Episódios de Market Makers

#395 | BAP ABRE O JOGO SOBRE LIGA, LEILA PEREIRA E O FUTURO DO FLAMENGO

04 de agosto de 20262h2min
0:00 / 2:02:42

Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo, revela o plano para transformar a força de uma torcida de milhões de pessoas em uma das maiores plataformas de mídia, comércio e entretenimento esportivo do mundo.Neste episódio do Market Makers, em parceria com o Sports Market Makers, BAP explica como o Flamengo saiu de uma situação próxima da insolvência para superar R$ 2 bilhões de receita — e por que acredita que o próximo salto do clube virá da Flamengo TV, da marca própria, do e-commerce e da monetização direta do relacionamento com o torcedor.BAP também abre o jogo sobre:-O potencial de receita da Flamengo TV-A possibilidade de o Flamengo vender seus jogos diretamente-O futuro do contrato com a Adidas e da marca própria-O projeto do novo estádio do Flamengo-A relação com o Maracanã-SAFs e recuperação judicial no futebol-Fair play financeiro e as dívidas dos clubes brasileiros-A formação de uma liga nacional-A relação entre Flamengo, Palmeiras e Leila Pereira-A profissionalização e a reforma do estatuto do Flamengo-Os mecanismos criados para impedir uma nova gestão irresponsável-O futuro comercial e esportivo do clubeInscreva-se no Market Makers e ative as notificações para acompanhar as principais conversas sobre investimentos, negócios, economia e os bastidores financeiros do esporte.Conheça também o Sports Market Makers:  @SportsMMakers  Abra sua conta na Binance: https://binance.onelink.me/y874/MMAkersFALE COM UM CONSULTOR DA iPLACE: https://hovqr.me/80d97140📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -BAP ABRE O JOGO SOBRE LIGA, LEILA PEREIRA E O FUTURO DO FLAMENGO | Market Makers #395Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market Makers) e Bruno Chatack (Apresentador do Sports Market Makers)Convidado: Luiz Eduardo Baptista (Presidente do Flamengo)Edição: Igor Conrado e Pedro PereiraCaptação : Renan Moncoski#FLAMENGO #BAP #FUTEBOL #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio3
T

Thiago Salomão

HostJornalista
B

Bruno Chatack

Co-hostAdvogado, Consultor e Apresentador do Sports Market Makers
L

Luiz Eduardo Baptista

ConvidadoPresidente do Flamengo
Assuntos9
  • Campeonato Brasileiro de Futebol· EsportesFormação de Liga · Monetização de Conteúdo · Fair Play Financeiro · Lei Geral do Esporte · SAF
  • Estratégia Comercial do FlamengoFlamengo · E-commerce de Marca Própria · Monetização da Paixão do Torcedor · Plataforma de Conteúdo
  • Responsabilização Governamental· PoliticaGestão Financeira Responsável · Profissionalização da Gestão · Mecanismos de Controle e Punição · Prevenção de Gestão Temerária
  • Regulação de esportes· EsportesLei Pelé · Agentes de Jogadores · Exportação de Talentos · Proteção de Ativos Nacionais
  • Concessão de EstádiosCusto de Oportunidade de Capital · Maracanã · Arena Multiuso · Custos de Ingressos e Meia-Entrada
  • Governança no Esporte Brasileiro· EsportesMBL · Liga Forte Futebol (Nova Liga) · CBF · Direitos de Transmissão · Palmeiras
  • Crise de Recuperação Judicial no BrasilBotafogo · Vasco da Gama · Cruzeiro · Chapter 11 (EUA) · ANRESF
  • Gestão Esportiva e de ElencoFolha Salarial Projetada · Jogadores Acima de 30 Anos · CRM no Futebol
  • Futebol e Relações PessoaisAgradecimento a Torcedores · Impacto de Pequenos Gestos
Transcrição113 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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TSThiago Salomão

Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão. Fundador e CEO dessa empresa que fala com mais de 7 milhões de pessoas todos os meses, por áudio, por vídeo, pela nossa comunidade de investidores, pelos nossos cursos e também pelo nosso podcast, que está em collab com a gente hoje, o Esporte Market Makers. E por isso que está do meu lado ele, um dos maiores advogados do Brasil, mas isso já tá virando a profissão coadjuvante porque ele é o maior especialista de finanças do futebol que eu conheço, além de ser um irmãozão que a vida me deu, um grande presidente de time de várzea, também é um podcaster de mão cheia. Bruno Chataque tá aqui do meu lado. Fala, meu querido.

BCBruno Chatack

Estão deixando a gente sonhar, estão deixando a gente sonhar.

TSThiago Salomão

Por que que você tá aqui hoje, Chataque?

BCBruno Chatack

Eu tô aqui hoje para entrevistar o presidente do maior time do Brasil, eu posso dizer isso. Sem nenhuma polêmica, aí sim com um pouco de quentinho no meu coração, mas mais do que isso, um presidente que tá aqui para explicar para o torcedor de balanço qual que é o segredo do novo Real Madrid das Américas.

TSThiago Salomão

Bom, deixando um pouco do clubismo ali do Xataque, eu vou também não colocar meu clubismo alviverde aqui, mas a gente tá com Luiz Eduardo Batista, famoso BAP, presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Que além de ter tido ótimos resultados dentro de campo também está batendo o bolão fora de campo e tem trazido planos. E acredito que até o projeto do Sports Market Makers deixa isso bem claro, mas a bola não tem entrado por acaso.

Os times que estão se ajeitando mais financeiramente estão tendo mais resultados dentro de campo. Mas o BAP tem uma trajetória muito legal até chegar no futebol, então a gente também vai passar um pouco por isso. Vai falar de Flamengo, vai falar de futebol, vai falar de futuro da liga, de tudo que envolve o futebol. Então você que é apaixonado por futebol vai adorar esse papo. Você que é apaixonado por negócios também vai adorar esse papo.

Então já convido você, se inscreve no canal, já deixa seu like, se inscreve no Market Makers e também no Esportes Market Makers, que esse é um episódio em collab. Antes de começar, né, não existe almoço grátis nem podcast grátis. Deixa eu dar um recado dos nossos patrocinadores. Primeiro, nossos amigos queridos da iPlace. Se você toca uma empresa ou está construindo um negócio em crescimento, saiba que tecnologia deixou de ser só um suporte e hoje ela é parte da estratégia.

É aí que entra o iPlace Corporativo, que é a parceria oficial da Apple no Brasil. Mais do que fornecer dispositivos, a iPlace ajuda empresas a estruturar tecnologia com mais eficiência, segurança e escalabilidade. Com ecossistema Apple, sua equipe ganha produtividade, integração entre dispositivos e uma experiência simples de usar. E tudo isso com um dos grandes diferenciais da Apple, que é a segurança. Então, iPlace Corporativo, a escolha certa para ter Apple no seu negócio.

E também já tá na mesa, né, nossos parceiros da Binance e da Mais Mu. E se tem Mais Mu na mesa, que são os nossos produtos proteicos, o convidado também ganha presente. Bap, já é um presente de um palmeirense para um flamenguista aqui, uma sacola cheia de produtos da Mais Mu. Então, sua primeira palavra aqui no Marketing Make vai ser muito obrigado. Porque, ó, você vai ter, vai ficar fortão para levantar mais taças aí.

?Voz B

Maravilha!

TSThiago Salomão

Espero que não levante a taça do final do ano, deixa essa aí. Mas aí a gente vê até lá. Já temos uma para cada um, né, Xataque? Desde o nosso início de amizade, é isso. Flamengo ganhou uma da gente, Palmeiras ganhou uma de vocês.

BCBruno Chatack

Esse ano vocês estão favoritaços, né?

TSThiago Salomão

Nunca somos, nunca somos. É bom, Babi, obrigado por estar aqui. No Market Makers. Tá preparado para esse papo? Claro, como não, né, Chata? Bom, você que é o cara, o nosso querido apresentador de esportes, dá o pontapé inicial, já traga a primeira pergunta, introdução do nosso convidado aí.

BCBruno Chatack

Maravilha, Bap, um prazer te ter aqui. Como até já expliquei, né, é uma oportunidade única para os nossos torcedores de balanço, então A gente prega e acredita que o futebol brasileiro ele só tem como melhorar se ele se tornar um produto melhor. E nessa carona, Flamengo foi o primeiro clube a atingir R$1,5 bi de receita recorrente, ultrapassou em receita total R$2 bi. E a pergunta é, para alguém que gere o maior clube em faturamento do Brasil, como transformar o futebol brasileiro e um produto ainda mais rentável para que todos os clubes possam ganhar um pouco mais do que estão ganhando. Quais são os desafios atuais?

?Voz B

Bom, boa tarde, Bruno, Thiago. Uma satisfação enorme tá aqui com vocês nesse programa que tá bombando, né? Agradecer também a todos vocês que estão tendo a paciência de disponibilizar o tempo de vocês, que eu sei que é caro para estar aqui ouvindo a gente. Então vou tentar ser o mais didático e o mais básico possível. Para que até aqueles que não têm intimidade com números e que estão mais querendo saber qual é a correlação entre isso e o resultado esportivo, que a gente possa facilitar o entendimento para eles.

Maravilha. Você falou sobre o faturamento, né, e sobre como que você garante que seja sustentável, mais ou menos isso.

BCBruno Chatack

É, na verdade, sendo um clube que conseguiu pela primeira vez navegar nesses, basicamente nesses mares em termos de faturamento. Como fazer com que o produto futebol brasileiro também atinja esse patamar e que, como uma liga talvez unificada, e quais são os parâmetros dessa liga?

?Voz B

Eu não, eu, e é só a minha opinião, eu não acredito que a liga vá fazer isso. Isso parte de uma conscientização interna de como é que você deve tocar o produto. Começa por aí. O que não dá lucro individualmente não vai dar lucro se você for para uma liga. Então tem algumas lições que são básicas que você deve sentir e deve seguir, né? No caso do Flamengo, eu vejo assim: por que nós passamos quase 20 anos numa draga E porque a gente sentiu na carne esses efeitos, gente como eu e outros caras que não precisavam do clube se envolveram com o negócio.

Não parece óbvio a gente dizer: você não pode gastar mais do que você ganha. Todo mundo conhece alguém que vive um patamar que você sabe ali no dia a dia que não tem condição de manter aquilo, e um dia a casa cai. Um clube de futebol é exatamente a mesma coisa, exatamente a mesma coisa. Só que era insensada por paixão, né, vontade de ganhar. Todo mundo quer ganhar e não dá para ganhar a qualquer preço. E nós compramos, né, uma passagem, nós ficamos 5, 6 anos no inferno para buscar um objetivo, para buscar ter uma base.

Hoje eu vejo que muita gente quer ganhar, mas pouca gente quer pagar o preço. Para você se preparar. Então não tem uma fórmula mágica, e eu não acredito numa liga quando você tem gente que não percebe que você tem que ter essa visão em primeiro lugar. E segundo, você tem que saber muito claramente como é que você se associa com alguém, que se associa com alguém para o mais um dar um e meio. Todo mundo que você se associa Você acha que 1 1 vai dar 3, 4, você vai ter lucro.

Senão você não se associa com a pessoa, né? Você vende laranja e tem um amigo que vende laranja também. O que que você vai ganhar se juntando com o amigo que vende laranja? Talvez as competências, os conhecimentos sejam idênticos. Talvez você não tenha possibilidade de buscar sinergias que te levem a um faturamento maior. Então, no futebol não vai ser diferente. É futebol, mas isso em qualquer negócio. Então, se você não tiver uma visão de linha de produtos que devem crescer para além da receita tradicional do futebol, não vai dar certo.

Então, vamos combinar assim: direito de transmissão no mundo estão batendo o teto, vai variar um pouco aqui, acolá, o crescimento vai ser orgânico. Então, os clubes se juntarem acreditando que vai haver um aumento dos valores de direito de transmissão Não vão haver. O que vai haver, e que a tecnologia tá possibilitando, é que pela fragmentação da distribuição de conteúdo, você vender o boi aos bifes dá mais dinheiro do que você vender o boi inteiro.

Mas para isso você não precisa fazer liga, ok? Um clube brasileiro que tenha sucesso, como Flamengo e Palmeiras, vão jogar 75, 76 partidos por ano, vão fazer 38 partidas como mandante. Esse número é finito. Muito provavelmente nos próximos anos o 38 vai cair para 32, 33, e o tamanho dos estádios serão finitos. Então o dinheiro de matchday, em teoria, também é finito e vai ter um crescimento orgânico. Aonde que vão estar os grandes ganhos?

Ou quando você vende atletas, que é mais ou menos como safra de vinho, pode vir uma excepcional e pode vir outra que não é tão boa. Então você não pode contar que isso seja uma receita recorrente, né? Ainda que você olhe nos últimos 10 anos, o Flamengo tenha vendido pelo menos R$350 milhões ano, give or take, como receita recorrente. Então tem sido recorrente a estratégia de venda de jogadores, mas você não pode garantir que isso vai acontecer.

O que que resta para você para além da formação? Plataformas comerciais, você monetizar paixão, Você monetizar o conteúdo que o clube faz. Por isso o Flamengo tá investindo na Flamengo TV, tá investindo em marca própria, tá se preparando para a partir de 2030 a gente considera a possibilidade da gente vender sozinho o nosso conteúdo do futebol, das partidas, ou de produtos nossos, sem estar necessariamente atrelado a uma marca como Nike ou Adidas.

As pessoas vão dizer: você é louco, você é megalômano. Você tá pensando fora da caixa, ninguém faz isso. E as respostas são sim, sim, sim e sim. É isso mesmo. Mas como o cara troca de tudo hoje em dia, até de sexo, mas ele não troca de time de futebol, você criar uma plataforma que possa monetizar essa paixão, ela não tem nada que ver com direito de transmissão, com o fato de que você vai ser campeão ou não. Para quem quiser, deem uma olhada no balanço do Real Madrid desse ano.

O crescimento aí em cima de receitas comerciais, crescimento de dois dígitos parrudo. E não é que o Real faturava pouco, né? Você botar mais 200 milhões de euros de faturamento comercial de um ano para o outro, sem que o Real, com todo respeito, tenha tido uma performance esportiva à altura do Real que todo mundo espera, ainda assim eles conseguiram crescer. Então eles conseguiram ter um filão de crescimento de receita comercial recorrente independente, desassociado do resultado esportivo.

É isso que vai garantir o crescimento. Os clubes estão preparados para isso? Então eu vejo assim, quando se fala de uma liga no Brasil, eu acho pouco provável que você tenha 20 clubes de Série A que vão aderir isso no primeiro momento, porque alguns não entendem, alguns não acreditam, alguns acham que não tem esse potencial comercial. Então eu vejo que A ficha vai cair em tempos diferentes para cada um dos clubes, mas eu acho que tem 8 ou 9 clubes no Brasil que, se não enxergam isso, deviam enxergar.

