#335 | O MUNDO ENTROU EM COLAPSO (E ISSO PODE SER ÓTIMO PARA O BRASIL)
Christopher Garman, diretor da Eurasia Group, explica por que o caos geopolítico pode abrir uma janela histórica para o Brasil — e por que a eleição de 2026 pode ser muito diferente do que o mercado financeiro imagina.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão conversa com Christopher Garman sobre:-por que a ordem geopolítica global está mudando;-como Brasil pode se beneficiar de agro, energia, petróleo e terras raras;-o impacto de Trump, China, Oriente Médio e guerra comercial;-quem chega mais forte em 2026: Lula, Flávio Bolsonaro ou terceira via;-por que o mercado pode estar errando a leitura da eleição;-os riscos fiscais, a força da aprovação presidencial e os temas que devem decidir a disputa.Se você quer entender Brasil, geopolítica, eleições 2026, mercado, fiscal, commodities e cenário político, este episódio é obrigatório.Deixe nos comentários: Lula, Flávio ou terceira via?SEMANA DO CONSUMIDOR - MARKET MAKERS ACADEMY: Pela primeira vez, 5 cursos da Academy com 30% de desconto (somente até 22/03). Acesse agora: https://lp.mmakers.com.br/semana-do-consumidor-market-makers-academy?xpromo=descytsemanaconsumidor📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -O MUNDO ENTROU EM COLAPSO (E ISSO PODE SER ÓTIMO PARA O BRASIL) | Market Makers #335Apresentador: Thiago Salomão (Apresentador e analista do Market makers)Convidado: Christopher Garman (diretor da Eurasia Group)#GEOPOLÍTICA #NOVAORDEMMUNDIAL #ELEIÇÕES #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
- Atuação de Lucia na políticaLula como ligeiro favorito · Candidatura de Flávio Bolsonaro · Possibilidade de terceira via · Modelos de previsão eleitoral divergentes · Campanha presidencial e temas principais
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinFim da ordem geopolítica pós-Guerra Fria · Papel dos EUA na destruição da ordem · Competição China-EUA · Conflitos regionais · Erosão de lideranças de centro
- Aprovação de governosAprovação de Lula em 44-45% · Programas sociais implementados · Impacto de programas na aprovação · Relação com custo de vida
- Descontentamento público e socialPercepção de sistema quebrado · Revolta contra o sistema político · Divisão profunda entre direita e esquerda · Pessimismo difuso do eleitor
- Candidatura Lula 2026Frustração com promessas anteriores · Fator idade com 80 anos · Foco em classe média baixa · Vigor e stamina do candidato
- Crise InstitucionalAutenticidade como ativo político · Perfil de Bolsonaro versus Flávio · Carisma e discurso autêntico · Passivos associados à família Bolsonaro
- Conflito EUA-IrãImpacto no preço do petróleo · Resistência do regime iraniano · Duração esperada do conflito · Efeito em fertilizantes e custo de vida
- Minerais críticos e terras rarasSegunda maior reserva global do Brasil · Capacidade de extração · Competição EUA-China · Políticas públicas necessárias · Processamento local versus exportação
- Impacto econômico na aprovação presidencialPeso de alimentos · Variáveis não-econômicas · Renda versus custo de vida · Oscilação da aprovação
- Acordo Mercosul-UENegociações bilaterais · Impacto de ativos brasileiros valorizados · Interesse europeu pós-guerra Ucrânia · Diversificação de parcerias
- Oportunidades Políticas PerdidasGovernador de São Paulo · Rival interno direita · Lealdade ao Jair Bolsonaro · Escolha do Flávio sobre Tarcísio
- Reforma TributáriaRevolução tecnológica global · Debate pobre em setor público · Setor privado mais sofisticado · Educação e serviços públicos deficientes
- Volatilidade cambial e entrada de capital externoCapital chinês entrando com maior volume · Apreciação do real · Relocação de capital global · Juros e taxa CDX
- Sistema FinanceiroIncerteza regulatória · Taxação de exploração de petróleo · Retorno de investimentos de 20 anos · Intervenção governamental em preços
- Tecnologia Seguranca PublicaDesignação americana · Impacto para empresas brasileiras · Possibilidade de sanções · Complexidades jurídicas
Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da Família Investidora Brasileira. Eu sou Thiago Salomão, fundador dessa empresa que é podcast, é newsletter, é prateleira de cursos. Hoje tem uma promoção especial para quem quer ficar mais inteligente. Temos uma série de produtos aqui, mais de 7 milhões de pessoas que aparecem no nosso YouTube ou na nossa plataforma de podcast, consumindo conhecimento.
Então, sejam bem-vindos. Hoje o papo vai ser extremamente inteligente, extremamente interessante.
A gente tem aqui Christopher Garman, ele é cientista político e diretor da Eurasia Group. Ele atuou como diretor de análise e chefe de mercados emergentes e chefe adjunto de pesquisa e diretor da América Latina. O Christopher é formado em ciência política na Greenall College e tem ABD em ciência política na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Na pauta, obviamente, a gente vai falar do cenário político brasileiro, mas o Christopher já me adiantou aqui, né?
de análise política do mundo, e não tem como não aproveitar ele aqui para falar um pouco dessa visão geopolítica. Ele já deu um spoiler falando, ó, o que está acontecendo no mundo pode trazer uma visão até positiva para o Brasil. Então, ele já vai partir o papo em cima disso, mas depois, obviamente, vamos falar do grande evento no Brasil em 2026, que são as eleições para presidente, senador, governador, enfim, muita coisa tem para falar. Então, se você quer saber mais sobre esse assunto,
aquele joinha no vídeo, se inscreve no canal, que hoje vai ser um conteúdo muito profundo e muito interessante. Mas antes, eu tenho que confessar uma coisa muito importante, porque a gente está na Semana do Consumidor, e a gente passou anos aprendendo publicamente aqui no Market Makers, aprendendo com quem erra, com quem acerta, com quem pensa melhor depois, e tudo isso virou o que a gente chama de Market Makers Academy, a nossa grande prateleira de cursos, e nessa semana, Semana do Consumidor, pela primeira vez a gente vai fazer uma condição
especial na Semana do Consumidor. São cinco cursos que você vai ter acesso. Finanças Comportamentais, Vela Investing Aplicado, Introdução à Valuation, Protocolo Influência, que esse é o meu curso, e Protocolo Antirrisco. São cursos densos, práticos e feitos por quem vive o mercado, não só por quem explica o mercado. A gente nunca fez uma oferta dessa e por isso ela vai encerrar no dia 22 de março, a famosa segunda-feira que vem, se eu não me engano,
o link está aí na descrição, é só você clicar e aproveitar essa super promoção de Semana do Consumidor da Market Makers Academy. E, bom, isso aqui não é patrocínio nem nada, mas eu gosto sempre de lembrar, se você quer ajudar as pessoas que não têm acesso à água potável, compre as latinhas da Mamba Water, a gente entrou nessa campanha, para cada uma lata dessa vendida, a Mamba Water vai entregar um litro de água potável para comunidades que não têm acesso.
São 750 milhões de pessoas no mundo que não têm acesso à água potável e a Mamba Water nasceu
fechar esse gap. Gostou? Quer ajudar? Vai lá em mambawater.com.br Lembrando, Market Makers não ganha absolutamente nada com isso. A gente só quer ajudar quem mais precisa ter acesso ao bem mais básico do mundo. Christopher Garman, obrigado por estar aqui. Bem-vindo ao Market Makers. Você está preparado para o papo? Eu estou preparado. Agradeço o convite. Tem muita coisa para discutir, mas obrigado pelo convite aqui, Tiago. Uma honra.
Uma honra. Eu vou já começar com o spoiler que você me deu quando começou a falar da
Que papo é esse que toda essa loucura que está acontecendo lá fora pode, de certa forma, ser bom para o Brasil? O que vocês estão enxergando que pode ser positivo para o Brasil nesse novo cenário geopolítico que está se construindo? Perfeito, Tiago. Acho uma ótima maneira de iniciar essa conversa e também dar um pouquinho de pano de fundo pela minha atuação na Eurásia. Eu divido o meu tempo. Eu fico metade do ano em Washington, metade no Brasil. Então, eu fico um mês e meio lá, um mês e meio aqui.
uma função dupla na empresa. Eu toco nossa pesquisa e negócios aqui no Brasil, então eu estou muito enfonhado na política brasileira, então evidentemente temos uma equipe grande aqui no Brasil e a minha profissão é estudar Brasil. Mas ao mesmo tempo eu estou em Washington e participando da nossa liderança global da Eurásia, então estou muito envolvido e acompanhando nossa visão de onde é que estamos caminhando para esse mundo geopolítico. E o que eu estava comentando um pouco antes da nossa conversa aqui é que eu
um contraste muito grande. Quando a gente olha o ambiente geopolítico global, eu acho justo dizer que o início desse ano talvez foi o reconhecimento oficial da falência da ordem geopolítica após a Segunda Guerra Mundial. E eu até diria que houve um momento importante no início do ano, quando foi o Donald Trump meio que deixou explícito o seu desejo de assumir o controle territorial da Groenlândia. Então, no fundo, foi uma
foi acumulado há vários anos, mas isso foi um choque e um balde de água fria para lideranças na Europa. E acho que esse início de ano, com a fala do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em Davo, e também da Segurança, do Conferência de Segurança, o Munich Security Council, acho que houve um reconhecimento em lideranças empresariais e também políticas de que o grande protagonista na construção da ordem pós-segureira,
mundial, Estados Unidos, também está sendo protagonista da destruição da ordem de comércio e também da ordem de segurança. Evidentemente, isso é um processo que vem se acumulando até mais de uma década, não é uma coisa só do Trump, mas nós estamos entrando numa nova ordem geopolítica. É um mundo que, e podemos falar mais sobre isso, Tiago, mas é um mundo de mais conflito, definido por uma competição geopolítica
países industrializados como Estados Unidos, Europa, parte da América Latina está podre. Então, temos desalento profundo com o sistema, seja o judiciário, a classe política, lideranças. Então, isso está levando a uma corrosão de lideranças de centro. E também um mundo onde lideranças estão usando ferramentas econômicas para suas disputas geopolíticas. Então, é um mundo onde
ter um debate cada vez mais profundo e um desejo de lideranças tomando decisões para tentar aprimorar preocupação com segurança energética, com segurança alimentar, com resiliência de cadeias produtivas de valor. E nesse mundo, eu enxergo o Brasil bem posicionado, porque Brasil como país, nós temos quais ativos? Somos uma potência agro, onde a terra cultivável sem desmatamento é a maior
no mundo em termos de potencial de produção agro. É uma potência energética. A produção de petróleo deve subir em 31%, 32% até 2032. É uma potência ambiental. 90% da nossa energia é limpa no mundo que está procurando uma pegada de carbono menor em termos de construção de data centers e assim por diante. Nós temos uma competição geopolítica onde terras raras e minerais críticos se transformou num ativo valiosíssimo
Isso ficou muito claro esse ano. Podemos falar da disputa Estados Unidos e China. E o Brasil tem a segunda maior reserva global de terras raras. Então, se você pega esses quatro ativos, o Brasil tem ativos que vão crescer em valor nesses próximos anos. E a gente já está vendo isso se manifestar ao longo dos últimos 12 meses.
