabalhar lá, eu fiquei como editor, né, que era o cargo de chefe dessa área do jornal, montei minha primeira equipe e o site virou o site mais acessado do estado.

Disso aí, aí eu virei uma entidade. Aí eu já tinha 18 anos, aí eu virei, já era super experiente. Não, mas eu tinha 2 anos ali no jornal. E aí os outros jornais começaram a se interessar por mim, daí eu dava entrevista no lugar, eu vim aqui na NJ em São Paulo. Então aí eu virei um símbolo de jovem promissor, né, no jornalismo ali.

TSThiago Salomão

Então eu imagino que faculdade passou longe da sua vida, você chegou a ingressar?

RSRaul Sena

Eu cheguei a ingressar, eu prestei vestibular.

TSThiago Salomão

Mas se formou?

RSRaul Sena

Não, prestei vestibular, entrei para geografia, que eu queria ser professor.

TSThiago Salomão

E desculpa que no meio disso tudo você entra numa geografia Totalmente aleatório.

RSRaul Sena

Meu irmão fez Geografia e aí eu achei que seria um bom curso. Meu irmão, ele fez Geografia na Universidade Federal e ele tinha feito intercâmbio porque ele conseguiu ir bem naquele programa Ciências Sem Fronteiras, né, que existia, público mesmo. E aí ele foi morar na Alemanha, eu achei muito legal. E aí eu falei, vou fazer Geografia também.

TSThiago Salomão

Mas não fez, ou chegou ainda?

RSRaul Sena

Até o segundo semestre e ia bem até, eu gostava de ir. O pessoal da Geografia não gostava muito de mim porque eu já tinha uma uma mentalidade mais de direita, né? Não era tão à esquerda ali, então não era progressista. E aí eu tinha alguns problemas ali com meus colegas, mas eu gostava de fazer geografia, achei bom. E os professores eram muito bons da Universidade Federal de Goiás. Mas aí parou porque a vida no jornal, né, quer dizer, no DM, começou a me consumir mais horas assim, porque jornal se fecha na madrugada e estudar de manhã não tava dando para conciliar.

TSThiago Salomão

Mas quando você virou, quando virou online, você não era mais o Diagramador?

RSRaul Sena

Não, aí eu fui, tipo, o cargo de chefia numa redação você chama ele de editor. Você seria o editor do Market Makers, né? É o chefe daquela área. Por exemplo, o editor de economia, o editor de tal área, normalmente você é o cara que fecha aquela área. Eu era editor do online, foi o primeiro cargo de gestão. Aí eu contratei a equipe ali e tudo, tive, foi meu primeiro cargo de liderança numa empresa que tinha mais funcionários, né?

Eu trabalhava ali e chefe desse departamento. E logo depois o jornal me colocou na diretoria de publicidade. Diretoria mesmo, já um ano depois, alguma coisa nesse sentido. E aos 20 anos, numa diretoria mais geral do jornal como um todo assim, mas muito porque a desestruturação do jornal, né, eles não tinham mais dinheiro para pagar os profissionais muito mais qualificados. Eu tava dando muito resultado, então foram me colocando nas áreas.

E porque o Júlio Narras, eu gostava muito de mim, até hoje é o presidente do jornal, ele gostava muito de mim e foi muito generoso, né, em deixar um jovem sem nenhuma experiência cuidar das coisas. Mas um cara visionário, acho que foi a primeira pessoa que acreditou em mim na vida, foi o Júlio. Ele olhou e falou, olha, cara, eu acho que você é bom. E aí eu falei, tomara que você esteja certo, né?

TSThiago Salomão

Porque na publicidade dá para dizer que você, quer dizer, você se encontrou. Eu tô sendo, eu tô negligenciando tudo que você contou dos 14 anos para frente, mas na publicidade talvez foi ali onde você fez dinheiro de verdade ali nesse começo de algoritmo de publicidade, que daí tava o Google, né?

RSRaul Sena

É muito termo técnico, é me entrevistar um pouco.

TSThiago Salomão

Pode ir lá, a gente vai apertando a tecla qualquer coisa.

RSRaul Sena

É porque o Google, ele trabalha, quando você entra no site, tem um sistema de leilão. Esse leilão acontece de forma muito rápida e decide quem ganhou. Por exemplo, esse anúncio que veiculou aqui antes, cada anúncio aparece diferente para cada pessoa.

TSThiago Salomão

Exato.

RSRaul Sena

Para escolher isso, passa por todo um processo, as empresas competem nesse leilão e tal. Eu sou especialista nesse leilão, é isso que eu sei fazer.

TSThiago Salomão

Ganhar o leilão, em qual leilão?

RSRaul Sena

Todas as áreas desse leilão, chama mídia programática. Eu entendo das áreas de comprar e de vender esse tipo de mídia. Foi isso que me deu dinheiro. Spreadar esse leilão foi a maior parte do meu dinheiro, veio disso.

TSThiago Salomão

E se quiser explicar em 30 segundinhos o que que é o leilão da mídia programática, como é que, quanto tempo ele acontece?

RSRaul Sena

Acontece em milissegundos. Quando você clica num vídeo, por exemplo, do YouTube, ele tem que decidir que anúncio te passar. Várias empresas estão competindo para aquele espaço. O Google quer ganhar a maior quantidade de dinheiro possível. As empresas querem encontrar o cliente certo. Esse é o ponto. E aí o que vai acontecer no meio desse caminho é quem vai oferecer mais pelo cliente. Então fala, cara, eu quero achar um cara, por exemplo, para você, quando você for abrir, vai aparecer um anúncio da Manual porque tá com a calvície. Então eu quero achar um cara calvo.

TSThiago Salomão

Eu tenho YouTube Premium, não aparece nada para mim.

RSRaul Sena

Então, mas no Instagram vai aparecer, algum lugar vai te achar, porque é. E aí ele vai colocar, pegar suas pesquisas no Google, todos os dados que tem seu, né, vai montar um cluster que a gente chama, que é o catalogar homem palmeirense com calvície, tarará, e aí ele acha e te mostra o anúncio. É simples assim.

TSThiago Salomão

Ou pode me dar uma camisa do Palmeiras também, né?

RSRaul Sena

Pode dar uma camisa do Palmeiras ou pode dar um remédio para cabeça, depende do que te incomoda. A publicidade tem que te encontrar. E aí eu garantia que as empresas conseguissem participar desse leilão, tentava comprar esses espaços e vender para elas mais caro. Esse foi o que eu aprendi a fazer. E aí, usando esses dados, depois eu criava campanhas, porque normalmente quem entende dessa área entende só de algoritmo. Então as pessoas que trabalhavam nessa área entendiam só de algoritmo.

Eu, além disso, eu entendo também de fazer a peça final. Então eu era um criativo que entendia de algoritmo. Aí isso mudava o meu jogo ali, porque eu podia vender a propaganda e vender o público também para propaganda.

TSThiago Salomão

Só essa leve explicação, já mandar um abraço para Thiago Sabino, foi diretor comercial do Infomani quando eu trabalhava lá. Acho que 10 anos de Infomani era conversando sobre mídia programática com o Thiago Sabino. Então já deu um flashback aqui. Mas aí, Raul, como é que você foi parar no mercado financeiro? Porque aí, o que que— porque aí a gente tá no Raul 20 anos de idade, especialista em mídia programática, publicidade, e o Raul hoje 32 anos, fundador da maior consultoria do ranking BTG Pactual.

O que que te fez ir para o mercado financeiro? Você já investia? Qual foi o momento da vida que você fez essa transição?

RSRaul Sena

Quando eu comecei a trabalhar no jornal, eu lembro que foi a primeira vez que eu fui impactado pelo mercado financeiro. Primeiro por conta do caderno de economia, você tem que fechar os indicadores ali, Ibovespa, sei lá o quê. E, cara, a Infomoney teve parte nisso. A Infomoney foi os lugares onde eu pesquisei os primeiros termos de mercado financeiro, foi na Infomoney. Então a gente tinha que fechar ali o caderno de economia, né, e você coloca lá, Ibovespa subiu tanto e tal.

Eu comecei a me interessar por aquela aquela sopa de letrinha ali foi o primeiro interesse que eu tive. E outro ponto é que trabalhando no jornal, principalmente na parte de publicidade, eu comecei a perceber que tinha um único tipo de empresa que nunca tinha crise, né? Que você falava que o jornal tava em crise, a mídia tava em crise, tudo tava em crise, indústria tava em crise, qualquer coisa tava em crise. E o pessoal da negociação de peça de publicidade bancária, eles nunca pediam desconto e nunca perguntavam direito quanto custava.

Assim, eu lembro que eu fazia uma estratégia para aumentar a receita do jornal, cara, simplesmente mandar com 20% de aumento para eles cada vez que eles pediam o orçamento e passava a mais. Você subir no orçamento, passava. Aparentemente esse pessoal não se preocupa muito com quanto dinheiro eles estão gastando com publicidade. Foi o primeiro contato que eu tive com o banco e eu falei, cara, tem uma coisa que eu precisava fazer na vida, era abrir um banco.

E aí ali numa primeira ideia muito torta, eu comecei a pesquisar como é que funcionava. O sistema financeiro e a ideia dos bancos e tal. E aí eu tracei um plano megalomaníaco ali de que dava para comprar a licença bancária algum dia na vida, né? Juntando bastante dinheiro, eu imaginei que dava para comprar. Eu expliquei isso para algumas pessoas, alguns amigos e pessoas inteligentes que eu conhecia. Todos eles me falavam que era um delírio, que não dava para virar banqueiro não.

Mas teve dois caras específicos, contei essa história na vida, que acreditaram assim, que são os meus sócios atuais e o dono do jornal eu trabalhava também, ele concordava que era possível fazer um banco de alguma maneira. Então, a partir dali, eu decidi que eu ia fazer um banco. Daí a pergunta era como, né? E daí o resto todo da minha vida é um conjunto de tentativas de fazer um banco, mas tentando acumular dinheiro para ver se eu conseguia abrir um banco.

TSThiago Salomão

Então, tudo que você dá, consultoria a todas as outras coisas, é o seu objetivo final é chegar no banco?

RSRaul Sena

É porque existem— hoje em dia é fácil montar um banco. Ah, você vai lá e pega esses banco white label, mas não tô pensando nisso. Pensando uma coisa eficiente, não é para fazer uma coisa aleatória, né? Você tem que ter um funding, tem que ter tudo uma coisa bem estruturada. Então montar uma boa carteira e tal, eu acho que esses são os passos. Acho que a gente tá indo nesse caminho, só que agora de maneira bem saudável, né? Com lucro e tal, porque dá para fazer meio aventureiro.

Não quero fazer nada de aventura porque eu acredito que o sistema financeiro tem capacidade de transformar o país. Eu acho que hoje em dia eu olho para como o sistema financeiro ele age no Brasil, eu vejo que eles não financiam mais projetos, né? Quando a gente olha para os bancos de outros países, você percebe que existe uma possibilidade para os bancos de financiar uma indústria nacional, de ter um venture capital interessante.

O Brasil tem muitas boas ideias e pouco dinheiro para executar. E agora a gente tem pela primeira vez um monte de gente esclarecida quanto a risco de investimento, etc. Eu acho que juntando essas duas coisas, né, os loucos que a gente tem aqui, os bons projetos com a galera que tá disposta a dar dinheiro para eles tentarem, a gente pode fazer uma transformação do país a partir do mercado financeiro. Acontecer.

TSThiago Salomão

E bom, eu não quero me adiantar muito em como a UVP vai virar um banco, se a UVP vai ajudar a criar um banco. Eu vou chegar lá, mas só para a gente continuar na linha do tempo, porque até esqueci do seu codinome. Talvez as pessoas até conheçam muito do Investidor Sardinha, que é o nome do canal que você criou lá em 19, né? O site foi em 18. O que, de onde veio o Investidor Sardinha? Qual que era a ideia do nome? E como é que isso chegou até o VP?

RSRaul Sena

Cara, é triste, a história é ruim, é porque algoritmo, é porque o nome Sardinha é como o mercado financeiro chama os investidores pequenos, né? Então essa palavra investidor sardinha ela já era utilizada pelo mercado financeiro antes da minha existência e eu percebi que ela tinha um número de buscas diárias ali. Se eu conseguisse romper, né, e me tornar sinônimo daquela palavra, eu ganharia toda essa busca. Então Tanto é que o canal, quando chegou em 10 mil, acho que poucas semanas depois ele chegou em 60 mil, porque o número de buscas, né, passou a computar a meu favor.

Agora, por exemplo, você botar Investidor Sardinha, não, a palavra sardinha ela não aparece mais tanto, né, vai aparecer minha cara. Eu só precisava substituir, foi uma ideia de algoritmo mesmo.

TSThiago Salomão

Mas o que que tá legal, a ideia do nome, mas e o conteúdo em si? O que que era o canal Investidor Sardinha? O que que era e o que que é hoje?

RSRaul Sena

É a mesma coisa, ensina pequenos investidores a investir. Então fazia todo sentido, que é o nome é pejorativo, né, como fosse um time de futebol chamado Pernas de Pau. Então era o nome que o mercado financeiro institucional, que é esse galera que vem aqui e tal, que eles utilizam para chamar o investidor pequenininho. Eu achava que fazia muito sentido, né, que era o canal para investidor pequenininho, que era chamado Investidor Sardinha, acho que para ressignificar o nome de alguma maneira, né.