Estes 8 ou 9 clubes, se tiverem esse denominador comum, aí sim eu acredito que a gente possa fazer uma liga que traga mais dinheiro. Do contrário, eu acho que o que vai acontecer é o seguinte: é a velha briga de 40 anos do futebol brasileiro que é o que eu chamo da sociedade onde um entra com 10, outro entra com 1. No minuto seguinte, o patrimônio da sociedade é 11. O que tinha 1 passou a ter 5,5, que tinha 10 passou a ter 5,5.

Eu não vou subscrever um negócio desse, que eu sei fazer conta, eu não sou estúpido. E no caso, eu sou o cara que tá do lado do que em tese teria 10. De novo, eu não me juntaria com alguém numa sociedade se não fosse para ter um crescimento expressivo, algo que eu não possa fazer sozinho. Então, e tem outro, outros aspectos de governança, de credibilidade, que assim, o Flamengo de hoje em dia, se eu for virar sócio de João ou de Maria, o meu conselho deliberativo tem que aprovar.

Nós viramos reféns do sucesso e dos preceitos que nós implementamos e praticamos dia sim, outro também. Então hoje o conselheiro do Flamengo tem muito orgulho da gente ter palavra, da gente cumprir com tudo que a gente combina. Então se eu disser que eu vou casar com João, ele vai me dizer assim: você vai virar sócio de João, mas João paga as contas dele? Como é que é o estatuto do João? João tá envolvido com RJ? João tem dívida com fisco?

Veja, são alguns desafios. São impossíveis de serem transpostos? Não são impossíveis, mas eu entendo que você tem que de alguma maneira arar e preparar a terra antes para que isso seja possível. Conceitualmente eu acho possível. Do ponto de vista de timing, eu acho que pode levar um pouco mais de tempo do que a gente imagina.

TSThiago Salomão

O BAP, só para a gente poder tangibilizar um pouco, queria alguns exemplos de monetizar a paixão. O que que é isso? E fala um pouco mais também da TV Flamengo. O que que significa TV Flamengo em termos de monetização? O que que é esse projeto? É como é que vocês ganhariam dinheiro com isso? Acho que também vale a pena até, não sei o quanto isso tem uma conexão com sua vida pré-Flamengo, né, que foi por 20 anos basicamente vendendo TV por assinatura, né, chegou a ser CEO da Sky e levou até a marca patrocinar o basquete do Flamengo. Enfim, como essas coisas se conectam? TV Flamengo, monetização.

?Voz B

Vamos lá, sobre a experiência, uma coisa interessante que é assim, Nada do que eu estudei ou do que eu me formei foi fim na minha vida. Eu sou engenheiro de profissão, nunca trabalhei numa obra. Fiz mestrado em finanças, nunca trabalhei em banco. Fui trabalhar em varejo, era apaixonado por serviço. Saí de varejo, fui vender televisão por assinatura, que é um serviço realmente. E acabei no Flamengo, tá certo? Que é uma combinação disso tudo.

Você tem que de alguma maneira ter uma visão lógica que a engenharia traz, você tem que ter uma noção de valor de dinheiro no tempo, que é um negócio intensivo em capital. Você tem que entender de serviço na medida que você tem 45 milhões de clientes que são absolutamente fiéis. E você tem que entender de compra e venda de produto, né? Eu aprendi a comprar e vender como comerciante, né, meu tempo de varejo, e aprendi a lidar com contrato de conteúdo no Flamengo.

Então tudo que eu fiz na vida até hoje profissionalmente tem um fit perfeito com o que eu faço no Flamengo hoje. Então vamos lá, sim, vou dar um exemplo para vocês. 45 milhões de torcedores do Flamengo, onde são, onde moram, o que comem, onde vivem, do que gostam? Se você não sabe quem são esses caras, quanto que vale esse ativo? Qual é a diferença de quem tem 45 milhões de torcedores e quem tem 3, se o estádio só tem 50, 60 mil lugares em média no Brasil?

Se você tiver 50, 60 mil torcedores fiéis, você tá no mesmo patamar de quem tem 45 milhões, se você explorar somente o que a gente chama de matchday. Nós no Flamengo hoje temos 10,4 milhões de CPFs válidos, a gente sabe tudo sobre esse cliente nosso, sobre esse cliente, que é diferente quando você chama de torcedor, você chama de cliente. Tem 8 milhões de pessoas que seguem a Flamengo TV. E a Flamengo TV, do ponto de vista técnico, de conteúdo, de produto, ela não é um canal como um canal tradicional de televisão, porque a gente não consegue mais de 6 horas por dia de conteúdo.

Então você tem que botar as coisas em looping, né? E ainda assim, 1,7 milhão de caras ficam vendo aquilo de novo, que nem crianças ficam vendo aquele filme da Frozen, entendeu? Que cantam aquela música, que os pais aprendem, né, por osmose, aquilo. E é uma coisa impressionante, porque para mim que vim de TV, eu sei que é o seguinte: uma das coisas que o adulto não quer é repetição. É o que a gente chama de rerun. Mas no futebol, eu acho que eles ficam vendo de novo as matérias sobre o Paquetá, E na terceira vez eles acham que ele vai voltar uma semana antes jogar, não sei, é um exercício de fé, é diferente, é diferente.

Então você tem a fidelidade do cliente, que ele não troca de produto, você ganha dinheiro com isso, com publicidade, você ganha dinheiro com distribuição. E eu imagino hoje, esse foi um erro que eu cometi quando eu comecei com a Flamengo TV, que eu achava que ele devia ser um produto exclusivo. Eu queria cobrar por ele. E aí tá o modelo da Casé, então outros modelos que mostram que o Flamengo em tese devia ser como uma Coca-Cola, entendeu?

Vai ter no restaurante de 3 estrelas Michelin e vai ter no boteco do João na esquina. Então Flamengo vai estar em todas essas plataformas se alavancando em cima da fragmentação tecnológica, que hoje é uma possibilidade, né? E do fato que você pode assistir o jogo do Flamengo em qualquer lugar do planeta hoje, né? O seu telefone tá contigo, Você tem uma conexão, você consegue assistir. Então assim, Flamengo e Olímpia, 8 milhões de pessoas assistindo o jogo sexta-feira, 8 horas da noite.

Então assim, não é um dia de jogo, é um horário que tradicionalmente conflita com o horário que é familiar, tá certo? É uma hora que de alguma maneira incomoda as nossas esposas, incomoda as namoradas, incomoda os filhos. Acaba que atrapalha. Você tem um evento, tem um jantar na casa de um amigo, aí ficam lá: pô, ele marcou às 9, você pera aí, vai, vai querer ver o jogo até às 10. E o que que valia aquele jogo? Nada. 8 milhões de pessoas engajadas.

Então vamos assumir que aquele 8 milhões seja um proxy para cada jogo que o Flamengo fizesse ao longo de um ano, ele transmitindo o jogo dele com exclusividade. Teriam mais de 8 milhões assistindo, menos de 8 milhões, se o jogo valesse alguma coisa. Eu acho que mais. Se eu conseguir ter um produto recorrente disso, quanto eu venderia de publicidade neste canal como um Casé TV fez? Então deixa eu te dizer, esse potencial hoje eu acho que alguma coisa entre 600 e 800 milhões ano contra os 237 que eu ganho hoje com esse contrato tem aqui.

Flamengo é o clube que mais ganha dinheiro com distribuição de conteúdo, com contrato de direito de transmissão. Essa diferença para o Corinthians caiu. A diferença, o Corinthians era um pouco maior. Com essa renegociação recente que a gente fez com a Libra, a gente melhorou um pouco a situação da gente. Então assim, R$237 milhões ano. O potencial é de duplicar isso, sendo pessimista. Então, quando você pergunta como é que a monetização da Flamengo TV, você tem a recorrência da distribuição.

Quer dizer que o Flamengo vai transmitir todos os jogos dele? Não precisa transmitir todos os jogos dele, mas eu posso fazer um blend. Jogos de fim de semana eu transmito, jogos durante a semana eu não transmito. Por exemplo, eu posso sindicalizar, eu posso sindicalizar os direitos de clubes menores. O que que significa isso? Eles também têm os direitos dos seus jogos como mandantes. Cada clube desse tem um jogo do Flamengo por ano.

Eu posso comprar o jogo desses clubes, pagar o mínimo garantido por esse jogo, que vai direto para eles, tá certo? Para quem fizer um acordo comigo, e eu ficar com um pedaço do dinheiro disso. É como se eu fosse uma plataforma white label de distribuição de conteúdo. Então, segunda derivada de receita que eu posso ter.

TSThiago Salomão

Você seria a Casé TV desses times?

?Voz B

Eu poderia ser a Casé TV do Flamengo. É isso. E por fim tem o seguinte: nós estamos montando uma plataforma de e-commerce para vender produtos de marca própria, tá começando, ok? Nós vamos conectar esta plataforma nesta televisão. Então você imagina, durante uma transmissão, eu poder vender a camisa do João Guilherme, o boné que a Dani tá usando, eu poder vender um outro produto qualquer, uma camisa 3 ou uma camisa da Gávea, que é a nossa marca, que o Atisson esteja usando, né?

Então assim, você conectar esses mundos e na palma da mão do celular de qualquer telespectador você poder monetizar isso, isso é muito poderoso em relação ao público que a gente tem e a fidelidade que o torcedor tem ao seu clube. É, isso é inédito? Não, isso não é inédito. Algumas, algumas dessas ideias, elas vêm de fora. E tem uma última que foi criada pelo Barcelona alguns anos atrás, que nós estamos construindo. Nós temos dois projetos reality show de Flamengo que eu posso colocar na Flamengo TV, ou que eu posso me parceirar com uma Amazon, com uma Apple, que contam a história de uma série de coisas rubro-negras que geram interesse enorme.

Outra coisa que nós vamos fazer, que o site de e-commerce da gente nós vamos colocar 24 por 7, nós vamos falar para eles tudo que está acontecendo no CT que não seja estratégico e que eles adoram saber. Paquetá tá fazendo a sessão 8 de fisioterapia, hoje é um penúltimo estágio antes dele entrar em campo. Sabe aqueles letterings que tem canais de notícias? Nós vamos colocar isso no site de vendas, só tá no site de vendas. Se você quiser saber o que tá acontecendo com o Flamengo, você vai para o site de vendas.

Então você vai ter a venda associada a isso, você associa o interesse com a notícia, com local de compra. Ele, tráfego, né? Só vende no shopping se você tiver tráfego. Então você, ah, não tenho nada para comprar no shopping, mas eu vou no shopping. Você vai pagar o estacionamento, vai tomar um café, Algum dinheiro você vai deixar ali. O conceito é o mesmo, né? Então eu vejo assim múltiplas possibilidades de você alavancar a exploração da marca, né?

E por fim, fazer parcerias, né? Eu vejo assim, a gente tá vivendo no mundo que os últimos 15 anos andaram mais rapidamente do ponto de vista de inovação tecnológica do que dos últimos 100. A gente até entende o que tá acontecendo, mas você não consegue fazer nada sozinho. Você tem que se emparcerar. Então Flamengo aceita trabalhar com parcerias nesse sentido. Pode ser com outros clubes, né, por exemplo, na captação de jogadores de base, né, como porque a vitrine da gente vale mais.

Você tá com uma lojinha pequena no Brás, com todo respeito à lojinha pequena no Brás, eu tô no corredor principal do Iguatemi. Você acha que se eu botar o produto nosso no corredor principal do Iguatemi na loja Flamengo, com todo respeito, ele vai vender por um valor maior e melhor do que o de uma lojinha menor? Eu acho que vai. Então isso aqui pode significar também um potencial de crescimento de receitas futuras enorme. Então eu sou absolutamente otimista de que o Flamengo tem um caminho assim, Flamengo tem um oceano azul de possibilidades à sua frente.

E a beleza disso tudo é o seguinte: nada disso é excludente em relação a outros produtos. Porque todos os produtos que eu imagino para o Flamengo, se os outros clubes copiarem, serão produtos mutuamente excludentes, né? Você tá falando que você é palmeirense, qual é a chance de você entrar num site do Flamengo e comprar uma camisa com 70% de desconto sendo palmeirense? Olha, nenhuma. Talvez para dar para algum amigo.

TSThiago Salomão

Por causa desse cara já entrei no site, mas é muito mais.

?Voz B

Você pode montar uma plataforma de white label que atenda a todos os clubes. Tá certo? E você pode no futuro, numa liga, você pode ter um lugar único, um conceito de one-stop-shop, onde você tem uma plataforma de marketplace dos clubes da liga, onde você vende tudo lá. Vai ter alguém que monte o engine todo, que saiba como fazer, entendeu? Que entregue no Acre, que entregue em São Paulo com a mesma qualidade, como o Mercado Livre faz hoje.

É simples, é rápido, é fácil? Não. Mas depois que isso tiver de pé, eu vejo isso como uma Super de uma possibilidade, porque aí você desvia atenção de uma potencial liga apenas e tão somente do direito de transmissão e você entra por outros mercados. O ser humano tende a ser muito generoso com aquilo que ele não tem. Esse dinheiro que ninguém tem, que não é o dinheiro de transmissão, todo mundo tende a ser generoso, inclusive o que vos fala.

Este dinheiro que eu não tenho, eu aceito dividir em condições diferentes. O que eu tenho, o que eu tenho é meu. O que é meu, é o que eu digo, é o seguinte: uma liga tem que partir do princípio da comunhão parcial de bens. O que eu entrei na relação é meu e o que você trouxe na relação é seu. A partir daí nós vamos dividir sobre quaisquer critérios que tem que estar ligados ao crescimento. Por quê? Porque você não se juntaria com ninguém para fazer um mais um dá um e meio, tá certo?

Então vamos discutir o que que vai crescer no agregado. E aí eu acredito que a gente possa desatar esse nó aí. Alguém tem que fazer, e eu acho que nós estamos no caminho certo de fazer isso.

TSThiago Salomão

Quando você explicou mesmo da liga, eu pensei muito nessa união total e parcial de bens. Só algumas informações legais enquanto você falava, Bapê. Abri aqui o Flamengo TV. Estamos gravando esse episódio 17 horas depois de Internacional e Flamengo, e no vídeo do YouTube está com 1 milhão e 600 mil visualizações, o pré-jogo mais narração de Internacional e Flamengo. Então você vê que assim é uma baita audiência, né?

?Voz B

E você pega até os jogos atrás, você falou do quarta-feira, 6 horas da tarde.

TSThiago Salomão

Exato.

