Episódios de Market Makers

# 418 | ELEIÇÕES 2026: O QUE ESPERAR DA BOLSA, DÓLAR E MERCADOS APÓS O RESULTADO?

30 de setembro de 20261h15min
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Faltam apenas 5 dias para as Eleições 2026. Mas, para o investidor, a grande questão não é apenas quem vence a eleição — é o que acontece com Bolsa, dólar, juros e economia depois das urnas.Neste episódio especial do Market Makers, Thiago Salomão e Leopoldo Rosa recebem André Leite, CIO da TAG Investimentos, para analisar os principais cenários que podem afetar o patrimônio dos investidores antes e depois da eleição presidencial.Ao longo da conversa, discutimos o que já pode estar precificado pelo mercado, quais riscos ainda podem surpreender, o impacto do cenário fiscal, a importância da composição do Congresso e o que observar na Bolsa, no dólar e na curva de juros.Também discutimos uma questão fundamental: como posicionar uma carteira sem precisar apostar em quem será o próximo presidente?Neste episódio:• Eleições 2026 e mercado financeiro• Bolsa brasileira• Dólar• Selic e curva de juros• Risco fiscal• Dívida pública• Inflação• Congresso Nacional• Cenários para 2027• Estratégia de investimentos• Alocação de patrimônioHoteis.com / viagens a trabalho: https://www.hoteis.com/product/business 📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$11,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -André Leite | Market Makers #418Apresentador: Thiago Salomão (Apresentador do Market Makers) e Leopoldo Rosa (COO do Market Makers)Convidado: André Leite (CIO da TAG Investimentos)Captação: Renan Moncoski#ECONOMIA #POLÍTICA #INVESTIMENTOS #ELEIÇÕES #MARKETMAKERS

Participantes neste episódio3
T

Thiago Salomão

HostJornalista
L

Leopoldo Rosa

Co-hostJornalista
A

André Leite

ConvidadoCIO da TAG Investimentos
Assuntos6
  • O desânimo do mercado financeiro com as eleições de 2026falta de propostas concretas·sentimento de desânimo geral·populismo político
  • O impacto das eleições de 2026 na bolsa, dólar e juros no Brasilsimetrias e assimetrias das classes de ativos·moeda real como pior ativo·bolsa e juros longos como oportunidades
  • A disfuncionalidade da política econômica brasileira e seus impactosfiscal frouxo e monetário apertado·juro real alto e PIB crescendo·repressão financeira e inflação
  • A crise dos fundos multimercados e a necessidade de reinvenção da indústriarentabilidade ruim e alta correlação·falta de investimento em tecnologia·troca de nomes e readequação
  • A evolução do mercado financeiro e a mudança do modelo de comissionamentotransição para o consultor de FII fixo·redução de conflito de interesse·perpetuidade do negócio
  • A importância de cultivar a democracia e o risco de perdê-la por incompetênciadesesperança na democracia·instituições não cultivam a democracia·comparação com a Turquia
Transcrição160 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TSThiago Salomão

Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Olha que belo GC, Leopoldo, nunca tinha visto. Não, eu não costumo assistir o Market Maker. Você assiste o Market Maker?

LRLeopoldo Rosa

Eu só ouço.

TSThiago Salomão

É porque sempre que eu assisto, você já assiste com aquele olhar de chefe procurando algum defeito ali para ficar. Então prefiro só ouvir.

LRLeopoldo Rosa

Eu assisto com olhar de fã para ver você.

TSThiago Salomão

Ah, que fofo! Você é um excelente— já tem aquela frase do Warren Buffett, né? Quem não puxa o saco puxa a carroça, né?

LRLeopoldo Rosa

É isso.

TSThiago Salomão

Então, Leopoldo, sobrevivendo no mundo da selva de pedra do capitalismo brasileiro, tá preparado para mais um papo? Eleições 2026, dá para— não sei se a gente vai falar de eleições, é que agora qualquer coisa, se a gente trouxesse Warren Buffett aqui, um pouquinho de eleições seria votar no Lula, no Flávio, né? Aí ele ia falar, não, não, sou americano. Ah, mas então... Bom, vamos lá. Hoje a gente está com o André Leite, CIO da TAG Investimentos.

Não está aqui à toa, porque para quem está ao vivo nesse momento vai falar, caramba, esses caras não estavam ao vivo o dia inteiro junto com o André fazendo o TAG Summit? Realmente, a gente passou o dia inteiro juntos aqui, toda a turma da TAG. Agradecer a todo o pessoal que participou. A Márcia, o Bisma, todo mundo da TAG que fez esse evento ser incrível. Agradecer todos os patrocinadores que fizeram esse evento acontecer. Agradecer a nossa equipe que também tá desde muito cedo e vai embora tarde hoje porque a gente resolveu fazer mais uma live, que é isso, né?

A gente gosta de trabalhar mesmo. E então, Renan, Lívia, Raquel, toda a turma do Market Makers que se fez presente aí fazendo esse projeto acontecer. Então, pô, Você já tá vendo essa live, já viu que a gente tá trabalhando para caramba. As olheiras não mentem. Então se inscreve no canal, deixa o like aí no vídeo. Hoje vai ser um papo um pouco mais aberto, um pouco mais amplo. Fazia tempo que eu queria trazer alguém de mercado mesmo, porque a gente tem conversado muito com político, com cientista político, com analista político, mas pouco a gente tem falado do e aí, como é que isso tem afetado o mercado.

O André, na, com a o crachá de CIO da TAG, ele tem até uma, talvez ele possa falar mais do que os gestores estão fazendo, mas obviamente ele também tem a sua opinião sobre o que tá acontecendo. Então acredito que a gente vai ter um papo bem legal. Obrigado por estar aqui com a gente, André, e obrigado pela parceria do TAG Summit by Market Makers. Fiquei muito feliz, espero que vocês tenham gostado também.

ALAndré Leite

Obrigado, Solomão, obrigado, Léo. O dia foi excelente hoje. Em nome da TAG, a gente agradece a vocês a parceria. Começando os agradecimentos pela nossa equipe da TAG, né? O time de marketing trabalhou aí incansavelmente aí nesses últimos dias. O time de vocês hoje foi ótimo também. O grande resumo do evento hoje foram 7 horas de conteúdo, 13 especialistas, mais de 15 patrocinadores, mais de 1000 inscritos e até agora 22 mil visualizações.

LRLeopoldo Rosa

Caramba!

ALAndré Leite

Esse número ele vai crescendo.

TSThiago Salomão

Sim, só começou, né? Quem for ver os painéis Aliás, eu não sei qual painel que foi o mais legal. Eu gostei muito do painel de abertura com o Bruno Funchal, mas o painel de encerramento agora com o Glauber Motta, que é CEO da Revolut, achei um papo bem legal mesmo. Pô, foram todos os painéis muito legais, né? Então quem não assistiu, depois vale a pena ver as gravações, ver as repercussões. A gente já viu que saiu muita matéria também na imprensa repercutindo os painéis, enfim.

Foi tudo muito bacana. Só não gostei de uma fala ali do Maurício Moura sobre o Palmeiras ali no painel dele. Achei desnecessário, achei desnecessário. Enfim, não foi o primeiro a falar de Palmeiras e Mundial nessa reta final. E bom, não, essas pessoas não têm o meu apreço, só digo isso. Vou mandar um abração para o Maurício, que ele é nota mil. Bom, André, Como é que tem sido para você acompanhar, acompanhar, né, palavra errada, né, trabalhar diante desse cenário de eleição?

Eu te pergunto porque as pessoas me veem como, ah, você que conversa com todo mundo do mercado, que que o pessoal tá achando do Fed que tá subindo juros? Que que o pessoal tá achando da intervenção do Fed no Banco do Japão? Então falo, cara, mas aqui a galera só tá falando de Lula e Flávia, não sei se o pessoal tá olhando tanto. É, enfim, mas Mas como é que tá o seu dia a dia nisso, André? Você sente que o mercado está monotemático ou não? Tem gente sim que está e deve, ou deveria estar olhando para o resto do mundo?

ALAndré Leite

Acho que assim, a gente quando fala de mercado, né, muita gente imagina o mercado como uma entidade homogênea. O mercado é muito diferente, as pessoas do mercado são completamente diferentes. Mas eu acho que conversando com as pessoas, eu acho que o sentimento é muito parecido com o resto da população. É um sentimento de muito desânimo, né? É uma campanha que você não tem discussão de propostas, você não tem discussão de projeto de país.

Isso no momento, né, que o mundo passa por modificações, né, de mudanças radicais de tecnologia que vão impactar a nossa vida. Isso não é nem tratado, né? Então acho que o principal sentimento, né, que da grande maioria das pessoas que tá vivendo aí o dia a dia profissional de estar acompanhando as eleições, é de um profundo desânimo.

LRLeopoldo Rosa

André, e esse desânimo, hoje a gente ouviu muita coisa, né, nos painéis ao longo do summit. Você acha que esse desânimo ele se dissipa após o resultado ou ele ganha uma folga? Porque a impressão que a gente tem ouvindo as pessoas que a gente ouviu hoje é que também não se tem muita convicção, qualquer lado que ganhe, do projeto de país que a gente vai ter a partir de 2027, né? Você acha que a gente vai ter uma folga entre a eleição e o início do mandato, ou dá para isso se estender e a gente ter um pouco mais de otimismo?

ALAndré Leite

Eu acho que a gente não vai ter esse período de graça, né, que normalmente o vencedor da eleição costuma ter, né. Como até o Maurício colocou, você pega uns 30% de cada lado que é mais raiz, né, que defende o candidato em qualquer situação, e tem uns 20%, né, para poder fazer os 50/50, que são resignados. Eles vão votar apenas porque eles desgostam mais do outro lado. E a nossa sensação que esses 20%, né, logo depois das eleições, um período razoavelmente curto, esse cara já passa até para uma certa oposição, né.

Eu votei em você, mas eu não gosto de você, então eu já vou começar a vigiar você. Então o próximo presidente, né, seja ele quem for, ele já começa com a maioria desgostosa com ele, né, e vigiando ele.

TSThiago Salomão

É só uma coisa que a gente esqueceu de mencionar. Que a gente tem um parceiro novo, né, Leandro?

