#370 | SIMONE TEBET REVELA OS BASTIDORES NUNCA CONTADOS DO GOVERNO LULA
Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão e Leopoldo Rosa recebem Simone Tebet — senadora, ex-Ministra do Planejamento e Orçamento do governo Lula e pré-candidata ao Senado por São Paulo — para uma conversa sem filtros sobre os bastidores do poder, o futuro do Brasil e a eleição de 2026.Simone detalha sua experiência como ministra, a frustração com o Congresso Nacional que trava as reformas, a revelação de que mais de 60 bilhões de reais do orçamento discricionário estão nas mãos de parlamentares sem transparência, e por que o Brasil gasta 600 bilhões por ano em renúncias fiscais sem eficiência. Ela fala ainda sobre segurança pública, o assassinato de 75 jovens por dia no Brasil, o papel do crime organizado na política, a oportunidade das terras raras e o que aprendeu com o presidente Lula sobre como ouvir.Você concorda com Simone Tebet sobre o orçamento secreto? O Congresso Nacional é hoje o maiorobstáculo para o Brasil crescer — ou a culpa é do Executivo que não lidera as reformas?Este episódio faz parte da nossa cobertura especial das eleições de 2026 e conta com o apoio dos nossos parceiros Money Times, Seu Dinheiro e Bastidores do Poder, ampliando o alcance das discussões e levando esse debate para ainda mais brasileiros.📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -SIMONE TEBET | Market Makers #370Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers) e Leopoldo Rosa (COO do Market Makers)Convidads: Simone Tebet (candidata ao Senado Federal pelo estado de São Paulo)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#SIMONETEBET #ELEIÇÕES #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
Thiago Salomão
Leopoldo Rosa
Simone Tebet
- Brasileiros na Sul-Americana 2026Pré-candidatura ao Senado por São Paulo · Terceira via · Polarização política · Candidatos ao Senado · Geraldo Alckmin
- Avaliação do Governo LulaExperiência como Ministra do Planejamento · Frustração com o Congresso Nacional · Orçamento discricionário nas mãos de parlamentares · Renúncias fiscais · Presidente Lula
- Democracia e polarizaçãoDiscurso de ódio · Radicalismos políticos · Desinformação e redes sociais · Violência contra a mulher
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- Relação Brasil-EUA e EleiçõesImigração e diversidade cultural · Motor econômico do Brasil · Poder de escolha e qualidade de vida
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Eu tenho idade suficiente para ter adquirido algo que a gente só adquire com o tempo, quando não nasce com ele. Eu não nasci com ela, que é coragem.
Simone Tebet, que tem longa história na política, viu, Salomão, foi prefeita, senadora, candidata, presidente em 2022, foi vista por muita gente, inclusive por parte do mercado, como uma agradável opção aí de terceira via.
O discurso de ódio, essa pauta sectária de qualquer um, isso não vai resolver o problema do Brasil. O problema do Brasil é muito mais profundo e muito mais urgente, que nós temos que diminuir a desigualdade, nós temos que enriquecer enquanto país antes de envelhecer e nós não temos mais do que uma década para resolver esse problema. Se a gente conseguisse, ou conseguir, diminuir 10% no ano de 2027 de todas essas renúncias fiscais, nós estamos falando de 60 bi que entrariam nos cofres públicos sem aumentar imposto no Brasil.
Ora, Quem coloca uma emenda parlamentar num país de miseráveis ainda como o nosso, desigualdade social, com tantas demandas na área de logística, de infraestrutura, de casas populares, etc., para bancar um show que vai custar 2 milhões, eu pergunto: vai custar 2 milhões mesmo? Porque assim não tem lógica, não tem sentido, é imoral, é injusto.
Um em cada 5 só sabe que vai votar em senador, um em cada 20 sabe que vai votar para 2 senadores, mas mais de 60%, 2/3 da população vai votar no cara que seja comprometido com impeachment de ministro do STF. Pensando em você como candidata ao Senado, como é que você vê essa preocupação da sociedade com o impeachment dos ministros do STF? Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira.
Eu sou Thiago Salomão e se Leopoldo Rosa está ao meu lado é porque tem eleições 2026.
É isso aí, entrevistas sobre e com políticos.
Como é que você tá, Leopoldo?
Tudo bem, e você?
Tudo ótimo, meu querido. Quem está conosco hoje?
Quem está conosco é a senadora, ministra e Uma longuíssima pré-candidata ao Senado, mas já foi senadora, né? Então agora pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet. Candidata e senadora, não sei como vou chamar a senhora na verdade.
Pela única coisa que consta na minha certidão de nascimento, Simone.
Simone, muito bem-vinda ao Market Makers, prazer recebê-la com a gente. Simone Tebet, que tem longa história na política, viu, Salomão? Foi prefeita, senadora, candidata, presidente em 2000. E 22 foi vista por muita gente, inclusive por parte do mercado, como uma agradável opção aí de terceira via. Mas devo dizer, perdeu parte desses apoios quando aderiu no segundo turno à candidatura do presidente Lula. Aliás, foi ao lado do presidente Lula que ela exerceu o seu último cargo público, que foi de ministra do Planejamento.
E agora ela quer se lançar ao Senado novamente, mas um novo estado, o estado de São Paulo.
Vamos falar sobre isso.
Bom, mas antes, não existe almoço grátis nem podcast grátis, então vamos dar a saudação para os nossos parceiros da iPlace. Se você lidera uma empresa ou tá construindo um negócio em crescimento, sabe que tecnologia não é só suporte, é estratégia. E é exatamente aí que entra o iPlace Corporativo, né?
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Então agradecer demais. E bom, você tá aqui no Market Maker, já deixa o seu like no vídeo, se inscreve no canal. São mais de 7 milhões de pessoas impactadas nesse podcast que nasceu para falar de mercado financeiro e hoje fala De tudo mais, tudo que interessa ao mercado financeiro, mas todos os mistérios que estão entre o céu e a terra. Bom, vamos lá então, Lepo. Acho que você já deu um gancho na sua apresentação para primeira pergunta, né?
Simone, quando candidata em 2022, eu acho que boa parte do mercado financeiro e das pessoas que buscavam pelo fim da polarização e por uma candidatura de centro viram na sua candidatura um potencial. Por causa de seus posicionamentos, de sua história política e da forma com que você vinha conduzindo a candidatura até então. Quando você abraça no segundo turno o presidente Lula, esses apoios se esvaem um pouco e as pessoas começam a ficar um pouco reticentes em relação a: poxa, será que ela realmente era de centro?
Será que não era uma pessoa de esquerda que tava fazendo uma linha auxiliar para o presidente Lula? Queria saber como que isso bateu para você, porque o que aconteceu com o mercado financeiro a gente já entendeu, a gente já soube, as leituras, né, então estão mais próximas da gente. Agora, como que isso bateu para Simone candidata e para Simone política, essa, esse desabraço do mercado que aconteceu ali no segundo turno?
Com todo respeito, Leopoldo, Thiago, muito obrigada sempre pelo convite, oportunidade de falar com São Paulo e com o Brasil através do podcast de vocês. Não bateu. Assim, absolutamente indiferente, mas absolutamente compreensível. Democracia é isso, você tomar posições, você ter uma pluralidade de ideias, de pensamentos, né? E mesmo esse desembarque que você disse foi feito sempre com muita urbanidade, com muita educação. O Mercado me recebeu quantas vezes aqui na Faria Lima ou em outros centros urbanos de grandes cidades para falar de planejamento, para falar de orçamento, para falar de de possíveis pré-candidaturas, como aconteceu agora recentemente.
Se eu tivesse optado pelo outro lado, eu desagradaria a outra metade do mercado, né? Mas eu tenho a tranquilidade da consciência, e 8 de janeiro mostrou que não foi passeio no parque. Eles não invadiram qualquer coisa, né? Eles tentaram invadir os dois prédios que representam, os dois prédios que têm mais a cara da democracia: o Congresso Nacional, que é onde tem pluralidade de pensamentos, e o Supremo Tribunal Federal, que com todos os seus defeitos, e tem muitos, né, é a uma corte maior que interpreta e dá a última palavra à luz da Constituição.
Então, eu acho que o que mais me bateu não foi nem o mercado, né, que faz parte do jogo, foi a falta aí sim de urbanidade, educação, de desrespeito, de dedo na cara, de xingamento e até ameaça. Eu tive que andar pouco tempo, mas eu tive que andar com segurança, né, inclusive no estado onde eu nasci, né, onde eu não tinha condições de descer no meu aeroporto, conhecia todo mundo e pessoas que subiam elevador viravam as costas para mim, literalmente.
Vira as costas para mim. Mas assim, eu falo que a vida é sempre— eu tenho idade suficiente para ter adquirido algo que a gente só adquire com o tempo quando não nasce com ela. Eu não nasci com ela, que é coragem. Coragem de fazer o que eu acredito, coragem de enfrentar desafios. E isso é uma lição que eu trago da eleição para presidência da República, que foi o primeiro e único mandato, cargo, Thiago, que eu disputei e perdi. Eu ganhei 5 eleições Fui candidata a deputada estadual, fui prefeita, reeleita prefeita, vice-governadora e senadora, mas tive várias derrotas outras na minha vida, ao longo da vida, dos meus mais de 50 anos de idade, que a gente às vezes ganha muito mais quando perde do que quando ganha.
Porque se você ganha do lado errado, se você ganha infringindo a sua consciência, fazendo uma coisa que você fala assim: "Não era isso que eu queria, ou não é isso que eu deveria fazer", você não ganhou. Você vai pagar um preço muito grande lá na frente, né? Então, com muita tranquilidade, eu disputei uma eleição sabidamente derrotada, sabia que ia ser derrotada, eu já sabia para onde eu ia no segundo turno, e por uma única razão, não porque eu penso ideologicamente igual ao governo do PT, muito pelo contrário, né?
Eu sou do agronegócio, uma pessoa de centro, mas porque eu sabia que o segundo turno, as urnas só tinham levado um democrata para o segundo turno. E eu sou a geração da Direta Já. Eu sei o que é viver sem democracia, que é um termo que vocês que estão na sala todos aqui, ó, aqui só tem gente com idade para ser tudo meu filho aqui, ou minha filha ali, né? A maioria dos que devem estar me acompanhando também. Eu fui a última geração a lutar por Direta Já, né?
Se a gente não vivesse uma democracia, vocês não poderiam, talvez você não poderia sequer estar fazendo essa pergunta para mim. Então eu prezo muito por ela. Acho que o mundo tá vivendo momentos difíceis, de extremos, seja de um lado, seja do outro. Isso não faz bem para o mundo, não faz bem para o Brasil, não faz bem para as relações humanas, né? O tempo tá passando, a janela de oportunidade tá se perdendo e a gente tá discutindo sexo dos anjos.
E nós sabemos que não tem. Ou seja, absolutamente incompreensível. E eu que sou exatamente essa pessoa ponderada, do diálogo, do equilíbrio, do centro, eu não consigo compreender esses radicalismos de qualquer parte num país ainda tão desigual com tanto por fazer e com tantas oportunidades que nós temos.
Eu queria trazer outro assunto para pauta, mas fiquei muito curioso com uma parte que você falou nessa resposta sobre essa rejeição que bateu na sua cara, não do mercado como você disse, mas até de quem te acolhia antes, né? Você falou de até ter que ser escutada, enfim, mas acho que principalmente das pessoas que antes te apoiavam não te dar mais apoio, virar o rosto para você, enfim, o que que esse tipo de experiência trouxe para você de aprendizado?
A gente aqui valoriza muito essa coisa até meio estoica, né, das experiências que a gente vive, as boas e as ruins, elas sempre nos trazem um aprendizado. O que que a Simone de 2026 tem hoje que a de 22, antes de passar por isso, não tinha?
Ah, sem dúvida nenhuma de poder vir porrada, bomba, porrada e tiro de qualquer lado que não vai me afetar. Porque já me afetou o suficiente ao longo da minha vida inteira. Não que eu não tivesse sofrido outros tipos de violência. A mulher na política sofre muita violência, né? Pela roupa que tá vestindo, pela forma de falar, pela forma de não falar. Se não fala ou fala baixo, ela é fraca, né? Ela não serve para política. Se ela fala alto ou bate na mesa, ela é considerada professora de Deus.
Então, já tinha recebido várias violências políticas na minha vida, várias violências como qualquer um de nós, vocês todos recebem, né? Assim, porrada na cara, né? Mas nunca dessa grandeza, nunca dessa força. Porque na eleição de 22, se vocês se lembrarem, a diferença de voto— bom, primeiro, né, nós tivemos outros candidatos que não tiveram a coragem que eu tive de tomar uma posição, né? Os outros, o que ficou em 4º e 5º lugar, ninguém quis se posicionar nem para o lado nem para o outro.
Eu fiquei em 3º lugar, surpreendentemente em 3º lugar. Eu tive quase 5 milhões de votos, eu não podia não me posicionar. Então, diante daquele cenário, não sei se vocês se lembram, a eleição foi de A diferença foi de 1 milhão e 800 mil votos. Se a gente for olhar mano a mano, a diferença foi de 900 mil votos, porque se tira um voto para cá, cai para lá. Vocês que são da exatas aí, eu sou de humanas, vocês são economistas, enfim, administradores, administradores, administradores.
