Episódios de Market Makers

#368 | AS TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO NA PRÓXIMA DÉCADA

31 de maio de 20262h4min
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A inteligência artificial é uma bolha ou estamos diante da próxima grande infraestrutura da economia global?Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão recebe Guy Perelmuter, fundador da Grids Capital, investidor de deeptech, mestre em engenharia elétrica com ênfase em inteligência artificial e vencedor do Prêmio Jabuti pelo livro Futuro Presente.A conversa passa por alguns dos temas mais importantes para quem quer entender o futuro dos investimentos: inteligência artificial, robótica, biotecnologia, defesa, espaço, semicondutores, venture capital e o papel do Brasil na nova corrida tecnológica.Guy explica por que a IA pode ser comparada à eletricidade, como investidores profissionais tentam separar hype de inevitabilidade, quais tecnologias podem transformar os próximos 10 anos e por que empresas como Anduril, Halter e Cytovale ajudam a entender o que pode vir pela frente.Também falamos sobre bolha em tecnologia, Nvidia, Elon Musk, SpaceX, deeptech no Brasil, a dificuldade de transformar ciência em riqueza e os riscos de deixar o país mais uma vez olhando o futuro passar.Se você quer entender como investidores profissionais estão olhando para IA, robôs, biotecnologia e as próximas grandes oportunidades do mercado global, esse episódio é obrigatório.Neste episódio:-O que é deeptech-Como investir no futuro antes do consenso-A tese de inevitabilidade nos investimentos-Robôs, espaço e biotecnologia nos próximos 10 anos-Anduril, Halter e Cytovale: cases reais de deeptech-Existe uma bolha de IA?-O papel da Nvidia na nova economia-O que o Brasil precisa fazer para não perder essa revoluçãoAdquira o seu SuperCoffee: https://urldefense.com/v3/__https://www.caffeinearmy.com.br/pages/produtos?sca_ref=9330006.1ZsaQ2NUBwAG8XWI&utm_source=instagram&utm_medium=fixos&utm_campaign=always_on&utm_term=Market-Makers&utm_content=promote__;!!JVh_Qfuk4otXm3Mt0g!6ZL-3hhmkEfTVMcGUtXOroe0IQk5Q9Rabc_74UgS8PsLWUBSd5-at7shqjSRhdYXA5zpRa1Sed35SqS4at6RFWlbLSOtU9RN$📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -AS TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO NA PRÓXIMA DÉCADA | Market Makers #368Apresentadore: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers)Convidado: Guy Perelmuter (fundador da Grids Capital e investidor deeptech)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#TECNOLOGIA #DEEPTECH #INVESTIMENTOS #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Assuntos7
  • Big Techs· TecnologiaAnduril · Halter · Cytovale · NVIDIA · SpaceX · Tesla · Blue Origin · OpenAI · DeepMind
  • Inteligência ArtificialIA como tecnologia de propósito geral · Evolução da IA · Impacto da IA em outras indústrias
  • O Futuro da Economia e TecnologiaPrevisões de longo prazo · Tese de investimento em inevitabilidade · Tecnologias emergentes · Robótica · Biotecnologia · Espaço · Semicondutores
  • Busca por investimentos e tecnologiaDefinição de Deep Tech · Investimento em Deep Tech · Grids Capital · Guy Perelmuter
  • Prevenção e futuro da medicinaTratamentos para doenças complexas · Diagnóstico rápido de septicemia · Inovações em biotecnologia · David Baker
  • Tecnologia e Soberania Digital no BrasilCompetitividade do Brasil em tecnologia · Desafios para inovação no Brasil · Deep Tech Summit
  • Ética e responsabilidade da IAControle e regulação de IA · Riscos da IA autônoma · Linguagem própria de IA
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A inteligência artificial saiu do terreno de ser uma inovação e ela está virando o que a gente conhece como uma tecnologia de propósito geral. Cem anos atrás, se você fosse para um hotel um pouquinho mais remoto, você tinha que perguntar se ele tinha luz elétrica.

Aí, talvez há uns 20 anos atrás, quando você vai para um lugar mais remoto, você pergunta, tem Wi-Fi? A gente está entrando na fase, daqui a muito pouco tempo, que você vai perguntar, usa AI? Quando eu conheci o Gui Peremulter, eu fiquei com essa impressão de que eu estava conversando com alguém que está olhando o mundo bem à frente de nós e está nos contando hoje no presente. Essa década que vem é uma década de aceleração excepcional dessas tecnologias ligadas a semicondutores e a inteligência artificial.

E é uma década onde você vai ter, finalmente, eu acho, tratamentos altamente eficazes para doenças que desafiam a ciência há mais de 100 anos, como, por exemplo, doenças neurológicas, doenças oncológicas e doenças autoimunes.

Se no mercado financeiro a gente tem aquela possibilidade de tentar prever o que vai acontecer nos próximos 6 meses, 12 meses, com inflação, com juros, a gente consegue antecipar a crise, vocês vão ver que o Gui é um cara que está olhando muito à frente de nós para outras coisas que podem nos impactar ainda mais. Nós sempre superestimamos os próximos 12 meses e nós sempre subestimamos os próximos 10 anos.

Instituições de ensino, professores, alunos de graduação, pós-graduação. O Brasil é um celeiro de excelência. O problema é que quando a gente olha para o Brasil sob a ótica de investimento e de negócios, o Brasil figura muito mal em rankings de competitividade.

O mundo não vai desacelerar para a gente. O mundo vai falar, não, espera aí que o Brasil está um quietinho para fazer. E a gente, historicamente, já perdeu tanta janela, tanta oportunidade, tantas vezes o Brasil ficou como uma oportunidade, ou como um país que é o futuro, que esse futuro vai chegando, ele vai passando, e a gente vai olhando para ele passar. Altas expectativas para esse papo.

Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão, fundador, CEO e apresentador dessa empresa que já se conecta com mais de 7 milhões de pessoas todos os meses pelo nosso podcast, nossas newsletters, nossos conteúdos escritos.

Então, se você está chegando agora, já se inscreve no canal, deixe seu like. Hoje, a gente trouxe um homem do futuro aqui para falar. Vocês vão ficar com essa impressão, tenho certeza, porque quando eu conheci o Gui Peremutter, eu fiquei com essa impressão de que eu estava conversando com alguém e está olhando o mundo bem à frente de nós e está nos contando hoje no presente. A trajetória dele...

coincide um pouco com o mundo acadêmico, o mundo tecnológico e o mercado financeiro. Vou trazer rapidinho a história, mas só para vocês já saberem. A ideia aqui do papo é a gente ter uma noção maior do que pode vir para o futuro, o que o futuro nos reserva.

com alguém que está olhando bem de perto as grandes tendências, porque é isso que um investidor de Deep Tech acaba fazendo. Se no mercado financeiro a gente tem aquela possibilidade de tentar prever o que vai acontecer nos próximos seis meses, doze meses, com inflação, com juros, a gente consegue antecipar a crise.

vocês vão ver que o Gui é um cara que está olhando muito à frente de nós para outras coisas que podem nos impactar ainda mais. Então, altas expectativas para esse papo. Espero que vocês gostem bastante. Só a apresentação dele aqui. Ele é engenheiro de computação formado na PUC-Rio em 1994.

Ele é mestre em engenharia elétrica com ênfase em inteligência artificial. Isso em 1996. Existia inteligência artificial em 96? Caramba, Gui. Em 97, ele foi um dos vencedores do Prêmio Jovem Cientista. Ele desenvolveu uma solução para impressão braille e impressoras matriciais.

Aí ele foi, estava lá fazendo o seu doutorado e falou, puxa cara, surgiu uma oportunidade para o mercado financeiro e ele passou duas décadas no mercado financeiro, passou por instituições como o Pactual, a Vinte, trabalhando em gestão de risco, alocação de ativos, até que em 2016 ele fundou o que hoje é a Grids Capital, a gestora dele de Venture Capital especializada em Deep Tech.

com foco em inteligência artificial, robótica, biotecnologia e infraestrutura. Além disso, o Gui também é autor da coluna O Futuro dos Negócios, que sai toda primeira quinta-feira do mês no portal do jornal Estado de São Paulo. Hoje a gente está gravando, ela está no ar. Vou até dar uma lida depois, o Gui já me contou que foi ao ar. E ele é vencedor do prêmio Jabuti em 2020. O cara ainda escreveu um livro e ganhou um prêmio, o livro Futuro Presente, o Mundo Movido, a Tecnologia.

Ele ganhou o prêmio Jabuti na categoria Ciências. E o livro foi, após esse prêmio, ganhou uma versão em inglês, recebeu duas medalhas de ouro nos Estados Unidos. Então a gente tem aqui, pode falar um escritor, um investidor, mas principalmente alguém que está estudando muito o futuro das empresas. Então, com muita honra, eu não digo bem-vindo à Faria Lima, porque você já reside na Faria Lima, mas bem-vindo ao Market Makers, Gui Peremutter. Está preparado?

Preparado, obrigado pelo convite, Thiago. Um prazer enorme estar aqui com você. E, bom, você já vai ganhar presente porque não tem podcast grátis. A gente tem o patrocínio da Super Coffee. E, então, para quem quiser levar o Super Coffee para a sua rotina, eles liberaram um cupom exclusivo para todo mundo que assiste o Market Makers. Então, é só você usar o cupom Market Makers e você vai ter 10% de desconto no site. Então, é só você aproveitar esse cupom e, como eu disse...

Presente do convidado. A sacola está bem cheia. Então, Gui, parabéns. Aproveite os produtos da Super Coffee. E se você, assim como o Super Coffee, quer colar a sua marca no Market Makers, manda um e-mail para comercial.com.br. O Igor vai ficar muito feliz de responder o seu e-mail.

Bom, Gui, é tanta coisa que eu nem sei como começar, mas eu vou começar bem do início. Eu falei que você é um investidor de Deep Tech. O que é Deep, Profundo Tech, tecnologia, mas o que é isso na prática? O que é o que o investidor de Deep Tech faz?

Tecnologia profunda, o Deep Tech, é a tecnologia que está muito associada à ciência, que está muito associada à infraestrutura, que está muito associada a uma inovação que tem propriedade intelectual em geral, que tem patente em geral, mas que tem principalmente uma defensabilidade técnica importante. Então, como exemplo, você imagina o seguinte.

O mundo de tecnologia, o mundo tech ou o mundo tech-enabled, é um mundo que quase sempre é formado por invenções, serviços ou dispositivos que são combinações de coisas que já existem. São coisas que você, de uma forma ou de outra, você rearranja para servir a um novo propósito.

No caso de uma inovação de Deep Tech, você está efetivamente criando algo novo, criando uma tecnologia nova, seja na forma de um dispositivo, de um algoritmo, de um módulo, mas alguma coisa que tem uma origem inédita e que faz com que você empurre a fronteira do que é possível para frente. Um exemplo, uma empresa de Deep Tech.

Você pode imaginar, por exemplo, que hoje em dia, no setor de biotecnologia, você tem empresas que são capazes de desenvolver proteínas que não existiam anteriormente, graças a inovações científicas que ocorreram. Essas empresas estão criando uma nova fronteira para tratamentos, para terapias, para eventualmente novas substâncias que se caracterizam como desenvolvimentos de deep tech.

Então, Gui, é uma pergunta simples, mas que eu gosto de respostas bem amplas, abrangentes, você pode se aprofundar à vontade. O que o investidor de Deep Tech, como é que ele olha o mercado? Como é que você está...

encarando os investimentos, guerra e tudo. Como é que essas coisas te afetam? Como é que você chega à decisão de que algo merece ser investido? Por que você se tornou um investidor de tech? Enfim, me conta um pouco de como você chegou até onde você chegou.

Bom, vamos começar pelo final, como é que foi essa jornada. Quando eu entrei no mercado financeiro, saindo de um mestrado em inteligência artificial, eu tinha muita convicção de que esse tema de IA ia ser um tema relevante, mas obviamente o timing disso era uma incógnita.

E ao longo de 20 anos de carreira no mercado, eu fui aprendendo coisas, eu fui me educando financeiramente e eu fui construindo alguns skills. Então, toda a parte de controle de risco, toda a parte de alocação de portfólio, toda a parte de estruturação de produtos, foram coisas que a minha experiência profissional foi me dando. E nesse sentido...

Quando eu entendi que era o momento de encerrar a carreira de mercado e montar um business, empreender em venture capital, eu basicamente vi a oportunidade de combinar esses dois mundos, combinar o mundo de ciência, tecnologia e inovação de ponta com esse expertise de portfolio management e de controle de risco. Por quê?

Essa era uma forma que eu acho que eu conseguia trazer o maior valor possível para o potencial cliente que me utilizasse como veículo de alocação. Porque dentro do mercado...

Eu trabalho com alocação a carreira toda. E, às vezes, alocar não é necessariamente você escolher o melhor. É você escolher o melhor para uma determinada posição. Então, na época, quando eu estava iniciando o business de fundo de fundos no Brasil, no final dos anos 90, que a gente montou essa tese,

Eu sempre dizia, o time de futebol ideal não é você pegar o melhor jogador que você conhece e botar nas 11 posições. O time de futebol ideal é você pegar o melhor jogador que você conhece para cada posição e escalá-lo. E, adicionalmente, saber que todos trabalham de uma forma coesa, harmoniosa, produtiva em conjunto. É a mesma coisa. Então...

