#341 | TRUMP, CRISE NO PETRÓLEO E OS DESDOBRAMENTOS DA GUERRA ENTRE EUA E IRÃ
A guerra entre Estados Unidos e Irã está desencadeando um dos maiores choques no petróleo das últimas décadas — e o impacto pode chegar direto no seu bolso.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão recebe Marcos Troyjo e Rodrigo Almeida (BTG Pactual) para analisar os últimos acontecimento da guerra e também abordar:-O risco real de escalada militar no Oriente Médio-Até quando essa guerra deve durar?-O impacto direto no preço do petróleo-Como isso afeta inflação, juros e bolsas globais-O que esperar das empresas de Oil & Gas-Onde estão os riscos e oportunidades para investidoresSe você quer entender como a geopolítica pode mexer com o mercado — esse episódio é obrigatório.Você acha que o petróleo vai disparar ou o mercado está exagerando?LISTA DE LIVROS DO HOC E TROYJO (GRATUITO): https://lp.mmakers.com.br/lp-livros-de-hoc-amp-troyjo?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-X-20260331-DESCRICAOSOBREEPTROYJOHOC-MM-X📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://mmakers.com.br/biblioteca-market-makers/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -TRUMP, CRISE NO PETRÓLEO E OS DESDOBRAMENTOS DA GUERRA ENTRE EUA E IRÃ | Market Makers #341Apresentadores: Thiago Salomão (apresentador do Market Makers)Convidados: Marcos Troyjo (ex-presidente do Banco do BRICS) e Rodrigo Almeida (Analista de Oil & Gas no BTG Pactual)#GUERRA #EUA #IRÃ #ORIENTEMÉDIO #TRUMP #PETRÓLEO #ECONOMIA #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS.
João Landau
Thiago Salomão
Rodrigo Almeida
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Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da Família Investidora Brasileira. Hoje fechamento de mês de março, fechamento de trimestre. Para quem está vendo ao vivo, 18h28. Para você que está vendo a gravação, já deixa o like aí no vídeo ou no Spotify, se estiver ouvindo.
Hoje o papo vai ser profundo. A gente trouxe aqui mais uma vez o Marcos Troirro, nosso grande amigo já de casa aqui, grande conhecedor do cenário geopolítico, para falar um pouco dessa guerra entre Irã e Estados Unidos e o seu desenrolar, até onde vai.
E junto com ele a gente trouxe Rodrigo Almeida, que é um analista do BTG Pactual, que cobre o setor de petróleo e gás. Já faz isso há oito anos, trabalhando no Santander, chegou no BTG recentemente. E já te adianto que o que ele vai trazer aqui de aula sobre o setor de petróleo e gás...
Vale muito a pena acompanhar para ter essa conexão com o cenário geopolítico que o Troíro vai traçar. E que está todo mundo falando, inclusive, já deixar aqui meu agradecimento e um abraço ao jornalista Lourival Santana, que pela primeira vez apareceu num podcast para contar a sua história. Jornalista com 37 anos de experiência, cobriu 15 guerras e veio aqui no nosso último episódio. Se você olhar ali depois na nossa playlist, foi o episódio de domingo, bombou de audiência e falou muito.
sobre esse cenário de guerra e de uma maneira até mais skin in the game, né? Literalmente ele participou, cobrindo muitas guerras ao longo do tempo, morou no Oriente Médio e vários países. Então, foi uma baita aula.
Antes de começar o papo, recadinhos importantes aqui. A gente preparou um conteúdo extra, então se você clicar no link que está na descrição ou apontar o celular para o QR Code que vai aparecer na tela, você vai receber a melhor lista de livros sobre geopolítica, mundo...
que o mercado já teve acesso. São indicações de livros de dois dos nossos convidados mais frequentes sobre o assunto do Market Makers. Um deles está aqui, que é o Marcos Troirro, e o outro é o Professor Roque. Eles montaram uma lista de livros, a gente pediu para eles fazerem essa lista de recomendações, e a gente fez um e-book exclusivo com uma resenha dessas obras. Então vale super a pena, e aí está no 0800, é só apontar o celular na tela e baixar esse e-book.
E só lembrando, isso aqui não é patrocínio, é um apoio do Market Makers. Mamba Water, se você quer ajudar as 750 milhões de pessoas que não têm acesso a água potável, compre aí a sua Mamba Water, vai lá em mambawater.com.br. Cada latinha vendida dessa, a Mamba Water se compromete a levar um litro de água potável para as comunidades que não têm acesso. Então hoje, Market Makers e seus convidados só se hidratam com Mamba Water.
Meus queridos, primeiro o Marcos do Ivo está preparado, meu querido? Está sempre preparado, já é de casa praticamente. Bem-vindo mais uma vez ao Market Makers. Obrigado, obrigado, Thiago. Um prazer estar aqui com você e com o Rodrigo. Rodrigo, bem-vindo pela primeira vez ao Market Makers. Está preparado? 100% preparado. Obrigado pelo convite. Troio, é um prazer estar com você aqui hoje também.
Boa, excelente. Então, vou pedir para o Troíro fazer as honras, falar um pouco de como você está acompanhando o cenário. Vou dar uma olhada aqui também no chat e depois, Rodrigo, vou querer que você fale um pouco até do impacto direto nas commodities, que é onde você está mais acostumado a acompanhar, principalmente o petróleo, mas eu sei que você tem muito a falar também dos derivados do petróleo. E até eu quero que você fale um pouco de como o investidor pode se expor a esse cenário.
Enfim, mas Troíro, primeiro, a gente já falou aqui sobre as novas siglas do ISD, a gente já falou de tanta coisa nas suas últimas vindas, mas esse evento que parecia que era para durar pouco, pelo menos Donald Trump assim esperava, e não é bem o que a gente está vendo.
Bom, difícil projetar um cenário, mas pelo nosso último episódio, talvez o cenário mais plausível seria chegar a um acordo, porque senão essa guerra vai se arrastar por muito tempo, Estados Unidos talvez nem tenha capital político para mandar tantas tropas e ficar por tanto tempo num conflito terrestre com o Irã, que há muito tempo está preparado para isso. Mas enfim, como você está acompanhando isso tudo, Troirro? Qual a sua leitura sobre esse momento atual?
Tiago, vamos colocar isso numa moldura maior. Faz mais ou menos uns 3, 4 anos que um historiador da Universidade de Colômbia, o Adam Tuz, recuperou um termo do Edgar Morin.
O Edgar Morin, 20, 30 anos atrás, estava pensando nos problemas climáticos e acabou cunhando a frase policrise, ou seja, a ideia de que você tem vários desafios acontecendo no mesmo espaço de tempo. E o Adam Tuz fez uma releitura desse termo em 2022, em 2023, aliás, um dos principais temas... Só fala um pouco mais perto do microfone. Um dos principais temas de diferentes edições do Fórum Econômico Mundial.
dos fóruns da European House, desses vários colóquios que acontecem no mundo, estavam girando em torno da ideia de policrise. Ou seja, quando Adam Tuz recupera esse termo, 3, 4 anos atrás, ele está pensando que policrise é a coincidência cronológica entre aquele que foi o maior desafio à saúde pública que a humanidade enfrentou desde o final.
desde a gripe espanhola do século passado, o maior desafio geopolítico no coração da Europa com o conflito Rússia.
a emergência do que a gente vem ouvindo ser chamado como uma Guerra Fria 2.0 e a situação mais nevrálgica no Oriente Médio dos anos 70. Israel-Irã, Israel-Hezbollah, Israel-Hamas. Agora, se aquilo de quatro anos atrás já era policrítico,
Essas coisas se complexificaram ainda mais, tendo por referência essa iniciativa americana-israelense, que essencialmente está completando algumas semanas, contra o regime iraniano. Então, é engraçado que ela é policrítica.
numa dimensão diferente, porque ela tem uma dimensão energética, que obviamente o Rodrigo vai tratar com mais profundidade. Você sabe que os efeitos sobre a principal economia do mundo, que são os Estados Unidos, são muito diferentes daquilo que, por exemplo, aconteceu em 1973 e 1979.
Acho que a dificuldade ali, sobretudo para a economia americana, tinha que ver com problemas de abastecimento. A eventual necessidade de você fazer uma administração muito espartana dos recursos energéticos, você corre o risco de desabastecimento. Hoje o principal produtor mundial de petróleo são os Estados Unidos. Então os desafios são de uma outra natureza. São de natureza sobretudo do que hoje se tornou talvez o principal tema.
da contagem regressiva eleitoral nos Estados Unidos, para as eleições chamadas mid-turns, que é o tema da affordability, o quanto as coisas estão caras para o consumidor norte-americano. Então você tem essa dimensão econômica. Você tem, curiosamente, uma dimensão...
de busca de alternativas aos ativos petróleo, porque quer queira, quer não, me parece que com a presidência Trump, com a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, com o fato de que China e Índia estão queimando petróleo adoidado, como se não houvesse amanhã, aliás, petróleo e carvão.
o que faz com que, como nós já tivemos a oportunidade de falar aqui, você tenha uma agenda ESG 2.0, ou seja, deixando um pouco de lado os temas de preocupação ambiental, com a ascensão dos temas de geopolítica, segurança e economia. Agora, curiosamente, voltou-se a falar sobre a...
a necessidade de outros tipos de fonte energética para evitar sua exposição relativa a essa zona, que é sempre uma zona tão conturbada que é o Oriente Médio. Eu não sei se vocês viram, mas nesses últimos dias, a The Economist fez uma matéria, que está com grande repercussão, tem mais ou menos 48 horas isso, dizendo que o Brasil tem uma arma secreta.
contra as incertezas geradas pelo contencioso no Oriente Médio. Obviamente, ele está falando aqui sobre a nossa experiência no campo do etanol, do álcool e assim por diante. Então, você tem essa dimensão. E você tem outra dimensão muito importante, que é...
tem um novo tipo de guerra acontecendo no mundo. Você tem uma situação em que um sistema de defesa, o Iron Dome, por exemplo, israelense, ou outros, custam bilhões e bilhões de dólares para serem arregimentados.