LRLeopoldo Rosa

É verdade. E assim, é um parceiro que vai trazer muitos benefícios para quem nos assiste.

TSThiago Salomão

Temos que falar isso. Não, e até para como usuário, de um viajante um pouquinho desorganizado, pessoal do hotéis.com nos ajuda para caramba. Então deixar aqui a recomendação para você que vai fazer uma viagem corporativa, principalmente. Pessoal do hotéis.com é o melhor parceiro para você ter lá. Assim como no YouTube, quando você navega, fica toda a sua, as suas buscas ali, referências ficam salvas, né? Então no hotéis.com você também consegue ter isso muito bem armazenado.

Você não precisa recomeçar toda viagem, você vai fazer, ou ter que fazer do zero isso. Mas a grande vantagem para mim é o mais interessante, é o programa de recompensa do hotéis.com. Você fazendo a compra lá logado, né, no hotéis.com Rewards, Cada 10 noites que você fechar para viagens corporativas, você vai ganhar uma noite a mais, né, que você pode usar em benefício próprio. Enfim, pode ser uma viagem de lazer, pode estender suas viagens corporativas se quiser, mas enfim, você pode fazer um bom uso dela.

Cada 10 noites você ganha uma, que é a média das últimas 10 noites que você fez. Isso tudo usando hotéis.com. Então, quer aproveitar esse super benefício? Vai lá, é muito simples. Acesse hotéis.com, E você faz lá toda a sua navegação através do login. E não esqueça, né, de colocar lá que você quer o programa de recompensa do hotéis.com. É gratuito, mas é só você ticar isso e já vai facilitar todo o seu processo.

LRLeopoldo Rosa

Link tá aqui na descrição, é só acessar o site hotéis.com, fazer seu cadastro já. E é super simples, inclusive, de fazer e de entrar no Rewards, viu?

ALAndré Leite

É isso.

TSThiago Salomão

E fizemos um episódio com o Juan da hotéis.com, foi bem legal, hein?

LRLeopoldo Rosa

Esse foi um dos que eu assisti, tá vendo?

TSThiago Salomão

Eu vou te falar que a dica dele para viajar ali para Cuenca ali no Equador. Pois é, achei sensacional.

LRLeopoldo Rosa

Eu já vou lá. Eu não dava nada pelo Equador, eu fiquei afim pela dica que ele deu.

TSThiago Salomão

É bom. Deixa eu só trazer aqui, voltando para o papo de mercado, André. Quando a gente falou com o Bruno Funchal, eu senti uma, algo como o próximo governo vai ter que fazer alguma coisa. Mas você percebeu quando a gente falou, pô, mas será que vai? Porque o Flávio Bolsonaro tem sinalizado a importância de fazer alguma coisa. A gente não tem visto muito isso na manutenção do governo do Lula. Aí ele, não, o Dário Durigan tem falado isso, isso, aquilo.

Mas talvez uma das coisas mais importantes que ele falou da desindexação do salário mínimo, ele falou, mas isso aí ninguém falou, tá? Sou eu que tô falando e deveria estar sendo dito. A gente corre o risco de cair numa cilada que a gente viveu um pouco lá em 2022, do não vai ter que ser feito algo e nada, quer dizer, nada talvez seja uma palavra muito forte, mas não foi feito o que o mercado esperava. A gente corre o risco de ver isso em 2027 caso Lula vença de novo?

ALAndré Leite

Eu acho que sim. Eu acho que de tudo que o Lula tem falado, né, as declarações dele, inclusive até questionando a questão de independência do Banco Central ultimamente, nada mostra alguém disposto a fazer um ajuste fiscal por mais mínimo que ele seja. E a partir do momento que você começa, né, com os outros 50% que já não gostam de você e uma parcela expressiva, né, que tá, que votou em você, mas votou meio a contragosto, você já começa meio acuado.

E no mundo político que a gente vive hoje, candidato acuado significa mais populismo. Então é capaz que ele queira recorrer aos mesmos expedientes que ele adota desde sempre, como por exemplo 2022, né, que ele começou o governo lá no 8 de janeiro, né. Então de alguma forma ele se sentiu acuado, né, com mais da metade da população já insatisfeita com ele. E ele não fez o ciclo fiscal que todo governo costuma ter, que é começar cortando, começar poupando, começar arrumando a casa para deixar para gastar nos últimos 2 anos.

Ele já começou acelerando o carro, já começou gastando muito. Então eu acho que devido a essa configuração política, tem uma boa probabilidade dele repetir isso.

TSThiago Salomão

Pois é. E é curioso que quando a gente entrevistou o Haddad, Lepo, não sei se você sentiu isso nas entrelinhas ali, mas o próprio Haddad deu a entender: olha, se o governo Bolsonaro, que era para ter sido mais austero, não foi, já terminou o mandato acelerando os gastos, porque a gente, que já é visto como um mais expansionista, né, mais social, porque a gente ia ter que apertar a torneira, né?

LRLeopoldo Rosa

E acho que aí nessa fala dele tem um subtexto que é assim: no fundo, no fundo, eles nunca prometeram fazer um ajuste do tamanho que o mercado queria. E portanto, eles não frustraram a expectativa de ninguém, eles cumpriram o que se esperava deles. E o que a gente tá vendo na campanha de agora é mais ou menos a mesma coisa, né? O jantar do Lula com os empresários na última semana, é o que todos os jornais noticiaram, foi que, olha, foi muito legal, ele foi bem recebido, foi muito simpático, mas não deu nenhum plano concreto de ajuste.

O Flávio, quando teve aqui, embora não tenha dito, né, a gente tava com a Dani Marques, que sensacional profissional, embora ele não tenha dito de onde vai cortar, que é muito importante, mas sinalizou uma disposição muito firme em fazer os cortes. Então são esses subtextos às vezes também que mexem com o mercado, né?

ALAndré Leite

É, com certeza não dá para acusar o Lula de estelionato eleitoral, né? Talvez a frustração tenha sido por parte de alguns poucos telepatas, né, que tiveram conversas imaginárias e imaginaram que talvez eles escutaram coisas que nunca foram faladas. Então, e assim, e assim como foi na campanha de 22, nessa campanha se repete, não tem em nenhum momento promessa de qualquer tipo de responsabilidade fiscal.

LRLeopoldo Rosa

Agora, quando a gente fala sobre, sobre a questão do ajuste fiscal, a gente fala muito do cenário interno, né? Então o que isso vai impactar em controle de inflação, em baixa dos juros, um ciclo de repente de baixas mais relevantes na Selic. Você acha que o investidor estrangeiro que hoje evita o Brasil, ele também tá olhando para isso, ou tem outras questões que tangenciam a economia, de relações internacionais diplomáticas, a questões outras que estão impactando esse investidor e estão repelindo ele daqui?

ALAndré Leite

Essa pergunta é boa, né? Eu creio que esse, esse temor do Lula não fiscalista ou das políticas do Lula é algo que aflige muito mais o local do que o estrangeiro. Na cabeça do estrangeiro, o Lula já é o presidente. Então, por que que vocês estão preocupados, já que ele já é o presidente? Eu acho que hoje essa certa reticência hoje tá mais relacionada com o risco de você ter sanções. Então você tá num país que pode vir a ser sancionado, né?

E a gente tem vivido no mundo, né, por conta de toda essa complicação geopolítica que a gente vive, no mundo de muita quebra de regra, né. Você não— as instituições, os mecanismos globais não têm sido muito respeitados. Então você tá no cenário que você tá fazendo um negócio, você tá investindo num país que pode da noite para o dia sofrer algum tipo de sanção. Realmente eu acho que isso tem mais peso na cabeça do investidor estrangeiro do que o suposto efeito Lula, né.

TSThiago Salomão

Agora, sendo bem prático, André, como que o cenário atual tá mexendo com a sua maneira de pensar em alocação? Eu não tô nem falando de eleição, tá? Vamos pegar aí o ano de 2026 como um todo, né? Que a gente começou com um ano de dinheiro vem para o Brasil, juro vai cair, né? Aquele comecinho do ano que parecia que ia empolgar, veio a guerra, mudou tudo. E hoje a gente tá vivendo ainda essa espera pelo fim da guerra que não vem.

Então petróleo continua alto, juros começam a subir mundo afora. E no meio disso tudo, a TAG soltou até um relatório, né, que gerou muita repercussão, não justificando a zeragem em multimercados, mas explicando por que que não era mais uma classe que fazia parte das alocações da TAG. Enfim, queria que você resumisse aí esses quase 9 meses completos de 2026, como tá a cabeça de alocação sua, comercial, da TAG?

ALAndré Leite

A nossa cabeça de alocação conversa muito com a nossa configuração macro que a gente enxerga para o Brasil. O Brasil tem experimentado, né, um mix de política econômica que para a gente é muito disfuncional, que é você ter um fiscal extremamente frouxo e uma política monetária apertada para tentar fazer uma minimização de danos. Tanto é que a gente tá com juro real de quase 10% e o PIB mal sofreu, né? A gente vai fechar o ano com crescimento de 1,7%, 1,8%.

Criação de vagas continua, taxa de desemprego você não se mexeu. Então a política monetária não tá conseguindo fazer muita coisa, né, dado esse fiscal que a gente tem. O problema que você ter essa, esse remédio dos juros, né, ele funciona até uma determinada página do livro. E a gente entende, né, dado o dívida-PIB que a gente tá, 85, crescendo 5, 6 pontos por ano, né, a gente entende que talvez a gente esteja esgotando dessa nossa caixa de ferramentas você ter a ferramenta juro alto como uma coisa efetiva, né.

E o maior sintoma disso é quando você olha para o mundo corporativo Você vê 8 mil CNPJs hoje que estão em RJ. Isso daqui a pouco vai começar a bater na atividade, daqui a pouco vai começar a bater no desemprego. A pressão política por redução de taxa de juros vai ficar maior até do que já é. Então você, quando começa a não conseguir usar a taxa de juros para consertar uma disfunção de política econômica sua, você vai para um lugar muito ruim, né?

