#330 | O ATAQUE DOS EUA AO IRÃ E A TERRÍVEL AMEAÇA NUCLEAR AO MUNDO (Professor HOC)
No episódio 330 do Market Makers, vamos receber o Professor HOC para analisar um dos temas mais tensos da geopolítica atual: a guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã — e os impactos disso na economia global e nos investimentos.Durante a conversa, vamos explorar como esse conflito pode mexer diretamente com petróleo, inflação e mercados financeiros. O Professor HOC explica por que o Estreito de Ormuz é uma peça central nesse tabuleiro geopolítico e como um bloqueio pode gerar um choque brutal na oferta de petróleo mundial.Também discutimos quais países podem entrar no conflito, o papel das grandes potências como China e Rússia, e quais seriam os cenários mais prováveis — desde uma guerra regional limitada até uma escalada global.No meio de tanta tensão, surge a pergunta: o mundo está realmente à beira de um novo grande conflito — ou estamos vendo apenas mais um capítulo da eterna instabilidade no Oriente Médio?E agora queremos saber sua opinião: você acredita que essa tensão pode virar uma guerra de grandes proporções ou será apenas mais um conflito localizado?Baixe agora o eBook "AS 7 MUDANÇAS ESTRUTURAIS DA BOLSA QUE VOCÊ NÃO PODE IGNORAR". É uma cortesia do M3 Club, comunidade de investidores do Market Makers. Link: https://lp.mmakers.com.br/ebook-mudancas-estruturais-bolsa?xpromo=descytre2m3c 📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://mmakers.com.br/biblioteca-market-makers/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -O ATAQUE DE TRUMP AO IRÃ E A TERRÍVEL AMEAÇA NUCLEAR AO MUNDO | Market Makers #330Apresentador: Thiago Salomão (apresentador do Market Makers)Convidado: Professor HOC#PROFESSORHOC #GUERRA #IRÃ #EUA #ISRAEL #TRUMP #GEOPOLÍTICA #MARKETMAKERS
- Relacoes EUA-IraDestruição do programa nuclear iraniano · Eliminação de mísseis balísticos · Neutralização da marinha iraniana · Morte do líder supremo Khamenei · Possível mudança de regime
- Crise Energética GlobalImportância geopolítica do estreito · 20% do petróleo mundial passa ali · Capacidade do Irã de fechá-lo · Impacto na navegação internacional · Aumento de preços do petróleo
- Mediação InternacionalCurdos como 10% da população iraniana · Financiamento americano dos curdos · Riscos de fragmentação territorial · Autonomia vs independência curda · Reações de países vizinhos como Turquia
- IA Operacoes MilitaresSeleção de alvos por IA · Unit 8200 e monitoramento de câmeras iranianas · Autonomia de IA para lançar armas nucleares · Disputa EUA-China em desenvolvimento de IA · Questões éticas e morais da IA militar
- Aviacao MilitarMísseis balísticos e lançadores · Drones suicidas Shahed e Kamikaze · Armas de defesa e interceptação · Corrida de desgaste de stocks de armamentos · Produção de drones de baixo custo
- Crise Hidrica Golfo PersicoPrimeira Guerra do Golfo (1991) e superioridade americana · Segunda Guerra do Golfo (2003) e queda de Saddam Hussein · Aumento do poder iraniano no Iraque · Influência do Irã na região do Levante · Ligação Irã-Iraque-Síria-Líbano
- Desalação de água e vulnerabilidade dos Emirados450 plantas de dessalinização no Golfo · Dependência de água no deserto · Riscos de ataques às plantas de dessalinização · Evacuação da população de Riad · Tubulação de 500 km vulnerável
- Tecnologia de defesa aérea e suprimento globalIron Dome israelense e sistemas de defesa · Escassez global de mísseis de defesa · Distribuição de armas entre aliados americanos · Problema logístico de reposição de stocks · Custos elevados vs produção limitada
- Identidade e AutoestimaIdentidade persa pré-islâmica · População iraniana diversa (curdos, árabes, balúchis) · Secularismo vs teocracia · Anti-americanismo no DNA nacional · Diferenças entre população e regime
- Alianca China-RussiaGanhos econômicos com aumento do preço do petróleo · Desvio de armas de defesa aérea da Ucrânia · Cópia de tecnologia de drones iranianos · Rivalidade com EUA e China · Impacto na guerra na Ucrânia
- Terrorismo em Cabo DelgadoRisco de ataques terroristas pós-ataques americanos · Diferença entre 11 de Setembro e contexto atual · Grupos terroristas no Levante e Ásia Central · Preparação de células de Hezbollah · Documentário sobre terrorismo na América do Sul
- Relações InternacionaisEmirados árabes em posição vulnerável · Perda de aura de estabilidade na região · Percepção internacional abalada · Dilema de continuar apoiando EUA · Risco econômico da guerra prolongada
- Atuação de Lucia na políticaComunicação inadequada da guerra ao público americano · Opinião pública americana sobre conflito com Irã · Impacto em eleições e política interna · Preocupações republicanas com inflação e juros · Vitória política no Senado para continuar operações
- Possível escalação e intervenção militarComparação com estratégia na Venezuela · Controle da ilha de Khark e exportação de petróleo · Isolamento econômico como ferramenta · Busca por negociadores dentro do regime · Risco de ocupação territorial
- Monitoramento de informações e análise geopolíticaLeitura de notícias fragmentada em redes sociais · Conexões falsas entre eventos · Importância de análise estrutural · Desgaste mental de especialistas · Mercados de previsão como ferramenta
Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Se acomode na cadeira aqui hoje, episódio ao vivo. Eu sou Tiago Salomão, fundador dessa super empresa e hoje vamos falar sobre a grande notícia do fim de semana que deve repercutir ainda pelas próximas semanas. O ataque de Trump ao Irã e todas as suas consequências. A gente tem aqui um convidado que já é super conhecido pela nossa audiência, o professor Roque, que já estava dando até os parabéns, professor, a cobertura que você fez no fim de semana.
o ataque, e a live que você fez ontem, quarta-feira, no seu canal, falando sobre isso tudo, é muito esclarecedor, porém, a gente sabe que tem muitas dúvidas aí, e por isso você está aqui, porque o investidor do mercado financeiro também tem que saber quais as consequências desse cenário geopolítico, por quanto tempo isso pode durar, e quais países podem se envolver, e quais outras peças podem se mexer nesse tabuleiro. Até a chamada aqui está terrível, ameaça nuclear ao mundo, enfim.
A gente já sabe que toda vez que o professor Roque vem aqui, ele tem que responder se estamos na Terceira Guerra Mundial ou não. Ele já respondeu isso na live de ontem, mas a gente vai trazer essa pergunta aqui, porque já tem mais de 200 pessoas esperando esse papo começar. Então vamos lá. Só primeiramente pedir para todo mundo se inscrever no canal. São mais de 642 mil inscritos aqui no Market Makers. A gente quer chegar em mais pessoas.
Então se inscreve aí que isso ajuda a levar o nosso conteúdo para mais pessoas. A gente tem falado em média com 6 milhões de pessoas todo mês.
mais gente vai receber esse conteúdo. E presentes para vocês, a nossa comunidade de investidores M3 Club liberou para vocês um ebook de cortesia com as sete mudanças estruturais que podem definir a maior alta da década da Bolsa Brasileira. E você não pode ignorar essa alta. Se você quer saber quais são essas sete grandes mudanças, é só clicar no link que está na descrição ou escanear o QR Code que está aparecendo aí na tela. Está ali, baixe o ebook gratuito.
já vão estar super informados. Aliás, deixar aqui o parabéns para o meu sócio, Matheus Soares, que está tocando a carteira do fundo do Market Makers, o Market Makers FIA, que baita rentabilidade. Já alcançamos o Ibovespa nesse ano, já está com quase 100% de rentabilidade, dependendo da janela que você entrou. Então, parabéns, Matheus. Trabalho incrível. Eu, como cotista, estou super feliz. E aqui, só lembrar, nosso não é patrocinador, é um projeto que o Market Makers abraçou,
Então, eu e os nossos convidados agora só nos hidratamos com o Mamba Water, a água que para cada lata vendida, eles se comprometem a levar um litro de água potável para a comunidade sem acesso. E hoje são 750 milhões de pessoas no mundo que não têm acesso à água potável. Então, cada latinha dessa comprada é uma lata que vai chegar para essas pessoas e o Mamba Water Project é esse projeto para fechar esse gap entre quem não tem acesso à água e quem está aqui podendo se hidratar. Se você quer saber, quer ajudar,
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Queria que você já desse uma atualização, até pegando um gancho do que você já falou ontem na sua live. Porque, assim, quando a gente começa, o mercado nos obriga a se tornar especialista de assuntos sempre que acontece alguma coisa. Melhor especialista do que não especialista. É, mas aí você tem que ficar estudando até as pequenas coisas, né? Como, por exemplo, o pessoal fica falando da guerra. Mas, gente, onde está o Irã no mapa? Quantas pessoas tem no Irã? O que é essa sociedade?
milhões de habitantes, uma estrutura onde parece que ela é feita de forma para sobreviver a quedas de líderes. Então a gente já imagina que é um processo que deve durar, pelo menos para quem se acostumou com o que foi feito na Venezuela, não vai ser tão rápido assim. Mas enfim, queria que você trouxesse um pouco suas impressões. Tem aqui várias perguntas que eu já direcionei no começo do papo, mas primeiro só para dar aquela atualidade
Tá bom. Eu acho que um ponto importante dessa guerra é a gente recapitular os outros dois episódios de guerra na região. E talvez a gente possa chamar essa guerra da terceira guerra do Golfo. Nós tivemos a primeira guerra do Golfo em 91, quando o Iraque, que é vizinho inclusive do Irã, e já travou uma guerra contra o Irã longa, acabou.
invadindo o Kuwait. E aí os americanos no auge da sua supremacia de potência, o momento que a gente chama momento unipolar, a hora que o mundo era só americano, porque tinha acabado de cair a União Soviética. E aquele foi a maior demonstração de força dos Estados Unidos e consolidação de poder. E talvez o momento onde a gente tenha enxergado a maior coalizão e ordem
ordem e funcionamento multilateral do mundo. Porque a guerra, a primeira guerra do Golfo, nós tínhamos uma coalizão gigantesca, a ideia de segurança coletiva, que é todos os países juntos, trabalhando para impedir a ação de países agressivos, no caso Saddam Hussein do Iraque contra o Kuwait, e uma operação da ONU para fazer isso, funcionou perfeitamente ali. E ali começou um processo,
de tentativa de derrubada do Saddam Hussein e mostrou quanto os Estados Unidos eram superior militarmente a todo mundo. E aí nós passamos, tivemos 11 de setembro em 2001 e depois tivemos a Segunda Guerra do Golfo, que vem em 2003. E ela é bastante importante para entender o que é o Irã hoje, porque aquela guerra deu muito mais poder e força para o Irã. Simplesmente porque o Iraque, historicamente, geograficamente, é uma posição privilegiada,
para o projeto de poder iraniano. Ao longo da história, a civilização persa só consegue se tornar um império quando ela controla um território adjacente ao seu, que é a Mesopotâmia, que é o Iraque. Então, controlar o Iraque para o Irã abre uma porta de expansão territorial, de alianças militares e políticas e logística direta com o resto da região muito forte. Isso só acontece porque os Estados Unidos,
derrubam o Saddam Hussein nessa segunda guerra. E é uma guerra extremamente complicada para os americanos, ficaram muito tempo lá dentro, gastaram muito dinheiro, derrubaram o Saddam Hussein e criaram problemas imensos para esse equilíbrio de poder da região, porque a população do Iraque é de maioria chiíta e os iranianos são chiítas. Então eles eram dominados por uma minoria sunita, que era o Saddam Hussein.
Quando você derruba o Saddam Hussein, você inverte a equação do país. E aí, naturalmente, o Irã passa a ser um aliado do Irã. O Iraque passa a ser um aliado do Irã. Porque você tem uma proximidade ali de população, de etnia, de religião, uma série de coisas. E isso dá o poder para o Irã começar a exercer uma influência ainda maior na região.
controla ou tem o Iraque na sua esfera de influência, ele tem um acesso por fronteira à Síria. E a Síria tem um acesso terrestre ao Líbano. O Hezbollah já existia no Líbano e já era um aliado do Irã, mas para armas e essa aliança ser fortalecida, você precisava dar uma volta logística ali para chegar. E agora, naquele momento, quando você tem o Iraque, não, isso acaba. Então, o Irã cria um arco de influência que, através do Iraque,
passa pela Síria e chega no Líbano. Isso coloca ele das montanhas do Afeganistão, que é o outro lado da sua fronteira, até o mar Mediterrâneo. Então, naquele momento, você fortalece o Irã demais. O Iraque é uma peça fundamental para isso. Além da catástrofe, foi a guerra, o Iraque entrar em guerra civil, surgimento do Estado Islâmico. Então, essa segunda guerra do Golfo, tudo que a primeira guerra do Golfo foi favorável para a força americana,
causou muitos problemas. Muitos mesmo. E agora nós temos a terceira guerra do Golfo, só que dessa vez não é com o Iraque, é com o Irã. E ela também vai ditar muito do que vai acontecer daqui pra frente. E seria mais ou menos um... Ela tá indicando que nós vamos ter uma reversão dessa força iraniana. E ela não começa com essa guerra específica, mas começa desde o ataque de 7 de outubro contra Israel pelo Hamas, financiado pelo Irã, e tudo aquilo cria...
