#336 | INVESTIDOR DE U$700 MILHÕES EXPLICA COMO INVESTIR FORA DO BRASIL
O dólar vai cair? Ainda vale a pena investir fora do Brasil em 2026?Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão recebe Luis D’Amato, gestor da Aston Capital (mais de US$700 milhões sob gestão) e um dos brasileiros com maior experiência em alocação global.Neste papo, você vai entender como os investidores mais sofisticados do mundo pensam — e por que a discussão sobre “fim do dólar” pode estar completamente errada.O que você vai aprender neste episódio:-Vale a pena dolarizar a carteira em 2026?-O dólar está realmente enfraquecendo?-Como montar um portfólio global (na prática)-Como famílias ricas protegem patrimônio globalmente-O que esperar da bolsa americana hojeAlém disso, Luis D’Amato traz um insight interessante: uma carteira global tradicional venceu o CDI em dólar em 91% das janelas de 5 anos, e em 99% das janelas de 10 anos. Ou seja: o debate não é “se” investir fora…mas como e quanto.SEMANA DO CONSUMIDOR - MARKET MAKERS ACADEMY: Pela primeira vez, 5 cursos da Academy com 30% de desconto (somente até 22/03). Acesse agora: https://lp.mmakers.com.br/semana-do-consumidor-market-makers-academy?xpromo=descytsemanaconsumidor📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -INVESTIDOR DE U$700 MILHÕES EXPLICA COMO INVESTIR FORA DO BRASIL | Market Makers #336Apresentador: Thiago Salomão (Apresentador e analista do Market makers)Convidado: Luis d'Amato (gestor na Aston Capital Management)#BOLSADEVALORES #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
- Mercado FinanceiroDesvalorização do dólar em 2024-2025 · Trade crowded de short dollar · Comparação CDI vs ETF 60/40 · Janelas móveis de 5 e 10 anos · Proteção contra volatilidade interna Brasil
- Estratégia de PortfólioEstrutura 70% Brasil / 30% exterior · Ativos reais como proteção inflacionária · TIPS como hedge de inflação · Poder de compra futuro · Diversificação por moeda
- Mercado americano e valuation em 2025-2026P/E ratio em 25x (vs 30x em 2000) · Crescimento de earnings vs preço das ações · Capex de AI e retorno futuro · Data centers e ciclo de hype · Mercado autoajustável via winners/losers
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- Fundação e evolução da Aston Capital (2015-2025)Início com US$20 mil de capital do sócio · Aston Fund como fundo de fundos puro · Evolução para multi-asset allocation · US$700 milhões sob gestão em 2025 · Reformulação pós-2020 com private assets
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- Criação e sucesso do Verde FundoDesvalorização de 1999 como gatilho · Proteção de posições com alavancagem · Entrada no private banking · Produto com tração de mercado · Mudança de patamar de receita da Grifo
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- MBA Kellogg e carreiraMBA executivo em Miami · Transição fiscal para não-residente · Fundos offshore vs Brasil · Necessidade de diversificação global · Pesquisa em mercados internacionais
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Salomão, fundador do Market Makers. E hoje a gente vai ter um papo, eu adoro esse tipo de papo, que a gente tem aqui um brasileiro, mas que já mora há muito tempo fora do Brasil. E a gente vai ter aquele papo sobre investimentos de maneira global, só que sob a ótica de um brasileiro. Como é que um brasileiro vê investimentos fora daqui? Ele tem uma história muito legal. Vocês já viram na Thumb aí o Luiz D'Amato. Ele está no mercado desde 1991, começo dos anos 90. E ele começou lá na Grifo.
deu origem a muita gente que já passou aqui no Market Makers. Muitas dessas pessoas trabalharam com o Luiz lá e uma delas, inclusive, a gente estava até conversando aqui antes, o Christian Keletti, um cara muito querido aqui pela nossa audiência, já passou ali pelo Luiz. Bom, ele começou lá na Grifo, onde tudo era mato no mercado, ficou por lá praticamente a vida toda no mercado brasileiro, quando ele saiu da Grifo, cumpriu lá o período de saída dele e foi morar nos Estados Unidos.
Em 2015, ele fundou a Aston. A Aston é um multifamily office, são mais de 10 famílias que são atendidas, mais de 700 milhões de dólares sob gestão. E, bom, a gente vai ter aquele papo que é sempre muito legal falar sobre alocação, sobre maneira de montar o portfólio, mas ele já trouxe aqui várias coisas interessantes, pontos de vista sobre investimentos. Então, é aquele papo cabeça mesmo de alocação que você certamente vai aprender, não uma, não duas,
mas várias coisas novas sobre o mercado. Já agradecer o Luiz porque ele não mora aqui no Brasil, ele mora em Miami e nessa passada aqui em São Paulo eu consegui puxar ele aqui para Faria Lima. Algumas horas aqui que ele chegou no Brasil já está aqui com a gente para ter esse papo. Então já deixa o seu like no vídeo, se inscreve no canal para ajudar o Market Makers a chegar em mais pessoas. São mais de 6 milhões de pessoas que nos assistem todo mês. E quanto mais você curtir esse vídeo,
inscritos no canal, mais a nossa palavra vai chegar em mais pessoas. E só não posso esquecer, patrocinador, hoje eu quero mandar um abraço para Ovo Comunicação, assessor de imprensa que está junto com o Market Makers e que atende muito bem as empresas da nova economia e também ligadas a fintech, serviços financeiros. Se você é uma empresa que se encaixa em um desses perfis, procure a Ovo, acessa lá ovocom.com.br, clique em contato e você vai ter um atendimento diferenciado, vai ter um link
também na descrição. Isso aqui não é patrocínio, aquele apoio do Market Makers, Mamba Water, a água que, aliás, a galera que quer fechar o gap de quem tem acesso à água e quem não tem, são 750 milhões de pessoas no mundo que não tem acesso à água potável. Então, cada latinha dessa comprada, eles se comprometem a entregar um litro de água potável para a comunidade sem acesso. Então, a gente está aqui, agora Market Makers e nossos convidados são todos mambalizados,
hidrata com a água da Mamba Water. Estou aqui com a água sem gás. Tem também a aguinha com gás. Você pode escolher a sua favorita aí, Luiz. E, bom, ajudando assim mais pessoas através do Market Makers. Luiz D'Amato, bem-vindo ao Market Makers. Você está preparado, cara? Estou. Acho que eu estou, né? Um prazer estar aqui. Muito obrigado por me receber. Tantas figuras importantes do mercado financeiro que fizeram parte da minha vida, inclusive, já passaram aqui. Então é uma honra poder conversar. Só para aquecer os motores aí,
que frequência você vem pro Brasil? Todo mês? Todo... Não, eu venho todo trimestre. Todo trimestre. Meus clientes são majoritariamente brasileiros, 95% do nosso E1M é de clientes brasileiros. A gente não faz nada de reais, né? A gente faz só a carteira offshore dos clientes, offshore do ponto de vista brasileiro, mas 95% dos nossos clientes são brasileiros, então eu venho pra cá todo trimestre e também, além de vir na metade do primeiro semestre e na metade do segundo semestre, eu costumo passar o mês de julho aqui, passar, porque em Miami é um calor,
É insuportável em julho, então eu dou uma fugida para cá, passo no mês de julho aqui no Brasil, aproveitar o inverno. E sempre veio com a família passar Natal e Ano Novo, porque a família está toda aqui, então a gente acha importante estar aqui na virada de onda. Bom, fico muito honrado que você deixou um slot aí da sua agenda para vir falar com a gente. Tivemos já alguns papos legais, ótimas referências. Então, queria começar o papo já dessa maneira, como é que eu posso dizer, da importância do brasileiro investir fora.
a ótica, Luiz, porque a gente já falou muito sobre a importância de dolarizar sua carteira, mas quando o Market Makers falou isso, eram outros momentos. E talvez esse momento de 2026, que a gente já está vendo desde 2025, tem se usado o termo debasement, ou até a desdolarização. A gente tem visto uma desvalorização do dólar, não gritante, mas ele se desvalorizou em relação a praticamente todas as moedas do mundo. A gente teve o reflexo
isso, olhar preço do ouro, preço da prata, preço de bolsa, preço de outras moedas, muita coisa subiu em relação ao dólar. E aí a gente fica naquela coisa, pô, então vale a pena ainda dolarizar meus investimentos? Será que é melhor esperar um timing? Ou não tem nada disso, porque se está todo mundo falando que o dólar vai cair, é nessa hora que o dólar vai subir? Enfim, queria que você trouxesse um ponto de vista de quem é um brasileiro e sabe o quanto o brasileiro tem dificuldade
de internacionalizar sua carteira e você já está lá fora fazendo a gestão offshore do dinheiro de famílias brasileiras. Como é que você vê essa questão do dolarizar ou não a carteira nesse momento? Pois é, esse é um ponto bastante interessante. Essa história do debasement do dólar é uma das coisas que me mantém acordado à noite. Eu penso isso dia sim, dia também. Na alocação dos nossos portfólios. Mas assim, eu acho que tem muito ruído e quando você olha os dados,
você vê que as coisas não são assim tão claras. Por exemplo, com o CDI onde está hoje, se você olhar, a gente fez um estudo recente, onde a gente compara o CDI contra aquele ETF de 60-40, 60 ações 40 bonds, que é um ETF que existe desde o final de 2008, contra o CDI em dólar. Então se você comparar esse ETF, o resultado desse ETF contra o CDI em dólar, desde que ele começou em 2008, em janelas de 5 anos e 10 anos,
anos, janelas móveis de 5 anos, em 91% das janelas móveis de 5 anos, o ETF 60-40 ganha do CD em dólar. Em quantas vezes? 91% do CD em dólar. 91? É, se você olhar mês a mês... Só para o pessoal, 60-40 é quase que uma estratégia... É, passivo. Consolidada no mercado americano, ter 60% em bolsa, 40% em renda fixa. Isso, isso. E dá para você fazer isso. Antigamente você tinha que comprar as ações, comprar os bonds e ir recalibrando, agora você só compra o ETF, né?
esse ETF existe. Se você olhar para janelas móveis de 10 anos, esse número sobe para 99% das vezes. 99% das janelas de 10 anos, desde que o ETF começou, o ETF ganha do CDI em dólar. Isso não quer dizer que daqui para frente vai ser diferente. E para ser justo, se você olhar nos últimos 5 anos, o ETF perdeu para o CDI em dólar, porque foi um período em que o câmbio praticamente não mexeu. O câmbio de 5 anos atrás é exatamente, é quase o mesmo que a gente tem hoje. E o CDI foi muito alto.
Mas, mesmo assim, é muito difícil dizer tentar acertar o futuro. Nesse ponto, eu gosto muito do Howard Marks. Ele fala assim, poxa, eu não sei o que vai acontecer no futuro. E acho que quem está tentando acertar também, a possibilidade de errar é muito grande. Então, eu prefiro olhar como é que foi no passado. E no Brasil, como tem muita volatilidade, você nunca sabe quem vai ganhar a próxima eleição, como vai ser o fiscal. Enfim, eu acho que para famílias que têm um patrimônio
relevante de investimentos, faz todo sentido você ter uma parte do patrimônio fora do Brasil para evitar a volatilidade interna. A gente ainda acha que para famílias que vivem aqui e tem business aqui, enfim, etc., no Brasil, faz sentido ter uns 70% dos investimentos no Brasil, 30% fora, mas é importante ter um pouco de dinheiro fora, que é o portfólio que vai te dar sossego, que vai te dar poder de comprar no futuro, enfim, que pode acontecer o que acontecer aqui, que lá fora você vai estar protegido.
ponto importante, o poder de compra no futuro. Porque é muito mais do que uma estratégia para ganhar dinheiro, não que você invista para... Mas quando você compra um ativo na bolsa, você espera ganhar quase na especulação desse investimento, esse ativo vai se valorizar. Aqui a gente está falando de algo estrutural, de como eu vou manter o meu padrão de vida ou como que as coisas que eu consumo hoje eu vou continuar consumindo no futuro, porque você não depende
de única e exclusivamente da valorização dos seus investimentos, mas é até da proteção da moeda que você está usando. Exatamente. E quando você olha uma carteira em dólar, uma boa parte da carteira você protege contra a inflação, porque se você tem ações, você no longo prazo protege contra a inflação. Real estate também, imóveis também, você está protegido contra a inflação no longo prazo, que são ativos reais. E bonds também, assim, quando você tem TIPS, a NTNB americana, você também,
que está protegido contra a inflação. O que não protege é a renda fixa tradicional, que não seja TIPS, que são renda fixa, aí realmente você não está protegido contra a inflação, mas isso é uma parcela menor do portfólio. Agora, Luiz, mesmo com o discurso claro do Donald Trump de enfraquecimento do dólar, ainda assim é um momento para fazer isso. Como é que você encara isso, até como as famílias têm interagido com você, enfim, o quanto que isso afeta um pouco essa visão estrutural de que
99% das janelas de 10 anos, de 2008 para cá, investir na maneira mais tradicional no mercado americano foi melhor do que investir no CDI, que é o nosso Pelé aqui no mercado brasileiro. Então, esse trend de short dollar, primeiro, esse é o trade, acho que é o mais crowded, com certeza, dos últimos anos, se bobear, o mais crowded que eu já vi na minha carreira no mercado financeiro. Mas sua carreira é longa.