Ao juntar esse skill de controle de risco e alocação com essa formação acadêmica em tecnologia, essa proximidade com o tema, eu falei, isso me possibilita ser um elemento que pode ser bem aproveitado por investidores com interesse nessa área. Então foi esse o caminho que eu resolvi seguir.

Mas o meu porquê, na verdade, é quem fazia isso? Como é que você... Porque assim, imagino que nesses 20 anos, né? Você trabalhando com alocação, gestão de risco, mas você não trabalhava com Deep Tech.

Então, como é que foi perceber que aqui eu podia conectar, sei lá, alguém fora do Brasil que fazia isso, alguém até no Brasil? Como é que chegou a juntar aqui a ideia do Deep Tech com a ideia de investimento e colocar dentro do seu Venture Capital? Isso começou no segundo semestre de 2000. 2000? 2000. Eu tinha, a gente tinha começado um projeto no Pactual de alocação internacional.

onde o banco começou a diversificar os seus investimentos para outros mercados. Os Estados Unidos eram o local apropriado para fazer isso. E nesse momento eu estava já no mercado há quatro anos.

Quatro anos é o ciclo típico de um doutoramento. E várias pessoas que eu conhecia estavam encerrando os seus doutorados. E eu comecei a receber, como eu era uma pessoa de mercado, que tinha esse networking, eu comecei a receber pitches de pessoas que estavam saindo da academia para montar startups de deep tech, que na época nem tinha esse nome. Era Frontier Tech.

E imediatamente eu comecei a perceber que existia um valor ali dentro desse mercado porque não é qualquer investidor que consegue avaliar uma empresa de alta tecnologia. Porque você precisa de um certo conhecimento técnico científico que às vezes não é comum e não é disponível.

Então ali já aquilo me criou uma certa percepção de que eu poderia, em algum momento do tempo, obviamente ainda estava longe, criar essa musculatura que ia me permitir simultaneamente endereçar o tema financeiro do risco da alocação, da valorização potencial, com a percepção técnico e científica de se aquela invenção, se aquele produto, se aquela ideia, ela efetivamente parava de pé.

Então, com isso, a gente começou a amadurecer a ideia. Uns 10 anos depois, já 2010, 2011, eu comecei a ser investidor em fundos de alta tecnologia, como alguém que estava interessado em diversificar e montar carteiras. E aí, dali para frente, foi muito natural para mim migrar e convergir esse modelo para montar a Grids Capital e começar a fazer isso.

Bom, bem legal, Gui. Obviamente eu vou querer saber o que você tem na carteira, como é que você investe, mas... Eu comecei o papo falando... Fiquei com a impressão de que eu conversei com alguém que veio do futuro e está me contando como vai ser o mundo.

Como é que vai ser o muro no futuro, Gui? O que você, pelos estudos, pelo que você acompanha... A gente está vivendo tempos de ebulição tecnológica. E assim, eu não tenho nem receio de parecer ignorante perto de você, porque acho que você sabe muito mais do que eu sobre isso. Mas no dia a dia, pegando só, por exemplo, aqui dentro do mercado financeiro, até outro dia, começamos a engatinhar no chat EPT.

E algumas semanas atrás eu saí de uma reunião com um gestor, uns 10 anos a mais do que eu, e aí eu falei algo do ChartGPT, ele falou, você ainda usa ChartGPT? Você não está usando o Cloud? Porra, quem usa ChartGPT já está para trás. Eu falei, meu Deus, semanas atrás, acho que pouca gente ainda usava, né? Enfim, você começa a perceber...

a aceitação, a usabilidade, o quão rápido isso está inserindo e o quão impactante isso vai ser. A gente não está falando de um novo app, alguma tendência de rede social, é algo que realmente está tornando as pessoas mais produtivas, mais criativas.

Mas e aí, o que vai ser do futuro? Porque a gente está vendo essas mudanças e está deixando a vida nos levar. Você acha que tem uma opinião um pouco mais embasada do que a gente pode ver daqui para frente? Existe uma... Eu acho uma dificuldade enorme de fazer previsões, especialmente sobre o futuro.

E eu acho que dentro desse contexto, se você fizer essa pergunta, como você faz aqui consistentemente essa pergunta de visão de mercado, você vai ouvir respostas diferentes, de gestores diferentes. E eu vou apresentar aqui a forma como a gente pensa no futuro e como a gente está investindo no futuro. A primeira coisa que a gente tenta fazer...

é neutralizar as nossas apostas, os nossos investimentos, no que diz respeito a qualquer dúvida sobre o que vai acontecer. Então você vai me dizer, mas espera aí, como é que você investe no futuro sem ter alguma dimensão de dúvida, sem ter alguma dimensão de incerteza?

E aí a gente tem uma tese na Grids de investimento em inevitabilidade. A gente investe no que a gente acredita que é inevitável. Então, por exemplo.

Se você olha o contexto global, você vai ver que existe uma tendência muito claramente definida, onde é muito difícil imaginar que essa tendência vai ser quebrada, de que a expectativa de vida das pessoas vai aumentando. Isso já é uma tendência que dura décadas. Você pode imaginar que o ritmo ou a intensidade dessa expectativa, do aumento da expectativa esteja diminuindo. Então, vamos lá.

Mas essa é uma tendência que é inexorável. O mundo como um todo tem uma expectativa de vida média de 74 anos, ou seja, tem mais de 20 países com uma expectativa de vida acima de 82 anos.

E você começa a entender que a dinâmica das ciências da vida, terapias, diagnósticos, medicamentos, equipamentos médicos, novas drogas, ela vai estar muito menos ligada a doenças infecciosas que já foram resolvidas pela ciência, sarampo, difteria, rubéola, coqueluche, teton, etc. E muito mais ligadas a doenças associadas ao envelhecimento.

doenças neurológicas, doenças oncológicas, todos os tipos de câncer, isquemia cerebral, isquemia cardíaca, doenças autoimunes, que são doenças que, com exceção de autoimune, se refletem muito mais em pessoas mais velhas do que mais novas.

Então existe uma parcela da população que vai envelhecer que cada vez vai ser maior. O número de pessoas mais velhas que o mundo vai ter que sustentar ou que vão ter capacidade de se sustentar só vai aumentar. Então essa é uma inevitabilidade. E você imagina o número de derivadas que você tem em cima disso, de empresas de biotecnologia, empresas de diagnósticos, empresas de equipamentos, etc. Outra inevitabilidade.

Todo ano o mundo tem mais ou menos uma Coreia do Sul de pessoas migrando do campo para a cidade. O mundo só passou a ser mais urbano do que rural em 2015.

Até 2015, a maior parte da população global era rural e não urbana. Só que essa tendência não volta mais atrás, porque você precisa de cada vez menos gente no campo, automatização, mecanização, aumento de produtividade, etc. Que tem, de novo, consequências de investimento.

investimento em agritec, em aumento de eficiência para plantações e para tratamento e criação de gado, por exemplo, e aumento nas cidades, mobilidade, segurança, poluição, energia, infraestrutura. Então, esse tipo de raciocínio no qual você tenta neutralizar tudo que você não tem controle, que você não consegue dominar, mas que você consegue de uma forma muito clara hoje, então...

indicar para onde está caminhando, norteia um pouco a nossa tese de como a gente posiciona as nossas apostas, como a gente posiciona os nossos investimentos em Deep Tech. Entendi, muito claro. Mas e aí, como a gente posiciona as investimentos? O que você faz com isso?

Por exemplo, vamos pegar o tema que você mencionou de inteligência artificial, que é um tema que, obviamente, com 30 anos de atraso, na minha opinião... Eu ia falar, Gui, você é um cara muito paciente. Em 96, você vê a inteligência artificial como o futuro. Cara, 30 anos atrás. E você teve um insight em 2000, quando começou a receber...

Os Pits. Aí a Grids nasceu só 16 anos depois. E agora, em 2026, a gente está... Tudo bem que inteligência artificial já está um pouco mais de evidência, mas, bom, ainda assim são mais de 20 anos. Sem dúvida, bem mais de 20 anos. É isso. Que é uma coisa que acho que o mercado te ensina, né? Um pouco a paciência, a estabilidade, a tentativa, pelo menos, de criar a disciplina, de saber o momento de agir. Nem sempre você consegue, mas...

Nesses casos, eu acho que as coisas andaram muito bem. A inteligência artificial, ela saiu do terreno de ser uma inovação e ela está virando o que a gente conhece como uma tecnologia de propósito geral.

O que é uma tecnologia de propósito geral? O fogo é uma tecnologia de propósito geral. A escrita é uma tecnologia de propósito geral. O vestuário é uma tecnologia de propósito geral. A máquina a vapor foi uma tecnologia de propósito geral.

O transistor é uma tecnologia de propósito geral. A eletricidade é uma tecnologia de propósito geral. O que isso tudo tem em comum? São tecnologias que se tornaram infraestrutura, se tornaram base para você construir aplicações e novos elementos e até novas indústrias.

Então, como a gente enxerga a inteligência artificial, é como a gente enxerga, ou pode enxergar olhando para o passado, a formação do mundo movido à energia elétrica. Só que existe uma diferença importante. A segunda revolução industrial, que foi quando a energia elétrica se tornou algo implementado em larga escala, ela gerou...

inovações como os dínamos, os transformadores, os geradores, isso tudo são invenções do século XIX, final do século XIX. Estamos no primeiro terço do século XXI. E eles estão por aí, dínamo, transformador, gerador, teve melhoria, teve avanço, mais eficiência, mas essa é a turma que está aí. Com inteligência artificial, como você já falou, o ritmo de inovação, o ritmo de substituição, o ritmo de evolução é muito maior.

Só que ela é, a despeito de todas essas características, ela é infraestrutura, ela é base. Para quê? Para você acelerar a biotecnologia, para você acelerar a robótica, para você acelerar a manufatura, para você acelerar a agricultura, para você acelerar a educação, para você acelerar serviços. Isso é a forma como a gente tenta se posicionar. Então, dando um exemplo claro.

que aconteceu com a Grids em 2018. Hoje, se você for comprar um óculos da Meta, aquele óculos de realidade aumentada, que filma, fotografa perguntas e respostas, você tem uma forma de calibrar o menu desses óculos usando só o movimento dos dedos.

Esses óculos vêm com uma pulseira que você coloca e que com um simples mover dos dedos, você consegue navegar o menu desses óculos para escolher que função você quer usar. Pois bem, em 2018, essa empresa chamada Control Labs, era uma empresa do nosso portfólio, que foi adquirida pela Meta.

Então lá em 2018 a gente teve a percepção de que em algum momento dos próximos 5 a 10 anos vai ter um produto de consumo que vai começar a utilizar essa tecnologia de interceptação das suas ondas neurais até o músculo da sua mão.

Esse tipo de insight, esse tipo de acesso para onde as coisas estão caminhando é uma das principais características do mundo no qual a gente está imerso. A gente conseguir tentar enxergar para que lugar, para que lado o vento está soprando, seja numa indústria de eletroeletrônicos, seja numa indústria de semicondutores, seja numa indústria de medicina, seja numa indústria de telecom. Esse que é o dia a dia do nosso negócio. Então me responda com sinceridade.

Se bem que se não for sincero, não vou saber. Mas alguma coisa que está acontecendo agora te surpreende? Porque a gente acaba sendo muito surpreendido porque talvez a gente não esperava. Mas você deu um exemplo que para mim é muito claro. Um óculos de realidade aumentada.

que já tinha comprado uma empresa em 2018, então vocês meio que já... Não que vocês sabiam que isso ia acontecer, mas talvez na brincadeira da inevitabilidade, vocês acreditavam que era inevitável que isso fosse acontecer. Algo que está acontecendo nos dias de hoje, nessas mudanças, algo te surpreende?

Tem uma coisa que consistentemente me surpreende e que está ligada, eu acho, à invasão que a gente viu no mundo de acesso irrestrito a mídias sociais com qualidade duvidosa.

que é o fato de a gente viver num mundo com a maior facilidade da história para você acessar informação de qualidade, para você acessar pessoas interessantes falando coisas interessantes, para você conseguir ter educação sem precisar necessariamente ter capital.

está localizado perto de um centro acadêmico de excelência e sem necessariamente ter tido uma preparação prévia, você pode estudar hoje o que você quiser com o auxílio de tutores inteligentes, e você tem uma produção consistente de bobagens que tem repercussão nacional ou internacional.

Sem precedentes. Então, essa é a parte desse arco da evolução, do arco do progresso, que mais me surpreende e mais me incomoda. Por quê? Porque se você pegasse uma máquina do tempo e andasse 50 anos para trás,

E dissesse para as pessoas que vocês vão ter uma ferramenta no bolso, que todo mundo vai ter acesso para poder acessar sites de conhecimento gratuitos, educação das melhores escolas do mundo, com os cursos colocados online, sem custo. É um assistente inteligente para quem você pode fazer perguntas, mostrar um exercício, te mostrar como é que é resolvido. E essa pessoa, ao mesmo tempo, tivesse que entender Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk

E tem gente que acha que a Terra é redonda, desculpa, que a Terra não é redonda. Tem gente que acha que vacina não ajuda. Tem gente que acha que existe algum tipo de dúvida sobre a eficiência de um método científico provado, comprovado ao longo de décadas.

a pessoa te dizer, tem alguma dissonância cognitiva. Essa é a parte que eu não canso de me surpreender e que eu acho que fala muito sobre a natureza humana, infelizmente.