As condições propícias para que Israel comece a retaliar e vá em busca de destruir os tentáculos, as forças do Irã. E isso acontece com Hamas, com Hezbollah, com Houtis, com milícias no Iraque e, em última instância, num confronto direto que finalmente acontece entre Israel e o Irã. Isso acontece em 24 e acontece de novo em 25. Em 25, os Estados Unidos entram na história que é a guerra de 12 dias.
em junho. E aí quando os Estados Unidos entram, eles ajudam a destruir uma parte do programa nuclear e um movimento já bastante ousado. E agora nós estamos assistindo uma guerra muito maior, uma guerra de verdade, Estados Unidos e Israel indo pra objetivos bem maiores, uma mobilização muito superior ao que aconteceu da última vez. Essa guerra, ela é assim, não tá claro quais são os objetivos da guerra.
O primeiro deles é, claro, destruir o programa nuclear iraniano. E se você me perguntar, do ponto de vista de segurança, por que os Estados Unidos precisam entrar em guerra contra o Irã? E assim, a resposta é bem óbvia. O Irã não pode ter uma bomba atômica. Não tem como. Ah, mas o ataque do dia 12 de junho, a guerra de 12 dias lá em junho já não resolveu isso? Você resolveu uma instalação, mas se você está determinado a ter uma bomba atômica,
você vai continuar tentando. E o Irã percebeu que ele tinha que tentar ali. Então, nesse momento que o Irã continua sendo uma ameaça para os americanos. E os americanos falam, bom, a gente precisa realmente resolver com isso. Se você pensar historicamente a ameaça geopolítica que o Irã representa, a gente precisa voltar para o 11 de setembro, quando surge a ameaça fundamentalista islâmica com o maior ataque terrorista internacional,
A guerra ao terror e o medo que surge daquele momento em diante de um terrorista ter uma bomba atômica. Não é só um país, mas uma organização terrorista. Porque um terrorista com uma bomba atômica, ele não responde às medidas militares estratégicas de contenção do uso da bomba, que é a dissuasão nuclear. Que é não jogue a bomba porque eu vou te retaliar e você vai morrer. O terrorista suicida fundamentalista, ele não está preocupado se ele vai morrer. Ele quer morrer.
E essa lógica é muito difícil. Quando você tem um ataque do Hamas em 7 de outubro, esse assunto volta para a mesa. Esses caras estão dispostos a fazer coisas muito fora da curva. Se eles tiverem acesso a uma bomba atômica, aí nós temos um problema. E por que o Irã não daria uma bomba atômica para o Hezbollah, por exemplo? Ninguém tem essa garantia, não dá para ter essa garantia. Por que ele não daria uma bomba atômica para o Hamas? Quantos daqueles caras das lideranças do Hamas não estavam ali em Gaza,
liberando a morte, matando o maior número de palestinos, usando eles como escudo humano, não preocupados com a vida deles, criando uma guerra que eles sabiam que ia ter uma repercussão direta na população. Ou seja, literalmente são suicidas. Se eles pudessem ter acesso a uma bomba nuclear, o estrago que eles podem fazer é simplesmente devastador. E essa é a lógica que move os Estados Unidos. O Iran não pode ter uma bomba atômica, vamos destruir o programa nuclear ainda mais.
destruindo. Tem que destruir as outras capacidades. Tanto que a negociação antes foi enriquecimento zero. Zero enriquecimento de urânio, eu faço acordo com você. Essa foi a combinação ou a proposta americana pro Irã. E o Irã sabia que zero não dava. Ele não ia aceitar. Se eu não aceito zero, então não tem opção. Eu vou te atacar. Mas aí você falou que esse é o primeiro objetivo, destruir o programa nuclear do Irã, mas os objetivos não estão muito claros. Quando você
Isso você quer dizer de que forma? No contexto geopolítico ou até no próprio plano de governo do Donald Trump? E só agradecer a audiência, é legal, muita gente chegando, deixa o like, mandar um superchat aqui. Eu vou ler essa pergunta, mas só primeiro jogar essa para o professor Roque dos objetivos. Os outros objetivos, Thiago, são objetivos que foram falados explicitamente.
os mísseis balísticos, o estoque e a capacidade do Irã de construir mísseis balísticos. Não tem ameaça ao território americano se o Irã não tiver míssel balístico. Então parte do problema da bomba atômica é também destruir o míssel balístico. O outro tem a ver com uma ameaça que o Irã representa que é fechar o Estreito de Hormuz. Nós vamos falar disso com certeza. E pra isso os americanos escolhem destruir a marinha iraniana. Inclusive
um navio foi afundado com um torpedo. Isso é a primeira vez que acontece no mundo desde a Segunda Guerra Mundial. Um navio iraniano foi afundado por um submarino americano com um torpedo perto do Sri Lanka. Esse navio estava em águas internacionais, fugindo, achando que em águas internacionais ele estaria protegido. Mas um dos objetivos declarados americanos é destruir a marinha iraniana, para que o Irã não tenha capacidade de criar problemas,
numa rota tão importante do Golfo Pérsico e do Estreito de Hormuz e quanto que petróleo que passa pra ali, gás, etc. Então esses são os três objetivos claros, colocados. E aí nós temos um quarto objetivo que ele é falado de forma indireta algumas vezes, outras não, que é o objetivo da mudança de regime. Então o Trump indicou que ele queria mudar o regime, depois ele não falou mais, aí os seus outros assessores,
Os secretários não falaram sobre isso. Aí, às vezes, ele não fala disso. Aí, às vezes, ele fala de novo. Não está muito claro se esse é ou não o objetivo. E esse objetivo faz toda a diferença porque ele é um objetivo que requer ações específicas para ser alcançado. E ele é um objetivo mais difícil, mais complicado, muito mais elaborado e de mais longo prazo. Então, seria uma guerra mais longa se você realmente quer alcançar esse objetivo. As ações, às vezes, indicam que esse objetivo, sim, está na mesa.
Tanto que o primeiro alvo da guerra foi o líder supremo. O primeiro movimento da guerra, o primeiro ataque da guerra, foi um ataque de decapitação para eliminar o líder supremo e foi um ataque bem sucedido e matou o Yatollah Khomeini. Inclusive esse foi feito como um ataque inicial, porque se ele não fosse inicial, depois ele poderia se esconder e ficar dentro do bunker o resto da guerra inteira. Então a ideia é que isso acontecesse, a primeira coisa fosse atacar ele, deu certo, mataram ele.
Matar o líder supremo do regime é um indício que não é uma operação só para enfraquecer as capacidades militares do país, mas para criar uma instabilidade dentro do regime. Mas aí, professor, a gente pode entrar nesse assunto porque o Irã, pelo que a gente percebe e sabe, ele não está encabeçado, não é uma figura única que representa toda uma estrutura.
tem toda a sua maneira, o seu organograma ali de poder, que ele acaba deixando essa decisão de quem que eu vou, como que eu vou mudar o regime, né? Tem que matar esse ou aquele ou tirar esse aqui. Lá é uma coisa muito mais pulverizada. Eu queria que você explicasse um pouco, porque acho que até é isso que pode deixar essa guerra não só mais longa, mas até mais difícil de terminar, né? Porque se ficar no meio do caminho aí,
É que assim, fazer um parênteses antes de explicar a estrutura do regime, eu acho que tem muita gente questionando, e tem um vídeo que está rodando na internet que é um chinês que faz uma análise, o Trump vai ganhar a eleição, o Trump vai iniciar a guerra com o Irã, e eu já recebi esse vídeo de várias pessoas perguntando se isso é real. E a terceira previsão desse chinês é o Trump vai perder a guerra no Irã. Era a pergunta do superchat aqui, que falaram do professor Yang,
Prevendo a derrota dos Estados Unidos nessa guerra. Eu acho engraçado. Tem uns negócios que caem no algoritmo e aí vira uma obsessão coletiva por aquele ponto. Bom, assim, primeiro que você só perde uma guerra se você não alcançar o seu objetivo. Certo? A não ser que seja uma guerra total e você consiga mensurar o que é a derrota de uma guerra. Se os dois países estão se atacando por terra e você está invadindo o outro,
país e você é expulso, na força você perdeu a guerra. Caso contrário, se não é uma guerra total, você só mede a derrota de uma guerra de acordo com o objetivo da guerra. Conseguiu o seu objetivo ou não conseguiu o seu objetivo. Se nós estamos falando, eu acabei de dizer que os objetivos não estão claros, então não tem como medir se os Estados Unidos pode ou vai perder a guerra. Se os Estados Unidos disser o meu objetivo é derrubar o regime e ele não conseguir derrubar o regime, ele perdeu a guerra, esse não era o único objetivo.
da guerra. O objetivo era fazer um monte de outras coisas. Se ele alcançou todas as outras e não alcançou esse, ele perdeu a guerra? Não. Os Estados Unidos já ganhou a guerra. Não tem como perder a guerra. Não tem como os Estados Unidos perder a guerra. O Trump pode a qualquer momento acordar um dia e falar assim, acabou, encerramos as nossas operações no Irã, os nossos objetivos foram alcançados, destruímos isso, aquilo, matamos o líder supremo, matamos o ministro da defesa, matamos o chefe da guarda revolucionária, matamos
esse, aquele, matamos todo mundo. Tá bom, vambora. Não, os Estados Unidos perdeu a guerra. Qual que é o critério de avaliação pra dizer que os Estados Unidos perdeu a guerra, entendeu? É tipo assim, a Rússia invadiu a Ucrânia. Se ela não conseguir conquistar a Ucrânia, ela perdeu a guerra. Os Estados Unidos não está invadindo o Irã. Ele está bombardeando o Irã. Então não existe essa... Ele não tem como fazer essa afirmação. Primeiro porque a gente não tem essa definição
clara do que é e depois porque não é um tipo de guerra que o objetivo você consegue obviamente dizer não foi alcançado. O objetivo de bombardear um país. Tá bom. Quanto tempo vai levar a guerra? Depende. Depende do que o Trump quiser. A minha análise, particularmente, eu não entendo que a guerra será muito longa. Assim, pegando pelos quatro objetivos que você falou, né? Destruir o programa nuclear, destruir os mísseis
fechar o estreito de... Não, fechar a capacidade, destruir a capacidade dele de fechar. Isso, é, impedir de fechar. E isso é destruindo a marinha. O objetivo explícito é destruir a marinha iraniana. Eu acho que esses três objetivos, eles são um pouco mais claros, então talvez poderiam ser um pouco mais rápidos. Acho que o que deve deixar mais longo é a mudança de regime, se isso de fato for um objetivo, certo? Isso, mas a qualquer momento ele pode mudar de objetivo. Ele pode virar e falar assim,
Esse objetivo não está valendo a pena, não quero. Entende? Não é uma coisa estática. É algo muito mais dinâmico e muito mais sutil e muito mais indireto do que você mobiliza 200, 300 mil soldados como a Rússia fez e invade o país. Se os Estados Unidos invadiram o Iraque com tropas e não alcançaram o objetivo deles, eles perderam a guerra. Isso é uma operação militar
uma guerra, mas ela pode ser uma guerra muito curta, de uma semana, duas semanas. O Trump, no máximo, falou de quatro a cinco semanas. Mas disse que ele pode também, que a guerra pode se estender por tempo indeterminado. Pra gente achar que os Estados Unidos podem perder essa guerra, os Estados Unidos tem que mandar soldados pra dentro do país. E ficar com os soldados lá um tempão lutando, e aí não conseguir alcançar o objetivo estabelecido. Você não vai mandar soldados
dentro se não tiver um objetivo estabelecido. O que é bem raro e bem difícil de acontecer, os Estados Unidos mandar soldados pra lutar numa guerra em outro país, hoje em dia. Não acredito de forma alguma que o Trump vai fazer isso. Ele fala que isso não tá descartado, mas isso é parte de um blefe pra dizer, olha, não ache que eu usei todas as minhas cartas. Essa carta não tá em cogitação. Ela é uma carta mais simbólica, pra dizer o mínimo. Dado isso,
que eu diria? Os Estados Unidos entrou numa guerra que, se ele não conseguir derrubar o regime, tá bom, não foi o ideal, mas ele fez alguma coisa. Ele enfraqueceu o regime, certamente. Ele enfraqueceu a capacidade militar do Irã. O Irã, basicamente, já não tem mais marinha. Ele tem submarinos, que ninguém viu eles, e eles não apareceram até agora. Ou eles estão guardados, ou eles estão escondidos,
fora do mar ou eles estão escondidos em algum lugar na água. É o que falta da marinha. Os mísseis, o Irã construiu cidades-mísseis e ele clama que esse é um grande ativo dele e uma forma dele conseguir resistir e lutar essa guerra por muito mais tempo. Então, são túneis e grandes bunkers subterrâneos, todos imensos, onde você tem estoques e estoques de drones
e de mísseis. E lá dentro você tem os lançadores também. Você não tem o mesmo número de lançadores que o mesmo número de mísseis. E aí, o que que tá acontecendo? O que supostamente era uma vantagem pro Irã, tá se tornando uma desvantagem. Porque você ter todos os seus, todo o seu arsenal num lugar fixo, você não pode movimentar ele. E então você é um alvo fácil, um alvo estabelecido. Os americanos
e os israelenses, eles sabem exatamente onde são esses bunkers. E eles estão o dia inteiro bombardeando essas montanhas. Ok, não existem tantas bombas perfuradoras de bunkers para ficar o tempo inteiro chegando lá dentro. Mas a superioridade aérea americana e israelense e o controle do espaço aéreo do Irã permite já que eles fiquem sobrevoando com aviões mais baixos, em baixa velocidade,
ficam monitorando, fiscalizando com imagens, com câmeras, com radar, com movimentação, com GPS, tudo que tá acontecendo nas redondezas dessas cidades de mísseis. E aí, então, eles ficam lá filmando, né, fixos, a hora que sai um lançadorzinho pra fora, pronto, explodem ele. Então, a capacidade iraniana está sendo abatida a cada minuto, a cada momento,
Irã vai ter menos equipamentos pra lançar mísseis. Existem algumas desses bunkers que eles têm silos. São aqueles buracos onde tem o míssel enterrado. Não são silos iguais os americanos nucleares ou chineses, ou sei lá. Mas são uma coisa meio rudimentar. O buraco, ele lança o míssel de lá de dentro. Mas não são todas as cidades mísseis que têm essa capacidade. Você tem que abrir a porta da base subterrânea e sair com
Lançador pra fora. Quando você faz isso, você é um alvo. Sem falar todo o bombardeio que tá sendo feito na entrada e na saída desse negócio. Então provavelmente vai ficar alguém preso lá dentro, os mísseis vão ficar presos lá dentro intactos e ninguém vai conseguir tirar eles mais de dentro. Tem uma série de coisas acontecendo que estão evoluindo. Então a marinha, tô descrevendo aqui, a marinha basicamente destruída. Os mísseis é a parte mais importante dessa história.