que o Brasil tem. A União Europeia ficou mais interessada em assinar um acordo com o Mercosul depois da guerra da Ucrânia e depois com a relação transatlântica conturbada. Nós estamos vendo Mark Carney do Canadá deve visitar o Brasil no maio e eu tenho escutado que talvez Mercosul-Canadá pode sair esse ano. Temos negociações com Emirados Árabes, ampliação de acordo com o México, com o Índia, e eu escuto muito de diplomatas
na Europa, que não só esse interesse político das médias potências de estreitar os laços entre si para tentar ter mais resiliência numa competição entre Estados Unidos e China, mas também o setor privado está fazendo esse cálculo. Eu estou escutando também muita evidência anidótica de capital chinês, está entrando aqui com maior volume. Então eu diria que nesse início de ano que a gente viu a valorização
Bolsa, é claro que a entrada de recursos externos, parte da história é um carry trade, nós estamos com juros muito elevados, então com a taxa selic de 15, então juros reais a 10, mas tem algo mais profundo que está acontecendo, que é uma relocação de capital global, não é abandonar os Estados Unidos, os Estados Unidos tem uma economia vibrante, com redução tecnológica, eu não estou no campo de apostar no declínio da economia americana.
Mas é um mundo com diversificação de capitais e eu acho que o Brasil pode estar bem posicionado para esse novo mundo. Então eu diria que a minha preocupação com a ordem geopolítica global me deixa mais otimista com o Brasil. Mas é um contraste muito grande com o sentimento aqui, não é, Tiago? Exatamente, Christopher. O que você trouxe aqui, embora não pareça ser uma grande novidade, mas quando você une as peças desse filme,
despedaçado, você vai unindo. Realmente, as políticas do Donald Trump trouxeram o que você chamou do declínio dessa boa relação que existia entre os países e isso acaba fazendo com que eles busquem outros parceiros ou estreitar outras parcerias no momento em que, num mundo mais hostil, eu preciso estar perto de quem tem água, comida e energia. E minerais. E o Brasil tem tudo isso. Então,
começa a ficar muito claro e isso não é só um storytelling, porque a gente vê o acordo Mercosul-Canadá, que você falou que pode sair esse ano, enfim, parcerias que você chamou de exemplos anedóticos, mas muitos que estão surgindo por aí. É interessante isso, eu fico só com duas perguntas na cabeça. A primeira, vou por ordem, para as respostas irem também em ordem. Se o mundo está ficando mais tenso e o Brasil pode se aproveitar disso,
tendência que o mundo fique ainda mais tenso, o Brasil pode se aproveitar ainda mais ou pode chegar num momento em que também a tampa estoura e fica muito ruim. É claro que quando eu coloco essa afirmação, é uma avaliação relativa com outros países na mesma condição do Brasil. É claro que eu reconheço plenamente que todos sofrem com esse novo mundo. Então ter uma ordem de comércio global com um mecanismo de via OMC,
de você poder resolver conflitos, é uma coisa que o Brasil se beneficiou. Então, quando você não tem regras de comércio, países que não são grandes potências como os Estados Unidos ou China, claro que perdem um pouco o poder de barganha. A lei fica para o mais forte. Então, isso, como um mercado emergente, você sofre em termos relativos. O Brasil também, como o resto do mundo, está muito vulnerável a choques de conflitos. A gente está vivendo isso no Oriente Médio. Então, mesmo que o Brasil, por exemplo,
e para um mundo com alta de preço de petróleo, nós ganhamos mais receita, a balança comercial vai se beneficiar, é claro que o Passo Panal está muito preocupado com o choque de preços, de fertilizantes, de diesel, toda a cadeia produtiva que pode encarecer o custo de vida. Eu estava lendo, só desculpa Christopher, porque eu estava lendo sobre isso hoje mesmo, um economista que se aproximou muito da gente, ele fez um estudo bem simples, mas mostrando exatamente isso. Esse choque de petróleo era para ser bom,
Brasil, porque hoje a gente é um baita exportador, então para a nossa balança comercial isso ia ser muito bom. É lógico que isso vai trazer um efeito do dólar mais caro e tudo mais, mas aí o Brasil toma essas medidas que praticamente vai uma canetada soft, porém uma canetada não vai ter reajuste de combustível e tudo mais e você coloca em xeque coisas como eu fiz um investimento de longo prazo para se aproveitar dessa nova potência
petróleo no Brasil, só que o governo quando achar conveniente ele pode intervir, será que eu vou ficar confortável investir nisso? Então é aquela coisa que é para amenizar o curto prazo, mas pode prejudicar um longo prazo, então... Exatamente, quando a gente conversa com empresas petroleiras, você colocar taxação de exportação de petróleo gera uma insegurança jurídica e você faz investimentos pensando um retorno de 20 anos, então quando você coloca esse tipo de
na mesa pode dificultar a atração de investimentos. Então, o instrumento com o qual o governo optou para tentar suavizar o preço para o consumidor gera um pouco de receio ou de atratividade. Mas o raciocínio também, Tiago, só para fechar o raciocínio, é que acho que o Brasil, como o resto do mundo, sofre com esse choque, sofre com a falta de regras, mas é mais vis-à-vis os nossos pares, nós estamos melhor posicionados
do que demais países. Então é mais uma avaliação relativa, mas sem menosprezar que nós também sofremos e o setor privado também sofre com essa lei da selva dos mais fortes. Mas isso me leva para a segunda pergunta. E aqui não é síndrome de vira-lata, mas dizem por aí que o Brasil não perde uma oportunidade e perde uma oportunidade. Qual é o risco que a gente tem de tropezar nas nossas próprias pernas? Em outras palavras, quem está conduzindo
Brasil? A linha de frente está ciente dessa oportunidade? Está fazendo por merecer a confiança do mundo? Se não, o que tem que fazer? Enfim, como é que você vê o Brasil posicionado nessa super oportunidade? Olha, eu assim, uma aposta razoável é que nós vamos vamos perder parte dessa oportunidade. Se a gente isso é uma tendência que se repete e algum grau deve acontecer novamente.
Primeiro porque isso deve acontecer e aí uma ressalva que eu colocaria. Se a gente olha a capacidade de plenamente aproveitar essa oportunidade, é claro que o que precisamos fazer é cuidar da nossa tarefa fiscal. Nós estamos com uma dívida PIB subindo, um gasto fiscal que pressiona e dificulta a capacidade do Banco Central cortar juros e, portanto, estamos com uma taxa de juros reais de 10%.
que possa cair, mas no fundo ainda assim juros reais muito elevados. E quando você tem um custo de capital tão elevado, dificulta qualquer atração de investimentos e para plenamente aproveitar essa janela. Dois, eu diria que o Brasil também está pobre no debate de como a gente pode aproveitar e se posicionar perante uma revolução tecnológica que está acontecendo. Nós estamos em um momento muito importante e países como o Brasil, que tem várias deficiências,
saúde, serviços públicos, produtividade. Eu vejo um debate pobre no setor público de como aproveitar e se posicionar perante essa transformação tecnológica. O setor privado no Brasil, eu diria que, em comparação com outros países da América Latina, até está razoavelmente sofisticado em utilização de algumas dessas tecnologias, mas eu diria que é um debate que deveria ser mais aprimorado no lado público. Então, a gente, olhando para o pós-eleição, vamos discutir
eleição, o que pode vir no próximo governo, assim, talvez o dever de casa fiscal virá parcialmente e os juros reais talvez não caiam tão planamente quanto poderiam. Mas, ao mesmo tempo, Tiago, eu diria que muitas vezes aqui no Brasil a gente subestima como os ventos externos acabam predominando mais do que as nossas desfuncionalidades domésticas. Gostei dessa frase. Então, quando você tem uma busca de novos
destinos de investimentos, nós temos um mundo com irresponsabilidade fiscal em vários países, um mundo com desfuncionalidades políticas, com o centro político que está sendo corruído na Europa, vários países da América Latina, é uma questão de peso relativo. E ainda assim, mesmo não fazendo o dever de cada, mesmo não aproveitando plenamente essa janela de oportunidade, ainda assim podemos nos beneficiar desses ventos favoráveis lá fora.
de do que se podemos. Agora, é claro, eu diria, não fazer o dever de casa é mais problemático se o cenário externo não é benigno para o Brasil, como estou descrevendo. Aí sim, a necessidade de fazer o seu dever de casa é mais importante ainda. Porque aí você realmente tem que ter as suas contas sanadas e juros reais mais baixos para poder competir nesse mundo. Mas se você está com um mundo de buscando novas fontes de investimento, todos os barcos são levantados parcialmente,
pode, pelo menos, amenizar o fato que nosso dever de casa não está sendo plenamente realizado. Bom, então vamos falar um pouco desse dever de casa que a gente vai ter. Eleições 2026. Eu queria... Bom, até para dar um pontapé inicial, eu tenho várias perguntas aqui para fazer, mas como é que vocês estão vendo esse cenário que, com grande chance... A gente está gravando numa segunda-feira e esse episódio vai ao ar na terça-feira. Então, eu estou bem feliz porque só vai ter 24 horas.
aconteça entre hoje e amanhã, mas até o momento tudo indica que a gente vai ter um Lula e Flávio Bolsonaro num segundo turno, com uma terceira via tentando correr aí com uma eleição, um candidato que pode ser o Ratinho Júnior, o Caiado ou o Eduardo Leite, tentando correr por fora, tem o Renan Santos ali, tem o Tarcísio, que foi o sonho da Faria Lima, mas já acho que ficou no caminho, enfim. Como você está vendo essas peças que estão colocadas aí nesse momento,
eleição dos 2026. Perfeito, Thiago. Eu diria que eu estou muito, assim, abrindo o meu coração analítico. Eu estou muito inquieto de fazer apostas fortes nessa disputa. Eu, assim, eu estou contente em dizer que nós, na Eurásia, nós fomos felizes nas nossas previsões eleitorais nos últimos ciclos. A gente apostou na reeleição da Dilma Rousseff em 2014, mesmo quando o Aécio Neves subiu como foguete no segundo turno.
