#381 | O FUTURO DO BRASIL PODE SER MUITO PIOR DO QUE IMAGINAMOS
A Selic caiu, mas o juro pode ficar mais caro para empresas, famílias e investidores?No Market Makers, Adolfo Sachsida explica por que a redução da Selic não elimina a pressão sobre os juros futuros — e por que o Brasil pode entrar em uma nova fase de risco fiscal, crédito caro e menor potência da política monetária.Mas o debate vai muito além do Copom.Para Sachsida, o maior desafio do próximo governo não será apenas equilibrar as contas públicas. Será preparar o Brasil para a revolução da inteligência artificial: profissões qualificadas sob pressão, automação, produtividade, educação, renda mínima e um novo mercado de trabalho.Neste episódio, Thiago Salomão e Leopoldo Rosa conversam com Adolfo Sachsida sobre:-Selic, inflação, juros futuros e dominância fiscal;-Banco Central, credibilidade e política monetária;-O impacto da inteligência artificial em médicos, advogados, programadores e mercado financeiro;-Renda mínima universal e qualificação profissional;-Escala 6x1, produtividade e custo do trabalho;-Projeto Brasil: crédito, energia, burocracia, agro e mineração;-Lula, Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, eleições de 2026 e Argentina de Milei;-STF, segurança jurídica, empreendedorismo e o futuro dos investimentos no Brasil.Na sua visão, qual é o maior risco para o Brasil hoje: juros, dívida pública, produtividade ou inteligência artificial?Abra sua Conta Internacional na Nomad e ganhe até U$50 de cashback com o código de convidado MMAKERS50: https://link.nomadglobal.com/wIQT/MMAKERS50 (Leia os avisos legais: nomadglobal.com/legal)📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -ADOLFO SACHSIDA | Market Makers #381Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers) e Leopoldo Rosa (COO do Market Makers)Convidado: Adolfo Sachsida (advogado e economista)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#ADOLFOSACHSIDA #BRASIL #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
- Inteligência Artificial e o Futuro do TrabalhoRevolução da inteligência artificial · Profissões qualificadas sob pressão · Automação · Produtividade · Educação · Renda mínima universal · Novo mercado de trabalho · ChatGPT
- Implicações futuras para o RealRedução da Selic · Pressão sobre juros futuros · Risco fiscal · Crédito caro · Política monetária · Dominância fiscal · Banco Central · Federal Reserve
- Legislação e JustiçaInterpretação da lei · Insegurança jurídica · Linhão-Manaus-Boa Vista · Empreendimentos no Brasil · STF · Audiência de custódia · Homeschooling
- Reorganização da Direita BrasileiraConsolidação fiscal · Redução de burocracia · Aumento de produtividade · Segurança jurídica · Novos mercados · Crescimento sustentável · Inclusão social e produtiva · Projeto Brasil
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Eu acordei hoje, tomei um café da manhã, peguei o voo para vir aqui para São Paulo, que eu tenho uma série de compromissos. Um terço da população brasileira é incapaz de entender essa frase por escrito. Se você perguntar onde está o Brasil no mapa mundo, metade dos brasileiros vai errar.
Convidado de hoje, uma honra recebê-lo, é ex-ministro de Minas e Energia da gestão do presidente Jair Bolsonaro, e tem gente que nos bastidores da política até aposta que se o Flávio for eleito, só pode ser ministro da Fazenda, da Economia, quem sabe.
Política econômica é mais ou menos igual você ir no McDonald's. Você chega lá e pede um combo. Depois que você pediu o combo, meu amigo, acabou. Com muita sorte você troca o Guaraná pelo suco de uva. Política econômica você decide no primeiro dia. Eu faço um convite a vocês aqui do Market Makers. Eu gostaria que vocês fizessem um programa especial sobre por que que o Bill Gates e o Steve Jobs não nasceram no Brasil. Quer minha resposta? Nasceu! Só que o Estado brasileiro matou esse cara.
Se diz que o crime no Brasil hoje não depende mais do ato, mas de quem o pratica, né?
Tem bandido aí que passa 10 vezes pela polícia, 10 vezes é solto. Aí você abre o jornal, o comediante tá preso porque fez uma piada. Isso é brincadeira! É esse o país que nós queremos? Um país, gente, melhora quando decisões corretas são tomadas de maneira contínua ao longo do tempo. Nós vamos corrigir o oscilado fiscal em 1 ano e meio. Invistam no Brasil, market makers, invistam no Brasil. Eu vou dizer as áreas que vai dar dinheiro para caramba nesse país.
Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão, CEO e fundador dessa super empresa que hoje recebe Adolfo Saxida. Que honra ter Adolfo aqui com a gente, vai ter um papo bem legal sobre Brasil. E estou, né, não estou sozinho nesse papo, mais uma vez acompanhado de, está criando raiz aí já, né, Leopoldo? Daqui a pouco você vai estar aqui, eu nem vou estar.
Não, não, só com você.
Leopoldo Rosa, o Lepo Lepo. Como é que você tá, meu querido?
Muito bem, e você? Salomão, tá bem?
Tô melhor agora, cara. Tô vendo aí, já fez todo o trabalho, já tem pauta, perguntas, anotações, deixa meu trabalho mais tranquilo. Antes de apresentar nosso convidado, só aquele recado especial, né? Não existe podcast grátis, nem almoço grátis, até invertir, né? Mas nossos grandes parceiros da Nomad, até agora finalmente chegou o clima de Copa do Mundo. Tô com meu cartão da Nomad aqui, ó. Tem até alguém fazendo uma bicicleta, não deve ser o Neymar, né?
Porque não tá com a bola toda, mas a Nomad é a conta internacional completa para sua vida financeira global. Então você pode tanto investir globalmente como também dolarizar seu patrimônio e usar a conta da Nomad. É o que a gente recomenda, não só porque é o parceiro do Market Makers, mas porque usando o cupom MMAKER50 você recebe até $50 de cashback. É isso mesmo, é só você transferir o dinheiro de reais para dólar e você vai ter um limite de até $50.
Então é 3% do que você transferir, limitado a $50. E com $50 dá para fazer bastante coisa, não só aqui no Brasil como lá fora também. Então aproveite essa oportunidade. Ó, de quebra, você pode ter um cartãozinho lindão como esse aqui que eu tenho em mãos. Então use e abuse de Nomad. É isso aí. Quer apresentar nosso convidado?
Vamos lá, nosso convidado de hoje, uma honra recebê-lo, É advogado de formação, sabia? Mas é doutor em economia pela Universidade de Brasília, pós-doutor pela Universidade do Alabama nos Estados Unidos, é ex-ministro de Minas e Energia da gestão do presidente Jair Bolsonaro, e hoje uma das vozes mais ativas aí na economia pelo lado da direita brasileira, né? É um dos responsáveis aí por diversos pensamentos econômicos, tem uma proximidade com o candidato Flávio Bolsonaro, pré-candidato, né, a presidente.
E tem gente que nos bastidores da política até aposta que se o Flávio for eleito, isso pode ser ministro da Fazenda, da Economia, quem sabe. Adolfo Saxida, bem-vindo ao Market Makers.
Em primeiro lugar, quero agradecer o Market Makers por essa honra. Parabéns pelo trabalho que vocês desenvolvem, é um grande prazer estar aqui e vamos lá, vamos ver o que vocês têm a dizer.
Antes de começar o papo, para quem tá só ouvindo, não dá para deixar de notar seu belo traje do Londrina Esporte Clube. Que que é o Londrina? É o seu time de coração? Você é de Londrina, acredito eu.
Time de coração, vou no estádio desde que eu tinha 4 anos, ia eu e meu pai Emocionante, uma memória maravilhosa. Quando morei nos Estados Unidos, ouvia o Londrina pelo rádio. Quando eu tô aqui, acompanho Londrina. Uma vez o Londrina chegou na final do Paranaense, peguei o avião e fui ver a final. E perguntaram: pô, pegou avião? Falei: pô, sei lá quando é outra final do Londrina. Tem que ir. E graças a Deus ganhou. Então assim, maravilha, só boas memórias desse time grande aqui, ó.
E sabe que o Londrina, o primeiro jogo da vida que eu assisti como palmeirense foi um amistoso pré-Campeonato Brasileiro de 2002.
Contra o Londrina?
Palmeiras e Londrina no extinto Parque Antártica. Estreia de Donizete Pantera, inclusive o Palmeiras ganhou de 3x1. Talvez você estivesse lá ali, porque tava lá no sabadão de tarde, enfim.
Quando eu era criança, você sabia que eu frequentava muito o Parque Antártica?
Ah é?
É, meu pai palmeirense me levava e tal, depois é que eu desviei para outro caminho, mas peguei o caminho do Morumbi.
Olha lá como as coisas se conectam aí. Lepo, É, tem muita coisa para falar. A gente tá gravando no dia seguinte de Copom. Pois é, mas também tem um material bem legal que, enfim, é o, para até o assunto não ficar tão, tão velho, eu já queria começar com o Copom, que embora esse episódio vai ao ar depois da ata, mas é que eu vi hoje de manhã um vídeo seu falando sobre o Copom e eu achei que foi um, foi um ponto que obviamente gera divergência Mas acho legal explicar que você gravou um vídeo para mostrar que essa queda de juros, na verdade, vai deixar o juro mais alto, mais caro para quem precisa do juro, olhando principalmente para o impacto do longo prazo.
Enfim, Banco Central decidiu reduzir a Selic para 14,25% e o juro vai ficar mais caro. Por quê? Explica para nossa audiência, Sakshida.
Então, respondendo a sua pergunta, para começar de uma maneira bem simples para o leigo também poder acompanhar. Como é que funciona o sistema de meta de inflação? Sistema de meta de inflação é o seguinte: o Conselho Monetário Nacional fixa uma meta e o Banco Central tem um instrumento da taxa Selic para perseguir essa meta. Então, quando a inflação está acima da meta, o Banco Central usa a taxa Selic para tentar reduzir a inflação.