avançando e é uma guerra, né? É uma guerra e uma disputa, é uma corrida contra o tempo, quem destrói primeiro o estoque do outro de armas. Esse é um outro assunto que a gente tem que falar depois. Mas a moral da história aqui, né? A moral da história é que os ataques contra o programa balístico estão sendo bem sucedidos. E aí tem o programa nuclear, que ele é mais difícil, que ele não está localizado num lugar só, ele é mais difícil, ele é mais escondido e tal.
o controle do espaço aéreo e você pode repetir das vezes, com calma, analisar e ficar atacando todos esses lugares, o estrago vai ser muito maior dessa vez. Não é um ataque pontual como aconteceu da última vez. Os Estados Unidos vieram com B-2 voando 30 horas, 35 horas, jogaram duas, três, cinco bombas e voltaram. Eles estão fazendo isso dia e noite, toda hora, múltiplas vezes. Então eu diria que nesses três objetivos, a coisa está avançando.
pensando, na mudança de regime, não é que está tudo parado e que nada evoluiu. Como eu disse, mataram o líder supremo do país. E tem outras coisas acontecendo que é, agora os Estados Unidos decidiram financiar os curdos do Iraque e do Irã para criar uma rebelião interna e atacar o governo iraniano. E essa é uma medida bastante ousada e bastante arriscada.
essa pergunta. É, então, eu ia falar isso antes de voltar, porque já anotei alguns tópicos, mas queria que respondesse a pergunta da dificuldade de eliminação de um líder. Eu acho que um jeito das pessoas entenderem bem isso é comparar com outros países, né, ou com outras estruturas de outras ditaduras. Se a gente comparar o regime iraniano, ele é muito mais parecido com o regime chinês do
Por quê? Com a Rússia do Putin. Por quê? Porque o regime iraniano é produto de uma revolução. Essa revolução trouxe uma ideologia. Essa ideologia tomou conta de todas as instituições. Ela construiu um novo país, sequestrou o país antigo e dominou tudo. E detém o monopólio do poder político, militar, econômico.
esse monopólio. Isso está embasado numa ideologia, não somente num projeto de poder de um indivíduo. O que acontece na Rússia, o Putin talvez ele é muito mais apenas um oportunista que chegou no poder e se consolidou com o seu grupo, com seus amigos, mas não alguém que ele não trouxe uma ideologia que era maior do que ele, que vai perdurar após a sua morte. Ele se preocupou com ele chegar no poder e ele dominar.
o governo e o país. A China é muito mais parecida com o Irã. Tem uma ideologia por trás do Partido Comunista, tem um partido, tem uma estrutura. Se o Xi Jinping morrer, por mais que ele seja uma figura personalista ou centralizadora, ele vai ser substituído por essas instituições que estão colocadas. No Irã é a mesma coisa. Então você tem uma série de conselhos, você tem uma série de órgãos, você tem um monte de ayatollahs, você tem a guarda revolucionária,
você tem várias instituições, várias forças de segurança, você tem uma estrutura inteira para que aquilo continue funcionando. E o Irã está mostrando que continua funcionando, por várias razões. Primeiro, você tem um conselho interino de três figuras que assumiu o poder do país formalmente de acordo com o que a Constituição manda. E aí é o presidente, o chefe do judiciário e o representante do legislativo.
vão passar o comando do país depois que o líder supremo for escolhido. E o líder supremo vai ser escolhido por um outro órgão, que inclusive Israel atacou e matou vários dos membros desse órgão aí, que é o Conselho de Especialistas. Bom, quando você olha pra isso, ainda tem outras alas do governo que são importantes. Você tem a Guarda Revolucionária, que domina a economia do país, domina as forças de segurança, o exército,
e todas as outras coisas importantes. A polícia, as milícias, as forças quads, os bassiges, que é uma milícia local ali, que fiscaliza as pessoas. Tudo isso está no comando da Guarda Revolucionária. E a Guarda Revolucionária está reunida num Conselho de Segurança Nacional. Dizem que desde a guerra de junho do ano passado, o Ayatollah já não tocava o dia a dia.
tocando era esse Conselho de Segurança Nacional do país e que ele continua tocando. Formalmente é o triunvirato dos três, o conselho interino dos três, mas de facto na prática é o Conselho de Segurança Nacional. E aí nós vamos ter a figura do líder supremo, mas o resto parece estar funcionando, tanto que o Irã continua travando a guerra, inclusive militarmente de uma forma descentralizada,
as suas ordens e fala, se vira, nós não vamos mais falar com você durante dias, porque não tem como se comunicar. Você tem a sua planilha aí com as coordenadas dos lugares que você tem que atacar, vai atacando conforme você vai conseguindo. Só, já que você falou, você fez essa comparação com a China, é uma curiosidade histórica mesmo, né? Como é que foi a origem, então, dessa meio que o DNA dessa formação iraniana, né? Porque quando a gente compara
China dá pra entender o modelo de uma liderança onde o coletivo é muito mais importante que o indivíduo, então meio que não importa quem tá ali na frente, tem todo um partido com as suas representações cuidando cada um do seu quadrado. Mas a China não teve um... não é uma influência religiosa, não é... Não é religiosa, mas é ideológica. Ultra ideológica. Ideológica. Porque ela parte de uma revolução ideológica, política.
Não, mas é bem esse ponto. Porque o que eu enxergo, pelo menos no Irã, tem uma ideologia, mas também... Mas é uma ideologia religiosa. Sim. Acho que o ponto importante aqui é todo mundo perceber que ambos são fundamentados numa ideologia. Que a ideologia é maior do que cada líder. Se torna personalizado e representado pelos líderes que carregam a ideologia, mas ainda assim é um projeto mais elaborado.
tem a ideologia secular e religiosa. A da China é uma ideologia secular, mas é uma ideologia, uma ideologia marxista, da revolução e da guerra civil chinesa que gera aquele produto e aquele resultado. No Irã, também, é uma ideologia que nasce de uma revolução para derrubar uma monarquia absolutista, ultra-repressora, apesar de ser modernizante ou querer trazer o Irã para o mundo ocidental,
muitas maneiras, era super repressora. E essa revolução vem pra derrubar aquele problema. Do mesmo jeito que a China também. Vem com uma revolução interna pra derrubar outros problemas, fundamentada na ideologia. Então, nesse sentido é parecido. A China, você tem um partido que detém um monopólio político. No Irã, você também tem um partido que é um grupo. É a teocracia. São os ayatollahs. São os religiosos.
Então, tem muitas similaridades estruturais, eu estou falando. São países diferentes, com histórias diferentes. É que aí, trazendo para o ponto de... Se os Estados Unidos, de fato, quiser atingir o objetivo da mudança de regime, essa mudança de regime não vai passar por uma mudança religiosa. Você vai ter que... Como é que você muda uma estrutura do país? Ou a mudança de regime teria que passar por uma mudança religiosa, por exemplo? Acho que esse é o ponto que eu queria chegar.
Quando a ideologia tem uma religião por trás, tudo caminha para um Deus único ou para uma ideia única ali. Então, como você vai quebrar isso? Eu acho que é importante todo mundo perceber que o problema das ideologias é que elas são fanáticas. Elas são unidimensionais. Se você é uma pessoa ideológica, você não consegue analisar nada ou enxergar o mundo ou ler o mundo fora da cartilha ideológica.
ou seja a sua cartilha islâmica xiita. No final, são cartilhas prontas que te dizem. Você tem que ser isso. O correto é isso. A vida funciona assim. Essa pergunta que você está me fazendo é equivalente a gente falar assim, para derrubar o regime na China, como é que você vai convencer os chineses a deixarem de ser comunistas ou marxistas? Você fala, não, mas eles nem são mais. É, tudo bem, mas aí a pergunta é,
quem no Irã é religioso? Entende? Os líderes no topo são. A população, na maioria, não. Ela não é religiosa nesse sentido. Ela está sendo imposta um regime de cima para baixo. Talvez o cara mais marxista hoje na China é o Xi Jinping. Os outros chineses, dificilmente eles têm alguma conexão com o marxismo. Eles estão muito mais preocupados em ter a sua propriedade privada, sua casa, investir no mercado financeiro,
as coisas ultracapitalistas e não marxistas. O cara mais ideológico é ele. Os caras mais ideológicos são sempre os do topo da estrutura de uma ideologia. As mulheres no Irã, elas não querem mais usar o véu, usar o hijab, elas não querem proteger o rosto, a cabeça. Tanto que os últimos protestos nos últimos anos, vários deles foram das movimentações das mulheres
exigindo, lutando por outros direitos. Existe um mercado, por exemplo, de venda de bebidas contrabandeadas e ilegal no Irã, porque o regime religioso proíbe o consumo de álcool. Quem é que vende essas bebidas? A guarda revolucionária. Ela é o grande comerciante desse negócio. A guarda revolucionária já não é religiosa. Ela está a serviço dos religiosos, mas ela ganha dinheiro onde ela pode.
Você não precisa transformar o DNA, a cultura da população inteira para derrubar um regime religioso. Uma parcela pequena do Irã é verdadeiramente religiosa nesse nível. Eu diria que a maioria da população do Irã não é assim. Principalmente os jovens. Então não é tão difícil tirar isso. E aí a gente entra numa discussão também da identidade nacional iraniana. O que é ser iraniano? É ser persa?
Depois do nascimento do Império Persa. Então, se você se identifica como iraniano, resgatando a sua história e as suas origens persas, da civilização persa, do Império Persa, você não tem nada a ver com a religião, necessariamente. O regime, quando ele chegou no poder, ele fez um esforço muito grande em definir o que era iraniano, alinhado com o que é ser muçulmano chií.
Isso é um trabalho de matar as outras identidades. Nós somos iranianos porque nós temos o Islã em comum e não é qualquer vertente do Islã, é a vertente chiita. Então ele reforça isso e tudo que ele faz é para combater as outras origens de identidade. E isso é curioso no Irã porque as pessoas não sabem, mas 40% da população iraniana não é composta por persas.
Um país multiétnico. Super diverso. E que talvez ele nem ficaria do tamanho que ele é. Nem seria o que ele é hoje. Do mesmo jeito como muitos dos países na região. Como o Iraque. Como a Síria. Só que o Irã é muito grande. Mas o Irã tem uma diversidade enorme. Você tem os Azeres, que é o povo do Azerbaijão. Você tem os Baluts. Você tem os Kurdos. Você tem os Lurs. Você tem os Árabes. Você tem um monte de outros povos. 40% do país.
E quando você mexe nessa estrutura centralizadora que manteve o país em ordem, talvez você crie uma fragmentação. Talvez você quebre o país. Porque o que mantinha eles ali juntos era a força. O Shah queria definir a identidade iraniana, que era a monarquia anterior, não na base da religião, mas na base da identidade persa.
império dessa grande civilização. Então são distinções de como se define. Essa discussão existe na China, porque o chinês que está em Taiwan, ele é de etnia chinesa. E ele fala que língua? Mandarim. Mas ele não se considera chinês. E o que distingue um do outro? O modelo ideológico político. Um é uma ditadura comunista, marxista, não importa se ela é ou não é comunista, mas é o Partido Comunista Chinês.
E o outro são chineses que falam assim, isso não é a minha identidade. Usa outros critérios para definir a identidade chinesa. Nós somos democráticos, nós somos abertos, nós somos livres. Enfim, e a gente se organiza de outro jeito, economicamente e politicamente. Às vezes não é uma coisa que tem a ver com cultura e história, mas tem a ver com política a identidade de uma nação.
isso. Tem a ver com o fator crítico de distinção de um e o outro é um elemento histórico político. Achei muito interessante essa análise sobre quando um país tem a sua ideologia fundamental na religião que não necessariamente representa a sociedade como um todo, mas quem está lá em cima. Acho que pensando em uma mudança de regime é interessante. Por isso que a história do secularismo é tão importante na democracia. Você levantou vários pontos
Cara, eu acho que o que eu fiquei mais interessado em abordar... Eu queria muito falar do Estreito de Ormos, mas a gente tem uma coisa antes. Você falou da rebelião interna, que os Estados Unidos estão contratando curdos para provocar uma rebelião interna. Como isso já aconteceu em outras guerras, é uma estratégia até... Praticamente está trazendo mercenários para tocar o terror no país. É, não são mercenários porque eles são iranianos. É, no fato, mercenário porque você está pagando para ele...
