#377 | CLÓVIS DE BARROS: SORTE, DINHEIRO E A FARSA DO MÉRITO
QUAL O SEU NÍVEL DE INVESTIDOR? FAÇA O TESTE E DESCUBRA: https://lp.mmakers.com.br/cmm06-m3-club-quiz?xpromo=MI-CMM06-YT-BANNER-X-20260616-BANNERSOBREQUIZINVESTIDOR-MM-XTodo mundo quer falar de sucesso. Mas quase ninguém quer admitir o papel da sorte, do acaso e do medo na própria vida.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão, Leopoldo Rosa e Matheus Soares recebem novamente Clóvis de Barros para uma conversa sobre dinheiro, sucesso, felicidade, autenticidade, redes sociais, Faria Lima, ignorância, paternidade e o que realmente faz uma vida valer a pena.Clóvis explica por que nem tudo é mérito, por que a sorte pode mudar uma trajetória inteira, por que as pessoas têm tanto medo de dizer o que pensam e como o olhar do outro pode transformar uma vida em performance.A conversa também passa por Sócrates, Espinosa, internet, cancelamento, desejo, reputação, “faria limers”, a história que mudou a carreira de Clóvis e uma reflexão poderosa sobre amor, filhos e paternidade.No episódio de hoje:-O papel da sorte no sucesso-Por que o acaso muda uma vida-Dinheiro, desejo e a ideia de “suficiente”-Autenticidade em tempos de cancelamento-O medo de falar o que se pensa-A ilusão de saber tudo-Sócrates, ignorância e sabedoria-Paternidade, amor e sentido da vida-Filosofia aplicada ao investidorDeixe nos comentários: você acredita mais em mérito, sorte ou acaso?Adquira o seu SuperCoffee: https://www.caffeinearmy.com.br/pages/produtos?sca_ref=9330006.1ZsaQ2NUBwAG8XWI&utm_source=instagram&utm_medium=fixos&utm_campaign=always_on&utm_term=Market-Makers&utm_content=promote__;!!JVh_Qfuk4otXm3Mt0g!6ZL-3hhmkEfTVMcGUtXOroe0IQk5Q9Rabc_74UgS8PsLWUBSd5-at7shqjSRhdYXA5zpRa1Sed35SqS4at6RFWlbLSOtU9RN$Abra sua Conta Internacional na Nomad e ganhe até U$50 de cashback com o código de convidado MMAKERS50: https://link.nomadglobal.com/wIQT/MMAKERS50 (Leia os avisos legais: nomadglobal.com/legal)📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -CLÓVIS DE BARROS: SORTE, DINHEIRO E A FARSA DO MÉRITO | Market Makers #377Apresentadores: Thiago Salomão (Fundador e CEO do Market makers), Matheus Soares (analista e fundador do Market Makers) e Leopoldo Rosa (COO do Market Makers)Convidado: Clóvis de Barros Filho (filósofo e professor)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#CLÓVISDEBARROS #BOLSADEVALORES #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
Thiago Salomão
Leopoldo Rosa
Matheus Soares
Clóvis de Barros Filho
- Desconfiança em sorteiosO papel da sorte no sucesso · O acaso como fator determinante · A importância da ignorância para a percepção do acaso · Aristóteles sobre felicidade e sorte · A história de Clóvis de Barros e o acaso
- Autenticidade e Medo do OutroA importância do olhar do outro na construção da identidade · O medo de falar o que se pensa · A espontaneidade na sociedade · O vídeo do BRIO e a autenticidade · A pedagogia cínica e a resistência ao ridículo
- Diversidade e Enriquecimento PessoalA importância de ouvir quem pensa diferente · O risco de se fechar em bolhas sociais · A diversidade de cenários de vida como fonte de aprendizado · José Dirceu
- Ignorância como benção em realizaçõesA consciência da própria ignorância · Sócrates e o "só sei que nada sei" · A busca pela sabedoria · A xícara vazia como metáfora para o aprendizado
- Medo e PrevisibilidadeO desejo humano por previsibilidade · O medo do imponderável · Esperança e temor como faces da mesma moeda · Ansiedade como busca por certeza · O mercado financeiro e a incerteza
- A Paternidade de São JoséA paternidade como oportunidade de amor · Reavaliação da relação com o próprio pai · Superação do eu mesquinho · O amor pelos filhos como valor supremo
- O Suficiente e a RiquezaO conceito de 'suficiente' · A natureza insaciável do desejo · A diferença entre riqueza material e capital social · Morgan Housel e o livro Psicologia Financeira · Bernie Madoff
- O Papel da Sorte no SucessoA sorte como fator decisivo · A história de Clóvis de Barros e a oportunidade inesperada · A importância de atender ao chamado do acaso
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Qual que é o nosso problema com o imponderável?
Eu sou meia-boca quase sempre, agora tem horas que o acaso ajuda. São zilhões de chatos dizendo verdades o tempo inteiro. E pau, 5 erros, 10 lições, como, né? Como fazer gozar um carro de vassoura, como zilhões, porra, velho, sabe? E isso que afeta a nossa vida e escapa completamente às nossas decisões, a nossa vontade, etc., é o que nós chamamos de acaso.
Tem um componente que ele ainda é mais controverso, e eu queria ouvi-lo falar sobre ele, que é a sorte.
Então vamos lá, anote aí: ter sido pai foi a melhor coisa que me aconteceu, me deu a chance de viver o que de melhor uma vida humana pode pretender, que é uma vida de amor. O que faz oscilar a tua potência é o mundo que você imagina, é quando você supõe que possa dar ruim. A filosofia chama isso de temor, ou se você preferir, medo.
Então, quando você ouve alguém que pensa diferente, é justamente a hora que você consegue validar aquilo que você acredita, entender o que uma pessoa diferente pensa. Afinal, o mundo é o que é, não o que você acha que deveria ser.
O que é mais incrível é que você considerará a possibilidade de ser enriquecido justamente pelas pessoas mais parecidas com você. Então você dará ouvidos a quem menos tem chance de te enriquecer, e você desprezará justamente aquelas que, pela sua diversidade absoluta, poderiam ser as mais contributivas para o teu enriquecimento. Caralho, velho!
Você já sabe em que nível está na sua jornada de investidor? Nós do Market Makers preparamos um quiz super rápido e gratuito para você entender em que fase está e como seguir a sua trilha para independência financeira. É só clicar no botão que tá na descrição do vídeo, apontar a câmera do celular para o QR code da tela e responder essa pesquisa.
São só 2 minutinhos.
Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão, fundador e CEO dessa empresa que hoje, pô, que episódio especial! Mesa tá cheia hoje, né?
É isso.
E aí, Leppo, tudo bom contigo?
Pô, melhor agora.
Pô, Lepo, não vamos falar de eleições primeiro?
Não vamos falar de eleições, hein?
Você tá aqui, nosso convidado pela segunda vez aqui conosco, professor Clóvis de Barros Filho. Já é uma delícia receber ele aqui, já o pré-papo já fica mais leve. E a primeira vez, como só poder cortar para lá a câmera só para ver que o Clóvis não tá sozinho, porque o nosso querido Matheus Soares já tá ali ao lado dele. Hoje o Matheus não foi o motorista do dia hoje, né, Mati? Não teve buraco, né? Não teve buraco. Eu tô aqui para ouvir o professor, a verdade é essa.
Estamos todos aqui. Professor, obrigado por estar aqui de novo conosco. Espero que seja tão bom para você quanto foi para a gente aquele papo. Olha, eu estava te contando a repercussão que deu aqui entre o nosso público, que é uma audiência de investidores. Ela foi grande, mas principalmente com os não investidores foi aquela coisa de abrir a mente de todo mundo e fiquei muito feliz que deu uma repercussão muito grande. Espero que tenha sido bom para você, afinal você está aqui de volta. Então, bem-vindo mais uma vez ao Market Makers.
Muito obrigado pelo convite. Eu costumo dizer que É um instante de felicidade, é um instante que a gente não quer que acabe. E uma boa maneira de verificar isso é quando a gente tenta repetir. Absolutamente nunca é possível repetir, porque tudo é sempre muito inédito, mas a gente tenta. E só o desejo de repetir já é indicativo de que valeu muito a pena.
Olha só que coisa linda, que momento maravilhoso! Bom, mas só antes de começar, não existe almoço grátis e nem podcast grátis, né, meu amigo Lepo? Então vamos dar um agradecimento especial Anomad, a conta completa para sua vida financeira internacional. Na Nomad você tem a conta investimento para dolarizar parte do seu patrimônio, investir no exterior diversificando sua carteira, tem o cartão aceito em mais de 180 países, benefícios exclusivos para sua viagem e muito mais.
Aí, ó, vai aparecer na sua tela aqui em algum lugar o QR code para você abrir sua conta na Nomad. Aí eu te dou a dica, use o cupom Mmaker50, que aí você garante até $50 de cashback na sua primeira transação. Então abra sua conta agora, sem custo de abertura ou manutenção, na Nomad. E também temos aqui, ó, até deixei na mesa. Pessoal fala assim: Salomão, como é que você fica tão ligado nos episódios assim, ó?
Então, cara, focado, né?
Eu vou falar que o Super Coffee, ele foi eu diria que ele foi danadinho comigo, porque eles me apresentaram o Super Coffee e depois que eu conheci, eu não consegui mais parar de tomar Super Coffee durante os programas. Então, obviamente, você pode usar o Super Coffee na sua rotina para você treinar e tudo mais. Eu gosto de usar para ficar mais conectado aqui quando a gente tem as nossas conversas. E inclusive, até, Lepo, vou fazer as honras aqui de apresentar o professor, professor Clóvis, para mostrar como a gente gostou que você veio.
Você ganhou aí uma sacola cheia de produtos da Caffeine Army. Olha, o mesmo que o meu, chocolate La Jotinha.
Esse daí, 10 de 10 pessoas que eu ouvi falaram que é o melhor de todos.
Olha, eu vou, eu vou agora, eu vou poder revelar que sempre que eu bebo aqui nunca é água, sempre tem um pouco de super coffee.
Então agora eu posso vir na última, que tem na caneca do Jô Soares, lembra disso? É um grande mistério.
Agora o pessoal sabe, é sempre um pouquinho de super coffee. Eu não tomo ela cheia aqui do programa, senão não durmo de noite.
Mas aí vou contar aqui um bastidor, Todas as vezes antes de gravar, Salomão tem todo um ritual, né, Mateuzinho? Entra aqui e tal e faz. Não é isso aqui, é profissional, profissional.
Mas isso ele só comprou isso porque ele não podia fazer barulho em casa.
Ah, entendi.
Ficar com a colherzinha. Minha esposa não suporta colher batendo. Não, a colher batendo ali vai acordar ela. Então isso aqui resolve relacionamentos. Você vai tomar também? Então deixa aqui, pode usar o meu se você quiser. Posso usar o seu agitador? Posso. Bom, então já demos todos os recados. Só vou, enquanto isso, vou apresentar.
Não, espera aí, eu queria esse, esse nome. Eu sabe que eu passo um tempo em Portugal e um tempo aqui no Brasil. Esse Nomad aí que você falou, eu tô interessado, eu achei muito legal, né? Já arranca com cinquentinha, já tem cinquentinha de cashback, dólares. É, pois é, é isso mesmo, né?
Então você já tem acesso ao teu, professor. Quando você for assistir esse episódio na sua casa, você já aponta lá na hora e já abre essa conta.
Show de bola!
E se abrir, já avisa a Nomad que vai adorar ter você como cliente. Opa, um brinde aí, gente, um super brinde do Super Coffee com Nomad. Bom, para quem não conhece o professor, acho difícil, né, o Lepo montou uma apresentaçãozinha aqui dele. Eu vou ler aqui, né, basicamente: professor, palestrante, escritor de best-sellers. Entre os seus livros: Projeto A vida, somos todos canalhas e a felicidade é inútil. E hoje ele volta aqui sem precisar de QR code, WhatsApp para entrar no prédio.