fomos uma das poucas casas que apostávamos numa candidatura como Jair Bolsonaro, em prevalecer em 2018, que a gente estava vendo um perfil de um leitor com um desalento profundo contra o sistema, então a gente apostou num candidato antes do sistema, apostamos na reeleção do presidente Lula ao longo desse processo. Em cada uma dessas três eleições, a gente tinha modelos de previsão eleitoral que a gente utiliza na nossa casa,
que estavam apontando na mesma direção. Seja olhando desejo de mudança, continuidade, olhando aprovação de governo, índice de reeleição de incumbentes, ou a gente faz também uma análise sobre o perfil do que aquele eleitor está querendo e, na maioria das vezes, o candidato mais crível que atende a essa demanda ganha. E, nas últimas três eleições, os nossos dois modelos mais estruturantes de previsão eleitoral, perfil da demanda ou aprovação de governo,
mesma direção. Essa é uma eleição onde ambos os modelos estão apontando direções opostas. Então, hoje, acredito que o Lula é um ligeiro favorito, vou explicar porquê, mas eu reconheço que a minha angústia como cientista político de fazer essa previsão é mais elevada porque eu estou com sinais trocados nos modelos de previsão que a gente utiliza. Por que eu acredito que o Lula ainda é um ligeiro favorito? A gente pega a aprovação popular do presidente,
ele está com uma aprovação, pegando a média de todas as pesquisas, 44, 45, no binário, aprova-desaprova. A gente trabalha muito com a Ipsos Public Affairs, temos um banco de dados de quase 500, 600 eleições no mundo afora, nos últimos 40 anos. E só para você ter uma ideia, incumbente que está com uma aprovação de 45% seis meses antes da eleição, ganha 78% das vezes. Então se você soubesse nada do Brasil, vamos incumbente com 45% de aprovação, você teria que apostar no presidente
de Lula. Geralmente a aprovação de um governo sobe numa campanha. Aí eu pego todos os programas eleitoreiros ou de programas que foram aprovados no ano passado e que não foram plenamente sentidos ainda esse ano. Isenção de imposto de renda, gás para o povo, que vamos ter 40 milhões de brasileiros que vão receber um benefício de gás de cozinha que não receberam no ano passado. Se pega a tarifa social de desconto na conta de luz, que também temos mais de 40 milhões de brasileiros que vão ter um benefício esse ano que não tiveram no ano passado. Mais 12 milhões
de alunos de pé de meia, aí você tem provável aprovação de 6x1, redução da jornada nesse ano, você tem ampliação da Minha Casa Minha Vida, reforma da casa e linha de crédito via Caixa Comunica Federal. Eu pego tudo isso, eu acho razoável achar que a aprovação do presidente pode subir em alguns pontos antes da campanha. E, geralmente, o incumbente tem uma vantagem. Então, eu fico com dificuldade de apostar contra o presidente. Agora, quando eu faço um perfil da demanda,
mais preocupado, e temas de corrupção, temas de segurança, não favorece um plano alto, a posição está mais crível nesses temas. E também, o que a gente está vendo, seja grupos focais, tem um desânimo profundo que nós estamos, que o leitor está sentindo, está demonstrando. Se você faz uma pesquisa, pega um dado da Genial Quest, 58% dos brasileiros acham que o país está na direção,
61% acho que perderam o poder de compra. Isso, Tiago, é quando a renda subiu 19% nos últimos três anos e o desemprego está a 5%. Então, se você pega os dados macroeconômicos, você teria que ter um ambiente de otimismo, mas não. Nós estamos com um pessimismo muito difuso e profundo. Então, quando eu olho esse lado, tem que dar oposição. Então, eu estou dando um pouco mais de peso para o nosso modelo,
estrutural de aprovação e vantagem no convente do que a análise do perfil da demanda, porque se você pega o tema de segurança, geralmente o eleitor não culpa necessariamente o governo federal. Corrupção é uma coisa que todos estão corruptos. Então eu dou um peso um pouco maior para a análise de aprovação de governo. Mas eu diria que isso vai ser uma eleição aonde, e eu digo isso para a minha equipe na Eurásia, a nossa equipe, que é um tipo de eleição aonde a campanha pode
fazer a diferença. Então, vamos ver a capacidade de uma candidatura Flávio Bolsonaro para poder projetar uma visão de país, de falar de segurança de forma crível, de trabalhar os passivos que ele tem com o nome Bolsonaro e irem do lado do presidente Lula. Tem que fazer uma campanha que tenta mitigar o tamanho de passivo de segurança, vender um pouco de medo dos ganhos serem retirados. E, por último, eu também diria, hoje não apostaria numa terceira via, mas
Mas eu acho que essa eleição, nós entramos com um desgaste do lulismo, claro, e também um desgaste do bolsonarismo. Cada uma dessas forças políticas tem suas fragilidades. Existe um desejo latente para um novo nome, mas eu não descarto uma terceira via. Eu acho que isso pode ser o coringa dessa eleição, se o nome conseguir se projetar, ganhar pouco tração. E o leitor, é importante, que acredite que pode chegar lá.
Porque o voto útil... Ele só vai votar em quem ele acha que vai ganhar. Ou a gente tem um nome que ganha tração e o eleitor diz, opa, esse daqui talvez pode chegar no segundo turno. Aí você pode ter uma bola de neve positiva. Mas se você tem um nome que está em 10 pontos percentuais, seja o Flávio está com 20 e pouco, aí o eleitor diz, ah, não vai chegar? Aí os 10, 12, cai para 2 na semana anterior. Mas eu acho que nós estamos com o lulismo e bolsonarismo mais fracos nessa disputa. Várias perguntas surgiram aqui.
Primeiro é sobre isso. O que o Brasil não tem hoje que tinha lá em 2018 para surgir uma terceira via? Pensando que o Bolsonaro foi o outsider. Embora mais de 20 anos na política, mas era o candidato, enquanto todo mundo achava que ia ser mais, um PT, PSDB, como foram todas as eleições, e surgiu um outsider. O que você viu de descontentamento na sociedade que levou a isso e que a gente não enxerga hoje? Olha,
O que a gente defetou lá em 2018, e a gente estava vendo em vários outros países, é esse desalento profundo e uma maneira de colocar, até de uma pesquisa comparativa que a gente gosta de usar da Ipsos Public Affairs, é uma percepção que o sistema está quebrado. E a Ipsos tem uma pesquisa comparativa de mais de 25 países, países industrializados em mercados emergentes, e eles fazem a seguinte pergunta.
que precisamos do líder forte e disposto a quebrar as regras se for necessário. A resposta no Brasil em 2018 e também hoje está mais alta do que a média mundial. Quase 60% respondem de forma afirmativa. Você concorda que precisamos tirar o país das mãos dos ricos e poderosos, também um patamar mais elevado que a média mundial. Isso é um fenômeno global, mas no Brasil é particularmente forte.
examinando as eleições, a gente estava um pouco em 2018, e desde lá, acho que não mudou, a gente olha, não é outsider, é um candidato que tem a credibilidade de lutar contra o sistema. Você pode fazer isso da direita ou da esquerda. Então, o Bolsonaro, nosso diagnóstico na época, e acho que tem um diagnóstico equivocado de vários analistas, não foi antipetismo. O Bolsonaro, ele tem a credibilidade de lutar contra o sistema, contra a mídia, contra o judiciário, e o que ele tem, o ativo muito valioso,
É autenticidade. Quando você está num mundo de descrença, se você tem uma pessoa que fala o que pensa, não fala como político tradicional, isso é mais valioso, ativo, do que outras características pessoais. E o Bolsonaro, assim, ele tem muita autenticidade na maneira que ele fala e ele conseguiu representar essa revolta contra o sistema. Aí ele acabou prevalecendo. Aí a gente vê o Lula, quatro anos atrás, interessante, que o Lula mudou um pouco o discurso dele.
Se você pega a campanha do Lula, ele adotou retórica antissistema também, mas era mais contra os ricos. Então aquele Lulinha paz e amor do centro, a gente viu que ele tinha uma retórica mais beligerante, ele também passou um ano e meio na cadeia, ele sentiu um certo ressentimento contra a elite política ou econômica, mas também ele tinha os instintos de falar e conduzir uma campanha que fale com essa revolta contra o sistema,
os alvos eram diferentes. Então, quando eu escuto muito isso aqui, eu brinco com alguns nossos clientes e dizem, ah, o Bolsonaro está falando com cercadinho, quando ele está falando com aquele discurso mais revoltado. E o Lula também foi criticado de falar com cercadinho, de fazer um discurso contra a elite econômica, contra os ricos, para defender a classe trabalhadora. E você está esquecendo o centro. Esse é um pouco... Aí a minha provocação,
é que, olha, quem está no cercadinho somos nós. O eleitor mediano é que está revoltado. Então, no fundo, tanto o Bolsonaro quanto o Lula têm instintos políticos muito mais aguçados do que analistas, muitas vezes, comentaristas na mídia mainstream, que está com uma rubrica analítica que você tem que ir para o centro. Mas eu acho que nessa eleição, é uma eleição onde a esperança do Lula,
que ele fez nos primeiros dois mandatos, meio que foi frustrado, então decepção com Lula. O mote da campanha do Lula, quatro anos atrás, era uma versão de Let's Make Brazil Great Again, que era eu elevei a classe média, agora eu vou repetir a dose, não repetiu. Então tem um pouco essa frustração, decepção com Lula também, com 80 anos de idade. E o bolsonarismo também saiu com cicatrizes nas costas, na maneira da pandemia, também com a
com a rejeição. Então, eu diria que é uma eleição marcada por um sentimento profundo anti-sistema, mas onde a credibilidade, tanto o ludismo e o bolsonarismo, em se colocar como forças que lutam contra o sistema, foram cada um, por razões distintas, parcialmente corruídas. Então, será que podemos ter um novo nome que consegue aproveitar essa revolta? Isso é um pouco o desafio. Não sei. Mas eu acho que tem uma demanda, sim. Mas não é necessariamente outsider.