Então eles são efetivos, só que o custo relativo da agressão, ou seja, daquele que está atacando, por exemplo, com drones, é um custo muito pequeno. Você pode comprar um drone, enfim, num site eletrônico por 4.800 dólares em 12 pagamentos sem juros. É uma grande proporção entre o custo relativo, a economia relativa de você ter de se defender,
num cenário de guerra moderno, contra o custo relativo de você ter uma ação agressiva. Isso já se via em alguma medida na Ucrânia. É muito interessante o que está acontecendo na Ucrânia, porque lá você tinha um tanque russo, por exemplo, de 10 milhões de dólares, que é abatido por um drone ucraniano de 4 ou 5 mil dólares. Hoje, 80% das vítimas, das fatalidades do campo de guerra na Ucrânia e Rússia e Rússia.
são por meio de ações ofensivas de drones. A Ucrânia, que não tem marinha, colocou um grande desafio para a marinha russa por conta dos chamados Sea Drones, esses barcos cheios de explosivos que não são pilotados por alguém presencialmente. Então tem muitas lições também do ponto de vista de como se está se travando a guerra moderna.
E, obviamente, tem toda essa coisa do calendário mundial. Quer dizer, nas últimas 48 horas, o presidente Trump fez grandes críticas ao primeiro-ministro britânico, ao governo francês, de estarem com freio de mão puxada no que diz respeito...
Há ações para reabrir o Estreito de Hormuz. Tem toda uma conversa que a gente pode ter aqui sobre a importância dos estreitos. Tem uma conversa importante sobre o que isso significa de reflexo para outros potenciais cenários de conflito. Talvez os chineses estejam olhando com lupa como é que você faz uma quarentena, como é que você faz um bloqueio naval, porque eles próprios têm as suas prioridades em relação ao Mar do Sul da China.
Então, mais uma vez, policrises, torço para uma resolução mais rápida, nada garantido nesse momento.
Mas antes de passar para o Rodrigo, aí pegar o seu skill diplomático. Você enxerga, muita gente fala de chegar a um acordo. Até acho que saiu algum headline do presidente do Irã falando vamos negociar.
É o caminho mais óbvio? Ou você acha que é muito difícil prever isso agora? Já que a diferença, né? É aquela típica seleção. A diferença do zero e um é muito grande, né? Que é continuar uma guerra. A gente não sabe até onde vai. E chegar uma negociação para ela terminar. Veja.
A gente precisa tomar um pouco de cuidado, Tiago, porque eu acho que ao longo dos anos, quem acompanha a situação no Irã sabe que às vezes, é como se fosse um filme, você olha para o sujeito e ele está dizendo uma coisa, mas a legenda ali é outra, quer dizer, há uma desconexão entre o que ele está falando publicamente e o que está acontecendo na realidade, que às vezes é uma característica da diplomacia.
Mas, de qualquer maneira, o que eu acho que vinha sendo o paradigma até agora é que os Estados Unidos, em alguma medida, imaginaram que teriam...
um desdobrar parecido com aquilo que foi a Venezuela no início do ano. Ou seja, uma ação cirúrgica intensiva em tecnologia, muito orientada a resultado, e você tem não uma mudança de regime, mas uma alteração de regime, ou seja, você consegue encontrar alguém que é... que consegue se reportar para Washington no final do dia, como foi o caso da Delcy.
Rodrigues, eu imaginava que eles tinham esse tipo de ambição, é uma situação bastante mais complexa, o Irã é uma teocracia. Vamos lembrar o seguinte, Tiago, se você é um iraniano que nasceu em 1961, você se tornou maior de idade no ano da Revolução Islâmica, em 1979.
Hoje você é um sujeito de 65 anos de idade. Isso quer dizer que você passou toda a sua vida adulta achando que aquilo ali é o mundo. Ele não tem outras muitas referências. E me parece que em um determinado momento, ainda mais depois da morte do Ayatollah, o paradigma da ação iraniana foi a gente ganha se a gente não perder, portanto nós precisamos prolongar.
o conflito, vamos gerar o máximo de embaraço para os aliados dos Estados Unidos da região, então você tem mísseis iranianos atacando não apenas Israel, mas os Emirados Árabes, o Qatar, a Arábia Saudita, o Kuwait e tudo mais, na expectativa de que o conflito se prolongue tanto e que eventualmente vá para além do mandato do presidente Trump, onde, acho que na cabeça daqueles em Teherã, talvez eles tivessem maiores condições de obter um acordo que lhe seja favorável.
Caramba, mas além do governo Trump... Quanto tempo faz que está rolando a guerra na Ucrânia? 24 de fevereiro de 2022. Ou seja, mais de quatro anos e um mês. 49 meses de guerra na Ucrânia. É que talvez aí até um bom gancho para passar para o Rodrigo. Eu não quero, posso soar insensível aqui, mas é que as consequências...
na economia, a gente está vendo de maneira muito mais forte nesse conflito do que entre Rússia e Ucrânia. É ruim falar isso, porque são vidas que estão sendo perdidas, é algo muito ruim que está acontecendo, mas nesse caso específico a gente está vendo um impacto global.
econômico e rápido. E pode piorar ainda mais se você pensar que outros itens básicos, a gente está até aqui falando da Mamba Warrior, mas água também é uma coisa que pode ficar muito em xeque nesse conflito. Enfim.
Mas, Rodrigo, eu queria passar para você, você que olha o setor de óleo e gás, você pensa, vai falar de Petrobras? Não, eu sei o quanto você acompanha esse setor de maneira global. Eu queria que você trouxesse um pouco desse contexto, olhando até para a importância dos estreitos, como é que está a cadeia global de petróleo e seus derivados. O que você está tirando de insight nessas semanas desse conflito que bagunçou o mercado completamente?
Perfeito, acho que a gente começa contextualizando um pouco como que funciona o mercado de petróleo global, fluxos, eu acho que a gente começa por aqui, e eu acho que um gancho do Trail que eu já tinha combinado aqui, que era falar um pouco dos estreitos também, que eu acho que gera um pouco de discussão, porque...
É porque a gente conhece um estreito só, né? Pelo menos tem o Estreito de Hormuz, que é o que todo mundo está falando. Eu vou falar outros e você vai ver que você conhece mais, provavelmente. Legal. Mas assim, o contexto geral é que o mercado de petróleo hoje, a produção e a demanda flutuam mais ou menos no mesmo patamar. A gente tem anos de déficit e de sobre-oferta que estão praticamente próximo a zero. É um mercado hoje que gira aqui na casa dos 108 milhões de barris por dia de produção.
Então, desses 108 mil barris por dia, a gente tem uma grande parte disso, quase 70% disso hoje flutua. Ou seja, é um trade seaborn que a gente chama, que são basicamente o petróleo no navio, que ele vai de um lugar para o outro e eventualmente chega para o destino final para ser refinado ou transformado em plástico, ou o que seja, que a gente pode até entrar um pouco mais. Desses 108 milhões de barris por dia, uma parte muito relevante disso passa por esses estreitos. São...
São sete distritos principais que a gente pode contar ao redor do mundo. Quatro deles são os que, pelo menos eu aqui, e acho que a maioria considero os principais, que é o distrito de Malacca, que fica ali entre a Malásia...
e a Indonésia, super importante para a China, que é ali onde passa a maior parte do fluxo de petróleo que vai para a China, que vem tanto da Rússia agora, que está super relevante, mas também do Oriente Médio. Aqui passa uns 20% do petróleo global.
A gente escuta pouco sobre ele, porque ali a gente não vê muita tensão rolando. Os outros três estreitos que eu vou falar são no Oriente Médio. Um estreito de Hormuz, que aí tem mais ou menos 20% do petróleo global passando. A gente tem o canal de Suez. E tem o estreito de El... Anotei aqui o nome. El Mandeb.
Eu nunca lembro o nome dele. Que ele fica ali entre Eritreia, Djibouti e Emen. Que é importante também no contexto atual por conta dos roots, né? Que eu acho que até agora estão mais ativos, vamos dizer assim, nesse consulta atual.
Nesses dois últimos, o canal de Suez e o esteto de Almandeb é que passam mais ou menos uns 5%, 6%, eu diria, do fluxo global de petróleo. E é que é importante nesse contexto, porque pode parecer menos, mas o esteto de Hormuz...