E como sempre, muito bem-vindo aqui dentro da nossa equipe, meus queridos. Vocês sabem que pelo último episódio com o professor eu me senti como um gênio da lâmpada, né? Que a gente tinha 3 desejos, eram 3 perguntas. Então a gente elencou 3 assuntos aqui para falar com o professor, jogar bola para ele começar o papo. Quer abrir aí com uma das 3 perguntas aí, Leandro? Posso?
Lógico, cara.
Que honra.
Professor, a gente pensando aqui sobre o que queríamos ouvi-lo falar, e queríamos ouvi-lo falar sobre tudo, mas tem um assunto que me intriga muito pessoalmente, né? Quando a gente fala de sucesso, a gente acha que todo mundo já entende os componentes do sucesso, né? Então, e tem alguns que são lugar comum, então assim, O trabalho, poxa, pode levar ao sucesso. O esforço pessoal pode levar ao sucesso. Mas tem um componente que ele ainda é mais controverso, e eu queria ouvi-lo falar sobre ele, que é a sorte.
Eu até destaquei aqui uma frase de Sêneca, né, que ele fala que a sorte é o que acontece quando a preparação encontra oportunidade. Professor, acredita na sorte? E que papel o senhor acha que ela tem para que uma pessoa tenha ou não sucesso na vida, nos seus negócios, nas suas histórias?
Bom, primeiro lugar, obrigado pela pergunta. Ela é uma pergunta ótima. Eu acredito que essa coisa da sorte não é uma questão de você acreditar nela ou não. É que se fôssemos deuses, né, e olhássemos tudo de lá de cima com o olhar sem perspectiva, aquele olhar que vê tudo ao mesmo tempo, nós perceberíamos que tudo é como só poderia ser. E aí tudo seria absolutamente previsto e previsível o tempo todo. Mas como não é o nosso caso, o que acaba acontecendo é que a gente tem controle sobre algumas pouquíssimas coisas da vida, e não tem a menor ideia do resto, não tem controle sobre muita coisa que afetará a nossa vida.
E isso que afeta a nossa vida e escapa completamente às nossas decisões, à nossa vontade, etc., é o que nós chamamos de acaso. E é claro que no meio desse acaso Você pode ter encontros auspiciosos, surpreendentemente bons com o mundo, e você pode ter ocorrências devastadoras que apequenam, entristecem, destroem. E naturalmente tudo isso entra no pacote que você me pergunta, né? Eu repito, O acaso, ele só é pertinente e relevante por conta da nossa ignorância, por conta do nosso perspectivismo, pelo fato de nós não termos acesso ao mundo de modo mais completo.
Quanto maior e mais amplo for o nosso olhar sobre o mundo, é claro que a questão do acaso vai sendo reduzida. Vai sendo diminuída, né? Vamos cada vez mais sabendo, sabendo, sabendo coisas sobre o mundo, e aquilo que era aparentemente acaso vai se tornando lei, vai se tornando constatação, certeza, né? Agora, como a nossa ignorância é muito grande, então a gente não sabe quase nada sobre quase tudo. E aí então Ficamos, digamos, na expectativa do que vai nos acontecer, sem ter muita certeza a respeito de nada, e ficamos contando com a sorte, isto é, contando com arranjos da realidade que possam nos beneficiar, que possam nos alegrar, que possam nos favorecer, e torcendo para que esses mesmos arranjos não sejam destruidores dos nossos projetos, não sejam nefastos gastos para nós, etc.
Então, é claro que nesse sentido a sorte tem uma importância decisiva, né, decisiva, sempre entendendo a sorte como todo esse lado da vida que não depende diretamente das nossas decisões, da nossa vontade e do nosso controle, porque eles são casuais para nós. Então tem uma relevância espetacular. O próprio Aristóteles, veja, eu Eu tô falando de um filósofo que era cientista, que pai, pai da ciência no Ocidente, que era um estudioso, um cara, sabe, ele é o pai da biologia, o pai da zoologia, o pai da botânica, o pai da, ele que catalogou tudo, ele que fez as primeiras classificações, ele que sabe, pegava folha, juntava isso com aquilo, isso era um cientista, cientista de mão cheia.
Ele é o primeiro a dizer, olha, é muito improvável, não é, que a felicidade aconteça sem um pouco de sorte. É praticamente impossível que isso aconteça. Então vamos admitir que no contexto mais amplo de possibilidades, uma pessoa que vai tendo encontros casuais apequenadores em sequência, ela suporta, por mais sangue no olho que ela tenha, por mais experiência que ela tenha, ela toma uma tunda, toma duas, toma três, dependendo da monta ela já tá KO, né, ela já tá em nocaute, ela já tá fora de combate.
Temos que contar com aquilo que é imprevisível, que é imprevisto, mas que é potencializador, que é potencializador. Então posso dar um exemplo, é Um ano atrás, em maio, market makers entra em contato comigo para vir aqui conversar sobre coisas do dinheiro e da vida e da felicidade, etc. Bom, muito bem, você tem uma ideia do que vai acontecer? Tem, mas é uma ideia tênue. Eu sei lá, né, você foi me buscar em casa, procurou passar por todos os obstáculos que encontrou no meio da rua e tal, cheguei Vim aqui, tive dificuldade para acessar o edifício.
Perceba como tudo isso é da esfera do acaso. Aí você senta aqui, começa a falar, né? As perguntas são sobre dinheiro. Perguntar sobre dinheiro para um professor é quase uma desfaçatez, é quase um deboche. Mas a gente fala, a gente se expressa, a gente, né, tenta costurar ideias, apresentar histórias, etc. E o que que acontece? Acaba acontecendo que vendo o final, né, que dependeu de perguntas que vocês fizeram, que eu não sabia quais poderiam ser, que dependeram do que ocorreu na minha mente, que eu não tenho absoluto controle sobre o que brota no meu espírito para ser dito.
E tudo isso depende de ocorrências que não foi você que programou, não foi você que projetou. E ora, deu super certo, quer dizer, eu fiquei feliz demais de ter vindo. Fiquei feliz demais com a entrevista que eu dei. Da mesma maneira, as pessoas que me acompanham adoraram a entrevista, elogiaram muito, foram unânimes em dizer que foi um desempenho superior a qualquer outro que tenham visto. E aí, é, vai dizer, Fica muito fácil para mim dizer: "Oh, eu sou foda, né?
Fui lá e arrebentei." Não, o que eu tenho que dizer é o seguinte: eu sou meia-boca quase sempre. Agora, tem horas que o acaso ajuda, né, e joga você para frente. E foi o que aconteceu. Porque quando eu me saí mal, e isso pode acontecer a qualquer momento, também não é porque eu sou uma desgraça absoluta, é porque o mesmo acaso que me jogou para frente num momento, agora resolveu zoar com a minha cara e puxar o freio de mão. E aí você começa a patinar e é muito fácil descarrilhar, viu?
Pra você pegar o jacaré na veia precisa ser no segundo, né? A onda vem, bate, você—
vuf!
Você vai parar na praia. Agora, pra coisa descarrilhar e você pisar na bola, dizer alguma coisa indevida, fazer um comentário indelicado, impertinente, equivocado, etc., é muito fácil. Então estamos muito na dependência de variáveis que não controlamos para poder obter sucesso. Eu vou até me permitir, vocês se caracterizam por me deixar falar à vontade, de contar uma história, porque É, mas antes de contar a história, eu vou querer voltar numa pergunta.
Conta a história, mas eu vou querer voltar numa pergunta sobre esse acaso, que acho que tem muito a ver com as entrevistas que a gente faz aqui. Mas quero ouvir sua história, professor.
Então vamos lá. Eu tinha deixado cair aqui, ó. Eu trabalhava na USP na ECA, e eu tava, tirei uma semana de férias em Peruíbe. Por que Peruíbe? Porque um colega meu da filosofia era de lá e insistiu para que fôssemos. E como foi uma galera, meus filhos também, alguns amigos, etc., a gente alugou uma casa para ficar uma semana. O aluguel mais em conta ficava para lá da estrada, então tinha que atravessar a estrada. Quanto mais longe do mar, mais sedutora a diária, né?
Aí você tinha que vir e tal. E eu me lembro que, como não era fácil voltar, então trouxemos coisas para comer, uma farofa espetacular com direito a ovo cozido ainda na casca para descascar, só na hora, entendeu? Lancherinha com suco de uva, desses que suco e tal, um espetáculo, né? E tava divertido, tava legal, eu lembro muito da cena. E um determinado momento alguém me disse: olha, seu celular tá tocando. Eu falei: ah, deixa tocar.
O celular parou e tocou de novo. Olha, tá tocando de novo, atende aí, vê o que é, já se livra disso e tal. Então eu atendi, e aí a pessoa em questão era um ex-colega da Casper Livre, na verdade ex-chefe, porque diretor do departamento de jornalismo da Casper Livre, o Mário Vitor Santos, que tinha sido ombudsman da Folha, um jornalista de excelência. 'Clóvis, tudo bem?' 'Tudo bem.' 'Clóvis, é o seguinte, tem um pessoal querendo montar um instituto e tal, e muito bacana, e eles estão pensando em me convidar para dirigir esse instituto e pediram para eu indicar um professor para dar uma aula, e eu pensei em você.' Aí eu falei: 'Ah, a gente vê qualquer dia.' 'Não, não, é É hoje.
Eu falei: não, eu tô em Peruíbe, tô aqui comendo ovo cozido e tal, e tô de férias. Obrigado por lembrar do meu nome, mas não vai rolar e tal. Ele falou: tem certeza? Não, tem certeza?
Eu tô—
quer ouvir o som do mar? Eu tenho certeza que eu tô, né? Aí ele: não, sabe por quê? É uma oportunidade interessante, inclusive assim a minha indicação também tá sendo avaliada, né? Então você pode se beneficiar como professor, eu como eventual diretor, muitos ganhos em sequência. Eu falei: mas o que você sugere, que eu saia daqui para ir até aí, dar uma aula e voltar? Ele: é, quando? Hoje à noite. Então falei: cara, assim, É um chute isso, desagradável, né, assim, nada contra, mas pô, né.
Ele pegou e falou: "Não, mas eles vão pagar tanto pela aula, inclusive em dinheiro, assim." Eu falei: "Quanto?" Ele falou: "Tanto, né." Não vem ao caso o valor, mas enfim, tudo surpreende quando você é professor da rede pública. Aí eu falei: tem certeza que é esse valor? Tenho. Falei: não, mas que horas que é? Tal hora. Não, eu vou. Então onde que fica? Aí desliguei, avisei todo mundo: pessoal, hoje não contem comigo, eu vou sair daqui, vou até São Paulo, vou dar uma aula "Olha, vou ganhar uma grana, vou voltar e depois a gente torre em pizza, em coisa e tal, né, vai ser legal e tal." E olharam, pô, falei: "Não, não é pouco dinheiro e tal." Aí quando eu externei o valor, todo mundo: "Opa!" "Não esquece de botar gasolina e tal, vamos lá, estamos esperando por você." Cheguei no local do evento, um bairro nobre, num prédio nobre, uma coisa nobre, tudo nobre, era um sarau organizado por um indivíduo de muitos recursos e conhecido da mídia, no setor mais próximo de vocês do que do meu, e papapó, e papapó, e aí o dono mesmo não tinha chegado ainda, mas me abriram a porta, eu cheguei e a pessoa, a primeira A primeira pergunta que me fizeram foi se eu sabia qual era a temperatura em Aspen hoje.
Eu falei: olha, em Aspen eu não sei, mas em Peruíbe tava quente pra caralho. A pessoa olhou, achou que eu tivesse caçoado, né, mas eu fui sincero. Aí uma outra virou para mim e disse: é muito difícil se hospedar num hotel que não apresenta uma carta, um cardápio decente de travesseiros. Eu olhei, falei: desculpa, não sei se eu entendi. Cardápio de travesseiro? É cardápio de travesseiros para você escolher. Todo hotel de alto padrão tem um cardápio de travesseiros.
Aí eu peguei e falei: é, de fato é constrangedor quando não tem o cardápio de travesseiros e tal, mas assim E assim eu respondi a perguntas que eram totalmente, digamos, eu diria marginais e paralelas ao meu repertório, sabe? Uma coisa assim, né? Você até falou, professor, até que chegou o dono da casa, chegou o meu anfitrião, aquele que tinha pedido para eu ir lá, né? Chegou tal e disse: não, então o professor Clóvis vai começar a sua aula E então eu comecei, era uma aula sobre o desejo, tal.