Só para deixar claro. Não, gostei da correção, gostei muito da análise. Esse novo nome, você imagina alguém mais... Como os nomes que eu citei, Eduardo Leite, Caiado e Ratinho, que são os três candidatos ali do PSD, que um deles vai sair. Ou alguém tal qual foi o Bolsonaro ali em 2018, rasgando o sistema e hoje a gente vê, sei lá, na figura do Renan Santos, por exemplo, com um discurso muito mais intenso. Se fosse arriscar uma terceira vez, você acha que está mais...
comedidos do PSD ou no revoltado do Missão? Eu diria se o perfil Pablo Marçal foi interessante em São Paulo, porque no fundo revelou essa... Interessante é uma boa palavra. Ele teve esse apelo para o empreendedorismo, ele teve um apelo nesse ambiente antissistema, ele teve ressonância na direita aqui na cidade de São Paulo, e ele teve a capacidade de projetar o nome dele via
redes, então foi uma combinação poderosa. Renan Santos consegue ter o mesmo perfil, é um perfil um pouco distinto, não sei se ele tem a capacidade de ter uma atração de realmente ganhar mais visibilidade. Você pega o PSD, é claro que tem capitalidade, vai ter tempo de televisão, vai ter uma estrutura, então capacidade de projetar um novo nome é maior. Entre esses três, cada um tem ativos e passivos distintos, eu diria que o Caiado talvez tem o perfil de uma
ressonância um pouco maior com a direita brasileira, ele tem esse jeitão mais cowboy, ele tem uma fala também, ele é bem articulado, ele tem uma história muito boa de segurança no estado de Goiás, também é um ativo dado a dificuldade de segurança, ele tem um passivo de idade, o ratinho, eu diria, ele é menos,
arraigado, talvez tenha um pouco mais de dificuldade na direita tradicional, mas ele tem excelente gestão no seu estado para poder mostrar, muito bem preparado. Então, para o eleitor que está buscando algo de novo, diferente do lulismo e petismo, eu não descarto. O Eduardo Leite também tem uma boa história, mas eu diria que talvez ele é menos provável de ser selecionado dos três, dado a política interna do PSD. Então, assim, novamente, eu diria,
eu não aposto em um desses nomes surgindo, mas eu só diria, Tiago, que quando eu olho as pesquisas, eu vejo um espaço. Outra pergunta que surgiu aí, duas um pouquinho mais capciosas. Você falou da experiência do Lula. Mas o Lula, com a idade que está, está preparado para uma... Como você vê no mundo todo, de maneira geral, uma pessoa com mais de 80 anos de idade, indo para uma disputa presidencial num país de tamanho complexo,
com praticamente todos os candidatos vão se opor ao discurso dele, então vai ser ele contra todos. Como você vê isso pensando até na experiência? Por um lado a experiência, por outro lado é puxado por uma pessoa de mais de 30 anos, então você vê isso com uma certa preocupação? Você acha que isso vai ser usado contra ele na campanha? Você acha que isso pode até colocar a campanha dele em risco? Sem dúvida nenhuma, é um passivo que ele vai ter que lidar.
Quando eu coloquei aquele banco de dados globais, onde um incumbente com aprovação de 45 ganha 78% das vezes, a maioria desse grupo são governantes que ganharam a primeira vez e estão concorrendo à reeleição pela primeira vez. O Lula está concorrendo para o seu quarto mandato. O PT esteve no poder 16 últimos 23 anos. Ele tem 80 anos de idade. Então, é claro que a probabilidade dele ganhar a eleição não é 78%.
Então, o fator de idade e também o tempo de permanência no PT, no poder, são fatores contrários. Isso pesa a conta. Então, por isso que eu acho que o Lula tem que ter uma aprovação mais elevada do que a média para poder prevalecer, para poder compensar isso. Um candidato com 80 anos de idade não tem o mesmo fôlego de um candidato mais jovem. Eu acho que a idade vai ser utilizada na campanha contra ele. Por isso que ele faz um enorme esforço de tentar mostrar vigor.
seja nos exercícios que ele faz. Então tem várias maneiras com as quais ele está tentando mostrar essa vitalidade. Para uma liderança de 80 anos de idade, ele tem um vigor relativo, assim, invejável. Se eu compara com o Joe Biden, que tinha a mesma idade quando ele concorreu à reeleição, é incomparável. A fragilidade que o Joe Biden projetava nas falas, no discurso, na maneira de andar, o presidente Lula não tem esse mesmo paciente.
Mas é claro que vai ser um peso na campanha. E também a gente está vendo isso em Brasília, ele não tem o mesmo vigor para encontrar com tantos políticos, ele não tem o mesmo grau de estâmina. Então até mesmo politicagem e essa política miúda de encontrar com lideranças também peca um pouco com fatoridade. Você falando isso me faz pensar que talvez o candidato PSD mais provável é o Ratinho, porque embora o Eduardo Leite não tenha esse mesmo
entrada na terceira via, no lado anti-PT. E o Caiaro tem 76 anos. É um argumento que se enfraquece quando o candidato à presidência tem só uma Copa do Mundo a menos que o Lula. Eu sempre gosto de olhar para o Copas do Mundo. Outra pergunta capiciosa. Você falou do carisma do Bolsonaro. Jair. O Jair era muito carismático. Você até falou com... Autenticidade. Autenticidade. Você usou esse termo do
ele era muito autêntico, é verdade, não era carismático, é autêntico. Você até falou abrindo um sorriso, porque é autêntico mesmo, aquele discurso dele, para o bem ou para o mal, acho que também prejudicou muito ele, mas o Flávio tem a mesma autenticidade, você sente que ele... E aí eu vou dar a minha impressão, ele teve num evento recente que o BTG fez o CEO Conference, eu acho que o público ali queria gostar mais dele do que de fato gostou, porque ele tem ali muito...
que o pai, cabeça muito mais arejada, mas é a tal da autenticidade. Eu senti assim, o Jair, ele cativava mais o público e acho que numa eleição, principalmente com um candidato tão popular quanto o Lula que você vai enfrentar, essa tal da autenticidade pode fazer diferença. Como é que você vê isso? Você acha que também, na sua análise do Lula, ligeiramente favorito, essa autenticidade está na conta também? Ou falta de autenticidade? Eu acho que o
O governador Flávio Bolsonaro não tem a autenticidade e o carisma, e até o carisma que o pai tem. Acho que se você vê ele não só em eventos como esses, mas também o discurso dele em eventos como na Avenida Paulista, ele é um candidato disciplinado, onde a capacidade de entrega da mensagem peca um pouco. Então, o que conspira a favor da candidatura dele?
existe passivos associados a ser os filhos do presidente. E hoje os eleitores não estão com a mesma distinção entre Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro. Acho que existe uma visão difusa que talvez os filhos do presidente não estão preparados para assumir o cargo, que eles são destemperados e não têm uma postura tão equilibrada, não são presidenciáveis, que querem defender interesse mais do pai do que do país.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, que eu acho que ele tem condições de poder entregar, e se a gente ver as falas dele, ele está indo nessa direção, ele tem que apresentar, primeiro, que tem uma equipe robusta por trás dele, então não é só o ministro da Fazenda, mas é que ele está preparado para assumir, que tem uma equipe e capacidade de poder assumir a presidência. Ele tem que apresentar uma visão para o país que vai além da defesa do pai. Acho que também ele tem que falar de segurança,
de nacionalizar o tema. A gente está vendo alguns sinais nesse sentido. E também, eu diria que falar de custo de vida, associação com imposto. E o Nicolas Ferreira aqui tem sido mestre nesse sentido, associando imposto com custo de vida. Então, se você vê as falas do Flávio, ele está indo na direção. Ele é disciplinado nas falas que ele tem e ele tenta parar algumas sedições do pai. Mas o delivery não vem com o mesmo grau de autenticidade.
e carisma. Então, isso peca um pouco e é claro que ele ainda não foi atacado. Então, essas críticas virão do lado do PT e do governo nesses próximos meses. Você falou do Nicolas Ferreira. Como é que você, um analista que acompanha já tantas eleições aqui, mundo afora, como é que você acompanha esses fenômenos, que é uma coisa muito nova? E não falo de uma maneira
que desmereça o político de rede social. Porque, na verdade, isso é um mérito. Porque está ali, o Lula está ali na presidência e não consegue ter o alcance que o Nicolas tem quando faz um vídeo de fundo preto e camiseta preta falando as coisas que ele fala. É um cara que sabe muito bem jogar esse jogo de chegar ao máximo possível de pessoas. E pegando ele só como exemplo, mas como é que você vê isso? Porque trazendo para o mercado,
para a economia tradicional. É quase como se você diminuísse os moats, as barreiras dos grandes players. Você já tem ali com um celular e um bom discurso e um alcance nas redes sociais. Você pode roubar milhões de votos de uma outra pessoa, assim, da noite para o dia. Ou mudar decisões do governo, como ele fez. Enfim, como é que você acompanha esse fenômeno?
como isso entra ali nas análises de vocês. Assim, você usou a terminologia correta, que é o uso de mídias sociais e redes reduz a barreira de entrada de você se apresentar para o leitor. E muitas vezes, quando você teve esse uso de mídias sociais, os analistas se confundiram que é o meio que é o ativo. Então, se você usa as redes, você pode propagar a imagem. Não, você tem que ter um produto que está alinhado com a demanda.
Se você tem um discurso que tem ressonância com essa revolta contra o sistema e você tem a capacidade, o dom da narrativa e do discurso para poder ter o eleitor e se identificar com os temas que estão tendo trazidos, você consegue alcançar esses eleitores. Então, reduz a barreira de entrada, mas não é o uso de redes que realmente, por si só, vai gerar êxito como um político.
uma comunicação fácil, mas ele traduz Brasília para o dia a dia do brasileiro. Então, ele consegue pegar, seja taxação do PIX, ou temas de desdobramentos em Brasília e impostos da equipe econômica, assim por diante, e associar com a dificuldade de pagar suas contas. Então, a gente vê muito isso, que a renda subiu,
e o eleitor ainda pena pelo custo, seja de supermercado, aluguel e assim por diante. Então, eu acho que isso, eu diria que essas lideranças que conseguem essa comunicação direta e o uso de redes sociais reduz essa barreira de entrada. Bom, deixa eu trazer outro tema aqui. É um tema que pega um pouco mais a Faria Lima. Ano passado a gente chamou isso de Tarcísio Trade, que era o surgimento de um candidato,
que representasse um adversário à altura para o Lula, que ao mesmo tempo pegaria os votos da direita bolsonarista, que tem uma grande representatividade, e os votos também do Centrão, ou das pessoas que não querem mais votar no PT. E é um cara que entregou um resultado como ministro, está entregando o governador do maior estado, o maior PIB do Brasil, e era colocado como candidato ideal pela Faria L.
por todo esse currículo e tudo mais. Só que ficou no caminho. Os motivos? Lealdade ao Jair, ou simplesmente a própria escolha do Flávio, ou colocar o Flávio ali, inviabilizou totalmente, porque se ele saísse como candidato mesmo de outra maneira, ele viraria vidraça para tudo que é canto. Então, a chance dele perder tudo, o Estado de São Paulo e a presidência era muito maior que seguir. Mas como é que você acompanhou isso?
