Episódios de Market Makers

#379 | O PLANO PARA ENFRENTAR O CRIME ORGANIZADO

25 de junho de 20262h1min
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O Brasil perdeu o controle sobre o crime organizado?Guilherme Derrite, deputado federal, ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado, vai ao Market Makers para discutir o avanço do PCC, do Comando Vermelho e das facções que transformaram segurança pública em um dos maiores riscos institucionais do país.Com Thiago Salomão e Leopoldo Rosa, Derrite explica sua visão sobre a classificação de PCC e CV pelos Estados Unidos, tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, Porto de Santos, Cracolândia, Baixada Santista, sistema prisional, audiência de custódia, saidinha e a necessidade — segundo ele — de uma nova legislação contra o crime organizado.No episódio, também discutimos:• O crime organizado como atividade econômica;• Como facções usam empresas e CNPJs para lavar dinheiro;• O papel da inteligência, tecnologia e integração entre polícias;• O que mudou na segurança pública de São Paulo;• Lei Antifacção, Senado, STF e eleições de 2026;• Por que Derrite defende que “bandido bom é bandido preso”.Qual é a medida mais urgente para enfrentar o crime organizado no Brasil: endurecer penas, atacar o dinheiro, reforçar inteligência ou retomar territórios?Abra sua conta na Binance: https://binance.onelink.me/y874/MMAkersConfira as OFERTAS da Kian: https://oferta.kian.com.br/campanha-marketmakers📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -GUILHERME DERRITE | Market Makers #379Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers) e Leopoldo Rosa (COO do Market Makers)Convidado: Guilherme Derrite (Pré-candidato a Senador por SP)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#DERRITE #CRIMEORGANIZADO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio3
T

Thiago Salomão

HostJornalista
L

Leopoldo Rosa

Co-hostJornalista
G

Guilherme Derrite

ConvidadoDeputado Federal, ex-Secretário da Segurança Pública de São Paulo, pré-candidato ao Senado
Assuntos15
  • O crime compensa?Custo do crime · Risco-retorno · Trabalho prisional
  • Outras frentes de combate ao crimeReforma legislativa · Lei Antifacção · Perda alargada de bens · Medidas assecuratórias · Redução da maioridade penal
  • Operação Carbono OcultoOperação Carbono Oculto · PCC · Lavagem de dinheiro · Ação civil independente · Perdimento de bens
  • Politica CarcerariaPorta giratória · Audiência de custódia · Reincidência criminal · Lei Antifacção · Saidinha temporária
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasPCC e Comando Vermelho · Estados Unidos · Tráfico internacional de drogas · Cooperação internacional · Governo Trump
  • Soberania nacionalTerritórios dominados pelo crime · Retomada territorial · Soberania nacional
  • Segurança pública em São PauloMuralha Paulista · Operação Escudo · Baixada Santista · Porto de Santos · Violência contra a mulher · Tornozeleira eletrônica
  • Gestão de Dinheiro e PoupançaOperação Downtown · CNPJ · Lavagem de dinheiro · Favela do Moinho · PCC
  • Classificacao Faccoes TerroristasMilícias · Lei Antifacção · Domínio territorial · Terror
  • Eleições 2026 e candidatura ao SenadoPré-candidatura ao Senado · Tarcísio de Freitas · Flávio Bolsonaro · Impeachment de ministros do STF
  • Indicadores de segurança públicaHomicídios por 100 mil habitantes · Roubos · Latrocínio · Roubo de carga · Letalidade policial
  • Participação de Convidados NotáveisRonaldo Fenômeno · Superação · Projetos sociais
  • Candidatura ao Senado e desconhecimento popularVoto para senador · Impeachment de ministros do STF · Campanha eleitoral
  • Gentilezas e féCoronel Telhado · Bolsa de estudos · Esposa · Catolicismo
  • El Salvador e combate à violênciaNayib Bukele · País mais violento do mundo · Prisões de segurança máxima
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GDGuilherme Derrite

Eu faço a seguinte pergunta: qual soberania nacional? O Brasil, lamentavelmente, é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, só perde para os Estados Unidos.

LRLeopoldo Rosa

Guilherme de Ritchie, ex-secretário de Segurança de São Paulo, pré-candidato ao Senado, passou 15 anos na Polícia Militar de São Paulo, foi capitão da Rota e hoje é a voz mais influente da direita no debate sobre segurança pública no país.

GDGuilherme Derrite

Crime é uma atividade econômica como outra qualquer, e nos países Onde a criminalidade e a violência é muito alta é porque o custo do crime é muito baixo. Lembra das antigas portas giratórias dos bancos? O sistema prisional no Brasil é uma porta giratória. A polícia prende e o criminoso que está sendo preso sabe que invariavelmente, em pouquíssimo tempo, ele vai ser posto em liberdade. Se vocês conhecerem algum país no mundo que isso acontece, vocês me tragam, porque eu ando pesquisando e não achei ainda.

Ele foi preso 24 vezes por roubo a banco. Ele tinha 182 anos de penas a ser cumpridas, mas ele, poxa vida, ele precisa sair 5 vezes por ano para ficar 7 dias com a família dele para ele ir se ressocializando. Você acha que um, desculpa, um vagabundo como esse aí vai se ressocializar algum dia?

LRLeopoldo Rosa

Ele comandou a Secretaria de Segurança de São Paulo por quase 3 anos e ao voltar à Câmara virou relator do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado.

TSThiago Salomão

E eu queria ouvir de você: bandido bom é bandido morto?

GDGuilherme Derrite

O bandido morto não resolve o problema. Não resolve! Se bandido morto resolvesse o problema, o Brasil seria um paraíso. Existe soberania nacional num país onde 60 milhões de brasileiros reconhecem a presença do crime organizado na porta da casa onde elas vivem?

LRLeopoldo Rosa

Como resolver isso mesmo com o governo atual? Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família Investidora Brasileira. Eu sou Thiago Salomão, CEO e fundador dessa empresa que não para de crescer, e hoje vamos fazer mais um episódio daquela cobertura maravilhosa de eleições 2026. E se eu falo de eleições, eu não falo sozinho, está sempre comigo Ao meu lado, Leopoldo Rosa, o Lepo. Já virou o Lepo da Faria Lima. Tudo bom, Lepo?

TSThiago Salomão

Tudo bem, Salomão.

LRLeopoldo Rosa

Tá preparado?

TSThiago Salomão

Sempre preparado, vamos juntos.

LRLeopoldo Rosa

Não é um projeto só nosso, né, Lepo? Temos nossos parceiros que mandaram perguntas muito boas para o nosso convidado.

TSThiago Salomão

Como sempre participando com a gente, Seu Dinheiro, Money Times e Bastidores do Poder, que mandam perguntas e também fazem a cobertura das nossas entrevistas de eleições.

LRLeopoldo Rosa

É isso. Bom, deixa eu apresentar o nosso convidado, Guilherme de Ritchie. Ex-secretário de Segurança de São Paulo, pré-candidato ao Senado, passou 15 anos na Polícia Militar de São Paulo, foi capitão da rota e hoje, como deputado federal e pré-candidato ao Senado no estado de São Paulo, é a voz mais influente da direita no debate sobre segurança pública no país. Ele comandou a Secretaria de Segurança de São Paulo por quase 3 anos ao lado de Tarcísio de Freitas e, ao voltar à Câmara, virou relator do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado.

O projeto que quer definir como o Brasil vai enfrentar o PCC, o Comando Vermelho e as outras facções. Então é um papo que a gente já queria ter há bastante tempo, finalmente ele conseguiu, nossas agendas se casaram, mas agradeço demais. Bem-vindo, Faria Lima, tá preparado para o papo?

GDGuilherme Derrite

Opa, um prazer estar com vocês aqui, obrigado pelo convite e finalmente deu certo, né? Que bom que deu certo.

LRLeopoldo Rosa

Não, mas vamos lá, vamos, mas antes não existe almoço grátis e nem podcast grátis, né?

TSThiago Salomão

Não mesmo, e a gente tem parceiros muito legais com a gente hoje, viu?

LRLeopoldo Rosa

Então deixa eu anunciar primeiro nosso grande parceiro, a Binance. Se você vai entrar no mundo cripto, a gente sugere que entra pela porta da frente, porque a Binance é a exchange número 1 do mundo, tem mais de 310 milhões de usuários, a maior liquidez do mercado, a plataforma que mais brasileiros confiam para comprar Bitcoin, Ethereum e todas as outras criptomoedas. É segura, simples e disponível 24 horas por dia. Você pode fazer depósito e saque com Pix.

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TSThiago Salomão

E vou fazer um adendo, hein? Se você gosta desse universo cripto, todo sábado, 6 da tarde, tem Crypto Never Sleeps by Binance aqui no canal do Market Maker.

LRLeopoldo Rosa

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Ideal pra preparar chá, café e outras bebidas quentes com mais agilidade no dia a dia. E também temos air fryer, né, Alepo?

TSThiago Salomão

Cara, deixa eu só falar da chaleira antes, que é sensacional isso daqui. Você tem na sua casa?

LRLeopoldo Rosa

Eu tenho uma dessa cor aqui, ó.

TSThiago Salomão

Isso aqui mudou a minha vida, cara, porque eu não tenho torneira elétrica, então eu uso pra atividades domésticas assim, de meros mortais, mas usa também para chá, café, e é super rapidinho, super higiênico, é maior barato. E a air fryer da Qian, que é essa daqui, ó.

LRLeopoldo Rosa

Essa do vídeo você pegar que é pesada aí, você puxar aí do meio, né?

TSThiago Salomão

Essa daqui eu não vou me arriscar não, vai que eu quebro.

LRLeopoldo Rosa

Faz igual o Renan jogando o livro em mim.

TSThiago Salomão

É, não, não vou fazer não, mas ó, é muito bacana essa da Qian, ela vem aqui em cima, ó, com os tempos do cozimento das coisas, é enorme e super bacana de manipular a air fryer da Kian.

LRLeopoldo Rosa

Então é só você acessar o link da descrição desse episódio, conferir as ofertas, e você vai poder usar a sua Kian em casa.

TSThiago Salomão

Em dias de Jogos do Brasil tem a pipoqueira também.

LRLeopoldo Rosa

Maravilhoso, né? Se bem que pipoca com Brasil não tem nada muito certo, né? É muito pipoqueiro ali no time. Sou corneta mesmo. Não sei quando esse episódio vai ao ar, mas a gente jogou só um jogo na Copa e não foi muito legal. Bom, vamos lá então. Eu tinha uma pergunta introdutória aqui, mas ali no almoço, falando do episódio, você trouxe um assunto que acho que pode ser um ponto de partida legal. Então vou deixar você dar esse pontapé inicial, beleza?

TSThiago Salomão

Bora lá, deputado. Bem-vindo mais uma vez. Queria começar falando sobre a notícia mais recente que nós tivemos com a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Queria saber Como que você viu essa situação e como que isso já coaduna de alguma maneira com o seu posicionamento em relação a essas facções?

GDGuilherme Derrite

Bom, primeiro achei, eu vi de excelentes perspectivas essa classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, e com algumas observações, claro. Primeiro, para nós uma vergonha internacional Porque nós não conseguimos ao longo de décadas cuidar dos nossos problemas. Então sucessivos governos do PT no governo federal, são 5 no total, 3 do Lula, 2 da Dilma, fizeram com que o PCC, foi justamente nesse período, pouquinho antes até, desde 93 quando foi, quando o PCC surgiu, né, no anexo da casa de custódia de Taubaté, primeiro para controlar o ambiente interno do sistema prisional, depois para controlar a criminalidade na rua, depois controlar o tráfico de drogas no estado de São Paulo, E aí passaram a ser organizações criminosas transnacionais, em especial a partir de 2014 para frente, quando o PCC descobre a rota do tráfico internacional de drogas.

Então eles tinham intermediários que faziam a compra da pasta base de cocaína nos nossos vizinhos aqui nos países andinos, né, Peru, Colômbia e Bolívia, os maiores produtores, em especial da Bolívia. O PCC cria uma estrutura piramidal hierarquizada e coloca membros do PCC nesses países e também no Paraguai. Com qual objetivo? De tomar conta de toda a cadeia logística sem intermediários, negociar direto com os produtores de cocaína.

O Brasil não tem nenhuma fazenda produzindo cocaína. Então o PCC identificou isso e entendeu, estudou essa rota do tráfico, assim como Fernandinho Beramar fez também lá no passado. E o PCC colocou membros dessa organização criminosa para exercer uma espécie de uma função lá para comprar direto com os produtores e descobriu no tráfico internacional de drogas um ganho exponencial. E eu preciso explicar o porquê. O Brasil, lamentavelmente, é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, só perde para os Estados Unidos, porque é um país muito populoso e uma legislação muito fraca.

Ao longo das últimas décadas houve uma despenalização do uso das drogas. É, para quem é policial há mais de 20, 25 anos talvez, mas a lei antidrogas, que é uma lei de 2006, antes disso, se o indivíduo fosse pego com uma pequena porção de drogas, mesmo usuário, ele era detido, era levado para o distrito policial e ficava efetivamente até preso, nem que fosse por alguns dias, mas ficava e registrava um antecedente criminal. Hoje em dia nem isso acontece, sequer é conduzido, porque houve uma espécie de despenalização.

Em 2006. Mas o PCC descobriu a rota do tráfico internacional de drogas. Então, primeiro, tem uma vantagem econômica muito grande você comprar direto do produtor o quilo da pasta base a $1.000, como era. Eu preciso me atualizar, mas $1.000 o quilo da pasta base é vendido aqui depois do refino, da mistura, a $5.000. Já tem um ganho considerável. Mas essa droga chega na Europa, em especial depois de 2014, né, com associação do PCC com a 'ndrangheta na Itália para distribuição da droga na Europa Ocidental, pode chegar a $50.000, $80.000 na Ásia.

Então é um lucro exponencial. E o PCC descobriu essa rota do tráfico internacional de drogas. Então são dois negócios altamente lucrativos: a venda no mercado interno E o tráfico internacional de drogas. E no tráfico internacional de drogas, a partir do momento que o PCC faz associação com países, com organizações criminosas de outros países, em especial na Europa, essa droga começa a chegar com mais facilidade nesses países. O Brasil começa a ser— as organizações criminosas brasileiras passam a ser uma ameaça para outros países.

Então, nesse todo esse contexto envolvido é que entra o governo Trump, nesse segundo governo dele, colocando um freio nessas organizações criminosas, nos narcoterroristas. E para isso eles identificaram que a droga que era, que passa pelo Brasil, não é produzida aqui, mas passa com uma certa facilidade, pois o governo, o Estado brasileiro não tá tomando as medidas para conter o avanço dessa distribuição da droga tanto na Europa quanto também nos Estados Unidos, passou a representar uma ameaça para o governo americano.

Então eu vejo com bons olhos, por quê? Porque é uma possibilidade de uma cooperação internacional, em especial na área de inteligência, até na área de vocês, no fluxo financeiro. Todo mundo fala, fica repetindo clichê, não, tem que seguir o dinheiro, tem que asfixiar financeiramente, mas ninguém sabe efetivamente como fazer isso. Então eu acho que o primeiro ponto de partida é o seguinte: nós temos um grande problema e a gente não vai conseguir resolver sozinho, e todo apoio é bem-vindo, eu penso assim.

Agora, quando o próprio Estado nega a existência de um crime organizado do tamanho que ele é, que gera problemas gigantescos para o nosso próprio país, está afetando outros países, eles querem minimizar. O governo americano, antes de decretar e de classificar a PCC, Comando Vermelho, como organizações terroristas, eles vieram perguntar para o Brasil, foram recebidos por autoridades do governo, Ministério da Justiça, falou: não, não são terroristas, veja bem, não é tudo isso.

Preocupados com a questão política, porque obviamente seria um prejuízo político para o atual governo reconhecer o óbvio, que é o tamanho dessas organizações criminosas. E nesse contexto abre uma janela de oportunidade do Estado brasileiro, através desse mecanismo de cooperação internacional, fazer uma parceria com outras nações, não só com os Estados Unidos, mas com outras nações que têm também o mesmo, a mesma dificuldade, o mesmo problema.

