#333 | AS LIÇÕES DE QUEM ENFRENTOU AS MAIORES CRISES DO BRASIL
Pedro Parente viveu por dentro algumas das maiores crises da história recente do Brasil. Neste episódio, o ex-presidente da Petrobras e ex-ministro fala sobre apagão, gestão de crise, liderança, STF, política, Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso e o que falta para o Brasil voltar a avançar.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão conversa com Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras, ex-ministro e um dos nomes mais experientes da gestão pública e privada no Brasil.Ao longo da conversa, Pedro Parente fala sobre:-as lições de quem enfrentou grandes crises nacionais-os bastidores do apagão de 2001-sua passagem pela Petrobras e a política de preços-a greve dos caminhoneiros-o governo Michel Temer-Fernando Henrique Cardoso e liderança pública-a crise moral e institucional do Brasil-o papel do STF e o problema da falta de autocontrole-por que faltam líderes inspiradores no país-gestão, exemplo, meritocracia e tomada de decisão sob pressão-como ele enxerga o futuro do BrasilSe você quer entender Brasil, política, economia, Petrobras, liderança e gestão de crise, este episódio é obrigatório.📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -AS LIÇÕES DE QUEM ENFRENTOU AS MAIORES CRISES DO BRASIL | Market Makers #333Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador e analista do Market makers)Convidado: Pedro Parente (conselheiro e ex-presidente da Petrobras)#PEDROPARENTE #PETROBRAS #APAGÃO #CRISE #BRASIL #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
- Crise política no São PauloApagão de 2001 · Tomada de decisão sob pressão · Comunicação em crises · Liderança em momentos críticos · Organização de equipes multidisciplinares
- Lideranca PoliticaImportância de bons exemplos · Falta de líderes inspiradores no Brasil · Integridade pessoal · Coerência entre discurso e ação · Transmissão de valores
- PetrobrasDesinflação de preços · Redução de dívida corporativa · Privatização parcial · Resistência política interna e externa · Metas de desempenho operacional
- Eleições Rio de JaneiroFalta de autocontrole do poder judiciário · Descrença nas instituições · Polarização política extrema · Perda de perspectiva de futuro · STF e accountability
- Energia ElétricaSímbolos de sacrifício compartilhado · Entregas coletivas de resultados · Transparência na comunicação · Perplexidade visível das autoridades · Adesão popular ao programa
- Atuação de Lucia na políticaGovernadores com bom desempenho estadual · Necessidade de terceira via · Ratinho Junior, Zema, Eduardo Leite · Alessandro Vieira · Falta de penetração eleitoral de bons nomes
- Michel Temer e política econômicaGoverno técnico sem apelo popular · Teto de gastos · Marco da Segurança · Não interferência política em empresas estatais · Autonomia institucional
- Inflação e Política MonetáriaAprendizados profissionais iniciais · Importância da contabilidade · Processos e informação · Transformação de sistemas contábeis · Atuação como funcionário público
- Histórias Pessoais e de Viajantes55 anos de carreira profissional · Aprender fazendo · Adaptação a novos setores · Organização de pessoas e recursos · Capacidade de lidar com incerteza
- Greve dos caminhoneirosConfronto com governo · Pressão sobre Petrobras · Política de preços como foco · Mobilização externa e interna
- Segurança OperacionalPadrões internacionais de segurança · Redução de dívida corporativa · Múltiplos de EBITDA · Gestão baseada em metas · Plano estratégico participativo
- Estrutura de Governo e Ministérios IndicadosFalta de projeto orgânico de governo · Indicações políticas em ministérios · Falta de planejamento coordenado · Problema de Brasília · Orçamento desorganizado
- Fernando Henrique CardosoMelhor presidente da democracia · Contexto de transformação institucional · Exemplo de liderança · Trabalho como secretário executivo
- Lealdade PolíticaGovernador de São Paulo bem-preparado · Lealdade como princípio · Falta de coragem para disputar presidência · Hierarquia de lealdades · Exemplo raro de integridade
- Engenharia eletrônica e formaçãoCurso de engenharia enquanto trabalhava · Aprendizado prático versus teórico · Decisão de permanecer no Banco Central · Importância da base matemática
Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo, se acomode para assistir o podcast da família investidora brasileira. Eu sou o Thiago Salomão, fundador dessa empresa, que não é só um podcast. Temos o nosso Fundo de Ações Market Makers, que está indo muito bem. Temos a nossa comunidade de investidores, temos o newsletter, temos a nossa academia de cursos, que está bombando agora. E hoje vamos ter um papo. Olha, é um daqueles papos que a gente vai ter um mix de história do Brasil e também uma visão de futuro.
principalmente para os problemas atuais do Brasil. O nosso convidado, muito conhecido, vocês já viram aí na Thumb, mas ele já teve passagem em vários governos que a gente já teve aqui no Brasil, em várias atuações marcantes. Então, a gente vai falar com uma pessoa que viveu o Brasil em diferentes situações, enfrentou crises e venceu essas crises. Em algumas crises, saiu com... A gente, quando fala de Petrobras, vocês vão ver que também,
tem um pouco de desafio até quando você faz a coisa certa, mas o Pedro Parente tem uma história espetacular para compartilhar com todos os brasileiros. A gente fica sempre muito honrado quando traz alguém que fez tanto pelo Brasil e ainda está fazendo. Ele atualmente é conselheiro da Singente e da M. Dias Branco e é presidente do conselho da Avast, empresa do grupo Prumo. Quem lembra das empresas do Ike Batista? Era LLX, virou Prumo.
RUNGE, pela BRF, pela ASAS, pela Petrobras, como eu falei. E só pra ver a agenda dele no mundo político, né? Secretário adjunto do Ministério da Fazenda no governo Sarney. Foi em 91 secretário do Planejamento do Ministério da Economia e do governo Fernando Collor. Depois foi secretário executivo do Ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique Cardoso, que na época era o Pedro Malan. Durante o segundo mandato, o Fernando Henrique Cardoso atuou no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, chefe da Casa Civil e também
também ocupou o cargo de ministro de Minas e Energia na época do apagão, para quem é um pouquinho mais velho vai lembrar, é no começo dos anos 2000, do apagão que a gente enfrentou. Em 2016 ele assumiu a presidência da Petrobras no governo Temer e enfrentou lá a greve dos caminhoneiros dois anos depois. Enfim, passou por muita coisa, tem muita coisa legal para contar, então se você quer aprender lições de enfrentamento de crise e também histórias sobre o Brasil,
se vai gostar desse episódio, já deixa o like no vídeo, se inscreve no canal. São mais de 6 milhões de pessoas impactadas pelo Market Maker todo mês e a gente quer chegar cada vez mais longe, então ajuda a gente. Antes de começar, Pedro, só lembrar aqui, nossa audiência, que nós e nossos convidados agora, nós apenas nos hidratamos com o Mamba Water, um projeto super legal onde cada lata dessa vendida, a Mamba Water se compromete a entregar um litro de água potável para a comunidade sem acesso. Isso é no mundo todo, tá?
São 750 milhões de pessoas sem acesso a água botável. Então, se você, assim como o Market Makers, quer ajudar a fechar esse gap, vai lá em mambawater.com.br e garanta a sua. Eu vou beber até a minha com gás aqui, na fonte das hortências, que é uma delícia essa água. E, bom, desse jeito, eu saúdo. Bem-vindo, Pedro Parente. Bem-vindo ao Market Makers. Está preparado? Bem, boa tarde. Eu não sei qual é o horário que vocês passam isso, mas é qualquer hora.
Na internet é qualquer horário. Então, bom dia, boa tarde, boa noite. Bom dia, boa tarde, boa noite. Salomão, muito obrigado pelo convite. Eu estou preparado para a conversa, sim. E eu sempre digo, mas eu já vi que com você isso não tem a menor relevância, porque você já ia fazer isso mesmo. Eu sempre digo que para mim não tem tabu em perguntas. Pergunta o que quiser. Ótimo. Gosto disso. Então, por quê? Porque com essa experiência toda que você mencionou,
e se eu não aprendi ainda a sair das perguntas mais difíceis, eu não vou aprender mais. E no episódio do apagão ficou bem evidente isso, que você ficou respondendo todas as perguntas que vieram de todo mundo até todo mundo ficar com a dúvida sanada. Isso assim, hoje em dia, isso era 2001, hoje em 2026 a gente preza muito pela era da transparência, isso acaba tendo muito valor. Mas eu vou abrir nosso papo com uma pergunta já capciosa, porque falam que você
o maior especialista de crises no Brasil. Eu queria saber, na sua opinião, isso é um elogio pelo seu trabalho ou isso é meio que uma maldição? Que todo lugar que você vai acaba pintando uma crise aí no meio do caminho. Não acho que é maldição, acho que é um puta de um elogio. Eu acho... E para te contar uma história engraçada, no tempo que eu estava lá, você mencionou que eu estava no governo do Marcílio e o Roberto Macedo era o ministro
O secretário de Política Econômica, Roberto Macedo, faleceu ano passado, professor aqui da USP. Ele dizia assim, Pedro, eu nunca conheci alguém como você que gosta tanto de batata quente, abacaxi e pipi. Então, mas assim, eu acho elogio. Eu acho elogio, porque no fundo nós estamos falando sempre de gestão. Crise é gestão. E se resolver crise é uma crise, você tem que resolver com gestão. E de onde veio isso, Pedro?
Olha, em primeiro lugar, não veio da minha formação universitária. É, que eu até nem falei aqui, mas você é formado em engenharia civil na UFRJ. Deixa eu corrigir duas coisas, engenharia elétrica na Universidade de Brasília. Ah, é? Olha lá, então já correção aqui. Mas não tem problema. Engenharia. Engenharia, isso, engenharia. Acertei um terço da pergunta. As duas são excelentes universidades.
É uma boa pergunta. Eu acho que foi a vida me ensinando. Eu tive excelentes escolas, aliás, até assim... Vou falar aqui das duas principais escolas, Banco do Brasil e Banco Central. Tem ótimas histórias para contar a respeito disso. Mas trago aqui um tom de tristeza. Acabei de ler, quando eu estava esperando aqui, que uma das razões pelas quais o... Banco Master. O Sr. Volcaro foi preso,
no meu telefone encontrou várias referências aos dois ou três funcionários técnicos do Banco Central do Brasil e eu quero dizer que se for verdade a gente não pode concluir que é verdade sem o julgamento sem enfim dar o direito de defesa mas eu como funcionário aposentado eu não sou ex-funcionário funcionário do Banco Central quer dizer que lamento profundamente que se isto é verdade eu quero enfatizar isso tem que dar o direito de defesa mas se isso
porque aquela casa é maravilhosa e tem funcionários excepcionais. Mas enfim, excelentes escolas. E quando, posso deixar as histórias do Banco Brasil para depois, mas quando eu cheguei no Banco Central, eu tinha algumas coisas que eu aprendi que eu nunca esqueci. Eu tinha um chefe que me dizia assim, Pedro, você tem que saber de duas coisas essenciais. Primeiro, todo mundo tem cliente. Nós somos funcionários públicos, mas todo mundo tem cliente.