Você acha que foi um devaneio da Faria Lima, o Tarcísio presidente, ou de fato ele tinha condições e estrada para isso, só que acabou não aproveitando uma oportunidade que surgiu?
que antecipar qual era a decisão do ex-presidente. Ele era a única pessoa que ia determinar o futuro do governador. Se o presidente Jair Bolsonaro optasse pelo governador, claro que ele seria o candidato, mas se ele optasse alguém pela família, ele não ia ser candidato, porque é totalmente racional, se você é governador de São Paulo, você deve ser o futuro político para o ex-presidente. O presidente Bolsonaro é a grande liderança da direita do país, e você vai numa aventura de saltar uma candidatura sem o apoio
do ex-presidente de dança da direita, você está cometendo suicídio político. Não se faz isso. Então a pergunta era por que o ex-presidente escolheu o Flávio e não o governador. E eu acho que o ex-presidente estava dividido. A gente dividia naquela época, era quase meio a meio. Eu lembro que lá em agosto, setembro, a gente estava achando que era mais família. A gente começou a dizer que o governador estava ligeiramente mais provável,
uma decisão difícil de antecipar, porque o presidente Bolsonaro estava com duas considerações. A primeira é que, em condições ideais, ele não confia plenamente em qualquer pessoa fora da família. Ele está com situação jurídica muito complicada, com condenação contra ele, e a grande preocupação do ex-presidente é, ok, eu dou apoio para um governador, e entre os governadores o Tarcísio é o mais leal, ele dá um indulto presidencial,
o problema, veto o indulto. E aí a resposta do governador, presidente, eu tentei, agora tem que governar o país. E ele não estaria numa luta contínua para tirá-lo da prisão, que eu acho uma preocupação totalmente racional. Se você está com seu filho na presidência, não só o seu filho nunca vai desistir do intuito de tirá-lo da prisão, mas também o seu nome como liderança da direita permanece. E esse é um capital político que você não quer abdicar. Então aí a pergunta era,
Será que o ex-presidente acreditava que o governador é muito mais competitivo do que o filho dele? E aí a razão que, se você conversar com a Faria Lima, é claro, o governador é muito mais competitivo. Mas a gente tem que lembrar que o Jair Bolsonaro ganhou quando todo mundo achava que não tinha nenhuma chance. O consenso dos caciques do centrão no Brasília estava totalmente errado. Eles estavam apostando no Alckmin. Então, se você é o ex-presidente, você leva com muito ceticismo esses consensos de Brasília de quem é mais competitivo.
caciques do centro não são bons de diagnóstico e previsão eleitoral. E eu acho que os instintos do presidente são corretos. Eu acho que o Flávio pode ganhar essa eleição. A gente está vendo isso nas pesquisas. Então aquele diagnóstico que ele perde fácil ou o Lula ganha fácil dele estava também errado. Mas naquela época, em setembro, outubro, ele estava com muita preocupação depois da atuação do Eduardo Bolsonaro. Houve aquela rejeição ao lado dos filhos. Isso foi uma coisa que prejudicou
direita, então ele te butiou assim, mas acabou indo para o Flávio. Então quando o Flávio foi, eu diria que a gente sempre viu que uma decisão que não era só tática, mas ao mesmo tempo não foi uma decisão fácil. Eu também diria que a escolha do ex-presidente foi racional. Muitas vezes tinha, é totalmente racional escolher o filho que vai perder, mas a gente viu que de fato tinha um embasamento compreensível, vamos dizer,
escolha do Flávio. Bom, nesse cenário, vocês levam em consideração o vice para alguma mudança na corrida política? Tanto quem vai ser o vice do Flávio e até se o vice do Lula vai ser o Alckmin mesmo? O que vocês levam isso de certa forma em consideração? Eu acho que é um variável bem residual, Tiago, porque muitas vezes eu vejo muito foco na escolha do vice.
eu vejo muito foco, por exemplo, outra birra analítica que eu tenho é os palanques nos estados. Então, se você acertar Minas, São Paulo, aí você pode puxar mais votos. Quando a gente olha eleições, no fundo, o que eu foco? Eu foco, vamos ter um ambiente econômico com todos os programas sociais que o governo implementou, isenção de R, assim por diante, que pode se traduzir em um aumento de aprovação de 2, 3 pontos percentuais até julho e agosto, antes da campanha.
ou não, ou vamos ter um choque durante médio que pode aumentar custos e dragar um pouquinho para baixo. Isso vai fazer muita diferença. E eu também diria o seguinte, que a análise que a economia não pesa está muito exagerada, esse tipo de afirmação. Se a gente olha no ano passado, a aprovação do presidente Lula começou em 2025 com a aprovação de 49, caiu para 41 até julho, junho, julho, e a razão foi um aumento de preço de alimentos, que prejudicou muito.
do ano passado, a tarifa de chão para o judô, mas foi cinco meses de deflação de preço de alimentos. Então, você vê a variabilidade de aprovação do presidente, é muito fruto de variáveis econômicas, custos de vida. Eu lembro que sempre nós temos explicações não econômicas para essa variabilidade. Lembra, um ano atrás, o Lula está desconectado com o povo, está com o discurso equivocado, não tem visão, explicando por que foi para 41. Ok, agora o Lula conectou com o povo e foi para 41, para 48,
de aprovação? Não, foi cinco meses de deflação de preço de alimentos. Então eu diria que o que eu estou olhando mais é qual vai ser o ambiente econômico, será que a renda vai, o efeito do IR, esses benefícios de gás vão se sentir, ou vamos ter um aumento de custo de vida por fatores, um choque vindo do Oriente Médio. Então isso é muito importante que eu estou muito de olho. Dois, eu estou muito de olho sobre se o tema de corrupção e segurança se aprofunda com preocupações que é um calcanhar de aquise importante para o presidente ou não.
E três, eu estou olhando a campanha presidencial, a eficácia da campanha. Vice é secundário, palanque nos estados é secundário. Então a gente tem muita análise que exageram o peso, talvez variáveis que não são tão importantes. Agora, numa disputa muito acirrada, é claro que na margem pode fazer um pouco de diferença sim. Christopher, estou gostando do papo porque estou conseguindo fazer uma leitura bem completa do cenário.
que o governo anunciou, está anunciando, isso deve ter um impacto na aprovação. E aí junta um pouquinho disso com um pouquinho da não autenticidade do Flávio em relação ao pai. Isso pode colocar o Lula levemente favorito, mas isso a gente está falando metade de março. É quase como querer hoje falar quem vai ganhar a Copa do Mundo, sendo que nem começou as partidas. Falamos da idade do Lula, que pode ser um peso ali.
Entendemos por que não há espaço para uma terceira via. E aí peço desculpa, porque esquecemos o nome importante dessa terceira via, que é o Romeu Zema. Acabei falando que talvez esse cara possa ser o que melhor represente uma terceira via. Porque ganhou no estado de Minas Gerais, que sempre foi PT e PSDB, num momento em que uma semana de eleição parecia que ia ficar lá com 5, 6% dos votos.
ali. Eu também diria que o Romeu Zemo também pode ser um candidato a vice que pode fazer uma pequena diferença também. Então, eu diria que... Nesse caso, eu diria que numa disputa muito acirrada, geralmente eu menosprezo o papel do vice, mas assim, é uma eleição onde pequenas margens podem fazer diferença. Agora, o que eu gostei muito aqui da conversa é a sua percepção de que, embora a eleição provavelmente vai ficar entre Lula e Bolsonaro, o eleitor está fácil
você está com uma fadiga, você está fadigado de ter que escolher entre Lula e Bolsonaro. Mas para essa eleição, muito difícil que isso mude. Para 2030, dá para você projetar, porque provavelmente o Lula não vai estar na eleição de 2030, mas o Bolsonaro ganhando essa, ou até não ganhando, acredito que vai estar lá. Você acha que isso com o tempo, isso pode continuar esse desgaste? Porque o cálculo que eu faço também aqui, Christopher, você está explicando a minha pergunta, é se o Lula
ganhar serão os quatro últimos anos do Lula, de fato. Porque não vai ter reeleição, enfim, quando voltar. Agora, se o Flávio ganhar, a gente pode ter muitos anos de família Bolsonaro. Ele pode ganhar mais uma vez, aí depois pode, sei lá, o irmão dele, e a gente pode ter ali um muito tempo de bolsonarismo aí. Mas tendo em vista esse desgaste, talvez seja tão difícil fazer conta para 2030, mas há uma chance de isso já chegar em 2030 e desgastar também? Aí depende se é o Lula que vai ganhar ou se é
uma candidatura Flávia, mas eu também diria, Thiago, que eu não aposto numa terceira via, mas para deixar claro, eu não ficaria surpreso se o nome aparecer. Porque tem uma demanda latente para tanto. Então eu diria que isso é um risco de cauda que o mercado está subestimando. Mas olhando para a sua pergunta direta, 2030, se o Lula ganhar a reeleição, é claro que para eleger um sucessor depois de quatro anos,
ou de oito anos no terceiro e quarto mandato, não é fácil. Então, abre-se as portas, eu acho que para uma alternância de poder. Existe uma preocupação muito clara no PT hoje de já começar a pensar no pós-Lula. Isso até, aliás, vai mudar um pouco o cálculo. Se o Lula ganhar, como é que vai ser em 2027. Porque quando o Lula ganhou o terceiro mandato, a grande preocupação petista era a suposta ameaça fascista.
da direita. Então, houve uma decisão proposital de aumentar o gasto em 12%, consolidar a base social e tentar controlar o gasto no ano 2, 3 e 4, que inverteu aquela lógica tradicional de fazer arrumação de casa fiscal no primeiro ano para poder gastar no final. Se o Lula ganhar, a preocupação maior vai ser como é que a gente vai preparar casa para o pós-Lula. Então, talvez uma mini reforma fiscal chocha, mesmo que não seja o suficiente, talvez venha com essa lógica de que estamos ter com fôlego no final
do quarto mandato, mas isso é só um adendo. Mas se o Lula ganhar, é claro que acho difícil o PT se manter no poder nesse período, é claro que variar o externo importa, se nós estamos com ventos favoráveis lá de fora, isso ajuda qualquer governante no próximo governo. Se o Flávio ganhar, eu diria que aí a lógica do incumbente tende a prevalecer mais, até porque ele vai ter um ganho de um choque de credibilidade inicial, deve ter uma equipe econômica boa,
Então você vai ter um câmbio se apreciando, uma expectativa de uma reforma fiscal. Então você pode ter ganhos econômicos que facilitam o Banco Central a cortar juros com juros reais menores, enquanto a partida, se o Lula ganhar, vai ter um déficit de credibilidade com o qual ele vai ter que compensar com medidas em 2027. Então, eu diria, o potencial de um governo Flávio Bolsonaro se beneficiar de um circo virtuoso é maior do que um governo Lula sendo reeleito.