Você foi falando, me lembrei do... Tem um meme na internet do... A inteligência artificial vai dominar o mundo. Aí embaixo, brasileiros usando inteligência artificial. Aí é o Silvio Santos cantando Switch Iron Mind. Sabe? Acho que é o tipo de coisa que... Talvez entra no hall de besteiras aí que você associa.

Mas, Gui, então, mudando a pergunta agora, já que o que te surpreende está muito mais no lado humano do que das novidades, quando a gente olha para 10 anos para frente...

Qual é a mudança tecnológica que talvez a gente ainda esteja subestimando, mas pode alterar completamente a forma como a gente vive, como a gente trabalha, como a gente investe? O que já dá para dizer de fato ou fake olhando 10 anos para frente?

Muita gente que tentou fazer previsão sobre 3, 5, 10 anos, muita gente muito qualificada, entrou para a história fazendo previsões totalmente equivocadas. Tem histórias de pessoas que acreditavam que os automóveis iam ser um mercado minimamente bem sucedido. Gente que falou que o mundo não ia precisar de mais do que 5 computadores.

que mais do que 640 kilobytes de memória era um desperdício, e principalmente uma frase que um dos pais da cibernética falou, que eu acho que é a mais interessante desse grupo, que é nós sempre superestimamos os próximos 12 meses e nós sempre subestimamos os próximos 10 anos.

E essa frase tem um mapeamento perfeito para o mercado, para o nosso mercado. A gente olha para o mercado líquido e faz projeções para os próximos 12 meses que é muito comum serem superestimadas. O hype cycle no qual você acaba entrando em várias tendências tecnológicas. Isso aconteceu com multimídia, aconteceu com robótica, aconteceu com múltiplos tipos de inovações. Mas quando a gente está falando de 10 anos,

A gente está, em geral, subestimando o que acontece. E esse risco é um risco que todo mundo que investe em tecnologia corre. O que eu posso te dizer é que dentro das inevitabilidades, a gente vê algumas curvas que estão apontando para uma década.

com robôs inteligentes, não necessariamente humanoides, antes que se pergunte, que muita gente fala, todos os robôs com forma de... Eu não sei se esse é o padrão, eu acho que a gente devia aproveitar para tarefas específicas, formatos específicos, eu acho que um robô humanoide...

é muito menos apropriado para aspirar um tapete do que um robô redondinho com aquelas pás que ficam girando em alta velocidade, como um exemplo. Em 1980, um quilo de carga custava 100 mil dólares para você mandar para o espaço. Hoje,

Com menos de mil dólares, você manda esse mesmo quilo para o espaço. Então, o que isso te diz? O espaço ficou acessível. Então, a gente está falando, sim, de uma década onde a gente vai começar a pensar em mineração fora da Terra, onde você vai poder ter uma economia que funciona no espaço.

Não estou falando de Marte e além, porque as distâncias e a tecnologia que a gente tem para chegar lá ainda são incompatíveis, mas Lua e a órbita da Terra, tanto a órbita baixa quanto a órbita geostacionária, são indústrias que vão se criar.

A automação, o uso de AI no dia a dia, tanto dos indivíduos quanto das instituições, isso são coisas que vão se tornar, nessa próxima década, comuns. Tão comuns quanto, por exemplo...

Um exemplo que eu gosto de dar é o seguinte, talvez 100 anos atrás, se você fosse para um hotel um pouquinho mais remoto, você tinha que perguntar se ele tinha luz elétrica, mais afastado, a inovação da eletricidade foi final do século XIX, você perguntava. Aí, talvez há uns 20 anos atrás,

Quando você vai para um lugar mais remoto, você pergunta, tem Wi-Fi? Porque é mais remoto, o sinal não chega e tal. A gente está entrando na fase, daqui a muito pouco tempo, que você vai perguntar, usa AI? Por quê? Porque o default vai ser usar AI. Tudo.

Desde um termostato até um relógio, até o seu telefone, até a sua TV, até a forma como você vai, seja com dispositivos embutidos ou óculos ou coisas do gênero, ter esse tipo de contato. Então, essa década que vem é uma década de aceleração excepcional dessas tecnologias ligadas a semicondutores e a inteligência artificial.

É uma década que vai abrir o espaço com uma nova economia, uma nova vertical de economia para investimento, para dívida, para equity, para projeto de corporate finance, para tudo isso. E é uma década onde você vai ter finalmente, eu acho, tratamentos...

altamente eficazes para doenças que desafiam a ciência há mais de 100 anos, como, por exemplo, doenças neurológicas, doenças oncológicas e doenças autoimunes. Isso que é a minha impressão que a gente vai ter ao longo desses próximos 10 anos.

Eu fiquei brisando aqui com o espaço. Quanta coisa que a gente poderia mandar para o espaço. Não estou nem falando de pessoas, estou falando mais de... Assim, poluição, acho que é um problema que... É algo que se escala, como até você disse, o mundo agora não é mais rural, é urbano.

A gente consome, a gente gera muito lixo, então o espaço pode ser até uma solução para isso. Hoje, existe alguma forma no mundo deep tech, ou até de maneira geral, de se expor?

Há essa tese que não é mais global, agora é investimentos universais? Já existe alguma coisa? Eu não sei se investimentos líquidos, se você tem algum ETF de espaço, alguma coisa assim, é possível, mas eu acho que é inevitável, especialmente com o IPO da SpaceX que se aproxima aí velozmente.

de você ter uma série de ativos que vão ter listagem em mercado, seja via dívida, seja via equity, que vão estar fazendo esse play. E tem, obviamente, os players menos óbvios, mas players que estão, de alguma forma, envolvidos com essa indústria, seja desenvolvendo equipamentos para naves e para sondas e para satélites e para foguetes, seja para novas empresas que vão fazer parte desse mercado. Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk

O Gui, e um cara que estuda tanto assim o futuro, você se considera uma pessoa otimista ou pessimista com as coisas que você estuda? Pensando para a sociedade de maneira geral, o quanto que essas... Obviamente, a gente está buscando sempre melhorar a vida das pessoas, mas empregos ficarão pelo caminho, talvez cidades ficarão pelo caminho. Como é que você faz o balanço disso?

20 anos trabalhando com risk management e foco em mercados emergentes fazem você ficar extremamente cauteloso com tudo. Então essa disciplina, esse DNA de pensar no que pode dar errado antes de pensar no que pode dar certo é second nature para mim. É como eu penso em tudo. Eu brincava na época de alocação que nenhum cliente nunca me ligou para reclamar que as coisas estavam indo bem.

Então esse risco você não tem. Se a coisa está indo bem, ninguém vai te procurar para dizer pô, está indo bem, como assim? Você tem que se preocupar para quando as coisas estão indo mal. Então como é que você faz isso?

protege o seu investimento, você protege as suas teses para o que pode dar errado. Então, eu acho que existe uma tendência natural a gente acreditar que dessa vez vai ser diferente. Essa é uma coisa que a gente já ouviu, quem está no mercado há tanto tempo, quanto certamente eu e você.

Já ouviu milhões de vezes, dessa vez é diferente, essa história agora não é bem como era antes. Então a turma justificou tudo, no crash de 29, no crash do Nasdaq, nos mortgages, todas as grandes crises que ocorreram, elas são crises que nasceram dessa frase, ah, dessa vez é diferente. E com AI, a gente está vendo essa conversa de novo, não, dessa vez é diferente.

Olha só, é uma nova tecnologia de propósito geral, como foram os transistores.

é uma nova forma de você se relacionar com o mundo, está tudo certo. Agora, existe um fio condutor que leva todo esse arco histórico, que são nós, somos as pessoas. Essas pessoas são pessoas que estão criando essas tecnologias. Existem, claro, agora as pessoas que estão com essa tese de que essa tecnologia pode nos dominar, essa tecnologia pode subverter a lógica e tal, que é uma conversa que...

Principalmente quando a gente fala de Physical AI, que é uma tendência dos próximos 5, 6 anos, que é trazer a AI para entidades físicas, robôs, equipamentos, etc. Começa a ganhar corpo, armas autônomas e tal.

Então, onde eu tenho muita preocupação é na incapacidade que as instituições regulatórias, governamentais, sociedade civil podem ter de conseguir se colocar à frente desses movimentos de mudanças, à frente dessas acelerações todas.

Eu vou confessar para você, Gui, que eu fiquei preocupado conversando com um amigo meu do mercado que é super estudioso sobre AI. Eu nem considero mais ele do mercado, eu acho que ele é um cara que vive um mundo de inteligência artificial e presta serviços para o mercado. Inclusive, ele já ajudou bastante a gente aqui no Market Makers.

E quando ele foi mostrando uma reportagem que estava falando das inteligências artificiais que estavam sendo criadas para interagirem entre si,

E aí eles começaram a usar um idioma próprio até para os humanos não entenderem o que eles estavam conversando. Eu falei, não, cara, espera aí, isso aí é mentira, não é possível. Onde é que isso vai chegar? Até que ponto? Por isso que eu perguntei sobre o otimismo e o pessimismo, porque isso me deixa um pouco cauteloso, assim, de quem que vai controlar, quem que vai regular.

Algo que, pô, eu não sei se precisaria de uma regulação, porque acreditar no bom senso do ser humano, eu não sei se é uma boa, enfim. Como é que você vê isso? É algo que a gente precisa se preocupar para já, ou pode esperar mais um mês ou dois, né? Porque do jeito que as coisas são muito tão rápido, não é muito tempo.

Da mesma maneira que quando a gente fala de evolução natural, você nunca pode falar para, por exemplo. Você não fala assim, a girafa desenvolveu um pescoço mais alto para comer as folhas que estão no alto das aves. Não. O processo de seleção natural foi tal que girafas com o pescoço mais alto tinham mais probabilidade de sobreviver, passaram genes e estão aí.

AI's não desenvolveram uma linguagem própria para os humanos não saberem. AI's desenvolveram uma linguagem própria para aumentar a sua eficiência de comunicação interna.

Pode ser que você tenha um ângulo que o treinamento das AI, dos grandes modelos de linguagem, ele foi feito com texto da internet. Texto da internet com grande ênfase no Reddit, que aqui no Brasil não é tão usado, mas que lá fora é um fórum de perguntas e respostas sobre qualquer coisa. Você pode buscar qualquer tema que você vai achar lá. Então, quando a gente fala de AI treinados no Reddit,

Você está falando de um jogo de imitação. Você está falando de alguma AI que foi treinada em algum thread do Reddit que dizia que as máquinas vão dominar o mundo e não vão querer que os seres humanos interfiram. E aí o cara foi lá, ao criar esse idioma próprio, alguma AI repetiu o que leu. Então essa ideia romantizada de que a AI tem uma consciência e está plotting against humanity, está criando uma trama contra a humanidade, ou seja,

Essa eu acho que é uma tese que a gente não precisa subscrever, mas o efeito prático de você deixar as EIs com autonomia para mexer nos seus e-mails, mexer nos seus arquivos, para eventualmente fazer armas autônomas, para eventualmente tomar decisão sobre qual é o alvo de um determinado míssil, de uma determinada bala.

Essa é a hora em que você pode ter, aí sim, a AI fugindo do seu controle. Porque enquanto você mantém ela dentro do cercadinho dela, fazendo as coisas que ela pode fazer, mas com as permissões limitadas, você tem a...

ingerência sobre até onde aquilo vai. É que nem um funcionário que você contrata e que você dá a senha master para o cara deletar todos os arquivos de todos os seus podcasts. Você não vai fazer isso com uma pessoa que chegou ontem na empresa. Você vai fazer isso com os seus caras mais sêniores.

Você tem que pensar em AI nessa forma. Você tem que dar os graus de acesso às agentes de AI, que a gente hoje está vendo muita gente falar, elas são um passo na direção de você dar autonomia para esses elementos e é onde o risco vai aumentar.

É onde você vai começar a ouvir as histórias de arrepiar os cabelos, de você ver que alguma AI acabou fazendo uma bobagem que fugiu do controle do usuário, mas por quê? Porque é um código que não foi bem executado. Como a gente viu naquelas DAOs, aquelas entidades que são movidas a blockchain, que quando você erra a codificação dela, as pessoas perdem milhões de dólares, porque tem um bug no código e o blockchain não funciona mais.

É a mesma coisa com a AI, só que isso numa proporção agora infinitamente maior, porque, é o que a gente falou, isso vai estar permeando toda a nossa vida. Vai estar permeando todos os nossos equipamentos, todas as nossas interações.

enquanto você falava do this time is different, né? Eu até fui procurar a referência do... Falando que as quatro palavras mais perigosas do mundo dos investimentos são, desta vez é diferente. Mas também as doze palavras mais perigosas do mundo dos investimentos são, dessa vez... As quatro palavras mais perigosas do mundo são, desta vez é diferente. Então, que também ficar repetindo isso... É isso aí. É o grande problema. É isso aí. Brasil. Como o Brasil está inserido......

no mundo Deep Tech? Você investe no Brasil? O Brasil, não sei se deve ter muitas empresas disso, mas acredito que talvez um trabalho acadêmico, enfim, você saiu, né, os seus estudos saíram do Brasil, né, então como é que o Brasil está inserido nesse mundo Deep Tech?

