Episódios de Market Makers

#384 | A GRANDE CRISE SEM FIM DOS MULTIMERCADOS

07 de julho de 20262h1min
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CONFIRA A ÚLTIMA EDIÇÃO DA THE REPORT: https://store.mmakers.com.br/the-report-rpt02/Multimercados morreram — ou estamos confundindo mêses ruim com o fim de uma indústria?Depois de anos de frustração, taxas altas, competição com produtos isentos e investidores cada vez mais exigentes, os fundos multimercados voltaram ao centro do debate.Neste episódio, Thiago Salomão e Leopoldo Rosa recebem Rafael Medeiros, co-founder da Oikos Wealth Management, para discutir a crise dos multimercados no Brasil.A conversa passa por:-por que tantos fundos caíram juntos;-a explosão da correlação entre gestores;-o debate sobre taxa de administração e performance;-a diferença entre alfa e beta;-o modelo de gestor-estrela;-o que Warren Buffett realmente provou em sua aposta contra hedge funds;-por que o CalPERS abandonou hedge funds;-como os pod shops reinventaram a indústria nos Estados Unidos;-o impacto de produtos isentos, FGC e juros altos;-como escolher um multimercado que ainda faça sentido para sua carteira.No fim, a pergunta é simples: seu gestor está evoluindo ou apenas cobrando caro por uma promessa antiga?Comente: você ainda investe em multimercados? O que você exige de um gestor para pagar taxa de performance?Conheça a KLOOKS: https://www.klooks.com.br/?utm_source=blog&utm_medium=banner&utm_campaign=marketmakers&utm_content=conhecaamelhorplataforma 📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -A GRANDE CRISE SEM FIM DOS MULTIMERCADOS | Market Makers #384Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers)Convidado: Rafael Medeiros (co-founder na Oikos Wealth Management)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação: Renan Moncoski#FUNDOSMULTIMERCADO #BOLSADEVALORES #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio2
T

Thiago Salomão

HostJornalista
R

Rafael Medeiros

ConvidadoCo-founder e CEO da Oikos Wealth Management
Assuntos12
  • Fundos de investimento e CVMDesempenho ruim da indústria · Competição com produtos isentos · Taxa de administração e performance · Alfa e Beta · Modelo de gestor-estrela · Warren Buffett · CalPERS · Pod Shops
  • Seleção e due diligence de gestoresAnálise de pessoas e times · Processo de investimento e alocação de capital · Resultado histórico e 'staying power' · Investimento dos sócios no próprio fundo · Turnover na equipe · Dynamo · Pedro Bodan
  • Gestor de macro hedge fund (Geoffrey)Experiência nos EUA em 2016 · Estratégia Macro · Comparativo com T-Bills e S&P 500 · Charlie Munger · HFRI Macro Index
  • Futuro do mercado financeiroPolítica fiscal e juros no Brasil · Desenvolvimento do mercado de capitais · Contração e recuperação da indústria de multimercados · Educação financeira e busca por conhecimento
  • Vantagem competitiva Brasil vs EUAMercado mais desenvolvido nos EUA · Menor custo de oportunidade nos EUA · Capital de médio e longo prazo nos EUA · Prazos de resgate (D+30 vs. D+360) · Alavancagem e custos de gestão · Fundos Exclusivos · Juros altos no Brasil
  • Estratégia de Investimento em ETFsUso de ETFs em estratégias de baixa dispersão · ETFs para renda variável e fixa · Redução de custos · Dispersão de resultados entre gestores
  • Comparativo Multimercado Brasil vs. OffshoreDiversificação internacional · Custos de hedge cambial · Hedge Funds e Alternatives
  • Imediatismo como obstáculo financeiroGestoras com concentração em um único profissional · Gestão de RH e perda de foco · Exceções e outliers
  • Cota Diária vs. Cota Mensal em FundosImpacto da cota diária na gestão · Histórico da hiperinflação no Brasil · Ansiedade do mercado financeiro
  • Diversificação dentro da classe MultimercadoGestores com skills diferenciados · Fundos sistemáticos vs. discricionários · Fundos focados em ações (Equity Hedge Funds)
  • O papel da literatura e da música na reflexãoO Investidor Inteligente · Se Tiver Pressa, Ande Devagar · Eye of the Tiger (Survivor)
  • Manutenção do encanto e consistência profissionalAlessandro Merjan · Apoio a estagiários · Formação acadêmica e profissional
Transcrição131 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TSThiago Salomão

Sim, sim, sim, tá começando mais um episódio ao vivo do Market Makers. Seja bem-vindo! Agora terça-feira, 7 de julho, 18 horas e 6 minutos. Para você que tá chegando agora, seja bem-vindo! Sou Thiago Salomão, fundador do Market Makers, o maior podcast do mercado financeiro. Mais de 7 milhões de pessoas se informam através dos nossos áudios, vídeos ou textos nas nossas newsletters. E não só newsletter, né? Temos a nossa The Report, que é inclusive a culpada de estarmos ao vivo num dia de quartas de final da Copa do Mundo para falar sobre a indústria de fundos.

Isso porque a The Report que fizemos nesse mês de julho fala sobre os fundos multimercados. É o fim dos multimercados? Já dando spoiler, não é o fim, mas tem muita reflexão que tá sendo feita sobre essa classe que vem tendo uma janela de performance ruim, tem sido muito questionada. Mas a gente trouxe na The Report muitas opiniões para trazer um embasamento para os investidores entenderem melhor sobre isso. E nessas andanças, a gente, depois de publicar The Report, eu tô aqui com um convidado que é o Rafael Medeiros.

Ele é fundador e também CEO da Oikus, um family office, mas ele está aqui principalmente pelo que ele fez em toda a sua trajetória. São mais de 20 anos no mercado financeiro, boa parte deles dedicada à indústria de fundos, principalmente dentro do Itaú. Ele começou na Tendências, foi para o Bank Boston onde fazia gestão de recursos internacional, fazia o offshore de lá. Em 2006 foi para o Itaú, quando o Bank Boston teve a operação com o Itaú.

Começou lá a área de gestão ali com cerca de R$5 bi, saiu do Itaú com R$180 bilhões na área, não com ele, né, na área do Itaú, e para fundar a Oikos. Então é um cara que vivenciou muito a indústria de fundos. E tem um episódio na vida dele que foi quando ele foi enviado para os Estados Unidos e pôde ter ali uma experiência sobre o o que que foi a indústria de hedge funds nos Estados Unidos, como foi a transformação, e a gente pode trazer para cá.

Inclusive, isso tava na minha última newsletter. Então, quando eu falei que conheci um rapaz que me ajudou com as informações, o rapaz tá aqui. Não sei se a câmera já cortou para ele, mas já tá ali do outro lado da bancada. Rafael Medeiros, seja bem-vindo ao Market Makers. Obrigado pela coincidência da vida que nos uniu na semana passada. A gente trocou uma ideia tão legal que eu falei, porra, cara, Você tem que vir aqui conversar com a nossa audiência, que a gente adora sempre ouvir opiniões de quem vive com intensidade determinado assunto.

E pô, o que você conversou comigo abriu muito a minha cabeça. Espero que abra a cabeça de boa parte da nossa audiência.

RMRafael Medeiros

Legal, pô, Thiago. Obrigado, obrigado pelo convite. É um prazer aí conversar com você e tentar trazer algumas informações sobre a indústria de fundos multimercados. Então vai ser um prazer aí esse bate-papo.

TSThiago Salomão

Mas, ó, antes, Rafa, não existe podcast grátis nem almoço grátis, então tenho que dar o recado dos nossos patrocinadores. Se você quer filtrar empresas da sua região por faturamento ou por margem EBITDA, por caixa ou por dívida, você pode usar a Clux. A Clux tem o histórico financeiro das principais 70 mil empresas brasileiras desde 2008. É isso mesmo, é a maior base de demonstrações financeiras de capital fechado do Brasil. Então se você quer ter esse acesso, já até apareceu aqui na tela, já tá dividido aqui no meu lado direito aqui, ó.

Vocês podem apontar o QR code aí, o celular nesse QR code, ou clicar no link da descrição. Cara, são mais de 70 mil das principais empresas do Brasil, dados desde 2008, que a Clux tem. Então acessa lá para você ficar, ter todo esse filtro de empresas. E mandar um abraço efusivo para o pessoal da Clux. Bom, a gente teve a nossa The Report. Aliás, quem não é assinante da The Report, por favor, corrija esse erro. Não só é um conteúdo de qualidade que o Market Makers faz, mas pô, dá uma baita de uma ajuda a Market Makers continuar fazendo o que faz.

Mas a The Report falou muito sobre o fim da indústria dos multimercados, né? Não que a gente queira encerrar essa indústria, mas é um assunto que ganhou muita evidência, principalmente depois do estudo que a TAG Investimentos publicou falando da— acho que todo mundo tinha uma opinião sobre multimercados, mas pouco se falava até que esse estudo trouxe uma evidência maior e muita gente começou a opinar. Então, até para começar esse papo, antes de a gente fazer todo um panorama, qual a sua opinião hoje sobre multimercados?

Aí, conversando Rafael, que é o CEO de investimentos no Brasil de um family office. É, como que multimercados entram na sua carteira de investimentos?

RMRafael Medeiros

Tá bom, bom, os multimercados a gente tem dentro da nossa carteira de investimentos, então eles compõem o portfólio das famílias. É claro, né, que sempre levando em consideração o perfil de cada família, levando em consideração toda a política de investimento que a gente constrói para cada uma das famílias. Mas a gente tem investimento em multimercados hoje para várias das famílias que nós fazemos gestão hoje na Oikos.

TSThiago Salomão

Então, para vocês ainda é uma classe. E assim, embora você esteja na Oikos desde 2020, mas no relativo, essa participação aumentou, diminuiu, continua a mesma?

RMRafael Medeiros

Olha, o que a gente, a gente tenta ter uma alocação estrutural em multimercado. A gente não fica fazendo timing da classe. Então a gente faz um trabalho longo de desenhar com cada família quanto que ela vai ter de risco nos diversos, nas diversas classes de ativos aqui e lá fora. Então, e depois desse trabalho, né, de definir quantos por cento a gente vai ter em cada uma dessas classes, a gente define quanto que a gente vai ter em multimercado.

E aí essa é uma parcela estrutural dentro do portfólio. Então, o que a gente já viu muitas vezes é que é muito difícil você tentar se antecipar ao mercado para aumentar a alocação em multimercado ou diminuir, porque muitas vezes o mercado ele apresenta uma oportunidade Né? E que se você tá alocado com bons gestores, com bons produtos também, você consegue auferir aquele retorno. Então sempre gosto de explicar um pouco isso para os clientes, né, que o multimercado ele tá ali, ele é como se fosse, né, um caçador indo para floresta tentando, em busca de uma caça, né?

E ele tá ali todo dia tentando, né, conseguir aquela caça. E muitas vezes passa por um período que ele não vai conseguir, até que um determinado momento ele tem ali uma grande oportunidade e consegue pegar uma caça. E aquilo ali vai se justificar, né, por aquele período que às vezes um gestor teve um resultado abaixo do que você espera, né.

TSThiago Salomão

Então, e bom, Como é que você tem acompanhado toda essa discussão? Você tem uma opinião formada sobre isso? Você, assim, eu até te mostrei a nossa The Report, imagino que você deve ter olhado o estudo da TAG. Qual a opinião de vocês sobre essa, talvez esse futuro da indústria de multimercados no Brasil? Como é que você tá acompanhando isso?

RMRafael Medeiros

Olha, o que a gente acha é que assim, a indústria aqui de multimercado, ela é, ela ela, como quase todas as indústrias aqui no Brasil, elas acabam tendo, né, uma defasagem em relação à indústria americana, né. Então eu acho que a indústria aqui no Brasil, ela parece um pouco com a indústria americana de 10 anos atrás, e muito do que a gente vivenciou ali há 10 anos atrás, né. Então até eu comentei com você uma experiência que eu tive quando eu fui morar nos Estados Unidos até enviado, né, pelo banco que eu trabalhava naquele determinado momento, com um objetivo de entender um pouco mais de uma indústria que tinha, né, décadas a mais do que a nossa aqui no Brasil.

E, né, o que a gente, o que eu vi ali, né, em 2016 foi, né, que, poxa, foi um período, né, que era muito ruim para indústria de hedge funds, da estratégia macro lá fora. Então essa indústria, desde 2011, ela vinha apresentando um resultado muito ruim comparado com as T-bills lá fora. O S&P também tinha um resultado muito bom nesse período. Em 2016, né, a gente tinha uma discussão muito forte, né, na mídia e também na academia de, poxa, se fazia ou não sentido ter hedge funds da estratégia macro nos portfólios.

E, né, a estratégia macro lá fora, apesar de ser uma estratégia ali naquele momento que era relevante na indústria americana, ela era muito menor em termos de representatividade, né, em percentual da indústria americana, do que aqui no Brasil. Aqui no Brasil, a indústria macro era um percentual muito grande da indústria de fundos multimercados. E eu, poxa, acompanhei muito aquela discussão ali, conversando com gestores, né, os hedge fund managers da estratégia macro lá fora, tentando entender todas aquelas críticas.

E muito do que, né, eu tentava, né, primeiro absorver aquelas críticas e pensar como que a gente aqui no nosso portfólio, e aí pensando para Brasil, como que a gente pode tentar lidar com esses problemas que a indústria tá vivenciando, né, que tava vivenciando lá fora, para criar um processo de investimento aqui que a gente consiga se blindar um pouco, né, a esses problemas. Então, então acho que até fazendo um pouco uma referência assim, até, poxa, do que eu vi ali, né, então é o Charlie Munger, do, né, vamos dizer, sócio, né, e sócio do do Warren Buffett, é, poxa, a cabeça de tentar sempre inverter as coisas, né?

Então, poxa, olhar toda aquela crítica que tava lá fora e falar assim, em vez de como que a gente ganha dinheiro investindo em fundos multimercados da estratégia macro, era como que a gente não perde, né? Então, como que a gente não perde dinheiro investindo em fundos da estratégia macro? E aí a gente foi fazendo várias coisas, olhando várias coisas que eram essas críticas Que são várias críticas devidas até, várias críticas bem fundamentadas, para a gente construir o nosso portfólio e ver realmente o que fazia sentido.

E foi muito interessante porque a indústria lá fora, depois de 2016, ela ainda teve um período um pouco ruim até mais ou menos 2018, e depois de 2018 a indústria foi muito bem. Então foram os melhores anos até da estratégia macro lá fora dos hedge funds, foram ali de 2018 até aproximadamente 2021, 22. Então a gente viu, né, vários investidores, até investidores institucionais famosos ali naquele momento, fazendo, né, o desinvestimento do seu programa de investimentos em hedge funds, né.