Assim, não é que você está pagando, ele não está contratando, ele está ajudando eles, porque eles querem. É um incentivo. Isso, porque o que acontece? Eles querem ser livres. Os curdos querem ter o seu estado. Aliás, os curdos é o maior povo apátria do mundo. Então, os curdos da Síria, os curdos do Iraque, os curdos da Turquia, os curdos do Irã, todos gostariam de ter o Kurdistão, o seu país. E eles não têm.
Então, o curdo na Síria quer ser independente. O curdo no Iraque quer ser independente. O curdo na Turquia quer ser independente. E o curdo no Irã também quer ser independente. Por volta de 10% da população do Irã é curda. Eles não querem fazer parte do Irã. O grau de não fazer parte difere para cada lugar e a gente pode avaliar de acordo com as condições geopolíticas e políticas históricas do que esses povos locais imaginam.
os curdos iraquianos, eles preferem ter uma autonomia garantida, uma separação, condições econômicas, eles não querem se separar do Iraque. Eles sabem que isso vai começar a trazer muito problema, então eles falaram assim, ó, tá bom, deixa que eu com os meus recursos naturais, eu controlar os meus campos de petróleo, eu lidar com a minha vida e ser livre e autônomo, como a Catalunha quer ser na Espanha, como os escoceses querem ser no Reino Unido,
Os curdos são no Iraque, os curdos iraquianos. Pode ser que os curdos iranianos olhem e falem assim, não, mas a gente é curdo e tal, mas a gente também tem uma ligação histórica com os persas ou com esse país Irã. Mas assim, eu aceito ficar aqui dentro com vocês se vocês me derem autonomia de verdade, política e econômica. O fato é que o regime iraniano, a teocracia iraniana, não permite que isso aconteça.
esse espaço pra eles. E isso causa problemas. Então, qual que é a solução, a resposta? Vou lutar. E a CIA tá, o Serviço de Inteligência americano, está armando os curdos antes da guerra começar. Já está armando. Israel tem preparado o território ali para ajudar os curdos iranianos. E o Trump ligou ontem para o líder dos curdos iraquianos e iranianos.
conversou com os dois. Falou, Estados Unidos está com vocês. Podem ir. Podem partir pra ofensiva que nós vamos ajudar vocês. E óbvio que os curtos eles têm que escolher, pô, de que lado que eu vou estar? Eu vou comprar essa briga com o regime iraniano e vou ficar mal com os Estados Unidos? Ou eu tenho uma oportunidade aqui de lutar pela minha independência e autonomia? Então eu vou aproveitar essa chance que os Estados Unidos querem estar comigo. O problema é que os Estados Unidos têm usado os
conflitos, usou no Iraque, usou na Síria, contra o Estado Islâmico, usa em vários lugares e abandonou os curdos depois. Abandonou os curdos na Síria, por exemplo. Então eles têm medo de ser só mais uma ferramenta para um objetivo dos outros. Mas ao mesmo tempo o objetivo também é deles, em alguma medida. Então eles estão numa situação difícil, mas eles estão prontos para lutar, estão armados e é muito importante a questão deles estarem prontos, quererem lutar,
e terem armas. Porque você não consegue derrubar o regime iraniano porque você não tem uma população armada. Como é que você vai enfrentar forças de segurança? De acordo com alguma contagem aí de órgãos internacionais de direitos humanos, na última rebelião ou protestos ou manifestações dentro do Irã, se fala em 7 mil mortos. Durou, sei lá, uma semana de protesto, as pessoas começaram a morrer e voltaram pra casa. 7 mil mortos?
É. Quer dizer, isso é o dado do governo também. Não, não é do governo. O dado do governo é menor ainda,
Mas eu já ouvi números que falam em 30. Eu ouvi algum, acho que foi o Gunter em algum evento, não sei se foi no nosso próprio Market Makers ou no evento que ele falou da XP, o professor Gunter falou algo como 30 mil dados não oficiais. Isso. Isso por real é um absurdo. É. Assim, é de enfraquecer qualquer movimento social. Ou seja, como é que você faz? Como é que você luta sem armas? E os curdos?
estão com armas e vão partir pra ofensiva terrestre. E essa é uma parte importante, extremamente perigosa. Por que essa estratégia é perigosa? Porque em todos os outros lugares isso acabou levando à guerra civil. E uma guerra civil num país de 92 milhões de pessoas é uma mega guerra civil. E assim, você gera uma instabilidade muito grande no país. É difícil você voltar e colocar o país em ordem
ordem novamente, na caixinha. Vai precisar surgir uma força muito repressora, muito violenta, que vai ter que dominar todo mundo e colocar a ordem de novo. Existe sempre um dilema entre ordem e liberdade na política no geral e na política internacional também. E é uma discussão importante. Quanto mais ordem você tem, menos liberdade. Quanto mais liberdade, mais espaço pra ordem.
você conseguiu construir mecanismos de liberdade a ponto que você não precise comprometer coisas tão fundamentais da ordem, porque aquilo está meio estruturado. Mas num país que você não tem garantias institucionais da liberdade, quando você dá muita liberdade, isso acaba virando uma grande briga e aqueles vão tentar, alguns vão começar a usar a força para tentar dominar o país. E é nesse lugar que o Iraque foi, que o Afeganistão
foi, que a Líbia foi, que a Síria foi. Guerras civis que não terminaram e que o país não voltou ao normal. A Somália e muitos outros lugares você tem um monte de instabilidade de estados fracos ou falidos. O Irã é muito grande para ser um estado fraco ou falido. Isso assusta muitos países. E a entrada dos curdos na história cria um problema geopolítico com outros países.
curdos no seu território. E se agora os curdos do Irã se juntaram com os curdos do Iraque, por que os curdos da Turquia não vão querer se juntar nessa história também? Os da Síria, que a Turquia já tá tentando influenciar pra não terem força e poder e autonomia e espaço e território, também podem entrar. E aí a Turquia já vai ser contra esse movimento. E assim você começa mexendo uma coisa e você vai criando outros problemas em outros lugares. Mas é a única maneira de se derrubar o regime. Não dá pra derrubar o regime só
com ataques aéreos. Não tem como. Professor, outra bola que você levantou ali foi do estoque de armas, de quem vai destruir o estoque de armas do outro primeiro. Existem dois tipos de armas aqui nessa guerra. As armas de defesa e as de ataque. Existem as armas de defesa do lado americano-israelense e as armas de defesa e ataque do lado iraniano.
das armas de ataque americanas e israelenses, isso não é um problema. Não é um grave problema. Óbvio que se a guerra for durar cinco semanas, o estoque de armas que os americanos têm não vai dar conta. Então eles vão ter que trazer mais armas. Isso é basicamente só um problema logístico, não é um grande problema. Porque os Estados Unidos têm estoque, conseguem fabricar, está tudo certo. Isso implica em uma mobilização militar talvez maior e uma força americana
Então você começa a mexer na máquina de guerra americana de um outro jeito. Mas além disso não é um problema muito grande. As armas de defesa são um problema. E são essas armas de defesa que estão sendo usadas por todos os países do Golfo. Todos os países árabes, por Israel. São as mesmas armas de defesa que são usadas na Ucrânia. São as mesmas armas de defesa que os europeus precisam ter. Que Taiwan precisa ter. Que o Japão precisa ter. Que a Coreia do Sul tem.
essas armas. Basicamente é o Iron Dome israelense, que é essa tecnologia que foi desenvolvida ali, testada, aprovada e é distribuída para todos os aliados americanos e quem fabrica ela são os americanos. E o estoque desses mísseis é pequeno no mundo inteiro e ele está acabando. Então quando os Estados Unidos foram se preparar para a guerra, uma das coisas que tinha que fazer foi trazer esses equipamentos de outros lugares do mundo.
Então ele tirou, tira daqui da Coreia do Sul, pega um outro ali e traz tudo para lá.
sendo usado. Ele não consegue produzir a quantidade desses mísseis para restabelecer os estoques a tempo. Porque tem um problema do fornecimento. São mísseis muito caros, mísseis muito sofisticados, o que é interessante, porque ela é uma arma muito efetiva. Uma das armas mais poderosas que a gente tem de defesa hoje no mundo. E todo mundo quer ter. Só que não dá para você manter uma guerra contra um país que fica atirando em 30 outros países. Tudo de uma vez.
ao tempo inteiro. Então, essa é uma das dificuldades. Ninguém sabe ao certo qual é o estoque de cada país, por razões óbvias. Ninguém fala isso. Qual é o seu estoque? Ninguém está interessado em dar essa informação para o Irã. Por que, então, é uma corrida contra o tempo? Os Estados Unidos e Israel estão correndo para destruir as armas, os mísseis iranianos de ataque, antes que acabem os mísseis de defesa.
do Catar, do Emirados, da Arábia Saudita, da OTAN, que abateu um misto que foi lançado contra a Turquia, Oman, todo mundo, Israel, os navios americanos, os porta-aviões, todos usam a mesma tecnologia. E essa é a corrida. O Irã está tentando esconder o máximo que pode, guardar o máximo que pode, para que ele consiga continuar desgastando as baterias,
antiaéreas ou de defesa aérea desses países. Pra todo mundo ter uma ideia do que nós estamos falando, o Iran já jogou por volta de mil drones suicidas contra o Emirados e 190 mísseis balísticos, só contra os Emirados. Ao total foram uns 500 mísseis balísticos contra todos os países que ele já atacou e só contra os Emirados são mil drones. Aí tem mais centenas contra o Catar, contra a Araba
Saudita, contra Kuwait, contra um monte de gente. E como que funciona essa bateria antiaérea? Você lança um míssel balístico e você precisa de dois ou três de defesa pra bater aquele um. Então pra cada um que o Irã lança, ele gasta dois ou três do outro. E aí? Aí vem um drone suicida, que é o Shahed, né? Esses drones que o Irã produziu e entregava pra Rússia pra atacar a Ucrânia e aí a Ucrânia, aí a Rússia foi lá e falou pô, eu não vou mais depender do Irã, eu vou copiar isso daqui e agora a Rússia tem a versão
cópia dela do Shahed. Aí o Shahed é uma arma tão efetiva e tão barata que os Estados Unidos acabaram de lançar a cópia deles do Shahed. E foi a primeira vez que está sendo usado, que é um drone suicida igualzinho ao Shahed, que se chama Lucas, que é um acronym, que é uma abreviação de um significado que é low cost. E aí, o que acontece então? Essa é uma das disputas
da corrida dessa guerra. A disputa e a corrida é quem destrói primeiro o arsenal do outro. E quem destrui primeiro acabou. Se as baterias de defesa antiaérea dos Emirados ou da Arábia Saudita ou do Qatar acabarem, acabou. Esses países vão pedir água. E esse é um grande dilema que eles estão agora. No começo eles não queriam que os Estados Unidos atacassem. Não queriam emprestar as suas bases ou as bases americanas nos seus territórios que servissem
de ponte para o ataque. Depois de tanto ataque que eles estão recebendo, eles já não podem mais ignorar e falar, vamos acabar com a guerra. E o que eu estou escutando é que nos bastidores eles estão pedindo para os Estados Unidos não encerrar a guerra. A imprensa e as notícias são, a guerra vai ter que acabar, porque está pressionando demais as economias desses países. E está mudando também a percepção do que esses países têm para o mundo. O Oriente Médio sempre,
boa parte do tempo e a maior parte dos países são instáveis, caóticos, cheios de guerra, de terrorismo, de problemas, de brigas, de guerra civil, de guerra com um vizinho, de todo tipo de radicalismo. E aí você tinha ilhas de excelência dentro do Oriente Médio, que são exatamente essas monarquias do Golfo.
extremamente plásticos, né? Perfeitos, empregados.
com uma economia bombando, se tornaram hubs mundiais de logística, seja para aviação, seja para o transporte marítimo, seja para o turismo, seja para o que for. Desenvolveram outras economias, atraíram muito investimento do mundo inteiro, gente do mundo inteiro vivendo, viajando para lá. Por quê? Lugares perfeitos, baixo imposto, qualidade de vida, tudo lindo, bonito e sem problema. Acabou essa aura de ser intocável,
diferente no Oriente Médio. Eles estão no auge do problema. E se mostrou, e se mostraram incapazes de lidar com esse tipo de ameaça. Apesar deles gastarem bastante dinheiro em defesa, eles claramente não sabem como agir. Ok, abateram a maioria dos mísseis e tal, e drones, mas mesmo assim eles não tomaram uma decisão de entrar na guerra. Mesmo assim, eles estão passando por apuros, porque eles estão correndo risco.
risco, a sua economia, o mundo inteiro, a imagem dele está sendo afetada. Eles não podem recuar e mandar os Estados Unidos parar porque eles vão dar um recado pro Irã e agora o objetivo deles é Irã, Estados Unidos, derrube o Irã, porque senão eu vou estar sempre refém disso daqui. Acabou o meu país. Meu país, qualquer coisa, ele vai lançar um dronezinho e se a gente não derrubar esse regime, a história não se resolve. Então, essa é um pouco da equação aí.
primeiro, agradecer mais de duas mil pessoas assistindo a gente. Deixem o like. Eu peguei o acrônimo Lucas, que eu fiquei curioso. É o Low Cost Uncrewed Combat Attack System. O sistema de ataque de combate não tripulado de baixo custo. Quer saber o que é o baixo custo aqui? Acho que o drone iraniano custa 20 mil dólares. E o míssel de defesa aérea, milhão. Essa guerra, do ponto de vista econômico, ela é muito assimétrica e muito insustentável.