Ora, quando nós olhamos hoje, a inflação está acima da meta. O que o Copom deveria, o que o Banco Central deveria ter feito? Ou ele mantém os juros ou ele aumenta. Aí você fala assim: ué, mas por que ele abaixou os juros? Essa é a minha pergunta, porque todos os sinais da economia brasileira estão indicando que a inflação está crescendo. E não é só isso, o governo brasileiro está gastando demais, então a política fiscal está extremamente expansionista, o que nos leva a crer que a inflação vai continuar subindo.
O resto do mundo também tá mantendo os juros altos. Ontem, por exemplo, o Federal Reserve manteve a taxa de juros. E aí o Banco Central brasileiro abaixou os juros. O que que vai acontecer? Na minha leitura, você tá tendo um descasamento de política fiscal e política monetária. O que que isso quer dizer? Quer dizer o seguinte: o governo tá pondo o pé no acelerador no gasto e o Banco Central tá pondo o pé no acelerador tentando reduzir juros de maneira artificial.
Essa redução artificial de juros vai gerar um problema, qual seja: o Banco Central abaixa a taxa de juros de um lado, só que o Tesouro Nacional é obrigado a pagar um juros mais alto na outra ponta. É o famoso descolamento das taxas. A taxa tá abrindo. O que que é a taxa tá abrindo? É isso, é que apesar do Banco Central reduzir os juros, o Tesouro Nacional é obrigado a pagar uma taxa maior para rolar dívida. E para a pessoa comum que tá nos assistindo, empresário, as famílias, o que conta é a taxa do Tesouro.
Por quê? Porque você pode emprestar para uma pessoa comum ou para o Tesouro Nacional. Como Tesouro Nacional tem mais segurança, se você não pagar um juros maior, todo mundo vai ter que emprestar para o Tesouro. A taxa do Tesouro sobe, os juros para toda economia sobe. Isso denota que o Banco Central tá perdendo potência de política monetária. Ou seja, a Selic ela não tá conseguindo embasar as demais taxas de juros economia. Isso sinaliza para um problema mais sério ainda, que se continuar nessa atuada você pode ter uma dominância fiscal.
Que que isso quer dizer? Que o Banco Central perde o poder de ancorar expectativas de inflação. Isso aumenta ainda mais a pressão de juros futuros, aumenta a pressão sobre dólar, aumenta a pressão sobre inflação. E no final do dia, o trabalhador brasileiro paga uma conta mais alta via inflação, via taxa de juros mais alta, e o empresário brasileiro sofre mais. Honestamente, a decisão do Banco Central ontem foi extremamente equivocada.
E a minha leitura é que o Banco Central entrou na campanha política desse ano. Me desculpa quem discorda de mim, mas transparência é fundamental. O Banco Central é independente justamente para não ter pressão política nele. Eu lutei pela independência do Banco Central quando ela foi aprovada em 2021. Eu tava lá no time que tava apoiando a independência, justamente para o Banco Central tomar decisões técnicas. A minha leitura é que a decisão do Banco Central foi política.
Enquanto você fala, estava olhando aqui, a gente está gravando com o mercado aberto na quinta-feira depois da reunião. O contrato de DI de um dia de janeiro 27 está caindo, obviamente se ajustando à nova Selic, mas os contratos de janeiro 28, 29, 30, 31, 32, todos subindo e subindo consideravelmente bem, o que corrobora com a sua análise, que no curto prazo a Selic caiu, Mas a Selic longa, o CDI do longo prazo, ele está subindo.
É, e aí você tocou no ponto da independência, que não esperamos um Banco Central político sendo independente, esse tempo já passou, mas a gente pode ter alguma mudança, mudança não, mas pelo menos uma explicação na ata do Copom, que já vai ter saído quando esse podcast for ao ar, mas enfim, mas era bom trazer esse ponto.
Agora eu quero só ressaltar, respeito a equipe técnica do Banco Central, respeito o presidente Galípolo, mas a decisão honestamente ela teve esse viés político. Honestamente é péssimo para instituição Banco Central.
Tem gente que comenta, ministro, que a inflação não está no nível que justifique esse juro como ele está. O senhor acredita que de fato é a inflação ali nos 4,7 12 meses, ela justifica é uma taxa Selic na casa dos 15, por exemplo, se voltasse a subir?
Olha, o banco, vamos ler o que o Banco Central falou. Se até antes ele precisava dessa taxa, por que que agora não precisa mais? As pessoas têm que ser consistentes. Se até 3 meses atrás precisava dessa taxa por uma inflação mais baixa, como é que agora se abaixa os juros para uma inflação mais alta? Então o próprio Banco Central não tá sendo consistente com ele. É a resposta que eu te dou.
Eu queria falar sobre o Projeto Brasil. Exatamente.
Pois é, vamos explicar então, né? O Projeto Brasil é um projeto que o ministro Adolfo Saxida, com mais uma série de outros profissionais, especialistas, intelectuais, tá traçando. E aí queria que o senhor contasse para a gente de onde surgiu essa ideia e qual que é a intenção desse projeto, que aliás a gente teve acesso. Eu não sei se ele é público. É público. Então, se você puder nos colocar um link.
Lógico, quando eu recebi, eu não sei se a gente podia compartilhar, você já tem um link aberto, tem alguma página que ele possa compartilhar direto de vocês? Então quem quiser, tiver vendo episódio aí, como é que faz, Leopoldo?
Pode mandar para gente no contato@makers.com.br que a gente responde com o arquivo do Projeto Brasil, que é a parte da área, né, Ministro, e que tem lá uma série de medidas que devem ser apresentadas para o Brasil.
Enfim, mas é legal detalhar aqui para o pessoal.
É o que acontece, seguinte: eu participei da transição de governo em 2018, e aqui vou falar sobre mim, não tô culpando mais ninguém, hein, tô dizendo a minha experiência e onde eu errei, onde eu falhei. Logo em novembro de 2018, quando eu tava na transição de governo, nós ganhamos a eleição em outubro, em novembro começa a transição de governo, e o governo efetivamente começa em janeiro de 2019. Começou em 2019. Você tem 2 meses para se preparar para as medidas de governo.
Quando eu entrei, eu tinha aquelas ideias muito claras na minha cabeça: nós temos que abrir economia, nós temos que aumentar a produtividade, nós temos que consolidar o lado fiscal. Só que essas ideias são ideias em abstrato, elas são importantes no debate acadêmico, Quando você vai para o governo, você tem que saber em concreto. Você quer abrir economia? Quero. Mas você vai abrir como? É agenda B2BK? É agenda do Mercosul? É agenda da NCN, de outra norma que tem lá?
Então é difícil. O que que eu vi então foi que é muito útil para quem ganhar uma eleição você chegar para ele com já 200 projetos de lei pronto, e o novo presidente decide: ah, esse projeto de lei eu quero, esse eu não quero, esse tem que melhorar. Quem fez algo muito similar? O Trump. Dia 1 de governo do Trump, ele colocou lá 200 medidas de uma vez. Outro que fez algo similar? Millet. Primeiro dia de governo, 200. O que então que eu e esses vários colegas anônimos que estão trabalhando, apartidários, é, seja quem for o próximo governo, nós queremos entregar para ele no primeiro dia do governo de transição 200 medidas legais para consolidar o lado fiscal da economia, reduzir burocracia, aumentar produtividade, melhorar segurança jurídica e criar novos mercados na economia, gerando um crescimento sustentável de longo prazo, uma inclusão social e produtiva do nosso país, e endereçando, na minha opinião, o maior desafio que vem por aí.
Tá errado quem acha que o desafio do próximo governo vai ser fiscal. Vou falar aqui, market makers, pode me cobrar. Um governo experiente resolve o lado fiscal da economia em 1 ano e meio. Não tô dizendo que a gente vira Suíça, não, mas você endereça e você estabiliza a trajetória dívida-PIB em 1 ano e meio. O grande desafio do próximo governo chama-se revolução tecnológica destravada pela inteligência artificial. O nosso tá se aproximando, o Brasil, um choque similar ao que aconteceu na Revolução Industrial.
Quando você olha a Revolução Industrial, 40 anos depois tava todo mundo bem. Só que essa transição é perigosíssima. A mesma coisa acontecer agora, tá? 2, 3 anos você tem uma nova realidade no mundo. Daqui 40 anos vai estar todo mundo melhor, ganhos de produtividade enormes. Mas na transição vai ser muito difícil. Deixa eu dar um exemplo: quem já fez exame aqui de, sei lá, de imagem? O cara, eu aposto com você que antes de você chegar no médico, você colocou esse exame onde?
Pode falar alto aí.
ChatGPT. Todo mundo faz isso, é de graça, já sai lá o resultado do exame, pronto. Rapaz, quanto tempo até você ter uma telemedicina no teu celular? Você abre, já tá lá um médico virtual, já checa a tua temperatura. Isso é fantástico para cidadão comum, fantástico. Mas gera numa outra ponta um risco grande de emprego para qualificações, para profissões altamente qualificadas. Que que tá acontecendo com programador? Aumentou a demanda por programador, aumentou agora por causa de aplicativo, mas você sabe que essa curva vai cair.
Porque ChatGPT já tá codificando. Aqui na Faria Lima já tem só IA para fazer a escolha de portfólio de famílias.
Então, o que só aproveitar, a gente mesmo lançou um curso aqui no Market Makers, o Cláudio para Investidores. E assim, o sucesso de venda desse curso já mostra muito isso, que as pessoas, e obviamente as pessoas querem usar isso, mas também estão olhando um ganho de eficiência. Ninguém gosta de rasgar dinheiro, né? Então o cara às vezes percebe que, poxa, talvez eu tenha aqui na minha equipe muito mais pessoas do que eu precisaria ter se eu transformar isso aqui de uma maneira mais eficiente e até muitas vezes menos suscetível a erro, né?