O Brasil, em Deep Tech, está, não surpreendentemente, também num paradoxo. Se você olhar o ranking dos países que mais são publicados e citados em artigos acadêmicos de qualidade,

De um conjunto de 194 países, o Brasil consistentemente fica entre 14 e 15, está muito bem colocado. Então, em termos de instituições de ensino, professores, alunos de graduação, pós-graduação, o Brasil é um celeiro de excelência.

E aí não estamos falando de matérias ou de temas quaisquer, estamos falando de temas ligados à alta tecnologia. Estamos falando de física, química, matemática, engenharias e coisas do gênero, que são as molas mestras de Deep Tech. Pois bem. O problema é que quando a gente olha para o Brasil sob a ótica de investimento e de negócios,

O Brasil figura muito mal em rankings de competitividade. O Brasil é estruturalmente um país onde é difícil fazer negócio. Por questões burocráticas, por questões fiscais, por questões trabalhistas, por questões de impostos, por questões operacionais, é um país de difícil navegação para todo empresário, para toda empresária. Sempre foi um país convoluído, um país complexo.

E dentro do nosso mercado de Deep Tech, o que acontece? Se você tem um pesquisador, um professor, um acadêmico, um cientista, que entende que tem na mão algum tipo de tecnologia que pode ser competitiva, que pode ter aplicabilidade, seja para um produto, para um serviço ou para ambos,

Essa tecnologia já nasce, ao contrário do mundo tech-enabled, ela já nasce competindo globalmente. Por quê? Porque o mundo tech-enabled no Brasil, as startups que estão trabalhando com tecnologia soft tech,

elas estão tentando endereçar questões no Brasil, sejam questões jurídicas, sejam questões trabalhistas, sejam questões fiscais, sejam questões contábeis, mas são questões nossas, são demônios criados por nós mesmos, pela nossa legislação, pela nossa cultura, por uma combinação de ambas. As nossas jabuticabas. Por exemplo.

Ao passo que quando você está falando de Deep Tech, você está falando de uma nova molécula, uma nova proteína, uma nova placa, um novo circuito, um novo algoritmo, uma nova metodologia que independem do lugar onde isso aconteceu. Então a competição, como eu falo, é global, é instantânea, é imediata. E aí nessa hora não é só mais a ideia daquela startup que conta.

É a ideia e todos os atores e todo o ecossistema que está em volta para aquela ideia poder prosperar. Investidores, governo, fomento, impostos, ecossistema de inovação. Isso tudo faz com que, no Brasil, inovar em Deep Tech seja particularmente difícil.

Temos startups de deep tech? Com certeza. Eu ajudo a organizar anualmente o chamado Deep Tech Summit, que acontece na USP, e que ano passado...

reuniu mais de 2 mil pessoas. Caramba! Não só do Brasil, como a gente está tentando transformar esse evento num evento latino-americano. Já tivemos ano passado gente do Chile, do Uruguai, da Argentina, da Colômbia. E esse ano estamos expandindo ainda mais. Estamos trazendo uma pauta de inovação técnico-científica com, pelo menos para a América Latina, com um epicentro brasileiro, com um epicentro local.

É parte da motivação de eu fazer uma coluna semanal, de eu escrever um livro, de eu participar desse conselho que organiza o Deep Tech Summit, para tentar, apesar desse vento contra que sopra,

em função de todas essas idiosincrasias locais, permitir que a gente possa pegar aquele 14º lugar no ranking acadêmico que o Brasil tem e transformar isso em uma efetiva produção de riqueza para a sociedade. Por quê? Porque todo mundo sabe que uma startup que prospera...

ela gera emprego, ela gera tributo, ela gera inteligência, ela gera prosperidade de uma forma ampla. Então é um segmento que a gente quer e vai insistir em tentar ajudar aqui no Brasil. Que legal. E esse Deep Tech Summit reúne entusiastas ou tem também os investidores? É exatamente a ideia de juntar investidores, empreendedores.

e governo, para poder ter agentes de governo que participam ativamente para tentar criar a discussão e apresentar a relevância do tema para a academia e para a sociedade.

Aí você chegou num ponto que eu também já... Pô, tem muitas perguntas aqui. Pô, quero saber sua opinião sobre Elon Musk e tudo mais. Aquelas coisas que a gente comenta aqui, mas com o jaleco de investidor, né? Não com o conhecimento, talvez, do intelecto. Mas...

Como é que é a comunidade de investidores? A comunidade de deep tech em geral, né? Aqui, pô, estamos na Faria Lima, você sai para almoçar aqui, você vai ver o gestor do fundo de ações tal, que já veio aqui no Market Makers, o trader macro da gestora tal, aquela coisa... O terminal Bloomberg, todo mundo conversando ali, né? O que você está comprando, o que está vendendo.

A gente tem uma troca ali, né? Aqui no Market Makers mesmo, a gente tem o M3 Club, a nossa comunidade de investidores, mais de 500 pessoas conversam todo dia ali, mas está falando ali sobre o resultado da Petrobras, o resultado do Itaú e tudo mais. É uma troca de ideias, tem o estudo, mas...

você tem quase todo mundo olhando para a mesma coisa. Existe essa comunidade Deep Tech? Como é que é? Existe, mas obviamente com uma dinâmica bastante diferente. A primeira coisa é que no mundo de Venture Capital, isso não é nem algo só para Deep Tech, é uma coisa de Venture.

em geral, a comunidade de investimento é muito colaborativa porque o risco é sindicalizado. As pessoas não tomam posições, com raríssimas exceções, sozinhas numa empresa. Em geral, você vê uma ideia e você tenta montar uma participação, mas você tem gente ali que vai participar ou coparticipar com você. Ao mesmo tempo...

Em função da natureza do business de deep tech e da complexidade dos temas que estão sendo abordados, você frequentemente tem nichos de especialização. Então você tem lá a turma que está mais olhando para a biotech, a turma que está olhando mais para a robótica, a turma que está olhando mais para a astronautica, a turma que está olhando mais para a AI. Então isso também reduz um pouco o tamanho do debate.

E você tem uma terceira dinâmica, que é a dinâmica temporal, que é muito diferente. No mercado líquido, o mercado tem uma opinião sobre quanto vale um determinado ativo e essa opinião é refletida instantaneamente no preço que aquele ativo tem na tela. No mundo de venture capital e certamente de deep tech, você trabalha com base em valuations.

e com base em checkpoints. Então, o Tiago vai me dizer que ele tem uma ideia para uma startup de robótica, para fazer um robô que vai fazer uma determinada tarefa em ambientes tóxicos. Aí você vai me mostrar a sua ideia, para mim e para outros investidores. Alguns de nós vamos achar que a ideia é interessante. Vamos te dar um capital para você fazer um protótipo que consiga fazer...

os primeiros 10% do que você acha que a sua empresa deveria executar. Se você, daqui a seis meses, não apresentar um protótipo que execute os primeiros 10% do que você se propôs a fazer, a sua empresa acabou, a gente investiu numa ideia que não funcionou, e a gente vai para a próxima.

À medida que você mostra que você consegue executar, o seu valuation vai aumentando e o volume de dinheiro que você capta é maior. Mas veja, existe quase que um mecanismo de self-correction do investimento porque você só vai botando dinheiro em coisas que estão no caminho para funcionamento.

Isso é uma característica de Deep Tech. E essa comunidade, esses investidores que estão especialmente alinhados e que estão nos mesmos temas, eles trocam essas informações para tentar escolher e para tentar embarcar nessas tendências que a gente acredita, que vão ser as tendências que vão criar as empresas vencedoras nos próximos 8, 9 ou 10 anos, que é o prazo em geral que a gente tem para devolver o capital do cliente.

E como é que é o dia a dia de um investidor como você no sentido de atualização, acompanhamento? O que é o valor econômico do investidor Deep Tech?

É ficar além do trabalho de doutorado, mestrado, visitar faculdade, enfim. De onde você tira os insumos para encontrar as ideias de investimento? Essa é uma ótima pergunta. Existem dois modos de operação num fundo como o nosso. O primeiro modo de operação é o modo de acompanhamento do estoque de empresas. Quer dizer, onde você já fez um compromisso, onde você está apostando que aquela empresa, aquele empreendedor, aquele grupo vai...

convergir para algum lugar e que você tem uma obrigação de estar seguindo e acompanhando. De novo, não tem informação e notícia todo dia, não precisa, mas você tem que estar orbitando ali aquelas apostas para ter certeza que as coisas estão caminhando.

Tem lá um schedule, um calendário de eventos onde, nesse dia, aquela startup vai apresentar numa conferência de bio, como é que vai ser. Nesse dia tem uma empresa que vai mostrar para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos um protótipo do seu equipamento que pode gerar um contrato de milhões de dólares. Então, essa é a parte 1 da história, você acompanhar o que está acontecendo. E a parte 2, que é a pergunta que você fez, é...

E o que vai vir? Como é que você se posiciona para o que vai vir? Você se posiciona de dois jeitos. O primeiro jeito é tentar ouvir o que o mercado está te dizendo. E aí não é um mercado necessariamente líquido, mas é um mercado corporativo e um mercado de investimentos. Quais são as grandes tendências? É fertilidade feminina? É fertilidade masculina?

é eventualmente manufatura fina, é a química orgânica, é o desenvolvimento de telecomunicações para largas distâncias sem cobertura, são satélites. Então você começa a tentar ver quais são os grandes temas que são problemas ou que são dores que geram o tal do TAM, que é o Total Addressable Market, que é o capítulo 1 de todo mundo que está montando uma startup, para quem eu estou tentando fazer isso aqui, e você tentar ver...

dentro dessa dinâmica do que já existe, qual é o próximo passo? Porque essa é a lógica da tecnologia. A tecnologia é um processo que só conhece a mudança.

A única forma constante de você analisar tecnologia é analisando mudança, porque a definição do nosso mundo é transformação. Por isso que o livro chamava-se O Mundo Movido à Tecnologia, a tecnologia que está empurrando o mundo.

Você cria AI, você cria um LLM, você cria uma evolução de LLM, você cria um agente, você cria um conjunto de agentes, você cria agora um orquestrador de agentes e agora você vai transferir isso para inteligência física. E essa sequência continua. O nosso papel é olhar.

Qual é o próximo arco desse grafo aí? Qual é o próximo passo que esse tema vai correr? Seja em ciências da vida, seja em telecom, seja em robótica, seja em inteligência artificial. E é esse o movimento de investir. É você tentar entender se a sua narrativa que você desenhou na sua mente sobre para onde as coisas estão caminhando, ela encontra no mercado vetores que vão executá-la de uma forma adequada.

Bom, pela sua descrição e até pelo que eu percebi da sua paciência de estudar AI em 96 e está vendo isso tudo acontecer agora, quantos investimentos por ano você faz? Você costuma fazer muitos investimentos e até para explicar para o pessoal, você não investe só em empresas, você tem empresas no portfólio, mas tem também os fundos que investem em empresas. É isso, a ideia toda é que, e de novo o DNA de controle de risco, né?

A ideia toda que o investidor de venture capital tem de que ele vai achar o próximo Jeff Bezos, o próximo Musk, o próximo Larry Page e Sergey Brin investir na startup que vai virar a Google, a SpaceX ou a Amazon.

é uma ideia, no mínimo, ingênua. Até porque a probabilidade de você acertar um decacórnio como esse em um mar de oportunidades que aparecem, ela é extremamente pequena. E no mundo de Deep Tech, existe uma característica ainda mais interessante, que é a seguinte.

Se você é um PhD formado no MIT, em Stanford, Harvard, Berkeley ou Caltech, e você precisa de financiamento para a sua startup no primeiro round, não é segredo nenhum para nenhum investidor onde encontrar esses ativos extremamente qualificados, esses PhDs com altíssima qualidade.

Então, se fosse só isso, você postava uma equipe na porta dessas universidades, olhava no calendário quem estava defendendo tese, em que sala, ia para a sala, quando o cara acabasse a defesa de tese, se dava para um cheque de 500 mil dólares e falava, olha, agora eu sou investidão na sua startup. Obviamente, isso não funciona. Por quê?

Porque esses PhDs, esses pós-PhDs, esses empreendedores em Deep Tech, eu falo muito dessa formação, porque para você montar uma startup de Deep Tech, em geral, você precisa ter uma qualificação acadêmica diferente. Não dá para chegar e ser um drop-out da universidade e falar agora eu vou criar uma molécula nova para combater o câncer. É difícil que isso seja verdade. Mas essas pessoas...

essas pessoas não querem só o dinheiro. Elas querem alguém que tenha, no caso, por exemplo, de biotec, elas querem alguém que tenha conexão no board da Pfizer, alguém que já tenha participado do board da National Foundation of Science, alguém que possa caminhar lado a lado explicando os desafios de você criar uma plataforma de genômica para poder depois vender para um grande player.

Então é mais do que dinheiro, é quem traz esses intangíveis, é escolher quem são os investidores com esse expertise, que por sua vez você não encontra em cada esquina. São skills que demoram para você desenvolver. Então quando a gente se deparou com essa realidade, a gente falou.