Mas todo gestor que você pergunta lá fora, acabou de ter uma conferência grande de hedge funds em Miami que eu acabei de participar. E todo mundo, todos os gestores, está todo mundo short dólar contra alguma coisa. Seja outras moedas, seja ouro, enfim. Então é um trade super crowded. Se você olhar, realmente teve uma desvalorização do dólar. Se você olhar o DXY, que é aquele dólar index que você acompanha, que é o dólar contra uma cesta de moedas. Esse DXY estava no range entre 90 e 95 antes do juros subir em 2022.
subiu em 2022, realmente o dólar valorizou, e foi para um nível de 110, 100, 110. Quando naquele infame Liberation Day do Trump, a gente realmente teve, depois disso, a gente teve uma desvalorização do dólar, que foi para um nível de 100, ou seja, caiu uns 10% no começo do primeiro semestre do ano passado, mas ficou nesse nível, né? Agora ele está num trending range, aí às vezes ele cai para 98, 97, aí volta para 100, enfim, ele teve um debasement, ele teve uma desvalorização de aproximadamente
de 10%, mas depois se estabilizou nesse nível. E hoje em dia, quando você olha, qualquer dia que o mercado tem um sell-off, o que acontece? A bolsa cai e o título dos treasuries de 10 anos também cai. Então, as pessoas não estão fugindo do dólar. Quando o título dos treasuries de 10 anos cai, significa que as pessoas estão comprando treasuries. Então, quando você tem um stress no mercado, as pessoas compram títulos do tesouro americano.
Então, está longe de ter uma situação onde você tem os investidores globais fugindo do dólar.
O que vai acontecer nos próximos daqui para frente, pode ser que o dólar desvalorize um pouquinho? Eu acho que até pode ser que sim. A gente tem hoje dois cortes de juros precificados no mercado, para esse ano de 2026, de 25 basis points cada um, 50, 0,5%. Isso pode fazer com que o dólar tenha um pouco de outflow. A gente já está vendo um fluxo enorme para fora do mercado americano. Na verdade, é um fluxo enorme, não é um fluxo tão grande assim, mas só de ter fluxo fora do mercado americano para os mercados mundiais, faz com que os mercados mundiais andem
muito. É porque o fluxo, embora para os Estados Unidos não seja tão grande, para o resto do mundo acaba sendo dinheiro porque os Estados Unidos sugou muito dinheiro ao longo dos últimos anos. Então, qualquer espirro saindo dos Estados Unidos aqui já parece que é um vendaval. Pois é, se olhar 2025, todos os mercados emergentes subiram, todos os mercados latinos subiram, até as ações. O mercado chileno, que é o mercado mais boring, que você não esperava nada, subiu 60% no ano passado. Então, você teve um movimento
relevante, mas as pessoas não estão saindo do dólar ainda. Então, e você não tem alternativa para o dólar, porque se eu falar para você que moeda que você gostaria de ficar que não fosse o dólar, o euro tem todos os problemas que tem, a China, então o governo, o renminbi, o governo controla a moeda, não dá para você confiar que vai ter livre entrada e saída de renminbi pelo resto da vida, assim, uma moeda que é interessante, que eu acho que é o franco suíço, todo mundo acha, mas é o mercado pequeno e os juros é zero,
Então, para você ficar carregando franco suíço contra o dólar, você tem um carrego negativo de 3,5% ao ano. Se é para carregar alguma coisa que não vai dar rendimento, carrega o ouro, né? Pois é. O ouro andou muito, assim como a prata andou até mais que o ouro, então você teve uma fuga de vários ativos reais. Mas dito tudo isso, eu não sei o que vai acontecer para mim. Não é claro que o dólar vai... Pode ser que ele desvalorize um pouco, eu não acho que vai ser uma desvalorização tão relevante. Se desvalorizar,
você tem um carrego positivo em relação às outras moedas desenvolvidas, então não me aparece uma estratégia tão clara. O que eu acho que é importante para todos os investidores, principalmente brasileiro, é você ter uma parte dos seus investimentos fora do real. Porque o real, sim, eu não sei como é que vai ser o fiscal, quem vai ganhar a próxima eleição, como é que vai ser o fiscal daqui para frente, enfim, a gente tem todos os problemas estruturais.
Então, eu acho que é saudável você ter uma diversificação em uma moeda no exterior. Quando meus clientes me perguntam assim, putz, mas já é hora de mandar o câmbio? Eu falo assim, olha, câmbio,
é muito difícil de acertar, no curto prazo é impossível. Então, se você quer mandar dinheiro para fora, eu sempre recomendo, vai fazendo em tranches, cada vez que o dólar cai mais um pouquinho, você acelera a sua tranche, se o dólar sobe, você espera um pouquinho. Mas enfim, vai fazendo, se fez no 5,40, caiu para 5,30, faz no 5,30, faz no 5,20, pode ser que caia até 4,80, pode ser que sim, vai mandando devagar, entendeu? Assim você faz um preço médio, é muito difícil você tentar acertar a moeda no curto prazo. Mas pela sua experiência, você falou desse evento de head funds, e até,
aproveitar nisso, o que que você já fez aqui no mercado brasileiro, pra você responder uma pergunta, quando você vê todo mundo apontando pra um lado, é nessa hora que dá vontade, pô, tá todo mundo shorteando o dólar, eu acho que é a hora de comprar dólar, você se encara dessa maneira, ou como é que você vê isso? É, eu sou um pouco contrarian, acho que o que eu aprendi durante a minha vida, né, passando pelas crises, eu passei pelo dotcom bubble, passei pelo Great Financial Crisis, é que toda vez que tem
movimento muito grande, muito agressivo, é um bom momento de você começar a aumentar o risco devagar, né? Então eu gosto do buy in the deep, por exemplo, em 2008, eu lembro bem, eu tava na grifa ainda, o mercado ia caindo, a gente ia comprando devagar, depois, sei lá, de 10 ou 20% de queda, você começa a comprar devagar, acho que o importante é você não gastar todo o seu dinheiro de uma vez, porque é muito difícil acertar o timing, mas assim, quando tem esses movimentos muito grandes, eu sempre acho que são momentos de compra, e a gente fez isso pros nossos clientes no Covid, esse foi muito rápido, a gente conseguiu
fazer, então a gente aumentou a participação em Bolsa em fevereiro, março de 2020. A gente também, em 22, quando a Bolsa caiu, em 18, quando a Bolsa caiu, a gente também aumentou a participação em ações. E mesmo no Liberation Day, a gente conseguiu botar, foi rápido, mas a gente conseguiu botar 1%, por incrível que pareça, o S&P caiu abaixo de 5 mil, agora está quase 7, né? Então, a gente conseguiu comprar, aumentar 1% da posição em Bolsa nesses estresses, né? Então, acho importante
é importante ter essa disciplina. Então, eu sou um pouco contrário assim. E com esse trade do dólar, me preocupa um pouco o fato de ser o trader mais crowded, porque quando você tem qualquer movimentinho na direção contrária, os movimentos são muito agressivos. Então, eu não acho que... Continuo achando que é confortável você ter uma parte da sua exposição em dólar. E como eu te falei, no longo prazo, pelo menos até agora, faz bastante sentido se você tem uma janela de investimento longa.
você fez aqui no Brasil? Hoje, a sua profissão na Aston, você seria um alocador ali de portfólio, você cuida do dinheiro das famílias, certo? Mas aqui no Brasil, o que você fez ali quando você começou no mercado? Conta um pouquinho de como é que era o mercado nessa época, né? Pô, 1991? Cara, não era nem plano real. Não, foi bem antes do real. Foi depois do Collor, se não me engano. Bom, eu comecei em dezembro de 91,
trabalhando na Grifo. Quem me contratou foi o Eduardo Brenner, que hoje é meu sócio, na Aston. Eu tinha 19 anos, estava na GV, no final do segundo ano da GV, fazer administração. E era fácil para mim, porque a GV é lá no centro, na 9 de julho, e a Grifo era no Vale Langabaú. Nossa, a Grifo era no Vale Langabaú? Que curioso. Perto da bolsa ali, do outro lado do Vale Langabaú, do lado do Teatro Municipal. Então eu pegava o ônibus de manhã lá na porta da GV,
ia pra Grifo, trabalhava, voltava pra Grifo, tinha umas aulas, voltava pra Grifo, trabalhava e ficava nesse vai e vem. Era bem fácil, era um ônibus de 10, 15 minutos. Descia naquele embaixo, não sei se ultimamente você passou, mas você imagina você descer embaixo do Vale Langabaú ali, onde ia, naquele túnel. Já fiz. Naqueles lugares que eu desci. Muito esse caminho. Pois é. Porque eu estudei Mackenzie, então eu descia no penúltimo ponto ali da 9 de julho e passava na frente da Grifo, que eram dois pontos antes ali.
Mas é meio scary. É, um pouco. Hoje em dia você descer naquele buraco ali, mas eu descia lá e então... Também frequentava muito a galeria do rock, que era ir até o final ali no Bandeira e subir a escada do Viaduto do Chá. Mas aí o Eduardo me contratou, assim, eu tinha dois amigos da minha classe, já que trabalhava no Agrifo, em outros departamentos. Eu tinha feito um curso na BMF sobre ouro. É a única coisa que eu tinha. E eu tinha trabalhado na tesouraria da consultora da Gafisa, que hoje é...
Na época era Gomes de Ameida Fernandes, hoje. Então essa era toda a minha experiência que eu tinha.
E eu tinha uma história boa, é que quando eu comecei o segundo ano de GV, eu falei, bom, vou trabalhar, né? Tá na hora de ganhar um pouco de experiência no mercado. E um pai de um dos meus colegas de classe tinha conseguido uma representação de um sistema de tratamento de água que um cientista no Rio tinha inventado, onde ele pegava umas lâmpadas ultravioletas e colocava dentro da caixa d'água, pra esterilizar a caixa d'água. Isso foi na época que teve uma epidemia de cólera no Brasil,
Eu nasci em 87, não sei se... É, mas você não vai lembrar. É, não, certamente. Isso era começo de 91. Então teve uma epidemia de cólera e aí ele conseguiu essa representação. Eu acho que ele não queria gastar muito dinheiro pra tentar vender e me contratou. Isso até então, eu tinha trabalhado zero. Tinha feito o primeiro ano de GV só e nunca tinha trabalhado. E ele me contratou. Eu não tinha trabalhado como vendedor quando eu tinha 16 anos no shopping, mas fora isso eu nunca tinha trabalhado.
E ele me contratou pra vender esse sistema de tratamento. Me pagava um salário mínimo.
que na época acho que não era nem 100 dólares. E me falou assim, vende aí. E aí eu saí batendo de porta em porta, um moleque de 19 anos, sem experiência nenhuma, fazendo cold call e batendo de porta em porta, tentando vender esse purificador de água, esse sistema de purificação de água. Obviamente que eu não vendi nenhum. Fiz esse estágio de seis meses na Gafisa. E depois, dois amigos meus que trabalhavam na Grifo me falaram, olha, estão precisando de alguém na mesa de bolsa. E aí eu fui falar com o Eduardo,
Brenner, ele foi me entrevistar, eu lembro direito, acho que era uma sexta-feira, em dezembro, dia 21 de dezembro, e ele falou assim, e aí, o que você faz? Não, eu falei, trabalhei na HFIS antes, eu vendia esse sistema de, você vendia filtro? Eu falei, é, quanto você vendeu? Nenhum. Aí ele olhou pra minha cara e falou assim, tá bom, contratado. Aí eu falei, beleza, quando que eu começo? Ele falou assim, segunda. E segunda-feira era 23 de dezembro. Ah, então sexta era 20 de dezembro e segunda...