Então, mas a turma aqui toda sabe do que eu tô falando. Então, naquele momento, no primeiro ano, né, em 23, grande parte do eleitorado bolsonarista imputou a mim a derrota do Bolsonaro, porque se eu sou uma pessoa de centro, se "dialogo com o Agri, etc., eu poderia ter feito a diferença com os independentes". Eu não acredito nisso, assim. Acho que o eleitor, claro, pode ser que a gente influencie um pouco, mas enfim. Então, tudo que vier agora, eu estou preparada, emocionalmente preparada, espiritualmente sempre tive, porque eu tenho uma fé inabalável, assim.
Uma fé inabalável em Deus e uma fé inabalável no Brasil. Eu não desisto do Brasil de forma alguma e sou eterna otimista, embora seja muito realista, eu sou uma realista otimista, porque eu posso dizer: eu conheço o Brasil. Eu conheço cada estado desse país, eu já fui em todas as capitais, eu conheço o interior, eu conheço as capitais. Eu nasci no interior do interior do Brasil, eu fui fazer faculdade no Rio de Janeiro, fiz mestrado aqui em São Paulo, eu trabalhei 12, 11 anos na capital do país, que é Brasília.
Como prefeita, eu lidava com a dor dos mais vulneráveis e mais pobres. Como ministra do Planejamento e Orçamento, eu falava e falo, né, com os maiores investidores do Brasil. Então assim, eu conheço esse país. Eu sei da potencialidade dele e eu sei da responsabilidade como política que sou, independente de ter cargo, do que eu preciso fazer para ajudar esse país, como vocês, como jornalistas, administradores, enfim, gente do mercado financeiro tem para fazer.
Então, acho que esse senso de responsabilidade também me dá força para vir assim superar qualquer dificuldade. Eu falo com muita tranquilidade isso. Quem olha para mim hoje sabe que eu sou outra pessoa. Olha assim e fala assim: "Ah, você tá calma, tá tranquila, nada te abala." É porque já abalou muito, eu já sofri muito, eu já chorei muito, eu já fui uma mulher frágil. Então assim, não é quem olha assim, a gente não, né? Simone de Beauvoir tem uma frase muito interessante, né?
Veio de uma outra época ainda muito mais complicada, que diz assim que mulher não nasce mulher, ela se torna mulher. Quer dizer, ela se torna na força da mulher que é mãe, que é esposa, que vai para trabalhar e tudo mais. E o mesmo acontece com os homens, né? Eu acredito.
Pensando nessa força que foi desenvolvida aí a partir de 2022, o quanto dela foi útil e o quanto você precisou usar para estar na equipe econômica de um governo do PT que tende a ter uma posição muito menos liberal que eu imagino que seja a sua, até pelos posicionamentos anteriores que a gente já teve, é a defesa do agro e a defesa de um desenvolvimento um pouco mais com outro olhar, que não é o olhar raiz de uma equipe econômica petista.
Ah, Leopoldo, você fez uma pergunta que ninguém tinha feito, mas acho que é brilhante, porque assim me faz refletir agora nesse momento, né? Agora eu tô entendendo porque eu consegui falar tantos não para o presidente Lula, ou mesmo questionar tantas decisões que estavam sendo discutidas da equipe econômica, né? Minha equipe me preparava, falava: isso aqui a gente acha que não é assim, eu sou mais liberal na economia. Eu também achava, sempre tentava buscar um caminho do meio, porque eu tenho para mim também assim: a voz do povo é a voz de Deus.
E se é uma coisa que a gente tem respeitar o resultado das urnas, seja ele qual for. E assim, eu tava diante de um presidente democraticamente eleito pelo povo brasileiro, então eu tinha que chegar com toda a responsabilidade, mas sempre com muita coragem para dizer: "O presidente, acho que isso não vai dar certo, o caminho pode..." "Vamos achar uma alternativa intermediária." Talvez ter falado tanto assim com o presidente, com tanta sinceridade, coisa que as pessoas têm dificuldade, e é natural que tenha.
Imagina você chegar na frente de um presidente da República e de colocar posições muitas vezes absolutamente distintas, talvez tenha sido fruto não só de 22, mas de toda essa minha trajetória política, né? Por isso que aí, já fazendo um comentário, eu já desde mais algum tempo sempre discuti mandatos. Acho que ministro supremo tem que ter mandato, não pode ter vitaliciedade. E sempre achei que ministro supremo não pode ter menos de 50 anos de idade, você tem que ter experiência suficiente de vida.
Nenhuma, porque Nenhum QI de, sei lá, 170, 180, ele substitui a inteligência emocional e a vivência de alguém que passou por experiências na vida, né? Minha filha, as minhas filhas, provavelmente tem o QI muito mais elevado, eu sei que tem, porque são muito mais inteligentes que eu, só que elas não têm o mínimo da vivência que eu tive, especialmente a minha de 25 anos, que é brilhante e não tem. Então assim, ela não tá preparada para certas situações e certos cargos que eu estou embora menos inteligente que ela.
Então, eu estava na hora certa, né, com o tempo certo de vida para estar diante de um presidente e poder falar: Presidente, eu concordo, eu não concordo. E isso me trouxe também, Leopoldo, assim, uma percepção muito diferente do presidente Lula, que eu continuo ainda tendo divergências ideológicas, divergências de posicionamentos econômicos e tudo mais, mas me fez admirá-lo enquanto pessoa, porque eu convivi com muitos caciques políticos assim, estrelas, né?
Eu fui da era em que eu vi, né? Eu não cheguei a ver Tancredo Neves, mas eu vi Ulisses Guimarães, né? Eu vi a gestão de Mário Covas, Franco Montoro, só para falar de São Paulo, entre tantos, tá? Não quero que diminuir outras lideranças. Eu estive ao lado de, ao meu ver, a história vai contar um dia, um dos maiores e mais brilhantes políticos da geração passada, ainda vivo, não só Fernando Henrique, mas José Serra, eu vi o brilhantismo da cabeça desse homem.
Mas por todos os momentos que eu passei, das grandes lideranças, de governadores com quem eu convivi, eu nunca vi uma pessoa que inclusive já foi 3 vezes presidente da República com a capacidade que tem de ouvir como o presidente Lula. E não é porque é ouvir uma mulher, é ouvir seja quem for, é parar e ouvir. É uma coisa assim impressionante que eu não tenho, não tenho nem essa paciência. Ouve, pondera, ouve todos os lados, depois toma uma decisão baseada em isso.
Isso é inteligência, inteligência emocional. A gente nessa era aí de usar o ChatGPT, a gente tava conversando com isso um pouquinho antes, usar inteligência artificial para fazer as coisas. Isso me surpreendeu assim. Aliás, dois episódios, eu vou contar um outro se você me permitir. Não tô fazendo campanha não, porque eu acho que cada um vota em quem quer e tudo mais. Mas sim, porque de novo falei, né, eu faço frente, eu sou pré-candidata numa frente ampla, né, trouxeram para cá justamente porque eu penso um pouco diferente.
Teve uma fala do presidente que perguntaram para ele, acho que se ele acreditava em Deus, alguma coisa assim, né. E se ele, ele falou assim, olha, eu sou a pessoa que mais acredita, eu não tenho como não acreditar em Deus, eu sou a pessoa que mais acredita em Deus, que "Que mais sou espiritualizada, não sei como foi que ele começou a frase." E aí ele explicou por quê. Ele falou assim: "Eu nasci numa época e numa cidade e num local onde quase metade, 40% ou mais, quase metade das crianças morriam antes dos 7 anos de idade e eu sobrevivi." Eu sou o 6º, 7º filho da Dona Zilu, que foi o primeiro a ter Eu tenho o diploma do ensino fundamental, porque eu não tenho uma universidade.
Eu fui primeiro a ter carteira de trabalho assinada e eu fui o primeiro operário, e depois de tanta luta, sem nunca desistir, que me tornei presidente da República por 3 vezes. E ele termina com uma frase que eu acho assim, que isso me tocou como mulher, e eu acho que a gente tem que ter esse reconhecimento com as nossas mães, todas as nossas, todos nós que temos que todos nós temos mães, né? Ele falou assim: eu sou fruto do amor de uma mãe.
Então eu acho que é esse, assim, é eu ter condições, e acho que isso serve como exemplo para todos nós, né? De mesmo que eu discorde de alguém, eu ter coragem de olhar e falar: nessa parte eu admiro essa pessoa. Porque ninguém é totalmente mau, ninguém é totalmente bom. Eu tô insistindo muito nisso porque eu tô falando assim que Tá fazendo muito mal para o Brasil essa polarização, tá fazendo muito mal para o Brasil esse ódio, tá fazendo muito mal para os nossos jovens que estão vindo muito mais conservadores que vocês.
Tem uma geração de 13, 14 anos que tá nas redes sociais com esse movimento Red Pill, né, do, acho que é daquele filme Matrix, que eu acho que vem daquilo, não sei se vem, que lá tinha, né, você tinha opção, né, de tomar ou não, e eles optaram por isso, que estão vindo muito mais conservadores em relação às mulheres, aprendendo lá e monetizando vídeo na internet de como você ser violento, dar um mata-leão, dar soco, pancada numa mulher que se recusou a dar um beijo, que se recusou a dormir com você ou que quer interromper um relacionamento.
E eu sempre achei que a violência contra a mulher, né, ela diminuiria quando a geração dos mais novos viessem, porque elas vêm com nova mentalidade, e não é o que tá acontecendo. E eu não sei por que que eu O que que eu desenvolvi tanto? Porque tem a ver com essa coisa da percepção, né? Aqui, ó, eu tenho certeza que a maioria das coisas que eu tô falando aqui vocês podem não ter concordado, mas olha, olha a tranquilidade com que a gente tá conversando aqui, né?
Isso tá faltando no mundo digital, nas redes sociais. E pode me interromper, viu, Tiago? Aqui não tem essa coisa de achar que com isso é interrupção de uma voz feminina, não, porque aqui tem que ser diálogo. E se você não me interromper, eu não vou parar de falar.
A gente gosta que o entrevistado fale muito mais do que a gente, viu?
A gente Acho que o maior elogio, eu não sei se elogio ou se é falta de capacidade nossa de perguntar, mas o que mais exaltam aqui do Market Makers é vocês deixam o convidado falar. E quando a gente deixa o convidado falar, e acho que também é outro ponto positivo nosso, que por mais que a gente seja um canal do mercado financeiro, Market Makers, nascemos do mercado financeiro, sou investidor no mercado financeiro, antes disso sou empresário, empreendedor, né, o Market Makers é uma empresa, mas a gente não tá disposto a ouvir só um lado ou o lado que nos agrade, ou as ideias que nos agradam.
A gente já trouxe aqui vários economistas, vários políticos, mas de correntes completamente diferentes. Exatamente. A gente tava, a gente teve um papo semana passada com Fernando Haddad, semana que vem vai vir o Caiado aqui, e hoje você tá aqui. Então assim, é, e a gente quer ouvir o que todo mundo tem a dizer, a gente quer aprender com as histórias dos outros. Aí até quando você começou a divagar e falou: "Não sei onde eu cheguei, por que eu cheguei até aqui." E é justamente isso que a gente gosta de explorar das pessoas, deixar com que as ideias fluam.
E até por isso que, embora nossas folhas sejam cheias de caracteres aqui, a gente lê pouco e fala mais do que sente. Mas até anotei umas coisas aqui dentro dessas divagações, né? De ouvir quem pensa diferente. Acho que a gente teve um episódio emblemático aqui com o José Dirceu, que mostrou bem isso. Acho que para a nossa audiência, acho que ele representa tudo que o mercado financeiro não gosta. E faz sentido, ideologicamente falando.
Mas até na apresentação eu falei isso para ele, o fato de você estar aqui é justamente para a gente poder, do lado de cá do mercado, poder validar aquilo que a gente acredita e entender ou tentar entender aquilo que você não acredita, que acreditamos. Afinal, o mundo é o que é, não o que a gente acha que deveria ser. E tem várias pessoas, né, no seu caso aqui, né, quando eu tava até vendo o número exato, né, foram 4.915.000 pessoas que votaram em Simone Tebet na última eleição para presidente.
Então assim, é uma pessoa, não é uma pessoa só tendo uma ideia, são 4.915.000 pessoas que te deram a chancela, te deram um apoio, te deram um tamo junto, né? Então acho que isso conversa muito com que a gente busca aqui, né? Ouvir todas as vozes que têm alguma coisa para falar sobre Brasil e tirar nossas próprias conclusões. Agora, quando você falou da tomada de decisão, esse episódio que eu guardo com muito carinho foi lá no começo.
A gente entrevistou o dono da EQI Investimentos chamado Juliano Custódio. E ele falou sobre a musculatura do cérebro quando a gente toma muita decisão. Que assim, ele fala: eu não sou o cara mais inteligente da minha empresa, mas certamente, pelo fato de já ter tomado tantas decisões difíceis, já ter passado por tanta coisa, eu estou muito mais preparado a ter uma resposta rápida a um momento de pressão do que a pessoa que às vezes é muito mais inteligente do que eu, mas tá logo abaixo.