Até você citou ali no The Report o caso da CalPERS ali naquele determinado momento, foi um foi emblemático ali quando ela, determinado momento, ela decidiu sair dos investimentos em hedge funds. E depois teve toda uma discussão longa no mercado para entender porque que ela tava fazendo aquilo. E até depois, quando até a performance dos hedge funds foi melhorando, a própria, né, o próprio CEO na época da CalPERS se pronunciou no mercado de que ele acabou decidindo não só pela performance, mas principalmente porque representava menos de 1% do portfólio da CalPERS.

E então o custo de avaliar os gestores é que não tava fazendo tanto sentido, ele mudou para outras estratégias.

TSThiago Salomão

Só complementar aqui, eu até fui pegar uma tabela que você me mandou do retorno dos hedge funds macro, né? O quê? É um índice esse, o HFRI?

RMRafael Medeiros

Isso mesmo, é um índice criado, né, para mensurar, né, o retorno dos fundos dos hedge funds, da estratégia macro, e que ele é todo tratado para considerar todos os gestores que foram ao longo do tempo parando de existir. Então tirar, né, o que a gente chama de, poxa, tirar o efeito do survivorship bias. Então o objetivo desse índice, ele é ser realmente qual que é a performance que a indústria teve ao longo do tempo, né. Então seria um índice parecido com os índices que a gente tem aqui de fundos multimercados, mas um específico da estratégia macro lá fora, eles têm para várias estratégias.

TSThiago Salomão

E em 2011 ele fica, ele teve uma rentabilidade negativa de 4,16%, sempre comparando com a Treasury Bill de 3 meses, ela ficando, né, sempre tava ali perto de zero, né. Então era, mas mesmo perto de zero é quase a corrida da tartaruga e a lebre, né, mesmo ela mal saindo do lugar, ela foi ganhando, né? Porque os hedge funds caíram 4% em 2011, ficaram praticamente estáveis em 2012, praticamente estável em 2013, aí sobe 5,5% em 2014, mas cai 1% em 2015, sobe 1% em 2016, sobe 2% em 2017, cai 4% em 2018.

Ou seja, nesse acumulado aí de 8 anos, você vê que a Treasury, que tava rendendo ali muito perto de 0%, até em 2018 já tava perto de 2%, ao ano, elas conseguiram ter um resultado bem maior. Imagina o tamanho do questionamento lá nos Estados Unidos a isso. Você citou o caso da CalPERS, né, o fundo de pensão, mas teve também aquela aposta que o Warren Buffett fez, né, com um gestor de fundos, de fundos, de fundos, de FOFs de hedge funds, né.

Então ele, o gestor, selecionou uma carteira de hedge funds e o Warren Buffett apostou que ia perder do S&P e perdeu de lavada.

RMRafael Medeiros

O S&P foi muito bem nesse período.

TSThiago Salomão

Também, se a Treasury Bill foi bem, ali o pós-crise de 2008, o S&P de lá para cá vem tendo anos muito bons, mas ali principalmente. Mas aí, Rafa, o que foi a mudança que teve? O que mudou? Foram os hedge funds macro que mudaram? Ou o mercado que voltou à normalidade? Qual que foi a mudança ali que fez com que logo depois ali de 2019 para frente fosse tiro, porrada e bomba a favor dos hedge funds macro ali, que foram muito bem depois daquilo?

RMRafael Medeiros

Olha, eu acho que tiveram alguns fatores, tá, Thiago? Então assim, um, eu acho que o mercado tinha passado um pouco uma entressafra mesmo de oportunidades, né? É um pouco do que eu havia comentado. Então Após ali, né, esse período muito ruim de oportunidades, o mercado acabou apresentando algumas oportunidades que os gestores conseguiram capturar. Isso foi um ponto. Mas fora isso, o que a gente viu foi, como qualquer indústria, é um período de desempenho muito ruim e com aumento muito grande da competitividade na indústria.

O que a gente começou a perceber é que Vários gestores que tiveram um resultado mais, é um resultado pior, eles acabaram saindo da indústria, né, ou começando a gerir o próprio patrimônio, né, ou até fechando os seus negócios, ou sendo incorporado por outros gestores maiores que acabaram, né, consolidando a indústria e que, né, começaram a receber mais capital. E aumentaram muito o market share. Então os vencedores desse período tiveram um crescimento acelerado ali após esse período de crise e começaram também nesse período, já vinham fazendo, mas intensificaram o investimento mesmo, né, desde, poxa, em tecnologia, em dados, ter cada vez mais um processo de investimento mais focado em gestão de risco, aumentar os times de gestão, os times de análise.

Então já eram gestores bem posicionados que acabaram crescendo ainda mais. Então o que eu acho assim, o que a gente vê aqui no Brasil, é que a gente tem ótimas casas de gestão de recursos, né? A gente vê multimercados que conseguiram se diferenciar nesse ambiente, tiveram resultado muito bom. E o que a gente acha é que vai acontecer muito parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos ali em 2016 para frente. Essas casas, elas vão acabar recebendo mais capital e vão continuar intensificando os esforços de investimento em pessoas, né, em tecnologia, em dados.

Então eu acho que elas vão ser mais, elas vão acabar aumentando market share e aumentando também a qualidade dos seus produtos. Então foi o que aconteceu lá fora. Então a qualidade dos produtos foi aumentando. A gente via gestoras que já eram boas, mas elas intensificaram muito o investimento nessas diversas frentes que eu comentei, né? Então aquelas gestoras que eram muito pequenas ou muito focadas às vezes em só um portfólio manager, essas gestoras elas acabaram perdendo um pouco de relevância lá fora.

Claro que como qualquer indústria, né, E aqui no Brasil também sempre existem exceções, mas eu acho que a gente pode dizer que na média a gente viu uma redução disso. Então os próprios investidores começaram a cobrar um pouco casas mais institucionalizadas, times de gestão mais robustos e, né, um processo de investimento melhor e mais intensivo, né, em tecnologia, dados e gestão de risco.

TSThiago Salomão

Interessante, mas trazendo para prática aqui no Brasil, como o investidor consegue perceber essas mudanças, essa melhoria interna, essa maior dedicação? Porque assim, vamos lá, a gente aqui no mercado, e principalmente você na função de alocador e selecionador dos gestores que você vai investir, Você tem porta aberta ali, vai lá, mexe na cozinha, já viu muita gestora nascer, você entende muito bem ali, faz esse processo. Mas pensando na ponta final ali, o investidor que devido ao acesso que tem, né, o cara tem conta no BTG, na XP, em algum lugar que tem uma plataforma que ele consegue ver lá o ranking de performance do fundo e tudo mais, mas não consegue ter esse olhar interno ali.

Diferente das empresas, quando a gente vai investir, a gente pode ir lá abrir o DRE, pode ver lá o site de RI, consegue cavucar a cozinha da empresa para fazer um valuation. Como é que ele faz para perceber isso dentro das gestoras? Ou não faz, não tem como ter esse acesso?

RMRafael Medeiros

Olha, eu acho que é difícil, tá, Thiago? Assim, eu acho difícil mesmo, porque eu acho até que nem as ações que você comentou, né? Esse acesso à informação, ele muitas vezes é de difícil acesso para o investidor pessoa física, às vezes menor. Então eu acho que muitas vezes o que ele vai precisar fazer é se ancorar em casas de pesquisa, né, casas de research que podem auxiliar um pouco ele no acesso a essa informação. E acho que também ter às vezes, né, uma relação com family offices, bancos, providers como um todo que estão ali tentando fazer esse processo de avaliar os gestores e trazer essa informação para os seus clientes que às vezes têm investimentos pequenos e que as gestoras não conseguem também atendê-los ali no dia a dia para fornecer esse tipo de informação.

TSThiago Salomão

Então deixa eu até melhorar a minha pergunta. Como você faz para identificar essa mudança nas gestoras brasileiras? Como é que Porque assim, a gente tá vendo, vai, multimercados estão com uma performance na média abaixo do CDI ali e tudo mais, mas tem o que se destacam. Mas eles se destacam pelos investimentos feitos ou é uma janela de oportunidade? Enfim, como separar a performance da cota do bom investimento estrutural de melhorar a gestora? Como é que você percebe isso?

RMRafael Medeiros

Olha, o que a gente sempre faz, né, a gente faz consistentemente diligências nos gestores, a gente tem também conversas periódicas com gestores, então desde conference calls com vários, né, dependendo da estratégia, ou mensalmente ou trimestralmente, visitas também nas gestoras. Então a gente tenta ter uma relação próxima das gestoras. Próxima de muitas vezes ex-funcionários das gestoras, que muitas vezes passam muita informação de como que tá o ambiente daquelas gestoras.

E a gente tem um pouco, né, uma filosofia. A gente tem sempre, a gente historicamente, a gente sempre tem um portfólio um pouco mais concentrado para facilitar um pouco esse processo. Então a gente nunca foi defensor de ter um portfólio com, poxa, 20 multimercados, 30 multimercados, 40 multimercados. A gente nunca, a gente nunca defendeu isso no nosso portfólio, porque a gente sempre acreditou que era muito difícil gerar um resultado diferenciado com um portfólio muito diversificado.

Então, a gente até, acho que eu comentei, acho que com você até, tem um livro que é um livro bem legal, que traz uma reflexão muito boa, que é um livro chamado Hedge Fund Mirage.

TSThiago Salomão

É, você me falou desse livro.

RMRafael Medeiros

E ele é uma crítica à indústria de hedge funds lá fora, né? Mirage de miragem mesmo. Esse livro, ele é uma crítica à indústria de hedge funds lá fora. Então ele tem vários pontos que ele questiona a indústria. E aí o que a gente sempre fez foi olhar esses pontos desse livro e com aquela mesma cabeça que eu comentei ali do Charlie, né, de pô, inverte é olhar, olha todos esses pontos e tenta pensar o processo de investimento, de como que eu crio um processo de investimento que pode ter um resultado positivo, né, não fazendo esses principais erros.

Então tem vários erros que são comentados ali. Um deles, né, que esse livro mesmo comenta, é, poxa, é a diversificação excessiva em hedge funds, né. Então um dos pontos que ele, que ele comenta é Poxa, é muitas vezes uma carteira muito diversificada vai ser muito difícil você ter um resultado acima da média da indústria, né?

TSThiago Salomão

Então é esse livro aqui do Simon Black, ele mesmo. É, deixa eu ver a capa, mano, que a capa tem essa mãozinha aqui com arisco.

RMRafael Medeiros

Esse mesmo é um livro que eu acho que ele é, é mais ou menos nessa época que começou o debate mais forte ali que ele foi, que ele foi lançado.

TSThiago Salomão

É, tem Ele não tem aqui, pelo menos na Amazon não tem a versão física, mas parece que tem para— ah, não tem aqui, tem uma versão física, mas também tem no— talvez tenha no Kindle, mas só lá fora, tem que comprar por internacional, né?

RMRafael Medeiros

Então, um pouco do que ele tem várias coisas. Então, por exemplo, uma das coisas, né, que a gente viu historicamente em vários estudos que a gente que a gente fez aqui no Brasil, né, que são basicamente o que a gente sempre fez aqui foi tentar tropicalizar o que a gente via lá fora, né, de críticas, que eu acho que são sempre muito boas olhar as críticas e pensar, poxa, como que eu invisto, né, para tentar gerar resultado no portfólio dado que existem essas críticas, né.

Então, por exemplo, uma crítica que sempre foi muito forte lá fora é que a indústria era uma indústria indústria que era uma indústria cara, então uma indústria que cobrava 2% de taxa de administração e 20% de performance. Então essa era uma crítica devida da indústria lá fora, e é que a gente sempre falou, poxa, a gente concorda. Então a gente falou assim, poxa, como que a gente vai lidar com isso, né? E aí a gente foi fazendo uma busca constante.

Isso na época que eu tava, né, no Itaú ainda, no fundo, na Oikos a gente também tem essa filosofia. Que é, poxa, vamos buscar então produtos que tenham um nível de risco mais elevado. Porque você investir às vezes num multimercado que ele tem 2% de volatilidade, cobrando 2% de taxa de administração e 20% de performance, a chance de você conseguir ter um resultado diferenciado para o seu portfólio que justifique você ter aquele investimento, poxa, muitas vezes não faz sentido, porque o resultado vai ser muito muito próximo ao CDI, né? E você pode então às vezes ficar no próprio CDI, né?

TSThiago Salomão

Até porque o CDI, o risco de perder é quase nulo, é quase nulo.

RMRafael Medeiros

Então a gente falou, poxa, então primeiro não vamos investir em fundos muito conservadores, que no final das contas são basicamente às vezes fundos renda fixa ativo que estão encapsulados como multimercados para poder cobrar como multimercados. Então a gente veio no processo de tentar cada vez mais incentivar privada, indústria, até fundos mais agressivos. Então tem um gráfico, acho que eu te mostrei, que é a indústria em 2010, mais ou menos.

Tem aqui os dados. Indústria, ela veio de aproximadamente 20% de fundos com uma volatilidade maior que 4% só. Então isso em 2005, tá? 2005, 20%, 17%, se a gente for mais específico, 17% da indústria de fundos em 2005 tinha uma volatilidade maior do que 4%. Esse número hoje ele é aproximadamente 61% aqui no Brasil. Então a indústria no Brasil ela conseguiu aumentar o nível de risco. Então começaram a ter produtos que realmente tenham o perfil de um, né, de um hedge fund, né, então de um, né, de um multimercado.

Mesmo, e não de um renda fixa ativo. Então esse, por exemplo, era uma crítica que a gente, que a gente viu. Isso traz um desafio para o investidor, na nossa visão, que é também uma crítica que também tá nesse livro, que era a crítica de que muitas vezes os investidores, eles, eles olham o resultado dos fundos dos últimos 12, 24, 36 meses, e aí eles compram os gestores que tiveram resultado muito bom e vendem os gestores que tiveram resultado ruim.

E fazendo isso você acaba tendo um resultado pior do que a própria, né, indústria de fundos lá fora, dos hedge funds, e aqui no Brasil do que os multimercados. Então a gente tropicalizou isso aqui para o Brasil. É basicamente é um estudo desse livro, porque eles fizeram isso calculando qual que é o resultado da indústria de hedge funds lá fora Então é um resultado, né, vamos dizer, de, poxa, é 100% um determinado período. Mas qual que é a TIR dos investidores por terem aplicado em momentos que os fundos tinham ido bem e resgatado em momentos que os fundos tinham ido ruim, né?