Então era isso, ensina, ensinava e ensina até hoje pessoas que ainda não sabem usar o mercado financeiro a colocar o dinheiro para trabalhar.

TSThiago Salomão

E você, no meio de tudo isso que você faz hoje, você consegue manter a dedicação ao canal? Como é que é a recorrência de conteúdo lá no canal?

RSRaul Sena

Eu gravo todos os dias da minha vida.

TSThiago Salomão

Todo dia?

RSRaul Sena

Todos os dias. Já gravei hoje. Eu gravo todos os dias da minha vida.

TSThiago Salomão

Então, mas hoje assim, só para o pessoal saber, são 3:30 da tarde, você pegou um avião lá de Goiânia para cá, então você gravou antes de vir?

RSRaul Sena

Eu gravo todos os dias. Não tem nenhum dia que não tenha subido vídeo no canal. Todos os dias, independente do quão terrível tenha sido o dia, tem lá, tem vídeo no dia que meu pai faleceu. Tem dia, eu tenho vídeo em todos os dias da minha vida.

TSThiago Salomão

E você grava todo dia ou você publica?

RSRaul Sena

Eu gravo todo dia. Se você ver, você vai perceber que tem minha aparência lá, ela tá de acordo com o que tá no dia. Se eu tiver com essa espinha aqui, ó, o vídeo de amanhã vai estar com a espinhazinha.

TSThiago Salomão

Eu tô vendo até aqui, ó, o último vídeo subiu no canal, Fique Rico com a Crise de 2026, subiu ontem à noite, 19 horas, já tá com 158 mil visualizações. Isso aí, seu canal tem 1.690.000 inscritos.

RSRaul Sena

Sim, mas o número de visualizações, normalmente a gente bate ou fica em primeiro ou fica em segundo no máximo no mercado financeiro, entre número de visualizações mensais de vídeo longo, né? Porque tem muita gente posta shorts, eu não posto tanto.

TSThiago Salomão

Que maravilha, muito bom, muito bom. Para quem não é inscrito, né, vai lá em Investidor Sardinha. Meteu meia aí nessa foto, hein? Na foto do perfil do canal. Tá bonitão aqui, tá?

RSRaul Sena

É luz do estúdio só. A luz do estúdio, essa luz que faz essa foto é velha, faz maravilhas.

TSThiago Salomão

E sempre faço isso aqui quando eu vou ver um canal. Deixa eu ver se a internet não vai me comprar aqui. O vídeo mais visto: carteira de investimentos para iniciantes. É um vídeo de 3 anos atrás, 1 milhão e 500 mil visualizações.

RSRaul Sena

É o vídeo mais visto, acho.

TSThiago Salomão

E dá para ver até o— acho que o legal de ver um canal de investimentos de alguém jovem assim que vai vendo a diferença visual, né? Aqui, pô, aqui você já tá com cabelinho mais curto, aqui já tá sem barba e tudo mais.

RSRaul Sena

Vou ficando mais velho, vai depender.

TSThiago Salomão

Se você olhar aí no comecinho, eu sou bem menino, quase careca, que o plano de saúde é burrice da classe média.

RSRaul Sena

Eu raspei a cabeça já uma época que eu trocava o canal, raspei de 2 anos atrás.

TSThiago Salomão

E o conteúdo do canal assim, dá para ver que é muito menos um coaching e muito mais assim Porque tem vídeo que vai desde como ganhar dinheiro até uma carteira de investimentos para iniciante, plano de saúde não funciona, enfim. Qual que é a diretriz de conteúdo que você faz? Você tem uma regra do que fazer, cara?

RSRaul Sena

Tem, são, é muito conteúdo sobre carreira de executivo porque é um tema que fez parte da minha vida. Então acho que tem um pouco sobre isso, um pouco de dicas para pequenos e médios empresários. Não tem para grande porque eu nunca cheguei lá. Quando chegar, eu sigo também. Tem muito de investimento, muito, acho que 60% da grade, 70% da grade de investimento assim. Mas desde conteúdos muito técnicos até conteúdos para pegando na mão assim. Acho que tem até abrir conta em corretora, deve ter. E é isso.

TSThiago Salomão

Tem algum vídeo que você guarda com mais carinho? O cara vai entrar no seu canal agora lá, ele, mano, o cara vai acessar o seu canal agora e quer ver um vídeo seu, qual que você fala?

RSRaul Sena

Desfudendo sua vida, 82 minutos. Desfudendo sua vida, porque esse vídeo ele tem muito resultado na vida das pessoas, é impressionante. Acho que pelo menos uma vez por semana alguém me manda uma mensagem falando, caralho, esse vídeo realmente desfudeu minha vida. Ele é um vídeo muito bom, ele ensina várias maneiras de desfuder sua vida, é impressionante, cara.

TSThiago Salomão

Vou até salvar aqui como assistir mais tarde.

RSRaul Sena

É porque ferrar com a vida é meio fácil, né? Eu já consegui de diversas maneiras. Daí eu tento explicar todas as vezes o que que eu tive que fazer para fudendo em algum sentido. Acho que tem de dieta, tem de tudo quanto é coisa nesse vídeo. Ele fala sobre todas as coisas assim.

TSThiago Salomão

Eu acho que é um vídeo legal, interessante, interessante. Bom, já acompanhando o canal, já vi que você já teve até alguns problemas aí com algumas instituições, mas a gente não precisa falar disso aqui no papo. E a UVP, o que que, o que que foi a criação da UVP? Porque Estudando sua vida, né, o que deu para ver, né? Você usa muito o YouTube, né, para gerar esse conteúdo, mas você também quer formar as pessoas como investidor, você ensina as pessoas a investir, e é quase como uma escola mesmo de investimento, né?

E a UVP, como é que ela se conectou nisso? Como é que é uma escola de investimentos virou uma consultoria?

RSRaul Sena

É uma escola de investimentos que quer fazer um banco, é uma coisa, é uma escola que quer virar banco, e uma escola que vai ser dona de um banco, acho que é melhor, porque faz mais sentido com que a gente pensa. Então eu sou uma pessoa que eu acho que eu passei boa parte da minha vida reclamando de como as coisas são no país. Acho que eu me identifico com boa parte dos brasileiros nesse sentido de achar que tem alguma coisa errada, né?

Quando você vai tentando entender estruturalmente o que que tá errado, tem diversas respostas. O Brasil tá errado no sistema político, ele tá errado em N coisas. Mas daquilo que tá no meu controle, o que eu acho que poderia ser melhor, né, não tô nem dizendo que tá todo mundo errado, é um sistema financeiro inteiro voltado para ganhar dinheiro com juros. E quando a gente olha para o mundo, o que foi necessário é que banqueiros investissem em bons projetos.

Então se você pega a história dos países, né, que conseguiram se desenvolver, você vai perceber que tinham homens muito corajosos que pegaram o dinheiro deles e colocaram no risco né, para financiar ferrovia, para financiar empresas de carro, para financiar empresas que construíram produtos de verdade para a sociedade, né. Você pode olhar em qualquer lugar, isso vai se repetir em todos os lugares. Se não teve pessoas que fizeram isso com dinheiro próprio, você tem o Estado fazendo isso de algum jeito.

Eu, como eu não acredito que o Estado brasileiro vai chegar nesse lugar, eu decidi que a gente tinha que fazer isso por nós mesmos, né. É um plano ambicioso. Qualquer pessoa ouvir isso, principalmente que é de mercado há mais tempo, vai pensar: esse cara é um Inocente, talvez.

TSThiago Salomão

Não, pode ser, a ideia é boa, mas é que é difícil de tornar realidade.

RSRaul Sena

Eu não acho, é esse o ponto. Você não acha difícil? Ah, tá. É porque quando as pessoas falam isso, elas falavam, pô, mas aí você precisa então convencer centenas de milhares de pessoas para que você consiga bilhões sob custódia, e aí sim, né, colocar nisso. E as pessoas não vão entender quando elas perderem dinheiro. Quando você monta uma escola, você explica para as pessoas, fala, cara, um pedaço do seu patrimônio, se você puder confiar né, num venture capital, em alguma coisa, a gente consegue financiar os bons projetos, né?

A taxa de juros do Brasil é inviável. Então você vira dono daquele pedaço daquela empresa, e com sorte, em algumas delas, né, se a gente investir em 100, pelo menos 5 delas talvez a gente consiga fazer alguma coisa.

TSThiago Salomão

É, o que eu percebo é que assim, muito mais do que uma escola de ensinar o que é a renda fixa, o que é ações, você tenta ensinar o que move esse mercado, né? Porque uma pessoa cria um venture capital? Porque uma pessoa é quase como quem se beneficia de tudo isso, quem tá ganhando, comunidade de pessoas que entendem para que que serve o investimento.

RSRaul Sena

E dentro dessa comunidade também tem empreendedores. Então a nossa ideia é muito simples: olha, tá vendo o seu colega de escola, tá aí, né, e acredita nas mesmas coisas que você? Se você pegar um pedaço do seu dinheiro, emprestar para ele, a gente consegue talvez tirar essa ideia dele do papel. O estágio que as pessoas falaram que era o mais complicado, que a gente não conseguiria, foi bem simples. Simples. As pessoas entraram na escola, confiaram dinheiro na gente, confiaram na nossa instituição, e a gente conseguiu.

TSThiago Salomão

Tamo lá hoje. O dinheiro, você tem um número de quantas pessoas já passaram pela escola ou quantas pessoas estão na consultoria?

RSRaul Sena

Mais de 50 mil pessoas passaram pela escola. A gente tem de clientes na plataforma da OVP, não necessariamente na consultoria, porque a OVP não tem só consultoria, ela tem uma plataforma aberta também para todos os alunos, mesmo quem não é atendido pela consultoria. A gente tem também algo bem próximo disso também, é um número próximo desse também. E a expectativa é que a gente consiga subir radicalmente esse número esse ano ainda.

A gente quer fazer um app próprio agora de investimentos e tal, a gente vai conseguir fazer isso esse ano, acredito.

TSThiago Salomão

E por que vocês conseguiram isso? Quando tanta gente que fala, pô, isso deve ser muito difícil, eu falo, pô, não é difícil. Aí, ó, e a gente conseguiu. O que você atribui o sucesso de vocês terem conseguido tanta gente, impactar tantas pessoas, convencê-las a entrar nessa comunidade?

RSRaul Sena

É que normalmente no mercado financeiro a gente tenta sobreviver ao mercado financeiro tradicional de uma assimetria de informação. É algo assim: eu sei, você não sabe, então você me paga, né? Então, porra, eu domino análise de empresas e etc. Etc., você não, você me paga, coloca dinheiro que eu cuido para você, ou porra, você não conhece as pessoas que eu conheço, então eu tenho como te ofertar um CDB aqui, ganhar uma diferença entre esses dois valores.

Então a UVP partiu de uma lógica diferente. A ideia é a gente vai te explicar tudo como é que funciona, e exatamente porque a gente explica tudo, você descobre que a gente é a melhor alternativa. Porque quando eu te mostro como todo mundo faz negócio, como eu faço negócio também, e eu te conto 100% da verdade, você fala tudo bem, Agora que eu entendi, aí você vai poder comparar. Então a gente oferece o melhor produto, essa é a ideia, porque eu tenho que oferecer o melhor produto, porque como eu ensinei todos os outros jeitos que o mercado faz dinheiro, ou eu ofereço o melhor produto, você vai para o concorrente.

Tanto é que várias vezes eu tenho que ir lá no meu canal e falar, pô, meu, tal produto é melhor, né? Eu não tô hoje, não tô competitivo nesse sentido. Quando a gente fez a primeira plataforma da UVP de investimentos, ainda não era ligada ao BTG como é hoje, né? A gente fez ela independente, a gente foi lá e falou, olha, você pode hoje abrir conta na pior plataforma de investimentos do Brasil, a gente é a pior. A gente tem os piores investimentos e a pior plataforma.

Aí você é de se esperar que ninguém abra conta, mas pelo contrário, a transparência. Eu falei, cara, se vocês investirem, eu garanto para vocês que a gente vai chegar num lugar melhor que esse. Hoje o que tem para oferecer é isso, mas se tantas pessoas investirem e tal, eu entro na mesa, eu consigo negociar melhor.

TSThiago Salomão

Você realmente fez um marketing de—

RSRaul Sena

tem isso, tá aí inscrito ainda, tem lá no canal, chama A Proposta. É um evento para abrir conta na pior plataforma de investimentos do país. É esse o nome, a pior plataforma de investimentos do país. É o nome da live. E 17 mil pessoas abriram conta e a gente colocaram dinheiro lá, colocou todo o dinheiro, gente de todas as idades, gente de 60 anos, 70, porra, vamos embora. E graças a essas pessoas, pô, a gente sentou na mesa com o BTG depois para negociar, e o BTG aceitou negociar várias coisas que antes eram inegociáveis.