E aí, em cima disso, eu queria trazer uma reflexão. Quando você disse, né, que o Lula sabe muito ouvir, Mas o que a gente ouvia das pessoas que por aqui passavam era: pô, problema do Lula de hoje é que o Lula 3 não tem mais aquelas pessoas que ele ouvia lá do Lula 1, Lula 2, porque fez um gap muito grande. Queria que você comentasse um pouco isso. E até se pelo fato de você não estar conectado ao Lula 1 e Lula 2, até pelas ideias, né, você usou a palavra divergência, né, para até ter as ideias econômicas do PT e as suas, se isso também facilitou a você talvez ser a voz que não concordava com tudo que ele falava.
Mas como é que você até esse contraponto do Lula sabe muito ouvir, mas muita gente criticar o Lula 3 que não ouvia tanto?
Eu acho que o que faltou para o Lula 3, isso nós estamos sofrendo por conta disso, e a comunicação mostra, os números das pesquisas mostram, teve muita gestão e boa gestão, os ministros muito técnicos, muito competentes. Destruir é fácil, né? A pandemia veio, fez um estrago, e não só a pandemia, porque aconteceu no mundo inteiro, mas a forma como a pandemia foi tratada no Brasil. Nós ficamos com portas na economia muito mais fechadas por muito mais tempo, porque demoramos para aceitar que tínhamos um caso grave de pandemia de saúde pública mundial, e com isso a gente Foi proporcionalmente o país que mais teve mortes e o país que economicamente mais sofreu.
Então, para reconstruir não foi fácil. A equipe trabalhou exaustivamente para repor políticas públicas, para colocar, e os números estão aí, ninguém mente, podem concordar ou não concordar, mas os números estão aí. Qual foi a última vez que a gente cresceu por 4 anos consecutivos acima de média de quase 2,5% do PIB? Não lembro quando foi que isso aconteceu. Entre outras coisas, O país saiu do mapa da fome. São mais de 25 milhões de brasileiros que deixaram de dormir com fome todas as noites.
E fora a diminuição da desigualdade, enfim, mais formalidade, carteira de trabalho e mais emprego. Mas aí tem o mais, eu concordo, o Lula 3, a meu ver, foi aquele que teve menos política na antessala do presidente Lula, do presidente da República. Isso faz a diferença, porque ele acabou tendo que assumir os dois papéis. Ele teve que assumir o papel do político, do conselheiro e do gestor. E isso aí a gente fez muita gestão, a gente trabalhou muito, tem muitas entregas, mas não quando a gente fala de política, né, de política eleitoral, daquilo que cidadão, a percepção da cidadão, do cidadão e da cidadã é que faltou política.
E como ele é uma pessoa só, então sim, eu acho que os cabeças brancas, né, foram ao longo do tempo ou faleceram, se aposentaram, e faltou uma turma aí mais experimentada na política ao lado dele. É claro que isso faz falta, né? Isso faz toda a diferença e isso mostra aí um resultado assim complicado para se trabalhar.
Fiquei preocupado com essa resposta porque se você que era o contraponto ao Lula tá saindo para uma eleição que acredito que espera que vai ganhar. Quem vai ser o contraponto do Lula caso ele ganhe a eleição, né? No Lula 4.
Deixa eu só explicar, eu não sou o contraponto. Eu falava, não significa que ele sempre concordava comigo. A maioria das vezes não também, né? Que eu tinha que fazer, ele me colocar lá para fazer isso. Imagina, o presidente Lula, que também é outra coisa, que eu falava assim: presidente, podia ter dado qualquer ministério, tem certeza que você tá me oferecendo Ministério do Planejamento e do Orçamento Brasileiro? Você tá dando a chave do orçamento público "Na minha mão." Quer dizer, alguém que tem.
E ele gosta do contraditório, ele gosta daquele barulho. A gente fazia sempre tudo com muita educação, a gente tava na frente do maior líder do país, né? Mas a gente tinha alguns embates, ele ficava lá, ele anotava, ele olhava, ele fazia pergunta ao final. Aí ele tomava a decisão. Quando a gente não tinha chegado num consenso, quando ele via que tinha desconforto, ele falava assim: "Vamos fazer uma reunião de novo amanhã." A gente voltava com os números que ele pedia, né?
Então assim, eu tô falando ali da equipe econômica, mas a equipe econômica continua lá. Haddad saiu, ficou. O Dario, e a gente tá no ano eleitoral onde tem muita limitação pelo período eleitoral, inauguração daqui a pouco não pode fazer, você não pode lançar novas políticas públicas sem tirar depois de onde vai tirar o corte do gasto para compensar aquele, né? Mas isso é dentro dessa sua fala, e você falou muito assim, o mercado financeiro, me permite só estender um pouquinho para falar assim, talvez o papel do mercado financeiro que você falou um pouco aí, eu achei que você fosse perguntar um pouco da minha frustração com o governo, que não era sempre que vencia, muito pelo contrário, né?
Eu tenho uma frustração como ministro do Planejamento e Orçamento, ela não é só interna, porque eu acompanhei todos os governos que passaram, e acho que o mercado financeiro pode ajudar nesse papel, o setor produtivo, a sociedade civil também. E eu tive a oportunidade de viajar vários países como ministra. Eu tive na China 3 vezes por conta do investimento de rotas de integração sul-americana envolvendo aí balança comercial, exportação, importação.
E eu vi na China e no mercado asiático, Coreia, Se você vai a Singapura, a mesma coisa. Hoje na Índia tá acontecendo isso, Europa aconteceu. Ninguém organiza. E o mercado financeiro, setor produtivo, setor privado, é a mesma coisa. Ninguém faz investimento, aplicação, seja o que for, sem ter planejamento estratégico. O mundo praticamente tem o que o Brasil, que falta para o Brasil. E esse é o grande gargalo. Eu acho que mais aí vem assim, às vezes você quer sair do 8 e para o 80, tá?
Estado perdulário, gastador, Não é só Estado, o governo de esquerda, o governo de direita e de centro também é, e fez a vida inteira. A gente não vai conseguir sair do 8% para 80% sem a gente passar por uma transição. A transição passa, a meu ver, por duas questões na área fiscal e na área orçamentária, que ela, a precursora dela é: nós temos que implantar nas universidades, em quem vai mexer, setor produtivo, no mercado financeiro, aonde for, na iniciativa privada, a cultura do planejamento.
No serviço público, planejamento na atividade política, tá? Nós temos a cultura do planejamento no setor privado, nós temos administradores para isso, técnicos para isso. Essa cultura do planejamento não pode ser aquela que tá na Constituição, que a cada 4 anos eu faço um PPA só para inglês ver. Eu faço um planejamento de médio prazo que vale por 4 anos, não resolve. E o segundo é, em vez de falar tanto de spending review, de corte de gastos, corte, corte, que precisam ser feitos, e a gente fez alguns, E é preciso dividir a responsabilidade.
Nós não avançamos mais porque o Congresso também não deixou. Quantas propostas apresentamos e algumas deixamos de apresentar. Eu fui indagada mais de uma vez, presidente, e por honestidade tive que dizer para ele. Ele falava assim, ele falou assim: Simone, qual é a garantia mínima que você dá de que esse projeto de revisão de gastos, né, que vai às vezes retirar algum direito, vai passar no Congresso Nacional? Ele não queria certeza, ele queria o seguinte: tem 40, 50% de chance de passar?
Ele falava para a gente, talvez 30. Ele falou, então não vou apresentar, isso não vai passar e vai gerar um desgaste, isso não vai passar. E outras, a gente tinha quase 50, 60%, vamos ver, manda ver. E algumas passavam e outras não. A gente sempre falou assim, ah, esse governo, esse Congresso Nacional é liberal, o de 23, né? É o Congresso mais gastador, mais criador de políticas sem saber a fonte financeira. Que nós temos, sim, sem nenhum tipo de planejamento, sem nenhum tipo de cálculo.
Então, além da cultura do planejamento, acho que o que a gente pode fazer, o mercado financeiro pode ajudar, ao invés de ficar falando tanto de corte, corte, corte, que tem que vir, isso vem com o tempo, mas a gente mexer com a cultura da eficiência do gasto público. Se a gente conseguir ser só, entre aspas, duplas aspas, tá, só eficiente com gasto público, eu posso dar N exemplos aqui, a tarde inteira falando, Tá aí, não vou dar nenhum só para não me alongar aqui.
Se a gente for eficiente com gasto público, a gente consegue fazer economia necessária para primeiro reposicionar esse gasto para onde está precisando e ainda sobrar para o serviço da dívida, que a gente sabe que vai impactar lá no câmbio, vai valorizar o real, vai diminuir a inflação, inclusive a inflação dos alimentos dos mais pobres no Brasil. Ministra, tem um número, pode Só, desculpa, é que você falou como ministra, minha maior frustração é não ter conseguido implantar na sociedade, ouvir, ia muito essa cultura do planejamento.
Esse ponto principal, é, porque aí a sociedade mesmo força todo mundo no Congresso Nacional. E é interessante, uma brincadeira, depois quero saber o que que são aqueles bonequinhos lá, que eu tenho alguns, algumas simoninhas em casa, mas enfim, que eu ganhei das minhas fãs.
É meu, que assim, esse estúdio é compartilhado, tem várias apresentadoras que têm. Então, para deixar mais com a minha cara, aliás, você precisa ter alguma coisa sua aqui, né?
É, preciso colocar.
Porque eu coloquei lá meus 3 ídolos, que do lado esquerdo está o Charlie Munger, do lado direito está o Warren Buffett, que são a dupla que foram os maiores investidores da história. E no meio, o Joe Ramone, que é o vocalista do Ramones, ali para fazer o power trio ali. Então, para ter um pouco da minha identidade ali, mas só Desculpa se tirou sua atenção.
Não, se fosse meu nessa ordem aí assim, seria com certeza na música Elvis Presley, que eu tenho assim, não tem como, né? E se fosse para escolher um político por toda a trajetória assim, por tudo que eu acho que representa o poder democracia, seria Ulisses Guimarães assim, que foi alguém que também—
Isso aí eu acho que eu vou encaixar no pingue-pongue agora, falar quem que seria os bonequinhos do seu cenário de podcast. Vixe, legal!
Ulisses Guimarães, inclusive, é um político que me parece acabou sendo subvalorizado, talvez.
Entrou numa eleição para presidente da República no momento absolutamente errado, né? Como eu vim na polarização, e eu acho que não foi, eu vim para cumprir um papel, queria uma mulher falando ali, eu achava que tinha esse papel, né? Era mais do que qualquer coisa, eu queria ser ouvida. E quando me ofereceram a candidatura era para não rachar o MDB. Metade queria para Lula, metade queria para Bolsonaro e assim. E 80% já entrou claro: "Nós não vamos te apoiar, Simone." E eu entrei absolutamente com toda honestidade sabendo que eu não teria palanque do meu estado, do meu partido nos estados.
E foi tudo muito bem combinado, eu tenho muito carinho pelo Baleia e pelo partido. Mas Ulisses, depois de tudo que fez, né, e foi muito reconhecido no momento, ele disputou uma eleição que ele teve, ele saiu com 3% das intenções do voto. Que de novo, política é momento, é ocasião, né? E mas alguém fez uma pergunta, eu acho que no meio do caminho eu ia fazer uma outra. Eu só queria comentar, eu posso beber, né?
Você quer?
Claro, até a Isabela sempre esqueceu. Não, não, pode tomar. Isso aqui, pessoal, é a nossa— a gente falava mais, a gente até esqueceu de falar nos últimos episódios. A Mamba Water é um projeto muito legal porque cada lata dessa vendida eles se disponibilizam a levar 1 litro de água para comunidades que não têm acesso no mundo todo. São 750 milhões de pessoas que não têm acesso à água potável. Então cada latinha dessa comprada a gente tá ajudando quem não tem.
Se você quer ajudar também, vai lá em mambawater.com.br Então isso aqui não é um patrocínio, é uma campanha que a gente abraçou aqui. Então nós e os nossos convidados agora sempre se hidratam com Mamba Water. Aliás, a gente tem que comprar de novo a com gás, que era muito boa. É verdade. E eu não posso— você pode fazer sua pergunta, mas não posso deixar de comentar que a Simone falou: "Não vou dar nenhum exemplo, porque poderia passar a tarde inteira aqui falando de exemplos que seria mais eficiência de gasto público, mas..." em uma outra oportunidade, talvez até em outro fórum, talvez escrito.
Dá uma tarde inteira, eu acho, de tanta ineficiência do gasto.
Porque isso é tudo que o mercado adoraria ouvir, então já a gente pode fazer um bônus, você grava um áudio lá de uma hora falando disso.
Não só ineficiência como erros que a gente fez. No primeiro ano a gente cortou mais de 5 milhões de pessoas que estavam no Bolsa Família e que no período da pandemia foram enchendo lá porque não tinha CadÚnico e a gente fez uma economia danada tirando pessoas que filhos de vereador, não sei quem, porque era parente lá, porque quem faz o CadÚnico, quem escreve nos programas sociais é o município. Você imagina município pequenininho às vésperas de uma eleição municipal, o que que não acontece?