Nós temos clientes. E eu fui trabalhar no departamento de administração financeira responsável pela contabilidade do banco, área meio. Se você pensa que você está em área meio e você não tem clientes, seus clientes são os departamentos da área fim do banco. A gente tem que prover informações para eles, eles têm que estar bem servidos com as nossas informações. Então, primeira coisa, todo mundo tem cliente. Segunda coisa que ele me disse, Pedro, qualquer coisa que você faça, faça o melhor que você puder. Faça o melhor que você puder. E aí eu fui trabalhar num...
numa divisão. Essa pessoa, esse chefe que me disse as coisas, não era meu chefe direto. E o meu chefe direto, que eu já estava acostumado com ele, me pediu para fazer um estudo de uma questão lá para propor um processamento daquela operação na contabilidade do banco. Eu fui lá, sentei, olhei, pensei, fiz, entreguei para ele. Coincidência, chamava-se Pedro também. Ele olhou para mim, ele não abriu. Ele disse assim, isso é o melhor que você pode fazer, Pedro? Aí você para e pensa, né? Bom, sempre dá para melhorar. Então você vai lá,
melhora. Quando for melhor o que você sabe fazer, o que você consegue fazer, você me traz. Então, essas coisas, assim, realmente me deram uma visão de cliente, de qualidade, tá certo? Que não é, digamos assim, que não é a história comum de serviço público. Mas foi a minha escola naquele momento. Foi um momento muito importante em que eu aprendi valores profissionais super relevantes. E eu fui ganhando posições no Banco Central.
E chegou em 1985, aí começou minha carreira no governo, quando eu fui trabalhar no governo do presidente Sarney. Às vezes me perguntam, mas como? Você trabalhou no Sarney, você trabalhou no Collor? Depois no Itamar eu fui para o Fundo Monetário, convidado para passar lá, depois trabalhou com o Fernando Henrique. Sinal de contas, eu sou funcionário público, sou executivo de governo, eu tenho chefes.
no serviço público, assim como os funcionários, são dados do problema. Você não tem o que escolher. Então... E sempre procurando fazer o melhor que eu podia. Agora, Pedro, essas duas lições que você teve no Banco Central, né? Todo mundo tem cliente, qualquer coisa que você faça, faça o melhor. O quanto você acredita ao fato de você ter recebido essa lição no começo da sua carreira? Em outras palavras, o quão importante é quando você está com aquele cérebro
cérebro zero viciado, você está completamente aberto, é uma esponja absorvendo coisas. O quão importante é você estar com pessoas boas no início da carreira? Eu acho isso fundamental. Eu recentemente fiz uma coluna em que eu falava da relevância do exemplo. E que, infelizmente, um dos grandes problemas que a gente vive no nosso país, e a gente pode depois aprofundar isso,
falta de bons exemplos. Tem alguns, não vamos dizer que isso é regra geral, mas infelizmente tem muitos maus exemplos que realmente causam distanciamento da sociedade e das instituições. Então, você tem toda razão. Era uma época que eu estava com os meus valores profissionais em formação. Tive exemplos extraordinários, tive chefes maravilhosos. Isso foi muito importante, porque isso definiu,
para mim, uma clareza de atuação, que ela, eu incorporei, ela passou a ser natural. E eu não quero parecer presunçoso, nem pretencioso, mas a visão de que tudo que você faz, faça da melhor maneira possível, isso é extraordinário, extraordinário, para qualquer posição que você esteja. E eu procurei aplicar isso. É claro, dizer assim, você não errou, errei, claro que errei, aprendi com os erros, mas essa questão,
eu achei fundamental. Então, realmente, você tem toda razão. Para mim, foi uma sorte, uma sorte na minha vida. Agora, eu tenho um sério problema de quando as pessoas vão falando, ah, vamos falar disso depois, aí eu acabo esquecendo. E quando você falou da falta de exemplos, já queria entrar nesse assunto. Como é que você vê hoje essa situação no Brasil? Deixa eu contextualizar um pouco com as últimas entrevistas que a gente fez. A gente tem falado muito sobre STF aqui no... A gente já trouxe...
Felipe Recondo, que foi jornalista cobrindo a STF por mais de 20 anos, fundou o Jota, escreveu um monte de livros sobre a STF. Trouxemos outros jornalistas que até foram vítimas de julgamentos um pouco mais recentes. Então, trouxemos também especialistas, analistas políticos. E a grande conclusão que a gente chegou, Pedro, foi que a gente vive hoje uma espécie de crise moral,
todo mundo esperando alguém dar um passo à frente para falar, pô, mas por que eu vou mexer aqui, se ele não está mexendo ali, no dele? E, como você disse, eu acredito muito também que o exemplo arrasta. Então, talvez o exemplo deveria vir de cima. E hoje, quem manda no Brasil, está bem claro que o judiciário hoje tem um poder muito grande. Então, acho que a primeira mudança tinha que vir de quem tem mais poder. E o exemplo acaba arrastando. Mas, enfim, como é que você vê hoje, você que trabalhou,
com tantos políticos super importantes para o Brasil, entre eles eu acredito que o Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida nenhuma, foi o melhor presidente que a gente teve dessa era, dessa democracia. E como você vê hoje essa questão dos heróis, heróis não, não gosto assim, dos exemplos, das pessoas que a gente pode se espelhar, enfim, ou que podem ajudar a puxar uma melhora estrutural do Brasil?
Eu uso uma palavra importante que é espelhar. E ela sugere outra palavra que tem um significado parecido, mas eu acho ainda mais forte, que é a palavra se inspirar. E eu acho que isso é uma falta grande que a gente vive no país. Você fala assim, quem é? Quando eu olho para esse universo, especialmente no universo federal, quem são as pessoas que você pode se inspirar?
E é com tristeza que eu vejo que não são muitas. Eu acho que tem exceções. Se me perguntar se eu posso indicar aqui alguma, eu teria certa dificuldade, mas eu acredito. Até você vê no próprio Supremo, você vê a nossa ministra lá. Estou muito ruim para guardar os nomes, você vai ter que me ajudar. O próprio presidente Supremo, o Fachin. O ministro André Mendonça. O ministro André Mendonça está dando um exemplo.
por um governo que não tem alinhamento, mas ele está fazendo o que tem que ser feito, e com rapidez, e com determinação. Mas faltam, faltam líderes inspiradores. E no meu modo de ver, é uma questão do presente e do futuro próximo, o que é um grande problema. O tema do exemplo que a gente fez referência, e aqui tem um pouco da discussão
de estudos de corrupção em que existe, em geral, esses números não são precisos, eles são números aproximados, mas em geral, quando você tem uma certa população, 20% daquela população é incorruptível. 20% não tem jeito. Os 60% se moldam de acordo com os incentivos e informações
recebem. É sobre esses 60% que a gente está falando. E quando realmente você não tem os exemplos, você começa a ver, em primeiro lugar, uma grande parte desses 60 se fazendo essa pergunta, por que eu vou deixar de fazer isso e outros estão fazendo. Mas, além disso, você começa a ter esse sentimento que está sim se propagando de descrença.
Pensa com as instituições. E quando a gente pensa no judiciário, a gente tem que lembrar que o judiciário não é eleito. O poder executivo e o legislativo ainda se submetem. E aqui não importa dizer se sabem votar, se o eleitor sabe votar. Isso não interessa, ele tem o direito do voto. Então eles se submetem ao crivo. O Supremo, a justiça em geral, mas o Supremo em particular, ele tem uma grande responsabilidade.
de que ele tem que exercer o seu próprio autocontrole. É uma das coisas mais importantes de um regime democrático, de defesa das instituições, em especial da justiça, em especial a instituição máxima da justiça, que ele exerça um autocontrole. Porque não tem outro controle. Então, realmente, essa questão é uma questão que entristece bastante. Entristece bastante. Mas, além da tristeza, Pedro,
para isso. Você enxerga uma... Como desatar esse nome, sabe? Desculpa essa... Para o ouvinte do Market Makers, eu acho que é a pergunta que eu mais tenho feito nos últimos programas, mas é que acho que pior do que a descrença, ou talvez isso que até agrava a descrença, é aquela falta de horizonte, aquela falta de perspectiva de que... Porque, sei lá, às vezes é... Ah, não, mas num próximo governo isso muda. Ah, mas numa próxima estação isso muda. Mas a gente não vê um...
no fim do túnel. Aqui a gente tem algumas questões que são complexas realmente. A primeira delas, mas isso eu vejo de certa maneira começar a mudar, é que a sociedade precisa speak up, precisa falar, precisa falar a respeito, precisa mostrar, trazer a sua indignação. Essa coisa é fundamental. Isso é fundamental. E eu vejo que isso está começando a acontecer. Mas é um processo,
Complexo, sim, longo. Por quê? Porque você só tem eleições de quatro em quatro anos. Quem pode resolver isso? Você tem uma eleição próxima, nesse ano, aliás, e você precisaria ter a possibilidade de ter um líder que seja inspirador, para usar a palavra que já falamos aqui, e que ele possa começar a botar a engrenagem para rodar na direção correta. Então, assim,
não é uma coisa simples, mas nem por isso a gente pode exatamente, melhor dizendo, exatamente porque não é simples, que a gente não pode se acomodar. Deixa eu fazer uma pergunta que veio aqui, quando você foi falando de lideranças inspiradoras, e a gente falou aqui de Fernando Henrique Cardoso, líderes que foram escolhidos pelo povo, mas você trabalhou com outro presidente, que a gente pode dizer que não foi escolhido diretamente pelo povo, mas que conseguiu fazer um trabalho muito bom de arrumação
de casa, que foi o Michel Temer. Ali no governo entre 2016, talvez ali se não tivesse tido o que a gente chamou de Joesley Day, quando vazar aqueles áudios da conversa dele com o Joesley Batista, a gente teria até aprovado uma reforma da Previdência, onde iria imaginar onde o Brasil talvez estaria se tivesse aprovado no meio de todas aquelas mudanças que a gente teve, de mudança da TJRP, de teto de gastos, marco do saneamento, um monte de coisa que a gente conseguiu
andar e a gente ainda ia ter uma reforma da Previdência. Mas assim, se você fizer, talvez aqui na Faria Lima o pessoal até goste do Michel Temer pelo trabalho na economia que fez, mas se você fizer uma pesquisa Brasil afora, ele não tem o apelo popular que um Bolsonaro tem, um Lula tem, um político mais popular. A minha pergunta é, precisa ser um líder inspirador ou às vezes pode ser o líder que o Brasil precisa para aquele momento? Alguém
que venha para arrumar a casa mesmo? Como é que você vê esse paralelo? Em primeiro lugar, eu quero dizer que trabalhei com o presidente Michel Temer diretamente e conhecido com o que você disse. Fui presidente da Petrobras no período dele e quando ele me convidou, eu entrei na sala dele, ele foi direto ao ponto, perguntando se eu aceitaria ser presidente da Petrobras. Eu disse, presidente, eu vim aceitar, vim preparado para aceitar, mas não, não conversa.
De cinco minutos. Eu quero que o senhor saiba o que eu penso a respeito da Petrobras. Eu preciso saber o que o senhor pensa. Se houver uma coincidência. Ou uma razoável coincidência. Eu vou aceitar. Combinamos. Ele cumpriu tudo. Tudo. Nunca me ligou para fazer uma indicação política. Nunca me ligou para falar de política de preço. Nunca. Nunca. Então assim. E acho que de fato ele fez um... Para os dois anos e pouco que ele foi presidente. Fez um governo. E apesar dessa...