Eu falei, mas quem contrata? Quem contrata? Porque o cara começava a trabalhar 23 de dezembro. Mas enfim, ele chamou e eu fui. Estava lá na hora que ele mandou. E aí comecei. Eu fui estagiário na mesa de ações enquanto eu estava na GV ainda. E depois, logo que eu me formei, eu acabei virando sócio. Mas era outro business. A Grifa era uma corretora. A gente ganhava algum dinheiro. Não tinha salário, tinha só comissão. E a comissão dependia da corretagem. Então eu lembro que teve fases que a gente...
compensação caiu pela metade em ano ruim. E a gente tirou... Compensação seria o total conto? Eu não tinha salário. Eu tinha uma comissão sobre um percentual da receita da corretora, da mesa de ações. Mas espera, só uma coisa. Você entrou na mesa de ações da Grifo, uma corretora. O que é a mesa do estagiário em 1991? O que você tinha? Você chegava lá na Rua Formosa, onde os
escritório, era uma mesa de operações grande, tinha aquele telefone, uns modatas, que era um painel, que nem de telefonista, um painel na vertical, assim, na sua frente, cheio de botão, cada botão era uma linha, não tinha computador nenhum na mesa, tinha uns monitores, aqueles de fósforo verde, onde você via as cotações, dois telefones, um de cada lado, e aquele painel cheio de botão, onde você ligava pro pregrão, você ligava pros clientes, os LPs que tinham, aquelas linhas privadas, ou você ligava uma linha normal,
pra alguém. E eu cheguei lá pra fazer a boletagem, porque na época era pregão... Então, na época a gente tinha... Olha que interessante, a gente tinha pregão viva a voz de manhã, das nove e meia a uma, se não me engano. Daí da uma às três, parava o pregão, o mercado fechava pro almoço, tinha duas horas de almoço, e voltava das três às quatro e meia no eletrônico, que na época era CATS, que também era um sistema de computador de fósforo verde, onde você fazia a negociação à tarde no sistema eletrônico.
Não tinha pregão Viva Voz, pregão Viva Voz era só de manhã. E na época funcionava assim, você tinha o operador de pregão, que estava lá no pregão, nos postos, né? Cada posto tinha três ou quatro ações. Então você queria comprar Telebrás, você mandava o operador para o posto de Telebrás. E ele chegava lá, tinha uma roda de Telebrás, né? Onde tinham, sei lá, 15, 20 caras comprando e vendendo Telebrás. Apregoando, né? Compra, vendo, compra a 10, venda a 20, sim. E cada vez que ele fechava o negócio, ele fechava com a corretora X,
estava num cartão, com uma lapiseira, um grafite, marcando, sei lá, comprei mil telebras a 10, da corretora a 45, que era o garantia na época. Fazia esse cartão, a outra contraparte assinava, e ele jogava no posto, onde tinha um leitor desse cartão, que registrava o trade, registrava o negócio. Então aparecia lá, que a grife comprou, garantia, mil telebras a 10. Tecnologia de alto nível. Enquanto isso, na mesa, como a gente tinha recebido a ordem, a gente tinha que carimbar uma ordem de compra,
pondo o nome do cliente e dizendo quem era o cliente, quantas ações comprou, a que preço. A gente ia carimbando ordens conforme a gente ia recebendo ordens o dia inteiro. Então o cliente ligava na mesa e falou assim, quer comprar mil telebrais, você vai lá, carimbava uma ordem de compra, botava o nome do cliente e falava assim, o cliente X quer comprar mil telebrais, quando executava você botava o preço. Você falava com o pregão, executava o preço.
Aí no final do dia, o que a gente tinha que fazer? Vinha um disquete da bolsa que chegava na nossa custódia com todas as operações. Aí o nosso back-office olhava
as ordens de compra que a gente escreveu na mão e fazia, colocava num sistema lá, dizendo qual foi o cliente que comprou cada ação. Então ele tinha que ir operação por operação, baseado no papel que a gente anotou, e colocando, alocando essas operações. E aí mandava esse disquete, depois que ele alocou as operações, ele mandava o disquete pra bolsa de novo, no mesmo dia, pra bolsa rodar, né? Porque até então você tinha todas as operações, mas você não tinha nenhum cliente.
Então vinha pra corretora, a corretora pegava todos os clientes, depois voltava pra bolsa e a bolsa rodava. Assim, esse papo
chega a dar até aflição. Hoje em dia que a gente fala tanto de inteligência artificial e tudo mais, mas especificamente nesse dia que a gente está gravando, eu acabei de sair lá do Intel, que é a faculdade voltada para formar pessoas, mundo de tecnologia, faculdade sem fins lucrativos, que quer ser o berço tecnológico do Brasil. E assim, saí de lá e estou ouvindo como é que era esse passo a passo bem rudimentar do mercado de ações.
em 1981. Não, e tem mais, a gente recebia ordem pro Telex, né? Então tinha alguns clientes, eu lembro que tinha um cliente gringo lá que mandava... Telex é tipo uma máquina de escrever daquelas antigas, onde o cara escreve do lado de lá da linha e ele imprime do lado de cá do seu lado, né? Então a gente recebia uma ordem pro Telex, né? Que ele falava assim, sei lá, comprar mil Petrobras, mil Telebrás, mil pão de açúcar, e você ia lá, executava a ordem no final do dia, e aí você mandava no final do dia, você mandava o Telex de volta pra ele, dizendo assim, olha, comprei tantos a tal preço,
tantos obresos, tantos obresos. Então a gente tinha ordem por telex também nessa época. Nossa, só investia na bolsa quem realmente queria, né? Porque era um trabalho hercúleo, né? Ah, então, mas na época era... Lembra que na época era o normal, né? Sim, era o normal, óbvio. Hoje a gente vê com uma certa estranheza porque a gente já sabe como é que é essa evolução. Mas, por outro lado, era um mercado muito desarbitrado, né? Sim, imagina.
Assim, você conseguia fazer arbitragens, por exemplo, tinha a mesa proprietária que vivia de fazer arbitragem de ação no Brasil com um ADR em Nova York, que tinha...
uns centavos ali para você ganhar sempre. O mercado de opções era muito pouco conhecido, porque na época eu estudei o Black & Shows ali, comecei a entender de volatilidade, então você conseguia fazer muita coisa desarbitrada em opção também, então era assim, era outro mundo, tinha muito mais arbitragem. O conceito de arbitragem, as arbitragens vão diminuindo conforme o mercado vai ficando mais eficiente, então quanto mais ineficiente...
e tão longe. Pega o início do mercado de criptomoedas, as arbitragens que tinham entre as corretoras de cripto, você conseguia arbitrar isso e ganhar, operando com preços diferentes. Então é muito reflexo de um mercado que ainda está buscando eficiência. Bom, mas aí você entrou na gripe. Quando é que você virou sócio que você falou? Eu virei sócio quando me informei, em 94. Pô, rápido? Era rápido assim virar sócio nessa época? Ou você era um outlier? Eu não lembro se eu fui outlier.
mas eu lembro que eu trabalhei bastante, né, e assim, eu lembro que no final da GV, eu tinha umas matérias que ficaram pra trás, então eu fazia, eu lembro que eu fazia, no último semestre da GV, eu fazia matérias do quarto, sexto, sétimo, oitavo semestres, de manhã, de tarde, de noite, e trabalhava o dia inteiro. Então eu, tipo, eu tinha uma aula de manhã cedo, ia pra Grifo e trabalhava. Voltava, tinha uma aula no almoço, voltava, e tinha uma aula e voltava à noite pra ter aula à noite.
Era perto, né? É. Então eu já trabalhava período integral há bastante tempo, mas enquanto não fosse,
enquanto eu não me formasse, eu não podia ser efetivado. Então, logo que eu fui efetivado, eu virei sócio. Mas também, na época, você virar sócio da Grifo era muito legal, porque era parte de confiança, mas foi bem antes da Era do Verde, onde você ganhava um caminhão de dinheiro, entendeu? Você virava sócio, você tinha direito a comprar as ações, mas você suava para pagar essas ações. Teve até, como eu te falei, teve anos que a gente teve que minha compensação caiu pela metade, porque eu ganhava um percentual da receita, e aí eu tive que pedir pinico lá para o pagamento das ações,
tiveram que defer aí por, sei lá, seis meses, um ano, até as coisas melhorarem. É, só pra deixar claro, né? Você vira sócio, mas você não ganha, né? Você ganha o direito de comprar a participação, né? Como é feito em... Na minha época de XP, foi assim aqui no BTG, eu sei que também é assim, né? Você, na verdade, você ganha um direito de... Você ganha uma dívida onde você pode comprar se você conseguir honrar essa parte. Nesse caso, o seu bônus, ele foi tão baixo, sua comissão, que você teve que pedir um adiabrador,
para continuar, para conseguir pagar a sua participação. Sim, porque mudou muito, a Grif mudou muito depois do Verde, quando o Verde estourou, virou um sucesso, o nível de receita, então quem virou sócio depois que o Verde já era um sucesso, e a gente já tinha o Private, etc., aí era muito mais fácil de pagar as ações do que na época que era só a corretora. O que foi o fenômeno Verde? A gente já trouxe o Luiz Stuhlberger aqui várias vezes, já conversou, mas
Você não trabalhava na gestão do verde, você estava no entorno. O que foi para quem estava no entorno do verde, esse fenômeno verde? O que ele representou de resultado para a Grifo? Mudou completamente de patamar. A gente era uma corretora, era uma corretora boa. A gente chegou a ficar no mercado de ações em segundo lugar. A segunda maior corretora do Brasil, só atrás do Garantia, que inclusive era nesse prédio na época. Sim, o Garantia era nesse prédio.
a gente tinha, assim, eu atendia principalmente, depois de 95, 96, eu atendia principalmente os gringos. Então, eu operava para os grandes nomes de Nova York no Brasil, Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bear Stearns, que na época existia ainda. Então, a gente era uma corretora importante e tinha um volume bom. Mas isso, o mercado oscilava, né? Você tinha anos que o mercado caiu o volume. A gente também era uma corretora muito forte em café, em agrícolas, que o André Freitas tocava a mesa de agrícolas.
Futuros também, que tinha dois sócios na época, o Bruno Sesquim e o Luiz Tuberger, né? E o Luiz sempre foi o cara de fazer umas operações mais estruturadas, assim, na época, antes de ter o Verde. E eu não lembro direito da história como é que apareceu, mas acho que a BMF, na época, criou a figura do fundo de commodities e até tinha, colocou alguma, dava um dinheirinho lá pra gente começar e a gente achou que era uma oportunidade pro Luiz começar a fazer gestão e ele começou a fazer gestão.
E aí ele deu aquelas porradas, principalmente na desvalorização, né, de 99, acho que foi. É, a Max Deval, 99. E aí... Ele conta, né, que ele foi viajar, então ele protegeu as posições e acabou dando essa porrada. E no mesmo tempo, o Léo Figueiredo, que era o nosso CEO, né, na época, achava que a gente tinha que ter um private que a gente não tinha. Então, na época, ele contratou uma molecada lá, um pessoal jovem, pra fazer um private.
Então, eram os casos que não tinham vício de banco, etc. E eles vieram mostrando o verde para os clientes novos, e o verde ganhou muita atração, foi um produto muito bom. Então, juntou essas duas coisas, e o business virou imbatível. Era uma molecada com muita vontade de captar no private, com um produto excelente, e aí o negócio mudou de patamar. Então, foi bem interessante de ver. No começo, o Luiz sentava, tinha uma mesa separada,
do trading floor ali, junto com todo mundo. E depois ele criou a estrutura dele separada, inclusive o meu grande parceiro de mesa na época lá, o Dorival Kawakami, que era o meu trader de ações também, virou o trader do Luiz Exclusivo e depois foi trabalhar com ele e passou muitos anos trabalhando. O sucessor dele foi o Gustavo Campanha, que você já falou aqui algumas vezes. Sim, que legal, que legal, muito bom. Na parte de ações. E quem mais? Bom, a gente acabou falando muito disso e o que você mais,
Então a sua dedicação ali na Grifo foi mais em bolsa? Esse tempo todo foi bolsa ou você fez outras coisas lá também? Foram 14 anos na mesa de ações, né? Desde que eu entrei até 2006, se não me engano. E aí, em 2000, depois de 14 anos, o pessoal, na época o Marcelo Cavalheiro, tinha um fundo muito grande de ações lá, o Strata de Long Short e o Long Only. E ele precisava de um trader. E falou comigo, eu achei que estava na hora de mudar do sell side para o buy side. E fui para a Asset.