Agora, por questões eleitorais, obviamente o Brasil, é quem está no governo federal, tá negando, achando que isso— e aí o pior, né, como tudo no Brasil acaba respingando na parte política, é inventando histórias dizendo que o governo americano vai fazer operações militares no Brasil. Isso feriria tratados internacionais, isso não vai acontecer. Agora, é um ativo na nossa mão, porque se um dia nós tivermos um governo que queira de fato combater o crime organizado tem uma janela de oportunidade para cooperação internacional com membros e com órgãos do governo americano podendo nos ajudar.

LRLeopoldo Rosa

É, eu queria muito que você viesse, foi até bom ter adiado a sua vinda, porque esse assunto para mim ele talvez seja o que mais conecta o assunto segurança pública com o mercado, investimentos de maneira geral, embora A gente já fez outros episódios aqui, a gente sabe muito bem o quanto a economia do crime afeta a economia brasileira, né? Não só pelos números de arrecadação, mas até pela falência ou até a deterioração institucional do país.

Mas aí, pegando a sua resposta, você trouxe aí dois pontos que podem ser um tanto antagônicos, né? É uma vergonha o país estar passando por isso, mas ver com bons olhos. Sim, a vergonha eu entendo porque a gente teve aí uma falha na nossa maneira de lidar com um problema que nasceu pequeno no começo dos anos 90, numa, num, em Taubaté, né, e virou hoje uma organização mundial, transnacional. E então, por um lado, a gente tem esse problema que precisa ser resolvido Mas por outro, a gente sabe que dependendo do resultado da eleição, ou dependendo até de quem estiver nos cargos de chefia em 2027, talvez isso vai continuar sendo um ponto de fricção entre os Estados Unidos e Brasil.

E eu não sei se eu consigo ver com bons olhos, como ver com bons olhos se o nosso governo não gosta de uma medida que os Estados Unidos trouxeram Isso pode gerar talvez no longo prazo uma melhora institucional, mas no curto prazo pode trazer até uma deterioração ainda maior, né? Enfim, é como resolver isso mesmo com o governo atual.

GDGuilherme Derrite

Eu não vejo um prejuízo nessa classificação. É assim, o que o pessoal da esquerda costuma criar, um factoid, dizendo que os Estados Unidos ameaça soberania nacional. Eles falam muito sobre soberania nacional. Eu faço a seguinte pergunta: qual soberania nacional? Qual é que rege, que manda lá nos morros cariocas, onde tem barricadas, onde a filha de um morador de 15 anos, quando o traficante quer namorar com ela e ela não aceita, ele mata essa menina, ele expulsa a família dela do barraco onde ela vive?

Existe soberania nacional num país onde 60 milhões de brasileiros reconhecem a presença do crime organizado na porta da casa onde elas vivem? Na minha concepção, A soberania nacional já foi vilipendiada no nosso país, entendeu? E além disso, eles usam essa falsa afirmação de que os Estados Unidos vão invadir o território brasileiro, realizar operações militares, para ter um discurso nacionalista. Olha, eu tô defendendo os interesses do meu país.

Defender interesse do país é primeiro reconhecer que existe um problema grave de segurança pública. E segundo ponto, quais são as os países mais envolvidos que têm capacidade de mecanismos de inteligência, de software de inteligência, de nos ajudar. Eu fui para Israel em 2023 só para isso, como Secretário de Segurança Pública de São Paulo, conhecer novas tecnologias, novas ferramentas para nos ajudar no combate ao crime organizado.

Eu fui para os Estados Unidos conhecer o Fusion Center da NYPD para implementar políticas públicas aqui, como Muralha Paulista, que tem um convênio com Smart Sampa de São Paulo. Ou seja, buscar o que há de mais avançado no mundo. E não dá para você falar em combate ao crime organizado sem lembrar, obviamente, dos Estados Unidos, que é uma potência. Agora, o nosso estado precisa reconhecer e querer esse apoio. Então eu não vejo— eu vejo que nós temos um problema gravíssimo, eu vejo que nós temos áreas dominadas, territórios paralelos que foram criados, onde o estado brasileiro não demora 3 horas para chegar num determinado ponto com 400 policiais fazendo operação de guerra.

Isso não existe soberania nesses territórios. Então, o que a gente precisa fazer é uma retomada do território brasileiro. E acho que é uma parceria com os Estados Unidos, ela vem assim ao encontro de tudo isso. É claro, é para que isso aconteça, precisa ter um governo federal que queira assumir essa responsabilidade. O atual governo enxerga a segurança pública com uma visão completamente antagônica. Eles enxergam, a esquerda enxerga o bandido como coitadinho, vítima da sociedade, ele foi para o mundo do crime porque não teve oportunidade.

LRLeopoldo Rosa

Isso é mentira.

GDGuilherme Derrite

E não sou eu que tô falando. Gary Stanley Becker, economista americano, escreveu a Teoria Econômica do Crime em 1968 e recebeu o Nobel em 92, dizendo o seguinte: olha, o crime é uma atividade econômica como outra qualquer, como vender pipoca, como abrir um comércio. E nos países onde a criminalidade e a violência é muito alta, é porque o custo do crime é muito baixo. Então o que os estados devem fazer? Eles devem aumentar o custo do crime.

Mas como que você vai falar em custo do crime no mínimo razoável quando você tem um país que implementou em 2016, por meio de resolução do CNJ, Conselho Nacional de Justiça, audiência de custódia? Audiência de custódia que libera no Rio de Janeiro, como tá falando de Rio de Janeiro, 60% em média dos criminosos presos, pô. De cada 10 criminosos que a polícia civil, polícia militar do Rio prendem 6 são liberados em menos de 24 horas.

Audiência de custódia. Aí você tem visita íntima. Afinal de contas, poxa, coitado do detento, ele tem que ter o direito dele de fazer sexo garantido. Olha só que democracia belíssima que é o nosso país. Temos também a saída temporária de presos. Tínhamos, né, que foi um projeto meu. Nós conseguimos acabar com a saída temporária de presos para quem cometeu o crime a partir da sanção da lei. 11 de abril de 2024. Então, a médio prazo vai acabar a saída temporária de preso.

Os presos antigos, eu chamo de presos antigos, cometeram os crimes antes disso, eles estão aí usufruindo ainda desse benefício, que parece, o pessoal da esquerda, é como se fosse uma cláusula pétrea. Imagina, a ressocialização. Já ouviram essa palavra, né? Mas quem falou que cadeia foi feita para ressocializar? Cadeia foi feita para o indivíduo cumprir a pena, para ele entender, quando ele comete um crime, ele vai ser responsabilizado sobre isso.

E também para gerar um efeito na sociedade Para aqueles que estão na dúvida, pô, eu não posso cometer crime. Você viu, o cara roubou um celular e ficou 12 anos preso. Agora aqui no Brasil vira piada. O BAEP de Ribeirão Preto prendeu no feriado de 21 de abril um criminoso que foi beneficiado pela saída temporária de preso, que já tava cumprindo pena antes da sanção, né, por crimes que cometeu antes da lei que nós conseguimos acabar com a saída temporária de preso.

Mas ele foi preso. Se vocês conhecerem algum país no mundo que isso acontece, vocês me tragam, porque eu ando pesquisando e não achei ainda. Ele foi preso 24 vezes por roubo a banco. Ele tinha 182 anos de pena a ser cumpridas, mas ele, poxa vida, ele precisa sair 5 vezes por ano para ficar 7 dias com a família dele para ele se ressocializando. Você acha que um, desculpa, um vagabundo como esse aí vai se ressocializar algum dia?

TSThiago Salomão

Deputado, isso é uma das coisas que eu mais ouço de pessoas de dentro da polícia. A polícia prende, a justiça solta. Polícia prende, a justiça solta. Isso desestimula o policial que tá querendo fazer um trabalho para ajudar a segurança e ver o trabalho dele. Às vezes é, às vezes não, todo dia a rotina de um policial é super estressante. E a gente vê que no fim do dia ele prendeu 10 pessoas que vão ser soltas em 24 horas. E aí o cara fala: pô, que que rendeu o meu dia, né?

Como que a gente consegue alinhar as iniciativas da polícia e da justiça? Por que que polícia e justiça andam caminhos que aparentemente são tão separados? E qual que é o caminho para unificar isso, para que um pare de jogar contra o outro?

GDGuilherme Derrite

Olha, esse é um desafio muito grande, né? Eu falo da experiência agora como secretário que eu tive nesses 3 anos. É, eu não diria só a justiça, né, porque quando você fala justiça, você tá estigmatizando o Poder Judiciário, que tem muitas falhas, claro. Em especial, casos emblemáticos aqui em São Paulo aconteceram. Toda vez que acontecia, eu me manifestava por obrigação, por dever de quem tá à frente como líder de centenas, de milhares de policiais.

Eu vou usar dois exemplos aqui, né. Um, para mim, o mais esdrúxulo que eu vi nesses 24 anos que eu trabalho, estudo segurança Segurança Pública. Um casal de 75 anos de idade foi feito refém. Casal de idosos refém, foram para o cativeiro. Os criminosos eram 4, uma mulher e 3 criminosos. 2 ficaram no cativeiro, 2 saíram. Casal de criminosos saiu para sacar o dinheiro, cartão das vítimas. Quando eles estavam lá, isso em Itacoaquecetuba, região metropolitana de São Paulo, Loto TT ali.

Quando eles estavam com cartão, a viatura da Força Tática da Polícia Militar abordou os dois criminosos, separou, viu o cartão de uma terceira pessoa, conversa vai, conversa vem, eles confessaram: é de uma vítima, tá no cativeiro. Eles foram até a Polícia Civil, a divisão de sequestro, se eu não tiver equivocado, foi até lá, libertaram as vítimas, prenderam os quatro. Ou seja, uma ocorrência perfeita, tudo para ser nota 10, a não ser pela questão da audiência de custódia. 24 horas depois, essa criminosa mulher faz a seguinte alegação durante a audiência de custódia: eu apanhei dos policiais.

Aí, todo criminoso preso tem que passar por exame de corpo de delito, justamente para evitar que isso aconteça. A palavra de uma sequestradora nessa ocasião acabou valendo mais que a palavra dos policiais. E detalhe, sem nenhum hematoma, sem uma lesão corporal identificada durante o exame de corpo de delito após sua prisão. E os 4 criminosos, 4 sequestradores, só não foram postos em liberdade os 4, que um já era procurado pela justiça por um outro sequestro, mas os outros 3 foram liberados.

Então esses absurdos que acontecem acabam estigmatizando o Poder Judiciário, que aqui em São Paulo, eu vou te falar, é um tribunal de justiça muito sério, muito linha dura, foi parceiro nosso. E aí você perguntou bem, qual que é o desafio então da gente? Como é fazer com que a realidade do policial e da justiça se aproxime, todo mundo trabalha junto? Cara, tem que ter liderança e governança nesse processo, chamar todo mundo para sentar do jeito que nós estamos sentados na mesa E eu vou falar de um caso muito particular: Cracolândia.

Quando eu era deputado federal, já indo para o meu segundo mandato, e o governador Tarcísio de Freitas me convidou para escrever o plano de segurança pública, muitos temas ali foram colocados, né, como metas, objetivos sendo cumpridos e tal. E um deles foi o fim da Cracolândia. E o governador me chamou, falou: pô, tô preocupado com esse item que você colocou, não queria colocar nada que fosse impossível de ser realizado. Daí eu perguntei: mas Qual item?

Não, da Cracolândia. Falei: Governador, é possível. E começamos um longo debate sobre tudo que precisaria ser feito. Governador entendeu, muito inteligente como ele é, chamou o vice-governador Felício Ramute para ser o coordenador dos trabalhos, que envolve não só a Secretaria de Estado, mas a interlocução e o trabalho em conjunto com a prefeitura, que teve o apoio do atual prefeito Ricardo Nunes para que tudo acontecesse. Mas basicamente Nós tínhamos ali 1.800 usuários, dependentes químicos, na região da Cracolândia, muitos traficantes e um ecossistema criminoso que durava ali por 4 décadas.

E para resolver esse grande problema, uma das coisas que nós identificamos é que 60% desses indivíduos estavam descumprindo medidas cautelares impostas pelos magistrados, pelo Poder Judiciário. Então, como resolver? Eu fui lá no presidente do tribunal, falei: Presidente, nós unificar o sistema de TI da Polícia Militar com o do Tribunal de Justiça, para toda vez que o indivíduo que tá lá no fluxo, naquele, era aquele 1.800 pessoas ali circulando, usando droga, vendendo droga, traficando, precisamos notificar o juiz das execuções criminais porque eles estão descumprindo uma medida de vocês.

Ou seja, eu chamei todo mundo para sentar na mesma mesa para resolver o problema. Acho que esse é o, para além disso, E eu já volto na questão da Cracolândia para falar como que a gente conseguiu resolver esse problema, esse gravíssimo problema. Eu acho que nós precisamos— acho não, tenho certeza que a gente precisa alterar a lei. O magistrado, ele é um operador do direito, como é o policial, como é o advogado, como é o promotor.

Então, se a lei fornece brechas para que ele seja benevolente com criminosos, é óbvio que a gente fica dependendo da interpretação subjetiva do ser humano que tá ali exercendo a função de magistrado. Então, o que a gente precisa fazer? Uma ampla reforma na legislação. Eu falo reforma do sistema de justiça criminal como um todo, que envolve todos os órgãos que pertencem, tanto as polícias, Ministério Público, Poder Judiciário e sistema prisional, que pouca gente fala no Brasil.

Mas a partir do momento que a gente altera a legislação e reduz essa margem subjetiva de interpretação da lei, acabou. Audiência de custódia, por exemplo, para mim é uma aberração jurídica que tem que ser, que tem que acabar com audiência de custódia. Em especial. Ah, mas não dá para acabar de custódia porque não passa no Congresso, é difícil passar. Então, pera aí, reincidente criminal não pode ter direito, quem comete crime hediondo ou equiparado não pode ter direito, e quem comete crime mediante violência ou grave ameaça também não tem direito.

Já resolveria 90% dos problemas. Ele tem que ir aos poucos, mas partindo desse princípio de que precisa mudar é a lei, por mais benevolente e bonzinho, ou até vou exagerar, vai, marxista que seja o magistrado, ele vai ter que seguir o que está escrito na lei, ou pelo menos deveria. E então a gente precisa alterar a legislação para não ter mais essas brechas de liberar sequestrador na audiência de custódia.

LRLeopoldo Rosa

Nisso de mudar as leis, aliás, várias coisas que você foi falando, lembrei de um outro convidado que veio aqui, é o juiz Carlos Eduardo Lemos, professor Caio Lemos, meu amigo. Brilhante. Foi ele também que incitou o Nobel de 92, né, que foi o estudo da teoria do crime.

GDGuilherme Derrite

Terrorismo à Brasileira é a obra do Caio Lemos.

LRLeopoldo Rosa

Que não dá para ler, né, porque simplesmente esgotou, ele nem relançou, enfim, é uma pena. Mas a gente falou muito sobre os desafios que a gente precisa enfrentar para resolver o problema de segurança no Brasil, até falou da questão do sistema prisional, ele falou, olha, por mais impopular que seja, a gente precisa construir mais prisões.

GDGuilherme Derrite

Com certeza.

LRLeopoldo Rosa

Mas uma coisa que você falou muito aqui e eu queria explorar um pouco mais, aí vai até um pouco no seu chapéu de futuro senador, caso você seja eleito, mudar as leis. Como fazer isso? Você tem uma estratégia para isso? É algo que tem que ser totalmente coordenado que vai desde a presidência, ou assim, como fazer isso? Como de fato tirar essa ideia do papel e realmente a gente mudar as leis no Brasil?

GDGuilherme Derrite

Olha, as duas principais legislações que falam de segurança pública mais impactantes para a sociedade brasileira dos últimos 40 anos, eu que fui o relator: fim da saída temporária de presos e lei antifacção. Então é possível, claro que é, mas é diferente você ter o Congresso Nacional, ou um deputado, outro deputado, ou meia dúzia de deputados lutando por esse tema, do que você ter um governo federal colocando isso como pauta prioritária.