Então, e a gente abriu para todo mundo. Só para deixar claro para quem, como o BTG entrou nessa história, é porque o BTG comprou a Hora, e aí a UVP ela tinha feito um contrato para usar o backend ali, né, a estrutura de mercado financeiro da Órama.

TSThiago Salomão

Então, e aí com o BTG comprando a Órama, a gente foi indiretamente negociar.

RSRaul Sena

A gente foi, a gente, eles não tinham participação na gente, mas a gente usava o sistema deles, né. A Órama tinha participação minúscula na plataforma, não na UVP, mas na plataforma, 5% naquela época. E de uma plataforma que até a gente extinguiu, porque depois que o BTG comprou não compensou mais, daí a gente virou consultoria, não foi mexer com isso. Então Então a gente fez isso e a gente tentou para negociar com o banco. A gente não queria fazer parceria com o banco, que a gente tinha medo do BTG, que o BTG tinha essa fama de ser muito bom de negociação.

TSThiago Salomão

Tubarão conversando com uma sardinha.

RSRaul Sena

E daí eu falei, pô, como é que eu não assino com vocês, né? Mas assim, e eu entrei e peguei ali a proposta que o banco me fez e fiz uma live com todo mundo. E aí, o que que a gente deve fazer, né? E tal. Então acho que essa transparência com os clientes, os clientes, todos eles. Até hoje o pessoal acha super perigoso de Mercado Nascer que a gente coloca todos os clientes juntos na live. E pô, todo mundo reclama de uma coisa que é quase como se o cliente fosse um sócio.

É mais que um sócio, porque ele decide não só o rumo, como ele decide o preço que ele mesmo tá pagando, né? Ele vai decidir, ele vai, ele vai ser sempre um conflito de interesse, que ele quer pagar pouco e eu quero que ele pague muito. Eu explico para eles, olha, como dirigente da empresa eu preciso que vocês paguem X, né? Não, e agora vamos discutir.

TSThiago Salomão

Então a gente foi discutir os modelos de remuneração, o jeito que era para fazer, os próprios serviços que os clientes da UVP consomem foram desenhados ou ajudados a serem desenhados pelos clientes, e o preço também?

RSRaul Sena

Eles, todos eles, todos os produtos da UVP, com exceção à escola. Acho que todos os produtos da UVP, eles são a escola, todas as aulas elas são decididas junto também para gravar módulo, alguma coisa, o que que é importante. Mas os produtos da UVP no geral são todos amplamente discutidos com todo mundo. E quando fala de produtos são ETF, a previdência foi criada agora, tudo isso, tudo isso é necessidade deles. Não foi eu que fui lá e falei, ah, vou criar um produto de previdência.

A galera, pô, tem um monte de previdência merda no mercado, bora tentar fazer alguma coisa. Os caras saem provocando, a gente tenta. E eu tento para tudo, cartão de crédito.

TSThiago Salomão

E aí, nesse princípio de ter a melhor, a previdência de vocês é a melhor previdência do mercado?

RSRaul Sena

Cara, eu considero hoje que sim, que ela tá cobrando 0,59% de administração, mas ela não tem outras previdências dentro, é porque normalmente você tem uma casca de 0,59%, você tem algumas, mas aí dentro você tem outros fundos, né, de 1,5% de administração e tal. A gente colocou em ETF, então ficou no máximo 1%, né. A taxa global dela é no máximo 1%, no geral é 0,60%, mas no máximo 0,65%, mas no geral 0,75%.

TSThiago Salomão

É o quê? É renda fixa?

RSRaul Sena

É renda fixa. Fiz ela só de renda fixa. E aí a gente fez só para aquele pessoal que tem que fazer o PGBL, né, tem que fazer a coisa de imposto de renda. Então A gente combinou ali e fez tudo isso coletivo. É isso que eu falo. Então, ao ver pela—

TSThiago Salomão

então é um produto que já nasce quase com seed, né? Você já tem um, já tem quase a garantia de que vai ter demanda porque você fez.

RSRaul Sena

É 100% que vai ter demanda, é porque as pessoas decidiram como é que deve ser. Então não tem, é assim, eles foram lá e customizaram um produto do jeito que queriam.

TSThiago Salomão

E daí é o melhor argumento possível, né? Você nem precisa convencer a pessoa de que é bom porque a pessoa já montou, ela que escolheu.

RSRaul Sena

E eu falo para eles, porra, daí vocês fazem o negócio, você não tem o que reclamar de mim, Bom, por isso que eu falei para vocês, né, que estão assistindo episódio, que é tão diferente esse modelo de negócio.

TSThiago Salomão

E bom, já que falou de produto, tava até anotando aqui, né, vocês têm 4 ETFs, um de ações, 2 de renda fixa e um que deve já tá protocolado, mas já deve estar no ar.

RSRaul Sena

No dia 15 de julho vai estar.

TSThiago Salomão

Então esse episódio provavelmente vai ao depois do dia 15, que é o de Bitcoin. Começando com o de ações, o AUVP, qual que é o princípio desse ETF?

RSRaul Sena

Ele é porque boa parte da minha comunidade são investidores fundamentalistas, então é gente que normalmente não vende ação, né? Mas por característica, no ETF ele acaba vendendo. A gente não fez assim porque senão ele tenderia uma concentração muito absurda, né? Porque a metodologia já é seletiva demais, mas ele segue alguns fundamentos. Então ele pede que a empresa tenha lucros consistentes, baixo endividamento, não pode ser setor de aviação, nem carne, nem varejo, setores que dão muito problema.

Só empresa mais perene, uma margem, e uma margem determinada ali das empresas também. É isso, esses são critérios que a empresa ou entra ou sai. Não é comum em ETF, né? Normalmente ETF você faz um equal weight, você faz alguma metodologia que impede a concentração e tal. Ele não tem nenhuma dessas características, ele só obedece tudo isso e limpa ali e deixa o índice só com empresas boas. Então é isso que ele faz.

TSThiago Salomão

Quando você diz que ele não é equal weight, é ele, ele não, conforme as ações sobem, elas vão ter mais peso e caem, vão ter menos peso.

RSRaul Sena

É isso, elas vão ficar independente. É, depois, uma vez ela tem um peso por tamanho de mercado na entrada, mas ele não vende na acumulação, nem trava no máximo 20% em Petrobras. Não, tem vezes pode ficar infinito, né? Se ela entrar nos critérios, ela vai ficar lá e pode concentrar muito assim.

TSThiago Salomão

Por isso que, e esse é o ETF de ações, é o, para quem quiser, ETF, eu acho que o pessoal tá aí calvo de saber que vem essa, pessoal, tá?

RSRaul Sena

Eu sei, eu sei, foi só para já começar com aquela.

TSThiago Salomão

Vou dormir, vou dormir lembrando dessa. Mas o AUPP11, né, AUPP11, e tem os dois de renda fixa, o Área 11, área de, né, A área mesmo, área, que é uma, como se fosse um compilado de NTN-B que paga rendimento mensal.

RSRaul Sena

Explica um pouquinho mais. Cara, é que assim, o NTN-B, né, o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, ele paga o cupom de juros. Só que daí nos primeiros anos que você tá carregando ele, você vai pagar 22,5% de IR para poder colocar ali. E além de tudo, ele distribui cupom de juros uma vez por semestre. Aí quando você vai pegar clientes que, pô, você vai fazer um negócio para sua mãe, vamos lá colocar ali um dinheiro para minha mãe que ela tá vivendo de renda, vamos supor.

Aí você vai, como é que ela vai organizar os gastos dela a cada 6 meses? Eu peguei todos esses cupons de juros, comprei ali os que estão pagando um cupom melhor, coloquei tudo no negócio, só distribui mensal, ele distribui o composinho mensal e você só paga 15% de IR retido já direto. Então não tem que fazer pagamento, não tem que fazer aquilo, não tem que organizar o pagamento e dividir por 12. Então Ele é um Tesouro IPCA+, só que paga cupom de juros todo mês.

TSThiago Salomão

Você deve ter ou facilitado a vida de muito assessor ou até desmascarado muito assessor, porque tinha muito assessor de investimento que montava isso quase como se fosse um produto para o cliente. Ó, vou montar uma carteira de NTN-B com vencimentos diferentes para te pagar um juro mensal. Pô, toma porra do ETF logo aí, já resolve a vida toda.

RSRaul Sena

Foi isso, a gente fez o ETF que resolve. E o Acho que o grande lance dele é que é um produto que, porra, é muito óbvio, né? Não sei por que que não existia. Eu não consigo entender por que que esse produto não existia.

TSThiago Salomão

É quando você falou da simetria, para mim é um mercado, aí você encontra uma simetria, porque o produto em tese já existia, só que não existia a facilidade para ter acesso ao produto. E essa simetria ela pode ser fechada através de pessoas como você que vão criar esse tipo de produto. Por que que não existia antes? Porque talvez quem oferecia ganhava mais dinheiro criando toda essa complexidade do que o programa.

RSRaul Sena

Vai cobrar a mesma coisa, eu acho, porque sei lá, ele vai no Tesouro também, o cara não vai ganhar muita grana, um assessor, né? Mas tem rebate no Tesouro.

TSThiago Salomão

É que tem que ver também o tamanho do volume negociado, enfim. Mas é que às vezes até é a falta de incentivo em querer criar algo novo. Mas também tem outro ETF de renda fixa, o AUPO11, né? AUPO 11. Esse aí tem até um vídeo bacana de divulgação que aparece quebrando os porquinhos, os porquinhos de cores de banco, né? É, tem a, tem a, quem vê o vídeo vai ver o porquinho de uma cor roxa, o porquinho da cor laranja, vai associar a cor à instituição.

Mas por que que você quebrou os porquinhos das instituições que têm os seus porquinhos ali como Como um ETF de liquidez, é um investimento de liquidez que rende.

RSRaul Sena

É a mesma coisa, quando eu olho para as caixinhas, né, o mercado financeiro já conhecia vários instrumentos para fazer isso já de maneira mais inteligente, mas o investidor pequenininho, ele coloca o dinheiro no CDB e muitas vezes ele recebe o salário, coloca no CDB e tira. Então ele não aproveita nada, porque é 100% do IOF lá e começa, vai caindo, né, e até na metade, no dia 15, já tá 50%. E aí ele vai perder a metade da rentabilidade e tal.

Então eu acho que o ETF naquele momento ali era o veículo mais inteligente para aquilo. Só que o mercado financeiro, quando ele criava soluções para isso, os fundos DI, etc., tudo muito complicado de entender. Daí eu queria explicar ETF de uma maneira fácil. Aí eu só quis mostrar para as pessoas que a caixinha ali e tal, isso foi muito benéfico para o mercado de modo geral. Porque se você pesquisa a palavra ETF antes e depois desse porquinho, né, no Trends do Google, você vai ver que o volume de pesquisa por ETF mais que quintuplicou.

Então foi muito eficiente para o mercado. A indústria inteira colheu benefício disso, né? O pessoal ficou chateado, mas o pessoal, você diz os donos das, todo mundo de ETF, não, de ETF mesmo. Pessoal ficou magoado aqui, eu falei ali coisas e tal, mas assim, foi bem bom.

TSThiago Salomão

Por que que a turma de ETF ficou magoada? Não entendi.

RSRaul Sena

É porque já existiam concorrentes, né? Eu tava ali falando de produtos e tal, então algumas pessoas se magoaram, mas o pessoal de fundo de investimento tradicional ficou puto também porque eu meti São Paulo, em fundo de investimento tradicional, porque o custo é alto, né, 2%, com 2,20% era, é um ponto negativo. Mas ali a indústria se beneficia. Eu acho sempre que quando a gente explica um produto financeiro, essa ideia de ter, de viver da assimetria de informação, acho que ela é sempre ruim.

Acho que hoje tem muito espaço para os gestores tradicionais construírem ETFs e tal, e acho que captariam até muito assim, cara, sinceramente. Acho que eles estão com medo do ETF, que abaixa muito o custo, né, mas acho que aumenta muito o tamanho do mercado endereçável. Acho que é isso que é o segredo aí. Podia liberar os ETFs de gestão ativa.

TSThiago Salomão

Alô? Não, teve um evento recente, o Luiz Mazagão da B3 já falou, ele deu o recado, ó, já tá liberado. É que a CVM não divulgou nenhum ofício, mas na última discussão que teve sobre isso deixou subentendido que já tá liberado. É que parece que as gestoras estão esperando o carimbo ali de liberou, mas o Mazagão garantiu, ó, pode estar liberado. Até vou achar a matéria aqui que o título deixava bem claro. Enquanto isso, vai ter— aliás, fiquei sabendo que esse Alpo 11, ele ia ter um outro nome, né?

RSRaul Sena

Ele ia ter um— ele é chamar Peppa. Ia ser dois processos.

TSThiago Salomão

Peppa por causa dos porquinhos, né?

RSRaul Sena

É porque como eu não fiz, né? Era, eu nunca admiti isso, mas era uma piada com a Peppa Pig, né, cara? Porquinho, né? Peppa. Mas não, ele ia ter bombado. Eu acredito que ele teria 2 bilhões agora se fosse chamar-se Peppa, cara, porque é um nome muito fácil. É lógico, é o Peppa, todo mundo tá ligado, porquinho, né? E aí ficou Alpo, a UPO11, né? Alvo VP Porquinho.