Então eu comecei como trader do Marcelo Cavaleiro, a primeira transição de carreira foi essa. E depois a segunda transição veio com a crise de 2008, que aí os fundos do Marcelo acabaram sendo liquidados, fechando. E eles, desculpa, antes da crise, eles já tinham me pedido para... Porque a gente tinha, além do Luiz, que tinha a fazer a gestão do Verde, a gente tinha o Marcelo Cavaleiro fazendo a gestão dos fundos de ações,
falou aqui, que era o gestor de renda fixa. E os dois, acredite se quiser, como a gente tinha um fundo que era muito bom, mas estava fechado há muitos anos, não tinha uma área de relações com investidores dentro da asset. Quem fazia relações com investidores da asset era o private. Então tinha um monte de conflito, óbvio, e eles queriam alguém que fizesse relações com investidores dentro da asset, principalmente alguém que fosse atrás de captar para os fundos de ações e fundos de renda fixa, que não era... que precisavam captar, não era só o verde que estava fechado. Então eles me...
Eu fiz essa transição, comecei trabalhando com o Marcelo como trader. Eles dois, o Marcelo e o Ethan, me convenceram a fazer essa transição para fazer a parte de relações com investidores e para captar para a asset. E eu fiz essa transição logo antes da crise de 2008. Acho que foi em começo de 2008 que eu fiz essa transição. Momento bom para virar R. Pois é. Aí eu lembro direitinho. Porque você pegou o máximo da euforia, que foi em maio de 2008, investment grade, bolsa 73 mil pontos. E o subprime,
bolsa voltando pra 29 mil. Eu comecei lá em 2008, era só... Mas foi até interessante, porque a gente teve relativamente pouco resgate, mas a gente tinha ficado dando muita explicação, e a gente reabriu o verde naquela época, né? Então a gente trouxe um pouco de dinheiro pra dentro, então foi uma época interessante, mas tinha que ficar pagando incêndio, e isso pra captar pros outros fundos era bem difícil também. E esse foi o meu último papel, eu fiquei até 2012, eu combinei com o Luiz do Berger, na época que eu ia ficar até o final do Ernal,
que a gente fez, a gente vendeu metade da... A gente assinou em 2007. Acho que a gente fechou em 2006 e assinou em 2007. E a primeira parcela era 50% cash, a segunda parcela era 50% múltiplo de 2009, 10 e 11. Então, fechou 2011, a gente vendeu a outra metade. Já estava precificada a segunda metade. E aí, em janeiro de 2012, eu saí, porque eu não queria trabalhar do banco. Eu sempre fui um cara de... Quando eu comecei na Grifa, a gente tinha 60 pessoas, eu acho. Quando eu saí, a gente tinha 200.
Então, eu sempre fui um cara de uma estrutura menor, partnership, onde você consegue fazer as coisas funcionarem. E, assim, essa estrutura grande de bancão, com um monte de politicagem, com um monte de burocracia, eu achava um inferno. E eu não queria trabalhar em estrutura grande. E saí, logo que a gente fechou a segunda parte, que eu não tinha mais participação nenhuma, eu saí. Só que eu tinha um compete, né? Que era até 2015. Então, eu passei alguns anos no escritório junto com dois outros ex-sócios, né?
O Ricardo Jardim, que era nosso COO da Grifo na época, e o Pino Sen, que era o captador top do Private ali, que também saiu. Tava todo mundo no non-compete. E nesse período foi interessante, porque eu tinha a minha esposa, eu tive a minha primeira filha em 2011, né? Fevereiro de 2011. E aí, como eu já, olhando pro final de 2011, eu sabia que ia precificar e sabia que provavelmente não ia ficar, eu falei pra ela, ela era engenheira, né? Trabalhava na Braskem. Eu falei pra ela, ó, nem volta, porque...
Se ela voltasse, ia voltar mês de 2011. Falei, começo de 2012 a gente vai poder viajar, fazer o que a gente quiser. E aí, realmente, ela não voltou e a gente aproveitou esses períodos pra... Esse período que eu não podia trabalhar, que a gente tinha uma filha pequena, pra passar períodos longos fora do Brasil, né? Então, assim, eu lembro que o dia que eu saí da Grifo, eu viajei pro Colorado e fiquei 45 dias no Colorado. Loguei uma casa e fiquei 45 dias.
Naquele mesmo ano, eu passei um mês em Londres, nas Olimpíadas. Um mês e meio em Paris depois, emendei com Londres. No ano seguinte, mais um mês
Colorado, um mês na Suíça. E quando você mora fora do Brasil, quando você vai de férias por uma ou duas semanas, você não vive muito a rotina. Então você não percebe a diferença na qualidade de vida. Mas quando você está por períodos maiores, que você entra na rotina que o morador de lá tem, que você percebe que a qualidade de vida faz tanta diferença. Foi aí que a gente tomou a decisão de sair do país, fazer uma experiência. E Miami foi meio o destino óbvio. Eu adorei a Suíça. Eu achei o país mais civilizado
do mundo, mas era muito longe, com o fuso muito, muitas horas de fuso pro Brasil, a cultura muito diferente, muito caro. É, eu ia falar isso, eu nunca fui pra Suíça, né, mas como um bom brasileiro, gosto tanto das brasilices aqui, gosto de sol, churrasco, futebol, eu não sei se na Suíça o lazer ia me entreter tanto, assim. É lá, assim, as coisas são muito regradinhas, eu gosto muito de fazer esporte e de trabalhar, né, então pra mim eu tava tranquilo, porque tem bastante coisa pra fazer.
também, né? Você pedala, né? É, eu pedalo, faço triatlo ainda, e no inverno também eu gosto de esquiar, então dava pra fazer as duas coisas, mas minha esposa falou, não, você tá louco, muito longe, não tem nem voo direto, a gente morou em Geneve, em Genebra, não tem nem voo direto, você tem que ir pro Zurich, é caro, a gente falou assim, a gente vai morar aqui, ninguém vai visitar a gente, o fuso é muito difícil, eu falo com a minha mãe todo dia, enfim, tá bom.
Aí a gente foi pro lugar óbvio, que é Miami, né? Que é a capital da América Latina.
Eu costumo brincar que os Estados Unidos começam em Fort Lauderdale, né? Então, quando você chega em Miami, está bem perto da fronteira com os Estados Unidos, porque nem inglês se fala em Miami, então. Agora, eu queria que você contasse alguns causos ali da época de grifo. Até já falei na apresentação do Kelet, porque você já tinha comentado sobre ele. O Kelet, além de ser um gestor que a gente admira muito, hoje está na Alfaquim, é um grande amigo nosso do Market Makers, membro do M3 Club, nossa comunidade de investidores,
É um verdadeiro, um paizão nosso aqui, um mentor para mim, para o Matheus principalmente. É um cara muito próximo. A gente gosta muito dele. Ele veio no episódio aqui e foi muito legal a história. Mas como é que foi? Você pegou o Kelet chegando lá, né? É, eu contratei o Kelet. Naquela história que o Kelet conta, não era você. Quem foi? Era eu. Você que veio da entrevista com ele ali? Eu e o Eduardo, né? É, nós dois. A gente estava na mesa, a gente achava que tinha que ter mais... Esse short do Kelet contando esse trecho,
viralizou, assim, ele contando a entrevista dele pra entrar na... Ele não queria ganhar nada. É. Então, acho que isso foi direto com o Eduardo, mas eu participei do processo seletivo dele, a gente tava na mesa, a gente falou assim, precisamos contratar um cara, mais um cara aqui pra mesa pra ajudar a gente, que a gente tá com... tem... dá pra crescer, né? Aham. E aí, eu lembro que a gente começou a conversar com algumas pessoas, aí sobraram dois caras, né, no processo seletivo.
Um era o Kelet, que era engenheiro, nunca tinha trabalhado no mercado financeiro, mas tinha uma cara boa, e outro era um cara que acho que tinha feito administração,
não lembro se era de Evo Fé, mas mais engravatadinho assim, mais Faria Lime. Na época não era Faria Lime, a gente chamava de Yuppie, né? Como é que era? O Yuppie, na época do Wall Street, Poder de Cobiça, sabe aqueles caras de Wall Street que andavam de suspensório e prenderam de gravata? Esse era o Yuppie? É, ela chamava Yuppie na época, nos anos 90. Então ele era meio engravatadinho assim, e o Kelete, né? E a gente olhou um cara assim, a escolha técnica mais óbvia era o cara que tinha feito administração,
tinha trabalhado no mercado. A gente olhou o Kelet e tinha mais vontade, né? Falou, vamos experimentar ele, né? E aí contratamos. E ele começou sem saber nada de mercado. Mas o Kelet tem essa história de que eu acho que eu não lembro se eu tava, acho que eu não tava quando ele conversou com o Eduardo sobre salário, que ele falou que não queria ganhar nada. Mas enfim, mas ele é um, o Kelet, cara, ele assim, eu já trabalho com várias pessoas na mesa, todos os tipos diferentes.
Mas eu nunca vi ninguém, quando eu não vou instalar uma mesa de, de, um training, uma mesa de,
se a Sana é um training floor, é aquela bagunça, gritando, xingando, etc, etc, mas sempre tem os períodos de descontração, né? De vez em quando alguém para, conta uma piada, o Kelet, ele sempre abre aquele pregão às nove e meia da manhã, o bicho fica focado e não olha pro lado, até a hora que fecha. Então ele não faz nem piadinha. Então era o cara mais focado que eu conheci na minha vida. E ele começou a conhecer todo mundo, sabia todo mundo, todos os clientes, quem tinha o quê.
Então virou uma máquina, assim, e cresceu pra burro. E chegou onde chegou, por mérito total dele, porque
Realmente ele era um cara fora da curva nesse sentido. E a gente deu sorte, porque a gente contratou um cara que teoricamente não tinha, assim, perfil nenhum, né? Ela só tinha vontade. Mas que nem eu, quando o Eduardo me contratou também, né? Imagina, vendedor de filtro que não vendeu nenhum filtro. Mas é o cara que já tem, já carrega nele essa fibra, né? Essa vontade de dar certo. Ele adora o mercado de ações, ele adora. Até hoje. O nosso chat com os assinantes,
que tá o tempo todo ali conectado, assim, trazendo análise, trazendo resultado, ele é muito apaixonado pelo mercado. E ele é o cara mais focado que eu já vi na minha vida, assim, trabalhando. Nunca vi. Que legal, pô, mano. Deixar aqui um abração pro Kelet, certamente ele vai ver esse episódio aí, um cara que merece todas as nossas referências, as nossas reverências, um cara que a gente é muito fã e aprende muito com ele. Ah, pior, jogava golfe, né, na época, né, porque depois ele virou
ciclista, pedalou pra burro, mas na época ele jogava golfe ainda, que eu falo assim, golfe nem é um esporte direito, né? Porque ele é de jogar golfe. Virou ciclista, mega ciclista, competiu, foi pro Mundial. E o que que um cara que trabalhou no mercado nos anos 90 desenvolve que hoje a galera não desenvolve? O que que trabalhar nessa época te trouxe que é um diferencial? Acho que a gente passou por muitas crises, né?
era crise cada dois anos. Então, o pessoal que entrou no mercado depois de 2008, que pegou esse período de 12 anos de juros zero, era um outro mundo. E que a gente não sabia quanto tempo ia durar, mas durou muito mais do que todo mundo esperava. No começo, juros zero, a gente falou assim, isso não faz sentido por muito tempo e durou muito tempo. Então, acho que assim, na época era um mercado muito mais cru, tinha muito mais arbitragem,
também tinha muito mais crise. Então era muito mais difícil. Ah, as informações também, né? Óbvio. Na época, eu sempre cheguei, como eu sempre cobria gringo, eu era aquele cara que chegava às sete da manhã na corretora pra ler o jornal, Gazeta Mercantil, Valor. No começo nem tinha Valor, era só Gazeta Mercantil. E ligava pros gringos às sete e meia da manhã, dizendo assim, olha, essas notícias são essas e essas e essas e acho que o dia vai acontecer isso, isso e isso, entendeu? Então era muito importante você estar sabendo de...
Até hoje eu mantenho isso. Eu leio três jornais por dia. Gosto de... Sempre estou lendo tudo que eu posso para saber. Porque eu acho assim... O Eduardo sempre falava isso. Você lê o jornal. Você sabe o que está acontecendo. Você está igual a todo mundo. E daí para frente você tem que mostrar o seu diferencial. Mas você está sabendo o que está acontecendo. Ser informado é a condição necessária. Não acomode. Exatamente. Tem que ter pelo menos isso.
sério, durante toda a minha carreira e continuo levando até hoje. Você lembra alguma história de alguma das crises, ou algo legal pra compartilhar, assim, que algum perrengue muito grande, ou até alguma coisa que ganhou muito dinheiro, enfim, só pra ter uma noção de... Porque aqui, assim, a gente viveu crises, obviamente, mas naquela época parecia que eram muito mais comuns, né? Quase que todo ano tinha uma crise, né? É, não, teve a crise da Ásia, teve a crise da Rússia, teve a desvalorização. Eu lembro que na desvalorização de 99, uma frase
que eu incorporei do Luiz, do Sturberger, ele falava assim, cada dólar que eu vendo é um amigo que eu perco. Então, eu adaptei para mim, hoje em dia eu digo, cada S&P que eu vendo é um amigo que eu perco, porque também é difícil você, inclusive ele já falou aqui, que está short S&P. É melhor, como é que é? Tem dois jeitos de você ir para o inferno, você faz tudo errado, e quando você vai para o inferno, você fica short S&P. Então, hoje em dia também, nas nossas carteiras, na parte de equities, é bem difícil bater o S&P.
eu incorporei pra cada S&P que eu vendo, é um amigo que eu perco. Mas começou com o Luiz falando, cada dólar que eu vendo é um amigo que eu perco. Mas assim, foi em períodos interessantes. O dotcom bubble, eu lembro direitinho da época que a gente... Primeiro, bom, eu tinha que trabalhar de gravata todo dia, né? Tinha essa. E aí eu tinha, o Eduardo fazia... E eu deixava uma gravata, eu não ia de gravata, mas eu deixava uma gravata na gaveta.