Qual é a competitividade que o sujeito aqui da Faria Lima vai ter de olhar no olho de um investidor e dizer eu estou escolhendo as melhores deep techs dos Estados Unidos, que é o nosso foco, a gente tem até coisa fora dos Estados Unidos, mas o foco é lá. Eu estou escolhendo as melhores deep techs para você. Quão competitivo eu sou?

para um recém-graduado de engenheiro aeroespacial, que quer montar uma constelação nova de satélites, e que vai falar, não, legal, você tem dinheiro, mas eu também tenho dinheiro aqui do cara que foi 10 anos da NASA, hoje em dia trabalhou mais 5 na SpaceX, e que agora é um investidor dedicado à engenharia aeroespacial.

Não tem sentido esse empreendedor querer o meu dinheiro. Ele quer o dinheiro desse cara. Então a lógica da Grids Capital é eu vou alocar...

que é uma coisa que eu faço, de novo, desde 1998. É uma coisa que eu faço há muito tempo. Eu vou alocar nos melhores fundos de Deep Tech, very early stage, que são os caras que vão pegar essas empresas de biotech, de AI, de robótica, de novos materiais, de energia e etc.

E eu vou deixar essas empresas fazerem o papel delas de atrair os melhores empreendedores. Quando isso acontecer, eu vou poder me dar o luxo de selecionar aquelas que eu acho que tem mais perspectiva de sucesso.

E aí sim, fazer o investimento direto. E é por isso que a nossa taxa de mortalidade é muito baixa. A gente não está olhando para o topo do funil. A gente está olhando para o funil já filtrado por alguns dos melhores investidores de alta tecnologia do mundo. Cara, que loucura. E assim, eu fico pensando também que...

É um trabalho que não dá nem para você montar uma equipe tão grande. Eu imagino que na Grids deve ser você... Nem sei se você tem equipe, porque é quase como... Não tem como você reaproveitar um analista que olha para um determinado setor e olhar para outro. Você precisa ter ultra especialistas em cada setor. Como é que você resolve isso?

É exatamente isso. A gente tem aqui uma equipe, um núcleo aqui no Brasil de três pessoas, que sou eu, a minha sócia, que é minha irmã, que trabalha comigo na Grids, e a nossa secretária barra diretora de operações. E a gente tem um grupo de consultores especializados em temas ligados às nossas teses.

que estão disponíveis para nos atender na medida em que a gente tem empresas que a gente queira que eles analisem. Então, para dar um exemplo de robótica, digamos que eu estou olhando para uma empresa de robótica que está baseando toda a sua tese de investimento numa certa patente que eles registraram durante um doutoramento.

Eu vou querer que alguém mais qualificado que eu em robótica olhe para essa patente, olhe para todos os riscos que você tem ao ancorar uma tese em cima dessa patente e me diga, olha, com base nisso eu acho que o seu investimento faz ou não sentido.

E a gente teve uma ocasião, só para dar um exemplo, para você ver como essa comunidade, como o ar é rarefeito nesse mundo. Em que eu fui falar com o nosso consultor, eu falei, olha, eu queria que você olhasse a patente número tal, etc, etc, etc. E depois me dissesse se isso faz sentido, porque a gente está olhando para um potencial investimento. Aí ele falou assim, olha só, eu não preciso olhar.

Porque eu participei dessa pesquisa quando eu estava não sei aonde, eu conheço o cara que fez o depósito da patente e tal, e eu acho que isso é um produto que vai ter isso, isso e isso. Então, é um mundo que você começa a esbarrar nas pessoas, nas mesmas pessoas, que é muito comum no nosso mundo de investimentos. Você começa a falar e atingir uma certa massa crítica, você começa a voltar para as mesmas pessoas. Por quê? Porque não tem tanta gente boa, não tem tanta gente qualificada.

assim e dentro do que a gente está se propondo a fazer, a gente só quer dar acesso, só quer dar exposição para o que tem de melhor para o nosso investidor. Hoje você é obrigatoriamente generalista dentro desse mundo Deep Tech. Correto, correto. Mas quando você não era, o que você mais gostava de olhar? Tem algum segmento que você gosta mais, que você até hoje estuda mais, enfim?

Eu acho que a gente tem mais conforto naquilo que a gente sabe mais. Então, no início, por exemplo, tudo que estava ligado a semicondutores, software, algoritmo e coisas afins, que foi a formação acadêmica que eu tive das duas engenharias, era zona de conforto para mim.

E agora, especialmente nos últimos sete, oito anos, com a quantidade de investimentos em ciências da vida que a gente fez, hoje em dia eu tenho uma predileção por temas ligados a ciências da vida, porque eles são temas que passaram a fazer parte, a incorporar tudo o que a gente viu antes. Então, todas as inovações de software, de hardware, de algoritmo, de AI, agora está impactando essa área de ciências da vida. Então, são as coisas que eu gosto muito.

Ciências da vida seria exatamente... Diagnóstico, terapia, equipamento médico, descobrimento de novas drogas, tudo que tem a ver com biologia ou a combinação da biologia com essas outras áreas. Hoje o fundo dá para dividir em caixinhas quais setores que vocês têm mais participação? Sim, porque, de novo, a disciplina de risco, a gente limita os setores, a gente não quer ter exposição mais do que 30% em um único setor, a gente quer ter um mínimo de diversificação.

Então eu te diria que os principais setores que a gente tem, olhando através de todos os fundos, são infraestrutura, barra inteligência artificial, são em ciências da vida, é uma área importante para a gente, e defesa e aeroespacial. Acho que são os três hoje temas que a gente tem maior exposição dentro dos portfólios. Eu vou querer ouvir uma tese de cada um deles, mas antes...

Estamos vivendo um momento de muita valorização das ações listadas. O valor de mercado das empresas, principalmente ligadas à tecnologia, está absurdo. O valor de mercado do S&P em relação ao resto do mercado...

Está absurdo. Os investimentos que elas vão fazer, parece que vão ser cerca de 800 bilhões de dólares investidos nesse ano, já foi 450 bi ano passado, então um número crescente, sei lá até onde que ele pode ir.

e aí sempre vem, pô, será que é bolha? Será que não é? Eu gostaria de ouvir sua opinião sobre isso, mas também queria ouvir sua opinião sobre o quanto isso impacta o seu mercado, porque querendo ou não, para o investidor de Venture Capital é bom que o mercado está em bolha porque você vai vender as suas empresas num preço melhor ou é ruim porque até dificulta na hora de você fazer um valuation de uma empresa que você quer comprar.

lembrando que você está perguntando isso para um cara de risco eu enxergo bolhas com alguma regularidade porque a gente tem uma preocupação natural e a gente viveu isso o nosso fundo 2

ele nasceu no auge da euforia de venture capital, que foi em 2020, onde você tinha gente fazendo deals em empresas dando 50, 100 vezes revenue. E é o fundo que eu até, quando eu faço um pitch, é o fundo que eu mais gosto de mencionar para os investidores, para dizer, olha, no meio dessa confusão, no meio dessa bolha, no meio daquela euforia, a gente montou uma carteira que tem como principais posições. Andoril, Hugging Face, Applied Intuition, que são empresas...

que a gente pode falar daqui a pouco, mas que tem uma perspectiva extraordinária. Então, no fundo, ainda assim vai dar um bom resultado. Então, hoje, quando a gente olha para isso, é muito difícil não fazer um paralelo com o que a gente viu de investimento na época da internet. Quando a turma investiu centenas de milhões de doses em fibra ótica e não havia tráfego para ocupar isso tudo.

mas que hoje está mais do que justificado. Estamos até precisando de mais. Então, existe acho que um cenário, e o cenário que me preocupa é o seguinte. Todos esses investimentos e toda essa arquitetura que está sendo hoje colocada no lugar é uma arquitetura que...

Assume que AI vai continuar sendo processada do mesmo jeito. Ou seja, que você vai precisar de GPUs, que você vai precisar de bilhões de processadores, que você vai precisar de conjuntos de treinamento cada vez maiores e que você vai precisar de uma sofisticação e de uma demanda energética crescente. Eu não sei se isso é verdade. Eu não sei se nos próximos...

12, 24, 36 meses, você não vai ter novas arquiteturas de software e de hardware que vão botar esse modelo de ponta cabeça, vão dizer, não, eu consigo criar uma estrutura de LLM usando...

menos GPUs, ou usando menos energia, ou mudando a forma como essas GPUs se comunicam, ou mudando a arquitetura como o software que comanda esse hardware se estrutura. Minha experiência é que isso vai acontecer, porque historicamente a evolução dessas estruturas em todas as áreas sempre foi uma coisa muito natural. Ao mesmo tempo, a gente está lidando com eco...

com o mesmo fenômeno que a gente lidou na época da eletrificação do mundo, onde você tinha que passar o cabo. Você tinha que passar o fio elétrico, porque você tinha que eletrificar o mundo. O que está acontecendo agora com a AI é isso, a gente está passando o cabo, a gente está exificando o mundo.

E isso é um investimento que é inevitável, porque o mundo vai ter uma companhia de E.A. em todas. Então, para quem está investindo no mercado líquido, vai ver essa resposta muito nervosa do mercado, que obviamente vem seguindo uma euforia importante, que eu não tenho nenhuma capacidade de dizer até onde vai, ou se tem algum tipo de racionalidade, a indicação histórica que a gente tem.

É que alguma hora essa música para, alguém vai olhar em volta e fala, mas espera aí, e a receita que isso devia estar gerando, cadê? Ah, vamos esperar. No que o cara fala, vamos esperar, os preços vão mudar de patamar, os múltiplos vão desinflar, e aí você vai ter uma espera. É notório, acho que a Cisco levou do raio dela, da bolha da internet.

para voltar ao mesmo patamar pós o estouro da bolha, acho que foram 15 anos. E 15 anos, em qualquer horizonte de análise, é longo prazo. A gente fala de investir no longo prazo, etc. Mas 15 anos é um belo longo prazo para você empatar.

E não é isso que o investidor quer. Lógico. Então, eu tenho para mim que você vai ter um reckoning em algum momento, mas eu tenho para mim também que esses investidores, esses investimentos que os hyperscalers estão fazendo, são os equivalentes que a gente viu pela Westinghouse, General Electric e a Finch, onde falaram, o mundo vai precisar estar eletrificado. Eu vou ser o cara que vai botar o CAPEX para fazer isso acontecer. Eu acho que é exatamente a mesma história.

Quando você falou da bolha e se é bolha ou não, o Rui Alves, num podcast, fez uma definição muito legal que ele disse que bolha é o bull market que você está de fora. Acho que é uma boa forma também de enxergar. É, boa, Pedro. Mas e, então, aí trazendo para o seu mundo, o quanto isso te ajuda ou te atrapalha? Sim.

Então o que acontece? Quando você investe muito no early stage, como é o nosso caso, ou seja, empresas que estão recém-formadas e ainda não tem um produto, ainda não tem o product market fit e estão ainda tentando encontrar a sua viabilidade, a influência que o mercado líquido tem...

é limitada, porque você pensa em venture capital, pensa em investimento de uma empresa como uma pilha de estágios. Então o cara está aqui no pre-seed, seed, série A, B, C, D, E, pre-IPO e IPO. Pensa que é isso. O que acontece aqui em cima no mercado líquido obviamente repercute embaixo, só que...

vai sendo atenuado. É cada vez menor. Então, para quem está aqui embaixo, se você olha inclusive para histórico de valuation de empresas, seja em época de bolha, seja fora de época de bolha, a sensibilidade que as empresas aqui na base da pilha têm para isso é baixa. E é onde vocês estão.

que é onde a gente está primordialmente. Agora, obviamente, à medida que as nossas empresas vão amadurecendo e vão subindo, isso começa a ficar importante. Então, eu te diria o seguinte, que é ruim para a turma que está chegando na fila, na porta, ou do M&A ou do IPO, isso é ruim.

Porque enquanto a música dura e ela conseguir eventualmente uma saída, um IPO legal, mas ninguém aqui consegue fazer timing disso, impossível. Você dizer, ah não, eu vou fazer isso agora porque daqui a seis meses isso vai valer menos. Então é difícil. Então é um risco que elas correm. Mas quanto mais no início aqui do stack você está, menos isso é importante.

Eu fiz uma pergunta que acabou ficando sem resposta da quantidade de investimentos que você faz por ano. Você tem alguma noção disso? Claro, lógico. Então o que acontece? A gente tem um híbrido entre os investimentos via fundos e os investimentos diretos. Lembra que a gente tem uma estratégia que não só dilui o risco do investidor, porque a gente tem agora umas 300 empresas por portfólio, é o número que a gente acaba tendo.

Sendo que dessas 300, tem umas 20 que a gente escolhe para fazer diretamente. E essas 20, elas acabam vindo em média entre 5 e 7 por ano. A gente faz investimentos diretos num ritmo que, em geral, de 5 a 7 nomes que a gente acrescenta no nosso portfólio de investimentos diretos todo ano.

E vamos falar de alguma dessas empresas? Pega lá da caixinha que você falou que são as maiores exposições, uma de cada uma dessas caixinhas, mas pode contar com detalhe, porque eu tenho certeza que a maioria aqui não vai conhecer ela. Se eu até conhecer, melhor ainda.