?Voz B

Alô, alô, galera! O chefe dessa turma, eles deviam estar trabalhando essa hora, hein? Você imagina se fosse um horário que as pessoas não tivessem mais trabalhando hoje, qual o TITAB ali, né?

TSThiago Salomão

Todo mundo produtivo ali, bota lá.

?Voz B

Headphone, headphone, olhando uma coisa na tela e ouvindo outra. Isso aí é.

TSThiago Salomão

E aqui até, acho que o trabalho de pauta, aliás, deixar os parabéns aqui para o Caio que montou aqui, né, por nossa equipe de research, cara, ficou sensacional. E porque assim, para eu não flamenguista, né, acho que para você pode soar coisa antiga, mas achei muito legal assim essa trajetória, né, do O BAP em 2009 compra o título de sócio. Em 2010, ainda CEO da Sky, leva a marca para patrocinar o basquete, intermedia a contratação de Zico como diretor técnico.

Em 2012, é um dos precursores da Chapa Azul, que elege Bandeira de Melo e conduz a reestruturação financeira iniciada em 2013. 2013/15, foi vice de marketing, fecha com Adidas, Peugeot e Caixa. Em 2019/2021, volta o Landim como vice de Relações Externas e integra o Conselhinho de Futebol. E em dezembro de 24, eleito presidente para o triênio 2025/2027 pela chapa Raça, Amor e Gestão, com 1.731 votos. Bem legal assim a trajetória.

E tem os anos pregressos na Sky também. Quer trazer alguma coisa? Porque eu também depois eu queria voltar para falar de governança. Um assunto que é meio super importante, pessoal deixa meio de segundo plano, mas tanto no mercado financeiro quanto no futebol a governança é extremamente fundamental.

BCBruno Chatack

Mas é só para dar também para quem nos assiste aqui, a gente tem sempre um dever aqui de explicação, né? Então quem acompanhou o nosso último episódio aqui, para a gente entender os números que a Flamengo TV apresenta comparativamente falando, basta a gente pensar que o número de inscritos e o número de visualizações é literalmente entre 1/4 e 1/5 da Casé TV. Então hoje a Flamengo TV, que passa um Flamengo e Olímpia que não é Copa do Brasil, Libertadores, Brasileiro, a gente tá falando de uma retenção de 1/4 do que foi, por exemplo, esses 8 milhões do Flamengo e Olímpia é 1/4 da audiência da final da Copa do Mundo, né?

Então na Casé TV no YouTube. Então a gente precisa entender que esses números, eles são importantes justamente para que todo mundo entenda por que que o Flamengo hoje tem nos direitos de TV apenas entre a quarta e a quinta linha de receita total de tudo que ele, obviamente sendo redundante, tudo que ele ganha.

TSThiago Salomão

Então só para você entender, quando, e só para deixar claro, né, vocês estão falando muito de Flamengo e Olímpia porque foi um amistoso Exatamente, um jogo que não realmente não valia nada.

BCBruno Chatack

Exato. E aí, por que que isso é importante? Quando você considera R$257 milhões em direito de TV, o Flamengo tem a camisa que em patrocínio vale mais de R$400 milhões. Então, pelos números atuais, né, é isso aí. Para do ano passado, R$460 talvez. Então, quando a gente compara esses números, pensa que esse patrocinador ele tem hoje uma plataforma de TV que, como o BAP disse, fica lá em looping passando. E com esse looping, a marca lá na camisa do jogador, no banner do CT.

Então isso também traz uma exposição de mídia que ele tá muito mais alavancado do que meramente colocar uma camisa, o patrocínio numa camisa de clube de futebol. Mas quando você fala aí da governança, talvez esse seja um ponto ainda mais importante para a gente entender um pouco desse, desse Flamengo aí que tomou remédio amargo, né?

TSThiago Salomão

Eu não sei se a gente já fala da governança agora ou se a gente fala também dos 5, a passagem de 5 anos no inferno que você falou. Queria entender o que que foi essa passagem, o que que foi esse momento do Flamengo que vocês tiveram que passar.

?Voz B

Não, é uma, é um ótimo começo porque ele leva também a muito assim, o que a gente sofre e a gente sente na carne acaba tendo impactos na forma como a gente pensa, como a gente age, como a gente estrutura qualquer negócio no futuro, né? E assim, eu me lembro do Flamengo não ter dinheiro para pagar papel higiênico e lâmpada nos banheiros. E por que que eu me lembro? Porque o sócio roubava papel higiênico e roubava a lâmpada quando você colocava.

Eu não sei quanto que vocês— vocês são muito mais novos do que eu, mas tinha um livro chamado Tipping Point, um cara chamado Malcolm Gladwell falava sobre o processo de tolerância zero de Nova York dos anos 90, que os caras limpavam e os caras quebravam. Então tinha uma resistência passiva-agressiva, né? Quer dizer, é tudo uma zona, você tenta melhorar o ambiente, o cara vai lá e tenta esculhambar o ambiente. E o Giuliani consertava tudo de noite.

Quebrou vidraça, troca de noite. Então tinha gente trabalhando de noite. Pichou o trem, limpa o trem de madrugada. E demorou 7, 8 anos e eles começaram a mudar essa coisa do ambiente. No Rio de Janeiro você tem um caso muito claro e clássico disso, que é um exemplo perfeito, que é assim: muita gente tem que comutar de trem e de metrô. Você entra na linha do trem, o mesmo cara que entra na linha do trem, o trem é sujo, o trem é inseguro, o nível de desrespeito às vezes beira o inacreditável.

Esse mesmo passageiro desce do trem, entra no metrô, e o metrô é impecável. Não tem uma guimba de cigarro no chão, não tem urina, não tem esse tipo de ataque. O que faz o mesmo ser humano ter um comportamento diferente é o ambiente. Então, analogamente, nós mudamos o ambiente do clube. A gente começou a assumir: olha, nós não temos dinheiro, Nós devolvemos e abrimos mão de um Wagner Love numa época que esportivamente era o ídolo do clube.

A gente basicamente chegou e falou: olha, nós abrimos mão do Dorival como técnico, a gente não podia pagar o salário do Dorival. E aquilo, aquilo hoje parece óbvio, mas na época era inédito. Na época era inédito você chegar e dizer: um clube do tamanho do Flamengo, pô, como é que o Flamengo não pode ter um Dorival, não pode ter um Wagner Love? Que não tinha dinheiro para pagar. Então, na hora que você toma essa decisão, você não esquece nunca mais.

E você entende o seguinte: nós estamos passando pelo que nós estamos passando porque a gente fez 20 anos de lambanças aqui e de irresponsabilidades financeiras. Então, esse trade-off entre você fazer o que é certo e melhorar, nós vivemos 5 anos nesse processo. Teve uma coisa que foi ótima, mas foi uma merda política, foi ter ganho a Copa do Brasil em 13, porque antecipou uma expectativa rubro-negra de que, olha, o pior passou.

E ali começaram guerras de vaidade, problemas. A gente acha que as novelas que a gente vê na televisão, né, que as novelas são obras de ficção, as novelas elas repetem exatamente o que é a vida. Então nós passamos por todos esses desafios. Assim, mais da metade dos sócios do Flamengo, 60% dos sócios não pagavam mensalidade ao clube, 60%, e a mensalidade do clube era de cento e poucos reais. Faz a conta aí, não paga a conta de água, de luz do clube.

Então nós tivemos que sair de uma situação de insolvência real Não era por causa de uma RJ, é porque não tinha dinheiro para nada mesmo para reconstruir o clube. E eu vejo assim, o Flamengo só não caiu de divisão, mas todos os outros aspectos peculiares ao inferno a gente viveu. Então essa travessia que não matou a gente, né, como é que diz o ditado, minha avó dizia assim, meu filho, o que não mata a gente faz a gente mais forte.

Nós ficamos mais fortes E hoje, a cada momento que alguém pensa em fazer alguma loucura, quem viveu e passou por esse período comigo, eu digo assim: olha, a gente não pode esquecer jamais de onde a gente veio, para a gente jamais repetir aqueles erros. Então nós temos um cuidado de fazer isso. Mas a preocupação era: eu tô aqui, eu tô com caras que são resolvidos econômica, financeiramente, em suas vidas, Mas e se a gente não tiver aqui no futuro?

Então nós tentamos colocar no estatuto do Flamengo, que é um clube associativo sem fins lucrativos, alguma coisa de gestão e de governança, porque não tinha também uma única linha no estatuto do Flamengo que impedisse você de ser correto, de cumprir com as tuas obrigações, de obrigar quem tá sentado na cadeira de presidente eventualmente a responder com os seus bens em relação a alguma coisa errada que que você faça, é implementar um conceito de gestão que é muito claro, né?

Eu fui varejo muitos anos. Quem compra no varejo não paga. Quem faz a prova não pode corrigir a própria prova. Então nós começamos a colocar esse tipo de coisa no Flamengo para que um poder que decide X não possa ser quem vai controlar. Então se o poder A decide uma coisa, o poder B tem que de alguma maneira ter a chance de acompanhar isso, de ter auditoria interna no clube, de ter uma área de compliance, Não tem uma linha no estatuto que proíba a gente disso.

Nós estamos evoluindo com essas mudanças, e a próxima que está por vir é a da profissionalização, que nada mais é do que na tradução literal estatutária da maneira como a gente estruturou o Flamengo na minha gestão. Você tem lá os dirigentes que funcionam como no conselho de administração, somos 13 no conselho diretor, vai se chamar conselho gestor. Esses caras serão conselheiros, né, fruto da experiência que eles têm de vida, mas não estarão envolvidos no dia a dia, na operação de uma empresa, como é qualquer conselho de administração de empresa convencional.

E a gente mantém a estrutura que hoje é 100% profissional do clube, apartada, né. O conselho gestor decide o que nós vamos fazer, e o conselho diretor que são os profissionais, decidem como eles vão implementar isso. E aí tem as condições de contorno que todo conselho de administração tem em relação à alavancagem, em relação à exposição, né? O nosso negócio é um negócio que tem exposição a câmbio, tá certo? Você compra muitos jogadores, né?

Você vende jogadores. Então assim, nós temos dois craques, né, de finanças lá. Então a gente trabalha com travas cambiais, com hedges, a gente faz hedge com as operações de compra e venda. São coisas absolutamente sofisticadas, parece óbvio, né? Então assim, vou dar um exemplo para vocês. Fomos vender o Wesley e tínhamos que pagar parcelas do Alcaraz. Na negociação da gente tem um casamento de 15 dias entre uma e outra, tem uma superposição de 15 dias entre uma e outra, que é o seguinte: se o câmbio cair ou se o câmbio subir, eu tô de alguma maneira regiado com essas parcelas.

E a gente vai vendo quando que a gente tem. Então, ah, eu vou receber 2 pagamentos anuais semestrais, bota no contrato. A gente chega e diz, olha, tem que ser entre 10 e 25 de maio que eu vou receber, e tem que ser entre 18 e 22 de setembro que eu vou receber da outra. Parece óbvio, mas se você olhar o balanço do Flamengo ano passado, que a gente teve de custo financeiro foi muito baixo, né? Porque em nenhum momento do ano passado a gente teve que ir a banco para cobrir com cheque especial alguma coisa.

Parece óbvio, mas no futebol não é. Então quem cuida dessa parte financeira do Flamengo no futebol, né, quando escolha de jogador, scout, perfil técnico, psicológico, físico, tudo isso é do futebol. Quando chega na hora de como a gente vai vender ou de como a gente vai pagar, o financeiro chega e fala: você vai pagar 20, você tem que pagar, eu tenho que receber 3,6 aqui, 6,4 aqui, e 9 pontos tanto ali. E o que que acontece? Faz-se a mágica, faz-se a mágica.

Em geral, no futebol você não faz isso, porque não é uma prática do futebol. Então esse tipo de coisa, por exemplo, que a gente fazia, porque a gente tem conhecimento técnico e operacional, a gente também vai aos poucos colocar no estatuto do Flamengo, de chegar e dizer: olha, toda e qualquer venda, o fluxo de caixa tem que ser aprovado pela diretoria financeira do clube. Então isso é um dos exemplos, como que você pega um estatuto de um clube sem fins lucrativos e você coloca nele alguns dos preceitos do mundo aqui fora.

Então eu entendo que esse é um processo de evolução contínua do estatuto. E por fim, colocar punições, né? Porque o estatuto do Flamengo tá mais ou menos escrito assim: você não pode dar um tiro e matar ninguém. Mas se o cara fizer isso politicamente, né, isso é uma metáfora, ele vai lá e matou 12 caras assim, ele matou 12 caras, qual é a punição para ele? Nenhuma. Então o que que adianta você ter uma provisão, né, em tese punitiva se não tem consequência?

Então uma outra coisa que a gente tá fazendo no restante desse ano é todo e qualquer ilícito Ele vai ter consequências para quem fez, e que no limite pode ser exclusão do quadro societário. Então eu entendo que vai ser muito interessante, porque a gente vai ter uma governança ímpar no futebol brasileiro. A gente vai ter um clube associativo sem fins lucrativos com uma governança à prova de balas no mercado de capitais.

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TSThiago Salomão

Muito legal essa explicação. Eu acho que Meu sonho é um dia chegar numa, ver uma coletiva de imprensa de algum grande jogador anunciado por um clube, e aí o repórter levantar a mão e falar: tá hedgiado aí essa operação aí? Como é que foi feita o prazo de recebimento? Que assim, é algo tão natural no dia a dia do mercado financeiro, mas o hedge, né, para você ter a trava cambial ali, não ser beneficiado ou prejudicado.

?Voz B

Você falar de trava cambial, o cara fala trava, trava é na chuteira, pô.

TSThiago Salomão

Mas você, você fica imune à oscilação do câmbio, né?

?Voz B

Então é fundamental, mais protegido, vamos dizer assim. Depende do volume que você vendeu, que você comprou, mas qualquer que seja o impacto, ele se minimiza o impacto.

BCBruno Chatack

Eu acho muito interessante a questão pelo lado comercial, mas o grande impacto dessa reforma, quando eu tive a oportunidade de analisá-la, na minha opinião é a questão política e pessoal do ser humano. A gente sabe que o futebol, ele promove delírios, né, emocionais, que eles podem contaminar qualquer cidadão. Então, o que eu mais gostei dessa proposta de reforma estatutária é como você ter o que a gente chama no direito, né, de freios e contrapesos para quem toma a decisão poder tomá-la de uma maneira menos emocional e mais racional.

E aí, Babi, eu queria que você explicasse isso, porque quem nos assiste aqui, se não torce para o Flamengo, torce para algum time, inclusive o Flamengo também, que já tenha sido machucado por um presidente ou por algum diretor que fez uma gestão temerária. Como que esse estatuto consegue proteger o clube de pessoas que, uma vez que estejam ali, possam de alguma forma, não só economicamente, mas politicamente, reputacionalmente, prejudicar o clube.