TSThiago Salomão

AU Porquinho, é, podia ser a Pig também, né?

RSRaul Sena

Mas aí, mas não deixaram, não deixaram nada com Pig, nada com isso não. O BTG falou que não podia não.

TSThiago Salomão

E agora tá saindo de Bitcoin, saindo de Bitcoin, a BTC.

RSRaul Sena

Cuidado, esse é bem interessante também porque o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, né? E quando você vai olhar, a maior taxa de juros do mundo tá sempre rendendo bem. O Bitcoin é um ativo que mais subiu no mundo, né? Eu pensei em juntar as duas coisas. Então quando o Bitcoin tá subindo, ele vai comprando Tesouro Brasileiro. Quando o Bitcoin tá caindo, ele vai comprando Bitcoin. Ele é basicamente isso. Ele fez uma metodologia que a gente tem ali, uma metodologia que quando o Bitcoin vai aumentando a volatilidade, quando o mercado começa a falar que ele morreu, etc., isso ele inicia um processo de compra.

E na hora que tá subindo, ele para de comprar e vai colocando dinheiro em tesouro para tentar fazer um perfect time ali, né? A grande vantagem, na verdade, diminuir a volatilidade no longo prazo aumenta ainda o retorno. Quando você pega nos estudos ali, né, que a gente conseguiu fazer preliminarmente, a gente mostra que consegue subir o ganho, não sobe relevantemente, muito, né, 300%, mas com Bitcoin é pouca coisa. E você consegue ainda ter uma proteção maior.

Então você tem menos drawdown, menos quedas ali, menos oscilação e com retorno positivo maior, né?

TSThiago Salomão

Eu tava aqui tentando achar a matéria, achei pelo título aqui só para ver, que agora a janela fechou aqui, o dedo gordo aqui. ETF Mazagão B3, ó, ETFs ativos já podem ser lançados com apoio da B3, diz Luiz Mazagão. Aqui no evento, é, falou ETF já pode ser lançado com apoio da B3 antes de regulação da CVM. Caramba, ele disse isso no evento no começo de julho, ele já deu esse, ele até enfatizou, ele falou, gente, eu sei que as gestoras estão esperando o aval da CVM, mas já podem ser lançados.

RSRaul Sena

Poxa, eu acho que isso aí vai mudar para sempre o mercado brasileiro, cara.

TSThiago Salomão

Acho que vai ser uma das grandes, eu tô também bem, quando o Mazagão veio aqui É, então quando o Mazagão veio aqui, a gente tem um fundo de ação, e o Mazagão brincou com a gente, ele falou, ó, quando lançar um ETF ativo, eu quero ver o fundo ativo do Market Makers já um ETF. Aí MMKR3 pode ser também, né? Tem várias, 11, né? No caso de ETF tem que ser 11. Mas aí acho que é bem legal assim, dá para você criar de fato, porque assim, no Brasil Talvez a indústria de ETFs ela tem um espaço para crescer, principalmente na renda fixa, porque é um mercado mais quente no Brasil.

As pessoas vão mais pela renda fixa. É só moda, quando, com certeza, é o cíclico, vai em algum momento trazer de volta para bolsa. Mas você consegue ter aí uma gama de produtos que você pode, até os princípios do AUVP é bem legal, e pô, você ter oportunidade de fazer um ETF ativo, você ainda torna ainda mais flexível até para os investidores de maneira geral poderem ter mais opções de investimento.

RSRaul Sena

É muito bom.

TSThiago Salomão

E ETF assim, no lado do custo, ele acaba sendo imbatível, né? Muito mais do que a liquidez, mas o custo acaba tendo uma importância muito grande. Bom, muito bom todos. Então só para quem não pegou, né? A UVP11, a BTC11, a Still waiting in line again?

RSRaul Sena

That's time you will never get back. Save time and money with stamps.com. Over 4 million businesses have skipped the line with stamps.com. Join them to save up to 90% off carrier rates from your computer or phone right now. Print postage for certified mail, registered mail, and package Eu gosto do Alvep11, gosto muito, porque eu acho ele, eu acho que ao longo dos anos ele vai mostrar que o mercado de ações brasileiro ele não é, ele não é tão ruim quanto dizem.

Eu acho que ele vai mostrar, separando as boas empresas, né? É porque a grande diferença não é nem o quanto ele sobe nos ciclos de alta, porque o Ibovespa ele é muito bom para capturar sentimento de mercado, né? É um índice de trader. Então, pô, quanto mais movimentação, mais ele sobe. Só que as quedas do Ibovespa, elas são muito amargas. É um índice muito mal planejado, no meu ponto de vista, né? Você pega, pô, o principal índice americano, as 500 maiores empresas.

Principal índice lá da ONU, as 30 maiores empresas, 100 maiores empresas. Você pega o índice brasileiro, não, não, não, pera aí, deixa eu fazer uma fórmula. É um troço, porra, por que que não fez igual todo mundo? As 50 maiores empresas, 100 maiores empresas. Então eu acho que é muito ruim.

TSThiago Salomão

Vamos lembrar que assim, a metodologia até melhorou porque as empresas do Eike Batista fizeram um desfavor ao Ibovespa, porque antes ele privilegiava muito o volume de negócio, né, e não só o valor de mercado. E aí as empresas do Eike Batista estavam caindo, principalmente a OGX caía drasticamente, ela ficava lá com peso próximo de meio por cento do Ibovespa. Aí na hora de atualizar o índice, né, a cada 4 meses ela tinha que subir lá para 8%, 10% porque ela tava movimentando muito.

Então é quase como você pegar a pior empresa do seu portfólio e comprar 20 vezes a quantidade de ações que você tem lá. Você tá fazendo um preço médio e dizer que isso representa o mercado.

RSRaul Sena

Acho que o grande desfavor desse índice, né, do jeito que ele foi projetado—

TSThiago Salomão

e nada contra a B3, é uma herança histórica, também nada contra o Eike Batista também, mas é uma herança histórica.

RSRaul Sena

Eu acho que aí, eu acho que esse índice talvez eu não vou ver, né, mas acho com o envelhecimento dele, eu acho que ele vai mostrar um mercado mais maduro, ele vai mostrar aquilo do mercado brasileiro que não era oba-oba, né? Ele vai perder os IPOs, ele vai perder todos os momentos de mercado ali, mas ao mesmo tempo ele é um índice sóbrio, ele vai mostrar, pô, não, aquelas empresas que eram lucrativas elas continuaram sendo ao longo dos anos, né?

Eu acho que esse vai ser o grande, o grande trunfo talvez do índice ao longo dos anos.

TSThiago Salomão

Até a própria entrada de BDRs nos índices já vai acabar ajudando bastante, né? Porque muitas empresas, talvez as grandes empresas da bolsa brasileira hoje, infelizmente, não são, não estão ali made in Brazil, né?

RSRaul Sena

O que é prova de que a gente precisa urgentemente melhorar, né, cara? Quando bons projetos vão lá abrir capital lá fora, quanto grandes empresários eles saem do Brasil, é isso que eu fico falando, não é possível que ninguém perceba que esse modelo tá torto, né, cara? Você pega Tava pegando, se você pegar só de exemplo recente assim, os meninos da Brex lá que fundaram a empresa bilionária lá fora, né, cara, estavam aqui no Brasil, estavam aqui fazendo a Pagarme aqui, ó, tava aqui no quintal de casa, né.

A gente deixou os caras irem lá para os Estados Unidos fazer empresa de bilhões lá, porque o mercado aqui é ruim. Então assim, a gente precisa começar de algum lugar a resolução desse problema, né.

TSThiago Salomão

Ô Raul, você me disse que um dos princípios ali, ou talvez, eu não sei se é o principal, princípio, mas um dos princípios da UVP é a industrialização ou reindustrialização do Brasil.

RSRaul Sena

Pode chamar das duas coisas, né? Não sei se a gente teve uma industrialização, mas já foi maior do que agora. Acho que a reindustrialização do Brasil é o principal, o principal foco da UVP no longo prazo. A gente acredita que é possível.

TSThiago Salomão

Eu queria que você falasse um pouco disso, de por que que um projeto de âmbito nacional, se a gente pode pensar em uma processo de industrialização do país, entra dentro do princípio de uma empresa. E o que te, o que te move a fazer isso? Que que te incomoda no Brasil nesse sentido? O que que acha que dá para fazer? Se tem algo que você já tá fazendo, enfim, conta um pouquinho sobre isso, que é, eu achei um princípio curioso dentro de uma empresa do mercado financeiro.

RSRaul Sena

É que quando a gente olha para a história do Brasil assim, né, a gente, todos os bons projetos que foram financiados no Brasil, todos os bons projetos que receberam dinheiro, eles se tornaram gigantescos. Não é nem que eles foram eficientes, é que eles foram os mais eficientes talvez do mundo. Assim, a Embrapa, que é uma empresa estatal, não tô nem colocando uma empresa que foi financiada pelo mercado financeiro, com pouco dinheiro que ela recebeu ela conseguiu fazer uma região deserta, né, que é o Cerrado brasileiro, que não produzia absolutamente nada, se tornar um dos maiores produtores de proteína animal e soja do planeta Terra.

É doideira, um investimento minúsculo comparado com resultado extremamente gigante. Óbvio, anos, né, separam esse investimento do décadas. Separa o investimento do retorno. Quando você pega o pouco dinheiro que a gente colocou na indústria de aeronaves, hoje a Embraer é uma das empresas mais relevantes do planeta Terra, né? Não, não assim, não é uma empresa brasileira relevante, não, ela é relevante no mundo. A maior parte dos jatos privados do mundo são brasileiros.

Pouco investimento, extremo resultado. E você pode pegar qualquer outro tipo de setor que você colocou no Brasil, você tem qualquer outro tipo de setor que a gente fez, pouco investimento, muito resultado. Se você pega o Brasil da época que eu nasci, no início dos anos 90, anos 90 eu era criança, não lembrava de muita coisa. Mas você pega do início dos anos 2000, tudo que a gente pegava, várias coisas eu pegava no meu dia a dia, olhava atrás, pô, produzido na Zona Franca de Manaus.

Você pega agora, quase tudo produzido na China, né? Então o Brasil não tem indústria. A escassez de indústria gera empregos de baixa qualidade. Os empregos de baixa qualidade, a gente não consegue ter poupança, não consegue colocar dinheiro no mercado. Não conseguindo fazer isso, o PIB não cresce. O PIB não crescendo, os bancos ficam com menos dinheiro, só que eles não percebem, porque eles acabam ganhando um pouco mais de dinheiro ali esperando taxa de juros e tal, parece que tá bom, né?

Mas assim, se o PIB do país cai e os bancos são responsáveis por tudo que é movimentado dentro do país, os bancos estão ganhando menos dinheiro. A financiarização completa da economia, né, quando toda a economia ela é financiarizada sem ter grandes projetos nacionais, simplesmente, cara, só plantar aqui e mandar para fora, que é o que o Brasil faz. Você produz um óleo de soja, é mais caro do que mandar soja crua. Para fora. Que loucura!

A gente penaliza aquela pessoa que tenta fazer alguma coisa em território nacional. Então tudo aquilo que você exporta como matéria-prima, você pega o minério e manda para fora, você pega qualquer coisa e manda para fora do jeito que tá, sem desenvolver, isso não tem imposto. E a industrialização tem um imposto muito mais alto. O que acontece é que a gente teve primeiro as indústrias morrendo. Com as indústrias morrendo, as pessoas que se formam aqui, que o Brasil produz pesquisa de ponta, produz cientistas de ponta em várias áreas, engenharia, etc., tal, apesar da gente dizer que não produz.

Só que esses caras todos vão trabalhar lá fora porque não tem emprego aqui. Como não tem indústria, não tem quem pague. Se não tem indústria, não tem pesquisa e inovação, não tem quem pague. A gente tá tendo uma fuga massiva de cérebros. Acontece que até 2050 nossa população vai começar a diminuir. Agora a gente tem uma população jovem, capaz, que tá pronta para gerar dinheiro no mercado, etc., até 2050, se a gente não fizer nada.

Imagina que o Brasil é hoje um homem de meia-idade, de 30 anos, né? Ele tá em idade produtiva, tá funcionando, Boa parte dessa galera a gente tá mandando para fora, ficando aqui com quem não tem capacidade técnica, pior mão de obra possível. Para além disso, dessa pior mão de obra possível, envelhecendo, com expectativa de começar a ter declínio populacional em 2050. Se a gente não fizer alguma coisa para preparar o país para esse 2050, né, que a gente vai começar a perder população, o Brasil vai ser um país de miseráveis, né?

Não tem como, porque se os grandes países do mundo eles estão com problema com isso, eles estão com essa coisa, se a gente não preparar um produção, se a gente não tiver indústria nacional, não deixar o dinheiro aqui dentro, não tem espaço para todo mundo virar Uber. Setor de serviço, ele não pode ser do tamanho que ele é. E o setor de serviço não consegue resolver o problema da sociedade. Mercado financeiro também não. A gente gera dinheiro, né, em cima do dinheiro, mas tem que existir uma produção nacional.