Essa prerrogativa constitucional que existe prevista na carta magna, que os poderes são independentes, harmônicos, ela é linda, maravilhosa, mas na prática o Poder Executivo exerce uma influência monstruosa sobre o Poder Legislativo. Isso começou lá com FHC, desde quando ele mudou permitindo a reeleição presidencial, e a questão das emendas parlamentares. Congresso Nacional foi capturado pelo Poder Executivo e tem uma boa parcela de parlamentares que não tem posição como eu tenho.

E não tô fazendo uma crítica ao Congresso Nacional, é uma constatação. Não tô falando mal, a gente tá criticando, não. É o que tá posto. Se você tem deputado de esquerda deputados de direita, e você tem uma maioria ali que exerce movimento pendular, que acaba votando a favor ou contra dependendo de eventuais interesses da sua base eleitoral. Se são legítimos ou não são é o que tá posto aí no nosso país. Então a força de um governo federal colocando uma reforma e a pauta da segurança pública como prioridade faz toda a diferença.

O que que o governo Lula fez pela segurança pública ao longo de 5 mandatos do PT, o que ele fez foi criar um solo fértil, fazendo uma analogia aí, ó, as plantações criam solo fértil para o crime organizado crescer de forma exponencial e sair de organizações criminosas estaduais para nacionais e hoje transnacionais. Então, o que precisa ser feito é ter um governo federal usando a máquina do Poder Executivo para influenciar e colocar como prioridade as reformas que vão ser feitas no Poder Legislativo.

Eu sou um cara muito otimista por natureza. Eu acho que o desafio é gigantesco, mas toda crise é janela de oportunidade. Crise é janela de oportunidade. Então, a janela de oportunidade— estamos numa crise da segurança pública como jamais se viu no Estado brasileiro. Isso aconteceu por conta da negligência de todos os governos anteriores, sem exceção, que não priorizaram a segurança pública, ou então que apontaram para medidas que não resolvem.

Nós estamos tentando trabalhar na consequência. A causa não tá— a causa ela é muito simples: tem que acabar qualquer tipo de benefício. O custo do crime tem que ser aumentado, e criminoso que é condenado tem que ficar efetivamente preso. Senão você gera a certeza da impunidade. Hoje o criminoso tem a certeza da impunidade, ou ele sabe que ele vai ser preso independente do crime que vai cometer, e logo mais vai estar na rua. Então é um absurdo a maneira como foi classificado no Estatuto da Criança e do Adolescente o adolescente infrator.

'Veja bem, ele é um adolescente, não pode ficar preso. É o máximo de apreensão que ele pode sofrer de 3 anos no sistema socioeducativo.' Aí nós tivemos em Aracruz em 2022 um criminoso de 17 anos que entrou na escola com duas pistolas, matou uma professora, 3 alunos, ou seja, 4 vítimas fatais, 12 feridos em 2022. Em 2026 o cara tá na rua. Será que isso é razoável? É proporcional? Um cara que mata 4 pessoas, fere outras 2, entra numa escola com 2 armas, 3 anos de apreensão é adequado?

Temos que discutir a redução da maioridade penal? Para mim, sem dúvida alguma, tem que reduzir no mínimo para 16, e para alguns crimes eu ouso até dizer que mais. E veja como é desproporcional: com 16 anos pode votar, decidir o futuro do país através do voto, exercendo a cidadania, mas não pode responder pelos seus crimes. Como com maioridade penal, que é só um adolescente. Então tem muita coisa para mexer na legislação, para alterar, mas precisa sim do governo federal, poderia, força do Poder Executivo influenciando as votações, as propostas, e mais do que isso, priorizando a pauta da segurança pública, que até hoje a gente não teve um governo que priorizou.

TSThiago Salomão

Eu tenho um pouco de dúvida, deputado, e bom, Você viveu ali na Câmara, sabe muito melhor do que a gente como a dinâmica funciona. É, você falou que é um otimista. Eu acho que você teve boas experiências, né, porque você conseguiu fazer projetos importantes andarem. Mas o que a gente vê é muitas vezes o Congresso também preocupado com muitas outras coisas, várias delas de interesse não público ou muito pouco republicanos, e com muita dificuldade de aprovar pautas que são importantes para população.

É, você acha que também, como fazer essa pressão chegar ao Congresso Nacional sem necessariamente que dependa do governo? Porque a impressão que eu tenho é que o governo Lula, com a base que tem hoje, que é bastante variada em relação a bases que já teve em outros mandatos, etc., também não conseguiria avançar muito sem a boa vontade do Congresso de reconhecer ou de propor um bom projeto. O senhor teve sucesso nisso? Como é que a gente mobiliza o Congresso?

GDGuilherme Derrite

Ah, eu acho que hoje, diferente de anos anteriores, a população acompanha muito a política. E para alguns temas, como fim da saída temporária de preso, eu vou relembrar aqui. Eu lembro que eu era deputado no primeiro mandato e falei com o presidente da Câmara na época, Arthur, ele falou: Arthur, precisa pautar esse projeto aqui, precisa de uma força sua, pautar. Ele falou: rapaz, isso aí não aprova nunca, é muito polêmico. Eu falei: eu não quero o seu compromisso com o resultado, Só o compromisso de colocar no plenário, a gente vai ver quem é quem, quem é a favor e quem é contra.

Aí mostrei alguns estudos que, com base em evidências, mostravam que durante o período das saídas temporárias aumentava o número de indicadores criminais, muitos não voltavam para o presídio. Ah, mas algumas matérias impressionantes, como a mídia, alguns setores da mídia, né, tratam somente 7% não voltam, somente 10% não voltam. Mas pera aí, são 35 mil que são liberados em cada saída temporária no Estado de São Paulo. Se você pegar 10% disso, 3.500, que seja 5%, estamos falando de mais de 1.700 criminosos que não voltam.

Será que 1.700 criminosos que não voltam para o sistema prisional podem causar— porque esse cara não vai entregar currículo no market maker aqui para trabalhar no mercado financeiro. Esse cara vai vir do quê? Do crime. Então, alguns gatilhos ali que geravam estímulos, na verdade, a gente tem que acabar para fazer o que o Gerber escreveu no Nobel dele, dizendo o seguinte: nós temos que gerar um poder de dissuasão do Estado brasileiro.

Então eu consegui ali convencer, mas porque também, assim, modéstia à parte, eu nunca parei de estudar. Então a galera da segurança pública ou da direita fica muito no discurso, às vezes na lacração, e não consegue pôr a bola no chão. E, gente, é o seguinte: não sou eu que escolho os 513 deputados. É o povo brasileiro. Agora, se os 513 estão lá para eu conseguir aprovar um projeto, eu tenho que conversar com todo mundo, até com os ali da esquerda.

Nem adianta perder tempo, mas tá ali, tem que conversar. Eu vou conversar, se necessário for para apresentar um projeto e para aprovar, eu vou fazer isso. É engraçado que as pessoas me criticaram durante a tramitação do PL 263, ah, mas você conversou com fulano de tal, conversou com fulano, conversou. Eu vou conversar com os 512, 513 que tem voto para eu poder aprovar o que é importante para o nosso país. Enfim, e nesse contexto, e por não ter parado de estudar nunca, graças a Deus, a gente consegue, com experiências internacionais, buscar aquilo que deu certo em outros países e replicar aqui.

Claro que o Brasil tem dimensões continentais, tem outras características, mas eu acredito muito que é possível melhorar muita coisa, muita coisa, com poucas alterações legislativas. Mas acho que faz toda a diferença ter um governo federal que coloca isso como prioridade.

LRLeopoldo Rosa

Eu queria que você contasse um pouco da sua experiência, o que que você pode trazer pelo fato de estar até contabilizando aqui, né? Foi, sentou na PM com 18 anos, 5 anos de rota, já foi deputado, já foi secretário, agora quer ser senador. Primeiro, o que que essa vivência na prática traz de conhecimento que você pode trazer para o mundo político? E também, até vendo nesse, que você já teve um embate na rua e o embate também ali para aprovar uma lei e tudo mais, é o quanto você consegue enxergar de mudança da sociedade em relação a essas pautas?

Porque É, você mesmo falou, hoje a sociedade consegue acompanhar a lei da Saidinha e tal, ele pode ir lá vistoriar, ver isso aí acontecendo. Mas ao mesmo tempo, como o próprio Lepo levantou a bola, às vezes você tá tendo que conversar com gente que tem outros interesses não republicanos, enfim. É, e eu não sei, realmente não sei se a sociedade está mais preocupada com isso ou ainda está mais preocupada com, sei lá, ou a consciência social do bandido e tudo mais.

Enfim, é o quanto você vê de mudança da aceitação da sociedade mesmo assim, porque eu acredito que a tendência era a gente ficar cada vez mais preocupado com a nossa segurança, tendo em vista que o país melhorou em vários indicadores econômicos, melhorou em acesso da população a saneamento básico, escola, sabe? Você começa a construir uma vida que te faz se preocupar mais com a segurança, mas parece que ainda não comoveu todo mundo.

Enfim, fala um pouco da sua experiência, o que você pode trazer para política e como você vê essa percepção do brasileiro sobre segurança pública.

GDGuilherme Derrite

Eu fui convidado a palestrar num evento organizado pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na semana passada na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas. E aí tinha autoridade de alguns países, muitos membros do Ministério Público do Rio, que fazem um trabalho reconhecidíssimo no combate ao crime organizado, em especial o pessoal do GAECO, assim como o GAECO aqui de São Paulo historicamente. E eu comecei a minha fala, foram uns 15 minutos de fala, dizendo o seguinte: olha, eu tenho uma condição privilegiada.

Não sei se isso foi bom ou foi ruim para mim, para minha família. Com certeza é um desafio muito grande, né, porque existe um risco, uma ameaça constante. Mas eu operei na rota, na linha estratégica, no chão de fábrica, no ponto tático, como tenente comandando pelotão de rota, depois como capitão na Polícia Militar. Então, tenho uma visão de quem tá lá no front, e eu era operador mesmo de rua, não era um oficial que trabalhava na administração.

Aí eu tenho uma visão de legislador, 2 mandatos como deputado federal, e uma visão do nível mais estratégico da pauta, que é secretário de Estado do maior estado da federação, fazendo gestão de mais de R$20 bilhões por ano, cuidando de mais de 100 mil policiais civis e militares e buscando prover a segurança pública a mais de 45 milhões de brasileiros que moram no Estado de São Paulo. Então essa possibilidade de ter uma visão de 3 prismas diferentes me faz enxergar de forma diferente também como resolver o problema, sabe?

Então, às vezes, nós temos legisladores que só tem a visão do legislador. Temos legisladores, às vezes, que tem uma dupla visão. O cara foi policial, não necessariamente numa tropa especializada em combate ao crime organizado, como eu atuei na Rota, como Rodrigo Pimentel atuou lá no BOPE, por exemplo. Por isso que ele tem tanto conteúdo quando ele fala de combate ao crime organizado, em especial no Rio de Janeiro. Como o delegado Felipe Cury, por exemplo, que foi delegado-geral da Polícia Civil, um dos grandes responsáveis pela Operação Contenção do Rio de Janeiro.

Às vezes tem essa ponta e no máximo uma ponta ali que foi policial e é legislador. Mas a visão de exercer um cargo no Poder Executivo muda completamente, porque você vê na prática que não é só lei que vai mudar também. Você tem que ter alianças, acordos de cooperação, como nós tivemos aqui. Eu falava pouco da do acordo de cooperação com o Poder Judiciário para resolver problemas e desafios na segurança pública. Falei um pouquinho sobre Cracolândia, depois eu volto nesse tema para falar como que a gente conseguiu resolver, acabar com essa chaga de décadas.

Mas vou falar sobre um outro tema, é violência contra a mulher. Assumimos a Secretaria de Segurança Pública, um grande desafio aumentando, era tendência de aumentar o número de feminicídio, caso violência contra a mulher. Falei, primeira coisa que tem que fazer é ampliar a rede de proteção. Ou seja, tínhamos 7 ou 8 delegacias, desculpa, 11 delegacias da mulher que funcionava 24 horas, ampliamos para 18, e saímos de 70 e poucas salas de DM online para 172 hoje no estado.

Criamos um aplicativo para facilitar o registro do boletim de ocorrência, e foi o primeiro estado, aí sim a gente viu um caminho para o início aí de uma, de uma contenção, né? De um problema gravíssimo que é o feminicídio, mas foi o primeiro estado a usar tornozeleira eletrônica para monitorar agressor de violência contra a mulher. Aliás, esse foi o tema da minha dissertação de mestrado, por isso que eu sou apaixonado por esse tema.

Você vê, um cara que é do combate ao crime organizado, mas ele tem que resolver. E como que deu certo? Porque eu fui lá no Poder Judiciário, no presidente do tribunal, fizemos acordo de cooperação. Porque vejam que absurdo, a legislação proíbe que as forças policiais monitorem o agressor de qualquer criminoso com tornozeleira eletrônica. Só pode fazer isso o Poder Judiciário ou a Polícia Penal. E como a Polícia Penal não pertence à Secretaria, em tese não poderia.

Aí celebramos o acordo de cooperação. Toda vez que o indivíduo tiver com a tornozeleira eletrônica, ele tá sendo monitorado por georreferenciamento no COPOM, a Central de Operações da Polícia Militar. E se ele se aproximar da residência da vítima, um alerta por inteligência artificial, sem nenhuma necessidade de ação humana, emite um alerta vermelho lá no COPOM, na Central de Operações, e a viatura acionada para evitar que ele chegue perto da residência.

Ou seja, o legislador que tem a cabeça de legislador, ele ficou fazendo um monte da Lei Maria da Penha, que é de 2006. São 20 anos que essa legislação já sofreu inúmeras alterações. Só a força da lei não foi capaz de conter a alta de homicídios de mulheres no nosso país. Então, o que precisava? Precisava de uma mudança de governança da lei. Então a gente introduziu essa governança usando a tecnologia e fazendo com que danificasse a medida protetiva.

O cara se aproximou, solta o alerta. O próximo passo, o passo seguinte, foi o aplicativo SP Mulher Segura, criado por nós, a Secretaria de Segurança Pública. Esse aplicativo aqui, a mulher baixa o aplicativo SP Mulher Segura gratuitamente, ativa a localização. Vamos supor que o agressor, ele não vai na residência da vítima, mas ele conhece a rotina dela, leva as crianças na escola, tá horário, trabalha não sei aonde, vai no mercado em tal lugar.

Ele tenta se aproximar dela. O celular com aplicativo e a tornozeleira estão linkadas. Ele se aproximou e fizemos— a minha dissertação de mestrado foi sobre isso, medir eficácia dos 383 indivíduos na capital que estavam sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. 171 deles descumpriram a medida protetiva. E sabe quantos conseguiram chegar perto da vítima? Nenhum. A eficácia foi de 100%. Agora, qual que é Pra finalizar essa sua pergunta, qual que é a grande diferença?

Então, uma pessoa que não teve a experiência que eu tive de gestão de orçamento público, do como é desafiador, vai falar: então é muito fácil, é só colocar tornozeleira eletrônica pra todo agressor de violência contra mulher. Aí eu volto com a experiência de secretário. Só 2024 foram 140 mil medidas protetivas no estado de São Paulo. É possível colocar 140 mil Nem às vezes o mesmo agressor tem 4 ou 5 medidas protetivas, a mulher tem, quanto o indivíduo.

LRLeopoldo Rosa

Mas vamos colocar que seja 70 mil, que seja 80, é um custo altíssimo.

GDGuilherme Derrite

Então o próximo passo é criar critérios de priorização de quem deve receber essa, com base em evidências, em estudo, em pesquisa científica. Foi meu caso da dissertação do mestrado. Quem deve ser priorizado na hora de alocar esse Esse aparelho, e para além disso, isso se espalhar em todo o estado de São Paulo. Então já foi para Santos, foi para Sorocaba. Acredito eu que o governador deve estimular e custear essa ampliação do uso da tornozeleira.