A TIR dos investidores é inferior. Então os investidores não receberam o resultado que a indústria auferiu ali. Então, que nem eu falei, de 100%, o resultado foi inferior. Então a gente fez essa mesma conta aqui para o Brasil. A gente foi lá e calculou e viu, poxa, a indústria aqui no Brasil, quanto que foi o resultado dos multimercados? Quanto que foi o resultado efetivo dos clientes, né? A TIR da indústria, considerando todas as aplicações e resgates de todos os fundos da indústria multimercados.

TSThiago Salomão

Para quem não tá familiarizado, TIR é a sigla só para taxa interna de retorno. Seria então, nessa conta, seria o fundo tá lá, ganhei R$1.050, mas a TIR seria o cálculo de quanto o cotista ganhou deixando o dinheiro lá, que pelo estudo que vocês fizeram parece que foi menos do que o que o fundo entregou, né?

RMRafael Medeiros

É isso mesmo. Por isso, porque a indústria ela acaba tendo patrimônio pequeno em momentos que ela vai muito bem, porque todo mundo resgatou após um período de performance ruim, né? Então ela tem um patrimônio menor. E aí quando a indústria tá com resultado muito muito bom, após esse resultado muito bom, vários investidores querem comprar os fundos. E aí, né, você tem um patrimônio maior. E aí, então, o efeito, né, na TIR, então faz com que você tenha um resultado mais baixo do que o efeito da indústria. Seria como se fosse a bolsa, né, fazendo uma analogia, né.

TSThiago Salomão

Eu acho que eu não lembro se a fonte é fidedigna, mas eu associava muito isso também ao Peter Lynch, que falavam Peter Lynch foi um dos grandes pensadores sobre investimentos em ações, mas os cotistas do fundo do Peter Lynch não ganharam tanto dinheiro, porque parece que fizeram um estudo desse mostrando que o retorno do fundo foi bom, mas a TIR dos cotistas não foi boa, porque eles saíam no momento de piora do mercado e entravam quando o fundo estava bombando.

Enfim, nunca fui checar se essa história é verdadeira, Mas pensando num fundo de ação, acho que faz até mais sentido do que nos fundos multimercados.

RMRafael Medeiros

Essa tira a gente fez a mesma coisa para os fundos de ações, isso lá fora e aqui, e o efeito é muito parecido. Porque é isso, olhando a bolsa, as pessoas acabam comprando depois que o resultado, que a bolsa foi bem, e vendem quando a bolsa foi mal.

TSThiago Salomão

Esse ano mesmo a gente está vendo isso. Eu estou vendo muito mais gente, tinha muito mais gente animada com a bolsa quando a gente estava perto dos 200 mil pontos lá no... Em março do que agora com a bolsa 170 mil pontos. Então essa percepção da animação do investidor com o preço, embora o certo seja comprar na baixa, ninguém quer comprar quando as coisas estão ruins. Ação não é barata e popular ao mesmo tempo, ou ela está barata ou ela está popular.

RMRafael Medeiros

É isso mesmo. E aí só concluindo essa questão dos multimercados com um pouco mais de risco, A gente fez isso, só que eu acho que o que a gente viu na indústria quando a gente fez as contas também é que assim, como os fundos ficaram também mais agressivos e o acesso a fundos mais agressivos ficou mais fácil, né, isso também traz um risco. Por quê? Porque quando os fundos, né, eles acabam tendo um resultado ruim, eles acabam ficando bem abaixo do CDI, né.

E aí a gente foi fazer essa mesma conta, essa mesma TIR, olhando primeiro, vamos olhar a TIR dos clientes versus a indústria de fundos multimercados como um todo, que é um pouco mais conservador, né? E aí os clientes recebem aproximadamente 80% do que o retorno da indústria. Mas quando a gente faz a TIR da indústria de fundos com uma volatilidade maior do que 4%, então que seriam os fundos mais agressivos, O resultado da indústria, dos fundos, né, é muito melhor do que a indústria como um todo.

Só que os clientes acabam tendo uma TIR só de 40% do que a rentabilidade da indústria, porque eles acabam— esse efeito de errar o movimento dela, a entrada e a saída, ele aumenta, né? Então a dor da travessia aumenta. Então em momentos de performance ruim, o pessoal acaba resgatando mais.

TSThiago Salomão

Eu fico pensando, se os fundos fossem D+10, 10, talvez essa estatística seria ainda pior, né? Porque o cara erra a saída com D+30, né? Então imagina, provavelmente não resgatou no momento bom, né? Ele acabou ainda tendo 30 dias ali para pensar bem e tudo mais. Enfim, é complexo isso. Rafa, você passou rapidamente aí por 2,20. Acho que essa é uma polêmica que sempre que Parece igual time de futebol, né? Quando o time tá ganhando, não tem problema nenhum.

Quando o time tá perdendo, pô, mas também jogador tá saindo à noite, jogador tá dando entrevista demais. É tipo 2,20. Acho que todo mundo só lembra do 2,20. Tem que mudar no Brasil quando a indústria de fundos começa a ter uma performance ruim. Qual a sua opinião sobre fundos 2,20? Eu senti pela sua resposta que 2,20 é ok. Deixa que o cara entregue e tem uma vol condizente a isso. Problema também é assim, o cliente tem que entender que fundo que tem mais vol, a vol vai para o na alegria e na tristeza, né?

E mas lá nos Estados Unidos acabou sendo o C2 com 20, ela continua, teve uma adaptação? O que que a gente pode esperar disso?

RMRafael Medeiros

Olha, eu acho que lá essa discussão lá fora ela é exatamente igual aqui no Brasil, né? Sempre que a indústria sofre períodos de performance pior, ela volta à tona lá fora. Mas assim, o que que a gente acha é que a indústria ela acaba se justificando, né? Se você tem o produto certo, gestores que realmente conseguem entregar um resultado diferenciado, né, então acima dos benchmarks, realmente conseguem gerar Alfa. Então, para, eu acho que a indústria como um todo, muitas vezes a gente vai ver vários gestores que assim não acabam conseguindo se justificar cobrarem 2,20%.

Mas o que a gente acha é que assim, a gente buscando gestores que conseguem entregar consistentemente, né, um resultado diferenciado e que ficam no primeiro quartil da indústria, Eles se pagam, né? E esse 2,20 faz sentido numa alocação, né, de mais uma fonte de retorno dentro de um patrimônio, né, de um indivíduo, de uma família. Então a gente acha que faz sentido. É claro que assim, a gente não acha que o 2,20 ele é, vamos dizer, para todos, né?

E poxa, e que o 2,20 a gente vai ter uma indústria sempre é enorme. Então é um desafio mesmo gerar alfa. Então não, não é um jogo, né, muito, muito competitivo como é lá fora. Então a gente sempre vai ter momentos que a gente vai ter um crescimento da indústria e vai ter muitos entrantes. E aí a gente vai passar por períodos, né, de travessia, de performance mais desafiador, e que alguns gestores vão se sobressair Como qualquer indústria, né?

Então se a gente olhar qualquer indústria, não só a indústria financeira, você tem muitas vezes os vencedores, né, que passam pelos períodos de crise justificando, né, o preço dos seus produtos, e depois eles saem mais fortes. Acho que a indústria de fundos, né, indústria de fundos multimercados, não só multimercados, renda variável, acho que ela é muito parecida também. Então muitas vezes você tem vários entrantes, um período mais desafiador, e que você tem, né, os vencedores daquele período mais desafiador até— então é uma indústria de ciclos, né, até uma determinada, uma nova janela em que vários entrantes vão entrar novamente, né.

TSThiago Salomão

Rafa, eu tô pensando aqui junto com o que você falou sobre o que aconteceu nos Estados Unidos e pensando nas mudanças que a gente teve no Brasil. Pelo seu diagnóstico, os multimercados macro ou que seriam os multimercados, que são o análogo aos hedge fund macros, não vão acabar por boa parte do que você já explicou. Mas aqui a gente teve alguns episódios que não sei se dá para fazer um paralelo com os Estados Unidos, né? Porque tá, a janela de performance ruim é parecida com a dos Estados Unidos, mas bom, como a gente mesmo mostrou, a T-Bill tava pagando 1%.

O CDI paga 1% ao mês, né? Então já é um comparativo, na analogia da caça, essa presa é muito mais rápida do que a tibiu lá de fora, né? O caçador pode morrer de fome até tentar bater o CDI. Junto com isso teve a mudança no que seria praticamente o desmonte dos fundos exclusivos, né, que acabou também prejudicando a classe multimercado, algo que é é pontual, porém estrutural, porque mudou bem o que seria da indústria multimercado dali para frente.

E bom, vamos concordar também que surgiram muitos fundos multimercados. Então talvez era uma indústria muito fácil de ganhar dinheiro. Acho que é errado falar isso no mercado financeiro, mas talvez as pessoas estavam confiantes demais que elas poderiam fazer isso de uma maneira consistente e estrutural e surgiram muitos multimercados, muitos mesmo. Acho que a quantidade de aberturas de fundos que a gente teve nos últimos anos foi recorde.

E de todas essas mudanças, de todos esses fatores, o que você considera talvez o mais perigoso na hora de fazer esse paralelo de Brasil e Estados Unidos? Tipo, nos Estados Unidos a indústria sobreviveu por causa das coisas que eles fizeram, mas aqui no Brasil Tem essa jabuticaba aqui que atrapalha. O que que você acha que é? É o juro absurdamente alto? É, sei lá, esse surgimento de várias casas ao mesmo tempo? Então essa ressaca naturalmente tem que acontecer?

É o próprio desmanche dos fundos exclusivos que isso vai ter ainda suas consequências? Enfim, o que que você vê de diferente que a gente tá passando no Brasil em comparação ao que você viu lá nos Estados Unidos?

RMRafael Medeiros

Olha, eu acho que assim, lá fora a gente primeiro tem um mercado mais desenvolvido, né? Então tem esse ponto também. Então eu acho que assim, o primeiro, né, o cujo oportunidade é menor. Então eu acho que isso é um, acho que impacta, né? Então a taxa de juros é muito mais baixa mesmo que no Brasil. Acho que por ser uma indústria mais madura, você tem capital de mais médio e longo prazo. Então como você mesmo comentou, Thiago, Acho que a gente tem fundos aqui, vários fundos são D30, D60, que é muito curto na visão de um, né, de um, vamos dizer, de um hedge fund manager lá fora.

Então a gente vê vários gestores aqui brilhantes aqui no Brasil que têm fundos D60, porque a indústria muitas vezes não comporta ter um prazo mais longo, como a gente já viu lá fora, de fundos que às vezes têm 1 ano, 2 anos de prazo de resgate. A gente vê alguns, existe então D+ 360, existe 2 anos até para hedge funds. Então assim, isso acho que é o primeiro ponto, você tem uma indústria com mais capital, você tem também muitas vezes um capital de mais médio e longo prazo, que seriam os fundos de pensão e os endowments lá fora, que também investem em hedge funds de uma forma mais relevante do que aqui no Brasil.

Então trazem um pouco de capital para hedge funds lá fora que sabem que podem fazer investimentos de longo prazo em, como eu comentei, estrutura, em sistema, né, em pesquisa, porque vão ter um passivo demais, demais, com horizonte de investimento mais longo. Então eu acho que isso também é um desafio que a gente acaba tendo aqui, é que lá fora, vamos dizer, o gestor de hedge fund tem esse capital muitas vezes já mais presente ali.

TSThiago Salomão

Pô, Rafa, mas então para mim isso é mais preocupante ainda, né? Porque o que que é um capital de médio-longo prazo no Brasil, que não é um país de médio-longo prazo? O que a gente mais ouve é que o Brasil é um país tático, né? Um país onde você faz um trade, né? Você compra quando tá barato, vende quando tá caro. E a gente ouve os próprios gestores multimercados falando isso de Brasil, né? Então, como alguém vai fazer uma alocação de médio e longo prazo num país que estruturalmente não é de médio e longo prazo? O próprio Brasil precisaria mudar um pouco para que isso aconteça, né?

RMRafael Medeiros

É, eu acho que assim, eu acho que todas as classes de ativo aqui no Brasil, elas acabam sofrendo um pouco por isso, né? Então Acho que não só os multimercados, mas, né, os investimentos em ação também, os investimentos até em títulos de dívida, então, né, as NTN-Bs, os investimentos prefixados. Então todos esses investimentos acabam sofrendo um pouco por esse perfil, muitas vezes até mais de curto prazo, que a gente acaba tendo aqui em função de uma taxa de juros mais elevada.

Mas a gente, a gente defende que assim, fazendo um portfólio bem construído, que não fica tão focado em acertar exatamente qual vai ser, né, vamos dizer, a dinâmica do mercado para os próximos 3, 6 e 12 meses, é mais um portfólio que acaba sendo mais balanceado e que possa ter um resultado positivo independente das condições de mercado, isso acaba sendo no longo prazo mais positivo. Então a gente gosta assim de dividir, né, um pouco com as famílias, né, que a gente faz a gestão no nosso family office, que se a gente olhar ali de 2000 e fechamento de 2009 para tirar, né, a queda de 2008, que foi a crise de 2008, e a volta de 2009.

Então, para tirar um pouco esse efeito da amostra, se a gente pegar fechamento de 2009 para frente, vários, vários ativos aqui no Brasil tiveram resultado acumulado superior ao CDI, né? Mesmo se você comparar com os ativos isentos e ainda grossar o imposto ali, né? Então tirar o efeito, né, da isenção tributária, né? Então para para fazer essa comparação, vários ativos tiveram resultado acumulado melhor, ajustado a risco melhor também.

Então, para quem tá olhando um horizonte de investimento mais longo mesmo, a gente acha que faz sentido. Então, é o que a gente sempre gosta de explicar para os clientes: poxa, se você quer fazer um investimento para, né, utilizar aquele recurso para comprar às vezes um apartamento daqui a 2 anos, ou 1 ano, ou 3 anos, né, comprar um carro. É, muitas vezes o investimento de risco, e é independente se é o multimercado, se é um fundo de renda variável, se é investimento em prefixado ou investimento inflação e NTN-B, é qualquer desses investimentos tem um risco muito grande de você acabar tendo que fazer o resgate desses recursos no período que esses ativos estão tendo resultado negativo, né.

Um resultado ruim, né? Então a gente não recomenda isso. A gente sempre recomenda assim: se você quer fazer investimentos de risco, né, seu objetivo é eu quero é buscar com o meu portfólio superar o CDI, né, e superar o IPCA no longo prazo, eu vou ter que ter um perfil, né, e uma capacidade de manter os meus investimentos de mais médio-longo prazo. Então Eu acho que é um pouco, se você não tiver isso, eu acho que é olhando até o que eu falei ali do pouco do livro assim, a probabilidade de você não conseguir ter um resultado positivo é muito alta, porque você vai acabar resgatando nesses períodos de performance ruim, né, da indústria.