Aí todo dia de manhã o Eduardo olhava pra minha cara e falou assim, põe a gravata. Aí eu botava a gravata.
na época do Dotcom, antes de se pinturar a bolha, 99, 2000, eu fui pra Nova York e lá já começou um negócio muito mais muito mais tranquilo nessa história de usar gravata, porque tava todo mundo indo pra tech, então pra manter o pessoal que indo pra tech, o dress code ficou menos formal. Eu falei, pô Eduardo, acabei de voltar em Nova York aqui, ninguém mais usa gravata, porque a gente precisa ficar usando gravata. E aí eu tento encher o saco deles durante, sei lá, 5 anos, que eu todo dia mandava voltar gravata.
todo dia eu botava gravata, que chegou depois dessa época, ele convenceu o pessoal lá, e a gente mudou pra um dress code mais tranquilo, não precisou mais usar gravata. Eu vi muito, assim, desses, tinha amigos meus, traders, que a gente operava, que eram milionários no papel, em 2000, e que acabaram perdendo tudo, né, porque não dava pra monetizar. A gente chegou a fazer uma corretora online, teve uma corretora online, que eu não lembro qual que era o nome, mas quem fez foi o Sérginho Kulikovsky,
Na época ele saiu do garantia para fazer a corretora online dele. Todo mundo falou que era maluco. E aí ele vendeu essa corretora online para a Patagon, se não me engano, ou para o Santander, que depois comprou a Patagon. Enfim, conseguiu vender. A gente fez a nossa corretora online também, só que a gente foi um pouco depois e já não deu tempo para vender. Então acho que a gente até vendeu para a Patagon, que era uma empresa argentina, mas na época a bolha estourou e a gente não conseguiu monetizar.
Enfim, a gente perdeu esse trend. Então foram coisas interessantes que aconteceram em 2000.
e eu fui pra Wall Street também em 2008, lá no Olho do Furacão, eu lembro de entrar no Trading Ford do Morgan Stanley, que era aquele Trading Ford, não sei se já foi pra um Trading Ford em Nova York, mas é uma coisa impressionante, depois você vai assim, é uma laje gigante do prédio inteiro, aberta com centenas de mesas de traders, de tudo quanto é tipo, gigantesco, e ia sentar lá, falar com os meus clientes, e o cara me mostrava o preço da ação ali do Morgan Stanley, se não me engano, na época, caindo, caindo, caindo, e ninguém sabia se ia sobreviver,
Eles não sabiam se a empresa ia estar viva no dia seguinte. Então, foi momentos interessantes, todo mundo pessimista, mas também depois teve o rebound, que foi muito bom também, em 2009. Não foi logo no começo de 2009, mas depois, em 2009, acabou sendo um ano muito bom para todo mundo, inclusive para o Verde. Quem tinha ações, o mercado voltou muito, muito rápido. Sabe que eu vi uma história, você falou disso, do Verde, em 2009.
Eu conversei com um, não vou revelar o nome dele, mas ele trabalhou com o Stuberger.
E ele trabalhou com o Stuberger mais agora nos últimos anos. Mas lá em 2008 ou 2009, 2008 foi o único ano da história que o Verde perdeu o dinheiro. O Fundo Verde nunca tinha fechado um ano negativo, 2008 foi um ano que ele fechou. Em 2009 o Verde fazia um evento para falar como foi o resultado do ano anterior e o Stuberger já começa o evento pedindo desculpa.
ele estava com o sogro dele e o sogro dele falou, ó, você quer trabalhar no mercado financeiro? Você tem que se espelhar nesse cara aqui. O cara começou, nem quis explicar nada, já começou pedindo desculpa por ter perdido o dinheiro dos clientes em 2008. O cara levou isso tão pra dentro dele que ele falou, porra, um dia eu vou trabalhar com esse cara e chegou a trabalhar. Então, Luiz tinha uma coisa diferente do resto do mercado, né? Acho que, enfim, foi uma história muito legal, né?
Ainda existe, mas agora com a união com a 20, enfim, vamos ver o que vai ser o futuro. Mas ali, no passado, o que eles construíram não foi à toa, né? O que foi lá dentro. Sem alguma lembrança legal ali com o Stuberger, alguma coisa. Aliás, vocês dois eram Luizes, né? Como é que vocês se chamavam? Três, né? Porque tinha o Luiz Parreiras também. Tinha o Luiz Parreiras, enfim. Era o Luiz Damar, Luiz Parreiras. Como é que vocês se chamavam ali? Ah, o Luiz Stuberger sempre foi estrubo na Grifo, então é sempre a pilha dele.
Luiz Parreiras, ele tem um apelido, não sei se você conhece. Harry. Isso, porque ele é igual ao Harry Potter. E eu era o grandão, né, como eu te falei. Grandão. Exatamente. Então não tinha confusão. Quando você mete, só pra você estar sentado aqui. 1,93. 1,93. A altura do São Marcos, goleiro do Palmeiras. Então, aí eu era o grandão, e era o Estruba, e era o Harry. Então não tinha muita confusão. Mas pra fora tinha mais confusão.
Eu, inclusive, participei de vários desses eventos do Verde, né, que a gente fazia apresentação anual, eu participei. Enquanto eu tava lá, eu fazia depois de 2008, eu era o responsável.
Então, teve... Era sempre, assim, um estressezinho pra dar tudo certo, né? Porque o Luiz, ele pedia as coisas do jeito dele, e se não tivesse exatamente do jeito dele, ele falava o que eu ia fazer. Então, às vezes, tava tudo lá. Você imagina um auditório cheio de gente, aí ele olhava o negócio, não, isso aqui não tá do jeito que eu quero, não vou falar. Não pode ser. Mas aí, no final, as coisas deram sempre certo. E, enfim, era sempre muito interessante ouvir o que ele tava falando. E o Daniel Lyshwin também, agora que tava...
comentar sobre ele. Ele sempre foi um showman nas apresentações dele. Até hoje eu lembro uma das apresentações que ele começava a falar sobre educação, que o mote dele era quem dera eu fosse o Azerbaijão, porque o Azerbaijão tinha números de educação relativos melhores que o nosso. Esse cara, eu sou muito fã, ele consegue transformar uma comod, que é um economista,
se você se diferenciar como economista fazendo análises de mercado, mas ele sempre conseguia trazer alguma coisa diferente, seja um dado ou até a maneira de se expressar. Um abração aí também para o Daniel. Pô, toda essa turma aí... Não sei se conviveu também com o João Braga, enfim, outro cara que é... Vou falar se a gente não mandar um abraço para o João, ele vai ficar bravo, né? É, porque o João é o rei dos abraços. Ele é meio carente, então a gente tem que mandar um abraço para o João. Ele é muito carente. O Braga tem que mandar um beijo, senão ele fica até...
Conviveu com o Braga também? Muito, muito. O João, quando eu comecei com o Marcelo Cavaleiro de Trade, ele era analista só. E aí eles foram, assim, quando o Marcelo acabou saindo na crise de 2008, eles assumiram os fundos lá, os quatro analistas, e foi um esquema de cogestão que eu achava excelente. Eu adorava os quatro como gestores. Eu fiz muito roadshow com ele. Quem era o Braga? Era o Braga, o Maurício, o Felício, o Irã e o Pedro Salles. E eram os quatro que faziam cogestão,
todos os fundos, long only, long short. O Irã é o que depois foi pra... O Irã, ele tinha feito uma asset dele, mas acho que ele fechou agora. O Irã era o cara de commodities. Sim, sim. O Maurício que eu não conheci. O Maurício, eu não sei onde ele tá. Ele tinha saído do mercado pra fazer alguma outra coisa, não sei onde ele tá. E o Pedro Salles acabou sendo o cara que ficou lá na Verde um tempo como gestor de equities. Mas eu gostava muito do sistema de congestão dos quatro.
Achei os quatro muito bons, muito complementares. E o João sempre foi o showman, né? Então eu viajei muito, fiz muito,
Roadshow com ele. Ele já era bem extrovertido, que nem ele é hoje? Total, total. Super hiperativo, total. É, muito. A gente tem várias discussões. Eu lembro que, primeiro, eu gosto muito de Iron Man, né? Uma das minhas bandas preferidas. Ele acha que Iron Man é horrível. É, verdade. Ele fala que é música de adolescente, que não é ruim, que não sei o que lá. Engraçado, porque todo mundo gosta de... Em geral, quem gosta de rock, é geralmente.
Mas a pior musical dele foi uma vez que ele falou que o Engenhos do Havaí não é minha banda preferida, né? E eu adoro o Rush. E ele falou que o Engenhos do Havaí é o Rush brasileiro.
Quando ele falou isso, eu lembro que eu quase tive uma cíncope no meio da mesa lá. Caramba. Queria me jogar do Condomínio de São Luís, falando que não é possível que ele falou isso. Enfim, ele continua falando isso. Se quer irritar o Braga, é só falar mal do Beatles, né? Não, o Beatles eu gosto. Não é a minha banda preferida, mas eu acho... Já viu a discussão do Fábio Júnior ou John Lennon, quem foi maior? Não. Eu te mando depois esse aí, que, enfim, é muito bom. O Fábio Júnior ganha. Mas...
resolveu sair do Brasil, foi pra... fundou a Aston e o que que... como é que eu posso... como é que você foi virar um alocador? Porque eu não percebo essa conexão com o que você fazia, né? Você olhou muito pra bolsa, teve a função de RI, teve uma função trader também, e aí você criou... como é que foi desenvolver essas novas habilidades aqui? Enfim.
E até o que foi o que motivou a fazer isso? Então, na verdade, tem bastante a ver, eu vou explicar. Quando eu saí do Brasil, a gente tinha passado por esse período, a gente chegou à conclusão que vale a pena passar uma experiência no exterior, e resolveu Miami, que é um lugar óbvio, e para os Estados Unidos você experimentar, o melhor jeito de ir é com visto de estudante. Porque se você não for com visto de estudante, é mais difícil de você ir, e você tem que pagar imposto desde o começo. E aí eu descobri que tinha um MBA de Kellogg, MBA executivo,
eu nunca tinha feito MBA, porque eu trabalhei na Grifo desde os 19 anos, eu nunca tinha feito MBA, descobri que tinha um MBA executivo com um campus em Kellogg, em Miami, desculpa, de Kellogg em Miami, e Kellogg até hoje é muito bem anqueado, na época era o melhor MBA executivo do mundo. E aí eu apliquei para esse MBA, fui aceito, e comecei ele na metade de setembro de 2014. E quando eu fiz essa transição de residente no Brasil para não-residente, fazia todo sentido fiscal eu passar a ser um investidor não-residente,
para investir no Brasil. Então eu mudei todos os meus fundos que eu tinha aqui no Brasil para os veículos offshore, onde você não paga imposto, como investidor não residente. Só que aí eram todos os gestores brasileiros, os mesmos que eu tinha antes. E aí eu estava morando nos Estados Unidos, com todos os meus custos em dólares, com um monte de gestor brasileiro, que a maior parte das posições estão no Brasil. Eu falei, isso não faz muito sentido.