Eu fiquei muito satisfeito quando eu entendi que essa reforma ela também tá abarcando esse tipo de dano, né?

?Voz B

É assim, nada resiste a má gestão. Ou a má-fé. Então, a combinação das duas com o estatuto que a gente tinha, isso podia ser explosivo. Eu acredito que em um ano, um ano e meio, você quebra o Flamengo de novo se você não tivesse esses pesos e contrapesos que você falou. Então é como se fossem vários layers de segurança que você vai colocando em diferentes níveis. E eu não sei se isso se aplica a todos os estatutos. Eu vou te falar o nosso, né, o estatuto do Flamengo.

É, nós fomos criando um processo onde eu, enquanto presidente, eu estou abrindo mão de poder. E o que que significa isso? Quando você elege um presidente de um clube de futebol, você é tratado como presidente, você diz que você é candidato a presidente. Mas em um clube social sem fins lucrativos Você tá elegendo um imperador. Ele vende o clube, ele faz uma SAF, ele vende um jogador que vale 10 por 100, ele gasta num cartão corporativo que depois pode ter uma disputa interna.

Mas é o seguinte, né, assim, depois que o cara gastou milhões no cartão corporativo, isso vem à baila tal, e qual é a consequência exata que o cara sofre? Que tal você ter uma estrutura que impede ele de gastar isso? Que quando ele gasta R$100 mil acende uma luz vermelha e fala: olha, para tudo, o que que tá acontecendo? Então nós não só estamos fazendo mudanças de governança financeira e política, como eu falei, como nós estamos colocando travas.

Quem avalia, quem acompanha. Então isso elimina a possibilidade de você ter ilícitos ou ter de atitudes estúpidas que quebrem o clube? Não. Mas você é como um avião, né? Dizem que o avião tem uma porção de— eu não entendo de aviação, mas o que a gente escuta falar é que tudo tem redundância, tudo tem um plano B. E na dúvida você pode entrar online e pedir ajuda de um universitário que tá longe de você, que vai dizer faça isso, faça aquilo.

Analogamente, o estatuto do Flamengo hoje, do jeito que tá, Ele permite que outras áreas façam estas perguntas antes do desastre que possa acontecer. Então eu entendo que isso ajuda muito no processo. Significa dizer que você tá 100% imune? Não, não significa dizer que você tá 100% imune, mas é muito melhor do que a gente tinha. Eu acho que com isso a gente mitiga 60%, 70% dos problemas, e talvez 10 ou 20% dos problemas você que você iniba a vontade de fazer.

Porque assim, se você tiver certeza que você pode ser expulso do clube e que você pode responder fisicamente, né, financeiramente pelo que você fez, eu acredito que isso faça as pessoas pensarem um pouco mais, né. Agora, é a realidade que cada clube tem, né. Eu vou te dizer, o fato do, o fato do Flamengo não ter um processo eleitoral. Isso é só opinião minha, ok? Sei que isso vai ser polêmico. Sim, o presidente do Flamengo é eleito por potencialmente um colégio eleitoral de 7 mil pessoas.

Comparecem 40%, 2.800, 3.000 vão votar. 3.000 é melhor do que 250 caras. Todas as vezes que você tem um conselho, um conselho deliberativo, que são os mesmos membros que votam. O que a gente aprendeu no Flamengo em comissões é que eles tendem a fazer um voto combinado antes da hora, porque o clube é social e ninguém quer brigar. Então, ó, você quer ser diretor do tênis e eu quero ser diretor do bar da piscina. Nem você reclama do preço do bar da piscina, nem eu reclamo das escalas que você faz no tênis.

Quem é que frequenta clube que já não viu isso? Tem um diretor da sauna, tem um diretor do tênis, tem um diretor do bar. E na hora que ele vai votar para presidência, ele vota no interesse do clube ou ele vota no interesse do bar dele ou do tênis do amigo? Então, estas configurações, esses acordos que você acaba vendo dentro das associações comerciais, olha, eu vou te falar, Só muda de endereço, todas elas têm. Você não pode ter o poder concentrado em um colégio eleitoral.

Colégio eleitoral é uma coisa complicada. Que que é um colégio eleitoral? 100, 200 pessoas. Quando você vai para 7, 8 mil, é muito mais difícil você ter acordo um a um com 7, 8 mil pessoas que nos falam, que nos conversam. Então esse modelo é mais democrático. Eu acho que estatisticamente ele é menos afeito a esse tipo de conchavo. Como é que pode um clube que tá quebrado há 10, 12 anos, não ganha nada, vive em crise, né? E aí esses caras têm um consenso em torno de um nome.

Consenso em clube de futebol? Não tem consenso dentro da casa da gente, pô, com mulher, com filho, com filha. Vai ter em clube de futebol? Normalmente, quando se tem esse consenso, é porque já tá tudo dominado e tudo definido. E isso faz mal aos clubes. E muitas vezes o torcedor que só tá vendo o time de futebol não entende esse alcance. Então volto no aspecto da governança, das mudanças e do que você tem que fazer. Não é à prova de bala o que a gente tá fazendo, mas dificulta.

O Flamengo para virar uma SAF hoje não é impossível, mas você tem que ter um fórum qualificado, é assembleia geral, não é só conselho deliberativo, que no Flamengo tem 2.632 sócios conselheiros, 2.632 conselheiros. Mas não são somente eles que aprovariam isso. No caso desse, você tinha que ir para uma assembleia geral. E aí, para uma assembleia geral, assim, a possibilidade de você ter manipulação de votos, o ter acordo ou um eventual conchavo— veja bem, eu não tô dizendo que existe em todos os lugares, mas a possibilidade de um conchavo com 8.000 é muito menor do que com 80 caras.

Então os clubes estariam protegidos. Então, no caso específico do Flamengo, Eu acredito que a gente tem um nível de proteção hoje bastante razoável para que você seja tomado de assalto e que você seja fatiado, entendeu? Então é o que eu vejo. Alguns clubes que estão numa situação de penúria, né, aí você vai, faz uma SAF, o cara entra, promete que vai pagar as dívidas, paga parcialmente as dívidas, alavanca o clube, endivida o clube.

Depois pede um RJ. Não pagou quem tava, não é que não pagou aquele devia, não pagou a dívida que ele assumiu que ia pagar quando ele entrou, que ele sabia que era de R$10.000, R$100.000, R$700.000, quanto que era, né? Então eu vejo que hoje num clube como Flamengo, o movimento desse seria muito difícil de ser feito. Poderia ser feito alguma coisa? Poderia. Mas o impacto seria muito menor, entendeu?

TSThiago Salomão

Então, BAP, no Flamengo talvez seria difícil esse movimento, mas a gente tá vendo em outros times. Como você, executivo de um time de futebol, tá bem organizado, fazendo as coisas certas, como é que você vê isso sob a ótica do futuro do futebol brasileiro? Porque não passa um pouco a impressão de que o— você usou o exemplo do Giuliani, né, do no livro do Marco Aurélio, aquela teoria da janela quebrada e tudo mais. Não dá um pouco a impressão de que o crime, crime talvez é uma palavra muito forte, mas fazer o errado acaba compensando?

?Voz B

Olha assim, quando você pensa em futebol brasileiro, e a gente acabou de participar de mais uma Copa do Mundo e de não chegar nem perto de nada, A Copa, ela, ela escancara na cara da gente que nós temos que fazer uma reflexão profunda sobre o futebol brasileiro e olhar para o rabo da gente. Olha para o teu rabo, macaco. Por que que a gente não forma mais os jogadores que a gente formava assim? Eu venho de mídia, né, de comunicação, pelo menos os 20 últimos anos de trabalho meu como executivo.

É assim, a pauta número zero das mesas de resenha esportivas em quaisquer convocações eram os injustiçados. Fazia-se outra seleção que poderia ter ido à Copa do Mundo. Coitado do João, do Pedro, do Antônio, como é que eles ficaram fora? Nós temos craques extraordinários de bola que jamais foram a Copa do Mundo. Evaristo de Macedo, tá certo? Djalminha, Romário só foi a uma, Alex, Alex, e tanto Ademir da Guia, tá certo? Que já jogou duas partidas em 74.

Mas assim, Ademir era um monstro, não foi jogador de seleção porque tinham outros monstros ali junto, entendeu? Então assim, o futebol brasileiro, quando a gente olha desse caldo histórico que a gente tinha para o que a gente tem hoje, eu acho que é assim: se o futebol brasileiro fosse uma fábrica ou se fosse uma fazenda que fizesse uma produção de alguma coisa, a produção é muito fraca, né? A produção é fraca qualitativa e quantitativamente.

Por que que é assim? Por que que é assim? Porque os jogadores ficam pouco tempo aqui, porque os jogadores vão embora logo, porque a gente educa os garotos para que eles vão para Europa, eles crescem, né? E jogar no time de cima do Palmeiras ou do Flamengo é um means to an end, é um meio para que eles atinjam um objetivo maior. O sonho deles é de ir embora daqui. Eu entendo que a Lei Pelé que virou Lei Geral do Esporte. A Lei Pelé de 98, depois teve a revisão da Lei Geral do Esporte 20 anos depois.

E claro que espalhada de boas intenções, mas assim, os clubes eram senhores de engenhos, escravocratas, nem viraram barriga de aluguel. Quem ganha dinheiro com futebol de verdade nos últimos 20 anos? Os agentes ganharam muito dinheiro, todos eles ficaram milionários, porque o que que acontece? Ou ele ganha zero ou ele ganha muito dinheiro. Então você imagina você comprar um imóvel, pagar 10 milhões de dólares por ele, em 5 anos ele não é teu, ele desvalorizou ele, e ele chega o seguinte: quem chegar aqui pagar qualquer coisa, a gente troca de dono.

Qual é o negócio cujo retorno pode cobrir um impacto desse? Você compra um jogador no Flamengo por 20 milhões, contrato 5 anos, cada ano ele vale R$4 milhões a menos. Você imagina o teu patrimônio, a cada 4 anos você ter que comprar um novo, e dependendo das condições você ter que comprar outro durante você tá com esse imóvel, como é o caso da maior parte dos clubes como Flamengo, Palmeiras no Brasil, para você se manter competitivo.

Então assim, é um modelo muito intensivo em capital, né? Nós faturamos em reais, Pagamos esses grandes jogadores em moeda forte, temos que vender jogadores muito cedo aqui. Então você tem um modelo aqui que ele é anacrônico em relação ao que tá acontecendo no mundo. A legislação brasileira devia proteger os clubes brasileiros, ela tem que ser ajustada. Esse é um assunto que eu acho que para o Congresso, novo Congresso que vem aí, para a gente discutir ajuste na Lei Geral do Esporte, que de alguma maneira façam com que as Holandas, Portugal, Espanha de 20 anos atrás estejam aqui no Brasil.

O jogador tem uma idade para ir embora, ele não pode ir embora antes de tanto tempo. Você possa assinar contrato com alguns jogadores, eu não posso assinar contrato com garoto de 12 anos de idade, mas o Barcelona veio, contratou o pai do Messi, levou para Espanha. Você acha que eles estavam preocupados com o pai do Messi? Então lá não trataram isso como trabalho escravo, certo? Como exploração de menor. E isso acontece toda hora enquanto a gente tá falando aqui, né?

Outro dia saiu um vídeo de um garoto, né, que joga lá no salão do Flamengo, no Sub-9, entendeu? Que ele faz um gol sensacional e, porra, já tá cheio de gringo querendo falar com o pai, com a mãe, qual é Qual é o impeditivo que eu tenho de que alguém chegue e convença o cara a ir trabalhar na Espanha como jardineiro, tal? O pai foi, ele leva o filho que é menor. Então, a opção de amigos meus mandando, postando, cheio de orgulho, eu dizia: deixa a gente ser imbecis.

Quanto mais publicidade vocês fazem disso, maior a chance de alguém de fora vir aqui roubar o cara. A gente devia esconder ele, entendeu? Num porão aí. Trocar ele de nome, né, e para proteger um ativo que é nosso. Então veja assim, o Brasil, você chega na França, por exemplo, experimenta exportar queijo para França. Liberté, fraternité, égalité, né, para os outros, né, por deles, né. O leite deles é protegido, queijo deles é protegido, não é isso?

Porque é um produto importante da agricultura francesa. Analogamente, o Brasil devia proteger seus produtos. E na hora que a gente fizer isso e que a gente voltar a formar garotos para serem o que na essência era o futebol-arte brasileiro, a gente vai ter um produto melhor. Então veja, nunca é uma coisa só, é uma combinação de fatores, né? Tem uma parte que é legislativa, tem uma parte que é legislativa, tem uma parte que é política, né?

E tem uma parte que é de você poder flexibilizar algumas das relações, né? Outro exemplo é o seguinte: muita gente pergunta, pô, mas por que que vocês, eu vejo esses jogadores africanos, os caras são fortes e tal, por que que a gente não traz eles para cá? Que você não pode trazer o menor para trabalhar no Brasil, mas na Europa pode. Então você pega um Kanté, pega o Embolo, Ele tava lá desde os 15, 16 anos. No Brasil ele não poderia vir.

Por que que não poderia vir para cá? Só um questionamento. Então o mundo foi se movendo muito rapidamente numa camada política, tecnológica, e defendendo seus interesses. Assim, a Europa defende seus interesses como cada coisa fosse uma jarda de futebol americano, com unhas e dentes. E eu, na minha opinião, só minha opinião, o Brasil fica politizando algumas coisas e não tem uma visão clara de chegar e dizer: olha, cara, vamos traçar uma linha aqui, separar o que que é interesse nacional do que é princípio, né?

Então nós acabamos, nós acabamos sendo muito flexíveis e muito tolerantes com a ganância estrangeira em relação a produtos nacionais. Não é só no futebol, mas vamos afeta só no futebol. Isso afeta o nosso futebol. Eu não quero uma coisa só. Eu entendo que tem todo o arcabouço de governança que você tem que ter nos clubes. Não acho que deva ser obrigado você ser SAF, mas assim, você toma, você toma Monjauro que você quer perder peso, eu, pode ser o melhor remédio do mundo, mas se eu não quero perder peso, eu não tenho que tomar Monjauro.

Não é porque você tá tomando um remédio que faz super bem que eu tenho que copiar. Nem sempre o que é bom para você é bom para mim. E a gente devia conviver e coexistir pacificamente nesse aspecto. Mas com arcabouço regulatório, acho que é absolutamente fundamental para que o Brasil possa voltar a sonhar e disputar alguma coisa grande, relevante. Fundamental. Senão nós vamos virar, com todo respeito, um Uruguai, uma Itália. Uruguai, né, que foi bicampeão mundial com 3 edições de Copa do Mundo.