É que às vezes vem a palavra, eu não estou fazendo psicanálise, psicanálise que vem a palavra, você fala a palavra, eu não posso falar as palavras às vezes que vêm na minha cabeça, mas enfim. Isso se chama filtro. É o filtro, é o super ego, é o super ego funcionando. Mas enfim, se não fizessem, se não tivessem feito com ele o que fizeram, e a palavra que me vem na cabeça foi uma qualificação para o que fizeram com ele, ainda teria sido melhor, como você mencionou, teria provado mais coisas. Mas ainda assim fez muita coisa, e eu, olha,
Vamos ser pragmáticos. Quem é eleito não é um líder inspirador, mas ele faz, ótimo. O problema é como é que se consegue eleger. Porque você vai encontrar pessoas que têm excelentes propostas para o país, mas são pessoas que não têm penetração eleitoral, que não fazem um bom uso de redes sociais, que não fazem um bom uso dos algoritmos, de criar, fazer aquela confusão de fake news,
Então, assim, você tem este rubicão para atravessar, que é a eleição. Então, eu acho que o nó que a gente vive, e por isso que eu falo de ter um líder inspirador, porque não tenha dúvida, se continuam as coisas como estão, a gente já sabe, todo mundo fala, e é verdade, vai ganhar o que tem, a menor rejeição. Não vai ser eleito, ele não vai ser escolhido. O que você vai dizer, gosto, desgosto,
gosto mais do outro. Essa que é a realidade. E olha que triste essa discussão, né? Porque hoje mesmo eu estava conversando com um gestor de um fundo multimercado e ele acredita que o Lula não vai ganhar a eleição e um dos argumentos dele que ele usou, ele falou assim, Salomão, o Lula, quando estava preso, a rejeição dele era de 39%. Hoje, ele solta o presidente e está perto de 50%. Ele não tem como ganhar. Eu falei, pô, mas o problema é que quando ele estava preso, não tinha um Bolsonaro que a rejeição
Tão grande quanto a dele. Ou seja, vai ser uma disputa de quem eu gosto menos, como você mesmo disse. Exatamente. É muito triste porque a gente não discute Brasil. A gente parece que está discutindo um reality show, um Big Brother, alguém que você tem mais afinidade. Enfim. E recentemente, não tão recente, mas foi ano passado, a gente recebeu o Henrique Meirelles.
eu tive e de várias pessoas que assistiram o episódio foi que, porra, imagina esse cara se ele tivesse o apoio da população pra ser presidente. Ideias super claras também fez muita coisa, no próprio governo Temer também, mas assim, parece que tá na época errada, né? Porque hoje em dia você querer discutir sobre Brasil, sobre planos, tá errado. A sociedade mesmo escolheu um momento polarizado. Vou botar aqui no modo avião aqui, porque agora lembrei que eu não fiz isso.
A questão é exatamente essa, como é que a gente pega, como é que uma pessoa que tem a cabeça organizada, que sabe o que tem que fazer, como é que você dá a ela duas coisas básicas para ser eleito? Voto, obviamente, de recursos, direitos de boa origem para a sua campanha. Porque o quadro que se coloca aqui hoje é o seguinte, olha, você tem de um lado o presidente que está na posição agora,
ex-presidente, que apesar de estar preso, esta é a realidade, ele continua ditando as cartas da direita brasileira. E você tem, não é que você não tenha bons candidatos, você tem bons candidatos, eles não têm essa penetração. Mas aí, dá pra ter um pouco de esperança, pensando em nomes como, já vieram aqui, Ratinho Júnior, Eduardo Leite,
Zema. Até o próprio Renan Santos, um pouco mais... Renan Santos do Missão, que é um pouco... Caiado. O Caiado a gente ainda não conversou, mas também acaba vindo como uma opção. Mas é que eu citei esses outros nomes porque eles estão numa geração abaixo. Então, talvez nas próximas quatro, cinco eleições a gente ainda vai estar falando de Ratinho Júnior, Zema e Eduardo Leite. Mas não Caiado. Não Caiado. Porque o Caiado já tem...
mais perto da idade do... 75, talvez. Mas são nomes bons políticos, que fizeram bons trabalhos, com ideias arejadas, e que... E, pô, a gente pode até ir além, né? Estava assistindo essa semana, teve o Roda Viva com o Alessandro Vieira, senador do Sergipe, que está por trás da PL, essa PL recente do... que envolve o Banco Master, enfim, esqueci o nome da PL, mas também um senador super técnico, jovem. Dá pra ter esperança com base
nesses nomes novos, que talvez não vão disputar, talvez não vençam 2026, mas podem estar aí muito mais fortes em 30, 34, e a gente pensar num Brasil, embora para o longo prazo, não tão perto, mas um pouco melhor? Eu acho assim, você precisa ter um nome alternativo. Você precisa ter um nome alternativo. Se não tiver um nome alternativo, vai ser o mesmo jogo. E aí, sinto muito, não dá para esperar coisas diferentes,
com as mesmas pessoas, com os mesmos sistemas, com os mesmos projetos. Então, assim, precisa haver a coragem de colocar um nome, de se escolher entre esses, porque fizeram excelentes governos estaduais. E aí você não tem, pode ser Estado pobre, Estado rico, pode ser da esquerda ou da direita, você tem bons exemplos em todo esse espectro. Você tem uma coisa chamada Brasília. Talvez Brasília seja o principal problema do Brasil.
Por quê? Porque as coisas lá se movem em direções que não são exatamente aquelas que respondem ao interesse público. São interesses para o que há. Eu não estou nem falando de desonestidade, nada disso. Por exemplo, vou dar um exemplo aqui. Pega o tema das emendas. Deixo de lado todas as questões que já foram faladas intensamente
pela imprensa de mau uso dos recursos, de corrupção. Deixa isso de lado. Como é que um governo pode pegar o seu dinheiro, como diz o Armínio Fraga, o seu dinheiro, o meu dinheiro, o nosso dinheiro, e aplicar da melhor maneira possível? Em cada ministério, você tem um ministro indicado por um partido diferente que bota lá os seus cupinchas, às vezes são cupinchas de outros partidos, e cada um puxa para uma direção. Você não tem um projeto de governo. Você não tem um planejamento.
Você não tem uma coisa orgânica que você pega do seguinte, puta, eu tenho uma massa de dinheiro. O governo federal arrecada muito, arrecada muito. Então, a massa de dinheiro. Se eu organizasse aquela bagunça, para fazer com que as coisas se canalizassem de acordo com o projeto orgânico, com metas claras. Falar meta parece que é coisa de burocrata. Esses governadores todos trabalharam com meta. Eles alcançaram resultados maravilhosos na educação. Meta é resultados bons no Enem.
Segurança, olha os dados de segurança de Goiás. Olha a educação no Piauí e no Ceará, para dar também exemplos. Também tem exemplos de Minas Gerais, também tem exemplos de São Paulo, Rio Grande do Sul. O problema é que talvez esteja faltando um pouco de coragem para essas pessoas. Ou coragem para aquele que está organizando, precisa botar este nome logo. Porque a única chance que a gente tem é que esse nome... Nós vimos o Eduardo Leite começar no Rio Grande do Sul com, não sei, 2%,
da campanha. Ele se elegeu e reelegeu. E ele falando as coisas que ele achava que tinha que acontecer. E coisas que, historicamente, no Rio Grande do Sul eram coisas supostamente inaceitáveis, sob o ponto de vista político. E, assim, pra mim, até mais emblemático é o Zema, em Minas Gerais, porque o estado de Minas Gerais sempre foi um estado onde tinha aquela... o PT, PSDB alternando e surgiu como uma terceira via totalmente inesperada.
E você citou o Piauí, a gente também recebeu o governador Piauí, que é do PT, então também não é que a gente está falando aqui só dos políticos mais direita, centro-direita, o Rafael Fonteles fazendo um trabalho bom lá, e o Alessandro Vieira, que eu falei, ele é relator da PL Antifacção, e ele esteve no Roda Vivo. Me fugiu a pergunta que eu ia fazer agora com base no que você estava falando, mas você ia concluir alguma coisa sobre esses nomes?
para você o seguinte, olha, minha convicção, não são os nomes que estão postos. Ah, lembra que eu ia perguntar. Não são os nomes que estão postos. Precisa de um outro nome. Você falou da coragem. Aqui no estado de São Paulo, a gente tem um governador muito bem ranqueado e que, pelo menos, o mercado financeiro colocava como esse cara tinha tudo para ser o presídio, talvez o melhor presídio, o mais preparado. Se você juntar capacidade técnica, já uma experiência política interessante como governador e também como ministro,
na época do Bolsonaro, que é o Tarcísio de Freitas. Mas tudo indica que ele não vai sair candidato. E você acha que passou o cavalo selado e ele não subiu? Ou realmente seria premeditado ele tentar? Eu não quero usar o termo de faltar coragem, não é isso. Não, não, não. Eu dou muito valor à lealdade. Eu acho que existe uma coisa que eu chamo de hierarquia de lealdades. Ele seguiu uma hierarquia de lealdades. Exato.
Se quem ele se considera devedor de lealdade, eu acho uma boa pessoa ou não, isso não vem ao caso. Mas ele se sentiu com dever de lealdade para aquela pessoa. E é assim que ele, no meu modo de ver, eu não falei com ele, mas eu não critico, porque para mim ele deu vazão a um compromisso de lealdade que ele terá assumido em algum momento. Sim, ele teve princípios. Que é uma coisa um pouco rara.
entrevistou aqui o José Orico, é o fundador da Futura, um dos institutos de pesquisa, ele tem seus 71 anos e, bom, já viu muita coisa na política, e a gente falou sobre essa questão da lealdade do Tarcísio, e ele falou uma coisa interessante, ele disse, lealdade não costuma ser uma característica favorável para um político, justamente por isso, porque político, ele é leal até o momento que for interessante para ele, então o normal é o político não ser tão leal, não é que ele,
desleal. Ele ia até deixar claro que não é o antagonismo ao leal. Não é que os políticos são desleais, mas eles não são leais como o Tarcísio foi. Aqui é aquela velha discussão, que não existem amigos ou inimigos permanentes na política ou na diplomacia. Existem interesses permanentes. Normalmente se exerce a lealdade enquanto ela coincide com os interesses do que recebe a lealdade do que
apresenta lealdade. Quando não coincide mais, normalmente você vê um desvio entre essas coisas. Eu... Tem muita gente lamentando, realmente, mas a gente pode lamentar, mas não pode criticar. Esse é meu ponto de vista. Profunda essa mensagem, gostei. Pedro, eu queria falar dois pontos da sua história que eu queria muito abordar. A época do apagão e a presença da Petrobras. Mas você falou que o BB também foi uma grande escola pra você. BB e Banco Central. É, que o Banco Central você falou um
pouquinho. Falei. Queria que você contasse um pouco mais, então, do que que você aprendeu, se tiver mais coisas no Banco Central também, mas queria que você falasse também do Banco do Brasil. Quais foram os aprendizados que teve lá? Aí depois a gente vai para o Apagão e para a Petrobras. Banco do Brasil foi meu primeiro emprego com carteira assinada. Eu tinha 18 anos de idade, fiz concurso público. Meus empregos no setor público foram por concurso público, não foi por apadrinhamento.