Eu tinha ido daqui de Peruíbe até aqui pensando no que dizer e tal. Tinha algumas figuras conhecidas da mídia e tinha uma pá, eu dei a aula e veio o jantar e eu disse: sabe o que que é? O pessoal tá me esperando. E é Eu nem disse mais que era em Peruíbe, porque eu percebi que não tinha agradado na primeira. Eu falei: pessoal tá me esperando, eu não posso ficar para jantar, então eu vou buscar o seu. A pessoa trouxe um envelope, eu nem quis conferir.
Entrei no meu Ford Ka, aquele primeiro Ford Ka, sabe, aquele da lanterninha pequena, né? Entrei no Ford Ka, tirei o— é lindinho mesmo, né? Tirei o envelope, tirei, fiz assim como se tivesse muita habilidade para contar notas e tal. Falei: deve estar certa essa porra. Aí entrei e vim vindo até Peruíbe, cheguei e disse quando eu cheguei: vocês têm aqui por acaso um cardápio de travesseiros? E aí a pessoa disse: olha, não, mas de qualquer maneira "Não, você na noite anterior dormiu no travesseiro, então dessa vez durmo eu no travesseiro e você dorme na toalha, viu?
Porque não tem travesseiro para todo mundo." E aí então eu fiquei pensando que coisa curiosa que eu tinha vivido naquele dia, mas graças a essa minha decisão eu Acabei sendo convidado para dar aulas naquilo que acabou se tornando a Casa do Saber, né? A Casa do Saber me permitiu conhecer alunos totalmente diferentes dos alunos que eu tinha na faculdade, e um desses alunos, que era presidente do então Banco Real, me convidou para uma palestra e foi ele a sugerir o tema da palestra, A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida.
Veja que interessante, tema que virou um livro e certamente o tema de palestra mais requisitado na minha trajetória como palestrante nos últimos 20 anos. Nada disso teria acontecido, provavelmente eu não teria sair da universidade, eu não teria me tornado palestrante, eu não teria convivido com o mundo fora da universidade, eu provavelmente não estaria aqui participando desse podcast, eu não seria apreciado e conhecido pelos temas que eu desenvolvo fora da universidade se não tivesse atendido aquele celular tocando insistentemente, pedindo para que eu fosse de dar aquela aula.
Perceba como o acaso, neste caso, ele teve uma consequência para a vida absolutamente determinante. Por quê? Porque eu acabei me aposentando da vida acadêmica, acabei abraçando a vida de palestrante e de divulgador de filosofia na internet, graças a essa primeira iniciativa. Então a minha vida teria sido completamente outra. Então, ah, o senhor sempre se planejou para dar palestra? Nunca. O senhor sempre se preparou para ser palestrante?
Nunca. O senhor sempre— tudo foi obra de ocorrências que eu não controlei, e muitas vezes Contra as quais eu, num primeiro momento, me posicionei e que souberam triunfar sobre a minha vontade provisória, no sentido de impor um encaminhamento que não era o que eu imaginava para mim naquele momento, e acabou permitindo com que eu chegasse até hoje, eu diria, à revelia do que eu imaginava para minha vida desde sempre. Então, só para responder essa tua pergunta, o acaso aqui teve uma participação de 100% em tudo que aconteceu de relevante nos últimos 20 anos para mim em termos profissionais.
Quem era o presidente do Banco Real? Fábio Barbosa. Fábio Barbosa gravou o último episódio do ano passado aqui conosco. Foi uma baita de uma aula, assim, foi uma das pessoas, e foi muito legal porque ele que nos procurou. Ele tem aparecido, ele não aparece muito em podcasts, mas a equipe dele falou: a gente quer colocar ele em alguns podcasts, e a gente viu que o de vocês parece legal para ele aparecer. E foi realmente um papo bem legal.
Mas aí é a combinação, é a fome com a vontade de comer, eu diria, porque ele é excepcional. Poucas pessoas na vida me estimularam tanto, apostaram tanto em mim quanto ele, não é? E ter vindo aqui com vocês também é impecável para quem tem tanta coisa para dizer e precisa de conforto e tranquilidade para se estender. Então foi uma combinação perfeita na presença dele com vocês.
Agora, tem um fator nesse seu acaso que você contou, que acho que foi mais determinante do que ter atendido a ligação, foi o valor que ofereceu, né? Porque talvez, dependendo, se falasse: ah, não, mas vem aqui só para quebrar um galho, talvez você não ia ter abandonado ovo cozido.
Sem dúvida. Veja, mas é que o valor Ele é também para mim um baita caso. Sim, total. Quer dizer, se você imaginar, para quem tem, digamos, a mente formatada por valores da universidade pública, etc., o valor oferecido era um valor completamente, para usar um termo da moda, disruptivo, né, um valor subversivo. Um valor alucinante, né? Então, claro, eu disse: eu não posso abrir mão, porque a gente vive sempre no limite, sempre com dinheiro contado, etc.
E quando o cavalo passa assim selado e para, né, e convida para subir, etc. e tal, eu não podia de forma nenhuma abrir mão daquela oportunidade, mesmo que fosse só aquela, já teria valido demais a pena. Mas é claro, aquilo abriu a porta para uma presença fora da universidade que, eu repito, eu vejo com muita clareza isso, é muito pouco provável que uma outra porta com esse nível de fertilidade profissional pudesse se abrir paralelamente, quer dizer, eu realmente— porque é muito comum que alguém que foi talhado para trabalhar na universidade como eu, que fez carreira na universidade, que fez tudo na universidade, que apostou todas as fichas na universidade, que sempre participou de todos os, digamos, os trâmites e os ritos universitários, até coordenador de pós-graduação, que é, digamos, do ponto de vista acadêmico, o ponto mais alto que você pode chegar.
Não administrativo, porque o administrativo é de reitor, mas do ponto de vista acadêmico é quando você é o coordenador do curso de pós-graduação, mestrado e doutorado, e portanto representa o curso na CAPES, etc., etc. Então você chega, não é? Então eu que fui talhado para essa vida acadêmica, uma oportunidade como essa, ela não era sequer cogitada, sequer vislumbrada, sequer procurada, nem sabia que isso seria possível. Então, eu penso que eu fui bafejado por um encontro com o mundo casual, o mundo ocasional, o mundo não controlado, que Foi decisivo pra mim e eu não tenho o direito de dizer que não tive sorte na vida.
Eu não tenho o direito. Por quê? Porque embora em muitos pequenos detalhes, de fato, eu não dei sorte, aqueles que me acompanham costumam dizer que eu sou pé-frio pra caramba no futebol, que é só eu assistir e o meu time perde, que eu não posso assistir por time ser campeão, etc. Mas nesse momento eu tive já toda a cota de sorte que alguém pode esperar ter na vida para pretender coisas auspiciosas e assim felizes, né, como foi para mim essa guinada profissional.
É fácil saber que time o Clóvis torce, né? Sabe qual é, né, Mate? Palmeiras não é, porque o Palmeiras tá ganhando tudo, né? Eu ia chutar São Paulo.
Lógico.
É bom, estamos aqui os dois são paulinos do lado de cada bancada.
Mas é, veja, eu, enfim, meu, eu sou São Paulino porque acompanhava meu pai aos jogos em tempos, em algum momento muito feliz, e depois também meus filhos também se tornaram São Paulinos por Pelas mesmas razões, etc. E bom, e a gente leva mais ou menos assiduamente a torcida no futebol, acompanha as novidades, vê que o time contratou tal, por exemplo, dispensou um treinador com o clube na liderança do campeonato, né? Coisas assim pitorescas que chamam atenção e tal.
E E aí o meu filho mais velho costuma dizer: "Não assiste o jogo hoje, né, porque nós estamos precisando ganhar e a sua presença vai dificultar demais a coisa", né? Então, sabe aquela coisa? "Ah, eu tenho certeza que você só assistiu o segundo tempo." "Como é que você sabe?" "Porque no primeiro tempo São Paulo jogou muito bem e teve, né, 'Um, agora no segundo tempo a coisa desandou inexplicavelmente.' Eu imaginei, ele ligou a televisão e tal.
Então, mas eu costumo dizer, não tenho direito de dizer que não tive sorte na vida, porque na hora que mais precisava eu peguei na veia da sorte. E acho que esse convite aceito e tudo que aconteceu depois, como eu relatei que foi muito importante para que eu pudesse, enfim, fazer coisas tão legais, tão bonitas e tão saborosas para mim, sobretudo falando das coisas que eu gosto de falar para tanta gente aí na internet, nas redes sociais, etc. Isso é É, hoje é o que mais me alegra.
Professor, a pergunta que eu queria fazer, aliás, antes, só quem tá já gostando do papo como tá, já deixa o like no vídeo, se inscreve no canal. Você que tá chegando agora no Market Makers, são mais de 7 milhões de pessoas impactadas todos os meses pelas nossas newsletters, o podcast. Então você curtindo e se inscrevendo vai ajudar a gente a chegar em ainda mais pessoas. Agora que estamos chegando no nosso quarto ano de vida, estamos entrar no mês do nosso quarto ano.
Inclusive entra no WhatsApp do Professor. Ah, é, eu ia falar, diariamente uma pílula matinal às 6 da manhã. 6 da manhã, em ponto, sempre reflexões matinais. Vai lá no Instagram do Professor que vai estar lá o link na bio, vocês vão conseguir acessar lá o WhatsApp gratuito.
Eu não entendo esse pessoal que acompanha com frequência e não dá o like. Só ser muito casca de ferida, é só apertar o dedo e ajuda tanto e tal, cara. Não, Porque se fosse uma coisa dolorida, ardida, vai ter que pagar alguma coisa, nada, é só dar uma clicada. Eu realmente não consigo entender. Portanto, por gentileza, né, não precisa muita expertise para apertar ali no—
a gente pode recortar esse trecho, vamos começar a usar, fica bem mais bonito o Clóvis pedindo like. É diferente, né? Professor, vou devagar um pouco na minha pergunta aqui porque ela fala sobre espontaneidade. Sim. Eu comecei essa brincadeira de fazer podcast lá em 2019, quando eu era sócio da XP e a gente criou o podcast chamado Stock Pickers. A ideia era falar com os investidores do mercado financeiro de uma maneira mais informal.
Porque qual era a minha angústia com eles? Eu era amigo de todos eles, a gente tinha uma conversa super legal antes das entrevistas, depois das entrevistas, mas no meio da entrevista era aquele papo protocolar. O cara pensava no jeito que ia se mexer, na palavra que usar. Não pode falar de eleição, não pode falar de não sei o quê, não pode falar não sei o que lá. Então a entrevista em si nos portais que eu trabalhei, elas ficavam sempre muito engessadas, né?
E quando a gente começou a trabalhar a espontaneidade, que é o não, vamos ter uma pré-conversa antes, vamos sair para almoçar antes, vamos, a gente às vezes até gravava com camisa de time de futebol para ficar, as coisas começaram a fluir mais. E a gente traz isso até hoje no Market Makers. Eu acredito que muito do valor das pessoas terem aprendido tanto contigo e com outros convidados que vem aqui essa espontaneidade que surge justamente da pessoa estar à vontade de falar.
Mas aqui a gente está na avenida talvez mais, mais, com um termo que a gente pode usar, estigmatizada, pode ser, mas é mais preocupada, empolada.
Como empolada?
Pode ser empolada, mas aquela preocupada com como estão me vendo, né? Faria Lima tem aquela preocupação com status. Com o menu de travesseiros.
Enfim, tem isso.
Narcísica, pode ser um pouco narciso também. Pode. A gente tem, a gente tem vários adjetivos para dizer que as pessoas se preocupam muito com como vai ser vista. Como é que você vê a espontaneidade na sociedade? O quanto ela te ajudou na sua vida, nessa sua maneira espontânea de falar? Se ela surge com o tempo, com a experiência de você fazer algo muitas vezes te dá mais conforto, se é uma característica que cada um tem, ou você é espontâneo, você não é.
