Episódios de Market Makers

#414 | IA, NVIDIA E ENERGIA: ONDE ESTÃO AS OPORTUNIDADES DA PRÓXIMA DÉCADA?

20 de setembro de 20261h58min
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Carlos Camacho explica como está investindo nas grandes transformações que podem definir a economia global nos próximos anos.Neste episódio do Market Makers, Camacho apresenta a tese que conecta envelhecimento da população, inteligência artificial, aumento de produtividade, Nvidia, semicondutores, data centers, energia e o chamado “excepcionalismo americano”.A conversa passa pela construção do portfólio Global Trends, pela importância de pensar investimentos com horizonte de longo prazo e pelas empresas que podem capturar os ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial.Também falamos sobre Nvidia, TSMC, Amazon, Google, Broadcom, healthcare, biotecnologia, bancos, meios de pagamento, energia nuclear, gás natural, Estados Unidos, China, Europa e diversificação internacional.Camacho ainda conta sua trajetória desde a GAP Asset, sua mudança para os Estados Unidos e Portugal, sua internacionalização como investidor e como sua visão de mercado mudou depois de décadas operando no Brasil e no exterior.Assista até o final para entender:• Por que demografia está no centro da tese de investimentos de Camacho• Como IA pode transformar a produtividade mundial• Por que data centers criaram uma nova corrida por energia• A tese por trás de Nvidia e semicondutores• Como o BTG Global Trends estrutura seu portfólio• Por que Camacho prefere olhar investimentos em horizontes de vários anos• Estados Unidos x Europa x China• A importância da diversificação internacional📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$11,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -A IA VAI MUDAR A ECONOMIA MAIS DO QUE O MERCADO IMAGINA | Market Makers #414Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market Makers)Convidado: Carlos Camacho (head de gestão do núcleo Global Trends da BTG Pactual Asset Management)Edição: Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#BOLSADEVALORES #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio2
T

Thiago Salomão

HostJornalista
C

Carlos Camacho

ConvidadoHead de gestão do núcleo Global Trends da BTG Pactual Asset Management
Assuntos5
  • A tese de investimento Global Trends baseada em demografia e produtividadedemografia global negativa·população economicamente ativa envelhecendo·impacto na demanda agregada·produtividade impulsionada por IA
  • Estrutura do portfólio Global Trends em três blocos interligadosempresas de tecnologia e infraestrutura·empresas do setor real·infraestrutura e geração de energia elétrica
  • Oportunidades de investimento em setores específicos impulsionados pela IAhealthcare e biotecnologia·setor financeiro e meios de pagamento·infraestrutura e geração de energia·NVIDIA e semicondutores
  • O excepcionalismo americano como fator de investimentopolíticas pró-mercado privado·crescimento econômico superior·vantagem em relação à Europa·estabilidade da dívida-PIB
  • A trajetória profissional de Carlos Camacho e a transição para o mercado globalexperiência na Gap Asset·mudança para os Estados Unidos e Portugal·internacionalização dos investimentos·evolução da visão de mercado
Transcrição145 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CCCarlos Camacho

Tecnologia não vive sem energia elétrica. Você o que o empresário quer, o que o investidor quer é apertar o botão de on e começar a receitar, né?

TSThiago Salomão

Mercados globais é só o que ele faz hoje, mas a gente vai ter muita história aqui para contar. Tem tudo para ser um papo altas expectativas.

CCCarlos Camacho

Para o nosso portfólio nunca terá menos que 15 empresas, nunca mais do que 25 empresas. Por quê? Como já dizia o Warren Buffett, né, quem diversifica muito mantém o patrimônio, mas quem concentra gera riqueza. A ganância hoje no mercado é assim desmedida, mas isso pode atrapalhar a gente? Talvez intra ano, interno ano.

TSThiago Salomão

Conselho que você daria para um stock picker brasileiro nato?

CCCarlos Camacho

A diversificação de capital eu acho que é uma necessidade, né? Hoje quanto é que é o PIB dos Estados Unidos? 33, 34 tri. 0,5% desse PIB, a gente tá falando em 160 bilhões de dólares. Isso é apenas uma questão de vontade política.

TSThiago Salomão

Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da Família Investidora Brasileira. Eu sou Thiago Salomão e hoje vamos ter um papo sobre mercados globais. Mas, cara, não vai ser só sobre mercados globais, que a gente tá aqui com um verdadeiro investidor que já viu de tudo no mercado. E mercados globais é só o que ele faz hoje, mas a gente vai ter muita história aqui para contar. Tem tudo para ser um papo, altas expectativas.

Então nem vou falar muito, né, porque Munger já me ensinou que o segredo da vida, né, são baixas expectativas. Então vamos, vamos com calma, mas certamente temos um convidado de peso aqui. Mas antes, não existe almoço grátis nem podcast grátis, então já peço encarecidamente, deixa seu like no vídeo, se inscreve no canal. São mais de 7 milhões de pessoas que orbitam aqui no Market Makers por áudio, por vídeo, pelas nossas newsletters.

Então você dando o joinha no vídeo, se inscrevendo no canal, ajuda a levar essa mensagem mais para frente. E deixar o agradecimento para o pessoal da Binance, nossos parceiros aqui do Market Makers. Então se você quer investir em criptomoedas 24 horas por dia, 7 dias por semana, na corretora mais segura e com maior liquidez do mundo, use a Binance, nossa parceira aqui do Market Makers. Tem um link para você abrir sua conta na descrição, QR code na tela, e você vai ser muito bem atendido pelos nossos parceiros.

Bom, vamos lá, papo de hoje é com o Carlos Camacho. Vocês já viram aí na thumb, é o Carlos, é um cara que já passou por muita coisa no mercado. Esteve lá no começo da Gap Asset, uma gestora que inclusive um ex-colaborador aqui mandou uma mensagem, já vou ler para o Carlos. Mas fez ações desde os anos 90 aqui no Brasil, saiu do mercado brasileiro em 2015, 16, onde ele foi fazer um mestrado lá fora e começou a investir lá no mercado americano.

Então hoje, enquanto é uma grande moda até em muitos gestores que estão operando no mercado global, o Camacho já faz isso há muito tempo. Começou a fazer isso no, no Wealth do BTG, entregando um resultado tão bom que agora a sua estratégia de investimentos globais está disponível para os clientes do BTG Pactual. Então hoje, até para você que é daqui do Brasil, não precisa nem ter conta lá fora, Você pode investir no BTG Global Trends.

Tem a versão com a cota em dólar e tem a versão rediada, né, com a cota em reais, onde você com aplicação mínima de R$1.000 pode investir na estratégia do Camacho. E o que que é essa estratégia? Aí é o papo que a gente vai ter hoje, que, meu, já abriu minha cabeça quando a gente conversou dias antes dessa entrevista aqui para alinhar a pauta. Tem muita coisa legal para falar com o Camacho. E bom, e deixar aqui meu agradecimento à turma do BTG, né, que fez esse meio de campo.

O pessoal da Asset, que é mais um golaço aí que a turma tá fazendo, né, já tem reforçado a equipe, né, fez a estratégia Volt, o Synergy, que com o Caxapuzi, o Will, que já vieram aqui, o Alfa Macro, toda a família de ETFs que já tá ali chegando nos R$22 bilhões sob gestão. Então parabéns ali a todo o time. Já deixar um puxãozinho de orelha no Rubens CEO da BTG Asset Management, que tá devendo aqui uma visita no Market Makers para a gente ter um papo.

Mas, Camacho, bem-vindo ao Market Makers, bem-vindo ao Brasil, né? Porque viajou aqui para terras brasileiras para ter esse papo aqui com a gente. Tô muito honrado, cara. Já foi um papo incrível, já conversei com muita gente. Tô com expectativas altas para essa conversa. Você tá preparado?

CCCarlos Camacho

Eu acho que sim. Eu quero primeiro agradecer essa oportunidade, que isso é muito importante, né? Mas a minha frequência pelo Brasil tem sido de quase uma vez por mês, sabia? Então, tipo, tô bastante assim adequado aí essa rotina de vir e de estimular minhas equipes, etc., né?

TSThiago Salomão

E, ó, vou ler para você uma mensagem que recebi de um— quem me mandou essa mensagem, como ele nunca veio no Market Makers, acho que ele nunca vai vir porque ele é muito recluso, eu não vou nem falar o nome dele, mas trabalhou com você. Ele disse assim, ó: o Camacho é um cara nota 11. Um exemplo de dedicação e seriedade com a vida profissional, muito disciplinado na gestão. Aprendi muito isso com ele, usa muito bem opções e instrumentos derivativos para adaptar os payoffs de maneira inteligente, sempre muito objetivo e focado em resultados práticos.

E disse que eu certamente ia ter uma ótima entrevista. Depois eu falo quem é, mas aqui eu vou preservar a identidade dessa pessoa querida aí. Camacho, é Eu, vamos começar falando um pouco de como é que você enxerga o mercado, porque depois a gente pode falar de como foi sua trajetória aqui no Brasil, como você foi parar lá no Fazendo Estratégia Global. Mas eu já queria ir para a parte mais importante ali, que foi o que explodiu minha cabeça ali quando a gente conversou, da maneira como você enxerga o mercado, como é que você distribui isso numa estratégia que é hoje como você investe. Então vamos dar esse ponto de partida aí.

CCCarlos Camacho

Então beleza, bom, explicando um pouquinho como é que a gente desenvolveu essa tese, né, e também destacando a questão seguinte, quer dizer, eu acredito é que o macro cenário é que dita de certa maneira a direção. Depois que a direção fica estabelecida e fica de fato bastante substanciada, eu acho que a gente desce para o micro e faz o picking dos ativos. Então, basicamente, eu me definiria como top-down, e depois que isso fica efetivamente, é assim, confortável dentro da minha avaliação, a gente faz o bottom-up das ações, né?

Mas assim, a tese, ela assim, de maneira resumida, né, é uma tese em cima de uma demografia pior no mundo a nível global. Ou seja, aquela história do alguns países que tinham bônus demográfico, isso não é mais uma realidade. Isso, de certa maneira, também é aliado a um fator bastante perigoso hoje em dia, que é a taxa de reposição da população. Hoje ela é extremamente negativa, ou seja, de certa maneira, morrem mais gente do que nascem, né?

E isso em 2021, quando eu comecei essa tese, já era um número negativo. Hoje é bem mais negativo, até de certa maneira reforçado por China, né, que De certa maneira, a classe média, principalmente depois do Common Prosperity, das intervenções governamentais, pisou no freio no consumo. E naturalmente isso leva a um planejamento familiar um pouco mais conservador, né? Mas a tese basicamente ela, ela versa sobre o fato de que a população economicamente ativa no mundo vai ter 40 anos em média até 2030.

E a taxa de reposição populacional é muito negativa. Então, o que que isso quer dizer? Isso quer dizer que já existe um contingente dentro dessa força de trabalho se aposentando, um contingente em vias de se aposentar, e uma parte desse contingente que tá entrando no mercado de trabalho, mas em número menor ou insuficiente para financiar quem vai se aposentar, né? Isso, de certa maneira, implica em algumas questões Importante.

A primeira é que o indivíduo que se aposenta, o indivíduo de classe média que se aposenta, ele tem menos poder de compra do que ele tinha na ativa. O segundo aspecto é: se esse fluxo hoje, esse fluxo previdenciário, ele é imperfeito, os governos vão fazer o que eles sabem fazer de melhor, que é subir impostos para financiar esse diferencial, né? Isso também detrai renda. E terceiro aspecto, bem óbvio, população vai envelhecendo, os eventos de saúde vão acontecendo, isso também detrai renda.

Então, uma conclusão assim simplista, mas bastante realista, é que a demanda agregada dos próximos 10 anos certamente será menor do que foi nos últimos 10 anos.

TSThiago Salomão

E só, desculpa te interromper, mas desde quando você carrega essa tese? Quando você começou a olhar para o mundo desse jeito?

CCCarlos Camacho

Na verdade, foi em 2021 quando eu tive a felicidade de ler um relatório sobre demografia feito pela McKinsey Consultorias. Então, tipo, a partir dali eu fiquei assim curioso sobre os efeitos que a demografia, olhando para frente, né, iriam, como elas iriam afetar o mercado, né. E de certa maneira em relação a tudo isso, quer dizer, a gente poderia perceber que a demanda agregada para frente ela vai ser negativamente afetada. Se ela vai ser muito afetada, pouco afetada, eu não teria essa precisão.

Isso é uma coisa que a gente tem que acompanhar para avaliar, mas ela será afetada. A direção você já sabe, exatamente.

TSThiago Salomão

O impacto não sabe ainda, mas a direção já sabe.

CCCarlos Camacho

O fato é que empresas de qualidade a nível global, né, elas são muito bem geridas, né? E esses CEO, CFO, eles de fato, eles vão ter uma atitude preemptiva, né? Eles não vão esperar o mercado, eles não vão esperar ter relatórios sucessivos de queda de revenue para chegar aí: temos um problema, temos que resolver o problema. Eles vão ser preemptivos. E o que eu, o que eu entendo que você poderia fazer para driblar esse problema mais estrutural é incrementar de uma maneira importante a produtividade.