Foi Banco do Brasil em primeiro lugar, depois Banco Central. E eu fui trabalhar numa agência bancária. E eu,
dia de trabalho, meu chefe me chama e eu escutava falar de contabilidade, sempre vinha na cabeça aquela coisa da imagem antiga do cara que tem aquela coisa para proteger da luz, uma caneta na orelha, uma viseira, uma manga presa assim para não atrapalhar manejar papel. E aí meu chefe me chama e diz, Pedro, isso aqui é uma agência bancária. Sim, senhor, eu sei, mas vou te explicar umas coisas. Sabe como é que funciona a agência bancária? No início do dia tem o tesoureiro,
no tempo não tinha computador, não tinha coisa nenhuma, nós estamos falando em 1971, mais de 50 anos, 50 e hoje, 56 anos. 55 anos atrás. É, 55. 55 anos. 54 anos e meio, porque foi novembro. Funciona da seguinte forma, o tesoureiro no início do dia chama os caixas, dá uma caixa de dinheiro para cada um, eles contam os dois juntos, assinam o papel os dois, dizendo, o caixa João recebeu 100 de dinheiro no início do dia. No final do dia,
O Caixa João volta com a caixa dele, que obviamente tem uma quantidade diferente. Os dois contam o dinheiro e chegam à contagem, tudo obviamente exemplificativo. E o Caixa João terminou o dia com 75. Os documentos da contabilidade que foram preenchidos lá pelo Caixa João, autenticado recebimento e pagamento, esses documentos têm que explicar essa diferença de 25. E assim é com o João, com o Pedro, com Maria.
bateu, o que acontece? Ninguém vai para casa. Ninguém vai para casa. Eu falei, porra, esse tal de contabilidade é um negócio importante, porque se ela não bate com a contabilidade, ninguém vai para casa. Então, isso já me deu ali uma lição fundamental de duas coisas. Processos e sistemas de informação. Porque no Banco do Brasil, desde o início, desde aquele tempo, nada se fazia que não se baseasse em dados da contabilidade.
Essa foi uma lição inesquecível. Depois eu vi alguma coisa semelhante no Banco Central, porque esse chefe que me marcou muito, eu vou dar o nome dele aqui porque é uma pessoa que já faleceu, já tem uns 20 anos, e eu gosto de falar o nome dele porque ele chegou a ser diretor do Banco Central no tempo do Armínio Fraga, Cincinnati Rodrigues de Campos.
tem muitos, tem muitos, que são de uma dedicação, uma lealdade, princípios muito firmes. E quando ele chegou lá, a contabilidade do Banco Central, diferentemente da contabilidade do Banco Brasil, tinha quatro meses de atraso. Quatro meses. Terminava o mês de janeiro, o resultado ia sair no final de maio. Ou seja, dados da contabilidade não serviam para coisa nenhuma. E aí que vem a história do cliente, que eu mencionei antes. Esse meu chefe, ele disse, olha,
Isso que nós estamos entregando aos clientes não serve para nada. O cliente não tem a melhor informação, nós vamos mudar isso. E ele transformou a contabilidade do Banco Central numa contabilidade, no final de 1975, talvez, uma contabilidade que era processada à noite e no dia seguinte, às nove da manhã, já tinha os mapas de contabilidade com informação processada. Ele fez isso numa virada de ano. De 1º de janeiro de 1976 ou 1975, eu não me lembro precisamente,
Central passou a ter relevância, passou a ter importância. Depois disso, dois ou três anos depois disso, talvez cinco anos, nós transformamos a contabilidade, eu digo nós porque eu participei desse processo. Contabilidade do Banco Central, uma contabilidade online em tempo real. Veja, há 40 anos atrás, online em tempo real. E depois nós fizemos isso no governo federal, que foi o sistema CIAF. Aí eu coordenei o trabalho de criar o CIAF com um sistema,
contabilidade, execução orçamentária e financeira, e caixa do governo federal, com mais de mil unidades gestoras em todo o país, online, em tempo real. E não se acreditava se conseguia fazer isso, se eu posso precisar, a data que foi 1º de janeiro de 1987. Então, assim, são coisas, e outra coisa que também foi muito interessante, ao refazer esta contabilidade, para ser uma contabilidade em tempo real,
estudar todas as operações do Banco Central. Então, o que eu aprendi de operações de Banco Central foi um negócio extraordinário, porque eu tinha que fazer o esquema contábil daquelas operações. Então, você vê que negócio assim, que sorte que eu tive na minha carreira de passar por esses lugares e com esses professores. E imagino que não fosse a coisa mais trivial aprender tudo isso. Você já tinha essa facilidade, essa aptidão, ou é aquela coisa do...
fazer, então se tem que fazer, eu vou aprender a fazer. Eu sempre digo uma coisa seguinte, eu não me considero uma pessoa estudiosa, muito menos um intelectual, mas eu aprendo fazendo. E aí meu curso de engenharia foi muito importante, meu curso de engenharia me deu uma base de matemática, que foi muito relevante para mim. Não é dizer que eu não tentei ser engenheiro, a gente pode depois entrar nesse momento, mas eu saí do Banco Central para ser engenheiro e voltei.
de que eu gostava, estava no Banco Central e não na engenharia. Por quê? Eu queria ser engenheiro eletrônico. Na verdade, engenheiro eletricista, opção telecomunicações. Eu queria ser engenheiro. Sabe aquela coisa? Eu vou ser engenheiro, eu estudei. Trabalhei durante todo o curso da universidade, então em vez de me formar em cinco anos, me formei em seis anos. Ainda bem que era aquele negócio de escolher matérias, então eu pude me organizar.
Tive muita ajuda dos meus chefes do Banco Brasil e do Banco Central, que me liberavam amanhã para ir para as aulas.
ficava muito laboratório, mas era o que era. Eu vim de uma família de 11 filhos e eu tinha que ajudar em casa. Não tinha jeito. Qual da escala você era? Eu sou aquela pessoa mais feliz de uma família de 11 filhos. Eu sou o sexto. O sexto bem no meio. Você está entendendo? Uma massa de crianças ali brincando, aquela confusão. Sabe aqueles filmes desenhamados? Eu era um deles. Já deu para notar que, enfim... Mas, talvez por isso eu tenha...
aprendido a me virar desde cedo. Então eu tinha que trabalhar. Mas fiz, completei o curso de engenharia, batalhei por emprego, não estava fácil emprego para engenheiro naquele tempo, e consegui um emprego aqui em Campinas, no centro de pesquisa da Telebrás. E em dois meses eu senti que eu não estava gostando nada daquilo que eu estava fazendo lá. E que de fato eu gostava do que eu fazia no Banco Central. E aí eu pedi para voltar. Simples. Não foi fácil, mas eu consegui.
Vamos falar da época do apagão ou você quer contar algum caos da época do Banco Central? Não, vamos falar daí, se me lembrar de algum outro caos. Tá, beleza. Porque acho que foi bem emblemático, né? Queria que você contasse até pensando que talvez a nossa audiência poderia estar viva naquela época, mas não se recorda por ser muito nova, mas até para quem viveu aquilo, é legal relembrar os bastidores de quem literalmente
teve que resolver o pepino, o abacaxi, ou qual era a outra que você falou? A batata quente. A batata quente que você teve que resolver. A primeira coisa que eu acho fundamental mencionar é que nenhuma dessas situações foi o trabalho de uma pessoa sozinha. Foi o trabalho de times. E talvez uma das coisas que eu tenho aprendido, que tem me ajudado muito, é exatamente essa capacidade de lidar com times. De escutar. Muito importante escutar.
muito CEO, enfim, que... Tem um livrinho que eu gosto muito, quem me indicou foi o Gerdau, Jorge Gerdau, que se chama-se O Mestre e o Executivo. Você conhece? E ali o mestre uma hora diz para o Executivo, a qualidade mais relevante de um líder é escutar. E eu, sinceramente falando, eu gosto muito de escutar. Então, assim, tudo isso que a gente está falando, todas essas coisas, seja no Banco do Brasil, Banco Central... O livro é o Monjo Executivo,
Ou é o mestre? Eu acho que é o monge, sim. O monge é bem popular. É o monge, o executivo. Foi até dar um Google aqui. O Google, pelo menos, corrigiu. Você quis dizer o monge, o executivo? Sim, eu quis dizer o monge. Pode responder para ele, porque ele tem toda a razão. Mas eu era chefe da Casa Civil naquele momento. O Ministério das Minas e Energia, no início do problema, era liderado por um ministro do PFL. Era um indicado do senador Antônio Carlos Magalhães.
No episódio do Jorge Mourad, que a Polícia Federal entra no escritório de campanha deles, encontra lá uma determinada quantia em dinheiro em espécie, aquilo causou muito estresse entre o PFL, que era um partido da base do governo, e o PSDB, e o governo, a idade entre o PFL e o governo do presidente Fernando Henrique. Naquele momento, os indicados do Antônio Carlos Magalhães, ele em solidariedade à Rosiana Sarney,
saem do governo, entre os quais o então ministro das Minas e Energia, que era o Rodolfo Tourinho. É nesse momento de transição no Ministério das Minas e Energia, talvez isso tenha até contribuído para a falta de antecipação do governo para o problema que se avizinhava, que as coisas se precipitam. Porque o ministro Tourinho acompanhava aqueles dados do ministério,
com muita atenção e tudo, mas ele apostou numa saída que foram as térmicas a gás, com gás da Petrobras. Mas não foi só isso. O problema é que a seca que aconteceu naquele momento foi muito mais pronunciada, muito mais forte do que se esperava. E aqui também tem lições muito importantes. E o governo fez uma tremenda confusão ali,
de seguro, e na terminologia de gestão de riscos você entra, você usa outra terminologia, mas na terminologia de seguros você olha um determinado evento que você quer fazer um seguro, eles chamam de risco e sinistro. O risco de acontecer e se acontece um problema é um sinistro. Por isso essa palavra horrorosa. As empresas você chama de probabilidade e de dimensão do problema. Mas de qualquer forma, o governo escutava tem risco
de 5% de acontecer um apagão. Essa é metade da informação, essa não é toda a informação. O que faltou perguntar, ou talvez foi omitido, eu não quero fazer nenhuma qualificação numa direção ou noutra, foi, tá bom, risco de 5% de haver apagão. Mas qual é o tamanho do sinistro? Qual é o tamanho do problema? Podia ser qualquer um, porque isto é da decorrência do nosso sistema, que naquele momento ainda era mais proeminentemente hidrológico,
mas baseado nas usinas movidas a água, hidrelétricas. E o que aconteceu ali foi que ia faltar água, ia acabar a água. E havia muito menos térmica. Não havia, obviamente, solar, não havia eólica, nada disso. Então, um modelo dessa natureza é um modelo probabilístico. Você não tem certeza.
Você tem probabilidades. E aí tem outra história também que eu vou contar, mas mesmo as menores probabilidades podem acontecer. Então, o problema é que, num determinado dia, nós do Ministério, quer dizer, ministros, somos convidados para uma... Eu, o Malan, foi, eu estava numa reunião lá no Ministério das Minas e Energia, na Câmara de Política Energética, e aí os técnicos do Minas e Energia vêm dizer que, olha, como as coisas vão, nós vamos precisar de cortes compulsórios,
de energia de quatro, de seis, de oito horas, em todo o sudeste e nordeste. Você imagina. Por dia? Todos os dias. Todos os dias. Tocou alguém no governo. E aí o ministro tinha mudado, o ministro Torino saiu e assumiu o ministro José Jorge, que depois foi senador e depois foi do Tribunal de Contas da União. O ministro José Jorge, antes de ser parlamentar, ele tinha sido professor de estatística. E ele me disse,
uma frase também que eu nunca esqueci, ele dizia, Pedro, mesmo eventos de probabilidade zero podem acontecer, porque não é determinístico, a probabilidade não é exatamente zero, é 0,00, mas é probabilístico, pode acontecer. E aí, numa outra Câmara, Câmara Política Econômica, o Malan, você pode perguntar quando ele vier, nós vamos trabalhar junto para ele vir aqui, ele me disse, Pedro, isso não é um problema mais setorial de Minas Gerais,
do governo, quem tem que cuidar disso é o ministro chefe da Casa Civil, que era eu. E aí o presidente me chama naquele dia, exatamente o Malan conversou com ele e eu não discordei nem um pouco, achei que estava certo. O presidente me chama e me diz, Pedro, você precisa assumir a coordenação disso. E eu disse, presidente, se eu sou um funcionário público, funcionário público, eu tenho chefe, meu chefe me chama e diz, precisa de mim e tal coisa, eu vou fazer.