Você tem poucas formas de contornar ele, né? Uma das formas que você tem é um pipeline que existe ali entre o centro de Hormuz e o Mar Vermelho. É um pipeline da Arábia Saudita que pode carregar seus 4 milhões de barris por dia. Então é pouco. É um desvio que talvez a gente está falando que a gente perdeu ali um fluxo de 20 milhões de barris por dia dos 108 que eu falei que são produzidos no mundo.
20 milhões a gente perdeu que passava pelo estreito de Hormuz a gente pode contornar isso talvez uns 4 milhões de bairros por dia nesse pipeline que tem na Arábia Saudita que traz o petróleo do estreito para o Mar Vermelho mas aí você tem duas saídas
Ou você sai pelo canal de Suez ou você sai pelo state de Almandeb. Então, o state de Almandeb é um caminho, de certa forma, visto como perigoso. Então, hoje, a gente tem tudo meio em xeque ali. A gente está falando desses 20 milhões de barris por dia tentando achar um caminho. É difícil a gente ter rotas alternativas. 20 milhões de barris por dia de petróleo, tá? Então, a gente está falando aqui de mais ou menos 20% da produção de petróleo global.
A gente pode descer aqui e falar de outros comodos também. O gás natural, a gente está falando de mais ou menos 20% também da produção de GNL. Gás natural viaja menos, né? É mais difícil você colocar num navio e transportar, mas 20% da produção global do gás natural ainda vem ali do Catar, principalmente. A gente pode falar aí de fertilizantes, também tem uma participação bastante relevante ali na região. Fertilizantes você não consegue achar rota alternativa.
Assim como o gás natural, você também é muito difícil conseguir achar rotas alternativas. A gente está falando agora de gás hélio. Gás hélio tem preocupado bastante gente na Ásia também, principalmente por conta de produção de semicondutores. Então é um tópico que eu acho que pouca gente explora, mas não está dentro do meu mundo aqui especificamente de petróleo, mas é algo que muita gente vai começar a se preocupar cada vez mais.
E a gente tem também um ponto super importante aqui, que são os derivados. Antes de entrar nos derivados, só para entender, você especificou a quantidade de petróleo que passa pelas rotas.
Por que é tão difícil desviar essas rotas? A logística é maior? Não é tão seguro? Não dá para passar? O que torna tão difícil e, ao mesmo tempo, tão importante o centro de Hormuz? São, talvez, pensar antes do conflito. Eram cerca de, dependendo do dia, 100 a 130 navios carregados de petróleo passando ali no centro de Hormuz. Carregando seus 20 milhões de bairros por dia de petróleo.
A região, quando a gente olha, a maior parte dos terminais, e isso vale para o Irã também, os terminais estão localizados ali. Para eles, eles deixam os navios deles passarem e fica tudo mais tranquilo para eles. Mas a maior parte dos terminais estão ali na região do Golfo Pérsico. Então você não consegue sair dali.
Hoje, a estimativa é que tem mais de 150 navios parados ali. Então, primeiro, você tem um gargalo de navios, porque muitos estão parados ali dentro. Então, já faz o trânsito ali mesmo. Então, ali, você não vai... Uma dificuldade que tem hoje, o preço de frete, só para dar uma noção para vocês, navio...
que o preço da diária do frete custava, do arrendamento, da embarcação, custava 50 mil dólares por dia. Hoje isso custa 250, 300 mil dólares por dia. Para você levar um navio grande daqui para a China, custava 1 dólar para o barril. Hoje custa 6 dólares para o barril. Você não consegue achar a embarcação.
Isso destrói muito da economicidade, da logística em si. Então isso por quê? Que é a sua pergunta, né? Porque primeiro, você não tem as embarcações para fazer a logística para você, você não tem terminais fora do Golfo Pérsico. E você não tem pipeline, você não tem como fisicamente levar o petróleo que está sendo produzido nos campos.
para fora do Golfo Pérsico. Então, você não consegue fazer essa logística. Uma vez que você não consegue fazer essa logística, tem um problema ainda maior, que eu diria. Que é você ter que parar a produção nos campos. E a gente que acompanha o setor, a gente vê quão difícil é retomar a produção. Então, uma vez que você parou de produzir petróleo em um certo campo, você tem, às vezes, problemas para retomar a produção. Às vezes, aquele campo que parou de produzir, ele nunca mais volta a produzir a mesma quantidade que ele fazia antes.
Mas por que? Quando para de produzir... Você pode, de forma simplificada, é um tubo, certo? Que você coloca ali. Ele pode entupir, ele pode gerar... Não é um on e off ali, né? Não é, e às vezes quando você volta você pode queimar uma bomba, alguma coisa do tipo, que isso acaba fazendo com que você perca aquele poço, às vezes.
Isso é irreversível. Isso já é um problema maior, né? Porque mesmo que resolva a guerra, se você parou de produzir e perdeu o poço... Você tem um tempo para voltar, tirando... Se a gente for mais para o gás natural, por exemplo, a gente pode falar de destruição de fato de infraestrutura.
Então, assim, a gente viu lá no Catar um ataque a um site, né? Não foi uma planta, né? Foi uma parte de um terminal de GNL que foi destruído, que isso representa 4% ou 5% da produção da capacidade global de gás natural do mundo. Global? Então, assim, a gente pode falar que vai demorar um pouco mais para restaurar a produção.
E ainda assim, esse é um bom exemplo, se eu não me engano foi a Cata Energy, que é a empresa que opera lá, que declarou força maior nos contratos para vários países do mundo pelos próximos cinco anos. Então isso vai trazer repercussões, mesmo que a guerra acabe hoje, vamos supor.
A gente vai ter um tempo de retomada de produção, um tempo de... Primeiro, desestocagem, porque imagina, todos os tanques lá estão cheios. Você vai ter que tirar todos esses navios, vai ter que desestocar tudo para você voltar a produzir. Uma vez que você volta a produzir, talvez a sua produção não seja a mesma. E você talvez tenha que consertar alguns pontos que ficaram fragilizados nesses conflitos. Claro. Então demora. Rodrigo e Tiago, duas observações.
Primeira, existe uma longa história de proximidade entre conflitos em estreitos, em estreitos geográficos, e desastres político-econômicos. Por exemplo, na antiguidade clássica, você tinha a tal de Atenas, você tinha uma tal de Esparta, você tinha a tal das guerras do Peloponeso, que estão documentadas no livro do Tocídios.
A inviabilidade do tráfego ali foi um elemento complicador das guerras do Peloponês, que colocaram fim aos sistemas de cidades-estados na Grécia. Outra situação. Há exatos 111 anos, isso já no contexto da Primeira Guerra Mundial, os britânicos tentaram impedir o bloqueio do acesso ao Mar Negro.
porque a Rússia era uma das partes na Primeira Guerra Mundial, fazia parte daquela região ali uma terra ultra fértil, que responde pelo nome de Ucrânia, um dos solos mais ricos para a produção agrícola no mundo, a Romênia também, em grande medida.
O petróleo não tinha a importância que hoje tem para a economia mundial, mas o trigo tinha uma importância enorme, porque impactava a economia, inclusive, das classes de renda mais baixas em diferentes países. Então, era fundamental para os britânicos garantirem o acesso ali. E uma operação para liberar o estreito foi engendrada.
por aquele que era uma espécie de ministro da marinha britânica, um sujeito chamado Winston Spencer Churchill, na Batalha de Galípoli. E foi um desastre para ele. Foi a Segunda Guerra Mundial que retirou o Churchill do passivo político que ele se encontrou por conta dessa operação que ficou conhecida como Galípoli. Então essa é a primeira observação, a relação entre...
estreitos geográficos e desastres político-econômicos. A segunda observação que eu acho muito interessante é o seguinte. O Irã, mesmo tendo tomado tantos ataques, com tecnologias, por vezes, ou melhor, com armamentos, às vezes, elementares, minas,
e tiros, consegue criar um efeito disruptivo dessa magnitude que nós estamos discutindo aqui. E veja, os americanos e os israelenses talvez tenham a artilharia mais precisa do mundo, ainda assim uma situação muito difícil que muitos entendem vai requerer as tais boots on the ground, quer dizer, tropas que vão ali trabalhar para ajudar nos efeitos de precisão da artilharia aérea.
só primeiro agradecer as mais de 560 pessoas que estão vendo a live se você não deu like no vídeo, já deixa o like e teve um comentário engraçado aqui porque a gente está fazendo ao vivo e a câmera de vocês estava um pouco escura e aí até comentaram, agora o Renan já ajeitou
Mas um cara comentou aqui, não, eles diminuíram as luzes por causa da crise energética do petróleo. Não tem nada a ver. Um apagone. Agora já está tudo muito iluminado. Rodrigo, eu queria que você continuasse falando dos derivados, que você foi ali trazendo pontos. E logo depois disso...
O que dá para esperar? Você como analista que acompanha o setor deve fazer suas projeções de preço. Imagino que o range ali entre as projeções devem estar agora muito distantes, porque é difícil prever qual a probabilidade de cada cenário e qual o impacto no preço da commodity.
Não, perfeito. Acho que eu vou falar algumas coisas. Acho que o Troi vai ter, provavelmente, algumas coisas para complementar aqui. É, fique à vontade de ir trocando aí também, galera. Vou tocar um pouco no quesito, vamos supor, pós-conflito aqui, que seria qual o nosso cenário base, pelo menos a forma que a gente olha aqui hoje. É que, como eu comentei antes...