Você vai para um lugar que a gente chama, eventualmente você pode até ter uma repressão financeira. O que que a gente chama de uma repressão financeira? É você trabalhar, né, com uma taxa de juros real muito abaixo do que você precisa para resolver o seu problema de dívida, né. O problema hoje do Brasil, e não só do Brasil, do mundo, né, em maior ou menor grau, a gente tá falando dos Estados Unidos, tá falando do Reino Unido, tá falando da Europa, tá falando até da China, a gente tá no final de ciclo de endividamento dos governos, né.

Como é que você equaciona esse grande problema de endividamento? Você tem a maneira tradicional, que é a maneira que manda o livro-texto, que é aumentar imposto, cortar gastos. Só que isso é extremamente impopular, porque você vai gerar uma recessão, você vai gerar uma insatisfação popular. E hoje, nos governantes, não só do Brasil, mas em todo mundo, você não tem mais estadistas que nem você tinha no passado. Você não tem uma Margaret Thatcher, você não tem um Ronald Reagan, ou seja, pessoas, adultos na sala que estão dispostos a fazer coisas impopulares no primeiro momento, mas que são as coisas certas.

Você hoje tem um ciclo vicioso de políticos populistas, né? E dado que você não vai resolver esse ciclo de dívida da maneira correta, né, encarar esse problema da maneira correta, como é que você resolve isso? Você inflaciona, você deixa a inflação fazer o seu serviço sujo. E nesse processo você deixa a taxa de juros real trabalhar muito baixa ou eventualmente até negativa. Aí o seu endividamento ele vai caindo ao longo do caminho e você, no fundo, no fundo, você tá transferindo o seu problema, que é um problema do governo resolver, você tá transferindo isso para as pessoas, empobrecendo as pessoas via inflação.

Então como é que isso conversa com as nossas alocações, né? Tanto para Brasil quanto para o exterior, a gente vive um mundo, né, que os ativos nominais não te defendem mais desse cenário. O que que é o ativo nominal? É o juro nominal. Você vive no mundo que o que vai te defender, o que vai defender o seu poder de compra, são ativos ligados à inflação, são ativos reais. Então isso para portfólio brasileiro significa um percentual grande de papéis ligados à inflação.

E quando você tá falando para ativos lá fora, você tá falando de muitos ativos reais, tá falando de investimento em infraestrutura, tá falando de investimento em commodities, tá falando de investimento em ações, né? É o que vai defendendo o seu poder de compra nesse mundo, né, que a gente chama que é um mundo que o dinheiro vai tendo o descolamento, né? Isso fica muito claro quando você olha para base monetária dos países. Estados Unidos, né, da pandemia para cá, ele cresceu a sua base monetária, o seu M2, 7% ao ano.

Isso para uma meta de inflação que é 2%. Então ele cresceu a base monetária 3 vezes mais, 3 vezes e meia mais do que deveria pela inflação. No Brasil isso é mais ridículo ainda. O Brasil tem crescido a sua base monetária 15% ao ano, ou seja, todo ano o governo vai lá e imprime 15% a mais de dinheiro por uma meta de inflação que é 3%. Ou seja, ele tá expandindo a base monetária 5 vezes aquilo que deveria ser inflação. Não é à toa, né, que isso inclusive é um tema dessas eleições.

As pessoas têm essa sensação de empobrecimento. Todo mundo fala: nossa, eu tô empregado, eu tenho um salário que na minha cabeça esse salário aqui sempre foi um salário legal, Mas meu dinheiro não dá mais para nada, né? Então a gente tá vendo uma erosão do poder de compra. Isso não é só Brasil, isso é nível global.

TSThiago Salomão

É só dois casos anedóticos que ajudam a explicar isso. Antes da gente entrar aqui ao vivo, tava ligado ali no Globo News e tava mostrando o gráfico da taxa de desemprego brasileira, que tá na mínima histórica. E você vê assim, tá bem caindo, bem. Com um país que tá com desemprego na mínima histórica e e decrescente, não é que tá simplesmente na mínima histórica, tá decrescente, ele não traz essa sensação de bem-estar. Tem vários fatores ligados ao muito emprego informal que não entra ali, mas enfim.

Mas o ponto aí é que o desemprego tá na mínima histórica. E um outro caso anedótico que é legal também contar, a gente lançou um programa novo, né, o Especialista Responde, onde a gente tá trazendo especialistas para responderem temas específicos, perguntas específicas de um tema específico. Eu tava vendo hoje de manhã o episódio com Vinícius Mastro Rossa, Mastro Rossa ou Mastro Rosa, né? Enfim, grande Vinícius da Nova Milano, um dos melhores episódios que o Market Makers proporcionou às pessoas sobre o mercado imobiliário.

E ele respondeu uma pergunta que veio, era assim: meu pai com 29 anos já tinha uma casa e tinha um carro. Eu com 29 anos não consigo nem pagar direito a minha, o aluguel de onde eu moro, né? Por que que mudou aí? E enfim, ele vai falando, mas boa parte da resposta passa também por isso, pela perda de valor que o dinheiro teve, né?

ALAndré Leite

E o curioso que não necessariamente você vai ver isso nos índices oficiais de inflação, porque você fala, mas a inflação tá rodando aqui no Brasil perto de 4%, 4,5%, nos Estados Unidos tá rodando perto de 3%, 3,5%. Isso não seria o suficiente para provocar essa sensação toda de mal-estar. Só que como a gente vive numa economia muito desigual, né, você tem muito desigual, o andar de baixo, né, que não tem capacidade de poupança, tudo que ele gasta vai para o consumo.

Mas o andar de cima que sobra renda, ele acaba empossando isso em investimentos, ele acaba empossando isso em imóveis. Então você acaba tendo uma inflação de ativos, né, muito maior do que a inflação de bens e serviços, que é o nosso dia a dia. E isso que causa essa sensação de empobrecimento do cara que tá com 30 anos, não consegue comprar o apartamento dele.

LRLeopoldo Rosa

André, agora quando a gente fala disso, eu vou tentar não ser alarmista na minha percepção, tá? Mas é que quando a gente fala disso, que as pessoas estão se sentindo pressionadas pela perda do poder de compra, então é sentindo, se sentindo não, estão endividadas e inadimplentes, como que a gente convence a opinião da necessidade de um ajuste fiscal. Porque hoje esse tema não tá na campanha lá fora, ele tá aqui nas nossas conversas de mercado.

E quando ele vai para o cidadão comum, em geral ele é, ele encontra muita resistência, porque as pessoas já estão sentindo com pouco, não querem se sentir com menos ainda. E o ajuste fiscal eventualmente vai impactar em benefícios sociais, vai impactar em serviços públicos. Como que a gente constrói, a gente mercado, a gente, a política, constrói essa conversa para que as pessoas consigam entender? Na Argentina, acho que o Milei conseguiu, pelo menos num primeiro momento, convencer as pessoas de fazer o sacrifício junto para passar por uma etapa. Você acha possível isso acontecer aqui?

ALAndré Leite

Eu não creio que o Milei tenha convencido as pessoas, né? A sociedade argentina passou exatamente por esse processo. Que a gente tá passando hoje de inflacionamento da economia e de empobrecimento da capacidade de compra das pessoas. Só que passou isso de maneira exponencial, né, passou isso muito mais forte do que a gente. A sociedade argentina só se conscientizou que ela tinha que eleger um Milei que se elegeu falando que, ó, vamos ter 2 anos aqui muito duros, muito difíceis.

Ela só aceitou, né, a quimioterapia porque ela estava no momento de muita dor. O Brasil tá muito longe ainda de estar nesse momento de muita dor. A gente tem um pleno emprego, né? Então é para a gente aceitar passar por esse processo de quimioterapia, a gente vai ter que talvez infelizmente passar por mais dor. Eu não vejo como você vai convencer o brasileiro que esse ajuste fiscal hoje é necessário. Tanto é que é um assunto de bolha, né?

Convenhamos, ajuste fiscal não é assunto mainstream, é assunto de bolha de mercado financeiro.

LRLeopoldo Rosa

Acho que, não sei se haverá o debate na Globo na quinta-feira com Flávio e Lula, mas não acho, não consigo enxergar esse tema surgindo no debate, a não ser que ele seja lá naquelas caixinhas que o César Tralli puxa assim.

TSThiago Salomão

Quando falou de bolha, eu lembrei de entrevista que o Marcelo Flora deu recentemente, e tava falando muito sobre o modelo de comissionamento dos assessores e tudo mais. Aí falou, pô, gente, isso aí também é ter que pensar que isso é um— ele não falou de boa, ele falou, isso é assunto de Valor. Assim, isso aí é para quem tá vendo o Valor. E ele até fez uma parada para quem é de São Paulo, né? E leitor do Valor não cabe em Moema, né? Assim, é um pequeno grupo ali.

LRLeopoldo Rosa

É isso.

TSThiago Salomão

Enfim. E até sobre isso, André, como é que, pegando esse assunto aí mais ligado ao funcionamento do mercado financeiro, O quanto isso você acha, essa evolução do mercado, vamos dizer, do comissionamento dos profissionais do mercado financeiro, o quanto isso você acha que pode afetar a indústria de fundos? Pensando que o produto fundo de investimento talvez tinha uma aceitação menor pelo assessor pelo fato das comissões, o fundo precisava pagar uma comissão muito boa para ser bem visto por um assessor que busca essa remuneração.

No modelo de FII fixo não importa se o fundo é bom, se o fundo é ruim, é bom, ruim, o rebate, né, ele vai recomendar o que ele acha melhor. É, o quanto isso você acha que interfere aí no funcionamento da indústria de fundos de maneira geral?

ALAndré Leite

Acho que o Brasil tá vivendo um processo de evolução, né. Normalmente o que acontece nos Estados Unidos vai acontecer aqui uns 10 anos depois. O mercado americano, ele começou no modelo de comissionamento, né, que é o modelo de de broker, né, o modelo de corretagem. E o próprio mercado americano, né, se viu na necessidade de mudar. E ele se viu na necessidade de mudar quando a primeira geração dos corretores, dos brokers, ela se viu envelhecendo, ela se viu querendo se aposentar, e ela se viu na dificuldade de monetizar, né, de passar esse negócio para frente, monetizar e curtir aposentadoria dela, porque era um negócio que não tinha uma receita recorrente.