E é nesse momento que a guerra na Ucrânia ganha uma importância. Porque a Ucrânia está lidando com essa realidade há vários anos e buscando, encontrando soluções baratas, simples, que não dependem desses equipamentos tão sofisticados. E ninguém prestou atenção e deu devido valor ao que a Ucrânia está vivendo e solucionando. E depois dessa guerra, pode ter certeza, todo mundo vai lá consultar com a Ucrânia.
guerra moderna, ela é uma guerra de drones baratos, descartáveis, suicidas. E você precisa ter uma bateria ou uma defesa aérea que consiga neutralizar essa ameaça. Com custos equivalentes. Você não pode ter uma coisa que custa um absurdo e não tem como produzir e não tem estoques. Tem que produzir rápido, muito em quantidade. E a Ucrânia tem essa tecnologia. Porque ela tá lidando com isso na Rússia. Com os mesmos Shahheads, os mesmos drones iranianos. E eu tinha até notado
Eu fui impactado aqui, quando você falou no começo do papo do Iraque, Saddam Hussein. Eu fui impactado, acho que por ficar consumindo esses conteúdos esses últimos dias. Fui impactado pelo vídeo A Reunião Mais Assustadora de Saddam Hussein. Você já viu esse vídeo? É quando ele assume o poder e ele coloca numa... Eu estava uns 40 graus na sala com umas 500 pessoas, todo mundo de terno e gravata. Ele fala, os traidores que tentaram derrubar o meu governo estão nessa sala.
ele vai chamando um por um, de uma maneira bem, bem, vamos dizer, fumando um charuto, assim, sabe, tipo, claramente torturando cada um que ele tava chamando, e essas pessoas foram chamadas, foram, e as pessoas que não foram chamadas, nossa, elas levantavam e aplaudiam, e comemoravam, com alívio, umas chorando até, você vê a tensão no ar, é um vídeo interessante, aí vale a pena vocês procurarem. É, e pessoal que tá chegando agora aí, pô, 2.300 pessoas, deixa o like, e lembrando,
tem aí um presente no Market Makers. A gente fez um e-book gratuito, de cortesia para vocês, falando das sete mudanças estruturais que podem definir a maior alta da Bolsa, que pode chegar agora a maior alta dessa década. A Bolsa está com uma grande oportunidade e são sete grandes motivos que são mudanças estruturais e esse e-book detalha cada um desses itens que estão aí na descrição do vídeo. Clica lá para você baixar seu e-book.
no Vasco, de graça, 0800 para vocês. Estreito de Hormuz, vamos falar do Estreito de Hormuz, o que é, por que é tão importante para os Estados Unidos e para o mundo, e por que o Irã pode conseguir fechar ele, ou consegue fechar ele? Bom, primeiro é um choke point, nós temos alguns choke points no mundo, que são pontos de estrangulamento da navegação global, e esse não é só um ponto de estrangulamento da navegação, mas tem uma navegação específica,
que acontece ali, que é a navegação que transporta petróleo e gás. Então um quinto de todo o petróleo do mundo passa por ali e óbvio que se isso for interrompido isso vai ser um grande problema. Há décadas se fala na verdadeira arma nuclear iraniana e muito se discute que a verdadeira arma nuclear iraniana não é uma bomba atômica, mas a sua capacidade, a sua localização ou a facilidade
ou a possibilidade do Irã fechar o Estreito de Hormuz para a navegação internacional, que foi o que ele fez. De facto, né? Factualmente ele fechou o Estreito e isso causou uma interrupção de toda a navegação, de todo o petróleo que sai dali. Óbvio que isso está acontecendo há dois dias, por isso que o petróleo está subindo. Se isso perdurar por mais dias, assim, o céu é o limite. Para efeito de comparação, nós tivemos, quando a Rússia,
invadiu a Ucrânia, o petróleo bateu 130, 140 dólares. E naquele momento a Rússia foi retirada do mercado de energia, se retirou por volta de 5 milhões de barris. Passam pelo Estreito de Hormuz, 18 a 20 milhões. Então, você imagina, se quando a Rússia invade a Ucrânia, o petróleo bate a 130, 140, é estranho que o petróleo não esteja agora pelo menos nos 100 dólares. E parte disso tem a ver com a ideia de que o mercado
de energia já estava numa posição, o petróleo está cada dia caindo mais porque tem oferta de mais. E a oferta de mais acontece por várias razões. A primeira delas é o fato de novos campos terem sido descobertos. Então você não tinha Guiana produzindo barril de petróleo, Guiana tem um milhão de barris, isso é um player novo. Além disso, os maiores produtores entraram em uma corrida por ganhar espaço no mercado.
mercado e abocanhar mais mercado. Dispostos, inclusive, a baixar o preço. Então, você não tem os grandes produtores mantendo um preço mínimo. Ao contrário, eles estão dispostos a baixar porque eles querem conquistar mais mercado. E essa competição está fazendo o preço cair. Primeira vez, assim, em muito tempo que a geopolítica não tinha um impacto direto no petróleo. Deixou de ter. Sempre teve, ou, sei lá, vai, dos anos 70,
em diante, passou a ter e aí nos últimos anos ela deixou de ter. Os Estados Unidos se tornando autossuficiente, exportador de petróleo, essas questões de muita oferta, novos campos, a disputa entre Arábia Saudita e Rússia, todo mundo tentando baixar o preço, tudo isso colaborou para que a equação geopolítica e petróleo não fosse tão direta. Só que agora com a guerra do Irã, ela voltou a ser direta, porque estamos falando de
18 milhões de barris é muita coisa. Como que o Irã está fechando? Ele simplesmente disse que ele vai atacar e já atacou. Ele lançou um míssil que atingiu um petroleiro que estava no Iraque, na costa do Iraque. Nem no estreito estava. E isso mostra, então, que ele vai continuar atacando. O preço dos seguros para navegação explodiu e aí nenhum navio vai tentar cruzar. Além disso, os GPS não estão funcionando ali, porque nós estamos em guerra.
interrupção do sinal de GPS. Nenhuma dessas grandes embarcações consegue navegar seguramente com o GPS não funcionando. Elas precisam do GPS. A última medida mais agressiva seria minar o estreito. Isso o Irã ainda não fez. O Trump veio a público e falou os Estados Unidos passará a escoltar os navios. Na prática isso não é muito simples. Porque imagina se uma barragem de mísseis iranianos e drones vem para atingir esse
navio americano, ele está exposto justo ali na passagem. E aí se ele tiver que defender o navio que ele está escoltando ainda mais, ele não vai ter capacidade. Então isso pode dar errado. O Trump também falou que ele vai fornecer seguro contra risco político. O governo americano vai oferecer esse seguro para embarcações que cruzarem, passarem por ali. Esse é o grande risco do estreito, mas tem um outro risco que eu acho que ele é ainda pior que o do estreito, que é a destruição
das instalações e da infraestrutura do petróleo. Porque o estreito, ele é reversível. Basta o Irã, tipo, perder as suas capacidades, a coisa volta a funcionar. Destruir uma refinaria, a maior refinaria, ou o maior campo de exploração da Arábia Saudita, isso vai levar tempo para ser reconstruído. Então, a destruição da infraestrutura é pior do que o próprio estreito. Mas o Irã está fazendo os dois, tudo, junto.
caiu na real, ou ele está esperando que a guerra vai ser muito curta. Porque caso contrário, o petróleo tende a subir. Bom, hoje tudo caiu, o petróleo subiu. O mercado demorou um pouco, mas ele está começando a ficar mais tenso. O entendimento de que isso deve durar mais e as consequências, mais do que a duração, mas ela pode ter uma consequência mais drástica. Qual é o impacto imediato de uma alta do petróleo exorbitante? Taxa de juros. Porque se a gente vê,
o petróleo mais caro, isso vai impactar, o petróleo está em quase tudo na economia, então você vai ter um efeito na inflação e a gente estava num momento em que os Estados Unidos já estavam com quedas de juros contratadas e até aqui no Brasil mesmo, a gente está ansioso para ver o Banco Central cortar os juros que está em 15% e a gente falava de poder cair até para 12, 11, dependendo do que poderia acontecer. Então um evento geopolítico pode mudar isso completamente. A primeira reação,
dos economistas com quem eu conversei no fim de semana, é que tem esse medo do petróleo poder voltar para os três dígitos, acima de 100 dólares o barril, e isso vai forçar o Banco Central, no mínimo, repensar um corte de juros que já estava contratado ali em março. Não é que vai parar de cortar juros, mas não vai poder começar a cortar agora. Então, assim, isso já traz uma tensão maior. E as pesquisas com os investidores, que estavam em quase 80%,
acreditando no mercado americano que os juros iriam ser cortados, já caiu para 50%. Ou seja, o mercado está começando a perceber que talvez não vai ser do jeito que era, porque a guerra pode durar mais. Mas quando se cair na real, o nível do que está acontecendo ali para o petróleo é muito sério. Muito mesmo. Tanto que isso sempre foi considerado, como eu disse, a verdadeira bomba atômica iraniana.
E ninguém achava que ele fosse fazer. E ele fez, está fazendo. É uma guerra nesse sentido. A gente não usou esse termo aqui, mas eu ouvi em outras lives ou conversas o famoso cair atirando. Já que vão me derrubar, eu vou fazer um estrago. É que eu não acho que a ideia é vou fazer um estrago por isso. A lógica é bem racional. Ela é quanto maior for o custo,
mais pressão vai ter para que eles encerrem com a guerra. Então, o Irã não está agindo de uma forma suicida, vou morrer, então vou levar todo mundo comigo. Não, racionalmente tem um caminho muito lógico que é, eu aumentando, quanto mais eu aumentar esse custo, vai chegar uma hora que eles não vão aguentar. A população americana, o mercado, os países do Golfo, alguém vai começar a falar, vamos parar? Vamos recuar?
E por isso que eu tenho dito que o Irã queria a guerra. O Irã queria a guerra. Porque a posição de barganha iraniana sobre a discussão do programa nuclear e das outras questões era muito ruim. Ele não ia conseguir entregar nada que os Estados Unidos queriam. Agora, a posição de barganha iraniana, dependendo do resultado da guerra, é outra. Entendi. Então, se você está num corner, você não tem para onde ir, ele falou, então vamos para a guerra, porque na guerra eu crio uma saída desse corner.
Mas aí você está dizendo por causa da consequência dentro dos Estados Unidos, certo? Porque o custo da guerra vai ficar... Não, porque a consequência... Por exemplo, inicialmente os países do Golfo, eles inviabilizaram um ataque americano que era para acontecer em janeiro. Eles já seguraram, continuaram segurando. Todo mundo ficou segurando. E quanto mais o Irã ataca, esses países estão numa situação difícil. O que a gente faz agora? Vamos mandar ele parar?
dando aposta nessa condição. O mercado de energia já aumentou a gasolina na bomba no posto nos Estados Unidos. Já aumentou nesses dois dias. Ah, tá bom, tava muito baixa e tal. Quanto tempo o americano? Também tem um americano, mas o Trump reage demais aos mercados. Ele reagiu no tarifaço e ele reagiu na história da Groenlândia. Os dois momentos de tensão no mercado bem forte, ele recuou politicamente.
essa aposta. Isso não é, vamos me afundar, vamos pro tudo ou nada. Eu queria entrar nesse, mas só uma coisa que eu esqueci de comentar quando fui ver o acrônimo Lucas, ele usa um termo mais simpático pro, ao invés de drone suicida, é o drone kamikaze. Eu gostei mais do kamikaze, porque fica meio estranho, drone suicida, né, como se fosse uma, uma, tivesse alma e coração o drone, acho que ainda não tem. Ah, mas o kamikaze não tinha alma. Ah, mas é que o kamikaze pelo menos é um, um, a palavra por si só. Entendi.
Mas dentro dos Estados Unidos, professor, como é que fica consequências para o Trump? Até que ponto que uma guerra mais espaçada e até mais custosa, o quanto isso pode ser prejudicial para o Trump? Não só na economia, mas até na política. Lembrando que esse ano vamos ter as midterms, que é uma eleição bem importante para definir Câmara e Senado nos Estados Unidos.
Popularmente, não é uma guerra popular, mas existem análises que talvez o Trump não está fazendo bem, ou a sua equipe não está fazendo bem, que poderiam ajudá-lo. Se você pergunta para os americanos, eu vi essas pesquisas hoje, se você pergunta para o americano, você acha que os Estados Unidos teriam que impedir com a força que o Irã tivesse uma bomba atômica? A maioria da população americana fala sim. Se você pergunta, você acha que os Estados Unidos tem que,
estar em guerra com o Irã, a maioria diz não. O problema está na comunicação. Trump não está vendendo a guerra bem, porque ele acha que ele não precisa fazer isso. Ele só vai lá, dá um post e pronto. E isso está atrapalhando ele. Então, ele precisa amarrar melhor a justificativa do porquê que eles estão indo para essa guerra. Do jeito como ele está fazendo, cada hora fala uma coisa, parece que é algo perdido,
Os americanos não estão conseguindo tangibilizar para que serve isso. Então, em termos políticos e de opinião pública, não está indo bem. Mas não quer dizer que precisaria ir mal. Ele precisa mudar a estratégia de comunicação e aí pode conseguir segurar isso por mais tempo. Ele conseguiu uma vitória no Senado que impediu que ele tivesse que pedir autorização para continuar com a guerra.
política, existe uma preocupação dos republicanos, o que que vai acontecer com eles, dado que agora tudo que ele queria era o que? Inflação baixa. Estava brigando com o FED, querendo interferir no FED pra baixar os juros na canetada, na força. Queria um dólar mais fraco para que as exportações americanas pudessem ganhar espaço no mundo e tarifou o mundo inteiro. Agora,
momento o dólar está se valorizando muito em relação ao mundo. Nós temos a perspectiva de inflação, pelo que a gente falou aqui, por causa do petróleo, e a perspectiva de não queda de juros, que são coisas que mexem muito com a opinião pública americana. Primeiro a inflação, depois o custo da energia, né? Depois os juros que vai mexer com a taxa do mortgage, por exemplo, né? Que é o financiamento das hipotecas, tal, imobiliário, que está atrelado com
os juros americanos mais pra frente, que estão atrelados com a leitura do cenário do que está acontecendo hoje. Então, o Trump está entrando num lugar que pode ser ruim pra ele. Ele tem que amarrar melhor todas essas pontas. Vender esse sacrifício momentâneo. Ou dizer, gente, relaxa, isso daqui é pouco tempo, vai durar pouco. Só que ele está relutante em fazer isso porque ele não quer cair nessa situação de... Primeiro de...
antecipar uma coisa que ela segue um caminho diferente. Porque ele dá um passo. Aí ele espera pra ver o que o regime iraniano faz. Matamos o líder supremo. E aí, eles vão continuar? Será que eles podem sucumbir agora? Não sucumbiram. Aí ele fala, pô, então tem que fazer mais alguma coisa. Vamos botar os curdos na história. Então, a cada passo que ele dá, ele tá esperando que alguma coisa vire pro seu lado. E ele não tá disposto a desistir antes.