Só dando aperitivo aqui, que um dia vocês chamam alguém aí que entende de política, de contas públicas, que não vai faltar gente para falar do quanto o Brasil gasta mal, né?
Falando em gastar mal, Teve um número, me corrija se eu tiver errado, tá? Mas me parece que foi você que levou o presidente Lula sobre renúncias fiscais, que o Brasil tem hoje 600 bi em renúncias fiscais todos os anos. E aí a gente falou sobre a coisa de o governo ter sido menos político e mais técnico. Eu acho que a renúncia fiscal entra um pouco nisso, né? Como que a gente consegue eliminar esse valor exorbitante e continuar fazendo política, sendo que esse valor muitas vezes é usado como uma maneira de atender determinados setores, segmentos.
A impressão que a gente tem, já falei isso aqui outra vez, quando a gente fala de corte de renúncia, assim, todo mundo quer que se corte, desde que não seja o seu. Aí fica meio difícil de fazer, né?
Sem dúvida.
Eu luto por isso desde o meu primeiro ano como senadora. Portanto, isso eu comecei essa discussão que vai fazer 12 anos. É muito simples, a gente tem na balança, a gente tem despesas e receitas, né? E o orçamento vive disso. Então eu não posso gastar mais do que eu arrecado. Aliás, o arcabouço, que vai fazer efeito ainda que tardiamente lá na frente, ele tem uma regra, são duas, mas uma que pouca gente fala. Todo mundo fala de meta, meta, né?
Tem que fazer superávit, ou não pode gastar mais do que arrecada. Mas ao longo do tempo ela tem duas regras muito básicas, O meu, a minha despesa só pode aumentar até 70% do aumento da receita. Então isso de alguma forma aí já no prazo aí no máximo de 10 anos já vai fazer uma, já tá fazendo agora nesses 3 anos, vai fazer uma diferença muito grande. Eu só posso gastar pelo arcabouço fiscal 70%, eu só posso aumentar 70% do aumento da receita e no teto de no máximo 2,5% por ano de aumento se a receita comparecer muito mais.
Aliado a isso, eu tenho a segunda regra, que é a regra de ter que começar a fazer superávit, que é o que todo mundo no mercado foca. E eu entendo porque tá preocupado com serviço da dívida, com aumento da dívida pública, se tornar insustentável em relação ao PIB. Mas o que faz a diferença mesmo para nós é aqui nessa despesa. Bom, eu tive que repor políticas públicas, muitas. Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, não tinha um contrato novo.
Ciência, tecnologia e inovação tava terra arrasada. A gente sabe o que que é ciência, tecnologia e inovação para nós, inclusive para o mercado, setor produtivo. Nós não vivemos, vamos ficar para trás se não usarmos inteligência artificial, se não usarmos, enfim, né? E tem um lado da receita. O que que acontece com o Brasil? Brasil gasta muito, gasta mal. Ok. O problema é que ela arrecada muito. Nós temos uma das maiores cargas tributárias e também arrecadamos mal.
E quando a gente arrecada muito A gente às vezes arrecada muito determinados setores e menos de outros. E menos de outros por quê? Porque ao longo do tempo, como a gente nunca teve uma reforma tributária, só agora que saiu, a gente começou a ter lobbies dentro do Congresso Nacional desde 20 anos atrás, eu não sei, 30 anos atrás, desde a redemocratização, né? Setores falando assim: farinha pouca, meu pirão primeiro. Então, tipo assim, já que não temos a reforma, ela nunca sai, olha, eu sou assim vendedor de água, né?
Eu preciso de um incentivo, eu não competir lá com a Europa, não sei o quê, né? Me dá um diferencial. Então a gente chama isso de gasto tributário. São, a gente começa a diminuir para aquele setor imposto, a gente começa a dar benefícios, subsídios, né? E tem muitos. Vou começar dando um que corresponde a 22% desse gasto total, dos quase 600, que a gente não recolhe e justamente não podemos recolher. Vou dar um que é o subsídio do bem.
Super Simples. O Super Simples representa quase 22% de toda a nossa renúncia. Esse dinheiro, imagina entrar esse dinheiro todo nos cofres públicos, a gente ia fazer milagre. Mas não, não podemos, porque esse gasto tributário é absolutamente necessário. Como é que a pequena microempresa, e a mesma média, vai competir com as grandes empresas nacionais e internacionais? E ele retorna ao PIB gerando emprego, renda. Para efeito de PIB, mas não para efeito de orçamento.
Mas tá perfeito, é para isso que existem as renúncias fiscais. Só que as denúncias fiscais foram crescendo de tal ordem, porque a gente não tinha um sistema justo de reforma tributária, que hoje ele corresponde a quase 600 bi. E quando se faz o recorte da quantidade lá de 60, 70 tipos de gastos tributários que poderiam ser cortados, a gente sabe que dá para cortar em média 10% ao ano. Não corte linear, tá? Porque super simples, você não vai mexer.
O incentivo que você dá para agricultura familiar, você não pode mexer. O próprio Bolsa Família você mexe por dentro, diminuindo para quem não precisa, você estabelece o reajuste no máximo inflacionário e tudo mais. Mas eu quero dar um exemplo muito raso, tá? Se a gente conseguisse, ou conseguia, diminuir 10% no ano de 2027 de todas essas renúncias fiscais, nós estamos falando de 60 bi que entrariam nos cofres públicos sem aumentar imposto no Brasil.
Mais 10% em 2028, eu passo para 120, e mais 10% em 2029, eu passo para 180 bi. É o que a gente precisa para organizar a casa sem aumentar imposto. Fora o que eu tenho que fazer com despesas. Mas sempre que a gente vai, é sempre aqui, só em cima da despesa e nunca em cima da receita. Porque na teoria, o próprio mercado concorda. Quantas vezes eles cobraram isso de mim? Oi, eu dou muito um exemplo: você pega o imposto, seu Imposto de Renda, né?
Tem sentido sim eu poder deduzir minhas despesas médicas e educacionais quando eu vou fazer meu imposto de renda, se eu sou classe média, se eu sou, né, alguém que tá ali na classe, quase chegando à classe média. Agora, tem sentido uma ministra de Estado poder deduzir despesa com educação do seu filho, saúde, sua saúde própria, inclusive tendo plano de saúde? E a gente faz, eu não faço, tá? Eu nunca, não é por outra coisa não, é porque na minha conta nem compensa.
Mas tem gente que faz e faz colocando, deduzindo coisas assim. Então é olhar por dentro desses gastos tributários. Ou seja, o Brasil tem jeito, o Brasil é muito rico. O orçamento, não é que nós temos pouco dinheiro no orçamento, mas o orçamento ele é mal gerido. E ele é mal gerido e às vezes não é nem por culpa do Executivo, é porque o Executivo não encontra no Congresso Nacional a parceria. Eu tô falando não desse, tô falando de qualquer Executivo do Congresso Nacional, a parceria necessária para fazer esse dever de casa.
E aí eu vou tocar no vespeiro, tá? Que eu fui candidata à presidência do Senado, fui a primeira mulher candidata à presidência do Senado pós-pandemia. Só eu sabia que não ia ter jeito, porque eu sabia que não tinha paridade de armas. Eu ia disputar contra o orçamento secreto. Então você tem um candidato que pode contar com emendas parlamentares para falar para uma, para B ou C, olha, me apoia que eu te ajudo lá no seu estado com emenda parlamentar para você levar lá para sua cidade.
E eu só ali, né, com a cartãozinho, Sou candidata à presidência do Senado, quero moralizar a casa, quero garantir transparência, quero garantir e tudo mais. Tive 21 votos ao invés de 81, tô muito feliz com isso. Mas de qualquer forma, eu fui candidata para denunciar o orçamento secreto. Pois bem, orçamento secreto naquela época poderia corresponder a algo em torno talvez de 15% do orçamento brasileiro discricionário, tá, de toda a receita que sobra livre.
Depois de pagar serviço da dívida, depois de pagar a Previdência, depois de pagar salário, enfim, depois de colocar o percentual mínimo da saúde, da educação e tudo mais, eu tenho hoje algo em torno de 180— eu não vi esse orçamento desse ano porque já não era ministra. Vamos colocar 180, 190 bilívre para o país inteiro, tá? Não é para o Estado de São Paulo não, que só isso é isso que eu preciso só para São Paulo, mas Brasil inteiro eu tenho livre.
Ou seja, que a autonomia do presidente da República para falar assim: eu vou construir uma ponte, eu vou fazer investimento em obra de infraestrutura, eu vou ser parceiro com a iniciativa privada para construir uma ferrovia cortando de leste a oeste, de norte a sul Brasil. Eu tenho no total, para o Brasil inteiro, algo em torno, eu vou chutar, 180, porque eu não tenho os números deste orçamento, eu tenho do ano passado, e tá caindo, tá?
Pois bem, desse valor, mais de um terço Eu tô garantindo que é quase 40% hoje está na mão do Congresso Nacional para emendas parlamentares. Eu tô falando de mais de 60 bi. Que que esses parlamentares fazem, né? Algumas coisas elas são necessárias, um pouco de emenda parlamentar eu não sou contra, emenda pequena onde você vai atender o município lá pequenininho para reformar uma escola, uma creche, um posto de saúde. Mas é tanto dinheiro agora que eles estão patrocinando shows, e não é um show assim de uma dupla cultura regional, uma dupla que tá começando sertaneja, alguma coisa assim, R$30 mil, R$40 mil, R$50 mil de cachê.
Eu tô falando de cachê de R$500 mil, de R$1 milhão, de R$1,5 milhão, de R$2 milhões. Ora, quem coloca uma emenda parlamentar num país de miseráveis ainda como o nosso, desigualdade social, com tantas demandas na área de logística, de infraestrutura, de casas populares, etc., para bancar um show que vai custar R$2 milhões, eu pergunto: vai custar R$2 milhões mesmo? Quanto que vai ter de retorno desse dinheiro pro bolso de alguém ou de alguém, né?
Porque assim não tem lógica, não tem sentido, é imoral, né? Se não é ilegal, é imoral, é injusto. Então esse tipo de coisa, tô dizendo, tô dando todas, que é que volta lá. Aí eu volto a minha demanda para o mercado, que tem um poder, né? É um, se não é o quarto poder, que eu acho que quarto poder é imprensa livre e tudo mais, né? Mas é um quinto poder. Ou sexto, se você considerar o setor produtivo o quinto, tanto faz, que possa mudar um pouco esse discurso, que não é um discurso que vai adiantar seja qual for o próximo presidente da República, porque ou o populismo ou o calendário eleitoral não vai permitir falar em corte excessivo de gasto, que a gente vai ter que fazer algum, isso eu não tenho dúvida, é falar do cultura do planejamento e aí fazer uma cartilha onde aquele planejamento seja efetivamente uma lei a ser cumprida, E eu dou um exemplo só sobre isso, né?
Você tem todas as metas, indicadores, qualquer assunto sobre isso. Sei lá, quero diminuir o desmatamento no Brasil, né? Hoje eu desmato X%, sei com indicadores e metas como eu vou estar no ano de 2030, 35, 40, 45, até 2050, no planejamento de 25 anos. E qualquer bioma brasileiro. Hoje eu tenho índice de mortalidade infantil de 10 crianças a cada mil, eu quero estar com 5 crianças, com uma, enfim, isso tudo além desse planejamento que a gente possa colocar na consciência, na pressão popular, a questão da eficiência do gasto público.
E eficiência do gasto público significa eu tirar da mão do Congresso Nacional parte desse orçamento que continua secreto, sem transparência, sem eficiência, é sem eficácia, né, e que é absolutamente imoral e injusto com a população brasileira.
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Isso começou a falar dessa imoralidade, mas eu nem quero entrar nessa discussão porque foge um pouco da política, entra mais o lado ético da sociedade de maneira geral, mas pô, até dos artistas que são convidados para receber um cachê desse numa cidade que obviamente não tem o orçamento para pagar o cachê dele, e ele aceita esse cachê também. Então assim, entra todo num quem que tá errado, né, no final do dia, né? As pessoas que lá estão, né, que falam, pô, mas são antiéticos, são imorais.
Mas é a sociedade que aceita esse cachê, que vai ver o show, E Thiago, se você me permitir aí, muito rápido mesmo.
E nessa polarização onde as pessoas ficam tão preocupadas para quem vai votar para presidente da República, se esquecem que não há democracia e não há avanço civilizatório, econômico, né, de desenvolvimento de país, do país que nós queremos para nós, para os nossos filhos e para os filhos dos nossos filhos, se a gente não eleger um bom Congresso Nacional. Não adianta eleger um presidente e não dá, não digo nem maioria, mas não dá governabilidade para a gente fazer o que precisa ser feito, né.
É, eu lembro disso na última vinda do Marcos Lisboa, ou foi Marcos Mendes, eu não lembro. Eles vieram juntos. Ah, foi a última vez que eu não tava lembrado. Quando eu falei alguma coisa, não, porque o Brasil quer mudar essa polarização, aí um deles virou e falou: quer mudar mesmo? Eu acho que o que tá lá reflete o que é aqui. A sociedade escolheu algo que reflete ele.