Mas é um, respondendo assim a sua questão, essa experiência anterior nessas três condições de policial da ponta da linha, de legislador e de secretário na gestão da Secretaria de segurança pública dá uma condição diferente para chegar lá, além de propor leis, para discutir também com um aspecto diferente daqueles que não tiveram essa experiência.

LRLeopoldo Rosa

Eu até dei um Google aqui, a tornozeleira eletrônica não é adquirida, né, é um aluguel, né?

TSThiago Salomão

Você faz licitação para contratação de serviço, porque é o serviço, não é só o produto, né?

GDGuilherme Derrite

E não seria eficaz, porque tecnologia de R$200 a R$250 mensais policiais, né?

LRLeopoldo Rosa

É isso, cada uma daria uns R$3.000 por ano quase. É, daria um gasto grande ali.

TSThiago Salomão

E aí tem uma questão de financiamento também, né, secretário?

GDGuilherme Derrite

Isso é muito legal, que eu acho que vale a gente discutir.

TSThiago Salomão

Eu acho que também pode ter havido aí de sua parte uma reflexão do The Hit policial e o The Hit secretário, porque a gente percebe que a segurança pública no Brasil Ainda precisa de dinheiro, né?

GDGuilherme Derrite

Muito.

TSThiago Salomão

A gente vê uma das grandes carências das polícias em todos os estados é policiais, é agente. E a gente percebe que os salários são baixos, que as condições de trabalho muitas vezes não correspondem, e isso vem inclusive inibindo jovens de querer seguir uma carreira policial. Como que a gente resolve primeiro a questão orçamentária e em segundo a questão da falta de gente interessada em seguir essa carreira?

GDGuilherme Derrite

Sem dúvida. Primeiro tem que investir no ser humano. E é uma das coisas que eu não consegui fazer como secretário, porque não depende só de mim, falando português bem claro aqui. O governo do estado tem inúmeras áreas para investir. Óbvio que eu queria ter melhorado infinitamente o salário dos policiais, não consegui, porque não depende exclusivamente só de mim. Mas a gente conseguiu aprovar um novo plano de carreira, O plano Moradia Seguro, que foi desenhado por nós em parceria com o deputado estadual Major Meca, para carta de crédito para os policiais pagarem em 30 anos, dependendo da faixa salarial, 0% de juros para o cara comprar o próprio imóvel.

Então são algumas questões, mas é óbvio que em 3 anos não ia dar para resolver um problema que tá aí há 30 anos de outro grupo político que nunca priorizou segurança pública. Espero que as forças policiais continuem sendo valorizadas. Não conseguimos atingir nem de longe o que eu gostaria, mas infelizmente faz parte. Agora, em outra área, o próprio custeio das forças de segurança. O que aconteceu? Houve uma restrição orçamentária muito grande e eu tive que lidar, fazer a gestão com poucos investimentos na pasta da Secretaria de Segurança Pública.

Uma maneira foi ir atrás de emendas parlamentares, porque eu sabia o caminho do recurso que tem dos deputados da bancada paulista. Mas um outro caminho foi o que foi proposto por nós, um programa chamado Recupera SP. Então nós estimulamos o governador, explicamos para ele o que seria isso. Então a lei de lavagem de dinheiro de 1998 permite que os estados— é uma lei federal— permite que os estados regulamentem essa lei. E nós fizemos isso, fazendo com que o perdimento de bens, a lavagem de dinheiro do crime organizado, possa ser revertido pelas forças policiais.

Nós criamos esse programa aqui chamado Recupera SP. Em pouquíssimo tempo, em 6 meses que ele passou operando, já tínhamos 90 milhões no caixa da Secretaria de Segurança Pública. Para, ou seja, eu uso o dinheiro do crime organizado comprovadamente, depois do trânsito em julgado, trago para o fundo da secretaria e uso o dinheiro que era do crime para equipar as forças policiais. Foi uma grande sacada. Foi no final de 2024 que a gente conseguiu aprovar o decreto, começou a operar.

Aí o Ministério Público, que é o nosso grande parceiro aqui em São Paulo, na figura do Gaeko, solicitou um apoio para gente para reeditar o decreto, porque uma parte fosse destinada para o Ministério Público. Então hoje 30% vai para o Ministério Público, 70% vai para o fundo da própria Secretaria de Segurança Pública. E aí nós investimos lá atrás ainda no DIPOL da Polícia Civil, Laboratório de Lavagem de Dinheiro. E aí o número é assustador: de setembro de 23 até novembro de 25, só dos inquéritos instaurados em andamento na Polícia Civil em todo o estado até região de Presidente Prudente, etc. e tal, é só identificados são R$22,4 bilhões em inquérito de lavagem de dinheiro.

Então vocês imaginem, num futuro próximo, todo esse recurso sendo revertido para as forças policiais. Isso é espetacular, porque eu libero a fonte do Tesouro ali para o governo do estado, para o governador, para o secretário da Fazenda investir em outras áreas, tem social, saúde, habitação, Enfim, educação, porque daí eu uso o próprio dinheiro que era do crime para autossustentar o combate ao próprio crime, ao crime organizado.

Então foram mecanismos que a gente foi se reinventando para tentar melhorar, porque o que acontece hoje, o governo federal não investe absolutamente nada, é um repasse de R$50 milhões por ano. Imagina, para o Estado de São Paulo, R$50 milhões não é nada para custear investimento para um tamanho. A gente precisaria no mínimo de um repasse de R$1 bilhão do governo federal até por conta do tanto de carga tributária que o Estado de São Paulo manda lá para Brasília e não retorna para o nosso estado.

E hoje você tem muitos municípios, né, com a questão da PEC da Segurança Pública, com o crescimento das polícias municipais ou das guardas municipais. Hoje você tem muitos municípios investindo, e eu percebendo esse investimento dos municípios foi que nós criamos um programa, uma política pública de controle de mobilidade criminal chamado Muralha Paulista. Olhei, fui lá para Nova York para conhecer o Fusion Center da NYPD, falei: pô, isso aqui é fantástico, pessoal.

Vários municípios já tinham o seu sistema de monitoramento. Então tinha cinturão eletrônico de Datuba, de Sorocaba, de São José dos Campos, que é um dos mais evoluídos, um exemplo lá, São José dos Campos, usou muita tecnologia para controle de criminalidade. Só que eles não tinham aquilo que era mais precioso, que eram os dados. Quem tem, por força de lei, é o Estado que possui o banco de dados de indivíduos procurados pela justiça, de carros roubados e furtados que são registrados nos boletins de ocorrência da Polícia Civil, é a Secretaria de Segurança Pública que tem.

Então, de maneira pioneira, o que que eu fiz? Eu devolvi o alerta para os municípios que quisessem fazer convênio com a Secretaria de Segurança Pública. Qual foi a grande vantagem? O Smart Samp é o maior exemplo disso aqui em São Paulo. A captura de procurados aumentou exponencialmente. A captura de procurados, a recuperação de veículos roubados e furtados. Indivíduo que cometeu um assassinato em Santo André foi preso em Itu. Por quê?

Porque os sistemas estão conectados num guarda-chuva gigante chamado Muralha Paulista e recebe em tempo real quando o indivíduo, se ele roubar um carro em Presidente Prudente, mas tiver em Santos, o Estado vai ficar sabendo e o município, se eventualmente possui guarda municipal, também vai receber o alerta. Então Esse foi um outro fator aí que colaborou para a gente conseguir reduzir os indicadores criminais.

TSThiago Salomão

Só sobre isso, o senhor gosta da ideia da Guarda Municipal atuando como polícia?

GDGuilherme Derrite

Adoro! Eu acho que tá atrasado quem não pensa assim. Existe um— acho que o que precisa ter é o seguinte: para combater o crime seria incoerente da minha parte se eu fizesse uma alegação assim contrária a isso que eu acabei de falar. Que eu vejo com bons olhos a participação do governo americano em parceria com o estado brasileiro para combater o crime organizado. Eu não tem como ser contra o município ter uma força de segurança em parceria com as forças estaduais, federais, para combater o crime.

Eu acho que assim, do jeito que tá hoje, tem campo para todo mundo trabalhar. E no final das contas, para população não interessa se quem vai prender, a polícia militar, a polícia civil, a polícia municipal, a polícia Rodoviária Federal. Pelo importante, aprender o criminoso. Agora, que precisa ter a coordenação, trabalho em conjunto. E aí existe uma grande preocupação por causa do conflito de competências. Acho que a gente precisa delimitar aqui que seja um trabalho inteligente e que não haja na mesma ocorrência um conflito de competência entre instituições.

Por isso que nos Estados Unidos tem um só, é uma central de emergência única, que a gente não tem ainda. Entendeu? Tem da Polícia Militar. O ideal seria polícias municipais, guardas municipais junto com a Polícia Militar recebendo chamado para ir, ó, vai essa viatura, agora vai outra polícia. Acho que a gente, de forma inteligente, poderia distribuir e atender as demandas da sociedade dessa forma.

LRLeopoldo Rosa

Só uma perguntinha direta e reta que no meio daquela minha longa pergunta ela acabou ficando diluída, mas como resolver ou como colocar na cabeça da sociedade que falta de presídio é um problema que precisa ser resolvido?

GDGuilherme Derrite

Eu vejo que isso daí, eu não acho que a sociedade pensa que isso é ruim, sendo bem sincero. Naturalmente, você promove uma reforma, endurecimento da legislação no combate ao crime, o que se espera, o que aconteceu nos países que adotaram essa postura de reforma do sistema de justiça criminal, mudando a percepção. Que o criminoso, vou falar para vocês como funciona agora como policial, você vai abordar um criminoso que já foi preso algumas vezes, como eu já abordei várias vezes, O cara já foi preso por roubo, por sequestro, por isso, por aquilo.

Aí falei: mas você foi condenado a quanto? Aí ele fala: fui condenado a 5 anos e 4 meses. Mas você ficou preso quanto tempo? Ah, fiquei 8 meses. Ele não é um ser humano dotado de muita informação, uma base cultural elevadíssima, mas na cabeça dele, o que que ele fala? Meu, se eu for condenado, empiricamente ele aprendeu, se eu for condenado a 6 anos, eu não fico 6 anos preso. Os países que mudaram essa lógica, você foi condenado a 10 anos, você vai ficar 10 anos preso, não tem meia conversa, não tem cumprir 6 meses, 1 ano e já ser posto em liberdade.

Essa, esse poder de dissuasão faz com que os crimes, a sociedade de forma geral, aqueles que estão pensando em cometer o delito, começa a perder o interesse. Fala, pô, o crime já não compensa tanto mais. E essa decisão, como Gary Becker escreveu, é uma decisão racional que o indivíduo Leve em consideração. E o fator é econômico. Ele vai: quanto eu vou ganhar em cima disso? A esmagadora maioria dos crimes, o indivíduo toma essa decisão com base nessa, nessa princípio.

Fala assim: ó, é isso daí, vou ganhar o quê com isso? Quanto eu vou ganhar? Ele vai cometer o crime por cometer, exceto um crime passional, etc. e tal. O risco-retorno é isso, é o custo-benefício do crime. Quando você aumenta o custo dessa maneira, você tem uma elevação naturalmente nos países que adotam essa mudança. E é o que eu pretendo ver um dia no Brasil acontecer, um cavalo de pau drástico de 360 graus para a gente fazer.

Foi preso, roubo de celular, 12 anos de prisão, com direito ao quê? Com direito a ficar 12 anos preso. Aí, progressão de regime, esquece. Eu sou contra. Se for falar em progressão de regime, vai ficar 11 anos e meio se trabalhar todo santo dia no sistema prisional. Fora isso, nem é indiscutível, você tem que ter uma oferta maior de vagas do sistema carcerário. Só que depois, sabe o que acontece? Despenca, porque o crime deixa de ser compensador naturalmente.

LRLeopoldo Rosa

Ou seja, as pessoas vão deixar de cometer esse crime pelo simples fato que não vale mais a pena cometer esse crime.

GDGuilherme Derrite

É isso que os marxistas, os românticos, a esquerda não entende. Eles acham que a gente vai ter que sair construindo presídio, que o crime vai— eles não vão parar de comer. Lógico que vão parar de comer. Só vê o caso de El Salvador. E eu fui lá conhecer o que eles fizeram. Eu fiquei uma semana lá estudando.

LRLeopoldo Rosa

Qual foi a sua impressão lá de El Salvador?

GDGuilherme Derrite

Espetacular! Eu nunca me senti tão seguro na minha vida. E assim, se foi feito lá, que era o país mais violento do mundo, pode ser feito em qualquer país com problemas parecidos ou similares. Aí vem os pessimistas de plantão, né? Não, mas lá é um país com 6 milhões e meio de habitantes, lá é fácil resolver. Aí você pergunta para o cara, o cara não arruma nem a cama dele, fala isso daí, não consegue resolver, nunca assumiu uma função de liderança, nunca liderou sob pressão, não sabe o que é fazer gestão e fala uma besteira dessa.

Claro que não é tão simples, o Brasil é mais complexo, mas o Brasil é muito maior também em termos de orçamento, que precisa ter vontade política e gente com capacidade para liderar esse processo. No atual governo federal a gente não vê nenhum dos dois, nem a vontade e nem a prioridade, nem a capacidade. Então o que eu vi lá no governo de El Salvador, eu vi um presidente que foi prefeito numa cidade pequena, depois ele foi prefeito da capital, San Salvador, E na eleição presidencial dele, de 60 parlamentares lá, não é o sistema bicameral igual o nosso aqui com Câmara e Senado, é uma assembleia legislativa.

De 60 deputados, ele fez 54. Então toda proposta que ele quis alterar legislativa, ele alterava em milésimos de segundo, porque ele formou um grupo. E assim, crise é janela de oportunidade. A crise era tão grande lá E o Brasil tá caminhando para essa crise de segurança pública, tá tão grande que qualquer um que se propuser apresentar um plano robusto, forte no combate ao crime organizado vai atrair muita atenção e naturalmente muito voto.

Agora, depois de eleito, precisa colocar em prática aquilo que foi prometido durante a campanha. Esse é o compromisso, né? E eu vejo essa percepção Que você falou, pô, Dereck, mas como a sociedade, como transferir para a sociedade esse negócio de aumentar o número de presídios, a galera não vê com bons olhos. Eu acho que na eleição passada eu já tive uma boa impressão e agora tô tendo cada vez mais. Na eleição passada, um eleitor, eu acredito que ele foi meu eleitor porque ele mandou a colinha para mim lá, mandou mensagem assim, ó, sou fulano de tal, falou até uma cidade do litoral norte, não vou dar muito spoiler não, falou assim, ó, eu tô numa crise existencial, deputado.

Eu falei, mas por que e tal? Direct, né? Porque eu sou de extrema esquerda. Não é que eu sou de esquerda, sou de extrema esquerda. Eu vou votar no Lula, vou votar no senador, quero Márcio França, vou votar no Haddad. Mas para deputado federal quero votar no senhor, porque esse projeto que o senhor aprovou do fim da saída temporária de preso, eu tô 100% de acordo. O meu filho, eu fico esperando meu filho, minha filha, não lembro, voltar da faculdade, fico desesperado para ver se não vai ser roubada.

Isso para mim foi um diagnóstico real. O criminoso, quando ele pega um 38 na Faria Lima e coloca na cabeça de alguém para roubar o celular, ele não pergunta se vota no Lula, no Bolsonaro. Pô, nós tivemos o ciclista Vitor Medrado aqui assassinado covardemente por causa de um aparelho celular. E os dois criminosos que praticaram o latrocínio, mais a criminosa que era líder dessa quadrilha deles, a Suedna, conhecida como mainha do crime, os três já tinham sido presos algumas vezes anteriormente.

Então a falência do poder do Estado de punir adequadamente os criminosos é que alimenta esse círculo vicioso que o Brasil vive, essa insegurança pública. Então em 2022 já tive um diagnóstico que mesmo um cara de, segundo ele, né, extrema esquerda, votou em mim por causa da pauta da segurança pública. Agora mais do que nunca a segurança pública é por conta dessa desse, dessa crise que a gente vive, é a pauta mais suprapartidária que existe.