Então, assim, ninguém conseguiu, né, prever que a gente ia ter uma crise de 2008, né? Então assim, Ninguém, é claro, muito forte essa frase, então, mas a gente falou assim, a grande maioria, tirando o cara lá do filme do The Big Short, sempre tem, né, exceções, como eu comentei. Mas poxa, a grande maioria da indústria não conseguiu prever que a gente ia ter 2008, a gente teve. Quase ninguém também conseguiria imaginar que a gente ia vivenciar o COVID, e a gente vivenciou, né.

Então, da mesma forma agora, poxa, ninguém imaginava que ia eclodir guerra, né, que nem eclodiu ali entre Estados Unidos e Irã da forma que foi, né. Então eu acho que o principal é montar um portfólio mesmo com a cabeça de mais longo prazo.

TSThiago Salomão

Rafa, acho que faz tudo, faz muito sentido. Acho que a literatura ajuda a comprovar isso, acho que o histórico mesmo que você trouxe ajuda a comprovar. O problema, eu acho que esse é o dilema que eu acho insolúvel, mas vou jogar a bola para você e ver se você tem uma solução. Mas é que é o dinheiro na conta do cidadão que escolheu esse investimento, porque como você mesmo disse, quem pegou lá fechamento 2009 para cá no multimercado tá batendo CDI, tá batendo os isentos.

Mas é que boa parte das pessoas não pegaram de 2009 para cá, né? O mercado, ele principalmente na indústria de fundos, ele começou a se popularizar de 2016 para frente, quando as plataformas de investimento começaram a dar acesso para os investidores. É, até pego aqui o comentário do Marcelo aqui no chat, que é parecido, até me lembra uma frase que o André Jacursky falou já uma vez, né? Aí ele falou: qual a motivação de um investidor investir em multimercado com o CDI nesse patamar?

Porque tem muito fundo que não bate o CDI há 5 anos. E aí tem esse lance de paciência, mas haja paciência. Realmente, no longo prazo, os fundos batem, mas quem pegou essa janela de 5 anos, que não é uma janela desprezível, tá na média, tá para trás. Isso me lembra o André Jacursky, até tive com ele recentemente num episódio do Market Makers e falei para ele da entrevista que ele deu para o Brasil Journal anos atrás, onde ele falou: esse negócio dos títulos isentos é Eu não lembro qual o termo que ele usou, era uma aberração, alguma coisa.

Mas como eu tô aqui para ganhar dinheiro e não para rezar a missa, eu tenho aqui meus investimentos nos títulos isentos, que eles é quase como algo difícil de comparar, de competir, quando você vê a relação risco-retorno vis-à-vis do multimercado. E aí, assim, aí são duas perguntas em uma, né? Primeiro, como instruir uma pessoa que tá sofrendo no curto prazo que o longo prazo vai ser bom? Comum, mas até nesse ponto de que talvez seja uma jabuticaba brasileira, assim, como competir com um produto que se beneficia da isenção de imposto de renda, da garantia do FGC, e atrelado ao CDI, que tá lá muito bem obrigado, né, nos 14%, quer dizer, bem para os rentistas, ruim para o resto do país. Enfim, como é que fica esses dois dilemas aí?

RMRafael Medeiros

Não, acho que eu concordo, Thiago, com você assim. É um desafio mesmo, né? Então é uma jabuticaba, né? Então mais uma jabuticaba do Brasil, né? Acho que todos os isentos a gente utiliza também dentro do nosso portfólio. Então a gente acha que também faz sentido, é mais uma fonte de retorno, tá? Mas a gente utiliza também as outras, né, as outras classes de ativos porque a gente acha que a gente consegue superar, né, os ativos isentos, né, com um horizonte de investimento um pouco mais longo.

Então a gente, né, os próprios fundos multimercados, a gente, a gente agora, né, como você comentou, 5 anos está sendo um período de performance muito ruim, né. Então a gente tá num período que foi muito desafiador, é o mês de março foi um mês muito ruim para indústria, mas a gente, a gente já viu várias vezes vezes, né, ao longo da nossa história. E aí nem olhando tanto os hedge funds lá fora, mas olhando até aqui no Brasil, a gente viu em vários momentos os gestores aqui tendo resultado muito bom em apenas um ano.

Então a gente já teve anos aqui no Brasil que os gestores entregaram, a indústria, não tô nem dizendo, né, os gestores do primeiro quartil ou gestores até com mais risco, que é o que a gente gosta de utilizar no nosso portfólio, gestores entregando CDI +10 no ano. Então, num curto espaço de tempo, a gente pode ter às vezes uma janela de um ano, uma limpeza muito grande desse, né, dessa janela que tá sendo uma janela muito ruim de 5 anos de performance.

E a gente já teve vários momentos também na história aqui no Brasil que a gente teve períodos de 2 anos seguidos e 3 anos seguidos também, mas especialmente 2 anos de performance muito forte da indústria. E que se a gente tivesse, por exemplo, 2 anos de performance muito positiva aqui na indústria, a gente limparia todo esse histórico e ainda teria um resultado muito positivo. Então aquela mesma cabeça, né, de diversificação, de criar um portfólio, né, que tenta ser um portfólio, né, antifrágil, né.

Então, poxa, da gente tentar ter vários, várias fontes de retorno funcionando, né, com diversos cenários que podem acontecer, a gente gosta também de ter outros componentes dentro do portfólio que não só os ativos isentos, que acho que é uma jabuticaba mesmo, tem um resultado muito bom, mas que a gente não colocaria, né, todo o nosso patrimônio em um único ativo, em nenhum dos cenários, né. Então Acho que é um pouco essa nossa, vamos dizer, filosofia de investimento, né, assim, da importância mesmo da diversificação.

E o que a gente já viu é, às vezes, um curto espaço de tempo e que você não consegue fazer uma previsão, então, né, muitas vezes não imagina, né, que vai ter, poxa, uma maxi desvalorização que nem teve em 99 ou outra crise que nem eu comentei. E muitas vezes não curto espaço de tempo aparece uma oportunidade que os gestores conseguem capturar, né?

TSThiago Salomão

Nem precisa ir tão longe, né? Você pega o fechamento de 2023 e 2024, que em ambos os anos o Ibovespa ele teve uma arrancada repentina no final, uma para cima, outra para baixo, né? Mas A gente vivenciou isso já, né? A gente sentiu na pele o que pode acontecer com o mercado quando você não está posicionado. Você estando posicionado, você pode se beneficiar como também pode se prejudicar ali. Mas acho que o ponto principal é esse, né?

Se você tem todo o seu dinheiro nessas letras, nessa sopa de letrinhas da renda fixa isenta, você pode ter um retorno ali garantido muito bom, mas uma eventual surpresa que pode provocar um fechamento de juros no longo prazo todo mundo dá uma porrada para cima, era aquela pequena parcela que você poderia ter alguma coisa mais arriscada que ia fazer toda a diferença. E enfim, acho que a gente já falou de tantos nomes aí. Você falou do Munger, adorei que você citou o Munger, né, que eu adoro a filosofia do inverta, sempre inverta.

E mas também o pai dessa alocação de fundos, né, que é o o Swensen, né, que enfim também prega muito por essa diversificação. Galera que tá assistindo, pô, não deixa de assinar The Report. Quem não é assinante da The Report, por favor, cara, vai lá, baratinho, menos de R$20 por mês, você tem acesso à nossa última edição do The Report e tem vários bônus de quem virar assinante. Fora que você tem acesso a todas as outras The Reports.

E pô, e hoje é um dia muito especial também para quem tá vendo ao vivo. Se quiser mandar um parabéns aí no chat, Porque hoje, 7 de julho, completa exatamente 4 anos da primeira publicação do Market Makers. Nosso primeiro episódio foi ao ar no dia 7 de julho de 2022. Mandar um abraço para João Landau, né, que foi o gestor entrevistado naquele, naquele episódio número 1. E pô, obrigado a todos vocês que estão acompanhando Market Makers nesses 4 anos.

Se você tá chegando agora, então assim. Já temos 4 anos, muita história aí para contar. E continue acompanhando, dando toda a nossa força para o trabalho continuar. Mais perguntas polêmicas, tinha separado aqui umas perguntinhas. Ah, é um pouquinho mais técnica essa aqui, tá, Rafael? No estudo da TAG falou muito sobre as carteiras dos fundos multimercados, falou muito sobre o mês de março, né? Acho que o mês de março foi bem emblemático, né, o índice de hedge funds brasileiros teve um dos seus maiores drawdowns desde a pandemia e tudo mais.

E o estudo mostrou uma certa correlação entre as carteiras, né. Quando a gente fala de correlação, a gente pode entender que as carteiras, elas, não que elas são iguais, mas elas têm ativos que tiveram uma direção parecida. Então pode nos levar a entender que as carteiras estão iguais ou muito parecidas. Essa conclusão mesmo, os fundos multimercados, eles têm ficado muito parecidos. Como distinguir eles? Enfim, como é que você viu aí, olhando para março especificamente, essa evidência estatística que, né, muito ruim para os multimercados?

Mas como você encarou? Como uma, aquele evento estatístico imprevisível que não vai acontecer de novo, ou de fato eles criaram uma armadilha que eles mesmos caíram?

RMRafael Medeiros

Eu acho que, Thiago, acho que teve um pouco dos dois, tá? Então, o mês de março a gente acabou, né, acho que tendo uma reversão muito forte do cenário global, né? E o que a gente acabou percebendo é que nesse ambiente de aversão a risco como um todo, a gente acaba tendo um choque de correlação que a maioria dos ativos acabam indo para uma correlação muito próxima de 1, tá? E historicamente qualquer crise é assim. Então muitas vezes você monta o portfólio com vários fatores de risco totalmente diferentes, mas que, né, numa determinada crise todos eles são ativos de risco, vão para uma correlação próxima de 1 e você acaba sofrendo, né?

Então eu acho que teve um pouco disso, tá? A maioria dos gestores vinham com uma utilização de risco dentro do seu portfólio, que era uma utilização de risco um pouco mais otimista com o cenário. Então, principalmente o cenário local. Então a gente via, né, alguns gestores com alocação no seu portfólio em renda variável aqui no Brasil, né, acreditando que a gente ia ter uma queda das taxas de juros aqui no Brasil também. Então isso era o cenário assim um pouco consensual, tinha bastante gente com esse tipo de filosofia, né, de investimento dentro do portfólio.

E aí quando, né, a gente teve, né, um choque que nem foi o que aconteceu em março, muita gente acabou sofrendo, né, nessas posições de Brasil. E as posições globais eram posições de mais risco também. Acabaram sofrendo, acabaram, vários dos hedges não funcionaram, e aí os portfólios acabaram tendo, né, parecendo que estavam todos muito parecidos com os mesmos ativos. Na nossa visão, eles não estavam com as mesmas posições, eles acabaram sofrendo, como a gente viu em outras crises também, vários gestores sofrendo com posições diferentes.

Então a gente viu lá em 2020 mesmo, no do COVID. Vários gestores operando ativos totalmente descorrelacionados, mas que quando veio o choque do COVID, correlação foi para 1 e muita gente sofreu.

TSThiago Salomão

Só para, até para quem não é tão familiarizado com a estatística, né, quando a gente fala de correlação ir para 1, é que, bom, quando a gente monta uma carteira, a gente tenta diversificar, vai pensando, fazendo um paralelo bem simples, né, mas você tem ouro na carteira que é justamente para te proteger quando o mundo despencar, né, bolsa, ativos de risco, e ele, por ser mais defensivo, ele tende a se segurar. Então, quando a gente fala de correlação indo para 1, é como se todos os ativos, seja ouro ou o antagônico ao ouro na sua história, todo mundo vai para a mesma direção, ou para baixo ou para cima.

Então, no momento de crise, quando a correlação vai para 1, parece que as carteiras são todas iguais, porque está todo mundo caindo. Mas na sua, não é nem opinião, na sua visão, as carteiras não estavam iguais, elas só tiveram a mesma direção porque o mercado todo foi para uma mesma direção.

RMRafael Medeiros

Pelo menos os gestores que a gente tem no nosso portfólio. É claro que a gente sempre tenta também na composição do nosso portfólio buscar gestores que tenham perfil diferente, né? Então a gente sempre fala que o portfólio de hedge funds lá fora, o portfólio de fundos multimercados aqui no Brasil, ele é como se fosse um time e que você tem tentar criar esse portfólio com gestores, né, que tenha uma, né, um perfil um pouco diferenciado.

Então a gente já viu, tem gestores que são muito bons, né, historicamente com atribuição de resultado na renda fixa. Tem outros gestores que têm uma atribuição de resultado muito boa em bolsa, outros em câmbio, outros no internacional. Então a gente tenta montar portfólios que né, a gente quer ter vários jogadores, cada um com um perfil diferente para compor esse time, tá?

TSThiago Salomão

Muito bom, muito bom, cara. Tá muito legal esse papo. Eu vou tentar te tirar um pouco aí de cima do muro, olhando para o que virou a indústria de hedge funds americana, né? Eu vou citar aqui alguns nomes aí que talvez sejam os grandes nomes hoje lá, né? A gente tem Millennium, a Citadel, a Point 72. O futuro do Brasil é esse? É virar essas casas? E até explicar um pouco do que que são essas casas, que acho que elas, na sua analogia de sair mais forte, foram as que saíram.

Nem sei se todas já existiam desde aquela época, mas hoje elas são as predominantes. O que que são essas casas? E se o futuro do Brasil é ir para essa direção?

RMRafael Medeiros

Thiago, assim, primeiro, né, essas casas, né, então várias delas são gestoras que a gente chama gestoras multiestratégias, tá? Então eles vão tentando ter vários times de gestão dentro do hedge fund, e aí vão fazendo, né, um processo até de seleção desses times bem meritocrático, né? Então eles vão quase funcionando um pouco até como um fund of funds, né? Então times de gestão que não estão tendo resultado muito bom vão saindo da empresa e vão dando espaço para novos times.

TSThiago Salomão

Coisa bem darwinista.

RMRafael Medeiros

É isso. Times que têm um resultado bom vão recebendo mais capital muitas vezes. Então esse é um pouco, né, o perfil desses multiestratégias.

TSThiago Salomão

São essas os podshops que são?