Mas foi a conversa que a gente teve inclusive com Felipe Nunes da Quest, teve aqui, e aí ele falou do Brasil no Espelho, a pesquisa que ele conduziu, que diz que o brasileiro está cansado da polarização. E aí a pergunta que a gente Isso foi, ok, o brasileiro está cansado da polarização e manifesta isso nesta pesquisa. Mas quando a gente vai para pesquisa eleitoral, a gente não vê esse cansaço, porque as intenções de voto continuam polarizadas.
Mas você tem razão, mas tem um ponto que eu acho que eu acabei acabando de falar nisso. É diferente de 2022, os campos estão polarizados até nas alternativas fora Lula e Flávio. Elas estão já polarizadas, elas estão muito claramente. Se você fala assim, qual é o candidato de centro? Não tem. Se tem um candidato, às vezes com uma pauta muito específica, não tem um candidato de centro que não— os dois inclusive que estão pontuando melhor já inclusive tem um discurso antilulista ou mais bolsonarista.
Assim, há um, e a população percebe. É engraçado, a gente não sabe por que que a pessoa não— a pessoa vota em alguém, ela vota por um somatório de fatores. Não é só assim, ah, porque eu acho que é simpático, eu acho que é É um, é um, é complexo, né, a cabeça do eleitor. Nós como eleitores, eu não sei porque que eu gosto do Thiago ou não gosto do Thiago, não sei. Eu depois tem que sentar no divã para entender. Não é só por uma coisa, né, não é só porque uma palavra que ele falou, a cor da camisa que ele tá vestindo, é um conjunto de situação.
É a mesma coisa em relação eleitor. Mas aí volta, e você falou numa coisa que passa mesmo por valores, né, porque eu lembrei de agora que eu tava aí, não é, num dessas redes, no Instagram, TikTok, qualquer coisa aí que tava vendo nas minhas redes, entrou ali alguém comentando indignada com o que estão fazendo com as figurinhas do álbum de figurinha da Copa do Mundo, né, que uma marca de refrigerante, tá, não posso falar o nome, né, mas ela tá fazendo, não sei se tem uma parceria, e coloca por trás do rótulo a figurinha, sei lá, o saquinho de figurinha, eu não sei como é que é.
Tô por fora disso.
Pode falar, pode falar, mas que a Coca-Cola tá colocando as pessoas estão no mercado, e não são crianças, são os pais arrancando o lacre, colocando no bolso e não comprando refrigerante. Sem brincadeira. E vão depois cobrar o quê? Moralidade, ética, honestidade, combate à corrupção. Que tem que falar disso. A corrupção mata, ela tira direito do posto de saúde, ela tira direito das políticas públicas, ela inflaciona, ela impede o Brasil de crescer, de se desenvolver.
É, né? E aí tem uma— portanto, é isso, eu não tô indo ali, o pobre coitado que às vezes pegou 1 kg de arroz para alimentar sua família, que para mim isso nem crime não é. Aliás, o Código Penal estabelece isso, que é enquanto você tá em estado de necessidade. Eu tô falando de alguém que tá tirando o rótulo de um refrigerante, não levando refrigerante para casa.
E aí tem uma coisa, né, a gente sempre fala, e você como Ministra do Planejamento deve ter se deparado muito com o custo da burocracia brasileira, mas a burocracia também existe para tentar proteger o Estado dessas múltiplas desonestidades que acontecem no processo. Então, ah, por que que é tão moroso o Estado contratar uma empresa para prestar serviço? E aí a concorrência, etc., porque existem muitas formas de burlar isso. E mesmo com todas essas proteções que encarecem o processo, ainda se consegue burlar e corromper o público e privado.
Do custo Brasil, né, toda os equipamentos tecnológicos de inovação, por exemplo, que a Receita Federal, que as polícias têm que ter, né, para combater desde o crime organizado aos crimes comuns, né, de toda parte da Receita em relação a combater fraude, evasão de divisas, contrabando, dinheiro que tá deixando de entrar nos cofres públicos e que tira a competitividade das empresas nacionais ou das empresas sérias, né. Enfim, é uma questão a se colocar, né?
O quanto nós estamos evoluindo também moralmente, né? Eu me lembro que ministros caíam, políticos caíam, eu sou da época que políticos caíam, deixavam de ser senadores ou deputados porque enquanto na função pública mentiam, mentiam, iam parar no código, no conselho, claro, sobre assuntos muito sérios, né? Não qualquer coisa. Iam parar no Conselho de Ética, eram processados e perdiam o cargo. Hoje você tem denúncia de candidatos ou de políticos, e um exemplo desse foi o que aconteceu com Flávio, gente.
Eu disse isso, então eu falo publicamente. Não é porque ele é um candidato a presidente da República, ele é um senador da República, ele não pode mentir. Depois ele desmente a mentira, depois ele fala não, não é bem assim, em cima de um assunto que está envolvendo nada mais nada menos que o maior esquema de corrupção envolvendo todos nós, tirando inclusive parte da credibilidade do mercado financeiro, do setor produtivo, porque eles se infiltraram.
Eu tô falando basicamente do banco master, né? E eu sei que falam dos bancos muito preocupados com isso, né? Já tive várias conversas do Sidney a outros presidentes de bancos preocupados, né, com impacto disso na segurança do sistema financeiro. E de repente eles estavam permeando em todos os setores Estou falando nada mais, nada menos que assim, a bagatela de 130, 134 milhões de reais. Então eu ia falar mil, eu fiquei até na dúvida, porque é tanto, 134 milhões de reais, né?
Então novos tempos que a gente tem que entender o que tá acontecendo mesmo. E a gente tem que voltar para a caixinha.
Eu tô com muitas perguntas aqui, deixa eu aliviar.
Quer que eu faça um pingue-pongue bem rápido, dá 10 segundos de resposta?
Não, de jeito nenhum, porque o que a gente mais gosta de Eu vi respostas longas, mas em algum momento aqui da sua fala, Simone, você falou de corte de gás, porque uma hora vai ter que fazer. E é isso que a gente também—
Já a partir do ano que vem, viu? É, exatamente.
Então 2027 a gente acha que vai ter que fazer. A minha pergunta ela é bem simples. Bom, quando o Lula foi eleito, acho que boa parte do mercado deu uma chancela ao Lula, e aí vários até viraram meme depois, né, porque teve a carta telepática, teve tudo. Mas qual que era a chancela? Olha, a gente precisa fazer uma reforma. O Lula foi, voltou ao governo, então aquela, aquele ressurgimento e tudo mais. Então vai vir um Lula que vai aproveitar esse capital político, vai fazer a reforma no começo, que é a hora que é melhor, né, dar a má notícia no começo, e no final faz as benesses para ser reeleito.
E já começou, foi o inverso, né? Quer dizer, inverso não, porque fica mais difícil você fazer os cortes agora no final. Você concorda com essa leitura? Você acha que essa ordem dos fatores o governo poderia ter feito diferente? Como é que você que tava lá dentro, como é que você enxergou isso?
Eu me enganei, foi com o Congresso Nacional, tá? Com o Congresso Nacional. Cheguei a dar as primeiras entrevistas, falei assim, olha, o eleitor colocou uma turma mais liberal, mais fiscalista, portanto, como de novo, daquele equilíbrio que eu não penso igual o mercado, eu não acho que o fiscalismo tem, Eu conheço a realidade do Brasil, eu sei as diferenças regionais, a gente não consegue, a política é a arte do possível, né? O papel do setor produtivo, do mercado é falar: não, tem que ser assim, do economista, do advogado, né?
O papel, sou advogada, meu papel como advogada para o meu cliente é dar real para ele e aí o cliente dentro do possível vai atender ou não. Eu me espantei foi com tantos políticos de direita extrema, né? Não tô falando da extrema não, que para mim eles fora daí, da 4 linhas da Constituição. Então, para mim, eles não, né, eles não pertencem a esse mundo, e que a minoria, graças a Deus. Tô falando assim, tinha muito parlamentar de direita que foi eleito de partidos mais à direita e que na hora do voto não votam no que se refere a eficiência de gastos, a qualidade do gasto, a corte de gastos, não fazem o dever de casa.
Pelo contrário, vai o lobby de alguns setores lá, eles são os primeiros a querer pautar. Vai olhar no Congresso Nacional quantidade de projetos de lei apresentados pelos parlamentares e olhe quem é e a quem pertence aquele projeto e que partido é aquele projeto. Então assim, eu me espantei ali. Eu não tinha ilusão quem for que ganhasse a eleição nessa eleição de 22 para 23 tivesse condições e a capacidade de fazer o ajuste fiscal necessário para o Brasil, por duas razões.
Primeiro, porque nós saímos de uma pandemia onde muitas políticas públicas foram destruídas, e nós viemos com déficit que foi camuflado. Vocês sabem disso, jogou para 23 uma conta e que não tinham inserido gastos no orçamento brasileiro. A gente teve que inserir. Eu mesmo votei pela PEC da Gastança. Eu não concordava com valores astronômicos, mas não tinha 880. Eu votava, não votava. Como eu sabia que tinha que voltar a farmácia popular, por exemplo, e eu tinha que colocar no orçamento um mínimo de dinheiro para o Minha Casa Minha Vida, que eu falo que é o maior programa social do Brasil, porque não só dá casa, mas ele movimenta a economia de tal forma, porque a construção civil é uma das que mais gera emprego e gera emprego e coisa.
Como eu sabia que eu tinha que colocar, como professora que sou, dinheiro na ciência, tecnologia e inovação, que para mim é a grande revolução que nós ainda não fizemos, eu votei a PEC da Gastança como senadora da República. Todos votaram, acho que foi quase unanimidade. O valor é que foi excessivo. Então eu não tinha dúvida que nos dois primeiros anos a gente ia inflar os gastos, porque os gastos foram absolutamente feitos de forma equivocada nos anos anteriores e pós-crise mesmo de pandemia, né?
Então assim, não teve surpresa em relação a isso. A minha surpresa foi realmente com o Congresso Nacional. E alguém falou de burocracia, acho que foi o Leopoldo, né? E tem a ver, né? A reforma tributária é a reforma da indústria, é reforma que vai reposicionar o papel da indústria brasileira no mercado nacional e internacional. Se nós— ela diminui o custo do Brasil para as indústrias. Há um estudo que fala em sei quantos bilhões de economia com contador, advogado, administrador, porque você vai enxugar atividade meio da indústria.
Ela não vai precisar de tantos contadores, de tantos administradores, de tantos tributaristas, e tudo mais. Então você tem uma economia, ela vai diminuir o custo Brasil para indústria, ela vai diminuir imposto para indústria, ela vai unificar, vai simplificar. Então ela vai tornar a indústria mais competitiva se a gente tiver o cuidado e atenção. E nós estamos fazendo via vice-presidente, né, a capacidade de avançar, né, nessa produtividade do trabalhador com qualificação, é um ponto.
E trazer, né, nós tivemos a condição da parceria com o setor privado, adoquados, sistema S e tudo mais, a parceria no que se refere a não ficar para trás, no que se refere à inteligência artificial, ninguém segura a indústria brasileira, porque nós temos a matéria-prima aqui, nós temos a matéria-prima não só para a agroindústria, que é outro assunto que vai ser, acho que é o verdadeiro, o segundo pré-sal da nossa vida, mas com as terras raras, né, que eu acho que a gente não pode perder essa oportunidade, não é a última, acredito eu, mas sem dúvida é aquela que vai dar, na próxima década, nos próximos 10 anos, vai fazer o Brasil dar um salto de desenvolvimento, um impacto extraordinário se a gente souber fazer da forma certa, né?
Então é o terra rara, certamente não é a última oportunidade, mas também pode não ser a primeira oportunidade que o Brasil vai perder. Exatamente.
Você sabe que eu me surpreendi assim com a maturidade quando esse assunto tá tratando, inclusive dentro do governo e dentro do Congresso Nacional, né? A gente não pode ter discriminação com a cor do dinheiro, não importa se é americano, importa se é chinês, não importa se é japonês ou europeu. A gente só não pode fazer com as terras áridas o que a gente fez com o meu setor, que é o setor do agronegócio. A gente exporta commodities, o boi vai sangrando, os grãos vão caindo pelo meio das estradas, e a gente não traz valor agregado.
Não que uma parte não tenha que ser assim, a gente sabe que é e precisa, mas outra parte a gente precisava elaborar aqui. Por exemplo, a gente exporta o gado e vai o couro de qualquer forma in natura. Depois a gente não trabalha nem o couro wet blue, que é Meu, início da produção. Quanto mais o semi-acabado, quanto mais o calçado. Então a gente manda o boi com couro in natura, importa o wet blue, o semi-acabado e o sapato. Poucas indústrias aqui ainda conseguem sobreviver da indústria calçadística brasileira.
Então trazer esse valor agregado para as Terras Raras é tudo. Nós não temos a tecnologia para explorar os minerais críticos e não teremos na próxima década. Agora, China tem, Estados Unidos tem. Então, que venham, venham os dois. Isso não tem ideologia, mas sobre as nossas regras, soberania nossa. Vocês vêm, trazem valor agregado, geram emprego e renda. Uma parte vai in natura, né, vai bruto. A outra parte vocês elaboram, constrói indústrias aqui.