Mas eu não acho que ele tá planejando fazer uma guerra de mesas. Porque vai ter muitos outros
problemas, esses todos que a gente está falando. Tem uma coisa que eu acho importante antes da gente sair totalmente dessa conversa do petróleo ou do estreito de Hormuz, que é muito mais relevante não para o mundo, para a economia do mundo, mas para os países árabes. 100 milhões de pessoas vivem naquela região ali e todas dependem de uma coisa, mais do que a energia do petróleo e o dinheiro do petróleo. Água. São 450 plantas de
desalinização na região. Porque eles não têm água e eles desenvolveram uma tecnologia dessas plantas de desalinizar a água e com isso eles dependem dessas plantas. E se o Irã decide atacar essas plantas, aí eles vão ter um problema. Existe um relatório que foi feito pelo embaixador americano na Arábia Saudita em 2008 que vazou no Wikileaks na época e que ele disse que se tem uma
planta de dessalanização que está colocada ali no Golfo da Arábia Saudita, que ela leva água, são 500 quilômetros de tubulação levando água para Riyadh, que é a capital. E se ela for atingida ou se essa tubulação, esse aquoduto for atingido, Riyadh tem que ser evacuada em uma semana, porque você não vai ter como viver lá sem água. E são países desérticos, não conseguem viver sem água,
sem água e o Irã pode a qualquer momento. O direito internacional diz que essas plantas não podem ser atingidas, mas nós já passamos muitos capítulos para além do que o direito internacional diz no mundo. Por isso que a gente está falando de fim da ordem internacional, um novo período, porque não existe mais regra, não existe mais ordem. É a lei do mais forte. A lei do mais forte, sim.
Então essa é uma grande preocupação que o Irã, no último minuto, pode acabar usando. E se ele sentir que ainda o estrago não foi o suficiente, eu vou bombardear essas plantas e eu vou acabar com o fornecimento de água no Oriente Médio. Caramba, professor. Eu tinha até separado aqui na pauta uma pergunta, mas qual a chance de um novo 11 de setembro?
está na equação agora. Então eu queria entrar nesse ponto, porque o que eu percebo é que o Irã tem outras formas de responder que não necessariamente são atacar o território americano. Porque se acontece algo como acabar com a água de um país por causa de um ataque iniciado por um ataque dos Estados Unidos, assim, você naturalmente criou um novo inimigo. Bom, literalmente os países do Golfo vão pedir água. E vão recuar.
vão ter que recuar, porque eles vão estar em uma situação de extremo desespero. E isso é sério, que eles acham, todo mundo acha, ah, ele não vai cruzar essa linha. Mas por outro lado, se ele cruzar essa linha, também ele está, de alguma forma, é uma aposta, é um risco, é um jogo de tudo ou nada aí. A gente chama isso de breakmanship, que é brink, né? Breakmanship é você caminhar os dois em rota de colisão, quem que vai virar antes da gente bater?
E essa é uma estratégia normal em conflitos, em combates estratégicos. O Irã espera que eles vão virar e vão sucumbir. Eles também podem estar pensando, se ele fizer isso, desculpa, aí nós vamos declarar a guerra total ao Irã e nós só vamos parar quando a gente derrubar o regime. Quem desiste antes? Quem tem mais tolerância ao risco e entende as consequências futuras daquela ação? Esse é o jogo, é um jogo de nervos psicológicos, estratégicos,
o que eu faço que vai provocar o que no outro. Os países do Golfo, eles estão bastante incertos de qual caminho eles vão tomar. Pessoal, agradecer aí mais de mil likes, mais de 2.700 pessoas assistindo, deixa o like aí, isso vai levar o conteúdo para mais pessoas. Professor, tenho que dizer assim, não dá para acompanhar aqui o chat, mas uma coisa chamou muito a atenção aqui, o chat foi o seu terno aqui, falaram, o Roque você é muito lindo e inteligente,
terno é lindo também, aí falaram até aqui que eu gostei, falou, pô, o Rock veio hoje de malvadão, tá até de vilão ali, com esse terno preto, gostei. As pessoas não gostam de terno, né, não se vestem mais com terno, não usam mais gravata, mas eu gosto. Você é um partidário das tradições. É, eu acho que essa, tipo, essa a roupa, né, feita sob medida, um terno, acho que é um negócio legal. Olha, a próxima vez que você vier, quando a gente tiver um assunto
tem que ser daqui bastante tempo, né? Vou vir de terno também. Mas não vai ser bastante tempo, pô? O mundo não vai te dar bastante tempo. Sai daqui correndo. Terno já vinha. A gravata que é embaçada. Nossa, eu acho que nem... Você não usa mais a gravata. Ninguém aguenta usar a gravata. Eu tô acostumado. Uso gravata desde sempre e nunca deixei de usar. Então, não me incomoda. Agora, voltando pro 11 de setembro, né? Uma chance de um... Qual que é a chance
acontecer um novo atentado, enfim, e até como os Estados Unidos hoje está preparado. Olha, 11 de setembro é muito forte, que é um ataque surpresa, de um jeito totalmente numa época do mundo que ninguém esperava. Sim, o mundo estava mais light. É, assim, você estava no ápice do mundo unipolar, dos Estados Unidos único, prevalecendo em todas as esferas, não cabe mais isso, e a surpresa já aconteceu, não dá pra ser pego
desse jeito. Mas a ameaça terrorista está presente. O Hamas fez um ataque mirabolante contra Israel dois anos atrás. Sei lá. Um ano e meio atrás. E isso pode acontecer novamente. Claro que os Estados Unidos estão muito mais preparados. A segurança é muito maior. Mas sempre vão existir os lobos solitários. São aqueles terroristas que agem por conta própria e que
podem conseguir fazer alguma coisa. Não acho que tem células adormecidas, prontas. Mas o terrorismo também funciona de maneiras inesperadas. Existe um perigo de terrorismo no mundo? Existe. Mas o Irã também está lidando... Os líderes estão dentro de bunkers agora. Não está fácil para eles estar coordenando isso. Mas essa ameaça existe. Esse é o grande perigo do que Israel lida. Aliás, Israel está...
abriu uma outra frente de guerra contra o Hezbollah no Líbano. E mandou a população, parte da população do Líbano, evacuar pra outros lugares porque tá lutando contra o Hezbollah. Tem um outro ator aí nessa equação que tá quieto. São os Houtis, no Bab el-Mandab, que é a saída do Mar Vermelho do Canal de Suez. Que também é um ponto de estrangulamento e os Houtis não fizeram nada até o momento. Mas eles podem entrar na guerra
E aí você começa a acertar dois pontos de estrangulamento, que não é só do petróleo, mas é um ponto de estrangulamento para o comércio e para a logística global. Terrorismo, então, está presente, é um problema, pode acontecer. Não acho que os países ocidentais não estão preparados para isso, mas eu acho que o Irã vai tentar. Bom, professor, eu quero ouvir um pouco do...
resumida do que a gente já falou nessa uma hora e meia. O que que podem ser os próximos passos? Duração, enfim. Eu sei que é muito difícil você falar de duração num momento como esse, mas se conseguir um o que pode fazer a guerra terminar e talvez o quando já é tão difícil. E pra quem tá aí acompanhando, gente, chat não é impossível, mas se alguém quiser mandar um super chat aí, aí a gente prioriza pra trazer perguntas. Aproveitem aí que a aula tá de
nível com o professor Roque? É... Assim, eu
até queria trazer, mas acho que não dá pra gente abrir um site aqui, né? Não, é que não vai dar pra ver ali, mas... Não, porque um jeito, e talvez você já tenha ouvido falar disso, né? Certamente o pessoal do mercado conhece, que são os mercados de previsão, né? Polymarket, Cauchy, e o mercado de previsão, além dele ser um mercado que você consegue lidar com contratos de eventos futuros, ele é um grande
de informação, como todo mercado é. Só que mercados de ativos, eles são agregadores de informação sobre preços daquele ativo. Agora, um mercado preditivo, ele é um agregador de informação também, além do preço, sobre a possibilidade do acontecimento do evento. E agora, aqui no Brasil, a gente, né, estamos aqui, tem uma empresa,
plataforma brasileira de um mercado de previsão, que é a VoxFi, e está conectada, ainda não lançou, mas a gente tinha uma página aí, que pena que não vai dar para mostrar, mas nessa página a gente tem uns contratos do que pode acontecer. E o que é um agregador de informação? É que isso é mais preciso do que pesquisa de opinião pública. Por exemplo, se eu te perguntar o que você acha que vai acontecer? Você vai falar, pô, não entendo muito, Roque, não sei, não tem um palpite. Se eu te perguntar, você vai falar, ah,
você até vai dar um palpite. Agora você fala, pô, você investe nesse seu palpite? Aí você não investe. Então, se você investiu, quer dizer, né, você comprou um contrato, seja pra redear, pra se proteger, ou seja pra outra razão, a capacidade preditiva daquilo ali é muito maior. É, o skin in the game deixa qualquer coisa mais lá. Então, do ponto de vista da gente prever eventos, um mercado, os mercados de previsão são, talvez, a maior ferramenta
previsão que a gente tem, muito melhor que qualquer pesquisa de opinião, muito melhor do que a conversa com um especialista ou com 10. São centenas, milhares de pessoas ali. Então eu queria mostrar, mas aqui não vai dar pra gente abrir. Mas aí a gente, pô, é o Voxfai, né? EV, OX, FI, né? Isso. Aí a gente põe ali o... Ali tinha uns contratos pra falar, né? Sobre a guerra vai acabar, quanto tempo, o regime vai cair, e aí tem uns palpites no mercado, e o mercado
uma informação muito mais apurada no mercado de previsão e seria legal. Mas, assim, então... Aí também, qualquer coisa, até já vale a pena o... Acho difícil alguém aqui já não seguir o professor Roque, mas pode pedir ali nas redes. Você está mais ativo, principalmente no Instagram, né, professor? Não, no YouTube é maior que o Instagram. Ah, não, na rede social. Ah, sim, sim, mais próximo. É, mas beleza, eu ia usar ali para a gente olhar, mas não dá
Então, o que eu acho que tem que... O Trump tem um plano, um outro plano, que é fazer no Irã a mesma coisa que ele fez na Venezuela, que seria a não derrubada do regime, mas trazer o regime para o lado dele. Isso é mais difícil de ser feito no Irã pela questão ideológica, pela animosidade de décadas, pela tensão dos dois países.
Parte do DNA e da construção da identidade nacional iraniana deste regime estava fundamentada não só na religião, como eu comentei, mas no anti-americanismo. O problema do Irã ou as dificuldades que o Irã tem é porque existem os Estados Unidos. Então existe uma doutrina política que nasceu junto com a Revolução Islâmica que trata os Estados Unidos como o Satã. Não só do ponto de vista religioso, mas do ponto de vista político-econômico.