Eu preciso diversificar os meus investimentos para ter risco fora do Brasil, já que eu não estou morando mais no Brasil. E aí eu fui olhar,
no mercado americano, como é que faz para fazer alocação. E aí é completamente diferente do Brasil. Inclusive, eu escrevi um artigo na época da crise de 2008, eu, acho que era o Enio Chino Haran, mas o Felipe Brata. O Enio, que legal. A gente escreveu um artigo em conjunto na Bima, na época, dizendo por que o Brasil era diferente dos Estados Unidos por causa de regulação. Que o Brasil é muito mais regulado, os fundos. Você tem cota diária, você tem um monte de restrições, etc. Lá, primeiro que você tem uma quantidade colossal. Na época,
eu comprei a HFR database, que é uma database de hedge funds, só nos Estados Unidos tinha 6 mil fundos. Cacete. E eles não são regulados. Então, a maior parte dos fundos são fundos offshore, onde você não tem quase nenhuma regulação. Assim, você tem, exigem que seja auditado, mas só. Então, os PPMs são diferentes, o fundo pode fazer o que quiser, você tem uma figura que é, você tem normalmente não participando em voting shares, né? Que é você, os investidores entram com uma classe
uma ação, é uma empresa o fundo, não existe a figura jurídica de fundo, é uma empresa onde você tem uma ação que participa dos resultados, mas não vota e você tem normalmente a participating non voting shares e a non participating voting shares. Então o gestor tem uma ação que não participa no resultado, mas tem 100% do poder de votos e os investidores participam, mas com zero de poder de voto. Então o gestor faz o que quer no fundo, via de regra.
Instrumento cota, na verdade, não existe lá no... É shares, é shares de uma empresa. São papéis de uma empresa. Shares é ações de uma empresa, e assim, você tem cotas mensais, você nunca tem cota diária, que acho, aliás, depois de olhando bem, esse negócio de cota diária em hedge fund é uma loucura, né? Você olhando no Brasil, você fala assim, não faz nenhum sentido, cara, você ficar olhando todo dia um fundo multimercado. É muito legal.
É. Eu sei, num dia que, sei lá, o petróleo sobe 10, pô, deixa eu ver quem foi que se deu bem, se deu mal. É, pois é, mas do ponto de vista do gestor... Não, é uma bosta pro gestor, né?
Você está investindo com foco em longo prazo e alguém... Cria uma ansiedade para o investidor, enfim. E é uma loucura você ficar calculando isso todo dia. Eu fecho cota dos meus fundos todo mês e já dá um trabalho. A quantidade de gente, de pessoas que você precisa para fechar cota todo dia dos fundos multimercados é uma insanidade. Mas enfim, lá é cota mensal, às vezes trimestral. É auditada, então demora para sair a cota. Quando você fecha um mês, normalmente as últimas cotas vão sair no final do mês.
um estimate, mas o seu statement mesmo vai sair no final do mês. Enfim, é muito menos regulado, muito mais aberto. Então, eu comecei a olhar esse universo e aí, nos últimos anos de Heading Grifo, na Asset, como era Investors Relations, eu fiz muito processo de due diligence do lado do gestor. Então, eu vim a todos esses investidores estrangeiros e fazia um processo de due diligence na gente com aqueles questionários imensos, que você tem 100 páginas de perguntas, que você tem que responder. Vem a Alborn, que é uma empresa
super reconhecida no mundo inteiro que faz do Diligent Head Fund, que demora meses, perguntam tudo, vem todo o seu sistema. Então eu passei por vários desses processos. Então eu sabia fazer do lado, sabia como era o processo do lado do gestor. Então eu comecei a fazer esse mesmo processo que eles faziam comigo, eu comecei a fazer para fazer o underwriting, para fazer análise desses fundos, para fazer a alocação. E aí eu comecei com o Aston Fund, uma das primeiras coisas que a gente fez lá atrás foi começar com o Aston Fund, que é um fundo que começou com 20 milhões de dólares,
de dinheiro do sócio só, que na época era o Eduardo. Era um fundo de fundo puro, fundo de fundos, só de hedge funds, e foi assim durante cinco anos. E aí, com a evolução da minha alocação, porque depois de cinco anos, eu comecei em 2015, em 2020 eu sentei para reavaliar o portfólio, que eu sempre acreditei, como eu fiz o CFA também, eu sempre acreditei que você precisa ter uma janela de longo prazo para avaliar o investimento, de um mínimo de três a cinco anos. Então, depois de cinco anos,
é o Aston Fund, e ele tinha ido melhor que o índice Red Funds, mas o índice Red Funds foi um desastre. Se você olhar até 2020, o índice Red Funds acho que anualiza 2% ao ano, 5 anos, e o S&Pit é dobrado. Então foi uma alocação, assim, foi uma classe de ativos que eu selecionei que não foi bem, apesar de eu ter sido melhor que a classe de ativos que eu selecionei. Eu falei, e por outro lado, para os meus clientes de Wealth Management, eu já fazia bastante alocação em ativos e líquidos, na parte de Private Equity, Private Real Estate, Private Credit,
entre outras coisas. E o resultado desses ilíquidos foi muito bem. Inclusive, hoje em dia, a gente olhar hoje as nossas características de private credit, elas retornam double digits, mid-team return, 12%, 13%, 14%, 15%, com uma volatilidade muito baixa. Então, é uma classe ativa muito interessante para você não ter no portfólio. E eu comecei a migrar o Aston Fund desde 2020. Primeiro, eu reduzi 50% a posição de hedge funds. E depois, hoje em dia, o Aston Fund é espelho
a nossa alocação em classes de ativos que a gente tem no comitê de asset allocation. Uma vez por mês a gente reúne os sócios mais os analistas, a gente faz uma, olha o cenário, olha todos os dados macro e define qual que é o nosso target de asset allocation nas classes de ativos. Então hoje em dia o Aston Fund é um fundo que tenta espelhar essa alocação, que é muito mais um endowment style, allocation que a gente tem que tem um pouco, mais ou menos um terço ativos e líquidos, tem uma parte que é long only,
Enfim, e aí a gente faz, a gente mudou esse estilo de alocação para fazer dessa forma. Então, foi coisas que eu vim aprendendo com o tempo também. Primeiro foi fazer essa parte do diligence nos gestores, que é muito mais, então a gente tem que fazer, você tem que olhar para os documentos, você tem que visitar o cara pessoalmente, você tem que fazer background check, esse tipo de coisa que você tem que fazer na parte, como se fosse uma gestão institucional mesmo. E você fala de visitar o cara e tudo mais,
tem algum gestor muito, sei lá, intocável aí que vocês investem, que já teve interação, ou esses caras aí até pra vocês é mais difícil acessar, enfim. Porque aqui, assim, tem muito menos que 6 mil fundos, embora tem gente que fale que o Brasil tem muito mais fundo do que deveria ter. Mas, pô, 6 mil fundos lá fora, né, e como vai visitar cada um deles, e quantos deles são acessíveis, enfim. Então, em geral, minha experiência é o seguinte, quando o cara é muito bom, quando o cara, assim, quando o cara é gigante,
sempre consegue acessar, né? Porque na base de dados que você compra, vem o e-mail do cara do Investor Gelation. Então, você fala assim, ó, tô fazendo o diligence, quero conhecer, o cara te recebe. Mas quando o cara é muito grande ou tá indo muito bem, normalmente o cara meio que você fala com o Investor Gelation e o cara meio que você é uma snobada, entendeu? Você nunca fala com o gestor. E aí, se você olhar também historicamente, os gestores que vão melhor, normalmente são os gestores menores, né? A gente não gosta muito desses gestores multibilionários.
Por causa disso, porque em geral quando o cara fica muito grande é mais difícil ele ganhar dinheiro. Então a gente tem um sweet spot ali, eu não olho o gestor de menos de 100 milhões de dólares, porque abaixo disso o cara não consegue nem pagar as contas, não consegue ter um time de análise decente. Mas assim, depende da estratégia, tem algumas estratégias que tem que ser um gestor maior, mas o cara de algumas centenas de milhões de dólares até, entre 1 e 2 bi, eu acho que é um tamanho ideal, que você consegue ter acesso. E tem alguns casos que eu tive sorte, e conheci o cara no começo.
macro que eu tenho hoje, na carteira, que se chama Kirk Oswald, que é de um cara que se chama Greg Coffey, que foi um... Ah, o Greg Coffey. Foi você que me disse dele? Alguém já me falou desse cara que... Pode ter sido. Ele era um cara que trabalhava na Moore durante muito tempo, lá com o Lewis Bacon, aí saiu fora, abriu o fundo dele e ficou um tempo aposentado no mercado e depois voltou. Quando ele voltou, eu dei a sorte de encontrar com eles antes dele virar, dele captar um monte, então eu entrei na Founders Class,
que é uma classe que tem mais, que é mais barata, né? E o cara veio, tá indo muito bem, tá compounding, double digits desde que eu comecei, tipo, na faixa de 15 a 20% durante 5, 6 anos. Ah, é o cara que é um australiano. Isso. Alguém já falou dele? Falou, não, é impossível você falar com ele, que o cara é muito... Então, eu tive com ele domingo passado. Ah, sai de brincadeira. Porque eu sou investidor dele desde a Founders Class, e eu encontrei com ele no começo. Mas falar desse cara é, assim, impressionante, assim.
performance muito boa, muito boa. Greg Koffey. Ele tem uma performance muito boa, ele... The Wizard of Oz. Só que ficou um pouco, eu acho que tá grande demais já, então isso tá me incomodando um pouco. Mas assim, é um cara que tá dando 30, 40% ao ano? Ele não compounda 30, 40, mas ele teve uns dois anos que ele foi mais, ele compounda mais de 15. Caramba. Então ele é... E eu tive assim, eu tive com ele no fim de semana,
Então, retrasado. Teve um evento lá que eles fizeram, me chamaram e ele estava lá. E eu consegui conversar. Ah tá, mas era um evento, não era assim, você chegou na... Não, não foi só eu. Mas eu já sentei com ele no começo. No começo, assim, quando ele era menor, eu sentava só eu e ele. Depois, quando ele foi ficando maior, sentando mesmo. O que esse cara tem de tão impressionante? Ele é um fundo macro, ele gosta muito de emerging markets, ele é um bom risk taker.
Ele faz posições enormes, como todo fundo macro, mega alavancado, em juros e moedas. E ele consegue, até hoje, ele tem tido um...
um controle de risco muito bom, que quando ele perde, ele perde pouco quando ele ganha bastante. Então, assim, tem ido muito bem. Mas é um fundo que já está indo para 11 bi. Me incomoda um pouco esse tamanho. Então, eu prefiro fundos menores. É que eu estou até o resumo dele aqui, quando você joga no Google, já aparece no Wikipedia, né? Ele fala que ele é australiano, né? Foi para Londres, declarou sua aposentadoria aos 41 anos e aí retornou para Sydney e no início de 2018 ele lançou um novo fundo. É, investiu em 2019.
Que legal. Então, assim, mas deixa eu pensar se teve algum gestor que eu não consegui... Cara, em geral, você vai em conferências, tem os caras grandes que falam. Lá você participa de small group meetings. Você tem bastante acesso a esses caras em conferências. E, às vezes, se você começou cedo, deu sorte, você consegue falar com o cara. Mas é um mundo diferente. Hoje, a sua alocação é principalmente em fundos? Ou vocês, agora, quando vocês fizeram essa atualização, aí vocês têm uma portfólio mais diversificada? Não, depende.
Na parte de private credit, que eu tenho um sócio que só faz isso, o Rafael Ades, a gente investe em fundos. E private credit, quando a gente fala private credit, é diferente daquele private credit que está nas notícias, que é, em geral, aqueles empréstimos que você faz para... As empresas de private equity, elas, em geral, alavancam as empresas que elas compram. E elas fizeram isso durante muito tempo, emitindo o que eles chamam de bank loans ou leverage loans, que são loans que são negociados no mercado,
bonds, mas são negociados no mercado. Aí, de uns anos pra cá, elas começaram a fazer essa mesma alavancagem usando private credit, private instruments. Então, ao invés de ela emitir um bank loan que é negociado no mercado secundário, eles emprestam dinheiro pra fundos de private credit, que fazem só isso. Mas, em geral, tem um spread de 300, bases, 3% em cima do software, sem alavancagem, então vai te dar, ao invés de dar uns...
vai te dar uns 9, vai dar um low single digits, né? Eu acho um risco pior do que, por exemplo, você fazer first lien mortgage nos Estados Unidos, que é você tomar uma hipoteca com um imóvel como garantia com 60% de low to value, que te dá os mesmos 10%, né? 10, 11% hoje em dia. Então a gente faz pouco desse private credit. O private credit que a gente faz são muito mais uns gestores que são mais menores de nicho, que fazem coisas ou mais de stress, ou um gestor que compra o banco,
Tem um empréstimo que está indo mal, o banco está cansado de negociar com o lender, ele vende esse empréstimo por menos abaixo do valor de face e um gestor reestrutura, pega garantias adicionais e depois revende a par, depois de uns anos quando tudo funciona. Ou o cara compra non-performing loans, ou o cara empresta dinheiro para um setor específico, tipo mineração ou healthcare. Esses caras conseguem te dar um retorno nessa faixa de 14% ou 15%, na média, sem alavancar.