Então vamos lá, deixa eu começar por uma empresa que é uma exposição grande para a gente, chamada Anduril. Anduril. A-N-D-U-R-I-L. A Anduril é uma empresa que foi fundada por um sujeito chamado Palmer Luckey. O Palmer Luckey é uma figura que para quem acompanha tecnologia é um cara já conhecido, por quê? Porque foi ele quem vendeu.

a óculos para a meta, naquela época que a realidade virtual

A Control Labs? Não. A Control Labs foi comprada pela Meta também. A Oculus era aquele capacete de realidade virtual. A empresa chamava Oculus. A empresa chamava Oculus. Ah, tá. É, O-C-U-L-U-S. Exatamente, Oculus. Então, e o Palmer Luckey fez essa venda e depois ele resolveu criar uma empresa de defesa para o século XXI.

ele entendeu que a forma de defender uma nação, no caso Estados Unidos, que era vigente naquele momento de fundação da Andoril, que eu acho que foi em 2019, era algo que não fazia mais sentido. Essa ideia de porta-aviões e jatos e coisas criadas para serem manejadas por pessoas e não fazia mais sentido.

Não era mais como o mercado bélico deveria se comportar. Ele criou Andoril para criar os instrumentos de defesa militar do século XXI.

Essa empresa é uma empresa que, e o número pode notar exatamente preciso, mas essa empresa entrou no nosso portfólio, eu posso estar enganado, mas acho que foi alguma coisa como 30 milhões de dólares de valuation, na primeira vez que algum dos nossos fundos fez uma alocação.

essa empresa está fechando uma rodada isso é informação que está na internet é pública, então não tem problema ela está fechando uma rodada agora a 60 bilhões de dólares de valuation

E também uma informação que está, para quem quiser ler, ela dificilmente ultrapassa 2027 sem virar uma empresa listada. E aí eu também não acho, na opinião pessoal, eu não acho que o IPO dela é num valuation abaixo de 100 bi.

Qual foi o valuation do primeiro cheque? 35 milhões de dólares. E essa é uma empresa que sozinha já é, graças à lei das potências de um fundo de venture, todo venture tem uma lei chamada lei das potências, que é o seguinte, você monta uma carteira,

E depois de um certo número de anos, um pequeno número de empresas responde pela esmagadora maioria do teu resultado. É a natureza de o vento, não tem jeito. Você não acerta 35 unicórnios num único fundo. Você tem lá, quando você está com a mão boa, você acerta dois ou três. Então, essa empresa sozinha é mais de 10% de um dos nossos fundos.

Pensa, uma empresa em 300, sozinha, 10%. Você vê o que isso é, como é a natureza de venture acontecendo.

E é importante deixar claro, ela tornou-se 10%. Tornou-se, exato. A gente não abriu a alocação em 10%. Ela virou. Por quê? Porque nós não temos um mecanismo infalível de prever quem vão ser os decacórneos do futuro. Se tivéssemos, primeiro não contaremos para ninguém. E segundo, a gente não teria que fazer 300 investimentos. A gente faria 4 ou 5.

Cara, e assim, eu estou... Eu uso uma ferramenta aqui meio antiga, chamada ChatGPT, porque eu fico até com vergonha de... Mas como eu treinei ele para conversar como se fosse alguém da bancada do Market Makers, ele estava me contando a história aqui da Anduril. Ela foi fundada em 17. 17. Ele foi para o Facebook, depois a venda, mas teve uma saída até por uma polêmica política, né? Porque ele apoiava... O nome Anduril vem da espada de Aragorn, do Senhor dos Anéis.

É da família do Palantir, que também está nessa árvore do Middleworth. Isso, e aí até a empresa acaba sendo até uma resposta para um pouco do diagnóstico que o Ocidente ficou lento demais para produzir armas modernas, enquanto China, Rússia, Irã e outros países investiam em escalas.

o ocidente ficou para trás, então acabou sendo uma resposta bem legal, tem até um contexto por trás, até político na empresa, e até tirar uma dúvida, né?

Obviamente, essas empresas, assim, não é simplesmente, opa, vou criar uma empresa de segurança. Isso tem que ter um alinhamento, até quem vai investir, quem vai estar por perto da empresa, tem que estar quase como, estou fechado com a USA, né? Não dá para investir numa empresa dessa e na semana seguinte pegar o avião para a Rússia, né? Imagino que deve ter alguma restrição nessa linha, né?

Tem, tem um documento chamado CFIUS, que é um documento que você tem que assinar quando você vai fazer algum investimento numa área estratégica para o governo norte-americano e algumas empresas que a gente investiu diretamente no passado exigiram que a gente assinasse esse documento, porque são empresas que têm uma componente de estratégia e de governança importante.

E também para ter esse documento, você tem que fazer para o merecer. Não imagino que seja qualquer um lá, opa, vou investir nessa empresa. Não, não, tem um background check, a turma faz o dever de casa, certamente. Tá. Outra empresa aí, agora... Vamos mudar de setor, vamos falar de agritech, vamos falar de tecnologia no campo. Então tem uma empresa...

que é um investimento direto nosso. Essa empresa, ela entrou no... Essa é uma história bem típica do nosso dinâmico. Essa empresa é uma empresa chamada Halter. H-A-L-T-E-R. Halter. Essa empresa é uma empresa que não é norte-americana. Essa empresa é uma empresa neozelandesa. Que ela apareceu num dos nossos fundos, num valuation que...

eu tenho quase certeza, era de mais ou menos 3 ou 3 milhões e meio de dólares. Ela apareceu no fundo em 2017. E alguns...

Acho que uns dois anos depois, ela apareceu para a gente com uma oportunidade de investimento direto, e a gente fez. E acho que esse primeiro investimento direto que a gente fez, ela estava em um valuation de 80 milhões de dólares já. Pois bem, o Founders Fund, que tem como figura mais proeminente o Peter Thiel, que é do PayPal Mafia e tal, acabou de liderar uma rodada na Halter, num valuation de 2 bilhões de dólares.

E o que a Halter faz? A Halter faz um sistema para fazendeiros utilizarem, que é um sistema que conversa com uma coleira que você bota nas cabeças de gado que você tem, sob sua responsabilidade, e que passa para você informações sobre a saúde e a localização de cada cabeça de gado, mas mais importante...

que permitem que você, remotamente, pelo seu telefone, você controle para onde cada cabeça de gado tem que se dirigir. Eles fazem isso porque essas coleiras emitem uma vibração ou de um lado ou de outro, que faz com que a vaca ou o boi seja compelido a ir na direção dessa vibração. Então você consegue, literalmente, posicionar o gado onde você quiser.

Então eles fazem isso para otimizar água, pasto, para reduzir a demanda de gente que tem que estar lá para tirar as vacas de um certo lugar e levar para outro. Acabaram com o emprego do cachorrinho pastoreio. É, o cachorrinho pastoreio é uma das vítimas de AI, que não está contabilizada em nenhuma estatística. E esse é um business que tem uma perda de cliente.

que é o único business que a gente viu até hoje que a perda é assim, de 0%. Eles não perderam até hoje clientes. Ou seja, o cara... O cara comprou a coleira inteligente da Halter... Acabou. Ele não vai embora. Não retrocede. A retenção do cara é de 100%. Eles começaram a Nova Zelândia.

depois eles foram para a Austrália agora estão nos Estados Unidos e a gente está em conversas e estamos fazendo a natural vinda deles para um país como o nosso que obviamente tem um mercado excepcional para eles

Então, basicamente, essa coleira é um produto, é uma assinatura? É, é um SAGE, quer dizer, é um CAL SAGE. Cada coleira que você coloca em cada cabeça, ela tem um custo mensal ou anual, depende do pacote que você faz. O software é a mesma coisa e, obviamente, é um business que quanto mais cabeças de gado usam a coleira, mais rentável esse business se torna.

Caramba. Simples, mas muito eficiente. E ainda mais um momento que a gente vive a necessidade de alimentar o mundo, o mundo ficando cada vez mais urbano, cada vez mais pessoas. É uma conexão puta bem legal. Inevitabilidade. E, assim, eu entendo encontrar Andoril.

Como se encontra uma router lá na Nova Zelândia? Pois é. É a vantagem de você estar em fundos que são capazes de atrair gente interessante. Então, um dos nossos fundos, em 2017, estava buscando uma tese de software fora da tela, software do mundo real, e...

teve algum evento em que esse cara esbarrou com um sujeito da Nova Zelândia que estava pensando em fazer uma coisa desse tipo. E isso tinha um fit com a tese dele perfeita.

Esse cara fez o investimento, de novo, downside mínimo, ele botou, não me lembro exatamente o cheque que ele botou, mas era uma empresa que valia 3 milhões de dólares, 4. Se dali a 6 meses nada acontecesse, o cara perdeu um dinheiro não muito grande, se a coisa minimamente andasse, ele podia continuar, aquilo que eu te falei dos checkpoints. Tanto que ele botou isso no fundo dele, no pre-seed, aí a Halter fez o seed.

Quando ela foi fazer o Series A, ele apresentou como co-investimento para a gente. A gente fez o Series A. A gente fez o Series B. E a gente já está com...

No investimento direto, a gente está com, acho que, oito vezes o markup dessa posição. Porque a gente estava alocado num cara que achou esse sujeito, trouxe para a carteira, compartilhou com o investimento e aquilo que eu te falei, tinha aderência com a nossa tese, a gente fez a posição. Caramba, que da hora. Estou vendo a história do fundador também, o Craig Pigott. É o Prósper.

Cresceu numa fazenda leiteira em Mata Mata, na Nova Zelândia. É esse. Que coisa da hora. Bom, cara, incrível essas histórias. Eu quero ouvir mais uma. E agora a gente já falou de segurança, agritec. Vamos falar de bio. Vamos falar de biotec. De biotec. Em 2000 e...

16 acho que foi 2016 eu fui para um evento em São Francisco, uma feira de biotech em que você tinha vários estandes com empreendedores mostrando o que eles estavam trabalhando isso era um evento organizado por um fundo que a gente estava fazendo diligência para eventualmente investir e acabamos investindo dentro da Grids Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk

E aí eu vi lá um stand de um sujeito que estava com a equipe dele mostrando uma tela com uma imagem bem distorcida de algumas coisas acontecendo, que eu conseguia só identificar que era alguma coisa a nível celular e não mais do que isso. E eu fui perguntar o que era e o cara me disse o seguinte, ele tinha acabado de terminar o doutorado dele em Berkeley e ele tinha dito o seguinte, olha, existe um problema médico hospitalar global.

que é a septicemia, que é a infecção generalizada, infecção hospitalar, que acaba sendo muito comum em hospitais, mas é a infecção generalizada. E esse é um problema que mata, nos Estados Unidos, mais do que câncer. Caramba! Ou seja, é uma emergência médica. É classificado pela CDC como emergência médica. E aí ele me disse o seguinte, que um dos grandes problemas da septicemia que é um dos grandes problemas da septicemia.

é que você não consegue diagnosticá-la rápido o bastante. Por quê? Porque...

O paciente que pode estar entrando em septicemia, ele tem sintomas que não são óbvios para um médico dizer que está entrando em septicemia. O cara tem uma febre, às vezes. O cara, às vezes, tem uma tosse. Às vezes, o cara tem muito frio. Às vezes, tem umas manchas no corpo. Mas nada disso sozinho é indicativo, claro, a septicemia.

E a septicemia é curável. Como? Você faz o exame de sangue, você verifica se o corpo dele está entrando em sepsis, e você dá os antibióticos para matar a bactéria que está criando todo esse desarranjo. Só que esse exame de sangue é um exame de sangue que pode levar de 12 a 36 horas para dar o resultado, para você fazer o antibiograma. E esse exame de sangue é um exame de sangue que, uma vez que ele é feito, o que ele é feito, o que ele é feito, o que ele é feito,

Você espera esse tempo, essa janela, numa doença cuja mortalidade aumenta 7% por hora. Caralho. Então você tem uma dissonância ali crítica entre diagnosticar, tratar e salvar.

Pois bem, esse sujeito da telinha com aquela figura, aquelas imagens cinzas estranhas, ele falou que a gente está desenvolvendo um teste para septicemia para resolver isso em 10 minutos. Isso já vai tirar sangue e a gente vai tentar definir se isso é septicemia ou não em 10 minutos. Pois bem, passaram-se uns dois ou três anos.

A gente investiu no fundo que estava patrocinando esse evento, esse fundo botou essa empresa que se chama Citovale, na carteira, C-Y-T-O-V-A-L-E, e a gente começou a acompanhar a Citovale, até que, obviamente, depois de algum ponto, a gente resolveu investir diretamente nela.

E a forma como esse tovalho resolve o problema é usando visão computacional e inteligência artificial. O que ela faz? Quando você pega uma amostra do sangue do paciente e bota no equipamento deles...

Eles jogam dois jatos de ar paralelos no fluido que está transitando no equipamento deles, no sangue. E uma câmera de altíssima velocidade com um algoritmo de AI verifica a forma como uma célula de sangue está respondendo a essa compressão de ar.

E pelo formato dessa compressão, ele consegue definir se é um organismo que está com baixo, médio ou alto risco de estar em septicemia, e ele pode iniciar o tratamento imediatamente.