Ou seja, aquele modelo que dependia do assessor ou do broker matar um leão por dia vendendo produto para esse cliente. Então ele falou que, nossa, eu preciso perenizar meu negócio, deixa eu ir para o modelo de FII fixo, tá? A gente tá passando agora por esse começo de transição, né, que é você sair do agente autônomo e você ir para o consultor, né, que é o cara que te cobra o FII fixo. Não por conta disso, né, eu acho que a gente não tá vendo essa primeira geração se aposentar.

Mas sim pelos problemas dos exageros que aconteceram com esse modelo, né? Então a gente acha isso naturalmente muito saudável, né? Você reduz aí potencial de conflito de interesse. E sempre lembrando, né, que para você ter perpetuidade, para você transformar o seu negócio numa anuítia, né, de você ter aquele fluxo de receita recorrente, primeira coisa que você precisa fazer é tratar bem o seu cliente. Se você tá tratando mal o seu cliente visando ganhos de curto prazo, isso é um tiro no pé. Isso vai se voltar contra você mais cedo ou mais tarde.

LRLeopoldo Rosa

Agora, como que a gente é só—

TSThiago Salomão

antes, enquanto você fala, o nosso rating aqui de quantidade de pessoas vendo e quantidade de likes está muito baixo, tá 5 para 1. Então vamos lá, galera, aperta o botão de like aí no vídeo, ajuda a levar esse conteúdo para mais pessoas e mostra que vocês estão gostando do conteúdo. Mal aí, Lépinho.

LRLeopoldo Rosa

Imagina, a gente falando sobre mudanças, né, no mercado financeiro, a modernização dessas relações, etc. Você acha que o mercado tá num momento animado bastante para promover mudanças sistêmicas, inovações, etc., que precisam ser colocadas no mercado brasileiro? Porque às vezes eu tenho a impressão de que as pessoas estão tão envolvidas pelo desânimo com a política econômica, com o macro, com o cenário, que isso, essas coisas meio que se atravancam.

E talvez no momento de euforia de mercado um pouco maior, num bull market um pouco mais, um pouco mais não, um bull market empolgante, as pessoas estariam mais animadas para promover mudanças e modernizações.

ALAndré Leite

Hoje as mudanças são muito mais reativas, né? Até pelos problemas que aconteceram, né, caso do Banco Master, é muito mais uma reação a isso. Você sempre vai ter uma concorrência que vai tentar disruptar você, então você tem que reagir a isso independente de você estar animado ou não. E mesmo que você não queira, vai ter um competidor seu que vai estar usando a tecnologia, que vai estar usando isso para poder ganhar mercado de você.

Então enfim, eu acho que é uma vida, né, você vai ter que estar fazendo isso Queira você queira ou não.

TSThiago Salomão

E eu acho que até que no bull market é mais difícil ter mudanças. Eu também acho, porque no bull market tá todo mundo ganhando dinheiro. Quem vai ser o chato para falar, ô, vamos ajustar, aproveitar quem tá ganhando dinheiro, vamos ajustar isso aqui? Pô, eu acho que a gente já tá fazendo IPO demais. Eu acho que os fundos já estão, né, ninguém vai promover uma mudança. Acho que as mudanças são muito mais causadas pelos problemas.

Aliás, Falar em mudança, eu ia até mandar essa notícia para você, André, mas como a gente tava aí no meio do evento hoje o dia todo, falei, ah, depois eu converso com ele. Aí casou da gente tá aqui nessa live. Então vou te perguntar, voltando para o papo sobre fundos, sim, recentemente a XP puxou esse movimento da mudança da taxa dos fundos multimercados ali, né, que era 2,20 o tradicional, parece que mudou para 1 para 30, né? 1% taxa de ADM, 30 de performance.

E hoje teve até uma matéria no, não sei se era no Estadão ou no Valor, é com o Bruno Marques, né, que quem chefia a área de multimercados lá da XP, e alguns especialistas falando assim basicamente sobre quase como se fosse uma puxando uma mudança que pode ter na indústria. Queria saber sua opinião direta e reta, se você acha factível, se o problema, entre aspas, da indústria é de fato a cobrança dos fundos, se eles deveriam mudar essa cobrança, se de fato há espaço para reduzir essa cobrança.

Porque vamos, vamos ser franco aqui, né? O 2,20%, o 2% não vai para o gestor, ele tem que pagar toda a sua toda a cadeia ali que envolve o assessor, envolve a plataforma que distribui. E aí tem que combinar com os russos também, será que eles vão reduzir a comissão que vai transferir? Enfim, como você vê essas iniciativas pensando numa melhora da classe e pegando o multimercado principalmente, que está sofrendo aí a maior onda de resgate da sua história aí nos últimos 3, 4 anos?

ALAndré Leite

Acho que é saudável. Toda redução de custos é sempre para o consumidor, naturalmente é saudável, mas eu vejo muito mais como uma tentativa em cima do sintoma do que na origem da doença, né? E aí eu vou dar alguns passos para trás, né, que até foi muito aquilo que a gente publicou no estudo. O problema dos multimercados em si não foi nem a rentabilidade ruim, esse não foi o que deu origem a tudo. O problema que você tinha, qual o objetivo de você ter o um multimercado, um hedge fund?

É um cara que vai te entregar uma rentabilidade acima da taxa livre de risco, né? Ele vai te gerar um alfa, né, falando aí no jargão do mercado, e vai te proporcionar isso da maneira mais descorrelacionada possível com os indicadores de mercado, com índice de bolsa, com índice de renda fixa. Essa sempre foi a função da indústria, né? Isso sempre foi o objetivo da indústria existir. Você tinha uma correlação baixa, né? Dos multimercados com aquilo que a gente chama de Kit Brasil até 2017 e 2018.

Veio pandemia, veio juro baixo, a indústria captou dinheiro para caramba e o pessoal falou: opa, não tem alfa para todo mundo aqui, eu vou ter que entregar a beta, né? Entregar beta é comprar bolsa, comprar o índice de renda fixa. E o problema todo que isso coincidiu em 2022 com as eleições do Lula, essa política econômica disfuncional que a gente tem, e o beta do Brasil ficou ruim. Então o cara não tava entregando alfa, começou a entregar beta, tava te cobrando 2,20 para poder te entregar beta, que é o índice de mercado, e o beta foi mal.

Então é uma classe que teve uma tempestade perfeita. E a gente compara isso muito com quem tiver lá fora, né? A gente faz investimentos em hedge funds lá fora, a gente tá toda hora viajando para o exterior, a gente conhece os gestores, senta com gestores, e o que que a gente vê de diferença, né, entre o mercado lá e o mercado Primeiro que a estrutura do mercado mudou, né? Hoje você tem uma passivação enorme. O jeito que você descobre preço no mercado é diferente.

Antigamente você tinha gente fazendo conta o tempo inteiro. Hoje, quando você compra um ETF, você não tá fazendo conta de valor, você não tá descobrindo o valor intrínseco daquele ativo. É fluxo. Hoje o fluxo manda muito mais do que o fundamento na determinação de preço. Você também tem a questão da dos algoritmos. 60% do volume hoje no mercado americano não é um ser humano dando ordem, é uma máquina dando ordem. Então a estrutura do mercado mudou.

Como é que a turma lá fora acompanhou? Investimento maciço em dados, investimento maciço em tecnologia, algoritmos excelentes que funcionam. Então lá o pessoal cobra 2,20%, inclusive cobra fazer aqui um desconto, e tem muita gente lá que cobra mais do que 2,20%. Tem gente cobrando 3%, tem gente que tem uma taxa de performance extra que aparece depois no final. Lá você paga até mais do que 2,20%, só que você tem retorno, porque foi uma indústria que evoluiu, acompanhou a mudança do mercado e teve muito investimento em tecnologia.

Aqui a gente não teve esse investimento, né? A estrutura dos fundos ficou muito parecida com que era na década de 90, e você também não teve uma troca de guarda, né? Você vê mais ou menos os mesmos nomes comandando os mesmos fundos. Então a gente acha que Essa conjunção de fatores, né, levou essa indústria a deixar de entregar aquilo que ela tava se propondo, né. Isso autoriza a gente falar que é uma indústria que vai morrer? Não, claro que não.

A gente não acha que essa indústria vai morrer, mas ela vai ter que passar por um processo de reinvenção. Você vai ter que trocar nomes, você vai ter que fazer investimento em tecnologia, você vai ter que se readequar a esse mundo novo que a gente tá vivendo.

LRLeopoldo Rosa

Fazer uma pergunta, posso fazer uma pergunta bem bem leiga para vocês dois. A gente sempre ouve falar que o Brasil é o país da renda fixa e as pessoas têm apreço por ativos de renda fixa. Vocês acham que num eventual queda de juros, onde essa renda fixa, produtos de renda fixa deixam de ser atrativos, a gente tem potencial para abraçar outros produtos e ser um país em que a bolsa vai ter mais investidores pessoa física, em que os ETFs podem se colocar como um produto de risco um pouco menor, mas ainda no mercado de renda variável?

Ou isso é mais comportamental do brasileiro e não muda se o juro mudar e o CDB deixar de ser tão atraente como ele é hoje?

TSThiago Salomão

Deixa eu trazer um ponto aí antes do André responder. Assim, a resposta, eu vou pegar um pedaço do que a gente ouviu hoje no nos painéis, tanto com Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, e o Pedro Mota, que é gestor de portfólios da Nu Asset, focado em ETF, né. Lá em 2019, eu lembro que eu tava num evento da Rico Investimentos E me deram uma camisa para eu tirar uma foto. Essa camisa tava assim: RIP, Rest in Peace, renda fixa. E eu vesti a camisa, né?

Me deram a camisa, eu vesti a camisa, tirei uma foto. Eu lembro bem porque eu tava na XP na época e o pessoal lá da mesa de renda fixa— um abraço para toda a turma, o Rubão, toda a turma lá— o Rubão, né, Rubão, porque tem 2 metros de altura, o Marcão também 2 metros de altura— e falaram: Salomão, cola aqui na nossa mesa rapidinho. Aí eles fecharam assim no cerco. Que história é essa que renda fixa vai morrer? Eles trabalhavam na mesa de renda fixa da XP, né?