Como que uma indústria vai se financiar agora 20% ao ano? Não tem condição. Você vê que tá todo mundo quebrando. Pode pegar qualquer indústria brasileira, não tem margem. E aí a gente tá nessa. E se a gente não construir outras indústrias e começar a fazer isso para gerar dinheiro, para a gente ter dinheiro para gastar, para poder financiar as empresas que já existem gigantescas, também não vai funcionar. Então a gente precisa pegar as boas ideias, os caras loucos que têm coragem de empreender nesse lugar, arrumar dinheiro para eles.

Infelizmente a realidade é essa, vai ter que chegar nesse cara que é maluco, os malucos que a gente tem, que tem coragem de tentar alguma coisa aqui dentro, porque não faz sentido, né? Se você for 4, 5 vezes mais eficiente que um chinês, você não empata, você quebra. Porque ele tá financiando a 3%, você tá financiando a 14%. A gente precisa dar um jeito então de arrumar dinheiro de venture capital para esses caras. É esse o ponto.

Se a gente pegar um monte de cara igual, muito superior, igual onde, né? Eu conheço caras muito mais inteligentes que eu que ganham uma merreca de dinheiro porque escolheu o mercado errado, escolheu trabalhar e produzir de verdade. Então é porque espreidar não é trabalhar, cara. Ficar espreidando dinheiro o dia inteiro, o pessoal do mercado financeiro fala, pô, tá pegado. Faz o quê, pô? Você ganha dinheiro de taxa. Pô, tá pagando 2, você cobra 4.

Não é um trabalho isso que a gente faz na prática, né? A gente precisa de alguma transformação de colocar o mercado financeiro no lugar que ele tem que estar. O mercado financeiro existe para financiar bons projetos nacionais. Se ele não tiver financiando bons projetos nacionais, ele não tá cumprindo o papel dele dentro da sociedade. E todo mundo tem que cumprir o próprio papel dentro da sociedade. Empresário tem que fazer as coisas, a gente tem que arrumar dinheiro para ele.

É esse nosso papel. Não tem como todo mundo viver de taxa de juros, não existe esse Brasil hoje, na declaração de imposto de renda, uma a cada 5 pessoas, só uma a cada 5 pessoas existe. Uma a cada 5 pessoas existe, o resto não existe. Está dizendo que só uma a cada 5 brasileiros paga imposto de renda, que o resto não ganha dinheiro suficiente para isso. Como que isso vai se manter? Como que a gente vai continuar operando mercado financeiro se a gente continuar desse jeito?

Não vai existir mercado financeiro. Essa é minha visão, não vai existir mercado financeiro porque não vai existir mercado nenhum. Como que a gente vai viver sem a indústria? Como vai viver sem a construção? Como vai viver sem todos os setores? Então, ou a gente resolve esse problema, né, que a gente mesmo inventou, aumentou. Então, ou a gente vai perder espaço na economia.

TSThiago Salomão

E a solução do problema você trouxe muito como dentro do mercado financeiro, mas há também todo o entorno do mercado financeiro.

RSRaul Sena

A solução do problema é o poder público. Vai acontecer? Vai?

TSThiago Salomão

Mas não sei.

RSRaul Sena

Não, não vai. Então esperando há 30 anos, vai esperar mais 30?

TSThiago Salomão

Se tiver que esperar do governo, mas aí como é que resolve?

RSRaul Sena

Vai resolver mercado financeiro. Se não tá funcionando na ponta final, que seria a taxa de juros, conseguir moralizar as contas públicas, a gente fazer: não, não tá rolando, então vamos ver venture capital. É porque assim, é o grande problema, é que ninguém quer fazer nada. É que todo mundo olha e fala assim: nossa, alguém podia fazer alguma coisa. Cara, não dá. Vamos ver o que que a gente consegue fazer. É esse o ponto. Eu não tô dizendo que o governo vai conseguir, eu tô dizendo que vai tentar.

É muito diferente as duas coisas, né? Eu tô dizendo que a gente vai tentar, a gente vai tentar financiar alguns projetos. Vai que, cara, vai que a gente consegue criar, vai que, vamos supor que a gente coloca dinheiro em 500 projetos e que 5 desses eles se tornem grandes empresas, vamos supor que se torne uma empresa gigantesca que consiga gerar bons empregos de qualidade, tá bom, é melhor que nada. Eu, para mim, 1% é melhor que zero, é esse o ponto.

Já tem algo que dá para dizer que é um projeto que já tá funcionando, enfim, alguma iniciativa que a UVP, ou isso ainda é um plano para a gente conseguir chegar em bilhões, né, agora na nossa custódia faz muito pouco tempo, foi nos últimos 1 ano, 2 anos aí, na verdade 2 anos que a gente conseguiu chegar nesse volume. E a gente já tem pessoas esclarecidas, agora a gente quer começar a selecionar os projetos para fazer investimento, né.

A gente foi lá visitar o pessoal do CEA, que é de inteligência artificial, terceiro maior do centro do país, fica no estado de Goiás. A gente já era próximo deles já desde o CEIA. Só para deixar claro, fica dentro do Centro de Excelência de Inteligência Artificial, fica dentro da Universidade Federal de Goiânia, de Goiás.

TSThiago Salomão

Eu tô inclusive, eu tô com conversa marcada com o professor, e que a gente tá, ficou bem impressionado mesmo com, aliás, agradecer o João Braga, o gestor da Encor, goiano também, que foi quem fez esse meio de campo aí.

RSRaul Sena

A gente queria muito que essa empresa, que alguma empresa de lá se tornasse uma big tech brasileira, por que não, né? Então a gente pensa em tentar criar um fundo agora para colocar dinheiro nesses projetos. A gente quer tentar, dentro da nossa própria base tem muita gente que tem que desenvolver bons projetos, então a gente quer tentar fazer uma rodada ali convidando os investidores, né, a investir, e ao mesmo tempo fazer isso um programa mesmo, e ao mesmo tempo mostrar os projetos ali, mas indústria, não prestação de serviço, não mais mercado financeiro.

Não quero mais e mais da mesma coisa, né? Então pensar em alguma, algum tipo de coisa que a gente consiga fabricar dentro do Brasil, produzir aqui. E é isso, é anticompetitivo, né? Não dá. Só que você tem que tentar. Acho que a gente precisa tentar fazer essas pessoas darem certo. Tem muita gente boa, é essa vantagem. Assim, o Brasil ele tem muita sorte de ter muitos bons cérebros, só que tá faltando dinheiro. A gente precisa arrumar dinheiro para os bons cérebros, e é capital de risco, não tem como.

Mas a gente tem uma audiência esclarecida, tem pessoas que estão ouvindo que fala, cara, tudo bem, se eu puder colocar um pedacinho do meu patrimônio aqui, ó, não vou enfiar 50%, mas um pedacinho do meu patrimônio, o resto tá tudo ganhando dinheiro a juros sem fazer nada, um pedacinho do patrimônio tá aqui. A gente precisa dos IPOs brasileiros, pô, tá cheio de gringo botando dinheiro aqui, não teve um IPO, não tem nada de projeto novo.

Mercado secundário não leva dinheiro para empresa. Parece que o pessoal de mercado francês esquece o que que a gente faz. É um delírio, porque, porra, mercado secundário vai levar dinheiro para onde? Você imagina, rolou o maior janeiro da história no mercado brasileiro. Fala um projeto que captou dinheiro desse maior janeiro. Zero. É zero. O número é zero. Como é que pode? Porra, se fosse um país sério, né, pô, o governo teria chamado as porra dos bancos de investimento, fala: gente, tem algum projeto vocês estão vendo aí para a gente fazer um IPO, falar, né, dos números aqui?

Tem que costurar. O governo teoricamente deveria liberar lei de financiação fiscal, caralho, junto com IPO, né, dessas empresas. Todas as vezes que a gente conseguiu fazer isso, deu certo. Não tem uma empresa brasileira que foi, envolveu, né, essas características, que recebeu investimento, que recebeu, né, algum tipo de suporte financeiro, que não deu certo. É baixíssima taxa de erro. É um país extremamente empreendedor com a população gigantesca.

Não tem como dar errado, não tem como dar errado. Então só tem como dar errado se a gente não fizer nada. Só que o problema é que a gente não tem feito nada há muitos anos. Você não consegue falar uma empresa gigantesca que nasceu no Brasil É recente, é tudo os velhos que fez, tudo tem 90 anos essa porra, cara. É sério, os caras vêm aqui, eles fizeram parte disso, né, eles construíram essas empresas. Parece que perdeu as bolas, é tipo um monte de homem frouxo.

A gente virou uma geração de homem frouxo. Quando você pega, ouve as histórias dos cara que vieram para São Paulo, a história dos cara que desbravou, né, querendo ou não, todas as críticas aos bandeirantes, mas porra, os cara meteu machadinha em tudo e saiu abrindo essa merda. Parece que a gente virou frouxo, um país de frouxo. Na indústria não tem nada. O risco é o quê? Perder dinheiro. Quando o risco era perder a vida, sei lá o quê, parece que a gente era mais brabo.

Quando o risco virou perder dinheiro, a gente ficou frouxo. É um país de frouxo, para mim é isso.

TSThiago Salomão

E quanto você acha que tá o nascimento do UVP Banco, não sei como vai ser o nome, o quanto que isso tá conectado com a resolução desses problemas, hein? Em outras palavras, o banco ele vem para tentar resolver tudo isso ou é um sonho paralelo ao grande princípio da UVP?

RSRaul Sena

Eu acho que, eu acho que o banco é uma consequência do que a gente construiu, né? Pô, você tem uma base de clientes enorme que tem cartão de crédito, tem conta de investimento, tem conta corrente, que acredita na gente. Você tem crença. O que que você precisa para ter um banco? Crença, né? Tá lá. E dinheiro. É isso. A gente tem as duas coisas: crença numa marca e dinheiro.

TSThiago Salomão

Então esse sonho vai ser realizado logo?

RSRaul Sena

É, eu acho que hoje, hoje é mais difícil não ser realizado do que se realizar. Eu teria que fazer muita besteira, né? A gente teria que cometer uma série de equívocos para não acontecer. Eu acho que a gente tá com os parceiros certos, a gente tá fazendo o dever de casa muito bem. A UVP é uma empresa que todos os funcionários da empresa fazem uma prova por semana, a gente é testado constantemente. A gente é a empresa de mercado financeiro que mais estuda.

Todo mundo que visita a UVP fica impressionado. Você tem uma equipe de jovens que todo mundo estuda consistentemente. Não existe ninguém dentro da UVP que esteja nem próximo da mediocridade. A gente contrata pessoas muito fora da curva, independente de ter vindo de origem pobre ou não, a maioria veio, né, com QI disfuncional ali de tão bizarro. Coloca muita confiança e treina infinito. Tem programa de intercâmbio para viajar para tudo quanto é lugar, tem prova semanal, tem leitura obrigatória, tem um monte de coisa todos os dias.

É o processo seletivo mais difícil de passar de todos para ganhar um salário que não é compatível com isso. Então só tem um monte de apaixonado, é esse o ponto. Imagina, processo seletivo da OVP mais difícil de qualquer universidade do Brasil, qualquer uma. É mais de 1000 pessoas por vaga, qualquer vaga que a gente divulga tem mais de 1000 candidatos interessados. Interessados em fazer parte da transformação do país. Eu acho que esse número de pessoas já diz muita coisa sobre a possibilidade ou não.

Porque assim, você fala, eu sei, um monte de gente que tem 50 anos, 80 anos, o cara vai lá, fala, esse maluco é louco. Mas é assim que foi. E todos os outros caras que fizeram antes também era louco.

TSThiago Salomão

Pegando um pouco a viagem nessa loucura sua, como é que é essa pessoa que trabalha na UVP? Você falou um pouco, a pessoa pode ser de origem pobre ou não, mas QI extremamente diferenciado. Mas Vocês pegam onde? Da faculdade, da escola? Você começou a trabalhar com 14 anos e falou que valoriza isso. Tem molecada que trabalha lá?

RSRaul Sena

Tem, a maioria é bem molecada, a maioria. Ou tem uns veião de mercado ou molecada. Não tem muita gente millennial, não tem muita gente da minha idade, por exemplo. De 30 é o que menos tem, 30 a 40 é o que menos tem ali. Tem muito de 50, 60 e tem muito de novinho. Eu acho a minha geração perdida. Então Sério, não consigo acreditar nas nossas capacidades. Então eu pego, contrato muita gente ainda, idade escolar ainda, os meninos ainda no ensino médio, e a gente faz provas nas escolas e tal, né?

E troca, a gente faz palestra normalmente, educação financeira para molecada, em troca a gente executa uma provinha nossa ali, contrata, né, os meninos ainda jovens. E aí eu guio eles para o que estudar. Então a gente vai guiando eles para o que estudar aí, de forma que, pô, o cara mais jovem a passar na prova do, para consultor de investimento, né, o CEA, foi o Iago. Tinha 17 anos, ele é da UVP desde os 16. O Malheiros entrou na UVP com 15 anos de idade, hoje em dia controla aí meio bilhão, com, pô, tem lá na carteira dele pessoal 500 milhões que ele controla dos clientes com 20 anos de idade, tem 5 anos já de mercado financeiro.