E a produtividade, quando a gente pensa nisso, ela nos últimos 10 anos ela adveio do uso de tecnologia, sendo que era uma tecnologia assim que teve uma evolução importante, mas era uma tecnologia de informação, de busca de dados, mas não era uma, não era uma tecnologia como a atual, que de fato trabalha os dados, gera mais dados, geram inteligência, que tem capacidade de resolver questões científicas, problemas matemáticos, de achar novos materiais, de resolver, de achar soluções empresariais mais eficientes.

É completamente diferente do que foi no passado. Então é razoável imaginar que a produtividade dos próximos 10 anos será mais exponenciada do que foi nos últimos 10 anos. Então, para substanciar minha tese, eu tive que fazer um teste de quanto de valor a gente tá falando, porque se fosse um valor irrisório, a tese também tava furada, né? E de novo, lembrando o início aqui, né, a tese ela tem que ser necessária para o mercado para que ela seja validada, senão não tem valor nenhum.

Então o que que eu fiz? Eu peguei o valor gerado por produtividade nos últimos 10 anos e de uma maneira simplista e conservadora multipliquei por um fator que, na minha opinião, iria exponenciar essa curva. E cheguei a um valor de 10 trilhões de dólares a nível global, e achei esse valor suficientemente robusto para iniciar o meu investimento, né? Aí, só fazendo uma interrupção e jogando um pouco para frente, né, em 2024, o FMI, na Spring Meeting que ele fez em Washington, que ele faz regularmente aliás, eles fizeram um painel de AI com produtividade.

E nós fomos lá e chegamos lá e o valor não era os 10 tri, era 17 trilhões de dólares. Então, obviamente, a gente já tava comprado na tese, mas isso reforçou ainda mais a nossa convicção na tese, né? E o que que a gente fez, né? Logo depois, no final de 2021, nós escolhemos começar no ano de 2022, o ano da crise, né, aonde tanto renda fixa quanto equity caíram aí 18%, 19%, sem falar no Nasdaq, que caiu cerca de 30%, né?

TSThiago Salomão

Desculpa, é que 2022 faz tanto tempo que a gente até fica, qual crise que ele tá falando?

CCCarlos Camacho

Porque 20 foi a COVID, aí 22 foi o, foi a volta das taxas de juros, porque houve uma reativação da atividade econômica porque tava bloqueado lá pelo COVID-19, e as taxas que eram próximas de zero começaram a subir. Só que a inflação também foi, explodiu, né? Então ficou aquela sensação de que a gente tava vivendo talvez uma estagflação, ou seja, inflação alta sem crescimento, né, que foi a tônica em 2023, né? Mas o fato é, a gente tocou essa tese em 2022 e o nosso portfólio, a gente foi muito feliz no aspecto de criar dentro desse ambiente de assim de AI, de busca de produtividade em em função de uma demografia pior, a gente dividiu o nosso portfólio em 3 blocos distintos, né, mas interligados em termos dos fundamentos.

Então, o primeiro bloco constituía-se das empresas de tecnologia que iriam fornecer, a partir de então, a tecnologia ou infraestrutura necessária para que as empresas do setor real adquirissem essa tecnologia, gerassem vantagem comparativa e de fato ganhassem o seu market share e ganhassem, pudessem se impor em relação aos seus concorrentes diretos, né? Então a gente entendia isso. Então o primeiro bloco era composto dessas empresas que eram 100% de tecnologia.

Só para dar alguns exemplos, por exemplo, nós tínhamos NVIDIA, Amazon, Google, TSMC, Broadcom, agora recentemente AMD e Micron. Essa é basicamente esse bloco, né? Hoje esse bloco até ele corresponde a uns 40% de peso do nosso portfólio. Quando ele iniciou, ele era menor, ele era na faixa aí dos 35%, mas agora tá mais nessa faixa, né? E aí até tem uma razão bastante clara, né? Quer dizer, o crescimento de lucro dessas empresas tem sido extraordinário, né?

Só para vocês, só para a gente ter uma ideia, né? Quer dizer, O S&P, ele projeta um crescimento de lucro em torno de 34% ainda durante o ano de 2026, né? Se a gente for pensar que o forward P/E ratio dele hoje é em torno de 19, 20, isso projeta até o final do ano um target de 8.200, 8.300 pontos, né? Se a gente for ver onde é que tá, a gente tá falando aí em 4 meses, 4 meses e alguns dias restantes, mais de 12% de alta. Se isso, se o Irã, se a questão do óleo, se a questão de todas as consequências que isso implica em aumento de taxa de juros não atrapalharem de maneira mais estrutural.

Mas então, mas esse era o primeiro bloco, né? O segundo bloco, que que a gente fez? A gente escolheu empresas do setor real. E aí tínhamos, temos, né, healthcare, Nós temos financials, meios de pagamento, nós temos turbinas aeroespaciais, nós temos industriais como United Rentals, como Siemens, que são empresas que na nossa opinião teriam uma possibilidade maior de capturar toda essa infraestrutura gerada pelo Bloco 1, criar uma vantagem comparativa assim distinta.

E essas empresas poderiam aumentar o seu market share ou mesmo fazer aquisições de outras empresas, incorporando mais esse mercado de uma maneira geral. Então, tipo, então seria essa tese, né, dessas empresas fazerem dinheiro com essa tecnologia. E aí o terceiro e último bloco é mais uma questão do calcanhar de Aquiles dessa tecnologia, né. Tecnologia não vive sem energia elétrica. Então a gente montou um bloco que é composto por duas empresas de infraestrutura de energia elétrica, empresas que têm um market share nesse segmento relevante, e duas geradoras de energia elétrica também.

Por que as geradoras, né? Porque a parte de infra faz muito sentido. As geradoras, por quê? Porque o grid elétrico ele se expande numa velocidade que eu diria pode ser medida a cada 2 anos, mas os data centers, a velocidade é semestral. Então existe aí um gap que abre constantemente. E isso quer dizer o seguinte: que quando você termina um data center, e são investimentos de bilhões de dólares, de centenas de bilhões de dólares dependendo do tamanho, você, o que o empresário quer, o que o investidor quer, apertar o botão de on, se é possível dizer assim, e começar a receitar, né?

Mas sem energia elétrica seria impossível. Então a gente acredita que os power purchase agreements, que são contratos formais de fornecimento de energia elétrica diretamente a esses empreendimentos, poderiam prosperar. E isso, de certa maneira, são contratos de 10 a 20 anos indexados ao CPI e às vezes com um prêmio de 1%. Então essas empresas geradoras teriam, de certo modo, uma robustez na sua estrutura de capital. Isso faz com que eles possam investir mais de uma maneira diferenciada em relação aos seus concorrentes, né?

TSThiago Salomão

O que eu achei muito legal, né, primeiro que sua tese foi construída num relatório que você viu em 2021, foi, e não foi um relatório do JP Morgan, do que é quase como o que todo mundo lá tá olhando. E aí a minha primeira dúvida, né, como é que isso pingou na sua cara e você viu isso como relevante? Porque a gente vê direto muitos fóruns dentro do mercado financeiro, não que a McKinsey não seja lida, né? Obviamente muita gente acompanha, mas não é, talvez não é a coisa mais óbvia quando eu penso de onde eu tirei algum insight de investimentos.

CCCarlos Camacho

Não, não há dúvida, mas isso aí nasceu de uma observância minha. Por exemplo, o que que eu reparei com o aumento da tecnologia? Eu reparei que o mercado passou a ter uma duration mais curta. Ou seja, a todo momento você vê sell sides, por exemplo, indicando opções de investimentos de uma maneira assim bem fundamentada até, mas são assim fundamentos de curto prazo e de médio prazo. E você vê também, de certa maneira, hoje é uma verdade, os influencers de mercado financeiro que estão assim se proliferando de uma maneira razoável Obviamente eles leem esse relatório do seu site, mudam um pouco o contexto, mas também vendem o peixe deles, na verdade.

E você tem também grandes gestores que têm interesses não tão óbvios, né, não tão transparentes. Ou seja, muitas vezes o cara quer sair de uma posição ou quer entrar numa posição, e obviamente ele conta uma retórica que pode ajudá-lo a construir esse movimento, né. Mas a conclusão que eu cheguei é que a linha, a rúbrica de sales and tradings de corretoras em geral era exponencial. Nos últimos 5 trimestres eu venho observando isso.

Ela é uma das linhas mais rentáveis de toda a estrutura financeira, e faz sentido. Então isso quer dizer que essa estrutura, que essa estratégia aliás, tá funcionando. Mas assim, de uma maneira, se você cai nessa questão, se você começa a tomar conta de fundamentos de curto e de médio prazo, qual é, na minha opinião, a chance de você prosperar? É zero, ou é muito baixa. Você vai ganhar em algumas, vai perder em outras, mas no fundo o seu rendimento será um rendimento pífio, ou seja, rendimento fraco.

Então eu achava que a gente tinha que ter um fundamento de pelo menos 5 anos, embora a liquidez do portfólio seja em D2. Hoje até você vê, a bolsa paga em D1, hoje você já consegue pagar o cliente em D2. Mas por que 5 anos? Porque 5 anos é um tempo suficiente para maturar essas ideias sobre a questão de AI no sentido de produzir produtividade. Então, tipo assim, eu pouco me importo com o movimento mensal, ou seja, ah, caiu, subiu, é a vida, você não tem como controlar essas coisas, entendeu?

Eu não tô atrás dessa questão, mas eu olho o ano como é um target de sucesso. Ou seja, eu todos os anos em que eu entrei, em que existe esse portfólio, que já existe há 4 anos e 8 meses, vai fazer 5 anos esse ano, eu todas as vezes eu olho o ano de 22, 23, 24, 25, 26, e eu percebo que os resultados anuais são resultados excelentes. Quando a gente olha para o todo, para 4 anos e 8 meses, os resultados foram realmente destacados, na minha opinião.

Mas eu, a minha exigência é esse horizonte de mais um ano e não horizonte de 3 meses, 4 meses, né? Por exemplo, recentemente, um exemplo, né, alguns sell sides no início do ano preconizaram a rotação fora dos Estados Unidos para Europa. Então eu fiquei pensando, poxa, interessante isso, né? Porque Estados Unidos criou o CHIPS Act, criou a possibilidade das empresas que investem em tecnologias e-forma depreciarem 100% do seu investimento em um ano.

Ou seja, isso claramente é, despressiona a sua estrutura de capital, ou seja, facilita o investimento. A questão regulamentatória é totalmente pró-mercado privado e não em relação ao governo em si. Ou seja, o ambiente ele é livre para o empresário, obviamente seguindo as regras impostas pelo governo, poder desenvolver o seu business da melhor maneira. Aí quando a gente olha a Europa, é o contrário: excesso de regulamentação, não existe capital de risco para as startups, não existe hoje.

Portanto, é que essas boas startups europeias se mudaram para os Estados Unidos para se desenvolver. A tecnologia também não é apreciada. Por exemplo, AI na Europa, discussão. Eu moro lá, A discussão é, puxa, Europa, o AI vai ceifar empregos, a humanidade corre um risco de AI assumir o controle. É tanta bobagem, e que eu fico pensando, poxa, e aí é que eu fico pensando, não é possível isso. E outra questão também interessante, né, em termos de crescimento, Estados Unidos, né, só para ter um dado fresco agora, né, segundo GDP, Naldo, Fed Atlanta para o terceiro trimestre já aponta um crescimento em termos reais de 4,3%.

Qual é a expectativa da Europa? É menos de 0,80%. Alemanha tá crescendo 0,2%. Ou seja, como é que eu vou investir num continente que não cresce, que tem um problema imigratório absurdo, né, em que é financiado, é que é totalmente subsidiado essa condição imigratória, e que é destrutiva em termos de crescimento econômico e a população envelhecendo, ou seja, não tem nenhum bônus demográfico ali. Como é que eu vou investir? E por que que os seus sádicos criaram essa tese do de Beisman com a Europa?

Na minha cabeça, claramente isso era errado, sem contar que o carry trade é todo a favor dos Estados Unidos. E o que aconteceu? Nada. Eles se deram mal, na verdade, né? No início entra um capital assim impulsionado por aquela, por aquele impulso não racional. E depois vem a realidade, né? Tipo, sujeito que investiu na Europa recebe 3% numa melhor hipótese. O cara que investiu em renda fixa nos Estados Unidos tá recebendo, não tô nem colocando esses 4,70%, 4,80% de agora, mas recebia 4,30%, 4,20% de certa maneira.

O crescimento da bolsa americana Como eu te disse, né, tipo o S&P como exemplo, crescimento de lucro é na faixa de 34% em 2026. Qual o crescimento dos índices europeus? É ínfimo, entendeu? Então, tipo, nada faz sentido. Mas agora as pessoas voltaram a acordar. Mas isso gerou um belo movimento de troca de posições e volta de novo. Quer dizer, é isso aqui eu coloco como assim perigoso hoje no mercado, né? Tipo, as pessoas se levam a um rompante, a um entusiasmo inicial, mas assim não pensam no macro, né?

Então por isso é que você investir olhando um horizonte mais longo faz todo sentido, né? Mas de novo, você não pode ficar olhando mês a mês, porque o mês a mês não tá na sua mão. Essa aqui é a verdade, né?