Demora um pouco para ter um rearranjo e ter uma normalização, vamos dizer assim, desse mercado. Uma vez que a gente, vamos supor, acabou a guerra, a gente tem retomada de desestocagem, as refinarias voltam a comprar petróleo que vem do Oriente Médio, e eventualmente os campos ali voltam a produzir. Talvez não voltem da mesma maneira que eles estavam, mas eles voltam.
Tem um ponto que a gente acha, quando a gente faz análise, primeiro um ponto qualitativo, a gente acha que um prêmio geopolítico continua no preço. Seja por sentimento do mercado, mas algo mais qualitativo, pois alguma coisa pode sempre acabar acontecendo e a gente tem que estar atento. Ao mesmo tempo que...
Na nossa visão, quando a gente olha, existe provavelmente, ou vai existir provavelmente uma vontade de muitos países ao redor do mundo de criar reservas estratégicas. E eu acho que isso vai ser um ponto de discussão muito relevante ao longo dos próximos anos, principalmente reserva estratégica de petróleo.
gás é um pouco mais difícil, mas petróleo eu acho que é um ponto onde a gente está já começando a ver discussões, até no Brasil mesmo, teve comentários ontem relacionados a isso reserva estratégica de petróleo cru reserva estratégica de derivados e para isso a gente vai ter que ter investimento em infraestrutura investimento em capacidade de tancagem e
às vezes, e um movimento super importante que a gente viu ao longo dos últimos anos, que a gente vai acabar abordando isso aqui um pouco mais também. E é curioso isso, a Arábia Saudita, principalmente a Arábia Saudita, mas os países do Oriente Médio como um todo, mas a Arábia Saudita principalmente, tem tido uma estratégia de agregar mais valor ao petróleo. O que é que isso quer dizer? Eles estão construindo mais refinarias, refinarias mais complexas e sofisticadas, centrais petroquímicas ali na região.
Então, quer dizer que a gente importa muito mais derivados e petroquímicos, resinas, vindo do Oriente Médio, porque a gente tem fechamento de capacidade nos Estados Unidos, na Europa. Então, não só eles produzem o petróleo, como eles agregam valor no petróleo e a gente depende ainda mais deles. Então, acho que... Eu queria que você explicasse um pouquinho melhor até essa questão, né? Porque tem o importador do petróleo...
E o importador do derivado do petróleo. E até você citando o Brasil, mas como é a participação do Brasil nisso? O quanto ele importa de um de outro e até o quanto isso acaba impactando a gente?
A gente não é autossuficiente. A gente é autossuficiente em petróleo, a gente exporta petróleo, mas a gente não é autossuficiente nos derivados. E a gente pode se tornar autossuficiente em derivados? A gente almeja isso? Talvez até por causa do que a gente está vendo no mundo agora? Deveria almejar?
A Petrobras tem investimento, sim, em expansão de capacidade de diesel, mas a gente, dado a velocidade que a gente cresce e demanda, provavelmente a gente não vai chegar a ser autossuficiente em derivados, principalmente diesel. Gasolina, a gente é autossuficiente. A gente importa bastante nafta, que é usado para fazer petroquímicos e resinas, e diesel. E diesel é super importante, que é assim...
é muito menos elástico do que gasolina. No sentido onde gasolina a gente tem como talvez economizar um pouquinho aqui e ali e tal, mas assim, diesel agora, por exemplo, é um período crítico que a gente vai precisar de diesel para safra, né? Então a gente não tem como fugir disso.
e aí quando você diz que é inelástico porque tem que ter caminhão o tempo todo ele rodando o carro a gente pode talvez você é usar algum outro veículo mas caminhão tá fazendo economia girar e uma vez que você entra na safra uma vez que você precisa fazer algum algum algum transporte que seja é uma carga alguma coisa é e provavelmente você vai acabar fazendo pagando mais caro
Eu acho que essa observação do Rodrigo também é o seguinte, nós temos capacidade, não temos capacidade, a que custo e em que tempo.
depende também do mercado. Se nós tivermos menos regulação, o mercado mais livre, mais aberto para outros jogadores, num contexto em que você tem vários hotspots no mundo que diminui a atração relativa de lugares que são geopolíticamente de mais risco para você fazer agregação de valor. Potencialmente isso aumenta a nossa atratibilidade. Agora, é tudo a Petrobras que vai fazer? É tudo o governo brasileiro que vai fazer?
ou você vai ter, digamos assim, um mercado bastante mais múltiplo, como se espera que a gente possa conseguir? Esse ponto é super importante, porque hoje, para trazer um pouco de número e ficar um pouco mais palpável, hoje, do consumo de diesel que a gente tem no Brasil, cerca de 65% disso vem da Petrobras, 10% praticamente vem de uma refinaria privada na Bahia, que é Matarip, que segue a paridade internacional de preço.
E os restantes 25% é importado. Então, ou seja, 35% do nosso diesel que a gente consome no Brasil hoje, ele é precificado com a paridade de importação, ele é precificado para o internacional. E eu acho que o ponto que o Troio menciona é interessante, que é se a gente não tem todos os preços flutuando de acordo com a paridade internacional... O atrativo é menor. O atratividade é menor para você fazer uma refinaria nova.
Você falou da refinaria de Mataribe, né? Mataribe. Só porque enquanto a gente está fazendo essa live, chegou aqui há 15 minutos atrás, refinaria de Mataribe na Bahia anuncia reajuste de 15,3% do LGP a partir de amanhã. Só para... Exatamente, eles seguem a paridade de importação no GLP, no diesel, na gasolina.
Então, se você tem um mercado que é livre, como o Troy comentou... Se você tivesse um setor em que mais atores estivessem performando, obviamente a correção para cima que você tem que fazer por conta do cenário internacional seria menos íngreme. Sim. E como é que ficam as projeções para preço? O que é que...
É a pergunta que deve ser a mais complicada de responder. Para onde vai o petróleo? Para onde vai as outras coisas? Enfim, como é que você responde essa pergunta que hoje talvez seja impossível responder?
É, a gente, quando a gente, vamos dizer assim, pré-crise, a gente tinha um pré-conflito, né? A gente tinha uma cabeça que o petróleo ia ficar num range ali entre 60 e 70, em alguns momentos de tensão maior, ele chegaria mais próximo de 70, talvez até passassem 70, mas...
Seria um range comportado. Hoje, dado o contexto que a gente comentou aqui, mesmo no fim do conflito, uma demora um pouco mais prolongada de recuperação de oferta e, eventualmente, a necessidade de você construir estoques estratégicos. Você construir estoques estratégicos no fim do dia quer dizer demanda adicional. Sim, vai ter uma demanda maior.
Então, isso traz à nossa cabeça aqui um petróleo que fique na casa dos 80 dólares do barril. É o que a gente trabalha hoje em termos de projeção. Pô, mas é até abaixo do preço que está agora, né? Mesmo normalizando a guerra, não vai cair tanto, então.
É que aí a gente tem uma normalização dos fluxos, aqueles 20 milhões de barris que passam pelo cheiro de Ormuz, uma parte muito relevante disso volta para o mercado. E tem o prêmio geopolítico. E tem o prêmio geopolítico, exato. E tem um cenário de estresse máximo? Dá para fazer uma estimativa de... Piorando muito, o petróleo pode... Tem um limite para esse preço do petróleo?
Tem, assim, talvez explicar de uma forma um pouco mais clara, esses 20 milhões de barris por dia que a gente fala do Cedro de Ormuz, ainda tem uns 4 ou 5 dele que está sendo escoado via rotas alternativas. Então, por mais que a gente fale dos 20, 20% do Cedro de Ormuz, ainda tem ali uns 4, 5 milhões de barris que sobreviveram a essa...
bagunça. Se a gente tirar porque seria você ter os roots entrando de uma forma mais acentuada dentro do conflito, e aí você não consegue tirar mais barris do Mar Vermelho, esses 4, 5 milhões de barris a mais sobreviveram, eles iriam embora. 4, 5 milhões de barris por dia de oferta a menos no mercado, pra gente dar uns 20 a 25 dólares a mais de preço de petróleo, ou seja, uns 105 indo...
Mas o cenário do estresse máximo é um cenário em que, sobre o preço de petróleo e derivados,
incidem outros problemas para além do Oriente Médio. A guerra Rússia e Ucrânia, por exemplo, ela hoje está vivendo uma fase menos de guerra no front para ser uma fase em que, por exemplo, os russos fazem bombardeio noturno para aterrorizar cidades na Ucrânia.
e os ucranianos respondem com drones de precisão. Se você tiver um recrudescimento disso, vai aumentar o estoque de estresse. Você tem, enfim, falou-se malaca aqui, mas você tem um outro problema maior que é Taiwan. Se de repente os chineses acharem o seguinte, pô, estão precisando de atenção demais no Oriente Médio, deixa eu aproveitar para fazer alguma coisa aqui que é o que eu acho que é o meu direito histórico.
É uma camada adicional de estresse que se coloca sobre o peso de ativos energéticos. Então depende. E tem um ponto adicional que assim, quanto mais tempo a gente fica nessa situação, mais impactos, mais repercussão a gente tem na economia. E eventualmente a gente pode acabar entrando num cenário de destruição de demanda.