RMRafael Medeiros

A gente tem esse perfil desses podshops. Essas casas, né, elas acabam tendo uma diferenciação e a gente tem um desafio para a gente conseguir caminhar para exatamente esse modelo, que é o modelo americano, que é eles têm uma estrutura de cobrança diferente um pouco do que a gente tem aqui no Brasil, porque eles cobram não só o 2,20%, mas eles também repassam muitas vezes para os clientes taxas, né, dos custos de gestão dessas estruturas.

Então as taxas acabam sendo até maiores do que os 2,20%. Então eles acabam atraindo muita gente, tá? Porque conseguindo atrair, né?

TSThiago Salomão

É porque em tese o 2,20% era para pagar essas coisas. Ah, entendi, porque eles pagam 2,20%, mas para atrair esses gestores melhores, eles seria como se tivesse uma taxa extra de—

RMRafael Medeiros

eles vão, eles vão conseguir fazendo tipo uma uma divisão de todos os custos de gestão com os cotistas que estão ali investindo dentro do fundo, tá? Então esse acho que é um pouco um desafio, porque então teria uma, né, uma, um desafio de produto, né, em relação ao que a gente tem aqui no Brasil. O outro desafio é que lá fora essas, essas casas, elas conseguem trabalhar também com bastante alavancagem. Então muitas vezes essas casas utilizam, né, linhas de crédito e conseguem ter às vezes, né, um patrimônio sob gestão de 6, 7, 8, 10 vezes o patrimônio que, né, que foi aplicado dentro do fundo.

Então vamos dizer, o fundo tinha 1 bilhão de dólares de captação de investimento de clientes E aí ele, com linhas de crédito, é até pela taxa de juros ser uma taxa de juros muito baixa na economia, então você consegue se capitalizar a taxas muito pequenas, né? Você vai fazendo uma alavancagem. Então, em vez de você ter R$1 bilhão, você vai alavancando e às vezes você tem R$10 bilhões sobre gestão para, né, com apenas R$1 bilhão de captação.

E aí você consegue com esses R$10 bilhões atrair um time muito grande de profissionais. E aí, como você tem um número maior de times descorrelacionados, que você vai tentando combinar eles, né, ao longo do tempo, você consegue às vezes ter um retorno mais eficiente, né, e mais diversificado do que se você tivesse só 3, 4.

TSThiago Salomão

Ou seja, ali nem precisa então diversificar a carteira. Você pode escolher uma gestora só e ela já tem um um time super completo ali de, é mais diversificado.

RMRafael Medeiros

Mas a gente também, mesmo no nosso portfólio internacional, né, o nosso time também gosta de trabalhar com portfólio diversificado. Mas você tem já uma diversificação maior, então você vai ter um número maior de mesas de operação ali. Então que seriam de times mesmo operando aquele dentro daquele, daquele hedge fund.

TSThiago Salomão

E o Brasil vai migrar para isso? Está migrando ou nessa turbulência que tá, pô, Salomão, você tá me falando que eu vou ser no futuro, sendo que eu nem sei o que eu vou ser no final do ano, né, como tá a indústria, enfim. Mas qual é o caminho do Brasil?

RMRafael Medeiros

Eu acho que é continuar fazendo, né, esse investimento que eu vejo nas gestoras, né. Então hoje, quando a gente, né, tira uma foto mesmo da indústria, né, vamos dizer agora de 2026, e compara com a indústria de 2006, Vamos fazer, poxa, vamos olhar a indústria lá em 2006, 20 anos atrás. Então eu olho os gestores que a gente tinha ali no nosso portfólio e olha o que a gente tem hoje, eu acho que as equipes hoje são muito mais maduras, a gente tem times muito maiores, você, a qualidade como um todo institucional das empresas mudou completamente.

Então a gente vê várias gestoras, então, que não, gestoras macro, por exemplo, time de análise macroeconômica com 10 a 20 pessoas, mais um time de dados de 10 a 20 pessoas, time de tecnologia presente dentro das gestoras, time de bolsa relevante com time de analistas também de renda variável relevante. Então toda a parte operacional hoje das gestoras é muito mais robusta do que a gente via lá atrás. Então hoje eu vejo várias gestoras com 50, 60, 70, 100, quase 200 profissionais dentro de uma gestora de recursos, de um hedge fund específico, que muitas vezes a gente via lá atrás, 2006, as gestoras tinham 15, 10, 20 profissionais e já eram gestoras bem relevantes.

Então a tomada de risco era muito mais concentrada, você tinha muito menos dado mesmo proprietário Então hoje eu vejo as gestoras muito mais maduras institucionalmente do que a gente via há 20 anos atrás. Eu acho que esse processo vai continuar. É muito difícil de responder qual que é a velocidade, né, se a gente, quando que a gente vai virar e que forma, porque tem coisas que é difícil prever, como em 2006, se você me perguntasse, eu teria essa dificuldade, que assim, em 2006 os gestores quase não podiam investir lá fora.

Você tinha até restrições legais, né? E a gente conseguiu ao longo do tempo fazer alterações na legislação para fazer os gestores poderem investir lá fora, ter investimentos relevantes. Todo mundo desenvolveu muito a parte operacional e com os prime brokers lá fora. Então eu vejo a qualidade do time operacional das gestoras hoje muito forte e conseguindo fazer isso. Então, poxa, aí hoje eu falo, hoje a gente tem um desafio grande em relação à alavancagem dos fundos, né, que gente lá fora tem uma alavancagem muito maior, né?

Poxa, será que daqui a 10, 20 anos a gente não vai conseguir solucionar isso, ou com alterações na legislação aqui no Brasil, ou com movimentos que possam acontecer, ou até esse desafio de produto que eu comentei? Hoje eu tava com uma família que tem um cliente até super, super inteligente, né, e que ele fez uma provocação, né? Ele falou, poxa, A gente, ele tem investimento em fundos multimercados dentro do portfólio dele. E esse cliente, ele falou para mim, fez uma provocação muito boa, que ele falou, poxa, lá fora eu vejo vários hedge funds que tem, né, um período de prazo para resgate de 1 ano, 2 anos, né.

Poxa, aqui no Brasil a gente quase não tem isso, a gente não tem isso. Poxa, isso é muito bom para investidores que tenham um perfil de mais médio-longo prazo, que é quer o perfil desse cliente, por exemplo. Porque, poxa, quando todo mundo começa a resgatar da gestora, eu que, por exemplo, tenho um horizonte de investimento de mais longo prazo, eu sou penalizado em relação a isso, né? Então eu falei, poxa, é isso, talvez uma mudança que a indústria pode acontecer com, né?

TSThiago Salomão

Mas o que que você respondeu? Uma mudança na indústria? Ou porque eu fico pensando, é é alguém dar esse primeiro passo. E quem que é que vai dar o primeiro passo? É o gestor, porque o gestor pode criar um fundo com D+360, mas ele vai ter capital para isso? Então, o que que você acha que daria esse primeiro passo? Seria quase uma confluência de fatores, alguém falar, ó, toma aqui, você viver 2 anos, literalmente, porque, ó, tá aqui, D+720, tô botando a grana aqui, Quem quiser investir com a mesma cabeça vem aqui com você. O que que falta para ter esse passo?

RMRafael Medeiros

Olha, assim, pergunta difícil.

TSThiago Salomão

É, então, né, que eu fico difícil, é que é um cenário maravilhoso. A gente, ó, eu vou trazer para o fundo Market Makers, tá? O nosso fundo de ações, ele nasceu D+90, e nosso argumento era muito simples: o nosso horizonte de investimento ali, ó, estamos os nossos dois ídolos ali junto com o Joe Ramone, o Charlie Munger e Warren Buffett. A gente olha para o longo prazo, a gente não investe em ações, a gente investe em empresas, a gente não quer se preocupar com o curto prazo.

A gente foi obrigado a mudar para o D+, obrigado entre aspas, né? Mas porque o nosso primeiro gestor, o nosso primeiro gestor de fund of funds que investiu em nós, ele falou, cara, adoro vocês, adoro o trabalho de vocês, adoro a filosofia de vocês, Vou investir, mas eu não posso investir mais do que isso que eu tô investindo, porque o meu FOF é D+32. Se o seu fundo é D+90, eu descaso o meu ativo com passivo. Então, ó, eu vou botar um dinheiro quase que simbólico, mas o dia que vocês virarem D+30, aí eu boto mais dinheiro em vocês, porque aí vai estar condizente com o meu passivo.

E também, coincidentemente, a gente diminuiu o prazo começou a ajudar a ter mais investidor. Por mais que eles tenham essa cabeça de longo prazo, mas fica até difícil até pensando no estrutural, né? Poxa, quantos FOFs D+360 existem no Brasil? Não sei, não acompanho essa indústria para saber, mas só isso por si só já gera um descasamento, né, entre o fundo investido e o gestor que tá investindo. Então assim, acho que é um cenário maravilhoso, mas precisaria de um amadurecimento maior do mercado, né?

RMRafael Medeiros

É, eu acho que tem que ter esse amadurecimento mesmo, Thiago. Eu acho que tem alguns agentes que podem ajudar isso, né? Então eu acho que, né, a gente viu historicamente, eu mesmo acompanhei isso, né, lá na época que eu trabalhava no Itaú, com assim todo o desenvolvimento, né, é que, né, a Anbima fez, né, para melhorar mesmo as práticas na parte de gestão de recursos, né? Então a Anbima fez um movimento muito relevante ao longo da sua história para a gente conseguir ter uma indústria muito mais organizada, né, e muito mais desenvolvida aqui no Brasil.

Então eu acho que, vamos dizer, players assim, né, que podem fazer alterações às vezes na legislação e mudanças em prol do investidor são muito importantes. Então eu acho que isso tem agentes que conseguem fazer isso, né? Eu acho que os grandes, né, os grandes alocadores, né, os grandes bancos, os grandes distribuidores são agentes da mudança, tá? Acho que todos eles, se a gente olhar ali, são agentes da mudança no sentido de que tem um patrimônio sobre gestão muito relevante e que podem, um pouco do que eu comentei, né, a gente veio durante muito tempo no Itaú, sentando com a indústria e explicando por que que a gente achava, né, que a gente tinha que ter produtos um pouco mais arrojados para poder parecer mais com os hedge funds lá fora.

E a indústria veio vindo, é um pouco do que eu comentei com você. A indústria tinha menos de 20% de produtos com mais de 4% de volatilidade. Hoje a gente tá falando de uma indústria que tem mais de 60% de fundos com mais de 4% de volatilidade. Eu acho que nesse processo, eu acho que o Itaú foi um dos agentes da mudança. Eu acho que ele, como um player institucional relevante, ele foi sentando com vários gestores e falando: olha, eu tenho clientes com perfil mais conservador que deveriam estar nos mandatos mais conservadores, mas eu tenho também clientes mais sofisticados que querem o produto mais agressivo.

Então eu acho que vários dos players grandes podem ser agentes da mudança com relação a isso, tá? E aí os formadores de opinião, você, Thiago, e vários outros formadores de opinião podem também fazer, né? Acho que é um trabalho um pouquinho de formiguinha, de evolução mesmo do mercado para o mercado. E acho que toda crítica é muito válida, né? Um pouco do que eu comentei do livro, né, o Hedge Fund Marriage, que a gente leu sendo alocador na época, né, e tentando pegar e falar poxa, o que que a gente pode fazer utilizando essas críticas para primeiro conseguir pegar o nosso processo de investimento e, né, blindar ele da maioria desses problemas aqui?

Eu acho que as críticas que estão sendo levantadas agora, várias são válidas mesmo. E eu acho que a gente tem que, né, como indústria, né, então desde os investidores, né, os formadores de opinião, os gestores também, Eu acho que eles têm que pegar essas várias dessas críticas e ver, poxa, algumas são devidas, outras não, e pegar e falar, poxa, o que que eu vou fazer para melhorar o meu produto, né, melhorar a experiência do meu cliente?

Eu acho que o que acabou acontecendo, acho que como você mesmo comentou, muitos clientes pegaram só os últimos anos da indústria, que foi quando ela cresceu muito, e esses últimos anos foram exatamente os anos de performance muito ruim. Então eu acho que o pessoal teve uma uma experiência com o produto muito pior do que foi realmente, é o que, do que o produto entregou, né, de resultado histórico, entendeu? Então eu acho que é um pouco isso assim, acho que é um trabalho de vários formadores de opinião e vários também com esse trabalho de formação mesmo, né, dos formadores de opinião dando esse educacional para os clientes, os próprios clientes fazendo reflexão com mais informação, falando, poxa, Eu tenho esse horizonte de investimento?

Porque muitas vezes eu vejo, às vezes o cliente acha que em 2 anos ele, se ele investir em alguma determinada classe de ativo, ele vai poder resgatar aquele investimento e ter um bom resultado. Só que às vezes aquela classe de ativo ela tem horizonte de investimento mais longo.

TSThiago Salomão

Eu acho que minha colaboração a isso é que também isso tudo passa por um país mais próspero, porque se você analisar o melhor momento da indústria de fundos foi justamente que o melhor momento da economia brasileira dos últimos tempos, né, que foi naquele momento de 2016 que a gente sai de uma das maiores recessões da história do país e vive um momento de retomada que culminou com teto de gastos, aí a queda de juros de maneira estrutural.

E, cara, os juros é um grande inimigo, né? Quem vai investir numa, em algo que a chance de você ter um CDI +10 de maneira consistente com a Selic a 15%, você tá, é muito difícil, né? Não é que é impossível, mas o risco que você vai ter que correr vai te fazer às vezes escorregar ali numa curva que vai te deixar muito distante, né? Fora todos os empecilhos de um país que tem um juro estruturalmente mais alto, né? É uma, é uma grande bola de ferro ali para quem tá querendo correr.

Enfim, vou trazer uma pergunta que veio do chat, que o Guilherme, nome muito longo aqui, falou aqui: como Rafael seleciona os gestores e qual o principal erro que ele vê as pessoas cometerem? Você meio que já respondeu isso aqui na conversa, mas como eu trouxe aqui é porque eu não quero te colocar numa situação desconfortável num programa ao vivo e falar: fala aí quais as gestoras que que você investe, ou fala aí quais as gestoras estão mais próximas de serem as nossas, os nossos podshops e tudo mais.

Mas enfim, se tiver vontade de falar alguns nomes de gestoras que estão num patamar aí de evolução, fica à vontade de falar. Mas senão você responde a pergunta aqui do Rafael de como você seleciona os gestores e o principal erro que as pessoas cometem ao selecionar.