TSThiago Salomão

E só pegando um tema, eu sei que essa visão é bem de longo prazo, mas a gente tá gravando no fim de semana, quer dizer, na semana após toda— eu não vou falar, não vou usar o termo mudança, mas pelo menos um novo debate sobre AI, né, que é publicamente Anthropic, OpenAI e a xAI falaram publicamente sobre a necessidade de desacelerar a evolução dos modelos de fronteira. Enfim, muita coisa foi dita. Acho que pouca coisa para a gente concluir agora.

Até os motivos pelos quais levaram a falar, né, se tem algum motivo, até uma questão mais geopolítica, né, por causa de Estados Unidos e China, se tem até alguma questão ligada aos IPOs que vão acontecer. Enfim, dá para ter várias opiniões sobre isso. Mas você, que já tá inserido no mercado global aí há um bom tempo, tempo suficiente para já ter visto muitas idas e vindas aí no curto prazo, como é que você interpretou esse noticiário recente? Como é que você tá avaliando isso?

CCCarlos Camacho

Primeiro, eu, esse tipo de informação, ela é uma informação complexa. Eu desconfio da redação dessa informação, primeiro aspecto. Segundo aspecto, que eu assim, buscando um racional sobre se isso é verdade, por que que essas O que que essas pessoas que são de destaque nesse segmento poderiam ter falado isso? Uma questão: todos os três têm o mesmo interesse, né? Por exemplo, o Musk, ele tá compondo o Grok, o Amodei o Anthropic e o Altman o ChatGPT.

E a quantidade de centenas de bilhões de dólares que foram investidas no desenvolvimento, no treinamento dessa, dessa, desses modelos de linguagem grande, de certa maneira eles agora, eles estão fora o Grok, mas eles estão numa fase de inferência, que é uma fase de monetização desse capital. Porque de certa maneira eles percebem que o volume de investimento não pode continuar dessa monta, né? Mas o que eu entendo assim como ponto principal é O segmento de semicondutores de memória, que é muito importante para inferência, ele explodiu, né?

Só para você ver, em 2026 a média de memória subiu 220%. Então, o que que esses, essas empresas tinham um orçamento para memória de 10% do total? Hoje esse orçamento tá em 30%. Então, o que que acontece? Isso é a típica situação de cobertor curto. Se você vai cobrir um lado, o outro vai ficar sem cobertor. E qual é o evento principal dessa questão? Esse é um investimento que, embora faça todo sentido, ele tem algum risco, não há dúvida, e principalmente para esses, para esses investidores, né?

E o ROIC, o Return on Investment Capital, que eles buscam é entre 25% e 30% ao ano. Mas imagine se toda hora eles vão ter que alterar o seu budget alterando em mais 20% a dotação para memória, a mais 20% para você criar uma infraestrutura de eletricidade que seja capaz de substanciar essa, essa infra toda, daqui a pouco o ROIC não será mais 25%, 30%, será bem menos. E o fato é, eu acho que o objetivo deles é de obviamente tentar obter o máximo de rentabilidade possível, dado tudo que, tudo que tá composto ali.

Como eu te falei, existe algum risco, O AI, a própria, a próprio desenvolvimento de AI pode modificar um pouco a direção desses business plans. Ou seja, a Anthropic, por exemplo, ele já se manifestou dizendo que ele gostaria de fazer um IPO esse ano, né? Então pensa bem, se ele de fato acredita na tese de desaceleração de investimento, ele tá dando um tiro no próprio pé, porque a precificação da Anthropic no IPO deverá ser menor, na verdade.

Então eu não acredito nisso, sinceramente. Eu acho que a questão da redução, que eu acho que é marginal nesse investimento, é muito em função do sentido de preservar o ROIC desses investimentos. Então, na necessidade de manter o ROIC, eu acho que esses, esses investidores, na verdade, o que eles estão tentando dizer ou passar para o mercado é de que eles não vão aceitar essa inflação em semicondutores, uma inflação é desmensurada, diria assim, e dadas as dificuldades todas que tem.

Você vê nos Estados Unidos, só para você ter uma ideia, alguns estados democratas chegaram a propor, os governos democratas nesses estados chegaram a propor um banimento dos data centers porque eles acham que é um esforço fiscal absurdo investirem na expansão do grid, isso poderia prejudicar a população. Sinceramente, isso não faz sentido nenhum. Isso obviamente É um mote político no sentido de prejudicar os republicanos, prejudicar o governo Trump, que efetivamente, claramente, dado todas as medidas tributárias que eles lançaram, é pró-desenvolvimento desse mercado.

Então, então, tipo, eu acho que existem uma série de fatores que somando ameaçam de fato a rentabilidade desses investimentos. E o que eu acho que eles se manifestaram é nesse sentido, dizer, olha, nós não vamos permitir esse tipo de coisa. Quanto à questão disso ser danoso à humanidade, ou isso impor riscos de terrorismo, etc., etc., na boa, se entrar alguns técnicos e fizerem algumas correções criando restrição ao acesso dessas informações hiperdetalhadas de como construir uma bomba biológica ou uma bomba das quantas, Ou seja, é evidente que isso vai acontecer, é evidente que eles vão conseguir bloquear esse tipo de coisa, né?

E esse não é um assunto novo, né? Então, tipo, eu acho que são tudo, é tudo uma, de certa maneira, é uma retórica que induz de certa maneira a opinião pública a uma direção, mas no fundo não faz nenhum sentido o que eles estão falando, né? E também outra questão, OpenAI talvez não queira abrir capital em 2026, mas em 2027 com certeza vai abrir. Então eles querem abrir no momento em que eles estão lançando dúvidas sobre a rentabilidade do seu investimento? Não parece que é, não parece que é racional isso, entendeu?

TSThiago Salomão

É, eu confesso que eu tive uma grande dificuldade de entender o motivo pelo qual isso tudo começou a ser dito. Por isso que levantou-se várias questões, mas enfim, acho que você já deixou bem claro aí, Camacho, sobre isso. Voltando só para o papo ali, você tinha falado que o primeiro bloco era 40% do seu portfólio, os outros são 30?

CCCarlos Camacho

Não, 463, o outro é, o segundo é 35%, e o setor real, né, a gente tem também 8,5% no S&P, que é um investimento que é como se fosse o nosso caixa, né? Por exemplo, o que que acontece? O S&P, ele, por exemplo, se eu resolvo desinvestir em uma das empresas que compõem o portfólio hoje, esse capital vai para o S&P e obviamente ele tá lá disponível. Quando a gente acha, quando a gente achar alguma coisa que é substancialmente interessante para investir, você desenvolve, você subtrai do S&P e financia esse novo investimento, né?

Então a gente tem 8,5% no S&P, cerca de 40% no bloco 1, 35% no bloco 2, e a parte de eletricidade em torno aí de 10%. Entendi, 10%.

TSThiago Salomão

E agora falando um pouco mais essa transição, como é que— ah, pô, primeiro eu acho que o pessoal deve estar meio curioso, né? Você falou que o portfólio tem 4 anos e 8 meses. Mas quem for olhar lá, o fundo vai investir no BTG, o fundo só tem um mês ali, né? Tem, você falou que esse portfólio deve ter um resultado muito bom. É bom quanto?

CCCarlos Camacho

Que que é? Então, eu assim, falando um pouco assim dessa transição, que eu acho legal, né? Quer dizer, quando o BTG iniciou em 2020 a sua expansão na Europa, ele se deu através do Wealth Management. E o Wealth Management na época, através do Rogério Pessoa, que é o head dessa área, sócio do banco. Ele me convidou para integrar esse time e eu vou te falar, foi assim fantástico, porque de certa maneira eu aprendi muito em termos comerciais.

Eu diria que por causa deles, por causa da estrutura do Rogério, do Alpha Management, tipo, eu deixei de ser aquele gestor tradicional que você sabe bem como é, tipo, fica sentado na sua mesinha, estuda, lê, discute só as questões técnicas com seus pares, mas assim esquece do cliente. E na verdade isso não existe hoje em dia. Hoje em dia quem não se comunica bem não consegue vender. Então a minha estratégia, o que eu aprendi com eles, é que você tem que de fato comunicar as suas ideias com seus clientes, criar uma interação constante.

E foi isso que eu desenvolvi, e isso foi muito bem-sucedido, né? Assim, só para falar em termos de resultado, O fundo gerou cerca de 118% nesses 4 anos e 8 meses e meio de resultado, isso incluindo o ano de 2022, que como todo mundo sabe, mercado caiu aí cerca de 19% em equity e renda fixa, né? E a gente gerou em relação ao Aqua cerca de 62% de alfa. Em relação ao S&P, cerca de 53% de alfa. Os números podem ter uma variação aí de 1% também.

TSThiago Salomão

Então esse valor aí, cento e poucos por cento, já é pensando em dólar, né?

CCCarlos Camacho

Tudo em dólar, tudo em dólar, tudo em dólar. E também a gente agregou para o Wealth Management um valor que foi possível naquela época obter clientes que antes eram do UBS, que eram do JP Morgan, do Morgan Stanley, do Itaú, da Goldman, do Julius Baer. Esses clientes viram que havia uma geração de valor importante nessa estrutura e efetivamente vieram até nós. Isso foi muito importante, né? Então eu considero que foi assim um grande sucesso.

Qual é a questão? Eu agora, de certa maneira, isso não foi uma decisão minha me mudar para assets, foi uma decisão de todos, né? Porque de fato a geração de valor para os clientes foi evidente. Mas assim, nós cobrávamos uma taxa de gestão que é compatível com wealth management e não compatível com fundos que têm esse tipo de rendimento. Se eu olhar todos os nossos concorrentes, eles cobram taxa de administração entre 1% e 2%, com taxa de performance sobre um dos benchmarks, que pode ser o S&P, pode ser o MSCI Água, de 20%.

Então seria justo, seria bastante fair que a gente também tivesse essa mesma prerrogativa. Afinal, o trabalho é o mesmo, né? E também é para gestão, foi muito positivo.

TSThiago Salomão

A sua equipe, você fica baseado em Portugal, né? Sua equipe, como é que é a conexão com eles?

CCCarlos Camacho

Então É bastante curioso. Eu tenho duas pessoas, eu e mais uma pessoa somos em Portugal. Nós temos uma pessoa em São Paulo, duas no Rio de Janeiro. E o nosso instrumento, quer dizer, não só por isso é que eu venho praticamente uma vez por mês ao Brasil, porque a gente tem que se reunir, né? A gente tem, é importante ver o body language da pessoa, né? Mas assim, durante full time é Teams, entendeu? A gente se fala todo tempo. É quase como se tivesse um do lado do outro.

E tem até algumas vantagens, na minha opinião, porque de certa maneira, quando você quer estudar alguma coisa específica para depois você mostrar ao seu time, isso dá uma certa privacidade. Você consegue— então assim, para nós funciona muito bem.

TSThiago Salomão

Eu acho que assim, esse formato, principalmente para quem já sabe o que tem que fazer, né, já tem a disciplina também de estudar, de fazer as coisas, ele acaba funcionando até melhor, né, do que o espaço físico, principalmente pelo tempo que você tem que gastar, né, na locomoção e tudo mais. Acho que a convivência física ela é importante principalmente para quem tá no começo da carreira, né, aquela— porque você falou do body language, mas é tudo, né, absorver até os bons hábitos, como você se porta numa reunião, conversa com as pessoas.

CCCarlos Camacho

E depois tem uma coisa muito importante, você morar no exterior, dado que você é um gestor global, ou pelo menos essa é a sua pretensão, Ele é importante porque os temas que se discutem lá fora são temas específicos. Por exemplo, na Europa se fala hoje sobre o AfD na Alemanha, quais são as mudanças que porventura viriam se o AfD ganhasse o governo, e são mudanças radicais, né? Aí você vê a reação da Bélgica com o governo central da Europa, você vê o que que a Giorgia Meloni fala, você vê também as informações dos Estados Unidos de uma maneira mais corrente.

O que você não vê é sobre os problemas do Brasil. O Brasil é um, é um player assim para baixo de terciário lá, entendeu? Não é importante. Então isso é muito, isso é muito valioso, porque você não vai ficar assim influenciado por questões que não sejam seu foco. E o fato é, a gestão, ela, para ter sucesso, você precisa ter principalmente disciplina foco e buscar qualidade acima de tudo, né? A gente, por exemplo, uma característica da nossa gestão: a gente não investe em empresas em que não tem uma geração de caixa livre.

Porque pensa bem, uma boa ideia é muito legal para você iniciar um business, mas a execução dessa ideia é tão desafiadora quanto. E muitas empresas não deram certo pela execução mal feita, e outras copiaram a ideia e com uma bela execução tiveram muito sucesso. Mas a gente não pode se dar a esse luxo de prescindir de qualidade. A gente tem que ter essa qualidade porque o nosso horizonte é de longo prazo. A gente não pode acordar hoje e descobrir que a empresa na qual a gente tá investindo foi disruptada por uma tecnologia.

Não, a gente tem que estar com as empresas que são efetivamente, assim, diria, não diria inexpugnável porque isso não existe, mas empresas dessa ordem, né?