TSThiago Salomão

É porque eu acho que no fim tem uma coisa que assim, você pode ser de direita, de esquerda, você pode achar que o bandido é bandido porque quer ou porque ele é vítima da sociedade, como diz a esquerda, mas todo mundo quer chegar em casa seguro, todo mundo quer que não roubem seus bens. Então assim, existe uma convergência de interesses que você pode divergir do porquê chegamos até aqui. Agora, eu que não queremos continuar aqui, é meio claro para todo mundo, né? Ou deveria ser, né?

?Voz A

Sim, sim.

LRLeopoldo Rosa

Não, é que eu vi um corte de um líder mais de esquerda, não tem nenhum cargo político, mas ele tava num podcast, ele falou assim: olha, imagina que eu tô na minha casa, aí entra um ladrão e ele ameaça matar minha mulher e minha filha. Você acha que eu não vou querer me defender? Você acha que eu não vou querer a morte dele? Você acha que eu não vou querer acabar com essa situação? Então assim, o fato de eu ser de esquerda, de eu defender, tô no ideal Pô, no final quero proteger minha família, como é uma pauta totalmente suprapartidária, como você disse, né, Leco?

E acho que ela também tá muito ligada a um ponto que eu falei, quando a sociedade, e você pode falar o Brasil continua uma merda, não sei o quê, mas não, o Brasil, se você pegar estruturalmente nos últimos 30 anos, a gente teve um grande progresso de acesso a serviços, acesso a vários itens básicos mesmo, que a população não tinha acesso e hoje tem. Então quando você começa a ascender socialmente, você também começa a se preocupar mais em preservar aquilo que você tem.

TSThiago Salomão

E ainda mais num país instável em que o fato de que você conseguiu comprar um celular hoje não quer dizer que você vai conseguir comprar um celular amanhã se o seu for roubado. Porque se há uma estabilidade econômica permanente, você fala: não, se me roubarem eu consigo comprar outro. Você não sabe se você consegue comprar outro. Então tem muito disso assim, essa ascensão social de grande parte da população, ela tá baseada numa incerteza ou numa certeza temporária. Então é isso, gera esse sentimento de insegurança.

GDGuilherme Derrite

Comum, se for falar então de crescimento do crime organizado, aí que o Estado precisa ter priorização, precisa ter cooperação internacional, precisa ter um plano robusto. Vamos lá, crime organizado no Brasil cresceu dessa forma exponencial, a gente falou, etc. e tal. No caso do PCC, a principal fonte de receita é o tráfico de drogas, tanto no mercado nacional quanto internacional. E o Brasil teria uma grande fazenda, nem pequena fazenda, produzindo cocaína.

E qual é o plano do atual governo federal, ou foi durante os últimos 30, 40 anos, para conter ou para controlar as fronteiras do nosso país? Sabe qual que é o plano? Ah, desculpa, nossa fronteira tem 16 mil quilômetros quadrados de extensão. É aí que tá o problema. A gente sabe de onde vem a droga, que tá vindo da Bolívia. Vamos voltar no caso da Cracolândia. A droga vinha da Bolívia com pasta base de cocaína, ia para Baixada Santista, era feita a mistura dessa droga, ela subia para capital, ia para Favela do Moinho, na região central.

É o bunker do PCC, era Favela do Moinho. Da Favela do Moinho era distribuída em 78 hotéis, hospedarias, Umas quantidades grandes, mas menores do que aquela quantidade total, para que os traficantes ficassem pegando, vendendo ali naquele entorno, todo o entorno. E o PCC, o que fazia? Usava o fluxo. Vamos supor que essa latinha seja o fluxo. O fluxo tá aqui, que são aqueles 1.800 usuários. Jogava para cá. Que acontecia com os imóveis dessa rua aqui?

Depreciação imobiliária. O PCC ia lá e comprava tudo. Aí jogava para essa outra rua. Aí o PCC ia lá e comprava todos os imóveis, que ia baixando o preço, baixando o preço, fechando loja, baixando o preço. Daqui a pouco, o PCC era dono de 78 hotéis e hospedarias. E o que ele fazia com esses hotéis? Isso é operação Downtown, que eu tô resumindo de maneira bem simplista aqui para vocês. A operação Downtown identificou esses 78 hotéis e hospedarias, identificou essa rota do tráfico internacional de drogas, e identificou uma coisa que ninguém tinha até então descoberto: que o CNPJ desses hotéis é que faziam lavagem de dinheiro do tráfico da Cracolândia.

Então ia pingando CNPJ em CNPJ até chegar nos cabeças do tal do Léo do Moinho, que foi preso pela Rota na Praia Grande durante a operação, essa operação downtown, e descobriu que aqueles hotéis que eram verdadeiras espeluncas lá na Cracolândia faturavam 15, 20 milhões de reais por mês. É impossível, impossível. Então os hotéis tinham uma tripla função: armazenava droga, fornecia espaço para o usuário de droga consumir, fornecer espaço para prostituição, prostituição infantil até lá, lamentavelmente, triste.

E um terceiro e principal ponto que ninguém tinha descoberto até então, que foi o Dr. Ronaldo Saegue, diretor do DNARC da Polícia Civil, que descobriu, e depois a Operação Saúde e Dignidade com o Ministério Público, os CNPJs sendo usados para fazer lavagem de dinheiro do crime organizado, do PCC. Quando nós descobrimos isso e fechamos por ordem judicial os 78 hotéis, Nós bloqueamos mais de R$210 milhões das contas desses CNPJs, que daí num próximo ponto lá na frente, depois do trânsito em julgado, pode ser que esses R$210 milhões sejam revertidos para as forças policiais para comprar viatura, para comprar equipamento.

Então todo esse ecossistema criminoso foi se ajustando. E aí veio, como eu mencionei, a liderança do vice-governador Felício Ramuthi, e com autorização do governador Tarcísio de Freitas, para esse trabalho multidisciplinar. Agora tá faltando a Secretaria de Habitação entrar. Para desmobilizar o bunker da favela do Moinho. Entrou um grande plano de habitação. Olha só, aí o governador sendo acusado de fascista, tirando a população.

Imagina só, olha só que absurdo, tirando a família que mora num barraco, uma situação de extrema vulnerabilidade, para dar um apartamento, uma casa do CDHU com dignidade para essa pessoa.

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LRLeopoldo Rosa

Como é que você vê isso? Esse é um ponto que até naquela pergunta que eu fiz eu queria sentir um pouco mais a sua sensibilidade de quando a gente vê uma medida dessa que tem totalmente um intuito de melhorar aquela região, melhorar, resolver um problema que o crime criou, mas há uma parte da sociedade que acusa: pô, isso é fascista, isso é não sei o quê. O quanto você consegue discernir isso como: ah não, isso aqui é totalmente ideológico, é totalmente político, ou Não, ainda há um ranço na sociedade. Como é que você lida com isso?

GDGuilherme Derrite

Cara, eu lido de forma muito tranquila, até porque 90% dos moradores da favela do Moinho quiseram aderir e receber um apartamento, uma casa do CDGO gratuitamente, ou ir para o aluguel social, receber um valor para poder alugar uma casa e dar dignidade para seus familiares. E aí criou-se ali o movimento Moinho Resiste, uma líder comunitária chamada Alessandra Moja recebeu 3 ministros do governo Lula. O próprio presidente da República foi lá na favela do Munha, que tem uma área que é da União, então precisaria uma autorização da SPU, né, para que é um órgão federal, para desmobilizar, para que pudessem fazer a retirada dessas famílias de lá também.

E aí essa líder comunitária tava lá no palanque dizendo, ela, segundo ela, resistindo, né, fazendo com que os familiares não saíssem de lá. Quem que é Alessandra Moger? Irmã do Léo do Munha, do traficante líder do PCC, que foi preso. E ela foi presa um mês depois da Operação, se eu não me engano, Operação Sharp, com uma quantidade considerável de droga na casa dela. Então é uma hipocrisia pura desses aí. Não existe isso. Quando você vai, quando o Estado tá querendo dar uma condição digna para família sair desse estado de vulnerabilidade, A hipocrisia impera dizendo que não, olha só.

Mas faz parte, infelizmente faz parte da polarização que a gente vive hoje na política, né? Cabe a nós é tomarmos as decisões, em especial quem tá no Poder Executivo, com base e evidência, e muito tranquilo, sabendo do que tá fazendo.

TSThiago Salomão

O senhor falou do litoral de São Paulo, né? E acho que o litoral tem se tornado, pelo menos pelo que a gente acompanha na estatística e no noticiário, é um ponto, uma base informal do PCC também, né? A gente viu a operação que a Polícia de São Paulo fez nas cidades do litoral para tentar combater o crime organizado lá. A gente viu o assassinato do secretário de Praia Grande, que era delegado de polícia, o Rui Ferraz Fontes. Em que momento que o crime organizado migra para o litoral e por quê?

GDGuilherme Derrite

Tem tudo a ver com o que eu falei, tá 100% conectado. Quando o PCC descobre a rota do tráfico internacional de drogas, o Porto de Santos é o segundo maior exportador de cocaína do mundo, só perde pro Porto de Guayaquil no Equador, infelizmente. Eles descobrem essa rota e aonde o crime organizado era mais perceptível, era mais latente a presença do crime organizado no estado de São Paulo? Centro de São Paulo, Baixada Santista. Então foi esse ponto de partida na nossa gestão em 2013 que a gente começou.

Nós começamos com a Operação Impacto. Fazia muito tempo que a Rota, o Choque, não ia pro litoral como começou aí no início da nossa gestão. E durante esse reforço de apoio, na verdade, que o Choque e a Rota estavam fazendo na Baixada Santista, que vem o advento da morte do soldado Patrick Reis. Lamentavelmente, a partir da morte do soldado Patrick Reis, a gente implementou a Operação Escudo. Operação Escudo, que foi o nome, né, foi até idealizado pelo ex-comandante-geral, um brilhante coronel chamado Cássio Araújo de Freitas.

O que que era a Operação Escudo? Já tivemos outras etapas, outras fases da Operação Escudo. Toda vez que a polícia, que é representante do Estado, que é a única autorizada a utilizar os meios de força, inclusive letais, não letais e letais, monopólio da força do Estado representado pela polícia, A partir do momento que ela for contestada ou agredida, seja numa prisão de um traficante onde parte de outros criminosos tentam tomar esse traficante das mãos dos policiais, ou até mesmo no caso como foi do Patrick Reis, de um homicídio de um policial, um assassinato policial, imediatamente nós vamos realizar uma operação escudo com o objetivo de criar essa memória E essa certeza de que o criminoso que ia tentar contra a vida dos policiais vai ser punido, vai ser caçado e vai ser preso.

E óbvio, se atirar, eu torço para que o policial saia vivo e o criminoso seja neutralizado. A partir do momento que a gente realiza a Operação Escudo na Baixada Santista, foram 40 dias de operação, somado a Operação Escudo, Operação Verão, foram— que logo depois teve uma outra operação, era para ter sido uma nova fase da Operação Escudo, mas aí Pessoal da comunicação do governo achou por bem, não, não vamos falar, vamos mudar o nome, besteira.

Para mim teria sido Operação Escudo novamente, porque é o que foi. E dentro dessa perspectiva, porque depois morreu o Cabo Silveira do BAEP e o Cabo Cosmo da Rota. Então nós realizamos essas duas grandes operações com qual objetivo? De neutralizar a criação de um estado paralelo no estado de São Paulo, que é o que tava caminhando para isso. Com todo respeito, eu não gosto de fazer comparação com Rio de Janeiro, mas é inevitável.

Se a gente não tomasse a atitude que nós tomamos naquela época, nós desmobilizamos 27 barricadas nas comunidades de Guarujá e de Santos, nós prendemos 2001 criminosos, 2001 criminosos presos, 238 armas de fogo ilegais apreendidas, das quais 42 fuzis e 3,5 toneladas de drogas apreendidas. Então o que tava ali, o território paralelo que estava sendo criado, a gente conseguiu conter. Mas o que realizar as operações, que você vira as costas, volta rapidamente.

Nós aumentamos o efetivo da polícia, só da Polícia Militar, lá é mais de 600 homens na Baixada Santista, Santos e Guarujá. Nós aumentamos efetivo da Polícia Civil com os dois maiores concursos da história, um de 4.000 em Poçados, e outros 3.500. Então tivemos ações de gestão e governança para melhorar efetivamente. Por que que não melhora 100%? Porque a lei ainda é a mesma, e o problema principal da segurança pública no Brasil é a legislação.

E por que que eles se tornaram esse ponto estratégico? Porque é do lado do Porto de Santos, as comunidades do Guarujá ficam do lado, e o escoamento da droga pro tráfico internacional sai das comunidades. Então a droga que vem dos países andinos produtores, majoritariamente da Bolívia, vai para Baixada pasta base de cocaína, fica um tempo ali e vai para o Porto de Santos e é levado por container para Europa e para parte da Ásia.

Por isso que eles se instalaram desse jeito lá, por isso que a violência aumentou exponencialmente na Baixada Santista nos últimos 10 anos.

LRLeopoldo Rosa

De Ristau, aguardando essa pergunta já desde o começo do papo, vou trazer ela agora. Queria ouvir um pouco da sua impressão sobre um olhar mais técnico sobre O que realmente indica que a segurança está melhorando ou piorando no Brasil? E queria fazer o seguinte paralelo: a gente ouve muitas pessoas que não são do mercado, não acompanha economia, falando: olha lá, olha como a economia tá bem, o desemprego tá na mínima histórica, olha como a economia tá bem, o PIB tá crescendo pelo 4º, 5º ano seguido mais de 2%.

Mas quem olha um pouquinho mais os detalhes sabe que olhar um indicador só Não diz o que é a saúde daquele país, né? Desemprego tá na mínima histórica porque tem menos pessoas procurando emprego, porque a quantidade de trabalho informal tá muito alta. Então não quer dizer, não quer dizer que é assistencialismo, enfim, não quer dizer que é uma economia está saudável. Da mesma forma, o crescimento do PIB tem lá muito estímulo governamental, que a gente já sabe que em 2027 essa torneira vai secar, seja qual for o governo, a gente vai ter que cessar com esses estímulos, porque a nossa conta vai chegar.

E a gente tem um dado aí, pegando um dado sobre letalidade da polícia, que cresceu de 2022 a 2024, quase 100% de crescimento em São Paulo. E aí, até esse dado por si só, o que que ele pode dizer se a segurança melhorou ou piorou, né? Porque por um lado, pô, se a polícia tá matando mais, é porque tem mais bandido, tem um problema ali. Mas também vai ter um lado da sociedade que vai falar: poxa, mas tá matando mais, mas será que tá matando certo?

Será que o certo não seria, sei lá, alguma medida mais educacional, enfim, pensando no longo prazo? Você, como especialista que já viveu na rua, na Câmara, na Secretaria, e acompanha isso ativamente, o que que seria um bom indicador para mostrar: olha, olhando isso, isso e isso, É por isso que a segurança pública em São Paulo, no Brasil, está melhorando ou está piorando?

GDGuilherme Derrite

É um conjunto de indicadores criminais. A gente não pode usar um isoladamente, né? Mas tem alguns fatores aí que conseguem mostrar para gente um diagnóstico do caminho a ser seguido. Quando nós assumimos a Secretaria de Segurança Pública, a gente, pela primeira vez, o Estado de São Paulo tinha um plano definido de combate ao crime, combate ao crime organizado. Baseado em 3 pilares fundamentais: a busca e captura das principais lideranças do PCC, monitoramento, busca e captura.

Cada macro região tem que saber quem são os líderes do PCC. Não dá para esperar acontecer um novo ataque como foi em 2006 para a gente correr atrás dos criminosos do PCC. Então monitoramento, busca e captura: quem são, onde moram, o que fazem, qual atividade ilícita, se estão lavando dinheiro, aonde. Quais, em qual setor da economia estão tentando fazer o branqueamento de capitais, que é lavagem de dinheiro. Então, monitoramento, busca e captura, e estimular cada um dos setores de inteligência regionais, ou seja, o The Intercept e agência regional de inteligência do CPI-7 de Sorocaba, o de Bauru, de Araçatuba, São José do Rio Preto, a integração entre as forças policiais.