Mas quem dá a missão dá os meios, eu peço ao senhor até amanhã de manhã para eu dizer para o senhor o que eu preciso. E aí eu trabalhei a noite toda e preparando
um documento para ele, um documento em que eu dizia, em primeiro lugar, não pode ser o poder de uma pessoa só, tem que ser um comitê. Em segundo lugar, esse comitê tem que ter autonomia. Em terceiro lugar, esse comitê tem que ter recursos. Em quarto lugar, que é ligado ao tema da economia, decisão tomada neste comitê é final. Não vou concordar em que o comitê tomando decisão, a gente mande para o Ministério da Fazenda, ou para o Ministério do Planejamento, ou para qualquer ministério,
se vai aprovar aquilo ou não. Bota a gente do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planjamento, todos os ministérios que têm a ver com esse assunto, vamos votar nessa Câmara de Gestão da Crise de Energia. E ele concordou com tudo. E um cuidado que eu tive realmente foi comunicação. Na minha visão clara, o governo tinha errado tremendamente de não antecipar o problema. Então, por exemplo, houve uma determinada sugestão dos chamados midiáticos. Vamos tirar a palavra crise daqui. Eu falei, de jeito nenhum.
Estamos numa crise. A gente tem que ter transparência. Vai ficar a Câmara de Gestão da Crise de Energia. É uma crise. Desculpa, eu bati aqui na mesa. O Renan daqui a pouco vai brigar com você. Então, assim, não vai tirar o nome. E aí eu fiz isso. Primeiro, eu nunca me... Na realidade, esse é um princípio que eu sigo sempre. Mas, neste momento, com muito mais rigor. Eu não mentia. Talvez não seja a boa palavra.
Eu não dava um desvio da pergunta. Me perguntavam, por exemplo, vai haver corte compulsório de energia? Eu dizia, se continuar a tendência de queda de consumo. E se a gente desenhou uma curva de nível de água, se o nível das águas ficarem acima dessa curva, não. Agora, são coisas que não dependem da gente. E a outra coisa que eu fiz, eu começava as entrevistas coletivas, era um ministro, era uma ansiedade jornalística,
quando tem um tema desse, vira uma energia naquela sala, aquela coisa assim. Eu não saía enquanto tivesse um jornalista. Eu começava a entrevista coletiva e ficava lá. E o ministro Jair Jorge ficava comigo. E a gente respondia. Às vezes fazia uma pergunta três, quatro vezes, porque o jornalista vai e perguntava tudo o que ele queria ir embora. A gente chegava outro, já sabia que era assim. E eu só dizia, já respondi essa pergunta, mas vou responder de novo. Às vezes era duas, três ou quatro vezes.
Ajudou a criar uma visão na sociedade. E às vezes me perguntam, mas por que você acha que deu certo? Eu acho que deu certo por dois fatores, um no início e outro do meio para o fim. Do início, nós mostramos uma perplexidade. Estava visível na cara das autoridades, visível na minha cara, a perplexidade com o problema. A população olhou aquilo e falou, isso é sério mesmo, cara. A popularidade do governo foi lá no chão. Mas as pessoas entenderam que era sério, que era para valer.
foi inacreditável. E a gente usou também de uma coisa que eu já aprendi que é muito importante, que é símbolos. Símbolos que a gente usou. Não pode ter jogo noturno. Não vai gastar luz da geração pública para iluminar jogo de futebol. Quer fazer jogo noturno? Contrata gerador. Pode fazer, contrata gerador. Eu não lembro disso nessa época. Não tinha jogo de noite? Ou chegaram a ter e pagavam? Pagavam, mas muitos foram trazidos
podia. Outra coisa, poste de iluminação pública, um ligado, outro desligado, um ligado, outro desligado, em todas as cidades. Você vai dizer assim, a economia disso era grande? Não era grande, mas mostrava a natureza do problema. É o tal do exemplo. É o tal do exemplo. Órgãos públicos, todo mundo tinha que cortar 25%, órgão público 40%. Ministros, eu dava mensagem, quem descumprir a sua meta, nós vamos ter um problema, eu vou pedir, não sei se o presidente vai aceitar meu pedir, mas eu vou pedir para
demitir o ministro. E óbvio que eu fiquei super preocupado. Eu tinha acabado de instalar um trocador de calor numa piscina pequenininha que eu tinha numa chácara perto de Brasília. Imaginem se alguém bate uma foto de uma piscina aquecida do chefe da Casa Civil responsável pelo comitê. Falei, desliga esse troço, tira isso daqui. Vamos tomar banho de água fria. Eu tinha um boiler em casa. Falei, tira o boiler, bota um boiler elétrico, bota um aquecedor de passagem a gás.
A população viu aquilo. Da metade para o fim, viu que era sério, que era para valer, da metade para o fim. Foi a coisa mais bonita que eu vi em termos de governo. Porque eu vivi a crise da Rússia, a crise do México, a crise da Ásia, a crise brasileira. E toda a crise tinha um pacote de medidas fiscais. Eu era parado na rua para ser xingado, para me rogar em praga. Porque eu, junto com o secretário executivo do planejamento, a gente anunciava essas medidas.
E rogar praga, estou falando literalmente, me rogaram praga. Eu quase bati o carro de estou falando sério. Eu fiquei tão incomodado com aquilo que eu me desliguei da direção. Lá, Brasília, tem aqueles que me chamam de bamboles. E eu ia ultrapassando a preferencial. Olhei e parei. Bom, no apagão, no meio para o fim, as pessoas me paravam para dizer estou cumprindo minha meta. Mas o negócio, se a gente fez uma coisa com a população de menor renda, que a gente não podia pedir para o pessoal que consumia até 100 quilos,
para economizar, já economizam, quer dizer, já consomem tão pouco. O que a gente fez? A gente disse o seguinte para essa população, disse, olha, você não tem meta de redução, mas para cada real que você economizar, o governo lhe dá dois. O que significava isso? Se ele reduzisse um terço a conta dele, ele tinha a conta de graça, pagava a conta dele. Queria receber dois terços. Ele recebia duas vezes, pagava a conta e um terço dele era o desconto.
usamos muito estímulos de preço. Nós não cortamos compulsoriamente. Nós dissemos, se você consumir mais o excesso... Para te dar um exemplo dessa transparência que foi fundamental, na entrevista coletiva, quando a gente anunciou o plano, a gente falou que quem gastar, quem consumir, além da sua meta, vai pagar, sei lá, 50%, 100% de taxa. Aí o jornalista faz a pergunta e diz, o senhor não acha que isso é muito alto? Eu acho, eu acho que é muito alto, mas não tem jeito. Se não for isso,
a gente vai ter que fazer um compulsório. Então assim, o fato de que as famílias, as empresas estavam dando uma contribuição direta para resolver um problema nacional, essa é uma oportunidade muito rara e as pessoas estavam gostando disso. E por isso é que teve sucesso. Essa história é incrível, mas eu estou vendo vários paralelos com os dias de hoje. Porque assim, o que eu penso ouvindo isso tudo? Vou abrir um aqui, atenção pessoal. Pode aí, pode se mambalizar.
Enquanto eu pergunto. Isso. Essa aí é sem gás. É como eu gosto. Tomando aqui, contribuindo aqui com um litro d'água. Mais um litro para quem não tem água. Para quem não tem água. Fico feliz em ajudar. Boa. Pedro, como é que eu enxergo essa situação ouvindo essa história e tentando trazer para os dias de hoje? Minha primeira impressão. A gente precisa de uma crise muito séria para deixar os políticos perplexos e de fato tomarem uma decisão, uma atitude que unifique todo mundo.
preocupado, porque parece que o Brasil precisa piorar muito mais pra gente ter esse choque. E o segundo ponto é, vivendo num país tão polarizado como é hoje, e embora houvesse a disputa 25 anos atrás, mas nem de perto era o que é hoje. Porque não tinha rede social, né? Não tinha rede social e não tinha hoje, assim, a impressão é, pô, mas você vai aderir ao racionamento, mas esse racionamento é do governo atual, então você apoia o governo atual, então
parece que o cara vai, se falar isso, talvez a galera estaria consumindo duas vezes mais, só para ferrar o governo atual, sabe? Essa coisa tão polarizada. Fazendo essa analogia, seria bem mais difícil nos dias de hoje se tivesse que enfrentar uma crise dessa, ou talvez tendo uma crise como essa, a sociedade ia se unir, parar um pouco com essa briga, esse flaflu político, ia ter algo que unisse todo mundo. Como é que você vê, tentando trazer para os dias de hoje, já que você pontuou a perplexidade,
que o governo mostrou e que a sociedade falou, caralho, isso é muito sério. E esse apoio da população, que não importa se é o governo de esquerda, de direita, se é para o rico ou para o pobre, é algo para o Brasil. Eu acho que você toca num ponto aí muito importante. Tem o Chavão, mas em chinês, crise e oportunidade tem o mesmo idiograma. E tem uma frase que eu acho que eu escutei a primeira vez, vou citar de novo, do Jorge Gerdau, que ele dizia,
perca a oportunidade de uma crise. E outra coisa que é semelhante a essa é, haja como se você sempre estivesse em crise, porque aí você otimiza a utilização de recursos. Dito isso, é uma questão fundamental, porque a crise ajuda a formar, digamos assim, uma massa crítica de consenso em torno de uma determinada questão. Se não existe essa crise,
está uma crise, estou sendo apenas factual, respondendo a sua pergunta, você vai continuar a ver o que a gente assiste hoje, que é de fato uma impossibilidade de diálogo entre os dois espectros aqui, ou as duas extremidades desse espectro político que a gente vê no país. Se só com uma crise nós vamos começar a melhorar, eu espero que não. Pedro, vamos falar de Petrobras.
Esse episódio eu acompanhei porque nessa época eu já era chefe da redação do Infomoney e acompanhava bem de perto tudo o que acontecia na Bolsa. Bom, eu estava até aqui nas pesquisas para fazer a entrevista. Eu fui relembrar um texto que Geraldo Samor e Natália Vire no Brasil Journal. Aliás, mandar um abraço para os dois, um beijão para a Natália, competentíssima. E o Geraldo Samor fazendo um trabalho incrível ali no Brasil Journal.
Deixa eu me juntar a você. Um abraço aos dois. Ele escreveu A Cruzada contra Pedro Parente, que foi na época que a bruxa do momento se chamava Pedro Parente, o CEO da Petrobras. E, bom, aqui não vou reviver tudo aqui que aconteceu, mas, enfim, decisões técnicas que precisavam ser tomadas levaram consequências não técnicas, ou sociais, ou, enfim. E acabou culminando com a sua saída da Petrobras. Eu queria que você contasse um pouco,
vai fazer oito anos agora em maio. Como é que foi essa experiência na Petrobras de você fez o que precisava ser feito e isso acabou culminando com a sua saída? Em outras palavras, era melhor ter feito de outra forma? Ou, até ouvindo outros presidentes de Petrobras que já passaram aqui, esse é um cargo passageiro mesmo. Em média, presidente de Petrobras não costuma ficar muito tempo nessa cadeira. É uma cadeira que você está lá mesmo
passagem, até fiz essa conta, acho que é uma média de 12 a 14 meses que um presidente da Petrobras costuma pegar os últimos 10 presidentes, enfim. Queria que você contasse um pouco desse episódio ali, dos reajustes, da política de empresa da Petrobras, greve dos caminhoneiros, enfim, e a sua saída ali da empresa. Foi um momento extraordinário, uma experiência riquíssima, não me arrependo.