Porque não tem o ponto humano. E um grande amigo nosso, assinante do M3 Club, ele investidor de, ele fundou uma empresa vendeu e agora ele investe em várias fintechs e startups. E ele escreveu um texto falando justamente sobre a revolução que a inteligência artificial poderia causar nos empregos. E todo mundo falando: não, aqueles trabalhos básicos vão se perder. Mas na verdade quem tá se perdendo é o programador, é o que isso tudo, né, o trabalho mais sofisticado.
Enquanto isso, o pedreiro continua e tem uma demanda crescente. Ele até trouxe uma estatística muito interessante do crescimento O ganho médio salarial de pedreiro, dessas profissões mais braçais mesmo, é muito maior do que inflação, muito maior do que vários outros empregos nos últimos anos, e a tendência é que continue assim, porque esse é o tipo de mercado que não vai ser desqualificado.
Mas deixa eu só complementar o raciocínio, porque eu acho importante isso. Olha só, médicos altamente qualificados vão ser impactados. Contador, Cara, você já faz contabilidade hoje pela internet ali, já impactado. Advogado, se você duvida de mim, coloca aí no teu chat GPT: prepara uma petição para uma causa de aluguel. Sai pronto para você. Então, profissões altamente qualificadas vão ser impactadas. Vamos olhar na outra ponta agora.
Você que tá me ouvindo, você foi para São Francisco no último ano? Se você foi, eu aposto que você reservou o quê? Para andar de Uber, o quê? O Uber autônomo lá, Uber sem motorista, cara. Tem fila lá para você pegar esse Uber, cara. O impacto disso é gigantesco, porque a gente fala de inteligência artificial, mas não é inteligência artificial isolada. Inteligência artificial é o gatilho. Capacidade de processamento de imagem, deu um pulo.
Big data, deu um pulo. Armazenamento deu um pulo, velocidade de processamento deu um pulo, quando é preço de software tá desabando. Tanto é que tá fácil ter câmera, tá fácil ter drone. Quando você junta tudo isso e coloca inteligência artificial, é igual a máquina a vapor na Revolução Industrial, é um gatilho que ela dispara que gera um ganho de produtividade monumentais. É bom para a sociedade no longo prazo. Só que no curto prazo nós temos que nos preparar.
Programas de qualificação profissional tem que ser fortalecidos, programas educacionais tem que ser fortalecidos, programas de assistência social tem que ser fortalecidos. Você precisa assim tá pronto para essa nova realidade. Eu honestamente tô bem preocupado com isso e acho que esse é o grande desafio. E por que que é o grande desafio? Porque quando você fala de consolidação fiscal, vamos ser honesto, Todo mundo sabe o que tem que fazer.
Se você perguntar para 10 especialistas, os 10 vão colocar praticamente as mesmas coisas.
Até quem não tá fazendo, tinha que fazer, sabe, sabe.
Não é novidade. A inteligência artificial não. Se você perguntar como é que eu tenho que redesenhar os programas de qualificação profissional, ninguém sabe. Como é que eu tenho que redesenhar os programas educacionais? Ninguém sabe. É esse que tá um desafio enorme, e esse desafio realmente me assusta. Por quê? Porque você vai ter gente tanto lá em cima como lá embaixo perdendo emprego, e de maneira muito rápida. Setor financeiro, essa questão de banco, cara, é o fim de uma era.
Quase todo mundo hoje é aplicativo. Quando você fala de contabilidade, direito, economia, mesma coisa. Não é que vai acabar a profissão, Mas onde antes tinham 100, vão ter 10. Aí a pessoa fala: não, não é que a inteligência artificial vai substituir você, é um cara que sabe usar vai substituir o que não sabe. Isso é uma meia-verdade, não cabe mais todo mundo. O banco que contratava 1000 advogados vai contratar 100, os outros 900 vão ter que ir para outro lugar.
No longo prazo vai ficar melhor, mas essa transição que vai durar 10, 15, 20 anos, ela me preocupa. E esse, para mim, É o grande desafio do próximo governo.
E tem uma coisa também, é porque quando a gente olha para iniciativa privada brasileira, a gente vê grandes avanços, né, na área de inteligência artificial. Tem grandes empresas já automatizando vários processos, etc. Mas quando a gente vai olhar para o governo, a gente começa a lembrar que estruturalmente o Brasil ainda é o país do cartório, né, que você vai num lugar para um cara olhar para você e falar: não, você, você mesmo assina aqui na minha frente para comprovar a veracidade do documento. Como que a gente muda estruturalmente isso, né?
Só um exemplo anedótico, né? Trouxemos aqui o ex-presidente da CVM, João Pedro Nascimento, contou que no início da gestão dele não tinha Wi-Fi no prédio da CVM.
É isso.
Olha só, cartório tem uma razoável experiência porque foi a Secretaria de Política Econômica, junto com várias outras secretarias, que criou o novo marco de registro público, que criou o Sistema Eletrônico de Registros Públicos, que é um sistema de centralização de registro. Então, cartório Nós temos que dividir no Brasil. Tem um grupo de cartórios extremamente modernos, você conversa com eles, eles estão super antenados nessa nova realidade e eles vão ajudar a criar instrumentos mais eficientes.
Agora, existe um outro grupo que ainda é refratário essa nova tecnologia. Então eu acho que nós, enquanto sociedade, nós temos que colocar as coisas de maneira clara. Você tem blockchain, você tem celular, você tem assinatura digital, documentos digitais. Eu acho que os cartórios podem ser um grande aliado para nós melhorarmos a situação da população brasileira. Agora, eles precisam também ajudar, e digo, muitos querem ajudar porque estão vendo que esse movimento veio para ficar.
Então, o que eu faço nesse Projeto Brasil é isso, é chamar todo mundo para uma conversa honesta. Quer outra conversa honesta que precisa ter? Vou dizer agora para vocês aqui. Quando eu comecei a estudar economia em 1990, o livro era o livro do Mankiw, Introdução à Economia. Para que que o Mankiw escreveu esse livro? Ele escreveu esse livro que ele queria ensinar a União Soviética o que era livre mercado, porque a União Soviética tava caindo, tava desmembrando, e o pessoal, os soviéticos, eles falaram assim: vem cá, Se eu não— se o governo não falar para padaria qual é o preço do pãozinho, como é que a padaria sabe o preço do pãozinho?
Se o governo não falar para mim de qual padaria eu tenho que comprar, eu vou chegar numa padaria, não vai ter pão. Eu vou chegar na outra, vai ter fila. Não, ele tem que dizer para mim qual é a padaria, e ele tem que dizer para o dono da padaria quantos pãezinhos produzir também. Porque se ele não disser para o dono da padaria, como é que ele vai saber quantos pãozinhos vai produzir? Aí o Mancini explicava: não precisa de nada disso, livre mercado, aloca.
Bom, se você não acredita em mim, basta ir numa padaria, você vai ver que o pãozinho tá lá. Então isso me chocou muito quando eu virei ministro de Minas e Energia, porque o setor elétrico brasileiro é exatamente a União Soviética da década de 90. É o governo que decide quem vai produzir energia, é o governo que decide de quem você vai comprar energia, e é o governo que decide O preço da energia tá na cara que não vai dar certo.
Então foi isso que eu chamei o pessoal do setor elétrico para conversar, para assim, ó, do jeito que tá vai dar ruim para todo mundo. Será que não é melhor cada um perder um pouquinho e juntos nós criarmos um sistema muito melhor? Eu não quero ofender o sistema elétrico brasileiro não, porque ele foi criado na década de 70 de uma maneira maravilhosa, com base em hidrelétricas. Só que essa base mudou. Hoje é eólica, é solar, é hidrelétrica, é a gás, é nuclear, tem um monte de fonte diferente.
E isso tá gerando uma série de problemas. O que que acontece? O Brasil hoje produz uma energia barata, mas a conta de luz é cara. Por quê? Porque tá uma bagunça. Então, de novo, vamos chamar o setor elétrico. Gente, energia é o futuro, cara. Esse negócio de data center Quem tiver fonte limpa de energia, quem tiver energia segura, barata, vai surfar. Energia é um insumo básico da sociedade. Agora, nós temos que colocar nossa casa em ordem, e infelizmente o setor elétrico brasileiro hoje não está em ordem.
Não falo isso como crítica, falo isso como um convite a uma reflexão mais profunda de todos os atores.
Posso fazer mais uma? Claro. A gente tá numa discussão, Ministro, sobre a questão da escala 6x1. E aí, e a minha grande questão é o quanto essa discussão, na verdade, ela tá mascarando algo de fundo muito mais importante e complexo, que é a discussão da produtividade. A gente tem um país cujos indicadores de produtividade, tanto absoluto quanto relativo, quando você olha para o mundo todo, é muito baixo. E aí a discussão entra: mas é porque se eu vou trocar a escala 6 por 1 pela 5 por 2, eu vou derrubar a produtividade.
Mas será que não tem um pano de fundo anterior a isso que prescinde dessa discussão da escala e que precisa ser resolvido?
Bom, eu começo respondendo o seguinte: de 1980 até ontem, a produtividade brasileira não cresceu. Eu acho que isso aí já mostra que nós estamos numa situação ruim. Vou repetir: de 1980 até ontem A produtividade total de fatores no Brasil tá parada. Então tem algo errado acontecendo aqui. E aí eu vou pegar o gancho seguinte: nós temos que, enquanto nação, ter uma conversa honesta. E aqui eu vou ser muito claro: nós temos que devolver ao trabalhador brasileiro o legítimo direito de trabalhar, porque o Estado brasileiro tirou do trabalhador brasileiro esse direito.
Está errado, isso é um absurdo. No Projeto Brasil, inclusive, tem uma proposta aí, tá aqui, não ia falar, vou falar uma proposta concreta do Projeto Brasil. Medida provisória a ser encaminhada ao Congresso Nacional proibindo cobrança de imposto sindical, a não ser que o trabalhador explicitamente, por assinatura digital, reconheça que ele aceita Aquele desconto, cá entre nós, você é trabalhador, você nem participa do sindicato, o cara vai lá, toma um dia do seu trabalho.