Enfim, é que eu acredito que esse talvez seja o nosso grande diferencial, principalmente fazendo conteúdo dentro da Faria Lima, que a gente se preocupa em fazer algo legal para as pessoas consumirem, não necessariamente falar o que as pessoas querem ouvir da maneira como o meu chefe vai gostar. É algo mais espontâneo, mais genuíno. Eu gosto da palavra genuína para justificar isso. Mas como é que você vê a espontaneidade na nossa sociedade?
Bom, em primeiro lugar, é importante deixar claro que o outro, o outro genericamente considerado, ele tem muita importância na nossa vida sempre. Quando a gente nasce, a gente começa a viver em sociedade, a gente aprende com o outro as palavras de que vamos nos servir para falar, para pensar. Aprendemos com os outros os valores do mundo, aprendemos com os outros até mesmo atributos da nossa própria personalidade. É com o outro que a gente aprende quem a gente é, né?
Ninguém nasce se apresentando, né? As pessoas vão descobrindo nas relações o que que elas podem dizer a seu respeito, né? E a sociedade, portanto, ela oferece uma matéria-prima de construção de identidade o tempo inteiro. Então, muitas vezes, aquilo que a gente acha que é nosso desde sempre foi lapidado e construído nas relações intersubjetivas e, portanto, somos muito devedores dessa nossa presença no mundo e devedores também das pessoas que nos educaram, que nos abasteceram de tanta coisa que a gente usa para manifestar a tal da nossa espontaneidade.
Então, isso é uma coisa que eu queria pontuar, que eu acho muito importante. Agora, claro, o certo é que em algum momento da vida a gente tem um certo estado da nossa subjetividade aonde a gente, sem precisar pensar muito sobre si, tá à vontade para se manifestar no mundo. E existe a possibilidade de você não se manifestar por conta de uma estratégia consciente de calibrar ou de definir a sua manifestação, o seu discurso, o seu gesto, em função de uma avaliação presumida do outro.
Então aí é que é O problema, né, quer dizer, é você, se tivesse relaxado, faria coisa de um jeito, mas no momento de agir, né, você pensa: caramba, né, se eu disser isso desse jeito, eu serei sancionado, eu serei punido, eu serei cancelado, eu serei agredido, eu serei atacado, então eu vou conduzir a coisa de outra forma. Ora, nesse momento acontece alguma coisa muito lamentável: a sua vida está sendo definida pelo medo do olhar do outro, ou pelo interesse no aplauso do outro.
Mas isso é mais raro. Eu penso que na sociedade atual, todas as estratégias de tomada de posição públicas, elas são muito mais definidas pelo medo, na retranca, com 4 na defesa e 4 volantes na frente da defesa, do que propriamente na busca efetiva de algum tipo de apreço genuíno. Então É aonde, aí, aonde que surge o problema. Por conta dessa covardia, desse medo, acabamos por não dizer o que pensamos e, sobretudo, não agir como agiríamos se não houvesse esse medo.
E aí, é claro, a nossa manifestação, ela é uma espécie de compromisso estratégico entre aquilo que gostaríamos e aquilo que supomos tolerarão da nossa manifestação. E isso, claro, nos artificializa, isso nos faz agir de modo desalinhado com a nossa potência maior, com a nossa genuína potência, com aquilo que a nossa potência nos nos prepara e nos capacita para fazer. E claro, isso nos apequena, nos reduz, porque toda vez que nós agimos por conta desse tipo de estratégia e de orquestração estratégica, nós somos infinitamente menos poderosos, menos potentes, menos genuínos do que se tivéssemos manifestado e dito aquilo que as nossas forças vitais nos capacitaram e nos prepararam para dizer.
Então, eu poderia te dar um exemplo para você entender o que eu quero dizer. Eu tenho um vídeo na internet que já tem mais de 10 anos de presença na internet, que é certamente o vídeo mais assistido meu, que é o vídeo do BRIO, que eu estou dando uma aula na Escola de Comunicações e Artes. Os alunos estão particularmente irriquietos, nem era muito comum que fosse assim, mas naquele dia tava difícil. Então resolvi dar uma bronca.
Quando eu fui dar uma bronca, o rapaz então acionou o celular para filmar. Então o vídeo que as pessoas assistem não foi um vídeo programado, preparado para ser vídeo. Aquilo foi uma bronca flagrada de forma esguia, camuflada, não assumida, não autorizada. Muito bem, eu não tô me queixando não, devo muito a esse vídeo, mas assim, então o que que esse vídeo flagra? Flagra um professor que se preocupa com o aprendizado do aluno, que não tá conseguindo desempenhar uma boa aula porque o aluno não tá deixando, que tá puto e que gostaria que as coisas fossem diferentes do que estavam sendo ali.
Então esse professor, ele diz o que vem na veneta e do modo que é dito ali, pô, 'Para ser burro assim, né?' Então, veja, você poderia me perguntar, né, o que você acha desse vídeo? Então, eu hoje, 12 anos depois, eu te diria que se eu fosse professor, esse vídeo não aconteceria desse jeito. Para você ver como é interessante. Por quê? Porque provavelmente Eu me policiaria mais na hora de me manifestar. Primeiro, antevendo a possibilidade de estar sendo filmado.
Segundo, sabendo que as coisas que foram ditas ali, elas são, digamos, polêmicas. Não se trata o aluno desse jeito. Na hora de educar, não é assim que se faz. Não é, papai, papai, papai. Então, eu talvez não tivesse feito daquele jeito quase nada do que eu fiz. Não faria.
Seria hoje.
Muito bem, mas qual é a graça? A graça é que naquele dia eu fui muito mais autêntico e genuíno como professor preocupado com o aprendizado do aluno do que talvez eu conseguisse ser nos dias de hoje. Não sei se fica claro isso.
Fica super claro.
E por quê? Porque naquela época não passava pela minha cabeça possibilidade de estar sendo filmado, não passava pela minha cabeça possibilidade de um vídeo desse integrar um sistema como é o sistema da internet, não podia jamais imaginar que mais de 40 milhões de pessoas viessem assistir esse vídeo nos mais diversos recortes que esse vídeo foi apresentado, nos mais diversos blogs, sites, etc., etc. Não podia jamais imaginar que eu ficaria conhecido pela grande maioria das pessoas que me conhecem por conta desse pequeno extrato de descompensação de humor, entende?
Pô, eu dei aula 40 anos e 90% dos brasileiros que me conhecem me conhecem por causa de uma bronca. Então o cara vai lá: "Pô, o senhor é incrível", mas eu não sou assim, quer dizer, "Eu sou assim também, mas eu sou um professor equilibrado, eu sou um professor educado, eu sou um professor gentil, eu sou um professor carinhoso com os alunos, eu sou um professor que também, quando aborrecido, faz aquilo". O problema é que o resto ninguém viu, o que viram foi só aquilo, e é esse o problema.
O problema é que você acaba sendo avaliado apreciado, aplaudido e vaiado por um, por um extrato que não é nada, pode não ser nada representativo daquilo que você é no total do seu trabalho. Mas não importa, é assim que é. E claro, o que eu não podia nunca imaginar que fosse a meu favor, porque no final das contas existe um apreço por aquele vídeo superior a qualquer outro tipo de vídeo que eu tenha gravado, aonde eu eu me calibrei muito mais, eu fui muito mais, digamos, comedido, muito mais estratégico, muito mais arredondado, e não, aquele vídeo que foi a coisa mais destemperada que talvez eu já tenha feito em toda minha vida profissional foi a que foi mais aplaudida, foi a que foi mais— Então, ora, qual é a graça?
A graça é constatar que as pessoas têm apreço apreço pela autenticidade, tem apreço pelo cara que pega e fala: quer saber, eu agora vocês vão ouvir o que eu tenho para dizer e lixe-se. Então aí é naturalmente, é, isso me faz pensar na filosofia antiga, porque os cínicos, e os cínicos é uma corrente filosófica, o significado disso não tem muito a ver com o termo usado hoje, né? Mas os cínicos, eles tinham um modo de preparar os seus alunos que era submetê-los a um escárnio, a um ridículo, a um, né, eles obrigavam o sujeito a se submeter a situações ridículas em sociedade.
Para quê? Para que fossem ridicularizados para que suportassem o ridículo e, portanto, criassem essa casca de alma suficiente para lhes garantir a autenticidade, sem medo. Eu já sei a dor da chicotada, então eu já não tenho mais tanto medo. Então eu posso dizer o que eu penso, eu posso viver como eu quero viver. Eu posso fazer o que eu quiser, porque a sociedade não me põe mais medo. Então, há uma pedagogia cínica, que é uma pedagogia do preparo para esse tipo particular de opressão, que é a opressão do olhar do outro e da construção de uma identidade agressiva e apequenadora.
Nos dias de hoje, no mundo das redes sociais, essa formação cínica seria muito bem-vinda, muito auspiciosa. Por quê? Porque as pessoas têm medo. Tá me acompanhando? Não, sim. Deveria haver um preparo emocional para vida digital.
Você já sabe em que nível está na sua jornada de investidor? Nós do Market Makers preparamos um quiz super rápido e gratuito para você entender em que fase está e como seguir a sua trilha para independência financeira. É só clicar no botão que tá na descrição do vídeo, apontar a câmera do celular para o QR code da tela e responder essa pesquisa Só, só 2 minutinhos.
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Professor, eu queria fazer uma— não, é que tem um comentário sobre isso que eu tive uma conversa com um CEO de uma grande empresa no mercado financeiro Ele tá muito mais vocal agora nas redes sociais, e eu vejo muitos pares dele falando: pô, mas ele não deveria estar falando tanto assim de política, tá se expondo demais, ou falando de outros temas. E aí ele virou para mim e falou: pô, Salomão, alguém tem que falar essas coisas, e eu tô pronto para falar.
Aí eu brinquei com ele, eu falei: olha, você tá me dando vontade de criar um programa novo aqui no Market Makers, tô pensando em chamar de Fuck You Money. Money, que é quando o cara chega no ponto que ele já ganhou o dinheiro suficiente para ele poder falar: cara, eu sei que eu tô aqui no mercado onde todo mundo é muito preocupado com a imagem, mas eu vou falar mesmo porque já cheguei onde eu podia chegar, então eu posso ser mais autêntico.
Aí eu falei: então vou pegar alguns outros amigos seus aí que também já chegaram na fase do Fuck You Money e fazer um programa aqui, porque no final do dia é isso, né? As pessoas elas mas querem ouvir quem é autêntico ou querem ver essa autenticidade, porque é onde tá a grande realidade deles, né? E você falando da sua história, professor, fiquei pensando aqui, acho que todo mundo que se expõe ao público corre o risco de ter o seu momento Ana Júlia, né?
Eu chamo de Ana Júlia por causa do Los Hermanos. Los Hermanos é uma banda, você gosta muito, quanto tempo de Los Hermanos? 30 anos, 30 anos tocando diversos tipos de música com muita qualidade.
Mas se não toca Ana Júlia num show, eles ficaram conhecidos por essa música, que inclusive não é uma música que traduz o repertório, né? É uma música pop, eles são uma banda de rock, mas essa música foi a que fez sucesso. E aí eles são a banda da Ana Júlia.
Exato. E ele quer mais ou menos o seu vídeo do Brio. A diferença é que que você vê como ele te ajudou e até reconhece. O Los Hermanos dá para sentir claramente um desconforto na Ana Júlia, né?
Mas olha, eu queria fazer uma ponderação. Você disse assim: já ganhei o dinheiro suficiente para ser autêntico, né? Então Eu penso que é muito difícil encontrar alguém que chegue a essa conclusão, né? Já ganhei o dinheiro suficiente.
Porque, como era, mas isso é a minha conclusão sobre ele, tá?
Claro, claro. É porque o desejo, ele é, ele é sempre pelo que ainda falta, né? E nunca Quem tem recursos deixa de vislumbrar a busca dos recursos que ainda não tem. Entende o que eu quero dizer? Tá, né? Às vezes há o argumento de que, ah, vamos votar em tal candidato porque como ele já é rico, ele não vai precisar lançar mão do dinheiro que não é dele. Ora, é que não funciona bem assim a natureza humana, né? Porque ricos e pobres são desejantes, né?