Bom, corta a cena para cá. Renda fixa não morreu, né? Tá bem longe disso. E a gente vê o tamanho que ela tá. Eu acho que isso passa também pelo que a gente tá vendo. Ah, agora os multimercados vão morrer. Ah, a bolsa acabou. O alfa não existe mais. Eu acho que algumas discussões, elas— o ser humano, ele tem essa capacidade, né, de pegar um evento recente e perpetuar ele para pôr isso aí vai deixar de existir, isso aí vai morrer.

Não tô dizendo que as coisas vão existir para sempre, mas obviamente num ciclo de queda de juros, de melhora de mercado, o dinheiro vai para esses ativos de renda variável, tal qual a gente viu entre 2003 e 2008, tal qual a gente viu de 2016 até 2018. É que estruturalmente a taxa de juros brasileira ela costuma ser mais alta do que o resto do mundo, né? Estruturalmente, o juro real brasileiro costuma ser mais alto. Então, até quem fez essa conta recente, acho que foi o próprio Vinícius Mastro Rosa, no vídeo que eu vi hoje de manhã.

Mas se você pegar historicamente qual foi a inflação média do Brasil, e você, se você tivesse feito um investimento que simplesmente acompanha a taxa de juros, você não teria gerado um alfa tão grande, porque no final o juro nominal, embora tenha ficado maior ali, ele não foi um super investimento em relação à inflação. Toda essa história longa para dizer que obviamente se o juro cair, a gente vai ter uma procura maior por esses investimentos, mas a gente jamais vai ser igual é um país como os Estados Unidos, que viveu por muito tempo um juro zero, estruturalmente falando, viveu, né, talvez é uma das melhores histórias de sucesso do mundo, né.

O próprio Warren Buffett fala isso, né, ele que o sucesso dele se deve muito a ter nascido no país que sempre foi estruturalmente positivo, né. O capitalismo lá fez as empresas prosperarem e crescerem. Então você ganhou muito mais dinheiro investindo em empresas do que investindo na renda fixa, do que se protegendo, né.

ALAndré Leite

Enfim.

TSThiago Salomão

Enfim, então acho que sim, o Brasil vai ter um aumento de investidores, mas talvez a gente não vire esse antro do capitalismo como vira outros lugares.

ALAndré Leite

Não, concordo com o Salomão, né? O ser humano reage muito, né, aos seus estímulos, aos seus incentivos. E Buffett, se estivesse no Brasil, seria um gestor de FDIC, ele não seria gestor de ações. O incentivo aqui naturalmente é para você estar no crédito. Eu acho que resolver a equação macro é uma parte do problema, né? Você resolvendo equação macro, você vai ter uma taxa de juros mais civilizada, você traz muita gente para o risco, assim como a gente viu, né, quando o juro ele foi para 2%.

Mas além disso, né, você tem todo, algumas questões que o Brasil precisa resolver se ele quiser entrar para essa liga de país capitalista que dá certo, né, de sair daquilo que a gente chama de um país da renda média. Você tem que ter um ambiente de negócios que seja mais amistoso, mais amigável empreendedor. Você tem muita lei aqui, você tem muito regulation aqui, você tem muita marra para poder empreender. É difícil você empreender no Brasil.

Então isso junto com a solução macro, junto com juros, ia destravar muito investimento. Outra coisa é a questão institucional. Tem um livro que é muito citado aqui, como sempre, eu escuto quase todos os seus podcasts, então um livro que quase todo mundo cita Why Nations Fail, né, o livro fantástico, né, que assim, o que faz o sucesso ou não de um país é a questão das instituições funcionando. E hoje o Brasil, né, eu acho que é um problema, na minha visão, até pior do que o problema fiscal, essa questão que a gente tá vivendo no Brasil da desinstitucionalização.

Então você melhora ambiente de negócios, reduz taxa de juros, e você tem um ambiente institucional que você, por exemplo, tem uma justiça que você sabe que vai ser neutra que você pode confiar, é, você vai ter um fórum para resolver as suas questões com outros atores aí do mercado financeiro ou da economia. Isso destrava muito o negócio, né? Então acho que a gente tem um longo caminho aí para poder sair desse ambiente que a gente tá, que a gente acaba sendo amarrado como um país que é conhecido como um país da renda fixa somente.

LRLeopoldo Rosa

Salomão. Não pode olhar. Pergunta de 1 milhão de dólares: adivinha do que os nossos espectadores estão falando no chat?

TSThiago Salomão

Eu já tava vendo aqui, mas estão falando de eleições.

LRLeopoldo Rosa

É isso, Renan Santos, né?

TSThiago Salomão

Ah não, eu ia citar o Renan, é o fenômeno Renan Santos. Acabou não, mas ó, falar uma coisa sobre o Renan Santos aqui tem que ser justo, né? O Renan tem um mérito, ele soube comunicar bem quais são os problemas estruturais a serem resolvidos. Só o só, eu não vou, aí é uma opinião de quem comentou, mas acho que todas as andanças políticas aí que a gente teve, talvez foi o cara que mais verbalizou os problemas, né? Enfim, acho que tá muito claro hoje, olhando esses últimos 2, 3 meses, que a eleição de fato caminhou para um segundo turno já no primeiro.

Todos os outros candidatos se desidrataram. Para mim, a única grande surpresa foi a perda de apoio aí, vejo pelo chat, ao nome Renan Santos, porque ele tava de fato fazendo muito barulho. E a ascensão do Augusto Cury, que para mim, eu já conversei com cada analista político que já veio aqui, cada explicação que dá, eu ainda continuo procurando uma evidência. Acho que essa ideia do não, ele pega o voto do cara que não é polarizado, ele é— vamos ver como vai ser na urna ali.

Mas eu achei impressionante. Aliás, para os fãs de futebol, reviver uma história do Augusto Cury, a relação dele com futebol. Vocês por acaso lembram da Copa de 2010, o técnico da África? Copa da África, técnico Dunga. Ele levou Augusto Cury para dar uma pré-eleção para os jogadores. Eles todos receberam porque o Dunga sempre foi um grande fã. E ele até deu uma entrevista no Fantástico, ele pediu para não ser chamado de coach do Dunga.

E obviamente que ele virou o coach do Dunga. Agora imagina, se o Brasil tivesse ganhado aquela Copa, talvez Augusto Cury estaria com mais intenções de voto agora nessa—

LRLeopoldo Rosa

candidato que levou a eleição ao Penta teria sido. Bom, ao Hexa, é verdade. Poxa vida, não, não sabia dessa história do Augusto Cury. Eu acho que assim, no fim, o que esse seguidor falou do Renan, eu acho que tem uma coisa interessante nesses candidatos, e que até, André, a gente falou no nosso painel lá com Maurício Moura, né? Quando você tem mais candidatos proeminentes, mesmo que ele não vá chegar no segundo turno, ele pelo menos desinterdita o debate, né?

Ele começa a colocar outras pautas na mesa e eventualmente, como o Renan fez, coloca ali assuntos que não interessam aos dois principais candidatos, porque os dois ali têm teto de vidro, né? Então se o Renan vai falar de ajuste fiscal, por exemplo, é um tema que não interessa ao Lula porque ele não fez, não interessa ao Flávio porque o pai dele também não que ele fez. E ele traz o recall do governo do pai para a própria campanha.

Então esses candidatos que eventualmente não vão ganhar, não vão chegar ao segundo turno, se a gente tá numa eleição normal, que eu acho que essa talvez não tenha sido, é muito legal porque eles pautam esses assuntos, né?

ALAndré Leite

Mas gera pouca repercussão, né? A gente deu trabalho, né, na TAG, de pegar todos os programas, tudo que foi escrito, todos os candidatos, colocamos na IA. Hoje em dia ajuda a trabalhar com essa maçaroca de dados. E sem fazer juízo de valor político, né, mas o melhor programa é o do Renan, né, o programa que realmente tem o melhor diagnóstico de todos os problemas, soluções tecnicamente ok, tecnicamente viáveis. Se ele vai ser a pessoa que politicamente vai conseguir fazer isso ou não, aí é outra história.

Mas em termos de programa de diagnóstico, claramente é o melhor programa. Mas qual repercussão que isso teve na sociedade? Muito perto de zero. A própria sociedade não quer debater os seus problemas, ela fica mais preocupada com condições absolutamente não importantes, como a condição da padroeira agora, né?

LRLeopoldo Rosa

É isso que acabou dominando a reta final da campanha. E aí eu fico imaginando assim, as pessoas do mercado que são mais conectadas nesse macro, né, cara? Tanta coisa para a gente discutir, tanto problema para resolver, e a discussão tá girando em torno de uma fake news, né?

TSThiago Salomão

É, mas isso até a gente falou no painel com o Bruno Funchal, né, André? Em 2022 a gente pelo menos conseguia enxergar os planos adiante, né? Porque você tinha uma agenda que o Bolsonaro defendia no lado econômico, muita coisa que andou aí apesar da pandemia, né? E você tinha uma alternativa, né, o Lula vindo com uma alternativa. Hoje você não vê o Lula falando do que vai fazer, e você também não vê o Flávio assim, embora ele traga uma questão ou outra.

As grandes agendas do Flávio, né, assim, o que mais tem sido dito, né, tem o lance de proteger a própria família, Tem o lance de, ah, o Lula vai dar esse reajuste? Mixaria, eu vou dar muito mais. Então assim, é porque sabe que o jogo é ganhar eleição, né? Depois a gente fala sobre o que vai ser feito.

LRLeopoldo Rosa

Você tá falando disso, eu lembrei, essa semana eu assisti o horário eleitoral e aí tava, era o horário eleitoral de governo, dos candidatos ao governo, né? E aí tanto o Tarcísio quanto o Haddad fizeram peças de horário eleitoral falando das propostas. Ah, vou criar não sei o quê, vou criar tananã. O Tarcísio mesmo falando que vai manter algumas coisas que ele já criou, mas falando de outras coisas que vai criar. E eu falei, caramba, então é assim que é uma campanha normal?