Destruição de demanda de... De derivados. Ah, de derivados. De desaceleração econômica. É porque aí o preço não sobe muito porque a demanda caiu. Exatamente. Porque a economia esfriou. Então a gente tem, assim, para... Dar um exemplo prático aqui. Que assim, daqui a pouco a gente começa o período nos Estados Unidos. Os Estados Unidos é um grande produtor de mini-soja. Daqui a pouco a gente começa o período onde eles vão começar a aplicar fertilizantes.
E qual o preço do fertilizante? Se está disponível, uma parte muito grande, se não me engano, 60% dos fertilizantes nitrogenados vem do Oriente Médio. E compram também muita coisa do Canadá e hoje incidem tarifas sobre as importações americanas de bens canadenses.
Então você tem, imagina, a gente entra aqui, não vai ser o efeito agora, mas daqui a seis meses, quando a gente tem a... Eu não conheço muito bem, mas vamos dizer, a colheita da safra lá, talvez os yields sejam menores, a produtividade seja menor, a disponibilidade de alimento seja menor, o alimento mais caro. Então quanto mais a gente fica nessa situação, você também tem um efeito de...
inflação de destruição de demanda. Então, esse é um outro ângulo. Até o Lucas Jonas fez um comentário legal aqui, resumindo, o frete vai ficar mais caro, a pólice de seguro fica mais cara, o valor do petróleo aumenta, isso vai gerar inflação, que gera instabilidade e derruba presidentes. Até já foi escalando, mas aqui no Brasil a gente já está vendo isso também. O nosso ciclo de juros, que era já para ter começado com 50 pontos base, o Banco Central cortou em 25, o Copom cortou em 25 pontos base,
atribuindo muito ao cenário externo. Ele até falou que no cenário interno melhorou-se as condições para que o corte de 50 pontos de fato acontecesse. Então, a gente depende até dessa diminuição da incerteza lá fora para poder acelerar o corte de juros. Enquanto isso, o Boletim Focus, que o Banco Central divulga toda segunda-feira com a mediana das projeções dos economistas, vem aumentando semana após semana a projeção de inflação.
Então, se a projeção de inflação continuar subindo, isso certamente vai afetar a nossa política de juros. E, bom, para quem imaginava que o juros poderia... Já que a gente está falando tanto sobre a relação entre geopolítica e mercados, temas militares, etc., o que pode acontecer um pouco agora com a economia americana é um movimento de pinça. Porque, por um lado, você tem uma dinâmica estagflacionária.
que é oriunda da política comercial americana, tarifas etc, que acabam aumentando no limite o preço final daquilo que vai ser adquirido pelo consumidor. E você tem esse outro efeito estagilfacionário, de aumento de preços relativos dos ativos energéticos, derivados etc, por conta da guerra no Irã.
Aumento da incerteza, piora das expectativas, menos fé na economia. Você tem paradeira econômica, você tem duas dinâmicas inflacionárias aqui se encontrando para produzir um efeito que seguramente não vai ser bom para a atual Casa Branca.
Tem chegado algumas perguntas legais aqui sobre até como que isso impacta no preço que chega no cliente final no Brasil aqui. Mas antes, eu queria que você falasse um pouco de como é que o investidor pode se posicionar em relação a isso.
Aí pensando, olhando aí para o que você acompanha dentro do setor, enfim, hoje não são só as ações, até o BTG, o pessoal da Asset do BTG lançou um ETF recentemente que pode se expor a commodities, enfim.
Queria que você falasse um pouco do como o investidor pode até se expor a isso, pensando desde o investidor que quer se proteger, vai lá comprar ouro, mas olhando para o cara que acha que esse cenário de preço vai continuar alto. Como é que você tem falado com gestores, o pessoal que te consulta para saber do setor?
A gente tem lá o CMDB11, que é o ITF bastante diversificado, tem uma série de papéis de exposição grande ao setor de petróleo mesmo, tem lá dentro Petrobras, Prio, Vado, então ele tem uma diversificação grande de commodities. Dá para fazer isso também via as ações específicas, a gente até recentemente...
elevou nossa recomendação de Petrobras para a compra. A gente tem uma visão bastante positiva da companhia. A gente vê a empresa sendo uma das poucas no mundo que cresce produção. A gente está falando de um crescimento composto para os próximos 4 anos na casa dos quase 4%, 3,5%.
E ele se beneficia só de uma companhia integrada, que hoje exporta cerca de 800 mil barris por dia. Então, ela se beneficia diretamente do preço do petróleo subindo. E ela vem dos derivados. A gente comentou aqui, assim, a gente... Posso até entrar um pouco mais no detalhe, mas assim, os derivados...
Eles até acabam subindo mais nesse momento de tensão, porque se a refinaria não tem capacidade de comprar o petróleo, acaba que o preço do derivado que ela produz acaba subindo até mais do que o preço do próprio petróleo. Então, os crack spreads que a gente chama, eles acabam aumentando de forma significativa. A diferença entre o...
É quase como na bolsa o derivativo sobe mais que o ativo, aí o derivado sobe mais do que o petróleo. E aí isso acaba tendo um efeito interessante para a Petrobras, que é, a gente já comentou um pouco aqui sobre, que é o preço dos combustíveis. O preço dos combustíveis hoje no Brasil, respondendo a outra pergunta também, hoje como funciona, principalmente o preço do diesel.
ele é, basicamente, 30% dele, arredondando aqui, é precificado ao preço internacional. Os outros 70%, mais ou menos, é o preço da Petrobras. Isso vai depender da política da Petrobras, da política de ajuste de preços e tudo mais, que a gente acha que eles vão continuar seguindo, né? Dada a governança que foi implementada na Petrobras ao longo dos últimos anos, a gente acha que eles vão continuar seguindo a política de preço. Talvez não estritamente na paridade de importação, mas vão continuar seguindo a política de preço.
Então, consequentemente, 30% é precificado paridade de importação, os outros 70% é Petrobras. A gente acha que a Petrobras vai aumentar os preços de combustíveis, de certa forma, para seguir a política de preço que eles têm hoje implementado. Então, a gente acha que, primeiro, eles vão ganhar com a exportação de petróleo cru.
E a margem de refino deles deve ser uma margem que nos preços atuais talvez ela não seja tão boa, mas eventualmente com ajustes de preço que a gente acha que deve acontecer elas vão ficar melhores. Então a gente acha que a forma de ter exposição hoje é um large cap, é uma empresa grande, que tem uma estabilidade de produção. A gente acha que o Vetrobras é uma boa forma de ter exposição ao tema.
E de certa forma, lembra que a gente falou dos 80 dólares do barril, sendo talvez um preço onde a gente fique pós-conflito? É mais ou menos um preço onde acho que para todo mundo fica bom. É, porque eu até ia questionar isso, porque no caso da Petrobras, talvez ela não vai reajustar o preço...
como deveria, mas ela vai reajustar o preço muito melhor do que a Petrobras passado. E no ponto dela, talvez seja até bom que o preço do petróleo não suba tanto, porque talvez aí ela... Os 80 está bom. Os 80 já dá uma alta que ela consegue reajustar. Estava até olhando aqui, a Petrobras fechou esse primeiro trimestre de 2026 com uma alta...
As ações preferenciais, 57,9% de valorização nesses primeiros três meses do ano. E o ETF de commodities, que é o CMDB11, negociado em bolsa, você pode digitar lá pelo seu home broker e encontrar ele lá.
Que tem Petrobras dentro também. Que tem Petrobras dentro e ele subiu 21,7% nesses primeiros três meses do ano. Se pegar os seis meses, ele está subindo 34%. E tem todas as vantagens de investir em um ETF, o produto listado em bolsa, já uma carteira diversificada, a taxa é muito mais barata do que investir em um fundo, enfim.
Um dos produtos, a gente já falou bastante ETF aqui, das suas vantagens para o investidor que quer montar uma carteira diversificada. E a gente falou do preço na bolsa. E o preço na bomba? Como é que isso chega para o consumidor final? E aí você falou um pouco de derivados. Acho que vale a pena já falar um pouco de como está sendo o impacto e como pode ser esse impacto ainda.
É, assim, o impacto hoje maior que a gente sente é no diesel, né? A gasolina, só para enfatizar um pouco, a gente é autossuficiente em gasolina, então isso depende muito do preço da Petrobras. A Petrobras não ajustou o preço, então ali a gente está meio que parado. Talvez em alguns lugares do Brasil você vai ver o preço que a distribuidora compra subindo, aí o preço da bomba talvez ele suba um pouco mais, porque tem a tensão, às vezes, ah, uuuh...