Então, aí sim, eu diria, se você tem um Flávio Bolsonaro eleito, a chance de continuidade e reeleição é mais fácil, porque é sempre mais fácil o incumbente se reeleger do que eleger um sucessor. E a pergunta que ficou em aberto aqui para mim, Christopher, que você falou um pouco sobre economia, falou sobre o fiscal, quando você falou lá no começo, o Brasil tem que arrumar a casa, porque tem essa oportunidade, e eu acho que esse assunto não vai ser abordado de jeito nenhum na campanha. É isso, de fato?
A campanha vai ser muito... O que você acha que vai ser a grande pauta da campanha de 2026? Vai ser segurança pública de fato? Vai ser corrupção? Ou talvez corrupção ninguém vai poder muito ter o que falar? Enfim, como é que você está vendo isso? Ou a economia tem espaço para entrar nessa pauta? Eu acho que tema de ajuste fiscal, controle de gasto obrigatório, eu acho muito difícil. A campanha do Flávio Bolsonaro pode até fazer uma campanha
Estado, como uma candidatura da direita, isso pode entrar nesse lado. Mas é claro que tema de segurança, corrupção, do lado de segurança, o Flávio vai colocar como um grande eixo de se sobrepor e ter mais credibilidade vis-à-vis o presidente Lula. No lado de corrupção, eu diria que há um nivelamento por baixo. Então, escândalo de corrupção, Banco Master, é claro que prejudica o Lula mais do que o Flávio nesse primeiro momento. Mas aí o PT vai querer associar
os cândalos passados com a candidatura do Flávio Bolsonaro, e no fundo nivelar por baixo e não ter uma vantagem para a oposição. Mas eu diria que para a campanha petista, o novo populismo é um populismo para a classe média. Porque se você olha as pesquisas, o governo tem uma boa avaliação entre 25% da população que recebe transferências de governo. Mas o que nós estamos vendo é que essa nova classe média baixa
de transferência, e a gente vê isso nas redes sociais. Muitos memes de pessoas que recebem Bolsa Família, aí com bicos ganham dois mil reais e não querem trabalhar CLT. Então, onde o PT está com dificuldades é entre o pessoal que ganha dois a cinco salários mínimos. Então, se você ver onde está vindo o populismo da campanha do atual governo, é para tentar pegar essa classe trabalhadora que está com mais resistências ao petismo, então deu isenção de imposto de renda até cinco
está prometendo redução da jornada de trabalho, subsídios para transporte coletivo também vai nessa direção. Então eu acho que a dinâmica é um populismo para esse segmento e não é disciplina fiscal. O lado do Flávio Bolsonaro é claro que vai propagar e ter uma equipe econômica amigável ao mercado, vai defender redução do tamanho do Estado e quando você tem uma classe média baixa com restitimento de programas de transferência, você também encontra um espaço
para poder vender essa mensagem. Mas não é uma campanha que vai debater o equilíbrio fiscal. Não é por aí. Mas eu acho que qualquer, mesmo se o Lula ganhar, se não fizer nada do lado fiscal, o custo de oportunidade vai estar bem mais elevado do que estava três anos atrás. Porque a dívida PIB está mais elevada e se você não atacar o fiscal, você não vai conseguir reduzir juros e taxas de juros reais menores. A gente está vendo hoje no mercado, nós estamos com várias empresas
empresas que estão pagando o preço de carregamento de custo de capital elevado. Está vendo esses sinais de dores em empresas grandes no mercado. E também, eventualmente, isso vai se traduzir em termos de crescimento e vai repercutir politicamente. Christopher, agora olhando lá para fora, o que lá fora pode impactar a nossa eleição aqui dentro? Ou até de uma maneira mais direta. Eles vão querer impactar a nossa eleição? Só assim?
Aqui não é teoria da conspiração. A gente viu recentemente o Scott Bassett no evento do BTG com o André Esteves e ele deixou lá claramente, não diz que interviram na eleição da Argentina, mas eles claramente falaram com o Milley, eles tiveram com o Milley, assim, eu não digo nem intervir, mas talvez influenciar. Como é que você vê interferências externas, diretas ou indiretas, porque a gente também vai ter midterms nos Estados Unidos, isso de certa forma pode enfraquecer o Trump, enfim. Como você vê isso?
impactando a nossa eleição. De longe, o evento externo que mais pode impactar a eleição é a guerra no Oriente Médio hoje e no Irã. Aí podemos voltar para isso, mas quando a gente olha sobre a capacidade do presidente Trump influenciar o resultado eleitoral, eu acho pequeno, para ser sincero. Na Argentina foi um caso particular porque o Tesouro Americano deu uma linha de crédito de 20 bilhões de dólares, que evitou uma deslocalização da moeda mais rápida.
era o problema macroeconômico que podia impactar a eleição negativamente para o governo Milley. Então, o que o Tesouro fez foi dar uma cobertura ou uma ponte para poder atravessar o período eleitoral sem ter que passar para a desvalorização da moeda maior. Então, isso foi importante. Mas não acho que foi o presidente Trump dando apoio e o eleitor argentino dizendo, ah, agora que o presidente Trump está apoiando, agora eu vou votar para o Milley. Não. O que aconteceu é que depois das primárias e também no
resultado da eleição de Buenos Aires, onde o peronismo se saiu melhor e entrou nas eleições gerais, o cálculo eleitoral mudou, porque aí acendeu o medo de voltar para o peronismo. Então não era tanto um voto de insatisfação atual de renda que estava caindo, era, meu Deus do céu, nós realmente queremos voltar para o passado? E quando esse medo subiu, aí o Millet se sobrepôs. Então eu diria que esse foi o resultado na Argentina. Aqui no Brasil,
Se nós temos um papel mais ativo do presidente Trump querendo ajudar o candidato à oposição, é um equilíbrio delicado, porque um passivo que vai ser explorado foi a atuação do Eduardo Bolsonaro em Washington, que levou as tarifas, e no fundo o que o presidente Lula vai querer dizer é que, olha, nós é que atutamos uma postura patriota defendendo o país e tentar ganhar crédito pelo fato que o Trump voltou atrás nas sanções e
parcialmente nas tarifas. O presidente Trump também voltou atrás nas sanções e tarifas em parte, não só porque não ajudou a situação jurídica do ex-presidente, o presidente Lula se beneficiou e também o Brasil é rico em terras raras que Washington realmente quer. Então veja, os ativos também explicam um pouco a reviravolta do Trump. Mas é claro que podemos ter a Casa Branca, o presidente Trump dando apoio para o Flávio Bolsonaro.
complicador é a denominação do PCC e CV como organizações terroristas. E se isso vier, que eu acho provável que venha, coloca o Passo Panalto numa situação difícil, porque o presidente Lula, se ele criticar a decisão, também não cai bem e está sendo lineante com o PCC e CV. Então, isso gera um desconforto, sim, mas são coisas mais indiretas. Eu acho que a capacidade de influenciar é pequena, exagerada.
Trump sempre gosta de cantar de galo sobre resultados que ele teve pouco impacto. Então, acho que... Mas o Oriente Médio pode ser um variável bem importante. Só deixando bem claro, colocar PCC e ICV como organização terrorista, o receio é que isso abra uma possibilidade dos Estados Unidos poder ter uma atuação aqui dentro. Esse é o grande receio nessa história. Eu acho que isso...
no que isso de fato vai acontecer. Eu acho isso, assim, muito pouco provável. Esse tipo de preocupação eu não levaria a sério. O impacto relevante é que quando você denomina PCC e CV como organização terrorista, qualquer empresa, qualquer organização que transita e faz negócios com ambos essas facções criminosas podem ser consideradas pelo governo americano de ajudar um grupo terrorista. Aiding and Abetting a Terrorist Organization. E se você,
colocado nessa rubrica, você também pode sofrer sanções do Tesouro Americano. Veja que no México eles fizeram isso com os cartéis. Aí o Tesouro Americano listou três bancos de médio porte de fazer lavagem de dinheiro do crime organizado. E quando eles anunciaram esses três bancos como ajudando lavagem de dinheiro para grupos terroristas, uma corrida bancária, os três bancos tiveram que fechar. Então, no fundo, você está criando uma nuvem de liability importante.
Mas o que eu escuto de diplomatas americanos ou do lado do Tesouro Americano é que eles não têm nem capacidade de fazer esse tipo de análise. Então, o Tesouro Americano não quer a dominação porque já estão com muita coisa no prato. E como é que você destrincha quem é que faz negócio com crime organizado, onde é que é a linha divisória de liability, de você estar irem e liberarem o grupo terrorista. Então, o mais provável é que não saia muito do lado prático,
eleitoralmente é difícil para o presidente Lula navegar, porque ele critica uma decisão como essa, porque ele vai argumentar que tem instrumentos de combater crime organizado, não se enquadra no que constitui um grupo terrorista, mas para a opinião pública, qualquer medida dura contra o crime organizado tem apoio. Christopher, não sei se você concluiu sobre o Oriente Médio de ser o maior risco para o Brasil.
desenrolar da guerra vai deixar o petróleo muito mais alto por muito tempo. É esse o principal risco? Eu diria que nós, na Eurásia, nós estamos com uma aposta ainda que é uma guerra razoavelmente curta. Então, que na nossa previsão, a Marinha Americana e também com forças israelenses e também de ajuda de outros países na Europa e outros parceiros podem encaminhar uma abertura dos teintos de Hormuz até o início de abril.
fica num preço mais elevado nas próximas duas, três semanas e aí começa a cair logo depois disso. Então pode ser um choque ainda que perdura por um tempo, mas o que nós estamos avaliando é que o governo americano e a Casa Branca, em particular, subestimaram a resiliência do regime iraniano, a capacidade de reação não só usando drones, mas também a estratégia de expandir o conflito para quase 14 países na região.