Caramba. E em termos de valuation, o que é que essa empresa... Essa empresa a gente entrou, ela valia perto de 50 de dólar. A última rodada que ela fez, quase 300 de dólar.

E ela está agora em fase de revenue building. Ela está começando agora. Ela está com o equipamento pronto. A FDA já aprovou, que é um marco super importante. Então, a FDA approved. Ela agora está começando a implementar em grupos hospitalares nos Estados Unidos. E a gente imagina que daqui a mais algum tempo ela vai... Imaginamos nós, vai ser adquirida por algum player. Pô, sensacional. Sensacional.

O Gui, tem alguma história de alguma empresa que ela começou de um jeito, deu errado, mas a galera que estava lá era tão boa que eles conseguiram recriar e fazer alguma coisa diferente? Porque assim, eu fico pensando, acho que a gente passou rapidinho por isso aqui na conversa.

Mas que diferente de uma ideia, um cara cria uma empresa porque ele teve uma ideia muito boa, essa ideia dá errado e morreu, foi para zero. Agora, esses caras que estão por trás dessas empresas, só o cérebro deles já vale... É quase como quando uma empresa falha, mas ela tem um imóvel, ela não pode valer menos que o imóvel. Então, o cara já tem um conhecimento técnico, um diploma que é muito raro no mercado.

Aconteceu? Você tem algum caso assim que você lembra? O que a gente vê, e não é nem um caso específico, mas é um padrão que se forma, é o seguinte. É muito comum, mas quando acontece de uma empresa não conseguir avançar no seu projeto ideal,

é muito comum aparecer uma outra empresa que diz, eu quero fazer um aquihire, que a gente chama, que é acquisition misturado com hire. Eu quero contratar vocês através de uma aquisição, que é exatamente o que você falou, eu quero esses cérebros na minha empresa agora.

Então, isso é uma coisa que a gente vê muito, a empresa do cara. Porque também uma coisa que é muito importante é que muitos dos empreendedores com os quais a gente trabalha são pessoas que são extremamente obstinadas. Então, o cara quer fazer aquilo funcionar.

É muito difícil às vezes para esses caras pivotarem para uma outra ideia. Por quê? Porque são caras que foram treinados de uma forma muito cartesiana, de uma forma muito dogmática em como fazer as coisas. Outros não, tem um pouco mais de flexibilidade. Mas esses que resolvem ir a estressar até o final aquela visão, eles muito comumente trazem...

para a mesa uma patente ou uma propriedade intelectual ou uma característica que interessa a uma outra empresa maior que fala, olha, eu vou te dar uma saída, não vai ser uma saída espetacular, mas é uma saída, mas o preço para você dessa saída é que você tem alguns anos de trabalho comigo.

Não necessariamente desenvolvendo a sua ideia original, mas alguma coisa que nós acreditamos que é derivativa dessa sua ideia original. E isso inclusive explica porque tem tão pouco write-off, ou seja, tão pouca empresa que vai literalmente a zero nesse mundo de deep tech que a gente investe. Porque mesmo quando as coisas não estão indo direito, em algum momento alguém vem e dá uma saída justamente para resgatar esses cérebros aí.

Bom, agora é o momento mais... querendo ouvir a sua opinião mesmo.

Você está no mercado há muito tempo, então você viu praticamente o Elon Musk nascer aí nessas suas ideias. Qual é a sua opinião sobre o Elon Musk, as empresas que ele tem? Você investe em Elon Musk ou nas empresas que ele tem? Enfim, como é que uma pessoa que é tão conectada à tecnologia de maneira geral, enxerga ele que talvez seja hoje o grande símbolo? Mas também queria que você falasse de mais pessoas, mas começar pelo Elon Musk.

Eu tenho uma forma bem, acho que clara, de tentar evitar posições ou investimentos que gerem algum tipo de prejuízo para os investidores, que é relativamente simples. Eu me pergunto, se der errado,

eu estou no risco do investidor chegar para mim e falar, mas também, se investiu em fulano, o Elon Musk está nessa categoria. Se o Elon Musk quebrar a Tesla, ou a SpaceX, ou a XAI, ou a Grok, e aparentemente agora todas são uma só,

alguém vai chegar com muita razão e dizer, mas também, né? Você investiu num cara que é polêmico, é complexo, é errático, pode ser um gênio, pode ser brilhante, pode ser um monte de coisa. Então, eu acho que o Elon Musk é uma pessoa que tem um arco, uma história única.

Cara, que saiu da África do Sul, foi para o Canadá, chegou nos Estados Unidos, montou a Paypal, saiu, se separou, criou a SpaceX, que é um feito inacreditável. A SpaceX existe porque ninguém disse para Elon Musk que era impossível.

Porque se alguém tivesse dito para ele, amigão, esquece, você não vai fazer uma empresa privada que lança foguete. O cara não quis saber, fez. Uma coisa que pouca gente sabe é que no dia que a SpaceX ia fazer o filing do Chapter 11,

ou que a Tesla ia fazer o filing do Chapter 11, a SpaceX recebeu um contrato, foi paga e fez o bailout da Tesla. Foi alguma coisa nessa linha. No dia, a história é repleta desses momentos em que o sucesso e o fracasso estão separados por um período de 24 horas.

Então, a gente tem exposição à SpaceX, a gente vai, obviamente, esperamos que esse IPO vá trazer algum resultado para os nossos investidores, mas dada a oportunidade de investir numa startup comandada pelo Elon Musk, a gente muito provavelmente não vai querer bancar esse risco, a gente vai terceirizar esse risco para alguém que esteja mais próximo e com mais capacidade de influenciar.

Então, vocês investiram na SpaceX, mas... Via um fundo. Via um fundo, tá. Tem exposição, via um fundo. Tá. E esses outros nomes? Acho que o fundador da NVIDIA, o Jensen Huang. Como é que chegaram também a investir? Enfim...

A NVIDIA virou uma empresa pública, eu acho, em 99, eu posso estar enganado. Então, assim, a Grids não existia, eu estava ainda fresco, relativamente com pouco tempo de mercado, três anos de mercado.

A história da NVIDIA é uma história interessante. Eu vou rapidinho contar. Não, pode contar. Sem pressa. Tem uma professora de Stanford chamada Faithe Lee. Famosa. Escreveu um livro super legal sobre AI e tal.

E a Fei Fei Li, ela associa inteligência com visão. Ela fala, o que define inteligência é a nossa capacidade de olhar para uma coisa e entender o que essa coisa é. Então ela criou um campeonato de algoritmos de visão. Esse campeonato basicamente era, você botava uma cena.

numa tela de computador, e você fazer com que as pessoas rodassem os seus algoritmos para identificar o que estava na tela. Porque esses são problemas de reconhecimento de imagem para os quais nós, seres humanos, somos muito bem preparados, mas máquinas são pessimamente preparadas.

Se eu te pedir para multiplicar 194 por 17 de cabeça, você vai falar, puta, espera aí. Agora, se eu te perguntar o que está na estante atrás de você, você na hora vai falar isso, isso, isso. Se eu pedir para o computador fazer essa conta, é instantâneo. Se eu fizer a mesma coisa com a estante, ele vai como assim. Entra AI. Então, esse campeonato era para avançar a fronteira de visão computacional. Em 2012, Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk

teve um grupo da Universidade de Toronto que mudou a régua desse campeonato porque melhorou em 10 pontos percentuais a capacidade de reconhecer o que estava na tela. Esse grupo da Universidade de Toronto era orientado por um sujeito chamado Jeffrey Hinton, que é o cara que ganhou o prêmio Nobel de Física em 2024, ou 5.

e é o cara que é o mais vocal dos críticos à AI, como uma ferramenta que pode aniquilar os seres humanos. Tinha o Ilya Sutskever, que veio cofundar a OpenAI, que não está mais lá. E tinha outro cara que chamava-se Alex, e que deu o nome dele à rede. Era a rede AlexNet.

E a rede AlexNet funcionava da seguinte forma. Quando eles estavam montando o algoritmo para submeter lá para o campeonato da Fei Fei Li, eles falaram, ó, a gente precisa de uma placa para processar multiplicação de matrizes que a gente está fazendo aqui. E aí um sujeito foi no almoço xarifado da Universidade de Toronto.

E tinha lá, pegando poeira, uma placa de vídeo para videogame, que ninguém estava usando. E que era muito boa de fazer exatamente isso, multiplicação de matrizes para atualizar a tela de um computador. Era uma placa da NVIDIA.

O cara botou, rodou, a placa se prestou perfeitamente a isso. E o mercado de acadêmicos, em 2012 e em diante, começou a dizer que para rodar os modelos de inteligência artificial, essa placa de vídeo é bem legal. A NVIDIA não montou as GPUs para atender um mercado que não existia. Ela montou as GPUs para o mercado de videogames.

Só que ela estava no lugar certo, na hora certa. No almoxarifado certo. No almoxarifado certo. E ela se tornou uma empresa de 5 trilhões de dólares com esse pivotal moment. Foi ali. Então, o grande mérito que eu acho que o Huang tem como líder da Nvidia é que ele está maximizando de uma forma extraordinária não só esse momento,

como também o portfólio de investimentos da NVIDIA, que se você olhar, que é a parte mais interessante do balanço deles, eles têm um braço de ventures, e eles têm vários investimentos diretos em empresas de biotecnologia e de robótica, porque eles sabem.

que a derivada imediata de AI vai ser isso, eles estão tentando se posicionar. Então é um cara que eu acho que tem muita capacidade e é um cara que vai, acho que, defender esse feudo que ele conseguiu criar, meio que inadvertidamente, mas uma vez que ele percebeu que era um feudo, ele avançou, de uma forma muito acho que inteligente.

Mas talvez seja até por isso, né? O fato dele entender que foi um... Quase como um lance de sorte. Sim. Ele fica muito mais humilde, né? E até meio paranoico em querer defender o que ele. É possível, é possível, absolutamente possível. Porque eu acredito, você deve conviver com muita gente super inteligente. Eu imagino que esses caras devem imaginar... Tanta gente falando, você é um gênio, você é um gênio, toma meu dinheiro, toma meu dinheiro. Esse cara deve imaginar.

a pessoa mais inteligente do mundo. Frequentemente acontece. É difícil ele ter uma visão autocrítica. A gente vê até síndrome de pequeno poder. Imagina com um cara que é avaliado em bilhões. Uma frase que eu já falei para mais de um desses caras, mais de uma vez, é o seguinte, olha...

eu sei que tem gente que é paranoica e às vezes não se justifica porém, às vezes até uma pessoa paranoica realmente está sendo seguida por alguém, não é paranoia, é verdade então é bom ter isso na cabeça e você falou do OpenAI eu ia perguntar também do Sam Altman

O Sam Altman é um cara que, infelizmente, para ele e para a OpenAI, acho que colou nele uma imagem muito negativa. Apesar de, naquele movimento de ousting que fizeram dele no board, tentaram tirar ele do board.

houve uma revolução interna na OpenAI para trazê-lo de volta, como você falou, embora tenham passado talvez dois ou três anos, parece que foi muito mais. Ele agora, ele se torna uma figura um pouco polêmica, na relação com a Microsoft, na relação interna.

com todas as pessoas que saíram da OpenAI para abrir empresas semelhantes, com a competição que ele está sofrendo da Anthropic, da Perplexity, obviamente da Google, dos open source models como o Llama, como o DeepSeek, que é uma outra história. Então, eu acho que o Sam é um cara que tem, obviamente, uma história como investidor de venture pré-OpenAI muito bem sucedida. Ele sempre foi um cara com uma mão muito boa para a venture.

Mas agora acho que ele tem uma ladeira para subir, para conquistar, eu acho, um pouco mais de goodwill do mercado. E quando o mercado, qualquer que seja ele, começa a perder goodwill, é difícil para um executivo sustentar a posição ou sustentar a narrativa que ele está tentando trazer.

Eu queria saber também sobre o Jeff Bezos, é até uma piada, mas você pode comentar também por que a Alexa parecia tão inteligente quando surgiu e hoje parece que ela ficou tão para trás em relação a todo mundo. O Jeff Bezos é um cara que tem uma mão em potes que são quase ortogonais. Ele tem uma empresa tipo SpaceX, que é a Blue Origin, ele tem o Business de Retail, do qual ele meio que se afastou, que é a maior marketplace do mundo.

Ele está agora basicamente focado no projeto Prometheus, que é o projeto de AI na manufatura. De novo, é o que a gente estava falando. A AI é uma camada de infraestrutura. O que a gente vai fazer em cima dela? Ele está postando, o último número que eu vi, eram 100 bilhões de dólares no fundo para investir em modernização de manufatura usando AI. Então, eu acho que...

É muito possível que eles estejam tentando desenvolver o cérebro da Alexa internamente. Não esquece que a Amazon tem um business que é separado, mas que é reportado junto, que é a AWS, que nesse momento de hyperscaling com a Azure e com o Google Cloud é um dos melhores business do mundo para você ter.

mas não necessariamente ele tem um grupo para desenvolver esse cérebro, embora a Amazon esteja ativamente desenvolvendo chips, desenvolvendo silício para colocar nos data centers dela, assim como a Google desenvolveu dela.