TSThiago Salomão

Então eu quero falar um pouco mais do portfólio, mas antes, o Camacho de hoje é bem diferente do Camacho que operava aqui no Brasil nos anos 90. Me conta um pouco como é que foi essa trajetória, né? Como você entrou no mercado? Até pela descrição, né, de ficar mais na mesa assim, imagino que você até tinha uma maneira diferente de olhar o mercado do que essa visão um pouco mais de longo prazo. Enfim, como é que foi essa sua transição assim?

CCCarlos Camacho

Falando desde o tempo da GAP, naquela época que era 1996, o que que o mercado esperava? Primeiro, o mercado era menos globalizado e o mercado era muito curtoprazista. Você tinha que ganhar dinheiro mensalmente, essa era a verdade, entendeu? Você tinha lá um budget, você tinha que contribuir mais do que o CDI todo mês. Então, tipo, as operações eram literalmente semanais. Por exemplo, a questão das opções, derivativos, etc., de fato era um belo instrumento para você exercer esse tipo de estratégia de curto prazo, porque ela impunha de certa maneira uma certa limitância no risco.

E de certa maneira você poderia criar estratégias combinando vários tipos de opções em que você tinha assim um benefício maior caso você conseguisse acertar não só taxa de juros, o prazo em que isso vai ocorrer e a volatilidade, né? Então, tipo, era diferente. Por exemplo, só para você ter uma ideia, assim como observância, a gente viu na GAP que se a gente não ganhasse dinheiro acima do CDI a cada 6 meses, no sétimo mês o dinheiro começava a sair.

E aí você tinha que de novo construir essa, essa tendência de ganhador para que o dinheiro entrasse daqui a 6 meses. E isso era para todos, não era só para gente.

TSThiago Salomão

Eu me lembro que naquele Só, e como é que era a definição do, é o quê, era um fundo isso?

CCCarlos Camacho

É um fundo.

TSThiago Salomão

Como é que era a definição?

CCCarlos Camacho

Já a gente, na época, começou como fundo de commodities, que nada, nada mais era do que um fundo multimercado. E depois foi, a legislação mudou para fundo multimercado, né? E depois a legislação mudou permitindo investimentos offshore, o que não, o que não existia no início, né? Então, tipo, por incrível que pareça, os nossos fundos foram mais longevos alguns poucos meses que o Red Grifo Verde, que foi um fundo hiper bem-sucedido, né?

E assim, e também pela excelência do Luiz, de certa maneira eu enxergava que eles talvez tivessem, eles tivessem, essa gestora tivesse uma prerrogativa Eles poderiam passar um ano sem ganhar dinheiro, que só depois de um ano aí que o dinheiro ia embora. Mas assim, no resto era 6 meses assim no limite, entendeu? Mas a gente também sabia jogar esse, essa, esse jogo, vamos dizer assim. Se era, se era esse o mercado, a gente sabia valorizar isso, né?

Então, de certa maneira, eu fui criado, eu fui treinado num ambiente de curto prazo, um ambiente em que o Brasil era bem menos globalizado. No momento em que ele passou a ser mais globalizado, até a questão do bottom-up começou a ter comparables efetivos com o segmento lá fora. Muita gente tentava fazer arbitragem, mas é totalmente diferente, né? Por exemplo, o ambiente no Brasil, ele é instável, né? Ou seja, o governo decide mudar uma questão tributária, é com uma canetada no próximo ano já vale.

Ou seja, pensa bem, isso para quem investe é um horizonte muito curto. Nos Estados Unidos não é assim que acontece. Nos Estados Unidos, na Europa, em qualquer outro país desenvolvido. Então o ambiente, o cenário pelo qual você substancia uma tese, ele é de fato de longo prazo. No Brasil, dizer que é de longo prazo, mentira, não é. Ele muda toda hora. Você vê, a nossa carga tributária hoje no Brasil tá em torno de 34%. Em 96 era bem menos.

E o que que aconteceu para as empresas, né? Quanto maior a carga tributária, maior o custo de capital, maior o WACC das empresas, né? O empresário tem que ser cada vez mais criativo para fazer dinheiro. E não é isso que a gente tá vendo, na verdade. Isso não é a realidade nos Estados Unidos ou na Europa. A Europa padece de excesso de regulamentação e que afeta o seu crescimento. Estados Unidos é o contrário. A China também, extremamente intervencionista.

Vê o que aconteceu lá em outubro de 2020, né, sob subterfúgio de common prosperity. Na verdade, o presidente Xi e o Partido Comunista tinham medo que tava havendo uma interação absurda com o Ocidente a nível de empresas, níveis financeiros. Eles tinham medo de perder o controle e de repente a China se ocidentalizar de alguma maneira mais assim relevante do que era, né? Então essa foi a maneira encontrada para puxar as rédeas desse processo.

Só que destruíram 1 trilhão de dólares em valores, né? Até hoje eles padecem desse problema, né? Setor imobiliário lá continua mancando. Essa que é, mancando até simpático de dizer, bem pior que isso, mas Você teve lá seu momento na Gap.

TSThiago Salomão

E aí, como é que foi a transição para os Estados Unidos, né? O que que—

CCCarlos Camacho

então, a gente teve um momento importante que foi o início de 2008, quando a Prudential Financial decidiu fazer uma expansão em investimentos a nível global. Então eles compraram corretoras no México, na Coreia e no Japão, compraram um banco na Itália. No Brasil resolveram comprar uma asset management e bateram na porta da Gap. Naquela época, o valuation era bem maior do que é hoje em dia, acredito que seja o dobro do que é hoje cotado, e não tinha como não sair negócio, né?

Então você fica com obrigação de ficar 5 anos, onde você passa a cultura, disciplina, forma as equipes, as equipes ficam consolidadas. E assim, é natural que você saia depois, né?

TSThiago Salomão

Eu saí, foi pré-subprime, foi, então foi um valuation mesmo bom, né?

CCCarlos Camacho

Foi, realmente foi. Quando houve o subprime, é assim, os sócios da Gap, os sócios principais, estavam capitalizados e assim com possibilidade de investir no mercado numa condição privilegiada, né? E de certa maneira, né, quer dizer, eu saí em 2013 Ganhei um no-compete. E eu assim, sendo verdadeiramente transparente, né, quer dizer, eu tentei ficar no Brasil, eu gosto do Brasil, mas assim, sem trabalhar eu me senti assim muito desperdiçado, muito vagabundo.

Essa que é a verdade. Então eu falei, não, não dá para ficar aqui, isso é uma agonia. E aí eu fui fazer um mestrado de finanças nos Estados Unidos, uma experiência fantástica. Me dediquei para caramba, até me formei com distinção, consegui um GPA de 3,98, o máximo é 4. E depois disso, assim, quando você bebe dessa água estrangeira, né, dificilmente você volta ao Brasil. Então eu me planejei para ir para Portugal. Isso é um planejamento, começa em 2016, recebi autorização em fevereiro de 2018, quando eu me mudei para lá.

E o BTG, como eu falei aqui antes, ele iniciou em 2020. Então ele é assim, eu já era cliente do BTG, já tinha uma relação boa com BTG, e aí naturalmente eles me convidaram para integrar esse time. Foi um presente.

TSThiago Salomão

Pô, mas me tira uma dúvida, porque, ok, entendi que você tentou ficar no Brasil, mas não conseguiu porque você não podia trabalhar e sentir subaproveitado.

CCCarlos Camacho

Isso.

TSThiago Salomão

Mas quem vive o mercado intensamente como você viveu também não para de operar, né? Como é que, como é que você ficou aí nesse período aí?

CCCarlos Camacho

2013 você saiu da Gap até 2021, que você foi até 2020, basicamente 7 anos. Muito simples, eu criei uma estrutura nos Estados Unidos, na Flórida, onde eu fiquei, em que tinha tudo. Tinha research independentes, eu tinha Bloomberg, eu tinha um escritório absolutamente completo, na qual, e análise de empresas, eu tinha vários, vários. Hoje tem os websites que fazem toda a parte de valuation. Então, tipo, de certa maneira eu desenvolvi, eu me internacionalizei 100%.

Ali eu falei, não, eu não quero mais operativos brasileiros, eu quero efetivamente me internacionalizar. E obviamente, digo, nos primeiros anos dei muita cabeçada, mas depois as coisas foram se acertando. Eu tinha bastante capital e tive resultados espetaculares assim para mim, né? Mas era uma tese de mais, mais bottom-up. Eu tava começando a criar essa ideia do macro ser preponderante sobre o bottom-up, né? E aí quando chegou a época do BTG, eu já tava com isso bastante assim solidificado na minha cabeça, já operava dessa maneira, né?

Então já criava um cenário macro, já me desenvolvia. E na verdade essa história da demografia foi mais um ajuste em relação ao cenário, né? Eu, por exemplo, já investi em NVIDIA desde 2018. Caramba! Então tipo, só que eu não investia no resto, eu não Eu não fazia a conexão da questão da produtividade com a questão da demografia.

TSThiago Salomão

Mas qual que era a sua tese de NVIDIA 2018?

CCCarlos Camacho

Então, eu achava que NVIDIA, ela era, quer dizer, no caso do AI, eu achava que isso era uma possibilidade boa. Obviamente pouco se falava em AI. Eu acho que esse momento aconteceu em 2023. E eu achava que essa era uma das empresas que tinham uma possibilidade grande no sentido de surfar esse avanço tecnológico. Eles na época, eles se encontrarem, a NVIDIA ela tinha uma situação bastante curiosa, porque quando eles começaram eles fizeram as GPUs que tinham objetivo claro de atender o mercado de game, né?

Porque se capacidade de processamento fosse lenta, os games iam ser um quadro a quadro. Depois veio a época das criptos, e a cripto de certa maneira precisava de capacidade de processamento superlativa, e começaram a usar as GPUs, as placas gráficas, né? Então, tipo, quando veio o AI, quando começou a se discutir essa questão de AI, claramente é a capacidade computacional, era evidente, né? Você tinha, você ia gerar inteligência, você ia fazer manipulações de dados, interações de dados, e isso ia criar essa inteligência, né?

E ficava, ficava bem claro de que precisaria de mais capacidade computacional. E a NVIDIA foi evoluindo, ela não foi, ela foi mostrando, por exemplo, GPUs cada ano mais avançadas. Começou com a série H100, depois a H200, depois você teve o Blackwell, Hoje você tem a Rubin, né, que é uma capacidade totalmente diferente da série anterior. Hoje eles conseguem ter 30 vezes mais capacidade computacional para o mesmo megawatt de consumo elétrico.

Elas conseguem gerar 30 vezes mais tokens do que no passado. Ou seja, claramente você paga mais caro pela NVIDIA, pela GPU Rubin Vera hoje, mas você tem efetivamente uma possibilidade de diminuir o custo de tokenização. Ou seja, é um exemplo que eu ouvi hoje, é muito interessante. Imagine que é como quase como se você fosse abastecer o seu carro e você fosse gastar 200 euros enchendo o seu tanque, aí você ia andar 500 km. Com a Rubinvera você vai gastar 50% mais, que ela custa 50% mais, então você vai gastar R$300, só que você não vai andar 500 km, você vai andar 10 mil km, 15 mil km.

Essa que é a verdade. Então faz sentido essa história, né? Então hoje uma coisa interessante, né, você vê aquele Michael Burry, ele fez essa questão em final de 2025, né? Ele colocou que esses investimentos não poderiam se continuar dessa maneira porque a depreciação, ou seja, por incapacidade de fornecer a necessidade computacional exigida nesse momento e também a ineficiência energética, que é um custo efetivo, iria fazer com que essa infraestrutura de um data center tivesse 3 anos e que em 3 anos ele julgava que de fato não dava para obter ROI nenhum nessa história.

Olha que coisa curiosa, a série H100, que hoje já está completando 9 anos, quando você olha o aluguel das GPUs H100, ela é crescente. Ou seja, com a inferência, você não precisa ter o state of the art para fazer inferência, você precisa de state of the art para fazer o treinamento, né? Então isso hoje criou assim uma extensão na vida, na vida dessas GPUs. Isso de certa maneira gerou um aumento na rentabilidade desses data centers, das pessoas que, das companhias que investiram nessa infraestrutura, né?

Mas isso é incrível, né? Porque isso mostra o quão errado o Michael Burry estava.

TSThiago Salomão

Para quem não associou, ficou famoso pelo The Big Short, né, que inclusive virou filme.

CCCarlos Camacho

Infelizmente, depois do Big Short, ele não acertou mais nada.

TSThiago Salomão

Se bem que o Big Short demorou bastante para acertar também. Ele foi um, mais algumas semanas ali ia faltar dinheiro ali para— mas por curiosidade fui ver qual era o valor de mercado da NVIDIA. Em 2018, ela valia aproximadamente 81 bilhões de dólares.

CCCarlos Camacho

Exatamente. Hoje Agora ela tá em torno de 5,33.

TSThiago Salomão

Então carregou de lá para cá ou teve algumas vendinhas no meio do caminho? Não, vender certamente você vendeu um pouco, mas chegou a zerar?