Então a gente acha muito mais interessante, mas são estratégias de nicho menores. Então a gente faz com gestores, private credit. Private equity também, real estate, a gente usa normalmente os sponsors locais que são lá, que são empresas que compram e reformam ou constroem imóveis, principalmente imóveis de aluguel, que a gente chama de commercial real estate. Tudo que você faz nos Estados Unidos para alugar, seja escritório, apartamento, galpão comercial,
isso é commercial real estate. Na parte de equities, uma parte relevante da carteira é ETF long only, como eu te falei, cada S&P que eu venho no amigo que eu perco. Então a gente tem bastante ETF, a gente tem ETF não só de S&P, mas ETF de outros mercados globais para diversificar, MSI, emerging markets, enfim. A gente faz uma parte da alocação de equities em gestores, ainda em gestores no formato de hedge fund, por exemplo, eu tenho um gestor de healthcare, que é um longshore equities, então eu faço uma alocação de
eu quero ver esse gestor. Eu tenho um gestor de China, eu tenho um gestor de Ásia. Pera, mas tem um gestor que ele só opera long and short de empresas de health core. Biotech, para ser exato. Foi o meu melhor fundo no ano passado, subiu 50%, by the way. Long short, né? Tem fundo que é long short, eu tenho long short China, tenho long short Ásia, tenho long short de REITs, né? Só de REITs, de empresas de real estate listadas nos Estados Unidos. Então, essa é uma alocação de equities que eu faço setorial, ou,
geográfica que eu faço via gestor. E na parte de renda fixa, a gente tem, na parte de high grade, a gente fica mais confortável em escolher gestores, bonds, escolher os bonds a gente mesmo. Alguns bonds de Brasil que a gente conhece bem, na parte de high yield, a gente também escolhe, mas em geral, high yield a gente faz via ETF, via SMAs, que são as carteiras administradas, separate managed accounts, ou fundos, porque high yield eu acho mais perigoso você ficar escolhendo bond, principalmente
no mercado americano, porque a chance do default é maior. E tem a carteira de hedge funds também, que são os fundos que não estão relacionados com equities, que são os fundos macro, como o Kirk Oswald, que eu falei, do Greg Coffey, e alguns fundos de eventos, enfim, nós temos uma parte que é alocada nisso. E aí, quando vocês vão fazer essa atualização de portfólio, o quanto que o cenário macro, vocês levam muito em consideração o cenário macro pelo fato de ser a alocação mais estrutural,
importa muito o cenário. Como é que vocês relacionam o macro pra essa alocação da carteira? A gente trabalha com range, né? Então, assim, uma coisa que eu aprendi também é que você nunca pode, isso foi com o Luiz também, Stuberger, a gente sempre vai ter uma posição em equities, mas eu tenho um range, né? Então, meu range de equities é entre 25 e 35. O que a gente define no comitê de stockage é o target. Então, assim como crédito, a gente define a alocação de crédito, hoje é em 20 e 30,
20, 30% em crédito e a gente define, porque tem mais 15% em private credit, né? Então, se somar. Então, hoje a gente está em 25. Então, a gente define o target baseado no quê? Baseado no cenário macro, nos spreads, né? Os spreads de crédito estão muito apertados. Então, quando os spreads de crédito estão muito apertados, como estão hoje, a gente reduz um pouco a alocação em crédito e a gente melhora a qualidade do book de crédito.
Hoje a gente tem 60% high grade, né? 40% high yield. Se eu olhasse dois anos atrás, era o contrário.
high grade, porque os spreads estão muito apertados. Então, e a gente olha, a gente tem uma tabela onde a gente olha quanto que a gente tem o retorno esperado de classe de ativo, quanto que é o nosso target, a gente vai ter lá quanto que é o retorno esperado do portfólio se aqueles retornos estiverem certos. Então, e a gente olha sempre os riscos que a gente acha que tem no mercado para definir essas alocações. E dentro da classe de ativos, por exemplo, em equities, a gente também olha quanto que a gente tem de mercado fora dos Estados Unidos, quanto que a gente tem de emerging markets para fazer essa alocação
Então, num cenário como hoje, por exemplo, a gente faz, a gente tem uma alocação, procura ter ações fora dos Estados Unidos também, exatamente para evitar de correr só o risco de ter ações dos Estados Unidos, ficar underperformando muito, que nem foi ano passado. Então, a gente tem uma carteira mais diversificada. Vocês estão no bonde das pessoas que estão aproveitando esse momento de emergentes para vocês aumentarem a exposição aqui? Como é que um brasileiro com alma de gringo,
está olhando esse fluxo de investimentos para emergentes? É algo que é estrutural? É algo que realmente é tático e passageiro? Enfim... Porque a gente aqui está muito feliz com esse dinheiro. Pode trazer mais, mas o quanto que... Como é que vocês estão olhando isso? Então, a gente tem uma posição... A gente aumentou a posição em equities de emerging markets em geral. Em geral, a gente tem pouca exposição em emergentes. Por quê?
A gente só olha o portfólio offshore dos clientes. Então, a maior parte dos investidores
investimentos dos clientes, nosso cliente já está em reais. Então quando a gente olha o portfólio offshore, a gente tem que evitar tomar risco Brasil com essa portfólio, porque ele já tem a maior parte do risco Brasil aqui. Mas dito isso, com esse movimento que a gente viu, a gente está olhando sempre para a diversificação, para ter equities fora dos Estados Unidos e ter um pouco de emerging markets global, não só Brasil, para aproveitar essa...
Aí nessas horas é sempre TF, né? Em geral é, em geral é. Pela dificuldade do stock picking ou pelo custo?
Pela dificuldade de achar um gestor que seja ativo, que cobrando fees, consiga auto-performar consistentemente o ETF. Esse é o problema, né? Você acha que o ETF é um... Assim, a gente teve aqui recentemente o Ian Vanek, o senhor Vanek. Bom, a Vanek é uma super casa, aqui no Brasil está via investo, que está crescendo bastante, mas o mercado de ETF no Brasil ainda é muito pequeno, muito pequeno.
acho que não é nem 1% ainda do total de EUA nos fundos. Você acha que é inevitável que isso no Brasil chegue aos mesmos níveis dos Estados Unidos? Eu acho que o mercado brasileiro ainda é... A gestão ativa tem muito mais valor ainda. É muito mais difícil. É muito mais fácil você auto-performar os índices do Brasil. Tem o que a gente falou no começo da arbitragem. A arbitragem do acesso. Eu acho que o mercado brasileiro é menor, menos arbitrado. Então, acho que é mais fácil o cara auto-performar o mercado brasileiro
o mercado americano. Então, nesse ponto, eu acho que a gestão ativa no Brasil tem muito mais valor do que lá fora. Porque lá fora é bem difícil de você bater o S&P, né? Porque se você olhar, o S&P é um índice que se autocorrige, né? Então, ele aumenta os ganhadores e diminui os perdedores, que é um índice de market cap. Então, é muito difícil de você bater ele no longo prazo. Tanto que muito poucos gestores conseguem bater. Bom, Luiz, eu queria entrar mais em mercado, mas como sei que a agenda de gestor que mora nos Estados Unidos, então,
a gente multiplica por 6, que é a taxa de câmbio aqui. Agora está mais perto de 5. Vou fazer uma pergunta só. Queria que você falasse um pouco sobre o momento atual da Bolsa Americana. O quanto que gera desconforto os preços atuais da Bolsa ou esses valuations ainda estão justificáveis porque as empresas estão crescendo, mesmo com esse CAPEX em expansão? Enfim, como é que você está vendo isso? Obviamente vocês têm uma exposição no ETF
S&P, então eu imagino que vocês ainda estão confortáveis, mas como é que vocês veem o momento atual do mercado americano de bolsa? Então, não está barato, mas se você olhar tudo que subiu S&P nos últimos dois anos, earnings subiu a mesma proporção, tanto que o PI está em 25, que é alto, mas não é o high que bateu 30 em 2000 ou mesmo no COVID, pós-COVID bateu 30 de S&P, de PI. E se olhar
22, quando caiu, voltou pra 15. Então, assim, a grande questão, ou seja, o mercado tá subindo, mas os anos estão subindo também. A grande questão que ninguém sabe, na verdade, é quanto que esse AI vai gerar de lucro, dado esse capex gigantesco que tá sendo feito. Se você olhar lá pra trás, em 2000, acho que a grande diferença é que não tinha capex pra fazer. Não tinha geração de caixa pra fazer o capex que foi feito na internet. E foi um negócio totalmente transformacional, né? E AI,
tá sendo transformacional e acho que a gente tá no começo só. E as empresas que estão usando esse capex são empresas que geram caixa. Então elas vão sofrer no curto prazo, já estão sofrendo quando sai alguma notícia que o capex aumentou, que os earnings caíram. Mas é muito difícil você precificar esse mercado, precificar esse resultado no futuro, de você estimar quanto vai ser esse resultado. O que eu percebo usando AI no meu dia a dia é que tá melhorando muito e muito rápido. Então as coisas
que a gente está conseguindo fazer hoje, se comparar com 12 meses atrás, já é completamente diferente, né? Por exemplo, quando outro dia eu fui fazer análise de um fundo de real estate, só escrevi no próprio chat GPT, e falou assim, olha, eu quero fazer do dealings isso no fundo de real estate. Só escrevi isso. Ele me veio com o processo do dealings institucional, assim, completo, com todos os espaços, todos os documentos que eu tenho que ler, etc, etc.
Coisas que, assim, você só sabia se você tivesse feito aquele questionário da IMA antes. Então, assim, melhorou muito,
A gente conseguiu automatizar uma parte dos nossos processos de subscrição, por exemplo, de fazer subscription documents em fundos novos, também já conseguiu subscrever. Então, assim, é realmente transformacional e exponencial. Agora, se todo esse investimento vai render frutos para todo mundo, eu acho que não. Vai ter winners e losers como sempre, mas, assim, não dá para dizer quem vão ser os winners e os losers agora. Então, eu prefiro, como eu já mencionei antes, ele se autoajusta, né? Porque ele vai aumentando a participação nos winners, que vão aumentando o...
O market cap diminuindo nos losers. Então, eu me sinto confortável em ter um índice que se autoajusta nesse sentido. Mas eu acho que vai ser muito transformacional. Mas me dá um pouco de medo, sim. A gente tem fundo de real estate, por exemplo, que tem um monte de participação em data centers. E eu tenho um certo medo. Essa história do data centers, eu me lembro, no Covid, toda semana eu recebia pitch de fundo de real estate que estava fazendo Last Mile Warehouse. E o cliente, sempre o melhor cliente era a Amazon.
aqueles warehouses todos que foram construídos lá em 2020 não estão sendo usados mais, porque foi um hype. Então, se todos os data centers vão ser usados da maneira como precisam, vão ganhar dinheiro? Todo mundo está fazendo data centers? Não sei. Acho que pode ser que não. Mas é muito difícil de dizer nessa altura do campeonato quem vão ser os ganhadores e os perdedores. Essa futurologia eu não consigo fazer. Bom, Luiz, eu vou já para o ping-pong, porque eu sei como a agenda é apertada, mas já deixo aqui o convite,
agora que você vem uma vez a cada... Não precisa vir todo trimestre e vir pra cá, mas um sim, um não. A gente já tem um papo... Eu gosto muito de atualizar... E a gente falou pouco de mercado, né? A gente acabou falando mais da sua história, alguns causos do mercado lá atrás. Mas vai ser muito bom atualizar com a cabeça de quem... É como se estivesse conversando com um gringo, mas o nosso idioma aqui, com a nossa cultura e mais...
Vou agora pingue-pongue, que é a parte mais fácil. O meu objetivo é voltar aqui em Neuquelete todo mês, não? Não, não.
O Kelet está aqui no Brasil. O Kelet é assinante do M3 Club. Aliás, se você não é assinante do M3 Club, melhor comunidade de investidores. Tem lá gestor, cara de fora do mercado, mas que é super apaixonado. Um monte de gente, todo mundo lá interagindo, participando das reuniões com a gente. É só virar membro do M3 Club. Até ia chamar você, mas você acho que vai ser só ruído para você, porque você está olhando mais no mercado lá fora. Mas agora, ping pong. Quero saber das músicas. Livro, música, convidado.
fizeram na vida. Perguntas que a gente faz em todo episódio, e aí é aquele momento que a gente toca no coração do convidado, e também no cérebro, pra ver o que você gosta de ler. E aí vamos começar com o livro de mercado. Qual a recomendação de leitura de livro de mercado pra nossa audiência? Os dois livros que eu vou te recomendar são polêmicos, que fazem pensar fora da caixa. Inclusive eu trouxe aqui o de mercado, eu trouxe aqui uma coisa pra você. Agora é aquele momento que eu espero que eu não tenha. Se eu tiver...