Aliás, eu acho que você foi o mais longevo de todos esses, né? Porque você entrou em 16? Eu entrei em 16 e saí em 18. Entrei no dia 1º de junho, 2 de junho. Eu entrei 1º de junho e saí 1º de junho. Dois anos assim, bem redondinhos. Ainda que eu possa eventualmente dizer, bom, isso eu faria assim, eu faria assado. Mas não tenho nenhum arrependimento de nada que foi feito. O time que liderou a Petrobras.
dizer o seguinte, quando eu cheguei já havia um ano de uma gestão bem mais profissional. Então você terá acompanhado isso. Quando chegou lá o Ivan Monteiro e chegou lá o novo conselho, a Petrobras estava sem balanço. Eu lembro. Tinha alcançado o status de empresa mais endividada do mundo. A maior dívida corporativa do mundo. Mas não foi por isso que ela não teve balanço. Ela não teve balanço por causa da
Porque os auditores, na ocasião, disseram que não daremos o nosso parecer se não tiver uma provisão que tenha um critério razoável de cálculo para as perdas da corrupção. Então, eu quero, em primeiro lugar, fazer justiça a esse time que estava lá. Eu não me refiro ao presidente, eu me refiro ao time técnico que estava lá.
todos funcionários da casa. Quando o presidente Temer me convida para ser presidente da Petrobras e teve essa, eu contei já aqui, essa circunstância da gente primeiro entender o que cada uma pensava a respeito da Petrobras e houve coincidência e ele cumpriu tudo. Eu, logo em seguida, logo em seguida que foi anunciado o meu nome, a primeira coisa eu fiz, eu saí de lá do gabinete do presidente e estava então com
sido o ministro Padilha, que era chefe da Casa Civil, e fomos direto para dar uma entrevista para a imprensa. E aquela excitação de novo da imprensa que você viveu, eu tive a sorte de uma jornalista, que eu não me lembro quem é, mas que eu conhecia, me perguntar, e as indicações políticas? E eu tive a oportunidade de dizer em alto e bom som, não haverá indicação política. Aquilo foi um auê. E nós começamos, então, fiz algumas coisas, quer dizer, com esse time,
time maravilhoso. Eu levei mais uma pessoa, mais um diretor. Não vou citar nome nenhum aqui, já citei do Ivan Monteiro pela particularidade que ele veio do Banco do Brasil e porque foi o meu sucessor. Mas esse time maravilhoso, no dia que o meu discurso posto eu disse, em 60 dias vou apresentar um plano estratégico para a empresa. Trabalhamos os 60 dias com o time da casa, com os chamados gerentes executivos e com esse time de diretores.
Eu tive depoimentos assim de uma gerente executiva chorar dizendo que nunca tinham perguntado a opinião dela. Gerente executiva é porque na Petrobras não tem vice-presidente. Lá tem presidente, diretor, gerente executivo. Nas empresas tem presidente, vice-presidente, diretor. Então, gerente executivo na Petrobras corresponde a diretor. Então, assim, a gente contou novamente com muita participação. E é de novo aquilo que eu já te falei. Eu gosto de contar com o time.
incentivar, eu gosto de estimular, ir chegando com mensagens claras, mensagens muito claras. Você perguntar para o Ivan, ele vai te dizer exatamente o que eu vou te dizer. Eu dizia, eu vim para fazer o que tem que ser feito e da maneira certa. Então, era isso que nos guiava, era isso que nos guiava. Quando eu cheguei a Petrobras, estava em quarto ou quinto lugar em market cap, em capitalização na bolsa, fui a primeira e, coincidentemente, em maio ela volta a ser a primeira.
primeira, em market cap, e passou os 100 bilhões de dólares também com market cap. Onde é que se juntaram as forças? A gente teve ali dois problemas, o aumento do preço do petróleo e o aumento do câmbio. E eu tinha publicamente assumido, a minha máxima era dizer assim, subiu, subiu, desceu, desceu.
e o Brasil baixou o preço lá, baixou aqui. E a grande dúvida que a gente tinha é como é que a gente podia tirar esse tema de preço de combustível, talvez tenha sido uma ilusão infantil, talvez, do noticiário. E eu fiquei pensando, um time, você olha para outros países, eu me refiro a países desenvolvidos, quando o cara vai botar gasolina nos Estados Unidos, a menor ideia, não fala de governo, tem governo nisso,
não tem nada disso. O preço sobe, o preço desce, muda todo dia? Ou muda quando muda o preço? Você não sabe quem são os distribuidores? Talvez se a gente fizer uma mudança diária de preços, esse assunto desapareça porque ele se incorpora, digamos assim, à paisagem desse tipo de questão. E o problema foi que para atrapalhar nosso plano, as duas coisas se somaram e aumentaram simultaneamente.
E aí, de fato, se junta ali um conjunto de forças, inclusive o famoso fogo amigo de dentro do governo. Tinha um ministro muito próximo ao Temer, que queria a minha cabeça de qualquer jeito. De fora do governo tinha o presidente da Câmara, que era o filho do ex-governador do Rio. O Rodrigo Maia. Isso, o Rodrigo Maia, me apoiando muito. E o presidente do Senado batendo muito em mim, que era o do Ceará, como era o nome dele. O presidente do Senado era o Jucá? Não, não era o Jucá.
O Jucar não foi presidente do... Presidente do Senado. O Google sabe, sempre sabe. Então, olha aí, perguntei. Ah, está aqui. O Eunício. Eunício. Eunício Oliveira, né? É verdade. Ele não ia com a minha cara e batia muito também. E eu fui formando a ideia e concluí que ela era procedente de que ali eu tinha que fazer uma escolha. E a escolha minha foi preservar a instituição.
preservaria a instituição, como eu era o foco. Você vê que o próprio Geraldo Samor expressa isso bem. Eu era o foco de tudo isso. E uma coisa que eu aprendi em governo, quando você quer desmanchar uma bolha, você tem que criar uma bolha ainda maior. Senão você não desmancha a bolha. E a bolha ainda maior era a minha saída. Em dias o assunto se acalmou. Em dias o assunto se acalmou. E a política de preso continua. Vou ler aqui o último trecho dessa coluna do Samor. Ele fala assim, Pedro Parente não é uma bruxa.
Mas em dois anos de Petrobras, ele cometeu suas heresias. Parou de subsidiar a gasolina, fez o combustível passar ao silar de acordo com o mercado internacional, estancou a sangria de caixa e começou a reduzir o endividamento astronômico deixado por Dilma Rousseff, além de fazer a ação da empresa mais do que dobrar de valor. Pode-se discordar da gestão de parente, mas tentar derrubá-lo para fazer seu trabalho, ou pior, transformá-lo em crápula, é aprofundar a vala comum, onde estamos jogando todos os políticos e servidores públicos,
Depois, todos nos perguntamos por que é tão difícil achar gente boa para trabalhar no governo. Assim, eu achei o texto inteiro, ele vai contando como você se tornou o bode na sala. Era aquele que parece que é só tirar o bode da sala que pronto, resolveu os problemas. Mas, enfim, legal essa analogia da bolha, criar uma bolha maior.
Você aprende em governo. Você quer ter uma bolha... Você tem que ter uma bolha maior, porque a outra estoura, é absorvida. Mas o que eu entendi, então, é que você fez o que tinha que ser feito, mesmo que isso culminasse a sua saída, porque também, ao final do dia, ficar na Petrobras não era o seu objetivo maior. O objetivo era fazer com que a empresa fizesse o que era certo para ela e que seria o melhor para o Brasil. Exatamente.
E tem outro detalhe. Você falou aí. Quando nós chegamos lá, a Petrobras devia 150 bilhões de dólares. Eu sei que o número era mais de 5 vezes EBITDA, 5,2 vezes EBITDA. Vamos lembrar para aqueles que não... Claro que a sua audiência, todo mundo sabe o que é isso, mas correndo o risco de ter alguém que não saiba, é a geração de caixa operacional da empresa. E no Brasil, especialmente no Brasil, por causa das altíssimas taxas de juros,
Três vezes as pessoas já começam a olhar de nariz, fazendo careta. E nós estabelecemos duas metas, o nosso planejamento estratégico. Reduzir a dívida à metade, como múltiplo do dívida, e uma meta de segurança. Queríamos ter indicadores de segurança operacional igual aos das melhores empresas internacionais, que não eram. E essas metas deveriam ser cumpridas no final de 2018.
foram cumpridas no final de 2018. As duas, que também é outra coisa que não se vê muito. Prometer e cumprir. A gente fez os planos para isso. A gente estabeleceu essas metas. Isso é gestão. Isso aqui é falcone puro. Está certo? Estabelece as metas e vai ver o que você precisa mexer na empresa, quais são as alavancas que você precisa mexer para aquilo acontecer. Aconteceu. Então, assim, eu saí derrotado da Petrobras de jeito nenhum. Aconteceu. Aconteceu. Ficou lá o Ivan Monteiro.
que hoje é um amigo, que é o presidente da Axia, ex-Eletrobras. Está entendendo? Que também é outra baita história. É outra baita história. A gente trouxe aqui a... Eu viro a presta. Foi CFO da Eletrobras durante o processo da privatização. Ela detalhou todo o processo. Outra grande história. O capitalismo brasileiro tem suas histórias... A gente precisa de umas pessoas bem malucas mesmo para enfrentarem esses desafios, porque racionalmente falando não é fácil decidir
de ter uma vontade genuína de quase que se entregar, se sacrificar ao Brasil. Por isso que eu admiro muito quando pessoas como você vêm aqui e contam essa história, relatam o que fizeram aqui pelo Brasil e por onde passou no governo, nas empresas. Agora eu fiquei com uma curiosidade. Você gosta mais, eu entendi que você é bom de resolver problemas, mas você gosta de trabalhar em empresa bem ajeitada ou você acha que você brilha mais nessas
nesses abacaxis que tem que... Porque as empresas hoje que você está são ótimas empresas, né? Todas elas com problemas bem menores do que a gente já viu aqui, né? Enfim, onde você acha que você brilha mais? Olha, você sabe daquela história, né? Que o diabo é o diabo, não é porque ele é o diabo, é porque ele é velho. Tá certo? Então, olha a história por trás da experiência.
profissional com carteira assinada, eu já vi muita coisa. E a experiência não é porque você é mais sábio, mas é porque você já viu. Certo? Então, assim, todo lugar que eu cheguei eu não conhecia o negócio. Eu não conhecia o negócio do grupo RBS, Mídia. Verdade, também foi RBS. Eu não conhecia o negócio da Bung. Eu, para ser justo, eu já conhecia alguma coisa de Petrobras, porque eu tinha trabalhado no Conselho da Petrobras no tempo do
da Henrique. E eu não conhecia nada de franguinho, de porquinho, que é o negócio da BRF. Em que eu sou bom? Se você me permite, se as pessoas que vão nos assistir me permitem. Eu sou bom em organizar pessoas e recursos para alcançar resultados. Isso é uma outra tradução para gestão. E eu também gosto muito de incentivar e desafiar, no melhor sentido da palavra, uma determinada organização para alcançar
E lançar resultados além daqueles que seriam, digamos assim, a trajetória normal de uma determinada empresa. Então, eu vejo assim, para mim não importa se a empresa está em crise ou não está em crise. Eu, sinceramente, acho que com a minha experiência eu posso ajudar. Com toda, usar essa palavra, humildade. Sem querer parecer presunçoso, prepotente. Não, não parece, nem soa.
assim, é algo que talvez quem tá do outro lado, ouvindo, né, geralmente as pessoas ouvem aqui o podcast, nunca ouvem sentadas de frente pra tela, né, às vezes estão na academia, estão dirigindo, estão passando o cachorro, lavando a louça, fazendo alguma atividade. E eu não sei se elas sentem isso, mas, pô, eu tô aqui, são mais de 330 episódios que eu já fiz aqui, fóruns que eu já fiz na época da XP, então assim, a gente sente uma vibração diferente, uma troca, e você tem
uma energia mais leve. Você traz um pouco de serenidade. Obrigado. Talvez isso ajude também nesse trabalho de organizar as pessoas. Tem pessoas que a gente fica à vontade de ouvir o que ela tem a dizer, o conselho ou a crítica. Não traz um clima pesado. Talvez seja por isso que você conseguiu circular tão bem em estatais, em empresas privadas, em governo, com crise, com oportunidade, enfim. Acho que tem um pouco...