RMRafael Medeiros

Tá bom, vamos lá. Assim, olha, a gente A gente foi desenvolvendo, né, uma metodologia de seleção de gestores com vários pilares na hora da gente selecionar esse gestor, tá? Então, um, a gente tem toda a parte de análise das pessoas que compõem aquela instituição, tá? Então, a gente, primeira coisa, a gente acha que as gestoras, a variável chave são as pessoas que estão por trás daquilo ali. Então, os principais sócios e todos os funcionários que estão ali presentes, tá?

Então a gente vai fazer primeiro essa análise de pessoas, e a gente vai sempre— a gente criou ao longo do tempo uma metodologia que a gente sempre gosta de fazer análises relativas, né? Então tentando quantificar aspectos qualitativos. Então a gente pega, né, toda essa avaliação das pessoas e a gente vai comparando com as outras, né, gestoras do mercado, né, então os competidores, e para ver quais que se diferenciam. Então, poxa, quais são as gestoras que têm um time, por exemplo, de análise macroeconômica mais robusto, com profissionais mais sêniores?

Quais são as gestoras que têm um time de análise de dados mais robusto, profissionais mais sêniores? E cada uma, né, das grandes áreas da gestora, a gente faz essa avaliação, tá? Então, primeira coisa seria olhar então as pessoas. A outra coisa, a gente gosta de olhar é toda a parte, né, é do processo de investimento. Então, como que foi o processo de investimento daquela gestora? Então assim, historicamente, aquela gestora, ela alocou capital de que forma?

Como que ela alocou o capital nos diversos momentos de mercado? Como que ela cortou risco em momentos que ela tava tendo uma performance mais desafiadora, momentos que ela errou nos seus investimentos. Então a gente quer olhar muito bem, né, se aquela gestora conseguiu gerar um resultado, né, de forma bem processual e principalmente com um, né, um, de uma forma assim não tão concentrada. Então a gente gosta de ver muitas vezes, né, a qualidade da performance daquela gestora.

Isso vai estar muito presente no processo de investimento, né, daquela gestora e da alocação de capital. E aí o terceiro, né, pilar principal é analisar mesmo o resultado dela histórico, né. Então como é que foi o resultado dela? O resultado dela foi bom? A gente, né, gosta de sempre falar que, poxa, olhando o resultado passado você não vai conseguir dizer exatamente qual vai ser o resultado futuro. Não vai dar para dizer isso, mas a gente vai ter bons indícios.

Então a gente fala, né, fazendo referência, poxa, do piloto de Fórmula 1, né? Você muitas vezes, poxa, se você tem, vai começar uma corrida de Fórmula 1, tem alguns pilotos que você olha e fala, poxa, esse piloto ele é um piloto muito diferenciado, baseado no histórico dele. Então, poxa, vou dar o exemplo do Senna, que a gente sempre, acho que vários, vários eu, como eu, são, foram, né, muito fãs dele, né. Poxa, você olhava e falava, poxa, como é que foram os resultados históricos do Senna?

Poxa, sempre que ele corria também na chuva, ele tinha um resultado muito bom. Então você olhava toda a qualidade dele lidar sob pressão, como que ele, né, conseguia alcançar aqueles resultados que ele teve historicamente. E aí, poxa, na hora de começar uma corrida, você olhar e falar, poxa, eu acho que eu quero estar com Sena, porque o Sena é diferenciado. Então eu acho que a performance ela ajuda muito nisso, é você olhar e falar, poxa, ele, né, como é que foi a performance daquela gestora?

E aí essas são as 3 grandes variáveis. E a gente tem várias outras, né, variáveis, né, que ficam ao redor dessas 3 grandes, que são indícios para gente muito importantes que a gente vai, né, levando em consideração na hora de calcular, né, o que a gente fala. A gente calcula, né, um rating proprietário para cada uma das gestoras, e que esse rating ele tenta dizer quais são as gestoras que vão ter a maior probabilidade de ter um resultado diferenciado e tentar buscar o primeiro quartil da indústria, tá?

E aí tem alguns indícios. Por exemplo, aquela gestora né, os sócios daquela gestora investem naquele produto que você tá investindo o capital próprio deles de forma relevante? Se sim, poxa, esse é um produto que a gente quer estar investido.

TSThiago Salomão

O de forma relevante eu acho muito importante, porque isso um grande gestor do Rio de Janeiro me falou uma vez, que ele falou, desculpa, me apresenta um gestor que não investe no próprio fundo. Eu não conheço, todos eles investem. Mas o importante é o quanto do capital dele tá no fundo, porque se não for relevante também, em outras palavras, se ele ganhar mais com a taxa de performance do que com a própria valorização do dinheiro dele, então ele não tá tão skin in the game assim quanto você acha, né?

RMRafael Medeiros

É isso mesmo. Então isso é uma das coisas que a gente sempre leva em consideração. Poxa, ele tá realmente, né, ao seu lado, né, você tá no produto certo. Então você tá junto com ele ali investindo naquele portfólio. Então são umas coisas que a gente sempre gostou de levar em consideração. A gente também gosta de olhar, né, métricas dentro de cada uma dessas, desses 3 pilares ali, que também vão dando indícios. Então, poxa, na parte de pessoas Como é que foi o turnover ao longo do tempo da instituição?

Poxa, isso às vezes pode estar, pode demonstrar alguma coisa. Turnover muitas vezes ele é até positivo, ele é até um pouco saudável, mas se você começa a ter um turnover muito elevado consistentemente, será que não tá tendo alguma coisa naquela instituição ali que pode impactar, né, o seu, a sua alocação? Então essa é uma das coisas que a gente olha. Então a gente vai criando várias, várias métricas, né, para tentar ter um portfólio que a gente fale, poxa, com esses gestores a gente tá muito bem alocado, a gente pode, né, ficar um bom tempo investido com eles mesmo em performance ruim.

Porque a pergunta que eu sempre falo, né, que a gente sempre fazia nos nossos comitês de investimento, que eu gosto de fazer para os nossos analistas, é: tudo bem, você acha esse gestor muito bom, Você acha ele um gestor, né, com base em toda essa análise que você fez, diferenciado o suficiente para, mesmo se ele tiver um período às vezes de 2, 3 anos de performance ruim, você manter os recursos com ele? Porque se a resposta for não, você vai começar a ter preocupações ou achar que talvez você não deveria investir com ele, porque é o que a gente chama, né, o staying power, né, para você conseguir realmente auferir aquele retorno potencial daquele gestor, você vai por construção passar por períodos ruins com ele.

Não tem como. Eu falo, todo bom gestor teve anos ruins de performance, não, né? A gente pode olhar lá fora e aqui.

TSThiago Salomão

Então você tem o melhor caso daqui, né? A Dynamo mesmo, que talvez seja a grande referência. Se você olhar todo o histórico da Dynamo, você vai encontrar ali nos anos 90 uma janela de 2, quase 3 anos ruins, assim, bem ruins, né? Então, e a Dynamo, né?

RMRafael Medeiros

Que o Salva, até você tá falando da Dynamo, vou dar um exemplo. Eu em 2000, mais ou menos ali 2007, isso aí acho que foi 2007, quando eu tava no Itaú, a gente tinha vários clientes que queriam até que resgatasse da Dynamo. E a explicação dos clientes que pediam para resgatar da Dynamo era: a Dynamo tinha uma janela quase naquela época, tava batendo quase 3 anos de resultado não tão bom porque teve um rally de petro e vale, principalmente no segundo semestre de 2007, que era o rally de commodities, porque todo aquele play de China.

E aí vários, vários, né, a gente via, né, uma discussão grande até na mídia de que os gestores não tinham mais capacidade de gerar alfa e que era muito melhor você comprar basicamente uma carteira passiva de bolsa, que você geraria um resultado muito melhor do que os gestores ativos naquele determinado momento. E a gente, né, sempre defendeu a gestão ativa, a gente sempre acreditou que, poxa, que a gestão ativa consegue gerar valor, né.

E aí o que foi super interessante é que pós ali, né, esse período foi um período muito desafiador mesmo para gestão ativa de renda variável, gestores tiveram performance brilhante em equities aqui no Brasil. A gente olhar mesmo considerando a crise de 2008, a volta em 2009, e todos os anos para frente. E a Dilma acho que é um exemplo, né? É gestora brilhante, né?

TSThiago Salomão

É que também é assim, eu sou muito fã da gestão ativa, tá? Mas é que também a gestão passiva sofreu um baque que a gente pode chamar de o baque X, porque foi quando a OGX acabou tendo um peso tão grande no Ibovespa, e mesmo ela caindo, ela ia aumentando o tamanho dela no Ibovespa por causa do volume negociado, tanto que fez que o Ibovespa mudasse sua metodologia para privilegiar o valor de mercado e não só o volume negociado. Porque no darwinismo dos índices, né, que geralmente as melhores empresas vão ganhando peso e as piores vão perdendo, o Ibovespa por muito tempo era o caiu comprou, né, que a OGX ela ia caindo drasticamente, o Ibovespa tinha que ir lá na hora de rebalancear, ela saía de quase 1% para 5%, né, porque porque tinha que sair comprando.

É como você ir, o termo técnico disso é o preço médio, né? Quando você vai comprando para baixo, mas só vai caindo ainda mais. Enfim, mas foi uma janela muito boa para gestão ativa. Você falou de fundos passivos, gestão passiva. Qual a opinião de Rafael para ETFs? É a bola da vez? É o futuro? Porque assim, a gente aqui já concluiu no Market Makers pela quantidade de episódios que a gente fez sobre ETFs, que a gente é louco de ter um fundo de ações Long Only Brasil ativo, sendo que os ETFs são a última Coca-Cola do deserto. Enfim, qual a sua opinião sobre ETFs?

RMRafael Medeiros

Olha, Gustavo, assim, a gente gosta de ETFs, tá? Então a gente tem investimento em vários tipos de ETF aqui no Brasil e lá fora, tá? A gente acha também que é uma fonte, né, é importante de geração de resultado, né, para as nossas carteiras. Então, e a gente gosta de usar os ETFs em várias estratégias, principalmente as estratégias que a gente tem uma dispersão menor de resultado entre os gestores do primeiro quartil e os gestores do quarto quartil.

Então, estratégias que a gente vê que historicamente tiveram uma dispersão muito pequena, a gente é totalmente assim focado em redução de custo, e aí a gente vai para os ETFs. Então Por exemplo, lá fora, na alocação do nosso time, né, internacional, é a alocação em gestores de equities, é que tem como objetivo superar o S&P lá fora, a gente acaba fazendo via ETFs, porque a gente já fez vários, vários estudos lá fora, vários cálculos que a gente consegue mostrar que a dispersão entre o primeiro quartil e quarto quartil de gestores de equities lá fora, principalmente os mutual funds, é muito pequena.

Então a gente prefere ir no ETF. A parcela de renda fixa também, se a gente olhar os mutual funds de renda fixa lá fora, a dispersão é muito baixa entre o primeiro quartil e o quarto quartil. Então a gente também prefere ir nos ETFs. Então é bem, esse é o conceito, é estratégias que tem uma maior dispersão de resultado e maior assimetria ali entre os gestores espetaculares e gestores um pouco abaixo da mediana são as estratégias que a gente não usa tanto ETF.

Claro que a gente muitas vezes pode usar por uma estratégia de rebalanceamento, uma estratégia mais tática, mas não é uma estratégia estrutural de alocação de ETFs. Mas a gente gosta, tá? Então a gente vê em vários vários tipos de estratégia e de mercados, elas fazem sentido, tá?

TSThiago Salomão

Rafa, você fugiu, né, da pergunta educadamente sobre as gestoras brasileiras e não quis citar. Tudo bem, não tem problema. Mas já que você citou o Munger, né, eu vou fazer um método inverso aí. Quais as gestoras que não vão mais existir no futuro no Brasil? Aquelas que existiram, até foram estelares no Brasil nos bons anos, quais delas não vão mais existir? Qual o tipo de gestão que não vai mais prosperar no Brasil?

RMRafael Medeiros

Olha, eu acho assim, acho que Gustavo, acho que as gestoras que eu acho que vão—

TSThiago Salomão

não, Thiago, Gustavo, você fala só com gestor. Eu ia falar, pô, o Gustavo Salomão, abraço para ele inclusive, gestor da Norte. Chama de Salomão que ele não Não tem problema.

RMRafael Medeiros

Então, Thiago, eu acho que assim, as gestoras que eu acho que não vão ter um resultado aí diferenciado para frente são principalmente as gestoras que eu acho que primeiro tiveram uma concentração do processo de investimento muito em um profissional só. Então a gente viu muitas vezes, eu acho que é mais desafiador Claro que sempre existem exceções, mas eu acho que a gestão de recursos, ela por natureza, ela acaba sendo muito estressante.

Então eu acho que você ter um time tomando risco com você, muito entrosado, acaba sendo muito positivo, Thiago. Então a gente viu historicamente várias gestoras tendo períodos de performance desafiador, como eu comentei. E que quando você tá sozinho tendo que passar por aquilo, sendo o único decision maker, muitas vezes você não consegue superar aquele desafio. Então eu acho que esse é um desafio. Então eu acho que gestoras com um time maior tomando risco junto, um processo de investimento com um time muito talentoso jogando junto, eu acho que tem uma probabilidade maior de ter um resultado diferenciado.

TSThiago Salomão

A gente tá falando só de multimercados ou de gestoras em geral? Eu acho que, eu acho que é porque sempre que fala isso, eu lembro quando o Luiz Guerra veio aqui da Pragma e a gente tava falando sobre o fenômeno Tempo Capital, que é a gestora de ações, e ele tava explicando quando um Fundo de Pensão dos Estados Unidos consultou o Guerra para querer saber mais sobre o Bodan, é o gestor, né?

RMRafael Medeiros

O Pedro Bodan.

TSThiago Salomão

Pedro Bodan, que pelo que se diz, né, é ele, na época era ele, um estagiário, uma secretária, mas assim, era uma equipe, tem menos gente do que tá aqui nesse estúdio enquanto a gente tá gravando, e o cara tinha uma performance absurda.

RMRafael Medeiros

Não, então eu acho que existem sempre exceções assim. Então a gente viu, tem gestores lá fora também e aqui no Brasil que às vezes, como quase sendo o único decision maker, tiveram resultado muito diferenciado historicamente. Então são o que eu falo, são os outliers, né, são exceções assim a regra. Mas se a gente for pensar numa política assim, sabe, e a gente tivesse que, né, tentar achar, né, gestoras com maior probabilidade de sucesso, eu acho que eu tentaria ir em gestoras que têm um time tomando risco junto, decidindo constantemente.

Porque às vezes as pessoas passam por períodos, né, na vida não só profissional mais desafiador, mas às vezes na vida pessoal também mais desafiador. Então eu acho que quando você tem um time ali, muitas vezes aquele profissional pode passar por aquele período tendo, né, o time ali tocando, né, tocando a empresa, tocando o fundo, tomando risco até o retorno dele.