E portanto, Não é porque você já tem recursos que você deixa de desejar dispor dos recursos que ainda não tem. E às vezes, pelo fato de ter recursos, vislumbra os que não têm com maior amplitude do que aqueles que são acanhados de recursos e que às vezes vislumbram mais curto os seus eventuais ganhos. E digo mais, também com questão da autenticidade, né, penso que além, digamos, da tranquilidade econômica, existem capitais sociais de reconhecimento, de notoriedade, de aplauso, de prestígio, etc., que não são necessariamente vinculados à quantidade de dinheiro que você tem.
Certo? E às vezes é justamente isso que mais pega na hora de não pisar na bola e na hora de policiar as próprias manifestações. Às vezes você não corre o risco de perder dinheiro, mas você corre o risco de perder muito de reconhecimento, de prestígio, de notoriedade, o que obviamente dói muito. Às vezes você é elogiado por centenas de pessoas, né, e basta uma para dizer alguma coisa desairosa, agressiva, que você considere injusta, para que ela azede a tarde, né, que 200 ou 300 elogios não souberam manter intacta.
E não é que você perdeu dinheiro com aquilo, mas você foi ofendido no entendimento que você tem de si e na injustiça daquele comentário, que não vai ameaçar o seu patrimônio, mas toca muito fundo na alma, naquilo que você entende ser profundamente injusto quando se referem a você. Entende o que eu tô dizendo? Tá claro isso? Claríssimo. Então, às vezes, para evitar que alguém possa ser contundente e negativamente crítico em relação ao que você falou, você acaba, digamos, podando, podando mesmo, sabotando a sua autenticidade para preservar uma construção de notoriedade que eventuais cancelamentos ou críticas possam apequenar.
Então é o que eu imagino. Então é cada vez mais difícil, né? Porque pare para pensar, vamos pensar juntos, o risco de você de, digamos, ser criticado, o risco de falarem mal de você sempre existiu. Agora, o que foi que mudou? Sujeito, vamos imaginar, sei lá, 70 anos atrás, camarada mora numa cidade de 50, 100 mil habitantes, Então, ele diz lá alguma coisa que não agradou, então ele encontra hoje alguém que diz: "Olha, não sei se eu concordo, não, opa, não." Aí, uma semana depois, ele encontra outro que diz: "Olha, não sei se eu não..." Então, veja, é uma tristeza diluída em pílulas de encontros entristecedores semanais.
Tá me acompanhando? É demorado, é diluído, é estendido, é tranquilo. Hoje você dá um clique e você tem mil, ou mil, 100 mil. Você depende um pouco da envergadura e da visibilidade de quem falou, quer dizer, e é tudo ali, bá, bá, bá, bá, bá, bá. Quer dizer, a chance de você ser metralhado O que levaria 6 meses para acontecer num cenário copresencial, no mundo digital acontece em 6 segundos. Então a contundência desse tipo de hostilidade é infinitamente mais aguda, o que torna o medo mais justificado.
E o medo também, professor, disso ficar para posteridade, porque antes a gente não não era tudo gravado que a gente falava, né? Então às vezes você falou uma bobagem que não te representa e passou. Agora, como tudo é gravado o tempo todo, aquilo vai te perseguir provavelmente pelo resto da vida, né? Isso também pode um pouco da nossa espontaneidade.
É possível, é possível. E digo mais, né? Quer dizer, toda vez que você tentar você mesmo legítimo desmentir ou relativizar— relativizar ainda é pior— você contextualizar, você ressignificar aquilo que tá gravado, etc., você é ilegítimo para fazer isso. Por quê? Porque paira sobre você uma suspeição óbvia. Você tá falando bem de si, você tá se protegendo, você é quem mais tem interesse em fazer isso. Você se imagina um magistrado, ele é suspeito quando ele é taxado de suspeição, quando eventualmente ele tem algum vínculo com o julgado.
Agora você imagina você falando bem de si, não, "Não vale nada o que você tem a dizer de positivo sobre você". Então, é a sua palavra contra, que é uma palavra marcada pelo interesse, pela suspeição, contra a palavra de alguém que tá te atacando e que não tem interesse nenhum, aparente, nesse embate. Então você perde sempre, você perde por definição. A única chance que você teria seria ser defendido por outros que que também não tem interesse em te defender.
E essa construção é dificílima. Por quê? Porque é muito mais saboroso para grande maioria falar mal do que relativizar, suavizar, ponderar, contextualizar, o que exige, digamos, condições de abstração e finesse intelectiva muito maior do que sair batendo impiedosamente. Então a chance de você virar o jogo é praticamente nula. O que dá pra fazer é torcer pra que a máquina da difamação encontre novas vítimas e que aí as novas vítimas sejam suficientemente, digamos, apetitosas pra carnificina social, de maneira a você sair no necrotério pela porta dos fundos como alguém que agora Já foi perdoado pelo desprezo, porque senão, nossa, vai ficar apanhando por um bom tempo.
E quanta gente tá nessa situação. Só algumas coisas que eu notei aqui, algumas expressões que eu falei aí, tá registrado, né? Tá registrado.
Um brinde à espontaneidade.
Eu queria fazer uma questão. Eu vou contar.
Pode fazer, mas o que eu queria só, enquanto o professor falava, eu anotei aqui algumas coisas para registrar, né? O Morgan Housel, no livro Psicologia Financeira, tem um capítulo que ele fala sobre aquela conversa de dois jornalistas que estão numa casa de uma pessoa que tá dando uma super festa, né? E aí um vira para o outro e fala: pô, já parou para pensar que você nunca vai ter tudo isso que essa pessoa tem, as casas? Aí o outro cara fala: não, mas eu tenho algo que ele não tem.
Que é o suficiente. Então você saber viver com o suficiente é o que não importa a sua riqueza, né? O importante é você saber o que é suficiente. Sobre ser rico não vai fazer— não, o rico não vai, sei lá, ser corrupto. É só lembrar da história do Bernie Madoff, que foi a maior pirâmide financeira dos últimos tempos, e o cara já era muito milionário É até por isso que ele tinha acesso às pessoas mais ricas do mundo quando fez o esquema que depois culminou com a prisão dele.
E é muito louco essa questão do registro que a internet dá, né? Porque hoje é quase como as coisas que você fala, como se você não pudesse mudar de opinião, que é a grande beleza da vida. Você tá evoluindo e tem certas coisas que você mudou o seu pensamento, mas parece que por você ter registrado em algum momento do passado aquela opinião, você tem que ficar quase que ancorado àquilo, né? Não, mas agora está falando que o vermelho é ruim, mas lá no passado você falava que o vermelho era bom. Olha, ó, 6 anos atrás, um tweet com essa foto.
E aí uma coisa que era para ser boa, que é a nossa evolução constante de opinião, você ficou preso, né? Não, você tá sendo incoerente. Você falava isso, agora você fala aquilo. Cara, que legal! Eu adoro quando eu descubro que eu pensava diferente, porque é sinal de que você continua evoluindo. Mas para grande maioria das pessoas é um sinal claro de incoerência e é um desvio de caráter você mudar de opinião, né?
Bom, Mati, mas manda aí a sua pergunta, meu querido. Tá tudo bem aí, Mati?
Tá tudo certo.
Enquanto o professor falava aqui das diversas frases sábias que o senhor trouxe, uma me chamou atenção e aí conecta também com o que o Salomão falou sobre Faria Lima e sobre aparências, né? O senhor disse o seguinte: sabemos quase nada sobre quase tudo. Mas isso não é o padrão, as pessoas acham que sabem de tudo. E ainda mais na Faria Lima, onde você tem que mostrar que você sabe. Se você não souber responder uma pergunta, o não sei é quase que uma ofensa. É muito difícil falar que você não sabe de algo.
É, vocês falam dessa tal de Faria Lima aí com conhecimento de causa, que não é o meu. Eu, eu vou falar lá perto de casa, lá também tá cheio de sabichão.
Então, viu, ainda mais dando aulas, imagino que você tenha dado aula para muitos.
Deixa eu te Quer dizer, então vamos lá, anote aí, é bom porque quando tá registrado, anote aí. O que é que eu sei sobre a história dos países africanos? Nada. Aquele nada insignificante. O que é que eu sei sobre química orgânica nesse momento da vida? Nada. "Já soube o suficiente para passar no vestibular, mas a alma se deletou." O que é que você sabe sobre odontologia? Nada. Sobre engenharia civil? Nada. Sobre mecânica dos fluidos?
Nada. Sobre astrofísica? Nada. Sobre filosofia oriental? Nada. Sobre nada, nada. Eu poderia ficar aqui até amanhã dizendo as coisas sobre as quais eu não sei nada. Nada. Então, eu disse bem, eu não sei nada sobre quase tudo. Ficou registrado? E aonde é que entrou o quase? Bom, entrou o quase porque eu li os Diálogos de Platão, eu fiz direito, né, 'Não, lá atrás e tal, faculdade de Direito lá da nossa universidade, eu estudei Comunicação, eu então quase essas coisinhas aí, entendeu, né?' E quanto mais eu me aproximo daquilo que eu acho que mais sei, mais eu me dou conta de que É resvaladiço, é pouco confiável.
A chance de tá tudo errado é grande, entendeu? Ótimo. Então veja você que interessante, para que você possa desejar ter mais sabedoria do que tem, é preciso uma coisa. É preciso não ter a sabedoria, porque só se deseja o que não se tem. Então, aquele que deseja mais sabedoria não é o sábio, porque o sábio não pode desejar o que já tem. Quem é o sábio? Ninguém. É uma construção, é uma idealização. E quem é que deseja mais sabedoria do que tem?
Alguns.
Que a história ocidental passou a chamar de filósofos: aquele que deseja ter mais sabedoria do que tem. Agora, não basta não ter sabedoria, não basta não ter, é preciso consciência disso, é preciso saber que não tem, porque senão você não vai atrás do que tá faltando, Vai que você não tem e acha que tem. Aí você não consegue ir atrás porque na sua cabeça você já tá de boa, você já tá bem. Então, para haver enriquecimento, para haver aprendizado, para haver conquista de nova sabedoria, é preciso a plena consciência da própria ignorância.
É por isso que a nossa filosofia começa com Sócrates e a sua famosa frase: "Não sei de nada." E aí, lá no templo de Apolo, na cidade de Delfos, disseram para Sócrates: "Viu, os deuses mandaram dizer para você que você é o mais sábio de Atenas." O que na época queria dizer o mais sábio do mundo, vendo, porque Atenas era Nova York da época e tal, talvez mais do que isso até. Então Sócrates voltou pra casa encafifado, porque ele dizia: "Como é que os deuses, que sabem de tudo, podem dizer que eu sou o mais sábio se eu não sei porra nenhuma de nada?" É a pergunta que ele fez.
Aí foi dormir, A roupa dele lá, a mulher do lado, e ele pensando: "Caramba, o que será que eu sei? Eu não sei merda nenhuma de nada. Como que os deuses puderam dizer que eu sou o mais sábio? Se os deuses disseram que eu sou o mais sábio, não há dúvida, eu sou o mais sábio. Mas como que eu posso ser o mais sábio se eu não sei nada?" E aí ele começou a dialogar com as pessoas em Atenas e ele rapidamente entendeu por que que os deuses disseram o que eles disseram. "De fato eu sou mais sábio".
Por quê?
Porque ele passeava pela Faria Lima ateniense e ele perguntava: "O que é a justiça que eu não sei? Você tá dizendo que fulano de tal agiu injustamente, deve saber o que é a justiça". E o cara vinha com uma definição desbaratada e ele dizia: "Mas viu, essa tua definição é ruim". E o cara achava que sabia. Aí o outro dizia: Uhu, encontrei uma pessoa belíssima, apetecível, atrativa. Aí você diz: poxa vida, você fala com convicção que a pessoa é bela?