Porque você vai para o horário eleitoral dos candidatos à presidência, eles estão basicamente atacando um ao outro e defendendo os seus legados. Não tem proposta de Brasil, de programa, né, de criação de programas novos, de iniciativas. E o do governo de São Paulo tinha isso, em que pese as diferenças entre os dois, né? Mas eu falei, caramba, então era assim que era uma campanha propositiva, né? Embora eu acho que, enfim, o debate aqui em São Paulo acabou muito minguado porque favoritismo do Tarcísio também interditou um pouco de qualquer outra discussão. Mas eu acho que senti falta, sente falta disso.

ALAndré Leite

E o grande risco, né, das pessoas sentirem essa desesperança, elas perderem a fé na democracia, né. E eu falo isso até da minha geração. Eu sou de uma geração que aquela passeata na Canela era da direta já, eu tava lá, eu era adolescente, mas eu tava lá. Então tava lá brigando para sair daquele regime que a gente tava e para um regime democrático, né. Quando você passa 30 anos e você vê que os resultados não são aquilo que você esperava, até comparando com outros países, você começa a produzir uma desesperança nas pessoas.

E a democracia é igual casamento. Casamento, você é casado, você é casado, casamento não se sustenta sozinho. Se você não cultivar, ele vai apresentar problema, ele vai acabar. E a democracia também, você precisa cultivar a democracia. E a gente não tá vendo isso da parte das instituições. As instituições não estão cultivando a democracia. Não estão entregando, fazendo a entrega para a população daquilo que ela quer, né? E eu não tô nem comparando a gente com país desenvolvido não, tá?

Eu tava de férias agora, acabei de chegar da Turquia, que é um país de renda média igualzinho o Brasil, tem problemas macroeconômicos também que nem o Brasil, tem inflação alta, inflação lá é 30%, estão lutando agora com uma economia que tá desacelerando. Mas hoje assim, quando você compara o Brasil com a Turquia, a Turquia há 20 anos atrás, 25 anos atrás, tava muito parecida com o Brasil, em vários indicadores. Hoje eles têm o IDH muito na frente do nosso, eles têm uma renda per capita hoje 80% acima da renda do Brasil, a taxa de homicídio deles é 8 vezes menor do que a taxa de homicídio brasileiro, a taxa de roubo deles é 45 vezes menor do que a taxa de roubo brasileiro, né?

E são cidades que funcionam. Você vai a Istambul, Istambul tem 22 milhões de pessoas, Você acha que você vai encontrar esse caos, você encontra em São Paulo? Não, é uma cidade funcional, asfalto lisinho, não tem buraco no asfalto, transporte público funciona, você anda de trenzinho, você anda de barca, você anda de ônibus, tudo bonitinho, né? E eles não vivem no regime democrático já há bastante tempo. Então esse tipo de coisa vai gerando insatisfação nas pessoas.

Então tá na hora, né, da nossa elite política começar a olhar para democracia. A gente precisa cultivar a democracia, senão a gente corre o risco de perdê-la. E perder por incompetência, tá?

TSThiago Salomão

O André trazer uma pergunta, talvez teria que ser a primeira pergunta do papo, porque é o que tava no título, né? E aí o Luquinhas, né, nosso produtor, sempre falou: vou botar uma pergunta importante no título, vocês comecem o papo com ela. E o título era aqui, ó: eleições 2026, o que esperar da bolsa e do dólar após o resultado? Então, André, o que que vai acontecer na segunda-feira após o resultado, dependendo do resultado da eleição?

Vocês conseguem já, quer dizer, ninguém, não estou aqui querendo saber que você, você já tem a resposta disso, mas com base no que pode acontecer, o que você acha que vai ser a reação do mercado?

ALAndré Leite

A gente tem uma ideia de simetrias e assimetrias das classes de ativos em relação ao que é esperado para as eleições, né? Hoje você quando olha, por exemplo, para um Polimarket, hoje tava precificando 60/40 para o Flávio, diferente das pesquisas que estão mostrando ali o negócio muito juntinho, muito igualzinho. Até o Maurício tratou disso muito bem, dessa diferença, né, de mercado preditivo para pesquisa durante a live dele. Ele tratou isso de maneira brilhante, né.

A gente quando olha para as classes de ativos, classe de ativo que a gente gosta menos em qualquer um dos dois cenários é a moeda, né, o real. Por quê? Porque você tá no momento de política monetária global de aperto, né, Europa subindo taxa de juros, Estados Unidos subindo taxa de juros. A gente ainda não tem noção da magnitude, do tamanho desse ciclo de ajustes, né. Aliás, uma coisa curiosa, né, o mercado sempre que começa um ciclo de ajuste de taxa de juros, ele acha que sabe o tamanho e o momento que esse ciclo vai terminar. 90% das vezes ele erra, né?

Isso é uma coisa que a gente sempre fala muito nas mesas, né? Ciclo de taxa de juros, todo mundo sabe como que começa, ninguém sabe como é que termina, tá? Então você tá, o mundo subindo taxa de juros e o Brasil caindo taxa de juros. Então o diferencial de juros tá ficando menos atrativo para você fazer arbitragem com a nossa moeda. Então isso coloca a gente, a moeda, como a pior das classes de ativos. O Que classe de ativos a gente gosta?

Naturalmente, no caso de uma vitória aí de oposição com perspectivas de melhora da situação fiscal, a gente gosta de bolsa, né? Bolsa brasileira bastante descontada ainda em termos históricos. E a gente gosta de juros longos, especialmente aí as NTN-Bs longas. A gente acha que tem um espaço de apreciação interessante. E num caso de manutenção de governo, essa simetria permanece igual. A gente acha que o ativo que talvez tenha mais para sofrer vai ser justamente o câmbio comparado bolsa e os NTNBs que não andaram muito, né?

Aliás, isso é uma coisa curiosa do mercado nessas eleições, né? O mercado tá colocando lá no Polimarket 60/40, mas na hora de você ver o movimento dos ativos, os ativos não estão se mexendo muito.

LRLeopoldo Rosa

Você acha que sim?

TSThiago Salomão

A bolsa até andou em alguns pontos, mas é que acho que o juro não tinha muito como, quer dizer, Talvez o juro poderia até andar mais, só que o fiscal acho que trava toda essa questão, né? E o dólar, eu acho que o câmbio realmente ele ficou, acho que o que andou mesmo foi o próprio mercado preditivo, né? Quem colocou dinheiro no Polymarket realmente fez o trade do ano ali, né? Quem comprou Flávia 30% agora já teve uns 100% aí de lucro.

LRLeopoldo Rosa

Não, você acha que essa, essa discrepância viria de onde entre o que tá no, entre o que tá no polymarket e o que na verdade o mercado tá precificando?

ALAndré Leite

Eu acho que você assim, eu acho que o mercado tem aquilo que a gente tava conversando até no final do painel do Maurício, né? Olhando tanto para uma hipótese quanto para outra de governo, a gente vai ver que são dois começos de governo difícil. Então você vai ter uma agenda de implementação um pouco mais difícil. Então o mercado ele talvez não pague muito imediatamente, ele quer ver o negócio acontecer, entendeu?

TSThiago Salomão

Bom, olha só, deixa eu trazer uma pergunta aqui mais por curiosidade, já que a gente falou do, de, da segunda-feira. Eu vou pegar o 5º vídeo mais visto da história do Market Makers, da história E olha que loucura, ele foi feito 4 dias atrás. Tamanha a repercussão que deu esse vídeo. Aqui, ó, vou mostrar para você, André. A gente tem um vídeo de 2.600.000 views, foi feito 1 ano atrás, um de 2.500.000, 2 anos atrás, e esse em quinto foi feito 4 dias atrás.

E o título era: voto útil e abstenção podem decidir o primeiro turno? E a análise do Jota José Desene, falando que eleição pode acabar no primeiro turno. Eu nem vou perguntar para você porque não, você pode vestir seu jaleco de analista político, eu sei que você não é, mas caso a eleição acabe no primeiro turno, como seria a reação dos mercados na segunda-feira?

ALAndré Leite

Eu acho que vão ser bem fortes nesse caso, acho que seriam bem fortes. Circulou uma pesquisa de seu site nas mesas, né, mais de 100 mesas responderam E o que que a média do mercado tá esperando para diferença entre Lula e Flávio no primeiro turno, né? Tanto a média quanto a mediana estão esperando uma diferença de 12,4% a favor do Lula. A favor do Lula é isso, e que tá no preço. E naturalmente, num cenário de segundo turno, que eu também acho que é o cenário base, né?

Eu acho que não é desprezível a hipótese de você ter um primeiro turno, de você ter uma decisão no primeiro turno. E se você tem uma uma diferença menor do que esse 2,4%, eventualmente até mesmo sem o Flávio ganhar no primeiro turno, mas ele já virando na frente, eu acho que você pode ter uma reação um pouco mais forte sim no primeiro momento. Mas veja bem, né, e aí eu quero fazer a separação de curto prazo para separação de médio prazo.

Isso, né, não significa que esse nível de preço depois vai sustentar, não significa que você vai ter fluxo vindo para sustentar os ativos, significa uma grande descompressão, que você tá tirando um risco fiscal de mais 4 anos do jeito que a gente tá e tendo uma perspectiva de melhora. Se isso vai engatar numa tendência de alta, se isso vai ser um bull market mais consistente ou não, aí é entrega mesmo.

TSThiago Salomão

É assim, longe de mim querer fazer uma análise política melhor do que o mercado, mas pelo próprio histórico das últimas 6 eleições Se o Lula fica 2 pontos à frente do Flávio no primeiro turno, a chance do Flávio ultrapassar o Lula no segundo turno é enorme, pelo quadro dos outros políticos que disputaram essa eleição. Que bom, eu tenho visto aqui, tá até acompanhando, o Renan Santos tem sido muito vocal contra o Flávio, mas obviamente ele não vai fazer campanha a favor do Lula.

E todos os outros candidatos têm muito mais a ver, tem uma migração bem maior do que os 70/30 que o pessoal calcula para o Flávio, do que É, se você pegar 2022, o outros estava na esquerda, e mesmo o outros estando na esquerda, 70/30 foi a favor do Jair. Então eu acho que era Ciro, Tebet.