Eu não vou dizer dom, mas tem certas coisas que a gente exercita por tanto tempo que a gente acaba ficando bom mesmo. E consegue fazer isso de maneira natural. Legal. Eu acho que quem tiver a oportunidade um dia de ter um papo com o Pedro Parente, eu recomendo fortemente. Tem sido uma troca bem legal. Eu tenho só mais uma pergunta antes da gente entrar no pingue-pongue. Sim, senhor. Eu queria saber o que você enxerga de traçar um cenário perspectivo
com uma cara de fim de papo para o Brasil, quase como amarrar tudo que a gente foi falando. Olha quanta coisa que o Brasil evoluiu ao longo desse tempo, que você participou e o que a gente pode esperar do Brasil daqui para frente, quase como ficar otimista com o Brasil. Mas também queria ouvir de você, Pedro Parente, seus planos. O que você almeja? Como você quer? De que forma que você ainda quer estar atuante? Não vou nem falar de voltar para o governo, enfim, mas se tem alguma coisa
gostaria ainda de fazer na vida pública, enfim. Bem, eu acho que a gente faz o nosso papel quando a gente procura olhar os grandes problemas nacionais e dimensioná-los e apontá-los e trazer preocupação e notar a preocupação, porque acima de tudo, eu sou um patriota, eu amo o Brasil, eu amo esse país. E eu acho que a gente tem o direito de ter um país muito melhor do que ele é.
Isso, por outro lado, a gente não pode deixar de reconhecer que ainda assim esse país é um país maravilhoso. Quando a gente olha o mundo afora, especialmente nesses dias sombrios que a gente está vivendo, existe aqui uma paz, claro, já foi maior do que é hoje, no sentido da harmonia na sociedade, mas aqui a gente não tem um problema territorial,
não tem várias línguas. É um país continental. A gente tem inúmeros casos de casamentos entre diferentes religiões, inclusive entre árabes e judeus. Inúmeros, inúmeros, inúmeros. A gente cresce a 1,5%, 2%. Podia crescer muito mais, mas ainda assim cresce. É um país que... É a velha discussão. O copo está meio cheio, meio vazio.
Eu acho que, por obrigação, a gente tem que olhar que o copo está meio vazio. Mas também dá para dizer que o copo está meio cheio. Eu tive um almoço essa semana com um italiano que mora no Brasil e divide a sua vida entre Brasil e Itália. Ele falou do Brasil de uma maneira. Ele disse que isso aqui é um paraíso. O país é um paraíso. Imagina o que está na Europa entre Russo, Estados Unidos e China e Oriente Médio.
É um paraíso. Eu não quero dizer isso para ser fácil no diagnóstico ou ser inocente. Porque, por outro lado, existe a indignação que eu já referi, que podia ser muito melhor. Pode ser muito melhor. Pode ser muito melhor. Depende das nossas lideranças. Depende das lideranças. Sim, depende das lideranças. Porque, às vezes, eu me pergunto
Quando a gente olha autoridades em geral, será que elas não gostariam de ser exemplos também? Eu imagino que todo mundo gostaria de ser exemplo. E como seria bom se todos fossem exemplos? Então, não tenho resposta fácil para essa pergunta, nós já falamos disso. Mas eu não quero deixar de ver o lado bom e não quero deixar de continuar me indignando com o lado ruim. E seus planos? Meus planos. Você não esqueceu essa pergunta? Tá bom.
Aqui tem uma questão interessante, que é a questão da idade. Estou com 73 anos de idade. Não quer dizer que não me cuido, me cuido bastante. E acho que estou em excelente forma para continuar a contribuir. Claro, não sou mais um jovem de 20, 30, um executivo dos seus 40, 50, isso eu sei. Mas o tema do envelhecimento da população é uma questão importante.
os idosos de uma maneira como se não fosse mais possível contribuir, essa cultura existe. E eu acho uma pena. Então, meus planos é continuar trabalhando, é continuar contribuindo. Há poucos meses recebi o honroso convite de assinar uma coluna no Globo. A oportunidade de dizer o que eu penso, da maneira como eu sinto, é uma oportunidade extraordinária para uma pessoa como eu, que procuro me indignar. Mas eu sinto, eu já sinto essa
essa certa discriminação com a pessoa de mais idade. É uma preocupação, porque, como eu te disse, eu me sinto plenas condições de ajudar, numa condição diferente, não sendo um executivo, mas sendo um membro de conselho. Trabalho também, por exemplo, sou presidente do conselho da USESP, uma coisa que me dá muita alegria. É verdade. Muita alegria. Eu tenho um grande amigo que trabalha na USESP. Quem é? Que é o Fabrício Anias.
é o dono da School of Rock. Ele até citou o seu nome, em verdade, quando eu falei que ia te entrevistar. Que legal. É uma alegria. Só contar um pouquinho da USESP para quem não conhece. Não, eu conto. Mas sabe o que é que a USESP me traz e que me ajuda a pensar? Como é bom, às vezes, ter coisas para a gente se orgulhar de ser brasileiro. Eu ouvi a USESP fazendo um concerto no Carnegie Hall em Nova York.
aplaudida de pé, regida pela Merin Alsop, que foi nossa regente de oito anos. E há dois anos atrás, há um ano e meio atrás, nos principais palcos da Europa, inclusive Viena e Berlim, aplaudida de pé. Não tinha brasileiro, não. Por quê? Porque eles não anunciavam como a Orquestra do Brasil, anunciavam o programa. Cara, mas que alegria de ser brasileiro naquele momento. O Zesp, só para a Orquestra Sinfônica
do estado de São Paulo. Quando eu falei, Fabrício Anir é dono da School of Rock. Ele tem duas unidades da School of Rock, mas quem conhece pelo menos a minha história ali desde o Stock Pickers, ele além de ser um grande fã do nosso podcast, investidor de ações, ganhou muito dinheiro com o Prio e a gente conversava muito sobre isso, mas por muito tempo o meu podcast, na época que eu era sócio da XP, era gravado no estúdio da School of Rock, que o Fabrício é uma das duas unidades que ele tem, que fica lá em Pinheiros.
Então, um cara que tem uma amizade enorme comigo no profissional e também na vida pessoal. E ele estava contando da USESP também. Que bacana. É muito. É muito bacana. Sabe por quê? Porque ali também se prova que a gente pode ter excelência. E volta aquela ideia de dizer o seguinte, se você vai fazer, faz o melhor que você pode. A USESP é um local de excelência. Que da hora.
Ficou gostosa essas lições do início do papo e a gente foi revisitando eles. Eu lembrei de mais uma pergunta, até com o livro aqui, quase esqueci. Esse livro aqui, Morra Sem Nada, livro do Bill Perkins. Por que ele está aqui? Porque quando você foi lá no podcast do Rui Alves, lá na Quineia, você falou desse livro. Olha só o que aconteceu. A gente está gravando num dia, não gosto de falar o dia que está gravando, porque não sei quando vai ao ar o episódio, mas dois dias antes,
eu entrevistei um brasileiro que mora em Miami e ele vem pra cá uma vez, cada três, quatro vezes por ano. E dessa vez ele veio e a gente gravou junto. Ele tem um multifamily office e tudo mais. Eu falei pra ele, ó, no final eu sempre pergunto de um livro. E aí ele veio aqui e falou, ah, vou falar um livro, mas até trouxe pra você de presente. Aí ele me deu, eu falei, cara, você não acredita, olha que coincidência. O Pedro Parente vem aqui daqui dois dias e ele falou desse livro no último podcast.
Eu tava louco pra ter esse livro aqui comigo, pra comentar com ele. Então já comecei a ler, tô ainda
no começo, mas já ouvi você falar um pouco desse livro, mas conta aí para a nossa audiência, acho que se conecta também com um pouco do que você falou sobre questão de idade e tudo mais, o livro chama Morra Sem Nada, Aproveite ao Máximo Sua Vida e Seu Dinheiro, e por que esse livro te marcou? Esse livro me marcou porque ele contraria todo o senso comum a respeito desse tipo de assunto, da acumulação, e ele diz
e eu concordo plenamente, que o que você tem de melhor na vida não são as coisas que você tem, e sim as experiências que você vive. Só que você tem que prestar atenção numa coisa que é muito importante. Para viver as experiências, você precisa de três coisas. Você precisa de dinheiro, você precisa de saúde, você precisa de tempo. Essas três dimensões, elas não estão disponíveis para você da mesma forma ao longo da sua vida. Quando você começa a sua vida, você tem,
saúde, mas não tem nem tempo e nem dinheiro. Na medida em que você vai progredindo na carreira, você começa a ter saúde e dinheiro, mas não tem tempo. Em um determinado momento, você vai ter tempo, vai ter dinheiro e não vai ter saúde. Então, assim, não deixe para depois as experiências que você pode ter imediatamente. Ele até tem no livro, enfim, eu vou comentar porque são lances assim que alguns acham até meio tétrico. Ele conta no livro que ele pediu a um
esses estatísticos atuários, para com base na idade dele, no padrão de vida dele, na saúde dele, encontrar lá qual é a tábua de idade a mais adequada para definir quanto tempo ele vai viver. Aí chegou lá, vamos dizer, 95 anos. E tem um app, que você vai lá no app, bota esta data, todo dia você abre o app, ele diz quantos meses, quantos anos, quantos meses, quantos dias, quantas horas, quantos minutos e quantos segundos faltam para você morrer. Mas é absurdo esse cara.
pra você saber que o tempo passa. O tempo passa. Então, assim, esse livro não tem nada que eu discorde do que ele fala. Nada. Eu não vou contar tudo, porque senão perde a graça. As pessoas hoje em dia têm um pouco de preguiça de ler, mas a gente deixa pra ler, deixa pro pessoal ler. Sabe o que eu achei mais curioso? Que quando eu fui ver o livro, eu pensei que era, sei lá, ele foi escrito por algum psicólogo ou alguém... O Bill Perkins é que tá no final do livro. É um cara do mercado financeiro, engenheiro,
trabalhou em Wall Street, foi trader do setor de energia. Isso mesmo. Jogador de pôquer. É um cara que... Mas começou a viver a vida, né? Ganhou muito dinheiro e talvez eu aquele estalo do cara do... Pra que que eu tô ganhando? O título é bem provocativo, Morra Sem Nada. Não é o que o título sugere. Ele é bem provocativo, ele tá correto, mas não é, por exemplo, imaginar, vou torrar todo o dinheiro, não vou deixar nada pros meus filhos. Mas eu não vou falar mais.