Então, monitoramento, busca e captura das principais lideranças. Segundo, Inviabilizar a cadeia logística do crime. Como eu já mencionei, São Paulo acaba sendo o hub de distribuição da cocaína para a Europa Ocidental, para a Ásia, um pouco para os Estados Unidos. Mas não é só da droga, mercados ilícitos. Então é mercado de cigarro, é mercado de eletrônicos, é mercado de tudo quanto é tipo de contrabando. Eu fui fazer uma palestra na Universidade Georgetown em Washington e na época era um diretor da Philip Morris América Latina Eu achava que o mercado de cigarros era o maior volume em valor agregado de contrabando no Brasil.

Não é, é o vestuário. Aquelas camisas falsificadas da Lacoste, da Oakley, da Nike, gira em torno de R$80 bilhões por ano. Ou seja, você tira da economia formal, porque eles não pagam imposto, não gera emprego, é uma coisa falsificada, vem em container, vende. Enfim, só dando um exemplo. Então, inviabilizar a cadeia logística do crime. De que forma? Estudar, ter um diagnóstico real, saber onde está localizada a principal fonte de receita do crime organizado e o que nós vamos fazer para evitar isso.

Como os portos e aeroportos internacionais são de competência da União e não das polícias estaduais, nós no meio do caminho até a chegada do Porto de Santos foi onde nós distribuímos software de inteligência, câmeras de monitoramento e o uso da inteligência policial. Então aumentou exponencialmente a apreensão de drogas na nossa gestão. E um terceiro importante ponto é impedir a lavagem de dinheiro do crime organizado. Então, monitoramento, busca e captura das principais lideranças, inviabilizar cadeia logística, impedir a lavagem de dinheiro.

Essa é uma missão principal da Polícia Civil. Por isso que nós investimos lá no laboratório de lavagem de dinheiro do DIPOL, identificamos mais de R$22,4 bilhões em inquéritos de lavagem de dinheiro. Nesses, com essas 3 estratégias pré-estabelecidas, também teve a priorização do combate ao crime organizado. Então operações no terreno, operações que foram realizadas na Baixada Santista, no centro, em todo o estado de São Paulo, elas não tinham mais aquela postura, com todo respeito, covarde de governos anteriores.

O bom policial, policial que age dentro dos limites da lei, combatendo o crime, combatendo o crime organizado, não sofria sanção como eu sofri. Por exemplo, eu fui transferido da rota Alguns imbecis aí não sabe o que estão falando, né? Falei, eu fui expulso da rota, eu fui transferido, eu saí de uma unidade, fui, mas eu fui convidado, eu fui movimentado contra minha vontade porque eu participei inúmeras vezes de confrontos com o crime organizado, tava na ponta da linha, o criminoso armado, a gente também, etc.

?Voz A

e tal.

GDGuilherme Derrite

E graças a Deus eu sobrevivi. Mas naquela época, bons policiais, ao invés de serem elogiados ou receber condecorações, eram transferidos. Por quê? Porque se envolvia em confrontos com o crime organizado. Isso acabou. Só essa mudança de comportamento, só a minha presença na Secretaria de Segurança Pública deu mais coragem para os policiais. Falou: pô, o Derrite é um dos nossos, é um cara que até ontem estava na ponta da linha com a gente, então a gente não vai sofrer injustiça.

Em certa medida a gente conseguiu proteger os bons policiais nesse sentido. E aí vem alguns argumentos de parte da mídia dizendo o seguinte: olha, como se fosse um ponto crítico, sob a sua gestão "Olha, aumentou 186% o número de confrontos entre a polícia e os criminosos." Eu falei: "Mas você acha que isso é um ponto negativo?" A partir do momento que a gente sabe o problema a ser enfrentado, a partir do momento que a gente estabelecer um plano bem estratégico e direcionado para combater o crime, a partir das evidências que eu sei com base no estudo analítico, aonde a maior probabilidade do crime acontecer, o tipo de crime, eu pego as forças, aloca as forças policiais de forma inteligente, com base em evidência, no terreno, para evitar que o crime aconteça, ou onde há maior probabilidade que ele aconteça, é natural que aconteça o confronto.

O número de prisões aumentou exponencialmente. Estamos falando aqui de mais de 600 mil presos em 3 anos. 600 mil presos. Mais de 40 mil armas apreendidas em 3 anos. E aí eu volto com a resposta: por que São Paulo não é mais seguro do que El Salvador? Porque a gente prende o mesmo criminoso uma, duas, 15, 30 vezes. Eu dei um exemplo absurdo, cara, foi preso 24 vezes por roubar banco, cara, não tá furtando bolacha no mercado, cara, foi preso por roubar banco 24 vezes.

Aonde? No Brasil. Aonde? Em São Paulo, lamentavelmente. Então esse sistema que se retroalimenta, lembra das antigas portas giratórias dos bancos? Eu lembro quando eu ia lá no Banespa em Sorocaba com Como é o finado avô Cláudio Muraro, a gente tinha porta giratória. O sistema prisional no Brasil é, para quem tá assistindo a gente entender, é uma porta giratória. A polícia prende e o criminoso que tá sendo preso, ele sabe que invariavelmente, em pouquíssimo tempo, ele vai ser posto em liberdade.

E aí tem que falar um pouco, senão, prisional, enquanto ele é colocado lá, como ele sabe que ele vai voltar em pouquíssimo tempo para rua, Ele não tem estímulo nenhum, o Estado não exerce nenhum tipo de poder sobre ele. Aqui você vai ter que cumprir regras, você vai ter que trabalhar, você vai ter que estudar. Não, ele sabe que daqui a pouquinho ele tá na rua de novo. Eu também não sou a favor de que o presídio seja transformado numa masmorra da Idade Média, coloca o cara no calabouço lá do castelo e o cara vai apodrecer.

Não é isso. Mas é o seguinte: tá preso, cometeu o crime, primeira função da pena É fazer com que o criminoso cumpra uma pena proporcional pelo crime que ele cometeu, ele seja afastado da sociedade, ele como indivíduo entenda que você tá errado, você vai ser punido e vai ficar aqui preso. Quanto foi condenado? A quanto? A 10 anos? Vai ficar 10 anos preso. E um outro efeito que se espera da pena gerar na sociedade, naqueles que estão pensando em entrar para a vida delituosa, não compensa porque o cara tá ficando 10 anos preso lá, acabou aquela mordomia da porta giratória.

Mas a gente só vai conseguir mudar o jogo quando a gente tiver condições de fazer com que esse cara trabalhe. Infelizmente, a gente não pode obrigar o preso a trabalhar, porque a Constituição de 88 previu na cláusula pétrea que o Estado não pode obrigar. Mas já que existe esse mecanismo da progressão de regime, só deveria ter acesso aquele que trabalhasse, por alguns motivos óbvios, tá? E o que eu vou falar agora aqui é baseado em evidência.

Até o primeiro mês, quando é posto em liberdade, 29% dos detentos do Brasil cometem residência criminal. Aqueles que são pegos, não quer dizer que os outros não cometeram. Dos que são presos, 29% até um mês. Até 5 meses, até 3 meses, desculpa, 50%. E a média é de 70% de residência criminal. Então o Estado tá falhando. O presídio, o pessoal fica falando, a ressocialização Não é função principal ressocializar, mas eu acredito sim na reabilitação.

De que maneira? Trabalho. Por que trabalho? Primeiro, se ele for cumprir a pena integralmente ou 95% da pena, já que a Suprema Corte declarou inconstitucional cumprimento integral da pena na época da Lei dos Crimes Edondos, para ter acesso a qualquer tipo de progressão de regime, por mínima que ela seja, tem que ser através do trabalho. E no trabalho ele aprende uma profissão ele consegue ajudar a família que eventualmente está fora e ele tem uma fonte de receita para ir guardando ali aquele recurso para quando ele sair depois de 10 anos efetivamente preso, 12 anos efetivamente preso, o cara vai pensar 1 milhão de vezes antes de voltar a delinquir.

É aquela famosa custo-benefício que a gente já falou algumas vezes aqui. Então o Estado precisa mudar a lógica do sistema prisional para de fato buscar a reabilitação através do trabalho. E não a ressocializar. Não é obrigação do Estado fazer ressocialização, obrigação secundária. Aliás, é uma função secundária, não obrigação. A principal é fazer com que cumpra a pena, para mostrar para a sociedade que não compensa ser criminoso no Brasil.

Agora, os indicadores. A ONU estabelece o número de homicídios por 100 mil habitantes como indicador. Vocês terem uma ideia, de El Salvador era 103, 109 por 100 mil habitantes. No estado de São Paulo 2023 batemos o recorde, 2024 recorde do recorde, 2025 terceiro ano consecutivo menor indicador de homicídios por 100 mil habitantes da história. Ele isoladamente, ele não pode ser considerado o único, mas é um bom indicador criminal.

Ou seja, e o Estado de São Paulo voltou a ter o menor índice de homicídios por 100 mil habitantes. É uma época que Santa Catarina tinha ficado melhor, mas São Paulo voltou a assumir. Mas não só isso, é o número de roubos comparado a qualquer período anterior. Não tem como você comparar o estado, um estado pequeno com o estado de São Paulo. Então você compara estado de São Paulo com estado de São Paulo em períodos anteriores. Nós conseguimos bater praticamente todos os recordes: menor número de homicídio, menor número de roubo, menor número de latrocínio, menor número de roubo de carga.

Mas e aí, a população se sente segura? Não. E outra coisa, é comparado com números que eram extremamente absurdos. Não quer dizer que nós estamos no paraíso. Nós estamos falando de um país que tem mais de 40 mil, 47 mil mortes violentas por ano. Isso é inadmissível. E aí você pega alguns estados do nosso país, e não é coincidência, estados governados pelo PT, que os números são de 30, 44 por 100 mil habitantes. Então o número de violência é muito grande.

Mas além do número de homicídios, número de roubos, todos esses indicadores criminais que hoje eles podem ser analisados de forma transparente no site da Secretaria de Segurança Pública, porque foi uma iniciativa da nossa gestão, eu abri os dados criminais. Antes era uma caixa preta inviolável, ninguém falava nada, uma vez por mês prestava contas. Eu falei: não, tem que ser transparente. Inclusive o cidadão pode entrar lá na rua que ele mora, ele pode saber se teve algum crime ou onde aconteceu, que forma foi, enfim.

E esses dados criminais têm que ser analisados de forma geral, todos eles. E a gente só vai conseguir melhorar se a gente mudar a lei. Volta a insistir nesse tema aqui. Acabar com a impunidade passa pela reforma da legislação, para que o criminoso que cometa crimes pague uma pena adequada pelo crime que cometeu.

TSThiago Salomão

Muito bem, posso fazer as perguntas dos nossos parceiros?

LRLeopoldo Rosa

Por favor, por favor.

TSThiago Salomão

Então, só lembrando, né, que a nossa cobertura eleitoral tem a parceria do Money Times e do Bastidores do Poder. Você encontra lá reportagens sobre as nossas entrevistas, né, Salomão? E também eles mandam perguntas especiais aqui para a gente.

LRLeopoldo Rosa

Money Times Esse é o dinheiro, esse é o dinheiro, exatamente.

TSThiago Salomão

E Bastidores do Poder, pergunta do Money Times, é sobre a questão do PCC e do Comando Vermelho, né? O que eles perguntam é se você acredita que as milícias surgidas na polícia e hoje infiltradas na política, a gente tem que citar de novo, mas a gente vê muito no Rio de Janeiro, é também deveriam ser consideradas organizações terroristas ou como classificá-las?

GDGuilherme Derrite

A gente colocou na Lei Antifacção, eu fui o relator da Lei Antifacção, a gente construiu o texto praticamente do zero, porque o texto que veio do governo federal era muito ruim. Então nós construímos uma legislação robusta, então mesmo os 10 tipos penais previstos na legislação, para quem exerce domínio territorial, para quem explora atividade econômica, para aqueles que usam armas exclusivas, de direito exclusivo de uso das forças armadas para exercer domínio territorial, para impor medo, terror até a sociedade, a mesma punição serve para membros de organizações criminosas e milícias.

Eu coloquei expressamente o termo milícia. Para mim são tão criminosos quanto, porque parem para pensar, eu analiso sempre pelo poder de lesividade que pode causar. E quando eu falo de classificar PCC, Comando Vermelho, como organizações terroristas, e a milícia também deve ser classificada dessa maneira, O que eles causam na sociedade, no bairro onde eles exercem esse domínio territorial? É o terror, é o pânico, é a criação de um território paralelo.

Então devem ser punidos da mesma forma que os membros de organizações criminosas que exercem esse poder territorial, como exercem as milícias e as organizações criminosas.

TSThiago Salomão

Veio também, Salomão, pergunta do pessoal do Bastidores do Poder. E aí tem uma, eu queria acoplar uma pergunta na pergunta deles, tá? Eles falam um pouco da Operação Carbono Oculto, né? E de como isso acabou esbarrando ali no marco legal do combate ao crime organizado. E aí o que eles perguntam, senador— eu já tô—

GDGuilherme Derrite

eu aceito, obrigado.

LRLeopoldo Rosa

Você queria eu derrite?

TSThiago Salomão

Tá elegendo? Não, eu derrite. O que eles perguntam é o seguinte: se essa lei ajuda a polícia e a justiça a chegar no andar de cima desses esquemas, ou se só pessoas Só a galera do baixo clero é que vai acabar na cadeia.

GDGuilherme Derrite

Sabe por que é importante essa pergunta? Porque alguns imbecis que não leram a lei soltaram essa fake news aí, que não, olha, a lei antifacção que o Derritte foi o relator não atinge andar de cima. Eu falei: me prova na lei onde tá isso. Eu acabei de voltar de Bruxelas, Parlamento Europeu, sede do Parlamento Europeu. Eu, na minha explanação, eu falei com membros do Ministério Público, Poder Judiciário, autoridades do Poder Judiciário da Itália, membros da Suprema Corte portuguesa, um em especial, um magistrado que foi autor de 3 livros falando sobre a descapitalização ou perda alargada de bens, falando que a lei hoje que mais cumpre aquilo que a ONU pretende estabelecer com ação, que tem que ser uma ação civil independente para perda de bens, É a Lei Antifacção do Brasil, seja uma das maiores autoridades da Europa falando que a nossa lei é uma evolução para pegar o andar de cima.

E aqui no Brasil alguns, e não são poucos, imbecis usando, de repente sabendo que é mentira, né, ou que não leram a legislação, falando: não, só pega o andar de baixo, não pega andar de cima. Eu falei: então me prova na lei. Porque foi uma solicitação do próprio Ministério Público, ação civil de perda de bens. Descapitalização de bens, para vocês entenderem por que que ela é tão importante. Existe uma ação criminal, certo? Tá investigando aí a Operação Carbono Oculto, uma ação criminal, lavagem de dinheiro do PCC.

Aliás, Operação Carbono Oculto, que começou com o Estado de São Paulo e tentou ser vilipendiada e dizer que foi o governo federal. Eu falo para vocês, aí quando entra a disputa política atrapalha. Núcleo do GAECO de Guarulhos, núcleo do GAECO de São José do Rio Preto, em parceria com as agências de inteligência da Polícia Civil, da Polícia Militar começaram a investigação, que durou 9 meses. E aí, quando eles vislumbraram mais de, são mais de 1000 postos de gasolina, 4 usinas, o PCC lavando dinheiro, e a presença de várias fintechs sendo utilizadas, alguns fundos para lavar o dinheiro do PCC.

E claro, tinha Porto Paranaguá no Paraná, tinha outros estados também que eram afetados. Obviamente que houve compartilhamento de informações e o apoio da Polícia Federal Como nós sempre trabalhamos aqui em São Paulo, a Polícia Federal, que sempre foi nossa parceira na gestão. E aí passaram até vergonha, lembra do ministro Lewandowski falando da operação? Não sabia nem o que era operação. E a gente aqui, aí quiseram marcar coletiva antes da nossa, uma tragédia.