ALAndré Leite

Então eu acho que dá para você assumir com razoável grau de segurança que, dado que os outros estão todos na direita hoje, o Flávio vai capturar pelo menos os mesmos 70 que o Jair capturou dos outros que estavam na esquerda. Então eu acho que é daí para cima. Inclusive a própria campanha do PT, né, tudo que você vê de declarações, aquelas internas, né, de campanha, eles estão trabalhando que eles precisam fechar o primeiro turno com uma diferença de pelo menos uns 5 pontos para eles irem competitivos para o segundo turno.

Qualquer coisa abaixo disso, perto de 2, perto de 3, é uma eleição que vai ficar muito complicada para eles. E isso explica também essa sensação que a gente tem da campanha do Lula, dele estar em apertando todos os botões ao mesmo tempo. Eles sabem que talvez eles não vão ter muito espaço de tempo para trabalhar no segundo turno, então eles estão tentando comprimir todo o arsenal de armas que eles têm agora para o primeiro turno.

TSThiago Salomão

Bom, isso, mas só como tudo na eleição, né, cada dia a gente vai saber. Aliás, essa live aqui, quem tava agendado hoje às 7 da noite com a gente era alguém que ontem desistiu de concorrer aí. Inclusive, ele foi o motivo pelo qual a desistência, o Ricardo Salles, ele desistiu de ser candidato. Eu falei, olha, eu, Ricardo, a gente tinha um compromisso amanhã. Ele é, então, pois é, acho melhor a gente desmarcar. Mas até faz parte de uma estratégia, né, pensando que na eleição do Senado em São Paulo, né, você vê muitas cadeiras e vão ser 2 votos, e tinham 4 candidatos da direita.

ALAndré Leite

Então você garante mais votos para os 2 candidatos da direita ali, no caso, o Derrite e o André do E até as pesquisas de voto espontâneo, né, porque uma coisa é o estimulado, né, quando você vai para o espontâneo você tá na grande maioria dos estados alguma coisa entre 12 e 18% de indecisos, é o cara que na espontânea não falou. E o voto da espontânea é muito cristalizado. E a gente tem visto esse fenômeno nas últimas eleições, que é isso mesmo, de 10 a 20% das pessoas decide no final de semana.

Então a gente pode ter uma movimentação mais brusca É não só para Senado e deputado, que aí a indecisão é muito maior, mas você pode ter até uma movimentação mais brusca até na eleição presidencial, que aparentemente tá cristalizada. Mas é um cristalizado em cima de estimulado, não é um cristalizado em cima de espontâneo.

TSThiago Salomão

Vamos lembrar que em 2022, nas 48 horas antes da eleição, tivemos a, como é que era o nome dela mesmo? Ai, esqueci, que foi com a arma na mão, empunho, a Carla Zambelli. Tivemos as granadas do Roberto Jefferson também. Então muita coisa aconteceu, cenário assim na reta final. O Brasil poderia estar no Netflix assim com toda certeza, tranquilamente. Eu até, eu não sei se estiveram essa curiosidade de ler a matéria da The Economist falando sobre as eleições no Brasil, porque às vezes me dá um pouquinho de vergonha alheia de ver, nossa, olha como a gente tá sendo retratado, olha.

E assim, bom, tudo bem, tem um pouco do viés de como eles nos enxergam aí, mas boa parte lá é aquilo mesmo, né? Assim, é uma eleição que, enfim, o paralelo do Lula e o Biden, o legado do Bolsonaro, enfim, de salvar a família. No final do dia a gente acaba tendo que fazer essas escolhas, né? Porque são os dois que estão ali, né? Talvez não sejam os candidatos ideais, mas trazendo aqui as palavras do, quem foi que falou isso? Foi o próprio Jotinha, do essa eleição virou um plebiscito.

LRLeopoldo Rosa

Ah, sim, e o Maurício Moura falou isso hoje também no painel.

TSThiago Salomão

Com plebiscito, né? Então você acha que o Lula merece continuar, vota no Lula.

ALAndré Leite

Você acha que não merece, é exatamente isso.

LRLeopoldo Rosa

E aí é, acho que isso explica também essa letargia que as pessoas estão em relação à eleição nesse ano, né? Ninguém tá muito empolgado, ninguém vai votar no Lula, tá amarradão com o governo, ou no Flávio porque, nossa, tá super comprado com a ideia de ter Flávio presidente.

ALAndré Leite

Uma reportagem até, acho que no Brasil Journal, né? As pessoas não estão nem mais brigando nos grupos de WhatsApp. Você não tem nenhuma briga, é o desinteresse, né?

LRLeopoldo Rosa

Pelo menos isso, eu trouxe paz para as famílias a eleição de 2022.

TSThiago Salomão

Eu ia fazer uma piada, mas pode ofender alguns torcedores de futebol, mas se fosse aqui em São Paulo seria como São Paulino e corinthiano brigando no grupo de WhatsApp, ou no Rio de Janeiro vascaíno com fluminense, né, brigando. Porque não tem muito por que brigar, né? Porque o Flamengo tá muito à frente dos dois e o Palmeiras tá muito à frente dos dois, então Então fica aquela coisa do não tem muito como zoar.

LRLeopoldo Rosa

Isso aí.

TSThiago Salomão

Enquanto isso eu posso falar, o André inclusive temos um compromisso nesse, aí vai ser novembro, né? Copa do Brasil, André Vascaíno, a gente vai fazer um pré-jogo. É, então pô, já avisar todos os palmeirense aí do nosso grupo dos palmeirense do mercado financeiro, vão ter uma união torcida. Podia ser isso no Brasil todo, as torcidas unidas, né? Pô, a gente pode ir no jogo, sabia disso? A gente pode ir no jogo junto assim. Porque Vasco e Palmeiras são torcidas aliadas.

LRLeopoldo Rosa

Pode chegar lá camisa do Vasco, não tem problema, não tem briga não, não tem.

ALAndré Leite

Em São Januário é a mesma coisa, a torcida do Palmeiras assiste o jogo lá tranquilamente.

TSThiago Salomão

Já fui ver um jogo no Mineirão incrível, Palmeiras e Atlético, no Mineirão, Palmeiras e Atlético Mineiro. E desci do aeroporto com a camisa do Palmeiras, fui até o estádio sem problema nenhum. Mas enfim, ô André, vou aproveitar que você assiste todos os nossos os nossos podcasts, vou fazer o ping-pong com você. A gente nem ensaiou nem nada, mas já vou te fazer as perguntas que a gente sempre faz no final.

LRLeopoldo Rosa

Tá preparado?

TSThiago Salomão

Eu vou. A gente pode até deixar tipo Show do Milhão, pode usar uma eu pulo, Silvio, se você não quiser alguma que você não quiser responder, porque não se preparou. Mas vamos lá, a gente sempre pede sugestões de livro. Você já falou do Por Que as Nações Fracassam, mas não sei se você tem algum outro livro para recomendar. Eu peço um livro de mercado e um livro mais tema livre. Quais são as recomendações de leitura que você deixa para a galera?

ALAndré Leite

Tema livre, assim, depois que eu comecei minha vida profissional, confesso que o tema livre cada vez menos espaço e mais as coisas técnicas, né? Mas assim, um escritor que eu gosto muito, Gabriel García Márquez, li praticamente todos os livros dele.

TSThiago Salomão

É mesmo?

ALAndré Leite

Para mim, o livro predileto dele é Amor nos Tempos do Collor. Eu devo ter lido esse livro mais 7, 8 vezes de tão bonito que esse livro é.

TSThiago Salomão

Eu queria muito ter parado para ler o Gabriel Garcia Márquez. Eu acho que eu nunca li um livro inteiro dele.

LRLeopoldo Rosa

Aqui, Das Putas Tristes, esse, se você quiser começar por um, Memórias de Minhas Putas Tristes é um livro assim sensacional para começar.

TSThiago Salomão

Embora não tenha lido inteiro, a série no Netflix sobre Os 100 Anos de Solidão eu achei Trabalho artístico.

LRLeopoldo Rosa

Não sei se, André, se você viu essa série sobre o livro 100 Anos de Solução, mas assim, das poucas obras audiovisuais que ela faz jus ao livro, assim, geralmente a gente fala, ah, o livro é melhor que o filme e tal, o livro é melhor que a série. Nesse caso, acho que foi bem legal.

TSThiago Salomão

Mas o final é muito— acho que o livro deve ser mais pesado que a própria série.

ALAndré Leite

E ele tem uma coisa que ele captura, que essa história do realismo fantástico, né, que a gente que vive na América Latina Tem certas coisas que acontecem aqui que você não acredita, e ele captura muito bem esse surrealismo que a gente vive no nosso dia a dia, né?

TSThiago Salomão

É maravilhoso, é maravilhoso.

ALAndré Leite

E dos livros assim mais técnicos, né, o Morgan Housel, acabei de ler o segundo livro dele, né?

TSThiago Salomão

Ah, é? Eu tenho um bloqueio porque foi tão bom o Psicologia Financeira, eu tenho medo de ler os outros e falar, foi o The Art of Spending, né?

ALAndré Leite

A Arte de Gastar Dinheiro é tão tão bom quanto. E ele mexe bastante com você porque ele vai te cutucando em algumas crenças.

TSThiago Salomão

E esse é o terceiro, né? Porque no meio dos dois tem o mesmo de sempre, né? É isso, same as ever. Isso, isso.

ALAndré Leite

E as escolhas de gasto que você faz, por que que você gasta, que a grande maioria dos gastos que você faz é muito mais psicológica do que uma escolha racional sua. E você vai vendo aqui todos aqueles vieses que você fala Caramba, eu faço isso, caramba, eu faço isso. É um livro que dá o que pensar.

LRLeopoldo Rosa

Eu tenho vários, eu tenho esse livro todo grifado assim de coisas que eu fui vendo que eu faço errado.

TSThiago Salomão

Eu tenho que fazer o que mais funciona para mim, marcar uma entrevista com ele, porque quando ele der o fechado, aí eu me obrigo a ler, que é o que eu faço com quase todas as pessoas que eu, que tem livro publicado e eu marco entrevista, né?