Eu forneço para indústria de vocês também lá numa parceria equilibrada. Eu gero emprego, renda, eu desenvolvo o país, eu deixo dinheiro aqui, eu trago também o dinheiro estrangeiro, que a gente traduz sempre com dólar, né? Isso impacta a balança comercial, nosso câmbio e tudo mais. Eu acho que tá caminhando para isso. E as empresas, tanto americanas quanto de outros países, estão começando a enxergar que nós estabeleceremos algumas— espero eu, próximo governo também faça dessa forma, né?
Que espero eu que seja o mesmo, né? É um equilíbrio aí de forças, né? Eu tô muito otimista com terras raras, garantindo sustentabilidade, sem nenhum impacto ambiental, fazendo dentro das regras que o meio ambiente permite. Isso é possível, né? E eu tô muito otimista com essa nova oportunidade que a natureza nos deu, né?
Quer pegar uma aí, Laps? Não, eu quero. Então vai lá, eu tô monopolizando aqui o papo, foi mal.
Não, imagina.
É porque monopolizando sou eu, mas isso é bom, é isso.
Estamos aqui para te ouvir.
A gente A gente tava falando, né, sobre a diferença da eleição de 2022 para o cenário que a gente tem agora. E até foi um papo que a gente conduziu com alguém, eu não me lembro quem, mas falando sobre os quadros que se tinha em 2022, não só na disputa presidencial, mas os quadros nos estados, né. O governador Ratinho Júnior, quando veio aqui, falou que essa era a melhor safra de governadores em muito tempo, né, com ele, com Eduardo Leite, com Tarcísio, com Zema, enfim.
E a gente percebe que esse ano assim Esses governadores que não podem mais se reeleger não fizeram sucessores fortes e óbvios. E no cenário presidencial é isso, a gente tem poucos candidatos projetados ali numa terceira via mais óbvia também, como você era em 2022. Você acha que tem uma dificuldade da política de fazer sucessores E como que isso, como que isso impacta no cenário hoje do Brasil, né? Você falou sobre a gente ter ministros do STF acima de 50 anos que tenham mais repertório e vivência.
Na política também tem algum peso. A gente tá conseguindo formar novos e bons quadros para política? Perfeito.
Eu sempre dizia, digo, né, que o dia que eu parar na política eu quero voltar para sala de aula, mas para ajudar numa Universidade sem nenhuma ideologia a formar os nossos jovens talentos para política. Hoje, com o meio digital, você pode fazer isso pegando jovens talentosos que têm veia política, que querem entrar para vida pública, e formar 5 mil jovens para política, que vai de cidadania passando pela Constituição, enfim, formando esses jovens.
Eu sou de uma geração em que a geração passada não nos ensinou, não nos formou, não teve a preocupação de passar de falar: "Esse é o caminho", ainda que a gente tenha aí as divergências, né? E nós não podemos fazer isso com a nova geração. Me espanta a falta de novas opções para o eleitor brasileiro, né? Sempre os mesmos nomes e o povo brasileiro ansiando de tal forma que aí vem alguns salvadores da pátria. Eu sou da época do caçador de marajás, que foi Collor, Messias, o Salvador, né?
E assim por diante. As pessoas acabam— e aqui na eleição municipal para prefeito a gente passou por uma situação nesse mesmo sentido, né? Pessoas muitas vezes que surgem do nada e no desespero. Eleitor tá tão cansado, né? Tá tão revoltado, tá tão indignado que ele fala assim: eu vou tentar. Então isso me preocupa. Então acho que a gente tá tendo dificuldade sim, e a polarização atrapalha isso. Eu acho que faltando mulheres na política, acho que a mulher na política ela é mais altruísta, né?
Não tô aqui querendo desmerecer vocês não, mas assim, acho que a mulher Mulher na política é mais altruísta, mulher na política é mais séria, eu acho que mulher na política é mais honesta, eu sinto isso nas poucas mulheres que conseguem chegar lá e fazer política. O que eu achava em relação aos governadores é que nós teríamos uma safra de governadores e senadores mais experientes em 2026, porque a maioria dos governadores deixariam seus cargos, já estavam reeleitos para serem candidatos ao Senado.
Eu falava: nossa, vamos ter uma safra boa, de senadores experientes. Mas eu vi que alguns permaneceram no cargo. Governador do Paraná, né, o próprio governador de Goiás, que a princípio é pré-candidato a presidente da República, já foi meu colega no Senado Federal, fui colega dos 4 anos. Eu tô falando no caso do Rio Grande do Sul, talvez saia candidato, é, não sei ainda como tá o posicionamento, por uma razão ou outra, A, B ou C.
Eles não estão pleiteando a vaga. Zema também, a princípio, pré-candidato, então não vai. Eu tô fazendo questão de colocar candidatos até do outro campo, né, do campo de direita ou direita bolsonarista, para dizer o seguinte: não interessa a cor do gato, desde que ele casque o rato. Ou seja, é preciso experiência no debate, desde que seja democrata, tá? Eu particularmente acho até que aquela direita bolsonarista não serve para o Congresso Nacional, mas é uma posição particular.
Respondendo a sua pergunta, eu imaginava que teríamos mais governadores candidatos por uma razão ou outra, e às vezes até por medo de deixar o cargo para o vice. Escândalos às vezes de corrupção, e falou, pô, deixa eu ficar aqui organizar a casa. Então, n fatores estão impedindo alguns de terem se desincompatibilizado, de serem candidatos ao Senado Federal, né? E é muito ruim quando você não tem experiência dentro do Senado Federal.
O Senado é aquela casa revisora que é a última, vamos dizer assim, é a última morada dos direitos constitucionais, é a última morada. Assim, quando eu falo assim, ah, alguém vai filtrar, quem filtra sempre é o Senado Federal, que sempre foi a casa dos sêniores, né? Tanto é que você tem que ter pelo menos 35 anos para chegar lá. Então é aquela coisa da experiência, né?
Mas enfim, posso trazer uma pergunta um pouco mais capciosa sobre o Senado? Mas são os comentários, eu fui Tô anotando aqui algumas coisas importantes sobre novos quadros políticos. Acho que tem, é, a gente foi falando sobre a terceira via, que a falta alguém que se posicione como alguém do centro, né? Mas olha, curioso que a gente tá vendo nessa eleição, né? A gente tem o Flávio e o Lula, e os outros candidatos eles são muito mais ligados ao Flávio do que propriamente ao centro.
E talvez o único que não é ligado nem ao Flávio nem ao Lula é o Renan Santos. Que não dá nem para colocar como alguém de centro, porque na verdade ele é quase como um, ele é contra tudo isso que a gente está vivendo.
É uma direita não bolsonarista. Se coloca como antissistema, não estou falando mal não, porque ele mesmo se apresenta assim, né? Nem o conheço, quero aqui, não quero polemizar.
É porque falar que ele é uma direita não bolsonarista, é que na verdade é uma direita antibolsonarista, pelas coisas que ele fala sobre a família Bolsonaro. Acho que é isso. Então ele Ele é contra tudo isso que tá. E aí até dos, mas é um expoente que claramente ele não se põe como uma terceira via, ele é mais uma nova via, né? É quase como, é nem para esquerda nem para direita, é agora é submarino, sabe? Você vai, você criou um novo caminho.
E aí os outliers, pô, agora recentemente até surgiu de novo o nome, né, do Joaquim Barbosa, embora nunca tenha sido candidato à presidência, né, mas já foi coagitado acho que em 2014 ou 2018 e não saiu, né, enfim, mas agora no meio de toda essa falta de nome. O próprio Aécio, né, sendo cogitado novamente. Apareceu de novo, enfim, mas acho que o Aécio nem tem o suporte ali partidário que talvez ele teve no passado para poder concorrer, né, nem o apoio popular.
Que também é importante, né? Mas a minha pergunta, ela vai um pouco mais capciosa, porque quando Felipe Nunes veio aqui, ele trouxe uma estatística da pesquisa Quest, que a gente falou sobre Senado. E aí ele falou assim, eu tava até puxando os dados mais atualizados, ele falou: apenas 20% dos brasileiros sabem que vão votar para senador, mas apenas 6% sabem que vão votar para dois senadores. Mas olha que loucura aqui, pegar o número certo: 72%, não, desculpa, é 66% dos brasileiros dizem que é importante votar para o Senado em um candidato comprometido com impeachment de ministros do STF.
Ou seja, o brasileiro, 1 em cada 5, só sabe que vai votar em senador. 1 em cada 20 sabe que votar para 2 senadores. Mas mais de 60%, 2/3 da população, vai votar no cara que seja comprometido com impeachment de ministro do STF. Pensando em você como candidata ao Senado, como é que você vê essa preocupação da sociedade com impeachment dos ministros do STF?
Eu compreendo o que passa na cabeça do eleitor, porque eu sou uma eleitora e eu sempre fui muito crítica a todos os excessos vindo de quem for, né? E principalmente do Supremo Tribunal Federal, porque a Constituição é muito clara, ela diz o seguinte: se alguém tiver que errar, quem tem, quem só pode errar, quem pode errar por último é o Supremo Tribunal Federal, porque ele é, pela Constituição, o poder instituído, a alçada do Judiciário instituída para dar a última palavra sobre qualquer coisa, seja a vida do cidadão ou a vida do país.
Diante da polarização, onde primeiro o Supremo teve que se posicionar muito claramente a favor da democracia e tomar determinadas medidas, ele já empurrou metade da população absolutamente contra ele. Mas aí vamos lá, não é só isso. Quando a gente judicializou demais a política, a responsabilidade é nossa, tá? Nós que provocamos o judiciário. O judiciário não vai entrar aqui e falar: Simone falou tal coisa, eu vou processar Simone.
Ele não pode fazer isso. Ele pode fazer se o Thiago se sentir ofendido, ele vai na justiça e fala: eu quero processar Simone porque ela me caluniou. Provocou. Aí o judiciário, ou seja, só age se provocado. Então o que que nós fizemos? A política fez ao longo do tempo, não consegue resolver seus próprios problemas, que que ela faz? Judicializa a política e passa para o judiciário, que não tem nenhuma compreensão da política brasileira, ou não é obrigado a isso, ele é um juiz que faz concurso, que tem vitaliciedade, que é o dos três poderes o único que não faz política, embora decida sobre política, a tomar decisões políticas, até modular sentença para ver em que momento eu faço, não faço determinado assunto.
Se a gente judicializou demais a política, o que aconteceu? O Judiciário, o Supremo Tribunal Federal em especial, começou a ficar muito politizado. Isso é um erro, é um crime com a democracia, está errado. Eu sou constitucionalista e eu sou muito assim, para mim, a Bíblia, minha Bíblia política, porque é minha Bíblia, é outra, tá? Minha Bíblia, eu sou Católica, mas a minha Bíblia política é a Constituição Federal. E a Constituição Federal fala o seguinte: ninguém está acima da lei, gente.
Se eu posso empichar um presidente da República, nós já fizemos isso mais uma vez, eu posso empichar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Só que eu tenho uma posição absolutamente diferente dos bolsonaristas. Eu vou empichar e não tenho problema nenhum de assinar, tem problema de votar se eu tô falando que houve abuso de poder, porque eu posso empichar por suspeita e denúncia comprovada, né, devido processo legal de corrupção, de desvio de finalidade.
O que eu não posso, porque a Constituição não permite isso no Brasil, é tentar tirar um ministro do cargo, né, por uma vontade pessoal, um capricho meu, porque ele deu uma decisão, que é o chamado crime de interpretação. Ele deu uma decisão que eu não concordo, porque ele falou o seguinte: 8 de janeiro teve uma tentativa de golpe, então eu vou processar. Eu posso até descortar do tempo que aquela pessoa vai ficar presa, mas eu não posso tirar um ministro porque ele deu, dentro do Código Penal ele tinha o direito a colocar de 8, de 8 meses a 8 anos, ele deu 8 anos e não 8 meses.
Eu achava que tinha que dar 8 meses de pena. Eu não posso, isso é proibido pela Constituição. Agora, a gente sabe que tem denúncias gravíssimas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal. Se essas denúncias Se chegar no Congresso Nacional, no Senado, com denúncias graves, abre-se um processo. Vamos investigar. A última coisa só que nós podemos ter é um Supremo acovardado diante de um presidente da República que pode querer aumentar o número de ministros e pode querer com isso falar o seguinte: ou você faz do jeito que eu quero e aí se perpetua no poder enquanto chefe da nação, ou eu tiro você.
Então é um assunto delicado que requer absoluta responsabilidade. Impeachment de um ministro supremo, ele existe na Constituição? Ele existe. Se houver os elementos que estabeleçam ali para abrir processo, abra-se o processo. Agora, eu não posso, por vontade ou capricho ideológico ou político de querer permanecer no poder, querer tirar um ministro para colocar alguém que vai fazer a minha vontade. Aí você acaba com a democracia.
Isso vale para os ministros supremos, isso vale para chefe de estado no executivo. Eu vou porque eu perdi eleição discutir, questionar, né, a segurança das urnas, questionar o resultado das urnas e a segurança das urnas eletrônicas. Aí não dá. Então acho que esse assunto veio, é um, entretanto. Mas, Thiago, é por absoluta também incapacidade assim de compreender o papel do Senado Federal como um todo. O Senado é muito mais do que isso, né?