CCCarlos Camacho

Eu sempre tive NVIDIA, mas eu diria para você que eu ali na faixa, no ano de 2023, eu aumentei mais relevantemente a minha posição em NVIDIA. Caramba, foi muito bom! Bom, foi podando de lá para cá, senão ela ia virar um Não há dúvida, mas assim, sabe que hoje, se a gente for olhar, até difícil de falar isso, né, mas hoje o forward P/E ratio da NVIDIA tá em 17 vezes. Até hoje eu vi que tá caindo 2%, é possível que esteja ali na faixa de 16,8 vezes, né.

TSThiago Salomão

Se a gente mantiver esse mesmo, também a tecla SAP aí é o preço sobre lucro, né, o forward P/E, preço sobre lucro projetado, né.

CCCarlos Camacho

Então se a gente manter o mesmo preço para 2027 Dada a expectativa de crescimento de lucro dessa empresa e a expectativa de crescimento de revenue, né, só para a gente ter uma ideia, no guidance que foi dado no segundo tri, o mercado esperava 45% de crescimento de revenue para 2027, e o Jensen falou: não, vai ser 70%, só não será 100% porque existe limitações dentro dos insumos que são necessários para produção de GPUs, etc. Mas a demanda existe, isso foi o guidance dele, né.

Mas ou seja, se a gente mantiver o preço constante, interessante. Em 2027, o forward P/E ratio da NVIDIA será na faixa de 12 vezes. E se a gente mantiver o mesmo preço para 2028, pode ser que fique entre 9 e 10. Então isso quer dizer o seguinte: como é que você vai ter, como é que você pode permitir que uma empresa dessa qualidade, com margens em torno de 70, obviamente as margens vão ceder um pouco ao longo de 2028, mas crescimentos de revenue dessa ordem, de, por exemplo, foi 100% no ano passado, vão ser 70% no ano que vem.

Como é que você pode imaginar que isso vai valer, vai ser mais barato do que empresas que não têm nenhuma relevância, nenhuma comparação em relação a essas métricas? Então assim, fazendo uma conta simples, o que que eu acho fair? Eu acho fair hoje em dia, eu acho que de fato o AI ele imputa alguns riscos porque essa tecnologia ela pode evoluir de uma maneira um pouco mais agressiva, isso disruptar algumas coisas. Algumas coisas que hoje possam fazer muito sentido podem não ter tanto sentido daqui a 2, 3 anos.

Então eu acho que tem que ter uma margem de segurança em termos de valuation em todas as empresas, né? Então não é à toa que o S&P hoje tá 19 vezes. Eu acho que já tá nessa linha. Mas assim, considerando o que é a NVIDIA, imaginar essa empresa ser ferro precificada entre 18 e 19 meses, 18, 19 vezes, você pode supor que NVIDIA em 2027 tem mais de 50% de upside. Ou seja, uma barbaridade, entendeu? Caramba, que loucura! E olha que interessante, mesmo com valuation caindo, o preço não caiu.

Isso é sinal de que de fato o que aconteceu foi um crescimento no lucro da empresa superlativo. Essa que é a verdade.

TSThiago Salomão

Camacho, para mim fica muito claro quem era o Camacho que operava no Brasil e o Camacho hoje, que dá para dizer que há 10 anos internacionalizado, por mais que profissionalmente ali desde 2021, mas você já começou a fazer essa gestão desde 2016. Qual foi a grande mudança ali na sua cabeça, a sua grande mudança de visão de mercado do Camacho Global e o Camacho Brasil?

CCCarlos Camacho

Primeiro é o seguinte: eu sou engenheiro, e de certa maneira, quer dizer, é por isso é que vem essa minha aptidão mais matemática em relações às opções, né? Quer dizer, eu mesmo fiz um modelo Black& Scholes no meu computador, eu fazia todas as avaliações, mas era eminentemente matemático, né? Então, no momento em que você faz um mestrado nos Estados Unidos, né, não é possível que você feche os olhos às questões macro, né. Então eu acho que foi a partir daí em que eu comecei a conectar a parte matemática com a parte macro, né. E aí acho que essa foi a grande evolução, assim, sendo bastante franco, né.

TSThiago Salomão

E mercado brasileiro, de certa forma, assim, eu entendi que você saiu do Brasil, mas ficou com muito mais foco lá fora. Mas você chega a olhar o mercado brasileiro até como oportunidade ou como—

CCCarlos Camacho

Nada, nada, nada. Eu hoje, eu hoje, por exemplo, vejo, por exemplo, o EWZ sobe, cai. Para mim isso é absolutamente um alien, não significa nada para mim, você tá entendendo? Eu tinha uma tese que eu discuti, até discuti no BTG há um tempo atrás, diria para você em 2023 em diante, que eu achava o seguinte: eu entendia que o Brasil, do jeito que tava indo, ele tava de certa maneira empobrecendo a sua sociedade, principalmente a classe média, classe média alta, né?

E que eu achava que esse empobrecimento contínuo da nossa sociedade ia ter que ter uma repercussão em termos de empresas, né, de revenue das empresas. Achava isso. E então muitas vezes quando o Bovespa caía abaixo da sua média de 5 ou 10 anos de forward P/E ratio, eu ouvia assim muita gente falar: ficou barato. E eu falava: caramba, talvez não seja verdade, talvez não esteja barato. O que talvez esteja errado é continuar com a mesma estimativa de lucro, dado que se tá havendo empobrecimento, essa estimativa de lucro deveria retroceder.

Então na verdade aquilo que parecia ser abaixo da média, deveria estar ao nível mais alto, né? E assim, eu não vou dizer que eu esteja certo ou errado, mas assim, pelo que eu olho hoje, o número de RJ que tá acontecendo, tipo, a falta de IPO, dinamismo nenhum nas bolsas aqui no Brasil, de certa maneira, né? Eu entendo que essa tese não é de, não é assim descabida não. Eu acho que faz sentido, entendeu? Agora, O que precisa o Brasil.

Quer dizer, tem um potencial enorme, indiscutivelmente, mas assim, o trabalho para reconstruir isso, a gente vai precisar de muitos governos que acertem de fato não só a política fiscal como a questão tributária, como outras questões de incentivos ao empreendedorismo. Eu acho que talvez eu já tenho uma certa idade, não é para mim mais.

?Voz B

Entendeu?

TSThiago Salomão

Acho que a leitura que aí, aqui olhando para dentro do Market Makers, né, que acaba falando com muita gente sobre diversos assuntos ligados ao Brasil, né, e a leitura que eu faço é que infelizmente a gente tem que perder muito tempo discutindo os problemas do Brasil antes de discutir as soluções. É porque a gente não consegue, pô, fiz um episódio recentemente com os maiores especialistas de agro do Brasil. Ele vai falando sobre o crescimento do agro e tudo mais, mas hoje você não vê a menor sensibilidade do governo em discutir alguma pauta sobre o agro.

Não por maldade, não porque não interessa, mas porque tem tantas outras coisas mais importantes. Primeiro, a eleição já traz, né, preocupação inicial de qualquer político é ser eleito, né, ou reeleito. E aí a gente tem tantas coisas, tantos bodes na sala, né? Tem o fiscal, aí tem o tributário, educação. E aí como é que você vai fazer um plano, né? Olha aí o boom do AI passando, né? Se a gente não tem uma iniciativa privada ou pequenos grupos tentando fazer algo para aproveitar isso, dificilmente vai vir do Estado, que tá com muito mais coisa ali problemática para resolver. E a gente sabe também que a celeridade não é o forte ali, né?

CCCarlos Camacho

Então eu acho que, dado o nível de despesas obrigatórias do governo, espaço de manobra de um bom executivo é muito restrito. Então, na boa, eu acho que a Constituição ela teria que ser ajustada, modernizada a uma nova era. O mundo mudou, o mundo tá mudando uma velocidade absurda. O Brasil não pode ficar engessado, essa que é a verdade. Então, tipo, enquanto isso não acontecer, eu continuo, não vou dizer pessimista, mas desinteressado. Essa que é a verdade.

TSThiago Salomão

Todo trade é relativo, né? Então é olhar para o Brasil, olhar para os Estados Unidos, como você. Aliás, a sua carteira, ela é 100% Estados Unidos?

CCCarlos Camacho

Não, não, ela, entenda bem, as áreas que do meu interesse são Estados Unidos, Inglaterra, Europa, China e Japão. Posso entrar em qualquer uma dessas áreas. A Siemens é uma empresa europeia. Até SMC, que a gente também tem, ela é de Taiwan, mas já tem uma fábrica nos Estados Unidos, tá? Estão fazendo outra fábrica nos Estados Unidos. Eu diria que é uma empresa asiática emergente, mas é mais do que isso, né? Tipo, ela é uma empresa globalizada, né, e de primeiro mundo.

Mas assim, hoje a razão pela qual a gente tem concentração nos Estados Unidos é porque a gente enxerga de fato um excepcionalismo nos Estados Unidos. Se amanhã isso deixar de existir, eu posso migrar a minha tese para outra região.

TSThiago Salomão

Vamos destrinchar algumas teses então. Você já falou aí bastante de NVIDIA, deve ser ainda uma posição muito, é a nossa maior posição hoje. E ela se tornou a maior posição principalmente pelas compras que você fez, você falou ali em 23, né?

CCCarlos Camacho

De, não, hoje o peso no portfólio é 13%, e a gente acha aquela história, dá até vontade de ter mais, sabia? Porque o potencial de resultado, de retorno, é enorme. Mas assim, a gente tem que ter também um certo balanceamento entre as teses. Não posso ter, a gente, para o nosso portfólio, nunca terá menos que 15 empresas. Nunca mais do que 25 empresas. Por quê? Porque ele tem que ser um número que potencializa as nossas escolhas, não é verdade?

Como já dizia o Warren Buffett, né, quem diversifica muito mantém o patrimônio, mas quem concentra gera riqueza, não é verdade? Não é à toa que grandes gestores como TCI têm menos de 20 empresas, o Coatue tem menos de 30 empresas, e outros bons gestores têm um número é limitado de empresa no seu portfólio por essa razão, né? Não, e a gente também não vai inventar a roda por essa razão, a gente também tem isso.

TSThiago Salomão

E mas o que mais que vocês têm? Talvez pegar algumas dos 3 blocos ali, destrinchar algumas teses?

CCCarlos Camacho

Não, posso, eu posso, eu posso destrinchar. Quer dizer, no setor real, por exemplo, que é o bloco 2, a gente tem healthcare, tem a parte de pharma e biotecnologia, também temos a parte de administração de hospitais privados nos Estados Unidos. Pensa bem, começando por hospitais privados, né, o uso de AI pode dar um dinamismo nesse segmento absurdo, né? Porque imagine a quantidade de ineficiência, né? Hoje a gente vê na China, tem hospitais públicos que já tem robôs, a entrega dos medicamentos é toda feita de maneira automatizada, O controle do data record do cliente já é totalmente digitalizado, já é totalmente dentro de um banco de dados em que todo mundo tem acesso, todo mundo qualificado tem acesso.

Ou seja, é, os diagnósticos já são feitos não só pelos médicos, mas com auxílio de AI. E o que que o AI faz? Comparação. Na verdade, a inteligência do AI é usar a base de dados que já existe ou que está se formando, chegando a conclusões em que auxiliem a conclusão de um diagnóstico, por exemplo. Então a gente enxerga que aí poderia ter um incremento de eficiência absurdo.

TSThiago Salomão

E qual é a empresa que você—

CCCarlos Camacho

no caso é a HCA.

TSThiago Salomão

HCA, só para ir anotando, porque certamente Vai ter gente que vai querer pesquisar depois.

CCCarlos Camacho

Então, na parte de forma, a gente tem Eli Laili, que não é só por causa da caneta, do bom jarro e tal. Isso não há dúvida é fantástico, né? E isso não é só uma questão de estética, né? Tipo, o sujeito emagrece, tudo na saúde dele melhora, né? Hoje em dia já existem algumas teses que mostram que o uso do Monjaro beneficia muito, reduz muito o risco de um stroke, né? Ou seja, tem uma série de questões que são relevantes. Mas ele lá, ele tá envolvido em muito mais coisa, né?

Por exemplo, eles já estão na segunda fase, já foi aprovado no FDA uma segunda fase de uma droga que seria injetado no pâncreas no sentido de reduzir a inflamação por artériosclerose. Ou seja, essa já é uma tese nova dentro da Eli Lilly. Quer dizer, quando isso, isso de fato for aprovado, isso de fato se desenvolver, quer dizer, o benefício que isso pode ter nessas empresas é absurdo, né? Lembre-se o que aconteceu com a Moderna, né?

Embora a Moderna tivesse muito desvalorizada porque foi um pouco execrada com essa questão das vacinas de COVID, né, ela fez uma parceria com a Merck e desenvolveram uma vacina que não é uma vacina genérica, mas é uma vacina específica para cada indivíduo, em que pode terminar com câncer de pele, né. O papel subiu 170% num dia, uma coisa inacreditável, né. Mas embora ela tivesse um pouco depreciada demais, então parte disso também foi as pessoas revalorizando a excelência dessa empresa, né?

A outra empresa que a gente tem é IBV, que é biotecnologia também. Eles têm um portfólio grande de novos estudos. E olha que interessante, o AI, ele reduz muito o risco desse segmento, porque no passado você tinha uma tese em que você queria investir Vamos supor um exemplo qualquer, câncer na próstata, e você captava bilhões de dólares, iniciava a produção de drogas e os testes, né, que são extensivos. Depois de 5 anos, seguindo o protocolo do FDA, você podia chegar à conclusão de que foi, que não foi relevante os resultados.