Tudo que não é para ser feito, eles demonstraram. O certo, o que que é? Independente do presidente da república ou do governador, segurança pública tem que trabalhar em cooperação. Governo federal, governos estaduais, governos municipais, mas enfim. Então, ação cível independente imprescritível de perdimento de bens. O que significa? Não preciso esperar a condenação, o trânsito em julgado na esfera penal para eu descapitalizar os bens do CNPJ que faz a lavagem de dinheiro.

Isso é o que há de mais avançado no mundo. Foi que nós incorporamos na Lei Antifacção, por sugestão de quem? Do Ministério Público. De qual? De todos. O Conselho de Procuradores-Gerais de Justiça que são os 27 chefes dos Ministérios Públicos estaduais, assinaram uma carta em apoio ao texto. Ou seja, todos os chefes do MP. Por quê? Porque ação cível, ela é independente, ela não precisa esperar uma, duas, três instâncias para esperar condenar para depois atacar.

Porque o cara vai fazer, o CNPJ, vai pulverizar o capital. Além da ação cível independente imprescritível de perdimento de bens, ou perda alargada de bens, como alguns classificam, A gente introduziu de maneira inovadora medidas assecuratórias. O que significa? O magistrado, ele pode realizar intervenção no CNPJ que faz a lavagem de dinheiro, nomear interventor. Vamos supor que não gosto, não vou usar sua empresa, tá, uma empresa X que tá fazendo lavagem de dinheiro do crime organizado.

O magistrado responsável pelo acompanhamento dessa ação penal pode nomear uma terceira pessoa externa como interventor para fazer toda análise fiscal tributária dos últimos 5 anos da empresa. Pode inclusive extinguir de uma vez por todas o CNPJ depois de comprovar a participação no mercado ilícito. Então esse pessoal aí precisa ler o que tá na lei antes de criticar, antes de falar o que não sabe, entendeu? Então tá bem previsto lá, mas é difícil, né, no Brasil, pessoal.

Sempre vem interesse político. Os caras não lê, não quer reconhecer como é a lei. Foi o De Ritt que foi o relator e colocou isso. Vamos falar que só tá querendo pegar o andar de baixo, tá querendo pegar o andar de cima. É politicagem.

LRLeopoldo Rosa

Deixa eu fazer uma pergunta. Queria achar estatística que o Felipe Nunes trouxe aqui sobre o desconhecimento da população nos votos para senador. Você lembra desse número?

TSThiago Salomão

Lembro. 2/3 das pessoas não sabem que vão votar para 2 senadores. 2 senadores. Mas mais de 80% das pessoas sabe que é um senador que é o responsável por votar impeachment de ministros do STF.

LRLeopoldo Rosa

Eu achei aqui, né, o que eu ia falar, né? 22 só sabem que vão— só 22% sabem votar para senador, só 6% sabe votar para 2 senadores, mas 2/3 sabem que senador pode derrubar ministro do STF. Primeiro queria saber, a gente tá perguntando para todo candidato a senador sobre essa pauta que a sociedade parece considerar tão importante, mesmo não sabendo que vai votar para senador. Mas também saber como fazer campanha de um cargo que até esse momento, né, a população nem sabe direito se vai votar ainda, né?

Como saber se tá indo bem ou mal, enfim, aquela coisa do cheiro das pesquisas e tal? Ou se é só, putz, não, para senador não tem jeito? É, agora é ir plantando a sementinha, mas é um mês antes que o bicho pega, porque aí o cara vai lembrar que vai ter que votar para o assinatório.

GDGuilherme Derrite

Eu acho que é mais ou menos isso, é um pouco de cada. Eu acho que é ir demonstrando o trabalho. Acho que a gente tá bem posicionado por conta da visibilidade dos últimos anos, não só do mandato, do primeiro mandato, que a gente conseguiu aprovar o fim da saída temporária de preso, segundo mandato por causa da lei antifacção, especialmente por razões óbvias do trabalho que foi feito na Secretaria de Segurança Pública, a visibilidade que o cargo acabou dando, por conta da maneira como eu conduzi também, essa maneira como eu falei, sem covardia, apoiando o bom policial.

Foram inúmeras vezes algumas matérias tendenciosas, eu tive que corrigir alguns jornalistas, uma em especial que viralizou, uma repórter: "Não, porque a polícia é má." Como é que foi que ela falou? "O Ministério Público falou que mataram." Não, não, polícia não mata as pessoas, polícia defende a sociedade. A polícia age em legítima defesa. Que a senhora tá fazendo uma inversão de valores. Nenhum policial sai de casa falando: eu quero assassinar alguém hoje.

Pelo contrário, a gente reza. Pelo menos eu, dentro da crença de cada um, sempre rezei muito, leva o meu terço no bolso toda vez que eu vou trabalhar, pedindo para que os policiais sejam protegidos no exercício da sua função. Agora, quando o policial precisa agir, é óbvio que eu torço para que o policial saia vivo de um confronto, enfim. Mas é um desafio grande porque a população de fato deixa para decidir em cima da hora. E acho que essa estratégia que a gente montou aqui para deixar muito claro quem são os candidatos da direita ao Senado, quem tá alinhado com Tarcísio, com Flávio Bolsonaro, no meu caso apoiado pelo Tarcísio e pelo Flávio Bolsonaro, acho que é o que vai fazer a grande diferença.

Porque as pessoas, elas se preocupam mais com eleição presidencial, depois segundo plano com governador, e são 6 A colinha tem que ter 6 nomes, pô. É presidente, governador, deputado federal, deputado estadual, senador 1 e senador 2. Então é um desafio muito grande.

LRLeopoldo Rosa

E a pauta do impeachment de ministro?

GDGuilherme Derrite

Aí que você vai diferenciar aqueles que têm coragem e legitimidade. Eu sempre falei que sou 100% favorável a impeachment de ministros que abusam da sua autoridade. Não só os ministros do STF, qualquer autoridade. Ninguém tá acima da lei, pô. Agora, o Senado acovardado, com todo respeito, né, do jeito que tá hoje, a gente precisa ter maioria no Senado. A direita, no meu campo político, precisa ter maioria. Primeiro lugar, para eleger um novo presidente do Senado.

E não é uma crítica ao atual Senado, mas eu jamais votaria no senador Davi Alcolumbre para ser presidente do Senado. Então a gente precisa ter maioria. Já tem um grupo lá que foi apoiado pelo presidente Bolsonaro na eleição passada, alguns senadores. Como o senador Rogério Marinho, como outros senadores que foram eleitos com apoio do presidente Bolsonaro. E sejamos sinceros, sem o apoio dele não teria sido eleito nem para deputado federal, se bobear.

E foram eleitos com apoio do presidente Bolsonaro. Então você tem um grupo de senadores ali, são fazendo no mínimo mais 30, quem os mais otimistas falam em 40, para antes de falar sobre impeachment de ministro do STF, para que a gente tenha o presidente da casa, que é tão importante quanto frear os abusos e avanços do Poder Judiciário. Bom, tanto de coisa que a gente falou que a gente pode aprovar de legislação, de mudar de legislação.

Imagina se você tiver um presidente do Senado alinhado com essas pautas da segurança pública. A gente pode fazer muito, entregar muito para o nosso país. Então eu acho que dos candidatos aí, pelo menos aqui em São Paulo, eu tenho uma posição muito clara. Não sei como é que tá a questão dos outros candidatos, mas eu sou— ninguém tá acima da lei. E eu não tenho problema nenhum em votar a favor de impeachment de Ministro da Suprema Muito forte.

TSThiago Salomão

Bom, pensando aí na chapa que o senhor detalhou para a gente, né, tem o governador Tarcísio, que tende a ser um bom cabo eleitoral no seguinte aspecto, né, tá com uma avaliação boa no governo, tem pesquisas que mostram que ele estaria até muito próximo de vencer a reeleição num primeiro turno. Agora tem do outro lado Flávio Bolsonaro, que tá envolvido num escândalo difícil de dissociar da imagem dele, que já impactou desempenho em mais do que uma pesquisa. É, como é que é ser abraçado ou abraçar Flávio Bolsonaro num momento como esse?

GDGuilherme Derrite

Não vejo problema nenhum. Eu acho que assim, o que falta para muita gente é coragem. Eu acho que em momentos de crise, todos os covardes se escondem embaixo da mesa. Eu não tô querendo dizer que não fiquei surpreso, mas depois que ele se explicou e falou que era uma relação privada, que não houve nenhum tipo de participação, atuação dele como senador para favorecer, que aconteceu há 2 anos atrás, que ninguém sabia das ilicitudes praticadas pelo Banco Master.

Pô, grandes corretoras aqui da Faria Lima vendiam CDB do Banco Master, todo mundo sabe disso. Há 2 anos atrás, quando ele procurou numa relação privada estabelecer o financiamento, e ele se explicou, e eu falei com ele em particular, eu não tenho problema nenhum em defender. Eu não sou daqueles covardes que fica embaixo da mesa, tanto é que eu fiz um vídeo falando disso. E qual que é a opção então? Agora a gente vai abandonar o barco?

?Voz A

Não.

GDGuilherme Derrite

Se eu dei a minha palavra, eu vou até o fim. O senador Flávio Bolsonaro é o único que tem a coragem de fazer o que precisa ser feito na minha— eu não gosto de falar na minha área, porque não é minha bandeira a segurança pública, é meu ideal de vida, pô. Eu não fiz outra coisa na minha vida a não ser, com 18 anos de idade, quando eu passei na FUVEST, na Academia Militar do Barro Branco, eu passei em engenharia na UNESP e fui para a segunda fase da Unicamp, mas não fui prestar e decidi ser militar, porque eu queria realizar esse sonho.

Então eu tô nessa vida aí há quase 24 anos. Eu não conheço nenhum outro candidato que tenha a capacidade, a coragem principalmente, mas a capacidade de colocar em prática aquilo que eu sempre sonhei para o nosso país, no combate ao crime organizado. Então, para mim, não é uma opção abandonar o barco, nunca foi. E eu acho que o governador Tarcísio e o Flávio Bolsonaro aqui em São Paulo, tenho certeza, vão caminhar juntos. Já tiveram algumas agendas depois.

A minha, o lançamento da minha pré-candidatura em Campinas foi um exemplo disso, e foi na semana do que o áudio se tornou público. Eu acho que daqui até lá a gente tem ainda um longo caminho, mas creio que o eleitor de São Paulo vai votar majoritariamente nessa dobrada aí de Tarcísio para governador e Flávio para presidente. E eu vou lutar para estar nessa chapa aí como uma das opções do Senado. Muito bom, muito bom.

LRLeopoldo Rosa

Lépo, tem mais alguma que você gostaria de trazer? Tem uma. Eu adoro quando você vem aqui para falar de política, porque você sempre tem várias aí.

TSThiago Salomão

Manda ver então.

LRLeopoldo Rosa

A última?

TSThiago Salomão

Não, então é a penúltima.

LRLeopoldo Rosa

Vai lá, sabe? Não, você que manda, cara.

GDGuilherme Derrite

Vai lá.

TSThiago Salomão

A gente tem, para mim é inevitável falar de segurança pública e repetir uma frase que ficou associada à forma da direita lidar com segurança pública. A direita, algumas alas, sem generalizar, mas Que é o bandido bom é bandido morto. A esquerda usa isso pra deslegitimar o discurso da direita, tem gente na direita que usa isso falando sério. E eu queria ouvir de você. Bandido bom é bandido morto?

GDGuilherme Derrite

Bandido bom é bandido preso. Primeiro que não existe bandido bom, né? País bom é aquele que não tem bandido ou que tem poucos. Mas eu falei uma vez isso publicamente, porque tá no imaginário, eu falo muito isso em palestras, né? Eu falo assim, pessoal, às vezes 500, 600 pessoas no auditório, eu vou falar uma frase que vocês vão completar em silêncio na cabeça de vocês. Bandido bom é bandido? Eu falei, agora levanta a mão quem pensou bandido preso.

Ninguém levanta a mão. Gente, eu vou falar para vocês porque eu consigo enxergar, lembra daquela visão do policial, do secretário, do legislador? O bandido morto não resolve o problema. Não resolve. Se bandido morto resolvesse o problema, o Brasil seria um paraíso. Que as forças policiais entram muito em confronto, isso é muito ruim para nós, porque se você tem muito bandido sendo morto em confronto com a polícia— e a esquerda hipócrita não fala disso, mas é o país onde mais morrem policiais no mundo, é o Brasil.

O que os policiais vivem no Rio de Janeiro é 10 vezes mais perigoso do que um soldado americano na Guerra do Iraque, do Afeganistão. A chance de morrer é muito maior sendo soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro ou investigador do CORE do Rio de Janeiro do que um Navy SEAL do Exército Americano em guerra real, porque a nossa guerra também é real. Então essa hipocrisia, o bandido bom, bandido morto, tá errado. Bandido bom, volta a dizer, não tem bandido bom, mas bom seria se todo bandido ficasse preso, efetivamente preso, cumprindo efetivamente uma pena adequada e proporcional pelo grau de lesividade do crime que ele comete.

Então, Derrite, você é— o que seria adequado? Aí é um estudo que a gente precisa fazer. Eu acho que o criminoso que roubar um celular, ficar 10 anos preso, ele causou mais algum dano? Fora o dano psicológico para vítima, que pouca gente fala sobre isso. 10 anos preso, será que esse cara vai sair daqui 10 anos e vai roubar o celular? É a pergunta que eu faço pra vocês. Eu não tenho dúvida nenhuma que não vai. E se eu pegar esse cara, enquanto ele tiver esses 10 anos preso lá, ele começar a trabalhar, aprender uma nova profissão e ter uma nova fonte de receita, e ter uma receita sendo construída ajudando a família dele, construindo essa receita ao longo de todos esses anos, será que ele vai roubar quando ele sair?

Eu duvido. Então bandido que não é bom, mas bandido que comete crime tem que ficar preso, mas uma punição dura, severa. Agora, Membro de organização criminosa, esse daí é presídio de segurança máxima, sem direito absolutamente nada. Padrão do Secote lá de El Salvador, que eu fui lá conhecer. Esses daí são irreversíveis. Esse cara não adianta você querer. O cara que degola a cabeça de uma pessoa, que passa alguns dias estuprando uma garota de 15 anos, que mata uma garota que não quer namorar com ele, que expulsa moradores de comunidade.

Esses caras são para mim irreversíveis. O Estado brasileiro precisa retomar a soberania nacional nesses territórios que hoje são dominados pelas organizações criminosas.

LRLeopoldo Rosa

O Derritte, nessas suas andanças pelo mundo, qual foi talvez a maior aprendizado que você teve? Alguma coisa que chamou muito atenção? Que aqui, só ao longo do papo, você falou de El Salvador, falou de Bruxelas, falou nos Estados Unidos. Enfim, qual foi alguma grande coisa que você aprendeu que não tá ali muito no... Talvez Salvador tá muito notório porque sempre alguém traz esse exemplo aqui, mas alguma outra coisa que você aprendeu nessas andanças?

GDGuilherme Derrite

Cara, acho que foi mais um gás, uma energia para não abandonar a pauta, cara, porque eu tenho assim como idealista e otimista que sou, eu sempre acreditei que era possível melhorar e melhorar muito o cenário caótico da segurança pública no Brasil. Mas carecia de alguns exemplos reais. Guardadas as devidas proporções, o povo brasileiro— o Congresso Nacional é reflexo do povo, concordam? Então o povo brasileiro não trabalha muito preventivamente.

As instituições, o povo, a galera trabalha depois. Para, no caso, repressão é uma ferramenta muito usada, é prevenção muito pouco. Quem trabalha muito bem na prevenção é o Corpo de Bombeiros. Eu fui 4 anos bombeiro. Eu comentava aqui um pouco antes, né, da gente entrar, e os 4 anos no Corpo de Bombeiros me deram uma visão assim de atuar na prevenção. E o Congresso Nacional é muito reativo. Então vou dar um exemplo: se acontece um crime envolvendo um animal, um pet, um cãozinho, que foi naquela semana no Congresso Nacional, 5.800 legislações, propostas legislativas aparecem.