TSThiago Salomão

Eu acho também, Rafa, que aí você até tocou num ponto interessante, que no final do dia eu anotei aqui os 3 pontos, né: análise das pessoas, comparar com as outras, as pessoas de outras gestoras, e o resultado histórico, né. As pessoas, elas também, não existe uma fórmula mágica para você ganhar dinheiro como gestor de fundo, porque tem certas pessoas que trabalham muito bem sozinhas, como Pedro Bodan, e tem certas pessoas que precisam realmente de uma equipe para te instruir, para te ajudar, para te apoiar, para te ancorar.

Então também é entender qual esse tipo de pessoa, porque isso eu percebi quando conversei com várias gestoras que foram nascendo. Nessa última leva, né? Porque parecia que tinha meio que um playbook que os grandes alocadores falavam: ah, você quer fazer uma gestora? Então você precisa ter 3 analistas, 7 estagiários, 2 secretárias, 20 bloomers. Tipo, é quase como se você não tiver tudo isso, mas pô, cara, mas nem todo mundo é igual, né?

Aliás, se você deixar todo mundo igual, aí que você não vai ter o resultado diferente, né? Porque se você vai encaixotar todo mundo de uma mesma estrutura. Já vieram gestores aqui no Market Makers, tanto de ações quanto multimercado, e falaram, olha, o pior momento da minha gestora foi quando eu, por ideias de alocadores, eu aumentei muito equipe. Isso me trouxe uma gestão de RH que eu nem estava acostumado, mas também não gostava de fazer.

Perdi o foco na gestão de investimentos e as coisas começaram a desandar. Então acho que também entender um pouco dessa particularidade de cada um, né? Quando você tava falando sobre o resultado histórico, a maioria das pessoas escolhe investir em fundos olhando lá, pega lá o ranking do Samuel Ponsoni, faz isso muito bem lá no LinkedIn, bota lá os melhores fundos em 12 meses, 24 meses, 36 meses, esses 60 meses, coloca os piores também, né, mas ele bota lá os melhores.

E pô, você olha lá, pô, um fundo tá indo bem 36 meses, talvez seja bom investir nele. Mas faz muito sentido você entender minimamente por que que ele foi bem. Ele foi bem porque ele tomou uma decisão muito arriscada que acabou dando certo, e eventualmente isso pode no próximo ranking ele ir para os para os piores, né, e não os melhores? Ou de fato ele é um Ayrton Senna, um cara fora da curva que faz as coisas, consegue se diferenciar, tem lá um resultado extraordinário mesmo, sabe lidar sob pressão?

Enfim, eu acho que aí entender um pouco do que que é a explicação por trás do número, né? Não é fácil, como a gente mesmo falou aqui, nem todo mundo tem esse acesso. Mas também é seu dinheiro, né, cara? Se você não vai cuidar direito dele, né, então vai para renda fixa mesmo. Se você acha que é só comprar o que tá subindo e vender o que tá caindo, eu acho que é a disciplina de cada um com seu próprio dinheiro é importante. Rafa, uma curiosidade aí, quando você fala com gestor lá fora, não existe cota diária, né?

RMRafael Medeiros

Ou existe lá fora para os hedge funds? Normalmente a gente tem cotas mensais. Então o padrão seria notas mensais com alguma defasagem ainda, a gente não tem essa cota diária.

TSThiago Salomão

Quem tá errado aí? O Brasil com a sua cota diária ou os gringos com a cota mensal?

RMRafael Medeiros

Eu acho que assim, esse modelo que a gente acabou desenvolvendo aqui no Brasil, ele para um hedge fund mesmo, eu acho que ele acaba mais prejudicando do que ajudando, porque às vezes, poxa, né, o fundo tá sofrendo ali um período de 1, 2, 3 dias de mercado, uma performance muito ruim, e até tem um resultado depois melhor, mas isso já gera uma preocupação. E muitas vezes, né, vários participantes do mercado ligando para gestora, querendo entender, querendo falar com o gestor, querendo falar com os analistas, e que acaba às vezes até, acho que, dificultando, né, no processo de gerar o resultado, né?

Então você acaba desfocando o time e a empresa que tá ali cuidando do seu capital. Então eu acho que seria saudável se a gente tivesse as cotas mais parecidas com o mercado lá fora. Acho que não precisaria ser uma grande defasagem, mas eu acho que a gente tivesse— se o objetivo é eu vou investir num produto que ele é um produto de mais médio e longo prazo mesmo, e eu sei disso, você deveria olhar às vezes o resultado deles pelo menos em janela mensal e não todo dia, né?

TSThiago Salomão

E para quem vive essa indústria pode responder com sinceridade: qual a chance disso acontecer no Brasil? Você acha que existe algum interesse de alguém fazer isso?

RMRafael Medeiros

Não, isso eu acho muito difícil, Thiago, porque eu acho que a indústria já se pautou, né, na renda fixa ali, na— acho que foi uma— a gente acho que até pelos nossos históricos, acho que de hiperinflação, eu acho que a gente acabou criando essas né, o mercado de capital aqui no Brasil durante muito tempo, né, até hoje ele é muito mais desenvolvido que em vários países mais desenvolvidos que o Brasil, né. Mas acho que é por esse histórico da hiperinflação nossa.

Então o Brasil se desenvolveu muito nessa parte. E aí eu acho que as cotas são reflexo disso, né. Todo mundo quer saber a cota quase no intraday para ter acesso à informação mais rápido.

TSThiago Salomão

A diversão, entre aspas, né, porque com dinheiro dos outros é fácil, né? Mas quando eu acompanhava muito, com muito mais afinco os fundos, na minha época de XP, a gente não tinha nossa carteira de ações aí e tudo mais. Quando tinha algum evento, tipo um USA Day da vida, alguma coisa, a gente já aguardava para poder fazer o cálculo da cota para ver quais foram os gestores que estavam mais posicionados em Brasil. Ou quando acontece, sei lá, alguma empresa que cai 40% no dia, pô, já vamos ver Porque você consegue descobrir por inferência qual que era o gestor que estava mais bem posicionado naquela empresa, só por ver o desempenho, o quanto a cota caiu de um dia para o outro.

Ou esse cara fez alguma coisa que ninguém sabe, de um dia para o outro ele estava muito posicionado nessa empresa que caiu bastante. Mas é um dos benefícios da cota diária. Mas para quem vive num mercado tão ansioso como o nosso, o mercado financeiro, não só o Brasil, acaba sendo muito ruim. Pessoal que tá acompanhando, poxa, é puta aula de investimentos. Então eu peço encarecidamente, deixa o like no vídeo e por favor assine a The Report.

A gente fez uma reportagem super legal sobre o futuro da indústria de multimercados. O Rafa não é um dos entrevistados na matéria, a gente falou com muita gente lá, mas porque eu conheci o Rafael depois que a entrevista foi para o ar, mas eu falei, cara, é uma, é uma aula complementar a quem lê a The Report. Mas já deixa aqui o convite, assina lá e leia. O link tá na descrição. E pô, vai ajudar muito aí o Market Makers a continuar disseminando seu conteúdo em voz, em vídeo, e também agora em texto com a nossa The Report.

Rafa, uma última pergunta, a gente ir para o ping-pong. Essa pergunta aí pode aproveitar que você já tá falando por 1 hora e meia, já tá mais mais relaxado, você pudesse imaginar a indústria de fundos em, nem precisa ir tão longe, vamos lá, 2030. Eu já trouxe uns caras aqui, uns entusiastas de ETF, que falaram, ó, 1 trilhão até 2030, é isso que vai ser os ETFs. Pô, legal. Mas olhando para a indústria de fundos tradicionais aí, pegando muito do que a gente falou aqui de multimercado e tudo mais, o que que você acha que vai ser essa indústria nos próximos 5 anos, pensando em tudo que aconteceu nos últimos 5 anos, que foram anos difíceis, né?

Talvez não os 5, mas certamente os últimos 3 foram bem difíceis em termos de performance e resgate. Você consegue ter um palpite? Não é nem um palpite, pode ser até o seu mundo ideal para essa indústria. O que que seria 2024?

RMRafael Medeiros

Mundo dos sonhos, né? Não, eu acho que a variável chave que a gente tem, eu acho que é a política fiscal, né? Então acho que Se a gente vivenciar um ambiente que a gente tem uma política fiscal um pouco mais contracionista no Brasil, eu acho que a gente pode ter, né, uma redução de forma muito pronunciada na curva de juros aqui no Brasil. E isso eu acho que pode ser um ambiente muito positivo para o mercado como um todo, para diversas estratégias e para o desenvolvimento de várias das estratégias, não só as de gestão ativa, mas as de gestão passiva também.

Eu acho que a redução do juro vai fazer com que vários investidores às vezes queiram sair, né, do próprio CDI, né, ou do ativo isento, ou da poupança, ou da própria, né, o fundo DI, e vão buscar remunerar o seu capital, vão buscar ter investimentos de mais médio e longo prazo, vão buscar conhecimento, vão buscar educação financeira. Então eu acho que isso vai ser muito positivo para o né, para o país como um todo, né. Então, se eu fosse, difícil, muito difícil prever 2030, 2035.

Então, se eu fosse sonhar, eu acho que o ideal era que a gente conseguisse ter um ambiente assim, que a gente conseguisse superar um pouco essa discussão que a gente vem vivenciando já alguns anos com relação a toda política fiscal. E se a gente conseguir superar isso, eu acho que a gente tem um espaço grande desenvolvimento do mercado de capitais. Eu acho que a gente vai estar no mercado de capital muito, muito comprimido. Então esse mercado, né, exemplo, por exemplo, da indústria de fundos multimercados, a gente tá falando, a indústria perdeu mais de 40% do patrimônio.

Então mais de 25% dos gestores ou pararam de existir ou estão de uma forma quase que incipientes, né, dentro das suas empresas. Então eu acho que é um mercado que ele é um mercado que contraiu e que você pode ter, né, uma volta do capital de uma forma muito muito robusta, muito relevante numa indústria que vai ter, né, um espaço de crescimento muito acelerado. Então esse é o, vamos dizer, o sonho, vamos dizer. Eu acho que seria isso.

TSThiago Salomão

Eu tenho um sonho, é isso.

RMRafael Medeiros

Acho que seria o ideal. Então acho que é isso, Thiago.

TSThiago Salomão

É muito bom, muito bom. Chegaram algumas perguntas aqui, mas eu já vou para o ping-pong. Eu vou pegar só uma aqui que o chat tinha parado ali em cima e agora já apareceu. Vantagens e desvantagens de investir em fundo multimercado localmente contra fundos offshore da mesma classe. Dá para fazer um paralelo entre vantagens e desvantagens? E ele falou offshore, mas eu acho que seria comparação de um multimercado Brasil e um hedge fund lá fora.

RMRafael Medeiros

É, eu acho que assim, para, para se você tem a capacidade financeira, né, de conseguir ter um pedaço do seu capital aqui no Brasil e um pedaço do seu capital lá fora, eu acho que faz todo sentido você ter investimentos lá fora. A gente até, né, para as famílias que a gente faz gestão, a gente tem um percentual relevante de investimentos lá fora, tá? E aí a gente tem investimento nas diversas classes de ativos, inclusive é a parte de hedge funds, né, e alternatives como um todo lá fora.

E aqui no Brasil, para essas mesmas famílias, a gente também tem um percentual do capital aí em fundos multimercados. Para quem tá em só capacidade de investir no Brasil por tamanho de patrimônio, patrimônio muito pequeno, ou ainda não se sofisticou, se educou para começar a fazer investimento lá fora e acaba tendo investimentos em fundos lá de fora lá de fora, mas é portados aqui para o Brasil, né, então hedeados, né, então fazem o hedge cambial e tentam fazer o produto CDI mais, né, ou, né, alguma outra, né, em algum outro formato.

Aí eu acho que só o desafio com relação a isso é que você tem um custo, né, de fazer nessa tradução desse investimento lá de fora aqui para o Brasil, de trazer ele para cá, que seria tudo esse custo de hedge cambial mesmo. Então isso traz uma ineficiência para o processo que para vários dos fundos que eu vejo acabam não compensando você fazer esse investimento. Aí eu acho que você acaba tentando diversificar, mas acaba não ajudando tanto o portfólio, tá?

TSThiago Salomão

E o Gustavo perguntou aqui se é possível diversificar dentro da classe de multimercados. Aí foi até aquela resposta que você deu sobre você conhecer o o que foi a principal atribuição de performance de cada um dos gestores, né? Porque tem um multimercado que brilha mais a renda fixa, outro que brilha mais no câmbio, em mercado internacional. É desse jeito?

RMRafael Medeiros

Exatamente isso. Acho que o principal aqui no Brasil, acho que o que dá para fazer é isso, é tentar pegar gestoras que tenham um skill diferenciado no mercado. Ou também a gente vê algumas gestoras aqui no Brasil com um perfil mais sistemático, então menos discricionário na tomada de decisão. Então também tem um perfil muito diferente de tomada de decisão, então também faz sentido dentro do portfólio. Então eu acho que dá para tentar fazer mais dessa forma, tá?

E é claro que tem também gestores que são fundos multimercados mais focados em ações, então são mais aquele perfil que eu falo, né, do equity hedge fund, né? Então tem um perfil ali de gerar retorno principalmente com equities, com objetivo de total return. Então também faz sentido. Então acho que dá para compor um portfólio com, né, a gente tem a cabeça não tão diversificado, um pouco mais concentrado, mas com participantes ali com skills muito complementares, tá? Então a gente consegue encontrar gestores assim aqui no Brasil.

TSThiago Salomão

Rafael, parabéns, foi muito bom o papo, você mandou muito bem. Confesso que a gente se conheceu há tão pouco tempo, já fiz o convite, você já aceitou. Fiquei felizão, acho que uma puta chancela do nosso trabalho aqui. Agora eu vou fazer o ping-pong, que é a parte mais fácil. Você tá preparado para ping-pong, né? Já viu o Market Maker, a gente pergunta livro, música. E, ó, agradecer toda audiência. Para quem tá vendo ao vivo e escolheu, né, o joguinho foi bem mixuruca aí da Colômbia com a Suíça, mas finalmente acabou esse jogo maldito, né?

Porque a Copa do todo mundo tá sugando toda a nossa audiência. O jogo empatou, foi para os pênaltis, a Suíça ganhou. Então agora focar aqui no— para quem tá vendo ao vivo pode desligar a KZTV e olhar só para o Market Makers. A gente vai fazer o ping-pong. Vamos começar pelos livros. Eu sempre peço um livro técnico e um livro tema livre, mas pô, você indicou esse The Red Fun Mirror, vai ser a sua indicação mesmo de livro técnico ou tem algum outro?