Então a gente tem ali pessoas muito habilidosas, né, e jovens que estudam muito. É esse o diferencial, coloca todo mundo para estudar bastante porque eu quero ser substituído por alguém melhor que eu. Tem um projeto que é, pô, passa por gerações. Eu não vou conseguir fazer isso em uma vida, né, o jeito, o lugar que eu quero chegar. Então tô treinando bem as próximas pessoas para conseguirem guiar a empresa para onde a gente precisa chegar.

TSThiago Salomão

A gente teve um papo aí uma vez e você falou assim para mim, pô, eu tenho um sócio que era vendedor de melancia, o Edson.

RSRaul Sena

Edson Benatti, vendedor de melancia.

TSThiago Salomão

E você conheceu ele vendendo melancia? Como é que é essa história, cara?

RSRaul Sena

É que eu não gosto de contar história triste. Basta lembrar que ele era um vendedor de melancia, hoje ele é sócio da da UVP, que eu acho que tá bom.

TSThiago Salomão

Mas o que que te chamou atenção quando você—

RSRaul Sena

A inteligência. Ele é um cara muito, muito inteligente, muito inteligente mesmo, muito capacitado. É um cara que eu admiro bastante. Então a inteligência, os valores, né? E na UVP, mas todos os meus sócios eram assim. O João fazia cerveja, fabricava cerveja, tinha um monte de alargador, todo lado. Só que era um cara muito inteligente, cérebro muito bom. Daí foram as primeiras pessoas que eu encontrei, que eu confiei, a gente montou o projeto junto ali.

Foram as primeiras pessoas que acreditaram que dava para fazer fazer um banco, né? Então são pessoas que eu admiro bastante.

TSThiago Salomão

Que legal, que legal, muito bom. E você contou para mim de um plano, seus planos são muito ambiciosos e bem diferentes do normal, né? Eu fiquei até pensando, pô, o que que seria o endgame da UVP? Será que vai ser vendida, fazer um IPO? E você falou, não vai ser, mas você falou do IPO que você Pensaria, quer, tem mais água aí?

RSRaul Sena

Tem, tem uma aqui no cantinho que eu guardadinho aqui.

TSThiago Salomão

Ah, só aproveitar, né, lembrar a galera, a gente bebe sempre Mamba Water. Isso aqui não é patrocínio, isso aqui é um apoio do Market Makers. A Mamba Water entrega 1 litro de água potável para comunidade sem acesso para cada latinha dessa vendida. Então se você quer levar água para quem não tem acesso à água potável, é só comprar, vai lá em mambawater.com.br. Nós, Market Makers, Só nos hidratamos com Mamba Water, nós e nossos convidados, para ajudar quem precisa.

Então já fica a dica aí, joga lá o mambawater.com.br. Tem até, deixa a dica, da água com gás, que é boa para caramba. E essa aí é só sem gás, é chique, né? É chique, né?

RSRaul Sena

Água em lata, tá?

TSThiago Salomão

E ajuda. IPO da UVP, você me falou sobre transformar todas as pessoas que ajudaram ali em sócios da UVP?

RSRaul Sena

Porque eu penso o seguinte, o mercado financeiro ele tem um desalinhamento natural, né, um conflito de interesses clássico, que é quanto mais eu cobro, mais feliz teoricamente os sócios da empresa ficam, enquanto os clientes ficam mais tristes, né. Quanto mais dinheiro a gente ganha, teoricamente os clientes ficam mais tristes. É claro, quando você vai para o fee-based, elimina uma parte disso, porque quando o cliente tá ganhando dinheiro, você tá ganhando mais dinheiro, né?

Então teoricamente os dois estão mais alinhados, mas no resto da prestação de serviço você tem valores, tem coisa ali. Então eu acho que o caminho natural para o VP, que foi construído em comunidade, um dia é ser vendida para essa mesma comunidade, né? Eu não pretendo vender a empresa para um banco de investimentos, aí falar fica aí com a empresa agora, porque daí se perderia tudo aquilo que a gente fez, né? Você não tem COE, não tem um monte de produto financeiro que eu acho ruim, não tem consórcio, Não tem nada disso.

Eu vendo para instituição financeira, o que ela vai fazer é pegar a base de clientes ali e tentar extrair o máximo de dinheiro, que é o que ela tem que fazer mesmo, que é o que o banco tem que fazer. Não tô julgando o banco por isso, mas eu não acredito nesse modelo. Eu acredito no modelo mais fair, onde a gente ganha dinheiro junto. E eu não quero vender nenhum produto que eu não acredite. Então é mais fácil os próprios clientes se tornarem sócios, porque a gente elimina esse conflito de interesse, né?

Eles passam a torcer para o meio termo, porque eles não vão mais querer pagar o mais barato possível para não prejudicar as próprias operações, a gente tem todo mundo como sócio. Então acho que é um caminho natural a UVP se tornar um banco fechado só para os sócios mesmo.

TSThiago Salomão

Não quero que, caramba, então é um, que seja uma instituição financeira aberta, seria um IPO restrito só para quem já é cliente, só para quem já é cliente. E aí seria já o, e bom, e a ideia de banco assim, difícil você comparar a UVP com, sei lá, um Itaú, um banco, mas não é para ser mesmo, é isso.

RSRaul Sena

Eu não quero ficar no lugar dessas pessoas.

TSThiago Salomão

Mas existe um benchmark? Existe algum lugar do mundo que, ó, a gente quer ser um banco tipo esse daqui? Ou— porque pelo que você me conta é algo que nem existe, né? Ou pelo menos nunca ouvi falar assim.

RSRaul Sena

Cara, eu não sei se existe, eu não acho que a gente cria nada. Deve existir algum lugar do mundo, mas eu penso numa instituição financeira, né, que as pessoas que são ali donas da instituição financeira são clientes também, e que a gente chegue no nível de satisfação em comum. Tanto como cliente. Eu sou cliente da UBP, eu deixo 100% do meu dinheiro lá dentro, todas as outras pessoas também, porque a gente confia naquela instituição.

E pronto, acho que é isso. E a gente controla os rumos dela. Acho que é uma coisa bem tranquila. Você vai perguntar para os seus clientes o que eles querem comprar e vai vender. Não sei se parece tão difícil. Quando você pensa numa padaria, ela faz isso. É porque quando você pensa num banco, não. Mas se você montar uma, uma, um restaurante e começar a servir o que você quer e não o que as pessoas querem comer, vai falir. Com banco não quebra.

É que com banco você é obrigado a ser cliente. Então os bancos estão muito acostumados com esse modelo. Eu acho que não. Eu acho que a pessoa deveria voltar porque ela tá feliz. É esse um modelo radical de imaginar. Eu sou radical, né? É um modelo radical de imaginar que meu cliente tem que estar feliz. Não acho tão difícil, mas eu não sei por que que o mercado financeiro acha que isso é impossível.

TSThiago Salomão

Deixa eu aproveitar fazer umas perguntas um pouco mais, fica à vontade de falar ou não, mas você me mostrou até uma tatuagem que você tem.

RSRaul Sena

Sim, tem uma tatuagem.

TSThiago Salomão

Você quer falar sobre essa?

RSRaul Sena

Eu acho que a gente pode. A tatuagem é o símbolo da empresa, a gente colocou, é um símbolo interno da empresa. Não, eu fiz a tatuagem, eu fiz essa tatuagem porque o meu desenvolvedor, o Thiago, ele falou que ia fazer. A gente tem um símbolo interno da UVP, né, que é o símbolo da vida e da morte, uma caveira com abelha. A abelha poliniza absolutamente tudo, né, e a caveira é o símbolo naturalmente da morte. Thiago chegou em mim, falou que ia fazer uma tatuagem da empresa.

Eu fiquei olhando, falando, caralho, esse maluco é muito doido, né. Uma tatuagem é uma coisa muito permanente, porque no dia eu fiquei, Thiago, por que que você quer fazer isso? Ele, não, porque eu imagino que esse é o projeto da minha vida. Eu falei, da minha também, né? Então, e aí ele fez, aí eu fiz a tatuagem primeiro porque eu não queria deixar ele ser o primeiro a fazer, né? Então aí dentro da empresa foi eu que fiz, daí um grupo de pessoas tava perto fez também, e aí eu percebi que aquilo era um negócio complicadíssimo.

E aí eu falei, olha, tá proibido a gente continuar com esse, com esse negócio. Mas daí acaba que proibido ou não, né, as pessoas são muito compradas no que a gente tá fazendo lá dentro. Centro. Eu acho que a tatuagem é uma bobagem quando você pensa no quão compradas as pessoas já estão, né? Eu sempre desafio todo mundo do mercado a oferecer vaga para quem quer que seja na minha empresa. Vocês podem ficar à vontade, ninguém sai, independente de quantas vezes dinheiro se ofereça a mais.

E se sair, toma cuidado, porque muitas vezes o cara aceita porque a gente pediu para aceitar e a gente tá investigando sua empresa. Então é um risco que você corre. E aí a gente, o pessoal tatuou e tal. E aí hoje em dia o mercado fica assustado, né, que é o símbolo também que a gente usa nas jaquetas e tal. Mas é, cara, para mim, símbolo nas jaquetas é o quê?

TSThiago Salomão

Quando tem— eu vi já um vídeo, né?

RSRaul Sena

Porque a gente tem a jaqueta interna da empresa que é um símbolo para a gente. Quando você trabalha na empresa, você é novato até o dia que você recebe uma jaqueta. É um apadrinhamento. Alguém mais antigo tem que te dar uma jaqueta para você ser de fato um funcionário, né? Para você estar ali. E quando a pessoa te dá a jaqueta, ela divide o bônus dela, né? Então é um risco escolher alguém para apadrinhar dentro da empresa. É uma responsabilidade muito grande, porque você escolhe um profissional ali acreditando nas capacidades dele.

Se ele for muito bom, você aumenta seu dinheiro. Se ele for muito ruim, você abaixa, né? Então você tem que receber esse apadrinhamento, que se a pessoa for desligada ou qualquer coisa, como a gente faz essas provas, esses testes semanais, né, é muito pesado a rotina da UVP ali. Então você apostar em alguém é muito difícil. Interessa para avaliação anual, você pode perder ali bastante dinheiro nessa escolha errada. E aí é o mesmo símbolo que a gente utiliza, e hoje mais de 80 pessoas ali da empresa tem a tatuagem, né? A gente é em 230, 80 pessoas têm a tatuagem com símbolo.

TSThiago Salomão

Só para saber, você proibiu a tatuagem, você lembra quantas pessoas tinham quando você proibiu?

RSRaul Sena

7, 8.

TSThiago Salomão

É que do jeito que você fala faz sentido as pessoas fazerem depois ser proibido, porque é quase como um, você meio que um breaking the law, né? Você tá criando coisas muito diferentes do padrão. E se você tava formando pessoas assim abaixo—

RSRaul Sena

mas eu acho que é porque assim, para a gente, eu não, eu não sei olhar especificamente quem tem a tatuagem, quem não tem, eu não me importo com isso. Eu acho que quando a pessoa tá comprada no objetivo que a gente tem, você conhece, conversar com qualquer pessoa que trabalha na UVP, eu sempre falo, pode começar qualquer um, pode pegar qualquer um. Poxa, a faxineira é sócia da UVP, né? Então vai ser o primeiro banco talvez que a faxineira recebeu equity, porque ela é muito importante.

Importante para empresa. Não é porque, ah, eu quero fazer marketing disso nem nada, não. É porque a Dalvin, ela é fundamental para empresa, é uma das pessoas que mais cuida da empresa de modo geral e das pessoas que trabalham lá. Ela, quando não era o trabalho dela, picava as frutinhas todo dia para os meninos e tal, e tá ali presente para eles, né. Então eu não sei quantos por cento do nosso resultado veio por causa dela. Quando você olha, pô, Edilson, que é motorista, e ele vai e busca bebida e leva a galera e cuida de cada um, e se alguém tá mal no dia, ele tá lá conversando.

Não sei quanto aquilo impacta no resultado da empresa, eu sei que impacta. Então quando a gente olha para isso, eu fico pensando que uma tatuagem é uma bobagem, porque você vai olhar para isso, vai pensar, porra, tenho lá 60, meu Deus, menino fazendo a tatuagem de uma empresa. Mas é aquilo que a gente acredita. Eu acho que quando você tem crença em alguma coisa, uma tatuagem, que é um corte de cabelo, o que que significa, né? Você não entrava no exército, ele manda você raspar a cabeça.

Ninguém nunca se preocupou com isso. Então tatuagem não era uma maquiagem, é uma bobagem, né? Perto do que a gente acredita, perto dos valores que você tem, das coisas coisas que você tem na construção da vida. Acho que a tatuagem é um símbolo muito pequeno, sinceramente, né? Eu olho para tatuagem, eu acho absurdo, ainda acho absurdo a gente ter feito isso. Foi a minha primeira tatuagem, eu não tinha tatuagem nenhuma. Ninguém, ninguém tinha.