E se alguém fosse comprar o Uruguai ali, ia quebrar a cara porque nunca mais ganhou nada. E eu vejo que agora o Brasil tem esse desafio, né? O Brasil tem esse desafio. E tem uma coisa que é pior, que é assim, né? A geração dos meus filhos, por exemplo, 20 e poucos anos, né? Eles não se incomodam em ser eliminados pelo Brasil como Brasil. Eu sinto, eu fico puto, eu fico realmente, talvez porque eu trabalho no negócio e seja presidente do Flamengo, eu me sinto de alguma maneira responsável Por essa vergonha que a gente passou no Mundial.

Alguns acham que não é, mas para mim é uma vergonha. Você me perguntou isso antes. Para mim é uma vergonha. Então eu sinto indignação disso. Meus filhos falam: pô, pai, esquece, quando é que vai ter Mengão de novo no Maracanã? Então essa geração que tá vindo aí atrás achar que torcer pela seleção nacional não é relevante, isso é um sinal de quão mal a gente tá tratando do nosso produto. Maior, né? Isso vai bater no desafio de fazer uma liga, né?

Nunca é uma coisa só isolada. Eu acho que a gente precisa fazer um dever de casa importante e de mudar algumas coisas aqui enquanto a gente ainda tem tempo.

TSThiago Salomão

Quer fazer uma?

BCBruno Chatack

Senão, é, eu quero, papi, entrar aqui num ponto, né, de tudo tá às vezes tá tão ruim que não possa piorar, mas a gente sempre prova que calote. E pelos números do futebol brasileiro, em 2025 temos R$17 bi de dívida. Como ser um bom pagador no universo em que tanta gente anda dando calote?

?Voz B

Na verdade, sendo absolutamente pragmático, sem conhecer a realidade de cada um dos clubes que estão envolvidos, vou ser muito cuidadoso no que eu vou responder. Sem conhecer a realidade potencial de cada clube, olhando apenas estritamente pelo critério matemático, na minha visão, é impagável, a não ser que venha dinheiro novo. Gente, assim, vocês têm origem em área financeira, certo? É assim, eu canso de ver avaliações de futebol Considerando EBITDA como um critério razoável, você tem que tirar o DA, porque não é como um imóvel que tem valorização e que a depreciação é apenas um impacto residual que ela tem ano a ano no teu balanço.

Quando eu compro um jogador por R$20 milhões, em 4 anos ele vale zero. Ou eu vou gerar um garoto de base que vai repor esse valor, Tá certo? E eu tenho que esperar 4 anos, ou eu não tenho que comprar outros jogadores nesse sentido. Então assim, estas dívidas são impagáveis. A única forma dela ser paga eventualmente, momentaneamente, é você ter uma joia que aparece em outro, que você vai vender por 20, 30 milhões. Mas quem deve essa fortuna, na hora que aparece um garoto desse, ele vende por 3, 4.

Ele tá com a corda no pescoço. Então, de acordo com a dinâmica do mercado atual, quem tem dívidas que são 5, 6, 8, 10 vezes o seu faturamento jamais vão pagar estas dívidas, jamais vão pagar. Isso é um, isso é, isso é dado na equação número 2. Aí você pode pedir uma recuperação judicial. Você pode usar de algumas escaramuças jurídicas para tentar, né, definir quando que a recuperação veio para você não pagar o que você devia, né?

E você gasta como se não houvesse amanhã, de novo, no minuto seguinte. Mas eu tô devendo 100, eu consigo uma RJ onde eu vou passar a dever 10. O que que eu faço? O ato contínuo. Ao invés de pagar os 10 que eu devia, Ó, vou gastar esse 90 de novo agora. Então assim, quando é que resolve isso? Se não houver banimento, se não houver rebaixamento, perda de pontos, que é o que eu tava falando, que a gente colocou no estatuto do Flamengo, causa e efeito.

Você pode fazer o que você quiser bonitão, mas tem consequências. Se não houver consequências financeiras, esportivas, a sua pergunta, eu acho que não tem solução. Olha, matematicamente é o seguinte: qual é a margem operacional do clube, né? Você pergunta para os dirigentes de futebol, meus colegas, eles não sabem o que é margem. Não é que ele não sabe o que é margem bruta, o que é margem líquida, né? O que que foi classificado acima da linha ou abaixo da linha, o que que é operacional, que é não operacional.

Não tô nem chegando nesse nível de granularidade da resposta. Eles só olham o caixa.

?Voz A

Como é que vai ter solução?

?Voz B

Então não tem solução. A solução é entrar uma SAF que seja séria, varre todos esses caras do clube. Mas aí eu acho que até a legislação nacional devia ter dito o seguinte: olha, você tem que pagar tudo que havia de dívida anteriormente, você tem que pagar tudo que havia de dívida anteriormente. A gente tava conversando um pouco aqui antes de começar a nossa conversa, a diferença entre entre a recuperação judicial no Brasil e o Chapter 11 americano, né?

Quais são as condições? Quais são as implicações lá? É assim, a primeira coisa que acontece é o seguinte: bonitão, você vai entrar no Chapter 11, você não continua, hein? Não é você que segue daqui para frente. O que vai acontecer é a primeira, o primeiro dinheiro que você tem que gastar é para pagar aquilo que você tá tendo de haircut de 70, 80 ou 90% dos outros, não é? Então tem um ordenamento jurídico que leva o quê? Proteja o ativo, qual seja a empresa.

Agora, dado que você protegeu a empresa, você tem que honrar minimamente com os teus credores. Se você pede uma RJ e ao invés de pagar, né, os teus credores, você contrata novos jogadores, como é que você resolve isso? Então assim, é um desafio que eu vejo grande. Eu tenho dentro do clube, é interessante que assim, há uns 2 anos atrás, eu não vou citar o nome porque ele foi presidente do Flamengo, é um presidente famoso, ok? Mas ele chegou e me disse assim, cara, você é um cara brilhante, eu tenho orgulho de você ser presidente do Flamengo.

Eu Muito obrigado, fulano. Ele falou, você é ingênuo. Eu falei, opa, esse adjetivo eu não tenho já, eu acho que há uns 40 anos da minha vida. Eu já tinha sido chamado de tudo: filho da puta, frio, sem coração, carniceiro, arrogante, mas ingênuo nunca. O que que ele dizia? Para de pagar impostos cuja execução e a materialização do dano ao fisco pode levar 10 anos. Enche de jogador. Se com a competência que vocês têm, com que você tá fazendo no seu primeiro ano de Flamengo, se você fizer isso— e a matemática dele não tava longe da verdade— ele fala: você contrata um Paquetá e meio a mais por ano.

Porque quem é o político que vai ter a coragem, ousadia de vir aqui lacrar o Flamengo? Ninguém paga. Se não lacram clubes menores, Por que que lacraria o Flamengo? Olha o tipo de pensamento que o fato de você não ter consequências traz. Então eu sou ingênuo porque eu cumpro com todas as obrigações que eu tenho no Flamengo. E eu achei ridículo que ele falou, mas o capeta dentro de mim não tem um único dia quando eu esteja chateado, quando eu vejo alguma coisa no jornal que eu acho que é mais uma sacanagem que o capeta fica lá palitando os dentes.

Eu te falei, BAP, olha lá o que o cara falou. Não faz o que ele falou, faz 30%. Que que vai acontecer? Faz no ano eleitoral. Aí eu: show! Sai daqui, um anjo! Não faça isso, BAP, não faça isso. O Flamengo tá num patamar diferente. E o capeta fala: tá mesmo, mas podia estar um pouco acima. Então veja, assim, de novo voltamos no causa e efeito, tem que ter consequência, tem que ter consequência. Então você vê essas escaramuças, né?

O cara pediu recuperação judicial, aí ele vai, entra com pedido para que seja considerado, né? Ele entra com um pedido para que seja considerado a data anterior daquilo, da lei de 30 de abril desse ano, da ANRESP, entendeu? Quem tá fazendo isso quer exatamente arrebentar a boca do balão de gastar agora nessa janela. E se isso passa, sabe o que que vai acontecer? Duas coisas: é um péssimo exemplo para o mercado, e o capeta que tem dentro— cada um de nós tem um capeta dentro— capeta vai sapatear em cima de mim.

Aí, ingênuo, bobo, tolo! É assim, é um desafio enorme entre você escolher entre ser correto e você combater esse tipo de coisa. Porque o Flamengo devia ser um exemplo. É possível. Eu digo para qualquer um, se a gente conseguiu naquele manicômio fazer o que a gente fez, em qualquer outro clube você conseguiria também. Mas você tem que estar preparado para pagar o preço. Você vai ficar 3, 4 anos numa situação delicada. A gente devia 3,4 vezes o faturamento da gente.

Esse era o número, 3,4 vezes. Nós éramos o 5º faturamento do Brasil na época, ainda que a gente tivesse essa torcida toda. Então a gente sai de R$184 milhões de faturamento para R$2,1 bi ano passado. Multiplica por 12 o faturamento, né? E a gente começa a ter rentabilidade. A gente foi pagando o que a gente devia, mas durante 5 anos a gente não contratou nenhum grande jogador. A gente foi contratando uma série de jogadores de terceira, quarta prateleira.

Alguns deram muito certo, né, outros nem tanto, mas a gente veio galgando as escadas, né, buscando esse sucesso. Não foi imediato. Agora, quem é que quer pagar 4, 5 anos de sofrimento? É difícil, é difícil.

BCBruno Chatack

Só fazendo uma pequena explicação, O quando o BAP ele fala da questão da data, só para quem nos assiste, o que que é bom explicar, o que a gente tem no futebol brasileiro em 2026. Hoje já está valendo o fair play financeiro, só que na implementação do fair play financeiro tem para as aplicações para uma empresa que entra em RJ duas recuperações judiciais.

?Voz B

Vamos traduzir para todo mundo. Duas, vocês vão achar que RJ é Rio de Janeiro, verdade.

BCBruno Chatack

Duas não sanções, mas duas regulações muito importantes, que são: o clube, ele não pode gastar mais do que a folha salarial dele, considerando uma média dos últimos 6 meses. Ou seja, já que você tá devendo, como o Babi até falou, você não pode aumentar sua folha salarial. E você só pode gastar com contratação se você vender algum jogador.

?Voz B

Então, se entrar um dinheiro novo, exatamente, um dinheiro que você não tinha. Exatamente.

BCBruno Chatack

Então, para todos os efeitos, hoje quem tá no enfoque dessa aplicação é o Botafogo, porque ainda que Vasco e Cruzeiro tenham entrado em recuperação judicial anteriormente, essa data do fair play financeiro para o dia 30, ela só é aplicável à recuperação judicial do Botafogo especificamente. Só que quando o juiz ele faz a conversão da recuperação judicial, que era um pedido liminar popularmente conhecido, ele retroage os efeitos para o dia 23.

Porque dentro do universo das recuperações judiciais, o juiz ele retroage justamente para que o devedor não se beneficie de uma blindagem que ela existe em todos os setores por 60 dias mais 180 dias. Então, o que que ele fala? Se você vai converter a sua cautelar, a sua liminar, numa recuperação judicial, evite contar tanto tempo, porque senão você vai prejudicar os seus credores. Mas o caso do Botafogo, ele é muito peculiar, porque ao retroagir, ao meu ver, até de uma forma normal dentro de uma vara empresarial, o juiz ele acabou atingindo essa brecha dentro da ANRESF, que é Agência Reguladora de Fair Play Financeiro.

Então ele retroage e o Botafogo passa a se beneficiar. Então vou trazer aqui uma questão de especulação de mercado, mas muito tem se falado que o Botafogo vai contratar o Luiz Henrique por algo como o Danilo, né, do Botafogo, Danilo Santos, mais 20 milhões de euros. Seria justo com quem vai sofrer 90% de desconto na sua dívida que o Botafogo, na situação que ele tá, ele se beneficie de uma brecha na lei, não se aplique, não se adeque ao fair play financeiro e gaste mais de 20 milhões de euros que ele não tem em caixa.

E detalhe, para contratar o cara que não foi pago em 2024, né, que gerou o título do Botafogo e do Brasileirão, em cima de quem? De Moá. Do Palmeiras, que fazia o quê?

TSThiago Salomão

Fazer as coisas certas.

BCBruno Chatack

Fazer as coisas certas. Então isso é uma questão não do Botafogo, se o pessoal ficar irritado, mas é muitas das justificativas que eu recebi num vídeo que a gente gravou hoje no Esporte Market Makers, foi: você tá falando do Botafogo, mas o Cruzeiro e o Vasco também entraram em recuperação judicial. Olha como muitas das vezes Para justificar o seu erro, você aponta o erro do vizinho.

TSThiago Salomão

Ou seja, ele ouviu o diabinho que o BAP falou que ouviu e não seguiu.

?Voz B

Cada um tem o seu.

BCBruno Chatack

É muito importante que a própria agência reguladora nesse momento se posicione, e a própria FIFA. Porque tem um último detalhe, Salomão, sem querer deixar muito juridiquês aqui, por favor, tá bem claro, tá bem claro. Mas além disso, a FIFA ela produziu um entendimento de que quando você aplica o transfer ban para um clube que depois pede a recuperação judicial, com base no que a FIFA entende como Chapter 11, e aqui a nossa legislação ela é parecida, mas ela tem as suas diferenças, a FIFA começa a entender, e ela manifestou esse posicionamento no caso Botafogo, que o transfer ban seria suspenso se a dívida tivesse incluída na recuperação judicial, que não é o caso.

Então não só isso, mas vamos pensar, mesmo que ela tivesse, olha que loucura, o Botafogo comprou Almada, comprou Luiz Henrique, não pagou, ganhou do Palmeiras a Libertadores e o Brasileiro, mesmo competindo, na minha visão, em doping financeiro. E aí agora ele vai aplicar 90% de desconto na dívida desses jogadores E não vai ter o nome escrito em transfer ban. Então me explica como você vai— isso é o que a gente chama de incentivo perverso, né?

Como você vai pedir para o Palmeiras deixar de contratar o Danilo por 30 milhões de euros porque o fluxo de caixa dele tá espremido? É difícil. Você cria um incentivo perverso que não é sobre o Botafogo, nem sobre o Flamengo, nem sobre o Palmeiras. Mas é sobre o que a gente fala muito aqui no esportes, que é uma questão de governança e responsabilidade financeira.