RMRafael Medeiros

Não, eu acho que assim, se eu fosse escolher um livro técnico que mais me marcou, eu acho que é o Investidor Inteligente, né, da Intelligent Investor. Eu acho que é o melhor investidor para— eu nunca fui um analista de ações, nunca fui um stock picker, tá, então nunca me propus a isso. Mas eu acho que o Investidor Inteligente, para quem faz alocação, né, e acho que para hedge fund managers também, eu acho que para qualquer profissional que trabalha com decisão de investimentos, eu acho que ele é muito rico.

TSThiago Salomão

Que legal, porque a gente é muito entusiasta dos velhinhos, do Value Investing. A gente não gosta de quem fala mal do Investidor Inteligente, mas às vezes vem aí uns cara de cripto, uns caras de outros assuntos, fala, não, puta, livro chato, puta. E você, um cara que trabalhou a vida inteira na indústria de fundos, Recomendando Investidor Inteligente. Que legal!

RMRafael Medeiros

Eu acho que tem vários dos conceitos que ajudam. Então, exemplo, né, um conceito, poxa, de que eu acho que é muito importante você, né, como investidor, né, se conhecer na hora de tomar as suas decisões, e que você vai ser talvez o pior, né, impacto, vamos dizer assim, para os seus investimentos se você reagir da forma errada em determinados momentos de mercado para os seus investimentos. Então isso, né, vamos dizer, é uma coisa que se você trouxer para qualquer investimento, então na seleção de fundos ou operando outros ativos, né, operando, você sempre vai conseguir pensar dessa forma.

Então tem vários outros conceitos no livro. Eu acho que esse foi o livro que mais me marcou assim, que vale muito a pena.

TSThiago Salomão

Que legal, fica até vontade de reler ele. Vale a pena. Eu li recentemente o Bola de Neve, né, do Warren Buffett. Ali eu descobri uma curiosidade interessante sobre o Benjamin Graham, que enfim, se você não leu, quando acabar a gravação eu te falo, porque até impublicável aqui, embora eu já tenha dito no episódio do Warren Buffett, mas é uma curiosidade interessante. E o livro Tema Livre, qual vai ser a sua indicação?

RMRafael Medeiros

Livro, um livro que acho que foi o que mais me marcou, foi um livro que ele foi um best-seller alemão, tá? Então best-seller na Europa, chamado Se Tiver Pressa, Ande Devagar, tá? Esse livro é muito legal porque ele é um livro que eu acho que ele te traz reflexões para sua vida, né? Então esse eu acho que é uma recomendação. Ele tem uma uma passagem muito legal desse livro, que era, poxa, faz, né, faz assim, poxa, qual deveria ser o seu discurso fúnebre, né?

Escreve ele, escreve ele, escreve qual que deveria ser o discurso fúnebre quando você falecer. O que que você gostaria que tivesse sido a sua vida, né? E aí você Pô, mira, mira nisso, né? Mira nisso, olha todo dia aquele teu discurso, né? E vai pensando. E aí ele vai te ajudar a tomar decisões, vai te ajudar a tomar as decisões corretas para sua vida, né? Então esse foi o livro que mais me marcou.

TSThiago Salomão

Uma coisa meio mangueiriana também, né? Essa coisa de inverter, né? Pensar no seu futuro, na sua morte, né?

RMRafael Medeiros

E esse é um livro que eu recomendo, é muito legal, é super simplesinho, bem basiquinho mesmo. Eu li quando era assim, pô, era quase assim, acho que tava ali saindo da adolescência, entrando para juventude. É um livro que eu—

TSThiago Salomão

E você já releu isso?

RMRafael Medeiros

Esse eu já, eu já reli algumas vezes.

TSThiago Salomão

É, mas já na vida adulta?

RMRafael Medeiros

Já na vida adulta.

TSThiago Salomão

Bate de um jeito diferente?

RMRafael Medeiros

Muitas coisas sim, e muitas muito longe, mas muito sim. É impressionante. Mas também acho que é como você vai lendo ele E você, né, ele vai virando também um objetivo, né? Então você vai sempre lembrando, legal, e vai construindo, né? No final você vai construindo.

TSThiago Salomão

Esse aí eu deixo a dica para procurar no Estante Virtual, tá? Porque na Amazon vai ser difícil achar o livro Se Tiver Pressa Ande Devagar de Lothar Seward. Provavelmente falei errado o nome dele, mas é isso. Ele é um alemão. Uma música e por que essa música?

RMRafael Medeiros

Olha, a música que também mais me marcou foi Eye of the Tiger. Olha lá, que a trilha sonora ali, né, foi famosa ali no Rock 3. Então eu acho essa música assim sempre me motivou muito em vários momentos da vida assim. Então essa foi a Eu acho que eu já escutei essa música, eu acho que muitas vezes, muitas vezes.

TSThiago Salomão

Quem é o intérprete mesmo?

RMRafael Medeiros

Olha, quem é a banda? É uma banda, Survivor, Survivor, que fez a música. Vale a pena.

TSThiago Salomão

E eu acho que ele é que essa daí é impossível alguém nunca ter ouvido na vida, né? Mesmo por osmose Já ouviu o pan, pan, pan, pan? Legal, legal, gostei. Um convidado que você gostaria de ver aqui no seu lugar trocando ideia comigo?

RMRafael Medeiros

Pô, você já foi falando umas vezes, eu acho que eu gosto muito sempre de escutar ele, que é o Bruno Levakov da Atitus. Eu sou muito fã dele, adoro encontrar ele sempre, acho o cara nota mil.

TSThiago Salomão

Essa risada é porque ele realmente é muito bom, mas Não vai falar.

RMRafael Medeiros

E um outro que eu acho também que é um cara que eu acho que vale também, eu acho que é o Pedro Batista.

TSThiago Salomão

Ah, da 3G também. Esse não tentei, eu nunca, acho que nunca estive com o Pedro Batista, mas com o Levakov já tive várias vezes. É um cara excelente, uma das melhores mentes do mercado, mas é Tem aquela turma ali do Rio de Janeiro que não gosta muito de aparecer. Eu respeito, a gente continua conversando, continua amigo, mas é sempre fora dos microfones.

RMRafael Medeiros

O Pedro não tentei tanto, mas já jogando muito legal, o cara que faz um, fez assim, acho que ao longo do tempo um trabalho assim até de formação de opinião no Brasil, de mudanças. Eu acho que é um cara que é bem legal, tem um trabalho bem bem diferenciado, cara. Legal, legal.

TSThiago Salomão

Para quem tava curioso, que fundos o Rafael deve gostar, já deu uma, deixou aí subentendido aí, né? Enfim. E qual foi a maior gentileza que foi feita na vida de Rafael Medeiros?

RMRafael Medeiros

Ah, eu tive várias gentilezas que eu, graças a Deus, eu tive a oportunidade de ter, tá? Eu vou falar uma que eu acho que foi de um um chefe meu, que eu acho que foi uma gentileza bem legal, mas pela, eu acho que até pelo exemplo um pouco de liderança dele, que foi o Alessandro Merjan. Então ele foi meu chefe no Bank Boston, ele era o head da mesa internacional do asset management, depois foi no Itaú tesoureiro lá na Suíça, Luxemburgo, tá em Miami agora.

Pelo HSBC, e um cara extremamente qualificado. E que eu tava no Boston, eu era estagiário, né? Então, poxa, estagiário é aquela vida dura, né? Vida dura no mercado financeiro ali, pelo menos na minha época, que é, pô, trabalhar muito o dia inteiro, chegar cedinho, se matar, e depois sair e ir para faculdade à noite. Então eu estudava na USP, saía do Boston. Boston era ali perto do Shopping Morumbi. Pegava o trem espanhol, saía, saía na cidade universitária ali, fazia aula até de noite.

E minha vida era bem, bem confusa, tava sempre correndo, sempre correndo. E eu sempre tinha a cabeça de que eu tinha que me sustentar com o salário de estagiário mesmo. Então, pô, eu com salário de estagiário pagava meu apartamento, pô, fazia todas as minhas coisas, e minha vida era basicamente estudar e trabalhar. E eu lembro disso, pô, que foi, lembro, foi uma gentileza, porque o Alessandro cobrava muito sempre, pô, foi o cara que cobrava consistentemente, pô.

A gente tinha que estudar no fim de semana coisa para, para de formação na mesa. E ele não só, ele trouxe, né, uma gentileza que ele fez várias vezes, ele trouxe várias vezes vários livros para mim, que eram livros que só vendia lá fora, que ele queria que eu lesse. E eu lia, me matava no fim de semana para ler. E teve uma, e teve um dia que ele me chamou na garagem e acho que por isso que eu vou falar que é a maior gentileza, porque eu acho que é o líder que se preocupa com o todo do funcionário, não só a formação profissional dele, né, e acadêmica e profissional ali.

Mas ele me chamou uma vez na garagem, né, falou, Rafa, vem cá. Aí eu falei, tá bom. Fui lá, fui na garagem com ele. E aí, pô, ele abriu na época, né, uma mala assim, né, porra, mala que eu na hora eu nem entendi assim. Ele falou, Rafa, ó, cara, pô, eu sei que você tá sempre correndo aí, você tá sempre apressado e sempre também apertado, e tal, cara. Foi o seguinte, pô, toma essa mala de roupa, cara. Cara, ele me deu uma mala de roupa, cara, cheio de roupa, cara.

E para mim, cara, eu falei assim, pô, na época eu fiquei assim, falei, caramba, cara, pô, olha que cara legal, cara. Pô, o cara não só se preocupou com a minha formação acadêmica, mas o cara se preocupou em falar, cara, para esse cara que é estagiário, que quer mesmo viver com, porra, com a renda dele, quer, porra, crescer, vamos dizer assim, Vai fazer diferença, cara. E aí foi lá e fez isso, cara. Eu acho que eu não pedi nada, e cara, eu assim, mas ele tinha a mesma altura que você, né, provavelmente, ou ele compensou.

Um pouco mais velho até, ele era um pouco mais velho. Várias, ele tipo gravata, sabe, cara, foi um lugar, pô, bem legal, cara.

TSThiago Salomão

Então eu acho que isso foi a maior gentileza que eu já tive, cara, porque assim, eu não pedi assim, o cara se preocupou E a preocupação de alguém, imagina todas as coisas que passavam na cabeça dele, tomadas de decisão que ele tinha que ter. Ele parou um momento da vida para fazer isso, para se preocupar com estagiário. Que legal!

RMRafael Medeiros

Então o cara que eu hoje também teve uma carreira brilhante aí, pô, o cara brilhante assim no mercado, tá lá fora super bem, espetacular. E eu acho que eu tenho que reconhecer isso como uma gente.

TSThiago Salomão

Eu tive várias outras, dá para ficar aqui vários dias.

RMRafael Medeiros

Merchan, cara.

TSThiago Salomão

Esse cara, me tira uma dúvida. Bom, pelo seu sotaque, você é carioca e fez USP porque você morava em São Paulo?

RMRafael Medeiros

Você não? Eu sou carioca, estudei lá no Colégio Alemão no Rio, queria trabalhar no mercado financeiro. Meus professores na época falaram que tava tendo um processo de saída de várias empresas do mercado financeiro do Rio de Janeiro. Então os bancos estavam saindo do Rio, né? Tinha um banco sendo comprado, Itaú tinha comprado, pô, Banerj naquela época. E os professores falaram, olha, se você quer trabalhar no mercado financeiro, vai logo, vai fazer faculdade lá.

E aí eu falei, pô, é, faz sentido o que eles estão falando. Concluí que fazia sentido. E aí eu fui fazer vestibular, fui vestibular para USP, né? E aí vim, me apaixonei pela USP. E aí fui, vim para cá. E aí comecei, acho que você falou que se apaixonou por São Paulo.

TSThiago Salomão

Eu falo, poxa, um carioca que se apaixona por São Paulo com seus 17, 18 anos, não sei quantos você tinha.

RMRafael Medeiros

O Rio continua sendo, tá ali no coração.

TSThiago Salomão

Eu amo São Paulo, mas porque eu sou paulista, e enfim, eu adoro essa cidade. Mas o Rio de Janeiro é brincadeira. Aliás, vou voltar lá esse mês de novo, sempre um prazer ter que visitar aquela cidade, né? Mas aí você veio sozinho só para estudar?

RMRafael Medeiros

Eu vim para estudar. E aí a gente Morava ali no Butantã, perto da USP ali. E foi isso aí, depois comecei a trabalhar, fiquei uns anos, né, ficava indo e voltando para o Rio sempre, né. Naquela época tinha que ir no orelhão, porque não tinha telefone celular, né. Então ia no orelhão com aquele cartão, botava o cartão, falava rapidinho, brincava por Rio de Janeiro, São Paulo, parecia que você tava indo daqui para outro país, porque era longe.

Acho que o mercado, o Brasil se desenvolveu muito, mas era longe assim. Então voltava pouco para casa, mas foi um período muito bom assim, muito bom assim de aprendizado. Conheci muita gente muito legal aqui em São Paulo, muita gente que me apoiou muito, e aprendi muita coisa aqui nesse período, sabe? Eu acho que como eu deixei todos os meus amigos e a família no Rio.

TSThiago Salomão

E na USP você fez economia ou você fez o que todo mundo do mercado faz, que é engenharia?

RMRafael Medeiros

Não, fiz economia. Fiz economia e aí foi isso assim. Então foi, foi, adorei São Paulo, cara. São Paulo para mim foi muito legal.

TSThiago Salomão

Bom, e eu adorei esse papo, Rafa. Obrigado por ter aceito esse convite. Acho que é um assunto para quem vive o mercado financeiro aqui é imprescindível, tipo de conversa que eu tenho várias vezes a portas fechadas em almoços, mas nem todo mundo gosta ou tem uma opinião muito bem fundamentada para falar sobre a indústria de fundos, e você trouxe muito conhecimento diferente do que a gente costuma ouvir. Então valeu demais, espero que você tenha gostado da experiência, porque as portas do Market Makers estarão sempre abertas para você.

RMRafael Medeiros

Obrigado você, parabéns aí por tudo que vocês estão construindo aqui, parabéns mesmo, muito legal o bate-papo. Obrigado, valeu, um abraço aí.

TSThiago Salomão

E você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal, porque Toda terça, quinta e domingo tem episódio novo aqui. Eu desse lado com alguém muito mais inteligente do que eu do outro lado, compartilhando conhecimento. Até a próxima e tchau!

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