A maioria das pessoas que fizeram essa tatuagem não tinham tatuagem nenhuma no corpo. Então, para a gente foi uma, é muito mais uma demonstração do quanto a gente acredita no que a gente tá fazendo. É porque você imagina, você acha que um cara do Itaú tatuaria o Itaú no braço depois do que ele sabe que faz com os clientes, eu duvido bastante, né? Ou de quem trabalha num banco tradicional, não com Itaú, né? Porque pode citar Itaú, Bradesco, Santander, eu duvido que ele tatuaria porque ele não acredita naquilo.

Então essa é a diferença, né? Quando você olha, se você sabe que você tá fazendo um bom trabalho, porque pô, eu olho para as pessoas, ela acredita naquilo. Eu nunca vi ninguém falar baixinho que trabalha na UVP, né? Nunca vi ninguém com vergonha de falar que trabalha na UVP ou do que faz da vida. Todo mundo fala, pô, a gente tá trabalhando para melhorar a vida das pessoas. Eu não tenho cliente endividado, eu não tenho cliente que eu enfiei em dívida.

Eu tenho, pelo contrário, tirei gente da dívida que muitos bancos erraram. Então eu tenho muito orgulho de fazer parte de uma transformação de um país e de uma sociedade ao mesmo tempo.

TSThiago Salomão

Raul, eu ouvi numa, não lembro qual foi o podcast, mas eu vi essa pergunta, achei muito curiosa e me veio ela na cabeça tendo essa conversa aqui contigo. É, o apresentador falava que reputação é aquilo que falam de você quando você sai da sala. O que que você acha que falam de você quando— pode ser, eu perguntaria aqui na Faria Lima, mas pode ser em qualquer meio, qualquer— o que que você acha que falam do Raul quando ele levanta e sai da sala?

RSRaul Sena

Que eu sou louco, acho que é o primeiro. Acho que é 100% das pessoas me conhecem falando que eu sou louco, e acho que porque elas já não estão lúcidas há muito tempo. É esse o ponto, né? Quando você acorda todos os dias e vive no automático e faz a mesma coisa sem saber o impacto do seu trabalho na vida dos Não acho que eu que sou louco. Quando eu sei do impacto do meu trabalho, sei a diferença que a gente faz na vida das pessoas, e eu me preocupo com isso, eu acho que é lucidez, não loucura.

Mas eu sei que dizem que eu tô louco. O primeiro passo é esse. No geral, que eu sou muito bom no que eu faço, eu sei que essa é uma coisa que mesmo na Faria Lima, mesmo quem acha que eu sou louco, eles dizem que eu sou muito bom no que eu faço. E acho que de certa forma que eu sou romântico, que acho a crítica mais válida.

TSThiago Salomão

É romântica. Eu acho que até defini em algum momento aqui do papo, eu falei de uma ideia romântica.

RSRaul Sena

Que bom, né? Sinal que quando a gente se apaixona por alguma coisa, eu acho que é o—

TSThiago Salomão

não, e dá para perceber isso.

RSRaul Sena

Eu acho que é um cara romântico também. Quando você me explicou sobre o Market Makers, o que que você fez e construção de comunidade, acho que a gente é muito mais parecido que diferente.

TSThiago Salomão

Sim, sim, boto fé, boto fé. Até por isso acho que o papo tá bem legal, até por isso. Raul, você já é muito novo, cara, mas você já pensou em legado? Porque você já construiu muita coisa, né? Você, apesar dos seus 33 anos, já são 20 anos aí praticamente trabalhando, já tem uma empresa do tamanho que tá, provavelmente já alcançou sua independência financeira já há um bom tempo, já tá tendo ideias muito mais que foge do simplesmente o negócio dar certo, porque de fato já deu.

Você já tá pensando em reindustrializar o Brasil, tem vários outros projetos fora do mercado que a gente nem falou aqui. Até vi um tweet recentemente do Vila Nova. Vocês estão patrocinando o Vila Nova?

RSRaul Sena

Patrocinamos o time, cara.

TSThiago Salomão

Caramba, que da hora, cara!

RSRaul Sena

É um time da Série B, né, que nunca subiu para Série A. E pior que desde que a gente patrocinou tá no topo da tabela da Série B, talvez suba agora.

TSThiago Salomão

Pô, que maravilha! E já pensou, acho que futebol não é muito sua praia, né, mas já pensou em entrar numa SAF, alguma coisa, ou só patrocínio?

RSRaul Sena

Eu não, eu não, eu não entendo nada de futebol, então não conseguiria, acho que, tocar uma SAF. Eu não entendo nada mesmo assim. É, quando eu vou assistir futebol é só na Copa do Mundo, entendo as regras, impedimento, entendo. Mas eu falo assim, eu não entendo do mercado, parece uma coisa muito difícil de se tocar, né? Quando você olha, quando todos os times, por mais grandes que sejam, tem dívida gigantesca e não dá lucro, né?

TSThiago Salomão

Bom, então voltar para do legado. Você já pensou em legado? O que que você gostaria de deixar para a sociedade? Planos futuros até, pô. O que que um Raul daqui 10 anos vai estar fazendo, cara?

RSRaul Sena

Eu, o legado que eu queria era ser demitido da UVP. Eu gostaria muito de ter escolhido um dos jovens, ter escolhido o cara certo que um dia consiga me engolir e passar a jaqueta para ele. É, para ele me engolir. Eu já, todo ano eu escolho um para dar jaqueta, assim como todo mundo na UVP, mas Eu gostaria muito de ser substituído por alguém melhor, né, que possa tocar o projeto e levar para frente.

TSThiago Salomão

Mas aí você vai fazer o quê?

RSRaul Sena

Ficar feliz, né? Chegar em casa e falar, caramba, vou arrumar alguém melhor que eu para tarefa. Porque quando você tem um trabalho que você considera que ele é importante, a melhor realização possível é ele tá na mão de alguém que é melhor que você, né?

TSThiago Salomão

Então sim, mas Mas tem a satisfação pessoal daquilo que você faz. Eu digo, o que que você faria depois disso?

RSRaul Sena

Eu vou descansar, cara, montar uma vinícola, fazer um vinho, sei lá. Eu comprei uma época vinícola em Mendoza, mas vendi, não tenho mais.

TSThiago Salomão

E comprou e vendeu?

RSRaul Sena

Comprei, nunca, ela não produzia mais, já tava fechada há um tempo.

TSThiago Salomão

Inusitado. E o que que tem de hobby na vida? Você tem alguma coisa fora do trabalho que você faz?

RSRaul Sena

Eu cozinho todos os dias, eu chego em casa e cozinha todos os dias, cozinha para os meus amigos e tal, para os meus familiares. Eu cozinho todos os dias da minha vida, eu gosto muito de cozinhar.

TSThiago Salomão

Que da hora, que da hora, cara! Eu queria só aproveitar ainda um tempinho a mais. Me fala um pouco sobre o momento atual de Brasil, como é que você vê aí agora, pegando um pouco Porque, porra, eu não tô falando com— eu tô falando com um cara do mercado financeiro, mas que você tem uma mentalidade muito além de um cara do mercado financeiro, um cara fazedor, um cara já construiu muita coisa, tem a sua empresa. Então, falando com o Raul investidor barra empresário barra empreendedor, momento agora de Brasil, e como é que você vê isso?

E porra, porque a gente vê o Brasil como você desenhou, no momento tão complicado, mas você tem uma empresa que tá prosperando e prosperando muito, né? Enfim, como é que você vê o momento atual de Brasil?

RSRaul Sena

Eu acho que a gente tá num, talvez, o melhor material humano que a gente já teve na história do país. Assim, a gente tem muita gente muito qualificada e muito inteligente no país. Eu acho que, porra, quando você olha, os desenvolvedores brasileiros são maioria nas empresas. Trabalhando e tal. Se não maioria, pelo menos entre os países mais importantes que é na vanguarda disso, inteligência artificial, etc., a gente tem os melhores profissionais.

Quando você olha de mercado financeiro, talvez a gente tenha os melhores profissionais, né? É de assustar a capacidade intelectual que você encontra ali no pessoal do banco, né, do BTG. Você encontra na Asset, na própria Asset do Itaú, uma galera muito inteligente, na Asset dessas empresas todas, e também nas mesas e tal, e fazendo negócio, né? E num país desse jeito você vê que ainda sai muito negócio, né, nas fundações das empresas e dos projetos.

A gente vê um Brasil que domina o setor de proteína animal lá fora e tal. Acho que o material humano muito bom, e acho que as pessoas boas nunca se afastaram tanto da política quanto agora. A gente veio de uma geração que lutou, né, a geração da década de 80, 90, tava pedindo para ter direito a votar. E as escolhas deles depois disso foi um show de horrores. Assim, a gente elegeu talvez a— a gente tá falando da pior seleção, a gente elegeu talvez os piores políticos de toda a história do nosso país, assim, e com relativa folga.

Acho que a gente conseguiu uma geração completamente autocentrada, sem projeto de país, sem perspectiva de nada. Então acho que somado, né, todos os homens bons desistiram da política e os homens maus eles perceberam ocupar o espaço vago ali. Como muita gente agora tá crescendo, esse pessoal tem 15, 20, 25 anos, eles estão crescendo agora, eles perceberam, né, essa, essa assimetria e começaram a se interessar pela política. Muita gente acha que isso é ruim, né, essa polarização, essas coisas todas.

Eu acho que a gente tá perto de algo muito grande, né, de uma transformação muito boa do país. Eu acho que a gente tá chegando no limite do que dá para aguentar. Então eu diria que no Brasil, nos próximos 10 anos, a gente vai viver momentos muito felizes, que é a passada de bastão dessa geração completamente perdida, essa geração péssima de administradores, para uma geração nova. Eu torço para que sejam melhores, eu torço para que mais jovens se interessem pela política, mais homens de 40, 50 anos, errados ou não, mas que eles queiram discutir ideias.

Que a gente passou por essas gerações todas que queriam discutir nada, só queriam brigar entre si para provar quem tem direito de mandar. Eu acho que agora pelo menos estão discutindo ideias. Eu acho que quando a gente vem aqui, você entrevistou gente e tal, você percebe uma coisa em comum, com todas essas pessoas muito mais velhas que estavam disputando a política. Eles só falam eu, eu, eu, nosso projeto, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, né?

E agora a gente tem visto pelo menos pessoas falando não, o liberalismo não, o comunismo não, o sei lá o quê. Eu acho que quando você tá discutindo o que que a gente vai fazer, o projeto de país, ruim ou não, tô dizendo que precisa ser bom não, eu acho que a gente tem uma geração muito superior. Entrando agora, pelo menos o nível do debate parece estar melhorando. Eu sinto isso, né? O nível do debate tá melhorando. É muito menos sobre o que que eu consigo fazer, muito mais, cara, você tá errado por isso, por isso, por isso.

Acho que isso é muito bom, né? A gente encontra muito isso no mercado financeiro, pessoas discutindo, fala, não, cara, esse modelo econômico ele não funciona por isso, por isso, por isso, né? E o outro lado tá respondendo, ó, não, acho que a gente acredita que funciona por isso, por isso. Eu não sei que caminho que o Brasil deveria seguir, Eu já passei dessa fase que eu achava que eu tinha certeza. Antigamente eu falava com certeza que o liberalismo pleno ia resolver tudo.

A gente percebe que quando você olha para os Estados Unidos agora, nem eles acreditam mais nisso, né? Eles que eram o berço daquilo. E quando você olha para a China, tem coisas que deram certo. Quando você olha para a Europa, tá fracassando também em diversos aspectos, mas tem outras coisas que deram certo. Quando você olha para o Brasil, tem coisas que deram certo de investimento estatal, tem coisa que deu certo por causa do mercado financeiro puxando, ajudando a puxar.

Essa parceria parece que ela é, parece que o meio do caminho, não total meio do caminho, meio, meio, mas um caminho ali com algum nível de liberdade para as boas ideias e algum nível de restrição para os malucos, ela costuma chegar a algum lugar. Eu acho que eu tô chegando nessa conclusão, não sei também. Então eu tô feliz com a nova geração, me faz muito feliz quando eu olho para esses moleques de 20 anos, eu tô feliz.

TSThiago Salomão

E sabe que banqueiro atua bastante na política, né, através de bastidores, né, apoio a candidatos. Você, você se vê desse jeito também, assim, a sua participação na política? Talvez você não deve ir para política você mesmo, mas você se vê também tendo essa atuação de ajudar novas?

RSRaul Sena

A UVP já atua bastante, bastante mesmo. A UVP patrocinou agora um site chamado Olhar do Povo para as eleições, que mostra os deputados que mais gastaram dinheiro e tal. Você entra lá no site, tá lá apoio da UVP. A gente tenta fomentar as boas discussões, né, e as boas ideias ali. Eu acho que eu me vejo fazendo isso, eu não me vejo decidindo pelas pessoas, não acho que é meu papel, não sou mais inteligente que a humanidade inteira.

Acho que a gente tem muita gente dentro das universidades, etc., capazes de discutir projeto de país melhor. Não estudei isso, não tá na minha área de atuação, sou um cara do mercado e tento ser um bom cara do mercado. Acho que é esse o ponto. Olha, eu sou um cara de mercado financeiro, nas minhas atribuições estão financiar bons projetos. Eu acredito que é isso que eu tenho que fazer, esse é meu papel na sociedade. As pessoas que têm que pensar a sociedade, que tem que pensar infraestrutura, etc., né, elas têm que pensar para eu poder investir.