TSThiago Salomão

Deixa eu mudar um pouco de assunto, mas primeiro já pedir todo mundo deixar o like, se inscrever no canal. Porra, que papo da hora! Tá muito profundo esse papo. Esportes, market makers, market makers fazendo uma dobradinha muito boa. Bap, falar de liga, você já falou um pouquinho aí, deixou um pouco nas entrelinhas, mas queria ouvir um pouco da sua versão dessa de todas as disputas que estão existindo na formação dos blocos recentemente, né?

Até peguei aqui, né, o, no dia 5 de maio, né, Flamengo e Libra encerraram a disputa sobre a fatia de audiência do contrato com a Globo. A nova diretoria queria uma divisão que refletisse seu peso de audiência. E bom, no mesmo dia o Palmeiras saiu da Libra, ele ainda deixou o bloco. Bloqueio machucou, né, times como Atlético Mineiro, Grêmio, Santos e São Paulo, né, que foi o bloqueio judicialmente, R$77 milhões destinado aos outros clubes.

Como é que você vê hoje a questão da relação com os outros clubes? Como talvez chegar no— eu acho que você já deu um pouco das suas, da sinergia do 1 1 não pode ser 1,5, tem que ser 3. Mas como a gente pode chegar num denominador comum nessa discussão. Vamos lá, sobre a Libra.

?Voz B

O custo de oportunidade do que ficou retido, que são esses R$77 milhões que você falou, já foram plenamente recuperados pela nova gestão que o Flamengo pôde emprestar para Libra. Primeiro que eu sou profissional disso há alguns anos, para o bem e para o mal, negociava com a Globo. Inclusive o Marcelo Campos Pinto era o cara da Globo que negociava isso. Então isso foi pacificado. O que a gente ganhou só com as renegociações que a gente já fez em detalhes operacionais, que não havia previsão no contrato anterior, já foram sanadas.

Então assim, do ponto de vista de quem ficou na Libra, já houve ganho. Do lado de cá, não tem um óbice mais não tem nenhuma obstrução que possa atrapalhar a formação de uma liga. A saída do Palmeiras especificamente, ela é muito mais uma jogada, é muito mais um mise-en-scène político do que qualquer coisa, porque o único elemento que existe de fato na Libra é o contrato de direito à emissão. Então, se o Palmeiras assinou um contrato que é binding, e para quem tá nos ouvindo que não sabe, que é um contrato que você tem que cumprir com aquelas obrigações, Não vai mudar nada.

Seria diferente se houvesse 38 contratos diferentes, mas não tem, é só um contrato. Na medida em que o Palmeiras não impeça a Globo de transmitir os jogos dela, ou de que os demais clubes façam algum ato nesse sentido, o efeito matemático financeiro para o Palmeiras é nenhum. Aliás, vai melhorar o fluxo de caixa do Palmeiras como reflexo recente das negociações que a gente fez com a Globo. Então, do ponto de vista da Libra você não tem nenhum óbice.

Não quer dizer, quer dizer, eu posso casar com qualquer mulher, tá certo? Essa que é a posição da Libra. Significa dizer que eu vou casar com Joana, com Maria ou com Antônia, são outros 500 mehés, mas não tem nenhum impeditivo, nenhum óbice da Libra hoje nesse sentido. Quando você vai para Nova Liga, que a gente agora que mudou de nome, enfim, que antigamente era Liga Forte, Você tem uma série de cenões ali, porque houve venda de direitos futuros por 50 anos de 10% do direito.

Teve gente que pegou antecipação, teve gente que pegou luvas supostamente, porque faria algum movimento nesse sentido. Então eu entendo que ali eu não sei te dizer exatamente qual é o estágio. Eu não sei se todo mundo ali tá preparado do ponto de vista legal como nós estamos na Libra. Na Libra não tem nenhuma opção legal nem comercial para você começar uma liga no Brasil. Não quer dizer que cada clube queira se engajar por outras questões, mas restrição legal e judicial não tem.

Do lado de lá, por algumas ações que a gente escuta, sem ser advogado, eu entendo que algumas delas complicam esse tipo de decisão. Então assim, a principal delas é o seguinte: olha, eu vendi 10%, mas eu acho que não é justo, eu arrependi e eu quero uma revisional disso. Se alguém dá uma revisional disso, o que que acontece? Pelo que eu entendo, o contrato do lado de lá passava— você comprava 10% dos direitos futuros, mas você tinha o direito de votar pelo clube num futuro processo de natureza comercial.

Ou seja, é como se você tivesse dando uma carta branca para que quem comprou 10% do teu, do teu negócio, do principal direito seu, tivesse voz e voto por você na construção de uma nova liga. E isso gera um desconforto, evidentemente, do lado da CBF. Eu tenho uma opinião, é uma visão só minha disso. Quem sou eu para para ficar pautando os outros. Eu entendo que a CBF tem uma preocupação institucional e de governança em relação a esses mecanismos que foram implementados na antiga Liga Forte, e que a Liga, então, que de alguma maneira significariam uma distorção na estrutura de poder do futebol brasileiro.

E o pessoal da Liga Forte, eu entendo que eles são banqueiros, eles querem o retorno do capital que eles investiram. Então eu entendo que a gente tem um certo impasse ali, que precisa de mais água passar debaixo dessa ponte para eles pacificarem isso. Tem um outro problema que é assim: enquanto o bloco do lado da Libra é um bloco mais homogêneo do que um bloco do lado de lá, né, lá tem clubes como Corinthians e tem clubes que estão em Série C, em Série D, em Série B.

Então Eu acho muito pouco provável que você possa ter uma configuração de uma liga no Brasil que congregue clubes de diferentes realidades. Não tem nenhum exemplo de liga no planeta onde você tenha clubes de Série A, de B. O que pode acontecer, você tem um clube grande que eventualmente ele passa 1, 2, 3 anos numa divisão inferior, mas se o principal contrato é direito de transmissão ele tem uma audiência que é intrínseca à torcida dele.

A torcida daquele clube que caiu vai continuar assistindo os jogos dele. Então ele acaba tendo um peso e uma relevância comercial que qualificaria ele ter, vamos dizer assim, um paraquedas, vai, um salvaguarda transicional. Olha, assim, até 2 anos você voltar, você continua recebendo o mesmo dinheiro. Por quê? Porque você é grande e parte do produto que a gente vende é audiência do teu torcedor, independentemente se você tá na classe executiva ou se você tá na classe econômica.

E agora, para além disso, tem aquela parte que eu falei de manhã, né? Com isso tudo, o que que cada um aporta em uma liga? E assim, eu vou dar um exemplo claro. Ano passado a gente fez 2,1 bi de faturamento. Eu acho que a CBF fez 1,6, certo? O Palmeiras fez, eu acho que 2,7, mas fez 1,1 ou 1,2 de receita recorrente. Então assim, se você juntar Flamengo e Palmeiras, nós fizemos 2,7 bi de receitas recorrentes. Eu acredito que a gente saiba mais ou menos o que a gente tá fazendo, certo?

Tem alguém no Brasil que saiba melhor Hoje fazer o que a gente faz? Eu tenho certeza que não. Então, em sã consciência, faz sentido o Flamengo, por qualquer razão, entregar este direito para um terceiro que sabe menos ou fatura menos do que eu para comandar esse negócio? Então, a primeira pergunta que a gente tem que fazer é o seguinte: quem vai comandar os direitos comerciais dessa liga? É a primeira pergunta. Tá certo? Eu tenho uma Ferrari, eu vou botar na mão do Antonelli ou vou botar na mão do valet do hotel?

Mal comparando, eu hoje entendo que eu faço isso porque nós temos gente profissional e muito qualificada e que vem desse mercado e que vive disso. Quem vai cuidar disso? Qual é a garantia que eu tenho que esse 1,5 bi que eu faço Que ele vai ser um valor mínimo lá, número 1. Número 2, você comandar uma liga dessa, quem vai ser o CEO dessa liga? Quem vai comandar esse negócio? Eu entendo que tem que ser alguém que entenda tanto ou mais do que, por exemplo, o presidente do Flamengo disso.

Ano passado nós aumentamos faturamento em R$650 milhões. Quantos clubes da Série A faturam R$650 milhões? Então assim, com todo respeito aos demais players, assim, eu soube fazer, eu fiz isso a minha vida inteira. Os outros clubes gostariam que o presidente do Flamengo comandasse uma liga? Evidentemente que não. Eu quero comandar uma nova liga? Não tem essa pretensão de comandar uma nova liga. Mas se não tiver alguém que tem uma competência e que eu entenda que tem capacidade e respeito para interagir com gente como eu, como Flamengo, como Palmeiras de hoje, qual o sentido de você entrar numa liga?

E por fim, qual é o potencial de crescimento dessa liga? E eu vou te falar, eu acho que hoje, se a gente fizer tudo certo, entre 2,2, 2,4 vezes o total de dinheiro que a gente faz no Brasil. Ah, Mas tem bancos que apontam para 3. Todo documento de banco, tá certo, que vende alguma coisa do futuro, na minha experiência, tá certo, eles estão superavaliados, né? É só você ver nos últimos 25 anos qual foi a abertura, qual foi o IPO no Brasil que o preço target era 100, que foi comercializado a 120, que não caiu 50% em pouco tempo.

Então veja, eu tenho uma, eu tenho uma responsabilidade institucional de proteger o Flamengo, tá certo? Então eu vou querer cláusulas de proteção no negócio desse. Eu quero um golden share, eu quero chegar a dizer o seguinte: eu entro no negócio desse, mas o casamento não deu certo, eu quero ter um botão que eu disparo o divórcio na hora. Será que os outros clubes vão me dar esse direito? Eu acho pouco provável. Se isto for verdade, o Flamengo pode operar tag along, pô, como se fosse um partido político.

Monta aí uma liga de 19 clubes e o Flamengo é tag along com vocês. O que eu achar que faz sentido a gente vender junto, a gente vende junto. O que eu achar que não faz, eu vendo por aqui. Não precisa ter voto, tal. Então assim, Seja qual for o modelo, eu acho que uma liga é fundamental. Na minha visão, a CBF devia cuidar de seleção de base e devia cuidar da seleção principal. Só minha opinião. E aqui entre nós, não é pouca coisa, e tem um mundo de coisas que a gente deve fazer ali para resgatar o futebol brasileiro, né?

É um conceito meio cada macaco no seu galho. Então assim, eu entendo que só a discussão da liga ela fica limitada. Tem uma série de outros cenários. E agora nós vamos aceitar montarmos uma liga apenas na esperança e vamos entregar o nosso futuro a uma suposta liga com gente que até agora eu não tenho certeza se tem a capacidade, a competência para fazer esse negócio multiplicar por 2 vezes? É aquilo que a gente tá falando, 1 1 dá 3.

Por que que o Flamengo faria isso? Agora, vendo a possibilidade, claro que sim. E por fim, tem uma coisa que eu acho que assim, que é importante, que assim, eu não acho que você tem que ter 20 clubes para montar uma liga no Brasil. A verdade é que quando se fala de audiência, o principal driver de audiência, de remuneração, digo, de direito de transmissão no mundo hoje tem a ver com audiência, qualquer que seja a fórmula que você queira colocar.

E a verdade é que 9 clubes do Brasil tem 87% da audiência. Se esses 9 clubes estiverem juntos, quem que vai comprar direito de audiência de uma liga no Brasil que não gostaria de ter esses 9 clubes juntos? E no limite, quem em sã consciência compraria isso sem ter os direitos do Flamengo? Acho que ninguém. Acho que se ele chegasse um acordo para comprar o direito de 19 clubes e não tivesse o do Flamengo, ele diria: espera aí que eu vou ali fumar um cigarro.

Flamengo, quanto que você quer para fechar comigo? Fecha com Flamengo, que você fecha o círculo, né, de o Flamengo mais os outros 19, o que reforça a minha posição de que do ponto de vista de produto e de audiência nós temos uma posição bastante confortável. E assim eu posso continuar vendendo tudo sozinho. O outro clube que pode fazer isso, o Corinthians pode fazer isso também, porque o Corinthians tem uma dimensão que não é tão extensa como a do Flamengo, mas é uma dimensão que de alguma forma também extrapola os limites do Estado de São Paulo.

Os outros clubes dificilmente terão essa condição. Então, por que que o Flamengo em sã consciência abriria mão desse ativo que ele tem? Só se o bolo duplicasse, se eu tiver certeza que o bolo vai duplicar. Tem mecanismos que podem garantir isso? Claro que tem. Me garante que eu vou ganhar R$500 milhões por ano, ou X% do total, que for maior, eu aceito. E uma golden share para garantir que esses clubes daqui a 3 anos não vão se reunir, votar 19 contra 1 e mudar a regra de divisão, acabar com o mínimo do Flamengo ou acabar com percentual que a gente teria.

BCBruno Chatack

Mas, BAP, especificamente sobre esse assunto, o que você tava falando aqui é que não é que o Flamengo se opõe a que os 19 estejam juntos, desde que você possa negociar individualmente. Explica para quem nos assiste, só para a gente não ficar com aquela sensação de que se eu não jogar não tem o jogo, né?

?Voz B

Então não, não tem jogo, claro que tem jogo. O que eu digo é o seguinte, a hipótese é o seguinte: nós vamos nos juntar e o bolo vai aumentar. Essa é a única razão de você pensar numa liga no Brasil, tá certo? Hoje a gente tem um, e se a gente se juntar, a gente pode ter 2,2, 2,4, ok? Uma hipótese. Depende de quem vai comandar, tá certo? Quem vai liderar, qual é o plano estratégico para isso e qual é o nível de relacionamento que você vai ter.

Eu não vou entrar numa parceria onde eu acho que eu tenho que ter 13% da receita total. E daqui a 2 anos, os caras votam 19 contra 1 e dizem que o Flamengo vai ter 5%, 20 clubes, 5 para cada um. Não posso aceitar isso, entendeu? Eu não posso nem aceitar isso, nem dividir alguma coisa que não seja maior do que 1 que eu tenho hoje. Então, a questão não é uma questão política. Agora, eu sou absolutamente a favor da composição de uma liga desde que ela pense o quê?

Futebol brasileiro 24/7, futebol, Campeonato Brasileiro 24/7. E que não tem que se preocupar com nada além disso. A CBF cuida de todo o resto e você vai ter um comando separado que vai cuidar só do Campeonato Brasileiro. Aí eu acredito que possa dar certo. Aí eu acredito que possa dar certo. Então, Flamengo é contra a Liga? Não, Flamengo não é contra a Liga. Flamengo é a favor de que os clubes estejam juntos, mas desde que seja um modelo que a gente acredite conceitualmente que possa ser um sucesso, porque Por todo dia devem oferecer algum negócio, alguma coisa.