Não tem gente estudando, parada, quais são os principais problemas, baseado em evidência, quais foram os países que tinham problemas parecidos resolver. É o que a gente fez na Cracolândia. A gente não inventou a roda, a gente viu os problemas que aconteceram em Frankfurt, em Amsterdã, o que que eles fizeram, trabalho multidisciplinar, usando inteligência, tecnologia, enfim, replicamos aqui. Mas a andança pelo mundo, em especial El Salvador, porque foi o maior desafio, era o país mais violento do mundo, dominado pelos pandilheiros, pelo crime organizado, conseguiu resolver.

Um cara corajoso, um cara muito corajoso, muito inteligente, conseguiu com maioria no Congresso. Claro que tem coisas que tem que adaptar, mas acho que o especial nos Estados Unidos, por conta do pacto federativo lá ser diferente, lá cada estado pode legislar matéria penal. Então alguns exemplos, eles Vem que estão no rumo errado, eles já voltam rapidamente. Há pouco tempo atrás, estado da Califórnia, se o cara furtasse até $900, se eu não tô equivocado, você acha que essa legislação durou quanto tempo?

O grande problema do Brasil, que nós estamos há 40 anos despenalizando leis, propondo aí uma espécie de um desencarceramento sobre uma cortina de fumaça, e a gente tá demorando demais para reverter. Lá não. Opa, não deu certo, já volta. Eles não colocam o tema da segurança, da violência como de um espectro partidário ou da direita ou da esquerda, entendeu? Eu acho que, eu vejo que no futuro próximo isso pode acontecer com o nosso país, que a gente trabalhe mais preventivamente, que a gente encare o problema da segurança pública, a pauta da segurança pública como suprapartidária, não é da esquerda nem da direita, e que a gente continue tendo o gás e motivação interna para resolver o problema, como tiveram alguns corajosos aí, como é o caso do Nayib Bukele.

LRLeopoldo Rosa

Partiu ping-pong?

TSThiago Salomão

Bora!

LRLeopoldo Rosa

Então vamos lá para o ping-pong agora, aquele momento mais fácil que são sempre as mesmas perguntas todo episódio. Só lembrando, esse episódio tem o patrocínio da Binance. Então se você quer operar mercado de criptomoedas 24 horas por dia, 7 dias por semana, Use a conta da Binance, tem um link na descrição e também um QR code aí na tela.

TSThiago Salomão

E também tem dos nossos parceiros da Qian, da Qian, que olha, tem vários produtos para sua casa e para sua empresa. Importante dizer que eles têm uma frente de trabalho B2B. Então se você quer equipar a sua empresa com equipamentos da Qian, a gente tem alguns aqui para demonstrar, mas eles têm uma linha completa de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, tem muita coisa bacana. Sabe conhecer a Qian? Comprando lâmpadas da Kia.

LRLeopoldo Rosa

É mesmo?

TSThiago Salomão

E aí depois eu descobri que eles tinham uma linha completa de outros itens e tudo de muita qualidade. Fiquei muito feliz quando eles vieram apoiar o nosso trabalho aqui.

LRLeopoldo Rosa

E o link tá na descrição também para ver os produtos da Kia. E lógico, se inscreve no Market Makers, que a gente quer falar com mais de 7 milhões de pessoas todos os meses. Então continue nos ajudando.

TSThiago Salomão

Hoje, no dia que nós estamos gravando este podcast, batemos 200 mil seguidores no Instagram.

LRLeopoldo Rosa

Muito bom, muito bom. Então, para você que tá chegando também agora no Instagram, a gente tem muito conteúdo lá também. Deite, vamos lá. Livros, música, convidado e a maior gentileza feita na sua vida. Vamos começar pelos livros. A gente sempre pergunta um livro técnico e um livro tema livre, assim, aquela leitura mais, mais, ou não, né?

GDGuilherme Derrite

Difícil, né, escolher assim, mas vamos lá, alguns, né? Eu acho que Terrorismo à Brasileira, do professor e juiz Carlos Lemos, do Espírito Santo, é uma aula para quem quer entender o fenômeno da criminalidade no Brasil, o crescimento do crime organizado e o porquê devem ser consideradas organizações terroristas.

LRLeopoldo Rosa

Eu já pedi para ele fazer um resumo desse livro porque esse livro está esgotado e não teve um relançamento ainda.

GDGuilherme Derrite

Mas eu gosto muito de um livro Tem um cara chamado David Goggins, que é um Navy SEAL americano famosíssimo. Ele tem um livro que é Nada Pode Me Ferir. É um absurdo. Você lê esse livro, você tem vontade de atravessar essa parede aqui no peito, correr uma maratona. Você fala: não é possível. Você sai motivado e começa a mexer com você. E a história dele é muita legitimidade, né? Porque ele passou tudo isso dentro das maiores dificuldades que esse cara passou na vida dele.

O cara, ele tem o Navy SEALs, ele tem o curso, são 3 cursos considerados os cursos mais difíceis das operações especiais dos Estados Unidos. Ele tem os 3, ele é Ranger, Navy SEALs, e eu não lembro qual que é o outro. São 3 cursos assim dificílimos, ele completou os 3. E detalhe, em um deles ele quebra a perna, no outro ele chega até a fase final e não consegue. Espetacular. E mais, eu gosto de um outro também que eu tenho que falar aqui, que é O Poder da Ação, do Paulo Vieira.

Um cara que trabalha muito a questão da inteligência emocional e me ajudou muito na minha transição de carreira da vida militar para vida política, é trabalhar muito a inteligência emocional, porque eu tava indo para o ambiente onde nem todos, ou boa parte, pensava contrário a mim. Então tem que ter muita inteligência emocional para sobreviver num ambiente tão polarizado e difícil do Congresso Nacional. Então acho que esses 3 livros aí, tem vários outros, mas esses são muito bons.

LRLeopoldo Rosa

Coincidência porque a gente estava falando do Paulo Vieira hoje na nossa reunião semanal, né? Ah, é? Comentamos sobre ele. Vamos trazer ele aqui. Precisamos, precisamos. Uma música e por que essa música?

GDGuilherme Derrite

Cara, música para mim é o desafio maior ainda, porque eu Eu cresci, eu sou de Sorocaba, interior de São Paulo, e eu cresci ouvindo disco de vinil do meu pai, do Fundo de Quintal, da Beth Carvalho, do Zeca Pagodinho. Então eu sou um cara muito ligado ao samba e depois, na vida adulta, ao sertanejo. Então eu gosto muito de samba, de sertanejo.

LRLeopoldo Rosa

Quer escolher uma de cada então?

GDGuilherme Derrite

Ah, cara, eu acho que aquela que é do Almir Guineto, não sei se Acho que todos que estão nos assistindo aqui conhecem samba como eu admiro. Mas o Almir Guineto foi um grande compositor, faz parte da formação inicial do Fundo de Quintal, tem várias obras-primas aí que ele foi compositor, mas acho que a música Conselho é uma...

LRLeopoldo Rosa

Nossa, eu tava com ela na cabeça, falei: pô, ele não vai falar Conselho.

GDGuilherme Derrite

E uma coisa que ninguém sabe, né, pouca gente sabe, é que eu tocava cavaquinho. Então viralizou uma época eu recebendo um... fui receber o título de cidadão de um município, Itacoaquecetuba, tinha um grupo de pagode tocando lá, o Naninha, que toca no Bar Brahma, E ele sabia que eu gostava de arranhar, óbvio, né? Os caras lá são profissionais, eu sou um curioso. Mas daí eu toquei uma música com eles lá, uma música da Beth Carvalho, do Zeca Pagodinho, "Ainda é Tempo pra Ser Feliz".

E aí viralizou eu tocando o cavaco, porque, pô, um cara de terno e gravata, o secretário de Segurança Pública, e tocando um cavaquinho ali, foi bem legal.

TSThiago Salomão

Pô, já quero ver Guilherme de Ritchie fazendo campanha pro Senado numa roda de samba então, né?

GDGuilherme Derrite

Pô, eu gosto demais, cara. E não só eu, eu, meu pai, meus dois irmãos, quando a gente se reúne, Faz tempo que a gente não faz isso, né? Mas é muito legal.

LRLeopoldo Rosa

Sua próxima vinda a gente vai providenciar um cavaquinho.

TSThiago Salomão

Quando ele falar a música, a gente traz o cavaquinho, então vamos tocar.

LRLeopoldo Rosa

E o que eu gosto dessas perguntas é como a gente conecta as pessoas, né? Porque o Mirguinho Neto, a música Conselho, ela foi recomendada por Cristiano Souza, um investidor de ações, que foi talvez um dos episódios mais transformadores para Nós, market makers, como investidores de ações, a gente tem um fundo de ação e a gente considera que existe a nossa mentalidade de investidor pré-Cristiano Souza e pós-Cristiano Souza. E o episódio foi tão bom que até essa música, sabe?

O papo foi tão legal que a música ajudou a explicar ainda mais como o papo foi legal. Enfim, mandar um abração para o Cristiano Souza, que é um baita investidor que a gente aprende muito com ele até hoje. Um convidado que você gostaria de ver aqui sentado no seu lugar?

GDGuilherme Derrite

Cara, a gente falou ali no bastidor, né, cara? Eu sou, pô, tem tanta gente boa com conteúdo, mas como nós estamos em clima de Copa do Mundo e um cara que eu sou fãzaço e tive oportunidade e hoje conheço pessoalmente, posso até dizer, ousar dizer que eu sou amigo, é o Ronaldo Fenômeno. Acho que tinha que trazer esse monstro aqui.

LRLeopoldo Rosa

Você falou as palavras erradas porque falou sou amigo Pô, então já manda WhatsApp para ele falar: ô Ronaldo, você tá vendo o tempo mesmo aí? Para aí, cara.

GDGuilherme Derrite

Ali não, não, cara, eu sou muito fã dele. Para mim é uma situação muito difícil, né? Porque depois da questão da política, da secretaria, você acaba entrando no nível de network de pessoas que, pô, eu era fã do cara. E às vezes você dá até uma travada: caramba, eu tô do lado do Ronaldo, será que essa parada aqui é verdade mesmo, cara?

LRLeopoldo Rosa

Não. Eu te contei aí nos bastidores a minha quase oportunidade de falar com ele, que é fazer um evento, tal, com microfone na mão a 3 metros dele. Aí ia tietar ele, falei: não, ele tá entrando para assistir o evento, ele vai sentar na minha frente, vai ter aquela troca, aquele olho no olho, a falar, fazer alguma piada. Ele entrou no evento, saiu, acompanhou do lado de fora o evento, não tive oportunidade de falar: Ronaldo, sou seu fã.

GDGuilherme Derrite

E aí quando você vê que aquele cara que, pô, que trouxe o Penta, que passou por um baita de um processo de superação, E aí vai linkando, né, o livro do David Goggins, que o Ronaldo passou, os caras que são exemplos de superação para eu continuar motivado a lutar pela melhoria da segurança pública no nosso país. Mas quando você conhece a pessoa, cara, você vira mais fã ainda, tanto de gente que ele ajuda, de projeto social, quanto, puta, é espetacular.

LRLeopoldo Rosa

E olhando até com o olhar de business, o que ele foi pós-campo.

GDGuilherme Derrite

Sim, esse monstro.

TSThiago Salomão

Um baita empresário.

LRLeopoldo Rosa

Bom, legal. Convite está feito aí, Ronaldo. Sei que você tem outras prioridades, mas A gente vai te receber muito bem aqui. Por último, mas não menos importante, qual foi a maior gentileza que já foi feita na vida de Guilherme de Ritchie?

GDGuilherme Derrite

Que fizeram na minha vida?

LRLeopoldo Rosa

Que fizeram para você?

GDGuilherme Derrite

Eu não sei falar especificamente de uma, mas acho que eu não sei se isso pode ser encarado como uma gentileza, mas acho que eu fui muito cobrado, muito cobrado pelos meus pais, muito cobrado. Disciplina Era uma exigência muito grande, né, de conquistar, de meritocracia. E nesse processo todo eu tive ajuda de muita gente, muita gente. Eu acho que eu não posso deixar de agradecer Coronel Telhado, que me levou para a Rota quando eu tinha uma carreira lá em Osasco consolidada, mas já era um oficial conhecido na polícia por ter por ter uma postura firme no enfrentamento ao crime organizado.

Já tinha pedido para trabalhar na Rota algumas vezes e tinha sido negado. Então acho que uma primeira gentileza, Coronel Telhado me abrindo as portas. Acho que lá atrás ainda, quando eu consegui uma bolsa de estudos. Eu estudei em escola pública até a oitava série, fiz um vestibulinho para uma escola particular para me preparar para a FUVEST. Então já teve ali ajuda de algumas pessoas, amigos do meu pai, conseguimos desconto, que meu pai não tinha condição de pagar o valor integral.

A própria gentileza do meu pai de saber que, através, tanto eu quanto meu irmão mais velho, enfim, de investir no estudo para que a gente pudesse fazer uma boa faculdade, seguir um caminho. Mas são inúmeras gentilezas, ninguém chega a lugar nenhum sozinho, né? E acho que se for falar de forma geral na minha vida, a presença da minha esposa é uma coisa assim, cara, minha esposa é demais. É presente de Deus na minha vida. Então é uma sequência de centenas de milhares de gentilezas diárias, porque não é fácil, né?

Imagina, dois filhos, um que vai fazer 14, outro 8, e ela ali, o pilar de sustentação da nossa família. E foi a pessoa que me tirou da vida de um católico não praticante para um católico frequentador assíduo da Santa Missa. Isso para mim Tá aí a resposta, encontrei de forma espontânea. Acho que a principal gentileza que— não é nem gentileza, principal presente que eu ganhei na minha vida não foi só a presença da minha esposa, uma pessoa espetacular e maravilhosa, mas o fato dela ter me convencido que há uma cruz que a gente está carregando nessa vida, mas que a gente tem que se apegar às coisas do alto, seguir o exemplo de Jesus Cristo.

Ser cristão não é só acreditar na palavra, é tentar praticar. Imitar. E eu sou frequentador da Igreja Católica e apaixonado por esse envolvimento que hoje minha família tem. Meu filho de 14 anos, que vai fazer 14, meu filho que vai fazer 8, a minha esposa, e assim a gente segue com forças lá do céu para seguir nossa luta aqui.

LRLeopoldo Rosa

O que eu adoro dessa pergunta é a construção da resposta, né? Porque tem gente que às vezes vem com uma resposta pronta E você, obviamente surpreendido por ela, foi construindo ela durante a sua—

GDGuilherme Derrite

É tanta gente que ajuda a gente, né, cara? Porque pare para pensar, eu sou um cara praticamente improvável, um cara que estudou escola pública até oitava série, um cara que tinha um sonho de ser policial, um sonho de trabalhar na rota. E desde todos esses fatos e acontecimentos, não foi uma coisa fácil que aconteceu naturalmente. Tá aqui o tapete vermelho, venha trabalhar na rota. Não, foi muito sacrifício e muita gente ajudando.

Neste processo, né? Na própria secretaria, não deixa de ser uma gentileza do próprio governador Tarcísio de Freitas ter confiado em mim a responsabilidade de ser o secretário de Segurança Pública na maior secretaria do estado. Então, uma série de coisas, mas assim, de forma geral, cara, eu sou fã da minha esposa.

LRLeopoldo Rosa

Da hora, que da hora! Bom, desse jeito encerramos esse Super Papo com Guilherme de Ritchie, acompanhado de Leopoldo Lepo Lepo, obrigado demais. Boa sorte para você nessa jornada como candidato e portas do Market Makers estão sempre abertas para você.

GDGuilherme Derrite

Obrigado, gente, foi um prazer, uma honra, viu? Parabéns pelo trabalho.

LRLeopoldo Rosa

Valeu demais. Bom, próximo episódio com eleições estaremos de volta, né, Lepo?

TSThiago Salomão

Estaremos de volta.

LRLeopoldo Rosa

Então você já sabe, se inscreve no canal, deixa o like. Toda terça, quinta e domingo tem episódio aqui no Market Makers, às 18 horas. No YouTube, na sua plataforma de podcast. Nós aqui desse lado, sempre com alguém muito mais inteligente, interessante do que nós, do outro lado, compartilhando a história deles. Até a próxima e tchau!

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