Muito mais do que poder ou não abrir um processo de impeachment contra o ministro supremo. O papel do Senado é isso, é ter coragem de fazer reformas como a reforma tributária, ter coragem de falar vamos fazer revisão de gastos, é ter coragem de falar vamos acabar com privilégios, é ter coragem de falar assim eu vou cortar na própria carne, vou diminuir emendas parlamentares, né? O Senado Federal é para isso, é para ajudar o seu estado.
O estado de São Paulo, qual é a grande demanda, pauta para o desenvolvimento do estado de São Paulo? E ninguém discutir isso, e nem vai discutir, não vai ter espaço para isso, lamentavelmente.
Acho que um tema que vai ter espaço, é, e provavelmente você vai enfrentar muito nessa campanha, segurança pública. Primeiro porque existem várias questões de segurança hoje no Estado de São Paulo. E aí não tô nem criticando o governo Tarcísio, acho que tem questões estruturais de segurança no Estado de São Paulo, que vem desde a ação do crime organizado até a segurança nossa do dia a dia, como a gente diz, mas também porque você deve enfrentar um opositor que é o Guilherme de Ritchie, que é pré-candidato ao Senado, que era o secretário de Segurança Pública da gestão Tarcísio.
Como, qual que é sua pauta para a segurança pública para enfrentar uma eleição que deve falar muito sobre isso?
Para mim, bandido bom, bandido preso, nem solto na rua e nem morto. A mão firme do Estado é importante, se faz presente, se fazer presente. A sociedade quer segurança, precisa de segurança e merece segurança. Mas o que a gente não pode é premiar maus policiais, nem estimular nos shows pirotécnicos que se tem a violência policial, que muitas vezes acontece. Para isso a gente precisa tratar a segurança pública como um tema que não é eleitoral, mas um tema estrutural.
Moral. Que enquanto a gente tá tratando só, ah, prendi tantos ou matei tantos bandidos, a sensação de insegurança em São Paulo ela continua gritante, seja pelo furto do celular, seja pela violência, seja pelo, pelos nossos filhos, nossos jovens. Se a gente olhar na média mundial, a gente mata mais jovens no Brasil do que as guerras civis todas juntas, né? Saiu ontem, antes de ontem, um número assustador que depois vocês podiam passar aí.
A gente tá matando o futuro do Brasil, tamanha quantidade de jovens que morrem. E jovens, jovem, morrem os jovens de periferia, morrem os jovens de classe média, de classe alta, os nossos jovens. Claro que normalmente os jovens negros são as maiores vítimas. Então, para mim, o Estado tem que ser firme. A lei está aí. Você, você tem que valorizar sim o policial, o bom policial, mas você tem que punir o mau policial e entender que o crime organizado, ele está em todos os lugares hoje.
E se ele tá em todos os lugares e o problema está no crime organizado, organizado. E o crime organizado hoje, ele é transnacional. Ele não é um problema do Estado de São Paulo ou do Estado do Rio de Janeiro. A gente tem que ter uma coordenação nacional para combater esse crime organizado. É uma coordenação do governo nacional que envolva— ah, mas se as Forças Armadas não cuidam de segurança pública, é verdade, mas ela pode ser convocada e chamada em casos específicos, quando eu tô falando de crimes que envolvem mais de um estado, de um país.
No país, como é o caso, por exemplo, do tráfico de drogas, do contrabando de pessoas, né, e de atividades ilícitas de todas as sortes. Então, com a coordenação do governo federal, somente assim eu resolvo o problema do crime organizado e da segurança no país. Por isso a PEC da Segurança é tão importante, depois a lei complementar estabelecendo certas regras, a coordenação o papel é do presidente da República com seu ministro, com Congresso Nacional, envolvendo as Forças Armadas, Marinha, Exército, Aeronáutica, envolvendo a Polícia Federal, envolvendo a Receita Federal.
Porque se você não sufoca, né, a fonte financeira do crime organizado, ela chega e toca terror nos bairros, né, toca terror nas cidades. E lamentavelmente o crime organizado tá em todos os lugares, lugares que a gente nem imagina, inclusive na política. Ela tá elegendo vereadores, tá elegendo deputados, quer eleger senador, quer eleger pessoas que depois possam favorecer. E é irrigado agora não mais com contrabando de drogas, é irrigado com contrabando de armas, com cigarro sem filtro, com bebida batizada, com serviços que são prestados nas comunidades onde o Estado não chega, do gás de cozinha ao serviço de net, de de internet, e está nas classes, e o crime organizado está nas cidades médias e nas cidades pequenas do interior de São Paulo.
Se você pega o mapa assim, você pega o trajeto, e são as cidades hoje mais violentas. Então é isso, é com responsabilidade, responsabilidade que não teve nesses 3 anos em relação a esse assunto. Esse foi um assunto de crime organizado que não foi tratado pelos governadores de um modo geral, que se recusaram o apoio do governo federal em relação a esse grande projeto de coordenação nacional de combate ao crime organizado. Não vai ter alternativa.
Em 27, né, ou 28, no próximo mandato, seja quem for o presidente da República ou os governadores, entendem que é um trabalho conjunto, ou segurança pública vai ser o maior problema do país, da sociedade brasileira. Tem denúncias gravíssimas de como o crime organizado hoje sequestrou as famílias mais pobres do Brasil, né? Sequestrou mesmo. Ou seu filho vem para bandidagem, ou a sua filha vem aqui para servir ao crime, né? Ou a sua família vai ser exterminada.
É esse o nível, né, de situação. E a gente tem que ter coragem de falar, a gente tem que ter coragem de combater. E acho que vai cair a ficha, ainda que tardiamente, dos governadores de estado como um todo em relação a esse assunto. Eu tô louca para que a campanha chegue, porque acho que esse é um tema relevante.
Só pegando aqui alguns dados, a Simone pediu para puxar, eu usei aqui o Atlas da Violência. Jovens de 15 a 29 anos no Brasil, é o último dado de 2024, foram 19.800 jovens assassinados em 2024. Conflitos não estatais no mundo todo foram 17.500. Ou seja, morreram mais jovens assassinados no Brasil em 2024 do que no mundo todo. Olha só, tem uma notícia que saiu ontem, inclusive ontem em dia que a gente grava, né?
Não é isso, é o famoso não sei, não sei, estamos gravando muito ontem, dias atrás, dias atrás, no dia anterior, é o dia da gravação, falando que foram 75 assassinatos de jovens por dia em 11 anos e 300 mil jovens na última década. É o dado que traz aqui também.
É isso mesmo.
Se a gente pensar, é o que eu vi realmente ontem. Leia-se alguns dias atrás na televisão, quando eu passei pela sala, a televisão tava ligada. Que loucura! 75 jovens por dia assassinados. A gente tá falando, nós estamos falando de se somar isso isso e vir aqui por ano, vamos arredondar para 20 mil, Thiago, né? A gente tá matando o futuro do Brasil. Primeiro que a população tá envelhecendo e vocês jovens não querem ter filhos. Não estou aqui para criticar não, viu?
Aliás, eu só critico as minhas filhas. Minhas filhas, tô doida para ser vó, por favor. Pode fazer produção independente, tá tudo certo. Mas é natural, por alguma razão, jovens, a mentalidade muda. Nós não estamos querendo, enquanto brasileiros, é ter mais, ter os seus filhos. O IBGE mostra que o Brasil tá envelhecendo muito antes de ficar rico enquanto nação, e tá envelhecendo antes do que nós prevíamos. Aí, além disso, os poucos jovens nós estamos matando.
Quem é que vai sustentar esse país? Qual é a força econômica? Qual é a massa, né, de trabalhadores, de trabalhadoras que vão sustentar a aposentadoria de vocês, a minha aposentadoria? Mas é mais grave do que isso, né, a economia do Brasil. Então, um assunto extremamente urgente, delicado, tem que estar na pauta. Isso tudo mostra que eu falo assim, com todo respeito a quem pensa diferente, eu acho que eu tô no caminho certo quando eu tenho uma visão muito de centro de país, que é aquela que tem a capacidade de conversar com a direita, com a esquerda, não com os extremos.
Você fala assim, gente, adulto na sala, vamos parar por aí, né? O discurso de ódio, essa pauta sectária de qualquer um, é de armamento, vou colocar arma na mão da população, Não é isso, isso não vai resolver o problema do Brasil. O problema do Brasil é muito mais profundo e muito mais urgente, né, que nós temos que diminuir a desigualdade, nós temos que enriquecer enquanto país antes de envelhecer e nós não temos mais do que uma década para resolver esse problema.
É que também é um sintoma da sociedade atual, a gente é muito imediatista, muito ansioso, né, então acho que ninguém tá a fim de parar para ter conversas estruturais, todo mundo acha que a solução—
De novo lá a cultura do planejamento, que eu tô convocando o mercado a começar começar a incutir aí nos nossos jovens talentosos para que a gente saiba. Vocês fazem isso todo dia no mercado, gente, no setor produtivo. Eu sou do agro, a gente não produz nada sem fazer todo um planejamento. Que, como que vai ser o El Niño nos próximos 3, 4 anos? Que cultura? Como é que tá o mercado de soja, de cana, de não sei o quê? Eu vou mudar ou não vou mudar a cultura para poder ter lá o meu lucro?
A gente faz isso na iniciativa, a gente faz dentro de casa, como dona de casa, como dono de casa que vocês E não fazemos isso com, vamos dizer, com o cofre mais importante, que não é o meu, não é o seu, não é o do mercado, nem do maior investidor. O cofre mais importante é o cofre público, é o orçamento público. A gente não faz, né, o que fazer com esse recurso, né, que é fruto do suor, do imposto de tanta gente. E isso faz a diferença.
Olha o que a China era no passado, 30, 40 anos atrás, em relação ao Brasil, e olha o que ela é hoje, ela batendo na porta, na na cola, nas botas dos Estados Unidos, né? E não é só China, eu falo muito China representando a Ásia. A Ásia virou a Índia também, né? Nem se fala. Agora, a Índia com esse capital humano, então, inclusive na parte farmacêutica, é impressionante o quanto que eles estão avançando em doenças raras. Os produtos deles custam um terço das fabricantes americanas.
Não, muito pouco tempo atrás era o Indiano, era piada, não tinha nada, porque fazia muito serviço terceirizado para os Estados Unidos, né, de call center e tal, muito do setor de serviços. E hoje estão aprendendo com o Quase, né?
É isso, Singapura, Coreia, muito inteirado.
É, porque você tá tão inteirado? Ah, olha aí, uma chance fazer um merchan orgânico. A nossa revista digital Simone Day Report todo mês tem um novo tema, e o tema deste mês é Índia. Então é A Índia será a nova China? A gente foi entrevistar especialistas para descobrir se a Índia tá no caminho de se tornar a China nas próximas décadas, se tem oportunidades de investimento que as pessoas ainda não estão enxergando, como eles estão trilhando esse caminho. Então tá muito boa a reportagem.
Como é que faz para acessar The Report?
Ah, vamos deixar o link aqui embaixo. Vou deixar o link aqui embaixo. Você acessa a partir desse link para fazer a sua assinatura e garantir essa edição. Ainda pode ler ver as edições anteriores. A gente tá completando um ano, viu, esse mês, um ano de revista, um ano de The Report. Então tem aí 12 edições para você ver, e quando você assina você garante acesso a mais 12. É uma revista mensal.
Posso dar uma dica então da próxima? Claro. Agora aqui como mulher, tá, já que vocês estão falando tanto de Ásia, como que a China tá chegando e tal, tenta descobrir como é que a Coreia do Sul chegou nessa tecnologia dos cosméticos, né, e da tecnologia de skincare, de pele, viu. Porque eu tive na Coreia, eu fiquei absolutamente impressionada. Nada. E com preço tão bom comparado aos que a gente compra por aqui, que é um bom exemplo para a gente aproveitar a nossa indústria aqui, né?
Eu fui numa— tem que defender aqui, pelo menos as mulheres que estão me acompanhando. E os homens são também vaidosos, né? Posso fazer um quase merchan?
Não é um merchan, mas eu fui numa loja aqui da— ali no Conjunto Nacional, muito grande, uma rede conhecida, que eles fizeram uma mega store. Aí tem um setor inteiro de cosméticos coreanos. Eu não sabia dessa, dessa linha.
Preço muito mais barato, acessível. Se for lá, então, vocês já—
E se eles são coloridos, né? As embalagens, os coreanos são criativos para embalagem e tal. Tem um setor inteiro de cosméticos coreanos, é um segmento novo.
Naturais, produtos naturais que fazem efeito.
A Coreia pode ser um tema para nossa The Report, hein?
Aliás, quem assinar The Report, vamos poder lançar essa promoção, quem assinar agora vai levar todas as anotações que a Simone Tebet fez sobre esse episódio, que eu tô achando maravilhoso ali.
O caderno de anotações do senhor, nossa, tá melhor que o meu, hein? Eu tô brincando, porque é um mapa, é um mapa mental, tá na moda fazer mapa mental.