Vamos ver. De qualquer forma, a gente deu pra todos. Eu não acredito... Eu vou contar a história desse livro. Esse livro tava ali, ó. Ficava ali em cima. E eu falei, eu tenho que ler esse livro porque eu vou receber o Pedro Parente aqui pra gravar um episódio. E ele adora esse livro. Eu falei, vou ler antes da entrevista. Eu não tenho esse livro. E aí eu peguei e tá na minha mesa ali no escritório. Agora você me deu. Eu não vou nem precisar roubar o livro daqui da biblioteca da empresa. Vou poder pegar Morra Sem Nada, do Bill Perkins.
Mas por que você me deu esse livro? Então, esse livro me fez pensar bastante, porque o outro livro de mercado que eu gosto bastante é aquele do, como é que chama? Em português é Psicologia Financeira. Ah, o Psychology of Money. Do Morgan House. Isso, que é aquele que fala que você não pode gastar muito, etc, etc, etc. Inclusive, em geral, a gente dá para todos os clientes, um livro que eu gosto bastante, a gente dá todo final de ano um livro para os clientes.
para os clientes, há alguns anos atrás. E aí eu ouvi um podcast do Bill Perkins e achei super interessante, com um amigo meu que me mandou, que é de mercado também. O Bill Perkins, onde? Você lembra qual era o... Eu não lembro qual podcast que eu ouvi, mas um amigo me mandou, ouve esse cara aqui que é bom. E aí quando eu ouvi, falei, putz, vou comprar esse livro. E aí eu comprei e li, e caiu muito a ficha, entendeu? Então, o que ele fala, basicamente, cara, se você morrer com um centavo na sua conta do banco, você fez um mau trabalho,
morreu, não vai poder usar mais, né? Então, ele explica como que você deve gastar o seu dinheiro antes de morrer, inclusive aquela história de doação, mas e as crianças, né, que sempre falam, se você gastou o seu dinheiro, que você tem que, faz muito mais sentido você fazer doação e dar o dinheiro para os seus filhos antes, não depois quando você morrer, né? Porque, porra, um cara, você morre com 80 anos, você vai dar dinheiro para os seus filhos com 60 na época, e aí os caras já estão com a vida formada e não precisam, é muito mais importante dar dinheiro quando os caras estiverem 20 lá, estiverem morando num lugar ruim, porque não tem dinheiro para pagar o
Então eu acho que fez todo sentido e faz a gente pensar porque é bem contraintuitivo, né? Passei a vida inteira mercado financeiro pensando em poupar, como guardar dinheiro e aumentar a minha carteira de investimentos quando ele fala assim, olha, você tem que gastar e principalmente com experiências, né? Que eu acho que é mais importante. Ele fala assim, as coisas que você, materiais que você vai comprar vão te dar muito pouca alegria, te dar uma alegria momentânea e as experiências você vai lembrar o resto da sua vida. Cara, tô muito feliz de você não ter me mostrado esse livro antes porque
eu fiquei realmente feliz de ter ganho, que agora é um puto incentivo. Já ia ter que ler esse livro, mas agora é um incentivo a mais. Muita coincidência estar ganhando esse livro dias antes de entrevistar o Pedro Parente. É porque o Pedro, como eu disse, citou esse livro também. Muito legal. É muito bom esse livro. Eu também pergunto um livro tema livre. Então, o Otês é bem polêmico também, eu adorei. É um livro de uma bióloga que se chama Natália Pasternak, que se chama Que Bobagem.
Que Bobagem? É. É ela, mas um jornalista que eu não lembro o nome. Mas ela é uma bióloga
PhD, enfim. E ela analisa todas essas pseudociências, né? Entre elas, astrologia, homeopatia, enfim, medicina tradicional chinesa. Tudo que não é ciência, mas que as pessoas empacotam como ciência. Mas só que ela faz uma análise, assim, ela entra na história porque de onde veio, como foi empacotado com ciência e porque não funciona, né? Ela cita todos os estudos que mostram que essas coisas todas não funcionam. E o mais interessante dessa história toda,
bem cético, né? Eu adoro, eu sou, pra mim a minha religião é ciência, eu adoro contestar as coisas, né? E só acredito nas coisas que realmente tem comprovação científica. E o mais interessante dessa história, desse livro, que é bem polêmico, é que quando você fala pra alguma pessoa que acredita em qualquer uma dessas coisas que não são ciências, assim, a pessoa que quiser acreditar nessas coisas, eu, pra mim, ok, né? É que nem religião, cada um tem a sua, não dá pra contestar.
Mas não dá pra dizer que é uma ciência, entendeu? Como se tivesse uma base científica por trás, alguma coisa assim. E aí,
quando você fala pra pessoa que acredita em qualquer uma dessas coisas, fala assim, ó, mas tem esse livro aqui, que ela escreveu, ela explica direitinho de onde veio, e por que que não funciona, e por que que você não... Então, entendeu? E aí as pessoas, elas não leem o livro. É lógico, porque é muito ruim você descobrir... É como... Pô, eu tava conversando com um gestor na minha última ida pro Rio, eu falava, pô, mas por que que um comunista vira comunista o resto da vida?
Porque ele não quer, na verdade ele até sabe, mas às vezes ele não quer se convencer de que aquilo que ele defendeu a vida
inteira não funciona. Então, pô, é melhor viver nessa mentira. Natália Pasternak. Comprei o livro aqui. Confesso que vou ler com essa cabeça aberta, porque eu sou uma pessoa, digamos, espiritualizada. Mas ela faz um excelente trabalho que ela explica direitinho. Ela conta história e mostra todos os estudos científicos que saíram, que mostraram que aquela pseudociência não funciona. Então, eu achei muito bom. Você tem alguma
recomendação de não leitura? O livro pra não ler? Eu sempre ouço você falar isso, é sempre difícil, né? Porque quando você acaba, mas outro dia eu ouvi alguém falando, qualquer livro de autoajuda, né? Eu acho que esses livros de autoajuda são... Bom, esse aí tá mais crowdiado que short dollar, hein? É, pois é. Uma música e por que essa música? Bom, eu pensei... Vai ser Iron Maiden? Não, então. Eu pensei, por causa de João Braga, em falar uma música do Iron Maiden, que é uma das minhas bandas preferidas. Só pra deixar ele puto. Mas aí...
Não dá pra escolher outra música que não seja Master of Puppets do Metallica. Master of Puppets. Cara, essa música é espetacular. Essa música pra mim é impecável. Toda vez que eu ouço ao vivo, eu já escutei várias vezes. Eu me emociono. Eu só vi um show do Metallica ao vivo. Só um. Mas foi espetacular. E agora eu criei um sonho. Ah não, mentira. Foram dois. Eu vi aqui no Morumbi também. Eu vi um fora do Brasil. Então agora que meus filhos têm 15, 12, eu tô conseguindo levar eles em show de rock.
A gente foi no ACDC, todos juntos, com a família inteira. Minha esposa e meus dois filhos. Lá nos Estados Unidos. E show nos Estados Unidos é outro nível, né? É outro nível. Uma facilidade, assim. Não, não, e até o... Super civilizado. Mas você vê também a infra, o som, cara, é diferenciado. E eu levei meu filho no Metallica também. Ah, que da hora. E vai ter Metallica, eles anunciaram que em outubro eles vão estar naquele Sphere de Las Vegas.
É, o show que eu vi do Metallica foi em Las Vegas. É, mas agora eles vão estar naquele Sphere no Talkable YouTube, que também eu já fui no jogo. Ah, o teatro ali. Nossa, você tá de brincadeira.
com certeza. Em outubro? Putz, impossível por causa da eleição, senão eu iria... Eu preciso ver um show. Até o U2, eu não gosto de U2, tá? Até o U2 conseguiu fazer um show legal lá no... Não tô brincando, a galera que é fã do U2 é que eu não gosto, mas... Foi legal o show do U2 lá. Foi incrível, foi incrível. Não, aquela casa de show ali é espetacular, aquilo... Que legal. Não, e o primeiro show do Metallica que eu fui, foi aqui no Brasil em 1987. Caramba, eu tava nascendo. É, então eu tenho...
anos, não. Isso aí foi 38 anos atrás. 40 anos de Metallica. Todos os shows que tiveram no Brasil, eu fui nos Estados Unidos, eu fui umas quatro vezes já. E agora eles fazem esse show que é sexta e domingo. E os caras, meu, 60 anos, eles tocam duas horas, uma hora, duas horas na sexta, duas horas no domingo, um set list completamente diferente. Não repetem uma música. Então, assim, e o som deles ao vivo é uma coisa impressionante. Acho que é a melhor banda que eu já ouvi. Bom, eu sou super
no Metallica. Então tem que ser Master of Puppets. Aquele vídeo deles tocando na União Soviética. Já viu esse vídeo? Não. Parece que é o registro de um maior show da história. Um show com maior quantidade de pessoas. Tinha um milhão de pessoas assistindo um show na Praça Vermelha. Acho que é Praça Vermelha. Todos os militares na frente e a galera é um mar de gente. Parece... Joga no YouTube lá depois.
Itálica, Moscou, acho que você já vai ver. Um convidado que você gostaria de ver aqui no Market Makers. O meu sócio, Eduardo Brenner, ele é muito bicho do mato. Eu adoraria ouvir ele falando aqui com todas as histórias dele, mas é difícil, mas eu adoraria. Ele fica lá? Não, ele tá aqui no Brasil. Ah, ele tá aqui? Pô, mais fácil. Vou falar com ele, mas não vai querer vir nem a pau. Pô, dá uma ajuda aí. Eu gostaria. Não, eu adoraria.
Vou falar com ele, mas eu acho que ele é muito bicho do mato. Fala pra pelo menos a gente,
marcar um papo, vai que ele gosta do... É quando sai o episódio, eu mando pra ele falar, ouve aí. Tomar um cafezinho com ele, ver se ele topa de um jeito diferente. Ele começou a história do pai dele, que foi um grande investidor no mercado financeiro nos anos 70 e 80, é muito boa. Se você conseguir fazer aquilo, ele fala, ali vai ser animal. Pô, que legal. Então, espero que você tope aí, Eduardo. E agora, pra fechar, qual a maior gentileza que já te fizeram na vida, Luiz?
Então, eu pensei em duas, teve duas, né? Por exemplo, pensei bastante nesse assunto, desculpa, teve...
são duas. Primeiro foi quando o Eduardo me contratou em 91 lá na Grifo, com 19 anos, vendedor de filtro, quando eu não tinha vendido nada. E depois me tornou sócio, e depois virou meu sócio. Ah, inclusive, quando eu comecei a Aston, foi por causa de uma ligação que eu fiz pra ele, quando eu tava fazendo MBA. E liguei, falei, o que eu vou fazer daqui pra frente? Ele falou, acho que tem um business aí pra gente fazer juntos. E a gente virou sócio.
E outra gentileza, não dá pra deixar de mencionar o Luiz Tuberger, né? Porque eu acho que é gentileza dele não só comigo, acho que com todos os sócios da Red & Grifo. Assim, obviamente,
que toda a estrutura que a gente tinha com ele possibilitou ele virar o que ele virou. Mas eu acho que se ele fosse mais ganancioso, ele podia ter ficado com uma parte maior do bolo todo do que ele ficou, entendeu? Acho que ele foi generoso em dividir o bolo com tanta gente. Então, por isso eu sou eternamente grato a ele também. Então, acho que foi uma gentileza enorme que ele fez com todos, não só comigo, com todos os sócios da Rede Ingrifo. Eu ainda vou até revelar
porque você está falando aqui, tem tanta história legal do Stuhlberger, que ainda um dia eu vou convencer ele a sentar aqui e a gente começar a contar essas histórias, que assim, não são nem histórias que ele me contou, mas histórias de pessoas que conviveram com ele, que tem uma história muito legal sobre ele, e aí eu queria fazer ele contar essas histórias, porque tem muito aprendizado que vai muito além da cota que subiu da verde, que foi um resultado espetacular, mas muita coisa interessantíssima
dia passar, que realmente é um cara que é inspirador, assim, a história do Stuhlberger dentro do mercado financeiro. É, muito. Bom, Luiz D'Amato, obrigado por ter vindo, valeu pelo livro, valeu por compartilhar sua história, sucesso ali com a Aston e Porto Market Makers estão sempre abertos para você. Muito obrigado, foi um prazer. Você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal, toda terça, quinta e domingo eu estou aqui, 18 horas, com alguém mais inteligente do que eu, do outro lado da mesa,
compartilhando a história dele. Até a próxima e tchau!