E para fechar, eu queria ouvir algum nome que eu não falei, mas talvez até, vamos dizer, quase como se fosse um gênio incompreendido, um guru, que... Guru é um termo ruim, mas algum grande nome aí que não tenha o mesmo hype desses que eu falei, mas as pessoas deveriam dar mais atenção.

Eu acho que um cara que agora ganhou um pouco, quer dizer, um pouco, não muito reconhecimento, é um cara chamado David Baker, ele é da Universidade de Washington, ele ganhou o prêmio Nobel de Química junto com Demis Hassabis do DeepMind e com John Jumper.

O David Baker é um cara de uma humildade, assim, inacreditável. Você tem uma ideia, Thiago? No dia que ele soube que ele ganhou o prêmio Nobel, eu estava com ele. Eu estava no Universidade de Washington, eu estava visitando uma startup. Ele ganhou o Nobel de Química em 2024. É isso aí, eu estava lá.

24 e 25? 24. Então estava lá, o tempo voa. E eu cheguei um pouquinho depois do anúncio, ele estava lá num gramado com alguns alunos e alguns colaboradores comendo uma pizza, não sei o que.

E aí ele disse o seguinte, olha, você desculpa, acabei de ganhar o prêmio Nobel, acabei de saber, assim mesmo. Mas se você quiser, poxa, por favor, usa a minha sala, esse fulano aqui vai te receber, você faz a reunião com ele e tal, que era o cara da startup. Então, o cara de uma humildade incrível e o cara que está trabalhando na fronteira do mercado de biotecnologia. O cara que está trabalhando na fronteira do que vai ser, eu acho, uma das revoluções mais importantes.

que os próximos, você perguntou no início da conversa, os próximos 10 anos vão mostrar. Eu acho que esse é um cara que está muito bem posicionado para contar para a gente sobre esses 10 anos.

Gui, cara, eu acho que esse episódio vai ter uma repercussão grande. Caso minha projeção esteja certa, já quero deixar o convite aberto para a gente falar de mais coisas aqui numa próxima vinda sua. Ou até meio que traçar, porque eu fui conversando no chat GPT, ele me deu uma lista de umas 15 pessoas para perguntar para você a opinião.

Mas aí eu deixo para uma próxima conversa. Cara, sensacional. Antes da gente entrar no pingue-pongue, assim, vocês são um fundo de venture capital, então não é acessível para o investidor, o varejão de maneira geral. Como é que faz para investir?

Não, o nosso investimento mínimo é alto. A gente basicamente quer manter a Grids como uma empresa com um grupo relativamente limitado de clientes. A gente não se coloca em plataforma de distribuição. A gente quer realmente manter essa capacidade de poder atender os nossos investidores com conversas, com insights de uma forma bem ativa. Então, a gente não tem planos de varejar o produto.

O que me deixa até mais honrado de você estar aqui, né? Porque muitas vezes o gestor vem aqui para, pô, quero falar do meu fundo para ganhar mais investidor. Então, sinto muito, galera. Espero que vocês tenham gostado do conteúdo, porque o investimento é só para poucos. Mas o Ping Pong não vai escapar. Gui, vou perguntar para você, e só, eu não estou super íntimo do Gui. O nome dele é Gui mesmo, né? É isso aí. Não é Guy, é Gui.

O Gui Peremutter vai falar agora dos livros. Cara, imagina os livros que ele lê. Vamos lá. Livro, música, convidado e a maior gentileza. Vamos lá pelo livro primeiro. Um livro que você recomenda para a nossa audiência. Um livro técnico. Pois é. Tem um livro que eu acho muito legal. Que eu li duas vezes. Um dos poucos livros que eu fiz questão de reler. Porque é um livro muito legal.

É um livro chamado Scale, do Jeff West. G-E-O-F-F West. Esse cara é um pesquisador do Santa Fe Institute, que é um think tank extraordinário, obviamente em Santa Fe. E a tese do livro, que ele apresenta de uma forma muito interessante, é que os benefícios que você ganha ao escalar as coisas, que é uma coisa que eu acho que tem aplicabilidade para o nosso business aqui, para o business de mercado e para o business de...

podcast, um business de varejo, enfim, tem múltiplas aplicações e que ele apresenta como algo que funciona desde sistemas biológicos até sistemas artificiais. É muito interessante, eu acho que todo mundo que usou esse tempo para nos ouvir vai acho que ter algum interesse nessa jornada aí.

Qual o primeiro nome dele? Desculpa. Jeffrey, eu acho. G-E-O-F-F-R-E-I. Aqui, achei. O Jeffrey aqui. Scale. Boa. Esse aqui, né? The Universal Laws of Life, Growth and Death in Organism. É isso aí. Tá, beleza. Boa. Deixa eu separado aqui. E o livro Tema Livre. Você tem espaço para uma leitura ficção?

Até tem para ficção, mas o livro que eu acho que é mais apropriado pelo momento que a gente está vivendo, que não é ficção, mas é uma leitura bem fácil, porque tem uma narrativa bacana, é um livro chamado Material World, do Ed Conway. Material World é um livro que fala de uma coisa que eu acho que o mercado está se atentando, e aí você vê até pelos preços de mercados públicos agora.

que é o fato de que você pode ter todas as ideias e todos os algoritmos e toda a tecnologia do mundo dentro de uma tela, mas você precisa do mundo físico para fazer as coisas acontecerem. E o Material World é sobre isso, é sobre concreto, é sobre cobre, é sobre aço, é sobre areia, que é a base, obviamente, do silício. Então, é um livro extremamente interessante, é uma jornada sobre a importância desses materiais ao longo do tempo,

e obviamente não é ficção mas eu acho que é uma leitura muito apropriada para o momento que a gente está vivendo legal, já botei no meu carrinho aqui também, zoei a Alexa mas aqui tudo é Amazon podia ser um patrocínio Amazon, fica a dica aí só o que eu compro de livro aqui, imagina esse é o episódio 360 e pouco cada convidado vem com dois às vezes tem dois convidados aliás, lembrando né gente, nossa biblioteca Market Makers e aí

enquanto a gente não tem um agente que já compila todos os livros, enquanto a gente fala e manda pra vocês todos, vocês podem mandar um e-mail pra contato.com.br e a gente devolve com a lista de livros. Na verdade a gente faz isso porque a gente gosta de ver quem é que tá interessado no livro, aí é um dia da semana que vira spam a nossa caixa, mas tudo bem por um bom motivo Uma Música e Por Que Essa Música? Uma Música?

Enfim, tem uma música que eu gosto demais, chamada Telegraph Road, de um grupo inglês chamado Dire Straits, que é uma música que, primeiro, tem um arranjo e uma harmonia, enfim, que eu acho extremamente bonita. É uma música que tem a bagatela de 14 minutos, uma música que é uma saga.

E é uma música que conta exatamente uma história de construção, de você montar uma coisa que não existia, de montar uma estrada que acompanhe o progresso das telecomunicações, que é a estrada do telégrafo, que tem obviamente muito a ver com o que a gente acredita que a gente faz. Então é essa, Telegrafo Road, do Dire Straits.

Pô, essa eu vou ouvir com certeza. Não conheço. Porque pra conhecer essa música, 14 minutos tem que ser fã da banda mesmo, né? Tem que ser fã da banda. Eu só conheço, felizmente ou infelizmente, as músicas que só tocam na rádio, né? Que é Soltans of Swing, Money for Nothing, Walk of Life. Isso. Então já deixar separado aqui, já dar o play aqui pra assim que acabar eu ouvir. Um convidado que você gostaria de ver aqui no Market Minute. Pode ser gringo, hein? Pode ser gringo. Pode, pode.

Eu acho que assim

Se quiser chamar o seu amigo que ganhou o prêmio Nobel, aí a gente pode... Se ele vier para o Brasil, eu falo, pô, passa lá no Five Makers. É esse remoto. Eu acho que tem uma história para a gente tentar, dado o sucesso e dado a penetração, a capilaridade que o Market Makers tem, eu acho que conseguir trazer alguém que possa fazer um pouco do case, da visão de Estado brasileiro, não de governo, porque...

O governo é cíclico. O governo é muito cíclico e os prazos com os quais a gente lida em Deep Tech, eles transcendem uma determinada gestão de quatro ou cinco anos. Então, trazer figuras que tenham, obviamente, a caneta, que tenham conhecimento e que tenham o acesso.

leis e legislações, ou pelo menos estratégias, para tentar mudar esse quadro que a gente conversou sobre o Brasil estar muito bem posicionado academicamente, mas tão mal posicionado competitivamente.

e aí eu estou falando especificamente de ciência, tecnologia e inovação, eu acho que seria uma conversa muito apropriada, porque o mundo não vai desacelerar para a gente, o mundo não vai falar, não, espera aí que o Brasil tem um catch-up para fazer. E a gente historicamente já perdeu tanta janela, tanta oportunidade, tantas vezes o Brasil ficou como uma oportunidade, ou como um país que é o futuro.

que esse futuro vai chegando, ele vai passando e a gente vai olhando pra ele passar. Então acho que uma pessoa que tenha essa capacidade e essa articulação e essa visão mais de Estado, de projeto de Estado seria alguém que eu gostaria muito de ver aqui. Pô, eu pensei que você ia terminar com o nome da pessoa. Eu não sei quem é essa pessoa. Pode ser você, Gui. Já pensou? Você pensa em fazer alguma Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk Sk

Eu ia falar carreira política, mas poderia te ofender. Mas partir para esse lado do Estado? Não, certamente o projeto do Deep Tech Summit é o tipo de ângulo que eu acho que a gente consegue contribuir mais efetivamente. É tentando criar fóruns para integrar esses grupos de governo, de investidores, de empreendedores, esse tipo de agente, mas nesse papel.

Quando você descobrir quem for essa pessoa, pode passar meu WhatsApp. Passa um WhatsApp. WhatsApp já é mais moderno. Se você for uma dessas pessoas também, comenta aqui no vídeo, fala, opa, me chama que eu falo, ou indica alguém, mas pô, faria com prazer realmente um papo que seria muito importante pro Brasil. Por último, mas não menos importante, qual foi a maior gentileza que foi feita na vida de Gui Peremulter?

Eu... Quando eu estava... Quando eu estava...

dividido entre uma carreira acadêmica para doutorado ou ir para o mercado, uma pessoa com quem eu fui conversar foi um ex-chefe que eu tive na IBM. IBM. Onde eu fiz um estágio na IBM quando eu estava na graduação de engenharia. Chamado Paulo Mozart Gami Silva.

O Mozart foi um cara, ele infelizmente já faleceu, que ele era o gerente lá do grupo onde eu trabalhei na IBM e quando eu saí da IBM, a despeito de uma proposta de emprego que ele tinha me feito, eu gentilmente declinei que eu queria fazer mestrado.

Ele falou, entendo, boa sorte e tal. Quando eu estava nessa encruzilhada, eu fui falar com ele, que já tinha saído da IBM nessa época, e a gente sentou para conversar. E ele me falou, e eu não sei nem se ele classificaria isso como uma gentileza, mas para mim foi porque foi um insight que até hoje eu guardo e que é extremamente verdadeiro. Ele falou o seguinte, olha, existe um conjunto de pessoas no mundo

que é muito técnico, que sabe matemática, sabe física, sabe química, sabe fazer contas, sabe estatística. Existe um conjunto de pessoas que conseguem comunicar ideias, conceitos, produtos muito bem. Existe um conjunto de pessoas desse tamanho que está na interseção desses dois.

E você é um cara que está nessa interseção. Então, o que quer que você faça, você tem que aproveitar que você está nessa interseção, porque isso não acontece de forma frequente. E isso realmente influenciou muito a minha carreira depois, no Pactual, depois na Grids, porque eu sempre ouvi muito exatamente isso, que esse lastro técnico tem valor sozinho.

mas ele potencializa de uma forma extremamente útil para o investidor, para o cliente, na hora que você consegue revestir isso com uma venda, uma apresentação, uma roupagem mais compreensível. Então, isso acho que foi uma gentileza, porque ele conseguiu colocar de uma forma muito fácil essa combinação de características que hoje eu procuro.

e eu vejo em diversos empreendedores com quem a gente trabalha.

Pô, que maravilha. E bom, aproveitar a gentileza, deixa eu mandar um abraço pro Dan Cohen, que foi quem fez a gentileza de nos conectar. Você foi lá no podcast do Dan, eu também já participei do podcast do Dan, é um cara sensacional, e quando ele entrevistou o Gui, ele falou, Salomão, você tem que levar o Gui no Market Makers, puta história da hora que acho que a sua audiência vai gostar. E bom...

Nos encontramos, já falamos duas, três vezes e agora você está aqui e deu essa aula para a gente. Cara, sensacional. Obrigado. Sucesso com a sua gestora e espero que alguns investidores que possam te convencer a abrir o veículo para mais gente, mas principalmente que isso avance mais no Brasil. É muito bom ter pessoas como você ajudando a propagar esse conhecimento aqui no Brasil. Valeu demais. Obrigado pelo convite, Thiago. Obrigado.

Você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal. Lembre sempre que o Market Maker está aqui toda terça, quinta e domingo, 18 horas, sempre comigo aqui desse lado e alguém bem mais inteligente que eu do outro lado, compartilhando conhecimento com a gente. Até a próxima e tchau!

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