Para você não ter que pagar um dia de trabalho, você tem que pegar uma fila para ir lá dizer que você não quer pagar? Nada disso. Com o Projeto Brasil, o sindicato quer te cobrar? Quer. Tem que ter uma prova escrita do trabalhador, assinada. O trabalhador tem que autorizar por assinatura digital que ele aceita a cobrança. Pô, o trabalhador brasileiro, coitado, ele não consegue trabalhar. Nós temos que devolver esse direito. O trabalhador brasileiro tem que ter o direito de escolher quando trabalhar, para quem trabalhar.
Ele tem que ter esse direito. Por que 5 por 1, 6 por 2? Eu não sei, gente. O mundo tá mudando. Presta atenção no que eu vou dizer: as formas de trabalho vão mudar. Drasticamente nos próximos 5 anos. Home office é a ponta do iceberg. Quem trabalha com tecnologia não aceita mais ficar só no emprego. O cara tem 2, 3 empregadores diferentes porque ele tem— quem tá mexendo com TI sabe do que eu tô falando.
Muitos trabalhando para fora do Brasil para poder manter esse esquema, né, que aqui é limitadíssimo.
Então assim, nós estamos à beira de uma nova revolução industrial, é revolução tecnológica. Nós temos que dar liberdade para o trabalhador se proteger, porque se você começa a encarecer demais o custo do trabalho, eu vou dizer uma coisa para você: o custo da tecnologia tá caindo. O custo— querem um exemplo concreto? Vou dar um exemplo concreto agora. Você que tá nos ouvindo, acabou aqui o nosso programa, vai no supermercado 24 horas, Passa no supermercado 24 horas e faz uma comprinha.
Onde você vai pagar a compra? Conta para mim. Tem algum caixa lá ou tem caixa já eletrônico? Já, cara, nem caixa supermercado tá contratando mais. Cada dia que passa tem menos caixa em supermercado, é tudo autosserviço. Se nós começarmos a encarecer demais o custo do trabalhador, cada vez mais vai ser assim. Então assim, nós temos que ser muito honesto. O trabalhador brasileiro, cara, é fantástico. Às vezes as pessoas falam para mim: ah, o brasileiro, bicho, brasileiro trabalha para caramba.
Tem um cara carregando papelão debaixo de sol, debaixo de chuva, para ganhar R$200 por dia. Você vai ali no Rio de Janeiro, tem um cara com 40 kg de chá, mate, carregando ali para vender na praia. É um povo trabalhador. Nós temos que dar uma chance para o nosso povo. Agora, nós temos que devolver ao brasileiro o legítimo direito de trabalhar. E o Estado brasileiro, na minha leitura, tomou esse direito.
Eu tava abrindo aqui a decisão do— além da decisão do Copom, teve a decisão do Banco Central Americano. E uma das coisas que até me chamou atenção, tava procurando aqui o nome do relatório, né? O Fed deve mudar um pouco a comunicação com uma possível revisão do Summary of Economic Projections. E até da frequência de coletivas de imprensa das reuniões, porque eles estão mudando algumas, algumas frentes por causa da inteligência artificial.
Então, o Kevin Walsh, né, o novo presidente, anunciou a criação de 5 grupos de trabalho para revisar temas centrais da atuação do Banco Central, incluindo comunicação, balanço patrimonial, uso de dados econômicos, produtividade e mercado de trabalho, tudo na era da inteligência artificial. Então ele já tá montando vários grupos de estudo para poder ter uma noção maior de que é um fenômeno global mesmo, de fato assim, o quanto que isso vai impactar, se é inflacionário no curto prazo, deflacionário no longo, se já é deflacionário agora, como vai ser o mercado de trabalho.
E aí posso entrar numa pergunta que tava até na pauta e conversa muito com isso que você tá falando, né, Ministro, que é o Queria falar um pouco sobre o que vai ficar para essas pessoas que, bom, o futuro mostra que nem todo mundo vai ter emprego. E aí? Será que a gente vai ter que ter uma renda mínima universal para todo mundo? Que acho que é uma ideia até que, enfim, pode chegar num momento em que vai ter muito mais pessoas existindo do que empregos disponíveis.
Eu, eu quando vejo tecnologia, eu, a gente tem que separar em curto e longo prazo. No curto prazo, ela em muitos casos ela realmente reduz emprego. Então eu, essa minha preocupação, eu acho que essa revolução tecnológica ela é muito grande e muito rápida. Então ela vai gerar desemprego no curto prazo e vai gerar um desemprego grande, tanto para pessoas muito qualificadas com pouco qualificadas. No longo prazo Eu acredito que as novas gerações vão se adaptando e vai haver um grande ganho de bem-estar generalizado para a sociedade.
Agora, durante a transição, tá no livro que eu escrevi, eu escrevi um livro, tá, tá, você colocar aí na, tem um site meu aí, Adolfo Saxida, tem um livro gratuito, a Introdução à Economia na Era da Revolução Tecnológica, é gratuito o livro. A única coisa que eu, se você quiser, né, eu peço uma doação de R$20 para Igreja de São Charbel em Brasília, que a igreja que eu frequento. Mas também o livro é download gratuito, dou a quem quiser.
E no livro, um dos capítulos eu falo: nós vamos ter que ter uma renda mínima universal. É a ideia do Friedman. Aqui no Brasil as pessoas falam que é a ideia do Suplicy, mas com todo respeito ao Suplicy, mérito dele, mas essa ideia originalmente, pelo menos a primeira vez que eu vi, foi com Friedman nos Estados Unidos, uma ideia liberal. Nós temos trabalhado nisso no Projeto Brasil. É criar uma renda mínima universal com uma rampa de ascensão e inclusão social.
Que que é isso? É você, o seguinte, ó, você perdeu o emprego, você vai cair aqui, você vai ter essa renda mínima. E se você for, e como é que eu faço para voltar a trabalhar? Pô, nós vamos te ajudar a voltar a trabalhar, nós vamos, pô, vamos trabalhar. E aí nós, é isso que é difícil, nós estamos desenhando um programa para garantir que ninguém vai ficar na chuva, né, porque é um momento difícil. Então vamos ver aí se nos próximos meses a gente consegue algo mais concreto.
Eu vou deixar o link na descrição do vídeo, do podcast, quem tá vendo. Mas quem quiser digitar é adolfo.saksida.com. Saksida, bom, você vê ali na thumb, eu não vou ficar também soletrando aqui o nome do nosso ministro. Tem lá todo o histórico dele, lá embaixo você rola, vai estar lá Princípios de Economia E os desafios da inteligência artificial. Aliás, eu tenho um livro seu em casa que você escreveu com o Paulo Guedes. Eu tava na pilha do— eu ainda não— eu tinha separado ele para ler antes da gravação, não deu tempo, mas eu comprei pelo menos.
Obrigado. E chega de ministro, cara. Rei morto, rei posto aqui.
Ué, mas ele falou na apresentação que você pode ser o Paulo Guedes, o Flávio aí.
Tem torcida, pelo menos eu tô sabendo.
E recentemente foi anunciado, até o próprio Flávio falou da Dani, a Daniela Marques, que já passou aqui pelo Market Makers, enfim, teve uma participação importantíssima no governo Paulo Guedes, presidente da Caixa ali, enfim, tocou muita coisa ali dentro do governo. Mas como é que tá o seu momento, embora esse seu trabalho apartidário, Mas a gente sabe do seu vínculo com o governo Bolsonaro, enfim. E como é que tá sua atuação hoje na campanha do Flávio? Se é algo muito mais um conselheiro, enfim, como tá sua atuação hoje?
Não, eu não tenho atuação na campanha do senador Flávio. A campanha é muito bem gerenciada pelo senador Rogério Marinho. A Dani agora tá chegando ali para fortalecer o lado econômico. Então Eu, o que eu sou muito ligado ao presidente Jair Bolsonaro, já declarei voto no senador Flávio Bolsonaro, conta com meu apoio. Se Deus quiser, ele vai ser eleito e vai ajudar a recolocarmos o país no caminho da prosperidade. Mas o trabalho que eu tenho feito não é de campanha, eu não tô bem longe da campanha.
Eu tô preocupado é o seguinte, cara, tá vindo uma onda descomunal por aí. E as pessoas estão tão acostumadas, o lado fiscal, lado fiscal, lado fiscal, que essa onda vai bater de um jeito no Brasil que nós não estamos preparados. Gente, eu acordei hoje, tomei um café da manhã, fiz a mala, peguei o voo para vir aqui para São Paulo, que eu tenho uma série de compromissos. Um terço da população brasileira é incapaz de entender essa frase por escrito. 95% das pessoas que terminam o segundo grau, ensino médio, não tem o nível de matemática que deveriam ter.
Se você perguntar onde está o Brasil no mapamundi, metade dos brasileiros vai errar, vão errar. Desculpe, meus amigos, essa é a nossa realidade. Brasileiro, se tiver que fazer uma conta, 3,2 vezes 5,1 A chance de mais da metade errar é gigantesca. Tá vindo um desafio tecnológico brutal. O brasileiro tá, não tá preparado para isso. A preocupação que eu tenho hoje, honestamente, política educacional, política social e política de qualificação profissional.
Nós temos que integrar urgentemente essas três políticas enquanto ainda dá tempo. Essa revolução tecnológica, ela é mais rápida do que as pessoas estão vendo. Tradutor, diz para mim, alguém usa tradutor ainda hoje? Alguém usa revisor de texto ainda hoje? Tudo a inteligência artificial de maneira gratuita faz para você. Antes era uma dificuldade enorme comprar câmera para o teu laptop. Hoje vem junto o selo. Meus amigos, meu primeiro computador Custou $1.000 em 1994.
Ele tinha 40 MB de Winchester. Cara, olha o que tá acontecendo. O preço do hardware tá caindo e a qualidade tá dando saltos brutais. Isso abre possibilidades incríveis para novos negócios. Eu vi um pessoal aí que eles colocam câmera espalhado pela cidade para checar monitoramento de carro e vende isso para seguradora. Ou seja, tá cheio de ideia boa. Nós temos que dar uma chance para o empreendedor brasileiro. Só que para o empreendedor brasileiro ter sucesso, ele precisa em primeiro lugar existir, coitado.