Um amigo quer te vender um carro, quer que você vire sócio de uma pizzaria, tudo mais. O que que a gente pensa? Vamos supor que as ideias sejam ótimas. O que que você pensa? O que que pode dar errado? Como é que eu saio disso? Não é isso? Eu aprendi na vida que é assim: você pode entrar em qualquer negócio desde que a porta de saída seja maior do que a de entrada. Então é isso. Agora, o Flamengo quer jogar sozinho? Não. Flamengo quer jogar junto com os outros.

Desde que a junção seja para aumentar o bolo, porque historicamente, nos últimos 35 anos no Brasil, todas as conversas nesse sentido foram para desapropriar um pedaço do direito de transmissão do Flamengo. Foi o que deu a briga na Libra. Eu briguei por conta disso, porque o Flamengo ganhava 300 milhões, caiu para 200 milhões. Com a briga foi para 250 milhões, mas eu ainda tô perdendo 50. Tá todo mundo puto com o Flamengo, né? E eu perdi R$250 milhões em 5 anos.

Agora eu hoje sei, como eu falei no caso da Flamengo TV, que com a nova tecnologia e com resultados que a gente tem, como por exemplo Flamengo e Olímpia, eu posso daqui a 3 anos, quando acaba esse contrato, fazer muito mais. Talvez eu possa fazer R$600, R$700 milhões com isso. Pretendo fazer sozinho? Não. Se a gente tiver condição de montar uma liga onde o meu pedaço possa ser R$600, R$700 milhões, Por que que eu não estaria com os demais?

Claro que eu quero estar com os demais. O que eu não quero é entrar numa liga que daqui a 4, 5 anos não cresça absolutamente nada e de alguma maneira o Flamengo perca dinheiro com isso em relação ao que ele ganha hoje. Então é uma decisão fundamentalmente comercial, não tem nada de conceitual ao contrário aos demais clubes.

BCBruno Chatack

BAP, no começo da sua explicação você chama atenção para um ponto relevante. Flamengo e Palmeiras juntos faturam mais de R$3 bi por ano no futebol brasileiro. Por que fora do campo, e principalmente nas decisões políticas, os clubes têm decidido de maneiras tão antagônicas? Qual que é a sua visão a esse respeito?

?Voz B

Olha, essa é uma pergunta que eu já me fiz muito e que eu não faço mais. É mais ou menos como assim: qual é a origem do universo? Eu já pensei muito nisso, já ouvi muita gente, já ouvi religioso, já ouvi físico, químico, especialistas, e no final das contas é mais ou menos como Pirandello, né? Assim é, assim lhe parece. Cada um acha que é de um jeito ou de outro. A opinião que eu tenho é assim: você faz negócio com quem você não confia, com quem você não conhece, com você não tem um nível mínimo de admiração, de amizade?

Não. Por que que você acha que no futebol seria diferente? Você me chama, eu vou, eu vou a um evento na sua casa e você me trata mal. Por que que você acha que depois eu vou te tratar bem? Você combina uma reunião onde você vai defender o teu ponto de vista, você fica 2 meses conversando com todos os clubes para convencê-los do teu racional. Aí quando chega no dia da apresentação, você entra e fala: não vou ficar na reunião, mas já quero votar contra, sabendo que a votação tem que ser unânime.

Quem bate esquece, quem apanha não esquece jamais. E eu não tenho vocação para Jesus Cristo. Então nesse caso especificamente É exatamente isso. Isso é uma primeira coisa. A segunda, que assim, eu venho de um mundo que assim, era assim, eu juro por Deus o que eu vou dizer para vocês aqui: eu não dou nada de graça para os meus filhos. Tudo eles têm que conquistar. A minha alma é absolutamente justa e meritocrática. Eu seria incapaz de favorecer o meu filho numa situação onde houvesse alguém que eu achasse que tinham critérios objetivos e de que o outro cara seria melhor do que um filho meu.

Eu não faria. Isso não é latino, isso não é comum, mas eu vejo o mundo dessa forma. Então assim, eu não vou tratar, é assim, quem é deselegante, quem eu entendo que não, não, não tem respeito por você, de uma forma diferente porque você é mulher. Você me tá com uma pedra, eu vou te tacar uma pedra. Você quer se vitimizar, quer jogar no chão, quer espernear, tudo mais, pode fazer. Sabe o que que muda para mim? Zero. Acabou de espernear, acabou de chorar, senta na mesa, vamos continuar a conversar.

Então, o que acontece é que muitas vezes você tem choques de personalidades. E eu acho que nesse caso específico que você tá falando, você não— eu nunca falei diretamente sobre isso, mas eu acho que tem um choque de personalidades aí forte no processo. E muitas vezes eu acho que na vida a explicação, a gente fica procurando uma explicação muito complexa, a explicação é muito básica, entendeu? Eu entendo que assim, é, nós não falamos o mesmo idioma, nós temos visões diferentes.

Tem uma porção do meio que gosta de dizer amém, ou porque tem uma situação de fragilidade, ou porque de alguma maneira não tem uma condição econômica financeira que te dê suporte para você bater pé na tua, na tua posição. Eu não me encaixo em nenhum desses casos, mas por acaso, e por acaso, eu tô no clube que mais fatura no Brasil e que o melhor resultado tem no Brasil. Agora, isso é perene? Claro que isso não é perene. Isso atrapalha o futebol?

Isso atrapalha o futebol. Isso atrapalha o futebol. Mas assim, é mais ou menos, é o que é, é o que é.

TSThiago Salomão

Mas ouvindo a sua resposta, eu sinto que é algo muito mais de personalidade, é muito mais o CPF que o CNPJ. Havendo uma mudança na— vamos dar nomes que fica mais fácil, né? A Leila vai acabar o mandato dela agora esse ano no Palmeiras, né? Ano que vem é, mas vai ter uma, vai ter uma mudança na presidência. Você enxerga uma possibilidade? Porque, pô, estamos falando dos dois times que hoje, em termos de importância financeira e até dentro de campo, são os que poderiam puxar o resto.

Você enxerga uma possibilidade ou algo que você não espera, não trabalha, não imagina?

?Voz B

Olha, eu vou te dizer, eu tenho uma relação ótima com 17 clubes da Série A, 17, os presidentes, com vários clubes de Série B. Cara, eu tenho uma natureza absolutamente acessível, eu tenho uma alma absolutamente meritocrática, então eu discuto tudo, eu tento ser justo nas minhas decisões. Eu definitivamente não levo aspectos pessoais em consideração em geral, mas isso tem que ser recíproco, né? Então assim, eu tinha uma relação, eu conheci o Paulo Nobre num momento muito delicado do Palmeiras e eu tinha uma admiração enorme pelo que o Paulo fez, que eu me achava louco, né, com que eu tinha feito pelo Flamengo.

Não vou entrar no mérito aqui das maluquices que eu já fiz pelo Flamengo, Mas eu me achava um desequilibrado. E o Paulo, eu percebi que o Paulo era um louco extraterrestre, um maluco, né? Minha opinião como rubro-negro: devia ter um busto do Paulo Nobre, uma estátua do Paulo Nobre no Palmeiras. Então conheci o Paulo no momento delicado e vou te dizer, tinha um misto de loucura e de ingenuidade naquilo ali que ele fez. E que acabou dando tudo certo mesmo.

Então assim, eu tenho o máximo respeito pela instituição, pelo Paulo. Depois veio o Galiote, que é um cara com quem eu tenho uma relação excepcional. Eu tenho uma relação muito boa com o João Paulo. Não consegui tirar ele do Palmeiras, mas eu admiro o trabalho que ele faz lá, tá certo? Eu tenho uma relação muito boa com Anderson Barros. Então veja, é assim, É, tem algumas coisas que você tem diferenças no plano pessoal e elas são o que são.

Eu vou passar no Flamengo, ela vai passar no Palmeiras. Eu acho que instituições como Flamengo e Palmeiras, tirando essas bobagens, Flamengo e Palmeiras tem que ter, não precisam ser grandes amigos, não precisam ser coirmãos, mas eles precisam sentar na mesa de discutir negócio como o negócio tem que ser discutido. Então, em relação à instituição Absolutamente nada contra, absolutamente nada contra. Agora, assim, sabe aquela coisa de você olhar assim, ah, então ela é culpada por tudo de ruim que aconteceu na relação?

Não, eu tenho o meu fair share também, todos nós temos. Ah, relações que não dão certo, ah, é 100% responsabilidade de um lado? Nunca é. Nunca é. Eu não sou santo, ela também não é. E enfim, e no jogo tem isso, né? Às vezes tem umas cotoveladas, umas coisas dessas, umas ofensas. Você sabe o que você fez, eu sei. Eu sei o que eu faço, o que eu fiz. Eu tenho certeza que ela sabe também. Isso impede a gente de conversar? Não impede a gente de conversar, especialmente se o arcabouço for negócio.

Então assim, o BAP pessoa física, ele tem direito de achar e de pensar o que ele quiser. O presidente do Flamengo tem que colocar a instituição em primeiro lugar. Eu estaria disponível para sentar e conversar com qualquer um sobre negócio. Aliás, acho que do ponto de vista de gestão, essa é uma coisa curiosa, né? Nós temos muito mais em comum, nós temos muito mais pontos de vista que nos unem do que nos afastam. E assim, aquela coisa, né?

Como é que diz que assim, que os bicudos se bicam? Não é verdade? Talvez, talvez essa polarização esportiva dos últimos anos tenha funcionado como um catalisador químico aí do, ao invés de ter o best of breed, ter o worst of breed, vamos dizer assim. Então agora, uma disposição contrária a conversar? Não, não tem. Eu acho que vai ter que ser necessária, é necessário. Como é que você vira sócio de alguém sem conversar? Você monta uma liga assim, quanto tempo dura uma liga?

Você entra num casamento, né, com aquela frase: que seja infinito enquanto dure, não é? Que poste fim do que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Quanto tempo dura um casamento? Tem casamento que dura 1 ano, 2 anos, tem outros que duram 50. Eu vejo assim: clube de futebol, para montar uma liga, você não pode montar uma liga bonitão achando que vai durar 2 anos. Então você tem que ter todas as precauções para garantir que ao longo do caminho, por exemplo, você pega dois bicudos no meio do caminho, como é, qual é o antídoto que você tem para que esse tipo de relação, que é absolutamente humana e possível, que ela detone o negócio?

Quantos negócios a gente vê, negócios excepcionais, que dão errado porque os sócios brigam, porque tem problema de sucessão? Esses casos são muito mais relevantes para o insucesso das empresas do que por situações de mercado eventualmente, não é verdade? Então a gente tem que ter algumas proteções nesse sentido, mas alguma coisa contrária à instituição, zero, zero.

TSThiago Salomão

Chata, tô preocupado só com horário, cara. Pelo menos eu, como não, mas eu tenho dois assuntos que eu acho que não poderia, eu que sou palmeirense, eu vou dizer isso. Tem um estádio, isso, e gestão de elenco. São duas coisas legais aí que valeria a pena abordar. Mas tem mais algum outro assunto? Não, esses dois então, para fechar.

BCBruno Chatack

Esses dois, é, BAP, sobre estádio, já foram muitas as declarações de que você não vai construir estádio enquanto o custo do dinheiro tiver tão caro, quanto juros tiver tão caro, enquanto a empreitada do estádio ela pode ser só—

TSThiago Salomão

desculpa, lembrei de uma coisa, não posso. Você falou que você tem um ótimo relacionamento com 17 times da Série A, Flamengo 18, é o Palmeiras e o Vasco os dois, né?

?Voz B

Ou é um outro time? Não lembro agora, eu tô ficando mais velho, eu não lembro exatamente, mas era só, fiquei com essa dúvida aí.

BCBruno Chatack

Mas é bom sobre estádio, né? Então voltando aqui, recapitulando, você já deixou claro que você não vai entrar em nenhuma empreitada que possa trazer desequilíbrio para o Flamengo. Sendo bem objetivo, ouvindo um pouco do que o torcedor de balanço pergunta, reclama, quer saber: existe algum plano efetivo para fazer esse estádio em algum momento, ou isso só vai ser discutido quando a situação macro melhorar, né? E sendo muito sincero, uma das coisas que mais dá orgulho no Flamengo, no flamenguista, em quem vive, que respira isso, é que somos uma nação, como diz a música, né?

Você não acha que uma parte relevante da torcida tá longe do estádio nesse, nesse exato momento? Você não acha que para o favelado, para aquele cara que tinha o domingo de Maracanã como uma das principais razões ali do da alegria dele, poucos momentos. Você não acha que ele tá um pouquinho longe?

?Voz B

Quais são os seus planos para trazer de volta esse torcedor? Vamos lá, sobre o estádio. Nós fizemos um trabalho de quase 8 meses com a FGV avaliando linha a linha da planilha de Excel do que era o estádio. E tinha assim, vou fazer um churrasco para 100 pessoas, vou comprar 3 kg de carne. Tá certo, vou chamar os amigos para uma degustação de vinho, vou servir suco de uva. Tinham vários pontos desse que nós fomos reformulando e reformatando, e a gente chegou no fim das contas, a gente viu o seguinte: olha, um estádio real, a vera, que faça sentido para o Flamengo tem que ser um estádio de mais de 70 mil pessoas, menos de 80, E ele tem que dar uma margem mais alta que o Maracanã.

Flamengo e São Paulo deu 76% de margem. Qualquer— quando a gente chegou no Flamengo, o Maracanã dava 31%. Para você justificar um estádio, se der 75% de margem, um estádio novo, eu empato com o Maracanã. Quanto que eu boto de CAPEX no Maracanã hoje? 20, 30 milhões por ano, que são todos pagos pelo caixa que o negócio gera. Então, qual é o impacto de custo de oportunidade de capital para o Flamengo? Na verdade, o custo é positivo, né, porque eu ganho dinheiro com isso.

Então, existe um lugar que possa ser mais icônico para o torcedor do Flamengo do que o Maracanã? Não. Então, assim, Eu tenho que ter um excedente de resultado que me permita ter um time esportivo competitivo, porque é o que me garante uma receita de R$2 bi, para eu poder ganhar R$340, R$350, R$400 milhões, botar R$250 num time de futebol se eu precisar adicionar, e poupar R$150 para um estádio. Olha, se custa R$3 bi, vai demorar 20 anos para eu ter dinheiro.

Para construir um estádio. Se você capitalizar esse dinheiro, talvez não seja 20, mas talvez seja 14, 15 anos, tá certo? Por quanto tempo eu tenho o Maracanã ainda? Por 18 anos e meio. Então, se tem uma coisa que o Flamengo tem, é tempo para exercer essa opção, certo? Qual é o momento certo de exercer essa opção? É o momento que eu consiga lotar o Maracanã todos os jogos com 71 mil, ter 5, 10, 15 mil caras querendo entrar no Maracanã e que eu não tenho como atender, e eu conseguir modelar esse estádio como uma arena onde eu tenha talvez uma margem melhor do que a do Maracanã.