E aí todo aquele dinheiro foi para o espaço, né, foi, virou pó. O que sobrou foi uma base de dados que hoje é disponível e que tem um valor, mas assim, não foi de longe o benefício que se espera de uma empresa que investe nesse tipo de coisa. Hoje com AI é diferente. Você tem uma tese, você consegue através de todo esse banco de dados que é extensivo em biotecnologia que já existe, AI vai fazer o cruzamento dessas informações, vai fazer interações com essas informações e vai chegar a uma conclusão relativamente rápida se essa sua tese tem uma probabilidade de sucesso relevante.

Dependendo do percentual que ela mostrar, você aí sim pode começar. Aí você vai captar da maneira tradicional bilhões de dólares para desenvolver essa tese, investir durante 5 anos, mas a probabilidade de sucesso incrementou muito, então o risco diminuiu. Isso valoriza muito as empresas, né? Então, tipo, Para mim, healthcare é uma tese que assim inexoravelmente vai ser fantástico, entendeu? Tipo, mas assim, de novo, tudo tem um tempo de aderência, tudo tem um tempo certo para acontecer, né?

Então tipo, é possível que nos próximos 2 anos a gente esteja falando de coisas muito mais palpáveis em termos de biotecnologia e farma do que hoje. No caso de HCR, não. Eu acho que isso é bem evidente. É quase como um investimento em financials, por exemplo. Um banco pode otimizar a sua área de crédito, a sua área de avaliação de crédito, a parte administrativa. Só isso vai gerar um ROI absurdamente maior. Então eu acho que é semelhante a isso.

Meios de pagamento que a gente tem também, quer dizer, no banco, então, só para falar do nome, né, A gente tem JP Morgan e temos JP Morgan desde 2022. Na parte de meios de pagamento, a gente tem Visa. E é um tema curioso, né? A gente sempre investiu em cybersecurity. A gente tinha CoreWave, CrowdStrike, desculpe, CrowdStrike, e E quando a gente investiu em CrowdStrike, o forward P/E ratio era em torno de 50, 60 vezes, muito alto.

Mas a gente achava que, dado o tema, dada a relevância do tema, os revenues dessa empresa iam crescer uma taxa muito maior do que o mercado tava precificando naquele momento. Então valia a pena. Na verdade, a gente pagava 50, 60, que a gente achava que era menos. E que que aconteceu? O papel pegou uma tendência de alta absurda, continua em alta, em boa alta hoje em dia, e chegou a ter um forward P/E ratio na faixa de 130 vezes.

E a gente já não achava que o crescimento de revenue tava subdimensionado. Então o que que a gente começou a fazer? A gente começou aos poucos a vender. E te confesso, todas as vezes que a gente vendia um pouquinho, as novas vendas eram a preços maiores do que foram executados, até que em 2000 início de 2026 a gente terminou esse investimento. A gente achou que tava caríssimo, era um PEG de 4 ou 5 vezes. A gente achou que era muito risco para ter, embora o papel continue tendo uma dinâmica excelente.

E aí a gente resolveu investir em cybersecurity através da Visa, porque meios de pagamento, obviamente a Visa investe muito em cybersecurity, porque pensa bem, a responsabilidade da fraude é, não é da empresa, é do cliente, né? Então, por exemplo, o business, para o business de meio pagamento da Visa, se ela sofresse ataques, se todas as vezes em que esses pagamentos fossem realizados eles fossem interceptados no meio do caminho, acabava o business deles, né?

Então a gente acha que é uma maneira de investir assim na segunda derivada de cybersecurity, mas O valuation da Visa é um valuation com uma margem de segurança estúpida, entendeu? Então a gente acha isso muito bom.

TSThiago Salomão

E bom, dentro do último bloco ali de energia elétrica, você falou de duas empresas de infra de energia e duas geradoras de energia.

CCCarlos Camacho

As infras são a Ita e a GE Vernova. A gente acha que tem muito mais para crescer. O valuation, não vou dizer que é barato, é na faixa aí de 35 vezes a Gevernova. Mas a gente acha que nesse caso, dado a relevância que ela tem, o market share que ela tem, eu acho que pode subir bem mais, entendeu? Tipo, eu acho que tá, o valuation não, não, não transparece de fato o que que é a empresa hoje. Eu acho que o crescimento de revenue e o crescimento de lucro podem ser substancialmente maiores do que é estimado hoje, né.

A Ita também é uma empresa um pouco menos cara que a Gevernova, mas igualmente importante, né. E no caso das geradoras, que eu expliquei que o objetivo ali claramente é buscar a celebração dos power purchase agreements, é a Constellation, que é embora ela tenha toda a parafernália de geração de energia, ela é basicamente um mau portfólio de usinas nucleares nos Estados Unidos. E a Vistra, que é uma, a maior reserva de gás natural do Texas, e por consequência é uma das maiores empresas de termoelétrica a gás dos Estados Unidos, embora também tenha, ela tem uma usina grande nuclear chamada Comanche, tenha parques eólicos, fazendas solares.

Mas eu acho que para celebrar o PPA, o core tem que ser uma maneira de se fornecer energia sem flutuabilidade, né? Imagine se você tem aí uma semana de condições climáticas adversas, com certeza o output de geração de energia é menor. Mas se você tem termoelétrica a gás como principal, como core da geração de energia da sua companhia, você tem condição de celebrar um percentual desse fornecimento através de um PPA, né? Muito bom.

TSThiago Salomão

Sim, agora partindo mais para o— você já deu toda a sua cabeça de como você vê o mercado, suas teses. Tô com algumas curiosidades que ficaram no caminho. Percebo claramente que você é mais primeiramente top-down e depois bottom-up. Então toda essa questão envolvendo o fiscal americano e tudo mais, o quanto isso é daquela visão que você começou a ter lá no 2020 e tudo mais, até um pouquinho antes, o quanto isso deixa seu cenário um pouco mais preocupado Hoje em dia? Você vê com uma certa preocupação em termos de potencial?

CCCarlos Camacho

Eu acho sinceramente aquilo que a gente falou, né? Se lembra dos 17 trilhões, né, de AI? Quer dizer, por produtividade, né? Isso, se a gente reduzir, se a gente, isso foi 2024, se a gente dividir pelo PIB de 24, isso dá 18% do PIB em crescimento por produtividade. Americano, né? E entenda bem, eu não tô colocando os 17 trilhões para os Estados Unidos, porque 17 trilhões geração de valor a nível global. Mas a taxa de inovação tecnológica dos Estados Unidos hoje é de 60%, embora esse seja um índice bastante subjetivo, que ele incorpora número de IPOs, capital de risco disponível para financiar startups, e outras questões específicas, eu considero o seguinte: se a gente achar, se a gente julgar conservador que metade dessa taxa de inovação seja capturada para os Estados Unidos em geração de valor, 17 trilhões vezes 30% dá 5,2 trilhões, que é 18% do PIB de 2024, que foi 29,3.

Então isso dá assim, normalizando 1,8% de crescimento real a mais por produtividade, assim, normalizando, né? Então, quanto cresceu os Estados Unidos normalmente? 2% mais 1,8%, 3,8%. Quanto será a inflação média dos Estados Unidos? Tipo, hoje tá em torno de 3%, mas ano que vem muito provavelmente vai estar mais próximo de 2,5%, né? Mas assim, usando 3 nesse ano, né, você tem 3,8 mais 3, 6,8. Então o nosso denominador, ou seja, a relação dívida-PIB, é 6,8 nominal.

Quanto é o numerador? O déficit primário hoje americano é de 3%. Quanto é que tá a taxa de juros hoje? Não vou usar o 4,90, que o 4,90 foi agora, teve um spike de petróleo, mas vamos usar um número importante Vamos usar aí 4,30. Então 3 mais 4,30, 7,30. Então a gente tem no numerador 7,30 e a gente tem no denominador 6,80, né? Então o que que acontece? Então claramente AI não é suficiente por si só para fazer com que a relação dívida-PIB se estabilize ou mesmo recue nos Estados Unidos.

Mas mesmo assim em relação ao resto do mundo, incluindo Alemanha, nesse caso Estados Unidos continua numa posição vantajosa porque tem um crescimento muito mais expressivo que o restante. Agora vamos pensar bem, 25% do orçamento americano é livre, tá na mão do Executivo. Então hoje quanto é que é o PIB dos Estados Unidos? 33, 34 tri. Quanto, quanto precisa de delta dívida para a gente fazer estabilizar essa relação dívida-PIB, né?

Você tem 6,8 para 7,30, você tem 0,6, né? 0,6, 0,5. Então vamos fazer essa conta. Meio por cento desse PIB, a gente tá falando em 160 bilhões de dólares. Que seja 1% do PIB, $330 bilhões, não é nada. Isso é apenas uma questão de vontade política. Se o governo pós-midterm election resolver de alguma maneira, e olha que ele vai ter essa possibilidade, né, porque todas as alíquotas de impostos que foram beneficiadas em grande parte nessa OBA vão ter que ser revalidadas em 2027, 2028.

Se o governo assim, de uma maneira discreta, deixar alguma dessas questões passar e outras ele fizer questão de manter, ele assim, sem grande, sem grande prejuízo político, ele pode incrementar impostos numa razão que possa claramente atingir aí meio por cento a 1% do PIB e equilibrar essa relação dívida-PIB, entendeu? Aí a pergunta que poderia vir é: mas será que esse crescimento vai ser isso para o resto da vida? Claro que não.

Mas com certeza até 2030 a gente vai ter crescimentos muito expressivos nos Estados Unidos. Então eu acho que os Estados Unidos hoje, em relação ao mundo desenvolvido, ele tem um diferencial em termos de excepcionalismo absurdo. Então por essa razão é que a gente prefere os Estados Unidos nesse momento.

TSThiago Salomão

Caramba, que aulas! Você guardou o melhor para o final, hein, Camacho? Muito bom. E olhando mais especificamente para inteligência artificial, recentemente teve no BTG, fez o BTG Macro Day, acho que um dos painéis mais legais ali foi o Salute batendo um papo com o Matt Veloso. Foi, e ele trouxe muita informação sobre inteligência artificial, acho que foi uma das palestras, recomendo todo mundo que assista. Mas principalmente falando da corrida entre Estados Unidos e China, isso até deixando claro que a China tá na frente nisso, né? Como é que você vê isso até em questão de investimentos, de oportunidade?

CCCarlos Camacho

Eu sinceramente eu não sei se a China tá na frente. A China de fato, isso aqui é uma ditadura comunista efetivamente, né? Comunista e capitalista ao mesmo tempo, que também tem tem as suas nuances de mercado, né? Mas o fato é, diferentemente de uma democracia, é muito mais fácil você apertar um botão e direcionar tudo para aquele tema, né? Eu acho que a China de fato tá tentando criar uma certa independência do Ocidente, mas em termos de memória, Ocidente é mais desenvolvido, principalmente em memórias HBM e DRAM.

Em questões de semicondutores de altíssima capacidade de processamento, como o Vera Rubin da NVIDIA. Eles também não estão nesse nível, mas eles estão correndo atrás da questão. O que eles têm de interessante é que o OpenAI e o Anthropic são modelos fechados, e a China hoje, todos os modelos, os grandes modelos, são open source. Isso, de certa maneira, é mais positivo, porque o custo de tokenização no open source, ele é menor do que no modelo fechado.

Então eu acho que nesse aspecto os Estados Unidos está em uma certa desvantagem. Não que não tenha open source nos Estados Unidos, mas os dois principais são fechados. Então acho que nesse aspecto os Estados Unidos têm uma certa desvantagem em relação à China, mas nada que seja algo intransponível, na minha opinião. Então Eu não sei. O que eu gostei do Matt, no sentido de que ele acredita que esse movimento de investimento em AI e os benefícios que AI vai trazer em termos de produtividade são de fato bastante realistas, né?

Então eu acho que esse tipo, essa que foi a grande mensagem dele, né? Agora, avaliar sobre China, ele melhor do que eu sabia isso, mas as variáveis ali são difíceis assim de você se apoiar firmemente em cima, né?

TSThiago Salomão

E o que que você achou da última pergunta ali? Porque para quem assistiu, né, ele dá uma resposta meio que falando do impacto no mercado, né, do como o mercado hoje tá com uma cara muito mais de o que o Warren Buffett falava, né, do comportamento de cassino. Né? Porque as coisas, por estarem acontecendo mais rápido, e o mercado diferente de boa parte do todo o resto do mundo, as coisas às vezes acontecem não porque iriam acontecer, mas porque as pessoas achavam que ia acontecer e acontece, né?

Então isso acaba trazendo uma volatilidade maior. Enfim, como é que isso se insere no seu dia a dia?