A Marinha teve que dedicar navios para tentar proteger ativos de infraestrutura de energia e o que estava sendo alocado para poder fazer escoltas para os petroleiros, para poder escoar o petróleo, está sendo utilizado para a defesa de infraestrutura energética nos países do Golfo. Então, a capacidade do regime ter um impacto na economia global foi maior do que os americanos anteciparam e o risco é que eles possam fazer danos
infraestrutura na região que impeça uma retomada da produção do petróleo tão cedo. E evidentemente ter um conflito que se espalha. E a gente vai ter uma intensificação do conflito provavelmente nessas próximas semanas, porque a Casa Branca está desesperada para ter uma vitória nesse curto prazo, porque Trump vai pagar um preço via aumento de preço de gasolina nos Estados Unidos. Ele já está caminhando para uma derrota nos midterm elections. Mas eu diria que
nós tivermos esse tipo de choque que perdura mais, é preço de fertilizante em alta, que se traduz em preço de alimentos aqui, é todo o processo de cadeia produtiva também, e como eu disse, custo de vida é uma variável importante. Então, se nós temos um repasse de preços nos próximos três meses antes da campanha presidencial, isso é o tipo de coisa, num cenário mais adverso, que pode fazer diferença na eleição. E vamos lembrar que daqui menos de três meses é esperado que tenha só
do mundo nos Estados Unidos. Então também, não que isso seja um motivo para acelerar o fim da guerra, mas você coloca em risco até quantas pessoas do mundo vão até os Estados Unidos e como é que vai estar o clima se a guerra ainda estiver literalmente pegando fogo. Então é algo a se colocar em conta. Terras raras, você quer falar alguma coisa a mais? Porque assim, eu acho que o ponto das terras raras, sim, o Brasil é a segunda maior reserva, mas as terras raras tem a questão
da extração, porque não adianta só como você ter a segunda maior reserva de algum ativo que uma matéria prima está super disponível. Você tem que ter uma capacidade de extração que acredito que o Brasil não tenha e você tem os dois principais players do mundo hoje de olho nisso, que é a China e os Estados Unidos. O quanto talvez esse poder de barganha pelo fato dos dois estarem ali, isso ajuda o Brasil ou até atrapalha? Enfim, como é que as terras raras,
entram como uma grande oportunidade para o Brasil. É, assim, é só para a gente reconhecer o quanto que a decisão chinesa de restringir a exportação de terras aéreas e minerais críticos foi um terremoto em Washington no ano passado. O maior, talvez, no ano passado, o maior erro de cálculo do Trump, ele acreditava que a economia, que a China dependia mais dos Estados Unidos do que os Estados Unidos dependiam da China. Então, quando ele colocou o tarifaço, ele achava que o Xi Jinping ia dobrar e negociar e não,
ele acompanhou as tarifas e aí colocou a restrição de exportação de imensos críticos e terras raras. O que a gente escutou no governo americano é que a produção de armamentos bélicos, sofisticados, teria que parar em dois meses com essas restrições. Então, assim, é um ponto nevrálgico de Washington e essa é uma razão que o Trump voltou atrás e está querendo negociar um acordo com a China esse ano. A gente acha que vai ter um acordo entre os dois países, estamos menos preocupados na relação Estados Unidos e China
próximo ano. Agora, Washington saiu desse calcanho de Aquiles com uma prioridade zero de reduzir essa dependência. E o Brasil é rico em alguns elementos de terras raras que são muito importantes e estratégicos para os Estados Unidos. E também temos a necessidade do setor privado como um todo, não só o governo americano, de reduzir a dependência de oferta da China. Então está tendo um apetite para investimentos no Brasil,
não só do governo americano, mas empresas de mineração na Austrália, outros países, no Canadá. Então, acho que está tendo um apetite maior. E eu acho que o que o Brasil realmente precisa fazer é quais são as políticas públicas que podem ser feitas para poder atrair esse capital privado, utilizar parceiros, incluindo os Estados Unidos, para tentar ter garantia de preço, o off-take é importante, e aprimorar tecnologias para poder encaminhar esses investimentos.
Eu acho que o governo brasileiro está disposto, e de fato eu sinto isso em Brasília, que o próprio governo presidente Lula está querendo ter um acordo. Mas o que também está ocorrendo, Tiago, é que está tendo um debate em Brasília que é um ativo importante. Então queremos processamento local para ter uma política industrial de aumentar o valor agregado antes de exportar para o exterior. Então esse debate está atrasando um pouco as negociações bilaterais com os próprios Estados Unidos.
debate natural que ocorra, mas o importante é que não entramos no grau de nacionalismo, que é os minerais são nossos, e aí você impede a capacidade de extração desses minerais. Mas eu diria que a economia de ter um retorno nesses investimentos é uma coisa que é característica para o setor como um todo, não é só no Brasil. Porque você tem preços muito baixos na China e eles conseguem reduzir um pouco
atividade de produção de terraçada. Então eu diria que parte disso é oferecer o preço mínimo, o governo americano está fazendo isso, talvez na Europa também está começando a fazer, mas assim, aprofundar e atividade de atrair esses recursos é essencial. Christopher Garman, olha, gostei muito do papo, vou fazer umas perguntinhas com o pessoal antes da gente entrar no ping-pong, porque eu fiquei pensando, quando você falou no começo, metade do tempo Washington, metade do tempo Brasil, onde você prefere estar mais?
Puxa, eu tenho cidadania dupla também, a minha mãe brasileira e pai americano. Você já nasceu para esse cargo então, né? Pois é, essa divisão aí é praticamente útil no momento atual, global, né? Eu acho que o meu coração está mais no Brasil. Você cresceu aqui no Brasil? Dos 3 aos 12 anos de idade, aí sempre fazendo ping-pong. Mas você é meio a meio a vida inteira, então? A vida inteira. Eu fui para quatro colegiais, eu passei tempo Estados Unidos, África do Sul, Londres,
Então, eu tive um perfil bem internacional mesmo. E aí as pessoas perguntam, onde é que é a casa? Eu não sei dizer. São Paulo é a cidade que eu mais morei da minha vida. Mas eu diria que meu coração está mais no Brasil mesmo. Agora eu fiquei em dúvida. Você tem mais gostos e hábitos americanos ou brasileiros? Em esportes? Eu acho que eu sou mais americanizado.
A minha mulher, que é brasileira, ela sempre me chama. Não, Cris, você é gringo mesmo. Então, é engraçado. Então, talvez, eu diria, eu fui mais aculturado em esportes e do lado americano que eu fui para escolas americanas na maioria da minha vida. Até mesmo aqui no Brasil, eu estava na escola americana. Então, quando eu saí, eu sempre fui escola americana internacional na África do Sul, em Londres. Então, eu diria, acho que eu reconheço que eu sou mais americanizado do que brasileiro no DNA cultural.
E quem está ouvindo aqui o podcast falou, porra, esse cara sabe muito de ciência política. Quero ser que nem ele. Quais são as qualidades que uma pessoa no seu cargo precisa ter? Olha, nós vivemos num ambiente altamente polarizado, onde as paixões prevalecem. Para mim, quando eu conduzo, o esforço de isenção analítica, que qualquer profissional tem que ser, é particularmente importante. Então, por exemplo,
eu nunca revelo o meu voto. Isso até como ofício de profissão. Seja aqui, nos Estados Unidos. Então, acho que é o tipo de esforço analítico reconhecendo que as paixões estão muito elevadas e isso contamina a análise. Então, é você tentar ser disciplinado o maior possível. Segundo, e até a gente tem que olhar o Brasil, mas sempre tem que ter, eu diria que é um fundamento
O benefício de eu ser meio brasileiro, meio americano, de estar um pouco um pé lá, um pé aqui, é que me dá um pouco de perspectiva analítica de não olhar o Brasil só como o seu próprio umbigo. Então, quando você vê esse fenômeno do sentimento do sistema estar quebrado, é um fenômeno que a gente está vendo em vários lugares. Você consegue enxergar as disfuncionalidades brasileiras com uma lente um pouco mais comparativa. E é por isso que nós estamos nessa dicotomia tão grande. Se você conversa com um empresário brasileiro, é muito pessimismo.
É totalmente compreensível. Custo de capital elevado, juros reais a 10%, mindset de corrupção, desfuncionalidade em Brasília perene. E você vai lá fora, é outro nível de desfuncionalidade geopolítica, onde, como a gente falou, o Brasil tem ativos importantes. Então você tem que mesclar um pouco essa visão de fora com a visão de dentro. Eu acho que isso, eu diria, seria a minha recomendação como um profissional nessa área.
de manter a isenção ao máximo, porque isso contamina a análise. Você acha que o mercado financeiro, e quando você fala com os profissionais do mercado, você acha que eles têm as análises ou até as teses de investimento contaminadas pelo fato de... Vamos lá, a gente não precisa esconder aqui, mas é óbvio que o mercado financeiro, boa parte, não queria que o Lula fosse presidente. Você acha que isso, de certa forma, atrapalha na análise ou é uma coisa natural?
que em the game tem que ter isso mesmo, enfim. O quanto você acha que essa falta de isenção no mercado até atrapalha na hora de fazer uma análise? Eu acho que atrapalha e interfere sim. Porque você tem... Eu diria que o mercado financeiro brasileiro é muito sofisticado. As pessoas, sejam gestores, têm uma capacidade analítica ímpar. Eu valuizo muito as relações que eu tenho com os nossos clientes aqui no Brasil. Então, não para desmerecer esses profissionais. E também eles são pagos para poder
dinheiro. Então, você não pode só expor suas paixões. Mas eu diria que quando você tem tanta coisa em jogo, é natural que talvez você tenha um pouco de dose de wishful thinking olhando o ambiente nacional. E vamos lá. Nós temos uma crise no mercado de fundos no Brasil. O AM caiu 30%, 40% nos últimos anos. Então, existe até uma questão que o seu negócio está em risco.
E quando o seu negócio está em risco e você está em um ambiente tão dividido, é natural que você acabe buscando hipóteses que justificam uma posição mais favorável para o seu negócio. Então isso acontece um pouco. Eu vejo que muitas vezes você valoriza hipóteses para poder apostar num cenário de oposição e subestima as hipóteses e variáveis que poderiam levar para uma reeleção do presidente Lula. Isso acontece.
disciplina. Então, o meu trabalho na Eurásia, que eu tenho dito, você tem que ter essa disciplina analítica, mas também não estar cego aos fatos que estão favorecendo a oposição. Então, é um esforço analítico não trivial. Christopher Garman, é mais fácil explicar o Brasil para os gringos ou os Estados Unidos para os brasileiros? Eu acho que... Eu não sei se tem uma vantagem, uma sobra
outra. No ano passado eu trouxe o nosso diretor de pesquisa e chefe dos Estados Unidos, John Lieber, para o Brasil, ele fez um rodado de reuniões e aí ele fez um comentário que eu achei interessante, que ele disse o seguinte, olha, quando eu vou para a Ásia, o Japão, Singapura, Europa, eu tenho dificuldade de explicar a política americana para esses grupos de investidores globais. Eles não entendem
que vivem os Estados Unidos nessa divisão interna. O único lugar no mundo que eu vou onde a audiência entende automaticamente é o Brasil. Porque nós temos uns paralelos fascinantes, seja do lado altamente país dividido, um ex-presidente também que sofreu ações judiciais, onde o presidente Trump se sentiu que o sistema de justiça estava contra ele. É uma divisão da direita e a esquerda, cada um do lado,
enxergo o outro como uma ameaça à democracia. Então, a gente não tem isso em tantos outros países. Então, eu acho que, eu diria que eu iria equiparar os dois. Mas eu diria que no Brasil, é um pouquinho mais difícil para o gringo, porque nós estamos com uma democracia multipartidária, com mais vozes, mais atores. Eu diria que é uma democracia um pouco mais complexa. Nos Estados Unidos, é uma simplicidade um pouco maior.
tema bipartidário. Então acho que é, por essa razão, talvez um pouquinho mais difícil de explicar ao gringos a política brasileira. Bom, Christopher, vou entrar no nosso ping-pong, mas antes só lembrando, pessoal, que a gente está com a nossa promoção da Semana do Consumidor. São cinco cursos que a gente está disponibilizando por uma condição super especial. Os cursos são Finanças Comportamentais, Value Investing Aplicado, Introdução à Valuation, Protocolo Influência e Protocolo Anti-Risco. Essa promoção se encerra no dia 22 de março,
Então clica aí no link que está na descrição aqui do vídeo ou então no podcast, na plataforma de podcast que você está ouvindo. Christopher Graham, foi muito da hora o papo, viu? Gostei muito. Espero que vocês tenham gostado também. Agora a parte mais fácil é o ping-pong. Ou a parte mais difícil, enfim. Eu quero saber livro, música, convidado e a maior gentileza que já te fizeram na vida. Vamos começar com os livros? O livro técnico.