Nossa, coisa tá feia aqui. Eu tô preocupado com o horário. Você quer trazer uma pergunta final? A gente pode ir para o pingue-pongue. Eu, se a gente tiver alguma pergunta a mais aí para pôr no pingue-pongue, eu queria dar uma improvisada nesse pingue-pongue. Aproveitar que tem pessoas que têm um papo tão bom. Foi um papo excelente, olha, já anotei muita coisa aqui. Espero que você tenha gostado. Agora é a parte mais fácil do nosso podcast, que a gente vai perguntar as coisas que a gente pergunta sempre em todo programa, que a gente gosta de ouvir: recomendações de livro, de música, um convidado para estar aqui, e qual a maior gentileza que foi feita na sua vida.
Vamos começar pelos livros? Vamos pelos livros, vai. Qual a recomendação de leitura que você deixa para nossa querida audiência que está nos ouvindo?
Olha, posso recomendar mais de um? Quantos você quiser. Eu acho que qualquer brasileiro precisa ler pelo menos os primeiros 4 ou 5 artigos da Constituição Federal, que diz quem somos enquanto Estado democrático de direito e quais são os nossos objetivos, né, de ter um país cidadão, com pluralidade, com redução da desigualdade, etc., e garantindo a todos o direito à vida, liberdade, a propriedade, a livre iniciativa. Acho que isso é o básico.
Mas eu recomendaria, nesses momentos que nós estamos vivendo, e o mundo— e eu tive com ele, eu tive o privilégio de tê-lo no Ministério do Planejamento, Steve Levinsky, que escreveu Como é que as Democracias Morrem. Ele tá escrevendo um outro livro tentando entender inclusive esse papel do Supremo, quanto que eles estão saindo das quatro, da caixinha deles. Então são dois livros: Como as Democracias Morrem e Como Salvar a Democracia. Tive o privilégio de ter o livro autografado.
Me corrija se eu tiver errado, mas foi esse livro que o Haddad recomendou a não leitura? Não, não, não, não, não, não, não.
O que ele recomendou para não ler foi o Por que as Nações Fracassam. Ah, é verdade. Porque a gente tem uma pergunta que a gente faz de vez em quando, né?
É verdade. Se você tiver uma recomendação de não leitura— É um livro para não ler?
Nossa, aí é muita injustiça e indelicadeza com o autor. Mas tem um livro que eu soube que foi feito e que eu falo assim: esse não leia. Eu não vou nem citar o nome que eu não sei lembrei do nome dele, mas é de um filho que escreveu com a autoria a biografia do pai. Eu posso, acredito que vocês imaginam quem é o filho, quem é o pai, né, da política brasileira. O pai é Jair Bolsonaro, o filho Eduardo Bolsonaro. Então não, eu recomendo não ler esse livro.
Acho que é o único livro que eu recomendo não, porque assim, eu não sou crítica literária, mas acho que qualquer livro que você faça sem ser, que não seja direcionado, né, ele é bem-vindo. Enfim, ainda que você não, até para você discordar dele, né? Então ainda bem que tem esse livro para eu indicar, senão não teria como indicar.
Então você não vai ao cinema assistir Dark Horse?
Mas não há a menor possibilidade.
Nem por curiosidade? Nem.
Mas esse dinheiro eles vão levar, já levaram mais de 60 aí, que eu quero saber depois, mas vamos rastrear esse dinheiro, se teve evasão de divisa. Aí tem todo um crime na ordem financeira que, como ministra aí do Planejamento Orçamentário, já tô pensando aqui quanto é que pode ter tido de evasão de divisas, de falta de pagamento de imposto aqui e lá nos Estados Unidos, se é que esse dinheiro foi para um fundo, né, do advogado do Eduardo Bolsonaro.
Nós estamos no campo das hipóteses, mas tô falando exatamente o que eu vi na imprensa, então tô repetindo aqui.
Acho que o assunto muito sério. Eu até já peguei aqui o artigo 4º e 5º da Constituição.
É o primeiro ao quarto, o primeiro a quinta, do primeiro ao quinto. Ah, o primeiro ao quinto, eu peguei só Olha, ali tem tudo que a gente precisa saber como brasileiro, brasileira, né, nos pautar em cima disso.
É, tá, então não leia. Essa do não leia eu até tirei do pingue-pongue porque as pessoas sempre davam uma resposta muito blasé, eu pulava. Mas é que era uma frase tão legal, a gente falava qual é o livro para morrer antes de ler. Então agora já tem o livro do Bolsonaro.
Simone Tebet, uma música e por que essa música? Sabe que falaram que vocês iam perguntar isso, né? E eu fiquei desde ontem sem dormir. Ah, você se preparou, hein? Porque eu gosto demais de música. Falaram assim, olha, eles perguntaram, então eles vão te perguntar sobre música. Eu quero assim, não é, adoro, é uma das, mas assim, uma homenagem ao interior do Brasil, interior de São Paulo, ao povo mais humilde, ao povo caipira, da qual, de um estado que eu também venho, interior de São Paulo tem esse também, e a religiosidade do Brasil.
Então também uma homenagem à minha mãe, eu ficaria com Romaria dentro da Renata Teixeira, né? Essa música é sensacional, mas tem tantas. Olha, essa é com dó que eu só cito uma, porque enfim, eu gosto muito de música. Mais uma, pode citar também, uma centena. Então é melhor ficar com Romaria.
E se quer vir uma do Elvis?
Ah, mas todas elas aí, aí é É incrível, né? Mas você sabe, então vou fazer uma conversão assim, eu gosto muito de My Way de Frank Sinatra e eu acho que a única música que eu troco Elvis, a interpretação dessa música My Way, né, que eu acho que é fantástica também, né, ter coragem, ter vivido, né, do jeito dele a vida, né, é isso que trata a música, ter a coragem de viver a vida do seu jeito. Falhei, né, enfim, muitas vezes na vida, mas fiz do meu jeito.
E você sabe que quando eu coloco Elvis e Frank Sinatra lado a lado Eu sou Elvis mil vezes, né? Eu não consigo dizer que a interpretação do Elvis é melhor que do Frank Sinatra. Nesse caso, My Way pela voz de Frank Sinatra é imbatível.
Olha, eu confesso que quando eu coloquei essa pergunta no ping-pong, eu sou uma daquelas pessoas que julgam os outros pelas músicas que ouvem. Então eu gosto e acabo, quando eu me identifico muito com a conversa, eu acabo absorvendo aquela música para mim. Então, por exemplo, Elvis Presley É algo que eu não ouço ou não costumava ouvir até o dia que eu fiz um episódio tão legal com um cara que recomendou Amazing Grace do Elvis Presley, assim, uma música maravilhosa, uma música até bíblica.
Sim, sim, maravilhosa. Ele tem um—
e eu até falei para ele, eu falei: cara, sabe quando eu ouço essa música? Que eu ouço todos os dias, porque é a hora que eu coloco a comida para os meus cachorros. E aí um deles é mais chato para comer, então eu cronometro pela música. Então eu boto a comida "Alexia, fala para Alexa tocar My Way do Frank—" do My Way não, Amazing Grace do Elvis Presley. E aí eu já vou pelo— acho que ela dura 3 minutos e meio, enfim. Dá paciência para— agora My Way a gente tem que fazer um conteúdo nas redes, em algum lugar.
Essa é tal— se o Market Maker fosse um concurso musical, My Way seria a melhor música da história, porque eu não lembro quantas pessoas já recomendaram diferentes espectros, de diferentes origens, seja empreendedor, empresário, político.
Essa música, se fosse para falar uma música estrangeira aqui, para não fazer injustiça com tantas outras maravilhosas, eu faria My Way, sem dúvida nenhuma. Mas de novo, pela primeira vez não interpretada pelo Frank Sinatra, pelo Elvis. Maravilhosa.
Um convidado que você gostaria de ver, ou convidada, aí sentada no seu lugar?
A São Paulo e a história de São Paulo, pouca gente hoje viva tem condições de contar, né, o que, por que que São Paulo se tornou essa potência que é, né, obviamente fruto da imigração, né, mas por toda a sua história. 4 vezes o governador de São Paulo, o nosso vice-presidente Geraldo Alckmin, que aliás, para contar causa e piada, vou te contar, ele tem o tempo certo. Fico olhando, falo, não é possível, já veio, ele já veio aqui?
Não, ainda não, já entrevistei ele uma outra vez, era para ele vir desde Não, mas ele não recusa convite não, agenda deve estar apertada.
É, então, mas era bem isso, porque a pessoa que conseguiu é muito próxima dele.
E muito equilibrado, uma pessoa de centro que assim tem histórias para contar assim que dá para passar o dia. E pede para ele sempre contar as piadas dele, viu, porque são fantásticas.
E já sei até o que servir quando ele vier. Ele gosta de café com leite, ainda não sei se ainda gosta, mas tem um refrigerante específico que ele adora. É, ele dava entrevistas na rádio quando eu era repórter e ele saía do estúdio, ia numa padariazinha que tinha na frente todas as vezes para poder tomar tomar um cafezinho com leite e um refrigerantezinho.
E o refrigerante não pode falar a marca, obviamente, senão vai virar o refrigerante viral do álcool. Ah não, aí vai saber se ele—
a gente fala com a marca, já manda patrocinarem a vinda dele.
Faltou a maior gentileza. Qual a maior gentileza que já fizeram para ti em sua vida?
Foram muitas, mas eu fico assim com algo que me tocou muito o coração. Assim, no país tão polarizado e dividido, muita gente teve que, no primeiro turno, fazer uma escolha, obviamente. E a gente sempre, a terceira via desidrata nesse momento, né? Mas assim, a maior gentileza foi ter sido, talvez, de todas as mulheres aí, a que teve assim talvez mais votos para presidência da República. Eu agradeço a gentileza de quase 5 milhões de brasileiros e brasileiras que confiaram em mim, deram voto para mim na eleição eleição para presidente, para presidência da República.
Maravilha! Tem alguma pergunta para encerrar?
Ah, vai fazer o pede-voto pedindo time de futebol, né? Todo mundo sabe também, não tem problema.
O quê? Qual é?
Não sei. Não, o restante inteiro vai me odiar depois que eu falar.
Qual é o time? Então é o Flamengo ou Corinthians. Você é corintiana, tá vendo?
Ele é um palmeirense roxo.
Mas eu posso te agradar, eu casei com palmeirense doente, doente, quase que tenta, tentou por 30 anos me levar a mudar de time, só que ele não conseguiu.
Não conseguiu. Então agora eu falaria, agora não muda também, porque agora tá muito fácil ser palmeirense.
Bom, então eu só ia perguntar, São Paulo ou Mato Grosso do Sul?
São Paulo. São Paulo, pelo que representa para o Brasil. São Paulo que tem a capacidade. Aí eu vou aproveitar para fazer homenagem ao vice-presidente, já que vocês vão trazer aqui, né? Quando eu fui conversar com vice-presidente, falei: presidente, tem tantas pessoas para virem para essa missão de frente ampla, o próprio presidente Lula, né, quando me convidou. Aí o Alckmin falou uma coisa que me deixou assim, São Paulo, igual aquela música do Caetano, né?
Você começa falando: que barulho é esse? Onde que eu Acha estranho, depois você tá amando São Paulo, né? A música de Caetano, muito interessante, Sampa, que diz exatamente isso. Mas assim, o vice-presidente me falou uma coisa muito interessante, ele falou: Simone, São Paulo é o único lugar do mundo em que você vai encontrar um japonês falando português com sotaque italiano. É isso que é São Paulo, essa generosidade. Se São Paulo vai bem, o Brasil vai bem.
São Paulo vai mal, o Brasil inteiro sente, né? É a locomotiva, o motor dessa locomotiva chamada Brasil. Então São Paulo, porque São Paulo indo bem ajuda Mato Grosso do Sul, ajuda o Centro-Oeste, ajuda o Norte, ajuda o Nordeste, ajuda o Sudeste.
Então deixa eu trazer uma conversa que teve num podcast com um paulista e um carioca, que tava o paulista defendendo São Paulo e o carioca defendendo o Rio. Aí o paulista falou assim: sabe o que eu gosto de São Paulo? Porque São Paulo é a cidade que se é 2 horas da manhã e eu quero comer um prato de comida armênia, eu vou conseguir comer. Aí o carioca virou e falou: mas quantas vezes você comeu esse prato às 2 horas da manhã? Aí ele falou: não importa, só de eu ter, saber que tá ali, né, o poder de escolha disso já me faz ficar tranquilo.
Então eu durmo tranquilo mesmo sabendo que eu nunca vou comer uma comida armênia às 2 horas da manhã. Mas acho que isso também reflete um pouco São Paulo. Com certeza. Vamos liberar, obrigado. Tô vendo que o pessoal já tá até com o pezinho tremendo ali de A agenda de pré-candidata já, né?
Vamos liberar.
Simone Tebet, obrigado por ter vindo. Obrigada. Manda aquele zap. Obrigada que você falou, estou levando aqui as minhas anotações para não ter perigo aqui. E manda aquele zap para o Geraldo Alckmin que a gente quer ver ele aqui.
A gente vai cobrar.
Você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal. Toda terça, quinta e domingo tem episódio novo do Market Makers. Nós aqui desse lado, sempre com alguém muito mais interessante do que nós do outro lado, compartilhando conhecimento. Até a próxima e tchau! Tchau!
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