E o governo econômico geopolítico e Israel junto. Então tem uma dificuldade maior de você quebrar com isso. Mas o Trump acha que esse pode ser um caminho. E pode. Se ele conseguir fazer alguém dentro do regime iraniano que tem poder suficiente reavaliar as suas possibilidades e opções e chegar à conclusão que talvez está na hora de reformular a estratégia de lidar com os Estados Unidos, isso é possível. Mas essa figura ainda não apareceu.
canal de comunicação que alguém lá de dentro ligou e falou assim, a gente está afim de renegociar nossa relação para sempre. Nós vamos ser mais pragmático, nós vamos baixar o tom, a gente desencana da bomba atômica. Isso não aconteceu. O Trump quer que isso aconteça. Uma parte disso ter acontecido na Venezuela é porque o Trump tem uma vantagem e um poder de barganha que é navios americanos colocados na costa da Venezuela que impedem o petróleo de sair ou entrar ou qualquer
coisa acontecer ali que não seja o que ele quer. E isso é um controle, é um gatilho, é uma barragem que ele controla. Existe a possibilidade, talvez, dele replicar isso no Irã, porque 80% de todo o petróleo que o Irã vende pra fora sai de uma ilha que está no Estreito de Hormuz, uma ilha iraniana, e ali é o terminal de carregamento dos navios. O Trump pode estar cogitando tomar essa ilha.
e controlar o fluxo do petróleo dali e virar para o regime e falar, se você quiser vender um petróleo para fora, a ilha está comigo, você tem que fazer o que eu quero. Óbvio que isso é mais difícil porque a ilha está colocada muito próximo do território iraniano e o arsenal militar que o Irã tem e a capacidade militar do Irã não é igual da Venezuela. O Irã é uma civilização milenar, muito mais aguerrida, já foi um grande império,
Eles são inimigos muito mais poderosos do que a Venezuela. Então eles iriam resistir. Talvez o Trump continue desgastando o estoque de mísseis iraniano até que ele possa dar esse passo para chegar e conquistar a ilha. E se ele fizer isso, aí sim ele pode ter alguma ferramenta diferente para barganhar com o regime.
regime tem que ter ficado mais enfraquecido, não tem que ter armas pra conseguir atacar a ilha e tem que tá meio que nas cordas no final pensando, bom, agora ou eu caio e continuo nessa saga ou eu mudo de postura. E eu acho que o Trump ainda vai tentar usar essa cartada. E nessa corrida do estoque de armas, imagino que o Irã é bem mais desfavorecido que os Estados Unidos e Israel, então nessa corrida o Irã é
Na questão da defesa, não. As armas de defesa, elas são muito mais caras, tem um estoque limitado e uma produção limitada. Construir os drones Shaheds de 20 mil dólares é muito mais barato e o Irã consegue construí-los em guerra. Os mísseis balísticos, não. Mas você não precisa destruir todos os mísseis balísticos, só precisa destruir todos os lançadores. Então, assim, o Irã talvez tenha uma vantagem
se ele conseguir esconder o seu estoque. Tanto que ele está parando de lançar a queda dos ataques iranianos de mísseis caiu 85% desde o primeiro dia. Ele está lançando muito menos, porque ele está tendo mais dificuldade e porque os lançadores estão sendo comprometidos. Os drones é mais fácil. Então, os países vizinhos, o drone funciona. Contra Israel, o drone não funciona. Porque é uma distância muito grande.
vem vindo, Israel localiza, detecta o drone, levanta a caça e abate o drone. E é um drone que ele não tem como contra-atacar. Ele é uma bomba ambulante. Nesse sentido, o Irã tem alguma vantagem. É uma corrida. Está todo mundo monitorando, tentando achar onde estão essas bombas, vamos destruir todas o máximo, mais rápido que a gente puder. Chegou um superchat aqui, o Douglas Martins,
486. Primeiro ele mandou um superchat sem a pergunta e depois ele mandou a pergunta. Falei, ah, já vou ler. Só que ele mandou um outro superchat. Obrigadão, Douglas. Não precisava mandar os dois. Mas vou ler mesmo assim. Ele falou aqui, ó. Roque, sou seu fã. Ouvi uma notícia que os curdos entraram na guerra. O que isso pode causar neste momento? Aumenta a probabilidade do regime cair? Você falou durante a live, ele talvez não pegou aquele trecho, mas vamos repetir aí pro Douglas, né? Já que mandou esse superchat.
Então, se o quê? Se os... Se os curdos entrar na guerra, o que isso pode causar nesse momento? Se aumenta a probabilidade do regime... Aumenta, sem dúvida. Israel tem atacado delegacias, postos policiais, forças de segurança na região. Os Estados Unidos estão armando eles e, além disso, Israel está dando um apoio aéreo. Então, eles estão vindo para lutar.
se eles caem numa parte do país. Se o regime cai numa parte do país. Outras partes do país vão falar, opa, é possível derrubar esse regime. E aí você pode começar uma resistência maior com mais gente. Enfim, mais perigoso para o país, para o regime sobreviver. Só que é arriscado. Porque você abre essa caixa de Pandora, você fragmenta o país e depois como é que você junta de novo?
Provavelmente não junta. Isso cria um outro problema para o Irã. Vou aproveitar que não chegou nenhum superchat. Tenho uma curiosidade genuína, professor. Como é que fica a sua rotina numa época? Porque assim, eu vi a sua live no... Foi no sábado mesmo ou no domingo? Foi no sábado, né? Foi no sábado. Teve a live no sábado. Aí teve a live que você fez ontem. Tiveram aparições em podcasts. Hoje você tá aqui. Amanhã eu tenho dois podcasts. E tenho que gravar um outro vídeo. Só que o problema não é só as gravações.
O problema é que eu tenho que acompanhar o que está acontecendo. Exato. Então, como conciliar essas duas coisas? Então, eu passo o dia inteiro lendo, acompanhando. Só que, além de ser muita informação, não é uma informação agradável, leve. É sempre uma informação. E é uma informação que eu já respiro o tempo inteiro. Então, eu estou num lugar que as pessoas... Não é o lugar do dia a dia delas. E aí, quando vem um negócio desse, todo mundo... Ah, terceira guerra, terceira guerra.
entra em pânico, mas dura uns dois, três dias de pânico e elas esquecem. Só que eu estou enxergando os movimentos estruturais e eu vejo a humanidade caminhando para um lugar muito terrível. E são transformações tão gigantescas que é difícil da gente achar que nós vamos ter controle disso na hora que nós escorregarmos. Porque assim, o ser humano sempre comete erros estúpidos.
Enormes. Mas as consequências e as ferramentas desses erros, elas têm pequeno alcance. Elas não alcançam o mundo inteiro, o globo inteiro. Então aquele estrago fica contido. Só que nós chegamos num momento da história da humanidade que todas as nossas ferramentas de poder ou de interação ou que suportam a vida humana são globais, são gigantescas. Então as armas. As armas são nucleares.
A internet é o mundo inteiro dentro desse negócio, que deixa as opiniões, a capacidade de raciocínio, a capacidade de concentração das pessoas totalmente debilitada. Nesses momentos, todo mundo vira influencer de geopolítica. Todo mundo tem que fazer um post sobre a guerra do Irã. Tá bom, entendi, você tem que falar de todos os assuntos, né? E aí, o que as pessoas fazem? Elas vão lá e pegam notícias que elas leem e conectam essas notícias.
Elas não têm conexão nenhuma. Uma delas, por exemplo, os Estados Unidos estão fazendo isso porque ele quer acabar com o fornecimento de petróleo para a China. O que alguém leu? O Irã vende 90% de todo o seu petróleo para a China. Aí o influencer vira e fala assim, então por isso que os Estados Unidos estão fazendo a guerra, ele quer acabar com o petróleo da China. Eu já li outros dias, eu já sei que existe uma rivalidade entre os Estados Unidos e a China toda hora. Ele conecta essas ideias e fala, pá, grande post. E aí vem todo mundo.
Ah, é por isso a guerra. Em economia básica, qualquer relação comercial, e a gente já falou disso aqui em outros podcasts, talvez minha segunda ou primeira participação, sobre a ideia da interdependência econômica. Se o Irã vende 90% do seu petróleo para a China, isso não significa que a China compre 90% do seu petróleo do Irã. A China é importante para o Irã, mas não necessariamente o Irã é importante para a China. Isso. O que é básico. Por que todo mundo deduz isso?
Porque todo mundo transforma relação econômica em interdependência econômica. Qualquer relação econômica se torna uma interdependência. Ah, o Brasil e a China são interdependentes. Mentira. Provavelmente o Brasil, em alguns setores, é muito mais dependente da China do que uma interdependência. Em outros setores, talvez a China seja mais dependente do Brasil. A gente precisa analisar caso a caso.
do petróleo iraniano que vai pra China fazem parte do que a China compra do mundo. 12. 12%. A China compra mais petróleo da Arábia Saudita do que ela compra do Irã. A China investe mais dinheiro na Arábia Saudita e nos Emirados do que ela investe no Irã. Tá aí outra dedução que facilmente a rede social iria conectar e falar pronto. Então a China vai salvar, vai atacar, vai se juntar
o Irã pra salvar o Irã porque o Irã vem de 90% pra China. Não. Ao contrário, se a China for lá ajudar o Irã, ela tá criando um problema com a Arábia Saudita. O Irã tá atacando a Arábia Saudita. Então ela tá queimando o filme com a Arábia Saudita e com os Emirados, onde ela tem muito mais dinheiro. Inclusive o movimento do Irã tá destruindo e criando um problema pra China. Porque ele tá fechando o Estreito de Hormuz e esse problema tá deixando o petróleo saudita
de chegar na China. E assim, ah, tá, e a Rússia? A Rússia vai sair ganhando com essa guerra. Por quê? Simplesmente o preço do barril mais caro faz a Rússia ter mais dinheiro pra guerra. Além do mais, o consumo, o desgaste do estoque das baterias antiaéreas retira baterias e mísseis e outros equipamentos que devem ir
para a Ucrânia. A ajuda americana ou as armas que estão sendo compradas pelos europeus para serem entregues para a Ucrânia, agora não vão ser vendidas na mesma intensidade porque tem outro problema. Então a Ucrânia fica enfraquecida e a Rússia ganha mais munição econômica para continuar com a guerra. Só que não dá para você conectar essas coisas em um dia quando você leu três notícias sobre guerra. Mas tudo isso era para falar o raciocínio anterior, era que
Eu estou vendo movimentações muito mais sérias e muito mais graves que não está no dia a dia das pessoas. E assim, as pessoas estão alienadas sobre esse assunto. A discussão da inteligência artificial, que eu já falei aqui em outros episódios com você, ela está no centro dessa discussão. Essa guerra, vários dos alvos estão sendo bem sucedidos porque eles estão sendo escolhidos por inteligências artificiais.
Ela está no coração de uma das discussões mais importantes. Então a gente tem rede social, a gente tem polarização política, a gente tem intolerância de todos os tipos, a gente tem ideologias malucas, a gente tem uma tremenda instabilidade global geopolítica, cada dia é mais comum, é mais normal, é mais natural guerra. Isso está sendo normalizado. E não é que essa guerra vai levar à terceira guerra mundial. É a combinação de todas essas coisas,
E aí você coloca a inteligência artificial no meio dessa história e você coloca várias outras coisas muito complexas, muito difíceis de serem compreendidas, de serem reguladas, de serem organizadas. E você joga tudo num lugar só pra humanidade gerir isso. Assim, claramente não me parece. E essa parte é a mais desgastante. Porque você passa o tempo inteiro entendendo esses movimentos históricos
estruturais, e você vai digerindo, e você vai vendo, e você vai vendo as peças se encaixando. E as pessoas não estão conseguindo acompanhar isso. E aí você fala, pô, não é essa guerra que é desgastante, depressiva e difícil. É simplesmente o movimento inteiro. Entende? Pra onde nós estamos caminhando? Pra onde nós estamos indo? A gente até hoje não conseguiu criar uma regra ridícula pra você não poder abrir um perfil falso numa rede social sem mostrar que você é de verdade.
Você não entra num avião sem mostrar sua identidade, né? Você não entra num país sem mostrar seu passaporte. Por que raios que você pode criar um perfil falso nesse negócio? E assim, impossível, impossível. Não vamos conseguir. Mas nós vamos conseguir criar regras para gerir como que a inteligência artificial vai ser criada. Nesse ambiente geopolítico, com esse nível de rivalidade, de tensão, de disputa, de tudo onde...
nada, não vamos. E isso é um impulso para todo mundo sair correndo de forma desgovernada. Só que agora não é que saímos correndo de forma desgovernada, cada um com a sua espada. Não, criamos um país que é um exército de gênios. Essa é a carta do Amodei, do cara da Antropic, o manifesto dele. Fala, se eu criar um país que ele é uma população de super Einstein's, esse é o país que você vai ter que
se deparar. Só que ele não é humano, ele é de inteligência artificial. Percebe? Isso é um ponto até que eu queria que você comentasse um pouco, aproveitar que mandaram uns superchats aqui, mas foi, por enquanto, só o universo OVNI que quer convidar você para ir para o canal dele. Como fazemos? Acho que tem muita gente aí na fila, mas a gente deve tentar lá pelas redes sociais do professor Roque. E ele fez até um comentário aqui, achei engraçado. Vocês deveriam olhar no chat, tem
sem educação e que não sabe se comportar levando tudo para o lado ideológico. Eu acho que vocês deveriam não olhar no chat, porque às vezes o chat... Olha um pouco o chat, olha o nível da loucura. Como que é isso? É uma coisa tão simples. Imagina as coisas complexas e complicadas. A gente não consegue gerenciar um negócio desse. Nós estamos falando de guerras a todos os cantos do mundo, a todos os momentos. Nós estamos falando de tantas coisas tão mais profundas e complexas.
pra onde a humanidade tá indo. E o Engli 112 mandou aqui 5 euros e não mandou nada. Então, pô, obrigado, cara. Valeu. Já ficaria feliz com 5 reais e 5 euros, então melhor ainda. Inteligência artificial na guerra. Assim, acho que até se talvez tenha algum grande avanço tecnológico nessas últimas ofensivas nos Estados Unidos é aquela eficiência ali no...