Eu faço um convite a vocês aqui do Market Makers: eu gostaria que vocês fizessem um programa especial sobre por que que o Bill Gates e o Steve Jobs não nasceram no Brasil. O que que aconteceu? Porque o brasileiro é empreendedor, é inovador, é genial, é trabalhador. Por que que não nasce ninguém assim aqui? Quer minha resposta? Nasceu, só que o Estado brasileiro matou esse cara porque ele abriu uma empresa numa garagem. E aí o fiscal da prefeitura falou: não pode abrir empresa em garagem.
Fecharam a empresa do cara. Aí ele insistiu, aí chegou outro fiscal: e não tem banheiro para homem e mulher aqui. Fechou a garagem do cara de novo. Aí ele chamou uns amigos para trabalhar, aí chegou outro fiscal, dessa vez da Receita, e fechou a empresa de novo do cara porque ele tava pagando por Ações, igual Bill Gates pagava, igual Elon Musk pagou. Só que aqui, se você pagar em stock options, dá um problema danado com a Receita Federal.
Nós não podemos ter um ambiente assim. Eu fui professor na Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Meus alunos tinham empresa. Aqui eu pergunto para as pessoas: onde você se vê daqui 10 anos? A maioria funcionário público. Nada contra, eu sou funcionário público, não tenho nada contra, o maior respeito por funcionário público, mas um país precisa prestigiar empreendedores e o nosso país não tá pronto para isso. O Projeto Brasil é uma chance para isso.
Então é isso que eu tenho me preocupado hoje, eu quero, eu e vários, né, porque tem vários brasileiros trabalhando de graça para isso, tá?
Mas aí uma pergunta direta e reta, porque pô, Gostamos de pessoas com suas ideias independentes e francas para responder perguntas diretas.
E eu respondo, cuidado que você vai perguntar aí.
A gente não, a gente tá indo para direção errada e a gente talvez esteja olhando, a nossa bússola tá mostrando para o norte errado, que é o fiscal. Não que o fiscal não seja um problema, mas tem um problema muito maior que a gente tá simplesmente ignorando ou talvez politizando esse problema, porque o Léo falou da escala 6 por 1. A escala 6 por 1 no ano de eleição virou uma discussão de se você é contra, se você quer o fim da escala 6 por 1, você pensa na sociedade, mas você é de esquerda.
Se você é contra, você é um capitalista e só pensa na direita. Ficou algo totalmente politizado, ninguém tá olhando para o aspecto econômico, que é como a gente deveria ver. Pô, qual o impacto? Será que isso vai aumentar os empregos? Será que, enfim. O que que o nosso governo tá fazendo de certo? O que que o nosso governo tá fazendo de errado? Aí dá para fazer um diagnóstico, porque estamos praticamente aos 45 segundos do tempo do governo que sucedeu o qual você estava.
O que que você acha que foi feito de certo, que eu acho que foi feito de errado?
Então, olha só, quando você tá no governo, o que conta é a convicção. Que governo é o seguinte: se você não fizer nada não dá problema para você. Tô falando sério, não é brincadeira. Você é um funcionário público, se você não faz nada, a chance de dar problema é pequena. Se você começa a fazer, começa a assinar documento, a chance de dar problema depois é enorme. Então, infelizmente, nós temos uma estrutura que a coisa só anda na base de muita convicção.
Então, quando você entra no governo, eu tenho convicção que eu quero um governo pro mercado. É aí que a coisa vai andar. Eu respeito opiniões divergentes, porque de repente eu tô errado. Ninguém sabe exatamente o 100% que é melhor. Você tem, você acredita naquilo. Eu acredito que uma economia liderada pelo setor privado é melhor, mas eu respeito meus colegas que pensam que o governo é o mais importante. Por exemplo, meu orientador de doutorado, o professor João Anílio Teixeira, era um grande pós-keynesiano.
Não tem problema nenhum com essa visão. Então, respondendo a sua pergunta, e aqui sendo bem simplista, política econômica é mais ou menos igual você ir no McDonald's. Você chega lá e pede um combo. Depois que você pediu o combo, meu amigo, acabou. Com muita sorte, você troca o Guaraná pelo suco de uva. O resto você não troca mais. Política econômica você decide no primeiro dia. Você decide assim: para mim, quem comanda economia é o setor privado.
Você decidiu isso na hora, você decidiu. Se o setor privado é que comanda economia, o governo vai gastar mais ou menos? Menos. Porque o governo gastando menos, sobra dinheiro para você abater dívida, cai os juros, sobra dinheiro para você reduzir tributos. Sobra mais dinheiro no bolso de todo mundo, sobra dinheiro para você aumentar o gasto social, que é para ajudar quem tá precisando. Além disso, se é o setor privado que gera o crescimento, que que você vai fazer?
Melhorar os marcos legais para dar mais previsibilidade, mais segurança jurídica, fortalecer investimento privado. Ou seja, você tomou a primeira decisão, o resto é consequência. O governo Jair Bolsonaro tomou essa decisão no dia 1. Era o setor privado que liderava o crescimento, e foi aí a nossa política econômica. O governo Lula tomou uma decisão oposta: é o governo que lidera o crescimento. É claro que nos dois modelos tem espaço para governo e para setor privado, é só quem tem a preponderância.
Quando você escolhe que o governo vai gerar crescimento, você escolhe também que o governo vai gastar mais. Mas se o governo vai gastar mais, ele vai tributar Mais. Então eu respeito essa escolha, eu discordo, mas eu respeito. E o governo do Lula foi consistente nesse ponto, ele gastou mais e tributou mais. Então a política econômica tava consistente, só que no meio de 2025 a política econômica descolou da economia política. O que que eu quero dizer?
No primeiro ano você gastava mais e o Congresso apoiou o aumento de impostos. No segundo ano aumentou, apoiou. No terceiro ano o Congresso falou: chega, não tem mais aumento de imposto. Nesse momento você começou a ter problemas na economia, que era o quê? Como o governo tava gastando muito e já não conseguia mais aprovar aumento de imposto, você começou a ter um crescimento abrupto e muito rápido da dívida pública. E aí é que você tá gerando essa série grande de problemas.
Então eu discordo da política econômica do presidente Lula, mas nesses primeiros 2 anos eles conseguiram aumentar gasto e tributo. Agora, do ano passado para cá, as coisas começaram a dar muito errado, que eles não conseguem mais aumentar tributo. Que que você devia ter feito? Devia ter segurado o gasto, e eles não fizeram. Então isso eu acho um erro. Outro erro, eu acho que é um governo que não tá insistindo tanto na agenda microeconômica.
Cara, agenda microeconômica, ela é a parte da área. Vamos melhorar as garantias, cara, não tem esquerda e direita nisso. Eu vou melhorar o mercado de crédito para reduzir juros, não tem esquerda e direita nisso. Então a microeconomia, ela é a parte da área. Então eu acho que o governo Lula falhou em não insistir tanto nessa agenda, que aliás estava pronta, ele só tinha que ter dado sequência. E eu acho que ele não deu a sequência na magnitude que precisava. Tô falando de economia, né, o que eu vejo de economia.
Tem uma coisa que o Ministro Paulo Guedes falava bastante, eu sei que o senhor defende também, que é a coisa da desestatização do crédito. Acho que na gestão do Ministro Guedes algumas coisas foram tomadas, algumas iniciativas foram tomadas nesse sentido, mas inclusive o Projeto Brasil fala sobre isso. É, e tem espaço para avançar, para colocar mais o crédito na mão do setor privado e tirar isso da mão do governo, né?
Eu acho fundamental. De novo, quando o governo Lula escolheu que o setor público gera crescimento, na hora ele escolheu que banco público vai ter que entrar na parada. Por quê? Porque banco privado não vai investir em lugar que ele não acredita. Isso pode dar certo, você vai encontrar exemplos no mundo que deu certo, não vou entrar nesse mérito, mas não é no que eu acredito. O que eu acredito é em corrigir má alocação de recursos.
E quando você deixa o governo escolher quem é o vencedor, inevitavelmente você vai levar dinheiro para o lugar que você não deve, e isso vai gerar um grande problema na economia. Então, o que que é desestatização do crédito? Isso é uma coisa legal, porque a maior parte desse trabalho é feito resolução do Conselho Monetário Nacional. Ou seja, são decisões infralegais que você consegue diminuir a eficiência, você melhora a eficiência alocativa do crédito.
Deixa eu dar um exemplo aqui. Plano Safra, você vai direcionar um dinheiro, aí tava lá, eu vou usar um exemplo caricatural, tá, mas para todo mundo poder entender. Plano Safra, esse dinheiro é para plantar mandioca, mas não é apenas a mandioca, é a mandioca tipo tal. 'Não é apenas a mandioca tipo tal, é a mandioca tipo tal produzida de tal maneira.' Ô, meu amigo, libera logo o dinheiro para o plano safra, deixa o cara usar do jeito que ele quer.
Então essas coisas, você continua mantendo o crédito direcionado, mas pelo menos aumenta a eficiência alocativa dele. Então várias dessas coisas dá para fazer via Conselho Monetário Nacional.
Eu só voltando para minha pergunta, que eu fiquei com uma curiosidade sobre como é que você viu a mudança. Mudança vai ser uma palavra muito forte, mas uma parte do mercado financeiro, do, de quem apoiou o Bolsonaro em 2018, apoiou Lula em 22. E como você mesmo disse, o Lula foi consistente no que ele ia fazer. Como é que você viu essa parte? Que, pô, como foi uma eleição muito no detalhe, né, pode ter sido determinante até para o resultado da eleição, né?
Enfim, mas te surpreendeu de uma certa forma? Pô, com base em tudo que a gente fez no governo Bolsonaro, ainda teve gente que preferiu dar um voto de confiança para alguém que certamente não ia seguir a mesma política econômica. Ou faz parte da política? Enfim, como é que você encarou isso?