E as pessoas que têm que ter os cargos políticos deles, etc., tem que apresentar os projetos para a sociedade. A sociedade tem que acreditar nesses projetos e eles funcionarem. Eu me vejo como uma pessoa disposta a fazer o meu papel na sociedade. Eu acho que é esse o caminho. Assim, eu não vou, não sou político, não tenho interesse em entrar para política, mas eu sou um ser político. Obviamente eu tenho meus interesses, né? Eu tenho os interesses, aquilo que eu acho que é melhor, aquilo que eu acho que é pior dentro da minha área de atuação.

Acho que eu posso influenciar, influencio, né? Quando um deputado vai lá e faz um projeto, eu desço a lenha nele no canal, ele tira o projeto. Isso é influência, isso é participar da política, né? Quando a gente ficou defendendo projetos também. Obviamente eu tô sendo político, né? A gente tem viés, você também tem. Eu tô aqui defendendo e atacando certos projetos políticos. Acho que quando a gente abre isso para as pessoas é mais transparente falar: olha, eu tenho interesse, eu sou um cara de mercado, eu tenho interesse que o mercado dê certo.

Eu não posso dizer que amanhã eu tô torcendo para o mercado acabar. Como é que eu vou falar uma bobagem dessa, né? Não tô. Então se alguém quer que o mercado acabe, essa pessoa imediatamente é meu inimigo, correto? Então é o ponto que eu penso, é esse. Se algum político disse que o mercado financeiro deveria acabar, eu vou dizer que ele tá louco e vou pagar para que ele seja louco, né, seja visto como.

TSThiago Salomão

Raul, você falou do seu início de vida mais humilde e hoje, bom, dá para dizer que humilde acho que eu nunca fui não, sou arrogante.

RSRaul Sena

Eu era pobre.

TSThiago Salomão

Então o Raul pobre e o Raul rico, o que que mudou? Talvez uma grande mudança aí na sua vida que eu agora, o Raul com dinheirinho a mais faz que o Raul do passado, certamente, tamanho da casa, né?

RSRaul Sena

Minha casa é gigante, loucura. Eu moro num apartamento, uns 4 andares assim, é um negócio impressionante. Acho que o tamanho da casa mudou. Acho que fora isso não tem muita diferença não. No geral, eu gosto de fazer as mesmas coisas assim. Acho que o dinheiro é muito bom porque para você não pensar nele. Eu acho que eu pensava mais em dinheiro quando eu não tinha dinheiro, pensava muito mais, eu acordava pensando em dinheiro. Sei lá, acordava, sei lá, tem que lembrar se você tem dinheiro para o ônibus ou não.

É um negócio meio maluco, né? Você tem que ver se, porra, bater a mão no bolso toda hora ali, checar se o dinheiro tá lá ainda. Nunca fez? Dá uma contada ali e fala, porra, tá aqui. Aí você tem que pensar, pô, eu vou precisar almoçar. Você tem que ver se tem a quantidade de dinheiro. Era um exercício mental. Acho que eu passava boa parte do meu tempo pensando sobre dinheiro. Acho que eu penso nada sobre dinheiro hoje em dia.

TSThiago Salomão

É, acho que é a liberdade também de você poder falar mais não que sim, né? Quando você Porque muitas vezes quando você precisa do dinheiro, o ter o não, é, você nem existe o não no seu dicionário. Cara, poderia ficar aqui um tempão falando com você, mas porra, já tem muita coisa legal que a gente já falou. Deixa eu só lembrar o pessoal, tem muitos canais para você seguir o Raul, né? Tem no canal do YouTube, né, Você encontra como Raul Sena, mas vai estar lá Investidor Sardinha também.

Os ETFs, né, só lembrar: Área 11, a UVP 11, a BTC 11 e ALPO 11. Qual outro melhor canal para encontrar a UVP?

RSRaul Sena

Seria o site da UVP Capital no Instagram, o canal da UVP aqui também tem no YouTube, é grandão, tem uns 170 mil inscritos, tá bom, tá bonito.

TSThiago Salomão

É que o seu, né, tá, o que eu falei já não lembro mais, era 1 milhão e 700, né, que tava.

RSRaul Sena

Acho que é isso, 1 milhão e 600, alguma coisa. Mas depois que apareceu aqui agora é humilhação. Será que pode?

TSThiago Salomão

Vai, vai, vai. Meu querido, a gente sempre faz no final do papo um ping-pong. Então é o momento Marília Gabriela aqui, que a gente fala resposta de bate-pronto. Eu vou querer saber livros, música, um convidado que você gostaria de ver aqui e a maior gentileza que foi feita na sua vida. Vamos lá, começar pelos livros. Eu sempre gosto de ouvir um livro técnico e um livro Tema livre.

RSRaul Sena

Bom, livro técnico, acho que de investimento, Ações Comuns, Lucros Extraordinários, do Philip Fisher. Eu gosto do que o filho dele fez o prefácio, que ele já tava, né, parece que com Alzheimer. E aí o prefácio é bem pesado assim. Acho a relação familiar dele bem complexa, né. O cara era um gênio, mas parece que ele tinha alguma dificuldade de trato social. Acho que eu me sinto melhor quando quando eu leio o prefácio do Philip Fisher, é um cara difícil, cara.

TSThiago Salomão

Isso é mais comum do que parece, né? Eu não sei se já chegou a ler, a gente fez um episódio recente da vida do Warren Buffett e eu li o Bola de Neve, né, aquele livrão lá do cara.

RSRaul Sena

Ali você vê, esposa, o problema, casou com a vizinha.

TSThiago Salomão

É, não, o negócio assim é bem, não, e até o trato com os filhos, a neta que ele tira do dinheiro que ele ia distribuir, enfim.

RSRaul Sena

É complexo. O Steve Jobs também, família é um negócio complexo para a gente, esse povo grande. E cara, de livro pessoal, eu acho que um livro muito bom, muito bom mesmo, que não é técnico, seria Dom Quixote, cara. Acho muito bom.

TSThiago Salomão

Não lembro de alguém ter falado de Dom Quixote.

RSRaul Sena

Cervantes, cara, é muito bom. Dom Quixote é um livro genial assim.

TSThiago Salomão

Eu tirei essa pergunta do ping-pong, mas acho que para você vale fazer. Você é um cara, tem umas opiniões mais rápidas. Um livro para não ler, você tem alguma recomendação de não leitura?

RSRaul Sena

Porra, de não leitura, cara, se eu falar vão ficar chateados. Deixa eu pensar numa resposta mais política.

TSThiago Salomão

De não leitura, você pode deixar essa aqui atrás, vai respondendo as outras.

RSRaul Sena

Não, tem o, eu sei o livro, eu só tô esquecendo o nome. Tem um daquele que do Conselho dos Banqueiros Suíços lá, que fala muito ruim. Esse a galera não gosta, mas acho bem ruim.

TSThiago Salomão

É uma música e por que essa música?

RSRaul Sena

Nossa, uma só é difícil. Acho que o Mundo é um Moinho do Cartola, acho bom para caralho.

TSThiago Salomão

Caramba, Cartola! Nem parece que a gente falou sobre punk rock antes de começar.

RSRaul Sena

É porque o punk rock ele é muito explícito, né? O punk rock é música revolucionária, mas é enlatado, é barato, né? É uma revolução rápida, revolução miojo, né? Acho que Cartola entende mais da vida porque é um conselho para filha dele que tá saindo de casa, acho que para se prostituir, né? E aí ele fala frases muito fortes, né? São umas que é bem complicado. De cada morto herdará só o cinismo. Quando notares, estás à beira do abismo, abismo que cavaste com seus pés.

É um cara específico, né? Você receber uma frase dessa do seu pai, eu acho que você reflete a vida inteira, né?

TSThiago Salomão

Um convidado que você gostaria de ver aqui no seu lugar trocando ideia com a gente?

RSRaul Sena

Porque teria sido uma conversa talvez muito melhor. O Malheiros é um consultor bem jovem da nossa empresa. Eu acho que vocês iam se surpreender com o primeiro produto da UVP. Eu acho que foi ele, primeira pessoa criada 100% dentro da filosofia que a gente desenvolveu, porque ele foi para Goiânia bem jovem, bem nome mesmo, foi morar lá já. E aí ele tem uma capacidade muito boa, é impressionante ver o que que a boa educação consegue produzir no cérebro humano.

Acho ele, acho o melhor cérebro lapidado da UVP. Acho que é o primeiro caso de um monte que vocês vão ver agora, mas um monte de cara que a gente fez para o mercado financeiro e que tem uma vida, tem uma capacidade de raciocínio incrível.

TSThiago Salomão

Vou improvisar aqui, botar uma pergunta alguma referência para você? Não pode ser um ídolo, pode ser alguém que te inspirou ao longo da vida, seja na família, no esporte, no trabalho, nas leituras da vida.

RSRaul Sena

Cara, se você pensar no Brasil de modo geral assim, eu acho que Eu gosto muito da história das pessoas que fizeram a construção do nosso país, né? José Bonifácio, velho, é um homem importante, era o conselheiro do imperador. Eu acho que ele é um cara importante para a história do nosso país, assim, é um cara bem, bem significativo para a história do Brasil. Tirar ele muda algumas coisas muito importantes. É porque eu não sei o nome das pessoas que fizeram a Primeira Guerra na na Bahia ali, que faz a gente se tornar um país, uma nação de fato, né?

Acho que são os primeiros brasileiros de fato, mas aqueles homens morreram para a gente ser um país. Eu acho que seria uma boa referência.

TSThiago Salomão

Pô, cara, fiquei curioso. Prato que você mais gosta de fazer, já que você cozinha todo dia?

RSRaul Sena

Cara, eu gosto muito de carne de panela. Eu sei fazer de diversos jeitos. Eu gosto do jeito que os franceses fazem, que é bife bourguignon, mas eu gosto muito do jeito brasileiro também, fritando o alho e a cebola antes. Festival ali e tal. E acho que fica bom para caramba.

TSThiago Salomão

E para fechar, qual a maior gentileza que foi feita na vida de Raul Senna?

RSRaul Sena

A maior gentileza de todas, acho que quando meu pai me disse que eu não era um gênio, foi a melhor gentileza de todas.

TSThiago Salomão

Quando ele disse isso?

RSRaul Sena

Todos os dias da minha vida, até eu fazer uns 16 anos, ele me segurava em frente ao espelho e pedia para eu falar que eu não era um gênio.

TSThiago Salomão

Mas por quê? As pessoas falavam que você era um gênio?

RSRaul Sena

Falavam na escola e tal. Acho que teria feito mal para minha cabeça. Eu já sou muito arrogante, eu acho que teria destruído minha vida. Eu fico feliz dele ter me avisado que eu era só um homem normal. Acho que me ajudou bastante.

TSThiago Salomão

Bom, estive aqui com o Gênio normal, Raul Sena.

RSRaul Sena

Deus me livre de gênio normal, cara.

TSThiago Salomão

Obrigado mesmo, parabéns pelo que você tá construindo. É uma história única, singular, que a gente traz aqui no Market Makers. Espero que tenha inspirado muita gente aí. Sucesso, sucesso com os produtos que você tá lançando, sucesso com a UVP, para as pessoas que você tá transformando aí nesse caminho e na sua caminhada, cara. Foi muito legal papo.

RSRaul Sena

Muito obrigado pelo convite, cara. Confesso que não era bem o papo que eu tinha esperado que a gente ia ter aqui. Achei que a gente ia falar muito, muito mais de mercado. Espero que as pessoas tenham conseguido entender um pouco o que que a gente pensa. Parabéns para você, né, cara, conseguiu conversar com tanta gente foda desse mercado nesse tempo. E você também é um cara muito jovem, né? Você tem 38 anos perto das pessoas que você traz aqui.

TSThiago Salomão

Acho que não perto delas, tem nossa idade de mercado assim.

RSRaul Sena

Então é só pedindo licença aí, eu sei que 90% de vocês sabem muito mais que eu sobre mercado e tudo, não tô dizendo que não, é só um jeito diferente talvez da gente enxergar a vida. Então muito obrigado por terem prestado atenção, por terem ficado comigo aí até o final, com a gente aqui.

TSThiago Salomão

Valeu demais, valeu, valeu mesmo, Raul, muito bom. Na próxima você volta aí, a gente tem um papo mais de mercado, mas cara, Realmente a sua história é muito inspiradora e não é todo dia que a gente tem uma história legal assim para compartilhar. Pô, valeu demais, pessoal que veio até o final. Joinha no vídeo, se inscreve no canal. Já são 7 milhões de pessoas impactadas todos os meses, mas a gente quer chegar ainda mais. Então se inscreve, deixa o like no vídeo, compartilha com seus amigos.

Lembrando, toda terça, quinta e domingo às 18 horas eu tô aqui no YouTube ou na sua plataforma de podcast conversando com alguém sempre muito mais interessante do outro lado da bancada, trazendo conhecimento para vocês. Até a próxima e tchau!

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