E o livro é curtinho aqui, dá para ler. Dá para ler rápido. Semana que vem eu vou para Brasília. Eu adoro viajar de avião, porque é a hora que eu mais consigo ler. Porque você fica totalmente offline, você não conecta com nada. Já tem rede, já tem Wi-Fi. Não, eu nem tento conectar, juro. No avião eu falo, não, estou no avião, não dá para responder. Não, tem Wi-Fi? Não, não tem. Eu gosto de ler no avião, é o momento que eu consigo focar. Pedro Parente, que papo da hora.
pro ping-pong, mas ó, já deixar o agradecimento que espero que você tenha gostado já dessa primeira parte. Agora é a parte mais fácil. É uma conversa boa, gostosa. Pô, que legal que você gostou. Agora ó, vou perguntar de livros, música, convidado e a maior gentileza que já te fizeram na vida. Vamos lá, livros. Eu sempre pergunto um livro técnico, seria um livro de mercado, mas pode ser um livro mais técnico mesmo e um livro tema livre.
Quais são as suas recomendações? Além do Morra Sem Nada, porque esse aqui já ficou claro que é uma recomendação
Tá bom. Um livro técnico, eu comecei a ler e estou gostando muito, do livro do autor, do Too Big to Fail, que é o 1929. O cara fez uma pesquisa extraordinária. Quem me recomendou foi o Guilherme Dias Ferreira, que é meu colega no Conselho da M. Dias Branco. Acabou de ser lançado e é muito interessante de ver as coisas, como pensava e como é que os problemas foram acontecendo.
naquela visão de, a gente falou de bolha aqui, de que as pessoas criam a ilusão de que o mercado sempre vai numa só direção, sempre vai valorizar os ativos, e de repente... O livro é o de capa vermelha e escrito em branco, assim, né? 1929. Inside the Greatest Crash in All Street. Ele foi o autor do Tubic do Feio. O Andrew Ross Sorkin. Uma senhora pesquisa, e eu estou gostando muito do livro. Um livro de...
Tema livre. Tema livre. Eu ando lendo muito menos romances, mas tem um que me marcou muito, que eu gosto muito, que é de um romantismo inacreditável, que é o amor nos tempos do cólera. Ah, sim. Gabriel Garcia Marques. Esse eu acho adorável. Agora, tem um livro que eu quero citar que, infelizmente,
o autor do livro apareceu nas gravações do Epstein. Então, nem sei se é politicamente correto citar. Mas eu acho que é um tema importante, que é a saúde. Então, esse livro... Eu ganhei, no Natal de 2024 para 2025, dos meus filhos mais velhos, livros. Um me deu esse livro, foi minha filha. Minha filha é uma das filhas. O outro me deu esse livro sobre saúde.
E eu vou citar apenas porque esse livro foi muito importante para eu mudar meus hábitos, que ele se chama Outlive. Eu não sabia que ele tinha sido citado no caso do Epstein, porque o Peter Atch, o Outlive, talvez seja um dos livros mais citados aqui no podcast. É incrível como ele transformou a vida de muita gente. Já ganhei esse livro com dedicatório, tipo, leia, por favor, leia. Eu li esse livro todo, ele foi muito importante para mim.
Eu não sei se eu leria sabendo que ele está lá nas bagunças do Mr. Epstein. Mas ele foi importante para mim. Muito importante. Inclusive, porque eu perdi 12 quilos sem Kilimanjaro. Eu brinco, né? Eu falo Kilimanjaro sem nenhuma injeção. Eu perdi fazendo duas coisas. Comendo menos. E que eu lembro de uma reunião de conselho lá da Bung, lá em White Plains, perto de Nova York,
diretor lá do FDA. O cara tá meio prepotente e tal, mas sabia bem das coisas. Aí ele virou uma hora e disse assim, vou fazer um desafio pra vocês. Saiu daqui, comecem a comer metade do que vocês comem. Não vai acontecer nada demais pra vocês. Saúde vai melhorar. Isso é uma das coisas que ele diz no livro. Comendo menos, melhora a saúde. Então eu passei a comer literalmente metade. Eu vou pro restaurante, eu peço um prato, eu digo, já separa metade, bota na quentinha que eu vou levar pra casa. Ah, que legal. E a outra foi o que ele,
Ele tem várias coisas lá, mas ele falou de você fazer o aeróbico naquela faixa de frequência cardíaca que estimula as mitocôndrias. Por que isso é importante? Porque tem duas moléculas que transformam alguma coisa em energia para o corpo humano. A mitocôndria é a única que transforma tanto gordura quanto açúcar em energia. As outras só transformam açúcar. Então a única que reduz gordura são as mitocôndrias. Então tem essa faixa cardíaca que você tem, tem lá as regras dele que você segue e faz isso.
Eu acho que eu já vou pular direto para esse trecho, porque comer menos eu já estou conseguindo comer menos. Mas olha, cara, numa boa. Impressionante. Faço o tempo que ele recomendou por semana, na frequência cardíaca ele recomenda. Boa. Impressionante. Muito bom. Eu também peço uma recomendação de não leitura. Um livro para morrer antes de ler. Você tem alguma recomendação? Cara, você falou isso no início da nossa conversa aqui, na introdução, eu fiquei pensando. Não tem. Não tem? Tudo bem. Então a gente...
A gente apula então para a música. Uma música, e por que essa música? Falando da USESP aí, a música tem que estar no coração. Não, eu adoro música, eu gosto de boa música, claro, cada um tem o seu próprio conceito de boa música. O que eu quero dizer com isso é que eu gosto muito de música clássica, eu gosto de rock, eu gosto de música brasileira, eu não gosto de coisa muito barulhenta, entendeu? Gosto de alguns sertanejos, mas os mais tradicionais. Tem uma música que me marca muito, eu gosto muito, eu digo, chama-se You've Got
É bem conhecida. De quem que é? Ah, quem canta... Eu vou achar aqui. Quem canta é... Acho que é Carl Simon ou a outra cantora. E também o James Taylor. O James Taylor também canta. James Taylor? É. Tá aqui. You've got a friend. You've got a friend. Tem a Carl King. É, a Carl King, exatamente. E James Taylor. E aí diz quem é o autor. É, o autor é a Carl King. Mas tem a versão...
linda, muito... E eu comecei a escutar essa música num tempo que tava começando a namorar, então traz aquelas sensações gostosas. É, o Google também entrega o ano da música, e ó, foi no ano que pelas contas que eu fiz, você começou a trabalhar no Banco do Brasil, que foi 71? Foi, exatamente. Então, 71 também. 18 anos. É o ano dessa música, You've Got a Friend. É. Um convidado que você gostaria de ver aqui no Market Makers. Você já deu a letra aí durante o papo, hein? Já, já dei, já dei essa, já respondi. Seu xará?
Xará, aliás, me chama de Xará e eu chamo ele de Xará, o ilustríssimo ministro Pedro Malan. Poxa vida, olha esse aí, vou mandar um oi sumido pra ele no e-mail que eu tenho, tinha trocado uns e-mails com ele ano passado, seria uma baita de uma honra, se você mandar um WhatsApp lá pra ele, fala, ô Salomão manda um abraço. A gente pode ir até lá, a gente pode ir pro Rio também, não tem problema. Eu vou mandar mensagem pra ele. Ele tem, de vez em quando, me mandado mensagem, ele é muito econômico. O fato de que ele me manda mensagem
gostando dos meus artigos, eu digo, pô, legal, isso aqui é bacana. Quando se diz que ele é muito econômico, ele fala pouco, são poucas palavras? Ele fala pouco, mas ele também tem um humor bem britânico, bem... Por exemplo, vou dar um exemplo. A gente almoçava lá no Ministério da Fazenda, eu almoçava o ministro e o time dele, e eu, como era secretário executivo, sentava em frente dele, o serviço público tem essas coisas assim. Ele adorava dizer assim, porque, pô, tinha dia que era terrível,
era pressão para tudo que era lado. Às vezes a gente chegava lá, naquele tempo ainda tinha cabelo, chegava lá descabelado e tal, ele disse, Pedro, parente, não se preocupe, um dia a história lhe fará justiça. Aí dava uma parada, ou não. E aí parava, não falava mais nada. Então ele é muito diplomata, muito gentleman, também de uma integridade,
público extraordinário. Conversas com pessoas como você, Pedro Malan, que eu ainda não tive, mas outras pessoas que já passaram por aqui, que conseguem, por terem tido uma vivência atuante dentro de importantes setores da economia ou do governo, é sempre uma mensagem legal, porque geralmente as conversas têm esse tom mais calmo do isso também passará.
Como a gente aqui na Faria Lima, naquela tensão, a gente quer resolver tudo. O Brasil precisa resolver agora. Não, não pode ser 2030. Não, tem que ser agora. Se não, fudeu. A crise fiscal vai acabar. Mas quando a gente conversa com quem já passou por outras rebentações, traz um pouco de tranquilidade, até serenidade. Acho que o papo com o Pedro Malan ia ser interessante. É importante combinar com ele uma regra do jogo, que é não pode dar resposta.
politicamente corretas. Ah, mas aí eu não posso controlar o que o... Eu ia adorar aquele... Mas aí eu não posso controlar o... Eu deixo o humor dele no momento levar. Última pergunta e a mais profunda. Qual a maior gentileza que foi feita na vida de Pedro Parente? Aconteceu recentemente, quando eu estava comemorando o meu aniversário. E meu neto de 10 anos estava se fazendo uma roda na mesa e minha filha, mãe dele, cada um fala uma palavra.
A respeito do vovô, do papai e tal. Esse neto, ele diz assim, eu não vou falar só uma palavra. Eu vou fazer um brinde pro meu avô. E ele vem com uma conversa de... E ele se emociona, ele começa a chorar. De quanto eu tenho ensinado a ele coisas importantes na vida, como, por exemplo, caráter, integridade. Ele usou essa palavra? Caráter. Eu fico emocionado só de pensar nisso. Ai, que fofo. Dez anos? Dez anos. E foi... Eu até dei um Google aqui.
de fevereiro, super recente. Para ser preciso, foi no dia 20 de fevereiro, porque no dia 21 a gente ia se preparar para voltar para... A gente estava numa casa que a gente tem numa praia na Bahia. Mas foi a maior gentileza. Foi a maior gentileza. Inesquecível. Que delícia. Que delícia viver uma experiência dessa. Ah, cara. Minha filha gravou. Enfim, eu não gosto nem de ver de novo, porque eu fico... Porque ele trouxe o depoimento de uma coisa que é muito importante. Walk the talk.
sabe? Não faça só discurso, pratica. Porque essa coerência é um dos elementos fundamentais da integridade. Caralho, que história. Pedro Parente, que papo legal. Espero que você tenha gostado tanto quanto eu gostei. Eu não tive nem tempo de pensar se eu gostei. Tava tão boa a conversa que a gente foi indo, foi indo, mas isso quer dizer que eu gostei muito. Pô, que bom. Próxima vez a gente marca, a gente pede uma comida, já divide o prato no meio, cada um come um já inspirado.
Correndo a frequência certa. Bom, valeu demais. Obrigado. Obrigado, Salmo. Obrigado. Obrigado você que acompanhou esse episódio até o final. Se você gostou, já deixa o joinha no vídeo, se inscreve no canal. Como eu falei no começo, são mais de 6 milhões de pessoas impactadas todo mês pelo Market Makers. E quanto mais curtidas e inscrições no nosso vídeo, mais pessoas vão ser impactadas. Se você está ouvindo pelo Spotify, clica lá também em seguir, que isso ajuda a levar o conteúdo para mais gente. Market Makers não é só podcast.
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