Bom, primeiro eu vou repetir o que eu falei para um grupo de liberais em 2022. Olha só, vocês estão dizendo que não vão votar no Bolsonaro porque ele não respeitou o teto em 100%, porque ele não privatizou todas as empresas. Mas para não fazer isso, vocês vão votar em alguém que tá dizendo que não vai respeitar em nada o teto e não vai privatizar empresa nenhuma. Não faz o menor sentido que vocês estão falando. Aí eles ficaram olhando para mim sem falar nada.
Agora, é da vida, é da vida. Tem gente que não gosta. Olha só, democracia é mais do que economia. As pessoas votam por questões econômicas, morais, sociais. Eu acho o seguinte, e aqui eu vou ser bem direto aqui para não perder a viagem, Eu acho que o setor financeiro, ele esperava ganhar mais com Lula do que com a gente e votou no Lula. Porque falar que a política econômica que o Lula tava dizendo era melhor que a nossa não é verdade, isso não é verdade, isso não tem a menor, a menor sombra de dúvida.
Aí você encontra o argumento que você quer usar. Outra coisa, muita gente não tem Quando você tá num grupo, você quer seguir os líderes do grupo. E os líderes do grupo do setor financeiro foram contra a gente, vários deles. E aí o cara que tá lá embaixo não vai brigar com quem tá lá em cima. Aí você fala: por que que eles fizeram isso? É, cada um vai escolher o seu motivo, ou porque eles queriam ganhar mais, ou porque ficaram com medo do Bolsonaro.
Ou porque ficaram com medo da perda de poder, ou porque simplesmente eles achavam que o Lula ia ser um modelo melhor. Por exemplo, eu vi uma entrevista de um cara agora, não vou dar o nome dele, dizendo que é melhor votar no Lula hoje do que votar no outro, porque o Lula não representa risco à democracia. Então assim, o que eu vejo é que algumas pessoas já estão compradas no argumento e estão procurando uma maneira de se justificar.
Respeito, fiquem com Deus, Deus abençoe. Agora, eu espero convencer as pessoas de que eleger Lula vai ser um risco enorme para nosso país. Eu vejo várias pessoas: ah, 2030 a gente corrige. Meu amigo, daqui até 2030, o caminho é longo. Vou ser bem direto aqui: boa parte dos juros do Tesouro tá descolando É porque a probabilidade do Lula ganhar aumentou e as pessoas já estão cobrando um juros maior. Alguém acha que o Lula vai mudar a política econômica?
Pô, eu vi até um cara que eu respeito, pô, o cara dá uma entrevista dizendo: não, agora dessa vez o Lula vai fazer um ajuste fiscal se ele ganhar a eleição. Pelo amor de Deus, cara, me engana que eu gosto. Não vai, não vai. Agora Vamos ser honesto, cada um aqui. Você tá, você tá em que posição em dólar? Vamos ser honesto, você tá dando esse conselho, explicita a tua posição para mim que eu quero saber. Você virar para mim hoje e falar que se o Lula ganhar a eleição vai fazer um ajuste fiscal, que conversa é essa?
É outra conversa telepática? É isso? É outra brincadeira? Nós temos que ter responsabilidade, cara. Você fala assim: Adolfo, mas você apoiou o Bolsonaro. Apoiei. E o Bolsonaro foi um risco à democracia. Que risco, cara? Respeitou tudo, coisa nenhuma. Foi risco à lobby. Isso foi, falo para você. Eu era secretário de Política Econômica. 110 bilhões de reais de FGTS liberado. DPVAT, acabamos. Cartório, maior movimento de modernização de cartório do país.
Um monte de lobby ficou bravo com a gente. 95% das empresas brasileiras não precisam mais publicar balanço em jornal. O cara ficar bravo comigo. Agora, dizer que a gente for risco na democracia, não, nada disso. E aqui, ó, é o seguinte: você quer votar no Lula, vota, mas vota porque você acredita. Você não precisa me diminuir, você não precisa fazer isso, que é isso no Brasil que tá machucando. O cara diz assim: ah, você, eu não voto no cara porque o cara é tal coisa.
Pô, bicho, espera aí, você não precisa me diminuir não. Você acredita no Lula, vota nele. Eu acredito que a direita vai ganhar essa eleição e nós vamos colocar o país nos trilhos. Agora, você quer me— eu acho errado você me ofender por isso. E é isso que tá acontecendo no Brasil. Desculpa o desabafo aí.
Não, não, aqui é o lugar para isso. Aqui é o lugar para isso mesmo. Quer puxar mais alguma, Léo? Por favor.
Eu ia fazer um paralelo com outro governo aí, mas eu queria até de levinho sair da economia um minuto, mas é porque o O Adolfo colocou no X uma frase esses dias que eu salvei, porque falei: ah, isso aqui é legal para a gente comentar.
O X é o antigo Twitter, né? É, o antigo Twitter, isso.
Que é: você disse que o crime no Brasil hoje não depende mais do ato, mas de quem o pratica, né? Que é um pensamento que eu acho que permeia a população brasileira ao longo de muitas décadas, inclusive em relação à classe política, que muito se falou no Brasil, que olha, políticos recebem mais benevolência da justiça do que as pessoas comuns. Minha pergunta é se esse é um problema que hoje você vê concentrado no Supremo, ou se esse é um problema que é da justiça brasileira e que a gente acaba enxergando agora com muita evidência porque ele tá refletido na Suprema Corte.
Não, olha só, nós enquanto sociedade nós temos que ser muito honesto num ponto. Dá para qualquer juiz do país ter uma interpretação própria da lei. O nosso ordenamento jurídico permite isso, cara. Isso tá gerando uma insegurança. Quando eu vou dar um exemplo aqui, market makers em primeira mão, vamos ver se o ouvinte, se o telespectador de vocês vai acertar essa pergunta. Quando eu fui ministro de Minas e Energia, qual foi a formação acadêmica do secretário de energia elétrica.
O que que você imagina? Um PhD pelo MIT em engenharia? É isso que você tá imaginando? Errou! Eu contratei um advogado da USP, porque problema no setor elétrico hoje é tudo justiça, é tudo vai parar na justiça, cara. Não dá para um país ser assim. Não dá para você fazer uma licitação, levar 10 anos para resolver aquilo. Uma das maiores conquistas quando eu fui ministro de Minas e Energia foi resolver o problema Linhão-Manaus-Boa Vista.
Tava há 11 anos parado na justiça. Há 11 anos você tinha uma cidade brasileira que não tava ligado ao sistema nacional. Você vai fazer um grande empreendimento no Brasil hoje, achou ouro, tá aqui, ó, você achou ouro no seu terreno. Entre você achar ouro e começar a produção, 14 anos. Tem como dar certo? Então o problema que nós temos hoje no Brasil é que por interpretações expansivas da justiça, você hoje, se o Ministério Público e um juiz param qualquer obra nesse país— o comentário específico que eu fiz refere-se com todo respeito ao STF.
E qual é o comentário completo? Comentário completo é o seguinte: Se eu falar que o STF deu um golpe de estado no Brasil junto com Congresso Nacional, isso não é crime. Agora, se eu falar que o STF deu um golpe no Brasil, aí é crime. Deixa eu explicar para vocês. Quem? O Lula, presidente Lula, numa cerimônia oficial do Palácio do Planalto em Brasília, disse com todas as letras que o impeachment de Dilma foi golpe. O impeachment de Dilma foi feito pelo Congresso Nacional junto com STF.
Eu nunca vi ele responder processo por isso. Agora, você dizer que o STF deu um golpe nas eleições do Bolsonaro, não, aí é crime. Rapaz, nós temos que parar com isso, tá errado. Nós não podemos ficar criminalizando opinião do jeito que nós estamos, não. Eu fico vendo hoje, é, soltaram um traficante, esqueci quem que era, esqueci o nome, soltaram o traficante. O cara é preso, ele é solto na audiência de custódia, 24 horas tá solto.
Tem bandido aí que passa 10 vezes pela polícia, 10 vezes é solto. Aí você abre o jornal, o comediante tá preso que fez uma piada. Ah, essa brincadeira! É esse o país que nós queremos? Eu vou adiantar, não é o país que eu quero. E é, nós estamos, na minha leitura, nós estamos indo nesse caminho.
Você acha que o próximo governo, seja ele qual for, um governo de direita ou de esquerda, vai ter apoio suficiente para fazer, como é que eu vou chamar, mas talvez uma retomada do protagonismo do Poder Executivo?
Do Executivo, eu não sei, não sei dizer. Eu, até porque eu também não gosto tanto de protagonismo de governo não, tá? Eu gosto de protagonismo do setor privado. O que eu acho que nós precisamos é de menos interpretações expansivas da justiça. Não dá para— olha só, vou dar um exemplo aqui que me chocou. Um casal tava educando os filhos em casa, pô, 50 dias de cana. Aí você vai ver as meninas, cara, uma educação enorme. O juiz, na decisão do juiz, disse que os pais, ao darem o homeschooling para elas, cercearam as meninas do direito de conhecer o funk.
Pô, você tá de brincadeira, cara! Você tá de brincadeira! Uma juíza inocentou uma mãe que viu o filho morrer. Você tá de brincadeira comigo? Essas pessoas têm que ser imediatamente suspensas e as decisões passadas delas têm que ser revistas, porque é nítido que elas não têm condição de dar essas decisões. O que eu tô falando para vocês é de coração. Não é que eu quero— olha só, não quero revolução nenhuma não, mas eu quero um país onde o mínimo do sentido, as coisas façam sentido.
Você não pode soltar tanto marginal E ao mesmo tempo ficar preocupado com o comediante. É minha opinião.