A cadeia fica com medo. O preço pode subir, então eu preciso ter capacidade de repor o estoque uma vez que o preço suba. Então talvez eu vou comprar um pouquinho mais ali. Isso na gasolina. No diesel, a situação é bem diferente. A gente está falando de um preço que saiu ali dos R$3,50 mais ou menos pré-conflito. Estou falando do preço...
que a gente chama de paridade de importação, que é o preço importado. Hoje esse preço está rodando ali na casa dos 6,10, 6,15. Então é um aumento bastante relevante na parcela importada. A gente está falando dessa magnitude de aumento. A gente está falando praticamente que o preço dobrou do diesel importado. O diesel da Petrobras subiu 30 centavos, então ele subiu uns 10%. Então quando a gente coloca isso aqui tudo no mix, a gente está falando 30% importado.
dobrou e Petrobras subindo 10%, a gente está falando de uma variação aí, vou chutar uns 25%, 25% deveria ser o número que a gente deveria estar vendo, que é o preço que a distribuidora hoje paga, seja no importado, seja no Petrobras, quando você faz o mix, a distribuidora está recompondo o estoque a um preço 25% mais caro do que era pré-conflito. Dado que tem expectativas que a Petrobras aumente o preço e eventualmente a distribuidora vai ter que pagar mais caro pelo produto que ela comprou a Petrobras,
Na bomba isso acaba refletindo um pouco mais alto. Então a gente está vendo de fato o preço na bomba subir um pouco mais do que isso. Talvez algo mais na casa dos 40%, 50%. Mas o preço da distribuidora hoje está na casa dos 25% mais alto. Mas com expectativa de que a Petrobras aumente o preço, consequentemente na bomba acaba ficando um pouco maior o impacto mesmo.
Vamos ver como é que vai ser isso, porque num ano de eleição, acho que tudo que um governo de situação não queria é ter que aumentar o preço de combustível. E quais vão ser as consequências disso? Lembra que a gente importa uma quantidade relevante do combustível do diesel. Se o preço do produto feito no Brasil fica muito diferente do preço de fora, o incentivo que o importador tem, ele reduz significativamente.
Por isso que a gente olha até o ângulo de... Que foi um pouco do que o Troy comentou. Os preços têm que estar alinhados para que o mercado flua de forma consistente e coerente também. Com a necessidade da demanda, porque senão eventualmente pode faltar combustível.
Mas não é o caso, por enquanto, mas assim, se os importadores não atuam, né? É o que a gente está monitorando hoje, né? A forma que a gente está tentando monitorar esse mercado.
Troíro, como é que tudo isso que está... Até estava vendo, está saindo alguns breaks aqui, o Trump parece que está falando que o Irã não tem que fazer um acordo para os Estados Unidos terminar a guerra. Eu queria até ver qual o contexto que ele disse isso, se é meio que provocando o Irã, enfim.
Mas de tudo que você já vem falando até em outros podcasts, inclusive você lembrou que antes de começar o nosso papo, que fazem 10 anos do... Como é que era o nome do livro? Desglobalização. Desglobalização. Eu estava lá no InfoMoney na época, um pouquinho mais de cabelo, um pouquinho menos de papo aqui de pescoço, mas a gente teve já um papo sobre essa tal da desglobalização.
Como é que fica esse tabuleiro político diante disso tudo que está acontecendo? Já que eu percebi que é difícil a gente projetar um fim de guerra, que pode se estender por muito tempo, como você mesmo falou. Mas como é que fica esse tabuleiro geopolítico?
Então, vamos lá. Só uma referência ao termo desglobalização. Tiago, você teve 11 de setembro, você teve o derretimento do Lehmann, 2008, aí você teve a crise de algumas economias europeias, 2011, a mais grave delas é a crise grega.
E, enfim, com o efeito disso tudo, você meio que virou a chave do que tinha sido uma tendência durante um período longo anterior, que era um período de globalização profunda. Então você teve mais variáveis desglobalizantes, resultando sobretudo desses três fenômenos que eu mencionei para vocês. Só que quando eu lancei o livro, por exemplo, ainda não tinha saído da decisão dos britânicos de sair da União Europeia, o tal do Brexit, ainda não tinha rolado a primeira eleição do presidente Trump em...
novembro de 2016. Aliás, eu me lembro que no dia das eleições, eu estava nos Emirados Árabes, eu estava em Dubai, eu estava participando de um seminário da revista The Economist em Dubai. E por conta do fuso horário, quando eu fui dormir, todas as televisões davam, nas pesquisas de opinião pública, uma vitória da candidata Hillary Clinton. No dia seguinte, quando eu acordei, liguei a televisão, eu estava tendo um videoclipe, acho que eu abri na MTV, sei lá, eu estava tendo um videoclipe daquela banda IREM,
Até MTV existia nessa época. Hoje nem mais. Era uma canção muito conhecida. O Yem que era assim. It's the end of the world as we know it. Quer dizer, é o fim do mundo tal qual nos conhecemos. Logo, logo entrou a notícia da vitória do Trump.
Então, tudo isso levou à desglobalização. Como você sabe, o meu conceito de desglobalização não significa o contrário de globalização. Isso significa que o veículo continua a sua progressão, mas num ritmo mais lento, porque tem muita nebulosidade, a estrada é mais sinuosa, tem muito perigo. Isso que eu chamo de desglobalização. Agora, essa ação no Irã...
ela tem múltiplas dimensões. Por exemplo, os europeus, que estavam muito desagregados, estão conversando mais. Os europeus estão falando sobre a necessidade de você ter...
você aumentar a projeção internacional para o mercado financeiro dos chamados eurobonds. Há um aumento da conscientização, mesmo naqueles países mais resistentes, a expansão do orçamento para a indústria de defesa na Europa, que eu acho que vai ter um efeito macroeconômico importante, não apenas...
deixando um pouco do que foi a ortodoxia na gestão orçamentária em grandes economias, como foi o caso da Alemanha, mas também, em alguns casos, utilizando também, como é nos Estados Unidos, a indústria de defesa como uma ponta de lança para fazer inovação tecnológica. Acho que é alguma coisa que vem por aí.
que no limite é algo que os Estados Unidos queriam, ou seja, diminuir a contribuição relativa da economia americana para o orçamento da OTAN, fazendo com que os europeus pagassem uma parte importante da conta no final do dia. Isso vai acontecer. Eu acho que tem também um efeito muito grande sobre a China. Eu estive recentemente conversando com a Kei Yujin, que é uma professora da London School of Economics, que você vai alotar naquele ronco, naquela...
Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, ela é a autora de um best-seller chamado The New China Playbook. Aliás, se eu não me engano, ele saiu em português. Ah, é? Vou procurar aqui. Também, The New China Playbook, da Kiyu Jin. E ela dizia que hoje duas palavras muito importantes para o direcionamento chinês é a tal da autonomia estratégica.
Isso significa também diminuição da dependência na compra de ativos energéticos externos, que é um caminho em que os chineses estavam trilhando. Ou seja, hoje você tem mais torres de energia eólica em operação na China do que no resto do mundo junto. Você tem mais placa de energia fotovoltaica em operação na China do que no resto do mundo junto. Mas, por outro lado, também os chineses se tornaram...
depois que os americanos viraram o jogo no abastecimento, enfim, na produção interna de petróleo, no principal comprador do petróleo do Oriente Médio, para além do Oriente Médio, a China. Então, tem toda essa conversa sobre autonomia estratégica na China.
Eu acho também que no nosso caso, é interessante, porque essa que é uma notícia ruim para a grande maioria dos países, pode ser uma notícia boa para o Brasil. O Brasil está longe dos grandes conflitos geopolíticos, tem uma potencialidade energética que a gente conhece bem, aliado à segurança alimentar e com a questão dos minerais críticos, pode aumentar mais uma vez.
a atração relativa da economia brasileira, a gente precisa criar as boas estratégias, boas regulamentações para aproveitar aquilo que pode ser um fluxo de investimento muito importante.
A gente tem uma grande oportunidade Se parar para pensar na necessidade do mundo daqui para frente E acho que até nisso o Brasil Tendo sua importância no mercado de petróleo Ele pode ter um ganho a mais Essa tríade, energia
alimentos minerais críticos, em todos esses podos o Brasil despresente. Aliás, eu estava brincando esses dias, porque, como todo mundo sabe, a relação Estados Unidos-Brasil está num momento muito difícil. E ficou muito mais grave depois do 9 de julho de 2025, quando o presidente Trump acrescenta 40% ao que gera 10% sobre exportações brasileiras para o mercado americano. Só que aí, como os chineses...
jogaram a carta da restrição voluntária de exportações de minerais críticos para os Estados Unidos na mesa de negociação, rapidamente os americanos tiveram que buscar alternativas. Por isso que estão olhando com tanto interesse para a África nesse momento. Os americanos estão redescobrindo a África por conta dos minerais críticos.
E também para o Brasil. Então eu brinco que, por exemplo, quando o Trump virou para o presidente brasileiro ali na ONU, ele disse assim, olha, rolou uma química entre nós, ele errou de ciência. Na realidade, rolou uma geologia entre nós. Talvez se a gente pensar até a América do Sul. A Argentina tem características similares com a agricultura, petróleo crescente. O Brasil é a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas produz zero. Até vai ter um episódio, já dando um spoiler pessoal,
nesse domingo que é... que dia cai no domingo produção? Não vou lembrar 5 de abril, então obrigado Domingo 5 de abril às 18 horas vai agora o episódio que nós gravamos com João Landau da Vista Capital e Rui Alves da Quinea lá no Rio de Janeiro só com assinantes do M3 Club teve uma parte que ficou uma conversa só com os assinantes e a parte que virou o episódio
Ali o Landau falou um pouco sobre terras raras, que inclusive eles têm alguns investimentos fora da Bolsa, em empresas ligadas a isso. E o Brasil acaba sendo, como o Landau definiu, hoje é a menina mais bonita da festa que todo mundo quer sair, todo mundo quer levar para passear.