Acertaram o caso da Venezuela. Foi um absurdo. A gente está vendo aí também. O quanto isso já dá para dizer claramente. Mudou completamente esse jogo de guerra. E os Estados Unidos estão muito à frente dos outros. Pensando que talvez a China seja o grande rival da inteligência artificial. Mas a gente não viu nada ainda na China. Não sei se é porque não vai se envolver mesmo. Ou porque também não está tão preparado.
parada, assim, enfim. Na área de inteligência artificial, você diz ou não? Ligada à segurança. Focada em segurança. Porque a China não fez seus movimentos, né? Sim. Mas a corrida da inteligência artificial só existe em dois países. Certo. Estados Unidos e China. Acabou. E é uma... Existem cenários diferentes, existe um questionamento. A China está buscando a fronteira? Chegar à frente na fronteira? Ou ela não está gastando dinheiro com isso e está contando que ela vai conseguir,
copiar, recuperar, imitar depois. Deixa os Estados Unidos gastar o dinheiro na fronteira e depois eu copio e imito como a China faz com a maioria das coisas. Eu roubo segredos industriais, eu vou ter espionagem industrial, vou conseguir ter acesso ao modelo americano. Essa é uma das discussões. Qual caminho a China está buscando seguir? Um ou outro?
inteligência artificial vai caminhar para uma super inteligência ou não? Vai ser um negócio cheio de gargalos, vai continuar alucinando, vai dar alguns saltos em algumas áreas, mas não vai ganhar atração. Se a gente acha que ela vai para o caminho da super inteligência, aí nós estamos falando de uma disputa muito mais importante, aonde a ideia de você chegar primeiro faz toda a diferença. E essa rivalidade geopolítica causada pelo Senado,
geopolítico, tem um impacto total em como a inteligência artificial vai ser desenvolvida. E claro que a inteligência artificial vai afetar economia, cultura, política e forças militares. Na discussão das forças militares, uma das maiores discussões de todas é autonomia para a inteligência artificial atacar, escolher os alvos e dar o comando à ordem de ataque. A briga com a Antropic
É por isso, porque a Modi não quer que a Antropic ceda ou tire e retire as travas morais e éticas que existem para que se possa dar o comando de uso de armas por uma inteligência artificial. Porque isso é uma discussão unânime dentro do campo de perigos da inteligência artificial na área militar. E a briga do governo americano agora, do Pentágono, foi que o secretário,
de defesa do Pentágono virou e falou assim, olha, eu quero que você me dê uma versão que não tem essa trava, porque eu quero, a gente quer que ela possa escolher e dar o comando dos alvos. E aí a Antropic virou e falou não. E aí o Trump ameaçou nacionalizar a empresa e puni-la como uma empresa que, enfim, oferece um risco à segurança nacional americana, então ela vai ficar de fora dos contratos, de um monte de coisas. Só que a Antropic está
despontando como a mais avançada, como a melhor de todas. Então como é que o governo faz isso? O governo americano pune justamente a melhor se ele tem que ganhar uma competição com a China. Entendeu? É contraditória essa política. E aí tá bom, então não posso punir, ele pode acabar deduzindo que ele vai ter que nacionalizar. E essa é uma outra discussão importantíssima. Tem exemplos mais práticos do uso da inteligência artificial na esfera militar, além desse mais
preocupante de todos, que em última instância envolve a inteligência artificial ter o poder de lançar ou não uma bomba atômica, ela decidir se lança ou não, que é, a gente assistiu na morte do líder supremo. A unidade de inteligência de Israel, que se chama unidade 8200, que é um braço eletrônico, de vigilância eletrônica, de hackers, é um grupo tecnológico dentro do serviço de inteligência israelense
ele é monitorar, coletar dados e tal. E ele está há 20 anos, essa unidade está há 20 anos tentando ter informações sobre o líder supremo e sobre o funcionamento de tudo dentro do Irã. Eles hackearam o sistema de vigilância de câmeras do Irã, porque o Irã é um estado repressor policial que criou todo um aparato para vigiar e patrulhar as pessoas. E a Israel usou essa arma iraniana contra eles mesmos. Então Israel hackeou,
então tinha acesso a todas as câmeras de Teheran. E com isso começou a monitorar todo mundo. E aí foi lá, olhava na câmera e via quem é o carro que está parado na frente do Palácio do Líder Supremo? Ah, é um segurança. Ah, esse segurança é dele. Então, quem é ele? Reconhece ele. Vamos ver qual é a vida dele, onde ele mora, o que ele faz, que horas ele acorda, quanto tempo ele leva. E você foi fazendo isso com todo mundo. Só que é impossível você fazer isso com uma grande quantidade de dados se você não tivesse inteligência artificial. Israel pegou todos esses dados
e começou a controlar, né, ou a digerir, a processar todos esses dados, e aí sim conseguiu chegar na hora certa, num lugar certo, da maneira correta, pra fazer o ataque inicial da guerra. Então, esses são usos já de inteligência artificial que mostram que estão dando resultado e diferencial. Mas a discussão com Antrop é que ela tá também no centro dessa briga toda, porque se nós vamos permitir que a inteligência artificial possa lançar armas,
nós estamos ficando perto de um Skynet, um Terminator, um exterminador. Chegaram dois superchats aqui, um, o Eu Sou Francisco Bruno falou, Roque, será que os Estados Unidos e Israel vão atacar o Brasil? Eu sei porque as pessoas fazem essa
pergunta. Acho que quem tem, tem medo, né professor? Não, mas assim, eu não entendo. Por que que os Estados Unidos ou Israel atacariam o Brasil? Por quê? O Brasil é uma nação que financia o terrorismo. O Brasil é uma nação que causa problemas pro mundo. O Brasil é uma grande ditadura do nível da Venezuela ou do Irã. O Brasil ele tem uma presença estratégica
e militar, deixando todo mundo preocupado? O Brasil é uma ameaça à segurança internacional? O Brasil tem um programa nuclear clandestino? O Brasil financia outros grupos em outros países para atacar aliados americanos? Assim, a lista é infinita, eu posso ficar aqui horas e nada do que eu comparar com todos esses lugares que foram atacados, o Brasil tem. Eu não sei porque isso precisa ser dito, eu não entendo como que isso não
é óbvio. E eu não estou falando pela pergunta dele, porque eu recebo essa pergunta de, sei lá, eu recebo essa pergunta no meu Instagram e eu respondi, os Estados Unidos, o Trump vai atacar o Brasil? E eu respondi em letras garrafais, jamais. A quantidade de resposta, de reação a essa, me perguntando, por que jamais? Eu falei, mas por que? A pergunta não é por que jamais, é por que que ele vai atacar o Brasil? Eu não entendi por que que ele tem que atacar o Brasil. Nem ideológico o Trump é.
Senão ele não estaria negociando com o Lula. Senão ele não estaria retirando a Lei Magnitsky. Senão ele não estaria fazendo o que ele faz. O Trump não é ideológico. Convido todos a assistirem um vídeo meu que tem no meu canal que fala da Lei Magnitsky e eu explico a personalidade do Trump do ponto de vista de liderança que existe. Os líderes ideológicos, os líderes transformacionais e os líderes transacionais como o Trump. Trump é um líder transacional.
ele não é ideológico, ele é de direita. A plataforma política dele é de direita. Políticos precisam de um discurso numa posição ideológica. As ações deles mostram qual é a ideologia de verdade dele. E muitas das ações do Trump não são ideológicas, são transacionais. Então o Trump não é um líder ideológico. Não tem porque ele invadiu o Brasil. Tem mais duas aqui do Superchat.
Eu vou pegar a segunda que veio, que eu achei muito boa. O Henrique Salim aqui mandou 27,90. A gente falou, num cenário de terceira guerra mundial, o lado em que a Índia decidir estar, será o principal fator decisivo para o resultado? Não sei se o principal, mas vai ser importante qual é o lugar que a Índia vai estar. E ela não vai poder ficar em cima do muro. Ela vai ter que escolher um lado em algum momento.
a Índia esteja contra a China, porque ela tem disputas territoriais contra a China. E se começa uma guerra, os vizinhos são os primeiros a também serem alvos. Pode ser que a China faça um movimento nas regiões que ela disputa e reivindica com a Índia. E aí como que a Índia vai responder a isso? Movimentos chineses podem incomodar a Índia mais imediatamente do que movimentos americanos. Porém, um outro lado,
A outra faceta dessa moeda é o Trump começou a criar problemas com a Índia. E a Índia, depois de anos, foi visitar a China numa reunião e num encontro que estava o Putin, o Kim Jong-un e o Xi Jinping, claro, e o Modi. Não é um encontro qualquer, é ele se aproximando do eixo das ditaduras, que é Rússia, China, Irã, Coreia do Norte. Só faltou o Irã estar ali. E a Índia chegando ali, o Modi chegando.
lado também, a Índia está bem mais próxima de Israel, ultimamente. Israel é um super aliado americano. A gente não sabe. Eu concordo que a Índia tem um papel, vai ter um papel bem importante nessa história, mas não está claro qual é o lado que ela vai tomar. Mas não é decisivo assim, não necessariamente é decisivo, sabe? Chegou uma pergunta do Luiz Neto aqui, um pouco mais de cunho histórico. Boa noite, qual a origem dessa conexão
geopolítica tão forte entre os Estados Unidos e Israel? Ela é múltipla. Primeiro, tem a explicação geográfica que Israel está localizado na porta de entrada de conexão com o mundo oriental. O Mediterrâneo é uma âncora de posicionamento. Então, se o Ocidente quiser brecar o avanço dos impérios orientais,
ele precisa ter um pé dentro do continente oriental. E esse pé não pode ser o mar, esse pé tem que ser dentro do território. Israel está localizada no Levante, que é uma região na costa do Mediterrâneo, do lado do mundo oriental. Então a presença de Israel ali é um impedimento para que esses impérios consigam projetar poder, seja o Império Otomano, seja o Império Persa, seja, sei lá,
Império Chinês. Está longe, mas ok. Então, Israel tem essa função. Manter ali aquela linha de contenção última é uma delas. Aí nós temos laços culturais, tem laços religiosos e tem laços políticos que surgem. Os políticos, por exemplo, surgem na Guerra Fria, quando a União Soviética estava ajudando os países árabes e Israel, então, os Estados Unidos se aproximam de Israel. Existem os laços culturais
que são a comunidade judaica dentro dos Estados Unidos. É muito forte, muito grande e isso naturalmente vai aproximar os dois lugares. Existem os laços religiosos, que para uma grande parcela dos cristãos é o povo escolhido e a terra de Israel tem que ser dada ao povo escolhido. E os Estados Unidos, por ter uma população bastante religiosa,
de cristãos não católicos, principalmente, faz com que, protestantes, evangélicos, etc., faz com que eles tenham uma afinidade, uma proximidade com Israel. Professor Roque, vou aproveitar que o superchat deu uma tranquilizada e vou liberar o senhor. Muito obrigado por mais uma aula aqui. É sempre muito esclarecedor. A gente aqui está acompanhando o mercado financeiro muito de perto.
Como você mesmo disse, os ruídos ali no dia a dia, a gente fica muito atento àquilo tudo, mas vale a pena essa visão um pouco mais distante de quem olha como se estivesse numa distância bem maior para conseguir ver esses movimentos que não necessariamente vão estar na capa do jornal, mas que são os que vão fazer preço, literalmente, no mercado a longo prazo. Sempre muito bom você aqui. Espero que você tenha gostado. Sempre. Porque a gente quer você de volta aqui sempre. Vou estar aqui. Convidar todo mundo para quem não me segue, me seguir.
Professor Rock, Rock H-O-C, meu YouTube, aulas longas, tô cobrindo a guerra também, se você quer se aprofundar, tem vídeos antigos, tem o vídeo da geopolítica do Irã, geopolítica de Israel, geopolítica da Turquia, são aulas complexas, longas, te ajudam com embasamento pra entender tudo isso. Tem o meu aplicativo, que é o Rock Academy, e ali você consegue ter cursos, aulas, ainda mais aprofundados,
e é um aplicativo, você baixa no celular, tem na loja da Apple, do Google, é uma assinatura anual, você tem um monte de outros professores além de mim, você tem cursos, aulas especiais, como eu disse, e você tem uma sessão que é o Bunker do Rock, que é um feed de notícias em tempo real, onde você recebe um resumo diário das notícias principais do que está acontecendo. Não é a notícia resumida, é uma análise já curta, direta, fácil,
e tá entendendo o que tá acontecendo com credibilidade, confiança e tal. E vou aproveitar e convidar todo mundo pra ficar atento, nós estamos falando aqui de terrorismo, eu produzi um documentário, levou alguns anos aí, visitei vários países, e eu falo sobre o documentário sobre o terrorismo na América do Sul. O Brasil não foi alvo, mas a América do Sul já foi, nós tivemos um atentado na Argentina, nos anos 90, o Irã, que coordenou esse ataque,
Agora, depois do ataque do Hamas, a Polícia Federal prendeu membros do Hezbollah que estavam planejando fazer um ataque terrorista no Brasil. Esse é um projeto de mais de dois anos que eu viajei para muitos lugares no mundo e finalmente vai ficar pronto e nós vamos lançar em breve no meu canal. Então, fiquem atentos. Explico, viajo o mundo, vou para Londres, vou para França, para vários lugares que tiveram ataques terroristas.
E claro, olho para a América do Sul, para o Brasil, não estamos livres dessa ameaça, principalmente porque a gente tem crime organizado junto com esses grupos em regiões específicas da Tríplice Fronteira e assim por diante. Então convido vocês, fiquem atentos, em breve vamos estar lançando esse documentário também legal, tudo está lá no meu canal, sigam e vamos ficar de olho o que está acontecendo.
de ver quantos seguidores você está lá no YouTube. Já 2 milhões e 80 mil inscritos ali no canal do Professor Roque. Então, para quem não está inscrito, vai lá. Se inscreve. Se inscreve, isso. E, bom, quem também não está inscrito no Market Makers, se inscreve aí. A gente bateu um belo número de likes aqui, mas, pô, se você viu até o final a live ou a gravação desse papo, já deixa o seu like aí para esse conteúdo chegar em mais pessoas.
Só lembrando, Market Makers não é só um podcast. Temos a nossa newsletter, temos a nossa comunidade de investidores, o M3 Club.
Temos o nosso fundo de ações que está voando graças a Matheus Soares. Temos a nossa The Report, a revista digital do Market Makers. Enfim, tem Market Makers em texto, em áudio, em vídeo, de todas as formas possíveis para você virar um investidor melhor, um ser humano melhor. Até a próxima e tchau!