Falo! Então você deve saber o que é a beleza. E o cara: claro que sei! A beleza é "O kawan, Raymond, a beleza é a grazia..." Não, não pediu um exemplo. "Eu quero saber o que é a beleza." Não pediu um exemplo de uma pessoa bela. Aí o cara se enroscava todo, e eu dizia: "Pô, esse cara acha que sabe e não sabe. Aquele cara acha que sabe e não sabe. Então eu já sei o que os deuses quiseram dizer." "Eu não sei e sei que não sei." Então eu sei Eles não sabem nada.
Então eu tô 1 a 0, porque eu sei uma coisa que os outros não sabem: eu tenho consciência da minha ignorância. Ficou claro isso?
Claríssimo.
Então veja você, para você aprender— e aí eu queria fazer mesmo uma provocação, dado que as pessoas têm trajetórias únicas no mundo Você pode aprender com todas elas. E aqui eu queria registrar: todas, com letra, com caixa alta, todas. Por quê? Porque é claro, se a pessoa viveu uma experiência que você não viveu, é claro que ela tem alguma coisa que pode te enriquecer. Mas para você chegar nesse É preciso chegar com a guarda baixa, e o que é chegar com a guarda baixa é você ter a genuína certeza de que pode sempre aprender com quem quer que seja.
Tá claro isso? Tá perfeito isso? Ora, isso não costuma acontecer de fato, porque não é só uma questão do mundo onde o capital está, é em qualquer lugar. O que você mais encontra é a sociedade exigindo das pessoas uma autossuficiência em sabedoria, né? Ninguém vai dar um emprego para alguém que chega e diz: sabe o que que é? Eu não sei quase nada sobre quase tudo, né? Mas é preciso que o cara chegue dizendo: eu sou foda nisso, a minha expertise é nisso aqui, tal.
E se alguém perguntar qual é o seu ponto fraco, a pessoa dirá que eu sou perfeccionista, né? E tal, para poder obrigar. E aí, claro, Então você é constrangido pela sociedade a assegurar conhecimentos, saberes que no fundo são claudicantes, são vazios, são frágeis, são fajutos, né? E eu sempre cito, e se as pessoas me convidam para falar é também por conta do que eu já disse, então eu nunca vejo nenhum problema em me repetir, A famosa história de um professor de uma universidade americana que foi a um congresso no Japão e pediu uma entrevista com um monge budista. Conhece essa história?
Não.
Eu perguntei para ver se eu já não disse. Não, aqui não foi. Então o que aconteceu? Ele foi com um professor japonês, né, ao templo O professor é um professor de ciências da religião dessas universidades top 5 do mundo, etc. Cara conhecido no mundo inteiro, uau, uau, desses americanos corpulentos, etc. Entrou no templo: isso aqui quer dizer isso, aquilo quer dizer aquilo, aquilo quer dizer aquele outro, aquilo, papapá, e foi falando, e aí foram se aproximando de onde o tal monge estava.
Aí o monge viu o sujeito entrando, parlapatam, falante, aí o monge falou: "Vou fazer um chazinho, lá com calma". E o professor, fazendo perguntas, ele queria otimizar o tempo, sabe, fazendo perguntas: "E isso, e aquilo, e o eu, como que você dilui o eu, não sei o quê". E o monge ali esquentando o chá e tal, aí ficou pronto, então, tava lá a xícara, aí o monge foi servir olhando pro professor, servindo, e o professor foi vendo que ia derramar, aí o professor falou: "Vai derramar!" Aí o monge continuou olhando, "Vai derramar!" E o monge continuou olhando e derramou.
"Aqui não, mas lá sim." Aí, o professor olhou como que dizendo: "Qual é a sua?" E o monge disse: "Você é a xícara, já chegou aqui transbordando." "Não cabe mais nada, não tenho nada para lhe ensinar. Você deveria ter vindo aqui com a xícara vazia. Só com a xícara vazia a gente consegue encher com alguma coisa." Aí, tomou o chá e foi embora. Pô, essa história é maravilhosa, né? Porque o que a gente mais encontra é Pessoas falando e falando e dando lição e coisa, e verdade atrás de verdade, pó, pó, pó, e você ali, uau, uau, uau, uau, né?
E são pessoas que não te dão a menor pinta de que você poderia ser contributivo, nem que seja com um alfinete da inteligência delas, porque elas, uau, uau, uau, uau, elas sabem tudo sobre tudo, uau, uau, uau, e aí aquilo, né, e no final das contas fica claro que o enriquecimento diante do mundo pressupõe uma xícara vazia, uma consciência de que há tudo para aprender, de que passaremos aqui essa existência sobre a Terra sem entender quase nada a respeito de quase tudo, sem entender muito bem de onde viemos, para onde vamos.
Afinal de contas, qual é o sentido de passar aqui 70, 80 anos ou 30 ou quem sabe 6 meses, as verdadeiras questões fundamentais da existência continuam sem resposta nenhuma. O resto é simpático, o resto diverte, o resto entretém, o resto faz circular o dinheiro, o resto redistribui, reorganiza, o resto te permite trincar o abdômen em 15 dias, te permite aprender italiano em 15 minutos, te permite cozinhar quiabo sem cometer o erro de cozinhar quiabo vestindo chinela de dedo, né, porque não tem isso, erros a não cometer cozinhando quiabo!
E aí eu fui ver, porque porra, nunca me ocorreu cozinhar quiabo, nunca me ocorreu que pudesse haver tantos erros pra cozinhar que é só botar pra cozinhar, e um dos erros era o tipo de chinelo que você usa, velho, realmente eu não nasci pra esse mundo, acho que me sobrepassa, porque você tem milhões de ensinamentos, milhões de prepotências, milhões de verdades, mas milhões, não é que é um chato aqui, outro chato ali, São zilhões de chatos dizendo verdades o tempo inteiro sobre as maiores cretinices e pau, 5 e, 10 lições, como ir, como encher o rabo de ganhar dinheiro, como lucrar, como enganar, como seduzir, como fazer gozar um cabo de vassoura, como Porra, velho, sabe, e não tem ninguém que diz "olha, não sei, viu, eu não sei se..." E aí Sócrates ganha uma relevância imensa, sabe, porque é um cara que era talvez o maior sábio da história, né, que olha e diz "puf, se for espremer, espremer, espremer, espremer..." É possível que eu não saiba nada, nada!
E aí é incrível, né, porque seria tão obviamente produtivo se as pessoas que, claro, aprenderam coisas na vida, todo mundo alguma coisa terá aprendido, né, mas a pessoa chega com a guarda Acha disso? É, eu tenho por você um respeito tal que eu estou aqui disposto a me enriquecer com o que você tem da sua experiência para me ensinar. E naturalmente, para isso, eu me esvazio de certezas para que os teus ensinamentos encontrem na minha alma terreno fértil.
Entende? Porque não adianta nada eu dizer para você: "Oh, diz aí o que você tem para me ensinar", e eu já ponho 30 mandamentos na frente, e cada um que não bater, imbecil, "Está errado!" Aí não adianta. Não, eu ponho isso aqui no andar de baixo, eu estou com a alma limpa, eu estou esvaziado de alma para que você possa genuinamente me contar o que você tem para me dizer. Mais tarde depois eu farei minhas checagens. Ponderarei, me posicionarei, etc., mas eu dou à pessoa toda oportunidade do mundo para ela dizer o que ela pensa, seja ela quem for.
Você entende o que eu tô tentando te dizer? Por quê? Porque o que que acaba acontecendo no nosso mundo, né? Eu saio da Universidade de São Paulo, universidade pública, e venho aqui, né, tá escrito aí, market makers, né, e é possível que eu tenha sido instruído pra não gostar da palavra market, é impossível que eu tenha sido adestrado pra não gostar de termos em inglês, é impossível que eu tenha passado, né, então aí eu chego aqui dizendo "os caras me chamaram, eu venho representando não sei o quê e tal". não, por quê?
Porque aí eu voltarei mais pobre do que saí, sabe? Agora aqui, não, seja você quem for, com certeza o que você tem para me dizer vai me enriquecer, sabe? Porque o que você tem para me dizer é resultado de uma trajetória que eu não vivi. Agora, claro, se você também quiser me ouvir, aí "Melhor ainda, fico dignificado, mas não é necessário, eu, na verdade, só vim aqui para te escutar". E aí, isso exige de você uma humildade, mas é uma humildade que te será extremamente enriquecedora e, portanto, vantajosa mesmo.
Você consegue entender que se você chega com a xícara cheia, não tem o que fazer, você não vai voltar enriquecido para casa? E você só volta enriquecido para casa se você não tiver essa empáfia de princípio. Vamos imaginar que você é convidado para ir para algum lugar, no meu caso, para dar uma palestra, etc. e tal. Aí, né, você sai aqui do aeroporto de Congonhas e poderia passar pela sua cabeça assim: vou lá, digo o que eu tenho para dizer, volto e, né, se entender, entenderam.
Se não entender, não entenderam. Digo, Roma, a expectativa que eu tenho de me enriquecer "Olha, no dia de hoje é zero, porque eu estou indo para um lugar onde ninguém tem nada para me ensinar." Sabe, é um indivíduo— essa é a verdadeira pobreza de espírito, sabe? É a pobreza de um espírito entupido de verdades resvaladiças tomadas por absolutamente suficientes. Para configurar sabedoria, o que é de uma pobreza infernal. Então, qual é a graça?
A graça é sempre estar assim, assegurando a todos que eu não tenho nenhuma certeza para te afirmar. Se você tiver alguma, nossa, espera que eu vou anotar, dá licença que eu vou anotar. E aí, claro, "Depois eu vejo o que eu faço com isso", mas, de qualquer maneira, a predisposição inicial é uma disposição de xícara vazia, de humildade diante das pessoas, porque há uma certa crença de superioridade de princípio. Já parou para pensar nisso?
Por alguma razão, algumas pessoas se consideram superiores às outras por uma espécie de organização do universo. Eu não sei bem qual é a justificativa, mas eu sou superior. Então essa superioridade de princípio faz com que essas pessoas passem a vida é desconsiderando as outras como fonte possível de enriquecimento de si mesmas. E isso é muito provável, porque você sai pelo mundo, numa sociedade como a nossa então, que é uma sociedade assim um pouco heterogênea e desigual, a chance de você esbarrar nas pessoas tomando-as por um mero obstáculo físico e portanto incapazes de te enriquecer, na sua mais absoluta diversidade, é enorme.
E o que é mais incrível, o que é mais incrível é que você considerará a possibilidade de ser enriquecido justamente pelas pessoas mais parecidas com você, que são as que menos têm diversidade de repertório pra te enriquecer, são as que mais concordam, são as que mais viveram parecido, são as que mais frequentaram a mesma bolha, são as que mais pertencem à mesma classe, ao mesmo grupo, e dizem as coisas que você quer ouvir porque coincide com o que você já acha que é verdadeiro.
Então você dará dar ouvidos a quem menos tem chance de te enriquecer, e você desprezará justamente aquelas que, pela sua diversidade absoluta, poderiam ser as mais contributivas para o teu enriquecimento. Caralho, velho!
Olha, eu tenho uma certeza só: se depois desse trecho quem tá assistindo não curtir o vídeo, não se inscrever no canal, olha, tá fazendo errado. Agora, sobre De marca maior, sobre essa diversidade. Eu não sei se quando você veio aqui pela primeira vez já tinha acontecido isso, mas a gente sentiu bem na pele, porque ano passado eu entrevistei aqui no Market Makers o José Dirceu, uma pessoa que, vamos dizer, não é muito bem vista pelo market ou aqui pela Faria Lima.
Com certeza.
Mas foi uma conversa onde a gente, e até eu apresentei assim no papo, né, eu falei, olha, José Dirceu estar aqui, ele representa quase tudo que a gente pensa diferente sobre mercado, economia. E até por isso o papo vai ser tão valioso, porque a gente vai ter uma pessoa que do lado, vamos dizer, do espectro político que é diferente do mercado, ele tem, ele é visto como uma das pessoas intelectualmente mais, que tem muito mais profundidade, muito mais bagagem, e vai poder trazer suas ideias e confrontar com as nossas aqui de maneira— e foi um papo muito respeitoso, foi um papo muito legal.