Nesse momento, no campo das terras raras e minerais críticos, se reproduz uma realidade que nós vemos também no mercado de petróleo. Você tem uma produção básica com pouca capacidade de agregação de valor. Minerais críticos é a mesmíssima coisa. Até no contexto da própria Petrobras tem a margem equatorial.
É, que é algo que pode, assim, Petrobras tem reserva de mais ou menos 11 bilhões de barris ali, acho que é algo que pode ter 20, 30 bilhões de barris por dia. A gente viu a Guiana aqui crescer a produção de zero e em 5 anos foi para 1 milhão de barris fugir de produção. Então a gente tem ali um potencial relevante.
Hoje na onda Petrobras, mas que eventualmente pode até ser espaço para outras empresas estrangeiras entrarem também. É um caso excepcional, mas apenas por trivia. A economia que mais cresceu no mundo é a economia da Guiana. Exato. Por conta do empuxo do petróleo.
Chegou uma pergunta aqui do Carlos. Ele até colocou pergunta óbvia, mas eu acho interessante passar para você. O resto do mundo não consegue aumentar a produção de petróleo em 20% para compensar? Olha, a gente tem capacidade ansiosa no mundo. Estima-se que uns...
7 a 8 milhões de barris por dia de capacidade ociosa, que é uns... Bota aí uns 5 a 7% mais ou menos da demanda global. Mas ela está toda concentrada no Oriente Médio. Ah, então é eles que têm a ociosidade. Então, onde não tem ociosidade, não... A gente tem ociosidade da Marabé, Saldita.
Na Arábia Saudita, principalmente. A Arábia Saudita e Emirados Árabes são os dois países que têm ansiosidade hoje, que só produzem menos do que podem por conta das cotas da OPEP. Tem outros países que crescem. A Argentina cresce com cheio, vaca moeta. A gente tem o crescimento aqui no pré-sal. O que pode acontecer agora é a gente destravar como o petróleo. É interessante esse ponto, né?
As reservas de petróleo é baseado em quantos barris são economicamente viáveis de você tirar do chão. Uma vez que o preço sobe, as reservas aumentam. Porque fica mais viável você tirar aqueles barris que você precisa de técnicas mais caras pra você tirar do chão. Então, se o preço do petróleo ficar mais alto por mais tempo...
Aí a gente pode falar de fato de novas fronteiras, entre aspas. Não é capacidade ociosa, mas sim novos projetos que vão ser destravados com isso. Mas a gente vai precisar de pessoas para tomar uma decisão, para uma empresa tomar uma decisão de investimento em um projeto novo, que tem um break-even que a gente chama mais alto. Talvez ele precise de seis meses a um ano de petróleo alto para poder ter conforto e tomar essa decisão.
Então teria esse ângulo. O ticket do capex é alto e a maturação é longa. Então estamos falando de projetos.
de infraestrutura, que consome muitos recursos, demora para fortificar. Então você realmente precisa do incentivo do preço lá em cima durante mais do que apenas um ciclo de oscilação. E você tem que ter a confiança de que isso vai ser competitivo, porque vamos supor que você coloca esse projeto de pé, ele tem um custo um pouco mais alto.
a guerra acaba, a Arábia Saudita volta com custo baixo e aí o seu projeto já não é mais tão atrativo quanto ele era antes. Então, a resposta é que não temos. A resposta mais simples é não, não dá, mas adoramos a explicação, a gente gosta sempre de uma explicação a mais.
Meus queridos, eu vou dar uma olhadinha aqui no chat que foi chegando muita coisa, agradecer aí muita interação, mais de 600 pessoas, deixa o like aí, se você está ouvindo pelo Spotify, deixa lá o comentário, aliás, isso sempre ajuda muito. Inclusive, deixa o comentário, vi muita gente comentando sobre o último episódio, comentar faz muito bem, ajuda a engajar o vídeo e também a gente ter os feedbacks ali.
E agradecer até todo mundo que estava vendo a live no começo, falou do som que estava baixo, falou da luz que estava diferente, mas ao vivo sempre... Já diria Marcelo Tassi, ao vivo é a casa do capeta. Sempre tem algum probleminha. Meus queridos, enquanto eu procuro aqui, queria saber alguma... Deixar uma pergunta mais aberta, seja uma recomendação em tempos de guerra para investidores ou quem quer saber mais do assunto.
E até também no seu caso, que acompanha mais de perto o setor de petróleo, o que uma pessoa precisa saber de fato sobre isso que acabou não sendo muito abordado? Você tem muito conhecimento, mas não é toda hora que você vem aqui numa live falar. Enfim, acho que pode ter alguma coisa a mais que queira trazer, enquanto eu vou trazer algumas perguntas que chegaram no chat. Mas enfim, considerações finais desse papo.
veja, não quero ficar fazendo propaganda própria, mas vou fazer propaganda do Market Makers na realidade, pelo segundo ano consecutivo, Thiago, nós fizemos aquelas sete tendências que vão marcar... E vamos fazer final desse ano, hein? Vamos fazer, mas no finalzinho de 2025...
Deixa eu contar um pouquinho para o Rodrigo o que é isso. Tem um economista indiano que eu gosto muito, chamado Roshir Sharma. Então sempre do começo do ano a televisão indiana faz uma coisa do tipo cinco tendências ou vinte tendências que devem acontecer. E depois...
No ano seguinte ele vai e eles tentam verificar se as tendências se confirmaram ou não confirmaram. Eu estava querendo te recordar uma, Tiago, que é o tal do mundo Highlander. O que era o mundo Highlander? Tem um filme dos anos 80, não é da época do Rodrigo, tem um filme dos anos 80 que o personagem principal, que é o Guerreiro Imortal, está andando pelas ruas de Nova York.
e com todos os símbolos da modernidade, os arranha-céus, as luzes neon. Aí, de repente, o filme corta e vai para a Escócia medieval, onde ele tem que lidar com gerar energia a partir do moinho d'água, buscar alimento, ou seja, uma coisa muito básica. E eu estava argumentando que nós estamos entrando em uma fase em que robótica humanoide é fundamental.
enfim, computação quântica é super importante, todo esse tema de inteligência artificial, só que água é mais importante do que nunca. Petróleo, meu Deus, não estamos vendo agora. Petróleo é mais importante do que... Alimentos é mais importante do que nunca. Ou seja, não é que você tem uma vertical aqui, como foi a revolução.com, por exemplo, dos anos 90. Você tinha uma vertical aqui, e esse mundo dos recursos estratégicos, ou dos recursos naturais, estava afastado. Agora tem uma comunicação...
muito íntima, entre ambos. Até, como vocês sabem, muitos dos principais hubs que cediam grandes computadores, grandes bancos de dados, que são turbinados por energia oficial, que são muito consumidores de energia, ficavam em cidades que são também praças de negociação de petróleo. Houston é uma capital, por exemplo, do petróleo, uma cidade que cedia um grande número de data centers, é o caso também de Abu Dhabi, é o caso também de Riad.
Então, mais uma vez, eu queria apontar aqui, Thiago, essa conexão entre aquilo que está na fronteira da tecnologia com aquilo que está na fronteira do que é essencial. Eu vou até procurar aqui o dia que a gente publicou.
sete tendências, market makers foi ali três meses atrás, mais de 100 mil visualizações o do ano o de final de 2025 deu 304 mil visualizações, então o Truiro ajudando a gente a chegar nesse patamar de mais de 7 milhões de pessoas que nos assistem todo mês vale muito a pena rever esse episódio e fica a dica cultural para vocês e aí
E você, Rodrigo? O que você quer trazer aí nesse...
Acho que um pouco do que a gente conversou aqui, para talvez sintetizar um pouco, né, que o que a gente viu, um ponto que eu comentei, mas assim, a gente viu uma concentração muito grande ao longo do tempo de produção de petróleo ali na região do Oriente Médio, ao longo dos últimos anos, talvez os últimos 15, 16 anos, a gente viu os Estados Unidos crescendo bem, a gente talvez viu uma descentralização, talvez, nessa produção.
Mas ainda assim, eu acho que talvez a mensagem desse conflito e dessa situação toda é que talvez a necessidade de centralizar ainda mais seja algo que vai ser muito visto, monitorado pelos governos ao redor do mundo, seja criar reservas.
estoque estratégico de combustíveis, do petróleo cru em si, tentar trazer novos projetos. E um dos pontos interessantes aqui é que quanto mais tempo passa, melhor fica a tecnologia, mais petróleo a gente consegue extrair em áreas que a gente achava que a gente não ia conseguir. Então, talvez um esforço cada vez maior.
de produção fora dos grandes centros, vamos dizer assim, dos Permian Basin nos Estados Unidos, do Oriente Médio, e construção de estoque estratégico. Eu acho que esse vai ser um dos grandes pontos que a gente vai continuar vendo nesse mercado. Deixa eu fazer uma pergunta um pouco mais provocativa, pelo que você apresentou aqui, Rodrigo. Pelo que eu entendi, o petróleo pode continuar subindo por causa de um agravamento ou duração maior da guerra?