E você tava falando do Twitter do ministro Adolfo. Desculpa, desculpa. Tem muita coisa interessante lá, você é muito vocal lá, né? Enfim, tava até em algumas coisas, fui relembrando, né? Você compartilhou, por exemplo, a coluna do Fernando Schiller falando que a história do empresário condenado a 14 anos por um Pix de R$500 pode nos ensinar sobre o Brasil. Enfim, fala muito sobre essa, essa mais do que a intromissão, mas é a incerteza, né?
Você não sabe se o que você faz vai passar desapercebido, você vai tomar uma cana de 15 anos. É uma diferença muito brusca, né, entre o zero e um.
Então deixa eu usar esse exemplo do Schiller. Vamos supor que você é torcedor do Londrina Esporte Clube como eu. O Londrina começa a avançar na Copa do Brasil, aí vai jogar no Rio de Janeiro contra o Flamengo. Aí alguém chega lá: Adolfo, a torcida do Londrina tá fazendo uma vaquinha para poder ir, você não contribui com R$100 para a gente poder alugar um ônibus? Aí você dá R$100 para alugar o ônibus do Londrina. Aí chega no Rio de Janeiro, tem um quebra-quebra, aí um juiz disse: você financiou o quebra-quebra.
Pelo amor de Deus, não faz sentido isso, que é a coluna do Schiller. Não faz sentido, sabe? Enquanto na ação Nós temos, é por isso que eu defendo uma anistia ampla, geral e restrita. Nós não podemos continuar nesse nível de coisas. Isso não vai ficar bom para absolutamente ninguém, independente quem ganhar a eleição, porque você tá pegando um país e tá criando rupturas nele. Eu não acho que é assim que se faz uma nação forte.
É, Adolfo, queria que você falasse um pouco sobre um um caso que a gente tem vivido nos nossos vizinhos, né? Porque se a gente tomou uma decisão que nos levou para um lado, a Argentina tomou a decisão que tem ido para o outro. Você até usou o Millet como exemplo, né, do primeiro dia, né, deixar bem claro que eu vou fazer. E como é que você tá vendo essa experiência num país tão próximo do nosso, que dá para dizer que estruturalmente eles tinham problemas bem maiores que os nossos, porque foi por muito mais tempo.
E parece que as coisas estão— eu não vou usar o termo melhorar para não gerar um debate ali nos comentários do vídeo, mas a proposta que ele abraçou também foi abraçada pela população, e isso está andando. Pelo menos o plano dele está sendo executado aí dia após dia. Enfim, como é que você tem visto essa experiência liberal na Argentina.
Ah, fico feliz para caramba, cara. Eu adoro quando você cumpre o que você promete. Milley prometeu isso durante a campanha e tá fazendo. Verdade seja dita, o Lula, mesma coisa, né? Ele prometeu que não ia privatizar, ele prometeu que não ia respeitar o teto de gastos. Eu acho estranho alguém se surpreender com isso, né? Ele cumpriu o que falou que ia fazer. Sobre a Argentina, eu fico feliz. Porque é nítido que tá melhorando. Quem vai dizer que não tá melhorando, me desculpa, eu tô acompanhando a situação lá, tá melhorando.
Ah, mas não tá bom, meu amigo. A situação na Argentina tava horrorosa, é por isso que tá demorando para melhorar. Agora, dado que tava, é nítido que teve um crescimento, um melhor de padrão. Agora, trazendo essa discussão para o Brasil, eu acho que aqui não precisa. Eu acho que a situação no Brasil ela não está tão tensa assim para você ter que ter medidas tão duras igual o Millet teve. E aqui meu lado conservador fala muito alto, sabe?
É melhor a gente devagarzinho, passo a passo, na direção correta, do que dar um grande salto. E aqui eu vou citar um dos maiores filósofos que eu conheço, né, é Rock Balboa. Então vocês aí que estão me assistindo Assistam Rocky, o Lutador, foi gravado em 1976 na Filadélfia. Aí você vai ver o Sylvester Stallone, né, ele tá andando lá, cara, tudo sujo, cara, um monte de vagabundo na rua, gente bebendo, embriagada, um negócio que dá medo.
Aí você sai desse filme e vai assistir Rocky Balboa, gravado em 2006 na Filadélfia, ou seja, 30 anos depois. Cara, é outro país, é outro mundo. 30 anos depois, tomando as medidas corretas, é outro mundo. Se você não gosta desse filósofo, te convido a conhecer outro filósofo, Charles Bronson, Desejo de Matar, 1970, em Nova York. Vê o que que era Nova York em 1970. Tem um filme real sobre um policial de Nova York que ele falava assim: É o corrupto que tem que ter vergonha do policial honesto, não é o contrário, não.
Tão ruim que tava a situação da polícia em Nova York em 1970. Você vai nos anos 2000 em Nova York, é outro país. Um país, gente, melhora quando decisões corretas são tomadas de maneira contínua ao longo do tempo e decisões erradas são corrigidas. É assim. E o Brasil, ele tá pronto para isso. Nós vamos corrigir o cilado fiscal em 1 ano e meio. E a hora que nós corrigimos o lado fiscal, esse— olha, invistam no Brasil, market makers, começa a ajudar aí, invistam no Brasil.
Eu vou dizer as áreas que vai dar dinheiro para caramba nesse país. Agro, assim que nós melhorarmos os instrumentos de crédito do agro e aproximarmos a Faria Lima do campo, vocês vão ver o salto do agro. Segundo, mineração. Rapaz, dá para dobrar mineração no Brasil em 4 anos e usando padrão do Canadá, hein? Vamos usar a legislação canadense, respeito ao meio ambiente, respeito à população local, só para melhorando os marcos legais.
Vamos dobrar a participação da mineração no PIB. Que a outra área, energia elétrica, precisa, bicho, o mundo precisa de energia. Nós vamos corrigir o setor elétrico brasileiro Vai dar um salto isso aqui. Que é outra área: crédito. Cara, legislação de crédito no Brasil não é boa, verdade é essa. Se você empresta o dinheiro para alguém, ele não paga, a tua chance é receber 18 centavos por dólar emprestado. No mundo essa média é 32, em países desenvolvidos acima de 80.
Tá na cara que a legislação de garantias aqui tá errada. Nós temos que aprimorar a legislação de garantias. Cara, com um pouquinho de paciência e sem uma pandemia no meio como nós tivemos, nós vamos transformar esse país, pode apostar. Nós só temos que ganhar a eleição.
Mas lembrando que ganhar a eleição, mas você não está no governo.
Mas é a ideia que eu defendo tão.
Eu sei, eu estou só brincando com a sua posição, mas sim, ficou bem claro É, falar nisso, você quer fazer uma última pergunta? Porque como o Adolfo falou, ele veio da— você veio de Londrina direto para cá, Brasília, desculpa, e veio direto para cá porque tem compromissos e fez uma exceção, né? Não é um rosto que você costuma ver muito em podcast, então a gente fica bem feliz. Então a gente fica ainda mais honrado. Então eu vou querer Faz uma última, faz uma última aí, se ele perdeu o compromisso aí que nunca mais volta.
Não, não, precisamos que ele volte mais vezes. Adolfo, lendo o Projeto Brasil, você faz um desenho de ministérios com 25 pastas. Queria entender se você ainda não acha que 25 é muito e por que esse desenho.
Bom, quando você vê que nos Estados Unidos são 15, é evidente que 25 é muito no Brasil, mas hoje são 39. E então assim, dada, para não ter um choque muito grande, para respeitar toda a diversidade necessária, eu acho que 25 fica de bom tamanho e possibilita uma estrutura muito mais eficiente. Algumas pessoas perguntam: pô, não dava para fazer 20? Dava. Agora, eu acho que mais importante do que o número É a direção. E o que que é a direção?
Setor público não pode ser tão pesado. Você não pode levar 7 anos para abrir uma empresa numa cidade. Eu dei o exemplo do ouro. Deixa eu dar um exemplo aqui. Uma grande magazine, uma grande loja, ela vai numa cidade, na maior parte das cidades brasileiras, entre a— eu escolhi tal cidade, entre essa escolha e a loja abrir, 7 anos só para conseguir as autorizações. É esse país que a gente quer? Então o desenho com 25 ministérios é muito mais uma sinalização nesse sentido.
Gente, dá para fazer, dá para a gente ser menos pesado para o trabalhador brasileiro. Vamos tentar ser mais ágil, vamos usar tecnologia no governo. Tem que dar para usar, nós já estamos usando, mas dá para usar muito mais. Então é muito mais nesse sentido.
Bom, Adolfo, a gente tem um ping-pong no final com todos os convidados. Já quero agradecer antecipadamente. Obrigado por ter vindo.
O Projeto Brasil, só mandar para a gente contato@bmakers.com.br que a gente manda o PDF, tá bem legal.
E deixamos o link do adolfo.sacceda.com para vocês irem lá baixar o livro dele. Como ele disse, é de graça, mas quem quiser fazer uma doação para a Igreja São Charbel em Brasília Igreja São Charbel em Brasília, você pode fazer a doação. E vamos lá para o ping-pong, a gente quer saber livros, música, convidado, gentileza, tudo que embala o nosso convidado. Começar pelos livros, eu peço sempre dois: um livro técnico e um livro tema livre. Qual a recomendação?
Livro técnico que eu mais gostei na minha vida é O Caminho da Servidão, do Hayek, para mim fundamental, que tem o melhor capítulo que eu já li no livro. Que é o capítulo 10, explicando por que os piores chegam ao poder quando você tem uma economia centralizada.
Então já vou pular para esse capítulo, porque esse, sabe que eu tenho uma biblioteca em casa, ela é maravilhosa, é 10% eu li, 90% eu não li, e aí fica lá uma, então esse aqui já vou passar na frente ali para ler só o capítulo 10, pelo menos para já a indicação, Caminho da Servidão de Hayek. E O livro tema livre.
O livro que mais me impactou foi O Grande Divórcio, de C.S. Lewis. Um livro que me tocou de uma maneira assim impressionante. Sentiu o baque, viu?
Não, esse livro é sensacional.