Sinceramente, acho pouco provável que eu consiga subir isso de 76 para 80. Talvez eu consiga, mas esses 4 pontos percentuais são suficientes para eu construir um estádio hoje, não são. A gente nunca achou que a gente seria tão eficiente na gestão do Maracanã como a gente é hoje. Isso significa dizer que a gente jamais faria um estádio? Não, porque com o custo do dinheiro caindo, pode ser que você tenha um fundo soberano desse da vida que queira comprar o estádio e queira ser sócio do Flamengo.

Numa situação dessa, numa circunstância dessas, pode fazer sentido a gente fazer uma JV, né, e que você tenha um envolvimento um pouco mais amplo apenas e tão somente do que uma arena. Essa é a conclusão do estudo que a gente chegou. O custo de oportunidade de capital do Brasil tinha que ser alguma coisa como 6% ao ano para você mudar essa ideia, para o ponteiro mudar significativamente. Cara, eu acho que vai demorar, sinceramente.

Eu acho que talvez meus filhos vejam isso. Eu não sei se eu vou ver custo de oportunidade de capital a 6%, ou o Brasil muda muito, vai atrair dinheiro para caramba, né? E a gente vai, vai ter um efeito positivo, um choque positivo, onde real estate vai acontecer aqui o que tá acontecendo nos últimos 10 anos nos Estados Unidos, né? Que qualquer barraca o cara bota R$100 mil, ele vale R$500 mil no dia seguinte. E assim, nos Estados Unidos, a melhor opção de investimento de longo prazo é real estate, né?

No Brasil é o contrário, pelo custo de oportunidade de capital. Então eu te diria que a gente tem um plano A gente acompanha, mas na verdade é o seguinte, a gente aprendeu que se não houver uma variação de 3, 4 pontos percentuais no mínimo nisso, muda pouco a decisão da gente. Então a gente tá trabalhando na limpeza do terreno, na desobstrução, tem que tirar a Naturgy de lá. Ela diz que demora anos para sair porque atende 400 mil cariocas, eles têm que achar um novo lugar para ir.

Então se hoje o dinheiro custar 6%, Eu ainda assim demoraria 4 anos e meio para começar a construir, por todas as coisas que eu tenho que fazer. Mais 2 anos e meio, 3 anos para construir, 7 anos e pouco. Então assim, a decisão hoje ela afeta a performance esportiva do clube. O que que eu disse? Olha, eu não vou nem quebrar o clube, nem afetar a performance esportiva do clube, porque a performance esportiva responde por quase 40% da receita do Flamengo hoje, né?

Então a gente tem que ser muito cuidadoso com esse tipo de decisão. Que é exatamente a diferença de 2,1 para 1,5 bi, né? Esses 600 milhões, eles podem acontecer ou não, depende da performance esportiva do clube. Há 1 bi e meio, é muito dinheiro, é muito dinheiro, é uma condição necessária para você ter um estádio, é, mas não é suficiente. Então agora, a segunda pergunta que eu te diria é o seguinte: o Rio de Janeiro, isso é importante que todo rubro-negro do Brasil entenda, sabe qual é a federação que que cobra mais caro de um clube seu para jogar no estádio é o Flamengo, é o Rio de Janeiro, tá certo?

Eu pago 10% da minha renda para jogar lá. Internacional paga 2% no Sul, Clube de São Paulo paga 5%, eu pago 10%. Sabe qual é o estado brasileiro que tem gratuidade para quem tem menos de 12 anos e mais de 60? Só o Rio de Janeiro. Sabe qual é o estádio que manda você vender meia entrada para uma porrada de gente de categorias diferentes é o Rio de Janeiro. Então, entre 11 e 13% de todo mundo que vai ao Maracanã tem algum benefício nesse sentido.

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?Voz B

Assim, o preço do ingresso no Maracanã, eu entendo, o Bruno, que ele seria caro. Se não fosse a quantidade de gente que vai. Então, com todas essas variáveis, eu tenho esse ano, eu vou bater esse ano 58, 59 mil pessoas de público médio no Maracanã, que pela lei eu posso botar 71 mil lá dentro. Ora, se na média vão sobrar 12 mil ingressos, 12 mil lugares que poderiam ser ocupados ou por gratuidade ou por meias entradas, eu entendo que eu não tô afastando esse cara do Maracanã.

Até porque a média de gente que vai é o seguinte: a média do torcedor do ano passado foi de, sei lá, o cara que mais foi foi 4,8, foi 5 vezes ao estádio. Então tem uma rotação, não são sempre os mesmos 50, 60 mil que vão ao estádio. Então, respondendo a sua pergunta, eu acho que ela não afasta. Talvez o cara não vá a todos os jogos. Eu também não, tem uma porção de coisas que eu adoraria fazer toda semana, eu não faço toda semana.

Então eu não acho que afasta, até porque o Flamengo hoje ele tá na televisão em todos os cantos. Essa torcida aí de geral e tudo mais, ela não tinha outra opção nos anos 70 que não mostrava na televisão, certo? E o Flamengo jogou Libertadores para 12 mil pessoas, 15 mil pessoas, com ingresso na geral R$1, com Zico em campo, com Júnior em campo. Então É assim, é uma utopia você achar que se o ingresso fosse mais barato, o estádio lotaria.

Não é verdade. Isso a gente faz uma série de testes. Isto posto, a gente trabalha para aumentar esse público médio. Sim, ano passado foi 53, esse ano acho que vai ser 58. A gente lançou o programa Flamengo Sem Fronteiras, que por R$18,91 você vai poder comprar ingresso do Flamengo. Tá saindo aí daqui a pouco, não vou dar o spoiler da data, são o pessoal do marketing fica, fica puto. Mas deixa eu te dizer, isso é uma chance de você contribuir.

Você não vai poder comprar jogos de Copas porque jogos de Copas têm estruturas de custos diferentes. Você não sabe se você joga ou você não joga, e são jogos que são mais valorizados do que outros. Mas a gente tem feito um trabalho de inclusão importante pensando o quê? Exatamente nesses 12, 13 mil ingressos que a gente não tem no Maracanã. Quando eu conseguir jogar todos os jogos do Flamengo para 71 mil pessoas, Eu te prometo que eu volto aqui para responder sobre essa sua pergunta de quem tá ficando de fora. Temos um combinado.

TSThiago Salomão

Mas excelente essa estatística de o espectador recorrente. Legal isso aí, uma média, achei até curiosa. Não sei se todos—

?Voz B

eu achava que era mais. Eu também, eu fiquei surpreso com 5. Nós temos agora um diretor de CRM, né, e a gente sabe exatamente quem vai, quando vai, porque vai, se vai acompanhado ou não. O desafio da gente é o que que a gente faz com essa informação agora, mas agora a gente começa a saber.

BCBruno Chatack

É que paga o pacote Maraca lá do ano todo.

?Voz B

Qualquer pacote pode ser Maraca 1, 2 ou 3, ou Flamengo sem Fronteiras.

TSThiago Salomão

Tentar fazer um research para descobrir como é que é isso dos times brasileiros.

?Voz B

Se você não tem uma plataforma de CRM, você não sabe responder isso. É, então talvez a digitalização dos acessos no estádio, que hoje atinge 97% no Maracanã, ela permite a gente ter essa visão.

TSThiago Salomão

Pessoal, temos um desafio de horário porque infelizmente a gente tá gravando um dia que eu vou entrar ao vivo daqui 15 minutos. Então eu vou fazer o seguinte, a pergunta do, da renovação, se você quiser você pode enviar essa análise para quem é um membro do Esporte Market Makers. Perfeito. Aí quando acabar a gravação você, você fala com o BAP e leva essa análise, grava alguma coisa com o BAP, porque a gente vai ter que encerrar E é uma pergunta muito mais para amante do futebol de maneira geral, né?

Então acho que o cara que tá lá no grupo de membros do Esporte Market Makers— e se você não é membro do Esporte Market Makers, já ganha mais, você não vai saber qual a opinião sobre o BAP, mas é bem legal essa pergunta, né, que fala muito da folha projetada do Flamengo de salário e jogadores com mais de 30 anos. Enfim, como trabalhar essa renovação? A gente vai deixar isso para os membros. BAP, eu não vou te liberar sem antes passar pelo nosso ping-pong. É ping-pong mesmo, papum. Então vou começar pedindo uma recomendação de livro.

?Voz B

Recomendação de livro: A Arte da Guerra. Chegando no Market Maker.

TSThiago Salomão

Uma música e por que essa música? Hino do Flamengo. Tava indo tão bem, cara. Um convidado que você gostaria de ver aqui?

?Voz B

Um convidado que eu gostaria de ver aqui?

TSThiago Salomão

Vou dar uma dica.

?Voz B

Você falou que é, eu acho que ele já morreu, pô. Eu tô vendo ele ali, ó, sócio do Charlie Munger.

TSThiago Salomão

Esse para mim, a gente faz por telepatia.

?Voz B

Esse para mim, esse para mim é um monstro, um monstro. Consegue fazer, conseguia fazer, né, coisas absolutamente complexas serem traduzidas de forma muito simples e direta. Um ídolo para mim.

TSThiago Salomão

Agora você ganhou mil pontos comigo, porque fala, ser fã do Charlie Munger é— aqui, ó, levo comigo sempre o bonequinho do Charlie Munger, Warren Buffett, com o Joe Ramone também, que é um outro ídolo meu. Mas só tá o Buffett vivo agora, né, infelizmente.

BCBruno Chatack

Mas ele ajudar a gente com Paulo Nobre, não, mas pô, vai ajudar com Paulo Nobre.

TSThiago Salomão

Já falei que é amigo do Tarcísio, não vai ter muita ajuda aí. Para fechar, qual a maior gentileza que foi feita na vida de Bapo?

?Voz B

Vou te contar uma que é assim, que como é maluco pouco essa coisa do mundo do futebol. Eu já contei essa história, que assim, eu não como nada que nade ou voe, zero. Nadou e voou, eu não como. E quando a gente entrou no processo de 2012 do Flamengo, fizeram uma pergunta para mim das coisas que eu mais odiava. Eu falei, uma das coisas que eu mais odeio é frutos do mar. Eu detesto. Bom, mas falei isoladamente, isso ficou solto. E eu peguei um voo uma vez pelo Flamengo, a gente foi jogar em Manaus, e eu não tinha almoçado.

E entrei no avião e achei, ah, como qualquer coisa no avião, e sentei numa fileira 12 ou 13. E eu tô vendo lá, atum ou queijo, atum ou queijo. Chegou na fileira 5, Só tinha atum. Falei, puta que pariu! Falei, 4 horas de voo sem comer nada, eu não almocei. E eu já tava, já tinha entubado já a bucha, né? Aí chegou o cara, falou para mim, seu BAP, saudações, Gil Brunegas. Me entregou um sanduíche de queijo. Eu falei, eu não tô acreditando!

Falei, mas como é que você sabe disso? Falou, era um dos caras que ouviu aquele Aquele podcast, você falou que você odiava frutos do mar. Quando você entrou, queria te cumprimentar, mas você entrou rápido, e quando eu vi que ia acabar, eu segurei um para você. Então assim, absolutamente inesperado, e eu acho que essa foi talvez a maior gentileza que eu vivi. E teve uma outra também, né, que se eu tiver mais um segundinho para contar, que assim, eu cansei de ir a Nova York a trabalho, eu comecei a ficar abusado.

Às vezes eu ia de manhã para voltar de noite. Então às vezes eu nem mala levava. Eu ia de noite, levava uma muda de roupa, uma cueca, uma camisa para trocar no hotel, tomava um banho, ia para reunião e voltava de noite. Então comecei a ficar abusado, comecei a chegar 1 hora e meia antes do voo, 1 hora e 10 antes do voo, e um dia eu cheguei 50 minutos antes do voo. Falei, eu vou perder voo da United. E cheguei e entreguei o meu passaporte, o cara falou Seu Rocha, o senhor sabe, meu último nome é Rocha, né?

O senhor sabe que isso aqui não é ponte aérea, né? Acho que o senhor hoje vai perder esse voo. Ele começou a dar uma olhada lá, de repente ele olhou, ele falou, Luiz Eduardo Batista, você é o BAP? Eu falei, eu sou o BAP. Ele falou, pera aí. Ligou, segurou o avião, fez o meu check-in de primeira, me deu um upgrade. Eu falei, pô, ganhei um upgrade de graça. Ele falou, você precisa dormir o sono do justo e não deixar que o seu trabalho interfira em tudo que você tem que se dedicar no nosso Mengão.

Corre lá que eles vão segurar para você. Então são coisas que você só vê no mundo do futebol, né?

TSThiago Salomão

Mas isso é o torcedor de verdade.

?Voz B

Esse é o torcedor. Por que que esse cara faz tanto por mim? Pô, eu posso fazer isso por você hoje, né?

TSThiago Salomão

O cara às vezes vai te reconhecer, falar: pô, eu quero algo seu, me dá uma camisa, me dá não sei o quê. Não, o cara te deu uma noite de sono e a garantia.

?Voz B

E é um cara que não te conhece, sabe que não vai ter nenhuma relação direta contigo. Então o cara faz faz isso porque diz, olha, é o que eu posso fazer. Eu acho que você faz tanto por mim como torcedor, isso é o que eu posso fazer por você hoje, que dá.

TSThiago Salomão

Mas eu amei, valeu demais pelo papo. Parabéns, você tá construindo no Flamengo, parabéns pelo que você construiu antes do Flamengo. E bom, portas do Market Makers e do esporte estão sempre abertas para você.

?Voz B

Obrigado a vocês aí pela oportunidade, ótimo papo. Espero que quem tá nos assistindo aí goste do conteúdo e que não tenha sido tão denso. Tentei de alguma forma ser o mais didático possível em algumas coisas. E o tempo que a gente teve aqui, eu acho que foi até mais longo do que eu imaginava. Eu espero que os cortes possibilitem aí que vocês entendam o que que acontece no futebol, é que todo mundo se divirta. E que tente ouvir o que eu falei aqui sem a paixão clubística, tente pensar só no conceito que tá sendo dividido aqui.

TSThiago Salomão

Valeu, obrigado pela oportunidade. Valeu. Valeu, Chaves! Valeu, meu irmão! Que prazer estar contigo, meu querido!

?Voz B

Quero voltar a jogar bola com você.

TSThiago Salomão

Acho que vai ser difícil. Você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal. Market Makers toda terça, quinta e domingo, e Esportes Market Makers toda quarta-feira aí no seu YouTube, na sua plataforma de podcast. Na próxima a gente se vê. Tchau!

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