Ou o petróleo pode subir porque os países vão ter que criar seus próprios estoques e vai ter uma demora natural para que a oferta volte ao normal. Qual é o risco desse seu cenário? Em outras palavras, o que poderia fazer o petróleo cair? Existe uma chance do petróleo cair?
Eu acho que primeiro ele tem que cair para depois ele ficar num patamar mais alto. Então, onde a gente está hoje, como o Turing comentou, a gente tem um prêmio geopolítico muito grande dentro do preço hoje. Aqueles 20, que na verdade dá 15 líquido ali, de milhões de barris por dia que estão fora. Então, primeiro ele tem que cair, eu acho, para um patamar nos próximos... A uns 80, que é um patamar acima do que a gente imaginava que era antes por conta desse contexto todo.
Ou seja, a gente imaginava que ele ficava entre 60 e 70, talvez ele fique mais para 80 agora.
justamente pelo contexto de construção de estoque estratégico, de estravamento de novos projetos que são um pouco mais caros, mas são fora dos grandes polos produtores. Então, acho que primeiro, para responder essa pergunta, acho que primeiro ele tem que cair um pouco.
Para depois ele estacionar num patamar um pouco mais alto do que a gente imaginava que ele seria pré-conflito. Que, de novo, isso reflete um redesenho de fluxos, de logística, de estratégia, de fato, global em relação à energia. Energia e talvez isso extrapole para outros commodities também. Agora, enfim, olhando para as coisas neste momento, o instantâneo do que a gente está vendo, parece pouco provável.
Mas é uma possibilidade de queda do regime do Irã. Se você tem a construção de um caminho de governança do Irã com melhores relações com o resto do mundo, e particularmente com o Ocidente, esse vai ser um fator de diminuição de risco que vai se refletir depreciando a expectativa que tem sobre o preço do petróleo.
A gente ainda tem o fator Rússia, que eventualmente volte, e aí você tem um petróleo derivado na Rússia, que hoje pode ser. Nós tendo essa conversa aqui 20 anos atrás, era impossível, porque a gente estava achando que, enfim...
Era só globalização, era só investimento, a história tinha ficado um pouco para trás. Durante a conversa aqui, Tiago, eu mencionei o Churchill, porque o Churchill era, o cargo formal dele era primeiro Lorde do Almirantado, que é o equivalente a ser ministro da Marinha, durante o problema lá da...
das Dardanelas, o Galípoli, que foi o malogro dele na Primeira Guerra Mundial e o que machucou muito a carreira política dele, mais uma vez, foi a Segunda Guerra Mundial que o transformou no grande líder que ele é. Mas tem uma frase dele que eu estava lendo esses dias, que é o seguinte, que a característica mais importante de um indivíduo...
é a coragem, porque tudo mais depende dessa característica. Estou entendendo que na economia mundial agora, para fazer uma referência a uma outra das sete tendências, que é do ESG 2.0, a característica mais importante da economia mundial é a geopolítica, porque tudo mais depende dela.
Tem uma frase, até um tanto clichê, que fala muito dos ciclos da vida, que tempos fáceis fazem pessoas fracas, pessoas fracas criam tempos difíceis, tempos difíceis fazem pessoas fortes, pessoas fortes fazem tempos fáceis. Esse papo hoje foi meio tenso. A gente foi falar de Estados Unidos e Irã, lembrou da Rússia, Ucrânia, China, Taiwan.
A gente está vivendo tempos difíceis? De fato, o mundo está mais difícil do que esteve no passado?
Na primeira década do século passado, você teve um brasileiro conterrâneo de Rodrigo, chamado Rui Barbosa, o Águia de Aia, que foi numa conferência para promover a paz. De 14 a 18, você tem a Primeira Guerra Mundial. Aí depois, na década seguinte, você tem a Grande Depressão, você tem o crash da Bolsa de Nova York de 1929. Na outra década, 1933 até 1945, você tem a ascensão do Hitler, em 1939 você tem a invasão da Polônia, em 1945 você tem...
na Segunda Guerra Mundial. Aí nos anos 50 você tem o recrudescimento da Guerra Fria, nos anos 60 você tem o Vietnã, nos anos 70 você tem dois choques de petróleo, nos anos 80 você tem a crise das dívidas latino-americanas, nos anos 90 você tem a crise dos Balcões, na primeira década deste século você tem o 11 de setembro, você tem a queda do Lehman Brothers, na última década você tem o Brexit, você tem o aumento do protecionismo no mundo.
a emergência eventual de uma nova guerra fria, então talvez a gente está na mesma temperatura, a gente só está com mais notícias para acompanhar mas excelente o seu resumo se fosse ensaiada essa pergunta a resposta não teria ficado tão boa bem legal quer complementar alguma coisa?
Acho que assim, o que ele colocou aqui é perfeito. Acho que talvez a intensidade, e tirando o chapéu de Anaísio de Petróleo, a intensidade, eu acho que de notícias, de velocidade com que as notícias chegam, acho que fazem com que tudo pareça mais intenso. Mas assim, olhando, aí voltando para o meu chapéu de Petróleo, tudo que a gente está vendo hoje é normal. A gente já viu outras crises, outras opções.
Você já viu petróleo negativo, né? Já viu petróleo negativo. Na Covid foi talvez uma das coisas mais emblemáticas ali, né? É, então, assim, até brinco com um analista que trabalha comigo, o petróleo sobe 5%, 7% no dia, cai 5%, 7%, é normal. Tensão, por isso que eu falei no começo, né?
trabalha com um range de petróleo 60, 70, talvez ele passe um pouco, é normal, assim, a gente tem um range, acho que essa volatilidade que a gente tem por questões geopolíticas, e, de novo, como a gente tem aquela concentração em polos produtores de petróleo, em regiões específicas.
acaba sendo parte até do nosso dia a dia a gente tentar analisar um pouco de geopolítica às vezes e tentar entender se o que está chegando de informação pra gente é de fato sinal ou ruído e eu acho que as informações hoje chegam muito mais rápido às vezes
com impacto até maior, você vê headlines, e às vezes acaba sendo mais preocupante no momento do que de fato é. Então, acho que eu concordo. Acho que a gente está vivendo num mundo, talvez, pouco normal, mas com um fluxo de notícias muito maior, que acaba pegando mais. O A Época Mítico, o A Época Mítico, Alan Greenspan, que era o presidente do Federal Reserve Board, Banco Central Americano, se não me engano, em 2005, 2006, ele publicou um livro chamado A Era da Turbulência. Exato.
Não é isso? Não tinha essa série de cataclismos que nós estamos vivendo no mundo. Agora, o que eu acho interessante também, Tiago e Rodrigo, é o seguinte, você tem endemicamente essa coisa da tensão, da dificuldade de você prever o futuro, mas é verdade também que as coisas são diferentes. A natureza das crises é diferente. E porque ela é diferente, ela afeta os países diferentemente. Esse momento que a gente tem agora, na minha opinião...
Ele é muito prejudicial para a grande maioria, 3 quartos dos países do mundo. Agora, para um 7 ou 8, na realidade isso traz mais oportunidade do que, você está entendendo? Para o Japão, para a Singapura, para a Arábia Saudita, para a Suíça, para a Argentina, para o Brasil. O que está se descortinando aí pode ser uma grande oportunidade.
Bom, pessoal, só lembrando, a gente deixou aqui a dica de leitura, que até apareceu na tela, tem o QR Code, apareceu de novo aí, tem o link também na descrição do vídeo. A lista de livros indicada pelo Marcos Troirro e também o professor Roque, são dois convidados que sempre que vem falar de geopolítica aqui, trazem muito conhecimento, eles têm uma... A pedido do Market Maker, eles deram uma lista de livros recomendados, a gente fez um e-book com a resenha desses livros.
O ETF que a gente falou, o ticker é CMDB11, negociado na bolsa, o BTG Commodities. Para quem também é cliente do BTG Pactual pode acompanhar o trabalho do Rodrigo escrito ali pelos relatórios que faz no Research do BTG Pactual. Aliás, deixar um abraço a toda a turma ali do BTG.
Vocês não costumam aparecer muito, espero que vocês comecem a aparecer mais, porque vocês têm muito conhecimento. Contigo o papo foi muito legal, tem o Tom Tom cobrindo o setor de utilidades, o Rosman, enfim, toda a turma ali, que a gente sempre troca uma ideia muito bacana. Deixar um abraço para todos eles e agradecer que você veio aqui. Seja a primeira de muitas, Rodrigo. Valeu demais. Obrigado pelo convite. E, Troíro, bom, você já é de casa.
Mês que vem já te espero aqui, o trimestre acabou, mas certamente você vai voltar aqui com mais conhecimento. Obrigado por tudo, viu? Obrigado, claro.
E você que está acompanhando a live, valeu Renan por pilotar aqui a live para a gente. Você que assistiu aí de casa, deixa o joinha no vídeo, se inscreve no canal. Toda terça, quinta e domingo tem episódio novo do Market Makers. Terça-feira costuma ser ao vivo. Quinta e domingo tem uma gravação sempre especial com alguém muito mais inteligente do que eu do outro lado da bancada. Até a próxima e tchau!
Mamba Water
Água potável