CCCarlos Camacho

É exatamente aquilo que eu te falei. A gente, a nossa preocupação com high frequency do mercado é verídica. Assim, tipo, a gente entende que a gente não tem controle nenhum sobre o mês a mês, o bimestre. Tipo aquela história, né? Eu sempre aprendi que se você não tem solução, solucionado está. Exatamente. Então assim, mas a gente acredita que o longo prazo ele obedece a racionalidade. Então assim, Eu concordo com ele. Eu acho que a ganância hoje no mercado é talvez assim desmedida, mas assim, isso pode atrapalhar a gente talvez intra ano, entendeu?

Mas não num prazo maior que um ano. Eu acho que eu sou otimista nisso, acho que não.

TSThiago Salomão

Agora eu vou fazer uma pergunta com cara de um pedido de conselho. Meu sócio não está aqui porque está de férias, né, o Matheus Soares. Um abração para o Mathe, que temos o nosso fundo de ações aqui, o Market Makers FIA, faz ações Brasil que a gente gosta de olhar. E não, a gente até investe um BDR ou outro, mas a gestão acaba sendo muito mais é tupiniquim ali, onde a gente acompanha, onde a gente olha. E acredito que boa parte do— deve ter muitos colegas aqui que olham ainda só ações Brasil, né?

Que conselho você daria, caso o Matheus, que tem seus 32 anos de idade, conselho você daria para um stock picker brasileiro nato, tendo em vista essa sua internacionalização e o que isso te agregou, como não só por cota, tá, mas até por conhecimento de investimento?

CCCarlos Camacho

Eu acho o seguinte, eu acho que a diversificação é de capital, eu acho que é uma necessidade, né? Quer dizer, essas coisas, essas mudanças culturais até, né, elas são feitas devagar porque as pessoas se acostumam a isso, né? E mas assim, não faz sentido, né, você desenvolver ou ou criar uma quantidade de capital importante, você tá sempre na mesma, no mesmo ambiente de investimento geográfico. Isso eu acho que não faz sentido.

Eu acho que você tem que ter alternativas. Por exemplo, o nosso investimento são hoje majoritariamente Estados Unidos. É, mas olha aqui, essas empresas americanas, você acha que elas são 100% mercado local? Não. O nível de market share global é de 30 a 40%. Ou seja, quando o dólar se desvaloriza em relação ao euro, em relação a outra moeda, o impacto é relativamente soft, porque você tem um braço, você vende para outras geografias.

Isso de certa maneira ameniza essa questão, né? No Brasil, né, a gente não pode ficar especialmente focado em ativos unicamente brasileiros, porque a gente já viu, só para contar um pouco, eu já fui de épocas em que houve risco de fronteira, já fui de épocas em que o governo lançou mão de tributações especiais, um IOF absurdo para que você ficasse desincentivado a mandar seu capital fora. Pensa bem, se os Estados Unidos— a gente vê toda hora no jornal que o número de saídas fiscais tem incrementado muito.

Imagine que os Estados Unidos resolvam amanhã criar um imposto sobre saída fiscal, ou seja, retendo, não sei, alguma coisa criativa, entendeu? Ou seja, se você não está diversificado, aí é que você nunca vai estar mais diversificado, né? Então Eu assim, se fosse dar um conselho para alguém de 30, 35 anos, eu faria isso. Eu faria, estabeleceria um percentual de diversificação, né? Como eu sou muito favorável às filosofias judaicas, né?

E os judeus têm aquela regra de 30-30-30, né? Então assim, por que não 30%, entendeu? Tipo Sei, tu tem 30% em imóveis, tem 30% em ações do Brasil, tem 30% em ações internacionais. Eu acho que, eu acho que é razoável, entendeu? Agora, e acho que é menos arriscado, essa que é a verdade.

TSThiago Salomão

E uma pergunta um pouco mais provocativa, né? Você já fez muita coisa no mercado, já deve ter feito um pezinho de meia aí também, né, com sucesso que teve. O que te motiva? O que te dá o gás de acordar todo dia e falar, não, vamos bater o mercado, vamos gerar cota? Qual que é o gás que te dá?

CCCarlos Camacho

Então, tem dois gás, tem dois incentivos fortes, né? Um é que eu acho que eu acumulei nessas décadas muita experiência E por exemplo, hoje, não hoje, mas já desde 2000, desde 2018, eu escrevo sem obrigação 2, 3 artigos semanais em que eu mandava inicialmente para Families and Friends. Só que hoje isso ganhou uma dimensão tão grande que já tem mais de 650 contas de email para qual eu envio esses artigos.

TSThiago Salomão

Vai ter que me colocar nessa conta, vai ser um grande prazer.

CCCarlos Camacho

Que eu vou colocar. E ali eu falo sobre tudo, falo sobre mercado internacional, às vezes tem artigo sobre valuation, às vezes tem artigo sobre geopolítica, às vezes tem artigo sobre macroeconomia. E eu, isso aí me dá muito prazer, porque, porque é uma maneira em que eu tenho de exercer a minha, o meu racional. E também esses temas, quando você escreve, você pensa sobre eles, eles ficam muito fixados na sua cabeça. Então Eu acho que isso de certa maneira enriquece muito o meu trabalho, né?

E o segundo aspecto é o dinheiro que eu ganho, ou seja, é o dinheiro que eu ganho investindo o meu capital. Então, tipo, investir o meu capital na minha tese é assim uma satisfação. Por quê? Porque não só eu ganho como os meus clientes ganham. Gerar valor para os clientes é uma coisa inacreditável. Ou seja, eu tenho algumas manifestações de clientes que às vezes o cara me liga assim, uma coisa curiosa. Às vezes um sujeito me mandou um email falando, eu tô bem preocupado com você.

Eu falei, mas por quê? Não, porque eu vejo que você manda os seus artigos às 6, 7 horas da manhã. Imagino que você acordou às 5. Eu falei, é de fato verdade. Eu tô preocupado com a sua saúde, porque pensa bem, na verdade eu tô preocupado, é um interesse próprio, né? Quer dizer, eu preciso do seu trabalho, entendeu? Eu acho isso assim, na boa, de certa maneira essa manifestação foi um pouco exagerada, mas assim, assim, me deixa envaidecido, você tá entendendo?

TSThiago Salomão

Muito legal, muito legal. O exercício da escrita, assim, eu estou no mercado financeiro desde 2009, mas sempre de uma maneira à margem, né? Porque eu comecei como no jornalismo no mercado financeiro, o que me obrigou a entender o mercado e ter que escrever para quem não entende o mercado. E depois que eu fui migrando para me tornar analista de investimentos, depois começar a estudar mais o mercado de ações e tudo mais, mas o fato de exercitar essa escrita, e com todo respeito a quem escreve sell side, né, que às vezes é uma escrita um pouco mais mais padronizada, direcionada, né, assim.

Mas o exercício da escrita, ele te ajuda muito a validar o que você tá estudando, né, colocar no papel ou na tela do computador, enfim. Mas é uma conversa sua consigo mesmo que ela é muito valiosa. E dominar essa comunicação também, ela é fundamental, porque muita gente tá usando inteligência artificial para escrever. Acho realmente muito bom, isso ajuda, mas a sua conversa com o texto, né? Isso é escrever para si próprio. No final você envia para alguém, mas o escrever para si próprio é muito bom, é muito valioso.

CCCarlos Camacho

Isso você falou é primordial, porque na verdade isso revalida as suas teses. Quando você, quando você tá de fato escrevendo, por exemplo, eu termino um artigo, às vezes eu leio 3 vezes o mesmo artigo que eu escrevi, falo, putz, isso aqui não tá bom. E aí no final eu tenho ainda uma regra. Eu chego para o meu Gemini e falo o seguinte: você podia consertar todos os erros de gramática e de consistência gramática do meu texto, e aí eu mantendo todos os meus detalhes intactos e tal, ele Ele escreve.

E aí o que que acontece? Ele mantém a minha, as minhas ideias, mas só que de uma maneira muito mais bonita do que eu consegui escrever. Então isso é fantástico. Outra coisa também, a gente às vezes quer se lembrar de um evento da Segunda Guerra Mundial que vai ilustrar um artigo, né? E aí você sabe o evento, mas não sabe os nomes. Você chega no AI e fala, puxa, aquele evento assim. Ou seja, então você consegue enriquecer o texto e fazendo um texto em 2, 3 horas, uma coisa que se poderia demorar talvez alguns dias, ia ter que pesquisar, ia ter que fazer.

TSThiago Salomão

O que eu gosto aqui, a gente podia fazer um episódio só sobre a escrita, né, comunicação. Mas o que eu gosto muito dela também, que eu valorizo, é que quando você fala com alguém, manda um áudio, vai no podcast, você pode explicar a mesma coisa 10 vezes de maneira diferente. Quando você escreve é só aquela, né? É a pasta de dente, quando sai do tubo não volta, né? Então é, você realmente coloca ali o que tem que ser feito, né?

O que você realmente acredita. E então aquilo acaba tendo um valor, e até um valor histórico. Aqui no Market Makers eu criei uma, uma, um princípio de todo domingo eu mando um email para equipe fazendo um resumo do que foi a semana, mas eu sempre trago esse email com algum aprendizado que eu tive na vida, alguma coisa que a gente colocou em prática no Market Makers. Então é uma historinha e o resumo. E eu percebi que essas historinhas, elas acabam ficando tão legais que eu, poxa, daqui a pouco vai entrar um funcionário novo, ele não leu os 50 emails que eu mandei.

Ao invés de pegar um calhamaço de email e mandar, pô, já tô arquivando tudo numa inteligência artificial para já virar quase que um e-book que vai se retroalimentando para ficar um—

CCCarlos Camacho

eu tenho todos os meus artigos guardados numa pasta de email e é incrível. Outro dia eu fui dar uma olhada, né, cara, já tem absurdo, são alguns anos escrevendo. Legal, isso é muito bom porque às vezes você quer rememorar uma coisa e você se lembra exatamente como você pensou. Às vezes você olha aquilo e fala, caramba, não tava tão certo ali.

TSThiago Salomão

Entendeu? E eu não sei você, eu adoro ler meus textos antigos, eu odeio ler meus textos novos. Eu sou muito mais crítico com meus textos novos do que com os antigos. Os antigos eu leio, nossa, que legal que ficou esse texto, né? Eu pensava isso mesmo. E os novos eu já fico, e podia ter escrito isso, podia ter, não sei, talvez por ser muito recente você fica mais exigente. Eu adoro esse.

CCCarlos Camacho

Olha, olha o que que eu fiz no meu time da Globo Portfólio de Friends, eu fiz uma coisa muito bacana. Todo gestor tem aquele relatório de final de mês em que ele conta de uma maneira repetitiva o que aconteceu no mês. Ou seja, qual é a utilidade disso? Nenhuma, entendeu? Isso talvez para aquele cliente que não esteja alienado, ou que não queira saber de nada.

TSThiago Salomão

Às vezes é muito mais um ser visto, você manda para ele lembrar que você existe.

CCCarlos Camacho

Exatamente. Acho que talvez essa seja o ponto. Mas aí o que que aconteceu? A gente criou 2 relatórios no mês, um que fala sobre o que foi e outro que fala sobre o que que a gente enxerga que será. Como nós somos 5, então eu faço a introdução e cada uma das pessoas tem que fazer um parágrafo. Pode ser um parágrafo gordinho, mas vai fazendo um parágrafo em sequência, né? Então fiz a introdução, alguém pegou o segundo parágrafo, aí alguém vai pegar o terceiro parágrafo que tem que haver com o segundo e com a introdução, E assim termina, né? Então a gente fez o primeiro relatório, é que foi esse mês.

TSThiago Salomão

Um escreve de cada vez, ele vai continuar.

CCCarlos Camacho

Exatamente, é muito legal. E aí no final também é a mesma história, vou lá e peço para o meu corretor ortográfico, ó, faz a correção ortográfica disso. Olha, o primeiro relatório foi, ficou sensacional na minha opinião, sabia? Hoje eu li ele até antes de vir para cá, mas assim, valeu muito a pena.

TSThiago Salomão

Então isso é um exercício muito legal e envolve todo o meu time.

CCCarlos Camacho

Time, você tá entendendo? E aí aquela história que eu te falei, né? No meu time não tem apenas o analista, todos são vendedores, todos são, todos estão aptos a sentar aqui e te dar uma entrevista, ou aptos a sentar com um grupo econômico e desenvolver a nossa tese. Ou seja, aquela história do analista que fica, ou do gestor que fica sentadinho no banco, Eu sinceramente não acredito.

TSThiago Salomão

Muito bom, Camacho. Eu adoraria continuar o papo, mas sei que, né, veio, veio da Europa, é o taxímetro ali conta diferente. Então já vou te liberar aqui, mas só para reforçar, quem gostou do papo, as estratégias do Camacho estão disponíveis para os clientes do BTG Pactual. O BTG Global Trends tem a versão, a cota em dólar, e a versão hedgiada, né, com a cota em reais, aplicação mínimo inicial de R$1.000. Já tava checando aqui e, ó, já pedi me colocar no seu mailing de artigos.

CCCarlos Camacho

É só você me mandar o seu email que eu já vou até colocar aqui, então eu vou te colocar imediatamente.