Ele inclusive tem uma definição muito bacana do que é o mal, né? É o vazio. Bom, vale a pena. Eu acho que C.S. Lewis é um dos maiores autores que eu já li.
Muito bom. Conhecedor, o Léo lê.
Eu sou um grande fã.
Eu vou parar de chamar de Léo, é Lepo.
É, pessoal chama de Léo.
Foi mal, eu tô muito formal hoje. É o Lepo.
Cara, C.S. Lewis é sensacional. Tem um outro livro dele que chama Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz. É sensacional, sensacional, vale muito a pena.
Sabe que ele tem um livro escrito e é muito bom, tá?
Manda para mim, pô.
Vou mandar, vou mandar. Olha que honra, você lê meu livro.
Eu brinco, é o Dostoiévski, do Piniquim, Dostoiévski da ZN. Você é da ZN, né? Da ZN, lógico.
Tá aí, o Dostoiévski me tocou brutalmente, uma coisa chamada Crime e Castigo.
Ah não, esse aí é o livro da minha vida.
Mas é que tá, é o conflito da alma. Parece que nós estamos perdendo isso, cara. Existe uma diferença entre o certo e o errado. Nós temos que entender isso.
Esse livro é uma reflexão. Bom, vamos lá, uma música e por que essa música.
My Way de Frank Sinatra.
Essa é a música mais pedida, indicada. Por que My Way?
É um momento muito difícil em Londrina e na época para você fazer prova da Ampec do mestrado, né, para você ir para o mestrado em economia, eu tava terminando a minha graduação em economia Eu sou graduado em Direito também, mas na época eu tava terminando minha graduação em Economia. Para você ir para o mestrado em Economia, você tinha que fazer a prova da Ampec, e ela só tinha em capitais, e eu trabalhava. Então eu achei que a prova era no sábado, a prova ia ser em Curitiba.
Aí na terça-feira à noite me avisaram que a prova ia ser na quarta de manhã. Falei: pô, perdi a prova, né? Aí eu fui deitar, e aí veio essa música na minha cabeça. Pô, faz seu caminho, cara. Tuck the blows, aguenta as pancadas. Aí pedi, minha família ligou para rodoviária, peguei a última passagem, quase perdi meu emprego, tive que faltar, eram 2 dias de prova, mas graças a Deus passei no mestrado e tô aí.
Que maravilha, que legal! Aliás, já que estamos em clima de Copa do Mundo, você viu essa música na propaganda da Kazé TV?
Não vi.
Eles mostram o começo do Kazé, ele fala em algum momento uma transmissão dele no passado, fala do sonho que ele tinha de transmitir uma Copa do Mundo do meu jeito. E aí vai tocando essa música, mostrando, tipo, incrível. Aliás, parabéns para transmissão.
É uma música tão boa que ela cabe no contexto mais diverso da vida de várias pessoas, né? De tudo que a gente já ouviu aqui, assim, acho que Desde que eu tô sentado aqui, já ouvi umas 5 vezes.
Já ouviu de Pedro Cerisi, um dos gestores mais intensos do mercado financeiro. Simone Tebet também, quando veio aqui. Agora o Adolfo. Teve muita gente, umas 10 pessoas. O Murilo Ribeiro tá me devendo a lista de todas as pessoas que indicaram MyWay no final do episódio. Um convidado que você gostaria de ver aqui no seu lugar? Tendo uma prosa com a gente?
Cara, o cara mais bom de papo é o Paulo Guedes, que eu conheço.
Olha, assim como o My Way, Paulo Guedes também já foi muito indicado. Ele anda um pouco recluso, mas talvez se você falar: olha, Paulo, tive uma experiência boa ali com os meninos do Market Makers, quem sabe ele se sensibiliza.
Mas ele é bom de papo, vale a pena.
E por último, mas não menos importante, qual a maior gentileza que já foi feita na vida de Adolfo Saxida?
Foi uma pessoa que faleceu recentemente, chamado João Sabeck. Ele comprou um computador para mim e com esse computador eu consegui trabalhar. Era uma época que meu pai teve um AVC, nós ficamos muito pobre mesmo, pobre mesmo, cara. Pessoas falam que pobre anda de ônibus, pô, só fala isso aí quem nunca foi pobre. Pobre anda a pé, cara. Andar de ônibus é uma melhora. A gente era muito pobre. E ele me deu um computador, e com a graça de Deus, com esse computador eu conseguia trabalhar em casa.
Eu estudava, eu trabalhava, eu estudava à noite, né? Mas durante o dia eu tinha um emprego. Aí minha irmã digitava trabalho durante o dia, eu estudava à noite, trabalhava de dia, e de madrugada eu digitava. E com esse dinheiro a gente conseguiu se virar por um bom tempo. Então, em memória de Sabeck aí, obrigado, foi fundamental.
Que legal, muito bom, muito bom. Desse jeito, quer, posso liberar o homem? Vamos embora, que ele tem seus compromissos.
Eu queria deixar uma mensagem, posso?
Por favor, claro.
Olha, agradeço demais ao Market Makers, mas muitos brasileiros vão para Fátima por causa das aparições de Nossa Senhora. Pouca gente sabe, mas tem relato de aparição de Nossa Senhora no distrito de Simbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco, em 1936, 37. Duas meninas estavam fugindo de Lampião com medo de serem estupradas, e Nossa Senhora aparece para elas como a protegê-las. Isso aconteceu em Simbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco. Fica o convite para vocês conhecerem. Fiquem com Deus.
Simbres. Então já que eu vou aproveitar esse minutinho, você é um liberal que fala muito sobre, fala de religião em várias das suas postagens, da igreja que até você dedica a doação, enfim, o quanto a religião, fala um pouco dessa conexão da religião na sua vida, na vida de um liberal, porque muitas vezes as pessoas falam, não, liberal é liberal total de costumes, a economia, enfim. Mas você é um liberal na economia, mas conservador nos costumes, e tem todo— conta um pouco dessa importância da religião na sua vida.
Contar uma história real então, melhor do que qualquer isso, real, concreto. Cara, para algumas pessoas foi fácil chegar na alta administração pública. Para mim não foi, cara. A minha vida toda eu me preparei para ser secretário de política econômica. Ser ministro de Minas e Energia foi consequência. Do acaso, mas secretário de política econômica me preparei. Quando eu virei secretário de política econômica, cara, foi um sonho, que aquilo ali era a posição que eu sempre sonhei, pô, é porque é uma posição técnica, um alto nível, muito alto.
Aí quando veio a pandemia e eu comecei a olhar os dados, 98% de queda na produção de veículo, em 14 dias metade da população residente em favela começaria a passar fome. Cara, eu falei: Deus do céu, agora que eu virei secretário vai quebrar o país na minha mão, cara. Pô, Deus, pelo amor de Deus, ajuda aí. Aí eu comecei a acordar 5 horas da manhã e caminhar e rezar e falar: Deus, ajuda, pelo amor de Deus. Engraçado que uma vez eu tava andando num lugar escuro para caramba, passa um cara por mim: "Saxida, vai dar certo." Fiquei assim.
Aí um dia veio a ideia do FGTS: pega o dinheiro do PIS para ZEP, coloca no fundo do FGTS, isso vai dar liquidez para você liberar 37 bi. Pô, na hora veio disso. E as coisas foram indo, foram indo, e graças a Deus as medidas deram certo. Aí quando chegou 2 de novembro, 1 de novembro, eu nunca fui de beber bebida assim destilado, mas eu sempre gostei de cerveja. Eu falei: ah, Deus, ó, ajuda aí. Eu nunca mais encosto bebida alcoólica na minha vida, mas nos ajuda a sair dessa.
Até hoje eu nunca mais bebo e só tenho a agradecer. E cara, como foi difícil esse momento! As pessoas não têm noção do que que você chegar no ministério, metade da tua equipe ter ido embora para casa, e você tem que mandar um monte de gente embora. Eu falei, pô, ah, cara, o que que eu preciso das minhas equipes aqui? Como você quer ir para casa? Quem é que vai liberar? O Brasil é o seguinte, meu amigo, Merenda em colégio, não podia entregar merenda a não ser que tivesse uma lei permitindo que você entregasse cesta básica.
Não podia. Graças a Deus, uma moça, já faleceu essa moça, foi ela que deu essa ideia, liberamos para os municípios poder entregar aquela merenda já comprada como cesta básica. Crédito, pô, se você não tem a equipe tua trabalhando lá, que que você ia fazer? Então desperta um lado ruim seu também, porque você sabe que as pessoas não estão sob pressão, mas você tem que pressionar mais ainda porque as medidas têm que sair. O país está dependendo daquelas medidas, cara.
Entre você decretar pandemia no mundo, que é o MS decretou, e chegar o primeiro pagamento do auxílio emergencial, levou menos de 30 dias. Pô, isso é um trabalho descomunal, isso não é algo trivial, sabe? Então foi muito, muito difícil. E nesse momento, cara, por mim, foi a mão de Deus, porque a chance das coisas darem errado eram gigantescas. Testemunho meu.
Obrigado pelo testemunho, obrigado pela aula que você compartilhou aqui com a gente. Boa sorte nos seus compromissos e, bom, Sports Market Makers estão sempre abertos quando você quiser voltar. Agora tá ficando menos tímido, então pode aparecer aqui, vai ser muito bem-vindo. Obrigado, Adolfo.
Fiquem com Deus, parabéns pelo trabalho, pessoal.
Valeu, Leopoldo, valeu demais, sempre brilhando aqui.
Valeu, obrigado mais uma vez.
Você que viu até o final já sabe, né? Joinha no vídeo, se inscreve no canal. São mais de 7 milhões de pessoas impactadas pelo Market Makers todo mês. A gente quer chegar em cada vez mais pessoas, então ajude a gente compartilhando e se inscrevendo no canal. Toda terça, quinta e domingo, 18 horas, eu estou aqui desse lado, acompanhado ou não, mas sempre com alguém muito mais interessante, inteligente do que nós, do outro lado da bancada compartilhando conhecimento. Até a próxima e tchau!
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