Olha, eu colocaria o livro do Edward Fishman. É chamado Choke Points. O título em inglês é Choke Points.
Show Points American Power in the Age of Economic Warfare. E eu recomendo esse livro, tenho recomendado por nossos clientes e também por minha equipe da Orásia, porque descreve muito bem, e o Edward Fishman trabalhou no governo americano, ele entrevistou membros do Tesouro Americano nos últimos 20 anos, e descreve de forma fascinante como cada vez mais o governo americano atravessou várias linhas vermelhas
como uma arma na disputa geopolítica. E é bem interessante que descreve quando no final do governo Clinton havia uma visão que sanções não funcionam. E aí você tinha um grupo no Tesouro americano que disse, não, não, presidente, podemos fazer sanções. E o primeiro experimento foi na crise com o Irã. E a cada crise foi elevando as armas de acesso a mercados capitais como instrumento político e veio com o sequestro das reservas do Banco Central.
russo, a exclusão do sistema SWIFT em cima de pagamentos. Então, se a gente vê o governo Trump, é uma extensão de algo que já vinha acumulando há duas décadas. Então, eu acho que é um... Eu acho que entender essa tendência, eu acho importante para entender o mundo atual. Só para quem não pegou o nome, o autor é o Edward Fishman, e o nome é Choke Points, American Power in the Age of Economy Warfare. Isso.
tem aqui, vai ter que ser internacional aqui a compra, então, mas pra quem gostou do assunto, fica a dica, vale a pena. Se o Chris Garman tá falando que é pra ler, eu acho que vale a pena. E o livro Temarive? É, eu, novamente, revelando um pouco a minha cultura um pouco mais americanizada, eu me dei conta que eu tô dando livros em inglês. Mas esse livro tá traduzido em português, e é da Suzane Simard, e é chamado,
assim, encontrando a árvore de mãe, Finding the Mother Tree. E revela, ela também era uma cientista focada em ecologia e a ciência de florestas, e para mim eu tenho sempre uma fascinação com isso, mas abriu meus olhos para que toda essa ciência de como florestas são sistemas integrados, conectados, e você não pode olhar. Então, para mim, eu diria que é um, assim, se você pega um pouco essa interconexão
ambientes ecológicos florestas e a relação também do lado, todo o lado de proteína e do lado das raízes e como essas florestas se comportam como um sistema, achei absolutamente fascinante. Então eu diria que isso é um interesse mais ecológico que mudou a maneira com a qual eu tenho olhado a ciência de florestas. Eu vou até procurar o nome se tem a versão em português, porque pelo menos em português eu acho que não é a tradução.
Eu sei que... Eu até comprei... Em busca da sabedoria da floresta. Ah, tá bom. Então eu não sabia o lado da produção, mas eu dei esse livro em português pra uma amiga. É, tá aqui, ó. Susan Simard, A Árvore Mãe, em busca da sabedoria da floresta. Caramba, que profundo. Primeira vez que... Eu acho muito legal quando a gente tá no episódio 300 e, sei lá, 40 e pouco, e vem livros pela primeira vez. Muito bom. Um livro pra não ler.
Você tem um livro pra não ler, Christopher Garman? Pois é. Acho que é uma pergunta capriciosa. É, não...
Eu não consegui identificar um que eu coloquei nessa categoria. Então, nessa daí, talvez eu vou dar um passo. Pode dar um pulo nessa, não tem problema. Mas a música não tem como. Uma música e por que essa música? É um pouco de nostalgia. Espera aí, você tem mais algum livro para recomendar? Antes da gente começar, você falou, posso recomendar dois? Eu falei, pode, mas você tem um... Ah, então, um outro que eu li recentemente, que é a biografia, não é?
Theodore Roosevelt, que foi na virada do século. É do Edmund Morris. E é interessante você pegar um pouco esse período histórico nos Estados Unidos, porque pega também a luta contra as máquinas políticas, de política clientelística, e como que ele, uma liderança no início do século, estava lutando com essa rede de corrupção profunda. E também foi um presidente, se você pega um pouco o perfil do presidente e o papel de liderança,
extraordinário, ele como presidente e o preparo dele e a disciplina dele. Então eu fiquei muito impressionado com a história do Roosevelt. E é engraçado, Tiago, quando eu fiz estudo de PHD em ciência política, a gente é muito treinado para pensar em incentivos, estruturas e você não ir fugir do teatro das personalidades. Mas como cientista político eu sou treinado dessa forma. Mas as pessoas importam. Então eu diria que o papel de liderança,
Consider Roosevelt eu achei. Então eu fiquei fascinado com esse livro. Mas quem que é o autor? Você até falou aí. Edmund Morris. Só para ver qual a versão que tem aqui, mas já vou deixar anotado. É outro livro inglês aí, revelando aí a minha... Tudo bem, Christopher, tudo bem. Com esse nome, eu até contei aqui para você, a audiência não sabe, mas a primeira vez que eu entrevistei o Christopher Garman foi na época de InfoMoney. Ia ser em vídeo, não tinha ainda muito costume de fazer entrevistas.
vídeo. Eu falei, você vai entrevistar alguém da Eurásia. Pô, que legal, cara. Vamos lá. Quando eu tô chegando lá, qual o nome do entrevistado? Ah, Christopher Garman. Eu falei, meu Deus, vou fazer uma entrevista em inglês. Aí já chegou você, opa, tudo bom? Eu falei, nossa, que sorte. Ele fala português. E é engraçado que, Thiago, mas o nome completo é Christopher da Cunha Bueno Garman. Aí quando eu vou lá nos Estados Unidos, eu foco lá no Cunha Bueno, porque eu tenho os credenciais brasileiros pra poder falar de Brasil. Aí aqui no Brasil, eu me vendo como gringo isento, que não tem, né?
Christopher da Queen ia ser legal também. Uma música e por que essa música, Christopher? A música é um pouco nostalgia na minha época da faculdade, mas eu colocaria Queen, Bohemian Rhapsody. E essa aí é um clássico, é claro, mas eu tenho um valor afetivo porque eu também corri atletismo e cross country na faculdade e essa era uma música que a gente utilizava pra motivar o time, né? Então,
isso. Essa aí não dá para reclamar porque não é nem brasileira nem americana. É, isso, isso. Um convidado que você gostaria de ver aqui no Market Makers? Eu vou dar um colega e parceiro analítico meu, que é o Clifford Young, ele é chefe de pesquisa global da Ipsos, ele é agora chairman da Ipsos e também ele tem um centro de estudos na Texas A&M. A gente tem feito trabalho eleitoral nas últimas
quatro eleições, ele também, ele é americano, casado com brasileira, então a gente tem uma amizade e parceria analítica, eu aprendi muito com ele em termos de pensar eleições, e a gente, a gente, acho que ele é um cara interessante, ele faz muita pesquisa nos Estados Unidos, no Brasil, fala português, ele seria um convidado interessante para vocês. Pô, Clifford Young, já anotei aqui, pô, já dá aquele, ele vem com frequência para o Brasil ou teria que ir para lá? Sim, ele também,
a gente... Vamos trabalhar juntos também nessa eleição, então ele vem aqui com... Ele está aqui essa semana, mas acho que ele volta em junho. Já falou muito de política, é melhor esperar um tempinho. É um pouquinho mais próximo da eleição. Mas a próxima vez que ele vier, me manda o WhatsApp, a gente tenta fazer isso acontecer, seria uma honra falar com o Clifford Young, ainda mais em português, já vai ser mais fácil ainda. Se ele quiser falar inglês também, a gente dá um jeito.
E por último, mas não menos importante, qual a maior gentileza que já foi feita na sua vida, Christopher Garvey? Olha, tem tantas gentilezas,
se é injusto com as várias, mas talvez pegando o lado profissional, que é um pouco o tema da nossa discussão, eu queria dar uma palavra para a professora Lourdes Sola, ela é professora da USP, em ciência política, quando estava fazendo minha tese de doutorado, vim para o Brasil fazer pesquisa, ela me acolheu, ela me incluiu no estudo de pesquisa dela, e assim, me apresentou um pouco para o ambiente aqui, e foi por causa dela,
e as introduções que ela fez, que eu comecei como consultoria de risco político e eu comecei na tendência de consultoria. Então, eu sempre sou grato para as pessoas que me ajudam nisso da carreira e acho que a Lud fez esse papel importante para mim. Que bacana, que bacana. Christopher Garman, o papo foi melhor do que eu imaginava, viu? Obrigado, aprendi muita coisa aqui. Não, eu que agradeço o convite, Tiago. Enorme satisfação, parabéns em todo o sucesso aqui. Obrigado. Do Market Makers. Nem preciso te desejar muito,
trabalho, porque eu sei que você já vai ter. Então, eu só te desejo saúde e disposição para poder cumprir sua agenda de 2026, que vai ser bem puxada. Mas valeu demais. Espero que você tenha gostado para voltar aqui mais vezes. Claro. Prazer foi todo meu. Muito obrigado. Valeu. Você que veio até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal. Lembrando sempre, toda terça, quinta e domingo, 18 horas, eu estou aqui com alguém bem mais inteligente do que eu do outro lado da bancada, compartilhando conhecimento com a gente. Até o próximo Market Makers. Tchau.