Mas a repercussão do episódio, embora ela tenha sido boa, há 72 horas antes do episódio ir ao ar, a repercussão da foto divulgando o episódio, igual a que a gente fez aqui antes de começar, fizemos um videozinho, já tá nas redes, essa foto, olha, foram 72 horas que eu tive de meu Deus, será que eu, será que minha empresa vai acabar? Porque a quantidade de chuva de comentário, hate, do tipo, meu Deus, por que vocês estão conversando com esse cara?
Por que vocês estão ouvindo esse cara? Eu entendo você não gostar de uma pessoa, mas não querer sequer ouvir o que uma pessoa que pensa diferente de você tem a trazer, pô, aqui a gente já conversou com 99% das pessoas que pensam iguais a você, né? Você, o espectador, um investidor do mercado financeiro que transita pela Faria Lima. Então, quando você ouve alguém que pensa diferente, é justamente a hora que você consegue validar aquilo que você acredita, entender o que uma pessoa diferente pensa.
Afinal, o mundo é o que é, não o que você acha que deveria ser. E essas pessoas que pensam diferente existem, e você tem que saber conviver com elas, né? Afinal, elas estão aí, né? A gente ainda vive numa democracia onde as pessoas podem expor as suas opiniões de maneira que o outro possa ouvir, discordar, mas conviver com isso.
Você foi felicíssimo nessa sua intervenção e eu vou estendê-la. Por favor. É porque, vamos combinar, o Zé Dirceu O senhor José Dirceu talvez pense, ou certamente pensa, de modo muito distinto, mas, do ponto de vista de pertencimento social, é alguém formado lá em Direito na USP, vamos combinar que pensa diferente, mas frequenta os mesmos restaurantes. Quando eu pensei em pessoas diferentes, eu te juro que eu pensei num outro tipo de diferença.
Eu pensei mesmo num espectro de gente com trajetórias muito, muito diferentes, né? Então, é conversar, e não é conversar numa generosidade magnânima de quem se dispõe a— não, não, é chegar para aprender, certo? Com aquela pessoa que leva uma hora e meia para chegar aqui, e que eventualmente limpa o vaso sanitário aqui da empresa, né? Aí sim você tem um tipo de diversidade que não é uma diversidade, digamos, ideológica, é uma diversidade de cenário de vida, né, de cultura, de espectáculo, perspectiva de olhar sobre o mundo.
E isso pode ser profundamente enriquecedor. E muitas vezes essas pessoas, num cenário desse tipo, estão tão habituadas ao desprezo, habituadas a serem tomadas como uma espécie de utensílio, ou de instrumento limpador, mas esvaziadas como um outro genuíno, que se você baixar a guarda para ouvi-las no sentido de entendê-las, no sentido de aprender mesmo, o que significa viver como ela vive, você pode, num primeiro momento, causar estranheza, mas num segundo momento talvez seja uma experiência redentora mesmo, né?
Porque você dá a oportunidade da pessoa se humanizar num cenário aonde ela está desumanizada Por uma questão funcional, de princípio. Entende o que eu tô querendo te explicar? Eu poderia citar o exemplo de uma instituição que eu conheço, onde as pessoas, funcionários da instituição, elas usam, elas pertencem a uma empresa terceirizada e usam uniforme preto, de maneira que elas se posicionam de um modo que busca a sua invisibilidade ou a sua invisibilização máxima, né, de tal maneira que se você as considera como pessoas, aquilo causa um choque inicial.
Mas aí esse choque inicial pode ser vencido com a continuidade da relação, no sentido de trazê-la para um cenário aonde o interesse pela vida do outro fica explícito. Eu quero realmente saber como é que você vive. E aí você tem com certeza a chance de uma diversidade verdadeira, né? A sociedade brasileira nesse sentido, ela pode ser, ela é potencialmente muito enriquecedora, justamente porque ela vai de A a Z. Ela é muito enriquecedora.
É uma pena que as pessoas fiquem circunscritas às suas bolhas, aonde todo mundo é muito parecido e diz coisas muito iguais, porque aí elas acabam se estreitando em repertório e acabam se apequenando sem perceber, quando na verdade, se elas dessem a oportunidade de se abrir, elas com certeza conseguiriam alargar as suas experiências sociais de de um modo absolutamente rico, muito mais rico até do que em outros países, digamos, mais homogêneos como o nosso.
É, pode, por favor.
Professor, quando a gente conversa com pessoas do mercado, acho que tem um desejo do— o Mati sabe disso muito melhor do que eu— mas tem um desejo sempre de previsibilidade. Então eu ouço isso muito de analistas com quem eu converso, economistas, ao mercado precisa de previsibilidade, previsibilidade. E eu vinha pensando sobre essa palavra, que eu acho que é uma coisa que não é do mercado, é um desejo nosso humano. Você quer prever sempre o próximo movimento, você quer controlar o próximo passo.
É, por que que a gente tá o tempo inteiro— qual que é o nosso problema com o imponderável?
Acho que é essa minha pergunta. Isso aí é bem bonito como pergunta, né? Porque vamos imaginar que você seja, digamos, um esforço de preservação no próprio ser e lute por uma Potência em Alta. E aí você se dá conta de que no mundo Os encontros poderão te pôr para cima ou te pôr para baixo. E o que é bem bacana nisso é que quando te põe para cima não te põe para baixo, e quando te põe para baixo não te põe para cima. É o que Spinoza chamava de alegria e de tristeza.
A alegria é excludente da tristeza e a tristeza é excludente da alegria, pelo menos não diante da mesma causa. Então, nesse sentido, o real, o real positivo, né, o real alegrador, né, é um real que exclui toda negatividade e vice-versa. Pois muito bem. O problema todo é que o que faz oscilar a tua potência não é só o mundo que você encontra, porque o mundo que você encontra é o menor dos problemas. O que faz oscilar a tua potência é o mundo que você imagina, é o mundo que você supõe, É o mundo que você antecipa, é o mundo que você sonha, é o mundo que você conjectura, é o mundo que você prevê.
E esse mundo, ora, te põe para cima, e quando você ganha impotência por conta de um mundo imaginado, isso se chama esperança, Mas o mundo imaginado, ele pode te apequenar. É quando você supõe que possa dar ruim. E quando você supõe que possa dar ruim e a potência baixa, isso a filosofia chama isso de temor, ou, se você preferir, medo. Medo, e o medo é desagradável de sentir.
Até a Bíblia condena o medo, né?
Certo? Ora, qual é a graça da história? A graça da história é você pensar assim: "Ah, então é simples, basta eu não pensar no que eu não quero que aconteça e..." Assim, o problema é E você já deve ter percebido que você controla só em parte as coisas que você pensa. Então, a título de exemplo, você pega o ônibus para ir para Baixada, você pegou no Jabaquara um ônibus para ir para Praia Grande, Mongaguá, né? E você olha pela janela e você vai daqui até lá com coisas passando pela sua cabeça.
É possível que nenhuma delas você tenha programado pensar. Tu não vai pensar: olha, na primeira meia hora eu vou pensar nisso. Não, aquilo vem, é a livre associação de ideias. Agora, se eu te der uma equação do segundo grau para você resolver, você vai programar a mente para resolver aquilo. Veja que tem os dois, tem o que você O pensamento que você não controla e tem o pensamento que você controla. Então, você poderia pensar assim: "Ah, já sei como fazer!
Eu vou programar a minha mente para pensar em coisas que eu quero que aconteça, e aí então eu elimino o medo da vida." Está claro isso? Mas tem um problema nessa história. Se a alegria exclui a tristeza, porque a alegria é causada por um real certo e percebido, a esperança não exclui o temor, porque diante da esperança é só uma conjectura. Então, quem tem esperança no positivo, inseparavelmente tem o temor do negativo. Se o seu jogador, do seu time, vai bater um You have hope that he marks.
Simultaneously, you have fear that he misses. This will not happen after he shoots, because after he shoots, the ball either enters or does not enter. There will be either joy or sadness, but there is not either hope or fear. Hope and fear, they come attached, they come mixed, they come juntos. E ora, dependendo das evidências, ora prevalece uma, ora prevalece a outra. A título de exemplo: um avião caiu, você tem um ente querido dentro da aeronave, ainda não há uma lista de sobreviventes.
Ora dizem: muitos sobreviveram, depois parece que ninguém sobreviveu e tal. Então a esperança e o temor vão oscilando. Naquilo que a filosofia chama de oscilação da alma, sabe? A alma oscila entre a esperança e o temor. Isso é terrível. Então, o que você quer é que a realidade se apresente para que você possa pisar em chão firme e sair dessa incerteza geradora dessa oscilação da alma que tanto te aniquila. Então, o que é a ansiedade?
A ansiedade é a busca por uma realidade que me jogará no campo da alegria ou da tristeza, mas que me tirará do binômio esperança-temor, entendeu? Eu quero que esse cara chute logo, eu quero saber se o meu time vai ser campeão ou não, eu quero que a realidade aconteça logo. Então, veja, Você me pergunta: "Aonde está o problema com o imponderável?" O problema com o imponderável é que você se sente desconfortável, não sabendo pisar com firmeza e vendo a sua alma navegar entre esperança e temor de maneira descontrolada e de maneira a você sofrer, no fundo.
Você sofre, no fundo. O que você quer é certeza, o que você quer é... Agora, o que é engraçado nessa história é que o jogo, todo jogo, ele pressupõe a busca de uma vitória e ele pressupõe um um delta T de incerteza sobre o vitorioso. Então, todo jogo trabalha em cima desse binômio afetivo temor e esperança. E o mercado, ele tem muito disso. Ele tem muito de incerteza, o que torna, digamos, a presença no mercado uma presença às vezes dilacerante, às vezes difícil, às vezes perturbadora, às vezes— mas é o preço a pagar por eventuais resultados auspiciosos.
Quem não joga não tem como pretender levantar o troféu no final do campeonato. É preciso passar pela provação do jogo para alcançar a alegria da vitória. E, naturalmente, no caso dos investimentos, se você quer certeza, Então a tendência é investir no que tá em alta, mas investir no que tá em alta é a primeira lição, a desconfiar, porque se tá em alta é possível que caia. Então aí a segunda lição é investir no que tá em baixa, mas investir no que tá em baixa precisa de bilis, precisa de fígado forte.
Você vai pegar um negócio destruído e apostar numa dinâmica que só existe por enquanto na tua cabeça. No mundo real ela não apresenta indícios, e quanto mais indícios reais ela apresentar, menos auspicioso será o ganho no final, porque mais gente verá isso. Então, para você ganhar muito, é preciso ver o que que ninguém viu, apostar no que ninguém aposta, acreditar no que ninguém acredita, e aí o fígado se retorce, por quê? Porque o mundo inteiro suspeita do acerto da tua estratégia, o que torna ainda mais ousada a opção.
Entende o que eu tô dizendo? Então, o que você quer é certeza, mas em cima de certezas não haverá chance de muito enriquecimento.
Clóvis de Barros acabou de recitar Warren Buffett em versão— Warren Buffett é o maior investidor de todos os tempos, que tem um livro ali. Você pega ele ali, Matos? Só porque eu ia pedir para o Renan pegar, mas última vez que eu pedi teve um acidente. Esse velhinho aqui do livro, aqui, Clóvis, ele tá com 95 anos. A gente leu esse livro recentemente para fazer um episódio. E é a frase, uma das frases mais famosas dele é: seja ganancioso quando os outros estão com medo, tenha medo quando os outros estão gananciosos. Que é muito nessa coisa, compra o som dos canhões e vem no som.
Viva o Buffett! Eu assino embaixo.
Agora, foi muito legal você fazer analogia com o jogo, o jogo de futebol, porque eu eu, como palmeirense que sou, bom, vocês já tiveram uma fase muito boa quando a gente tava triste. Agora a gente tá numa fase boa com vocês, com não tanta sorte, né? Mas eu sempre fui admirador do jogo. Então esse sentimento de esperança e temor eu não sentia tanto. Eu quero ver o Palmeiras ganhar, mas eu apreciava o sentimento que passava naqueles 90 minutos, independentemente do resultado.