ALAndré Leite

Você vai gostar.

LRLeopoldo Rosa

E ele tem também lá na sua plataforma de audiolivros.

TSThiago Salomão

Minha plataforma?

LRLeopoldo Rosa

Não, não, não a sua que você pertence, mas que você ouve lá os audiolivros.

TSThiago Salomão

Ah, legal, né? O Psicologia Financeira eu li e ouvi, acho que. Mas esse também é muito bom, muito bom mesmo. E uma música que toca o coração de André Leite?

ALAndré Leite

Nossa, eu tenho um compositor japonês, Ryuichi Sakamoto.

TSThiago Salomão

Caramba, hein?

ALAndré Leite

Compositor japonês, Ryuichi Sakamoto, ele faz música instrumental.

TSThiago Salomão

Ah, eu já Quem falou dele já? Eu acho que não é o Ryoshi com R.

ALAndré Leite

Ele é falecido já, morreu. Ele aparece alguns filmes, acho que Blade Runner ele apareceu.

TSThiago Salomão

Alguém que veio aqui falou, eu achei meio psicodélico esse negócio.

ALAndré Leite

É diferente, é um som diferente, viu?

TSThiago Salomão

Quem for ouvir, tem alguma música favorita aí do Ryoshi Sakamoto? Porque agora fiquei curioso, vou ter que ouvir isso aqui voltando para casa.

ALAndré Leite

Eu acho que o conjunto da obra dele é muito bom, mas assim, eu sou meio eclético, eu escuto de tudo, gosto de rock para caramba, é minha geração, aquela geração do rock, então MPB, enfim, de tudo a gente escuta.

TSThiago Salomão

Eu vou deixar salvo aqui porque tem no YouTube, tem um The Best of Ryoshi Sakamoto.

LRLeopoldo Rosa

Ele ganhou Oscar, famoso pelas trilhas do filmes, O Último Imperador.

TSThiago Salomão

Não fala no microfone, que senão—

LRLeopoldo Rosa

Perdão, Renanzinho, me empolguei aqui. Ele ganhou o Oscar e fez a trilha sonora do filme O Último Imperador. Bem legal.

TSThiago Salomão

E dá para ver uma figura bem exotérica, um capernão aqui. Bom, um convidado você gostaria de ver aqui no Market Makers trocando ideia com a gente? Convidado, não candidato.

ALAndré Leite

Convidado que eu gostaria de ver aqui.

TSThiago Salomão

Olha, já me deram uma crítica aqui. Pô, Salomão, Merry Christmas, Mr. Lawrence, ouça essa música, pelo amor de Deus, é linda. Eu acho que foi essa música que recomendaram.

ALAndré Leite

Essa música é muito bonita, é uma música triste, né? Mas Ela vai direto no coração, essa música é muito diferente. Um convidado no meio desse mundo político que a gente vive hoje, né, de tanto populismo, né, de muita gente jogando para plateia. A gente tem visto a primeira-ministra da Itália, né, Giorgia Meloni, né, se sobressaindo primeiro como uma das primeiras ministras mais longevas da democracia moderna italiana. E ela é tida e é conhecida como uma pessoa que ela fala as coisas muito, muito na lata.

Ela é tida como ser uma pessoa muito autêntica, né? E isso é uma coisa que eu sou muito curioso em relação a ela, né? Como é que uma pessoa que é conhecida e tida por ser uma pessoa muito autêntica consegue viver nesse mundo de extremo populismo que a gente vive, né? Ela assim, talvez não seja um candidato, assim, um candidato, talvez não seja um convidado facilmente alcançável, mas é uma pessoa que eu acho interessante.

TSThiago Salomão

O não nós já temos. Giorgia Meloni, é só, a gente já fala italiano.

LRLeopoldo Rosa

Você sabia que ela é? Eu assisti Terra Nostra.

TSThiago Salomão

Então, tão preparado.

LRLeopoldo Rosa

Sabe que ela é jornalista?

TSThiago Salomão

Olá!

LRLeopoldo Rosa

Que legal, eu posso falar para ela, mas sou meu colega.

TSThiago Salomão

Muito bom. O livro Música Convidado tem agora uma pergunta nova, além da gentileza, maior gentileza da sua vida, que eu vou querer ouvir. Mas antes, a pergunta nova: uma curiosidade sobre você que pouca gente sabe ou ninguém sabe?

ALAndré Leite

Curiosidade? Comecei minha vida profissional trabalhando numa fábrica.

TSThiago Salomão

Uma fábrica?

ALAndré Leite

Fábrica. Eu fiz ensino técnico, eu fiz escola técnica, meu primeiro emprego foi como técnico de manutenção em uma fábrica. Carregando caixa de ferramentas, trepando em caldeira para poder consertar caldeira.

TSThiago Salomão

E você sabe, bom, aí sobre curiosidade de trabalho, o último painel do Tag Summit fizemos com o Glauber, que é CEO da Revolut, e o cara, acho que nisso aí de trabalho, jamais imaginaria. E uma das coisas que ele, eu não sei se eu conto agora, eu Espero quando ele vier aqui no podcast para contar. Mas ele falou que ganhava a vida como clapman nos Estados Unidos, batendo palma. Ele falou, se você aprender como bater palma, você é pago para ir nos programas de auditório para bater palma, porque tem 7 jeitos de bater palma.

ALAndré Leite

Eu já vi tudo de profissão inusitada, né? Leão de chácara, segurança, mas batedor de palma eu nunca tinha escutado.

TSThiago Salomão

O pior é como ele chegou nessa profissão. Porque como ele tava estudando nos Estados Unidos, ele precisava de dinheiro. Aí ele é faixa preta de taekwondo, já ganhou vários campeonatos. E aí ele falou, bom, como eu sou faixa preta de taekwondo, eu me candidatei para ser segurança. E eu era segurança de um teatro, alguma coisa, só que ganha muito pouco segurança lá. Eu descobri que se eu aprendesse a bater palma, ia ganhar 4 vezes mais que eu ganhava como segurança.

LRLeopoldo Rosa

Cara, é a versão feliz das carpideiras, né? Tem gente que é paga para chorar, a gente que é pago para bater palma. Depende aí do seu nível de humor.

TSThiago Salomão

Pior que no meio disso tudo ele conheceu, como segurança, ele conheceu o pessoal do Pussycat Dolls, aquela grupo de girl band. E aí ele começou a trabalhar como assistente de produção do Pussycat Dolls, e ele só largou essa profissão porque ele teve que voltar para o Brasil. Ele estudava no IME.

LRLeopoldo Rosa

Que vida divertida!

TSThiago Salomão

Teve que voltar.

ALAndré Leite

Eu falei, cara, essa minha folha de prisão, eu ou você volta, você vai ser—

TSThiago Salomão

eu falei, cara, ou você é o melhor mentiroso do mundo, ou tem uma história muito, muito legal. Exatamente. André Leite: qual a maior gentileza que já foi feita na sua vida?

ALAndré Leite

Essa pergunta bem pessoal, né? Bem difícil. Eu acho que minha mãe, né? Assim, sempre acreditou, né? Nunca colocou empecilhos em relação ao que eu poderia vir a ser o que eu queria ser, sempre acreditou, né? Então você, quando tem uma mãe que acredita em você, né, acho que isso é meio caminho andado para você botar a cara no mundo e fazer as coisas, né?

TSThiago Salomão

Muito bom, muito bom. Lepinho, posso finalizar o papo?

LRLeopoldo Rosa

Finalizar. Lembrando a todo mundo que nos assiste, Super parceiro do Market Makers.

TSThiago Salomão

Sua próxima viagem corporativa, use hotéis.com, garanta lá todo, faça todo o uso lá para você ter tudo registrado, memorizado, para facilitar todas as suas viagens de trabalho. É uma excelente ferramenta para isso. E fazendo 10 viagens, você ganha 10 diárias, né, você ganha uma de graça depois. É, lembra a promoção das pizzas, né, aqui em São Paulo, né? Você juntava os 10 pacotes, os uns 10 pedacinhos lá da tampa da pizza e você trocava por uma de graça.

Aí o hotéis.com aderiu isso também, faz 10 viagens e aí a 11ª diária você ganha de graça. Mas tem que ser lá pelo hotéis.com Rewards. Então aproveita lá na sua próxima viagem de trabalho, use hotéis.com. André, obrigado por topar essa live, né, essa maratona, né? Estamos desde as 9 da manhã aqui. É, espero que você descanse bem.

ALAndré Leite

Eu que agradeço.

TSThiago Salomão

Eu agora vou bater um futebolzinho ainda.

ALAndré Leite

Rapaz, que disposição! Aproveita que o frio tá chegando.

TSThiago Salomão

É, então quando chegar, então eu acho que é isso, time bomb, né? Tá indo. Mas valeu demais, viu, André? Valeu, valeu pela presença, valeu por tudo que você compartilhou e valeu pelo voto de confiança do Market Makers estar com vocês nesse super evento que sempre foi o Tag Summit, um dos eventos mais mais importantes da indústria de investimentos do Brasil, e esse ano com a gente.

ALAndré Leite

Valeu, obrigado, gente. Obrigado, Léo.

TSThiago Salomão

Obrigado, André.

LRLeopoldo Rosa

Prazer, viu?

TSThiago Salomão

Leopinho, brilhou hoje lá no evento, brilhou hoje aqui. Valeu demais. Valeu. E ficou bem aí de camisa, né? Pode usar mais. Muito bom. Valeu vocês que acompanharam a live até o final. Joinha no vídeo, se inscreve no canal. Toda terça, quinta e domingo tem episódio novo. Aliás, domingo não tem episódio novo porque domingo estaremos ao vivo a partir das 5 horas para fazer a cobertura eleitoral. Vamos trazer vários convidados para falar como o mercado deve reagir na segunda-feira com o resultado das eleições.

Então acompanha o Market Makers. E já adianto, tá, segunda-feira, 10 da manhã, também vamos estar ao vivo para acompanhar a abertura do pregão com um time de especialistas para deixar você muito bem informado. Beleza, até a próxima aí.

ALAndré Leite

Tchau, tchau!

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