TSThiago Salomão

Até colocar meu email pessoal. E, Camacho, mas não vou te liberar sem antes fazer o pingue-pongue com você. São sempre as mesmas perguntas em todos os episódios. Eu vou incluir uma pergunta nova no Ping Pong, você vai ser minha primeira vítima dela. Então vou fazer aqui as perguntas padrões, começar com os livros, música, convidado. A gente sempre pede duas recomendações de livro, um livro um pouco mais nerd, né, um livro mais técnico, e aquele livro considerado mais uma leitura livre. Quais são suas recomendações de leitura para nossa audiência?

CCCarlos Camacho

Um livro que eu adorei foi Mauá, o Empresário do Império, do Jorge Caldeiras, né, assim, tipo Porque esse cara, ele foi de fato um alocador, um investidor de capital absurdo, né? Ele entendeu a necessidade de buscar capital no estrangeiro, no caso foi com os bancos londrinos, né? E ele investiu em infraestrutura no Brasil. E outra coisa muito importante, né, o livro mostra que a despeito de toda a competência que ele tinha, o governo, né, o risco político de fato tem a capacidade de destruir toda essa virtuosidade, né?

E foi o que aconteceu, né? Dom Pedro II, quando percebeu que o Mauá era mais rico e mais poderoso que o próprio império, ficou com medo dele iniciar um movimento antimonarquia, né? E isso, de certa maneira, o que não era verdade, ele nunca se manifestou nesse sentido, mas de certa maneira isso atrapalhou a vida dele, né?

TSThiago Salomão

Achei curioso um gestor totalmente globalizado do fundo Global Trends recomendando uma obra.

CCCarlos Camacho

Mas é porque o tema é totalmente globalizado.

TSThiago Salomão

Sim, mas achei que é uma história muito Brasil, né? Legal. Já alguém recomendou esse livro recentemente, não lembro quem é, mas é legal porque ele já serve de endosso. Tô até já comprando o meu aqui na estante virtual. E o livro mais—

CCCarlos Camacho

tem um livro, eu tenho um livro que eu comprei agora, você vai até rir, chama-se Vibe Coding. Vibe Coding, que é o seguinte: hoje eu não tenho nenhuma afinidade com Python, com nada, né? Mas o Vibe Coding hoje, através dos LLMs, se você entender os parâmetros de Vibe Coding, que são facílimos, você pode virar um programador de primeira linha, você tá entendendo? Então eu comprei um livro na Amazon que é Vibe Coding para Iniciantes, é obviamente em inglês.

Eu não me lembro agora o nome do autor, eu comecei a ler isso uns 3 dias apenas, eu recebi semana passada. Mas o meu objetivo qual é? Eu acho que na gestão inevitavelmente a gente vai ter a obrigação de ter uma certa automatização em termos de análise de valuation, análise macro. E eu acho que o vibe coding é justamente o ferramental que vai dar essa vantagem comparativa, né? Então, tipo, eu não tô sozinho nessa. Tipo, dentro do meu, do meu time já tem pelo menos uma pessoa que também tá olhando isso.

Mas eu, obviamente, eu também tenho que olhar, né? Tipo, já que eu sou o head dessa área, eu me sentiria muito mal em participar dessa revolução, dessa mudança, sem ter uma contribuição mais importante.

TSThiago Salomão

Interessante. Eu achei o livro uma capa meio colorida, Vibe Coding: Building Production-Grade Software É isso aí, exatamente. Jane Kings, Stevie e Eddie, mas é esse aqui. É muito bom, muito bom. Agora, uma música e por que essa música, cara?

CCCarlos Camacho

Uma música, você me pegou. Eu não tenho assim uma música, eu sou um cara muito eclético, eu gosto, eu gosto de várias músicas, né?

TSThiago Salomão

É assim, então pode ser uma música que você tem ouvido recentemente, alguma que Talvez nem precisa ser tão especial assim, mas vem na sua cabeça.

CCCarlos Camacho

Sinceramente, eu não tenho assim nada, nada pronto, né? Eu gosto demais do Coldplay, mas assim, não saberia dizer uma música específica assim para você. Acho que o popular é essa.

TSThiago Salomão

Então beleza, então vou deixar, deixar, caso você queira puxar uma música aí no final. Mas já falou Coldplay, você já fez o o sector picking, né?

CCCarlos Camacho

Exatamente. Já fiz o macro, faltou o bottom-up.

TSThiago Salomão

Um convidado que você gostaria de ver aqui no seu lugar batendo um papo com a gente no Market Makers?

CCCarlos Camacho

Olha, isso é interessante, né? Eu, olha, eu tenho, eu gostaria muito de ver o Scott Bassett aqui com vocês.

TSThiago Salomão

O Scott Bassett, pô, podia ajudar. Ele teve recentemente com o Esteves ali numa online. Ia ser legal.

CCCarlos Camacho

Ele, eu fiquei muito bem impressionado quando o Scott Bassett, numa conversa por videoconferência com o Esteves, mostrou que existe uma certa intimidade entre os dois. Fiquei assim muito, muito assim bem impressionado, né? Mas assim, o Scott Bassett, eu acho que ele se faria uma entrevista interessante. Primeiro porque não só ele, ele é um gestor que foi ultra bem-sucedido, um bilionário, né? Então ele de fato, ele na prática, ele sabe fazer e acontecer.

Mas a minha questão é, eu gostaria de ouvir ele sobre quais seria, qual seria a política, a estratégia fiscal dos Estados Unidos para os próximos anos. Isso seria assim muito revelador, né? Eu acho que tem, ele até já assoprou um pouco que é preocupado com essa questão, mas minimizou assim de uma certa maneira, né? Mas eu gostaria de ouvir mais detalhes sobre isso, né?

TSThiago Salomão

Pô, legal, juro que vou tentar. Mas se eu tentar, vou fazer essa pergunta com certeza. Se eu tentar, não, se eu conseguir, né? Tentar eu tentaria, afinal o não nós já temos, né? Vamos ver como vai ser.

CCCarlos Camacho

É isso mesmo.

TSThiago Salomão

A pergunta da gentileza eu vou deixar por último, que ela é a mais especial, mas eu vou colocar uma estreia aí antes. Eu quero ouvir de cada convidado agora uma curiosidade sobre sua vida que ninguém ou pouca gente sabe.

CCCarlos Camacho

É, então, eu na verdade, assim, no tempo em que eu vivi nos Estados Unidos, né, soube lá o visto F-1, que foi um momento maravilhoso, né. Por uma coincidência, minha esposa é muito amiga da família do Silvio Santos.

TSThiago Salomão

Olha lá!

CCCarlos Camacho

E em um determinado momento a gente propôs a ele levar ele para ver um jogo de futebol, futebol brasileiro mesmo, futebol que a gente joga lá para eles, o soccer. Exatamente, no Orlando City, né, que era o time de Orlando, que onde a gente vivia, a gente vivia em Windermere. E também o Orlando City nessa época ele era de propriedade do Flávio Augusto Silva, uma pessoa de assim de grande notoriedade a incentivador do empreendedorismo, né?

E eu combinei com ele e o Silvio Santos iria para a suíte do Orlando City ver o jogo lá com uma certa privacidade. Então tivemos que montar um esquema bacana. A gente foi, contratamos um carro grande porque tava não só a esposa dele como também a filha Rebeca, e também tinha eu e minha esposa. Então precisava de um carro com motorista também, não dava para parar o carro no estádio e ter que sair, né? Então a gente, o motorista levou o carro até o elevador da suíte e ele foi, e ele conseguiu subir.

Obviamente as pessoas que estavam no carro com Silvio Santos, fui no carro com Silvio Santos. É, mas o mais curioso é que quando a gente foi buscá-lo na casa, ele tava vestido com aquelas camisas de flores que ele tem, bem largado, né, com short grande, né. E ele tava lavando os pratos, você acredita? Lavando os pratos e cantarolando um pouco. Aquelas músicas que ele de certa maneira fazia nos programas dele, né? Então aquilo de certa maneira eu não consigo imaginar.

Eu também, eu juro para você, eu fiquei assim quando eu cheguei lá. Eu achei que eu ia encontrar uma pessoa mais sisuda, mais restrita, né? Mas não, encontrei uma pessoa absolutamente aberta, tranquila, família maravilhosa. E ele foi com a gente no carro, né? Eu até assim, para tentar puxar um assunto com ele, para o assunto não morrer exatamente, né, eu até fiz uma pergunta engraçada para ele, que eu falei, ah, pô, a Globo tem um canal aqui nos Estados Unidos, a Band tem, o que que o SBT não tem, né?

Ele foi direto na minha cara e falou, pô, você quer que eu perca dinheiro? Mas assim, foi muito, muito legal. O cara foi, viu o jogo, adorou, boa, uma experiência bem diferente, né? E olha que na época, né, o futebol americano, o futebol brasileiro, futebol normal nos Estados Unidos tava se desenvolvendo. Então era comum, né? Foi lá 2015, 2014, ter sido 2016 mais ou menos. Mas assim, tipo, tinha aquele negócio, a bola entrava na pequena área, o atacante chutava e conseguia chutar fora, você tá entendendo?

Era uma coisa meio meio grotesca. Mas não que eles não evoluíram bastante, até evoluíram. Tenho visto aí a seleção americana melhorou muito a qualidade, mas naquela época era meio— e outra coisa curiosa é que o americano, ele era sempre mais contido nas suas manifestações, né? E ali no jogo de futebol, acho que talvez pela miscigenação com latinos e tal, havia assim uma certa espontaneidade no sentido falar um palavrão. Então achei isso, achei isso bem curioso.

TSThiago Salomão

Eu nessa época assisti também um jogo do Orlando City. Eu viajei para os Estados Unidos com uns amigos, a gente cruzou 20 estados americanos com motorhome. Foi muito legal essa viagem. E a primeira parada foi ali para o— a gente começou do lado ali da Flórida e a gente assistiu um jogo do Orlando City. Era contra um dos melhores times da liga, que é o time do Toronto. Perderam de 2 a 0. O Kaká estava em campo.

CCCarlos Camacho

É, exatamente, era época do Kaká.

TSThiago Salomão

Então é, e a torcida tinha um misto de latino, tinha lá fazendo os batuques, mas também tinha um pouco do americano, né, que ficava gritando defense, defense, que tem, né, nos jogos da NBA geralmente tem. Então era uma mistura naquela época, foi uma experiência legal. O jogo não foi tão bom, mas é exatamente legal.

CCCarlos Camacho

Mas assim, você percebe que era contagiante até para a população local, né. Muito legal.

TSThiago Salomão

Caramba, então Camacho teve o seu rolê com Sílvio Santos.

CCCarlos Camacho

Isso foi fotografado, foi bem legal, entendeu?

TSThiago Salomão

Tipo, que da hora, que legal. Agora, para fechar, qual a maior gentileza que já foi feita na vida de Carlos Camacho?

CCCarlos Camacho

Maior gentileza?

TSThiago Salomão

Maior gentileza?

CCCarlos Camacho

Eu vou te falar assim, uma gentileza, tipo, eu sempre tento ser uma pessoa do bem, essa que é a verdade, tipo Tenho assim uma certa ojeriza à traição, ou seja, quando você tenta construir alguma coisa e alguém tenta não ser tão férreo. Isso me deixa bastante machucado. Mas assim, de uma certa maneira, eu posso afirmar que nesses, nessas décadas de mercado, talvez não, não tenham 5 pessoas no mercado que falassem mal de mim. Acho que a grande maioria seria mais elogiativa à minha conduta profissional, a minha ética.

E assim, eu acho que esse é um bonito legado. É assim, eu acho que é uma bela gentileza assim nesse sentido, né? Então eu também sempre tive uma visão menos exaltada, mais conservadora. Então eu acho que eu ajudei muita gente que tava iniciando no mercado a se desenvolver assim, fugindo um pouco dessa, desse fomo e dessa ganância desmensurada, né? Então eu acho que essa é uma bela gentileza, que eu assim com muita segurança eu tenho, eu digo isso aqui, entendeu?

Então é como você viu, essa manifestação é de uma pessoa que começou comigo e começou quando era bem júnior. E é isso. Na verdade, eu sempre dei a oportunidade a todos. Hoje no meu time não sou eu, eu sou o head por uma questão que tem que ter alguém que direcione, que cria os vetores certos, mas é todo mundo contribui com igual intensidade, igual importância, entendeu? Então eu acho isso muito bom.

TSThiago Salomão

Camacho, obrigado pelo papo. Boa sequência aí de reuniões, tudo você vai fazer aqui no Brasil. Sempre que quiser dar uma parada aqui no Market Makers, vai ser bem-vindo. Sucesso aí com o novo filho aí na rua, né? Enfim, a estratégia que você já faz um bom tempo, mas agora os brasileiros também vão poder investir no BTG Global Trends.

CCCarlos Camacho

Muito bom, ótimo. E depois eu vou te mandar os artigos. Gostaria muito de ouvir as suas críticas.

TSThiago Salomão

Vou opinar com certeza. Que legal, que da hora, que papo bom! Gostei muito. Valeu demais, Camacho. Valeu demais você que viu até o final. Deixa aquele joinha no vídeo, se inscreve no canal, que ajuda muito a fortalecer o trabalho do Market Makers. Lembrando, toda terça, quinta e domingo às 18 horas eu estou aqui desse lado, alguém muito mais inteligente do que eu do outro lado compartilhando conhecimento com a gente. Até a próxima e tchau!

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