Mas eu lembro muito, com muito carinho, quer dizer, carinho não, porque foi um resultado ruim. Mas ano passado o Palmeiras disputou a final da Libertadores contra o Flamengo, e para mim aquele jogo era essa esperança e temor absurdo que eu conversava com meus amigos palmeirense. Eu falava, olha, entre assistir o jogo sem saber o resultado e, sei lá, tomar alguma coisa que me fazia dormir, vou acordar só daqui uma semana, mas vou acordar sabendo que o Palmeiras foi campeão e nem vi o jogo.
Eu preferia tomar alguma coisa e dormir, e sabe, para nem passar, porque a esperança de ser campeão era totalmente ofuscada pelo temor de perder. Então ficava aquela sensação de não querer passar por isso. Infelizmente, né, o temor se tornou realidade, o Palmeiras perdeu. Mas é muito desse sentimento, né, como isso afeta bastante. E eu queria até fazer uma pergunta: Professor, alguns momentos da vida transformam os seres humanos, e acho que a paternidade, no caso para nós, é um momento da vida que é muito importante. O que que mudou na vida do professor A paternidade?
Olha, na verdade mudou tanto que eu nem lembro como era antes, sabe? Eu fui pai aos 22 anos e portanto sou pai há quase 40. E eu imagino que a paternidade me permitiu eu, antes de mais nada, reavaliar a minha relação com o meu pai. Muito do que o meu pai representou para mim, eu só consegui entender de maneira mais aguda depois que eu me tornei eu mesmo pai. Eu acho que a paternidade é uma oportunidade definitiva que nós temos de nos desgarrar de um eu mesquinho, exclusivamente preocupado com os prazeres de circunstância, os ganhos de ocasião, os aplausos mais tosquinhos e, de fato, estender a nossa preocupação para uma vida que não é a nossa, mas é a vida do outro.
A paternidade também é o momento de maior amor que podemos viver, no meu entendimento. O amor pelos filhos é insuperável, E ele é uma ocasião, e eu acredito muito nisso, de nós experimentarmos o que a humanidade pode ter de melhor. Acredito muito que o amor seja mesmo o grande valor da vida e a paternidade é a instância mais propícia, favorável e provável, até, desse Amor se manifestar plenamente. Então, eu penso que ter sido pai foi a melhor coisa que me aconteceu, porque foi a ocasião que me deu a chance de viver o que de melhor uma vida humana pode pretender, que é uma vida de amor. Acho que eu respondi à tua pergunta?
Acho que respondeu. Muito bom!
É, eu, claro, e eu vou terminar dizendo que, no meu caso, 3 filhos, São 3 filhos, 3 relações, 3 pessoas diferentes, 3 amores diferentes e 3 dados de realidade da minha vida que, se eu pudesse, eu só dobraria a mão aposta, né? Eu sempre fui muito feliz sendo pai. Claro que não se trata aqui de medir se eu fui um bom pai, se a educação que eu dei aos meus filhos foi a melhor, Isso eu realmente não sei dizer. O que eu sei dizer é que— eu digo para mim, não para eles.
Para eles você poderá sempre perguntar para eles, mas para mim, essas experiências foram tão viscerais e relevantes na vida que elas, inclusive, permitiram reavaliar muito do resto. Então, muito do que eu fiz na vida foi em função dessa paternidade e muito do que eu deixei de fazer também, e sempre entendendo isso de modo muito positivo, e não como tendo perdido oportunidades, ou por entender que não é— aquilo que contribuiu para uma paternidade mais rica foi, na verdade, o que de mais legal pôde ter acontecido.
Meu filho, né? O resto, o resto, bom, a gente às vezes substitui, a gente às vezes troca, às vezes a gente vive de outro modo e tal, mas os filhos, esses são soberanos, esses continuarão até o fim.
Muito bom, muito bom, Professor Clóvis, é sempre um prazer você aqui conosco. Agora vou para o ping-pong, que aquela parte que a gente faz todo final de programa. A gente gosta de saber recomendações de livro, música, convidado. Aliás, na sua última vinda, qual foi o— era o Milton Nascimento, Gilberto Gil que você falou? Eu falei Gilberto Gil.
Você falou que Gilberto Gil me segue. Isso, foi isso mesmo, foi isso mesmo.
Mas vamos lá, pela ordem. Primeiro, queria que você desse uma recomendação de leitura para nossa audiência do Market Makers.
O Primo Basílio.
Primo Basílio?
Essa é de Queiroz.
E professor, a gente costumava perguntar isso, mas a resposta era sempre tão chifrinha que a gente até tirou do pingue-pongue. Mas será que ele tem uma sugestão de livro para não ler?
Ah, qualquer um dos meus.
Eu acho que ele respondeu isso outra vez. É verdade.
É verdade.
Eu não assino embaixo dessa recomendação. Uma música e por que essa música?
Olha, eu gostaria de recomendar, de citar Coração de Estudante, de Milton Nascimento, porque fazia muito sucesso no tempo que eu prestei vestibular e me lembro de tê-la ouvido na companhia do meu pai em meio à celebração de vitória em vestibular, então me marcou muito, então coração de estudante Milton Nascimento teve um um detalhe da minha trajetória muito, muito, muito alegradora. Sem falar que Milton Nascimento, como cantor, dispensa qualquer adendo, né?
Como é que começa Coração de Estudante? Aqui, já achei a letra.
Ah, lembrei! Ah, boa!
Muito bom, muito bom! Um convidado que você gostaria de ver aí no seu lugar contando a história dele aqui para a gente no Market Makers?
Olha, um teria sido o Fábio Barbosa, mas ele já veio, né? Então nesse sentido eu queria que você considerasse a possibilidade, aí eu já não sei se já esteve aqui, mas eu acho que o professor Mário Sérgio Cortella ele poderia ser muito contributivo para reflexão de vocês.
Eu, a gente, qual foi a história? A gente já tentou chegar nele, eu não lembro o que que deu, mas bom, agora com o seu endosso, acho que fica mais fácil Marcelo Cortella aparecer por aqui.
Inclusive ele tem um livro chamado A Sorte Segue a Coragem, que ele fala sobre esse conceito de sorte. Muito bom.
Imagina o Cortella com o Professor Koves aqui, ia ser legal também, né? Bom, mas tá faltando, ah, tá faltando a da gentileza. Você, quando veio aqui, você quebrou a nossa cabeça falando a história da maior gentileza da vida, do japonês no avião. É aquilo, é um corte que viralizou. Quisera eu que o Market Maker tivesse ganhado o número de seguidores que um monte de gente ganhou fazendo o corte desse vídeo nas diversas redes. Mas você tem alguma outra gentileza muito marcante na sua vida, além da gentileza do Japão?
E quem não sabe da gentileza do japonês no avião com o Clóvis, joga lá Clóvis japonês avião em qualquer rede, você vai encontrar. Mas alguma outra gentileza, professor?
Ah, eu tenho uma de avião também muito boa, só que aí fui eu que fiz. Porque uma comissária de bordo, como chamam agora aquilo que nos tempos dos nossos devaneios de adolescência a gente chamava de aeromoça, ela virou para mim e falou assim, numa descrição, ela disse: eu sou muito sua fã. Falei: "Obrigado". Também fui discreto, porque a pessoa que está trabalhando sabe dos limites. Ela disse: "Eu adoraria tirar uma foto com você aqui na aeronave, mas não é permitido".
Aí, Peguei e falei: "Ah, tem certeza que não é permitido?" "Tenho". Aí, ela falou: "Isso daria muito prejuízo para mim, se fosse relatado". Falei: "Que pena, né?". Eu, em determinado momento, me levantei, fui até o mictório e, ali na parte da frente, tem aquela cortininha e tal. Aí eu falei: "Olha, da cortininha para cá, será que vão ver?" "Eu preciso muito desse emprego, mas eu queria muito a foto. Ninguém pode ver, se alguém abrir a cortina..." Eu fui lá fazer xixi, falei: "Poxa, tem que ter um jeito, né?" Aí eu abri a porta do banheiro, falei: 'Ó, o seu problema é verem você tirar foto comigo, não é?' Puxei ela para dentro do banheiro.
'Tira aí a porra do celular.' Ela tirou o celular, cliquei e falei: 'Pronto, tá aí a foto.' Abri a porta do banheiro, falei: 'Agora sai.' E foi assim que eu fiz. Olha, ela, na hora que eu tava saindo, ela olhou para mim e assim Escorria lágrima de agradecimento. Eu, por outro lado, agarrei a aeromoça dentro do banheiro, mas foi por uma causa justíssima, que foi tirar uma selfie de 1 segundo, assim, pá pá plá, e ela saiu desbaforida E eu peguei, só olhei e falei: ficou boa a foto?
Ah, maravilhosa, maravilhosa! E assim foi. Então, o que que eu te diria? Por que razão eu destaquei esse acontecimento? Porque você pega e diz: a pessoa quer a foto, mas não tem coragem para tirar, então fica sem a foto e pronto, né? Mas eu não me dei por contente. Eu falei: puxa, ela quer tanto a foto e ela não tá com coragem, eu vou no tranco fazer o que ela, na sua responsabilidade profissional, jamais faria. E eu fiz isso.
E tá aí uma coisa da qual eu me orgulho muito, porque eu já estive com uma comissária de bordo no toalete do avião com a porta fechada, meu amigo, é tirando foto.
Bom, a gente espera que esse trecho viralize tanto quanto o outro trecho, e quem sabe essa foto chega aí, né? Olha a foto que ele tirou, que legal! Professor Clóvis, é uma honra receber você aqui. Assim, eu saio sempre completamente feliz, revigorado, feliz. Assim, é uma satisfação enorme. A gente tem essa sorte na vida de receber tanta gente aqui para ouvir e aprender com elas, com a história, com o que ela fez, ou simplesmente compartilhar ideias.
Mas sempre que você vem aqui é sempre muito especial para a gente. Espero que você tenha gostado. Você gostou, Leopoldo? Muito! Você gostou, Matheus? Muito feliz! Bom, então, ó, 3 pessoas felizes na mesa.
Espero que você também Nossa, eu só estou com a certeza de que a minha presença anual aqui se reproduza por muito tempo. Havendo vida, haverá market makers. Preciso de duas coisas: vida e convite. E aí a gente vem com certeza conversar, e quem sabe daqui até lá não surjam novas histórias, novos episódios e mais coisas pitorescas para comentar, porque vocês são sempre muito competentes na hora de fazer as provocações, e isso permite sempre as digressões mais deliciosas.
E eu mesmo me pego aqui falando como se tivesse falando comigo mesmo, sabe? E eu gosto muito de falar comigo mesmo, tem essa vantagem. É, eu gosto muito das coisas que que eu penso, né? Eu não sei se elas são boas, mas eu gosto muito delas, o que faz com que eu suporte muito bem estar sozinho, né? O que é muito bom para mim, porque eu trabalho sozinho o tempo inteiro como palestrante. Pego táxi, pego avião, pego coisa, volta e volta de novo, bate e volta para Goiânia, bate e volta para Salvador, bate e volta a Porto Alegre, sempre sozinho, sozinho, sozinho.
Se eu não conseguir me divertir com as as coisas que eu penso, eu não suportaria. E às vezes eu me pego rindo sozinho no avião de alguma bobagem que eu falei na palestra, de alguma coisa que me ocorreu dizer. E com certeza hoje eu vou voltar para casa, vou tirar o meu uniforme, vou pôr o meu pijaminha, vou preparar o meu mingau e vou morrer de dar risada do monte de coisa que me ocorreu dizer Vim aqui porque eu acho divertido tirar sarro da própria cara.
Detesto gente que se leva a sério e, portanto, gosto muito de zoar comigo mesmo. E acho, e acho que com vocês essa oportunidade é sempre revigorada. Muito obrigado pelo convite e adorei estar aqui.
Que delícia, professor! Que bom, que bom que também o Mateus conseguiu aguentar até o final aqui com a gente. Muito bom. É muito bom ver você que tá curado. E você que assistiu até o final, deixe seu joinha no vídeo, se inscreve no canal. Lembrando, toda terça, quinta e domingo, 18 horas, tem episódio novo do Market Makers. Nós aqui desse lado, sempre com alguém muito mais inteligente do que nós do outro lado, compartilhando conhecimento. Até a próxima e tchau!
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